a a c o r d a r
segunda-feira, 9 setembro 2002é com as últimas palavras do dia que normalmente sonhamos. há quem tropece no ridículo ou quem se embriague no ocaso da consciência. coisa pouca e opaca, pois os pequenos delírios não são mais do que contos de fada tocados em flauta transversal decorada a rebuçados de vários sabores. reparo na ainda leve (e desfocada) presença da manhã, enquanto permaneces acordada. não consegues adormecer, mas precisas, não precisas? não sabes que desenhas a cinzento os sons que deambulam pelo teu quarto? a febre evapora-se entre o chá de limão com açúcar amarelo e as torradas amanteigadas da avó. o queijo cheira mal. está estragado. não lhe toques. há ruídos abstractos no último andar e um gato ciumento persegue o lento nascer do dia. as sirenes brindam a mancha de café na toalha de seda. há quem ainda sussurre as últimas palavras do dia, ao mesmo tempo que existe quem murmure um ensonado e apagado "bom dia".
no nosso quarto ::: rabisco-te (ao acordar).
