dois
segunda-feira, 9 setembro 2002

nem me acredito que estás a dormir no quarto ao lado. as viagens podiam ser bem mais simples. deprimem-me facilmente, com a paciência a esgotar-se na banalidade das conversas dos outros, nos odores e sabores dispersos e nos percursos suspensos por narizes empinados. tenho medo do artificial, da síntese, das nuvens negras que insistem em aparecer sem serem chamadas. há também o sol e as mulheres-a-dias - que não sabemos a que horas chegam - mais a sede de nos embriagarmos juntos no quarto. os discos continuam apressados, enquanto dormes. nenhum olhar é como o teu. e eu, entre chuva e cigarros não acabados, estranho o estares a dormir no meu quarto. no nosso quarto. "you are so beautiful" num inverno em agosto.


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