nove
segunda-feira, 9 setembro 2002não há marcas. apenas vestígios. de canções que serão mas que já podiam ter sido. o veludo permanece inabalável no voo do pássaro aflito em trapézio vertiginoso sobre poemas e frutos. corre pelas veias o calor de outras planícies e as saudades de planar no quarto ao lado. a dor é passageira. a melancolia subsiste ao jogo de futebol que não vejo ao contrário do que pensas. não sei o que pretendes saber. duvido que consigas dizer, a partir de hoje, as mesmas palavras doces. duvido que consigas repetir, a partir de hoje, os mesmos gestos subtis. duvido que, a partir de hoje, adormeças tão leve, segura e confortável como nos outros dias. há algo que te falta, como se fosse arrancada uma pétala de uma flor incandescente, enquanto o sol entra pelo quarto às três da tarde murmurando: "hora de acordar".
