seis
segunda-feira, 9 setembro 2002o desejo de partir desvanece-se em sorrisos e abraços de veludo. o tempo parece voar no regresso ao local de uma panóplia de crimes perfeitos. basta um sinal, o ranger inquieto da madeira e divaga-se sobre o sexo dos crustáceos. há carinho nos olhares, cumplicidade nos sorrisos, um cais de beatas e de copos vazios que reacendem a chama desta viagem deambulante entre polaroids revisitadas e sombras de passos sobre pontes a estalar. há quem prefira regalar-se com a paisagem, enquanto rendo-me ao incandescente brilho da lua assassina. sim, porque eu vejo a mesma lua que tu vês flutuando indeciso pelos retalhos dos quadros por nós desenhados e inocentemente esquecidos na água e no sal gelado das precárias memórias de calor.
