vinte
segunda-feira, 9 setembro 2002nada nem ninguém nos pode salvar. nem o coração, nem a voz da razão. deixem acender as luzes do palácio de césar e logo veremos. acordas sonolenta? ainda não adormeci. há velhos no jardim iludidos por pedaços açucarados de sol envergonhado. há quem prefira legumes salteados ou t-shirts abstractas. o pior é o rancor nos rostos impenetráveis de antepassados guerreiros que não são sendo. acende a luz. acena-nos num canto engaiolado cobrindo-nos de gelo antibiótico. assim é mais fácil perceber que não estás só enquanto o cão late as saudades do seu mais reluzente amor. espera-nos, finalmente, a tamanha passagem da noite para o dia e a tosse ébria dos dias de chuva sufocados pelo vento, pelas nuvens e pela angústia de ratos engripados. os sonhos esvaecem-se a bordo de um navio de dúvidas e incertezas. o artista é assassinado pelas sílabas tónicas que rompem virgens segundos em quartos incendiados de mal estar por mesquinhos insectos venenosos, perigosos assassinos em série. éramos todos tão inocentes por culpa das nossas queridas avós feridas pelas bolhas de ar e pelos erros de cálculo.
