vinte e um
segunda-feira, 9 setembro 2002

as toupeiras agigantam-se na seda pura das artérias solares desventradas pela sede de verdade na certeza transparente de que estamos todos doentes e a febre demoníaca impede-nos de avançar sem cuidado e persegue-nos em cada beco sem saída da urbe gritando inconstante ao sabor delicado de um piano depressivo e dos comprimidos adocicados que nos fazem dançar sobre as lágrimas de veludo. são púrpura os sinais que nos suspendem a infância em pequenas gotas musicais saídas das pálpebras carregadas de um violino célere. amanhã, depois do sono, será outra a canção aos olhos lentos e cinzentos da razão.


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