a chuva e o andar
sábado, 13 março 2004chamo-me margarida e explicaram-me, quando era pequena, que foi o meu irmão que escolheu o meu nome. nesta altura do ano cai-me, sempre, a pele da ponta dos dedos das mãos. chove, muitas vezes, na rua. não tenho tempo, mas principalmente habilidade, para guarda-chuvas. entro no meu dia-a-dia com a pele dos dedos enrugada de limpar a chuva da cara. gosto de andar na rua a olhar para os meus pés. estudar o balanço. pousar-me no equilíbrio de um passo. arriscar o salto nas poças. fechar as mãos dentro dos punhos da camisa. guardar o polegar dentro da mão. guardar as pontas do cabelo nas voltas do cachecol. limpar, com as mãos, a chuva da cara. cantarolar baixinho e ouvir o eco nos corredores, elevadores, casas-de-banho. sorrio no sucumbir do som. às vezes as árvores são obstáculos, como as portas e as paragens de autocarro. às vezes as nuvens fazem sombras enormes no chão. e depois vem a noite. eu escrevo tolices porque penso tolices. mudo por vezes de tolice num instante, e as pessoas ficam tão confusas quanto eu.
[margarida]

Escreves muito bem. Mesmo. Deixo aí o meu mail caso queiras conversar um pouco. Deves estar admirada, não vi grandes comentários por aí. Vim parar aqui por acaso e gostei. Beijo.
#1 Marina Ruiz
Escreves muito bem. Mesmo. Deixo aí o meu mail caso queiras conversar um pouco. Deves estar admirada, não vi grandes comentários por aí. Vim parar aqui por acaso e gostei. Beijo.
#2 Marina Ruiz
Merda, apaga um dos comentários, isto bloqueou e eu pensei que não tinha ficado.. hunf.
#3 Marina