meu amor
domingo, 14 março 2004

neste momento em que escrevo, percebo que não quero nunca decepcionar-te. confirmo sempre o número de dedos por mão. pés por perna. um cinzeiro e uma toalha. tenho a mania de desligar coisas. acordo a meio da noite para desliga-las ou confirma-las. com cuidado. um ritual inutil que me basta para me achar maestro desse horizonte habitacional. acho-me heroina, por isso, e não consigo dormir depois. não quero decepcionar-te nunca. olho o teu sorriso, adormecido, e tenho sono e mapas. gosto da tua beleza de harpa. beijo-te e o teu sorriso fica colado à minha boca. confirmo então, mais uma vez, o numero de dedos, de pés, de olhos, de isqueiros e de pestanas. confirmo o percurso da luz a nascer pela verdade obliqua da nossa cama e das nossas pernas. não quero decepcionar-te nunca. amo-te.
[margarida]
