winter shoes
terça-feira, 8 fevereiro 2005

dissipo. possa eu ouvir-te dissipar-me. à flor da terra. comigo. talvez se construam caminhos que não se pisem nunca. insensível. fez-se eterna a hora de hoje. mas a medir acho a fragilidade. erro a poça. perene, nos meus sapatos-para-a-chuva. fez-se flor a mão que deixei cair. uma a uma. são vagas as pétalas. as palavras que se afloram na garganta. e morrem dentro da boca. comigo. dissipo-me. possa eu ouvir-te gritar. escoar. límpido e imenso. a voz. nisto se igualam as mãos: a voz. só nisto teimo em forçar a memória. uma a uma. dissipam-se, as mãos.

[margarida]


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