é estranho e invulgar voltar a ler coisas que tenha escrito
domingo, 3 julho 2005dissipo-me. possa eu ouvir-te e dissipar-me à flor da terra, comigo. talvez se construam caminhos que não se pisem nunca. mas faz-se eterna a hora de hoje. e a medir-me, insensível, acho a fragilidade. erro a poça. perene, nos meus sapatos-para-a-chuva, durante o verão. faz-se flor a mão que deixei cair. uma a uma. são vagas as pétalas. as palavras que se afloram na garganta. e morrem dentro da boca. dissipo-me. possa eu ouvir-te gritar. ecoar. límpido e imenso: a voz. nisto se igualam as mãos: a voz. só nisto teimo em forçar a memória. uma a uma: na voz dissipam-se as mãos.
[margarida]
