(2005/06) Belenenses 0 - 2 Gil Vicente
sexta-feira, 6 janeiro 2006
Regresso da Liga após a longa paragem de Natal e Ano Novo, com um jogo fraco entre duas equipas que procuram fugir da zona de despromoção e a mostrarem necessidade urgente de fazerem contratações de Inverno: se o Belenenses ainda não 'atacou' o 'mercado', contrariando a lógica das últimas épocas, o Gil Vicente apenas assegurou a aquisição de Mateus, que, devido ao seu estatuto de amador, não deverá poder representar o clube esta temporada. Quanto ao resultado final, vitória justa do Gil Vicente, que, mesmo reduzido a dez unidades desde o final da primeira parte, conseguiu superiorizar-se a um Belenenses amorfo e descrente, sem qualquer fio de jogo e com pouco sentido de baliza: dos 14 remates efectuados pelos 'azuis', apenas quatro levaram a direcção correcta.
O Belenenses, de José Couceiro, apresentou-se no habitual 4x3x3, que varia entre o 4x2x3x1 sem posse de bola e o 4x1x2x2x1 ofensivo. Vindo de duas vitórias consecutivas, segundo melhor registo da temporada, José Couceiro optou por repetir pela terceira vez (também consecutiva) o mesmo 'onze': Marco Aurélio foi o guarda-redes ; a defesa de quatro unidades contou com Rolando e Pelé no eixo central, enquanto que Sousa e Vasco Faísca, ambos protagonistas de exibições medíocres, foram os laterais ; Rui Ferreira actuou à frente do quarteto defensivo, apoiado por Pinheiro, que desenvolveu uma acção entre segundo médio defensivo quando a equipa defendia e interior direito ofensivo quando a equipa atacava, ficando Ruben Amorim, a desempenhar funções entre o centro e a esquerda, com o papel de médio mais ofensivo. Nas alas, Paulo Sérgio e Hassan Ahamada, ambos em noite pouco inspirada, procuravam ser o apoio a Meyong, o avançado mais fixo, que esteve muito desapoiado.
O Gil Vicente, de Ulisses Morais, procurava conseguir a sua segunda vitória consecutiva, depois do triunfo feliz diante do Sp. Braga, algo que só acontecera uma vez até aqui. Para isso, o técnico da formação de Barcelos optou por um esquema de 4x3x3, bastante mais contido do que o adversário, já que em situação defensiva contava com o apoio de Rodolfo Lima (ala esquerdo) no sector intermediário, e que procurava sobretudo explorar a velocidade de Carlitos aberto na ala direita, onde foi uma enorme dor de cabeça para Vasco Faísca (e depois Djurdjevic). Assim, Jorge Baptista foi o guarda-redes ; à sua frente uma linha defensiva de quatro unidades, com Nandinho (que desperdicio!) e João Pedro nas laterais, e Marcos António e Rovérsio a formarem o eixo central defensivo ; à frente da defesa actuou Bruno Tiago, apoiado de perto por Elias, que, em situação ofensiva, procurava libertar-se para interior direito, ficando Gouveia com a missão de médio centro organizador, entre o centro e a esquerda, ainda que, em situação defensiva, praticamente funcionava como terceiro trinco ; nas alas, o decisivo Carlitos, abria à direita, enquanto Rodolfo Lima, que partia muitas vezes da posição de quarto homem de meio-campo, procurava fazer o mesmo à esquerda, no apoio ao possante e extremamente lutador Carlos Carneiro.
[notas]
. Com a vitória no Restelo, o Gil Vicente quebrou um ciclo negativo de 7 derrotas consecutivas fora de casa, terceiro pior registo dos 'galos' na sua história primodivisionária, só superada pelas 8 derrotas consecutivas extramuros de 1990/91 e 1993/94. O golo de Carlitos travou também o pior registo sem marcar golos fora de casa da história do clube: igualmente 7 jogos - o último golo tinha sido apontado na Luz, na 2ª jornada do campeonato - que só encontra paralelo em 1990/91, quando o Gil Vicente, também durante sete jornadas, não marcou qualquer golo na condição de visitado.
. 4ª derrota em 9 jogos em casa do Belenenses - as outras foram diante de Estrela da Amadora, Rio Ave e Marítimo - num registo muito abaixo das expectativas criadas no início da temporada. Ao todo, o Belenenses somou 13 pontos em 9 jogos em casa, quando, nos primeiros 9 jogos caseiros na condição de visitado a temporada passada somava 18.
. Como suprir a lacuna da ausência de Meyong na CAN? O avançado camaronês foi o autor de 11 dos 17 golos dos 'azuis' nesta Liga. Romeu, o seu habitual substituto, somou o seu 14º jogo da temporada - 12º como suplente utilizado - e não marcou ainda qualquer golo. O último golo do possante avançado, ex-Vitória Guimarães, aconteceu a temporada passada, no empate dos vimaranenses em Aveiro (2-2).
. O Gil Vicente é a equipa mais indisciplinada da Liga: foi a 5ª expulsão da temporada (a que se juntam ainda 55 cartões amarelos), a segunda de Rodolfo Lima, que já havia sido expulso, diante do Boavista, também na primeira parte do encontro. Curiosamente, a formação de Barcelos não se tem dado mal nessa situação: tal como acontecera frente ao Braga, em que consumou a reviravolta no marcador, com apenas dez unidades, frente ao Belenenses a equipa de Ulisses Morais chegou à vitória com apenas 10 unidades.
. Reduzido a 10 unidades, Ulisses Morais reorganizou a sua equipa num 4x3x2, mantendo a formatação das duas linhas mais recuadas, com Carlos Carneiro a descair para a esquerda, de onde procurava depois diagonais para o meio. Couceiro, face ao nulo e à vantagem numérica, mexeu como lhe competia na equipa ao intervalo, mas não leu bem o jogo: tirou Vasco Faísca, incapaz de parar Carlitos, mas lançou Djurdjevic, que, fruto da sua maior vocação ofensiva, concedeu ainda mais espaços à lança barcelense, base de todas as iniciativas ofensivas da equipa ; e a saída de Rui Ferreira, que compensava, algumas vezes, à esquerda, ficando com uma dupla de médios volantes (Pinheiro e Ruben Amorim) no apoio ao '10' Silas, em noite desinspirada. Depois do Gil Vicente chegar à vantagem, Couceiro respondeu com a entrada de Romeu, abdicando de Sousa, arriscando um 3-3-4, que não produziu efeitos, dado a pronta resposta de Ulisses Morais, que passou a estruturar a equipa num 5-4-0, reforçado com a entrada de Braima para 3º central e o recuo de Leandro Netto (que rendeu Carlitos) e Carlos Carneiro para a linha de meio-campo, sempre que a equipa não tinha a posse da bola. Os caminhos para a baliza de Jorge Baptista estavam todos tapados e o buraco à esquerda da defensiva do Belenenses manteve-se, já que Djurdjevic nunca foi capaz de desempenhar o papel de defesa (central) esquerdo.

O blog está assim um pouco abandonado, é pena!!!!
#1 Miguel Seabra
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