(2005/06) Balanço da 1ª volta (I)
quarta-feira, 11 janeiro 2006Classificação:

Líder em 10 das 17 jornadas, o FC Porto chega ao final da primeira volta como líder justo da prova. É certo que a defesa tem sido o calcanhar de aquiles da equipa, ao contrário do que é habitual, mas a titularidade de Paulo Assunção a partir da 8ª jornada equilibrou a equipa, não sendo por acaso que o FC Porto passou a sofrer menos golos e nunca perdeu com o médio defensivo brasileiro em campo. Foi também o render de guarda de Adriaanse em relação às suas concepções de futebol ultra-ofensivo, imagem portista das primeiras jornadas. Ainda assim, para além do maior número de vitórias (12) e menor número de derrotas (1), o FC Porto tem o melhor ataque da prova com 29 golos marcados e o melhor saldo entre golos marcados e sofridos: 19.
O campeão Benfica faz a viragem no momento mais alto da temporada: 2º lugar, fruto de cinco vitórias consecutivas. É a segunda vez que os 'encarnados' alcançam tal feito intervalado por 4 jogos sem vencer, depois de um início de temporada desastroso: 1 ponto em 3 jogos. Há seis jogos sem sofrer golos, o Benfica também reequilibrou as contas defensivamente - 5ª melhor defesa - e apresenta o segundo ataque mais realizador da prova, a par do Sporting, com 25 golos marcados. Os 'leões', actualmente no 5º posto da classificação, têm pecado sobretudo no aspecto defensivo, apresentando uma média superior a 1 golo sofrido por jogo, ao nível de Belenenses e Gil Vicente, as primeiras equipas acima da linha de água. A irregularidade foi a imagem de marca leonina nesta primeira volta do campeonato, onde apenas em quatro jornadas (todas no início da prova, ainda com José Peseiro) se situaram em zona de acesso à Liga dos Campeões.
As boas carreiras de Nacional, Sp. Braga e Vitória de Setúbal são outros aspectos a reter na primeira volta, o que demonstra também a vitória das concepções mais rígidas e tácticas na Liga 2005/06. O Nacional, de Manuel Machado, parece disposto a superar todos os 'records' alcançados por Casemiro Mior há duas épocas atrás. Aliás, em 2003/04, época em que os madeirenses terminaram a prova em 4º lugar, o Nacional fez a mudança de volta com menos 11 pontos e estabilizado no 8º lugar, posição mais vezes ocupada até aí. Este ano, ao invés, a equipa esteve mais de 1/3 da primeira volta no 2º posto, baseando essa regularidade por cima numa estrutura defensiva sólida, alicerçada pela segunda defesa menos batida da competição. Em termos ofensivos, a equipa foi-se também tornando mais eficaz, e já tem o quarto ataque mais realizador do campeonato, a par da União de Leiria.
O Sp. Braga, por sua vez, teve um arranque demolidor, conseguindo a liderança da prova durante cinco jornadas consecutivas, entre a 7ª e a 11ª ronda. A partir daí, a formação de Jesualdo Ferreira entrou em quebra, descendo degraus na tabela, fruto de inúmeras lesões, que parecem agora caminhar para uma retoma. Com apenas 19 golos marcados - apesar dos 6 golos marcados a Benfica e Sporting -, a solidez defensiva foi a grande imagem de marca da equipa - 1 golo sofrido nas primeiras 9 jornadas -, mas que se tem vindo a desfazer lentamente - cinco derrotas nas últimas 8 jornadas, onde apenas diante da Académica não sofreu golos.
Já o Vitória de Setúbal, em ano complicadíssimo, quer pelos problemas financeiros, quer pelas mudanças profundas realizadas no plantel, acabou por ser a maior surpresa desta primeira volta, terminada em quebra. Nada que retire brilho a um conjunto que ainda é a melhor defesa da prova - em 11 dos 17 jogos não sofreu golos - mas que apresenta o 3º pior ataque - apenas 14 golos apontados, não sendo por acaso que é a equipa que menos remata à baliza no campeonato.
Em relação aos restantes clubes, destaque para o elevado número de empates do Boavista (8), com Carlos Brito a somar 87 empates em 259 jogos como treinador. Os 'axadrezados', que se situaram durante semanas consecutivas na 7ª posição, acabavam a volta em quebra, fruto de 1 ponto em 4 partidas, caindo no 8º posto, a 7 pontos do 5º lugar. Em ascensão está a União de Leiria, que atingiu o ponto mais alto da temporada (7º lugar), sendo notórias as melhorias desde que Jorge Jesus (7v, 1e, 4d) rendeu José Gomes (0 v, 2 e, 3 d) no comando técnico da equipa. Aliás, em 12 jornadas, a União de Leiria transformou-se de pior ataque do campeonato (1 golo em 5 jogos), num dos mais realizadores: 21 golos apontados desde que Jesus assumiu o comando técnico da equipa, o que perfaz uma média ligeiramente inferior a 2 golos marcados por jogo.
Na parte baixa da classificação, o destaque negativo vai para o Penafiel, praticamente condenado à descida, com 7 pontos em 17 jogos, e apenas uma vitória, diante da Académica. Os penafidelenses são também o segundo pior ataque da Liga (12 golos marcados) e a pior defesa: 31 golos, quase atingindo a média de 2 tentos sofridos por jogo. Também muito abaixo das expectativas tem estado o Vitória de Guimarães, pior ataque do campeonato com apenas 9 golos marcados em 17 jogos. Só por uma vez, depois da vitória caseira diante do Marítimo, os vimaranenses estiveram acima da linha de água. Nos lugares de descida também está a Naval, primeiro líder da Liga, que depois de um início promissor, foi descendo degraus na tabela classificativa, fruto de sete derrotas consecutivas. Os figueirenses, ainda assim, têm um registo de golos marcados superior ao das equipas que lutam pela fuga à descida, mas apresentam a 2ª pior defesa da prova: 28 golos sofridos. A Académica, em quebra depois de ter atingido o ponto mais alto da época (9º lugar à 14ª jornada), completa o lote das equipas em zona de descida, mas curiosamente a apenas 5 pontos do 7º lugar. Os mesmos 5 pontos que a separam do 16º e 17º: Naval e Vitória de Guimarães, e a apenas um ponto de um grupo de 3 equipas formado por Rio Ave, Belenenses - duas das maiores desilusões do campeonato - e Gil Vicente.
Classificação Jogos em Casa:

Mais fortes:
Mais Pontos: Sp. Braga, 22 em 9 jogos, 7-1-1
Mais Vitórias: Sp. Braga, 7 em 9 jogos
Menos Derrotas: Sp. Braga, Benfica, FC Porto e Boavista, 1 derrota em 9 jogos ; Nacional, 1 derrota em 8 jogos.
Mais Golos Marcados: FC Porto, 16 golos, em 9 jogos
Menos Golos Sofridos: Vitória Setúbal, 3 golos, em 8 jogos
Intermitentes:
Estrela da Amadora e Marítimo com 4 empates em 9 jogos caseiros.
Mais fracos:
Menos Pontos: Penafiel, 3 em 8 jogos, 1-0-8
Menos Vitórias: Penafiel, 1 em 8 jogos
Mais Derrotas: Penafiel, 7 em 8 jogos
Menos Golos Marcados: Penafiel, 2 em 8 jogos
Mais Golos Sofridos: Naval, 14 em 9 jogos
Classificação Jogos fora:

Mais fortes:
Mais Pontos: FC Porto, 20 em 8 jogos, 6-2-0
Mais Vitórias: FC Porto, 6 em 8 jogos
Menos Derrotas: FC Porto, 0 em 8 jogos
Mais Golos Marcados: FC Porto, 13 em 8 jogos ; Sporting, 13 em 9 jogos
Menos Golos Sofridos: Nacional, 2 em 9 jogos
Intermitentes:
Boavista, 5 empates em 8 jogos extramuros
União Leiria e Estrela da Amadora, tal como Gil Vicente e Naval, não empataram fora de casa. A União, em 9 jogos, já venceu 4 vezes - registo só superado pelo FC Porto e Nacional - mas conta com 5 derrotas. O Estrela, em 8 jogos, já venceu 3 e perdeu 5.
Mais fracos:
Menos Pontos: Naval, 3 em 8 jogos, 1-0-7
Menos Vitórias: Penafiel, 0 em 9 jogos ; Boavista, 0 em 8 jogos.
Mais Derrotas: Gil Vicente, 7 em 9 jogos ; Naval, 7 em 8 jogos.
Menos Golos Marcados: Gil Vicente, 4 em 9 jogos
Mais Golos Sofridos: Penafiel, 19 em 9 jogos.
Classificação 1ªs partes:

Classificação 2ªs partes:

[notas adicionais]:
. O Boavista é uma equipa de contrastes. Muito forte em casa - 4º lugar -, mostra debilidades extramuros - 16º lugar -, onde, juntamente com o Penafiel, é a única equipa que ainda não venceu.
. Nacional e Vitória de Setúbal apresentam o mesmo registo pontual em casa e fora: 17 pontos em casa e fora para os madeirenses ; 15 pontos em casa e fora para os sadinos. Num patamar mais abaixo, a União Leiria apresenta um registo idêntico: 12 pontos conquistados em casa e fora, dos 24 somados até aqui.
. O Penafiel é a única equipa com mais pontos conquistados fora - 4 - do que em casa - 3.
. Sempre que o FC Porto chega ao intervalo a vencer, ganha as partidas. 9 jogos, 9 vitórias.
. Benfica e Nacional decidem habitualmente as suas partidas nas segundas partes: ao intervalo, 'encarnados' e 'alvi negros' somam 11 empates em 17 jornadas.
. O Marítimo já chegou em vantagem em 7 ocasiões ao intervalo - apenas seguraram 3 destas vantagens -, registo só superado por FC Porto (9), Sp. Braga e Nacional (8). Contudo, os madeirenses revelam dificuldades em segurar triunfos - 5 vitórias na Liga - muito por culpa de um registo fraco nas etapas complementares (16ºs na classificação das segundas partes).
. O Rio Ave revela também dificuldades em seguras as vantagens conquistadas ao intervalo. Das 4 vezes que chegou a vencer ao intervalo, o conjunto de António Sousa só venceu por uma vez. Ainda assim, e ao contrário do que tem sido hábito em épocas anteriores, o registo dos vila-condenses nas segundas partes é superior ao das primeiras.
. Desastrosas as primeiras partes do Penafiel: nunca chegou a vencer ao intervalo, e, em 9 ocasiões, chegaram ao intervalo a perder. Em ambas as situações, o pior registo dos clubes da Liga.
. Estrela da Amadora e Vitória de Guimarães são mais fortes nas primeiras do que nas segundas partes. Se a formação da Reboleira está em 8º lugar na classificação das primeiras partes, cai para um 17º nas etapas complementares, facto a que não é alheio o desgaste físico provocado nos 'ciclistas' Manú e Semedo. Já o Vitória, na linha de água em ambas as classificações, é o pior classificado nas segundas partes.
. União Leiria (6 jogos), Belenenses (5 jogos), Sporting (4 jogos), Vitória Setúbal (3 jogos) e Benfica (1 jogo) sempre que chegaram em desvantagem ao intervalo, perderam as partidas.
