uma manhã de sol
domingo, 3 dezembro 2006

Hesito muito antes da palavra.
porque um precipício se abre nela
e não tem sentido,vibra apenas.
porque pode ser a morte
ou o nascimento para um lugar
de cores e fadas e barcos de sol.
porque me doem as mãos
cada vez que tento segurar
o mundo em traços redondos quadrados.

por isso te digo:hesito e morro e nasço.
e corro para a rua com a força de quem
vai anunciar gritar chamar dizer.
mas lá fora sorrio apenas
enquanto caminho para um banco
de jardim,devagarinho,
como se por um momento
eu soubesse o nome de tudo
e tudo tivesse o mesmo nome
.

(Vasco Gato)



ficamos a tocar até perto das seis da manhã. acordei agora, lento, mas quase solarengo, como o dia. queria ler-te o poema antes de (te) dizer o (teu) nome.


Creative Commons License


Comentários:


Comentar:

(os comentários estão sujeitos a moderação, de forma a evitar ataques de spam).


Trackback Pings


TrackBack URL para esta entrada:
http://quartofechado.weblog.com.pt/privado/t.cgi/149585