Sul-Americano Sub-20: 48 jogadores para o futuro (parte dois)
quarta-feira, 31 janeiro 2007

Arturo Vidal Arturo Vidal (Chile) . 22-5-1987. Colo Colo. Segundo melhor marcador da competição e, na minha opinião, o jogador mais completo dos presentes no Sul-Americano de sub-20, pois tem todas as condições para se tornar, em breve, num jogador de “top”. Essa visão será semelhante à dos observadores do FC Porto presentes na competição, pois, segundo a imprensa portuguesa, terão recomendado a sua aquisição, que não se concretizou e dificilmente se concretizará, já que o jogador tem em carteira propostas de vários clubes europeus de topo. Titular a tempo inteiro em 8 dos 9 jogos do Chile, falhou a partida diante da Bolívia, ainda na 1ª fase da competição, por ter visto dois amarelos nos dois jogos iniciais. Ao todo, somaria 3 amarelos na prova, a que juntou 6 golos – 2 na primeira fase (bisou diante do Peru) e 4 na fase decisiva (onde bisou diante do Brasil, com dois golos de grande penalidade, marcando também a Colômbia e Paraguai). Presença regular na equipa do Colo Colo durante a última época, soma já 17 partidas na principal Liga chilena, sendo certo que, se permanecer no clube, ganhará outro estatuto na nova temporada que agora se inicia, até porque, ao que tudo indica, será chamado à selecção principal para um particular no início de Fevereiro. Jogador polivalente, atinge maior rendimento a actuar como médio centro ou médio interior esquerdo, mas pode desempenhar funções de lateral-volante esquerdo, médio ala esquerdo, médio ofensivo, médio defensivo ou defesa central, mostrando um rendimento altíssimo. Destro, mostra-se tremendo nas saídas para ataque: rápido, acutilante, progride bem com a bola nos pés, mas mostra também grande facilidade a desmarcar-se em acções sem bola. Dotado de uma boa técnica individual, para além de uma grande força física, é forte no choque, o que faz com que não seja nada fácil derrubá-lo, como também consegue criar desequilíbrios no um para um, pois sabe aliar a sua boa capacidade técnica, a velocidade e potência em progressão. Dotado de boa visão de jogo, é forte no passe, ainda que, algumas vezes, acuse alguma precipitação, ao querer jogar muito rápido. Aparece também com grande facilidade em posições de remate, mostrando um disparo violento de pé direito, que utiliza com grande facilidade de fora da área, tanto em bola corrida, como em bola parada, mas também dentro de área, concluindo iniciativas ofensivas ou desde os onze metros, para além de mostrar potencial no futebol aéreo na sequência de livres laterais ou pontapés de canto. Do ponto de vista defensivo é também um jogador forte, com boa capacidade no desarme e inteligente na antecipação, mostrando grande capacidade de pressão, para além de uma agressividade excessiva, aspecto que deverá moderar, pois perde a cabeça com relativa facilidade.

Mathias Cardaccio Mathias Cardaccio (Uruguai) . 2-10-1987. Nacional. Titular em 5 jogos do Uruguai no Sul-Americano 2008, acabou por ser prejudicado por problemas físicos, que fizeram com que ficasse de fora das partidas diante de Chile e Argentina na 2ª fase da competição, onde não conseguiu atingir o patamar exibicional da fase inicial. Apenas realizou 1 jogo completo, tendo sido substituído em 4 ocasiões, não efectuando qualquer partida a partir do banco. Assim, totalizou 313 minutos, não marcou qualquer golo e viu 2 cartões amarelos. Jogador do Nacional de Montevideo, ainda não efectuou a sua estreia pela equipa principal, apesar de trabalhar habitualmente com o conjunto sénior. Médio polivalente, de características ofensivas, pode assumir as funções de “10”, como também pode desempenhar o papel de médio centro ou interior ofensivo. Jogador dinâmico e veloz, sabe assumir a condução de jogo ofensivo, marcando bem os ritmos. Dotado de boa visão de jogo, mostra qualidades no passe, tanto em posição central, como a partir do centro em direcção às alas. Aparece com facilidade em posições de remate, mas deverá trabalhar mais o enquadramento, pois tem um disparo forte de fora da área. Do ponto de vista defensivo, não é tão eficiente, mas sabe ocupar os espaços e cortar linhas de passe. Deverá moderar, no entanto, alguns excessos no capítulo disciplinar, como também ganhar uma melhor condição física, pois tem tendência a quebrar de rendimento no decurso das segundas partes.

José Montiel José Montiel (Paraguai) . 19-3-1988. Udinese. Jovem muito promissor e de grande talento, marcou presença no Mundial de 2006, disputado na Alemanha, depois de se ter estreado como internacional A pelo Paraguai nos últimos jogos da fase de qualificação para a grande competição internacional de selecções. É certo que não efectuou qualquer minuto no Mundial, mas a Udinese avançou para a sua aquisição, numa altura em que já era titular do Olímpia, clube onde se estreou na principal Liga paraguaia com apenas 16 anos. Em Itália soma já 8 jogos pela formação de Udine na Série A, mas o seu rendimento tem sido intermitente. No Sul-Americano 2007 alternou momentos de grande fulgor com outros de menor rendimento, acabando a competição em perda e da pior maneira – expulsão diante do Brasil, que o afastou da partida final diante do Chile. Assim, totalizou 342 minutos de utilização, fruto de 4 jogos como titular – apenas um completo – e 3 como suplente utilizado, em que não marcou qualquer golo, tendo visto 1 amarelo e 1 vermelho por acumulação. É um médio centro completo, que ajuda nos processos defensivos, ainda que se destaque mais pela capacidade criativa e organizativa a partir da zona central da intermediária. Revela uma qualidade técnica acima da média, que lhe permite criar desequilíbrios no um para um em condução, para além de evidenciar uma boa visão de jogo e grande potencial no passe, que lhe permitem projectar a equipa ofensivamente e realizar várias assistências para finalização. Para além disso, mostrou um remate forte de fora da área, mas a necessitar de trabalhar o enquadramento. Contudo, nem tudo foram “rosas” nas suas actuações: apesar de ser capaz de fazer a diferença numa jogada, mostrou também um carácter complicado – cabeça demasiado quente – e muita irregularidade, alternando, com facilidade exasperante, bons momentos com períodos de franco apagamento ou de uma quase total falta de inspiração, para além de alguma inconstância do ponto de vista físico, acabando por cair de produção no decurso das segundas partes.

Juan Pablo Pino Juan Pablo Pino (Colômbia) . 30-3-1987. Independiente Medellín. Uma das principais estrelas do Sul-Americano 2007, foi, talvez, o jogador que apresentou maiores argumentos durante a competição, andando, em algumas ocasiões, com a sua equipa às costas, realizando uma prova em crescendo, que lhe valeu a transferência para os franceses do AS Mónaco, que garantiram a sua aquisição ao Independiente, onde era habitual titular, totalizando 4 golos em 40 partidas na Liga colombiana. Totalizou 600 minutos de competição, fruto de 6 jogos como titular, 5 deles completos, e de 2 como suplente utilizado, sendo que num deles, diante do Equador, na primeira fase, saiu do banco para resolver a partida, marcando o tento do triunfo do colombiano. Marcou dois golos no Sul-Americano 2007: o outro apontou-o diante do Paraguai, já na 2ª fase do torneio, em que não viu qualquer amarelo, mostrando-se sempre mais preocupado em jogar futebol, do que em perder tempo com quezílias. Médio ofensivo, com características de “nº 10”, gosta, no entanto, de romper em diagonais desde as alas em direcção ao centro do terreno. Sem capacidade defensiva e com pouco sentido colectivo, aspectos em que terá que evoluir para se adaptar ao futebol europeu, até porque tende a individualizar as acções, trata-se de um verdadeiro “craque”, com grande controlo de bola e excelente pé direito, capaz de pormenores de ordem técnica notáveis, que aliados à sua enorme velocidade em condução e agilidade natural, permitem-lhe acelerar o jogo e criar inúmeros desequilíbrios no um para um, até porque não revela qualquer receio em partir para cima dos adversários, mostrando capacidades para definir uma partida. Dotado de um remate forte e colocado de pé direito, o seu mais forte, é igualmente capaz de definir de pé esquerdo, aparecendo com facilidade em posições de remate e evidenciando sentido de baliza. Mostra também facilidade a criar jogo, apesar da sua tendência para jogar sozinho. No entanto, tem boa visão de jogo e é forte no passe e nos cruzamentos, realizando várias assistências para finalização, mas poderá ganhar uma maior consciência colectiva, pois, em algumas situações, acaba por perder o melhor tempo para definir a jogada. Contudo, é também capaz de descobrir espaços, onde, aparentemente, não existem.

Maximiliano Morales Maximiliano Moralez (Argentina) . 27-2-1987. Racing Club. Médio criativo da Argentina, que usou a mítica “10”, foi titular em 7 dos 9 jogos da sua selecção no Sul-Americano, efectuando 4 partidas completas. Suplente utilizado na última partida diante do Uruguai, esteve ausente da partida da primeira fase diante do mesmo adversário, por ter visto 2 cartões amarelos na primeira fase da prova, onde marcou o seu único golo na prova – diante da Venezuela. Totalizou 596 minutos de utilização. No Racing Club, acabou o Torneio Apertura como titular, somando 4 golos em 16 jogos, tendo já ultrapassado a fasquia das 30 partidas na principal Liga argentina, onde se estreou com 18 anos. Médio ofensivo, que tanto pode actuar como “nº10” puro, a partir de uma posição central, como também sobre as alas, preferencialmente a direita, onde apareceu em diversas ocasiões, trata-se de um jogador muito móvel, veloz e de grande electricidade, o que contrasta com o seu físico frágil – 1.61 / 53 – que lhe vale a alcunha de “Anão”. Pouco dado a tarefas de recuperação, até pelas limitações de ordem física, que o deixam sempre a perder em situações de choque, trata-se de um jogador com grande capacidade para assumir a condução de jogo ofensivo – nunca se esconde e é extremamente dinâmico - e muito inteligente na interpretação das movimentações dos seus colegas, o que lhe permite ler o jogo com mestria, mostrando grandes atributos a nível do passe, deixando, várias vezes, os seus colegas isolados através de brilhantes passes de ruptura. Do ponto de vista técnico é um jogador bastante dotado, mas não individualiza excessivamente as suas acções, apesar de mostrar-se forte a romper de trás para a frente ou das alas para o meio com a bola nos pés, até porque é um jogador rápido e muito forte a mudar de velocidade. Para além das limitações de ordem física, poderá ganhar uma maior ambição pela baliza adversária, já que, muitas vezes, opta por passes ou cruzamentos – outro aspecto em que é muito forte -, quando tem condições para procurar o golo.

Lautaro Acosta Lautaro Acosta (Argentina) . 14-3-1988. Lanús. Médio de características ofensivas ou avançado móvel, começou a prova como titular da selecção argentina, mas “pagou” com o banco, a má estreia diante do Equador. Depois de dois jogos como suplente utilizado e um no “banco”, foi, de forma algo surpreendente, titular diante do Brasil, no início da fase final da prova. Ficou de fora nas partidas diante de Paraguai e Colômbia, intervaladas por nova titularidade, desta feita diante do Chile. Contudo, o seu momento de glória chegaria nos descontos da última partida, diante do Uruguai: saído do banco, deu à Argentina a vitória no jogo, que valeu também a qualificação para os próximos Jogos Olímpicos. Ao todo, Acosta somou 3 jogos como titular – 2 deles completos -, 3 partidas como suplente utilizado e 3 jogos em que não saiu do “banco”. Totalizou 322 minutos de utilização e 1 golo. Titular da equipa do Lanús, estreou-se na divisão maior do futebol argentino com apenas 17 anos, numa partida diante do Rosário Central. Até ao momento, soma 1 golo em 21 partidas na Liga, a que junta a participação em 3 partidas na Copa Sul-Americana. Apesar da sua participação intermitente, Acosta confirmou o porquê de ter sido considerado uma das revelações do último ano do futebol argentino: jogador rápido e muito móvel, talhado para conduzir acções de ataque, mostra uma capacidade técnica e de drible muito interessantes, que lhe permitem criar desequilíbrios no um para um, pois apesar do seu físico frágil, não teme o confronto com os defesas adversários. Mais talhado para o último passe, onde pode tornar-se mais constante, mostra também argumentos como finalizador, tirando partido do seu bom poder de desmarcação e de desdobramentos interessantes na sequência de tabelas 2x1, uma das suas especialidades. Falta-lhe, no entanto, uma maior consistência táctica e também uma maior participação no jogo, já que tende, em algumas situações, a algum apagamento.

Juan Pablo Arenas Juan Pablo Arenas (Chile) . 22-4-1987. Colo Colo. Observado, ao que se diz, pelo Sporting, o autor do melhor golo do Sul-Americano 2007, num espectacular chapéu a 50 metros da baliza, diante da Colômbia, raramente foi mais do que um suplente utilizado na selecção chilena, onde somou 264 minutos de utilização, representativos de 2 jogos como titular – apenas um completo – e de 5 partidas como suplente utilizado. Apontou 2 golos – o outro foi diante do Paraguai, na última jornada da 2ª fase, numa finalização de pé direito, dentro da área – e viu 2 amarelos. Até ao momento, soma 9 partidas pela equipa principal do Colo Colo na Liga chilena, mas ainda não marcou qualquer golo. Trata-se de um “10” puro, destro e algo frágil do ponto de vista físico, que pode também desempenhar funções de médio interior ofensivo, mas não se sente à vontade quando obrigado a cumprir missões tácticas e defensivas, aspecto que terá que rever para atingir outro patamar competitivo, pois não gosta de correr atrás da bola. É, no entanto, um jogador capaz de pormenores deliciosos, dotado de boa técnica, capacidade de condução e visão de jogo, com argumentos muito interessantes a nível do passe e dos cruzamentos, tanto em bola corrida como em bola parada, para além de possuir um bom remate de pé direito. Necessita também de aparecer mais em jogo, pois a sua participação é algo intermitente: aparece e desaparece das partidas com grande facilidade.

Tchô Tchô (Brasil) . 21-4-1987. Atlético Mineiro. “Joker” da selecção brasileira, começou a competição como suplente utilizado, tendo marcando 3 golos em 5 jogos nessa condição. Acabaria por ganhar um lugar como titular nas últimas três partidas do Brasil no Sul-Americano, mas não foi tão preponderante como havia sido como suplente utilizado, apesar de ter mostrado excelentes pormenores. Ao todo, apontou 3 golos – Bolívia e Paraguai, na 1ª fase, e Chile, na 2ª fase – sempre a partir do banco, em 8 jogos – 3 como titular (nenhum completo) e 5 como suplente utilizado – representativos de 300 minutos de utilização, tendo visto um cartão amarelo. Presença regular na primeira equipa do Atlético Mineiro, onde tem vindo a conquistar cada vez mais espaço, somando 2 golos em 23 partidas entre Série A e B do Brasileirão. Actua, preferencialmente, como médio ofensivo, mas a sua polivalência permite-lhe também actuar como médio centro ou segundo avançado. Jogador destro, muito veloz e com boa capacidade de aceleração, rompe bem de trás para a frente, tirando partido de combinações 2x1, uma das suas especialidades. Tecnicamente dotado e com bons predicados no passe, recua, diversas vezes, à zona do central do terreno, para assumir a condução e distribuição de jogo, aspectos em que mostra qualidade, ainda que possa revelar-se mais rápido a soltar a bola em algumas ocasiões, pois tende a procurar situações de um para um com os adversários, perdendo tempo de passe. Inteligente a movimentar-se sem bola, aparece com facilidade em posição de remate, mostrando uma grande sentido de baliza e um disparo potente e colocado de pé direito – o pé esquerdo não é cego e valeu-lhe um golo de “cobertura” diante da Bolívia em lance de um para um com o guarda-redes adversário -, sobretudo em bola corrida, mas também em bola parada. Mostrou algumas debilidades a nível físico, tanto no choque, como para aguentar os 90 minutos quando foi titular, onde se mostrou mais inconstante. Apesar de talhado para acções ofensivas, também sabe ajudar a equipa defensivamente, procurando fechar linhas de passe e ganhar bolas na antecipação.

Willian Willian (Brasil) . 9-8-1988. Corinthians. Outra das maiores figuras da selecção do Brasil e da competição. Titular em 8 das 9 partidas do Brasil, apenas ficou de fora diante do Uruguai, na 2ª fase, depois de ver dois cartões amarelos. Totalizou 617 minutos de competição, em que não marcou golos, mas criou vários, realizando 2 partidas completas e 6 incompletas, pois não pareceu ainda preparado para disputar os 90 minutos a um ritmo mais forte. Jogador das categorias de base do “Timão”, ainda não teve oportunidade para se estrear pela equipa principal, o que deverá acontecer em breve. Médio ofensivo, com características de “nº10”, pode também adaptar-se às alas – preferencialmente a direita, por onde apareceu mais – como também, mais recuado, numa posição de médio centro ofensivo. É um jogador muito rápido e capaz de imprimir ritmos fortes à partida, aliando à sua velocidade uma belíssima capacidade técnica e de drible, que lhe permite criar inúmeros desequilíbrios no um para um, aspecto em que se revelou um dos melhores jogadores da prova. Apesar de ter alguma tendência para procurar acções individuais, mostra também possuir elevado sentido colectivo: lê bem o jogo e sabe impor ritmos, mostrando muita qualidade a nível do passe e dos cruzamentos, fazendo, por isso, várias assistências para finalizações. Necessita, contudo, de melhorar a sua capacidade de remate, aspecto em que evidencia lacunas, sobretudo no capítulo do enquadramento, para além de não se revelar talhado para cumprir acções de recuperação. No entanto, com a bola nos pés, sabe fazer a diferença e, em situações difíceis, mostra personalidade para assumir a responsabilidade de levar a equipa para a frente, não temendo partir para cima dos adversários.

Damián Ísmodes Damián Ísmodes (Perú) . 10-3-1989. Sporting Cristal. Médio ala peruano, foi juntamente com Carlos Zambrano, o jogador que mais se destacou na paupérrima participação do Perú no Sul-Americano 2007, isto apesar de ter apenas 17 anos. Totalizou 280 minutos de competição, fruto de 3 jogos como titular – 2 completos e 1 incompleto – e de 1 jogo como suplente utilizado, tendo visto um cartão amarelo. Chamado à primeira equipa do Sporting Cristal a meio da época passada, estreou-se com 17 anos, acabando por efectuar 12 partidas na Liga, 9 das quais como titular, mas apenas 1 completa, o que não o impediu de conquistar o rótulo de “revelação do ano”. Jogador extremamente interessante, que actua tanto na ala direita como na ala esquerda do ataque, onde rende mais, de forma a tirar partido das diagonais, já que é destro, mas tão totalmente cego de pé esquerdo. Muito rápido e com uma excelente capacidade de aceleração, alia à sua velocidade uma boa capacidade técnica e de drible, ainda que, em algumas situações, exagere no individualismo e nos adornos – recorre muito às “pedaladas”, gesto que celebrizou Robinho - que emprega às suas acções, acabando por perder objectividade. Contudo, não teme o um para um com os defesas adversários e consegue conquistar faltas em zonas próximas da área, para além de assumir a condução de jogo ofensivo desde o flanco, tanto em ataque organizado como em contra-ataque. Pode melhor alguns aspectos: a nível do passe e do cruzamento, apesar de bons pormenores, que lhe permitem realizar assistências para finalizações, nem sempre é constante ; a nível do controlo de bola, sobretudo em movimento, tem tendência a fazer recepções largas, o que permite, em algumas ocasiões, recuperações aos adversários. Possui também um bom poder de desmarcação, em acções sem bola a partir de diagonais, aparecendo com facilidade em posição de remate. Mostra argumentos no disparo de pé direito, quer cruzado, quer em situações de um para um com o guardião adversário.

Danilinho Danilinho (Brasil) . 11-3-1987. Atlético Mineiro. O outro dos “jokers” da selecção brasileira no Sul-Americano, ainda que menos efectivo que Tchô, seu colega de equipa no Atlético Mineiro. Danilinho nunca foi titular, totalizando 125 minutos de competição, fruto de 6 jogos como suplente utilizado. Marcou 1 golo, diante do Paraguai, na 2ª fase, que valeu a vitória do Brasil (1-0), e viu um cartão amarelo. Contratado com apenas 16 anos pelo Schalke 04, que o descobriu nas categorias de base do América de São José de Rio Preto, não se adaptou à Alemanha e regressou ao Brasil, onde passou, sem grande sucesso, por Mirassol, Santos – 9 jogos pela equipa principal em 2005 – e, novamente, pelo América de Rio Preto. Quando parecia que a sua carreira entrava num impasse, explodiu ao serviço do Atlético Mineiro, em 2006, tornando-se numa das grandes figuras do “Galo” na conquista da Série B do Brasileirão, somando 6 golos em 28 jogos, que o tornaram num dos ídolos dos adeptos. Médio ofensivo, com capacidade para jogar nas costas dos avançados ou sobre as alas, pode também desempenhar as funções de avançado móvel. Muito rápido e com uma impressionante capacidade de aceleração, trata-se de um jogador muito móvel e particularmente perigoso em estratégias de contra-ataque, pois é inteligente na exploração dos espaços vazios e mostra bons pormenores de ordem técnica, apesar de revelar dificuldades para se impor em situações de choque e de se agarrar um pouco à bola em algumas ocasiões. No entanto, é um jogador que se desmarca com grande facilidade e sabe aparecer em posições de finalização, sobretudo dentro da área, definindo bem de pé direito. Mostra também predicados a nível do passe, nomeadamente na execução de passes de ruptura em zonas próximas da área, o que lhe permite fazer assistências para finalizações. Falta-lhe alguma “pausa” no jogo – sempre muito eléctrico – como também uma maior consistência a nível exibicional, mas deixou bons pormenores.

Leandro Lima Leandro Lima (Brasil) . 19-12-1987. São Caetano. A “revelação” da selecção brasileira, teve um início de Sul-Americano fulgurante, com um “bis” diante do Chile, mas realizou uma prova em quebra, perdendo mesmo a titularidade nos últimos jogos. Apontou 2 golos em 8 partidas – 7 como titular, apenas 2 completas, e 1 como suplente utilizado, representativas de 560 minutos de utilização – e viu 2 cartões amarelos na segunda fase, que lhe valeram a suspensão diante do Paraguai. Presença regular na equipa principal do São Caetano, apontou 4 golos em 24 partidas na Série A do Brasileirão em 2006. É um médio ofensivo versátil, que tanto pode actuar a partir de uma posição mais central, nas costas dos avançados, como também a partir das alas: apareceu mais à esquerda, mas foi até em diagonais da direita para o meio que se revelou mais perigoso. Apesar de frágil do ponto de vista físico – com pouca capacidade de choque – e de se notar que lhe falta alguma condição para aguentar os 90 minutos, trata-se de um jogador a campo inteiro, que não vira a cara à luta e ajuda em acções de recuperação, não temendo colocar o pé e efectuar acções de desarme, por vezes até com agressividade excessiva. No entanto, é em situação ofensiva que mais se destaca: boa recepção de bola, tanto parado como em movimento, boa condução de jogo, aliando muita rapidez e capacidade de aceleração a uma boa capacidade técnica e poder de drible, o que lhe permite criar desequilíbrios no um para um, ainda que, em algumas situações, perca objectividade no seu jogo, complicando o fácil. No entanto, mostrou-se capaz de fazer a diferença, rompendo bem em diagonais em direcção à área ou de trás para a frente, mostrando potencial também como finalizador: bom remate de pé direito, qualidade também no disparo de pé esquerdo e elevado sentido de baliza, tanto dentro da área, como fora desta.

Ángel Dí María Ángel Di María (Argentina) . 14-2-1988. Rosário Central. O médio-ala/extremo nunca pareceu ser opção prioritária para Tocalli, pois mesmo após “bisar” diante do Uruguai, regressou ao banco dos suplentes na partida seguinte. Ao todo, Di Maria participou em 6 partidas no Sul-Americano, nenhuma delas completa. Foi titular em 2 ocasiões – sempre substituído – e suplente utilizado 4 vezes, tendo nos restantes 3 jogos ficado no “banco”. Totalizou 268 minutos de utilização, que valeram um “bis” diante do Uruguai, ainda na primeira fase, e 2 cartões amarelos. Presença regular na primeira equipa do Rosário Central, ainda que normalmente a partir do banco, estreou-se na principal Liga argentina e na Taça Libertadores com 17 anos, somando, entre as duas competições, 1 golo em 20 jogos. Médio-ala ou extremo esquerdo, que pode também funcionar como médio ofensivo, foi um dos jogadores-chave da Argentina na prova, apesar de não ser opção prioritária para o técnico. Apesar de algo franzino – pouco poder de choque - e ter uma tendência excessiva para individualizar e adornar os lances, perdendo objectividade em algumas acções, trata-se de um jogador desequilibrador e destemido, que assume a condução de jogo e parte para cima dos adversários sem qualquer tipo de temor. Muito rápido, extremamente ágil e com grandes atributos de ordem técnica, acelera o jogo, mostrando pouco tendência pela linha de fundo, optando, quase sempre, por romper em diagonais para dentro. Aí, mostra capacidades no último passe ou para explorar tabelas 2x1 com um dos avançados, evidenciando depois potencial de desmarcação e na finalização, sobretudo com o pé esquerdo, mas poderá trabalhar mais a definição do seu remate, pois, em algumas ocasiões, mostra alguma precipitação e ansiedade excessiva no momento da concretização. Terá também que alcançar uma maior dimensão física, pois dá ideia de não estar preparado para 90 minutos, o que o leva a desaparecer das partidas com alguma frequência, sobretudo quando é titular.

Mathías Vidangossy Mathías Vidangossy (Chile) . 25-5-1987. Unión Española. Utilizado nas 9 partidas do Chile no Sul-Americano 2007, começou por ser suplente, mas ao terceiro jogo, na sua estreia como titular, apontou 2 golos diante da Bolívia, os seus únicos na competição, que acabaram por lhe garantir um posto no “onze” chileno até ao fim da prova, onde também se destacou no capítulo do último passe. Somou 630 minutos de utilização, fruto de 7 jogos como titular – 5 deles completos – e 2 como suplente utilizado, em que para além dos 2 golos que apontou, viu 2 cartões amarelos. Presença regular na primeira do Unión Española, da divisão maior do futebol chileno, é já uma das principais figuras da equipa e da Liga, onde soma 2 golos em 45 jogos. Jogador de características ofensivas, bastante versátil, actua, preferencialmente, aberto na ala esquerda do ataque, de forma a tirar partido das suas diagonais para dentro, pois é um jogador destro, mas pode também desempenhar um papel semelhante na ala direita do ataque ou nas costas do(s) avançado(s). Extremamente potente e explosivo nos últimos 35 metros, revela-se muito forte na exploração de diagonais, onde cria com facilidade desequilíbrios no um para um em acções com bola, mostrando grande competência na condução de jogo ofensivo, pois consegue aliar a sua boa capacidade técnica a velocidade, para além de estar permanentemente à procura de movimentações e desmarcações em acções sem bola. Muito eficaz no desenvolvimento de tabelas 2x1, inicia-as e sabe conclui-las, mostrando também atributos para criar desequilíbrios em acções individuais e definir através de finalizações de pé direito, aspecto em que se poderá tornar mais constante. Para além disso, mostra-se forte no capítulo das assistências para finalização, tirando partido da sua boa visão de jogo e capacidade de passe, como também da sua eficácia nos cruzamentos, tanto em bola corrida como em bola parada. Falta-lhe, contudo, uma maior capacidade física, pois fica muitas vezes a perder em situações de choque, como também revela poucos predicados a participar em acções defensivas.

Alexis Sánchez Alexis Sánchez (Chile) . 19-12-1988. Colo Colo. A principal “estrela” da selecção chilena somou 8 jogos na competição – 6 como titular (3 deles completos) e 2 como suplente utilizado – totalizando 540 minutos de utilização, tendo marcado 1 golo, diante do Brasil, no jogo de estreia. Viu um cartão amarelo e um cartão vermelho, diante do Paraguai, no último jogo do Sul-Americano. O seu passe pertence à Udinese, que o contratou no Verão passado ao Cobreloa, mas optou por emprestá-lo ao Colo Colo, onde formou um “tridente” ofensivo mágico com Matías Fernández, entretanto transferido para o Villareal, e “Chupete” Suazo. Internacional AA pelo Chile, soma já 5 presenças na selecção principal, contando também no seu currículo com 12 golos em 53 jogos na Liga chilena, para além de 1 golo em 10 partidas da Copa Sul-Americana, competição em que o Colo Colo foi finalista vencido. Capaz de desempenhar várias funções no ataque, no Colo Colo tem vindo a actuar preferencialmente entre as alas e o posto de avançado móvel, mas na selecção chilena sub-20 acabou por desempenhar funções de médio ofensivo, próximas do tradicional “nº10”, o que acabou por afastá-lo da zona de finalização, obrigando-o, várias vezes, a pisar terrenos mais recuados para trazer a equipa para a frente. Trata-se de um jogador explosivo no meio-campo ofensivo, capaz de fazer a diferença numa acção individual, já que alia uma velocidade extrema a uma capacidade técnica invulgar – tem uma gama de dribles impressionante -, mostrando-se muito forte em acções de ataque organizado, como também em contra-ataque ou ataques rápidos. Neste Sul-Americano destacou-se sobretudo pela competência para assumir a condução de jogo e a sua distribuição, mostrando uma muito boa visão de jogo e grandes predicados no passe – várias vezes, de primeira -, quer como distribuidor de jogo na primeira metade do meio campo ofensivo, quer como homem do último passe, o que lhe permitiu realizar várias assistências para finalização, evidenciando à vontade no passe curto – o que mais utiliza -, como também no passe médio e longo, realizando excelentes aberturas de 30-35 metros, sobretudo em direcção às alas, lendo bem as desmarcações dos seus colegas de ataque. Forte na execução de lances de bola parada, quer directos, quer indirectos, pois coloca a bola com grande facilidade na área adversária, pecou por mostrar alguma intermitência a nível exibicional, para além de evidenciar algumas fragilidades do ponto de vista físico, já que é pouco possante e sente algumas dificuldades em aguentar os 90 minutos, fruto da sua missão de desgaste no sector intermediário. Apesar da sua tendência natural para individualizar as acções, mostrou saber jogar com e para a equipa.

Carlos Darwin Quintero Carlos Darwin Quintero (Colômbia) . 19-9-1987. Deportes Tolima. Uma das principais unidades da formação colombiana, foi titular em 8 – 6 jogos completos - das 9 partidas da sua Selecção no Sul-Americano 2007, já que foi poupado diante da Venezuela, na última partida da primeira fase da competição. Apontou 1 golo, que valeu a vitória da Colômbia diante da Argentina (2-1), no jogo de estreia, e viu um cartão amarelo. Para muitos foi, em 2006, o melhor jogador da Liga colombiana: marcou 19 golos em 42 jogos pelo Tolima, que juntamente com as suas exibições no Sul-Americano, deverão abrir-lhe brevemente as portas do futebol europeu. Fisicamente extremamente frágil – 1.64/61 - sente grandes dificuldades para se impor nos lances corpo a corpo, mas parte sem receio para cima dos adversários, mostrando-se muito descarado e nada intimidado, mesmo perante entradas mais duras. É, sobretudo, um avançado rompedor, que gosta de actuar solto, ao lado de um avançado mais fixo, de forma a tirar partido de acções das alas para o meio ou de trás para a frente, aliando a sua extrema velocidade a uma boa capacidade de condução nos últimos 30-35 metros, graças à sua técnica individual de grande qualidade, com alguns dribles brilhantes, tirando também partido da sua agilidade natural fruto de um centro de gravidade baixo. Em zona de finalização, mostra atributos, sobretudo com o pé direito, o seu mais forte, mas também de pé esquerdo, que não é cego, e ajuda-o também a projectar-se ofensivamente em lances de um para um. Falta-lhe, no entanto, uma maior consciência colectiva, já que tende a individualizar excessivamente as suas acções, esquecendo-se dos seus colegas de equipa, e mostrando muita sede de protagonismo. Com isso, acaba por perder objectividade no seu jogo. É, também, muito indisciplinado, mostrando um temperamento difícil: é certo que não foi muito castigado do ponto de vista disciplinar, mas está constantemente a protestar com árbitros, adversários e colegas de equipa.

Alexandre Pato Alexandre Pato (Brasil) . 2-9-1989. Internacional Porto Alegre. Um dos jogadores sobre os quais recaiam mais atenções, já que é desejado pela maior parte dos “grandes” europeus, começou a competição, com alguma surpresa, como suplente de Edgar e Fabiano Oliveira, e mesmo depois de apontar dois golos diante do Chile, em 29 minutos em campo, voltou a sentar-se no banco diante do Perú, partida em que entraria ao intervalo. A partir daí fixou-se como titular, jogando sobretudo com Luiz Adriano, seu colega no Internacional, acabando por marcar 5 golos - depois do “bis” diante do Chile, marcou à Bolívia, ainda na primeira fase, e ao Chile (novamente) e ao Uruguai, na 2ª fase – em 8 partidas, 6 das quais como titular (4 completas e 2 incompletas), totalizando 573 minutos de utilização. Viu dois cartões amarelos na segunda fase da competição, que o afastaram da partida da “consagração” diante da Colômbia, impedindo também que lutasse pela conquista do troféu de melhor marcador. Conta apenas com um jogo pelo Internacional de Porto Alegre na Liga Brasileira, mas marcou na estreia: foi diante do Palmeiras, em Novembro passado, pouco mais de dois meses depois de ter completado 17 anos. Participou também na conquista do Campeonato Mundial de Clubes, em Dezembro, marcando 1 golo – diante do Al-Ahly, de Manuel José – em 2 jogos, ambos incompletos. Avançado móvel, particularmente talhado para actuar em 4x4x2, joga, com extrema facilidade, em espaços exteriores à área, mas mostra-se tremendamente perigoso dentro desta, tirando partido de um excelente sentido de oportunidade e fácil definição. Extremamente elegante na forma de jogar, parece ter a bola sempre colada ao pé direito, recebendo e conduzindo com mestria. Consegue aliar a sua velocidade a uma muito interessante capacidade técnica, mostrando-se poderoso no um para um, até porque é fisicamente robusto. Forte em acções com bola, tanto a penetrar na área através de diagonais como de trás para a frente, quando joga mais aberto sobre o flanco, mostra também capacidade para ganhar a linha de fundo. Com capacidade nos cruzamentos, destaca-se mais ainda, em posição central, no último passe, tirando partido da sua visão de jogo inteligente. No entanto, em algumas situações, opta por iniciativas individuais, procurando a finalização, abusando de individualismos. É, também, um avançado muito forte em movimentações sem bola, já que sabe explorar os espaços vazios e tem um sentido de desmarcação excelente, tanto dentro da área, como também, e sobretudo, a sair de uma das alas para o meio. Muito forte a finalizar de pé direito, o seu pé mais forte, mas também com qualidades no futebol aéreo, define muito bem as conclusões, aliando potência a colocação, para além de se revelar muito rápido a atacar a bola, ganhando com uma espantosa facilidade a frente aos defesas. Necessita também de amadurecer um pouco o seu jogo, pois tem uma certa tendência para desaparecer em algumas fases. No entanto, quando reaparece, é capaz de fazer a diferença.

Cristián Bogado Cristián Bogado (Paraguai) . 7-1-1987. Nacional. Avançado, já internacional A pelo Paraguai, estreou-se no particular diante do Chile (derrota 2-3) em Novembro passado, confirmando os seus créditos no Sul-Americano 2007, onde se revelou como unidade fulcral no esquema da selecção paraguaia. Totalizou 611 minutos de competição, fruto de 6 jogos como titular – 5 partidas completas – e 2 partidas como suplente utilizado, em que marcou 3 golos, dois deles de grande penalidade. Marcou dois golos ao Chile, nas duas fases da competição, a que juntou outro golo, diante do Uruguai, na segunda fase, numa partida em que começou no banco dos suplentes. Viu dois cartões amarelos. A nível de clubes foi lançado na primeira equipa do Sol de América com apenas 17 anos, marcando 4 golos em 20 jogos, que lhe permitiram, em 2005, o salto para o Libertad. Pouco utilizado no Libertad, rumou, após o Torneio de Abertura, para o Nacional, onde se conseguiu impor em 2006, apontando 6 golos em 22 jogos, que o tornaram numa das revelações do ano da temporada paraguaia. Avançado muito móvel e agressivo, que se enquadra num 4x4x2 preferencialmente solto, como também num 4x3x3 ou 4x2x3x1, sobre as faixas ou nas costas de um avançado fixo, trata-se de um jogador que gosta de descair para os flancos, ganhando a linha de fundo ou rompendo em diagonais em direcção à área, mas também aparece com grande facilidade em posições centrais. Apesar de algo baixo – 1.67 – e de parecer extremamente pesado, mostra-se um avançado muito rápido e potente – choca bem com os defesas adversários -, particularmente perigoso em lances de contra-ataque, pois sabe jogar nos limites do fora-de-jogo, para além de conseguir acelerar o jogo e imprimir mudanças de velocidade impressionantes, que o tornam extremamente acutilante nos últimos trinta metros. Aberto na faixa, mostra-se perigoso nos cruzamentos, sobretudo rasteiros, mas também é um jogador perigoso, em posição central, a fazer assistências para finalizações: possui uma boa visão de jogo, eficácia no passe curto e sabe temporizar, lendo bem as movimentações dos seus colegas de ataque e mostrando à vontade a proteger a bola de costas para a baliza. Apesar de canhoto, joga com facilidade com os dois pés, mostrando também uma extrema facilidade no remate, tanto dentro da área, como nas imediações desta, tirando partido de um disparo forte e colocado, para além de elevado sentido de baliza. É, também, um especialista na transformação de grandes penalidades. Do ponto de vista técnico não evidencia atributos de monta, pois progride muito à base da velocidade e da potência física, contudo, não deixa de ser capaz de alguns pormenores de grande qualidade no um para um. É, também, agressivo do ponto de vista defensivo, ajudando a pressionar os adversários e mostrando até, em algumas situações, capacidade para recuperar bolas.

Pablo Nicolás Mouche Pablo Nicolás Mouche (Argentina) . 11-10-1987. Boca Juniors. Avançado que aproveitou as inúmeras ausências no sector ofensivo da Argentina, que não contou, por exemplo, com Agüero, Messi, Higuaín ou Zarate, jogadores que ainda pertencem a este escalão etário, para aparecer como opção. Apesar de apresentar um rendimento muito irregular, mostrando também dificuldades em cumprir os 90 minutos, teve o seu momento de glória ao apontar uma “tripla” diante da Venezuela, ainda na primeira fase da competição. Utilizado nos 9 jogos da Argentina no Sul-Americano, foi titular em 6 partidas – não completou nenhuma – e suplente utilizado em 3 ocasiões, totalizando 501 minutos de utilização, apontando 3 golos – todos diante da Venezuela, na 1ª fase – e visto 2 cartões amarelos. Estrela precoce do Estudiantes de Buenos Aires, o popular “Pincha”, apareceu na primeira equipa com apenas 16 anos, no terceiro escalão do futebol argentino. O seu talento não passou despercebido aos “olheiros” do Boca Juniors, que deram o aval à sua aquisição, encontrando-se, de momento, na equipa secundária do clube, apesar de treinar regularmente com a formação principal. Avançado eléctrico, constantemente em movimento, mostra-se talhado para actuar como unidade móvel de ataque em 4x4x2, ainda que as suas características possam vir a enquadrá-lo num 4x3x3 sobre as alas, sobretudo se rumar ao futebol europeu. Com um excelente pé esquerdo, apesar de frágil do ponto de vista físico – 1.75/74 -, que faz com que fique a perder, quase sempre, em situações de choque, não revela receios em partir para cima dos adversários, mostrando-se forte no um para um, tirando partido da sua velocidade e capacidade técnica, como também é extremamente forte a desmarcar-se em diagonais, recebendo e controlando a bola com facilidade em movimento e partindo em direcção à baliza. Apesar de algo individualista em algumas acções, mostra sentido colectivo e percepção do jogo, sabendo também utilizar processos simples, a um-dois toques, progredindo bem através de tabelas 2x1, para além de mostrar uma boa visão de jogo e de leitura das desmarcações dos seus colegas de equipa. Eficaz a fazer assistências para finalização, mostra predicados igualmente como concretizador, sobretudo em disparos de pé esquerdo, mas falta-lhe uma maior consistência e regularidade.

Felipe Caicedo Felipe Caicedo (Equador) . 5-9-1988. Basileia. O melhor jogador da selecção do Equador, isto apesar de ter ficado em branco na competição. Somou 259 minutos de utilização, fruto de 3 jogos como titular – apenas 1 completo – e de 1 partida como suplente utilizado. Jovem avançado dos suíços do Basileia, foi contratado, no último Verão, ao Rocafuerte, e soma já dois golos no campeonato helvético 2006/07, apesar de ser mais utilizado a partir do banco. Internacional A pelo Equador, estreou-se com apenas 16 anos na selecção principal, num particular diante do Paraguai (vitória 1-0), somando já 5 jogos, mas ainda não marcou qualquer golo. Avançado impressionante do ponto de vista físico – 1.85/78 muitíssimo bem potenciados -, apresenta na extrema velocidade e potência física os seus principais argumentos, mostrando-se temível nos últimos 25-30 metros. Capaz de desempenhar as funções de “9”, não gosta de limitar a sua acção à área, procurando, muitas vezes, projectar-se de zonas exteriores em direcção a espaços de finalização dentro de área, o que faz com grande perigo, tanto em acções com bola como também sem bola, tirando partido de um bom poder de desmarcação. Dentro da área é extremamente perigoso: possui atributos no futebol aéreo, onde poderá trabalhar melhor o enquadramento, como também finaliza com facilidade com ambos os pés – o esquerdo é o mais forte, mas o direito também é potente -, tirando partido do seu bom sentido de oportunidade, para além de ser muito rápido e agressivo a atacar a bola, ganhando a posição aos adversários. Pode, contudo, tornar-se mais frio nos lances de um para um com os guarda-redes adversários, onde peca, em algumas situações, por excessiva precipitação. Forte do ponto de vista físico, sente-se à vontade nos lances corpo a corpo, para além de se revelar muito lutador, nunca desistindo dos lances. Pode, no entanto, desenvolver a sua capacidade para jogar de costas para a baliza, aspecto onde revela ainda algumas carências, mas onde se poderá tornar muito forte.

Edison Cavani Edison Cavani (Uruguai) . 14-2-1987. Danúbio. O melhor marcador do Sul-Americano 2007, ao apontar 7 golos – 4 de pé direito, 2 de cabeça e 1 de pé esquerdo - em 9 jogos, confirmou-se como uma das grandes figuras da prova, mostrando enorme potencial, que lhe valeu a transferência para o Palermo. Capitão da selecção uruguaia, Cavani foi um dos totalistas da competição, somando, por isso, 810 minutos de utilização, em que viu 1 cartão amarelo e apontou 7 golos, conseguidos em 6 jogos consecutivos – 4 na primeira fase, em que bisou diante da Argentina ; e 3 na segunda fase, onde marcou a Paraguai, Colômbia e Brasil, sendo que frente aos “canarinhos” ainda desperdiçou uma grande penalidade. Aliás, apenas 1 dos seus 7 golos foi apontado desde os “onze metros” – um dos dois apontados à Argentina. Titular do Danúbio, emblema da principal Liga uruguaia, apontou 5 golos em 15 jogos no Torneio de Abertura de 2006, depois de ter apontado 4 golos em 10 jogos no primeiro semestre de 2006, altura em que foi promovido à equipa principal. É um avançado com características extremamente interessantes, pois mostra-se fortíssimo dentro da área, onde se destaca por um excelente sentido de oportunidade, como também revela capacidade para partir de posições exteriores em direcção à área. Com grande capacidade física – 1.84 / 71 -, trata-se de um avançado rápido e potente nos últimos 25 metros, mostrando capacidade de condução com a bola nos pés, com alguns pormenores de ordem técnica, sobretudo em acções curtas, extremamente interessantes, como também se movimenta com grande inteligência em acções sem bola, tirando partido da sua excelente capacidade de desmarcação para sair de uma das alas e aparecer na área a finalizar. Tem um disparo potente e colocado de pé direito – o seu mais forte -, tanto em finalizações de posição central como também em remates cruzados, para além de mostrar atributos com o pé esquerdo, mas é menos potente e enquadrado. Para além disso, é muito forte no jogo aéreo, ganhando com facilidade a posição aos defesas, tirando partido de um muito bom poder de antecipação e de contundência a atacar a bola. É, também, um jogador capaz de jogar de costas para a baliza, temporizando, para depois servir um colega de equipa, ou rodando, com agilidade, sobre os defesas, ganhando-lhes posição. Lutador e trabalhador em prol do colectivo, joga bem de primeira, como também sabe movimentar-se, de forma inteligente, de posições interiores para exteriores, abrindo espaços de penetração para os médios ofensivos ou para o seu colega de ataque. Mentalmente forte, tem capacidade de liderança e sabe “puxar” pelos seus companheiros de equipa. Peca, em algumas situações, por excessos de egoísmo, optando por finalizações, mesmo de ângulo difícil, quando tem colegas melhor posicionados, mas não tem medo de arriscar e procurar a baliza.

Elias Figueroa Elias Figueroa (Uruguai) . 26-1-1988. Liverpool Montevideo. Autor de 2 golos, diante de Equador (1ª fase) e Colômbia (2ª fase), em 8 jogos – foi suplente não utilizado diante da Argentina, na 1ª fase, dando o seu lugar no “onze” a Leandro Silva -, totalizou 564 minutos de competição, fruto de 7 jogos como titular – apenas 3 completos – e 1 como suplente utilizado – diante do Chile, partida em que entrou com o Uruguai a perder e ajudou a sua selecção a chegar ao empate. Avançado do Liverpool de Montevideo, que se destacou no último Mundial sub-17, estreou-se com apenas 17 anos na primeira equipa do seu clube, marcando o seu primeiro golo como profissional logo ao segundo jogo, diante do Cerro, num empate caseiro a um. Contudo, ainda não se conseguiu impor como titular absoluto no Liverpool, entrando, por norma, a meio das segundas partes, sendo que, este ano, ainda não marcou qualquer golo em 7 partidas na Liga uruguaia. Avançado bem constituído do ponto de vista físico – 1.87 / 81 -, com características de “9”, sabe jogar dentro da área, onde se mostra particularmente forte no futebol aéreo, tirando partido de um bom poder de impulsão e tempo de salto, aliado a potência e definição no cabeceamento. Para além disso, tem boas movimentações dentro da área, pois apesar de não se tratar de um jogador muito dotado do ponto de vista técnico, sabe rodar sobre os defesas adversários e mostra facilidade no remate de pé esquerdo, o seu mais forte, ainda que possa melhorar a nível da colocação, aspecto que o torna algo perdulário em finalizações dentro de área. Apesar das suas características de homem de área, trata-se de um avançado que não se limita a actuar entre os centrais e gosta de ter liberdade para se movimentar de espaços exteriores em direcção à área, tirando partido do seu potencial físico, que lhe permite também mostrar alguns atributos na condução de bola nos últimos 25-30 metros. Neste Sul-Americano evidenciou um crescimento a nível do jogo sem bola, já que muitas das suas acções possibilitaram a criação de espaços para Cavani ou para os médios ofensivos.

Édgar Édgar (Brasil) . 3-1-1987. São Paulo. Inicialmente apontado como provável reforço do Sp. Braga, o futuro avançado do Beira-Mar, que passou, sem grande sucesso, pelo São Paulo em 2006 – 3 jogos / 0 golos -, começou o Sul-Americano como titular, mas depois das decepcionantes prestações diante de Chile e Perú acabou por perder o lugar e “penar” no banco. Ressurgiria na fase final da competição, recuperando a titularidade, marcando 1 golo diante da Colômbia, na última jornada da fase final. Ao todo somou 379 minutos de utilização, fruto de 5 jogos como titular – 2 completos e 3 incompletos – e de 1 partida como suplente utilizado, tendo visto um cartão amarelo. Trata-se de um avançado de área, com características pouco habituais nos jogadores brasileiros da sua posição, pois é alto e possante, mas tem escassa mobilidade, é lento e extremamente limitado do ponto de vista técnico: fraco controlo de bola e sem capacidade de drible. O ponto forte do seu jogo acaba por ser o jogo aéreo, onde é muito poderoso, ainda que deva melhorar a técnica de cabeceamento, sobretudo no que concerne ao enquadramento, mas conquista inúmeras bolas aéreas e é difícil ganhar-lhe bolas. Tem também um remate forte de pé direito, que utiliza, sobretudo, em finalizações dentro da área, onde mostra outras características extremamente interessantes em acções sem bola: posiciona-se bem, é oportuno e sabe ganhar posição aos defesas. Mostra também alguma capacidade a jogar de costas para a baliza, tirando partido do seu poderio físico para proteger a bola e tocar curto para assistir algum colega.

Nicolás Medina Nicolás Medina (Chile) . 28-3-1987. Universidad de Chile. Avançado, titularíssimo na selecção do Chile, efectuou os 9 jogos da competição, todos como titular, tendo sido substituído em 6 ocasiões, totalizando 734 minutos de utilização. Marcou 5 golos, com direito a dois “bis” – diante de Perú (1ª fase) e Colômbia (2ª fase) -, para além de um golo solitário diante do Uruguai, na 2ª fase. Curiosamente, sentiu-se mais à vontade como unidade mais avançado do ataque, com Alexis Sánchez (ou Felipe Flores) e Mathías Vidangossy no apoio, do que actuando com um avançado mais fixo ao lado (Grandona). Viu um cartão amarelo e apenas 1 dos seus 5 golos foi apontado de grande penalidade. Com um passado goleador nos escalões de base da Universidad de Chile, como também nas selecções inferiores chilenas, já teve a oportunidade de efectuar 3 jogos pela equipa principal do seu clube, mas ainda não se estreou a marcar. Avançado canhoto, é, acima de tudo, um finalizador, cuja principal acção é concluir as iniciativas ofensivas da sua equipa, participando muito pouco nas restantes acções colectivas. Rápido e móvel nos últimos 20-25 metros, trata-se de um jogador perigoso em contra-ataque, pois desmarca-se com grande facilidade e mostra facilidade de remate, mostrando algumas semelhanças em algumas movimentações com “Pippo” Inzaghi, avançado do AC Milan. Dentro da área é extremamente oportuno, finalizando de forma simples, preferencialmente de pé esquerdo e de cabeça, a um-dois toques, sabendo tirar partido da sua muito boa capacidade de antecipação sobre os defesas adversários. Pode, no entanto, melhorar a definição, pois é um avançado algo ansioso, que desperdiça algumas oportunidades fáceis, o que o torna perdulário, como também estar mais atento em relação aos foras-de-jogo, já que cai, demasiadas vezes, em posição irregular.


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