Europeu Sub-17 2007: 43 jogadores para o futuro (I)
segunda-feira, 14 maio 2007
David De Egea (Espanha) . 7-11-1990. Atlético de Madrid. O melhor guarda-redes do Europeu sub-17, jogou todos os minutos da competição, sofrendo 2 golos em 5 jogos, mostrando potencial para se tornar, a curto-médio prazo, num dos maiores valores do futebol espanhol na sua posição. Com uma boa estampa física para a sua idade, mostra também muita concentração e uma muito boa e rápida leitura do jogo, que acaba por se revelar fundamental nas suas intervenções. Forte entre postes, sabe-se colocar e mostra um bom controlo espacial da baliza, para isso contribuindo os bons reflexos e a elasticidade que possui. Fora dos postes, é corajoso e decidido a sair por baixo, mostrando-se forte nos duelos de um para um com os avançados, pois fecha muito bem os espaços, como também é eficaz nas saídas por alto, fazendo uso da sua estatura, alternando intervenções completas com saídas a soco, sempre muito criteriosas e adequadas. Com capacidade de liderança, comunica bastante com os elementos do quarteto defensivo, corrigindo posicionamentos e dando ordens. Sempre que foi chamado a intervir com os pés não complicou e jogou simples. O seu ponto mais fraco parece ser a defesa de grandes penalidades, pois das oito grandes penalidades batidas pela Bélgica no confronto das meias-finais apenas conseguiu parar uma.
Jason Steele (Inglaterra) . 18-8-1990. Middlesbrough. Fez um Europeu em crescendo, com uma excelente exibição diante da França nas meias-finais (segurou a vitória 1-0), totalizando os 400 minutos que a Inglaterra realizou na competição. Forte entre postes, com bom posicionamento, segurança a blocar a bola e agilidade, necessita de se tornar mais constantes nas saídas por alto, sobretudo para desfazer cruzamentos fora da pequena área, onde sente algumas dificuldades a definir o tempo de saída correcto. Com perfil de líder, comunica bastante com o sector recuado, mostrando também facilidade a jogar com os pés, mas é mais eficaz em saídas curtas e médias, do que em pontapés longos, onde nem sempre a potência condiz com colocação.
Jo Coppens (Bélgica) . 21-12-1990. KRC Genk. Totalista da Bélgica na competição, disputou os 340 minutos dos belgas na competição, caindo nas meias-finais, no desempate por grandes penalidades diante da Espanha, onde apenas parou 1 de 8 remates. Guardião que se destaca por uma assinalável envergadura física – mede 1.90 -, mostra uma boa capacidade entre postes, tirando partido de uma boa colocação e de bastante agilidade, sobretudo para alguém com uma estatura tão elevada, ainda que tenha uma certa tendência para protagonizar defesas incompletas, agarrando poucas bolas à primeira. Fora dos postes, mostra um bom controlo da pequena área, mas é inconstante nas saídas a espaços exteriores, necessitando de mais trabalho a esse nível, pois falta-lhe uma maior agressividade e uma melhor definição do tempo de saída.
Nana Ofori-Twumasi (Inglaterra) . 15-5-1990. Chelsea. Numa competição que não ficou marcada pela presença de grandes laterais-direitos, acabou por ser o inglês, de origem ganesa, Ofori-Twumasi o que mais se destacou. Foi titular em quatro das cinco partidas que a Inglaterra realizou no Europeu, falhando apenas o jogo com a Bélgica, da 2ª Jornada, onde deu lugar a Daniel Gosling. Fisicamente extremamente forte, defende bem no um para um, tanto em posições exteriores, como em posições interiores. No entanto, abusa um pouco do contacto físico, promovendo situações de choque com o adversário, em que sai, por norma, em vantagem, como também sai de posição com alguma facilidade, aspecto que deverá rever. A nível ofensivo mostra predicados interessantes: rápido e potente, progride muito bem pelo flanco, procurando combinações 2x1 com o extremo ou o interior direito. Tecnicamente é muito razoável, aspecto que o ajuda nas progressões, mas não complica e joga fácil, necessitando, contudo, de revelar maior acutilância e acerto nos cruzamentos.
Krystian Pearce (Inglaterra) . 5-1-1990. Birmingham City. Mais conhecido por “Chefe”, Krystian Pearce é uma pérola da formação do Birmingham e já trabalha com regularidade com a equipa principal. Titular em todos os jogos da Inglaterra no Europeu, apenas não jogou 8 minutos do jogo de estreia, diante da Islândia, para dar lugar a Gavin Hoyte, do Arsenal. Destro, actuou pelo centro-esquerda, assumindo, quase sempre, a primeira fase de construção de jogo da selecção inglesa, optando, quase sempre, por passes curto-médios em direcção ao centro do terreno, mas também mostrou argumentos em passes médio-longos, a procurar as desmarcações do lateral-esquerdo Mattock ou de uma das quatro unidades da frente da Inglaterra, que privilegiou um 4x2x3x1. Do ponto de vista defensivo mostrou elegância: apesar de se tratar de um central forte do ponto de vista físico, não abusa do contacto físico com os avançados adversários, procurando jogar de forma limpa, jogando bem na antecipação, tanto pelo ar, como também pelo chão, pois é um central rápido e dotado de um bom sentido posicional. A nível ofensivo mostrou-se forte na sequência de lances de bola parada, conquistando bolas na área adversária e revelando sentido de baliza, o que não se estranha, já que era avançado centro na fase inicial do seu processo de formação. Marcou um golo à Islândia.
Nils Teixeira (Alemanha) . 10-7-1990. Bayer Leverkusen. O apelido não engana: é filho de emigrantes portugueses na Alemanha e fala correctamente português. Titular indiscutível da Selecção alemã – defesa-central pela direita -, efectuou os 400 minutos da Alemanha na competição. Fisicamente franzino – 1.75/64 – para defesa central, joga melhor solto ou na antecipação – um dos pontos mais fortes do seu jogo – do que em acções de marcação, onde sente mais dificuldades, quando obrigado a contacto físico com o adversário. No entanto, é um defesa seguro, muito rápido a atacar a bola e a ganhar posição aos adversários. Eficaz no desarme pelo chão, tem um bom tempo de entrada aos lances, mostrando mobilidade e facilidade em se deslocar a posições exteriores, pressionando bastante em busca de recuperações, para além de evidenciar argumentos no futebol aéreo, tirando partido de um bom poder de impulsão e de um bom tempo de salto. Tecnicamente interessante, assume, quando necessário, a primeira fase de construção de jogo ofensivo, mas, por norma, joga simples e prático, não inventando.
Mathieu Saunier (França) . 7-2-1990. Bordéus. Defesa-central pela direita, realizou 240 minutos no Europeu, fruto de três jogos completos, pois falhou o terceiro jogo da competição, diante da Ucrânia, devido a lesão. Jogador elegante e extremamente frio, muito inteligente do ponto de vista táctico, ocupa muito bem os espaços e sabe-se posicionar, sentindo-se mais à vontade a jogar solto ou na antecipação do que em acções de marcação individual, para as quais se sente menos talhado, até porque não é fisicamente robusto. Muito ágil e rápido a atacar a bola, ganha com facilidade a posição aos avançados, jogando bem pelo chão e pelo ar, ainda que lhe falte alguma contundência na abordagem aos lances. Tecnicamente bem dotado, assume, quase sempre, a primeira fase de construção do jogo ofensivo, mostrando boa visão de jogo e qualidade no passe, ainda que, em algumas situações, procure adornar de forma excessiva os lances, devendo ser mais prático.
Mamadou Sakho (França) . 13-2-1990. Paris Saint-Germain. Defesa-central pela esquerda formou com Saunier uma dupla muito interessante, já que se as suas características se complementam. Nascido em Paris, apesar das suas origens familiares serem senegalesas, é um produto das escolas do PSG, tendo já feito a estreia pela equipa sénior, lançado por Paul Le Guen em dois jogos na Taça UEFA: defrontou o AEK, em Atenas (vitória 2-0) e o Benfica, em Paris (vitória 2-1). No Europeu foi um dos totalistas da Selecção francesa: 320 minutos na competição com folha disciplinar limpa. Líder do sector recuado francês, assumiu também funções de “capitão”, em virtude da lesão de Saïd Mehamha, médio do Lyon, que normalmente assume esse papel. Fisicamente extremamente forte e poderoso no desarme, tanto pelo chão como pelo ar, trata-se de um central com bom sentido posicional e talhado para acções de marcação, pois impõe-se no corpo a corpo e revela-se extremamente contundente, por vezes de forma excessiva, na abordagem aos lances, procurando compensar alguma falta de agilidade. Muito forte no futebol aéreo, ganha quase todos os lances que disputa em situação defensiva, podendo tornar-se mais acutilante na sequência de bolas paradas ofensivas, pois conquista bolas no espaço aéreo, mas revela pouco sentido de baliza. Tecnicamente é pouco dotado, mas não procura fazer aquilo que não sabe: é prático, joga simples, ainda que, em algumas situações, procure um futebol mais directo, com passes longos em direcção ao ataque, mas falta-lhe alguma precisão.
David Rochela (Espanha) . 19-2-1990. Deportivo. Líder do sector defensivo espanhol foi um dos totalistas do Campeão Europeu: 5 jogos completos, incluindo um prolongamento diante da Bélgica, 420 minutos de competição. Defesa seguro, adapta-se, com igual facilidade, às funções de defesa mais solto ou de marcador, mostrando capacidade de liderança e personalidade forte. Com um bom sentido posicional e extremamente concentrado, joga com bastante facilidade na antecipação, tanto pelo ar como pelo chão, e é eficaz a nível do desarme, atacando a bola de forma confiante e agressiva, mas não maldosa. Destro, actua preferencialmente sobre o centro-esquerda, mostrando uma capacidade técnica muito razoável, que lhe permite sair a jogar e assumir, quando necessário, a primeira fase de construção, mas também sabe jogar de forma simples e prática quando é necessário.
Patrick van Aanholt (Holanda) . 29-8-1990. PSV Eindhoven. Na minha opinião, o melhor defesa-central do Europeu de sub-17, e pelo que mostrou não demorará a ser pretendido por clubes de topo do futebol europeu. Central canhoto, mas com um pé direito que está longe de ser cego, revelou-se – de longe – como a melhor unidade do sector defensivo da Holanda, que acabou por ser a maior desilusão da prova, falhando até o apuramento para o Mundial sub-17, ao perder o jogo de “play-off” diante da Alemanha. Jogador muito dotado do ponto de vista físico, que pode também desempenhar as funções de lateral-esquerdo – não será estranho, atendendo às suas características, que acabe por ser essa a sua posição no futuro -, impõe-se com facilidade nos lances divididos, pois é forte no corpo a corpo, mas procura, quase sempre, jogar de forma limpa, destacando-se por ser muito rápido, tanto a movimentar-se como a atacar a bola, o que lhe garante uma enorme eficácia a jogar na antecipação, um dos pontos fortes do seu jogo, tanto pelo chão como pelo ar. Com bom sentido posicional e grande capacidade de aceleração, lê bem o jogo e conhece os terrenos que pisa, não se inibindo de sair de posição, quando necessário, para fazer dobras ou pressionar à esquerda ou no meio campo defensivo. Do ponto de vista técnico é muito dotado para defesa-central: boa recepção e controlo de bola ; joga de cabeça levantada, o que lhe permite ler bem as movimentações dos colegas ; apesar da sua estatura, é ágil e sabe rodar sobre os adversários, mostrando atributos no um para um ; é forte no passe, raramente falhando curtos e médios, mas arrisca em demasia no longo, devendo moderar essa tendência. Tem presença na área adversária na sequência de bolas paradas, tirando partido do seu poder de antecipação e forte jogo aéreo, para além de ter um pontapé forte de pé esquerdo. Marcou um golo diante da Alemanha.
Joseph “Joe” Mattock (Inglaterra) . 15-5-1990. Leicester City. Ao invés do que aconteceu em relação a laterais-direitos, esta prova revelou laterais-esquerdos muito promissores, entre os quais o inglês Joe Mattock, do meu ponto de vista, o mais evoluído, tendo já feito a sua estreia pela equipa principal do seu clube, a disputar o Football League Championship (2º escalão), para além de ter contribuído para a conquista do FA Premier Academy League – campeonato inglês de sub-18 – por parte do Leicester. Foi titular nos cinco jogos que a Inglaterra disputou no Europeu, falhando apenas 21 minutos da partida das meias-finais diante da França, por acusar um problema de ordem física. Extremamente competente do ponto de vista defensivo, defende bem, fazendo uso de um excelente sentido posicional e de uma boa interpretação táctica do jogo, dando garantias tanto em posições interiores – fecha bem dentro e domina o espaço aéreo – como em posições exteriores, onde se mostrou praticamente insuperável no um para um, aliando capacidade de desarme a um bom poder de antecipação, nunca dando um lance por perdido, mostrando também argumentos nas lutas corpo a corpo. Apesar da sua competência defensiva, arrisca muito em termos ofensivos, mostrando facilidade a conduzir jogo pelo flanco, tanto em acções individuais, como também em combinações 2x1 com o ala, onde, muitas vezes, se projecta até à linha de fundo, tirando também partido de uma boa capacidade de aceleração e de desmarcação em acções sem bola. Extremamente rápido e acutilante, com uma preparação física que lhe garante 80 minutos a altíssimo ritmo e em constante vaivém defesa-ataque, mostra igualmente uma técnica muito interessante, que lhe permite criar desequilíbrios no um para um, ainda que, em algumas situações, abuse um pouco e acabe por ser desarmado. Forte no passe lateral e nos cruzamentos, coloca a bola com facilidade na área, mas neste último aspecto poderá tornar-se mais constante.
Konstantin Rausch (Alemanha) . 15-3-1990. Hannover 96. Lateral-esquerdo titularíssimo: disputou os 320 minutos da Alemanha na competição. Marcadamente ofensivo, beneficiou das compensações protagonizadas por um dos médio defensivos alemães – Kevin Wolze, titular nos dois primeiros jogos, foi bem mais eficaz nessa tarefa do que Jantschke, que colmatou a baixa de Wolze por lesão – para subir com frequência, sobretudo através de combinações 2x1, com Kroos e Dowidat (ou Knoll), que lhe permitiam desdobramentos não só aberto na ala como também a explorar movimentações para espaços interiores. Razoável do ponto de vista técnico, destaca-se mais pela velocidade e potência em progressão, revelando talento a nível do passe e dos cruzamentos, o que lhe permite fazer algumas assistências para finalizações, como também no remate, pois tem um disparo forte de pé esquerdo, ainda que possa melhorar o enquadramento. Do ponto de vista defensivo mostra-se muito eficaz a jogar na antecipação, ganhando facilmente posição ao seu adversário. Forte no contacto físico e ágil, é difícil de bater no um para um sobre a ala, onde se sente mais à vontade do que em posições interiores, onde ainda assim é bastante razoável.
Alberto Morgado (Espanha) . 10-5-1990. Alavés. Lateral-esquerdo, curiosamente já teve oportunidade de realizar alguns minutos na 2ª divisão espanhola, ao serviço do Alavés. Titular, a tempo inteiro, em 4 das 5 partidas da Espanha no Europeu, totalizou 340 minutos de utilização, tendo sido poupado no empate diante da Alemanha, quando a Espanha já tinha garantido a qualificação para as meias-finais. Mais talhado para acções defensivas do que para atacar, mostra-se um defesa seguro, muito pressionante e com bom sentido posicional, eficaz na defesa de espaços exteriores e interiores. Junto à linha não é fácil batê-lo, pois mostra-se sempre muito concentrado, evidenciando uma boa capacidade de desarme e um bom tempo de entrada aos lances, para além de se tratar de um jogador rápido. Em zonas interiores faz-se valer de uma boa colocação, mostrando também atributos muito razoáveis no futebol aéreo. Do ponto de vista ofensivo arrisca muito pouco, só subindo pelo seguro. Deve tornar-se mais acutilante, para dar uma maior dimensão ao seu jogo.
Niels Ringoot (Bélgica) . 22-4-1990. Anderlecht. Numa selecção que, apesar de ter chegado às meias-finais do Europeias, nunca mostrou grande solidez no quarteto defensivo, sobretudo por falta de solidez da dupla de centrais, destacou-se o lateral esquerdo Ringoot, um dos três totalistas belgas na competição – 340 minutos -, tendo também apontado dois golos, ambos na sequência de lances de bola parada. Aparentemente talhado para desempenhar o posto de defesa central, trata-se de um defesa muito alto e forte fisicamente, particularmente talhado para defender espaços interiores, já que é muito forte no futebol aéreo. Nos espaços exteriores sente-se mais à vontade quando pode usar o seu físico do que em velocidade, pois é algo duro de rins, mas é agressivo e tem um bom poder de desarme. Limitado do ponto de vista técnico, não se mostra talhado para conduzir jogo pelo flanco, não revelando grandes virtudes a nível do passe e dos cruzamentos. Contudo, mostra-se mais talhado para progredir em força, mostrando um violento remate de pé esquerdo, em bola corrida e, sobretudo, em bola parada. Muito forte no jogo aéreo também em situação ofensiva, é muito perigoso na sequência de livres laterais e pontapés de cantos, atacando muito bem o segundo poste e mostrando sentido de baliza.
Alfred N’Diaye (França) . 6-3-1990. Nancy. Médio defensivo, o mais recuado do tridente de meio-campo da selecção francesa, foi titular nas quatro partidas da França no Europeu sub-17, totalizando os 320 minutos de competição. Jogador que se destaca por uma impressionante condição física, pouco normal num jovem de apenas 17 anos, parece talhado para uma carreira de sucesso. Fortíssimo recuperador de bolas, impõe-se com enorme facilidade nos lances divididos, não exagerando em jogo faltoso, para além de evidenciar grande facilidade no desarme e um bom poder de antecipação, tanto pelo chão como pelo ar. Com um “pulmão” impressionante, corre o jogo todo, saindo, várias vezes, de posição, para pressionar os adversários e recuperar jogo. Contudo, o seu jogo não se limita a acções de destruição. Habitualmente utilizado como médio interior no seu clube, mostra-se extremamente poderoso a progredir com a bola nos pés, aliando uma capacidade técnica bastante interessante para um jogador com as suas características físicas a velocidade em progressão e potência, o que o torna difícil de travar. Nesse tipo de situação, poderá ganhar uma maior consciência colectiva, já que tem uma certa tendência em individualizar as acções, como também a arriscar em zonas proibidas. Eficaz no passe curto e médio, os que mais utiliza, mostra também atributos interessantes a nível do passe longo, sobretudo quando procura as alas, mas poderá ainda tornar-se mais consistente a esse nível. Mostra também capacidades muito interessantes no futebol aéreo em lances de bola parada, tanto defensivos como ofensivos, ainda que nos últimos possa ganhar um bem maior engodo pela baliza, pois mostra-se mais à vontade como conquistador de bolas aéreas do que como finalizador.
Joaquín Forner “Ximo” (Espanha) . 27-1-1990. Valencia. Médio defensivo, revelou-se o complemento perfeito de Ignacio Camacho, tendo sido titular nas cinco partidas que a Espanha disputou no Europeu: completou uma, diante da Bélgica, com direito a prolongamento, e foi substituído nas restantes, sempre por David González, jogador do Barcelona, uma das revelações da temporada juvenil do futebol espanhol. Ximo destaca-se por ser um jogador de grande disponibilidade física, particularmente talhado para acções de marcação, de pressão e de recuperação: poderoso no choque, impõe-se com facilidade em lances divididos, mostrando uma boa capacidade de desarme, tanto pelo chão, como pelo ar, como também efectua muito bem marcações individuais, perseguindo o “10” adversário com rigidez e sem abusar de jogo faltoso – apenas viu um cartão amarelo durante a competição. Jogador pressionante, peca, por vezes, por sair de forma extemporânea de posição, mas é eficiente nesse tipo de tarefa, ainda que possa melhorar a sua capacidade posicional. Menos talhado para assumir acções de construção do que Camacho, mesmo assim está longe de ser um jogador limitado, mas poderá melhorar a precisão no passe, sobretudo no médio-longo – alternou bons passes, com outros menos precisos -, mas, por norma, joga com base em passes curtos. Com “pulmão” para correr ao longo de todos os minutos que está em campo, sabe-se movimentar sem bola e aparecer em posições de remate. Possui um bom disparo de pé direito, que deverá trabalhar a nível do enquadramento, como também é um especialista a bater lances de bola parada laterais, já que cruza bem e coloca a bola com facilidade na área: eficiente a bater pontapés de canto, mostra-se também perigoso a executar livres laterais, sobretudo quando descaídos para a esquerda do ataque.
Michael Woods (Inglaterra) . 6-4-1990. Chelsea. Médio defensivo ou médio centro, foi, por norma, a unidade mais recuada do sector intermediário inglês, ainda que trocasse, várias vezes, de posição com Henri Lansbury, o seu habitual parceiro. Contratado pelo Chelsea, em 2006, ao Leeds United, José Mourinho chamou-o a trabalhar, em várias ocasiões, com o plantel principal durante a última época, dando-lhe alguns minutos no jogo da FA Cup diante do Macclesfield Town, o que o tornou no 4º jogador mais jovem de sempre a envergar a camisola do clube londrino em jogos oficiais. Titular em 4 das 5 partidas da Inglaterra no Europeu sub-17, foi suplente utilizado diante da Bélgica, totalizando 343 minutos de utilização. Muito evoluído em termos posicionais e com grande disponibilidade física, sabe ocupar de forma inteligente os espaços, o que lhe permite cortar inúmeras linhas de passe, mostrando também capacidade de choque em lances divididos, mas poderá tornar-se mais agressivo e eficaz no desarme. Do ponto de vista ofensivo, trata-se de um jogador com processos simples e eficazes. Não apresenta grandes atributos de ordem técnica, mas não complica e não procura fazer o que não sabe, jogando, muitas vezes, a um-dois toques. Com boa visão de jogo, revela facilidade na distribuição, alternando passes curtos e médios com longos, onde mostrou atributos interessantes. Sabe movimentar-se sem bola e aparecer em posições de remate, mas evidenciou alguma timidez na finalização.
Daley Blind (Holanda) . 9-3-1990. Ajax. O filho de Danny Blind, glória do futebol holandês, 42 vezes internacional pelo seu país e com 372 jogos pelo Ajax, era um dos jogadores que gerava mais expectativas para o Europeu, até por se ter falado de um eventual interesse do Barcelona no seu concurso. A sua passagem pelo Europeu foi meteórica: depois de ter falhado a estreia diante da Bélgica, devido a castigo, apontou 2 golos em 72 minutos diante da Islândia, saindo com uma lesão no tornozelo, que o impediu de fazer os dois jogos seguintes. Apesar da sua posição de origem ser a de líbero, actuou como médio-defensivo, deixando água na boca. Jogador algo frágil do ponto de vista físico, destaca-se por um excelente posicionamento, que lhe permite cortar linhas de passe com regularidade. Rápido na abordagem aos lances e nas movimentações, sai a jogar com enorme facilidade, mostrando potencial técnico como também uma muito boa visão de jogo e capacidade para fazer a bola circular, tirando partido da sua grande facilidade no passe, normalmente curto-médio, mas também arrisca passes longos, aspecto em que pode tornar-se mais consistente. Destaca-se igualmente por aparecer com facilidade em posições de remate, possuindo um disparo potente de fora da área, tanto em bola corrida, como em bola parada. Um dos golos que apontou foi de livre directo.
Henri Lansbury (Inglaterra) . 12-10-1990. Arsenal. Médio defensivo ou médio centro, foi um dos principais destaques do Europeu sub-17, mesmo tendo jogado com algumas limitações físicas, que o obrigaram a uma gestão de esforço nas partidas diante da Bélgica e da Holanda – em ambas substituído -, antes de se lesionar diante da França, o que o impediu de disputar a final, totalizando 217 minutos de utilização e 1 golo – excelente, diante da Holanda. Extremamente forte do ponto de vista táctico, sabe ocupar de forma inteligente os espaços, jogando muito sem bola, o que lhe permite cortar inúmeras linhas de passe, a sua principal fonte de recuperação, pois mostra-se menos talhado para o choque. Muito útil nas saídas para o ataque, trata-se de um médio que gosta de assumir a condução de jogo, ainda que o faça, algumas vezes, a um ritmo demasiado pausado, até porque não se destaca pela velocidade nas acções. Ainda assim, é um jogador capaz de impor ritmos, tirando partido da sua boa visão de jogo e capacidade de passe: muito forte no curto e no médio, mostra também argumentos interessantes nos passes longos, mas poderá arriscar mais, sobretudo no lançamento de ataques rápidos. Bem dotado do ponto de vista técnico, sabe segurar e “esconder” a bola, rodando com facilidade sobre os adversários, não sendo fácil desarmá-lo. Inteligente nas movimentações sem bola, aparece com facilidade em posições de remate, mostrando potencial nos disparos de fora da área, outro dos pontos fortes do seu jogo.
Ignacio Camacho (Espanha) . 4-5-1990. Atlético Madrid. Médio defensivo ou médio centro, com capacidade, em caso de necessidade, como aconteceu diante da Bélgica, de se adaptar ao posto de defesa central, foi uma das figuras maiores do Europeu sub-17, capitaneando a selecção espanhola rumo ao título: 420 minutos, fizeram dele um dos totalistas da competição, apontou um golo – diante da Ucrânia – e viu dois cartões amarelos. Apontado como a jóia da coroa dos escalões de base do Atlético Madrid, tem todas as condições para se tornar numa referência do futebol espanhol a médio prazo. Com uma inteligência e maturidade pouco comuns num jogador tão jovem, destaca-se por um elevado conhecimento táctico do jogo, que lhe dá garantias de um excelente posicionamento e de uma interpretação perspicaz dos lances, o que lhe permite cortar inúmeras linhas de passe, parecendo adivinhar as acções dos adversários. Agressivo e pressionante, joga com grande facilidade na antecipação e é muito eficaz nos desarmes, tanto pelo chão, como pelo ar, ainda que necessite de evoluir no capítulo físico, pois é pouco possante, acabando por ficar em desvantagem em lances corpo a corpo com adversários mais físicos. Contudo, é um jogador com enorme “pulmão”, que corre os 90 minutos e não tem medo de por o pé em lances divididos, mas a sua acção está longe de se limitar a tarefas de recuperação: assim que recupera a bola, assume a condução e/ou distribuição do jogo ofensivo ; quando é um colega a conseguir a recuperação, movimenta-se de forma a criar uma linha de passe para que lhe possa ser entregue a bola, mostrando personalidade forte. Com um pé direito de grande qualidade, possui uma capacidade técnica acima da média, que lhe permite criar desequilíbrios no um para um em condução, mas é, por norma, um jogador com processos simples e objectivo, que perde muito poucas bolas e sabe impor ritmos: mais pausado, em ataque organizado ; mais acelerado, em ataque rápido. Muito forte no que concerne à visão de jogo, lê muito bem as desmarcações dos seus colegas, mostrando facilidade no passe curto, médio e longo. Poderá desenvolver a capacidade de remate, aspecto em que se mostra mais tímido, optando, quase sempre, por passes.
Kevin Wolze (Alemanha) . 9-3-1990. Bolton Wanderers. Médio defensivo ou médio centro, com capacidade para desempenhar – diria mesmo, mais talhado para – funções de médio interior esquerdo ou de médio ofensivo, apenas foi utilizado nas duas primeiras partidas, diante da Ucrânia e da França, tendo jogado em ambas 79 minutos, acabando por se ver afastado da competição devido a lesão, que limitou um pouco as suas prestações do ponto de vista físico. Natural de Wolfsburgo, iniciou a sua carreira no VfB Wolfsburg, mas as suas boas exibições ao serviço da selecção sub-16 alemã despertaram o interesse de olheiros do Bolton Wanderers, que avançou para a sua aquisição a temporada passada. Inteligente do ponto de vista posicional, nomeadamente a fazer compensações e na ocupação de espaços, não se trata, no entanto, de um exímio recuperador de bolas, até porque se revela algo frágil do ponto de vista físico e pouco talhado para o choque, mas destaca-se, sobretudo, pela capacidade que possui para assumir a organização e distribuição de jogo, tirando partido de um pé esquerdo de grande qualidade, que lhe permite jogar, com espantosa facilidade, ao primeiro toque, mas também segurar a bola de forma inteligente, mostrando capacidade para impor ritmos diferenciados. Dotado de boa técnica e de uma excelente visão de jogo, o ponto forte do seu jogo é a capacidade de passe: muito bom no passe curto-médio, onde é raro vê-lo falhar uma intervenção, mostra também grande capacidade no médio-longo, abrindo o jogo em direcção aos flancos com enorme facilidade, critério e precisão. Muito preso a questões tácticas, nomeadamente a compensar as subidas do lateral-esquerdo, não apareceu em posições de remate.
Yann M’Vila (França) . 29-6-1990. Rennes. Médio centro ou médio interior, preferencialmente pelo centro-direita, produto das escolas do Rennes, esteve em destaque no Torneio do Algarve de 2007, ao marcar um belíssimo golo diante da selecção portuguesa. Voltou a estar em bom plano no Europeu sub-17, assumindo-se como a melhor unidade do meio-campo francês, tendo sido titular nas três partidas da primeira fase – 234 minutos de utilização -, mas falhou o jogo das meias-finais diante da Inglaterra, por ter visto o segundo amarelo na competição diante da Ucrânia – jogo em que também marcou um golo -, acabando por se notar muito a sua ausência, até porque Martial Riff, o seu substituto, mostrou-se demasiado limitado. Sem grandes atributos do ponto de vista defensivo, nomeadamente em acções de recuperação, até porque lhe falta capacidade de choque, M’Vila mostra, ainda assim, capacidades interessantes do ponto de vista táctico, quer a nível da ocupação de espaços, quer a fazer algumas faltas úteis, para travar ataques rápidos ao adversário. Contudo, trata-se de um jogador com mais atributos de ordem ofensiva: procura a bola para partir para acções de ataque, assume a condução de jogo ofensivo – quase sempre entre o centro e a direita, progredindo bem com a bola nos pés e criando desequilíbrios no um para um, pois é rápido, muito ágil e mostra atributos muito interessantes do ponto de vista técnico – e a nível da visão de jogo, ainda que, em algumas ocasiões, se revele algo previsível ou precipitado, aspectos em que poderá melhorar. Possui também um bom remate de fora da área, para além de aparecer bem na área na sequência de lances de bola parada, tirando partido do seu bom jogo aéreo – foi assim que marcou um golo diante da Ucrânia.
Georgino Wijnaldum (Holanda) . 11-11-1990. Feyenoord. Médio interior ou médio ofensivo, foi mais utilizado nesta última função, assumindo um papel próximo ao de um “nº 10”, face ao meio-campo em triângulo invertido que a formação holandesa habitualmente utilizou, e que sem a presença de Daley Blind, acusou demasiada lentidão, falta de dinamismo e previsibilidade. Wijnaldum, que durante a última época já treinou várias vezes com o plantel principal do Feyenoord, foi o que mais procurou lutar contra a maré, totalizando 4 jogos completos e 1 golo, que valeu o 2-2, na partida de estreia diante da Bélgica. Jogador particularmente talhado para acções de construção, procura a bola a partir da zona central da intermediária, mostrando grandes virtudes na recepção e controlo de bola, assumindo a condução de jogo ofensivo, ainda que, em algumas ocasiões, peque por alguma ingenuidade. Possui uma técnica individual muito interessante, que lhe permite criar desequilíbrios no um para um, para além de “esconder” a bola com grande facilidade dos adversários, ainda que, por vezes, quando o faz, perde tempo de passe. Contudo, trata-se de um jogador com boa visão de jogo e com facilidade no passe, alternando passes curtos e médios, onde lhe faltaram apoios para produzir desequilíbrios, com passes longos, sobretudo em direcção às alas ou à procura de desmarcações de ruptura dos elementos do tridente ofensivo. Aparece, também, com relativa facilidade em posições de remate, mostrando potencial a esse nível, mas, muitas vezes, prefere optar pelo (último) passe, perdendo aí alguma objectividade.
Fran Mérida (Espanha) . 4-3-1990. Arsenal. A sua polémica transferência do Barcelona para o Arsenal em Setembro de 2005, seguindo as pisadas de Cesc Fabregas, deu-lhe projecção internacional aos 15 anos, e as expectativas sobre a sua participação no Europeu sub-17 eram elevadas, até porque já foi chamado por Arsene Wenger para participar em jogos particulares da equipa sénior do Arsenal. Contudo, as suas actuações na competição acabaram por saber a pouco, pois se o talento é inegável, os excessos de vedetismo e carácter complicado também o foram, acabando por destoar do colectivo que levou a Espanha ao título. Titular em 4 das 5 partidas da Espanha no Europeu, totalizou 1 golo em 339 minutos de competição, tendo falhado o jogo diante da Alemanha devido a castigo. Médio ofensivo, assumiu o papel de “nº10” da selecção espanhola, ainda que possa também desempenhar funções de médio centro ou médio interior esquerdo, até porque se trata de um canhoto. Muito evoluído do ponto de vista técnico, cria, com facilidade, desequilíbrios no um para um, jogando sempre com a cabeça levantada e com a bola colada ao pé esquerdo, destacando-se igualmente por uma excelente visão de jogo e grande capacidade de passe, alguns deles verdadeiramente espectaculares e imprevisíveis, jogando com facilidade tanto em curto-médio como em médio-longo. Contudo, é um jogador irregular, que tende a desaparecer dos jogos, mostrando pouco sentido colectivo e alguma prepotência na forma como aborda as partidas, para além de lhe faltar força física, potência e resistência, aspectos em que terá que evoluir para atingir um patamar consentâneo com o seu potencial técnico. Possui um remate forte de fora da área e trata-se de um especialista na conversão de lances de bola parada.
Artur Karnoza (Ucrânia) . 2-8-1990. Dniepr. O maior destaque da selecção da Ucrânia, uma das maiores desilusões da competição. Titular nos dois primeiros jogos, ficou, com bastante estranheza, no banco dos suplentes diante da França, jogo em que entrou ao intervalo, marcando um golo e ajudando a equipa a chegar ao empate (2-2), aproveitando o adormecimento do adversário. Médio ofensivo, que assume o papel de “nº10”, pode também aparecer como segundo avançado. Extremamente limitado do ponto de vista físico, sente imensas dificuldades nos lances corpo a corpo, onde sai sempre a perder, mas, apesar disso, não vira a cara à luta e ajuda a defender, recuperando algumas bolas tirando partido de um interessante sentido posicional. O ponto forte do seu jogo é, no entanto, a capacidade para atacar: bom condutor de iniciativas ofensivas, sobretudo em ataque rápido ou contra-ataque, é veloz, tem boa técnica e drible curto, criando desequilíbrios no um para um, não temendo partir para cima dos adversários, apesar das suas limitações no contacto físico, conquistando diversas faltas no meio-campo adversário. Dotado de uma interessante visão de jogo, faltou quem desse sequência a alguns dos seus bons passes – quer para desmarcar, quer a procurar a progressão através de tabelas -, tratando-se de um especialista na marcação de livres, tirando partido do seu remate forte e colocado de pé direito – foi assim que marcou diante da França.
