Europeu Sub-17 2007: 43 jogadores para o futuro (II)
segunda-feira, 14 maio 2007
Toni Kroos (Alemanha) . 4-1-1990. Bayern München. Melhor marcador da competição, a par do ingles Victor Moses, com 3 golos em 4 partidas, todas completas, mostrou porque é apontado como uma das maiores promessas do futebol alemão, carregando a sua equipa às costas e assumindo a condução e, muitas vezes, a conclusão das iniciativas ofensivas da sua selecção. Natural de Greifswalfd, ainda na Alemanha Oriental, estreou-se futebolisticamente no Greifswalfder SC, já com a Alemanha unificada. Deu nas vistas e rumou ao Hansa Rostock, onde o Bayern o contratou em 2006. Na última temporada, tem vindo a jogar na formação sub-19 do clube do Munique, pela qual apontou, até ao momento, 7 golos em 17 jogos, não devendo tardar a sua chegada à formação principal, estando em aberto a possibilidade de vir a realizar a próxima pré-época. Médio ofensivo ou segundo ponta de lança, não raras vezes desloca-se ao centro da intermediária para assumir a condução de jogo ofensivo desde trás, mas gosta particularmente de ter liberdade para aparecer também sobre os flancos, prefencialmente à esquerda, tirando partido depois de diagonais em direcção ao centro, de forma a aplicar o seu excelente remate de pé direito – forte e colocado, tanto dentro como fora da área -, o seu mais forte, mas também sabe executar com o pé esquerdo, o que potencia as suas acções em progressão. Assume o jogo sem receios e gosta de ter a bola nos pés, mostrando velocidade, muito boa capacidade de aceleração, potência física e uma técnica individual bem acima da média, o que lhe permite criar inúmeros desequilíbrios no um para um, um dos pontos mais fortes do seu jogo. Para além disso, lê bem o jogo e mostra predicados no passe, tanto no desenvolvimento de tabelas, quer como protagonista das acções, quer como pivot, para além de fazer várias assistências para finalização em zonas próximas da área, ainda que, muitas vezes, opte por assumir a finalização dos lances. É, também, um bom marcador de lances de bola parada, tanto directos como indirectos. Forte fisicamente e com bom posicionamento consegue recuperar algumas bolas, apesar de não se tratar de um jogador particularmente talhado para acções defensivas.
Eden Hazard (Bélgica) . 7-1-1991. Lille. Um dos jogadores mais jovens do Europeu sub-17 foi um dos poucos representantes da classe 1991 na competição, somando 2 golos em 4 jogos como titular: totalizou 320 minutos de competição, já que foi poupado nos últimos 20 minutos diante da Islândia. Foi, sem sombra de dúvida, o melhor jogador belga na competição e decisivo na chegada à etapa final, já que todo o jogo ofensivo passava pelos seus pés. Revelado pelo AFC Tubize foi descoberto, em 2005, por olheiros do Lille num torneio de futebol, que o levaram para França, onde já joga pela formação secundária do clube, não devendo tardar a chamada à formação principal. Médio ofensivo ou segundo avançado, trata-se de um jogador de baixa estatura, mas com uma velocidade impressionante, capaz de impor ritmos extremamente fortes ao jogo, pois tem grande capacidade de aceleração, que consegue aliar a uma boa técnica individual e, sobretudo, a uma capacidade de drible excelente, tratando-se de um especialista no ziguezague em progressão, até porque joga com facilidade com os dois pés, apesar do direito ser o mais forte. Com uma grande tendência para procurar iniciativas individuais deverá ganhar uma maior consciência colectiva, necessitando de melhorar a sua capacidade no último passe, onde é algo intermitente, apesar de revelar uma boa leitura das desmarcações dos seus colegas de equipa. Contudo, apesar de lhe faltar alguma capacidade física, trata-se de um jogador que protege a bola e sabe esconde-la, não sendo nada fácil desarmá-lo sem recorrer a faltas. Especialista na transformação de lances de bola parada, mostra-se muito forte em finalizações na área, sobretudo no um para um com o guarda-redes, pois desmarca-se muito bem e tem um remate fácil, o que o torna particularmente perigoso em estratégias de contra-ataque.
Victor Moses (Inglaterra) . 12-12-1990. Crystal Palace. Médio ofensivo ou segundo avançado, que deixou excelentes indicações no Torneio do Algarve em Fevereiro passado, onde marcou o golo da Inglaterra diante de Portugal (1-0), nasceu na Nigéria, mas rumou a Inglaterra, como exilado, depois de perder os pais. Foi uma das grandes figuras deste Europeu, ao sagrar-se melhor marcador da competição, juntamente com o alemão Toni Kroos, com três golos em cinco partidas, totalizando 395 minutos de competição. Extremamente dotado do ponto de vista técnico, é capaz de excelentes pormenores, tanto a nível do drible como em simulações, projectando-se também através da velocidade e da potência que emprega às suas acções, ainda que, em algumas situações, tende a individualizá-las excessivamente. Possui também atributos a nível da visão de jogo e do passe, mas destaca-se ainda mais como finalizador: perigoso a aparecer dentro da área, desmarca-se de forma inteligente e ganha com facilidade posição aos adversários, mostrando facilidade e enquadramento no remate, como também tem um bom disparo de fora da área, tirando partido do seu sentido de baliza e potência. Apesar das suas características ofensivas, ajuda, quando necessário, nos processos defensivos, mostrando capacidade de pressão e consciência colectiva. Necessita, no entanto, de se tornar mais constante, pois tende a desaparecer no decurso das segundas partes, o que até motivou a sua substituição na final, onde realizou a sua exibição mais fraca no Europeu, muito por culpa da ausência de Lansbury. Ainda não se estreou pela equipa principal do Crystal Palace, o que deverá acontecer em breve, mas não deverá demorar a dar o salto para uma equipa de potencial mais elevado.
Nill De Pauw (Bélgica) . 6-1-1990. Lokeren. Jogador de características ofensivas, que no seu clube, desempenha, várias vezes, a função de unidade mais avançada da equipa, foi adaptado neste Europeu, por imperativos de ordem táctica e, provavelmente, de ordem física – dar maior poder de choque e capacidade no jogo aéreo – foi adaptado à zona central do terreno, actuando como segundo trinco. Não desiludiu na sua nova tarefa, mas por pouco conhecimento da sua nova posição, revelou-se algo irregular e, por vezes, algo perdido sobre o terreno, algo que procurou compensar com a sua capacidade de luta e de trabalho em prol do colectivo. Contudo, foi quando teve oportunidade de jogar no meio campo ofensivo, quer ao centro, quer sobre as alas, que o seu futebol explodiu, já que se trata de um jogador muito interessante do ponto de vista técnico, capaz de criar desequilíbrios em acções individuais, como também evidencia qualidades a nível da visão de jogo e do passe, mostrando um bom critério de selecção do tipo e do tempo de passe. Aparece igualmente com facilidade em posições de remate, mostrando sentindo de baliza: apontou 2 golos na competição, em 4 jogos sempre como titular, totalizando 329 de utilização.
Nacer Barazite (Holanda) . 27-5-1990. Arsenal. Jogador de origem marroquina, nasceu já na Holanda, dando nas vistas nos escalões de base do NEC Nijmegen e, posteriormente, na selecção de sub-16 da Holanda, onde foi descoberto por “olheiros” do Arsenal, que não hesitaram a aconselhar a sua aquisição, que acabou por se concretizar no Verão passado. Este ano, ao serviço do clube londrino, apontou 5 golos em 26 jogos pela formação sub-18, justificando também algumas chamadas à equipa de reservas, pela qual fez 9 jogos. Médio ofensivo ou segundo avançado de origem, foi utilizado no Europeu sub-17 como extremo, variando entre a direita e a esquerda, numa opção duvidosa, que acabou por não produzir resultados, pois apesar de alguns apontamentos de grande qualidade, não teve o rendimento que era esperado. Titular nas 4 partidas, jogou sempre a tempo inteiro, totalizando 320 minutos de utilização, apontando um golo na partida de estreia diante da Bélgica. Muito inteligente do ponto de vista táctico, conhece bem os terrenos que pisa, ocupando bem os espaços, para além de se revelar pressionante e inteligente a cortar linhas de passe. Gosta de ter a bola nos pés e de assumir os processos de condução e construção de jogo, mas o jogo demasiado pausado e centralizado da Holanda não favoreceu as suas acções, já que o 4x3x3 o obrigava a estar demasiado aberto sobre a faixa. Ainda assim, quando a bola lhe chegou, mostrou tendência a derivar para o meio, tirando partido do seu futebol rápido e evoluído do ponto de vista técnico, que lhe permite criar desequilíbrios no um para um, como também mostra qualidade a nível do passe e do remate, já que aparece com facilidade em posições de finalização.
Henning Sauerbier (Alemanha) . 6-1-1990. Bayer Leverkusen. Médio ala ou extremo, que deixou muito boas indicações no Torneio do Algarve deste ano, ao apontar golos diante de Portugal e Inglaterra, que acabaram por se revelar decisivos para o triunfo germânico na competição, efectuou um Europeu irregular, bem abaixo das expectativas, apesar de ter sido titular nas 4 partidas da Alemanha: fez 1 jogo completo e em 3 foi substituído, totalizando 242 minutos de competição, não marcando nenhum golo. Actuou preferencialmente aberto na ala direita, com funções de médio-ala, no 4x2x3x1 que a Alemanha utilizou, ainda que, esporadicamente tenha aparecido também pela esquerda. Jogador destro, destaca-se sobretudo pela extrema velocidade com que explora o seu flanco, mas pagou bastante o preço da Alemanha ter apostado muito pouco em ataques rápidos, estilo de jogo que favorece as suas características, como ficou provado no Torneio do Algarve. Apesar de algo limitado do ponto de vista físico, trata-se de um jogador solidário e com virtudes tácticas, já que ajuda nos processos defensivos, fechando os espaços e pressionando, mas acaba por se desgastar nessas tarefas, perdendo fulgor nas segundas partes, pois não gere muito bem o esforço, acusando demasiada “electricidade”. Do ponto de vista técnico apresenta alguns atributos, mas necessita de ganhar maior consistência, já que, por vezes, a sua velocidade excessiva acabou por atrapalhá-lo em acções de condução. Ainda assim, mostrou algumas virtudes a nível dos cruzamentos, como também capacidade para aparecer em situação de finalização na sequência de desmarcações sem bola, mas a pontaria, ao contrário do que aconteceu no Algarve, não esteve afinada.
Henri Saivet (França) . 26-10-1990. Bordéus. Extremo-direito, que se adapta com facilidade à esquerda ou mesmo a jogar nas costas do avançado mais fixo, foi titular nas 4 partidas da França no Europeu sub-17, completando 2 jogos e sendo em 2 ocasiões substituído, totalizando 284 minutos de utilização. Jogador de origem senegalesa, destaca-se, sobretudo, pela extrema velocidade que imprime ao seu jogo, com uma impressionante capacidade de aceleração e de explosão, à qual, por vezes, consegue aliar o seu potencial técnico, nomeadamente um bom drible curto, tornando-se perigosíssimo no um para um, pois também é bastante potente em progressão, mas falta-lhe uma maior consistência e coordenação no seu jogo, sobretudo quando assume a condução, já que, muitas vezes, perde objectividade, acabando por revelar-se trapalhão e algo desastrado. Capaz de explorar diagonais, como também de romper de trás para a frente em zona central, em acções com e sem bola, sabe-se desmarcar e não tem receio de partir para cima dos adversários, mas falta-lhe uma maior regularidade a nível do último passe. Possui um remate forte de pé direito, mas necessita de trabalhar o enquadramento.
Iago Falqué (Espanha) . 4-1-1990. Barcelona. Extremo ou médio ofensivo galego, que o Barcelona “roubou” ao Real Madrid em 2001, depois de ter sido revelado pelo Victoria de Vigo, já é conhecido em Espanha como o “canhoto de ouro”, jogando quase de olhos fechados com Fran Merida e Bojan Krkic, com quem se cruzou nas categorias de base do Barcelona. Titular nas cinco partidas da Espanha no Europeu, apenas completou uma, totalizando 366 minutos de utilização, apontando 2 golos, diante da França e da Ucrânia, ainda na fase de grupos da competição. Canhoto, actuou preferencialmente sobre a direita do ataque da selecção espanhola, mas também experimentou outras posições: na final, diante da Inglaterra, actuou na esquerda do ataque, e na fase de grupos, diante da Alemanha, face às ausências de Bojan Krkic e de Isma López, acabou por ser a unidade mais ofensiva, função para a qual parece menos talhado. Jogador de grande talento, mas irregular e algo inconsistente, desaparece com facilidade dos jogos e não gosta de cumprir missões de sacrifício, mostrando dificuldades em cumprir as acções defensivas que lhe estavam incumbidas. Com a bola nos pés, transforma-se, tornando-se num jogador desequilibrador: muito forte na recepção e no controlo da bola, revela-se um bom condutor de jogo, muito forte do ponto de vista técnico, ainda que lhe falte alguma capacidade de explosão e tenda a individualizar em demasia as suas acções, mas parte para cima dos adversários com grande facilidade, criando desequilíbrios no um para um fruto dos seus dribles curtos. Pouco talhado para procurar a linha de fundo, mostra-se muito forte a explorar diagonais, um dos pontos-chave do seu jogo, sobretudo da direita para o meio, mas também da esquerda para o meio, mostrando grande facilidade e enquadramento no remate. Evidencia também argumentos muito válidos a nível do passe, ainda que deva ganhar uma muito maior consciência colectiva. Frágil do ponto de vista físico, cai, por norma, de produção nas segundas partes, o que acaba por justificar o facto de ter sido 4 vezes substituído ao longo da competição. Terá que evoluir bastante a esse nível.
Lucas Porcar (Espanha) . 18-2-1990. Espanyol. Estrela das equipas de base do Espanyol, onde costuma actuar como médio ofensivo ou segundo avançado, com liberdade total de movimentos, acabou por ser o 12º jogador de Espanha ao longo da competição, mas os seus bons desempenhos como suplente utilizado, com particular destaque para o jogo com a Bélgica das meias-finais, acabaram por dar-lhe a titularidade na final. Jogou as 5 partidas, totalizando 213 minutos de utilização, actuando preferencialmente na direita do ataque, mas, a espaços também ao meio, onde rende mais. Trata-se de um jogador com grande capacidade de sacrifício, que cumpre tarefas defensivas, mostrando um belíssimo sentido táctico e é inteligente a fazer pressão, conseguindo conquistar algumas bolas. Contudo, as suas características são ofensivas e é aí que se destaca mais. Muito rápido e habilidoso a sair para o ataque em velocidade, possui também uma boa técnica individual, mas não se prende de forma excessiva à bola, sabendo jogar simples e a poucos toques, ainda que, em algumas situações, arrisque e crie desequilíbrios no um para um, mostrando critério e inteligência nas decisões. Com boa visão de jogo, sabe ler as desmarcações dos seus colegas e impor ritmos, mostrando potencial no último passe. Procurou pouco a baliza adversária ao longo da competição, o que contrasta um pouco com as suas prestações no clube, onde costuma apontar vários golos.
Thibault Bourgeois (França) . 5-1-1990. Metz. Médio ala ou extremo, tanto à direita como à esquerda, ou avançado, foi utilizado neste Europeu por François Blanquart como médio ala esquerdo, apesar de se tratar de um jogador destro. Titular indiscutível, realizou as 4 partidas da França, todas completas, totalizando 320 minutos de utilização, que lhe valeram um golo, na fase de grupos, diante da Ucrânia. Jogador muito evoluído do ponto de vista posicional, fecha muito bem os espaços, o que se enquadra perfeitamente no rigor táctico exibido pela selecção francesa, que, por norma, partia de um 4x5x1 defensivo para um 4x3x3 em situação ofensiva. Extremamente lutador e pressionante, não dá espaços ao lateral adversário, impedindo-o de subir, como também recupera algumas bolas, quer junto à linha, quer em deslocação a espaços interiores, já que está sempre disponível para trabalhar em prol do colectivo, evidenciando uma boa leitura dos lances. A nível ofensivo, apesar de alguns predicados interessantes a nível técnico, mostra-se demasiado previsível no drible, quando procura situações de um para um, acabando por ser desarmado. Ainda assim, não desiste do lance e procura recuperar a bola, mas é mais eficiente quando explora a sua velocidade e mobilidade em desmarcação do que em condução, mostrando predicados muito interessantes a nível dos cruzamentos, já que coloca a bola com facilidade na área. Perigoso em contra-ataque, sobretudo quando lançado para desmarcação em diagonal, necessita de refinar a finalização, já que se mostra excessivamente perdulário em lances de um para um com o guarda-redes adversário, acusando demasiada ansiedade no momento do remate.
Danny Rose (Inglaterra) . 2-7-1990. Leeds United. Produto das escolas do Leeds United, esteve muito perto de rumar ao Chelsea no Verão passado, mas acabou por não seguir o mesmo caminho de Michael Woods, seu antigo colega de clube e actual companheiro na selecção. Contudo, é um jogador desejado por vários clubes da Premier League, e não deverá demorar a dar o “salto”. Titular nos cinco jogos que a Inglaterra disputou no Europeu, totalizou 358 minutos de competição, marcando um golo diante da Islândia. Médio ala ou extremo esquerdo, trata-se de um jogador versátil e de grande sentido táctico, que, em algumas situações, sobretudo defensivas, se desloca para posições interiores, dando indicações que pode também desempenhar as funções de médio interior esquerdo num 4x3x3. Muito dinâmico e objectivo, trata-se de um jogador que assume, com facilidade, a condução de jogo, tirando partido da sua velocidade, aliada a uma capacidade técnica interessante, mas não fulgurante, apesar de alguns pormenores a nível do drible, que lhe permitem criar vários desequilíbrios no um para um. Dotado de uma boa visão de jogo, mostra grande facilidade no passe, tanto interior como exterior, para além de chegar com facilidade à linha de fundo, de onde tira cruzamentos extremamente perigosos, colocando a bola na área com grande facilidade e precisão. Do ponto de vista defensivo, sabe ocupar os espaços, mostrando bons predicados de ordem táctica, não só a fechar o flanco, como também a preencher o espaço interior, pressionando e evidenciando potencial no desarme ou a cortar linhas de passe, partindo imediatamente para acções de ataque. Apesar de se tratar de um jogador canhoto, utiliza com grande facilidade o pé direito, mostrando uma boa capacidade de remate, sobretudo na sequência de diagonais da esquerda para o meio.
Luciano Narsingh (Holanda) . 13-9-1990. Heerenveen. Avançado holandês, capaz de desempenhar qualquer posto entre a esquerda e o centro, foi mais utilizado aberto à esquerda do ataque. Titular nas 4 partidas da Holanda no Europeu, totalizou 272 minutos de utilização, pois apenas completou a partida de estreia diante da Bélgica. Apontou um golo, na derrota 2-4 diante da Inglaterra, o jogo que acabou por ditar o afastamento da sua selecção do “top 4” da competição. Jogador rápido, dinâmico e muito móvel, mais talhado para romper em diagonais em direcção à área do que para procurar a linha de fundo, mostra também uma capacidade técnica interessante e também bastante agilidade, o que lhe permite criar desequilíbrios no um para um, mas o seu jogo nem sempre tem a objectividade desejada, perdendo-se em mais um adorno, que acaba por lhe retirar o tempo ideal para uma assistência ou um remate. Frágil do ponto de vista físico, fica, por norma, a perder em situações de choque. Sabe aparecer em posições de remate, dentro da área, tirando partido de um bom poder de desmarcação e de antecipação sobre os defesas, mostrando facilidade no remate, muitas vezes a um toque, mas deve melhorar a definição do seu remate cruzado.
Ismael López “Isma” (Espanha) . 29-1-1990. Athletic. Avançado-centro de origem, com muitos golos ao serviço das equipas de base da formação basca, a presença de Bojan Krkic na equipa, deslocou-o para a ala esquerda do ataque, onde não rende tanto, mas as trocas de posição com Krkic acabaram por revelar-se num factor importante de desequilíbrio, pois baralharam as marcações das defesas adversárias. Utilizado nas 5 partidas, foi titular em 3, mas apenas completou 1 jogo, totalizando 242 minutos de utilização, que não lhe valeram golos. Esse facto, e a afirmação de Lucas Porcar, acabou por atirá-lo para o banco na final diante da Inglaterra, onde rendeu Yago Falqué nos instantes finais da partida. Pouco talhado para actuar aberto na ala e para procurar a linha de fundo, raramente o fez, optando permanentemente por diagonais, com e sem bola, em direcção à área, tirando também partido da sua capacidade para se desmarcar e de uma muito interessante capacidade de recepção em progressão. Do ponto de vista técnico não revela grandes predicados, apesar de alguns bons movimentos curtos, típicos da sua formação como avançado-centro, nomeadamente a jogar de costas para a baliza e em acções de rotação sobre os defesas, mas destaca-se sobretudo pela velocidade e potência que emprega nas suas acções, aparecendo com facilidade em posições de remate, mostrando potência e colocação no disparo de pé esquerdo e predicados também na utilização do pé direito, tratando-se de um jogador muito forte em finalizações cruzadas. Com potencial do ponto de vista físico, sabe chocar com os defesas adversários e consegue ganhar lances no corpo a corpo, para além de se tratar de um avançado agressivo e pressionante, que consegue efectuar algumas recuperações no meio campo adversário.
Sascha Bigalke (Alemanha) . 8-1-1990. Hertha Berlim. Avançado extremamente baixo, com cerca de 1.65 e menos de 60 kgs., foi o melhor marcador da Fase de Apuramento para o Europeu, como também do Torneio do Algarve deste ano, competição em que apontou 3 golos – 2 diante da França e 1 frente à Inglaterra. No Europeu de sub-17 marcou um golo, de grande penalidade, diante da Ucrânia, em 4 jogos, todos como titular, mas apenas dois completos, totalizando 251 minutos de competição, onde depois de uma estreia auspiciosa diante da Ucrânia acabou por cair de produção. Apesar das suas características físicas e técnicas serem as de um falso avançado ou extremo, na selecção alemã actua como avançado-centro, tanto sozinho como acompanhado por Sukuta-Pasu, um jogador mais possante, curiosamente de origem congolesa. Extremamente rápido e móvel, por vezes até demasiado eléctrico, devido ao seu elevado dinamismo, Bigalke vive, sobretudo, do seu jogo exterior, aparecendo preferencialmente sobre as faixas, mas também em posições mais recuadas ao centro, criando espaços para serem explorados por Toni Kroos ou por Sukuta-Paso, quando coincidiram em campo, já que, diversas vezes, baralha o sistema defensivo do adversário com as suas permanentes movimentações. Bem dotado do ponto de vista técnico, parte para cima dos adversários e sabe assumir a condução de jogo, impondo ritmos fortes, fruto da sua velocidade e capacidade de aceleração, mas também mostra predicados a nível da visão de jogo e do passe, fazendo excelentes aberturas de ruptura, que acabam por se transformar em assistências para finalizações. Muito limitado do ponto de vista físico – falta-lhe força, capacidade de choque e cai de rendimento durante as segundas partes – e sem poder no futebol aéreo, trata-se de um jogador muito oportuno dentro da área, que se antecipa com grande facilidade aos adversários, mostrando um remate fácil e colocado de pé direito. Do ponto de vista defensivo revela-se extremamente lutador e pressionante, assumindo, muitas vezes a toda a largura do terreno, dentro do meio-campo ofensivo, a pressão ao condutor de jogo do adversário, conseguindo alguns desarmes, como também se destaca a cortar linhas de passe em antecipação. É, também, um especialista na transformação de grandes penalidades.
Damien Le Tallec (França) . 19-4-1990. Rennes. É o irmão mais novo de Anthony Le Tallec, também ele um jogador com passado nas selecções inferiores francesas, pois sagrou-se Campeão do Mundo de sub-17 em 2001, passando depois, sem grande sucesso, pelo Liverpool, com quem ainda mantém contrato, apesar de ter estado emprestado ao Sochaux, clube ao serviço do qual venceu a Taça de França este ano, marcando um golo na final. Damien Le Tallec acabou por ser o melhor jogador francês no Europeu sub-17, marcando 2 golos – bisou diante da Alemanha – em 4 jogos, todos como titular e a tempo inteiro. Produto das escolas do Le Havre, transferiu-se, há dois anos, para o Rennes, onde se tem destacado como goleador nas categorias de base, tendo já merecido chamadas à formação de reservas. Avançado-centro, trata-se de um jogador que nunca se dá à marcação, e que faz alarde de uma extrema mobilidade, que lhe permite explorar espaços exteriores à área, tanto ao centro, para participar em tabelas e acções de construção, como sobre as faixas, até porque no seu clube actua, várias vezes, como extremo-direito, de forma a tirar partido das suas diagonais em direcção à área. Contudo, não se trata de um jogador que se destaque pela velocidade e capacidade de explosão, como também por grandes pormenores de ordem técnica, mas é extremamente inteligente nas movimentações, com e sem bola, e muito forte em acções curtas, já que joga muito bem de costas para a baliza e é extremamente ágil e eficiente em movimentos de rotação sobre os defesas, tirando também partido da sua pujança física, ganhando-lhes a frente. Mostra também capacidade a nível do passe, quer em combinações mais à base de passes curtos com os médios interiores, quer em passes médios em direcção às alas. Em zona de finalização é agressivo e sabe tirar partido do seu bom poder de desmarcação e de antecipação, para ganhar posição aos adversários, evidenciando potencial no futebol aéreo, como também um remate forte com os pés, sobretudo o direito, finalizando bem a um-dois toques.
Bojan Krkic (Espanha) . 28-8-1990. Barcelona. O melhor jogador do Europeu de sub-17, e, muito provavelmente, o melhor jogador do Mundo da classe 1990. Filho de Krkic, antigo jogador do Estrela Vermelha e da selecção jugoslava, que decidiu acabar a carreira em Espanha, onde se viria a casar e fixar, já deslumbrara na edição passada do Europeu, onde acabou por revelar-se como o “joker” de ouro da selecção espanhola e melhor marcador da competição, confirmando o porquê dos mais de 800 golos apontados nas categorias inferiores do Barcelona. Na edição deste ano, acusou um pouco a carga competitiva desta temporada, em que se destacou como o melhor jogador da equipa B do Barcelona, tendo tido a oportunidade de se estrear pela equipa principal, num particular diante do Al-Ahly, de Manuel José, marcando um golo, o que aumentou, ainda mais, a carga mediática e a pressão em seu redor. Contudo, nota-se que é um jogador com excelente cabeça, inteligente e preparado para atingir o topo, sem perder humildade, mas a sua visibilidade acaba por levar os defesas a fazerem marcações extremamente cerradas e a abusarem em jogo faltoso sobre ele. Utilizado nas 5 partidas da Espanha no Europeu, foi titular em 4, somando 344 minutos de utilização e dois golos, ambos decisivos: o que valeu o prolongamento, nas meias-finais, diante da Bélgica, a 9 minutos do fim da partida ; e o da final, diante da Inglaterra, que valeu o título de campeã da Europa sub-17 à Espanha. Neste Europeu, actuou preferencialmente como unidade mais avançada da sua selecção, mas sente-se, claramente, mais à vontade, a dispor de liberdade de movimentos do que como referência de ataque. Assim, as trocas de posição com Isma López acabaram por ser determinantes, já que Krkic revela-se tremendo a executar diagonais da esquerda para o meio, como também a procurar outros espaços exteriores e a partir em direcção à área com a bola bem colada ao seu magistral pé direito, sempre de cabeça levantada e com grande agilidade mental na altura de tomar decisões – quando os outros começam a pensar, já Bojan decidiu o que fazer. Fisicamente franzino, nota-se que desenvolveu, durante o último ano, a sua potência física e o poder de choque, o que faz com que seja cada vez mais difícil travar as suas progressões, mas está longe de ser um jogador individualista: tem grande sentido colectivo e nunca vira a cara à luta ; joga para e com a equipa, tirando também partido da sua excelente visão de jogo e fantástica capacidade de passe, que lhe permite fazer vários passes a rasgar ; mas, quando é necessário, como aconteceu nas partidas decisivas deste Europeu, assumiu a responsabilidade de fazer a diferença. Extremamente rápido, com um poder de arranque e uma capacidade extraordinária para mudar de velocidade, possui atributos técnicos de gala, com uma excelente gama de dribles, que lhe permitem criar inúmeros desequilíbrios no um para um. Possui também um remate fácil e potente, com uma colocação extraordinária e extremamente imprevisível, pois finaliza com igual facilidade dentro – esteve algo perdulário no 1x1 com os guarda-redes adversários – e fora da área, em bola corrida ou bola parada. Na próxima temporada deverá ganhar espaço na equipa principal do Barcelona, sendo certo que irá realizar a pré-temporada sob o comando de Frank Rijkaard.
Rhys Murphy (Inglaterra) . 6-11-1990. Arsenal. Avançado-centro, que marcou presença no último Torneio do Algarve, onde marcou um golo, de grande penalidade, diante da França, foi descoberto por “olheiros” do Arsenal no Wimbledon, afirmando-se como uma das figuras da formação sub-18 do clube londrino esta temporada, onde jogou, muitas vezes, ao lado do português Rui Fonte, apontando 17 golos em 21 jogos, que lhe valeram também a presença em alguns jogos de reservas dos “Gunners”. No Europeu sub-17, apontou 1 golo em 4 jogos como titular, representativos de 280 minutos de utilização, já que falhou a estreia diante da Islândia, devido a castigo. Avançado muito móvel, que explora muito bem espaços exteriores, tanto sobre as alas, como em zonais mais centrais, joga com grande à vontade fora da área, mostrando um boa capacidade de passe e de condução de bola no último terço do terreno, pois é um jogador rápido, incisivo e com potencial técnico, o que lhe permite criar desequilíbrios no um para um, mas também se sabe desmarcar em acções sem bola, aparecendo com facilidade em posições de remate. Forte em movimentos de frente para a baliza, nota-se que tem muito trabalho de ponta-de-lança, já que se sente também à vontade a jogar de costas para a baliza, recebendo e protegendo a bola com firmeza, para além de rodar com extrema facilidade sobre os defesas, ganhando-lhes posição. Dentro da área é extremamente perigoso: muito oportuno, alia um forte jogo aéreo – belo poder de impulsão e tempo de salto – a uma finalização fácil com ambos os pés, apesar do direito ser o mais forte, mas deverá trabalhar ainda mais o enquadramento. Lutador e com boa capacidade física, não dá uma bola por perdida, mostrando também capacidade para se impor em duelos mais físicos.
Christian Benteke (Bélgica) . 3-12-1990. Genk. Avançado-centro belga, de origem africana, foi titular nas 4 partidas da Bélgica no Europeu sub-17, totalizando 297 minutos de utilização, fruto de 2 jogos completos e 2 incompletos. Marcou um golo, na goleada de 5-1 diante da Islândia, na 3ª jornada da fase de grupos. Extremamente poderoso do ponto de vista físico, funcionou, várias vezes, como unidade de referência dos ataques rápidos dos belgas, pela interessante capacidade que revelou a jogar de costas para a baliza: sabe proteger a bola e temporizar, esperando a entrada em velocidade de Hazard ou de algum dos alas. Cumpriu essa missão de forma positiva, pois apesar de não revelar grandes atributos de ordem técnica, aspecto que terá que trabalhar, mostra uma capacidade de passe curto interessante, como também sabe movimentar-se, caindo, quando necessário, para as alas, de forma a criar espaços para os seus colegas de equipa entrarem de trás para a frente em zona central. Avançado lutador e agressivo, por vezes até em demasia, mostra-se particularmente talhado para situações de corpo a corpo, onde sai, muitas vezes, a ganhar, para além de revelar potência e um remate forte, mas a necessitar de uma maior e melhor definição.
