FC Bayern München: como joga o adversário do Sp. Braga na Taça UEFA
quarta-feira, 28 novembro 2007
Líder isolado da Bundesliga, o FC Bayern München apostou forte na nova temporada, de forma a fazer face ao desastroso 4º lugar da época passada, que afastou a equipa da Liga dos Campeões. Contudo, se as primeiras semanas da nova época davam ideia que a vitória na Bundesliga seria praticamente um passeio - vitória na Taça da Liga, oito vitórias e dois empates nas dez primeiras jornadas da Liga, duas vitórias na Taça UEFA (frente ao Belenenses) -, as últimas semanas mostraram uma equipa em quebra, coincidente com a primeira derrota - em Estugarda - e três empates - dois na Liga e na Taça UEFA -, que permitiram a aproximação de Werder Bremen e Hamburgo - ambos a um ponto - e fizeram surgir as primeiras críticas ao trabalho de Ottmar Hitzfeld, seis vezes campeão alemão e duas vezes campeão europeu de clubes, que regressou ao comando técnico do clube em Fevereiro passado, depois de ter feito uma pausa de quase três anos, em que rejeitou propostas de vários clubes e da Selecção Alemã após o Europeu 2004.
OPERAÇÃO BAYERN
O PLAYMAKER propõe uma análise táctica ao Bayern de Hitzfeld, a algumas especificidades do seu jogo e aos seus jogadores com apoio na última partida do clube na Bundesliga, realizada sábado, em Munique, diante do Wolfsburgo (vitória 2-1), que alinhou em 4x2x3x1, curiosamente o sistema que Manuel Machado, técnico do Sp. Braga, mais gosta de utilizar. Foi o regresso do Bayern às vitórias, num jogo vivo e intenso, praticamente sem paragens, que controlou do início ao fim, ainda que tenha estado longe de ser brilhante.
ANÁLISE TÁCTICA

Adepto do 4x1x3x2, esquema que usou na quase totalidade dos jogos que realizou a temporada passada, Hitzfeld adoptou este ano um 4x4x2 dinâmico como sistema preferencial, depois de ter experimentado, em algumas partidas, um 4x2x3x1, de forma a utilizar em simultâneo o "tridente" criativo formado por Altintop, Ribéry e Schweinsteiger nas costas de Toni. Frente ao Wolfsburgo, com Lúcio (castigado) e Schweinsteiger (lesionado), Hitzfeld utilizou a tradicional linha defensiva de 4 unidades, com Lell e Lahm sobre as laterais, enquanto que van Buyten, chamado a substituir Lúcio, se juntou ao internacional argentino DeMichelis. No centro da intermediária uma dupla de médios centrais formada por van Bommel e Zé Roberto, duas unidades nucleares do jogo do Bayern, enquanto que sobre as alas estiveram Altintop (direita) e Ribéry (esquerda), cuja acção móvel acaba por ser preponderante na dinâmica táctica do esquema de Hitzfeld, permitindo, muitas vezes, à equipa, partir de um 4x3x1x2 defensivo para o modelo de 4x4x2 ou 4x2x1x3 em situação de ataque, pois Altintop, em situação defensiva, junta-se, muitas vezes, a van Bommel e Zé Roberto, funcionando quase como um interior direito, enquanto que Ribéry, em algumas situações, assume um papel de falso "nº10", assumindo a condução ofensiva a partir de uma posição central, o que acontece, sobretudo, em contra-ataque ou ataque rápido. Na frente, a dupla de avançados formada por Klose e Toni, sendo que, em situação defensiva, um deles, por norma, recua um pouco mais, enquanto que, em ataque rápido, é normal ver um dos jogadores da frente descair para um dos flancos - Toni, por norma, abre mais sobre a esquerda, enquanto que Klose, habitualmente, descai mais para a direita. Para Braga, o esquema não deverá sofrer grandes alterações: Hitzfeld deverá manter este desenho e praticamente os mesmos jogadores, só se prevendo o regresso do internacional brasileiro Lúcio ao centro da defesa, que poderá render DeMichelis, a contas com uma pequena lesão. Esse facto, deverá levar Van Buyten a passar do centro-direita para o centro-esquerda. Schweinsteiger, lesionado, é uma baixa certa, assim como os lesionados Marcell Jansen, José Sosa e Lukas Podolski, curiosamente titular na Selecção, mas suplente no seu clube.
ESPECIFICIDADES DO BAYERN
DEFESA ORGANIZADA. A primeira imagem retrata a situação referida no ponto anterior: em situação defensiva, quando a equipa adversária parte para ataque organizado, a equipa do Bayern junta-se em duas linhas de quatro muito próximas, com Altintop a defender praticamente como interior direito e Ribéry também a juntar-se mais ao centro, sobretudo a pensar no lançamento de uma iniciativa de ataque rápido. Referência para o bom desempenho defensivo dos laterais, inteligentes na leitura táctica do jogo: seguros a defender posições exteriores, deslocam-se para o interior quando é necessário, acompanhando, sem dificuldade, movimentos diagonais sem bola dos alas adversários. Ao centro, Van Buyten quase sempre solto, e DeMichelis em acção de marcação, apostando muito em acções de antecipação, um dos pontos mais fortes do seu jogo.

O RISCO. O preenchimento dos espaços centrais em acções defensivas, tem o seu senão, como prova o lance que dá origem ao golo do Wolfsburgo: a única subida do lateral-esquerdo van der Heyden ao longo dos 90 minutos criou um desequilíbrio defensivo na formação do Bayern, já que ninguém acompanhou o jogador do Wolfsburgo - Altintop estava a recuperar posição ao centro -, que soube tirar partido da diagonal com bola do polaco Krzynowek, que arrastou Lell consigo, assistindo, depois, a desmarcação do seu lateral, que tirou o cruzamento que deu origem ao golo.

ATAQUE RÁPIDO (I). É o lance que dá origem ao primeiro golo do Bayern. Recuperação de bola a meio campo, com Ribéry, em posição central, a iniciar uma iniciativa de ataque rápido, abrindo para Altintop, que sai de interior direito para ala direito. O internacional turco assumiu a condução do lance sobre o flanco, assistindo depois Ribéry, que saiu do centro para o centro-direita, rompendo em direcção à área, ganhando a linha de fundo, de onde assistiu, com um passe atrasado, Klose, que, com Toni se encontrava no interior da área. Existe, contudo, uma alternativa a este lance, com Altintop, após condução sobre o flanco, a centrar para a área, procurando um cabeceamento de Klose ou Toni. Nesse tipo de situação, Ribéry opta, depois de iniciar o ataque rápido, por sair do centro para a ala esquerda numa acção sem bola, ou de prosseguir pelo centro, pronto para um eventual remate de ressaca. Em poucos toques, o Bayern chega com grande facilidade a área adversária.

ATAQUE RÁPIDO (II). O lance que dá origem ao 2º golo do Bayern, novamente a partir de um ataque rápido. Desta feita é Altintop, que partindo de uma posição de interior direito, assume a condução pelo centro, com Ribéry a sair do centro, em acção sem bola, para a ala direita. Tirando partido da sua capacidade de passe, o internacional turco abre na direita, isolando Ribéry, já em diagonal da direita para o meio, em direcção à baliza. Com duas opções, o internacional francês optou, como quase sempre o faz, pelo remate cruzado, em detrimento da assistência para um dos dois avançados, que voltaram a revelar uma movimentação interessante: Klose, fixo ao centro, prende os dois centrais ; Toni, sai do centro para a esquerda, seguindo em movimento sem bola para a área, para uma eventual finalização ao segundo poste.

ACÇÃO SIMPLES. Uma das acções trabalhadas pelo Bayern esta temporada e com resultados práticos: lançamento longo desde o sector defensivo por Kahn - mas também por um dos centrais -, Toni ganha a bola aérea à entrada do meio campo ofensivo, servindo Ribéry, de cabeça, e este, após recepção, acompanhada ou não por um movimento de temporização, centra largo em direcção à área, onde aparece Klose, entre o centro e o segundo poste, a concluir a acção. Em 5-6 toques na bola, o Bayern cria uma situação de perigo, surpreendendo pela velocidade de movimentos a defesa adversária.

CONTRAPÉ. Outra das acções que caracteriza o Bayern 2007/08. Van Bommel recupera uma bola - ou um dos defesas a passa após recuperação - e assume a acção de ataque rápido. Com Altintop e Ribéry ainda em posição central, o internacional holandês faz gala da sua impressionante capacidade no passe longo para fazer uma abertura desde o centro para a ala esquerda, onde Toni, sempre no limite do fora-de-jogo procura a desmarcação e finaliza, por norma, a três toques: recebe em movimento; faz um auto-passe em direcção à área e dispara violentamente de pé esquerdo cruzado. Importante aqui, o jogo posicional de Klose, a colocar-se entre os dois centrais.

DA DIREITA PARA A ESQUERDA EM ATAQUE ORGANIZADO. Uma imagem que comprova as dificuldades de encaixe do 4x2x3x1 no 4x4x2 do Bayern e uma das situações com que o Sp. Braga terá que ter maior cuidado. Situação de ataque organizado do Bayern, a 1-2 toques por jogador, que se inicia numa combinação à direira, entre Lell e Altintop. Lell inicia depois a variação de jogo, servindo Zé Roberto, que, nesse tipo de situação, aparece sempre descaído para o lado em que está a bola. O internacional brasileiro serve van Bommel e o movimento de circulação de bola acaba por obrigar o lateral-direito a sair de posição e tentar compensar ao meio, situação que van Bommel, mais uma vez fazendo uso da facilidade impressionante no passe que possui, aproveita para servir a desmarcação rápida de Ribéry nas costas do lateral. Depois, o internacional francês recebe a bola em movimento e tem duas soluções: o remate cruzado, a sua habitual conclusão, ou a assistência para um dos dois avançados. Três pontos fundamentais nesta acção: Lahm, em cima da linha de meio campo, não sobe, mas prende o ala direito ; o posicionamento dos dois avançados em zona central perto da área, prendendo os dois centrais e deixando o médio mais defensivo do adversário em situação delicada: entre o posto de terceiro central, de forma a não permitir uma situação de paridade numérica sempre perigoso, e de médio defensivo, não tem tempo para fazer face ao movimento rápido de circulação de bola da direita para a esquerda do Bayern, ficando a meio do caminho, o que obriga ao já referido desposicionamento do lateral ; e, por fim, a postura passiva do médio ofensivo, que, pouco talhado para acções defensivas, não consegue acompanhar o rápido movimento de van Bommel, que recebe o passe de Zé Roberto na sequência de movimento sem bola e abre para o flanco de primeira.

BOLA PARADA À DIREITA. São variadas as soluções do Bayern neste tipo de situação. À direita, os pontapés de canto são normalmente batidos por Altintop, ainda que Ribéry surja também como opção. Já nos livres laterais, apesar de Altintop ser a opção mais regular, Zé Roberto e Van Bommel são também opção. As bolas são colocadas ao primeiro ou ao segundo poste, notando-se que, existe uma maior perigo quando o destino é a segunda opção. Na área cinco jogadores: Lell, sempre ao primeiro poste, sem objectivo de finalização, mas sempre atento a um potencial desvio que possa dar à bola em direcção ao centro ou ao segundo poste ; Klose, o jogador mais perto do guarda-redes, atento a um possível desvio à boca da baliza, sobretudo numa recarga ou ressalto ; DeMichelis com uma acção de ruptura, partindo de trás para entrar entre o centro e o primeiro poste ; Toni, partindo do centro para o segundo poste ; e Van Buyten, o jogador mais perigoso neste tipo de acção, que parte de trás em direcção ao ponto onde a bola vai cair: bem mais perigoso quando ataca o segundo poste, do que o centro ou primeiro poste. Ribéry, à entrada da área, e Van Bommel, mais atrás, entre o centro e a esquerda, estão prontos para um eventual remate de ressaca, enquanto que Zé Roberto e Lahm ficam junto à entrada do meio-campo.

BOLA PARADA À ESQUERDA. Ribéry é, por norma, o jogador que bate os cantos à esquerda, podendo Altintop surgir como opção. O internacional francês opta, quase sempre, por colocar a bola ao primeiro poste, evidenciando algumas lacunas de direcção na colocação ao segundo poste. Por isso, um passe atrasado para van Bommel, que fica fora da área, sobre a esquerda, surge também como opção para esse tipo de lance. Nos livres laterais, os protagonistas são os mesmos: Ribéry ou Altintop são os habituais marcadores, ainda que, tal como acontece à direita, Zé Roberto e van Bommel surjam como outras opções. As movimentações na área são em todo similares às dos lances à direita, com a excepção do lance que a imagem documenta e mostra um livre lateral alternativo: Ribéry simula que centra em direcção à área, mas quem executa a acção é Altintop, que varia entre o remate directo e o centro à direcção à área, onde só estão 4 jogadores, pois Hitzfeld abdica da presença de um dos defesas: neste caso, DeMichelis. Klose e Toni trocaram, nesta situação, de funções, enquanto que Zé Roberto aparece fora da área para um eventual remate de ressaca, tal como van Bommel, que não aparece na imagem. Lahm e DeMichelis estavam sobre a linha de meio campo.
ANÁLISE INDIVIDUAL
OLIVER KAHN . O veterano guarda-redes, de 38 anos, voltou à baliza do Bayern, depois de ter estado afastado da competição durante o mês de Outubro, em que foi substituído pelo jovem Michael Rensing, que, ao que tudo indica, será o seu sucessor na baliza do Bayern. Frente ao Wolfsburgo, Kahn passou largos minutos de inactividade, sendo que a sua primeira defesa apenas aconteceu aos 33 minutos. Ao todo, realizou 38 intervenções, das quais 28 foram passes - 18 certos e 10 errados - e 5 recuperações de bola - todas completas -, para além de ter feito 4 defesas: 2 completas e 2 incompletas, num jogo em que o Wolfsburgo apenas efectuou 6 remates, dos quais 4 levaram a direcção da baliza. Do jogo de Kahn a realçar alguns aspectos: eficácia no passes curtos, ainda que opte, quase sempre, por passes longos nas saídas para jogo: 20 dos seus 28 passes foram longos, mostrando mais facilidade em colocar a bola em posições centrais - 10 passes longos para Toni - 8 certos, 2 errados - e 1 para Klose - do que para as laterais, onde colocou a bola em 9 ocasiões - Altintop (4) e Ribéry (5) -, acertando apenas em duas ocasiões, uma delas manual. Fora dos postes, manteve a sua tradicional tendência para não efectuar saídas, só desfazendo um cruzamento, de forma completa, para a sua direita, sendo que as restantes três defesas que efectuou foram entre postes e para o lado direito, o seu mais forte. Curiosamente, o golo do Wolfsburgo surgiu no único remate que foi feito para a sua esquerda.
CHRISTIAN LELL. Lateral-direito, de 23 anos, está a viver a época da sua afirmação, ocupando o espaço que pertencia ao internacional francês Sagnol, que após longa lesão é agora seu suplente, e não deverá demorar a estrear-se pela selecção principal da Alemanha. Produto das escolas do Bayern rodou, durante duas épocas, no Colónia, o que permitiu uma evolução, tratando-se de um defesa forte no aspecto defensivo e muito rápido a subir para o ataque, combinando bem com o ala. Necessita, contudo, de melhorar a eficácia nos cruzamentos. No jogo frente ao Wolfsburgo foi dos jogadores mais activos efectuando um total de 69 intervenções, equilibradas entre o 1º (37) e 2º (32) tempo. Lateral ofensivo, procura muito progressões em acções com e sem bola, o que lhe garante muita acção no meio campo ofensivo, revelando eficácia no passe curto e médio junto à lateral ou no passe curto para posições interiores: frente ao Wolfsburgo efectuou 53 passes, acertando 46. Altintop, com quem procura, muitas vezes, combinações 2x1, e Van Bommel, a sua "muleta" interior, foram os jogadores que mais passes seus receberam (13 cada um), mas Zé Roberto e Toni (ambos com 7) também foram muito procurados por este lateral, que gosta de jogar para frente e tem pouca tendência para atrasar a bola - 2 bolas para Kahn – ou para fazer circular a bola junto à defesa - apenas 2 passes para van Buyten. Ao longo do jogo efectuou 7 cruzamentos, apenas acertando 2, aspecto que, como já referimos, terá que melhorar, pois falhou 5 (dos 7 passes errados), que representam mais de 70% dos seus passes errados. Refira-se, como complemento, que o seus centros foram interceptados ainda antes de chegarem à área ou foram dirigidos, com alguma força excessiva, ao 2º poste. Lell participa também em lances de bola parada ofensivos, aparecendo dentro da área, por norma ao primeiro poste. Não efectuou qualquer remate, pois procura apenas conquistar bolas, o que raramente aconteceu. Do ponto de vista defensivo efectuou 8 recuperações, 5 delas completas: 7 em posições exteriores e 1 em acção interior, desfazendo um cruzamento ao 2º poste. Não efectuou qualquer falta, tendo sofrido 3, sempre em disputas de bola.
DANIEL VAN BUYTEN. Defesa-central, internacional belga, foi titular no Portugal - Bélgica, disputado em Março passado, trata-se de um jogador experiente, de 29 anos, com passagens pelo futebol francês (Marselha) e inglês (Manchester City), e que o Bayern contratou, a temporada passada, ao Hamburgo. Titular indiscutível a época passada, perdeu o lugar esta época, mas soube aproveitar o castigo de Lúcio para regressar à titularidade, realizando uma boa exibição diante do Wolfsburgo. Central muito posicional, funciona, muitas vezes, como um falso libero. Muito seguro no jogo aéreo em situação defensiva, é muito perigoso em lances de bola parada ofensivos, sobretudo a atacar o 2º poste, sentindo-se menos à vontade em velocidade. Protagonizou 48 intervenções diante do Wolfsburgo, com a curiosidade de não ter feito nenhuma entre os 63 e os 78 minutos, o que justifica ter o dobro das intervenções na 1. parte (32) do que na 2. (16). Curiosamente, não teve qualquer intervenção no meio campo ofensivo adversário na 2. parte, depois de na etapa inicial ter feito 2 finalizações de cabeça, na sequência de lances de bola parada – uma ao lado ; outra ao poste. Ambas em finalizações ao 2º poste. Ao longo da partida efectuou 20 recuperações, 12 das quais completas, mostrando eficácia no jogo aéreo, bom sentido posicional (corta linhas passe pelo chão e pelo ar) e risco-zero (corta sem passe quando é necessário). Apenas efectou 1 falta, num lance dividido aéreo. Efectuou 25 passes ao longo do jogo - alternando passes curtos com longos -, dos quais 20 foram certos. 4 dos seus 5 passes errados saíram de passes longos para Toni ou Klose. Toni, com 5 passes, e DeMichelis, com 4, foram os jogadores que mais procurou.
MARTIN DEMICHELIS. Internacional argentino, de 26 anos, contratado pelo Bayern ao River Plate, vive a sua melhor época de sempre: titular indiscutível no Bayern, onde apenas falhou um jogo na Taça da Liga e os dois da fase de grupos da Taça UEFA, conquistou também o seu espaço na Selecção Argentina, onde tem sido titular no apuramento para o Mundial 2010. Jogador marcador, que tanto pode actuar como central ou trinco, trata-se de um defesa agressivo, forte no desarme, particularmente a jogar na antecipação, tanto pelo chão, como pelo ar, mostrando capacidade para sair de posição, recuperando e desarmando sobre as laterais ou mais sobre o meio campo. Frente ao Wolfsburgo, como foi, quase sempre, o marcador do avançado do adversário, esteve muito mais em contacto com a bola do que van Buyten, o seu colega de sector, totalizando 65 intervenções, equilibradas entra a 1ª (35) e a 2ª parte (30). Ao todo efectuou 26 recuperações de bola, 16 das quais completas, mostrando facilidade em ganhar posição ao adversário directo, para além de velocidade a atacar a bola e simplicidade de processos, não arriscando cortes completos em situação de pressão. Equilibrado entre os desarmes pelo chão e pelo ar, apesar da entrega e agressividade que o caracterizam, só cometeu 1 falta, curiosamente em situação ofensiva. Sem registo de remates à baliza, apesar de participar, por norma, em lances de bola parada ofensivas, perdeu 1 bola, numa das poucas tentativas de progressão com bola que protagonizou, acção que gosta de desenvolver, mas que o facto de jogar a central o impede de realizar com maior frequência. A nível do passe efectuou 36 acções, 29 das quais com acerto, falhando 7, sempre em tentativas de passe longo ou de aberturas para desmarcação à esquerda - Toni (6) e Ribéry (1). Toni e Lahm, com 7 passes, foram os jogadores que mais procurou, mostrando uma tendência para fazer circular a bola para a esquerda - juntam-se ainda 4 passes a Ribéry -, para além de os números não enganarem: maior eficácia no passe curto-médio - 7 passes certos para Lahm - do que no longo - apenas 1 passe certo para Toni.
PHILIPP LAHM. Lateral esquerdo, de 23 anos, recuperou no final de Outubro a titularidade, depois de mês e meio afastado das convocatórias devido a lesão. Formado nas escolas do Bayern, impôs-se como titular, depois de uma passagem de dois anos por empréstimo no Estugarda, acabando por conquistar o seu espaço no clube e na Selecção. Jogador destro, está, cada vez mais completo, ainda que o seu jogo tenha perdido alguma agressividade ofensiva, sobretudo em acções no último terço do terreno, mas ganho competência defensiva e qualidade táctica, não só na defesa de posições exteriores, como também de interiores, pois, apesar da sua baixa estatura (1.70), corta várias linhas de passe aéreas e ganha bolas na antecipação. Frente ao Wolfsburgo, Lahm foi o defesa mais interventivo: protagonizou 71 acções, 36 na primeira parte e 35 na etapa complementar. Bem menos ofensivo do que Lell, apenas por uma vez rompeu com bola no último terço do terreno, realizando, nessa acção, o seu único cruzamento: rasteiro, mas que não encontrou o destino desejado (Toni ou Klose). Contudo, Lahm revelou-se fundamental numa primeira fase de condução e distribuição de jogo: dos seus pés sairam 43 passes, a maior parte dos quais junto à lateral, alternando entre o curto e o médio. Desses, 38 encontraram o destino desejado, perdendo-se 5. Ribéry, o seu companheiro de faixa, foi o principal "alvo" dos seus passes: 17 - 15 certos e 2 errados, seguindo-se De Michelis, com quem trocou bolas no sector recuado, com 8. A nível defensivo, Lahm foi o segundo defesa mais recuperado, com o triplo das recuperação de Lell - 24: 14 completas e 10 incompletas ; 17 em posições exteriores à área e 7 em zonas interiores, tirando partido do seu bom jogo posicional e capacidade para jogar na antecipação. Sem qualquer falta cometida, apesar das várias entradas a bolas divididas, Lahm destacou-se pelo excelente tempo de entrada aos lances, uma das suas características principais, tendo sofrido 2 faltas. Perdeu duas bolas, ambas em movimentações de progressão.
MARK VAN BOMMEL. Jogador chave do esquema do Bayern, é fundamental tanto defensivamente como ofensivamente. Contratado a época passada ao Barcelona, onde não conseguiu atingir o nível esperado, recuperou em Munique a boa forma exibida ao longo de 6 épocas ao serviço do PSV Eindhoven, tendo atingido, aos 30 anos, aquele que é, muito provavelmente, o ponto mais alto da sua carreira a nível exibicional. Enorme recuperador de bolas, com uma capacidade de desarme e um sentido posicional assinaláveis, revela uma capacidade de pressão e agressividade notáveis, a que acrescenta um extraordinário talento na condução e, sobretudo, distribuição de jogo, executando, com grande facilidade, de primeira, e mostrando uma enorme precisão no passe longo. Frente ao Wolfsburgo foi o jogador mais em acção, somando 101 intervenções (50+51), nunca tendo estado mais de 3 minutos sem qualquer participação no jogo. Impressionante recuperador, totalizou 28 recuperações ao longo do jogo, 14 completas e 14 incompletas, mostrando uma enorme eficiência no desarme, tanto pelo chão como pelo ar. Agressivo, por vezes em demasia, foi o jogador mais faltoso do Bayern, ao cometer 6 infracções, sempre em lances divididos. A nível do passe atingiu um rendimento extraordinário: efectuou 64, dos quais 56 encontraram o destino certo, variando entre toques curtos, médios e longos, executando perto de metade de primeira, o que atesta a sua competência e facilidade em fazer distribuições rápidas, pois não gosta de prender a bola muito tempo. Em passe curto e médio, opta, quase sempre, por procurar o flanco direito, para onde direccionou 25 passes: Lell recebeu 17, e foi o jogador que mais procurou ao longo do jogo, somando 16 passes certos ; enquanto que Altintop recebeu 8, todos certos. Ao invés, em passe longo, procura mais um espaço entre o centro e a esquerda, dado suportado por 15 passes para Luca Toni, quase todos longos, sendo que 12 encontraram o destino desejado. Rápido a soltar a bola, não sofreu qualquer falta, nem perdeu nenhuma vez a posse do esférico, destacando-se também por ter efectuado 3 remates à baliza, sempre de pé direito: 2 de fora da área, sendo que um foi defendido pelo guarda-redes para canto e outro foi interceptado por um defesa ; e outro à entrada da área, que o guarda-redes também defendeu para canto.
ZÉ ROBERTO. De regresso à Alemanha, onde jogara oito épocas, e ao Bayern, que já representara durante quatro temporadas, Zé Roberto, depois de um ano intermitente no futebol brasileiro, pegou de "estaca" em Munique, não se notando o "peso" dos 33 anos. Médio centro mais móvel e menos directo e interventivo do que van Bommel, sempre com tendência para aparecer como apoio interior no flanco por onde a bola é conduzida, o internacional brasileiro também é um importante elemento em acções de recuperação, assumindo-se como uma importante "muleta" do internacional holandês, fazendo gala da sua boa condição física e capacidade posicional. Frente ao Wolfsburgo, Zé Roberto interveio em 62 ocasiões no jogo, 34 na primeira parte e 28 na etapa complementar, realçando-se o facto de ter feito o último quarto de hora em gestão de esforço, protagonizando apenas 3 intervenções. Mais de metade das suas acções foram passes (38 - 35 certos), quase sempre curtos, pois opta, normalmente, por um futebol apoiado e sem grande risco na entrega: Lell e Lahm, ambos com 7 passes recebidos, mostram a sua tendência para servir como apoio interior em progressões ; juntando-se a estes Ribéry, também com 7 passes recebidos, 6 deles certos, que mostram a sua tendência para, em situação ofensiva e em posse de bola, progredir mais pelo centro-esquerda, até porque é canhoto. Curiosamente, o seu jogo prima pelas lateralizações, raramente arriscado passes a romper pelo centro: apenas 4 para Klose e nenhum para Luca Toni. Ainda a nível ofensivo, Zé Roberto, que, em algumas situações, arrisca progressões, com bola, de trás para a frente, perdeu 3 bolas, sempre na sequência desse tipo de acções, e rematou 1 vez à baliza, na sequência de um livre lateral descaído para a direita, que foi parado a soco pelo guardião do Wolfsburgo. Do ponto de vista defensivo, Zé Roberto efectuou 19 recuperações: 13 completas e 6 incompletas, destacando-se mais pela capacidade de cortar linhas de passe, tanto pelo chão, como pelo ar, do que no capítulo do desarme em lances divididos. Não sofreu nenhuma falta e cometeu apenas uma, na sequência de uma disputa corpo a corpo.
HAMIT ALTINTOP. Contratado, este ano, ao Schalke 04, Hamit Altintop, internacional turco, nascido na Alemanha, de 24 anos, está a confirmar-se como um centro-campista completo: eficaz em acções de recuperação, o que lhe permite ser praticamente um interior direito em situação defensiva, e determinante em acções ofensivas, tirando partida da sua velocidade, capacidade técnica e de passe, sobretudo aberto na ala direita, mas também, em caso de necessidade, pelo centro. Diante do Wolfsburgo, Altintop participou em 80 acções, que fizeram dele o 2º jogador mais interventivo da equipa, mesmo tendo passado por alguns momentos de "apagão": pouco activo no último quarto de hora da primeira parte e entre os 64 e os 77 minutos - apenas quatro acções -, para reaparecer, em grande, na fase final do jogo. O internacional turco protagonizou 56 passes, 46 dos quais certos, sendo que um, a partir de posição central, resultou no golo de Ribéry. Dos 10 passes errados, destaque para 7 cruzamentos, aspecto em que se mostrou intermitente, pois apesar de colocar a bola na área com alguma facilidade, demonstrou alguns problemas de colocação, com várias intercepções na zona do primeiro poste. Ainda assim, acertou 6 dos 13 cruzamentos que efectuou, mostrando-se particularmente feliz nas bolas tensas a meia-altura, que proporcionaram duas assistências para finalização. O facto de partir, muitas vezes, para acções ofensivas, a partir de uma posição central, permitiu que Ribéry fosse o principal alvo dos seus passes (11), sendo que duas dessas situações acabaram por resultar em golo - uma de forma directa e outra no decurso do lance. van Bommel e Lell, ambos com 9 passes, Klose, com 8, e Toni, com 6, foram outros dos jogadores que mais procurou, sendo que os dois primeiros em acções sobre a ala, e os dois últimos, sobretudo, como destino dos seus cruzamentos. Para além das acções de passe, Altintop protagonizou ainda 3 remates, todos de fora da área, sendo que apenas 1, na transformação de um livre lateral, chegou à baliza, obrigando o guarda-redes do Wolfsburgo a uma intervenção a soco. Os outros dois remates, ambos em acção de bola corrida, não levaram o destino ambicionado: um foi por cima ; o outro interceptado. Do ponto de vista defensivo, Altintop, muito cumpridor no aspecto táctico, concretizou 15 recuperações, 11 das quais completas, destacando-se, sobretudo, a cortar linhas de passe pelo chão. A estes números há ainda a juntar mais alguns registos: 3 perdas de bola, sendo que 2 surgiram após acções individuais ; 1 falta cometida, muito inteligente, que travou um contra-ataque com 2-1 no marcador ; e 2 faltas sofridas.
FRANCK RIBÉRY. Internacional francês, de 24 anos, foi contratado ao Marselha no último defeso, tendo sido apresentado juntamente com Luca Toni como os grandes reforços do "novo" Bayern. Ainda que as suas prestações não venham a primar pela regularidade, a verdade é que Ribéry tem sido o jogador mais desequilibrador, somando 3 golos na Liga em 13 partidas, a que juntou 3 tentos na Taça da Liga, onde a sua prestação foi decisiva para a conquista do troféu. Jogador explosivo, que sabe aliar a sua velocidade a uma muito boa capacidade técnica e de passe, mostra-se tremendo no 1x1, tirando também partido da facilidade com que joga com os dois pés. Dotado de um bom poder de desmarcação, sai muito bem em diagonais da ala para o meio, mostrando uma grande facilidade de remate, ainda que, por vezes, se revele excessivamente individualista. Com Hitzfeld actua preferencialmente pela esquerda, mas nas saídas de acções defensivas para ofensivas, parte, muitas vezes, de posições centrais, tratando-se do jogador com mais liberdade para procurar acções individuais e para ter mais tempo a bola nos pés. Frente ao Wolfsburgo, Ribéry demorou a entrar em jogo, realizando apenas 6 acções no primeiro quarto de hora, a que se seguiram 11 no segundo quarto e 19 no terceiro quarto (deu a assistência para o golo de Klose), numa exibição em crescendo, totalizando 36 intervenções na primeira parte, a que se seguiram 40 na segunda metade: 17 no primeiro quarto de hora (marcou 1 golo), 19 no segundo quarto de hora e 5 no último quarto de hora, período que coincidiu com a sua substituição, a cinco minutos do fim, depois de 4 intervenções erradas nas suas últimas 5 participações no jogo, comprovando um claro decréscimo de produção. 47 das 76 intervenções de Ribéry foram passes: 33 certos e 14 errados, número que se explica pelo elevado número de tentativas de passes de ruptura e cruzamentos. No último aspecto, Ribéry efectuou 9 cruzamentos, 6 dos quais que não encontraram o destino desejado, mas entre os 3 que acertou, 1 deles acabaria por resultar em golo. Luca Toni, com 11 passes, foi o colega de equipa que mais procurou, mas apenas por 4 vezes conseguiu fazer chegar a bola em condições ao internacional italiano. Altintop (8, em trocas de bolas mais centrais), Van Bommel (7, quase sempre em passes atrasados ou de apoio), Klose (6, 1 deu golo), Lell (5, com particular destaque para 3 bolas paradas enviadas ao 1º poste) foram os outros jogadores que mais procurou. A nível do remate, Ribéry destacou-se também ao ser o jogador do Bayern que mais vezes rematou à baliza do Wolfsburgo: o internacional francês marcou 1 golo em 5 remates, curiosamente na sua única finalização de pé direito, numa finalização cruzada dentro da área. Os restantes 4 remates foram efectuados de pé esquerdo, 3 deles dentro da área e 1 de fora da área, sendo que 2 levaram a direcção da baliza, enquanto que os outros 2 foram por cima e ao lado. Tratando-se do jogador que mais tempo fica com a bola nos pés em cada acção, não surpreende o facto de ter sido o jogador com mais perdas de bola: 14, 9 das quais na sequência de acções individuais. Contudo, recuperaria 8 bolas, fruto do seu posicionamento ao centro em várias acções defensivas, que lhe permitiu cortar linhas de passe e aproveitar alguns ressaltos para partir para acções ofensivas, já que todas as suas recuperações foram completas. Com pouca tendência para "chocar" com adversários, não cometeu nenhuma falta, tendo sofrido duas.
MIROSLAV KLOSE. Goleador internacional alemão, de origem polaca, chegou este ao Bayern, depois de três épocas no Werder Bremen, em que apontou 53 golos em 89 jogos na Bundesliga, dando sequência ao registo goleador já evidenciado no Kaiserslautern, onde marcou 44 golos, em 120 jogos. Ao serviço do Bayern, em jogos da Liga, soma já 9 golos em 12 jogos, a que junta ainda 2 tentos na Taça UEFA em 2 partidas. Frente ao Wolfsburgo, e como já é um hábito nos jogos do Bayern, foi o jogador menos interventivo entre os titulares. Teve apenas 31 intervenções ao longo do jogo, até porque a sua função é, sobretudo, finalizar as jogadas, e criar espaços ou prender os adversários com as suas movimentações, aspecto em que é extremamente eficaz, o que faz com que esteja, por mais do que uma vez, largos minutos sem tocar na bola. Efectuou 4 remates à baliza, todos na primeira parte: 3 dentro da área, o seu local dilecto para finalizar, e 1 fora da área, de pé direito, que foi interceptado. Dos 3 remates efectuados dentro da área, o único de pé direito deu golo, enquanto que os 2 de cabeça tiveram destinos diferentes: um foi à barra e outro ao lado. No capítulo do passe esteve, como lhe é comum, pouco activo: 16 passes, na quase totalidade curtos, de pé direito ou cabeça, acertando 12. Toni e van Bommel, ambos com 4 passes, foram os jogadores que mais procurou. A estes números juntam-se ainda 1 fora-de-jogo ; 2 recuperações (1 completa, 1 incompleta) ; 3 perdas de bola (sempre após recepções deficientes) ; 2 faltas cometidas ; e 3 faltas sofridas, sempre em disputas de bola.
LUCA TONI. O possante avançado internacional italiano, de 30 anos, depois de apontar 67 golos em três épocas no Calcio, soma já 9 golos em 13 jogos na Bundesliga, a que junta mais 2 tentos, ambos diante do Belenenses, em 3 partidas na Taça UEFA. Tremendo em finalizações aéreas dentro da área, sobretudo ao segundo poste, trata-se também de um avançado extremamente potente nos últimos 25 metros, desmarcando-se, quase sempre nos limites do fora-de-jogo, com grande velocidade e facilidade em diagonais, com e sem bola, da esquerda para o meio que conclui com remates violentos e quase indefensáveis. Frente ao Wolfsburgo, Luca Toni não esteve numa tarde particularmente feliz, mostrando-se muito impaciente com o português Ricardo Costa, que cometeu várias faltas sobre o italiano em lances divididos aéreos. Ao longo do jogo teve 46 intervenções - 26 na primeira parte e 20 na etapa complementar, denotando-se-lhe largos períodos de inactividade, sobretudo no último quarto de hora da primeira parte (5 intervenções) e no primeiro quarto de hora do segundo tempo (apenas 2 intervenções). Luca Toni efectuou 4 remates, mas não esteve feliz no aspecto mais forte do seu jogo: 2 finalizações dentro da área, 1 de cabeça (ao lado) e 1 de pé esquerdo (para fora) ; 2 finalizações de fora da área (uma enquadrada, mas sem criar perigo, outra interceptada antes de chegar à área). Pior ainda esteve nas perdas de bola: 10, número apenas superado por Ribéry, que esteve em muito mais contacto com a bola, sendo que 6 resultaram de recepções deficientes de passes, aspecto em que revela limitações. Foi 3 vezes apanhado em fora-de-jogo - numa delas marcou um golo que foi invalidado -, situação comum devido ao seu estilo de jogo, sempre no limite, e efectou 3 recuperações, em lances divididos, 2 das quais completas. Apenas cometeu 1 falta, mas sofreu 12, a maior parte das quais feitas por Ricardo Costa, o que demonstra as dificuldades que os defesas encontram em disputar lances com o possante avançado italiano de 1 metro e 93 centímetros e 88 quilos. A estes números juntam-se ainda 13 passes, sendo que 10, quase todos curtos, encontraram o seu destino. Klose, com 5 passes, Ribéry, com 4, e Altinlop, com 3, foram os destinatários preferenciais dos seus passes.
TONI KROOS. O jovem fenómeno do futebol alemão, de apenas 17 anos, teve oportunidade de jogar os últimos 5 minutos da partida, rendendo Franck Ribéry. Sem posição fixa, entre a esquerda e o meio do meio-campo ofensivo, Kroos, que nas camadas jovens costumava actuar como "nº10", teve oportunidade de mostrar a velocidade e capacidade de desmarcação que o caracterizam, numa fase em que vai alternando a utilização na formação secundária com alguns minutos na equipa principal, onde se estreou como titular na derrota em Estugarda. Possui uma frieza pouco comum num jogador tão jovem, destacando-se por ser detentor de um bom remate de pé direito - usa também, com facilidade, o pé esquerdo -, para além de um bom drible e capacidade no passe, executando bem em progressão. Diante do Wolfsburgo teve 4 intervenções no jogo: 3 passes - acertou dois - e 1 remate, dentro da área, no último lance da partida, em que atirou de pé direito ao lado, depois de uma excelente desmarcação da esquerda para a direita ao longo de 50 metros.
OUTRAS OPÇÕES. Entre os jogadores que ficaram de fora diante do Wolfsburgo, apenas Lúcio deverá ser titular diante do Sp. Braga, em princípio no lugar do argentino DeMichelis, cuja utilização está em dúvida e que, mesmo em caso de recuperação, poderá ser poupado, até porque, entre Bayern e Selecção Argentina, soma já 25 jogos esta temporada. Lúcio, internacional brasileiro, de 29 anos, vinha a fazer dupla no centro da defesa com DeMichelis, mas foi expulso, após uma entrada duríssima sobre um adversário, na deslocação Estugarda, jogo que ficou marcado pela primeira derrota do Bayern esta época. Para além do promissor Kroos, único suplente utilizado diante do Wolfsburgo, Hitzfeld poderá ter no banco as seguintes opções: o guardião Michael Rensing, de 23 anos, antigo internacional sub-21 e apontado como uma das maiores promessas do futebol alemão na sua posição ; Willy Sagnol, lateral direito internacional francês, de 30 anos, que ainda não se estreou em jogos pela equipa principal do Bayern, pois lesionou-se com gravidade em Abril passado, tendo apenas realizado, no último mês, 2 jogos pela formação secundária do clube para recuperar a forma ; Andreas Ottl, médio defensivo, de 22 anos, que vem ganhando minutos pela equipa principal esta época, somando 12 jogos entre as diversas competições ; Jan Schlaudraff, unidade móvel de ataque, que pode jogar sobre os flancos ou em zonas centrais, que tem sido pouco utilizado, mas jogou alguns minutos nas duas partidas diante do Belenenses, depois de ter chegado a internacional alemão ao serviço do Alemannia Aachen, clube onde apontou 19 golos nas duas últimas temporadas ; Mats Hummels, jovem defesa-central ou trinco, de 18 anos, já internacional sub-21 pela Alemanha, que vem sendo uma das principais unidades da formação secundária, destacando-se pelo físico impressionante (1.91-88), que o torna muito forte no jogo aéreo e em acções de recuperação.
LINHAS PREFERENCIAIS DE PASSE DO BAYERN

BAYERN: CIRCUITO DE PASSES (acima de 4)


Análise brilhante! Impressionante o detalhe!
#1 Nuno Ferreira
Sem dúvida, impressionante.
Rui, quanto tempo dispendes para uma análise com este nível de detalhe?
Cumprimentos,
#2 Catenaccio
antes de tudo, obrigado pelos vossos comentários. Ricardo, quanto à tua pergunta, varia muito de jogo para jogo. este, por exemplo, praticamente não teve uma única paragem ao longo dos 90 minutos, sendo que o Bayern dominou o jogo do início ao fim sempre com posse e circulação de bola. entre visionamento, recolha e trabalho de dados e elaboração do conteúdo no mínimo umas 12 horas de trabalho. mas há jogos, sobretudo da Liga portuguesa, em que o trabalho é feito num período bem mais curto (pouco mais de metade).
abraço,
rui malheiro
#3 rui malheiro