Um novo Petit?
sábado, 12 janeiro 2008
UM OLHAR SOBRE A PRESTAÇÃO DOS MÉDIOS DEFENSIVOS DOS GRANDES NA 1. VOLTA DA LIGA


PETIT. Com um início de temporada fulgurante, em que se destacou por estar num patamar físico superior à maior parte dos seus colegas, Petit lesionou-se à 4ª jornada, diante da Naval, depois de realizar 7 jogos oficiais completos em menos de um mês: cinco pelo Benfica - três na Liga e dois na eliminatória de acesso à Liga dos Campeões - e dois pela Selecção nacional. Lesionado em véspera da deslocação a S. Siro, a rotura parcial no ligamento lateral interno do joelho direito que lhe foi diagnosticada, afastou-o mais de dois meses dos relvados, regressando, como suplente utilizado, diante da Académica, curiosamente em véspera da recepção ao AC Milan, jogo que marcou o seu regresso à titularidade, estatuto que manteve até hoje, com excepção da recepção ao Estrela da Amadora, em que ficou de fora devido a uma rotura muscular na coxa direita. Num olhar atento sobre os seus números na Liga, pode-se constatar que Petit está um jogador diferente: menos competente em acções de recuperação do que era seu apanágio, bem menos agressivo, mas com um engodo maior pela baliza adversária, o que, no seu caso, está longe de significar eficiência - apenas um golo apontado, na jornada de estreia, diante do Leixões. Em comparação com Gilles Binya, o seu substituto, e com quem coincidiu em campo apenas em Coimbra, Petit perde nos itens defensivos, já que tem menos intervenções - 4,39 de diferencial por jogo -, executa menos recuperações de bola completas - 2,28 de diferencial por jogo - e também se tem vindo a revelar muito menos agressivo, já que Binya comete mais faltas - 2,2 de diferencial por jogo, o que tem reflexo no número de cartões vistos: Binya viu 5 em 7 jogos ; Petit não viu nenhum em 8 partidas, número estranho para o médio defensivo internacional português, já que nas últimas 9 épocas como profissional, apenas em 2 delas viu menos do que 10 cartões por época. Do ponto de vista ofensivo, Petit mostra-se mais incisivo que o camaronês: participa mais em acções de ataque - 1,98 de diferencial por jogo -, remata muito mais - 1,48 de diferencial por jogo - e sofre mais faltas - 0,93 de diferencial por jogo -, algo que se justifica não pela condução de jogo ofensivo, já que é pautada pelo equilíbrio entre ambos, mas sim pela maior tendência de Petit para gerir a posse de bola, ao invés de Binya, que se mostra mais rápido e, algumas vezes, precipitado a desfazer-se da bola. Alargando a comparação a Paulo Assunção e Miguel Veloso, Petit continua a superiorizar-se no número de remates e no de faltas sofridas, ainda que Miguel Veloso o ultrapasse a nível das intervenções ofensivas - 0,61 de diferencial por jogo -, já que o "leão" se mostra mais talhado para conduzir iniciativas de ataque, efectuar cruzamentos ou assistências para acções de finalização enquadradas. Do ponto de vista defensivo, Petit vê os médios defensivos dos dois rivais superiorizarem-se, ainda que apresente números mais próximos de Miguel Veloso, do que de Paulo Assunção, que recupera muitas mais bola por jogo - 3,06 de diferencial por jogo - e intervém muito mais do ponto de vista defensivo - 3,64 de diferencial por jogo.

GILLES BINYA. O médio defensivo camaronês, que curiosamente se cruzou com a Selecção portuguesa de sub-17 na Meridian Cup de 2001, defrontando jogadores como Ricardo Quaresma, Hugo Viana ou Raul Meireles, foi um dos reforços "surpresa" do Benfica para a nova temporada: indicado por Eurico Gomes, seu técnico nos argelinos do MC Oran, tudo levava a crer que seria emprestado ao Estrela da Amadora, mas Camacho, poucos dias após a chegada à Luz, ordenou o seu regresso, depois de falhada a aquisição de Borja Oubiña, o jogador que pretendia para colmatar uma vaga no centro do terreno, na sequência da tumultuosa saída de Manuel Fernandes, em vésperas da recepção ao Copenhaga. A estreia de Binya ocorreu nos minutos finais da deslocação a Milão, que antecedeu a estreia como titular, em Braga, em jogo a contar para a Liga portuguesa, aproveitando a lesão de Petit para se fixar na equipa. Aliás, a presença de Gilles Binya na equipa do Benfica tem passado sempre por ausências do internacional português, mas com uma curiosidade relevante: sempre que Binya jogou na Liga portuguesa, o Benfica não perdeu - 6 vitórias e 1 empate. Mais talhado para acções defensivas - é o médio dos três grandes que mais intervenções defensivas protagoniza por jogo (média de 12), sendo que representam 81% das suas intervenções - do que para conduzir, definir ou finalizar acções de ataque, apesar da sua enorme disponibilidade física, o jogador camaronês destaca-se pela enorme agressividade que emprega nas suas acções, que faz com que cometa mais faltas por jogo do que Miguel Veloso e Paulo Assunção juntos. No que concerne a recuperações de bola completas, quando comparado com Petit, Veloso e Assunção, apenas o jogador brasileiro o bate: 0,78 de diferencial por jogo, batendo os dois internacionais portugueses: 0,8 de diferencial por jogo para o sportinguista ; 2,28 de diferencial por jogo para o seu colega de equipa. Do ponto de vista ofensivo, quando comparado com os mesmos jogadores, acaba por ser o que apresenta números mais limitados, destacando-se o facto de ser o que mais bolas perde, por desarme, ao longo dos jogos. Ainda assim, apresenta números próximos de Paulo Assunção, superando-o até na média de intervenções ofensivas por jogo: 0,52 de diferencial.

PAULO ASSUNÇÃO. Titular a tempo inteiro em todos os jogos do FC Porto na Liga dos Campeões, marcou também presença no "onze" portista em 14 dos 15 jogos na Liga portuguesa, onde apenas falhou a recepção ao Leixões, já que Jesualdo Ferreira optou por fazê-lo descansar, depois de um jogo desgastante em Marselha, e em vésperas das recepções a Belenenses e ao emblema francês no espaço de uma semana. Com um jogo muito posicional e de grande inteligência táctica, os números do médio defensivo brasileiro, revelado pelo Palmeiras, não enganam: exímio nos processos defensivos, revela-se pouco participativo em acções de ataque: 83% das suas intervenções em jogo são defensivas, aspecto em que se superioriza aos médios defensivos dos rivais. Mas não só: Paulo Assunção é o "rei" das recuperações completas, totalizando, em média, 9,21 por jogo, números superiores aos de Gilles Binya - 0,78 de diferencial por jogo -, Miguel Veloso - 1,58 de diferencial por jogo - e Petit - 3,06 de diferencial por jogo. Apesar da sua enorme participação em acções de recuperação, Assunção é bem menos faltoso do que Binya - 1,74 de diferencial por jogo -, mas mesmo sendo mais do que Miguel Veloso e Petit, os seus números não são muito superiores: 0,33 de diferencial por jogo para o sportinguista ; 0,46 de diferencial por jogo para o benfiquista. Do ponto de vista ofensivo, quando comparado com os seus "rivais", Assunção é o que menos intervém em acções de ataque, com apenas 2,34 intervenções por jogo, número bem inferior a Petit (4,84) ou a Miguel Veloso (5,45), para quem perde em todos os itens ofensivo. Por isso mesmo, é também o médio-defensivo que menos faltas sofre e o que menos bolas perde, conseguindo suplantar Binya e Petit num item ofensivo: apesar do diferencial ser pouco relevante, conduz mais ataques por jogo do que os dois jogadores do Benfica, mas, ainda assim, longe de atingir os números de Miguel Veloso a esse nível.

MIGUEL VELOSO. Depois de um início de época fulgurante, que motivou a sua "promoção" à Selecção principal, depois de ter efectuado as duas primeiras partidas de qualificação para o Europeu de Esperanças ao serviço dos sub-21, tem vindo a apresentar uma quebra de produção e de preponderância no jogo "leonino" nas últimas semanas, situação coincidente com o aumento de "ruído" em torno de eventuais transferências e da sua vida extra-futebol. Titular em todas as partidas do Sporting na Liga portuguesa e em 5 dos 6 jogos efectuados pelos "leões" na Liga dos Campeões - foi suplente utilizado na "despedida" diante do Dinamo Kiev -, Miguel Veloso, quando comparado com os médios defensivos dos rivais, é o que mais intervém em iniciativas de ataque (5,45 de média por jogo), onde acaba por dominar quase todos os itens, mas consegue ter números superiores aos de Petit em acções defensivas: Veloso efectua 9,14 por jogo contra 7,61 de Petit. Do ponto de vista defensivo, e no que concerne a recuperações completas, Miguel Veloso apenas consegue superar Petit - 1,48 de diferencial por jogo -, mas perde para Paulo Assunção e Gilles Binya, que são também mais agressivos defensivamente que o jogador do Sporting. A nível ofensivo, onde perde para Petit a nível dos remates efectuados por jogo, Veloso superioriza-se claramente face à concorrência a nível da condução de acções de ataque, de cruzamentos e assistências para finalizações enquadradas, aspectos que domina face à concorrência. Curiosamente, apesar da sua maior preponderância em acções de ataque, sofre menos faltas do que Petit, como também perde menos bolas por desarme do que a dupla de médios defensivos do Benfica.
