Rodrigo Tiuí: o pássaro de Taboão da Serra
terça-feira, 22 janeiro 2008

Rodrigo Tiuí: o novo avançado do Sporting

RODRIGO TIUÍ: O NOVO AVANÇADO DO SPORTING. A meio da semana passada, o Sporting apresentou o seu primeiro reforço de Inverno: Rodrigo Bonifácio da Rocha, mais conhecido por Rodrigo Tiuí, avançado, de 22 anos, 1.77/64, dispensado pelo Fluminense no final da temporada 2007. Com um percurso irregular no futebol sénior, que conta também com passagens pelo Noroeste e Santos, o avançado que deu nas vistas como goleador nas equipas de base do Fluminense, representará o Sporting nas próximas três temporadas e meia. Até ao momento, Tiuí, cuja alcunha provém de um pássaro de bico achatado e longo, soma 17 golos em 103 jogos no Brasileirão, tendo conquistado 2 campeonatos estaduais: o Carioca, em 2005, ao serviço do Fluminense ; e o Paulista, em 2007, pelo Santos.

DADOS BIOGRÁFICOS. Natural de Taboão da Serra, município do interior do Estado de São Paulo, conhecido por ser cidade-dormitório de muitos trabalhadores da capital do Estado, teve uma infância complicada, que o obrigou a abandonar de forma prematura os estudos, não completando o actual primeiro ciclo do ensino básico. Incorporado em projectos sociais, acabou por dar nas vistas a jogar futebol no clube local, o Taboão, rumando, bastante jovem, ao Fluminense, onde conclui o seu trajecto de formação, concretizando o sonho de representar o seu clube do coração, destacando-se como melhor marcador das equipas jovens do clube carioca. Em 2003, ainda como júnior, teve oportunidade de se estrear pela equipa principal do Fluminense, aproveitando a péssima fase do clube no Brasileirão, para somar alguns minutos de competição. Em 2004, depois de ter dado nas vistas na Copa São Paulo - a popular "Copinha", uma espécie de Campeonato Nacional Brasileiro sub-20 -, com vários golos marcados, começou a ser uma presença regular na primeira equipa, marcando 5 golos em 18 partidas no Brasileirão 2004. Em 2005, já incorporado, de forma definitiva, na formação principal, ajudou o clube, na altura orientado por Abel Braga, a vencer o Cariocão 2005 e a chegar à final da Copa do Brasil - marcou um golo nas meias-finais diante do Ceará -, que perderia para o Paulista. No Brasileirão 2005 apontou 3 golos em 29 jogos, convivendo, pela primeira vez, com críticas por parte dos adeptos, pouco satisfeitos com o seu rendimento inconstante. No início de 2006, de forma a ser utilizado com maior regularidade, foi emprestado ao Noroeste, onde conheceu o melhor período da sua carreira: apontou 8 golos no Paulistão 2006 e contribuiu de forma decisiva para o Noroeste alcançar um histórico 4º lugar na competição, à frente do então campeão brasileiro Corinthians, despertando a cobiça de Santos e Palmeiras, que disputaram a sua aquisição. Rumaria ao Santos, por empréstimo de um ano, entrando de forma fulgurante no clube comandado por Vanderlei Luxemburgo, ao apontar 3 golos nos 4 primeiros jogos que realizou pelo "Peixe" no Brasileirão. Contudo, o seu rendimento foi caindo e perdeu espaço na equipa paulista, acabando a temporada com 6 golos em 29 jogos, 15 dos quais como titular. Criticado pela "torcida", que começou a chamar-lhe de forma irónica, Rodrigo "Henry", manteve-se no clube no primeiro semestre de 2007, apontando 3 golos no Paulistão e 3 golos em 7 partidas na Copa Libertadores, ainda que a sua utilização tenha sido bastante irregular. No final de Abril de 2007, o Fluminense optou por fazê-lo regressar ao clube para disputar o Brasileirão 2007. Apontou 2 golos nas 5 primeiras jornadas da competição, mas o seu rendimento foi caindo e não tardou em desaparecer das opções de Renato Gaúcho, que entre Setembro e Dezembro de 2007, apenas utilizou-o em 4 ocasiões, assinando a sentença da dispensa no final da temporada.

O QUE ESPERAR DE RODRIGO TIUÍ.

- Avançado móvel, habituado a actuar em 4x4x2, encaixa-se perfeitamente no esquema habitualmente utilizado por Paulo Bento, aproximando-se, em termos de movimentações ofensivas, muito mais a Liedson, do que a Yannick Djaló, Milan Purovic ou Luis Páez. E isto porquê? Porque Tiuí, apesar da sua mobilidade e velocidade, não se trata de um jogador para criar desequilíbrios sobre as faixas e nem se mostra particularmente forte na exploração de diagonais com bola, e, muito menos, é um avançado possante e expectante, cuja acção se limita a prender a marcação dos defesas adversários e procurar concluir cruzamentos.

- O ponto forte do jogo ofensivo de Tiuí é a capacidade para aparecer em zona de finalização a partir de movimentações sem bola, tirando partido da sua velocidade e interessante capacidade de desmarcação e antecipação sobre os defesas. Mais talhado para acções de contra-ataque ou ataque rápido, opta, muitas vezes, por finalizações a um toque, através de desvios subtis, concluindo, com igual facilidade, com ambos os pés e também de cabeça - bom poder de impulsão -, mas falta-lhe uma maior potência, agressividade e definição nas acções de finalização. A partir de uma posição mais central, mostra um potencial interessante em movimentações sem bola de dentro para fora - nomeadamente para o espaço entre central e lateral -, criando espaços de penetração para os médios ofensivos ou para o seu colega de ataque.

- Do ponto de vista técnico e a nível da condução de jogo ofensivo não mostra argumentos de monta, o que acaba por prejudicá-lo em acções exteriores, parecendo até, em algumas ocasiões, algo desengonçado e com falhas a coordenar a sua extrema velocidade com os seus argumentos de ordem técnica, desaparecendo também em várias fases do jogo. Ainda assim, sublinham-se-lhe algumas movimentações e acções interessantes: sabe funcionar como pivot, criando situações interessantes em combinações 2x1, nomeadamente em zonas próximas da área, mostrando alguma habilidade a jogar de costas para a baliza e no passe curto, com alguns bons pormenores de calcanhar ; é ágil e roda bem sobre os adversários, tirando também partido da facilidade em jogar com ambos os pés ; mesmo não sendo talhado para acções de condução, a sua velocidade, capacidade de aceleração e de desmarcação torna-o perigoso em contra-ataque nos últimos 25-30 metros ; em situação de ataque é um jogador lutador, que não desiste dos lances e, em algumas situações, acaba por saber tirar partido de ressaltos para finalizar.

- Do ponto de vista físico, apresenta uma constituição elegante, mas falta-lhe alguma força e potência, acabando por sentir dificuldades para se impor no corpo a corpo. Joga, poucas vezes, os 90 minutos das partidas, e está sem competir com alguma regularidade desde Agosto, o que deverá dificultar, no imediato, a sua afirmação no Sporting. Costuma ter bons arranques nos clubes por onde tem passado, mas a tendência acaba por ser para um apagamento gradual para impaciência dos adeptos. A excepção foi a passagem pelo Noroeste, onde, sem pressão, acabou por se destacar, mantendo um rendimento constante.

RODRIGO TIUÍ: BRASILEIRÃO 2007

Rodrigo Tiuí: Dados 2007

RODRIGO TIUÍ: BRASILEIRÃO 2006

Rodrigo Tiuí: Dados 2006

RODRIGO TIUÍ: BRASILEIRÃO 2005

Rodrigo Tiuí: Dados 2005

RODRIGO TIUÍ: BRASILEIRÃO 2004

Rodrigo Tiuí: Dados 2004

RODRIGO TIUÍ: BRASILEIRÃO 2003

Rodrigo Tiuí: Dados 2003

RODRIGO TIUÍ: DADOS ADICIONAIS (BRASILEIRÃO 2007)

- 20 jogos: 12 jogos como titular ; 8 jogo como suplente utilizado
- Dos 12 jogos como titular foi substituído em 10 ocasiões e apenas completou 2 partidas.
- Num dos 8 jogos como suplente utilizado, foi substituído.
- 1044 minutos de utilização.
- 7 vitórias, 9 empates, 4 derrotas.

- 3 golos marcados.
- 2 golos apontados em jogos em casa ; 1 golo apontado em jogos fora de casa.
- 3 golos apontados nas segundas partes.
- 2 dos 3 golos foram apontados como suplente utilizado.
- Efectuou 16 remates à baliza no Brasileirão 2007: marcou 3 golos ; 5 remates foram defendidos pelos guarda-redes, 7 remates foram para fora, 1 remate foi à barra.

- 5 cartões amarelos ; não foi expulso.


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Comentários:

    Sei que vem a despropósito, mas já apreciaste o novo livro sobre o futebol da Académica escrito, em simultãneo, pelo João Mesquita e pelo João Santana?
    Que achaste?
    Um abraço, Paulo Lima



    viva Paulo,
    ainda não tive oportunidade de ler a obra em questão. irei lê-la em breve, com toda a certeza.

    um abraço.




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