Hélton: o travão do Levezinho
quinta-feira, 24 janeiro 2008
FACTO. O próximo domingo marcará o oitavo encontro de Hélton e Liedson na Liga portuguesa. Até ao momento, o saldo é amplamente favorável ao guardião portista e ex-leiriense que soma 3 vitórias – 2 pelo FC Porto e 1 pela União de Leiria – e 3 empates – 2 pela União de Leiria e 1 pelo FC Porto – sobre o avançado sportinguista, que apenas saboreou uma vitória sobre o compatriota – diante da União de Leiria. Com 74 tentos apontados em 136 jogos na Liga portuguesa, Liedson, que, curiosamente, se estreou diante do FC Porto, a 2 de Setembro de 2003, nunca conseguiu apontar qualquer golo a Hélton, que assim se constitui como a sua principal “besta-negra”.
HÉLTON VS. LIEDSON: TODO O HISTÓRICO NA LIGA PORTUGUESA.

O JOGO DE ESTREIA. Foi a 20 de Dezembro de 2003, que o Sporting, orientado por Fernando Santos, recebeu e bateu a União de Leiria, comandada por Vítor Pontes, em Alvalade. Liedson ficou em branco, mas contribuiu, de forma decisiva, para o triunfo leonino: as suas acções foram determinantes para a expulsão de Gabriel, o seu marcador directo, para além de ter “cavado” a grande penalidade que deu o 2-0, cobrada por Pedro Barbosa, aos 81 minutos, seis após Lourenço ter aberto o marcador, num cabeceamento após cruzamento de Barbosa. Aos 61 minutos, após livre da direita de Fábio Rochemback, Liedson efectuou um excelente cabeceamento, para uma intervenção fabulosa de Hélton, que conduziu a bola ao ferro da sua baliza. Hélton que, apesar dos dois golos sofridos, cotou-se como um dos melhores em campo.
LEIRIA VENCE E PORTO FESTEJA. A 24 de Abril de 2004, União de Leiria e Sporting reencontraram-se, desta feita no Municipal leiriense, a duas jornadas do final do campeonato. Com o Sporting a atravessar um período conturbado, mas ainda em 2º lugar e com hipóteses matemáticas de chegar ao título, a derrota em Leiria, com um golo de Alhandra, após jogada de insistência de Douala, abriu os festejos no Porto, confirmados no dia seguinte na recepção ao Alverca. Na baliza da formação leiriense Hélton cotou-se como o melhor em campo, negando vários golos aos “leões”. Aos 58 minutos, após livre lateral de Tinga, Liedson cabeceou para uma defesa espantosa do guardião brasileiro, que, no final do jogo, confessou “não ter nada contra o Sporting”, por quem disse sentir “admiração”, numa altura em que se falava num eventual interesse do clube de Alvalade no seu concurso.
EMPATE EM ALVALADE E CRISE. A 4 de Outubro de 2004, o Sporting, orientado por José Peseiro, e a União de Leiria, ainda treinada por Vítor Pontes, encontraram-se em Alvalade. O Sporting, depois de um mau arranque de campeonato, queria regressar às vitórias, mas esteve muito perto de perder o encontro. Com Liedson muito activo no ataque, a formação leonina até entrou melhor no encontro, com Rogério a abrir o marcador, concluindo assistência do “Levezinho”. Contudo, os leirienses reagiram: João Paulo, actualmente no FC Porto, na sequência de um pontapé de canto, e Fábio Felício, num pontapé forte e colocado, deram a volta ao marcador. Foi já no período de descontos que Beto, concluindo jogada de insistência de Douala, curiosamente ex-leiriense, apontou o golo do empate, numa noite em que Hélton alternou boas defesas com momentos de algum nervosismo, terminando a partida, aparentemente, com algumas limitações físicas. Em Alvalade a contestação a Peseiro subia de tom, mas apesar do pior arranque pós-25 de Abril dos “leões”, o técnico ribatejano dizia, no fim da partida, ter forças para continuar.
NULO. A 19 de Fevereiro de 2005, União de Leiria e Sporting voltaram a defrontar-se no Municipal de Leiria. Jogo sem grande chama, com o Sporting a acusar, em demasia, o desgaste do jogo europeu a meio da semana diante do Feyenoord, realizando uma primeira parte muito fraca. Na segunda etapa, o Sporting procurou o triunfo, mas sem grande inspiração, perante uma União muito organizada do ponto de vista defensivo. Liedson teve uma noite apagada e pouco inspirada em termos de finalização, enquanto que Hélton resolveu, sem dificuldades, os maiores problemas que o Sporting causou, quase sempre em remates de fora da área.
O JOGO DO TÍTULO. A 8 de Abril de 2006, a primeira vitória de Hélton em Alvalade, num Sporting – FC Porto, que, a cinco jornadas do fim da prova, ganhou o epíteto de “jogo do título”, pois apenas 2 pontos separavam as duas equipas na tabela classificativa. O jogo, que colocava frente-a-frente Paulo Bento e Co Adriaanse, ficou marcado pela tensão e pouco espectáculo, com um número elevado de faltas a não contribuir para a sua fluidez. Foi Jorginho que, a cinco minutos do fim, deu a vitória ao FC Porto, escancarando as portas do título para os dragões. Com Liedson praticamente sem espaços para aparecer em zona de finalização, muito por culpa do bom trabalho de Pepe e Pedro Emanuel, o “Levezinho” acabou por se destacar mais em espaços exteriores, ao “sacar” a expulsão a Bosingwa. Hélton, que ainda vivia atormentado pela contestação em torno da perda da titularidade de Vítor Baía, esteve em bom plano, apesar de não ter sido obrigado a uma noite de intenso trabalho.
EMPATE A TRÊS. Com a liderança da Liga 2006/07 em disputa, Sporting, de Paulo Bento, e FC Porto, de Jesualdo Ferreira, encontraram-se em Alvalade em igualdade pontual, a 22 de Outubro de 2006, depois de jogo europeu a meio da semana. Numa noite de muito trabalho para Hélton, que se revelou quase sempre seguro, Yannick adiantou o Sporting no marcador, ainda no primeiro tempo, concluindo, de cabeça, um cruzamento de Nani, perante a apatia do sector recuado portista. Pouco antes, Hélton causara um calafrio aos adeptos portistas, quando, após receber um atraso, escorregou, mas mesmo pressionado por Liedson, recompôs-se e fintou o compatriota. Na etapa complementar, o FC Porto empatou por Ricardo Quaresma, aproveitando uma saída menos feliz de Ricardo, mas seria o Sporting a estar mais perto da vitória, quando, aos 83 minutos, Carlos Martins centrou para Liedson, que, de cabeça, atirou à barra da baliza portista, já com Hélton batido. O empate manteve-se e o grande beneficiado foi o Benfica, que, minutos antes, vencera o Estrela da Amadora, e juntava-se a FC Porto e Sporting no comando da Liga.
LIVRE INDIRECTO. Já depois de se terem cruzado, a meio de Agosto, na final da Supertaça, com um golo de Izmailov a dar o primeiro triunfo da época ao Sporting, “dragões” e “leões” reencontraram-se a 26 de Agosto de 2007 no Dragão, na 2ª jornada da Liga, após vitórias na ronda inaugural. Hélton, por duas vezes, e sempre em acções de antecipação, negou o golo ao “Levezinho”, mas não teve uma noite regular, já que, perto do fim, largou, de forma perigosa, um remate de Derlei, mas Yannick Djaló não conseguiu aproveitar o ressalto. A vitória do FC Porto acabou por surgiu num polémico livre indirecto dentro da área, depois de um hesitante Stojkovic ter agarrado com as mãos um corte/atraso de Anderson Polga. Raul Meireles deu a melhor sequência a uma assistência de Lucho González, quando todos esperavam que o argentino servisse Ricardo Quaresma. No final da partida, Hélton terá abordado Stojkovic em relação ao lance, aconselhando-o a não se deixar abater pela situação.
SEM PRECEDENTES NO BRASIL. Hélton e Liedson nunca se cruzaram em jogos da Liga brasileira. Hélton, entre 1999 e 2002, somou 44 jogos ao serviço do Vasco da Gama, enquanto que Liedson representou o Coritiba, em 2001 e 2002, o Flamengo, em 2002, e o Corinthians, em 2003, somando 29 golos em 51 partidas do Brasileirão. A 16 de Outubro de 2002, praticamente dois meses e meio antes da chegada de Hélton a Leiria, Liedson, ao serviço do Flamengo, fazendo dupla de ataque com Zé Carlos (“Zé do Golo”) defrontou o Vasco da Gama, perdendo 1-2 no Maracanã, mas o guardião não fez parte sequer dos convocados, tendo sido preterido em relação a Fábio e Márcio. No ano anterior, pelo Vasco da Gama, Hélton defrontara o Coritiba, mas Liedson não foi utilizado. Seria Rincón, actual avançado do Vizela, a decidir a partida para o “Coxa”, batendo Hélton numa conclusão ao segundo poste, após bom trabalho de Edmílson.
