Vladimir Stojkovic: a hora do regresso?
sexta-feira, 25 janeiro 2008

Vladimir Stojkovic

FACTO. Se Paulo Bento mantiver a estratégia de rotatividade que tem vindo a seguir esta temporada no que diz respeito à baliza, cuja única excepção foi a deslocação a Fátima, onde o Sporting se apresentou com o seu melhor “onze”, a surpreendente titularidade de Rui Patrício diante do Beira-Mar indicia o regresso do internacional sérvio Vladimir Stojkovic à baliza dos “leões” em jogos da Liga. Ausente desde a vitoriosa recepção à Naval, em 4 de Novembro de 2007, Stojkovic tem tido um percurso marcado por vários incidentes desde que chegou a Alvalade, com o objectivo de substituir Ricardo, o que levou o Sporting a investir 2 milhões de euros na sua aquisição junto do Nantes: tudo começou no lance polémico que ditou a derrota diante do FC Porto no “clássico” das Antas, passou depois por um incidente disciplinar que ditou o seu afastamento na deslocação a Roma, prosseguiu com uma lesão no abdómen e por entrevistas polémicas de Vladimir e do seu irmão Vladan que provocaram a ira de Paulo Bento e do departamento médico do Sporting. De Novembro até hoje, Stojkovic apenas realizou duas partidas: em Setúbal, para a Taça da Liga, onde foi o melhor do Sporting, na derrota por 0-1 ; e sábado passado, frente ao Lagoa, em jogo a contar para a Taça de Portugal (vitória 4-0).

STOJKOVIC E OS “JOGOS GRANDES”.

Vladimir Stojkovic

Formado nas escolas do Estrela Vermelha de Belgrado, com uma curta passagem, pelo meio, à experiência pelas categorias inferiores do Boavista, que não foi bem sucedida, Vladimir Stojkovic sentiu dificuldades na transição para sénior, já que sem espaços na formação principal da formação de Belgrado, acabou por ser dispensado. Viu-se obrigado a rumar ao modesto Zemun, onde se estreou como sénior, sendo que em duas épocas, cruzar-se-ia em três ocasiões com o seu anterior clube, protagonizando sempre excelentes exibições. Perdeu dois jogos, mas o empate a zero, em Março de 2005, acabaria por revelar-se decisivo para o seu regresso ao Estrela Vermelha pelas mãos do italiano Walter Zenga, curiosamente um antigo guardião da Squadra Azzurra. Frente ao Partizan, contudo, Vladimir Stojkovic não conseguiu exibições tão inspiradas: duas derrotas pesadas e oito golos sofridos, um deles apontado por Simon Vukcevic, seu actual colega de equipa no Sporting. Em 2005/06, já ao serviço do Estrela Vermelha, reencontrar-se-ia, em duas ocasiões, com o Partizan: uma vitória – curiosamente na sua estreia em jogos em casa – e um empate fora, duas grandes exibições e nenhum golo sofrido. Na temporada seguinte rumou ao Nantes, onde não foi feliz. O seu trajecto de meio ano no clube francês, com apenas uma vitória em dez jogos, iniciou-se com a recepção ao Lyon: má exibição e derrota por 1-3, com golos de Benzema, Squillaci e Fred. Já na Holanda, onde cumpriu a segunda metade da temporada passada, Stojkovic cruzou-se com o PSV Eindhoven: derrota por 1-5 do Vitesse, mas Stojkovic sairia ao intervalo, com o resultado em 1-2. Em Portugal, o mês de Agosto reservou-lhe dois encontros com o FC Porto: o primeiro, saboroso, com uma vitória (1-0), que lhe valeu a conquista do seu primeiro título (Supertaça) no jogo de estreia no futebol português ; o segundo, muito amargo, já que protagonizou o lance polémico que deu o triunfo ao FC Porto (0-1) – após um corte/atraso de Anderson Polga, e sob a pressão de Hélder Postiga, Stojkovic mostrou-se nervoso e pouco concentrado, agarrando a bola com as mãos mesmo após uma primeira hesitação, que originaria um livre indirecto dentro da área que Raul Meireles transformaria em golo após passe de Lucho González. Em Setembro, Stojkovic teria a oportunidade de realizar mais dois jogos “grandes”: primeiro com o Manchester United, em Alvalade, com derrota 0-1 ; o segundo, na Luz, diante do Benfica, com empate a zero.

UM OLHAR SOBRE A PRESTAÇÃO DOS GUARDA-REDES NAS PRIMEIRAS 16 JORNADAS DA LIGA

Guarda-Redes: dados estatísticos

Rui Patrício

STOJKOVIC VS. RUI PATRÍCIO. Num olhar sobre os números dos dois guarda-redes do Sporting na Liga 2007/08, a formação de Alvalade nada ganhou com a aposta em Rui Patrício em detrimento de Vladimir Stojkovic. Com o internacional sérvio na baliza, o Sporting venceu mais vezes e perdeu menos vezes, como também garantiu uma maior inviolabilidade das suas redes: Stojkovic valeu 5 “balizas virgens” em 9 jogos (55,6%), tendo sofrido 5 golos (0,56 por jogo) ; enquanto que Patrício não valeu nenhuma “baliza virgem” em seis partidas, tendo sofrido 7 golos em 6 jogos, o que garante uma média superior a um golo sofrido por partida (1,17), pouco habitual num clube grande. Numa análise mais ampla podemos também verificar as seguintes situações: Stojkovic intervém mais nas partidas (3,67 intervenções por jogo de diferencial), é mais activo entre postes (2 intervenções por jogo de diferencial) e também fora de postes, onde, ainda assim, existe um maior equilíbrio de forças (0,95 intervenções por jogo de diferencial). Em termos de intervenções completas, Stojkovic apresenta também números superiores ao do jovem guardião português (1,28 de diferencial por jogo), que só o suplanta nas intervenções incompletas – Patrício apenas executa 1 em média por jogo, enquanto que o internacional sérvio protagoniza 2,67 jogo. Essa diferença acaba por justificar-se pelo menor número de intervenções de Rui Patrício, como também por uma menor tendência pelo risco e por jogar seguro, que o leva a optar por defesas ou saídas completas: 70% das suas acções entre postes são defesas completas ; 90% das suas acções fora dos postes são saídas completas, aspecto em que se superioriza não só a Stojkovic, como também a Hélton e Quim, que, no entanto, arriscam muito mais acções fora dos postes. Já o guardião sérvio é aquele que mostra maior eficiência a funcionar como libero: recupera 2,33 bolas por jogo, média superior à de Hélton (1,54), Quim (2.09) e Rui Patrício (1,83).

Hélton

HÉLTON: SINÓNIMO DE QUALIDADE. O guardião brasileiro do FC Porto é, entre aqueles que disputaram pelo menos metade dos jogos da Liga, o que sofre menos golos em média por jogo (5 em 13 jogos, o que perfaz uma média de 0,38 golos sofridos por jogo), como também o que mais vezes garante a inviolabilidade das suas redes – 9 em 13 jogos (69,2 % de eficácia), o que lhe garante uma média superior de vitórias e inferior de derrotas em relação à concorrência. Menos interventivo do que Quim e Stojkovic ao longo dos jogos, o internacional brasileiro executa 11,46 intervenções em média por jogo, defendendo menos entre postes do que Stojkovic (0,67 de diferencial por jogo) e do que Quim fora dos postes (0,41). Contudo, superioriza-se, de forma inequívoca, à concorrência no que diz respeito a defesas e saídas completas: 7,85 em média por jogo contra 6,78 de Stojkovic e 6,33 de Quim, dominando também os itens isoladamente: 0,01 de diferencial sobre Stojkovic nas defesas completas ; 0,4 de diferencial sobre Quim nas saídas completas, onde revela maior eficácia nas suas intervenções (84% das suas acções fora dos postes são completas, enquanto que entre os postes 74% das suas defesas são completas).

Quim

QUIM: SENHOR INTERVENÇÃO. Com uma média de 0,56 golos sofridos por jogo, exactamente igual à de Stojkovic, ainda que representativos de 9 golos sofridos em 16 jogos, Quim apresenta, de momento, números superiores aos da época passada (0,69) ou aos da temporada do título (0,74). Contudo, tem garantido menos vezes a inviolabilidade da baliza encarnada: 7 jogos sem sofrer golos, que perfazem 46,7% de eficácia, números inferiores aos de Hélton (69,2%) e Stojkovic (55,6%), e pouco superiores aos do boavisteiro Carlos e do bracarense Paulo Santos, que sofreram 4 golos em 9 jogos (44,4% de eficácia), como também abaixo do rendimento evidenciando em épocas anteriores – 53,6% em 2006/07 ; 83,3% em 2005/06 e 47,4% em 2006/07. Quando comparado com os guarda-redes dos outros “grandes”, Quim é aquele que protagoniza mais intervenções por jogo - 12,27 de média -, como também é o que mais defesas ou saídas efectua – 9,79 de média por jogo -, o que também leva a que seja o guardião que mais faltas sofre (0,26 por jogo). Menos talhado para intervenções entre postes, onde apresenta números inferiores aos de Stojkovic e Hélton, Quim superioriza-se à concorrência nas saídas dos postes, efectuando 7,11 intervenções por jogo. De realçar que Quim é o “rei” das defesas incompletas – 3,46 intervenções por jogo, representativas de 35% das suas defesas e saídas - , com particular destaque para os números que apresenta entre postes, onde o internacional português mostra uma grande tendência para efectuar defesas incompletas – 59% das suas intervenções não garantem defesas completas -, o que é pouco usual, mas também é o guardião que efectua mais intervenções incompletas fora dos postes – 1,89 por jogo.


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