Jesualdo Ferreira e o 4x4x2
segunda-feira, 28 janeiro 2008
A SURPRESA DE JESUALDO. Depois de uma semana a discutir-se sobre quem completaria o “tridente” de ataque do FC Porto para a partida de Alvalade na ausência de Tarik Sektioui, Jesualdo Ferreira surpreendeu ao introduzir Marek Cech no “onze” portista em detrimento de Adriano, Ernesto Farias ou Mariano González. Assim, o Professor abdicava do tradicional 4x3x3 e apostava num 4x4x2, esquema que utilizara pela última vez em Anfield Road, há dois meses, naquela que foi a sua derrota mais pesada como técnico do FC Porto. Com esta opção, Jesualdo pretendia fazer face ao 4x5x1 que Paulo Bento previsivelmente apresentaria, contrariando não só a densidade do adversário no sector intermediário, como também criando uma situação de vantagem numérica na zona central do meio-campo, onde o FC Porto teria, do ponto de vista teórico, mais uma unidade. Os “dragões” entraram melhor na partida – Lucho González, nos primeiros dez minutos, desperdiçou duas excelentes oportunidades em posição privilegiada -, mas, aos 14 minutos, o Sporting já vencia por 2-0, com golos de Vukcevic e Izmailov. Esperava-se, então, uma reacção de Jesualdo, que só aconteceu após o intervalo: o “apático” Marek Cech, pouco eficaz a defender e totalmente ineficaz ofensivamente, ficou nos balneários, entrando Ernesto Farías, com o FC Porto a regressar ao 4x3x3 ; e Raul Meireles – que, em 69 minutos, conseguiu ser o jogador mais faltoso do campeão nacional no “clássico” - cedeu o seu lugar a Mariano González, com o FC Porto a passar a actuar entre um 4x2x3x1 em situação defensiva e um 4x2x4 ofensivo. O resultado não sofreria alterações até ao fim, mas o FC Porto foi dominador diante do Sporting: teve mais bola (61% - 49 %), rematou mais (18-12), enquadrou mais remates (7-6) e ganhou mais cantos (10-4). Falhou, contudo, no essencial: a eficácia, que permitiu ao Sporting resolver o clássico no primeiro quarto de hora, igualando o registo alcançado diante da Naval, a temporada passada, quando Alecsandro bisou com golos aos 12 e 14 minutos. Ao invés, o FC Porto não sofria dois golos no primeiro quarto de hora em jogos da Liga, desde que Derlei e Petar Krpan, a 16 de Dezembro de 2000, colocaram a União de Leiria, orientada por Manuel José, a vencer por 2-0 os “dragões” orientados por Fernando Santos – o jogo terminaria com 3-1 para os leirienses, com Krpan a bisar.
JESUALDO FERREIRA: 4x4x2 EM 7 EPISÓDIOS.

ARSENAL 2-0 FC PORTO. O primeiro 4x4x2 de Jesualdo Ferreira aconteceu na estreia em jogos fora de casa na Liga dos Campeões. Depois de uma vitória caseira, por 3-0, diante do Beira-Mar, em 4x3x3, Jesualdo promoveu duas alterações no “onze”: mudou de médio ofensivo, trocando Jorginho por Anderson ; e retirou o avançado Adriano apostando em Ricardo Costa como lateral-esquerdo, fazendo avançar Marek Cech para o meio-campo, entre o centro e a esquerda. Ao intervalo, a perder por 1-0, e com o Arsenal dominador, retirou Ricardo Costa – má exibição – e Hélder Postiga, recuando Marek Cech – muito apagado como médio – e fazendo entrar Raul Meireles e Lisandro López. Aí, passou a assumir um 4x4x2 desdobrável em 4x3x3, já que Anderson aparecia muito sobre a esquerda do ataque. Aos 66 minutos, já a perder por 0-2, assumiu definitivamente um 4x3x3, com Adriano a render Anderson e a colocar-se na frente do ataque, apoiado por Lisandro e Quaresma. No jogo seguinte, em Braga, Jesualdo Ferreira regressou ao 4x3x3, mas surpreendeu ao colocar Anderson aberto no flanco esquerdo. O FC Porto sofreu um golo cedo, apontado por Marcel, e o Professor não tardou a reagir: aos 32 minutos, Assunção saiu e entrou Lisandro, com Anderson a regressar ao sector intermediário. Ainda antes do intervalo, por Postiga, o FC Porto chegou ao empate, mas, na segunda parte, Luís Filipe daria a vitória ao Sp. Braga.
FC PORTO 4-0 NAVAL. A única vitória do Professor em 4x4x2. Depois de duas derrotas para a Liga – em Leiria e no Dragão diante do Estrela da Amadora -, sempre em 4x3x3, Jesualdo apostou num 4x4x2 diante da Naval. Com Quaresma ausente devido a castigo, o que já sucedera diante da formação da Reboleira, onde Vieirinha aparecera como titular, o técnico portista lançou Bruno Moraes no “onze” em detrimento do jovem extremo, colocando-o nas costas de Lisandro López e Hélder Postiga. Insatisfeito com a inconsistência de Lucas Mareque a lateral-esquerdo, devolveu Jorge Fucile à posição onde se viria a fixar, juntando Marek Cech ao sector intermediário em detrimento de Raul Meireles, que foi poupado. Perante um adversário em noite medíocre, o FC Porto colocou-se com facilidade a vencer por 3-0 – dois de Lisandro e um de Lucho -, acabando a partida mais próximo de um 4x3x3, já com Wason Rentería em campo. Na partida seguinte, diante do Chelsea, no Dragão, para a Liga dos Campeões, especulou-se muito sobre uma eventual manutenção do esquema, mas o regresso de Quaresma ao “onze” levou-o a regressar ao 4x3x3, saindo Bruno Moraes.
CHELSEA 2-1 FC PORTO. Depois de uma vitória sofrida diante do Sp. Braga para a Liga em 4x3x3, Jesualdo Ferreira voltou a apostar num 4x4x2 em jogos da Liga dos Campeões. Sem Bosingwa, a contas com uma contractura muscular, Jesualdo viu-se obrigado a fazer regressar Ricardo Costa ao “onze”, deslocando Fucile para a direita, a sua posição natural. Adriano, que fora titular diante do Sp. Braga, foi preterido, com Marek Cech, mais uma vez, a reforçar o sector intermediário. A primeira parte do FC Porto foi agradável, e um fantástico lance de contra-ataque, finalizado por Ricardo Quaresma, até colocou os “dragões” em vantagem na eliminatória. Contudo, no início da etapa complementar, Robben empatou, e, minutos depois, Jesualdo regressou ao 4x3x3, com uma “dupla” substituição: saíram Marek Cech e Raul Meireles, entraram Ibson e Adriano. Um golo de Michael Ballack, a onze minutos do fim, afastaria o FC Porto da competição. No jogo seguinte, diante do Marítimo, para a Liga, Jesualdo regressou ao 4x3x3, surpreendendo a dar a titularidade a Ibson – saiu, prematuramente, lesionado – e Rentería. O FC Porto venceu por 2-1.
BENFICA 1-1 FC PORTO. Após uma derrota caseira diante do Sporting, em 4x3x3, onde a titularidade de Alan e o “esquecimento” de Miguel Veloso, que teve muita liberdade para lançar as iniciativas ofensivas dos “leões”, foram opções muito criticadas, Jesualdo assumiu o regresso ao 4x4x2 na deslocação à Luz, fortalecendo o sector intermediário, até porque o Benfica, em caso de vitória, assumiria o comando da Liga. Sem Lisandro, que já falhara a recepção ao Sporting devido a rotura muscular, o Professor manteve Adriano e Ricardo Quaresma no ataque, lançando Jorginho, em detrimento de Alan, na intermediária. Bosingwa, de regresso às convocatórias, foi titular, com Fucile a voltar à esquerda, saindo Cech do “onze”. O FC Porto colocar-se-ia em vantagem por Pepe no final da primeira parte, e já depois de refrescar o meio-campo com a entrada de Cech para o lugar de Raul Meireles, Jesualdo aproximou-se do 4x3x3, tirando Jorginho e lançando Wason Rentería, a um quarto-de-hora do fim. O avançado colombiano, verdadeiramente desastrado na finalização, poderia ter definido o clássico, mas foi o Benfica a chegar ao empate, através de David Luiz, nos últimos 10 minutos. No jogo seguinte, diante do Vitória de Setúbal, Jesualdo regressou ao 4x3x3, com Hélder Postiga a juntar-se a Adriano e Ricardo Quaresma no ataque, mantendo-se Jorginho no “onze”, com o FC Porto a conseguir um avassalador 5-1.
SPORTING 1-0 FC PORTO. Na partida de estreia da temporada 2007/08, o FC Porto defrontou o Sporting em Coimbra, na final da Supertaça Cândido de Oliveira. Quase cinco meses depois da derrota no Dragão para a Liga, Jesualdo não se esqueceu de Miguel Veloso, colocando Lisandro na posição “10”, nas costas de Ricardo Quaresma e Adriano, assumindo um 4x4x2. Sem Lucho González, apenas com 6 treinos nas pernas, o Professor voltou a colocar Marek Cech na zona intermediária, juntando-o a Paulo Assunção, Raul Meireles e Lisandro. Seria um minuto depois da saída do internacional eslovaco, rendido pelo estreante Kazmierczak, que o Sporting adiantar-se-ia no marcador por Izmailov, que aproveitou da melhor forma um passe açucarado de Miguel Veloso e a passividade do internacional polaco. Jesualdo assumiu, de imediato, o 4x3x3, que, com a entrada de Mariano González se esticou, muitas vezes, num 4x2x4, à semelhança do que aconteceu ontem em Alvalade, já que com Ricardo Quaresma aberto na outra ala, Lisandro juntava-se a Adriano na área. Contudo, o resultado não sofreria alterações, e, na partida seguinte, a de estreia na Liga, o FC Porto regressava ao 4x3x3, com Tarik Sektioui a surgir no “onze”, tal como Lucho González, vencendo em Braga por 2-1.
LIVERPOOL 4-1 FC PORTO. 3 meses e meio depois do jogo da Supertaça, o FC Porto regressava ao 4x4x2, em nova deslocação a solo inglês para um jogo da Liga dos Campeões. Depois de uma tranquila vitória por 2-0 diante da “revelação” Vitória de Setúbal, Jesualdo Ferreira surpreendeu ao colocar Kazmierczak e Mariano González no “onze”, abdicando de Raul Meireles e Tarik Sektioui. Mariano assumiu o papel de “10”, com Lucho González muito próximo, enquanto que Kazmierczak acumulava o “papel” de 2º trinco, no apoio a Paulo Assunção, e o de interior esquerdo, procurando dar mais músculo e capacidade no futebol aéreo ao meio-campo portista. O Liverpool adiantou-se por “El Niño” Torres, mas, ainda antes do intervalo, Lisandro empatou, após cruzamento de Kazmierczak. No segundo tempo, depois trocar o polaco por Raul Meireles, Jesualdo, a 13 minutos do fim, parecia apostar no 4x3x3, ao trocar o desinspirado Mariano por Tarik Sektioui. Só que, um minuto depois, Torres colocava o Liverpool novamente em vantagem, com o resultado a avolumar-se até ao 4-1, já com o FC Porto mais próximo de um 4x2x4, após a entrada de Hélder Postiga em detrimento de Paulo Assunção. Três dias depois, na Luz, diante do Benfica, Jesualdo regressava ao 4x3x3, vencendo por 1-0, com golo de Quaresma, “travando” a aproximação do Benfica na classificação. Promoveu 4 alterações na equipa em relação a Anfield Road: saíram Stepanov, Cech, Kazmierczak e Mariano González, entraram Pedro Emanuel, Jorge Fucile, Raul Meireles e Tarik Sektioui.
SPORTING 2-0 FC PORTO. Depois de vencer o Desp. Aves para a Taça de Portugal (2-0), apostando num 4x3x3, em que juntou Adriano, Farias e Mariano González no ataque, esperava-se que fosse um dos jogadores sul-americanos a juntar-se a Ricardo Quaresma e Lisandro López na linha da frente na deslocação a Alvalade. Se Adriano, que já havia sido titular diante do Sp. Braga, no último jogo da Liga, parecia o melhor colocado, o crescimento de forma de “Tecla” Farias deixava-o também bem posicionado, só que Jesualdo Ferreira apostou num 4x4x2, fazendo regressar Marek Cech ao meio-campo. No próximo sábado, na recepção ao Leiria, Jesualdo deverá regressar ao 4x3x3, e não constituirá surpresa que seja o argentino Farias, que voltou a deixar boas indicações em Alvalade, a juntar-se a Lisandro e Quaresma no ataque, até porque Adriano não saiu do “banco”.
SALDO: 7 jogos, 1 vitória, 1 empate, 5 derrotas. 7 golos marcados – 12 golos sofridos.
JESUALDO FERREIRA: SEM VITÓRIAS EM ALVALADE.

SALDO: 8 jogos, 0 vitórias, 4 empates, 4 derrotas. 3 golos marcados – 9 golos sofridos.
