Destino Chipre
quarta-feira, 14 novembro 2007
São 34 os jogadores portugueses que se encontram a disputar a Liga do Chipre, que no último fim-de-semana entrou no segundo terço da competição, sendo que apenas 2 clubes - AEK e ENP - dos 14 participantes não contam com lusitanos nos seus planteis. O número do contingente português muito possivelmente irá ser alargado após o "Mercado de Inverno", já que vários dos nossos emigrantes têm-se assumido como figuras de proa dos seus conjuntos: desde Ricardo Fernandes, antigo jogador do FC Porto e Sporting, cérebro ofensivo do campeão APOEL, aos (ainda) jovens Tiquinho e Hugo Machado, produtos das "escolas" de clubes grandes, mas desaproveitados no futebol sénior, ao goleador Bernardo Vasconcelos, que nunca se conseguiu afirmar nas duas principais divisões do futebol português. Outros, como Nuno Morais, Luís Loureiro, Chainho, Calado, Ricardo Sousa, Paulo Costa, Edgar Marcelino ou Rui Lima ainda não têm muitas histórias para contar, mas os próximos meses poderão trazer novidades. Ao contingente luso há ainda a acrescentar vários jogadores com passagens pela nossa Liga: os brasileiros Emerson, Clayton, Elpídio Silva e José Carlos ; o lituano Jankauskas ; o moçambicano Dário ; ou o nigeriano Kingsley, para além de David - o tal que pelo Atlético eliminou o FC Porto da Taça no Dragão - e Edmar, dois brasileiros que nunca chegaram à divisão principal, e que já conseguiram atingir algum protagonismo na Liga cipriota.
O PLAYMAKER, em três capítulos, faz um balanço equipa a equipa, centrando-se no contigente português e nos jogadores que passaram pela Liga portuguesa, do primeiro terço da Liga, juntando-lhe ainda nomes de outros protagonistas - o polaco Sosin, o nigeriano Babangida ou a revelação Bangura - com muitos vídeos como "rebuçado".
O CONTINGENTE LUSITANO:
ANORTHOSIS FAMAGUSTA - Luís Loureiro
APOEL NICÓSIA - Nuno Morais, Hélio Pinto, Ricardo Fernandes
OMONIA NICÓSIA - Nélson Veiga (luso-caboverdiano), Medeiros, Torrão, Ricardo Sousa, Rui Lima, Edgar Marcelino
APOLLON LIMASSOL - João Paiva
AEL - Zé Nando, Joca, Tiquinho, Hélio Roque
APOP - Carlos Marques, Calado, Paulo Sousa, Vargas, Bernardo Vasconcelos
DOXA KATOKOPIA - Júnior (luso-angolano), Nuno Rodrigues, Freddy (luso-angolano)
ALKI - Nandinho, Chainho, Mário Carlos, Hernâni
ETHNIKOS - Nilton (luso-caboverdiano)
OLYMPIACOS - Braima (luso-guineense), Hugo Machado
NEA SALAMINA - Tiago Lemos, Rui Dolores
ARIS - Puma, Paulo Costa.
Destino Chipre (I)
quarta-feira, 14 novembro 2007
ANORTHOSIS. Líder isolado da Liga é a única equipa que ainda não perdeu, juntando a esse feito a conquista da Supertaça cipriota diante do campeão APOEL. Comandada tecnicamente pelo antigo internacional georgiano Temuri Ketsbaia, antigo jogador de Newcastle United e Wolves, tem um percurso 100% vitorioso em casa, enquanto que extramuros soma 3 empates em 5 partidas. Luís Loureiro é o único português do Anorthosis, mas ainda não se conseguiu afirmar como titular: soma, até ao momento, 2 jogos na Liga, ambos como suplente utilizado, a que junta 3 partidas, na mesma condição, na Taça UEFA. A principal figura da equipa é o internacional polaco Lukasz Sosin, que trocou, no último Verão, o Apollon, ao serviço do qual marcou 96 golos em 120 jogos, pelo Anorthosis, juntando à imagem de grande goleador do futebol cipriota nos últimos anos à de "Traidor" para os adeptos do seu anterior clube que até criaram um sítio anti-Sosin. Até ao momento, Sosin soma 4 golos na Liga 2007/08, mais um tento que Nikos Nicolaou, veterano defesa-central internacional cipriota, e do tanque esloveno Anton Zlogar, o habitual parceiro de ataque do internacional polaco.

APOEL. O campeão em título está a apenas 2 pontos do Anorthosis, somando por vitórias todos os jogos (5) disputados em casa, contrariando alguma intermitência extramuros, onde já perdeu 8 pontos. São três os futebolistas portugueses a representar o APOEL: Nuno Morais, antigo internacional sub-21, contratado ao Chelsea, Ricardo Fernandes, antigo jogador de Sporting e FC Porto, a cumprir a 3ª temporada no clube, e Hélio Pinto, que chegou a representar a equipa principal do Benfica, tendo-se sagrado campeão o ano passado, depois de ter alcançando o mesmo feito, em 2005/06, mas ao serviço do Apollon. Morais, que havia sido titular no duplo confronto frente ao BATE, na 2ª eliminatória de acesso à Liga dos Campeões, "pagou" a desastrosa exibição colectiva na Bielorrússia e a expulsão na final da Supertaça diante do Anorthosis com a perda da titularidade. Até agora, na Liga, realizou apenas 1 jogo completo e mais 2 em que foi substituído, não jogando desde 7 de Outubro. Ricardo Fernandes, considerado como elemento-chave da organização de jogo ofensivo da equipa, mantém o estatuto de indispensável, somando 9 jogos na Liga - 8 dos quais como titular - e 2 na eliminatória de acesso à Liga dos Campeões, tendo apontado 2 tentos na competição interna, a que junta ainda várias assistências para finalizações vitoriosas. Hélio Pinto, por sua vez, continua a ser um dos elementos mais utilizados, ainda que raramente jogue a tempo inteiro. Autor de um golo na final da Supertaça, soma 1 tento na Liga, no "derby" diante do Apollon, partida que abandonou precocemente após um desmaio, totalizando 7 partidas na Liga e 2 nas competições europeias, nenhuma delas completa. A estes nomes juntam-se ainda 2 brasileiros sobejamente conhecidos do público português: o veterano Emerson, antigo jogador do Belenenses e do FC Porto, que é um habitual titular, e José Carlos, o popular "Zé do Golo", antigo avançado de Marítimo e Sp. Braga, que não se tem conseguido impor, somando apenas 2 jogos na Liga e 1 na eliminatória de acesso à Liga dos Campeões. Golos, nem vê-los, o que poderá torná-lo num fruto apetecido para os clubes portugueses na reabertura de mercado. Para além de Ricardo Fernandes, destaque para Nikos Machlas, veterano internacional grego, melhor marcador da Liga com 8 golos em 9 jogos, e para Constantinos Makrides, médio-ala direito, de 25 anos, uma das principais figuras da selecção do Chipre, pela qual já soma mais de 30 internacionalizações, e que nas últimas 3 jornadas da Liga somou 3 tentos.

OMONIA. Depois de dois segundos lugares consecutivos, o Omonia investiu forte na nova temporada com o objectivo de recuperar o título que foge à formação de Nicósia desde 2002/03. 3º classificado, em igualdade pontual com o APOEL, conta nas suas fileiras com 5 portugueses - Medeiros, Torrão, Ricardo Sousa, Rui Lima e Edgar Marcelino - e 1 luso-cabo-verdiano - Nélson Veiga - num plantel composto por jogadores de 10 nacionalidades diferentes. Medeiros, defesa polivalente, ex-Académica, ainda não teve oportunidade de se estrear em jogos oficiais, não competindo desde Maio de 2006, quando se despediu da formação conimbricense, na deslocação à Luz. Ao invés, Nélson Veiga, antigo defesa de Vitória de Setúbal e Naval, a cumprir a sua 2ª temporada no clube, mantém-se como líder do sector recuado, somando 9 jogos completos na Liga e 4 partidas na Taça UEFA, tendo sido expulso em Sófia, diante do CSKA, na partida que ditou a eliminação do Omónia da competição. Dos elementos do meio-campo, Torrão tem sido o mais utilizado: soma 9 jogos, 6 deles na Liga - apenas 3 como titular - e 3 jogos na Taça UEFA - 2 deles completos. Rui Lima, contratado ao Beira-Mar, e Ricardo Sousa, ex-Boavista, não têm feito parte dos planos do técnico. Ainda assim, Lima soma 1 golo em 3 jogos na Liga, onde não joga desde 29 de Setembro, enquanto que Sousa, que já não actua com regularidade desde a excelente temporada ao serviço do Boavista em 2003/04, apenas foi utilizado por 10 minutos na partida de estreia na Liga diante do Olympiakos. Curiosamente, Ricardo Sousa foi mais utilizado na UEFA - 1 golo, em 3 jogos, sempre como suplente utilizado - do que na Liga, enquanto que Rui Lima foi apenas suplente utilizado numa partida das competições europeias - em Sófia, na derrota diante do CSKA (1-2). Por fim, o extremo Edgar Marcelino, antigo internacional nos escalões jovens das selecções portuguesas, apenas foi utilizado em 1 partida da Liga, quando entrou ao intervalo na vitória caseira diante do Ethnikos Achna (2-1), um jogo disputado a 29 de Setembro. Com os jogadores portugueses em "baixa", acabam por ser os internacionais cipriotas Kostas Kaiafas - médio-centro, de 33 anos - e Kyriakos Chailis - extremo/avançado, de 29 anos - a estar em maior plano de destaque.
APOLLON. Depois de ter sido campeão em 2005/06, o Apollon Limassol realizou uma última temporada decepcionante, ficando apenas na 6ª posição. Esta época a temporada não começou bem - 3 derrotas nas primeiras 5 jornadas -, mas a equipa tem vindo a recuperar, fruto de três vitórias consecutivas, que a colocam no 4º lugar, mas já a 5 pontos do líder Anorthosis. João Paiva, antigo goleador das camadas jovens do Sporting, cumpre a 3ª temporada no clube, depois de ter apontado 16 golos nas duas primeiras épocas, na "sombra" do polaco Lukasz Sosin. Contudo, esta época, Paiva tem estado abaixo das expectativas, não tendo ainda marcado qualquer golo em 5 partidas, sendo que apenas uma foi realizada como titular. Até agora a grande figura tem sido o extremo nigeriano Haruna Babangida, irmão mais novo de Tijani Babangida, que depois de ter feito a sua formação entre o Ajax e o Barcelona, teve passagens sem sucesso por Cádiz, Metalurh Donetsk e Olympiakos, marcadas também por sucessivas lesões. Com 5 golos em 8 jogos, Haruna tornou-se já no ídolo dos adeptos do Apollon, onde tem sido secundado por dois sul-americanos com percursos tergiversantes: Ignacio Risso, ponta de lança uruguaio de 30 anos, com passagens pela Argentina, Equador e pela 2ªB espanhola ; e Gastón Maximiliano Sangoy, avançado móvel argentino de 23 anos, com passagens pelo Boca Juniors e Ajax, onde se sagrou campeão holandês de reservas, antes de iniciar um périplo por vários campeonatos: Perú, Colômbia e Israel. Ambos somam 4 golos na Liga.
ENP. 5º classificado nas duas últimas temporadas, o ENP (Enosis Neon Paralimni) está, de momento, no 5º posto da Liga em igualdade pontual com o Apollon, aproveitando também um conjunto de três vitórias consecutivas, que, de certa forma, apaga alguma irregularidade em casa (9 pontos em 5 jogos), contrastando com a capacidade para pontuar fora (7 pontos em 4 partidas). Sem portugueses no conjunto, destaque para as presenças de dois velhos conhecidos do futebol português: o veterano holandês, de origem marroquina, Junas Naciri, que passou pelo União da Madeira, Rio Ave e Moreirense, mas que esta temporada, ao contrário do que aconteceu na anterior, não se tem conseguido impor ; e Hamid Rhanem, extremo francês, de origem marroquina, que atingiu alguma projecção na Liga de Honra, ao serviço de Desp. Aves, Salgueiros e Naval, antes de rumar ao futebol grego, onde não vingou, contando, até ao momento, com 1 golo em 6 partidas, 4 delas como titular. Até ao momento, as referências da equipa têm sido Petar Milosevski, guardião internacional pela Macedónia, com vários anos da divisão maior do futebol turco, e o veterano internacional cipriota Lefteris Eleftheriou, médio ofensivo, que, aos 33 anos, é o melhor marcador da equipa, com 3 golos em 8 jogos.

AEL. O AEL (Athlitiki Enosis Lemessou), de Limassol, equipa que habitualmente lutava por um lugar nas competições europeias, viveu momentos complicados nos últimos 3 anos, ficando, por duas vezes, na metade baixa da classificação. 6º classificado, com 14 pontos, tem-se revelado uma equipa segura nos jogos em casa - 3 vitórias e 1 empate -, mas extramuros só conquistou 4 pontos em 15 possíveis. Nas suas fileiras quatro portugueses: Zé Nando, lateral-esquerdo, de 32 anos, contratado ao AEK, depois de passagens por Penafiel, Leça, Gil Vicente, Paços de Ferreira e Académica ; Joca, médio defensivo, produto das escolas do FC Porto, que chegou a estrear-se, em 2001/02, pela equipa principal, e que já conta no seu currículo com passagens pelo futebol grego e chinês ; Tiquinho, extremo/avançado, produto das escolas do Benfica, com várias internacionalizações nas selecções inferiores, que nas últimas temporadas representou o Marítimo B, sem nunca ter tido a oportunidade de se estrear na equipa principal ; e Hélio Roque, outro produto das escolas do Benfica, que chegou a ter algumas oportunidades com Ronald Koeman (3 jogos na Liga 2005/06) e que chegou ao futebol cipriota depois de uma temporada no Olivais e Moscavide. Até ao momento, tem sido Tiquinho, o jogador português em maior destaque, com 2 golos e algumas assistências a transformarem-no numa das figuras da equipa e da Liga. Zé Nando, que começou a época tardiamente, também é titular, somando 6 jogos, sempre como titular, tendo visto 2 cartões amarelos ; Hélio Roque, por sua vez, estreou-se a titular na última jornada, depois de 7 partidas como suplente utilizado, que o transformavam no habitual "joker" da equipa, tendo marcado um dos golos da (única) vitória fora, diante do Nea Salamina ; por fim, Joca, que tem sido o menos feliz, pois apenas realizou 2 jogos, ambos como suplente utilizado. No plantel do AEL, que conta com jogadores de 12 nacionalidades, registo ainda para a presença de Safú, avançado congolês, de 30 anos, com passagens por Portimonense, Desp. Aves e Naval, mas que não se tem conseguido impor. Em bom plano tem estado Jairo Castillo, avançado internacional colombiano, que já representou, entre outros, Vélez, Independiente e Valladolid, somando 4 golos em 4 jogos. Outra das referências é o argentino Luciano de Bruno, um "nº10" à antiga, que foi contratado ao Hapoel Tel Aviv, totalizando 3 tentos em 9 partidas.
APOP/KINYRAS. Campeão da 2ªDivisão em 2006/07, o APOP, de Pafos, zona onde estão estabelecidos muitos britânicos, apostou forte na nova temporada, com o objectivo de manter-se pela primeira vez mais do que um ano na divisão maior de Chipre. Até ao momento, a temporada tem corrido bem, com a equipa a situar-se num tranquilo 7º posto, com os mesmo pontos do AEL (6º). Treinado pelo búlgaro Eduard Eranosyan, que chegou a jogar no Boavista e no Leixões, a equipa tem 5 portugueses nas suas fileiras. Destaque maior para Bernardo Vasconcelos, que depois de se sagrar melhor marcador da 2ªDivisão, com 20 golos, é o segundo mais realizador da 1ª Liga esta época, somando 6 golos em 9 jogos, 3 dos quais obtidos nas duas últimas jornadas. Contudo, os restantes portugueses também se têm conseguido impor: Carlos Marques, defesa-central formado nas escolas do Sporting, e que na última temporada representou o Ethnikos, da Grécia, e o Olivais e Moscavide, é titular, somando, até ao momento, 8 jogos, todos completos, em que viu 5 cartões amarelos ; Paulo Sousa, médio defensivo, ex-Paços de Ferreira, é um dos totalistas da Liga cipriota, somando 9 jogos, todos completos, tendo marcado 1 golo - na vitória fora diante do Aris - e visto 2 cartões amarelos ; Calado, internacional português, que depois de 5 épocas em Espanha, rumou a uma nova experiência no estrangeiro, soma 6 jogos, todos como titular, demonstrando um crescendo de forma nas últimas jornadas ; e, por fim, Miguel Vargas, extremo/avançado, formado nas escolas do Sporting, que soma 9 jogos - 5 como titular, apenas 1 completo - e 3 golos, que fazem dele o segundo melhor marcador da equipa, com a curiosidade de 2 dos tentos terem sido apontados como suplente utilizado. O plantel do APOP conta ainda com 4 brasileiros e com três internacionais de Leste no ocaso da carreira: Rosen Kirilov, defesa búlgaro, de 34 anos, que pouco tem jogado ; Dmytro Mykhailenko, médio ucraniano, de 34 anos, antigo jogador de Dinamo Kiev e Dniepr, que também tem estado muito aquém do esperado ; e Emmanuel Olisadebe, avançado internacional polaco, de origem nigeriana, de 28 anos, que procura relançar a carreira, após 5 épocas muito fracas, entre Panathinaikos, Portsmouth e Xanthi. Até ao momento, soma 2 golos, apontados na jornada de estreia, em 7 partidas, onde tem dado sinais de grande irregularidade exibicional.
Destino Chipre (II)
terça-feira, 13 novembro 2007

DOXA. De regresso à divisão maior, após a 4ª subida nos últimos 10 anos, o Doxa pretende fixar-se na principal Liga cipriota, acabando com o permanente "sobe-e-desce". A formação de Nicósia ocupa, de momento, o 8º lugar, liderando a 2ª metade da tabela, mostrando-se, até agora, forte em casa - 10 pontos em 12 possíveis - e frágil extramuros, onde apenas conquistou um ponto em 15 possíveis. O "mercado" português foi uma forte aposta deste clube, que contratou 5 jogadores oriundos dos nossos campeonatos: o experiente Júnior, luso-angolano de 32 anos, que jogava no Eléctrico de Ponte de Sôr, após passagem pelo Alverca ; o defesa Nuno Rodrigues, oriundo do Lixa, que conta com várias épocas na Liga de Honra - Estoril, Sp. Espinho, Salgueiros e Felgueiras -, com uma passagem pelo Badajoz, de Espanha, pelo meio ; o extremo/avançado Edmar, um brasileiro, de 25 anos, que representou Atlético e Olivais e Moscavide ; e os avançados Freddy, internacional angolano, ex-Desp. Aves, com várias épocas de Liga, e David da Costa, o avançado brasileiro, ex-Atlético, que marcou o golo que eliminou o FC Porto da Taça de Portugal em 2006/07, curiosamente o último que Vítor Baía sofreu na sua carreira. Em grande destaque tem estado Júnior, que apesar de ainda não ter marcado qualquer golo, assume-se como um elemento preponderante no esquema da equipa, dando consistência defensiva e capacidade para criar desequilíbrios em acções ofensivas, que lhe permitem realizar algumas assistências para golo. Bem também têm estado David e Edmar, que partilham o papel de melhores marcadores do conjunto. David, que começou a época de forma explosiva, apontando 2 golos ao campeão APOEL, tem quebrado recentemente de produção, mas foi utilizado em todas as partidas, enquanto que Edmar soma 3 golos em 9 jogos, 8 dos quais como titular. Freddy, que começou tardiamente a época, conquistou a titularidade à 5ª jornada, tendo-se estreado a marcar na última jornada, apontando o golo decisivo diante do Omonia (1-0), acabando por ser expulso logo a seguir. Nuno Rodrigues tem sido o mais infeliz: titular nas duas primeiras jornadas da Liga, foi substituído em ambas as partidas, acabando por desaparecer das opções do técnico Charalambos Christodoulou.

ALKI. Outro dos promovidos à divisão maior do futebol cipriota, pela terceira vez na última década, o Alki tem como principal objectivo estabilizar no campeonato principal. 9º classificado, com 10 pontos, está em quebra, depois de duas derrotas consecutivas, após um início promissor, com 2 vitórias nas 3 primeiras jornadas. Para não variar, também o Alki investiu forte no "mercado" português: aos portugueses Nandinho, ex-Vitória de Setúbal, Chainho, ex-Nacional, Hernâni, ex-Desportivo das Aves, e Mário Carlos, ex-Vitória de Setúbal, juntam-se três brasileiros - Jocivalter, ex-Desportivo das Aves, Clayton, ex-Penafiel, e Elpídio Silva, que após abandonar o Sporting, ainda passou pelo Derby County, Suwon Bluewings e Corinthians Alagoano - e o internacional chileno Alex von Schwedler, contratado ao Marítimo. Clayton, com 4 golos nos 5 primeiros jogos, transformou-se rapidamente na principal estrela da equipa, mas o antigo jogador do FC Porto lesionou-se e não joga desde 7 de Outubro, o que coincidiu com a quebra da equipa. Elpídio Silva, agora com 32 anos, também tem conseguido reencontrar-se com os golos - soma 3 em 8 partidas, todas como titular e a tempo inteiro, a que junta 4 cartões amarelos, nada de novo na carreira deste avançado que é admoestado com a mesma regularidade que factura. Titulares indiscutíveis também têm sido Alex von Schwedler, líder do sector defensivo, que soma 8 jogos completos e 2 cartões amarelos, e Jociválter, em tempos apelidado por Jaime Pacheco como o "novo Deco", que realizou as 9 partidas, 8 das quais como titular, mas apenas completou 1 jogo, situação normal no seu currículo, pois raramente completa os 90 minutos de uma partida. Chainho, que começou mais tarde a época, entrou lentamente na equipa, mas tem vindo a fixar-se como titular nas últimas jornadas - 8 jogos, os últimos 5 como titular -, o mesmo acontecendo com Hernâni, o avançado contratado ao Desp. Aves, que começou a temporada como "joker" ofensivo, mas nas últimas jornadas conseguiu alcançar a titularidade, somando 1 golo em 7 partidas, 3 das quais como titular. Nandinho, o experiente lateral-esquerdo que já representou Vitória de Setúbal, Alverca e Salgueiros, começou a época como titular, mas a expulsão diante do Ethnikos, na jornada inaugural, fê-lo perder espaço, somando, até ao momento, 7 partidas na Liga: 4 como titular e 3 como suplente utilizado nas últimas jornadas. Por fim, Mário Carlos: o extremo revelado pelos escalões inferiores do Vitória de Setúbal, que muito prometia, mas que tem demorado a impor-se, tem também conquistado o seu espaço no Alki, somando 1 golo em 8 partidas, 6 das quais como titular. Num plantel com jogadores de 11 nacionalidades, que tem tantos brasileiros como cipriotas (5), referências ainda para o veterano brasileiro Alexandre Soares, com vários anos de futebol grego, que soma 2 tentos em 9 jogos, e para o avançado espanhol David Cabarcos, contratado ao Gramanet, que nas duas últimas partidas do Alki - os seus dois primeiros jogos no Chipre - apontou 2 golos.

ETHNIKOS ACHNA. Cliente habitual da primeira metade da tabela na Liga cipriota, o Ethnikos Achna está a ser uma das desilusões da temporada, ocupando, de momento, o 10º lugar da classificação, apenas 1 ponto acima da linha de água, tratando-se da única equipa que ainda não empatou na prova. Particularmente virado para o "mercado" da antiga Jugoslávia - 4 sérvios, 2 eslovenos, 2 bósnios -, o Ethnikos conta com o luso-caboverdiano Nilton no seu elenco, antigo jogador de Boavista, Desp. Aves, Gil Vicente e Penafiel. O médio defensivo, que na época passada representou o Koper, da Eslovénia, não tem conseguido impor-se no Chipre, já que depois de ter começado a temporada como titular, perdeu o estatuto, somando 6 jogos até ao momento, 3 deles como titular, mas apenas 1 a tempo inteiro, juntando a esses números uma participação na Taça Intertoto. Os maiores destaques do clube na Liga têm sido o sérvio Zoran Stjepanovic, médio ofensivo sérvio, de 32 anos, há vários anos fixado no Chipre, e o internacional cipriota Christos Poyiatzis, que, aos 29 anos, ainda não conheceu outro clube. Ambos somam 3 tentos na Liga.

AEK. Presença regular a meio da tabela, o AEK (Athlitiki Enosis Kition), de Larnaca, ocupa um modesto 11º lugar, em igualdade pontual com o Ethnikos, apenas um ponto acima da linha de água. Com apenas 2 vitórias em 9 jogos, a equipa está a ser uma das maiores decepções da temporada, apesar do forte investimento realizado no reforço da equipa. Sem portugueses na equipa, destaque para as presenças de alguns jogadores que passaram pelo futebol português: Edgaras Jankauskas, avançado internacional lituano, ex-FC Porto e Benfica, que ainda não apontou qualquer golo em 7 partidas ; Nordin Wooter, médio ofensivo holandês, formado nas escolas do Ajax e ex-Sp. Braga, que apenas realizou 3 jogos, não se desviando do percurso extremamente irregular que tem marcado a sua carreira ; e Sunny Kingsley, avançado nigeriano, ex-Beira-Mar, que soma 2 golos em 9 partidas, sempre como titular. O plantel, muito globalizado, conta ainda com vários jogadores com alguma experiência: são o caso do defesa-médio Azubike Oliseh, antigo jogador de Anderlecht e Utrecht ; de Pavel Pergl, lateral-direito checo, que representou durante várias épocas o Sparta Praga ; de Tininho, lateral-volante esquerdo brasileiro, ex-Feyenoord e NEC ; ou de Shingayi Kaondera, internacional pelo Zimbábue, que chegou a treinar-se à experiência no Sp. Braga, nos tempos de Jesualdo Ferreira.

OLYMPIAKOS. Depois de no início do novo milénio ter chegado a lutar pelo título - vice-campeão em 2000/01 -, o Olympiakos de Nicosia tem vivido nas duas últimas temporadas com a "corda na garganta". Esta temporada, e com um terço da prova disputado, a situação parece que não se alterará, sendo, para já, o 12º classificado, ocupando assim o primeiro lugar abaixo da linha de água, o que já custou o lugar ao argentino Juan Ramon Rocha, também conhecido por "Índio", substituído no comando técnico pelo uruguaio Jorge Barrios. Num plantel marcado pela presença de vários jogadores argentinos (5), estão dois jogadores oriundos do futebol português: o médio Hugo Machado, produto das escolas do Sporting, que tem sido uma das principais figuras da equipa, somando 3 golos em 9 jogos, todos como titular e 8 deles a tempo inteiro ; e o guineense Braima, antigo jogador de Boavista, Desp. Aves e Gil Vicente, contratado no último defeso ao Portimonense, que se tem imposto como titular - 7 jogos -, mas que só completou 2 partidas. Para além de Hugo Machado, nota de destaque para o avançado argentino Silvio Augusto González, antigo jogador de Córdoba e Numancia, que soma 4 tentos em 9 partidas.

NEA SALAMINA. Equipa habituada ao "sobe-e-desce" na última década - duas vezes campeã da 2ªDivisão nesse período -, a formação do Nea Salamina, de Larnaca, parecia ter estabilizado na divisão maior do futebol cipriota - dois 6ºs lugares nas últimas três épocas -, mas a nova temporada está a revelar-se decepcionante, o que já custou o lugar a Georghios Kostikos, substituído por Panicos Orfanides, que após uma derrota na estreia, conseguiu vencer o Olympiakos extramuros, naquele que foi apenas o 2º triunfo da temporada. No plantel regista-se a presença de dois jogadores portugueses: Tiago Lemos, antigo médio do Estrela da Amadora, que nas últimas temporadas representou o Louletano, e que não se tem conseguido impor no Chipre, onde soma 5 jogos na Liga, mas apenas 2 como titular ; e o médio-ala/extremo Rui Dolores, contratado ao Vitória de Setúbal, depois de passagens pelo Beira-Mar, Paços de Ferreira e Creteil, que tem sido utilizado com regularidade - 1 golo, diante do campeão APOEL, em 8 partidas, 6 das quais como titular. A este duo junta-se ainda o internacional moçambicano Dário, que procura relançar a carreira aos 30 anos, depois de duas épocas fracas ao serviço de Vitória de Guimarães e Estrela da Amadora, longe dos tempos de goleador na Académica. Até ao momento, Dário apenas apontou 1 golo em 7 jogos, 6 dos quais como titular. A grande figura da equipa e uma das revelações da Liga tem sido o jovem avançado Mustapha Bangura, de apenas 18 anos, natural da Serra Leoa, que soma 4 golos em 8 jogos, destacando-se também a presença de dois internacionais em fase descendente na carreira: o guardião russo Aleksandr Filimonov, que durante várias épocas defendeu a baliza do Spartak Moscovo ; e do defesa marfinense Gilles Domoraud, com passagens pelo futebol francês e grego.

ARIS. É a grande decepção da temporada, o que já custou o lugar a dois treinadores, sendo que o terceiro, o romeno Mihai Stoichita estreou-se com uma derrota caseira, o que não deixa antever nada de bom. Equipa habituada ao "sobe-e-desce" somou na última década 4 descidas e 5 subidas de divisão, mas depois de ter realizado uma época tranquila em 2006/07 investiu forte no novo exercício, dando-se mesmo ao luxo de garantir a aquisição mais cara de sempre da Liga cipriota: a do português Paulo Costa, antigo jogador do Sporting e FC Porto, com a cotação em alta, depois de uma excelente temporada ao serviço do Aris Salónica, da divisão maior do futebol grego, onde apontou 7 golos em 29 jogos. Costa, cuja carreira está a ser marcada por uma extrema irregularidade, tem sido titular indiscutível, mas o seu rendimento tem-se revelado intermitente, apesar de ter marcado o golo que valeu a única vitória da temporada, diante do Doxa. Ao lado de Paulo Costa actua outro português: o médio Puma, antigo jogador de Vitória de Setúbal e Sp. Braga, que cumpre a segunda temporada no clube, somando, esta época, 9 jogos, 7 dos quais como titular. Num plantel que conta com jogadores de 10 nacionalidades diferentes, o maior destaque vai para o experiente internacional romeno Adrian Mihalcea, que soma 4 golos em 6 jogos, depois de na temporada passada ter apontado 16 em 24 partidas, que acabaram por se revelar decisivos para a época tranquila do Aris.
Destino Chipre (III)
segunda-feira, 12 novembro 2007
LUKASZ SOSIN: O GOLEADOR DO LÍDER ANORTHOSIS
Lukasz Sosin: internacional polaco, 30 anos, 100 golos em 129 jogos na Liga cipriota. Protagonista da transferência mais polémica do último defeso, quando trocou o Apollon, a quem fizera juras de amor eterno, pelo Anorthosis, é o melhor marcador do líder em 2007/08. Goleador de golos simples? É verdade - os 4 vídeos, dos 4 golos apontados esta época comprovam-no, com 4 finalizações de pé direito, dentro da área, uma delas de grande penalidade. Contudo, o gigante de 1.89 não é um avançado vulgar: velocidade, potência de remate, capacidade de antecipação e sentido de oportunidade acima da média, justificavam o voo para um campeonato mais ambicioso. Já se faz tarde.
RICARDO FERNANDES: O MÁGICO DO CAMPEÃO APOEL
Aos 29 anos, Ricardo Fernandes é uma das principais estrelas da Liga cipriota, onde se revelou decisivo para a conquista do título 2006/07 - os melhores momentos do médio criativo português podem ser vistos no terceiro vídeos. Os dois primeiros referem-se aos dois golos apontados em 2007/08, ambos em conclusões de pé esquerdo, dentro da área. Algo não muito comum no jogador que não se impôs no FC Porto e no Sporting, mas que renasceu no APOEL, com golos fantásticos de livre directo e várias assistências para finalizações, já que todo o jogo ofensivo da equipa passa pelo seu pé esquerdo.
HARUNA BABANGIDA: A EXPLOSÃO DO "PITHAMOGONATOS"
Irmão mais novo de Tijani Babangida, antigo jogador do Ajax e da selecção nigeriana, Haruna rumou à Europa, com apenas 13 anos, para representar os escalões de formação da formação holandesa. As suas boas exibições despertaram rapidamente a atenção de outros grandes clubes europeus acabando por rumar ao Barcelona, onde completou a formação com o rótulo de "next big thing". Já depois de ter feito a sua estreia na formação B do clube catalão foi cedido por empréstimo ao Terrasa e ao Cádiz, onde se foi esfumando a aura em seu redor. Dispensado pelo Barcelona rumou ao futebol ucraniano, onde não vingou no FC Metalurh Donetsk, seguindo-se uma aventura na Grécia, ao serviço do Olympiakos, que acabou também por ser marcada pela irregularidade e várias pequenas lesões, apesar de alguns números mágicos, que lhe valeram a alcunha de "pithamogonatos" (o pigmeu). Dispensado no final da última época rumou ao futebol cipriota, onde se tem afirmado como uma das figuras da Liga e feito a diferença, o que já lhe vale o estatuto de novo ídolo dos adeptos do Apollon. A sua velocidade de ponta, os seus malabarismos com a bola nos pés e um bom remate cruzado de pé direito encontraram o espaço certo para uma afirmação que parecia não chegar. Aos 25 anos, completados no passado mês de Outubro, tem ainda oportunidade para regressar a um campeonato mais competitivo, mas a sua anarquia táctica e prazer por tornar o difícil fácil lhe poderão permitir adquirir o estatuto de "estrela" que já conquistou no Chipre.
TIQUINHO: O SENHOR DOS GOLOS BONITOS
Formado nas escolas do Benfica, atingiu alguma projecção nos escalões de formação, sobretudo após uma exibição fantástica num Portugal - Holanda (3-0), em Sub-17, disputado na Covilhã, em Outubro de 2001, onde fez dupla de ataque com Cristiano Ronaldo. Contudo, o final da etapa de formação já foi marcada por um perder de espaço, não só no clube, como também nas selecções jovens. Após uma breve passagem pelo futebol espanhol rumou à formação secundária do Marítimo, onde apesar de algumas boas exibições, nunca chegou a merecer uma oportunidade na equipa principal. Em fim de contrato rumou ao Chipre e no AEL tem-se afirmado e mostrado que tinha espaço na Liga portuguesa. Até ao momento, assinou dois grandes golos: um de pé direito e outro de pé esquerdo, em concretizações à entrada da área. Para desfrutar.
BERNARDO VASCONCELOS: O GOLEADOR PORTUGUÊS
Filho de Bernardo Vasconcelos, antigo médico do Benfica e andebolista de fino quilate, Bernardo herdou do pai o nome, mas optou pelo futebol. Depois de passagens pelos escalões jovens de Cascais e Estoril, mostrou dotes de goleador na sua estreia como sénior ao serviço do Palmelense, que o conduziram à formação secundária do Benfica. Seria, no entanto, ao serviço do Torreense, em 2001/02, que se revelaria como goleador, ao apontar 15 golos, que desperdiçaram a cobiça do Alverca, onde, na temporada seguinte, não vingou, mas ajudou o clube ribatejano a alcançar a promoção à divisão maior. Seguiu para Torres Vedras, onde em menos de meio ano se reencontrou com os golos, assinando, em Janeiro, pelo RKC Waalwijk, da divisão maior do futebol holandês. Marcou 4 golos, que fizeram com que o clube quisesse renovar contrato, mas optou por regressar a Portugal, para se estrear na Liga principal pela União de Leiria. Jogou pouco - apenas 2 jogos - e cedo se percebeu que fazia parte da lista de dispensas de Dezembro. Regressou à Holanda, de novo ao RKC Waalwijk, mas a segunda passagem não foi tão feliz. Esteve um ano no Estoril, na Liga de Honra, sem grande sucesso - 4 golos em 18 jogos -, antes de rumar ao Chipre, onde, a temporada passada, venceu a 2ªDivisão e sagrou-se melhor marcador da prova pelo APOP. Esta época é o segundo melhor marcador da Liga principal com 6 golos continuando a demonstrar engodo pelas balizas adversárias. 4 golos de pé direito e 2 de cabeça, em finalizações simples, sempre na área, plenas de oportunidade, por vezes misturadas com umas pitadinhas de felicidade. De realçar, também, a importância de Paulo Sousa, antigo médio do Paços de Ferreira, como cérebro na distribuição de jogo ofensivo da equipa.
CLAYTON & SILVA: SOCIEDADE GOLEADORA DO ALKI
Com 4 golos nos 5 primeiros jogos da Liga, Clayton tornou-se numa das principais figuras da Liga cipriota. Contudo, uma lesão - mais uma - afastou-o da competição nas últimas semanas, com claros prejuízos no rendimento da equipa, que caiu na classificação. O antigo extremo/avançado de FC Porto e Sporting, que nas duas últimas épocas representou o Penafiel sem grande sucesso, reencontrou-se com os seus bons momentos, apontando 4 golos com o seu excelente pé esquerdo, dois deles após assistências aéreas de Elpídio Silva. O "Pistoleiro", que após abandonar o Sporting, aonde não vingou, passou sem sucesso por Inglaterra e Coreia, antes de regressar ao ponto de partida - Corinthians Alagoano -, reencontrou-se também com os golos: soma 3, dois de pé direito e um de cabeça, este após cruzamento açucarado de Clayton. E voltou a disparar como as imagens documentam.
MUSTAPHA BANGURA: A REVELAÇÃO
Com apenas 18 anos, completados no final de Outubro passado, Mustapha Bangura, jovem avançado da Serra Leoa, tem sido uma das principais revelações da Liga cipriota 2007/08, somando já 4 golos, apesar da desastrosa campanha colectiva da sua equipa: o Nea Salamina. Esta há pouco mais de um ano no Chipre, onde chegou com 16 anos, oriundo do Old Edwardians, e apesar de alguma ingenuidade e crueza na suas acções, mostra potencial para vir a tornar-se num avançado interessante no futebol europeu. Veloz, agressivo, com sentido de baliza e disparo fácil, sobretudo de pé direito, é um jogador a seguir com atenção nos próximos meses.
Continue a ler "Destino Chipre (III)"
TAG: estádio de sítio , foot-tube , futegrafiasAs 10 melhores defesas do futebol europeu
terça-feira, 15 novembro 2005

1. Sheriff Tiraspol (Moldova) - 2 golos sofridos (13 jogos)
2. Sporting de Braga (Portugal) - 2 golos (10 jogos)
3. Vitória de Setúbal (Portugal) - 3 golos (10 jogos)
4. Rangers (Andorra) - 3 golos (7 jogos)
5. Murata (San Marino) - 3 golos (6 jogos)
6. Dinamo Zagreb (Croácia) - 4 golos (15 jogos)
7. TNS Llansantffraid (Gales) - 4 golos (12 jogos)
8. Nacional da Madeira (Portugal) - 4 golos (10 jogos)
9. AEK Atenas (Grécia) - 4 golos (9 jogos)
10. Glentoran (Irlanda do Norte) - 4 golos (8 jogos)
Olhando para o top 10 das melhores defesas dos campeonatos europeus, realça-se o facto de estarem presentes três clubes portugueses, com a curiosidade ainda maior de nenhum ser um 'grande', a que se junta ainda o AEK Atenas, orientado pelo português Fernando Santos, que segue em segundo lugar da Liga grega, com apenas uma derrota e quatro golos sofridos em nove jogos.
Estes números, aliados às boas carreiras de Sp. Braga, Nacional e Vitória de Setúbal confirmam que no futebol português as boas carreiras passam mais pela solidez defensiva do que pela capacidade ofensiva, como também o prova a quebra da média de golos por jornada, o que significa que se defende cada vez melhor, mas também que se ataca pior, ideia consolida pelo facto deste ser, desde 1997/98, o único campeonato que não conseguiu, até à jornada 11, uma jornada com uma média de 3 golos por jogo.
O Vitória de Setúbal, sexto classificado à entrada para a jornada 11, em igualdade pontual com o Sporting (5º), é o espelho disso mesmo: 2ª melhor defesa da Liga, 3ª melhor defesa dos campeonatos europeus e 2º pior ataque da Liga portuguesa, com apenas 6 golos, o que perfaz uma média ligeiramente superior a um golo de dois em dois jogos.
Quanto ao líder da tabela, ainda que em igualdade de golos sofridos com o Sp. Braga, mas com mais partidas disputadas, é o emblema moldavo FC Sheriff Tiraspol, penta-campeão do seu país. A caminho do hexa, já que dispõe de uma vantagem de 12 pontos sobre o Zimbru Chisinau, registe-se o facto que a principal diferença entre os dois conjuntos está na solidez defensiva: é que o Zimbru tem mais três golos marcados que o Sheriff, contando nas suas fileiras com Sergiu Chirilov, o melhor marcador do campeonato, mas tem mais 10 golos sofridos, que significaram quatro derrotas, duas delas diante do Sheriff Tiraspol, que ainda não perdeu na Liga Moldava.
Sp. Braga
2 golos sofridos:
Rio Ave (F) - 2/1 V (Andrés Madrid na própria baliza)
Marítimo (F) - 0/1 D (Kanú)
[notas]
- é a única equipa da Liga que ainda não sofreu golos em casa
- defesa sólida, que transita da época anterior: Paulo Santos é o guarda-redes ; Abel e Luis Filipe, o único reforço, têm repartido utilização à direita ; Nunes e Nem formam a dupla de centrais ; Jorge Luiz é titularíssimo à esquerda.
- Nunes, desde que representa o Sp. Braga (2ª época), falhou 4 jogos de Liga: 1 vitória, 1 empate e 2 derrotas, diante de Penafiel (2004/05) e Marítimo (2005/06). Ao todo, soma 41 jogos com a camisola bracarense na Liga: 23 vitórias, 11 empates e 7 derrotas. Em igual período, Nem somou 37 jogos pelo Sp. Braga na Liga: 23 vitórias, 8 empates e 6 derrotas.
- Paulo Jorge, primeiro 'backup' da dupla de centrais bracarense, foi chamado por 17 vezes à equipa desde a temporada passada. O Sp. Braga nesses jogos somou: 7 vitórias, 4 empates e 4 derrotas.
Vitória Setúbal
3 golos sofridos:
Paços Ferreira (C) - 0/1 D (Fredy)
Sporting (F) - 0/1 D (Deivid)
Vitória Guimarães (C) - 0/1 D (Saganowski)
[notas]
- Sempre que o Vitória de Setúbal sofreu golos perdeu os jogos.
- Ainda não sofreu qualquer golo nas segundas partes das partidas. Todos os golos sofridos aconteceram entre os 30 e 45 minutos.
- Marcelo Moretto sofreu os dois golos em casa, enquanto Marco Tábuas, chamado à equipa após expulsão de Moretto, sofreu o único tento fora de casa, já depois de ter defendido uma grande penalidade de Liedson na sua primeira intervenção na partida.
- Linha defensiva de quatro unidades, suportada, normalmente, por uma linha de três centro-campistas de características defensivas. Nas laterais, Janício ocupa o lugar habitualmente ocupado por Éder a temporada passada, com maior eficácia a nível defensivo, enquanto que Nandinho se mantém à esquerda, com a regularidade habitual. O centro da defesa mantém Auri e ganhou José Fonte, que conquistou o lugar a Veríssimo, após lesão deste no Bessa. Aposta totalmente ganha: Fonte, formado nas escolas do Sporting, é uma das revelações maiores desta Liga. A meio-campo, Norton de Matos não encontrou um médio criativo, reforçando a zona intermediária com um terceiro médio defensivo: Ricardo Chaves, a um nível inferior ao da época passada, mantém-se, sendo Dembelé a principal novidade, a que se junta Binho, o médio mais recuado, um jogador pouco utilizado na época anterior, que acabou por conquistar um lugar na equipa.
Nacional
4 golos sofridos:
Académica (C) - 2/2 E (Marcel (2, 1 de grande penalidade))
Sporting (C) - 2/1 V (Deivid)
FC Porto (C) - 0/1 D (Hugo Almeida)
[notas]
- O Nacional já utilizou os três guarda-redes na Liga: Hilário, que começou a época como titular, sofreu os 2 golos diante da Académica, lesionando-se diante do Sporting, jogo onde o espanhol Belman, que o rendeu, sofreu um tento de Deivid. O internacional esperança suiço Diego Benaglio, que começou a época no banco dos suplentes, conquistaria a titularidade na partida seguinte e não mais a largou: 6 jogos, apenas 1 golo sofrido, diante do FC Porto, com a afirmação dos madeirenses a passar muito pela sua competência dentro e fora dos postes.
- Ainda não sofreu qualquer golo fora de casa: 5 jogos, 3 vitórias e 2 empates, 4 golos marcados, 0 golos sofridos. Assim, é a única equipa da Liga que ainda não sofreu golos extramuros, sendo que apenas o FC Porto soma tantos pontos nessa condição como a formação de Manuel Machado: 11 pontos em 5 jogos.
- Miguelito, lateral esquerdo contratado ao Rio Ave, e o central Fernando Ávalos são os únicos indiscutiveis na zona defensiva madeirense, que já conheceu diferentes formatos: com 4 defesas, até à 6ª jornada, e depois da derrota contra o FC Porto, e com um esquema flexível, com três centrais, que permite aos laterais tornarem-se em volantes nos desdobramentos ofensivos, diante de Vitória de Guimarães e FC Porto. À direita, Patacas, utilizado em 8 jogos, é a principal opção, surgindo Emerson, adaptado ao lugar, e Luizinho como segundas opções. No eixo central, Fernando Cardozo, que começou a época lesionado, e Ricardo Fernandes são titulares num esquema de três centrais, sendo que Ricardo Fernandes torna-se a principal opção para actuar ao lado de Ávalos quando a equipa opta por um esquema de dois centrais.
- Um meio campo defensivo muito compacto e que raramente sofre alterações: Cléber Monteiro é habitualmente o médio mais recuado, que se limita a acções defensivas, apoiado por Chainho, mais fixo, e Bruno, mais móvel, dois jogadores que defendem sempre atrás da linha da bola, sendo que o último, quando a equipa parte para acções ofensivas, assume, por norma, a coordenação do jogo.
O Poço dos Tubarões (I)
segunda-feira, 10 outubro 2005

O ínicio de uma viagem até ao 'poço dos tubarões' do futebol português: a 2ªDivisão, esta época dividida em quatro séries. Para começar, a Série A, que engloba os clubes mais a Norte e formações da Madeira, onde recupero alguns jogadores e treinadores perdidos no 3º escalão do futebol português, longe das luzes da ribalta, que, em alguns casos, chegaram a ser conhecidas.
O líder da série é o Trofense, que tem como nome mais sonante o do ex-portista Costa, que, aos 31 anos, depois de passagens por Vitória Guimarães, Rio Ave, Vitória Setúbal e Desportivo de Chaves, caiu nas profundezas do terceiro escalão do futebol português. Os avançados Reguila, que a época passada actuou no Gondomar, e Shéu, que durante largas épocas representou o Gil Vicente, e o médio ofensivo Major, de 34 anos, com vários anos ao serviço do Maia, são outros dos principais nomes da equipa orientada por Daniel Ramos, antigo jogador do Rio Ave, que, na temporada anterior, teve uma passagem sem êxito pelo Desportivo de Chaves.
Uma das equipas que aposta forte na subida é o União da Madeira, que continua a ser orientado pelo brasileiro Ernesto Paulo, antigo treinador do clube na divisão maior do nosso futebol e seleccionador dos sub-20 brasileiros no Mundial de 1991. O início de época não tem sido o esperado, apesar do plantel conter vários jogadores experientes. São os casos do guardião Nuno Carrapato, ex-Nacional, dos médios Paiva, com muitos anos de 1ªDivisão, e de Joel Santos, ex-Marítimo, e do avançado Serginho Cunha, veterano brasileiro que fez furor durante várias épocas no rival Nacional. A estes juntam-se os jovens Rodrigo, antigo guarda-redes do Vitória Setúbal, o central Carlos Marques, formado no Sporting, e o lateral-esquerdo internacional esperança Vítor Rodrigues, produto das escolas do FC Porto, e ainda jogadores como Geufer, possante avançado brasileiro emprestado pelo Nacional, Emerson Gama, um médio ofensivo brasileiro que já representou Moreirense e Felgueiras, e Francisco Silva, antigo lateral esquerdo do Belenenses, que na última época actuou no Dragões Sandinenses.
Com ambição também parte o Portosantense, orientado por Lito Vidigal, antigo jogador do Belenenses, e que tem no seu irmão Toni Vidigal, antigo jogador de Varzim e Estoril, uma das principais unidades à sua disposição. Contudo, é o veteraníssimo Edinho, que, aos 38 anos, continua a revelar dotes de goleador, o nome mais sonante, contratado à Olhanense, de onde também chegaram o experiente central Miguel Teixeira, formado nas escolas do FC Porto, e que teve uma passagem pela divisão maior ao serviço do Salgueiros, e o médio brasileiro Glaedson, que já passou pelo Santa Clara. Léo Oliveira, um brasileiro que já passou por Paços de Ferreira e Penafiel, é outro dos elementos com maior experiência, de um plantel recheado de jovens, que apostou bastante no recrutamento em Elvas, terra natal da família Vidigal, de onde chegou o guarda-redes Pedro Silva, o defesa Rogério e o médio Dédé, uma das revelações deste início de temporada.
Depois de uma passagem pela 3ªDivisão, o Famalicão está de regresso ao terceiro escalão do futebol português. A aquisição mais sonantes dos famalicenses foi a de N'Tsunda, o ex-'filho do vento', que regressou a Portugal, onze anos depois de ter sido contrato pelo FC Porto, mas que ainda não se estreou na competição. O lateral-direito Hilário, depois de passagens pelo futebol italiano, o central/trinco Mirra, que já passou pelo Gil Vicente, o lateral-esquerdo Pinheiro, formado nas escolas do FC Porto, com passagem pelo Paços de Ferreira, o médio-ofensivo Kiwi e o avançado Bacari Djalô - filho de Mamadu Bobó -, ambos ex-Felgueiras, são outros dos principais nomes do plantel, que conta também com o jovem central Sereno, emprestado pelo Vitória de Guimarães.
Em Vila Verde, nos arredores de Braga, Nelito, antigo central do Sp. Braga e agora técnico do Vilaverdense, tenta repetir a surpreendente temporada do exercício anterior. Sem grandes nomes, destacam-se os experientes Ricardo Martins e Paulinho Cepa, com passagens pela Liga de Honra, para além de Jaco, um angolano que tentou a sua sorte em Espanha no último defeso, e do veterano Armando, de 34 anos, antigo goleador do Moreirense, que chegou a representar o Sp. Braga na divisão maior do nosso futebol.
Os Sandinenses, que garantiram a subida à 2ªDivisão na última temporada, não têm nomes sonantes, destacando-se apenas Quínio, um médio que já representou a equipa B do Sp. Braga, e Nuno Baptista, um lateral formado nas escolas do Boavista, mas que tem tido dificuldades em impor-se no futebol sénior, para além da curiosidade de ter um central chamado Padre. Contudo, a equipa revela um conjunto bastante compacto, orientado por António Carvalho, antigo jogador do Vitória de Guimarães.
Na Camacha, a formação madeirense apresenta alguns nomes com passado ligado aos 'grandes' clubes da região: são o caso de Márcio Abreu, extremo, ex-Marítimo, como também do lateral Carlos Manuel, do médio centro Leandro Salino - campeão mineiro em 2005 pelo Ipatinga - e do extremo brasileiro Rogerinho, ambos ex-Nacional, e do experiente central Agrela, antigo defesa do União da Madeira. Referência ainda para Diop, avançado senegalês, que na última época representou o Dragões Sandinenses.
O Ribeirão, que nas duas últimas temporadas havia sido orientado por Vítor Paneira, e que agora tem como técnico Dito, que procura relançar a sua carreira, conta nas suas fileiras com alguns jogadores experientes. São o caso do guarda-redes Litos, ex-Varzim, do central luso-brasileiro Lemos, também ex-Varzim, depois de vários anos ao serviço do Gil Vicente, do médio centro brasileiro Luiz Cláudio, que chegou a estar contratualmente ligado ao FC Porto, do também médio Rego, antigo internacional esperança português, e do veterano avançado goleador Paulo Vida, que na última temporada representou o Dragões Sandinenses.
O Atlético de Valdevez, que perdeu vários jogadores para clubes da SuperLiga e Liga de Honra - António (Rio Ave), Hélder Cabral (Vitória Guimarães), Peixinho (Santa Clara), Juliano Roma e Nicolas Jacob (Beira-Mar) - viu o seu plantel ser fortemente remodelado. A aposta no recrutamento passou pela aquisição de jovens ligados a clubes da principal Liga portuguesa, saídos dos juniores: são os casos de Rui Sacramento, guarda-redes, que luta pela titularidade com o ex-vimaranense Vítor Nuno, e André Carvalho, defesa-central, formados no FC Porto ; do lateral-direito Pedro Coentrão e do médio-centro Ricardo Palmeira, ambos ex-Rio Ave ; de Pedrinho, Toninho e Óscar, todos ex-Gil Vicente ; e de Rafael Santos, ex-Belenenses, que se juntam ao promissor Jeremy, internacional português nas selecções inferiores, que na última temporada chegou a fazer testes no Chelsea.
O Freamunde, orientado por Lowden, antigo jogador de Tirsense e Moreirense, sofreu várias perdas no seu plantel, já que o núcleo duro transitou com Nicolau Vaqueiro, antigo técnico do clube, para o Gondomar. O médio Raul Moreira, que chegou a representar o Rio Ave na divisão maior, e Nandinho, jovem extremo das escolas do clube vila-condense, que se juntam aos experientes Barbosa e Bessa, para além de André Lisboa e Fernandes, este último um guineense que chegou a representar o Boavista nos escalões de formação.
O Desportivo de Fafe, que é orientado tecnicamente pelo búlgaro Tenev, antigo jogador do clube, conta nas suas fileiras com alguns jogadores veteranos, como são o caso dos defesas Carlitos e Quim da Costa, com muitos anos ao serviço do Desp. Aves, como também do avançado angolano Lobo, de 35 anos. A estes juntam-se o luso-francês François Fernandez e o brasileiro Jader, jogadores que chegaram a passar pelo principal campeonato português ao serviço de Paços de Ferreira e Rio Ave, e o promissor Tiago Nogueira, o 'nº10' da equipa, que teve uma breve passagem pelo FC Porto B.
No Lixa, como é tradição, são vários os jogadores que contam com passagens pelo Felgueiras. São os casos de Paulo César, Rafael Duarte e Zézé, aos quais se junta Pedro Valente, irmão do internacional Nuno Valente, que tal como o irmão foi formado nas escolas do Sporting, e que já representou Maia e Leixões, o seu anterior clube, na Liga de Honra.
Abaixo das expectativas, o início do campeonato do Sp. Braga B. Com um plantel bastante jovem, tem nas suas fileiras vários jogadores que já trabalharam com o plantel principal: são os casos do guarda-redes Eduardo, do central José Pedro, do central/trinco Paulo Monteiro, do lateral-esquerdo João Cardoso, filho de João Cardoso, antigo internacional português e actual adjunto de Jesualdo Ferreira, do médio ofensivo Diego ou do muito promissor João Pedro, campeão europeu de sub-17. Entre as novidades, destaque para o jovem brasileiro Rodrigo Dantas, um avançado que mostrou dotes de goleador no Caldas, e que Jesualdo já chamou ao plantel principal.
Por fim, o Torcatense. A equipa dos arredores de Guimarães, estreante na competição, tem uma formação baseada em jovens formado nas escolas do Vitória, contando com alguns jogadores promissores, ainda contratualmente ligados ao clube vimaranense, como são o caso dos laterais Barata e Vitinha, ou do avançado Guilherme Cascavel, filho do 'mítico' Paulinho Cascavel, que fizeram a pré-temporada com Jaime Pacheco, e ainda Pedro Borges, Paulo Freitas, Rocha e Rui Cheguerov, todos ex-juniores do Vitória. Entre os restantes jogadores, o destaque vai para o central Miguel, antigo jogador do Vitória de Guimarães e Sporting, que, aos 41 anos, continua em actividade.
Regresso à (a)normalidade europeia
sexta-feira, 30 setembro 2005

A surpreendente eliminação do Sporting, ontem à noite em Alvalade, diante do modesto Halmstad, veio confirmar a regra europeia dos 'leões' nas últimas duas décadas: a saída prematura das provas europeias, muitas vezes diante de adversários menores. Analisando as vinte últimas prestações do Sporting nas competições da UEFA, esta eliminação foi a 8ª na primeira ronda e a 7ª após prolongamento, revelando similitudes com o que se passou há 13 anos, quando a 30 de Setembro de 1992, o Grasshoper escandalizou Alvalade, com uma vitória por 3-1, após prolongamento, num jogo onde sobressaiu o jovem brasileiro Élber, numa noite de pesadelo do guardião Sérgio Louro e da dupla de centrais formada por Pedro Barny e Valckx. Isto tudo depois de uma vitória do Sporting na Suiça, por 2-1, com golos de Balakov e Juskowiak, depois de Sutter, de grande penalidade - tal como Thorvaldsson em Halmstad - ter adiantado a formação suiça no marcador. Assim, a ida à final da Taça UEFA a temporada passada, e a chegada às meias-finais da mesma competição, em 1990/91, com Marinho Peres, acabam por ser as excepções à (a)normalidade da eliminação prematura das competições europeias, como se pode verificar a seguir:
2005/06
Taça UEFA: 1ªEliminatória
Halmstad - 2-1 (fora), 2-3 (casa), após prolongamento.
Treinador: José Peseiro
Liga dos Campeões: Pré Eliminatória
Udinese - 0-1 (casa) ; 2-3 (fora).
Treinador: José Peseiro
2004/05
Taça UEFA: Finalista Vencido
CSKA Moscovo - 1-3
Treinador: José Peseiro
Eliminou o Feyenoord, Middlesbrough, Newcastle United e AZ Alkmaar.
Fase de grupos com Newcastle United, Sochaux, Dinamo Tbilisi e Panionios: 4 jogos, 2 vitórias, 1 empate, 1 derrota.
Acedeu à fase de grupos depois de eliminar o Rapid Viena.
2003/04
Taça UEFA: 2ªEliminatória
Gençlerbirligi - 1-1 (fora) ; 0-3 (casa).
Treinador: Fernando Santos
2002/03
Taça UEFA: 1ªEliminatória
Partizan Belgrado - 1-3 (casa) ; 3-3 (fora), após prolongamento.
Treinador: Lazlo Bölöni
Liga dos Campeões: Pré Eliminatória
Inter Milão - 0-0 (casa) ; 0-2 (fora).
Treinador: Lazlo Bölöni
2001/02
Taça UEFA: 3ªEliminatória
AC Milan - 0-2 (fora) ; 1-1 (casa).
Treinador: Lazlo Bölöni
2000/01
Liga dos Campeões: fase de grupos
Último classificado com Real Madrid, Bayer Leverkusen e Spartak Moscovo.
Treinador: Augusto Inácio
1999/00
Taça UEFA: 1ªEliminatória
Viking - 0-3 (fora) ; 1-0 (casa).
Treinador: Giuseppe Materazzi e Augusto Inácio.
1998/99
Taça UEFA: 1ªEliminatória
Bolonha - 0-2 (casa) ; 1-2 (fora).
Treinador: Mirko Jozic.
1997/98
Liga dos Campeões: fase de grupos
Eliminado em grupo com Mónaco, Bayer Leverkusen e Lierse.
Acedeu à fase de grupos depois de eliminar o Beitar Jerusalém.
Treinador: Octávio Machado (5 jogos), Francisco Vital (2 jogos) e Vicente Cantatore (1 jogo).
1996/97
Taça UEFA: 2ªEliminatória
Metz - 0-2 (fora) ; 2-1 (casa).
Treinador: Robert Waseige.
1995/96
Taça das Taças: 2ªEliminatória
Rapid Viena - 2-0 (casa) ; 0-4 (fora), após prolongamento.
Treinador: Carlos Queirós.
1994/95
Taça UEFA: 1ªEliminatória
Real Madrid - 0-1 (fora) ; 2-1 (casa).
Treinador: Carlos Queirós.
1993/94
Taça UEFA: 3ªEliminatória
Casino Salzburgo - 2-0 (casa) ; 0-3 (fora), após prolongamento.
Treinador: Bobby Robson.
Chegou à 3ªeliminatória, depois de eliminar o Kocaelispor e o Celtic: 4 jogos, 2 vitórias, 1 empate, 1 derrota - 4/1.
1992/93
Taça UEFA: 1ªEliminatória
Grasshoper - 2-1 (fora) ; 1-3 (casa), após prolongamento.
Treinador: Bobby Robson.
1991/92
Taça UEFA: 1ªEliminatória
Dinamo Bucareste - 1-0 (casa) ; 0-2 (fora), após prolongamento.
Treinador: Marinho Peres.
1990/91
Taça UEFA: Meias finais
Inter Milão - 0-0 (casa) ; 0-2 (fora).
Treinador: Marinho Peres.
Eliminou Malines, Timisoara, Vitesse e Bolonha para chegar às meias-finais: 8 jogos, 5 vitórias, 2 empates, 1 derrota - 17/6.
1989/90
Taça UEFA: 1ªEliminatória
Nápoles - 0-0 (casa) ; 0-0 (fora) - 3-4 após o desempate por grandes penalidades.
Treinador: Manuel José.
1988/89
Taça UEFA: 2ªEliminatória
Real Sociedad - 1-2 (casa) ; 0-0 (fora).
Treinador: Pedro Rocha.
Eliminou o Ajax na 1ª eliminatória, com dupla vitória: 4-2, em casa ; 2-1, em Amesterdão.
1987/88
Taça das Taças: Quartos de Final
Atalanta - 0-2 (fora) ; 1-1 (casa).
Treinador: António Morais.
Eliminou o Tirol e o Kalmar para chegar aos quartos-de-final. Keith Burkinshaw era o treinador.
1986/87
Taça UEFA: 2ª eliminatória
Barcelona - 0-1 (fora) ; 2-1 (casa).
Treinador: Manuel José.
Artur Jorge: Optimista céptico
terça-feira, 6 setembro 2005

4 jogos, 4 vitórias e a liderança do Grupo 3 da Zona Africana. Artur Jorge, seleccionador dos Camarões, está a apenas uma vitória de alcançar a qualificação para o Mundial 2006, depois de ter iniciado o seu trabalho numa situação extremamente delicada, em 3º lugar no grupo, a quatro pontos da Costa do Marfim e a dois da Líbia. Depois da fantástica vitória em Abidjan no passado domingo, o sítio Camfoot entrevistou o treinador português, que apesar de confiante na presença no Mundial da Alemanha, ainda não faz a festa.
-- Qual a apreciação que faz do jogo frente à Costa do Marfim?
-- Creio que foi um bom jogo entre duas equipas boas, num bom relvado e com uma boa ambiência nas tribunas. Vimos coisas boas de parte a parte. Jogamos contra uma equipa boa, mas atendendo à prestação da equipa dos Camarões, a vitória é justa. A equipa dos Camarões foi calculista e foi recompensada pelo seu esforço. Cometemos alguns erros defensivos que nos custaram caro, mas, globalmente, cumprimos o nosso objectivo.
-- Para além do resultado, como analisa a prestação da sua equipa?
-- Podemos fazer melhor, mas penso que temos que reconhecer o mérito da equipa dos Camarões perante um adversário de grande nível. Os jogadores camaroneses demonstraram uma mentalidade sólida e, sobretudo, uma vontade indómita de vencer o jogo. Do meu ponto de vista, isso é o mais importante.
-- Por momentos, sentimos algum medo. Como se podem explicar os erros defensivos da sua equipa?
-- Efectivamente cometemos alguns erros que não se podem produzir contra adversários como a Costa do Marfim. Os marfinenses têm grandes avançados, goleadores, que não costumam perdoar. Nesse capítulo falhamos um pouco. Mas é o futebol! Houve situações boas, mas também menos boas. Mas fazendo um balanço, penso que podemos retirar mais coisas positivas da actuação da nossa equipa. É necessário contudo que se trabalhe para não se repetirem estes tipos de erros, sobretudo na perspectiva de uma grande competição como o Campeonato do Mundo.
-- Agora que os Camarões estão à frente do grupo, podemos dizer que o mais duro já está feito?
-- Ainda não está terminado. O mais duro ainda está por vir, pois a qualificação ainda não está garantida. Neste momento, todo o Mundo está contente e isso é bom. Mas ainda nos falta um jogo, em que é imperioso vencer para ir ao Campeonato do Mundo. Demos uma grande passo para a qualificação, mas temos que confirmá-lo. Temos que dar tudo frente ao Egipto.
-- A nível táctico, tem mostrado confiança numa estrutura base. Isso significa que está inteiramente satisfeito com este grupo?
-- De vez em quando, também chamamos outros jogadores. Eu convoco apenas os jogadores que estão em melhor forma e prontos a respeitar as instruções que lhes são dadas. É a regra do futebol! Mas é verdade que existe um núcleo base, que irei manter. Há jogadores que são mais fortes que outros, é evidente. Mas há sempre um ou dois jogadores que chegam e que podem trazer algo de novo à equipa.
-- Como perspectiva o futuro dos Camarões após esta fase?
-- Repito, ainda não está terminado. Temos que esperar que tudo acabe bem. No futebol tudo pode acontecer e temos que estar muito concentrados no nosso objectivo, que é vencer o último jogo. Às vezes, acontecem surpresas e tem-se êxito onde ninguém espera, por isso não é bom que as pessoas pensem que tudo está terminado. Não é verdadeiro! É necessário continuar mobilizado para o último jogo.
-- Pessoalmente, está prestes a vencer a aposta de qualificar os Camarões para o Campeonato do Mundo. Pode ser a premissa para um trabalho de longa duração com os 'Leões'?
-- Cheguei com um objectivo preciso, que passava por vencer todas as partidas que tinhamos por disputar, para além da participação na Taça de África. Este ainda não é o momento para pensar em todas essas coisas. Temos ainda um jogo pela frente e depois se verá.
'Mercado' Internacional: As movimentações de 31 de Agosto
sábado, 3 setembro 2005

Sérgio Ramos (Real Madrid, ex-Sevilha). A grande transferência do último dia de 'mercado'. Face aos entraves colocados pelo Sevilha na concretização da transferência, o Real Madrid pagou a sua cláusula de rescisão, fixada em 27 milhões de euros, assegurando-o para as próximos oito temporadas. Uma verba exagerada para muitos, tendo em conta a pouca experiência deste defesa polivalente, de apenas 19 anos, que há um ano se sagrava campeão europeu sub-19. Já internacional pela principal selecção espanhol, Ramos é um lateral-direito convertido em defesa-central, que se destaca pela velocidade, bom poder de desarme e inteligência a sair a jogar, devendo ser o futuro parceiro de Helguera no eixo central da defesa 'branca', com prejuízo para Pavón.

Michael Owen (Newcastle United, ex-Real Madrid). Há um ano, o Real Madrid pagou 12 milhões de euros pela sua aquisição junto do Liverpool, cedendo o passe do extremo Nuñez, actualmente no Celta, avaliado em pouco mais de 1 milhão de euros. Um ano depois, vende o seu passe ao Newcastle United, que ganhou a corrida ao Liverpool, por 22 milhões de euros. Um grande negócio, de uma passagem por Espanha com sabor a desilusão, contrariada pelos números: 13 golos - 2º melhor marcador do Real - em 'apenas' 1867 minutos de utilização e só seis jogos completos. Chega a Newcastle como novo herói, procurando inverter o mau início de época da equipa de Souness, que não escondia a sua felicidade pela aquisição daquele que define como o 'sucessor de Shearer'. Com a cabeça a prémio, o treinador escocês talvez se tenha esquecido que poderá ser o seu sucessor, quiçá o veterano avançado, o último a rir-se.

Jermaine Jenas (Tottenham Hotspur, ex-Newcastle United). Aos 18 anos, o Newcastle United, por indicação de Bobby Robson, contratou-o ao Nottingham Forest, por 7,5 milhões de euros. Estrela da selecção inglesa, pouco depois, no Europeu sub-19 de 2002, Jenas afirmou-se na primeira equipa do clube e chegou já à selecção principal. Aos 22 anos, ruma agora ao Tottenham, que continua com uma obsessão por médios-centro, por 15 milhões de euros. Apesar de especialmente talhado para posições centrais a meio-campo, onde possa sair a jogar e coordenar as movimentações ofensivas da equipa, Jenas pode também descair para os flancos, tirando partido da sua polivalência, velocidade e capacidade no passe.

Erik Edman (Rennes, ex-Tottenham Hotspur). Lateral-esquerdo internacional sueco, de 26 anos, particularmente talhado para missões defensivas, onde é extremamente eficaz, conhece o sexto campeonato na sua carreira, depois de Suécia, Itália, Alemanha, Holanda e Inglaterra. Contratado pelo Tottenham ao Heerenveen há um ano, por 2 milhões de euros, ruma agora o Rennes, de Lazlo Bölöni, por 3,2 milhões de euros. Curioso o aspecto de uma equipa de segunda linha no futebol francês investir 10,8 milhões de euros em reforços, com proveitos, em vendas de passes de jogadores, de apenas 3 milhões.

David Connolly (Wigan, ex-Leicester City). Aquisição típica do 'mercado' inglês. O Wigan pagou 3 milhões de euros pela aquisição deste avançado veloz e goleador, ao Leicester City, que, há um ano, o contratara ao West Ham United por apenas 750 mil euros. Internacional irlandês, já passou pelo futebol holandês, onde representou Excelsior e Feyenoord, é representado por Michael Kennedy, o mesmo empresário de Roy Keane.

Andy Van der Meyde (Everton, ex-Inter). Depois de duas épocas irregulares em Itália, onde foi prejudicado por lesões, que estiveram perto de inviabilizar esta transferência, Van der Meyde, veloz extremo holandês, adaptável às duas alas, é o novo reforço do Everton, que pagou uma verba a rondar os 3 milhões de euros ao Inter, onde não entrava nas contas de Roberto Mancini para a nova temporada. O negócio possível, mas uma clara aposta falhada da formação de Milão, que, há dois anos, pagou 12 milhões de euros ao Ajax pela sua aquisição.

Sebastián Taborda (Deportivo, ex-Defensor de Montevideo). Como manda a tradição, o Deportivo foi a última equipa a inscrever um reforço, às 23:59 de 31 de Agosto. Contudo, nem a venda de Luque, permitiu ao clube galego apresentar o reforço de prestigio ansiado pelos adeptos para reforçar o ataque. A solução foi o semi-desconhecido Taborda, encontrado no Defensor do Uruguai, com o 'Depor' a pagar 2,9 milhões de euros, respeitantes a 70% do passe do jogador. A sua capacidade para se adaptar ao futebol espanhol é uma incógnita e a promessa de 25 golos já tem valido algumas gargalhadas nos rivais. Taborda, 1.92/84, é um avançado de área, limitado tecnicamente, mas extremamente poderoso fisicamente, destacando-se, sobretudo, pelo forte jogo aéreo, que lhe valeu 39 golos em quatro anos no principal campeonato uruguaio.

Lee Young-Pyo (Tottenham Hotspur, ex-PSV Eindhoven). Aquisição de última hora do Tottenham, para fazer face à saída de Erik Edman, por 3,2 milhões de euros, para o Rennes de Bölöni. A formação londrina investiu 2 milhões de euros na aquisição deste lateral-esquerdo, internacional coreano, capaz de fazer todo o corredor. Financeiramente ficou a ganhar, e, à partida, apesar da qualidade inegável do lateral sueco, desportivamente também parece uma excelente aposta. É que Lee é um lateral desequilibrador, forte com os dois pés, e bastante evoluido tecnicamente, muito forte nas assistências, sobretudo a partir de cruzamentos, para finalizações. Defoe, por certo, ganhou um grande aliado.

Fábio Rochemback (Middlesbrough, ex-Sporting). Contrariando as notícias divulgadas em Portugal, a direcção do 'Boro' divulgou que apenas investiu 1,5 milhões de euros na aquisição de Fábio Rochemback, que entraram directamente nos 'cofres' do clube leonino. Os restantes montantes ligados à transferência relacionam-se com poupança salários, já que o Middlesbrough assume-os integralmente, sendo que até aqui o Barcelona pagava 65% do seu salário anual, ficando os restantes 35% a cargo do Sporting. Forte aposta de Steve McLaren, o médio centro brasileiro irá assumir a coordenação do jogo ofensivo da equipa, ocupando o lugar deixado vago por Boudewijn Zenden, que rumou ao Liverpool.

Frank Songo'o (Portsmouth, ex-Barcelona B). Aquisição surpresa de Milan Mandaric, presidente do Portsmouth, do jovem internacional francês sub-19, filho de Songo'o e sobrinho de N'Kono, dois míticos internacionais camaroneses. Apesar de pouco possante, Frank Songo'o, adaptável a qualquer das alas, preferencialmente a direita, ou às funções de médio ofensivo, é um jogador que se destaca pela capacidade técnica e velocidade. O Portsmouth pagou 300 mil euros pela sua aquisição junto do Barcelona.

Abuda (Wolfsburgo, ex-Corinthians). Jovem brasileiro, de apenas 19 anos, foi descoberto pelo Corinthians na Juventus de São Paulo, depois de ter falhado a sua transferência para o Cruzeiro. Estrela da selecção brasileira que foi campeã do Mundo de sub-17 há dois anos, estreou-se, com 18 anos, na principal equipa do Timão, onde nunca chegou a impor-se como titular absoluto e, este ano, acabou por ser relegado para o banco dos suplentes. Em final de contrato com o clube, foi afastado da equipa principal, acabando por rumar para a Alemanha a troca de 300 mil euros. Médio ofensivo ou segundo avançado, precisa de ganhar consistência, mas trata-se de um jogador rápido, dotado tecnicamente e com boa capacidade de finalização.

Gladstone (Juventus, ex-Cruzeiro). Jovem central brasileiro, titular da selecção 'canarinha' no último Mundial sub-20, foi o reforço-surpresa da Juventus em fecho de mercado, depois de consumar a cedência do croata Igor Tudor ao Siena. Central possante, muito forte no jogo aéreo e com bom poder de desarme, mas ainda algo 'verde', chega à Juventus, através de um empréstimo de um ano, que renderá ao Cruzeiro, onde foi lançado na primeira equipa por Wanderley Luxemburgo em 2003, 150 mil euros, com opção de compra fixada em 2 milhões de euros a ter que ser concretizada até ao final da temporada italiana. Detentor de passaporte italiano, o seu nome próprio, bastante exótico, é assim explicado na primeira pessoa: 'A minha mãe disse-me que quando estava grávida leu um livro que gostou muito. O nome do autor era Gladstone, e na hora do parto ela optou por este nome'.

Abel Xavier (Middlesbrough, ex-AS Roma). Depois de alguns dias a trabalhar às ordens de Steve McLaren, o Boro decidiu avançar para a aquisição do defesa polivante português, dispensado pela AS Roma no início desta temporada. Decisivo para este desfecho foi a saída de Reiziger para o PSV Eindhoven, que abre também espaço para Abel Xavier na luta por um lugar a titular à direita da defesa. O regresso à Selecção, para além da titularidade no Boro, é o principal objectivo do jogador, que, aos 32 anos, conhece o seu 11º clube desde que se estreou no futebol sénior no Estrela da Amadora.

Mário Jardel (Ankara Spor, sem clube). O Nancy abriu-lhe as portas para o regresso ao futebol europeu, depois de passagens brancas pelo futebol brasileiro (Palmeiras), argentino (Newell's) e espanhol (Alavés), onde não se chegou a estrear. Chegou a três dias do fecho das inscrições, mas a formação francesa não se precipitou e pediu, atentendo ao facto de ser desempregado, mais duas semanas para tomar uma decisão. Christophe Maillol, o seu novo empresário, não perdeu tempo e colocou-o no Ankara Spor da Turquia em cima do fecho das inscrições. O que esperar de Jardel? Provavelmente, nada.

Marius Niculae (Standard Liège, ex-Sporting). Quando não aceitou a proposta de renovação do Sporting, que previa uma redução salarial drástica, afirmou estar a caminho de um clube italiano, o que não se concretizou. Só no último dia arranjou colocação, no Standard Liège, autêntica multi-nacional futebolística. A tarefa de se reencontrar com os golos promete ser árdua, já que o ataque da formação belga é bem dotado em soluções: Sambegou Bangoura e, sobretudo, o congolês Mohamed Tchité, bem alimentados por Sérgio Conceição, conduziram a equipa ao topo da classificação após quatro jornadas.

Diego Milito (Saragoça, ex-Génova). Contratado em 2003, pela Juventus e pelo Génova, em regime de co-propriedade, ao Racing Avellaneda, apontou 32 golos em época e meia, na Série B, pelo Génova. Foi a figura-chave da promoção do clube à Série A a época passada, mas a despromoção administrativa para a C1, abriu-lhe as portas de saída. Com muitos clubes interessados, concretizou o desejo de jogar ao lado do seu irmão (Gabriel Milito) no Saragoça, onde terá a difícil tarefa de fazer esquecer Villa, com um compromisso válido por duas temporadas, findo os quais regressará a Génova. É um avançado com grande instinto goleador, muito rápido e bem dotado tecnicamente, que poderá ser uma das boas surpresas do campeonato espanhol deste ano, ainda por cima num clube com poucas soluções ofensivas.

Mart Poom (Arsenal, ex-Sunderland). Aos 33 anos, este guardião, mais de 100 vezes internacional pela Estónia, chega a um grande clube, onze épocas depois da sua chegada ao futebol inglês. Contratado ao Sunderland, através de um empréstimo de um ano, a sua aquisição prende-se com o castigo de Lehmann, que o impede de actuar nas duas primeiras partidas da Liga dos Campeões. Resta saber se 'baterá' o espanhol Almunia na corrida pelo lugar.

David Bentley (Blackburn Rovers, ex-Arsenal). Depois do empréstimo ao Norwich City - 26 jogos, 2 golos - a época passada, esperava-se que fosse o ano de afirmação de Bentley na primeira equipa do Arsenal, e a pré-época deu boas indicações nesse sentido. Puro engano, já que Arsene Wenger optou pelo empréstimo deste médio ofensivo de 21 anos, capaz de jogar pelo centro ou nas alas, produto das escolas do clube. Em Blackburn terá oportunidade de ser mais utilizado e, sobretudo, tornar-se mais regular, pois é inegável o seu talento do ponto de vista técnico, faltando-lhe, contudo, consistência.

Dario Silva (Portsmouth, ex-Sevilha). Depois de duas épocas apagadas em Sevilha, viu-se condenado à lista de dispensas. O Portsmouth surgiu como solução, ainda que o avançado uruguaio, principal estrela da sua selecção do seu país no ante-Forlán, tenha sempre mostrado pouca vontade em deixar o clube andaluz, mesmo não jogando. Aos 32 anos, o seu rendimento em Inglaterra é uma incógnita: avançado rápido, agressivo e de remate fácil, atravessa uma fase negativa na sua carreira e veremos como o seu conhecido 'mau-feitio' se enquadrá na Premier League. Uma coisa é certa: chega a um clube que é uma autêntica multi-nacional de avançados - um uruguaio, um búlgaro, um norueguês, um croata, um francês, um zambiano e um congolês com nacionalidade inglesa.

Javier Portillo (FC Bruges, ex-Real Madrid). 'Tapado' em Madrid, Portillo aceitou novo empréstimo, depois de na época passada ter representado a Fiorentina, sem grande sucesso. O Bruges, que lhe permitirá jogar na Liga dos Campeões, não pagou nada ao Real Madrid, mas fica responsável pelos seus salários: 1,1 milhões de euros/ano. À chegada à Bélgica, prometeu reencontrar-se com os golos - em Itália apontou 4: 1 para o Campeonato e 3 para a Taça -, ou não fosse ele o melhor marcador da histórias da camadas jovens 'brancas'.
TAG: estádio de sítio , futegrafias , futeintAs últimas Movimentações do 'Mercado' (I)
quinta-feira, 1 setembro 2005

Benfica. Nem um 9, nem um 10 puro. Karagounis, ex-Inter, e Miccoli, ex-Juventus, são os dois reforços do Benfica, de qualidade inegável, que vêm alargar o lote de opções de Ronald Koeman, enquadrando-se perfeitamente em qualquer um dos três esquemas utilizados - 4x3x3, 4x2x3x1 e 3x4x2x1 -, até aqui, pelo técnico holandês: o internacional grego, numa posição interior ou como médio centro ofensivo ; o internacional italiano, como segundo ponta de lança ou descaído para um dos flancos, sobretudo o esquerdo, o que poderá motivar o regresso de Simão Sabrosa ao flanco oposto. Por resolver fica a questão do avançado de área, já que Nuno Gomes apenas tem a concorrência de Pedro Mantorras, que, até agora, não deu ainda uma resposta que permita ser uma opção fiável. Em caso de lesões, Koeman poderá ser obrigado a chamar uma alternativa à equipa B: Manuel Curto e Vasco Firmino serão, nessa eventualidade, as principais opções.
Quanto a saídas, José Veiga evitou que Simão Sabrosa se transferisse para o Liverpool, naquele que se tornou, com alguma surpresa, o tema do dia entre os 'encarnados', passando a apresentação de Miccoli e a não chegada de um '9' para segundo plano. O conjunto inglês oferecia-lhe o dobro do salário que actualmente aufere, e à 4ª proposta, chegou-se aos 18 milhões de euros, ficando a dois milhões do valor desejado pelos 'encarnados'. No plantel permanecem Bruno Aguiar e Carlitos, com muito poucas hipóteses de serem utilizados, apesar de se ter falado na hipótese de virem a ser emprestados.

FC Porto. Depois de Nuno Valente se ter transferido para o Everton, era aguardada a chegada de um novo lateral-esquerdo a Dragão. Apesar de Dedé, Jorge Luiz e, finalmente, Max von Schlebrügge, que chegou mesmo a deslocar-se ao Porto, terem sido os nomes mais falados, a escolha acabou por recaír sobre o jovem internacional eslovaco Marek Čech, capaz de desempenhar qualquer posto à esquerda, ainda que seja um lateral de origem. Suplente no Sparta Praga, tentará lutar por um lugar com César Peixoto e Leandro, podendo, caso Adriaanse o pretenda, jogar um pouco mais adiantado no terreno, sobretudo como ala, uma posição à qual Lisandro López tem sido adaptado.
Pelo segundo ano consecutivo, o FC Porto evitou a saída de Benni McCarthy para o futebol inglês no dia de fecho das inscrições, desta feita para o West Ham United, que ofereceu 9 milhões de euros pelo seu passe. O internacional sul-africano, que ainda não se estreou na Liga 2005/06, abandonou mesmo o estágio da sua selecção para rumar a Londres, onde aguardava pelo desfecho das negociações. Resta saber com que 'vontade' regressará ao Dragão. Definida ficou a saída de Marco Ferreira, jogador excedentário, que rumará ao Penafiel.

Sporting. Douala foi, durante o último mês, o jogador mais desejado pelo Middlesbrough, mas o clube inglês acabou por acertar a aquisição de Fábio Rochemback, uma perda de vulto para o Sporting, mas interessante do ponto de vista financeiro, pois acabou por render cerca de 3,5 milhões de euros aos cofres 'leoninos', quando, no final da época, o Barcelona voltaria a ter ao seu dispor a totalidade do passe do internacional brasileiro. O dinheiro encaixado na transferência acabou por ser determinante para concretizar dois dos principais desejos de José Peseiro na preparação desta temporada: o médio João Alves - 2,5 milhões de euros por 50% passe e contrato de três anos - e o extremo Wender - cerca de 1 milhão de euros e dois anos de contrato -, ambos oriundos do Sp. Braga. Com estas duas novas opções, José Peseiro continuará a ter opções para jogar no seu habitual 4x1x3x2, com a contratação de Alves, capaz de desempenhar funções à direita e ao centro do meio-campo ofensivo, a permitir a deslocação de João Moutinho para a posição central do meio campo ; mas também para ter alternativas para um 4x3x3, com dois flanqueadores, esquema testado na pré-temporada, como também para um arriscado 4x2x4, numa situação no marcador que não seja favorável ao Sporting. Resolvida ficou também a situação de Nuno Santos, que voltará a ser emprestado ao Penafiel, mas a transferência do central Hugo, que não entra nas contas de José Peseiro, ficou por resolver, apesar do interesse de um clube espanhol. O lateral polivalente Rogério era desejado pelo Santos, o que foi confirmado por Dias da Cunha, mas a sua transferência não foi consumada.

Sp. Braga. João Alves e Wender rumaram ao Sporting, o que correspondeu financeiramente à entrada de 3,5 milhões de euros nos cofres do clube bracarense, a que se adiciona a manutenção de 50% passe do internacional português, o que poderá ser relevante numa futura transferência do jogador. Desportivamente, o plantel do Sp. Braga fica menos forte, ainda que Wender desse sinais claros que não estava satisfeito, e, por isso mesmo, nem sequer fora opção diante do Penafiel, depois de falhar a primeira jornada por castigo. Contudo, as excelentes soluções disponiveis para o meio-campo, não obrigaram Jesualdo Ferreira a procurar um reforço de última hora para o sector intermediário, já que Sidney e Madrid (mais defensivos) ; Filipe, Gonçalves, Hugo Leal, Vandinho, Castanheira (interiores) ; Cândido Costa e Jaime Júnior (mais ofensivos), parecem ser soluções mais do que suficientes para continuar a abordar esta temporada com confiança. Para a esquerda surge Rossato como novidade, regressado a Portugal, por empréstimo da Real Sociedad. Apesar de menos desequilibrador do que Wender, é um jogador mais completo, que pode desempenhar qualquer posto à esquerda, e, apesar de surgir como opção para ala esquerda, onde lutará pela titularidade com Cesinha, poderá também suprir uma eventual baixa por lesão ou castigo de Jorge Luiz, o único lateral-esquerdo de raíz do plantel, e que tinha em Pedro Costa e no jovem João Cardoso, da equipa B, as eventuais alternativas. Para além disso, acrescenta poder de fogo - remate forte em bola corrida e bola parada - e também capacidade no último passe/cruzamento.

Vitória Guimarães. Desilusão no último dia de transferências: ao contrário do esperado não chegou qualquer reforço, apesar do desejo em dotar o plantel de mais um extremo (Marco Ferreira ou Carlitos) e um avançado. Assim, Dário, contratado a semana passada, foi a última novidade dos vimaranenses, podendo ser opção para Jaime Pacheco, quer para as alas, quer para o centro do ataque. Definida ficou a situação do jovem central Sereno - contratado ao Elvas e que será emprestado ao Famalicão -, enquanto que o médio ofensivo ganês Tiero ainda não conseguiu desbloquear o processo de transferência junto do exótico Asante Kotoko, o seu anterior clube.

Boavista. Dia positivo para os 'axadrezados', que concretizaram a aquisição dos dois jogadores, através de empréstimo, que faltavam para completar o plantel. Assim, Rui Duarte, ex-Estoril, suprirá a partida de Nélson para o Benfica, que vinha a ser colmatada com a adaptação de Manuel José ao posto, que assim fica liberto para regressar a posições mais ofensivas, quer como médio interior, quer como ala direito. O outro reforço é o médio ofensivo paraguaio Diego Figueredo, ex-Valladolid, melhor jogador do Pré-Olímpico sul-americano em 2004, que procura afirmar-se, definitivamente, no futebol europeu, colmatando a inexistência de uma alternativa a João Vieira Pinto, ainda que possa ser também actuar como médio interior esquerdo, o que permite a Carlos Brito utilizar o seu esquema preferido - 4x3x3 desdobrável em 4x1x2x2x1 -, para além do 4x2x3x1 que tem sido opção nestes primeiros jogos.
Em cima da hora limite para a conclusão do prazo de transferências, o Boavista acertou a venda do passe do médio brasileiro André Barreto, que rumará ao Wisla Cracóvia, futuro adversário do Vitória Guimarães na Taça UEFA.

Marítimo. A formação madeirense assegurou hoje duas aquisições: o guarda-redes Christopher Pilar, internacional pelas selecções mais jovens, formado nas escolas do Sporting, e que começou esta temporada no Felgueiras, que o contratara ao Torreense ; e o lateral esquerdo húngaro Miklós Gaál, de 24 anos, 1.81/78, ex-Pécs, que, a temporada passada, representou o Újpest e o Zalaegerszeg. Se Christopher será, em principio, utilizado na formação B, já Gaál será uma opção a ter em conta, pois Juca tem mostrado alguma indefinição na escolha do lateral-esquerdo, onde Evaldo e Briguel foram utilizados nas duas primeiras jornadas. Contudo, o valor do jogador, que parece mais talhado para acções defensivas, é uma incógnita, já que raramente se impos como titular até aqui. Entretanto, o Marítimo concluiu o processo de transferência do extremo internacional camaronês Antoine Ateba, que já poderá actuar, e procedeu à inscrição do avançado esloveno Damir Pekic, que havia sido colocado na lista de dispensados, mas beneficiou das saídas de Bibishkov para o Penafiel e de Ronaldo para o Apoel de Chipre.

Penafiel. Depois do avançado búlgaro Krum Bibishkov ter acertado, a semana passada, o seu ingresso no Penafiel, por empréstimo do Marítimo, o último dia de transferências permitiu que chegassem mais dois emprestados à formação duriense: Nuno Santos, emprestado pelo Sporting, que assim regressa ao clube que representou nas últimas duas épocas ; e Marco Ferreira, extremo-direito, emprestado pelo FC Porto, e que a temporada passada representou o Vitória de Guimarães. O primeiro, ao que tudo indica, lutará pela titularidade com Vinicius Martinez, guarda-redes brasileiro, contratado ao Camacha, que se impos neste início de época, enquanto que Marco Ferreira dará a Luís Castro uma importante solução para as alas, onde já contava com Jacques, Cristóvão e José Rui. Pelo caminho, ficou o empréstimo de Carlitos do Benfica. Em relação a saídas, apenas se confirmou a de Fernando Aguiar, que acertou a rescisão e rumou ao Gondomar, enquanto que o guarda-redes Carlos Germano e o avançado senegalês Mallo Diallo continuarão, pelo menos para já, a trabalhar com o plantel principal, já que não chegaram a um acordo para a rescisão dos contratos.

Gil Vicente. Ivanildo, do FC Porto, era o jogador desejado por Ulisses Morais para cobrir a vaga existente na ala esquerda do ataque, mas Co Adriaanse não autorizou o empréstimo. Assim, ficou por preencher esse lugar no plantel da formação de Barcelos, sendo que a solução deverá continuar pela adaptação de Carlitos ou Nandinho a essa ala, com Rodolfo Lima e o polivalente Williams a serem outras soluções possíveis.

Nacional. O médio ofensivo sérvio-montenegrino Darko Anic, apresentado a semana passada, e o extremo esquerdo Serginho Baiano, que regressou ontem à Madeira, são as novidades no plantel às ordens de Manuel Machado. Anic, de 31 anos, concretiza o desejo do treinador de contar com um médio de pendor mais ofensivo, mas o seu percurso futebolistico é extremamente irregular. Ultimamente representava os chineses do Shandong Luneng Taishan, depois de passagens pela Turquia, onde jogou no Siirt Jetpa Spor, pela Bélgica, onde representou KAA Gent e Club Brügge, pela divisão secundária da Alemanha, ao serviço do LR Ahlen, depois de na Sérvia-Montenegro ter representado o Borac Kacak, o Vojvodina Novi Sad e o Estrela Vermelha. Quanto a Serginho Baiano, regressa ao clube, depois de o ter abandonado em Janeiro passado, num processo algo complicado, que terá agora terminado. Resta saber a forma física em que se encontra, mas em boa condição será, certamente, uma excelente opção para Manuel Machado, já que não é só um jogador importante no último passe, como também um bom finalizador, dando maior qualidade ao flanco esquerdo do ataque, onde o treinador experimentou o jovem Pateiro e a adaptação do brasileiro Alonso nas duas primeiras jornadas. No tocante às saídas, fica por definir a situação do argentino Julio Marchant, que ainda não encontrou clube, ao invés de Leandro Salino, que ruma ao Camacha, e de Geufer, que representará o União da Madeira. O médio-centro Luis Manuel, ex-Leixões, inicialmente dispensado, foi reintegrado nos trabalhos da equipa e inscrito na Liga de Clubes.

Académica. O lateral-direito brasileiro Pedro Silva, de 24 anos, ex-Internacional de Porto Alegre, e há mais de dois meses apontado como possível reforço da equipa de Coimbra, foi a última aquisição da Académica. Nelo Vingada ganha assim um concorrente para Nuno Luís, que, desde a temporada passada, era a única opção de raíz para o lugar. O jogador, que se estreia no futebol europeu, foi formado pelo Palmeiras, onde se estreou como profissional, em 1998, com apenas 17 anos. Depois, representou o Figueirense (1999), antes de regressar ao Palmeiras (2000). Seguiu-se passagem pelo Vitória da Bahia (2001), retornando novamente ao Palmeiras (2002 a 2004) e, finalmente, o Internacional de Porto Alegre (2005). Entretanto, a Académica, já a pensar na reabertura de 'mercado' em Janeiro, analisa as potencialidades do avançado búlgaro Raycho Zhelyzkov Raev, de 21 anos, ex-Chernomorets Burgas. Por fim, referência para o interesse do Cruzeiro em Marcel, que mostra-se muito satisfeito com a possibilidade de regressar ao Brasil. Contudo, a Direcção da Académica está pouco receptiva a permitir a saída do jogador, nuclear no esquema de Nelo Vingada.

União Leiria. O médio interior esquerdo/ofensivo brasileiro Alberoni, de 21 anos (16/5/1984), 1.76/76, foi o último reforços dos leirienses para a nova temporada. Um dos maiores prodigios do futebol brasileiro nos últimos anos, foi contratado pelo Inter de Milão ao Vasco da Gama, com apenas 17 anos, depois de ter sido a principal estrela da Selecção brasileira de sub-17 em 2002. Contudo, a sua adaptação ao futebol profissional não tem sido fácil, e depois de dois anos ao serviço do Inter, onde jogou pela equipa 'primavera' e teve uma breve passagem, por empréstimo, pelo Brescia, o jogador conheceu cinco clubes no espaço de pouco mais do que um ano: o Bahia, onde apenas realizou um jogo ; o Barcelona B, onde apenas foi utilizado em jogos particulares ; o Independiente, da Argentina, onde não foi mais do que reserva ; o Paraná Clube, em que se repetiu a situação do clube argentino ; e, finalmente, o Avaí, o se clube anterior, onde se reencontrou com o bom futebol na Série B do Brasileirão. Apesar de ter refinado alguns aspectos defensivos na sua passagem por Itália, as suas características são sobretudo ofensivas: é muito dotado tecnicamente, forte no passe e no cruzamento, mostrando-se um bom executante de livres, pela precisão com que coloca a bola na área, para além de ter um remate muito forte de pé esquerdo, que utiliza, habitualmente, de fora da área. A sua aquisição garante uma importante opção para o meio campo ofensivo leiriense, onde José Gomes tem utilizado Lourenço, para fazer face às lesões de Harison e Miramontes, mas resta saber se é capaz de dar continuidade ao trabalho que vinha a desenvolver no Avaí. No tocante às saídas, Vargas, elemento excedentário do plantel, acertou a rescisão.

Paços de Ferreira. O lateral-direito Mangualde, de 23 anos, é o último reforço da formação de José Mota, completando uma lacuna do plantel, que tinha em Primo o único lateral de raíz. Contratado, esta época, pelo Felgueiras ao Oriental, onde realizou boas temporadas na 2ªDivisão, o jogador, formado nas escolas do Sporting, tem agora oportunidade de se estrear na divisão maior do nosso futebol. No que concerne às saídas, o avançado Nuno Sousa ruma ao Gondomar, enquanto que Ricardo André, que continua a recuperar de uma lesão, não encontrou uma solução para o seu futuro próximo.

Naval. O defesa-central Tiago Costa, de 18 anos, ex-FC Porto B, agradou a Manuel Cajuda, mas não foi inscrito a tempo, já que não conseguiu desbloquear alguns problemas burocráticos da sua desvinculação do FC Porto. Contudo, o jogador prosseguirá a trabalhar com o plantel figueirense, sendo certo que Manuel Cajuda já poderá utilizar os reforços brasileiros Wilson Júnior, Renato Benatti e Bruno Cazarine, que ainda não tinham recebido os certificados internacionais.

Estrela da Amadora. A formação da Reboleira procurou acertar a aquisição do médio interior esquerdo Castanheira, do Sp. Braga, mas apesar do acordo com o jogador, a saída de João Alves para o Sporting 'vetou' esta transferência. Entretanto, Hugo Morais e Hugo Careca foram dispensados. O primeiro rumou ao Barreirense, enquanto que o segundo representará o Tourizense. Por fim, na tarde de ontem, o Estrela procedeu à inscrição do avançado argentino 'Maxi' Estévez, já que o certificado internacional do jogador chegou, finalmente, a Portugal.
As últimas Movimentações do 'Mercado' (II)
quinta-feira, 1 setembro 2005
Liga de Honra
Estoril. Perdido Rui Duarte para o Boavista, os 'canarinhos' aproveitaram os últimos dias para completar o plantel. O médio Abel e o extremo William, de 21 anos, ex-Esporte Clube da Bahia, há quase um mês a trabalhar com o plantel, viram, finalmente, as suas inscrições serem completas, juntando-se as aquisições do experiente lateral-direito Marco Silva, ex-Odivelas, e do também lateral, mas adaptável a médio defensivo, Jack Perry, ex-Queens Park Rangers, que a época passada actuou emprestado ao Raith Rovers.
Beira-Mar. A formação aveirense concretizou a aquisição do ponta-de-lança brasileiro Jonathan, ex-Anapolina, que já há duas semanas trabalhava como plntel, que se junta ao seu compatriota Miran, também ele um homem de área, que, na última temporada, representou o Santa Clara, depois de passagens pelo Estrela da Amadora e Sp. Braga. Com excedente de jogadores a meio-campo, Augusto Inácio decidiu dispensar Loukima, que rumou ao Gondomar.
Marco. A equipa orientada por Moura da Costa concretizou ontem a aquisição do central André Oliveira, ex-Felgueiras, que na última temporada representou o Oliveira do Hospital, e do ponta-de-lança argentino Gonzalo Marronkle, ex-FC Porto B, que, esta temporada, teve uma breve passagem pelo Vitória Setúbal. Estes dois jogadores, juntam-se assim ao médio ofensivo brasileiro Thiago Leitão Polieri, que chegou a semana passada ao clube, oriundo do Jorge Wilstermann, da Bolívia. Por fim, o avançado Matheus, ex-Itabaiana, já foi inscrito e poderá jogar.
Desp. Aves. O avançado senegalês Raimund Mendy desapareceu, suspeitando-se que terá rumado a um clube turco, o que obrigou o Professor Neca a encontrar uma nova solução para o ataque. Trata-se do brasileiro Binho, de 23 anos, oriundo dos paranaenses do Cianorte.
Leixões. O extremo-esquerdo Brasília, ex-Sport Recife, que já passara pelo futebol português ao serviço do Belenenses, chegou finalmente a Portugal e está à disposição de Rogério Gonçalves. O extremo Pisco, produto das escolas do clube, foi emprestado ao Padroense, de forma a jogar com regularidade.
Maia. A formação maiata acertou a aquisição do experiente defesa-central Marco Almeida, formado nas escolas do Sporting, que se encontrava no Felgueiras, depois de uma passagem de um ano por Espanha, ao serviço do Ciudad de Murcia.
Olhanense. O médio defensivo, internacional camaronês, Nicolas Alnoudji, ex-Mons (Bélgica), é o último reforço da formação de Olhão. Contratado através de uma parceira com o empresário Lucídio Ribeiro, este jogador foi campeão Olímpico em 2000 e vencedor da Taça das Nações Africanas em 2002, ano em que integrou a lista de convocados para o Mundial de 2002, mas não participou em nenhuma partida. Contudo, a sua carreira tem sido marcada por lesões constantes e grande irregularidade, contando também com passagens pelo futebol turco, francês - chegou a ter contrato com o PSG -, e incursões pelo Qatar e Arábia Saudita.
Ovarense. A formação de Ovar concluiu o processo de reconstrução do plantel, inicialmente construido pelo brasileiro Mazola, substituido por Manuel Correia em cima do início da pré-temporada, com a chegada de três novos reforços todos oriundos do Felgueiras: o central brasileiro Edu, de 29 anos, que a época passada jogou no Paredes ; o médio ofensivo/extremo André Soares, de 20 anos, que em 2004/05 representou o Dragões Sandinenses, depois de ter feito a sua formação no Salgueiros ; e o ponta de lança luso-namibiano Gisvi, formado nas escolas do Sporting, e que, em 2004/05, alinhou pelo Lousada e pelo Desp. Fátima. Sem definição ficou a situação do avançado angolano Bruno Mauro, antigo jogador de Belenenses e Estrela Amadora, que 'roeu a corda' com o conjunto vareiro, para rumar ao futebol grego. Ao contrário, o médio ofensivo brasileiro Diego, que apesar de ter atrasado a sua chegada a Portugal, viu ser completado o seu processo de inscrição. Por fim, o avançado Marcial, ex-Pedras Rubras, que tinha sido dispensado por Manuel Correia, rumou ao futebol cipriota.
Portimonense. Foi ontem confirmada definitivamente a aquisição do médio ofensivo Rui Baião, que se desvinvulou do Gil Vicente, e já tinha um pré-acordo com a formação algarvia há duas semanas, para além da aquisição do médio-defensivo Ronaldo, que rescindira contrato com o Gondomar, clube que o contratou ao Felgueiras.
Santa Clara. Depois de um período de indefinição, o goleador brasileiro Hugo Henrique, manter-se-á no clube orientado por Mário Reis. Devido a problemas particulares, a formação de Ponta Delgada deixou de contar com o avançado brasileiro Evandro, um dos principais reforços para a nova temporada, que, no entanto, deverá regressar ao clube em Janeiro. O médio defensivo angolano Zuela, com quem Mário Reis não contava, rescindiu o contrato com o clube.
Barreirense. A equipa orientada por Rui Bento completou o seu plantel com a chegada de três reforços de última hora: o experiente médio interior Artur Alexandre, de 30 anos, que na última temporada representou o Académico Viseu, depois de várias temporadas ao serviço do Maia ; o médio interior/ala esquerdo Hugo Morais, que começou a temporada no Estrela da Amadora, e o avançado camaronês Emmanuel Ayuk, de 23 anos, vindo do Pelita Krakatau Steel, da Indonésia. Foi também confirmada a aquisição do central internacional angolano Kali, ex-Santa Clara, que vinha a treinar com o plantel desde o início da época.
Gondomar. Com a participação na Liga de Honra praticamente garantida, a formação orientada por Nicolau Vaqueiro aproveitou para reforçar o plantel, inicialmente construido para lutar pela subida ao escalão. O médio defensivo Fernando Aguiar, ex-Penafiel, e o avançado-centro Nuno Sousa, ex-Paços de Ferreira, de regresso ao clube, são as principais novidades. A estes junta-se ainda o médio centro congolês Loukima, dispensado pelo Beira-Mar, e os ex-júniores Bruno (médio) e Chico (avançado). De saída está Ronaldo, ex-Felgueiras, que rumou ao Portimonense.
Desp. Chaves. A formação flaviense, que ainda não tem definida a sua participação no campeonato, pois o Felgueiras apresentou um recurso em relação à sua despromoção, continua a fazer acertos no seu plantel. O médio Rodrigo, ex-Tourizense, onde actuou por empréstimo do FC Porto, é o mais recente reforço, juntando-se ao extremo nigeriano Samson, antigo jogador de Sp. Braga e Felgueiras, e ao avançado brasileiro Wegno, que regressou ao clube, após breve passagem pelo Marco. Também de regresso está o médio luso-americano Johnny David, depois de uma curta passagem pelos E.U.A..
La Liga: 2005/06
sábado, 27 agosto 2005

Barcelona

O Barcelona começou a nova temporada, como terminou a anterior: a ganhar. Venceu a Supertaça espanhola, diante do Bétis, apesar de ter perdido o segundo jogo em casa, após uma vitória excelente em Sevilha, depois de um Verão marcado pela serenidade, com várias renovações de contrato, inclusive do treinador, para além de não ter sofrido qualquer perda de vulto no seu plantel, que registou (apenas) duas incorporações pouco mediáticas: Mark van Bommel, médio centro internacional holandês, contratado ao PSV Eindhoven ; Santiago Ezquerro, extremo esquerdo internacional espanhol, contratado ao Athletic Bilbau, que, pelo menos de início, vão reforçar as soluções à disposição de Frank Rijkaard na altura de fazer substituições.
Assim, o campeão parte à conquista da revalidação do título, apostando na continuidade, o que o torna, à partida, no principal favorito. A equipa será a mesma, com Edmilson, após grave lesão, a recuperar o seu lugar à frente da defesa, abrindo uma única dúvida no eixo da defesa: Márquez ou Oleguer. No banco, aí sim, Rijkaard terá muito mais soluções, pois para além dos dois reforços, poderá contar com um trio de jogadores que esteve grande parte da época afastado por lesões: Motta, Gabri e Henrik Larsson. A estes ainda se juntam a esperança Iniesta e o argentino 'Máxi' López, a procurar afirmar-se e a justificar a oportunidade que lhe foi dada para permanecer no plantel, e, caso não seja emprestado, o jovem argentino Lionel Messi, uma das grandes esperanças do futebol mundial.
Para lá do êxito interno, o Barcelona procurará chegar até ao título europeu, depois de ter caído aos pés do Chelsea, de José Mourinho, nos oitavos de final da competição passada. A tarefa não será fácil, mas a formação catalã estará sempre entre os favoritos a chegar à final da competição.
Equipa-Tipo (4-3-3): Valdéz - Beletti, Puyol, Márquez (Oleguer), 'Gio' Van Bronkhorst - Edmilson - Deco, Xavi - Giuly, Eto'o, Ronaldinho.
Real Madrid

O que esperar do Real Madrid em 2005/06? Uma pergunta que levanta uma série de questões. As exibições da 'era Luxemburgo' não convenceram ninguém, mas os números do brasileiro não enganam: desde que assumiu o comando técnico do clube, o Real obteve mais pontos do que o Barcelona. Daí a 'carta branca' para construir o plantel para a nova época. Dois brasileiros: o 'galáctico' Robinho e o todo-o-terreno ofensivo Júlio Baptista ; dois uruguaios: o trinco 'batedor' Pablo Garcia e o central Carlos Diogo, oriundo do River Plate, são os novos reforços, aos quais se juntará, no final de Dezembro, o lateral brasileiro Cicinho, uma verdadeira ameaça para Michel Salgado, um dos homens fortes do núcleo de jogadores que não 'dançam' samba. Entre esses, a principal dispensa foi a de Luis Figo, que rumou, junto com Samuel e o 'injustiçado' Solari, para o Inter. Sobrou Owen, entre os excedentários, mas o seu futuro passará certamente por Inglaterra, isto se não quiser penar uma temporada entre o banco e a bancada. Se o plantel até parece mais equilibrado nos sectores mais recuados, há uma questão incontornável: Beckham, Zidane, Raul, Robinho, Júlio Baptista e Ronaldo não poderão jogar os seis em simultâneo, quem 'saltará' fora? E conseguirá Luxemburgo equilibrar a equipa com a utilização de cinco dos seis jogadores em simultâneo? Dúvidas, muitas dúvidas, que não deixam de colocar o conjunto 'branco' na linha da frente da luta pelo título, haja equilibrio, vontade de vencer e frescura física, pois, quem desequilibre, haverá certamente.
Equipa-Tipo (4-1-3-2): Casillas - Salgado, Helguera, Pavón, Roberto Carlos - Gravesen (Pablo García) - Beckham, Raul (Júlio Baptista), Zidane - Robinho (Raul), Ronaldo.
Villareal
Em ano de estreia na Liga dos Campeões - onde defrontará o Benfica -, depois de uma dupla vitória sobre o Everton na ronda preliminar, o Villareal, que continua a ser orientado pelo chileno Manuel Luis Pellegrini, surge ainda mais forte que na temporada anterior. O 'submarino amarelo', como é carinhosamente apelidado, deverá continuar a deliciar a Espanha e a Europa com o seu futebol requintado, até porque a grande aquisição para a nova temporada é Juan Román Riquelme, agora a título definitivo no clube, para além da manutenção do 'pichichi' Forlán, apesar do assédio de outros emblemas. A única saída relevante foi a do guarda-redes Reina, que rumou ao Liverpool, mas o jovem argentino Mariano Barbosa, ex-Banfield, apesar de alguma inexperiência, é um substituto à altura ou não fosse um dos mais promissores 'metas' argentinos. Assim, garantida a continuidade de toda a estrutura-base, Pellegrino reforçou o plantel com aquisições inteligentes: o lateral-direito Kromkamp, um dos frutos mais apetecidos do 'mercado' de Verão, reforça um dos sectores mais frágeis da equipa na época anterior, obrigando à partida de Armando Sá ; o médio-centro Tacchinardi, ex-Juventus, de 30 anos, vem dar mais consistência e experiência ao meio-campo defensivo ; o jovem médio ofensivo Luis António Valência, ex-Nacional Equador, é aposta do técnico e poderá, assim que complete o seu processo de adaptação ao futebol espanhol, ser uma agradável surpresa.
A aposta para a nova época passa por repetir a qualificação para a Liga dos Campeões, onde pretendem, este ano, chegar o mais longe possível, procurando também a intromissão na luta pelo título. Tarefa complicada é certo, até pelo desgaste que poderá provocar a estreia na prova rainha do futebol europeu, mas qualidade não falta ao 'submarino amarelo'.
Equipa-Tipo (4-4-2 desdobrável em 4-2-2-2): Barbosa - Kromkamp, Quique Alvarez, Gonzalo, Arruabarrena - Tacchinardi, Senna - Riquelme, Sorín - Figueroa, Forlán.
Bétis

Outro estreante na Liga dos Campeões, graças ao quarto lugar alcançado na temporada anterior, o Betis, do experiente Serra Ferrer, tem pela frente uma temporada dificil, tendo em conta a fasquia elevada pelos resultados do exercício anterior. A pré-época foi inconstante, mas a eliminação do Mónaco, permitindo a chegada à fase de grupos da Liga dos Campeões, onde encontrarão Liverpool (campeão em título) e Chelsea (um dos principais favoritos), concluiu-a em beleza, mesmo depois da perda da Supertaça espanhola para o Barcelona, ainda que tenham vencido o segundo jogo em Camp Nou. A aposta passou, claramente, na continuidade, com a estrutura da época passada a manter-se, o que já é um importante trunfo. Serra Ferrer conseguiu também libertar-se de dois problemas: Benjamin e Denilson, que não entravam nas suas contas, e reforçou o plantel com segundas linhas, que aumentam o seu leque de soluções. Assim, chegaram a Sevilha os defesas Nano, ex-Getafe, e Óscar López, ex-Barcelona, os médios Rivera, ex-Levante, Juanlu, ex-Numancia e Miguel Ángel, ex-Málaga, e o avançado Xisco, ex-Valência, faltando ainda a aquisição de um ponta de lança, a sair do lote Borges (Paraná), Cavenaghi (Spartak), Adebayor (Mónaco). Repetir um lugar nos quatro primeiros será complicado, tendo em conta o 'peso' da concorrência, mas certamente que o Betis estará na luta por um lugar europeu. No entanto, o desgaste da Liga dos Campeões, tendo em conta os exemplos recentes de Celta e Real Sociedad, terá que ser acautelado.
Equipa-Tipo (4-4-2): Doblas - Melli, Juanito, Rivas, Luiz Fernandez - Joaquin, Miguel Angel, Marcos Assunção, Rivera - Ricardo Oliveira, Edu.
Espanyol

Depois da milacorosa salvação pelas mãos de Luis Fernandez, em 2003/04, Miguel Angel Lotina, o seu sucessor, um técnico que está longe de gerar unanimidades em redor do seu trabalo, conseguiu qualificar a equipa para a Taça UEFA a temporada passada, só perdendo na última jornada a última esperança de chegar à Liga dos Campeões. Repetir a campanha do ano passado é dificil, mas não impossível, já que o Espanyol, apenas perdeu uma unidade chave: o criativo Maxi Rodriguez, que rumou ao Atletico Madrid, por 5 milhões de euros - reforçando-se fortemente. A principal aquisição é o médio criativo Pablo Zabaleta, campeão do Mundo de sub-20 pela Argentina, um jogadores sobre o qual recaem enormes expectativas. A estes juntam-se o lateral luso-moçambicano Armando Sá, os médios Jofre, ex-Levante, e Eduardo Costa, ex-Marselha, os alas Juanfrán, ex-Real Madrid, e Riera, ex-Bordéus, e o avançado Luis Garcia, ex-Maiorca. Gente de peso, que garante a Lotina muito mais soluções, apesar de uma pré-época manchada por uma série de derrotas e por problemas internos já resolvidos: os nucleares Pochettino, De la Peña e Tamudo, que estiveram em vias de abandonar o clube, vão permanecer.
Equipa-Tipo (4-2-3-1): Kameni - Armando Sá (Jarque), Lopo, Pochettino, David Garcia - Eduardo Costa, Ito - Juanfran, De la Peña, Zabaleta - Tamudo.
Sevilha

Depois de ter concluido a última temporada num 6ºlugar, apesar de ter lutado pela presença nos quatros lugares de acesso à Liga dos Campeões até à última jornada, o Sevilha, em ano de centenário, parte para a nova temporada com a ambição de fazer melhor do que na última temporada, apurando-se para a Champions, como também conquistando um troféu: a Taça do Rei ou a Taça UEFA.
Perdido Júlio Baptista para o Real Madrid, que pagou 24 milhões de euros pelo seu passe, e o técnico Caparrós para o Deportivo, depois de ter levado o Sevilha da segunda divisão à dupla qualificação para as provas europeias, a formação agora orientada pelo experiente Juande Ramos, com provas dadas no rival Bétis, garantiu, até ver, a continuidade do defesa Sergio Ramos, também desejado em Madrid, mas com uma cláusula proibitiva: 27 milhões de euros.
Em termos de reforços, houve investimento forte, sobretudo para o ataque: Luis Fabiano, ex-FC Porto, tem a derradeira prova de fogo às suas capacidades goleadoras no futebol europeu, contando, contudo, com a forte concorrência do francês Kanoute, contratado ao Tottenham por 6,5 milhões de euros, que se juntam ao luso-congolês Makukula, definitivamente recuperado dos problemas físicos que marcaram a sua temporada anterior.
Contudo, a aquisição mais mediática é a do argentino 'Conejo' Saviola, cedido pelo Barcelona, após época irregular no Mónaco. A estes juntam-se ainda o guardião Palop, ex-Valência, e o italiano Enzo Maresca, um médio de amplos recursos, contratado por 3 milhões de euros à Juventus, depois de ter actuado, por empréstimo, na Fiorentina, e que promete ser um importante complemento ao brasileiro Renato.
Equipa-Tipo (4-4-2): Palop - Alves, Sérgio Ramos, Javi Navarro, David - Jesus Navas, Marti, Renato, Saviola - Kanouté, Luis Fabiano.
Valência

Pouca margem para errar. Depois do 7º lugar a época passada e da perda na final da Intertoto diante do Hamburgo, a pressão é grande sobre Quique Sánchez Flores, um dos rostos da 'nova vaga' de técnicos espanhóis, com passagens pela formação do Real Madrid e pelo Getafe, ou não fosse a massa adepta do Valência a mais impaciente e irascível do futebol espanhol. Técnico de discurso elaborado, com o seu quê de poético, um pouco à imagem do ídolo Valdano, teve claros problemas em domar um balneário campeão, com jogadores-chave em baixa de forma e saudosos de Rafa Benitez. 22 milhões de euros foram investidos em aquisições com o objectivo de não só recolocar a equipa na Europa, como também de recuperar o título perdido para o Barcelona. Tarefa muito complicada a última, apesar do plantel ser claramente mais forte do que na temporada anterior. Perdido Sissoko para o Liverpool a troco de 7,5 milhões de euros, Flores reforçou o contingente luso no clube, com Miguel e Hugo Viana a juntarem-se a Marco Caneira. Se a titularidade do primeiro, assim que se reencontre, depois do 'Verão quente' que passou, é praticamente certa, já Viana, contratado para suprir a lesão grave de Edú, contratado ao Arsenal, terá muitas dificuldades para se impor devido à forte concorrência no centro do meio-campo. Para a frente do ataque chegaram a incógnita Kluivert, depois de época conturbada em Newcastle, e 'El Guaje' Villa, o grande reforço interno, ex-Saragoça. O uruguaio Regueiro, ex-Racing Santander, será a sombra de Vicente, cobrindo uma lacuna do plantel anterior, já que o brilhante canhoto teve época intermitente, muito por culpa de lesões.
Equipa-Tipo (4-4-2): Cañizares - Miguel (Caneira), Ayala, Marchena, Fábio Aurélio - Rufete, Albelda, Baraja, Vicente - Kluivert, Villa.
Deportivo

Ano de transição na Corunha, com o início de um novo ciclo, após o frustrante 8º lugar da última temporada, que levou à saída do treinador Javier Irureta - durante sete anos treinador do clube, onde conquistou um campeonato, uma taça do Rei e duas supertaças -, a que se juntou o fim de carreira dos dois resistentes do 'Super-Depor', Fran e Mauro Silva.
Joaquin Caparrós, protagonista da ressurreição do Sevilha no topo do futebol espanhol, foi o escolhido para a sucessão, arrancando para a nova temporada antes dos outros clubes, devido à participação na Taça Intertoto, que fica manchada pela pesada derrota em Marselha na final, deixando o 'Depor' fora da Europa pela primeira vez nos últimos anos. Técnico disciplinador e que aposta na 'cantera', irá, com isso, procurar suprir duas das principais lacunas do Depor nas últimas temporadas.
Quanto a reforços, o tempo é de 'vacas magras' na Corunha, ainda que a recente venda de Luque ao Newcastle, abra espaço para a chegada de novos reforços até à próxima quarta-feira. De Guzman, ala canadiano, ex-Hannover, e Juanma, defesa central, ex-Racing Santander, são os nomes principais, enquanto Caparrós espera pela aquisição de um ponta de lança, para se juntar a Diego Tristán e Ruben Casto. Com Jorge Andrade indiscutível no eixo central da defesa, o objectivo passa pela conquista de uma vaga na Champions, assim como por uma vitória na Taça do Rei.
Equipa-Tipo (4-4-2): Molina - Manuel Pablo, Coloccini, Jorge Andrade, Capdevilla - Victor, Sérgio, Duscher (Valerón), Munitis - Ruben Castro, Diego Tristán.
Athletic Bilbau

Perdidos Del Horno, para o Chelsea, e Ezquerro, para o Barcelona, o Athletic ficou órfão de duas das suas principais figuras na última temporada. José Luis Mendilíbar, um quase desconhecido, que realizou bom trabalho no Eibar, é a nova aposta para o comando técnico da equipa. Sem grandes nomes ao seu dispor, o técnico aposta em potenciar os recursos existentes e na descoberta de talentos nas divisões secundárias, construindo uma equipa para girar em torno do jovem ponta de lança Llorente, estrela maior da selecção espanhola de sub-20, onde Julen Guerrero, antiga referência da equipa, parece disposto a reaparecer ao mais alto nível esta época, ao lado de Yeste, que, apesar de muito pretendido, renovou o seu contrato com a formação de San Mamés. O objectivo é a qualificação para uma competição europeia, mas não se afigura fácil.
Equipa-Tipo (4-2-3-1): Aranzubia - Exposito, Prieto, Lacruz, Casas - Gurpegui, Tiko - Iraola, Yeste, Etxeberria - Llorente.
Malaga

Depois de uma época irregular, que começou torta com Gregorio Manzano, e foi-se endireitando com Antonio Tapia, o seu substituto, que conduziu a equipa até um tranquilo 10º lugar no final da temporada, o Malaga surge na nova época com baixas de vulto e várias indefinições. Fernando Baiano, o brasileiro que se revelou um verdadeiro reforço de Inverno, partiu para Vigo, e o português Duda, o grande desequilibrador da faixa esquerda, está 'cortado', por se ter negado a transferir para a Real Sociedad, já que o Malaga pretendia evitar a sua saída a 'custo zero' no final da temporada. O plantel, onde se mantêm Litos e Edgar, parece, à partida, algo curto em soluções, e os reforços não são muito estimulantes. Os avançados Salva Ballesta, ex-Atlético Madrid, e Richard 'Chengue' Morales, uruguaio, ex-Osasuna, são os principais nomes, mas as suas carreiras atravessam fases menos luminosas. A estes juntam-se ainda Bóvio, ex-Santos, e Pablo Couñago, um espanhol que actuava no Ipswich Town. Assim, não se esperam grandes feitos do Malaga na nova temporada. E, dificilmente, conseguirá escapar à luta pela fuga aos últimos lugares.
Equipa-Tipo (4-2-3-1): Arnau - Valcarce, Fernando Sanz, Navas, Gerardo - Romero, De los Santos - Juan Rodriguez, Nacho, Edgar (Luque ou Duda) - Salva Ballesta.
Atlético Madrid

O Atlético Madrid começa o ano quatro após a descida aos infernos - 2ª divisão - com muita ambição e existem motivos para que tal aconteça. Contudo, a história repete-se ano após ano, e os resultados continuam a estar bem longe da história do clube: um 7º, um 11º - a época passada - e um 12º lugar nas últimas três temporadas só não são desilusões maiores, devido à queda na divisão inferior em 1999/00, ano em que o Atleti apostava fortemente no título.
Com um novo treinador, o argentino Carlos Bianchi, dono de um currículo invejável, chegaram uma série de reforços, sobretudo para o ataque, onde definitivamente Fernando 'El Niño' Torres se sentirá menos sozinho: o búlgaro Petrov e Galleti, ex-Saragoça, reforçaram as alas, Máxi Rodriguez, ex-Espanyol, assumirá o papel de médio ofensivo, Kezman, ex-Chelsea, aumenta o poder de fogo, tudo isto a troco de 26,5 milhões de euros. A defesa, sector mais coeso da última temporada, sofreu poucas alterações, sendo que o meio-campo defensivo é, para já, a grande preocupação de Bianchi: Colsa, Luccin e o recuperado Gabi, revelação no Getafe, não preenchem os desejos do argentino, que pretende a contratação do seu compatriota Mascherano, actualmente no Corinthians, e que poderá ser o último reforço para a nova época. Que o Atletico Madrid apresenta-se muito forte não há nenhuma dúvida, resta saber se Carlos Bianchi conseguirá construir uma equipa capaz de corresponder aos anseios dos adeptos: lutar pelo título e por uma vaga na Liga dos Campeões.
Equipa-Tipo (4-4-2 desdobrável em 4-2-2-2): Léo Franco - Velasco, Perea, Pablo, Antonio Lopez - Maxi Rodriguez, Gabi, Luccin, Petrov - Fernando Torres, Kezman.
Saragoça

Uma incógnita. A pré-época foi fraca e pairam muitas nuvens negras sobre o futuro do Saragoça, que mantém Victor Muñoz no comando técnico, apesar de alguma contestação em torno do seu trabalho, mas perdeu as suas duas principais figuras: Villa, para o Valência, a troco de 12 milhões de euros ; e Galetti, para o Atlético Madrid, a troco de 2,5 milhões de euros. Contudo, apesar da forte entrada de capital financeiro, o investimento, até ao momento, não entusiasma. César, veterano guarda-redes, ex-Real Madrid, é a principal novidade nacional, a que se junta o avançado Sérgio Garcia, ex-Levante, contratado ao Barcelona. A nível internacional, o Saragoça investiu 3 milhões de euros na contratação do avançado brasileiro Ewerthon, ex-Borussia Dortmund, que chegou a ser falado para o Benfica. Celades e um avançado - Claudio 'Piolho' Lopez tem sido falado - devem completar, em breve, o plantel, que poderá sofrer ainda mais uma baixa de peso: o central argentino Milito, pretendido em Itália.
Equipa-Tipo (4-3-3): César - Ponzio, Alvaro, Milito, Aranzabal - Zapater, Movilla, Óscar - Everthon, Sávio - Sérgio Garcia.
Getafe

Depois do 13º lugar da temporada passada, o Getafe, orientado por Bernd Schuster, pretende repetir a época tranquila do exercício anterior. Muito forte a jogar no seu terreno, essa terá que ser uma força a manter na nova temporada, com um plantel construido atempadamente, com pelo menos duas soluções por lugar. É certo que o plantel sofreu duras perdas a meio campo, com as saídas de Gabi, para o Atlético Madrid, e de Raúl Albiol, para o Valencia, mas a lista de reforços é interessante, denotando a existência de mais soluções, com a aposta em muitos jovens. Entre as novas caras da formação de Schuster, destacam-se os irregulares Aníbal Matellán - central, ex-Boca Juniors - e Paunovic, regressado a Espanha, após passagem pelo futebol alemão, mas também nomes como os de Redondo, ex-Albacete, Contra e Nano, ex-Atlético Madrid, e Celestini, ex-Levante, ou futebolistas promissores como Gavilán, ex-Valência, Paredes, ex-Real Madrid ou o goleador Güiza, oriundo do Ciudad de Murcia. A manutenção é o objectivo e parece ser, à partida, alcançável, com maior ou menor dificuldade.
Equipa-Tipo (4-2-3-1): Luis Garcia - Cotelo, Belenguer, Matellán, Pernía - Diego Rivas, Celestini - Paunovic, Vivar Dorado, Nano - Güiza.
Real Sociedad

Depois do 2º lugar em 2002/03, a Real Sociedad nunca mais se encontrou e tem vivido com a corda na garganta. Com problemas financeiros, devido à má gestão do anterior presidente, a formação de San Sebástian surge fortemente renovada na estrutura do futebol, onde estão vários ex-jogadores, com particular destaque para José Mari Bakero, o novo responsável pela política desportiva do clube.
No entanto, são muitas as indefinições com que a Real se debate à partida para a nova época, com várias aquisições ainda para fazer: os brasileiros Michel e Tiago Quirino estão em vias de serem contratados, assim como há interesse no prodigio Messi, do Barcelona, o que poderá obrigar à dispensa de Rossato, para libertar vagas para extra-comunitários. Sem Karpin e Alkiza, que abandonaram o futebol, mas com o turco Nihat, que acabou por não sair, ansiava-se muito pelo regresso de Mikel Arteta, mas os problemas financeiros do clube, 'obrigaram' à sua venda definitiva ao Everton.
Para já, a manutenção é o único objectivo a que a formação de José Mari Amorrortu, que continua em funções, pode almejar, ainda que, sem reforços, não pareça nada fácil consegui-lo.
Equipa-Tipo (4-4-1-1): Riesgo - Cifuentes, Brechet, Labaka, Garrido - Garitano, Mikel Alonso, Gabilondo, Aranburu - Nihat - Kovacevic.
Osasuna

Finalista vencido da Taça do Rei, o Osasuna marcará presença na edição deste ano da Taça UEFA, apesar do modesto 15º lugar da última temporada. Com o El Sadar, mítico estádio do clube, a passar a denominar-se Reyno de Navarra nos próximos três anos a troca de 4,5 milhões de euros, a formação de Vasco Aguirre, que permanece em funções, perdeu vários dos seus principais jogadores: Pablo García (Madrid), Aloisi (Alavés), Expósito (Athletic), Sanzol (Albacete) e Chengue Morales (Málaga). Isso obrigou a uma profunda reestruturação da equipa, mas houve condições para investir no 'mercado'. Exemplo disso é a aquisição do argentino Bernardo Romeo, a título definitivo, ao Hamburgo, depois de ter feito a segunda volta da temporada passada ao serviço do Maiorca, para além do guarda-redes Ricardo, ex-Manchester United, que será o sucessor de Sanzol, e do médio defensivo uruguaio Marcelo Sosa, emprestado pelo Atlético Madrid, com a dificil missão de fazer esquecer Pablo Garcia. O principal objectivo é realizar um campeonato tranquilo, espreitando boas carreiras na Taça UEFA e na Taça do Rei.
Equipa-Tipo (5-4-1 desdobrável em 3x4x3): Ricardo - Izquierdo, Cruchaga, Cuellar, Josetxo, Corrales - Valdo, Puñal, Muñoz, Delporte - Romeo.
Racing Santander

Com dois 16ºs e um 17º lugar nas três últimas épocas, o Racing Santander tem-se dado bem com a corda na garganta. Esta época, parece inevitável mais uma luta titânica pela manutenção, ainda que seja um dos mais fortes candidatos à descida. Isto porque o plantel sofreu 14 saídas, perdendo grande parte da equipa titular, e a suas principais referências: Javi Guerrero (Celta), Regueiro (Valência) e Benayoun (West Ham). De regresso ao El Sardinero está, no entanto, o treinador Manolo Preciado, muito apreciado pelos adeptos, depois de sete anos no clube, entre a equipa B e a principal. Quanto a reforços o francês Stéphane Dalmat, contratado ao Inter de Milão, depois de uma época tri-partida entre Inter, Tottenham e Toulouse, é o principal reforço, ainda que apareça numa fase menos luminosa da sua carreira. Casquero, ex-Sevilha, e, sobretudo, Serrano, ex-Espanyol, são os outros nomes fortes da lista de aquisições, que, no entanto, não se deverá ficar por aqui: o chileno Reinaldo Navia, ex-América do México, e Kodjo Afanou, ex-Bordéus, deverão ainda reforçar o Racing até ao fecho das inscrições.
Equipa-Tipo (4-2-3-1): Aouate - Regragui, Moratón, Neru, Pinillos - Vitolo, Melo - Wilfried Dalmat, Serrano, Stéphane Dalmat - Aganzo.
Maiorca

Héctor Cuper arriscou e triunfou: salvou um Maiorca, em grave crise desportiva e financeira, da descida de divisão. Com estanheza para alguns, mantém-se em funções, apesar dos poucos recursos do clube para investir no 'mercado', que fazem com que o técnico argentino ainda espere até 31 de Agosto pela chegada de novos jogadores.
Entre todas estas limitações, pelo menos para já, o Maiorca não deverá aspirar a muito mais do que à manutenção. A estrela é, obviamente, o treinador, habituado a fazer grandes trabalhos sem grandes recursos, tirando partido da sua extraordinária capacidade para motivar um grupo de trabalho de jogadores trabalhadores e competitivos. Fiel ao colectivo e a concepções defensivas, Cúper terá, muito provavelmente, em Arango, o toque de classe a meio campo e o lançador das iniciativas de contra-ataque em que tanto aposta, sobretudo para tirar partido da velocidade do explosivo nipónico Okubo, figura da fase final da época passada.
Entre os reforços, à falta de grandes nomes, a aposta nos empréstimos de dois jovens dos 'grandes': o lateral Fernando Navarro, vindo do Barcelona, e do médio Borja, oriundo do Real Madrid. A estes juntam-se ainda dois argentinos: o central Tuzzio, ex-River, e o médio polivalente Gutiérrez, ex-Velez ; e o central, também adaptável à lateral, italiano, internacional sub-21, Alessandro Potenza, que se junta ao seu compatriota Iuliano e a Farinós, antigo colega no Inter.
Equipa-Tipo (4-1-3-2 ou 4-2-2-2): Toni Prats - Navarro, Potenza, Ballesteros, Maciel - Borja, Farinós - Peralta, Arango (Jonáas Gutiérrez) - Okubo, Victor.
Cádiz

O outro 'submarino amarelo'. De regresso à divisão maior do futebol espanhol, após doze anos de ausência, o Cádiz foi a primeira equipa a garantir a promoção. Entre 1985 e 1993, esta formação foi presença permanente entre os maiores, com a curiosidade de sempre escapar à descida na última jornada. Depois, seguiu-se à descida aos infernos, com vários anos na 2ªB, até regressar, há dois anos, ao segundo escalão. À partida, só um novo milagre conseguirá fazer com que o Cádiz escape à descida, ainda que o plantel tenha mantido os principais nomes - destaque para a dupla de avançados formada pelo veterano Oli e pelo croata Nenad Mirosavljevic, que deverão começar a nova época no banco - que garantiram a subida e tenha sido reforçado em todos os sectores, só que o pouco poder de compra não permitiu a chegada de aquisições de relevo. Entre os que chegaram, os maiores destaques são o veterano central Berizzo, ex-Celta, e o médio Benjamin, ex-Bétis, a que se junta o lateral português Mário Silva, que, na última temporada, representou o Huelva. Se a manutenção for alcançada, os adeptos entusiastas do clube poderão festejá-la como se de um novo título se tratasse.
Equipa-Tipo (4-2-3-1): Armando - Varela, Abraham Paz, De Quintana, Mário Silva - Fleurquin, Benjámin - Estoyanoff, Pavoni, Sesma - Medina.
Celta

Pouco mais de um ano chegou para o Celta de Vigo jogar na Liga dos Campeões, descer de divisão e consumar o regresso ao principal campeonato espanhol. A aposta para a nova época passa pela continuidade de Fernando Vázquez, um técnico com percurso irregular, que se mantem em funções. O plantel, ao invés, foi fortemente reestruturado, com várias saídas, como a do internacional português Capucho, e muitas aquisições, com todos os sectores a serem reforçados. Esteban, ex-Sevilha, reforça a baliza ; o internacional argentino Diego Placente é o grande reforço do sector recuado, onde se mantem o ex-sportinguista Pablo Contreras ; Jorge Larena, ex-Atlético Madrid, é a principal novidade no sector intermédio, também reforçado com o promissor brasileiro Roberto, ex-Guarani ; Nuñez, ex-Liverpool, e Javi Guerrero, ex-Racing Santander, são os reforços para as alas ; Jesus Rivera, ex-Maiorca, e Fernando Baiano, ex-Málaga, um dos frutos mais apetecidos do 'mercado de Verão' acrescentam poder de fogo ao ataque.
Com um plantel deste nível, espera-se que o Celtiña seja muito mais do que um simples concorrente à fuga da despromoção. Há quem sonhe, contudo, com um regresso à Europa, mas a primeira metade da tabela parece ser o mais seguro para o ano do regresso.
Equipa-Tipo (4-2-3-1): Esteban - Angel, Sergio, Contretas, Placente - Iriney, Roberto - Nuñez, Canobbio, Gustavo Lopez - Fernando Baiano.
Alavés

Depois de duas épocas na segunda divisão, o Alavés está de regresso à divisão maior. Liderado pelo excentrico e egocentrico Dimitri Piterman, o futuro da equipa passará, certamente, pelo equilibrio do seu humor, pois, como se sabe, é também ele o responsável pela elaboração do 'onze', apesar da existência do 'treinador-espantalho' Chuchi Cos. A pré-época, com o seu quê de cinemática, realizou-se na Califórnia, mas apesar de um plantel muito reforçado, os resultados não têm sido animadores. Sem grandes nomes - a principal estrela da equipa já vem da época passada, e é o possante avançado Bodipo -, destacam-se as incorporações de Wesley, ex-Penafiel, e de Antchouet, ex-Belenenses, depois de excelentes temporadas na última edição da SuperLiga, mas não parecem fazer, à partida, parte das primeiras opções. Contudo, é o experiente central argentino Pelegrino a principal aquisição, a que se junta o polivalente canhoto Jandro, ex-Celta, e o avançado internacional australiano John Aloisi, contratado ao Maiorca. O objectivo é a manutenção, mas a batalha será árdua.
Equipa-Tipo (4-2-3-1): Bonano - Edu Alonso, Tellez, Pellegrino, Poli - Astrudillo, Juanito - De Lucas, Nene, Jandro - Bodipo.
Portugueses no Mundo
terça-feira, 26 julho 2005
Mais um português no Chipre. Depois de Ricardo Fernandes e Daniel Kenedy terem rumado ao APOEL, 2º classificado no último campeonato, é agora a vez de João Paiva, que assinou pelo Apollon, 7ºclassificado em 2004/05, uma autêntica sociedade das nações futebolistica, já que reúne jogadores de cerca de uma dezena de países.
Formado nas escolas do Sporting e com passagens pelas selecções portuguesas mais jovens, João Paiva rumou há duas temporadas ao Marítimo, onde não saiu da equipa B. A época passada começou-a emprestado ao Sp. Espinho, mas acabou por ser dispensado em Janeiro - 1 golo, em 9 jogos - regressando à formação B dos madeirenses. Depois de ter estado à experiência nos holandeses do Rosendaal no final da época passada, surge agora a oportunidade de abraçar um novo projecto.
Em Itália, o lateral Ricardo Esteves rumou ao Vicenza, depois de uma época intermitente no Reggina (17 jogos/1 golo), da Série A. Um ou dois passos atrás na carreira do internacional esperança formado nas escolas do Benfica, de 25 anos, já que o Vicenza está na Série C1, embora mantenha a esperança de ser repescado para disputar a Série B.
Mário Loja e Rodolfo são outros dois novos emigrantes do futebol português, já que rumaram ambos à 2ªDivisão francesa. O defesa polivalente, ex-Beira-Mar, e que também já representou Boavista e Vitória de Setúbal, representará o US Créteil-Lusitanos, onde terá como colegas de equipa Saúl, Tavares e o goleador Rui Pataca. Já o médio defensivo, que já passou pelo Estrela da Amadora, FC Porto, Varzim e que não teve oportunidades a época passada na Académica, representará o Clermont Ferrand, recém-promovido ao escalão secundário, por onde também andam Marco Ramos, no Châteauroux, e Hélder Esteves, no Dijon. Na divisão maior do futebol francês, Paulo Costa, no Bordéus, e Delfim, no Marselha, procuram um lugar na primeira equipa, tarefa que se antevê como bastante complicada, enquanto que o jovem promissor Vasco Fernandes, defesa-central, ex-Olhanense, deverá ser utilizado na formação B do Bordéus, enquanto aguarda por uma oportunidade na primeira equipa. De regresso a Portugal deverá estar Filipe Teixeira. O médio do Paris Saint Germain foi dispensado, podendo a Académica ser o seu próximo destino.
Em Inglaterra, o extremo Fangueiro, ex-União Leiria, não convenceu Bobby Williamson, treinador do Plymouth Argyle, e nem sequer seguiu para o estágio que o clube realizou na Suécia. Melhor sorte teve o central Nuno Mendes, contratado pelos Pilgrims, depois de José Mourinho ter aconselhado a Williamson a sua aquisição: 'Ele é um jogador de Premiership'. Mendes terá como parceiro no eixo defensivo o nigeriano Taribo West.
Pouca sorte também teve o talentoso médio Livramento. Dado como novo reforço do AEK Atenas, onde chegou a treinar sob as ordens de Fernando Santos, foi obrigado a regressar ao Santa Clara, com quem, afinal, tinha ainda mais um ano de contrato. Ao invés, o jovem Hugo Pina, formado nas escolas do Belenenses e Sporting, viu serem-lhe abertas as portas do Córdoba, da 2ªdivisão espanhola. O médio defensivo, que protagonizou uma excelente época no Olivais e Moscavide, chamou a atenção de União Leiria e Sp. Braga, mas optou por rumar a Espanha com um contrato válido por três temporadas.
Por fim, os treinadores. José Romão já arrancou os trabalhos no WAC Casablanca, com o desejo de fazer coisas bonitas no Norte de África. As primeiras imagens, assim como as primeiras palavras do técnico responsável pela Selecção portuguesa nos Jogos Olímpicos 2004 estão disponíveis nas Fotopages do Terceiro Anel. Fernando Pires, também conhecido por Fanã, foi para a Ásia, onde treinará uma equipa da 1ªDivisão do Oman, depois de ter promovido o Sp. Covilhã à Liga de Honra.
Em cima do joelho
terça-feira, 5 julho 2005
A Federação Portuguesa de Futebol confirmou hoje que a 2ª Divisão B sofrerá uma remodelação no seu quadro competitivo já esta época. Para além de passar a designar-se 'Campeonato Nacional da 2ªDivisão', tal como acontecia antes da criação da Liga de Honra, passarão a existir quatros séries - A, B, C e D - em vez das três habituais: Norte, Centro e Sul.
Esta reestruturação prende-se com a alteração do quadro competitivo do futebol português, mas que criará já alguma confusão, com o desvio das equipas madeirenses para a série A e B, tradicionalmente mais fortes, ficando os emblemas açorianos na série C e D. Para além disso, esta situação irá provocar que três das séries contem com um número ímpar de clubes (15), o que implicará folgas semanais, sendo que apenas uma terá 16 clubes.
Refira-se que no final da temporada, apenas duas equipas subirão à Liga de Honra, o que deverá implicar uma série final entre os quatro campeões de série, algo que não é esclarecido pelo comunicado da FPF. Certo é também que do segundo escalão do futebol português cairão seis formações na 2ªDivisão, o que implicará que 1/3 dos participantes na próxima edição da Liga de Honra sejam despromovidos.
O sorteio desta renovada competição, que contará com 56 clubes e 5 equipas B, será realizado a 25 de Julho, na sede da FPF.
As transformações no Quadro Competitivo do futebol português

As leis de Co
domingo, 3 julho 2005
´A disciplina não pode ser absolutamente rígida´. A frase pertence a Co Adriaanse, que na manhã de amanhã dará o seu primeiro treino como técnico principal do FC Porto. Hoje, o jornal 'O Jogo' relata detalhadamente o código disciplinar do técnico holandês e rigidez será a melhor palavra para o definir: com o seu quê de ditador, Adriaanse, como prova a reunião caseira de ontem com todos os colaboradores do FC Porto - assessores de imprensa, médicos, roupeiros, olheiros, colaboradores técnicos e motoristas - parece, acima de tudo, preocupado em controlar tudo o que se passa à sua volta. Se o irá conseguir ou não, só o tempo o dirá. Mas, a partir de amanhã, no Olival, no Dragão ou em estágios, acabaram-se os telemóveis, os brincos, os piercings, os anéis, as extensões capilares, os bonés no refeitório e no balneário, os posters e fotografias nos cacifos, as caneleiras esquecidas no balneário, e até, ao que parece, as chuteiras multi-colores. Disciplina a quanto obrigas.
Vitória Setúbal: Norton de Matos e a viragem para França
quinta-feira, 30 junho 2005

Luís Norton de Matos fará a sua estreia como técnico na SuperLiga ao serviço do Vitória Setúbal, que lhe abrirá também a perspectiva de disputar as competições europeias. O Terceiro Anel propõe uma viagem pelo trajecto deste treinador multi-facetado, que nunca escondeu a sua predilecção pelo futebol argentino e francês. E tem sido o mercado francês uma das principais apostas do Vitória Setúbal para a construção do plantel para a nova temporada: conheça os reforços, os outros alvos, mas também as aquisições feitas por Norton de Matos no mercado francês, como director desportivo do Sporting e treinador do Sp. Espinho e Salgueiros.
O percurso como jogador

Luis Maria Cabral Norton de Matos, nasceu em Lisboa a 14 de Dezembro de 1953. Sobrinho-bisneto do General José Norton de Matos, grão-mestre da Maçonaria portuguesa e candidato à presidência da república em 1948, preso e exilado pelo antigo regime, Luis Maria cresceu sob essa sombra, que acabou por lhe dar algum destaque em termos de imprensa desportiva no início da carreira.
Depois de ter dado os primeiros passos nas camadas jovens do Estoril-Praia 'saltou', enquanto júnior, para o Benfica, onde se sagrou campeão nacional da categoria.
Em 1972/73 foi promovido à equipa sénior dos 'encarnados', mas não teve qualquer oportunidade na primeira equipa, rumando, na temporada seguinte, por empréstimo, à Académica, onde tentou, sem sucesso, ingressar no ensino superior.
Em 1974 regressaria à Luz, mas a falta de oportunidades acabaria por o levar a outros clubes: Estoril, Atlético e Belenenses, numa carreira em crescendo, que lhe abriria as portas do Standard Liège, emblema belga que representou entre 1978 e 1981, somando, em três épocas, 20 golos, em 87 jogos, entre Campeonato, Taça e Competições europeias.
Em 1981, regressou a Portugal, para representar o Portimonense, onde se manteve até 1984. Acabou por ser nessas três épocas um dos principais responsáveis pelas boas carreiras dos algarvios na divisão maior do futebol português, vencendo prémios de regularidade e de jogador do ano da imprensa desportiva nacional em 1981/82.
Em 1984, abandonou em litigio o clube, e apesar de se ter falado num eventual interesse do Benfica, assinou pelo Belenenses, onde jogou duas temporadas. O ponto final na sua carreira deu-se na Amadora, ao serviço do Estrela, em 1986/87.
Ao todo, foi internacional português em 8 ocasiões: 5 pela Selecção AA e 3 repartidas entre olímpicos, esperanças e júniores.
O percurso como treinador e director desportivo

Em 1989/90, Luís Norton de Matos iniciou a sua carreira como treinador no Atlético. Uma equipa maioritariamente composta por jovens, onde Camberra e Vinha viriam a ser os únicos jogadores a chegarem à divisão maior do nosso futebol. A estreia como técnico durou pouco, já que abandonou o clube ainda antes do final de 1989.
O passo seguinte foi a Selecção Nacional, onde viria a trabalhar com António Oliveira, na selecção de Esperanças, também sem grandes resultados. Em 1991 rumou ao Barreirense, acabado de cair na 2ªB, onde se manteve durante duas temporadas: na primeira época, não foi além de um modesto 11º lugar, seguindo-se um 3º lugar, em 1992/93. Do plantel, sem grandes nomes, acabaram por ser os centrais Fonseca e Duca, ainda em início de carreira, a atingirem maior projecção no futebol português.
Após abandonar o Barreirense, iniciou a temporada 1993/94 sem clube, mas rapidamente encontrou colocação: Quinito, com quem curiosamente trabalhará em Setúbal, foi despedido do Sp. Espinho após um decepcionante início de campeonato na Liga de Honra, mas Norton de Matos esteve longe de conseguir colocar o clube na rota do regresso à SuperLiga, acabando por cair num modesto 14º posto, com a manutenção apenas a ser garantida nas últimas jornadas. Na temporada seguinte, ainda em Espinho, promoveu uma reformulação no plantel, que conduziu a um campeonato tranquilo: 9º lugar final. Registam-se as suas apostas em dois talentosos jovens formados no clube - Pedro e Cardoso -, como também em Bolinhas e Artur Jorge, que, em conjunto, valeram 23 golos em 1994/95.
Terminado o campeonato, Norton de Matos decidiu fazer uma pausa no trabalho como técnico e aceitou um convite de Pedro Santana Lopes para assumir o cargo de Director Desportivo do Sporting, com a anuência de Carlos Queirós, na altura treinador. Manteve-se no cargo durante cerca de dois anos e meio, já que em Novembro de 1997, após divergências com Simões d'Almeida, na altura 'braço direito' de José Roquette, saiu do clube.
Meses mais tarde, regressaria ao Sporting, já sem Simões d'Almeida, e com José Couceiro, o seu 'sucessor', a ver o seu cargo esvaziado após o despedimento de Carlos Manuel. Com o pomposo cargo de Consultor para o Futebol, Norton de Matos manter-se-ia em funções entre o Verão de 1998 e Abril de 1999, saindo do clube ainda antes do final de (mais) uma época má em termos desportivos, onde várias das suas apostas na prospecção se revelaram um fracasso.
Ao longo do seu trajecto no Sporting, em que o êxito desportivo resume-se à conquista de uma SuperTaça, foi o principal responsável pelas apostas em Waseige e Jozic, que estiveram longe de resultar, mas também, segundo o próprio, numa entrevista ao jornal 'Record', em 2000, pela aquisição de 26 jogadores, nos quais o Sporting investiu cerca de 6,3 milhões de contos, mas obteve lucros na ordem dos 3 milhões de contos, já que a venda de 20 deles permitiram o encaixe de 9,3 milhões de contos. Contas, no mínimo, discutiveis, se analisarmos as 36 aquisições - e não 26 - feitas pelo Sporting com Norton a desempenhar os cargos de Director Desportivo e Consultor para o futebol.
Eis os nomes: Acosta, Afonso Martins, Assis, Balajic, Bino, Carlos Miguel, César Ramirez, De Wilde, Delfim, Dominguez, Duscher, Gil Baiano, Gimenez, Hadji, Heinze, Kmet, Krpan, Lang, Leandro Machado, Luis Miguel, Marcos, Mauro Soares, Misse Misse, Nélson, Nenê, Ouattara, Paulo Alves, Pedro Barbosa, Pedro Martins, Quim Berto, Quiroga, Saber, Skuhravy, Tiago, Vidigal, Vinicius. (não contando com Hanuch e Viveros, jogadores referenciados por Norton de Matos, mas já contratados após a sua saída do clube).
Após uma paragem de mais dois anos, assumiu, no Verão de 2001, o comando técnico do Sp. Espinho, retomando a sua carreira de treinador, curiosamente no clube que abandonara para rumar a Alvalade. As expectativas eram elevadas, com uma aposta muito forte no mercado francês e argentino, dois dos seus 'eternos' alvos preferenciais, mas que acabou por se revelar um verdadeiro fracasso. A temporada foi decepcionante, com Norton de Matos a abandonar o clube, na zona de descida, à 25ª jornada. Formosinho, futuro responsável pela equipa B do Vitória de Setúbal, foi quem lhe sucedeu à frente dos 'tigres', mas não conseguiu evitar a descida do Sp. Espinho à 2ªB.
Depois de nova paragem, de cerca de um ano, foi convidado para assumir o comando técnico do Salgueiros, também na Liga de Honra, na recta final do campeonato 2002/03. Depois de ter andado semanas consecutivas na liderança sob o comando técnico de Carlos Manuel, a equipa entrara numa trajectória descendente, mas ainda estava perto da zona de subida. A substituição foi desastrosa, e o Salgueiros acabou por se afundar na 9ª posição, acumulando derrotas. A nova época marcou uma profunda remodelação no plantel, com a aposta em muitos jovens, que acabou por resultar: 6º lugar, e o lançamento de alguns talentos, como Nélson, actualmente no Boavista, e Fábio Hempel, que se viria a sagrar melhor marcador da prova.
A boa prestação, valeu-lhe a renovação do contrato para 2004/05, época que foi atempadamente preparada, com novas apostas em jovens promissores: José Fonte, Flávio e Heitor, que acompanharão Norton em Setúbal, onde já está o guarda-redes Moretto contratado pelo Salgueiros no Verão de 2004, mas também jogadores como Ricardo Pateiro (futuro jogador do Nacional), Ricardo Jorge (futuro jogador do Rio Ave) e Igor (fará a pré-época do Boavista).
Só que a 13 de Julho de 2004, a Liga Portuguesa de Futebol Profissional despromoveu, por dívidas, o Salgueiros à 2ªB, assistindo-se a uma debandada de jogadores, que levaram Norton de Matos a abandonar o comando técnico do clube em Agosto.
Depois de um ano de paragem, segue-se a estreia na divisão maior ao serviço do Vitória Setúbal, que lhe permitirá também o seu debute, como técnico, em competições europeias. À sua espera um trabalho complicado, dadas as inúmeras saídas e também porque a fasquia - depois de uma época positiva, abrilhantada pela conquista da Taça de Portugal - está alta.
Tacticamente, costuma apresentar as suas equipas em 4x2x3x1, não muito diferente do esquema utilizado pelos sadinos na última temporada.
O primeiro futebolista 'cor-de-rosa'

Multi-facetado, Norton de Matos viveu também experiências na área do jornalismo, quer escrito, quer televisivo, como experimentou o cinema, a televisão, a moda e a publicidade, que lhe permitiram ser o primeiro (ex-)futebolista a ter uma presença assídua nas publicações cor-de-rosa.
Ainda como jogador, no final da década de 70, Luís Norton de Matos foi colaborador do jornal 'Record', aproveitando a sua experiência no futebol belga. Já em plena década de 80 foi fundador e director da revista FOOT, publicação de referência, que viria a abandonar no início da década de 90. Passou depois pelo Semanário e pela TVI, como comentador, antes de ingressar no Sporting como director desportivo. Após a sua primeira saída de Alvalade, e antes do seu regresso, foi cronista do jornal Público durante o Mundial de França. Depois de abandonar, de forma definitiva, o Sporting, em 1999, foi cronista do 24 Horas, director do jornal online Desporto Digital e comentador da RTP, onde chegou a ser afastado por algum tempo, depois de Luis Duque, na altura presidente da SAD do Sporting, o ter acusado de ser 'um empresário que se esconde nas funções de jornalista', após um alegado aliciamento a jovens jogadores dos 'leões'. Mais recentemente, voltou a colaborar como comentador da TVI, no Euro 2004, e do jornal 'Record', durante a temporada 2004/05.
Mas não só no jornalismo Luis Norton de Matos fez incursões: passou também pela publicidade e trabalhou como actor, em séries televisivas e no cinema, onde participou em três filmes de Joaquim Leitão: 'Voltou', 'Resgate' e 'Ao fim da noite'.
As 'aquisições francesas' de Norton

Afonso Martins. A sua chegada a Alvalade coincidiu com a de Luis Norton de Matos. Afonso, na altura com 22 anos, era há duas temporadas titular do Nancy, da 2ªDivisão francesa, rumando a Alvalade, apesar do interesse de outros clubes portugueses. Esteve sete anos no Sporting, mas depois de nas primeiras três temporadas ter sido utilizado de forma irregular, passou quatro épocas na 'prateleira', realizando apenas dois jogos pela equipa principal. Depois de uma boa época na equipa B, rumou ao Moreirense, de onde saltou para o Vitória Guimarães, onde realizou uma temporada abaixo das expectativas. Na última época regressou a Moreira de Cónegos, sem o sucesso da primeira passagem.

Mustapha Hadji. Médio ofensivo, chegou ao Sporting, em 1996, após várias épocas, de grande nível, no Nancy, onde actuara com Afonso Martins. Internacional marroquino, pegou de estaca em Alvalade, e apesar de alguma irregularidade exibicional, acabou por ser uma das unidades de maior rendimento em 1996/97. A época seguinte, ainda a começou de 'leão' ao peito, mas, em Dezembro de 1997, accionou a cláusula de rescisão para rumar ao Deportivo la Coruña, após o Sporting ter rejeitado uma melhoria no seu contrato. Um processo polémico que acabaria por render aos cofres verde-brancos 1 milhão de contos. Após um ano em meio em Espanha, onde não se afirmou, rumou ao futebol inglês, onde representou Coventry - com sucesso - e Aston Villa. Sem espaço no Villa, acabou por rumar, a meio da época 2003/04, ao Espanyol, onde marcou 2 golos, em 16 jogos.

Didier Lang. Formado nas escolas do Metz, onde surgiu na primeira equipa em 1989, foi conquistando espaço, assumindo-se como titular em 1992. Chegou a Alvalade, no Verão de 1997, a custo zero - mas com luvas de ouro -, depois de uma excelente época na 1ªdivisão francesa, em que marcou 4 golos, em 35 jogos. Ao serviço do Sporting, afirmou-se no início da temporada com Octávio Machado, assumindo-se como um jogador importante na transformação de lances de bola parada, o seu ponto mais forte, como o demonstrou, com duas assistências, na histórica vitória por 3-0 ao Mónaco na Liga dos Campeões. No entanto, foi perdendo espaço na equipa, ao evidenciar poucos argumentos em bola corrida, e acabou por ser afastado da equipa, devido a problemas disciplinares, por Cantatore. Carlos Manuel, quando chegou a Alvalade, ainda lhe deu uma oportunidade, mas o jogador voltou a evidenciar um carácter truculento e foi afastado. Regressou a França, onde passou por Sochaux, Troyes, Metz e Le Mans, cumprindo uma trajectória decrescente.

Frédéric Marguet. Guarda-redes francês, foi contratado para o Sp. Espinho em 2001/02, oriundo do Valence, onde actuara nas três épocas anteriores, depois de ter surgido no Louhans-Cuiseaux. Não foi utilizado em nenhum jogo da Liga de Honra e acabou dispensado no final da temporada. Regressado a França, passou por dois clubes da CFA 1 (equivalente à nossa 3ªDivisão) e 2 (distrital): o Avion e o Meaux CS, onde esteve nas duas últimas temporadas. É apontado, pela imprensa francesa, como possível reforço da Ovarense ou do Moreirense.

Harry Ntimban-Zeh. Possante defesa-central francês, foi contratado pelo Sp. Espinho em 2001/02, após o fracasso do argentino Juan Brown, que seria dispensado ao Barreirense. Formado nas escolas do Racing Club Paris, passou depois pelo Calais, Bologne, Dijon, até chegar a Portugal, semanas antes de completar 28 anos. Apesar da má campanha dos 'tigres', acabou por ser dos jogadores mais regulares, prolongando o seu vínculo contratual. Manteve-se ligado ao Espinho até metade da época 2003/04, altura em que se transferiu para o Wimbledon, clube pelo qual realizou 10 jogos. Na última época manteve-se em Inglaterra, representando o Milton Keynes Dons da Coca-Cola Football League One, pelo qual efectuou 11 jogos, sempre como titular.

Julien Vellas. Polivalente canhoto, adaptável a lateral, volante ou médio ala, produto das escolas do Nîmes, onde foi promovido à primeira equipa em 1999. Sem grandes oportunidades, rumou, com 20 anos, em 2001/02, ao Sp. Espinho, engrossando o contingente francês. Realizou uma temporada regular, apontando 1 golo, em 28 jogos. A principal mancha, para além do rendimento colectivo, foram os dois cartões vermelhos que viu no decorrer da prova. Regressado a França, tem vindo a fazer carreira no National, equivalente à nossa 2ªB: primeiro no Alês, depois no Raon-l'Etape, onde totalizou 4 golos, em 63 jogos, nas duas últimas temporadas.

Karim Belhocine. Médio ofensivo francês, de origem magrebina, teve uma passagem sem chama pelo futebol português, onde apenas realizou 4 jogos pelo Sp. Espinho, em 2001/02. Oriundo do Vaulx-en-Velin, regressou a França após jogar em Portugal, representando clubes da CFA: o Forbach e o Trélissac.

Karim Benkouar. Formado nas escolas do Nimes, onde se estreou na primeira equipa em 1999, este internacional olímpico marroquino, que marcou presença nos Jogos Olímpicos de 2000, chegou a Espinho em Dezembro de 2001, com muitas expectativas em seu redor, já depois de uma breve passagem pelo Panionios da Grécia. Extremo-direito, cujo principal predicado era a velocidade, não se adaptou ao futebol da Liga de Honra, apenas realizando 4 partidas, tendo, mesmo assim, marcado um golo. Regressou ao Nimes, onde realizou uma temporada intermitente na National 1, acabando por ter dificuldades em encontrar clube em 2003/04. Passou pelo Penafiel, à experiência, acabando por rumar ao Paredes, da 2ªB, onde acabou a temporada.

Hypolite Koueto Tagro. Avançado veloz e bastante móvel, natural da Costa do Marfim, fez, no entanto, a sua formação em França, nas escolas do Paris Saint Germain. Depois de representar a equipa secundária do principal clube de Paris, saltou para o Sp. Espinho, onde apontou 4 golos, em 25 jogos, na temporada 2001/02. Dispensado no final da temporada, rumou ao Louletano, onde deu nas vistas, com Norton de Matos a apostar novamente na sua aquisição, desta feita para o Salgueiros. Não se impos em Paranhos, onde apenas efectuou 3 jogos em 2003/04, e depois de algumas dificuldades em arranjar colocação, regressou ao Louletano, em Dezembro de 2004, reforçando o sector ofensivo da formação algarvia.

Hamid Rhanem. Extremo francês, de origem marroquina, actua preferencialmente pela esquerda. Contratado pelo Desp. Aves ao modesto Salbris, da CFA francesa, foi aposta de Norton de Matos, em 2003/04, para o Salgueiros. Protagonizou boas exibições, apontando 3 golos e realizando várias assistências para Fábio Hempel. Foi contratado pela Naval, contribuindo com 3 golos, em 23 jogos, para a subida à SuperLiga do emblema da Figueira da Foz. O seu futuro, para já, é uma incógnita.
França: Apostas sadinas para 2005/06

Mamadou Diakité. Médio defensivo maliano, de 20 anos (22/5/1985), 1.75/72, ex-Metz B, fez a sua formação no futebol francês. Internacional sub-20 pelo seu país, marcou presença no Mundial da categoria em 2003, onde foi apenas utilizado na última partida da primeira fase diante da Argentina. Na altura, representava a formação secundária do Cannes, mas, no Verão de 2003, rumou ao Metz. Nos dois anos que esteve no clube, acabou por nunca ter uma oportunidade na equipa principal, alinhando pela equipa secundária, que disputou o campeonato da CFA, equivalente à nossa 3ªDivisão. Em 2004/05 nem sempre foi titular, actuando apenas em 11 jogos. É um médio defensivo, especialmente talhado para missões de contenção e de marcação, bastante agressivo e eficaz na recuperação de bola.

Siramana Dembelé. Médio francês, bastante polivalente, de 27 anos (27/1/1977), 1.70/70, ex-Nîmes. Com uma carreira construída nas divisões inferiores francesas, Dembelé foi o escolhido para suceder a Sandro no centro do meio campo sadino. No entanto, a sua primeira oportunidade como profissional surgiu no Paris Saint Germain, onde, com 17 anos, chegou a treinar-se com a equipa principal, cruzando-se com Ginola e Weah, dois dos seus heróis, a seguir a Pelé, o seu ídolo. Sem espaço na equipa principal do PSG, acabou por rumar ao Villiers le Bel, onde actuou por duas vezes, intervaladas por uma passagem pelo St-Denis. Mas seria no Les Lilas, um clube modesto da CFA, que representou durante quatro épocas, que conseguiria algum destaque: capitão de equipa, considerado um dos melhores jogadores da divisão, chegou a ser observado por várias equipas da Ligue 1, com o Auxerre a adiantar-se na corrida pelo seu concurso. Contudo, acabou por optar por rumar ao Alès, onde esteve um ano, seguindo para o Cannes, e, na época passada, para o Nîmes, onde marcou 5 golos, em 36 jogos, na National 1, equivalente à nossa 2ªB. Médio centro, é facilmente adaptável a várias posições no centro do terreno: no Les Lilas actuava mais como médio ofensivo, mas tem vindo a recuar no terreno, podendo jogar como médio mais defensivo, a interior ou como segundo médio defensivo, num esquema de 4x2x3x1. Mesmo que sem uma grande estampa física, trata-se de um jogador com grande 'pulmão' e capacidade de liderança, que defende bem e trabalha bastante para a equipa, mas que sabe sair para o ataque, conduzindo e distribuindo jogo com qualidade. Para além disso, é um jogador que tenta, várias vezes, os remates de fora da área.

Grégory Lacombe. Médio ofensivo francês, internacional sub-18 e sub-21, de 23 anos (11/1/1982), 1.64/58, ex-AS Monaco. Formado nas escolas do clube monegasco, Lacombe foi presença regular nas selecções mais jovens da França. Em Fevereiro de 2000, com apenas 18 anos, teve oportunidade de se estrear pela primeira equipa do Mónaco, participando numa partida diante do Lyon, que lhe permitiu sagrar-se campeão de França em 1999/2000. Continuou ao serviço do clube mais duas temporadas, mas as oportunidades foram poucas: 11 jogos, 1 golo. No Verão de 2002 foi emprestado ao Ajaccio, onde viria a jogar duas temporadas. Na primeira, realizou um campeonato de bom nível, apontando 5 golos, em 29 jogos, decisivos na manutenção do clube na divisão maior francesa ; na segunda, caiu de produção, apontando 2 tentos, em 21 partidas. No Verão passado regressou ao AS Mónaco, com expectativas de vir a ser mais utilizado, o que acabou por não acontecer: não fez qualquer jogo pela equipa principal, jogando pela equipa B, que disputou a CFA, pela qual realizou 18 jogos, apontando 5 golos. Trata-se de um médio ofensivo, que actua preferencialmente aberto nas alas, de preferência à esquerda, mas também à direita, podendo também desempenhar as funções de 'nº10'. Apesar de ser bastante limitado em termos físicos, trata-se de um jogador muito rápido e dotado tecnicamente, com qualidades no passe e também um bom marcador de livres. Os seus pontos mais fracos são, dada a sua baixa estatura, o jogo aéreo e alguma falta de agressividade em termos defensivos, já que é um jogador pouco dado a correr atrás da bola.
Lacombe: Estatísticas 2002 a 2005

Golos ao detalhe: 7 golos, 5 em solitário, 1 bis, 4 golos na primeira parte, 3 golos na segunda parte, 2 golos em casa, 5 golos fora de casa, 1 golo a partir do banco
Vitória Setúbal: Prospecção francesa para 2005/06

Julien Benhamou. Defesa polivalente francês, de 27 anos, 1.80/72, do Nîmes, onde foi titularíssimo na última época. Com uma carreira construida nos escalões inferiores, já representou também Grenoble FC, Norcap Grenoble, Aurillac e Pau. Faz qualquer posto do sector defensivo, actuando, de preferência, nas laterais, mas pode também jogar no centro da defesa ou como médio ala. Consistente em termos defensivos, é também um jogador com qualidades nos cruzamentos, quer em bola corrida, quer em bola parada.

Jean-Pascal Yao. Defesa central, de 27 anos, 1.88/76, também do Nîmes, clube com o qual acabou contrato no final desta temporada. Com largo percurso nos escalões secundários, já representou o Valence, o Grenoble e o Saint-Ettiene, tendo chegado ao Nîmes em 2003, onde somou 52 jogos nas duas últimas temporadas. Central habitualmente de marcação, é um jogador agressivo, forte fisicamente e com bom jogo aéreo.

Alain Cantareil. Polivalente canhoto, de 21 anos, 1.78/70, formado nas escolas do Marselha, esteve, na última temporada, emprestado ao Nîmes, clube pelo qual fez 29 jogos, marcando um golo. Faz com facilidade qualquer posto no flanco esquerdo, podendo actuar como lateral, volante, médio ala ou mesmo como médio interior.

Thibault Giresse. Médio ofensivo, filho de Alain Giresse - uma das maiores estrelas do futebol francês na década de oitenta -, de 24 anos, 1.72/65, jogador do Toulouse. Actua preferencialmente à esquerda, como ala, ou no centro do terreno, como 'nº10', tratando-se de um jogador canhoto, de processos simples, com um excelente remate, quer em bola corrida, quer em bola parada. Depois de um início de carreira, ao serviço do Toulouse, que augurava voos mais altos, ajudando a conduzir, com 14 golos - 8 em 01/02, 6 em 02/03 - a sua equipa da National 1 à Ligue 1, o jogador não se conseguiu afirmar na divisão maior francesa, e foi emprestado ao Le Havre. Na última época regressou ao Toulouse, realizando uma época com altos e baixos, somando 2 golos, em 28 jogos, 20 dos quais como titular.

Jawad El Hajri. Avançado francês, de origem magrebina, de 25 anos, actua no Boulogne-sur-Mer, uma das revelações da temporada francesa, por ter ganho um dos grupos da CFA, mas sobretudo por ter chegado aos quartos de final da Taça de França. Foi a estrela principal da equipa, tendo apontado 17 golos, em 23 jogos, no campeonato. Actua preferencialmente como 2º avançado, gozando de liberdade, quer para aparecer pela direita, quer pelo centro. Veloz, dotado tecnicamente e com bom poder de finalização, tem muito mercado, depois de passagens pelo Pacy, Guingamp - onde não vingou - e Cherbourg.

Ethisse Enza Yamissi. Médio ofensivo franco-centro-africano, de 22 anos, 1.75/70, jogou no Nîmes na última temporada, marcando 3 golos, em 35 jogos. Formado nas escolas do Bordéus, não teve hipóteses na equipa principal, seguindo depois um percurso irregular pelo La Roche-sur-Yon, Alès e Nîmes, onde actuou nas duas últimas temporadas, mas só na última conseguiu 'vingar'. Os seus pontos fortes são a velocidade e a capacidade técnica, tratando-se de um jogador que pode actuar como médio ofensivo pelo meio, mas também descair para o flanco esquerdo.

Alioune Kissima Touré. Extremo-direito, de 26 anos, 1.70/62, é apontado, neste momento, como mais do que provável reforço dos sadinos. Com um percurso muito irregular, começou a carreira no Nantes, onde apareceu na primeira equipa com apenas 18 anos. Manteve-se no clube até ao Verão de 2001, altura em que foi emprestado ao Manchester City, que abandonaria meses depois, tendo apenas realizado uma partida para o campeonato. Em Dezembro de 2001 foi reintegrado no plantel do Nantes, mas não fez qualquer jogo, acabando por transferir-se, no Verão seguinte, para o PSG, onde nunca se impôs como titular, tendo estado próximo de rumar à União Leiria em 2003/04. A temporada passada, depois de ter começado a época no PSG, foi emprestado ao Guingamp, da Ligue 2, realizando 11 jogos, sem qualquer golo. O seu jogo caracteriza-se por uma extrema velocidade, à qual alia uma boa técnica, ganhando, várias vezes, a linha de fundo, de onde arranca alguns bons cruzamentos. Touré peca, no entanto, por uma extrema irregularidade exibicional, para além de evidenciar algumas deficiências a nível do controlo de bola e, também, por ser um jogador demasiado individualista e com dificuldades na finalização.

Florian Coquio. Avançado francês, de 26 anos, 1.80/73, actuou na última temporada no Boulogne-sur-Mer, depois de um percurso irregular, e sem grande chama, nos escalões secundários, ao serviço do Racing 92, Saint-Lô, La-Roche-sur-Yon, Mulhouse e Poitiers. Em 2004/05, apontou 7 golos, em 22 jogos, na CFA, contribuindo também para a boa campanha da equipa na Taça. Trata-se de um avançado com algumas limitações técnicas, mas móvel, muito agressivo e lutador.

Shiva-Star N'Zigou. Avançado internacional gabonês, com nacionalidade francesa, de 21 anos, 1.75/68, contratualmente ligado ao Nantes - estreou-se na primeira equipa em 2001/02, com 18 anos -, que o emprestou, nos últimos meses, ao Gueugnon, da Ligue 2, onde apontou 5 golos, em 18 jogos. Muito rápido e dotado tecnicamente, pode actuar como avançado solto ou descaído para o flanco direito.

David Gigliotti. Avançado, internacional francês nos escalões inferiores, esteve presente no último Torneio de Toulon, tendo sido suplente utilizado na final diante de Portugal. Tem 20 anos, 1.76/74, e actua no AS Mónaco, clube pelo qual fez 6 jogos pela equipa principal a época passada, marcando um golo, diante do Nîce. No entanto, foi utilizado com regularida na equipa B, que disputou o CFA, apontado 9 golos, em 20 partidas. Rápido e móvel, apesar de não ser alto, é um jogador que aparece com muita facilidade na área, em posições de finalização.

Nicolas Fauvergue. Ponta-de-lança, de 20 anos, internacional francês nos escalões inferiores, esteve presente no último torneio de Toulon, onde marcou um golo a Portugal na final. Jogador do Lille, ainda não garantiu um lugar na primeira equipa - 1 golo, em 5 jogos como suplente utilizado -, por isso tem vindo a jogar na equipa B, pela qual marcou 5 golos, em 26 jogos na CFA. Muito alto e possante, trata-se de um típico avançado de área, que desgasta bastante os centrais adversários e é bastante forte no jogo aéreo.
De novo, Argentina
segunda-feira, 13 junho 2005

Com a aquisição de 'Lucho' González e 'Licha' López, o FC Porto reabre as portas ao mercado argentino, onde não tem sido feliz a nível das aquisições. O Terceiro Anel (re)apresenta os dois novos reforços dos portistas e recorda as histórias dos argentinos que já passaram pelo FC Porto: de Roberto Mogrovejo a Juan Esnaider, sem esquecer os treinadores que durante a década de 40 e 50 orientaram tecnicamente os 'azuis e brancos'.
Um médio de «Lucho»

Luis Oscar González, mais conhecido por 'Lucho', nasceu em Buenos Aires, a 19 de Janeiro de 1981. Filho de um cozinheiro e de uma dona de casa, é o mais velho de três irmãos, que cresceram, com dificuldades financeiras, no Bairro Parque Patricios, uma zona antiga e modesta da cidade, paredes meias com o estádio do CA Hurácan. Sem talento para a escola, Lucho, desde cedo se habituou a trabalhar, ao mesmo tempo que perseguia o sonho de ser futebolista profissional, também com o objectivo de ajudar a família: há dois anos concretizou o sonho de oferecer uma vivenda aos pais.
Como qualquer miúdo do Parque Patrícios, começou a jogar futebol na rua, na Plaza España. Aos 9 anos, passou pelas escolas do Unidos de Pompeya e do Huracán, onde viria a fazer todo o seu percurso nas categorias inferiores, até chegar, com apenas 17 anos, à primeira equipa, onde coincidiu com Ávalos (Nacional e Boavista), Grana (Maia) e Toedtli (Marítimo).
A sua estreia, em 1998, ocorreu diante do Racing, o clube do seu coração. Foram os primeiros passos na formação principal, onde se fixaria como titular a partir de 1999, ano em que o Hurácan caiu na Série B. O ano de 2000 traria o seu primeiro êxito: a vitória na série B e regresso à divisão maior. Em cerca de 4 anos ao serviço da equipa principal, Lucho somaria 111 jogos e 12 golos.
River e Racing disputaram a sua aquisição, com o Boca e o Independiente também à perna, mas acabou por viajar para França, onde iria representar o Châteauroux. Só que, uma oferta superior do River, acabou por trazê-lo, dias depois, de regresso à Argentina, acabando por nunca vestir a camisola do clube francês.
Apesar das dificuldades de adaptação a uma realidade bem diferente, que o próprio assume, já que não estava habituado à pressão de jornalista e adeptos, foi uma transferência de sucesso: titular indiscutivel desde a sua chegada, venceu o Clausura 2003 e 2004, conseguindo alcançar um objectivo que sempre perseguiu - a selecção argentina. Primeiro nos sub-23, que viria a representar nos Jogos Olímpicos de Atenas, onde conquistou a Medalha de Ouro, mas também a selecção principal, onde também já é indiscutivel, e, por certo, marcará presença no Mundial da Alemanha daqui a um ano.
Médio polivalente, bem dotado fisicamente (1.85/75) e de amplos recursos tácticos e técnicos, Lucho González é um centro-campista completo: pode jogar em posições interiores e exteriores, em linhas avançadas e recuadas. No River, actua preferencialmente como médio ala, quer à direita, quer à esquerda, mas na Selecção é mais médio interior, podendo desempenhar funções à esquerda e direita. No entanto, a sua polivalência, permite-lhe também jogar como médio defensivo ou ofensivo. Forte na recuperação, assume, sem problemas, a condução e coordenação das acções ofensivas, mostrando visão de jogo e qualidade no passe, quer curto, quer longo. Não sendo um jogador explosivo, já que a velocidade está longe de ser um dos seus pontos mais fortes, progride bem no terreno com a bola, tirando partido da sua técnica, mas também de movimentações inteligentes, que lhe permitem aparecer em posições de remate.
Jogador calmo, e nada temperamental, a sua grande mania são as tatuagens. Entre as várias que tem espalhadas pelo corpo, tem uma onde tem a assinatura de Diego Armando Maradona, o seu ídolo, mas também o nome da mulher (Pamela) em caracteres chineses, as iniciais da sua família, um Rosário e Jesus Cristo, a quem pede ajuda para marcar golos.
O FC Porto terá pago, por metade do seu passe, cerca de 3,6 milhões de euros. A outra metade é posse da Global Soccer Agencies. Um negócio altamente rentável para o River Plate, que, há dois anos, o contratara por cerca de 700 mil euros ao Hurácan.
Os números de Lucho:
Hurácan:
1999 e 1º semeste 2000: 42/5
Apertura 2000: 17/1
Clausura 2001: 17/2
Apertura 2001: 19/1
Apertura 2002: 16/3
River Plate:
Apertura 2002:
15 jogos (14x titular, 1x suplente) - 1128 minutos - 4 golos - 2 cartões amarelos
Clausura 2003:
17 jogos (14x titular, 3x suplente utilizado) - 1092 minutos - 4 golos - 0 cartões amarelos
Apertura 2003:
10 jogos (6x titular, 4x suplente) - 557 minutos - 0 golos - 0 cartões amarelos
Clausura 2004:
14 jogos (11 x titular, 3 x suplente utilizado) - 989 minutos - 2 golos - 1 cartão amarelo
Apertura 2004:
11 jogos (sempre titular) - 860 minutos - 2 golos - 0 cartões amarelos.
Clausura 2005:
14 jogos (11 x titular, 3 x suplente utilizado)/15 jornadas - 1034 minutos - 6 golos - 1 cartão amarelo.
'Licha' López: o herói de Rafael Obligado

Em Janeiro, chegou a ser apontado como possível reforço do Benfica, mas o seu destino será o Dragão. O FC Porto investiu 2,35 milhões de euros por metade do seu passe, em nova parceira com a Global Soccer Agencies, detentora da outra metade do passe do ainda avançado do Racing Club de Avellaneda.
Lisandro López, mais conhecido por 'Licha' López, tem 22 anos (2/3/83) e é natural de Rafael Obligado, uma pequena povoação nos arredores de Buenos Aires, onde o futebol tinha pouca importância até à explosão do filho da terra, que agora é visto como um novo herói.
Apesar do sonho de ser futebolista profissional ter estado sempre presente na sua vida, Lisandro optou por conjugar os estudos com o futebol, no Jorge Newbery, de Junín, no noroeste de Buenos Aires. Ingressou mesmo na Universidade de Junín, no curso de Economia, mas foi nessa mesma altura que teve a oportunidade de rumar ao Racing Club de Avellaneda, através de Miguel Angel Micó, coordenador dos escalões de base do clube, que o observou num Torneio de juvenis.
No entanto, as coisas não foram fáceis para 'Licha'. Ao dar nas vistas na formação júnior, em 2002, por duas vezes, teve oportunidade de se estrear na equipa principal do Racing, só que, em ambas as situações, acabaria por lesionar-se nas vésperas da estreia. Numa das vezes, ao partir um dedo no pé, chegou mesmo a pensar em abandonar o futebol.
A oportunidade acabaria por surgir, a 14 de Junho de 2003, ao jogar seis minutos diante do Vélez Sarsfield, substituindo Guillermo Rivarola, na altura prestes a encerrar a carreira, e que viria a ser, meses mais tarde, como seu treinador, o responsável pela explosão de Lisandro no futebol argentino. É que depois de ter conquistado a titularidade no clube, o que aconteceu na recta final de 2003, Licha López afirmou-se definitivamente no segundo semestre de 2004, ao consagrar-se como o melhor marcador do Torneio de Apertura, com 12 golos, em 19 jogos, conseguindo quebrar, com esse feito, 35 anos e 59 torneios de jejum de jogadores do Racing em relação ao troféu de melhor marcador.
Um feito relevante, para um avançado que não tem particular apetência para jogar na área, até pelas suas características fisionómicas: 1,74/70. Licha é, sobretudo, um avançado móvel, habituado a jogar num esquema de avançados abertos, sem referência na área, podendo funcionar como 2º avançado, ou então, como um extremo que, em situação ofensiva, aparece na área, tirando partido, sobretudo, de diagonais, uma das suas principais especialidades. Com faro pelo golo, finaliza com ambos os pés e de cabeça, mas também é um jogador desequilibrador no um para um, tirando partido da sua velocidade e capacidade técnica. A isso, junta ainda capacidade de luta e de pressão, procurando sempre desgastar e dificultar a saída dos defesas adversários para movimentos ofensivos.
Pretendido por Palermo, Shakhtar Donetsk e Charlton, o seu futuro passará por Portugal. Lisandro López já admitiu que uma boa época no FC Porto poderá abrir-lhe as portas para a concretização de um sonho antigo: o de jogar pela Selecção argentina e estar presente no Mundial de 2006. Tido como um 'low-profile', devido à sua timidez perante as câmaras e objectivas, define-se como o maior crítico dele próprio e raramente se sente satisfeito com o que faz. No terreno de jogo, no entanto, é uma espécie de vulcão. Agressivo e temperamental, como a foto acima documenta, tem uma relação complicada com os árbitros, que, nos últimos meses, tem tentado rever.
Os números de Licha:
Clausura 2003:
3 jogos (sempre suplente utilizado) - 27 minutos - 0 golos - 0 cartões amarelos
Apertura 2003:
13 jogos (9 como titular) - 875 minutos - 2 golos - 2 cartões amarelos
Clausura 2004:
18 jogos (sempre titular) - 1608 minutos - 6 golos - 1 cartão amarelo - 1 cartão vermelho
Apertura 2004:
19 jogos (sempre titular) - 1676 minutos - 12 golos (2 de penalty) - 4 cartões amarelos.
Clausura 2005:
14 jogos (sempre titular)/15 jornadas - 1241 minutos - 6 golos (2 de penalty) - 2 cartões amarelos * (falhou duas grandes penalidades)
Argentinos no FC Porto: histórias sem final feliz
Houseman: O amigo de Robson

Poucos lembrar-se-ão de Marcelo Houseman, mas este empresário argentino, irmão de René Houseman - ponta de lança campeão do Mundo pela Argentina em 1978 - foi o responsável pela viragem do FC Porto, em 1994, para o mercado sul-americano de origem hispânica, depois das aquisições de Cubillas e González na segunda metade da década de 70. Com relações privilegiadas com Bobby Robson, Houseman, com uma carteira recheada de jovens jogadores sul-americanos e sul-africanos, colocou no FC Porto cinco jogadores: Roberto Mogrovejo, que definia como 'novo Caniggia', Walter Paz, o 'futuro 10 da selecção argentina' e Ronald Baroni, um 'ponta de lança de créditos firmados', a que juntou ainda Mandla Zwane, o 'Maradona sul-africano' e Etienne N'Tsunda Mzumbi, o 'filho do vento'. Um conjunto de histórias pouco felizes, a que se juntaria cerca de dois anos depois, a colocação do central uruguaio Alejandro Díaz, recomendado ainda na 'era Robson', mas que viria a ser treinado por António Oliveira, que nunca confiou no jogador que foi apresentando como 'um dos melhores defesas centrais da América do Sul, superior a Bermúdez'. Depois de tantos 'flops', a que se junta ainda a colocação do guardião Botende no Marítimo, as portas do futebol português fecharam-se a Houseman, que depois de ter transferido alguns jogadores sul-americanos para o futebol inglês, representa actualmente a WorldWide Athletes, que procura colocar na Europa jogadores da Colômbia, Equador e Nigéria.
Mogrovejo: um Caniggia que nunca o chegou a ser

Verão de 1994. O FC Porto perdera, muito por culpa da opção inicial por Ivic, a hipótese de se sagrar, pela primeira vez, tri-campeão, mas a segunda volta, já com Bobby Robson no comando técnico, abria excelentes perspectivas em relação ao futuro. Pinto da Costa assumia, na altura, algum cansaço pelos anos consecutivos sem férias, e confiou ao técnico britânico a construção do futuro plantel. Comprar bom e barato era a aposta, daí que a chegada de um 'Novo Caniggia', de nome Roberto Arturo Mogrovejo, tenha criado enormes expectativas. Recebido com pompa e circunstância, Mogrovejo, que representou a selecção argentina no Mundial de juniores em 1991, depois de ter sido o melhor marcador do torneio sul-americano de apuramento, teve mesmo a direito a fotos no gabinete presidencial na altura da sua apresentação. A sua experiência foi curta: as primeiras semanas da pré-época mostraram que o seu potencial ficava muito aquém do esperado, também por não ser o ponta de lança que Robson pensava que era, e a sua dispensa, depois transformada em mero período experimental, foi tudo menos surpreendente. Com uma carreira de insucessos e muitas lesões, foi caindo da 1ª até à 4ª divisão da Argentina, tendo, pelo meio, uma passagem fugaz pelos israelitas do Hapoel Kfar Shalem, há três anos Mogrovejo regressou a Portugal, para representar a selecção argentina de futebol de praia, e em entrevista ao Record relembrou a sua passagem pelo Porto: queixou-se de Houseman, que definiu como 'o homem que enganou toda a gente'; de ter sido contratado para ser ponta de lança, quando era extremo; e que Robson o queria obrigar a cortar a sua longa cabeleira loira, 'para ficar com melhor aspecto'. De regresso à Argentina, representou o modesto Justo Jose de Urquiza, da 4ªDivisão, onde encerrou carreira em 2003.
Walter Paz: o 'Pescadito'

Em 1991, tal como Mogrovejo, com quem chegou ao Porto, Walter 'Pescadito' Paz fora o único jogador a salvar-se na desastrosa participação da selecção de júniores argentina no Mundial sub-20. Eleito melhor médio ofensivo da prova, que contou com jogadores como João Pinto, Rui Costa, Luis Figo, Luiz Fernando, Ramon, Sérgio Manoel, Rödlund, Mandreko, Cherbakov, Mikhailenko, Oscar Garcia, Javier Delgado, Tejera ou Steve McManaman, havia enormes expectativas em torno do jogador, oriundo do Argentinos Juniors, e que era apontado como o 'futuro 10' da selecção argentina. A pré-época serviu para mostrar que se tratava de um jogador de boa técnica e com qualidade no passe, só que sem velocidade e agressividade para o futebol europeu. Não foi dispensado como Mogrovejo, mas acabou por rumar, por empréstimo, ao Gil Vicente, sem nunca vestir a camisola azul-branca em jogos oficiais. Em Barcelos, também não se fixou: 8 jogos, apenas um completo, e um golo. No final da época, acabaria por abandonar Portugal, sem honra, nem glória. Passou pelo Chile e pela Escócia, antes de regressar à Argentina, onde fez algumas boas temporadas na 2ªDivisão, conseguindo mesmo, em 2000, subir à divisão maior com o Quilmes. Foi um regresso curto aos principais palcos do futebol argentino, já que a sua carreira entrou numa trajectória descendente, sendo que, actualmente, joga nos regionais, ao serviço do modesto Estudiantes de Rio Cuarto.
Pizzi: o sucessor de Jardel

Juan António Pizzi chegou ao Porto a 20 de Julho de 2000, depois de ter sido escolhido para suceder a Jardel no ataque dos então tetra-campeões nacionais, mas partiria a 31 de Janeiro de 2001, sem grandes feitos, e com apenas um jogo completo realizado, diante do Atlético, num jogo da Taça de Portugal, em que o FC Porto ganhou nas Antas por 2-1, com um golo seu, depois de inúmeras oportunidades falhadas. Seis anos depois de Paz e Mogrovejo, era uma nova aposta dos portistas num futebolista argentino, também com nacionalidade espanhola, mas de créditos firmados no futebol europeu. No entanto, o Pizzi que chegou ao FC Porto, que desembolsou 440 mil contos pelo seu passe, mais 400 mil contos por dois anos de contrato, estava já longe dos tempos do Tenerife, Valência e Barcelona, e regressava à Europa, com 32 anos, depois de passagens por River Plate e Rosário Central, e um grave problema num dos joelhos, que viria a marcar a sua breve passagem pelo futebol português. Nos 11 jogos incompletos que realizou na SuperLiga, totalizando apenas 249 minutos, conseguiu apontar 3 golos, sempre nos minutos finais, nas goleadas sobre Campomaiorense (2) e Alverca (1). Após a passagem pelo FC Porto, regressou à Argentina, para representar o Rosário Central. Uma transferência a custo zero, que terá servido também para poupar alguns salários do ano e meio de contrato que ainda tinha por cumprir.
Ivan Moreno y Fabianesi: dispensado na pré-época

Com a transferência a custo zero de Pizzi para o Rosário Central, o FC Porto garantiu a opção sobre Ivan Moreno y Fabianesi, também conhecido por 'Galego', o jogador mais promissor da formação argentina. Fabianesi, na altura com 22 anos, tinha a vantagem de possuir passaporte comunitário, e chegou mesmo a ser observado por Rui Barros na Argentina, que terá dado o aval à sua aquisição. Com 4 golos no Clausura 2001, este médio de características defensivas, chegava à Europa carregado de ilusão. Integrou o estágio de pré-época, chegou a ser utilizado num particular diante do Racing Paris, mas Octávio Machado não ficou convencido das suas potencialidades e ditou a dispensa duas semanas depois. O processo de saída do clube acabou por não ser o mais simpático: o FC Porto garantiu que o jogador não tinha qualquer vínculo, enquanto que Moreno y Fabianesi, em declarações à imprensa, garantia que assinara um pré-acordo válido por quatro anos e que tinha sido enganado pelos dirigentes. O seu futuro passou pela equipa B do Villareal, antes de regressar à Argentina, onde representou o Banfield e o Colón de Santa Fé, clube onde se encontra desde 2003.
Hugo Ibarra: o mais caro de sempre

O Verão de 2001 trouxe também Hugo Ibarra, conhecido na Argentina por 'El Negro'. Muito se falou da aquisição do lateral-direito, que então representava o Boca Juniors, e que foi, até ao Verão passado, a aquisição mais cara de sempre do FC Porto: uma operação mediada por Jorge Mendes, com um valor total de 1,775 milhões de contos, sendo que 950 mil contos se destinaram ao clube argentino, e os restantes a encargos salariais, segurança social e comissões de um contrato válido por quatro épocas. Pinto da Costa apresentava-o como um 'jogador moderno e de grande classe', que chegava para uma posição onde o FC Porto já tinha três jogadores: Secretário, Sousa e Nélson. A sua adaptação ao futebol português esteve longe de ser a melhor, e apesar de ter feito quase sempre parte das opções de Octávio Machado durante a primeira metade da época - 31 jogos, entre todas as competições -, depois de uma série de exibições fracas, este optou por Secretário. Com José Mourinho a sua influência diminuiu drasticamente e só por quatro vezes foi utilizado, acabando por ser dispensado. Seguiram-se empréstimos a Boca Juniors, em 2002/03, e ao AS Mónaco, em 2003/04, onde foi finalista vencido da Liga dos Campeões. Pelo meio, uma polémica intensa com Octávio Machado, com acusações de parte a parte. O lateral argentino queixou-se que com Octávio a equipa 'não trabalhava nada' e que esperava que o palmelense não voltasse a ser treinador de futebol. Octávio Machado reagiu, dizendo que Ibarra 'tinha a cabeça fora de Portugal' e que 'gostava muito era da noite'. No Verão passado, Ibarra regressou ao FC Porto, integrando os trabalhos de pré-época. Foi um retorno curto, já que o jogador não mostrava vontade de permanecer no clube, tendo chegado tarde à apresentação e evidenciado pouca vontade nos jogos de pré-época em que foi utilizado. Foi dispensado por Del Neri e colocado no Espanyol, de Barcelona, onde actuou na última época.
Esnaider: repetir Pizzi, um ano depois

A 28 de Julho de 2001, quando o FC Porto procurava fazer regressar Jardel às Antas, Pinto da Costa apresentava Esnaider como novo reforço dos 'dragões': numa operação mediada por Jorge Mendes, os portistas garantiam o empréstimo por um ano do jogador, junto da Juventus, com opção de compra, por três épocas, no final da época. Dias depois de Moreno y Fabianesi ter sido dispensado, Esnaider juntava-se a Ibarra no plantel portista para 2001/2002. Um ano após a contratação de Pizzi, nova aquisição de 'risco', sabendo-se da trajectória irregular de Esnaider - bons desempenhos no Saragoça, Atlético Madrid e Espanyol, fracassos no Real Madrid (duas passagens) e Juventus, para além de problemas disciplinares por onde passou - e da sua terrível época anterior: sem espaço na Juventus, onde acusou a dureza da preparação física, com constantes lesões no tendão de Aquiles, rumara ao Saragoça, onde para além das lesões, acumulou acidentes disciplinares, com árbitros e adeptos do seu clube.
A sua passagem pelas Antas foi curta, marcada por permanentes lesões, e sem registos positivos, para além de um golo ao Estrela da Amadora, numa eliminatória da Taça de Portugal. 3 jogos para a SuperLiga, todos incompletos, 2 jogos na Taça e 1 na Liga dos Campeões - incompleto, diante do Rosenborg - são o seu registo de 'azul e branco'. Partiu, sem deixar saudades, em meados de Janeiro, transferido para o River Plate. Evitou polémicas na hora da partida, depois de alguns incidentes com Octávio Machado, que dias depois, seria despedido. Amargurado, o palmelense, na sua primeira entrevista após a saída do FC Porto, dedicou uma frase ao avançado argentino: 'Esnaider pelas condições em que vinha nunca devia ter entrado no FC Porto'. Depois da passagem pelo River Plate, Esnaider regressou à Europa, para representar o Ajaccio e o Real Murcia, antes de voltar novamente à Argentina, onde representa o Newell's Old Boys de Rosario.
Os outros
Christian Omar Bonilla e Juan Manuel Seijo, dois médios das escolas do Argentinos Juniors, rumaram aos escalões de base do FC Porto, em Setembro de 2000, com apenas 16 anos, numa operação mediada por Jorge Mendes. Não vingaram, e em Março acabariam dispensados, com destino à equipa sénior do Salgueiros, onde também não se viriam a fixar. E, se Bonilla desapareceu do mapa, Juan Manuel Seijo, actualmente com 20 anos, joga nas reservas do Argentinos Juniors.
Já em Janeiro deste ano, chegou mais um jogador argentino para o FC Porto, com destino à equipa B: o ponta de lança Gonzalo Marronkle, de 20 anos, que mostrou qualidades na finalização na 2ªB. Homem de área, bastante alto e possante, joga fixo entre os centrais adversários, finalizando, por norma, de pé esquerdo ou de cabeça. Antes de rumar ao FC Porto representou o Lanús - estreou-se na primeira equipa com 17 anos -, o Defensa y Justicia e Los Andes.
Treinadores argentinos: aposta dos anos 40 e 50
Eládio Vaschetto
Orientou o FC Porto em 1947/48, época que não correu bem a nível interno, já que os portistas acabaram em 5º, em igualdade pontual com o 4º (Estoril-Praia). No entanto, o futebol praticado pelos 'azuis e brancos' deslumbrou, dada a sua forte vocação ofensiva, que conduziu Araújo ao título de melhor marcador do campeonato com 36 golos. Para além disso, o FC Porto deixou boa imagem nos encontros internacionais: venceu o Valência, campeão de Espanha, por 1-0, com golo de Catolino, e o Arsenal de Londres, por 3-2, com golos de Correia Dias (2) e de Araújo.
Três anos depois regressou, já que dirigentes, adeptos e atletas desejavam que voltasse ao comando técnico dos 'dragões', onde era carinhosamente apelidado de 'homem do Arsenal'. Homem de muito trabalho e poucas falas, Vaschetto protagonizou um arranque fabuloso de campeonato, em 1951/52, com os 'dragões' a chegarem a meio da prova isolados no comando com 3 pontos de vantagem, numa equipa onde pontificavam Barrigana, Virgilio, Carvalho, Joaquim, Vieira e Hernâni. Só que nos últimos dias de Dezembro de 1951 desapareceu misteriosamente rumo ao México, onde fora futebolista. Deixou os seus fatos e mobílias no Porto, e, ao que se sabe, não mais as veio buscar. O seu substituto, o espanhol Pasarín, realizou um trabalho desastroso, perdendo não só a liderança do campeonato, como também deixou cair a equipa no 3º lugar, em igualdade com o Belenenses (4º).
Alejandro Scopelli
Alejandro Scopelli, também conhecido por 'El Conejo' (o coelho), fez parte da primeira selecção argentina a estar presente num Mundial, em 1930. Mais tarde, viria a envergar também a camisola da selecção italiana, depois de se transferir para a Roma. Passou ainda pelo Racing de Paris, mas a Guerra, trouxe-o até Portugal e ao Belenenses, onde se tornou num jogador e treinador de referência. Viria a ser ele a introduzir em Portugal o esquema táctico WM e também a marcação individual. Depois de uma passagem pelo Chile, ainda como jogador, regressou a Portugal, onde treinou a selecção portuguesa, antes de rumar ao FC Porto, em 1948/49, tendo protagonizado uma temporada irregular, acabando em 4º lugar. A intenção dos dirigentes portistas era, mesmo assim, de lhe renovar contrato, mas optou por aceitar uma proposta do Deportivo la Coruña. Aliás, seria em Espanha que viria a passar grande parte da sua carreira de treinador, introduzindo outros métodos inovadores: no Espanyol, por exemplo, ficou conhecido por ligar os seus jogadores a tubos de oxigénio durante o intervalo, garantindo-lhes que correriam tanto na segunda parte como na primeira. Verdade ou não, o método teve correspondência a nível de resultados. Em Portugal, voltaria a trabalhar no Sporting, sem grandes resultados diga-se, onde 'roubou', em 54/55, no último minuto da temporada, através de um golo de Martins, o segundo título da história do Belenenses, 'oferecendo-o' ao Benfica. No início da década de 70 regressaria ao Restelo, já em final de carreira. Scopelli, nascido em Buenos Aires a 12 de Maio de 1908, faleceu em 1987.
Francisco Reboredo
Também argentino, foi jogador do FC Porto, tendo-se sagrado campeão de Portugal em 1937, ao lado de Pinga, numa equipa orientada tecnicamente pelo húngaro Szabo. Como treinador, teve uma breve passagem pelo comando técnico dos portistas em 1949/50, época em que foi o 4º (e último) treinador dos 'dragões', sucedendo a Alberto Augusto, Carlos Nunes e Augusto Silva. O FC Porto terminou o campeonato num modesto 5º lugar. Em 1961/62 voltou ao comando técnico do FC Porto, sucedendo, em Janeiro de 1962, ao húngaro Jorge Örth, um dos melhores futebolistas magiares de sempre, que faleceu repentinamente. Os portistas acabariam o campeonato em 2º lugar, a apenas dois pontos do Sporting, com Reboredo a rumar a Setúbal, onde rendeu Fernando Vaz, que se transferira para o Belenenses.
Lino Taioli
Antigo jogador, com passagens pelo futebol italiano, onde representou Génova e Mantova, já em fim de carreira, chegou a Portugal, em 1951/52, para orientar o Boavista, depois de uma passagem fraca pela Selecção da Colômbia e um trabalho positivo no Racing Santander. Conduziu os 'axadrezados' a um 5º lugar, onde era tratado por 'Mestre' Taioli, o que lhe abriu as portas do FC Porto. A carreira nos 'azuis e brancos' não estava a decepcionar, e a meio da temporada, encontrava-se a apenas dois pontos do líder Sporting, com os mesmos pontos do Benfica. Só que uma derrota em Évora, frente ao Lusitano, seguida de nova derrota, em casa, diante do Atlético, viria a custar-lhe o lugar. Foi rendido por Cândido de Oliveira, que, auxiliado pelos 'históricos' Pinga e Artur Baeta, não foi além do 4º lugar final.
Destino: Holanda
sexta-feira, 10 junho 2005

A aposta do Benfica e FC Porto em técnicos holandeses será uma das principais novidades da próxima época da SuperLiga. Na história de ambos os clubes, e também no passado recente das competições profissionais portuguesas, não há qualquer referência a passagens de treinadores desse país, com a curiosidade de Co Adriaanse ser o primeiro holandês a integrar os quadros profissionais portistas. Mesmo em termos de jogadores, o mercado holandês nunca foi dos mais explorados pelos clubes portugueses. E é isso que propomos: uma viagem pelo trajecto dos jogadores holandeses que nas duas últimas décadas passaram pelos principais campeonatos do futebol português - a SuperLiga e a Liga de Honra.
A Unha a quem não deixaram tocar guitarra

Em final de Outubro de 1987 aterrava no aeroporto de Lisboa Franklin Edmundo Rijkaard. A seu lado, radiante, o então empresário Jorge Gonçalves, antigo campeão nacional de vela, em delírio com a hipótese de colocar a primeira 'unha' no clube que desejava presidir. Rijkaard era uma das mais valiosas pérolas do futebol europeu e cumpria o desejo de abandonar o Ajax. No dia seguinte, ao lado de Gonçalves, Rijkaard, em silêncio, assistia ao primeiro treino do seu novo clube. Só que, o Ajax ordenou, de imediato, o seu regresso à Holanda. A 'novela' da sua transferência tornou-se interminável: em Dezembro, o negócio parecia definitiva fechado por 350 mil contos ; em Janeiro, os dirigentes do Ajax negavam o acordo, dizendo que ainda faltavam 5 milhões de florins, ao mesmo tempo que Gonçalves anunciava a chegada do jogador ; ao mesmo tempo, em Itália, corriam notícias que AC Milan e Juventus pretendiam o jogador.
Até que em meados de Fevereiro, dias depois do despedimento do inglês Keith Burkinshaw, Jorge Gonçalves anunciava a chegada do reforço e atacava: 'Vou mostrar Rijkaard às vespas de Lisboa'. E mostrou. Só que, apesar de se treinar em Alvalade, Rijkaard não podia jogar. A FPF não autorizou a sua utilização, com Silva Resende, na altura presidente da organização, a revelar, anos mais tarde, que tudo não passou de uma encenação e que nunca houve qualquer processo de transferência entre a Federeção Holandesa e a sua homóloga nacional. Rijkaard, triste por não jogar, acabou por rumar ao Saragoça, de forma a não perder a carruagem para o Euro 88. Dias antes da competição, confirmava-se a sua transferência para o AC Milan, com o Sporting a lucrar uma verba entre 115 e 155 mil contos. Jorge Gonçalves, um mês depois, era eleito presidente do Sporting, e com ele chegaram muitas 'unhas', mas poucas cumpriram com o que prometera: 'neste leão só quem tem unhas toca guitarra'. As notas sairam quase todas ao lado.
O avançado que não valia um tostão furado

Formado nas escolas do FC Zwolle, Jimmy Floyd Hasselbaink nunca teve uma oportunidade para se estrear na primeira equipa. Seguiram-se passagens, sem grande sucesso, pelo Stormvogels/Telstar e AZ Alkmaar, apontando apenas 3 golos, em 3 épocas nestes clubes. Caído no esquecimento, rumou aos amadores do Neederlandia, um clube dos arredores de Amsterdão, que representou durante dois anos. Sem clube, no Verão de 95, surgiu, do nada, no Alentejo, para se submeter a um curto período experimental de cinco dias no Campomaiorense, em estreia na divisão maior do nosso futebol. Em dois dias, o rapaz holandês, de 23 anos, que parecia o pato Donald a correr - com os pés para os lados -, convenceu Manuel Fernandes, e o filho do comendador Nabeiro anunciava, via RTP, ao país a nova aquisição: 'contratamos o holandês Xime'. É certo que o Campomaiorense não se salvou da descida, mas na planície alentejana brotava uma 'pantera negra': Jimmy, autor de 12 tentos, praticamente metade dos tentos da equipa.

Os grandes tiveram medo de arriscar na sua aquisição, e o Boavista acabou por ser o passo seguinte na sua carreira. Formou uma das melhores duplas de ataque do clube, ao lado de Nuno Gomes, que valeu 35 golos na SuperLiga: 20 de Jimmy, 15 de Nuno Gomes. É certo que a carreira no campeonato foi uma desilusão - época conturbada, com quatro treinadores -, mas o êxito chegou no Jamor: vitória na Taça de Portugal, por 3-2, diante do Benfica, num jogo em que, estranhamente, Mário Reis preteriu Jimmy, que foi suplente utilizado. Muito pretendido, em Portugal e no estrangeiro, o Boavista vendeu o seu passe, no final da época, por 2 milhões de libras, ao Leeds United. Seguiram-se Atlético Madrid, Chelsea - que pagou 22,5 milhões de euros pelo seu passe - e Middlesbrough, com muitos golos, e a selecção holandesa, onde se pode orgulhar de ter sido dos poucos jogadores a vestir a camisola 10, a mesma de René van de Kerkhof, Ruud Gullit e Dennis Bergkamp.
O senhor Golo

Em 2000/01, a pior época de sempre do Benfica, que terminou a SuperLiga em 6ºlugar, salvou-se um nome: Pierre van Hooijdonk. Contratado ao Vitesse por Vale e Azevedo, depois de passagens pelo Celtic e Nottingham Forest, o internacional holandês originou uma novela tão em voga nesses anos: a sua transferência, acordada em 1,350 milhões de contos, só viria a ser paga meses depois, já pela direcção de Manuel Vilarinho - 1,180 milhões de contos, pois os holandeses aceitaram abater 170 mil contos -, depois de várias queixas do clube holandês, na altura orientado por Ronald Koeman, à FIFA. 19 golos, em 28 jogos, foi o saldo da passagem de van Hooijdonk pela Luz, tirando partido do seu violento remate, em bola parada ou bola corrida, e do seu excelente sentido de oportunidade e posicionamento. Pago a peso de ouro e com um temperamento complicado, que provocou distúrbios no balneário, acabou por ser transferido para o Feynoord no início da temporada seguinte: por uma verba a rondar os 500 mil contos, a que se junta a poupança dos 300 mil contos por cada um dos três anos de contrato que ainda lhe restavam no contrato.
Muralha de Aço

Uma história de sucesso no futebol português. Mitchell van der Gaag, que o PSV descobriu muito jovem no De Graafschap, acabou por nunca se afirmar na equipa de Eindhoven, onde apenas foi utilizado a espaços, apesar das boas indicações dadas no Sparta, nas duas épocas em que actuou emprestado no clube de Roterdão. O passo seguinte na sua carreira passou pelo futebol escocês, onde representou o Motherwell, durante dois anos e meio. Uma excelente época de 1996/97 reabriu-lhe as portas do futebol holandês, para representar o FC Utrecht, onde se manteve quatro épocas, habitualmente como titular. No Verão de 2001, em final de contrato, rumou ao Marítimo, onde acabou de cumprir a sua 4ª época, sempre como titular. A poucos meses de completar 34 anos, é um dos melhores centrais da SuperLiga, eficaz não só a defender, como também a explorar o seu jogo aéreo em lances de bola parada, que já lhe valeram o epíteto de 'holandês voador'. A idade avançada - já na casa dos 30 - terá sido o único óbice para chegar a um dos 'grandes' do nosso campeonato.
O 'afilhado' de Robson

Stanislaus Henricus Christina Valckx chegou a Portugal, no Verão de 1992, para representar o Sporting. Velho conhecido de Bobby Robson, que já o treinara o PSV, foi o escolhido para liderar um sector defensivo em remodelação, após as dispensas de Pedro Venâncio e Luizinho. O seu início em Alvalade foi muito complicado e as críticas mais do que muitas: duas péssimas exibições, diante do Famalicão (4-3) e do Grasshoper (1-3), fez aumentar um oceano de dúvidas em relação às reais capacidades do internacional holandês. Robson, no entanto, nunca o tirou da equipa, mas cedeu num aspecto: retirou-o do centro da defesa e passou a utilizá-lo como trinco, com o seu rendimento a crescer a olhos vistos. Na época seguinte, ainda com Bobby Robson, voltaria a recuar para o eixo da defesa, devido à aquisição de Paulo Sousa. No entanto, o seu rendimento foi bem superior ao evidenciado no ano anterior, tornando-se no líder incontestado do sector defensivo, situação que se manteve a partir do momento em que Carlos Queirós assumiu o comando técnico da equipa, que apenas lhe trouxe um novo companheiro no centro da defesa: Vujacic, que não entrava nas contas de Robson. As suas boas exibições acabaram por justificar o regresso à Selecção holandesa, marcando presença no Mundial 94. Regressado do Campeonato do Mundo, percebeu que não era primeira opção para Queirós, que pretendia formar o eixo central em torno de Naybet e Marco Aurélio, reforços para a nova temporada. Realizou, ainda assim, seis partidas, antes de regressar à Holanda e ao PSV, onde viria a finalizar a carreira em 2000. Mas não partiu sem deixar duras críticas a Carlos Queirós, queixando-se de perseguição pela sua ligaão a Robson, e também das 'longas e sonolentas' palestras do Professor.
Os 'big flops'

Formado nas escolas do Feyenoord, Gaston Taument estreou-se na primeira equipa do clube de Roterdão com apenas 18 anos. Depois de uma passagem de um ano pelo Excelsior, fixou-se como titular do Feyenoord, onde jogou até 1997, tornando-se também numa presença regular na Selecção holandesa. Extremo veloz e bem dotado tecnicamente, realizou a sua melhor temporada de sempre em 1996/97, apontando 13 golos, em 34 jogos. A tempo e horas, apesar do interesse de vários clubes europeus, o Benfica concretizou a sua contratação a custo zero, tirando partido da Lei Bosman, no seu segundo ano de vigência. A sua chegada à Luz era muito aguardada, mas acabou por se revelar frustrante: 16 partidas - apenas 6 completas - sem qualquer golo e com um nível exibicional bem longe do esperado. A chegada de Karel Poborsky abriu-lhe as portas da saída para o Anderlecht, onde também não se fixou. Perto do ocaso passou ainda pelo OFI Creta e pelo Rapid Viena, onde se despediu em 2001/2002.

No final de Novembro de 1996, o Benfica mantinha intactas as aspirações de chegar ao título 1996/97. O jogo excessivamente centralizado do Benfica de Autuori - a famosa 'táctica do pirilau' - tinha sido alvo de duras críticas, daí que a aquisição de Glenn Helder, que chegou à Luz acompanhado por Amaral, significava uma tentativa de abertura às alas. Emprestado pelo Arsenal - onde nunca se fixou -, depois de passagens pelo Sparta e Vitesse, as suas primeiras exibições, coroadas com um golo ao Sp. Braga, pareciam indiciar que o Benfica encontrara um verdadeiro reforço. Puro engano. O seu rendimento foi caindo de jornada para jornada, acabando por desaparecer das convocatórias já com Manuel José. A dispensa antes do final da época foi o ponto final numa ligação curta, com Glenn Helder a apontar 1 golo, em apenas 13 jogos. O seu percurso após a passagem pela Luz foi decepcionante: dispensado pelo Arsenal, passou pelo NAC, Dalian Wanda e MTK Budapeste, mas pouco jogou. Abandonou a carreira, em 2000, com 32 anos, dedicando-se à música, uma das suas paixões. Em 2002/03 tentou o regresso ao futebol, no TOP Oss, da 2ªDivisão holandesa, mas pouco ou nada mostrou.

Perdido Jordão no início da temporada 86/87, desde cedo Manuel José, na altura treinador do Sporting, pediu um substituto para o goleador, que se juntasse a Manuel Fernandes e a Raphael Meade. A primeira opção, o inglês Rob McDonald, revelou-se uma aposta falhada, daí que, para fazer face ao atraso pontual em relação a FC Porto, Benfica e Vitória Guimarães, no final de Dezembro de 1986, dias depois dos célebres 7-1 aos 'encarnados', tenha chegado a Alvalade, o ponta de lança internacional holandês Peter Houtman, contratado ao FC Groningen, que em 1982/83 havia sido 'bota de ouro' do futebol europeu, ao apontar 30 golos, ao serviço do Feyenoord. A sua estreia, logo a titular, aconteceu dias depois, no decepcionante empate caseiro a zero com o Rio Ave, que ditou o despedimento de Manuel José. Com Burkinshaw, o técnico que lhe sucedeu, a aposta em Houtman foi uma constante, mas o ponta de lança holandês mostrava-se pouco adaptado ao jogo da equipa. Lento, pesado e pouco dotado tecnicamente, vivia essencialmente do pouco futebol aéreo que lhe chegava. Não surpreendeu que apenas tivesse marcado 3 golos em 13 jogos - um deles ao FC Porto em Alvalade (2-0) -, a que juntou um tento, na Taça de Portugal, numa goleada ao Esperança de Lagos. Esperava-se mais do holandês na época seguinte, mas as aquisições de Tony Sealy e Paulinho Cascavel fizeram-no desaparecer das primeiras opções de Burkinshaw. Só com o português António Morais, que sucedeu ao técnico inglês, passou a ser mais utilizado, mas, por norma, saido do banco. Apontou três golos, em treze jogos - a época teve 38 -, e as portas de saída foram-lhe abertas, apesar de ter contrato. Era o início da 'era Jorge Gonçalves', e as opções para o ataque eram outras. Em Novembro de 1988, sem qualquer minuto de utilização em 88/89, rumou ao Feyenoord, longe do fulgor de outros tempos. Passou ainda pelo Sparta, Den Haag e Excelsior, onde colocou um ponto final na carreira, já com 36 anos.
Os outros

Clyde Wijnhard. Avançado formado nas escolas do Ajax, clube que chegou a representar no escalão sénior, em 92/93 e 94/95, teve o momento alto da sua carreira, em 97/98, ao apontar 14 golos pelo Willem II de Co Adriaanse. Esse registo, permitiu-lhe o salto para o Leeds United, onde não foi feliz. Seguiu-se um trajecto irregular, marcado por várias lesões, pelas divisões inferiores do futebol inglês, até passar, em 2003/04 pelo Beira-Mar. Realizou uma boa primeira volta, mas a segunda metade da época foi marcada pela irregularidade, perdendo mesmo a titularidade. Apontou 9 golos, em 29 jogos, sendo que um desses tentos custou a primeira derrota do Benfica na Nova Luz.

Erik Tammer. Jovem avançado holandês, chegou a Portugal para representar o Belenenses, em 92/93, com apenas 23 anos, depois de passagens pelo Ajax, AZ Alkmaar e Excelsior, onde tinha apontado 33 golos, na 2ªDivisão, em 91/92. As expectativas eram grandes em seu redor, mas a frustração não demorou a chegar. Abel Braga não se convenceu das suas potencialidades, ordenando a sua dispensa. Regressou à Holanda sem efectuar qualquer jogo oficial, fazendo uma boa carreira no Heerenveen - 21 golos, em 29 jogos, na primeira época -, onde se fixou até 1996. Seguiram-se passagens pelo Go Ahead Eagles - 40 golos, em 2 épocas, na 2ªDivisão -, Sparta, Cambuur Leeuwarden e ADO Den Haag. Hoje, ainda actua em clubes amadores.

Floris Schaap. Um holandês com carreira feita em Portugal, com a curiosidade de ter acompanhado Manuel Cajuda por diversos clubes. Aos 21 anos, este central sólido e eficaz, adaptável também a trinco, chegou ao Olhanense, oriundo do VV Katwijk, formação da sua terra natal, fixando-se, durante dois anos, no clube. Em 1988 rumou ao Portimonense, clube pelo qual fez a sua estreia na divisão maior do futebol português. Em três anos em Portimão foi sempre titular, totalizando 103 partidas. O Torreense foi o passo seguinte na sua carreira, passando posteriormente por Sp. Farense e Sp. Braga, onde nunca se conseguiu fixar, mostrando estar na trajectória descendente da sua carreira, que encerrou no Olhanense, na 2ªB. Foi na formação de Olhão que iniciou a sua carreira de treinador, primeiro como adjunto de Manuel Balela, depois como técnico principal, num período curto. Como treinador, passou depois pela Selecção do Algarve e pelo Lusitano de Vila Real de Santo António.

Jorg Smeets. Médio esquerdo, de forte vocação ofensiva, chegou a Portugal com 29 anos, em 99/00, depois de uma carreira irregular, contruida entre a Holanda e Inglaterra. Com passagem pela formação do Ajax, seguiu depois carreira por diversos clubes, acabando por ser no FC Volendam, que atingiu maior relevo. Antes do Marítimo, onde nunca se impôs como titular - 16 jogos, apenas 1 completo, 1 golo -, jogou no Wigan e no Chester City. Depois da passagem pela Madeira, passou pelo Cruz Azul, do México, e pelo Helmond Sport, onde encerrou a sua carreira.

Junas Naciri. Outro médio esquerdo, que tanto desempenha funções interiores como exteriores. Com uma carreira construida na 2ªdivisão holandesa, onde representou o Telstar e o Haarlem, teve também uma passagem pelo Lugo, de Espanha, entre 1993 e 1995. Em 1999, depois de ter apontado 11 golos pelo Haarlem, chegou a Portugal, representando, durante três épocas, o União da Madeira, apontando 12 golos nas últimas duas. As suas boas exibições, levaram o Rio Ave a contratá-lo, fixando-se, por dois anos, em Vila do Conde, onde se estreou na SuperLiga. Em duas épocas, este holandês, que tem também nacionalidade marroquina, apontou 4 golos, em 43 jogos. Dispensado no final desta época, o seu futuro é, a dias de completar 32 anos, uma incógnita.

Marvin Dolion. Central ou lateral esquerdo, extremamente possante e agressivo, passou pelo Penafiel, na altura na Liga de Honra, em 2001/02. Realizou apenas 11 jogos. Antes de rumar ao conjunto duriense passou por algumas equipas da 2ªDivisão holandesa, para onde rumou, após abandonar o Penafiel. Em 2003/04 esteve na Alemanha, onde representou o Kickers Offenbach.

Nordin Wooter. Médio interior ou ofensivo, formado nas escolas do Ajax, acabou por ser o parente pobre de uma geração de médios, onde constam os nomes de Davids, Seedorf e Musampa. Mesmo assim, em 1997, depois de se ter sagrado campeão europeu pelo Ajax, rumou ao futebol espanhol, onde representou o Real Saragoça, durante pouco mais de dois anos, sem nunca se conseguir impor. Num trajecto marcado também por algumas lesões, passou pelo Watford e o RBC Rosendaal, antes de chegar a Braga, em 2003/04. Fez 19 jogos, nenhum completo, mostrando pouca capacidade física, salpicada por alguns pormenores de talento, insuficientes para convencerem Jesualdo Ferreira a renovar-lhe o contrato. No último ano passou pelo Anorthosis Famagusta - 7 golos, em 11 jogos -, que lhe abriu as portas do Panathinaikos, em Janeiro de 2005, mas não deslumbrou.

Peter van Velzen. Ponta de lança, com larga experiência na 2ªDivisão holandesa, chegou ao Vitória Setúbal, em 88/89, com dois troféus de melhor marcador: em 84/85 pelo SVV e em 85/86 pelo RKC Waalwijk. Não se adaptou ao futebol português, acabando por rumar, ainda na mesma época, ao Beveren, da Bélgica, onde também falhou. De regresso à Holanda, voltou a ser goleador na 2ªDivisão ao serviço do SVV, clube onde terminou a carreira em 90/91, iniciando um trajecto como treinador, primeiro como adjunto, depois como técnico principal.

Remco Boere. Ponta de lança alto e possante, cujo ponto forte era o futebol aéreo, destacou-se na 2ªDivisão da Holanda, onde foi, por duas vezes, o melhor marcador: pelo Vitesse, em 83/84, e pelo Den Haag, em 85/86. Depois, teve passagens razoáveis pelo AA Gent (Bélgica) e Iraklis (Grécia), antes de chegar ao Gil Vicente, em 91/92, com 30 anos, e em clara fase descendente da carreira. A sua passagem pelo futebol português fica marcada por ter cometido a grande penalidade mais patética da temporada: o Gil Vicente empatava nas Antas diante do FC Porto, quanto António Oliveira, na altura técnico da formação de Barcelos, lança Boere ao minuto 89. Um minuto depois, Boere, com os braços no ar, desvia com um deles, um centro inofensivo - ao 'terceiro poste' - de Vlk. João Pinto acabaria por transformar o castigo máximo em golo, diminuindo a contestação que pairava sobre o trabalho de Carlos Alberto Silva. Remco, que viria a marcar apenas um golo, numa derrota caseira diante do Sp. Braga, em 8 partidas, queixou-se do árbitro, dizendo que Donato Ramos era mais cego do que Ray Charles. Após a traumática passagem por Barcelos, regressou à Holanda, para representar o FC Zwolle, onde encerrou carreira em 1996, iniciando uma trajectória, sem grande chama, como técnico.

Romano Sion. Extremo-esquerdo muito forte fisicamente e com qualidade técnica, a que juntava um remate violento de pé esquerdo, realizou um percurso irregular no futebol holandês, também por culpa do seu temperamento complicado. Representou o Ajax (nos escalões de formação), Haarlem, SVV/Dordrecht'90, RBC, FC Groningen e Emmen, com épocas irregulares, que não impediram o Compostela, na altura na 1ªLiga espanhola, de apostar na sua aquisição. O seu rendimento foi inconstante, e após três anos e meio, foi dispensado ao Vitória Guimarães, em Janeiro de 2001. Jogando já numa posição mais central, como avançado, ainda que com alguma mobilidade, apontou 5 golos, em 12 jogos, sendo que o último acabou por valer a manutenção do clube vimaranense na SuperLiga. Na época seguinte, no entanto, caiu em desgraça: marcou 1 golo, em 5 jogos, e foi afastado do plantel, depois de desentendimentos nos treinos com Inácio - que o aconselhou a falar menos e a treinar mais - e Costeado, que resultaram na sua dispensa. Depois de uma curta passagem por Inglaterra, regressou a Portugal, em 2002/03, para representar o Rio Ave. Devido a problemas burocráticos só pôde competir a partir de Janeiro, mas contribuiu para a subida de divisão do conjunto vila-condense: 4 golos, em 12 jogos. No entanto, não aguardou pelos festejos e partiu para Espanha, para representar o Universidad Las Palmas na poule de acesso à 2ª Liga espanhola.

Romeo Wouden. Com uma carreira repartida por DS'79, SVV/Dordrecht'90 e SC Heerenveen, nos dois últimos clubes, entre 1994 e 1996, apontou 23 golos. Chegou ao Boavista, a custo zero, no Verão de 1997, depois de uma temporada em que jogou pouco, devido a lesões, mas marcou muitos golos: 8 golos, em 13 jogos. Havia, então, alguma expectativa em relação à aquisição deste extremo veloz e especialista em diagonais, mas que rapidamente se desfizeram. Realizou apenas 1 jogo, como suplente utilizado, e não mais voltou a ser opção, acabando dispensado. Passou depois, sem sucesso, pelo Veracruz, do México, antes de regressar à Holanda, para representar o Sparta e o Dordrecht'90, acabando a sua carreira aos 30 anos, dedicando-se depois ao futebol amador.

Ronny van Es. Avançado de área, com claras limitações do ponto de vista técnico, realizou uma carreira sem grande fulgor no Telstar e no Haarlem, da 2ªDivisão holandesa. Em 2002/03 ingressou no Rio Ave e realizou a sua melhor época de sempre: 11 golos, em 29 jogos, decisivos para o título de campeão da Liga de Honra do clube vila-condense. A época seguinte, a da sua estreia na divisão maior do nosso futebol, foi frustrante: apontou 4 golos, em 28 jogos, tendo apenas realizado uma partida completa. Foi dispensado no final da temporada, ingressando no Maia, mas, no final de Agosto de 2004, optou por regressar à Holanda, para representar o Telstar, da 2ªDivisão, onde apontou 3 golos, em 21 jogos.
2004/05: visão pessoal
segunda-feira, 6 junho 2005
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Emoção na SuperLiga, com os grandes cada vez menos grandes ; O fim do jejum do Benfica e a imensa alegria que isso provocou ao meu irmão e ao camarada João Gonçalves ; A Taça para o Vitória Setúbal do Quinito e do José Rachão ; Uma equipa portuguesa, pelo terceiro ano consecutivo, numa final europeia ; O Rio Ave, graças ao trabalho enorme do Carlos Brito, pelo segundo ano consecutivo na primeira metade da tabela da SuperLiga ; O futebol mágico do Ricardo Nascimento, a afirmação de Manuel Fernandes e o surgimento de João Moutinho ; Os dribles com a cabeça do miúdo Kerlon, exemplo máximo de arte aérea ; Os triunfos da Velha Guarda: Trapattoni, Rachão, Jesualdo Ferreira, Manuel Machado e Nelo Vingada ; O trabalho de Diamantino Miranda na Liga de Honra ; A massa adepta do Vitória Guimarães, Vitória Setúbal, Académica e Sp. Braga ; a subida à Liga de Honra do Barreirense ; o triunfo internacional do futebol russo através do CSKA, à boa imagem do que melhor se viu no futebol soviético dos anos 80, com a diferença de terem desaparecido os árbitros anti-comunistas primários ; futebol de dia, numa época de muito sol e pouca chuva, mesmo que com transmissões televisivas ; as análises de António Tadeia; os comentários de Jorge Coroado na RDP, TVI e O Jogo; os jogos de futebol da RTP Memória ; ReporTV e Liga dos Últimos ; a expressão 'Já Está!'; Carlos Secretário ter-se despedido do futebol com um auto-golo.
e o Terceiro Anel, claro.
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A Margarida não gostar de futebol - parte III ; Nível dos árbitros: nivelados por baixo, com os melhores a não passarem do mediano ; a expressões 'homens do futebol' e 'nova vaga' ; 'pressão vertical' e 'pressão horizontal' ; as crónicas e as polémicas de um tal de Nuno Amieiro na Revista Dez; as realizações televisivas da maior parte dos jogos de futebol da SuperLiga ; os poucos jogos transmitidos da Liga de Honra ; a reestruturação desestruturada do quadro competitivo do futebol português ; Cláudio Pitbull e para quem se lembrou de comparar Leandro do Bonfim com Zico; a saída de Derlei do FC Porto; a tenda do Paulo Almeida; as constantes referências e vénias a José António Camacho: o técnico que, em década e meia, ganhou o mesmo que José Rachão; Luís Campos: ou como se perdem 13 jogos em 19 e se consegue continuar a treinar na SuperLiga.
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As perdas de João Manuel, um jogador exemplar a todos os níveis, e de Jorge Perestrelo, dono de um estilo inimitável de narração desportiva, que me fez, durante muitos anos, optar sonoramente pela rádio em tantas tardes e noites de futebol.
Faltaram os golos
terça-feira, 12 abril 2005

Apenas 9 golos foram apontados na jornada 28 da SuperLiga. Um número curto, demasiado curto mesmo, que significa uma média apavorante de apenas um golo por jogo, com dez equipas a ficarem em branco. Curiosa a coincidência de nenhum dos cinco últimos na classificação ter marcado golos, o que olhando para os sistema de jogo apresentados, significa que os treinadores que lutam pela fuga à despromoção pensaram mais em segurar nulos, do que em vencer. Académica e Gil Vicente revelaram-se mais felizes do que Beira-Mar, Moreirense e Estoril, sendo que os 'canarinhos', também por jogarem em casa, e terem ficado cedo a perder, foram os que mais arriscaram ofensivamente.
Numa época que se tem destacado por ter uma média de golos, por norma, superior a dois por jogo, e que em três jornadas chegou mesmo a passar os três golos por partido, foi amplamente batido o record negativo da prova, que pertencia em igualdade às jornadas 7 e 18, com 17 golos, que equivalem a uma média de 1,89 golos/por jogo.
E, se olharmos para as últimas 6 épocas, foi batido o pior registo, que pertencia à jornada 19 da SuperLiga 2002/2003, em que tinham sido apontados 12 golos. Uma jornada onde os três 'grandes' venceram por 1-0: o FC Porto derrotou o Boavista, o Benfica o Beira-Mar e o Sporting venceu nos Açores, o Santa Clara.
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TAG: estádio de sítioMoreirense: Jesus para a «salvação»
quarta-feira, 6 abril 2005
Jorge Jesus não era a primeira opção para substituir Vítor Oliveira no comando técnico do Moreirense, mas com José Gomes, treinador do Leixões, e Horácio Gonçalves, treinador do Varzim, presos a contratos com os seus clubes, a direcção do Moreirense avançou para a aquisição do técnico amadorense, que regressa ao activo, mais de dez meses depois de ter abandonado o comando técnico do Vitória Guimarães, onde conseguiu segurar, com muito sofrimento à mistura, o principal emblema vimaranense na SuperLiga.
Com contrato até ao final da temporada, com mais uma época de opção, a acertar futuramente entre treinador e direcção, Jorge Jesus já traçou o plano para a salvação desejada: conquistar 11 pontos até ao final da SuperLiga.
Garantir a manutenção. Jorge Jesus confessou, na sua apresentação, estar totalmente consciente da dificuldade da missão que tem pela frente, que não é nova na sua carreira. Apaixonado pelo futebol e pelo trabalho de treinador, afirmou não ter medo de desafios e não hesitou em revelar que o seu objectivo passa por conquistar 11 pontos, que acha suficientes para garantir a permanência do emblema vimaranense na SuperLiga. Para o conseguir, tem em mente realizar um trabalho centrado principalmente em duas vertentes: a psicológica e a táctica, onde vê a necessidade de fazer algumas rectificações.
As frases fortes de Jorge Jesus:
'Vaos pensar jogo a jogo. Em teoria, se fizermos 11 pontos não descemos de divisão. Esta não é uma experiência nova para mim. Sei que vai ser difícil, mas não impossível'.
'Reconheço que este desafio é mais complicado do que o de Guimarães, porque lá tive 20 jogos, mas conheço bem esta equipa e sei que tem valor para sair desta situação. Vamos começar por trabalhar a questão emocional e psicológica para dar confiança aos atletas e depois temos de ser muito rigorosos em campo'.
Presidente aconselhou-se em Guimarães. Joaquim Almeida, presidente do Moreirense, quando questionado sobre se Jorge Jesus teria sido a primeira escolha para o cargo, afirmou ter contactado alguns treinadores de uma lista onde também constava o nome de Jorge Jesus. Sobre as questões que conduziram à escolha do novo treinador, confessou terem sido decisivas as conversas que teve com alguns jogadores do Vitória Guimarães: 'Sou vitoriano e falei com alguns jogadores de lá. Tendo também em conta o trabalho do Jorge Jesus no Vitória no final da época passada, tomei esta decisão, pois havia ordenados em atraso, o ambiente no balneário não era dos melhores, o presidente nem sequer aparecia... e o Jorge Jesus conseguiu a permanência'.
Dizer não ao Beira-Mar. Jorge Jesus, na sua apresentação, revelou também ter sido contactado pelo Beira-Mar, mas recusou o convite. Preferiu o Moreirense devido a vários factores. Revelou dois: o facto de conhecer bem a zona do País onde irá trabalhar ; e porque Mano Nunes só lhe oferecia um contrato até ao final da época, sem qualquer opção para renovação.
A nova equipa técnica. Com Vítor Oliveira, saiu também o preparador físico Sérgio Cruz. Armindo Cunha, adjunto da casa, e Miguel Ferreira, treinador de guarda-redes, mantêm-se em funções. Com Jorge Jesus chegam um novo adjunto e preparador físico. Raúl José, antigo adjunto do Alverca, será o seu novo 'braço direito', enquanto que Bruno Moura, que trabalhou no Beira-Mar na época passada e é filho de Rodolfo Moura, ficará encarregue da preparação física dos vimaranenses.
Primeira chicotada desde 1999/2000. A saída de Vítor Oliveira originou a primeira chicotada no clube, conhecido pela sua estabilidade, desde que Bernardino Pedroto, após um mau início de campeonato, cedeu o seu lugar a João Cavaleiro. Decorria a temporada 1999/2000, e o Moreirense estava na Liga de Honra, acabando por descer à 2ªB, de nada valendo a troca de treinador. No início da temporada 2000/2001, Manuel Machado assumiu o comando da equipa e manteve-se no cargo até ao final da temporada passada. Conseguiu duas subidas consecutivas de divisão, a que se seguiram duas épocas em crescendo na SuperLiga. Vítor Oliveira, a atravessar uma fase menos positiva na sua já longa carreira, totalizou 27 jogos como treinador do Moreirense, somando 5 vitórias, 10 empates e 12 derrotas.
As sete finais. Penafiel (f), Sporting (c), Boavista (f), Beira-Mar (c), FC Porto (c), Académica (f), Sp. Braga (c).
Beira-Mar: Inácio confiante na manutenção
quarta-feira, 6 abril 2005

Apresentado. Augusto Inácio será o treinador do Beira-Mar até ao final da época. Depois de Luis Campos ter apresentado a demissão após a derrota caseira com o Penafiel, Mano Nunes tentou contratar Jorge Jesus, mas o antigo técnico do Vitória Guimarães, onde curiosamente sucedeu a Inácio, não ficou satisfeito com a proposta de um contrato para sete jogos, optando por rumar ao Moreirense. Inácio aceitou a proposta, abdicando de qualquer salário em troco de um prémio pela manutenção. É o regresso do técnico, campeão nacional pelo Sporting em 2000, ao futebol português, depois de uma passagem pouco feliz pelo Al-Ahly do Qatar, entre Agosto e Novembro de 2004. Será acompanhado por Jacinto João (adjunto), Jorge Ramiro (preparador físico) e Paulino Silva (treinador de guarda-redes), o único resistente de todas as equipas técnicas que passaram pelo Beira-Mar esta época.
Confiante. Inácio, na apresentação, mostrou-se confiante em garantir a manutenção, afirmando que acha que o grupo de trabalho que tem à sua disposição tem bastante qualidade e enalteceu os directores do clube por não haver salários em atraso. E, apesar da estreia ser diante do Sporting, Inácio mostrou convicção numa vitória na estreia.
As frases fortes de Inácio:
'Vim para Aveiro por duas razões: a primeira, e mais importante, é que acredito ser possível manter o Beira-Mar e a segunda é porque tenho uma paixão pelo futebol'.
'Eu não vim ganhar dinheiro para o Beira-Mar. O meu contrato não é de receber ao fim do mês. Vim convicto de que o Beira-Mar se pode manter na SuperLiga e, nessa altura sim, terei o prémio da manutenção e sem valores mensais'.
'Sei que a tarefa não é fácil mas reconheço que o Beira-Mar tem um bom grupo e gente boa na direcção. Os jogadores não se podem queixar de nada, inclusivamente os pagamentos estão em dia o que não é comum'.
'Vi grandes exibições do Beira-Mar, sobretudo nos jogos disputados com os ‘grandes’. A questão das sucessivas metodologias de trabalho é um problema que tem de ser contornado. Os jogadores devem ter a cabeça um pouco baralhada'.
'Não devemos temer ninguém e não me passa pela cabeça não ganhar em Alvalade no próximo domingo. E digo isto sem arrogância, porque parece sina minha defrontar o Sporting nos primeiros jogos, como de resto aconteceu com o Marítimo e Belenenses'.
Mano Nunes aborda 'temas quentes'. O presidente do Beira-Mar não foi parco em elogios a Inácio, afirmando mesmo que é um treinador 'campeão', sublinhando o facto do treinador ter abdicado dos salários. Confiante na manutenção, Mano Nunes não se mostrou arrependido na aposta em Luis Campos, dizendo que nunca se arrepende de nada e que só quer o melhor para o seu clube. Em relação ao célebre acordo com o Stellar Group, muito contestado pelos adeptos do clube, prometeu falar mais detalhadamente no final da temporada.
Inácio, o sexto treinador numa época. Tudo começou com Mick Wadsworth, uma aposta estranha, num treinador inglês, com currículo duvidoso, e ligado ao Stellar Group, responsável pela colocação de vários jogadores no clube aveirense, graças a um protocolo muito contestado. Quatro jogos depois, problemas pessoais serviram de mote para o fim de uma relação muito conturbada, entre o treinador inglês e directores, jogadores, adeptos e restante equipa técnica. Seguiu-se Manuel Cajuda, chegando-se a falar em objectivos europeus, mas o experiente técnico não resistiu a apenas uma vitória em 10 jogos. Paulino Silva, de forma interina, orientou os aveirenses num empate em Coimbra, enquanto Mano Nunes acertava a aquisição de Chovanec - o treinador que chegou a ser apresentado por Mano Nunes, ainda que sem estar presente, mas que se arrependeu e nunca chegaria a aparecer. É aí que surge Luís Campos, como aposta pessoal de Mano Nunes, e mesmo reforçando fortemente o plantel, não conseguiu inverter o rumo das coisas, afundando ainda mais o clube aveirense. 12 jogos, apenas 2 vitórias e 7 derrotas, deixaram o Beira-Mar no último lugar, com 23 pontos, mas ainda a três pontos d 15ºlugar salvador.
Sporting na estreia. Como Augusto Inácio salientou, esta será a sua terceira estreia diante do Sporting. Só que se esqueceu de referir que perdeu nas duas anteriores: em 1996/1997, como treinador do Marítimo, e a época passada, como treinador do Belenenses.
Os sete jogos que faltam. Sporting (f), Boavista (c), FC Porto (c), Moreirense (f), Académica (c), Sp. Braga (f), Vitória Guimarães (c).
Com a corda na garganta
sábado, 2 abril 2005

O Beira-Mar, último classificado à partida para a jornada 27, tem contra si o peso da história: são raras, muito raras mesmo, as situações em que o último classificado a oito jornadas do fim do campeonato nacional conseguiu salvar-se. No entanto, os aveirenses estão já habituados a 'missões impossíveis'. Basta recordar-nos de há duas épocas atrás, quando o Beira-Mar, 17º classificado à jornada 27, conseguiu recuperar, em sete jornadas, os sete pontos que tinha de distância para o Varzim... de Luis Campos.
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TAG: estádio de sítioBoavista: observações no Brasil
sexta-feira, 1 abril 2005

Segundo a imprensa de Minas Gerais, Mamadu Bobó Djalô, antigo jogador do Boavista e agora prospector do clube, esteve no passado fim-de-semana em Patos de Minas, a observar a primeira mão de uma das meias-finais do Campeonato Mineiro de 2005, que colocou frente a frente o URT e o Ipatinga. Os laterais Luizinho e Beto, o médio centro Leandro Salino e o avançado Kanu, todos eles jogadores do Ipatinga, 'clube-satélite' do Cruzeiro, foram os jogadores que impressionaram Bobó, que regressou a Portugal com relatórios técnicos, mas também com conhecimento das condições financeiras para a consumação da(s) transferência(s).

Quem são. Luiz António de Oliveira, mais conhecido por Luizinho, é um lateral direito de vocação ofensiva, que se destaca pela capacidade para fazer todo o corredor, evidenciando qualidade nos cruzamentos. Aos 22 anos, este jogador titularíssimo no Ipatinga, foi revelado pelo Mogi Mirim, de São Paulo, e está contratualmente ligado ao Cruzeiro, que possui 70% do seu passe, sendo que os restantes pertencem ao Ipatinga.
Luiz Alberto de Souza, mais conhecido por Beto, é lateral esquerdo, tendo completado 24 anos no passado mês de Fevereiro. O jogador, natural de São João del Rei, em Minas Gerais, já representou o Tupi, o Cruzeiro e o Joinville, onde esteve de 2002 a 2004, impondo-se como titular. Aliás, ao serviço do último clube foi protagonista de um episódio de indisciplina que acabou por determinar o fim dos seus dias no emblema de Santa Catarina: o ano passado, numa partida diante do América Mineiro, o jogador ao ver que iria ser substituído, reclamou de forma pouco apropriada e acabou por ser expulso, prejudicando o rendimento da equipa na partida. O seu passe é repartido pelo Ipatinga, que possui 70%, e o Cruzeiro, detentor de 30%.
Leandro Salino do Carmo, de 19 anos, é um produto das escolas do Cruzeiro, e foi emprestado este ano ao Ipatinga, onde está a ser uma das maiores revelações do 'Mineirão 2005'. Médio centro, que defende e ataca, tem sido um jogador chave na excelente campanha do Ipatinga no Estadual. Curiosamente, há um ano, já defrontou o Benfica, numa partida a contar para o Torneio de Bellizona de sub-19, quando ainda representava os escalões de formação do Cruzeiro.
Por fim, Kanu. Elias de Oliveira Rosa, de 22 anos, completados em Fevereiro, é outro produto das escolas do Cruzeiro, que o descobriu bastante jovem no Vargense, de Santana da Vargem, em Minas Gerais. Bastante promissor, desde 2001 que trabalha com o plantel sénior do Cruzeiro, mas as poucas oportunidades no clube, levaram a que fosse emprestado, este ano, ao Ipatinga. Apesar de ter começado como suplente de Marinho e Gustavinho, este avançado móvel e oportuno, de 1.75/65, fixou-se ultimamente como titular, contando com 3 golos no Campeonato Mineiro 2005, um deles apontado na partida das meias-finais diante do URT.
Perrella confirma. Zezé Perrella, vice-presidente do Cruzeiro, clube que detém parte dos passes de Beto (30%) e Luizinho (70%), e a totalidade dos direitos sobre Leandro Salino e Kanu confirmou as negociações com o Boavista à imprensa mineira, revelando que devido ao limite de estrangeiros no futebol português é possível que nem todos os jogadores rumem ao Bessa. No entanto, o dirigente do Cruzeiro revelou que o clube mineiro apenas está disposto a ceder 50% do passe de qualquer dos jogadores, sendo que os valores estão fixados entre 100 mil dólares (cerca de 77 mil euros) e 200 mil dólares (cerca de 154 mil euros).
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TAG: estádio de sítio , futegrafiasDescubra as diferenças
quinta-feira, 31 março 2005
Após a paragem do último fim de semana, a derradeira até ao final da prova, estão de regresso as emoções da SuperLiga, para oito jornadas escaldantes, já que praticamente todas as decisões estão em aberto. Olhando para a classificação observamos uma confusão a que não estamos habituados, sobretudo tendo em conta a possibilidade de cinco equipas poderem ainda ser campeãs já no último quarto de campeonato. Este não será um exercício sobre o tão falado nivelamentoporcimaouporbaixo, mas sim baralhar ainda mais as contas, partindo de três classificações virtuais: o campeonato das 1ªs partes, das 2ªs partes e após a reabertura de mercado. As surpresas, claro está, são mais que muitas.
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TAG: estádio de sítio
