Cristián Rodríguez: Cebola voadora
segunda-feira, 18 fevereiro 2008

Cristián Rodríguez e Nuno Assis: os protagonistas do Benfica em vitória histórica

A PRIMEIRA VITÓRIA NA FIGUEIRA DA FOZ. Depois de dois empates nas temporadas 2005/06 e 2006/07, o Benfica conseguiu ontem o seu primeiro triunfo, em jogos da Liga portuguesa, no Estádio José Bento Pessoa, na Figueira da Foz. Para fazer face à exibição desinspirada dos encarnados, a ressentirem-se da ausência, por opção, de Rui Costa no “onze” titular, e sem rotinas para praticar um futebol mais british do que nos tempos de Graeme Souness, surgiu um desbloqueador: aos 18 minutos, um lançamento lateral de Gilles Binya esteve na origem do golo inaugural, apontado por Cristián Rodriguez, em novo golpe de cabeça, após saída em falso do intermitente Wilson Júnior. Foi a terceira vez que a força de braços de Binya se revela decisiva para lançar o Benfica para triunfos, sempre em fases delicadas dos jogos. Já o fora, diante da Académica, num lance com algumas similitudes ao de ontem, já que Luisão, num sumptuoso golpe de calcanhar, aproveitou uma saída em falso do guarda-redes Ricardo Nunes, para fazer o 2-1 ; como também na vitória caseira diante do Estrela da Amadora, ao proporcionar a Cebola Rodríguez o 1-0, numa altura em que os assobios subiam de tom na Luz, até porque Camacho, minutos antes, deixara Rui Costa nos balneários, depois de ter sido a única unidade acima da média durante o primeiro tempo. Mas se nesse jogo, o golo de Rodríguez acabou por “despertar” o Benfica, na Figueira da Foz as melhorias foram inexistentes até à entrada de Rui Costa e Sepsi, guardadas para os últimos 5 minutos. Apesar de algum sofrimento, os encarnados chegariam ao 0-2, ao minuto 90, naquele que foi o 15º golo da temporada nos últimos cinco minutos dos jogos. Nuno Assis, que se estreara a marcar, ao minuto 90, da recepção ao Paços de Ferreira, para a Taça de Portugal, há uma semana, repetiu a façanha, desta feita concluindo um cruzamento atrasado do romeno László Sepsi, a confirmar um dos seus melhores predicados.

CEBOLA VOADORA. Foi o 5º golo da temporada de Cristián Rodríguez, com a curiosidade de todos terem sido apontados na Liga, competição onde é o terceiro melhor marcador do Benfica, logo a seguir a Oscar Cardozo e Nuno Gomes. Jogador de estatura mediana – 1.75 – surpreende ao ser o melhor cabeceador dos encarnados em 2007/08: é que quatro dos seus cinco golos surgiram em finalizações aéreas, números que se tornam ainda mais significativos, por representarem mais de um terço dos golos de cabeça do Benfica esta temporada. Nuno Gomes e Cardozo, com dois, seguem-se na lista, onde se juntam ainda Petit, Katsouranis e Luisão, com uma finalização vitoriosa cada. Mas se nos restringirmos apenas aos números da Liga, a preponderância de Rodríguez aumenta, correspondendo a mais de metade dos 7 golos apontados em finalizações aéreas. Nuno Gomes, com dois, ambos na sequência de cruzamentos da esquerda de Cristián Rodríguez, e Petit, com um, na jornada inaugural diante do Leixões, completam a lista.

O PERCURSO DE CEBOLA. Depois de dar os primeiros passos futebolísticos nas escolas do Juan Lacaze, o principal clube da sua cidade natal, Nelson Di Cono, olheiro do Peñarol, não hesitou em indicar a sua aquisição, após algumas observações. A adaptação ao grande clube de Montevideo não foi fácil e as saudades da família e da sua cidade – situada a mais de cem quilómetros da capital uruguaia – eram muitas. Contudo, tornar-se-ia numa das referências dos escalões de base do Peñarol, jogando sempre em escalões etários superiores ao seu, e aos 15 anos já efectuava alguns treinos com a equipa principal. Em 2002, com apenas 16 anos, estreou-se pela primeira equipa, mas a sua explosão ocorreu em 2003: depois de ter sido a principal estrela da selecção uruguaia sub-20 no Sul-Americano de 2003, prova que não completou devido a uma lesão, foi reintegrado na primeira equipa e assim que recuperou impôs-se como titular – 2 golos em 21 jogos -, ajudando o seu clube a chegar ao título uruguaio, onde coincidiu com Pablo Bengoechea, um dos seus ídolos, cortando o domínio do rival Nacional. Em 2004, apontaria 3 golos em 28 jogos e conquistaria espaço na selecção principal, pela qual jogou a Copa América. No início de 2005 foi o capitão da selecção uruguaia no Sul-Americano disputado na Colômbia, onde voltou a brilhar, chamando a atenção de vários clubes europeus. Iniciou-se então uma batalha com o Peñarol, ao não aceitar uma proposta de renovação, que fez com que fosse afastado da equipa. Transferiu-se, no Verão de 2005, juntamente com o colega de equipa Carlos Bueno, para o Paris Saint-Germain, à revelia do clube, o que o tornou num “traidor” para os adeptos do Peñarol e o obrigou a uma paragem até final de Novembro do mesmo ano, por decisão da FIFA. Em Paris, durante dois anos, nunca se conseguiu impor como titular, apesar de algumas boas indicações a espaços. Ajudou o clube a vencer a Taça de França em 2005/06, mas não foi opção para os jogos decisivos. No último Verão, uma boa participação na Copa América, abriu-lhe perspectivas de uma eventual – e desejada – transferência. Demorou a concretizar-se, mas chegaria ao Benfica nos últimos dias de Agosto, juntamente com o seu compatriota Maxi Pereira, numa “operação” que coincidiu com o regresso de José António Camacho ao clube da Luz. Muito se falou sobre a passagem fracassada por Paris e sobre a sua (in)capacidade para suprir a saída de Simão Sabrosa, como também a história da sua alcunha – o Cebola, porque as suas fintas faziam chorar os defesas adversários – tornou-se até numa peça do anedotário futebolístico luso. A estreia ocorreu, poucas semanas depois, na deslocação à Choupana, para defrontar o Nacional, onde apesar de algum excesso de peso, deixou boas indicação nos 26 minutos em que esteve em campo – período em que o Benfica apontou dois golos -, depois de render Nuno Gomes. Seguiu-se a titularidade diante da Naval, jogo em que se cotou como um dos melhores em campo, ao apontar um golo e a realizar uma assistência para um tento de Nuno Gomes. Sempre a crescer do ponto de vista físico, tornou-se num dos melhores jogadores do Benfica ao longo da primeira volta, granjeando prestigio junto dos adeptos e de alguns históricos do clube, como António Simões, que lhe teceu rasgados elogios, considerando-o um jogador “à Benfica”. Uma lesão, no início do ano, diante do Vitória de Setúbal, afastou-o cerca de um mês da competição, estando agora a reaparecer gradualmente, ainda que a paragem lhe tenha retirado o fulgor mostrado na primeira fase da época. Com contrato até ao final da época vão começando a surgir notícias que apontam a renovação como difícil, fruto do interesse de vários clubes europeus no seu concurso. Se são verdadeiras ou meras manobras de diversão do grupo de empresários que detêm o seu passe para valorizá-lo o futuro o dirá.

OS 5 GOLOS DE CRISTIÁN RODRÍGUEZ PELO BENFICA AO DETALHE

Cebola Rodríguez: 5 golos pelo Benfica

(carregar na imagem para ver com maior detalhe)

- 5 golos apontados pelo Benfica em 23 partidas entre todas as competições. Foi titular em 21 jogos – 12 completos – e suplente utilizado em 2 ocasiões. Soma 12 vitórias, 5 empates e 6 derrotas.
- Totaliza 1825 minutos de utilização, que correspondem a uma média de 79 minutos por jogo.
- Liga: 14 jogos – 5 golos ; Taça de Portugal: 1 jogo – 0 golos ; Liga dos Campeões: 5 jogos – 0 golos ; Taça da Liga: 2 jogos – 0 golos (apontou 1 golo no desempate por grandes penalidades, diante do Estrela da Amadora).
- Golos ao detalhe: 3 em casa ; 2 fora de casa. 3 nas primeiras partes ; 2 nas segundas partes.
- Dos seus 5 golos, 4 foram apontados de cabeça. O outro foi apontado de pé esquerdo. Três dos seus cinco golos surgiram na sequência de lances de bola parada: dois de lançamentos laterais à direita – uma assistência directa de Binya, o outro após um corte incompleto de um defesa, após lançamento lateral do camaronês – e outro de livre lateral, à esquerda, apontado por Rui Costa. Os outros dois golos surgiram em lances de ataque organizado: frente à Naval, em casa, a concluir, de pé esquerdo, uma assistência de Di María ; frente ao Boavista, em casa, numa recarga de cabeça, após defesa incompleta de Peter Jehle, a remate de Rui Costa.
- 4 dos seus 5 golos aconteceram em finalizações na área – sempre de cabeça. Um deles, diante do Paços de Ferreira, foi apontado dentro da pequena área, numa finalização, em antecipação, ao primeiro poste. Também diante do Estrela Amadora marcou um golo em movimento semelhante, mas a uma distância maior da baliza.
- Nunca marcou golos em jogos consecutivos ou jornadas consecutivas.
- 9 jogos consecutivos sem marcar é o seu pior registo ao serviço do Benfica: depois de se estrear a marcar diante da Naval, a 15 de Setembro de 2007, só voltou a marcar a 3 de Novembro de 2007, diante do Paços de Ferreira. Se nos restringirmos apenas a jogos da Liga, o seu pior registo são 4 jogos consecutivos sem marcar, entre os mesmos jogos.
- Realizou 3 assistências para finalizações, sempre a partir de cruzamentos, com a curiosidade de ter sido sempre Nuno Gomes a conclui-los. Dois deles surgiram de cruzamentos da esquerda – Naval e União de Leiria – e outro de um cruzamento do centro-direita, diante do Boavista.
- Viu 4 cartões amarelos: 3 na Liga e 1 na Liga dos Campeões.


OUTROS NÚMEROS DO “CEBOLA”

Cristián Rodríguez pelo Paris Saint-Germain

- 36 jogos pelo Paris Saint-Germain, na divisão maior do futebol francês, nas duas épocas que representou o clube (2005/06 e 2006/07). Nesses 36 jogos, Rodríguez venceu 11 vezes, empatou 15 e perdeu 10.
- Dos 36 jogos que efectuou foi apenas titular em 9 ocasiões, tendo sido utilizado em 27 jogos a partir do banco. Completou apenas 3 jogos.
- Apenas apontou 1 golo pelo Paris Saint-Germain na Ligue 1. Foi a 10 de Fevereiro de 2007, aos 86 minutos, em casa, diante do AS Mónaco (vitória 4-2). Rodríguez entrara 3 minutos antes em campo.
- Esteve 27 jogos sem marcar golos: entre a sua estreia, a 3 de Dezembro de 2005, diante do Olympique Lyon, e o seu primeiro golo, diante do AS Mónaco, em 10 de Fevereiro de 2007.
- Viu 5 cartões amarelos.

- No mesmo período, efectuou ainda 5 jogos na Taça de França – 4 vezes titular –, 3 na Taça da Liga – sempre titular e 6 na Taça UEFA – 3 como titular, 2 completos.
- Apontou 2 golos na Taça de França: ao Vermelles, fora, em 2005/06 ; e ao Valenciennes, casa, em 2006/07, que valeu uma vitória por 1-0 e o apuramento para os quartos-de-final da competição.

- Fez ainda 7 partidas pela equipa de reservas do Paris Saint-Germain, que disputa a CFA, 4º escalão do futebol francês. Marcou um golo.

 Cristián Rodríguez pelo Peñarol

- 5 golos pelo Peñarol em 55 jogos, na divisão maior do futebol uruguaio, onde actuou entre 2002 e 2005.
- Dos 5 golos que apontou 3 foram apontados em casa ; 2 fora de casa. 4 com os pés e 1 de cabeça. Todos os golos foram apontados nas segundas partes, com a curiosidade de três terem sido apontados no último minuto do jogo.
- Em 2004 apontou um golo na Taça Libertadores – diante do Strongest, em casa – e um na Copa Sul-Americana – diante do Cerro Porteño, fora. Ambos os golos foram apontados com os pés e nas segundas partes dos jogos.

Cristián Rodríguez pelo Uruguai

- 2 golos em 20 jogos pela Selecção principal do Uruguai. Nesses 20 jogos, Rodríguez soma 7 vitórias, 7 empates, 6 derrotas.
- Os seus 2 golos aconteceram nas segundas partes dos jogos: marcou diante da Argentina (derrota 2-4), a 9 de Junho de 2004, aos 63 minutos, em jogo da fase de qualificação para o Mundial 2006 ; e apontou, aos 87 minutos, um dos golos da vitória do Uruguai sobre a Venezuela (4-1), a 7 de Julho de 2007, na Copa América.
- A sua estreia pela Selecção ocorreu na Copa América de 2004, diante do México, a 7 de Julho de 2004. Jogou os 90 minutos no empate a dois golos.
- O seu último jogo pelo Uruguai foi no passado dia 6 de Fevereiro, num particular diante da Colômbia. Entrou ao intervalo e viu um cartão amarelo, num empate a dois golos.

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Aberdeen: Tempo dos mais novos
sexta-feira, 15 fevereiro 2008

O choro de Jamie Langfield

EMPATE A DOIS. Numa das partidas dos dezasseis avos de final da Taça UEFA, o Aberdeen arrancou um surpreendente empate caseiro a dois diante do poderoso FC Bayern München, um dos principais favoritos à conquista da prova. Sem cinco habituais titulares, a equipa de Pittodrie Street, que está a realizar uma época medíocre a nível interno e vinha de dois resultados desastrosos em casa – derrotas por 1-4 com Dundee United, para a League Cup, e 1-5 com o Celtic, para a Premier League -, esteve por duas vezes em vantagem no marcador e pode queixar-se de uma arbitragem desastrosa do espanhol Iturralde González, que fez vista grossa a dois lances polémicos na grande área do Bayern, para além de ter apontado uma grande penalidade muito duvidosa a favor da formação alemã, que esteve na génese do 2-2, com Hamit Altintop a marcar na recarga ao castigo máximo por si desperdiçado, levando às lágrimas Jamie Langfield, o guardião do Aberdeen, protagonista de uma excelente exibição.

A NOITE “TEEN”. Na equipa do Aberdeen destacaram-se dois jovens ingleses de 18 anos, curiosamente colegas de equipa também na selecção sub-19: o extremo Sone Aluko, cujo passe pertence ao Birmingham City, e que se encontra no Aberdeen desde Outubro, e o médio-centro Josh Walker, em noite de estreia, já que chegou ao clube, no final do mês de Janeiro, oriundo do Middlesbrough, depois de um excelente percurso nas selecções jovens inglesas, capitaneando os sub-16 e sub-17. Aluko, de origem nigeriana, foi mesmo o melhor em campo: assistiu Walker para o golo inaugural do Aberdeen, num excelente remate em arco, e já depois de Klose fazer o empate, apontou o segundo tento da formação escocesa, num remate colocado, após deixar Lell para trás.

O 4x5x1 DO ABERDEEN. Jimmy Calderwood, técnico do Aberdeen, antiga glória do Birmingham City e há quase quatro anos em Pittodrie, apresentou a sua equipa num 4x5x1, desdobrável ofensivamente em 4x2x3x1. Na baliza esteve o experiente Jamie Langfield, de 28 anos, antigo internacional escocês sub-21, titular indiscutível, que caminha para os 150 jogos na Liga escocesa, onde também representou Dundee e Partick Thistle. Terá realizado uma das melhores exibições da sua carreira, mostrando colocação e agilidade entre postes, como também agressividade nas saídas por alto, tirando partido da sua elevada estatura (1.94) e pujança física nos confrontos com Luca Toni e Miroslav Klose. Comunicativo e com perfil de líder, soube comandar a dupla de centrais que esteve à sua frente, que não prima pela consistência, formado por Lee Mair, de 27 anos, contratado este ano ao Dundee United, e pelo jovem Alexander Diamond, de 22 anos, produto das escolas do clube e a cumprir a sua sexta época como profissional. Diamond, antigo internacional sub-21, ainda assim, mostra mais qualidade e potencial que o seu colega de sector: muito alto (1.88), domina o espaço aéreo, mostrando também qualidades no desarme, atacando a bola com agressividade e contundência, não se mostrando nada peco quando é preciso jogar feio. Mair, que apareceu no lugar do recém-contratado holandês Dave Bus, titular diante do Celtic, apesar de talhado para acções de marcação, mostrou-se frágil no jogo aéreo e excessivamente duro de rins. Nas laterais, dois jogadores que tiveram uma noite complicada: Alan Maybury, internacional irlandês, de 29 anos, antigo jogador do Leeds United e recém-contratado ao Leicester City, nunca se entendeu com a velocidade de Schweinsteiger, apesar da noite desinspirada do internacional alemão, mas bem pior esteve o jovem Andrew Considine, de 20 anos, um central de origem, que foi adaptado à esquerda, nunca se entendendo com as dinâmicas de Altintop, um dos melhores dos alemães – esteve na origem do primeiro golo e apontou o segundo. No meio campo, uma dupla de médios-defensivos: o experiente Scott Severin, antigo jogador do Hearts, a caminho dos 300 jogos na Premier League escocesa, 14 vezes internacional pela Escócia, muito eficaz a nível posicional, ocupando bem os espaços e forte no choque, para além de importante no lançamento de algumas iniciativas ofensivas, pois tem capacidade de passe ; e o jovem estreante Josh Walker, internacional inglês nos escalões de formação, protagonista de uma exibição de encher o olho, pois alia uma excelente capacidade defensiva, já que é muito forte em acções de pressão e no desarme, tirando partido também do facto de ser um central de origem, mas importante nos desdobramentos ofensivos, pela boa condição física evidenciada, que lhe permite aparecer em zonas próximas da área adversária, mas também pela capacidade de passe e no remate, que lhe valeu um golo na estreia, numa finalização em arco, plena de efeito. Ainda na zona intermediária, uma segunda linha composta por três jogadores: Barry Nicholson, 3 vezes internacional A escocês, de 29 anos, um médio centro que foi adaptado à direita, onde se revelou mais importante do ponto de vista táctico – fechar as subidas de Marcel Jansen e apoiar defensivamente, quer Alan Maybury, quer a dupla de médios defensivos -, do que pela capacidade ofensiva, pois o jogo raramente passou pelos seus pés ; Darren Mackie, uma das “estrelas” do clube, jogador de 26 anos, produto das escolas do Aberdeen, com 43 golos em 215 jogos na Premier League escocesa, ao centro, onde permitia, quando a equipa defendia, criar uma superioridade numérica 3x2 na zona central do meio-campo, mas importante no desdobramentos ofensivos, onde aparecia como segundo avançado, procurando tirar partido da velocidade e agressividade ofensiva, os pontos mais fortes do seu jogo ; e Sone Aluko, o melhor em campo, sobre a esquerda – jovem internacional inglês nos escalões de formação, de 18 anos, algo franzino do ponto de vista físico – 1.73 / 62 -, mas extremamente rápido e incisivo, quer na exploração de diagonais, quer a procurar a linha de fundo, que se revelou uma permanente dor de cabeça a Lell, mostrando também potencial técnico, qualidade nos passes e cruzamentos – onde se poderá tornar mais constante – e um bom remate de pé esquerdo. Na frente do ataque, Lee Miller teve uma missão de sacrifício, mas bateu-se muito bem frente a Lúcio e DeMichelis, apesar de algumas limitações de ordem técnica, que não o impediram de assistir Aluko para o 2-1. Apesar dos seus 24 anos, tem um currículo goleador pelos vários clubes por onde passou – Falkirk, Bristol City, Hearts e Dundee United, cumprindo a sua segunda temporada ao serviço do Aberdeen, pelo qual soma 12 golos na Premier League escocesa, mas permanece a “seco” na Taça UEFA. Um dos pontos fortes do seu jogo – o poder aéreo, acabou por ser pouco explorado, o que o deixou em dificuldades, pois acabou por não ter grandes oportunidades para finalizar. Já com o resultado em 2-2, Calderwood lançou o inglês Steve Lovell no ataque, para os últimos 20 minutos, abdicando de Mackie, em dificuldades físicas. Lovell, outro jogador de área, juntou-se a Miller, mas nada acrescentou, até porque atravessa uma fase negativa, que levou a que perdesse a titularidade. A outra opção, já na fase terminal do jogo, passou pela entrada do holandês Karim Touzani, que rendeu o “esgotado” Walker. Touzani, que nunca se impôs como titular absoluto de Utrecht e Twente, está a ter uma passagem sem chama pelo futebol escocês e já não jogava desde Dezembro.

VINGANÇA ALEMÃ. Apesar do resultado ser lisonjeiro para o FC Bayern München, a passagem aos oitavos de final está escancarada para o histórico emblema alemão, que já parte para a segunda mão com vantagem. Será a oportunidade para o ajuste de contas, pois o FC Bayern foi eliminado da Taça das Taças pelo Aberdeen, de Alex Ferguson, nos quartos de final da Taça das Taças 1982/83. O Bayern, orientado, na altura, pelo húngaro Pál Csernai, que passaria depois pelo Benfica, não foi além de um 0-0 caseiro no Olympiastadion, numa noite de pouca inspiração de Paul Breitner, Dieter Houness e Karl-Heinz Rummenigge, que não conseguiram bater um inspiradíssimo Jim Leighton. Na segunda mão, no Pittodrie Stadium, o Bayern adiantou-se logo aos 10 minutos por Klaus Augenthaler, o que obrigava o Aberdeen a marcar dois golos. O sonho escocês manteve-se vivo, quando, aos 39 minutos, Neil Simpson empatou, mas Hans Pfügler, já na segunda parte, voltava a colocar o Bayern na frente do marcador e parecia resolver a eliminatória. Contudo, o minuto 76 revelar-se-ia decisivo: Alex Ferguson lançou o avançado John Hewitt em campo, e em dois minutos o Aberdeen deu a volta à eliminatória, com golos de McLeish e do inevitável Hewitt, que, dois meses depois, voltaria a sair do banco para oferecer ao Aberdeen a conquista da Taça das Taças, no prolongamento da final diante do Real Madrid, disputada em Gotemburgo.

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Robin Friday: O melhor futebolista que jamais vimos jogar
quinta-feira, 14 fevereiro 2008

Robin Friday: o melhor futebolista que jamais vimos jogar

Quando pediram a David Coles, responsável pelo World Sport Service da BBC, a sua lista de melhores futebolistas de sempre, o prestigiado jornalista britânico não hesitou em juntar o nome de Robin Friday a Bobby Moore, Bobby Charlton, George Best, Maradona, Rivelino, Pelé, Yashin, Beckenbauer e Cruyff. Sem qualquer jogo realizado na divisão maior do futebol inglês e sem passado a nível internacional, Friday é, no entanto, recordado pelos que o viram jogar como um avançado genial, de uma velocidade impressionante, técnica e grande capacidade de finalização. A sua história errante transformou-o também num ícone pop: os Super Furry Animals, conhecida banda galesa do indie-rock, escolheu uma foto sua, em atitude provocatória para um guarda-redes adversário, para a capa do single “The Man Don’t Give a Fuck”, canção dedicada ao jogador ; e Paul “Guigsy” McGuinan, ex-baixista dos Oasis, banda que fundou com os irmãos Gallagher, é um dos responsáveis pela única biografia de Friday disponível no mercado, “The Greatest Footballist You Never Saw”.

Nascido a 27 de Julho de 1952 em Hammersmith, na região oeste da cidade de Londres, Robin cresceu numa família numerosa e num ambiente social tumultuoso, com inúmeras privações e rodeado de marginalidade. O seu talento futebolístico, no entanto, cedo se realçou, e incorporaria a equipa infantil do Queen’s Park Rangers, de onde rumaria ao Chelsea. Quando parecia iniciar uma trajectória capaz de o retirar do ambiente conturbado em que vivia, surpreendeu ao abandonar o Chelsea e a rumar ao modesto Walthamshow Avenue, onde ficaria pouco tempo, já que rumou ao Hayes, da 4ª Divisão, onde iniciou o seu percurso como sénior. Os motivos da sua escolha são o primeiro passo para justificar a sua história errante: é que o Hayes era o clube mais próximo de Hammersmith e ao lado da sede do clube havia um pub, que vendia a cerveja mais barata da região londrina. Os primeiros episódios de indisciplina não tardaram. O clube atravessava um período complicado a nível económico e o seu plantel era composto por trabalhadores do bairro, o que fazia com que os jogadores só se reunissem ao sábado. Os jogos começavam e o Hayes, muitas vezes, só tinha 10 elementos em campos. Faltava Friday, que, invariavelmente, se atrasava a beber o último copo de cerveja no pub vizinho ao estádio. Vestia o equipamento apressadamente, entrava em campo e resolvia as partidas, com golos fantásticos. Os adversários, inicialmente, não o levavam a sério: viam-no a tropeçar sozinho em campo e a correr sem sentido, mas, de repente, despertava e decidia as partidas. O tempo foi passando e a história repetia-se, noutros pubs, depois em bancos de jardim, onde adormecia alcoolizado, mas sempre misturada com golos, muitos golos, alguns apontados em elevado estado de embriaguez. Era uma força da natureza, que gostava de ter a bola nos pés e que só tinha olhos pela baliza adversária. Tudo lhe parecia fácil: provocador, ultrapassava os adversários com grande facilidade e lutava contra os seus próprios limites. O jogo terminava e diz-se que Friday, muitas vezes, nem passava pelo balneário: saia directamente do relvado para um bar, algumas vezes com a camisola do jogo ainda envergada.

Contudo, em 1972, a sua carreira, e sobretudo a sua vida, sofriam o primeiro grande revés. Robin Friday foi encontrado totalmente alcoolizado, com o estômago e os pulmões perfurados por um objecto metálico depois de ter chocado contra um portão. Conduzido de ambulância ao hospital, esteve seis horas na sala de operações, mas os médicos conseguiram-no salvar. Três meses depois, estava de regresso aos relvados. Seguiram-se mais golos e bebedeiras, que não impediram o Hayes de lhe oferecer o primeiro contrato como profissional de 750 libras. Em 1973, indiferente às histórias de mau profissionalismo, o Reading, então no terceiro escalão, apostou na sua aquisição. Apontou 46 golos em 121 jogos em três anos ao serviço do Reading, que lhe valem o estatuto de “Melhor jogador de sempre do Reading” e de “Melhor jogador do século XX” para os adeptos do clube. Em Março de 1976, diante do Tranmere Rovers, marcou um golo que é definido como um dos melhores da história do futebol inglês, numa finalização acrobática, após rotação de 180 graus, que levou Clive Thomas, o árbitro da partida, a colocar as mãos na cabeça de espanto, enquanto que a multidão festejava com o seu ídolo. Não se pense que o comportamento disciplinar de Friday mudou: é certo que não chegava atrasado aos jogos, mas foram inúmeros os seus actos de indisciplina, dos quais se destaca o seu desaparecimento no Verão de 1975, falhando a pré-época do Reading. Desesperou os dirigentes do clube, que não o conseguiam encontrar, e depois de algumas semanas de ansiedade, foi descoberto na comunidade hippie de Cornwall, onde se rendera à marijuana e às drogas duras. Desentendimentos com adversários e técnicos fizeram também parte do seu percurso: agrediu, ao pontapé, Mark Lawrenson, quando o futuro internacional irlandês e central do Liverpool, jogava no Preston North End ; e ficou célebre um diálogo com Maurice Evans, técnico do Reading, quando Friday lhe perguntou a idade. Evans, desconfiado, limitou-se a responder que tinha muitos anos e Friday retorquiu: “Eu tenho metade da sua idade, mas já vivi tanto que, com a minha idade, já vivi duas vezes mais do que o senhor”.

No Verão de 1976, o Cardiff City, da 2ªDivisão, apostou na sua aquisição. Pagou 30 mil libras ao Reading pelo seu passe, e a sua estreia foi auspiciosa: frente ao West Ham United, onde militava o mítico Bobby Moore, em final de carreira, apontou dois golos, para além de ter protagonizado algumas jogadas de grande espectáculo. Mas, a partir daí, afundar-se-ia aos poucos, realizando apenas 25 jogos pela equipa principal, que não impediram os adeptos do clube de considerá-lo o “Melhor jogador de sempre do Cardiff City”. Contudo, os seus problemas de alcoolismo agudizaram-se – à dependência de cerveja, juntou a de vodka e whisky – e afundou-se em drogas duras, ligando-se aos principais dealers de Cardiff, que não mais o largaram. Sairia do clube completamente derrotado pelas dependências, mas não sem antes protagonizar mais episódios caricatos: foi detido pela polícia por ter viajado de comboio sem bilhete na linha de Cardiff, e acabou por ser preso por desacato à autoridade, depois de ter beijado na boca um dos polícias que o detivera ; o episódio do beijo ao polícia não foi novidade, pois já o protagonizara, num jogo, após marcar um golo ; numa partida foi expulso, já que chateado com a agressividade excessiva de um defesa, decidiu baixar-lhe os calções e as cuecas ; e não satisfeito, após a expulsão, decidiu defecar à porta do balneário adversário.

Após deixar o Cardiff, Friday abandonou o futebol e prosseguiu a sua vida de excessos em Londres, onde para além da dependência do álcool e de drogas, foi-se deixando envolver pelo tráfico de drogas e acumulando dívidas de jogo. Apareceu morto num apartamento a 22 de Dezembro de 1990, vítima de uma overdose de heroína, que lhe provocou uma paragem cardíaca, poucos meses depois de ter completado 38 anos. Foi o último auto-golo do melhor futebolista que jamais vimos jogar.

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Benfica – Nuremberga: o reencontro 46 anos depois
quarta-feira, 13 fevereiro 2008

Gerhard Strick REENCONTRO. Benfica e Nuremberga disputam amanhã a primeira mão dos 16 avos de final da Taça UEFA, num jogo que marcará o reencontro dos dois clubes, quarenta e seis anos depois de terem disputado uma histórica eliminatória da Taça dos Campeões Europeus. Foi em 1961/62, nos quartos de final da competição, que o sorteio ditou que o Benfica, campeão europeu em título, se cruzasse com o Nuremberga, campeão alemão e a realizar uma excelente campanha na prova europeia, onde somava por vitórias todos os jogos disputados. O conjunto germânico começou por eliminar o Drumcondra Dublin sem grande dificuldade: 5-0 em Nuremberga e 4-1 na Irlanda, numa partida em que se destacou o avançado Heinz Strehl, antigo internacional alemão, já falecido, ao apontar um “poker”, dando sequência aos dois golos que já marcara no desafio da primeira mão. Seguiu-se um embate difícil diante dos turcos do Fenerbahçe, mas a vitória 2-1 em Istambul, com Strehl a marcar mais um golo, abria excelentes perspectivas para a segunda mão, que se confirmaram, com nova vitória, desta feita por 1-0, graças a um golo de Tasso Wild. O Benfica, por sua vez, ficou isento da primeira eliminatória da competição, beneficiando do estatuto de Campeão Europeu. A estreia dos “encarnados” ocorreu em Viena, diante do Austria, onde obtiveram um empate a um, graças a um golo de José Águas. A passagem em frente foi obtida, de forma tranquila, na Luz, com uma vitória por 5-1 – Águas e Santana bisaram, cabendo o outro golo a um jovem chamado Eusébio da Silva Ferreira.

A NOITE DE FLACHENECKER. Ao contrário do que acontecerá amanhã, a primeira mão da eliminatória foi disputada em Nuremberga, a 1 de Fevereiro de 1962. O conjunto alemão estava fortemente motivado com uma série de 7 triunfos consecutivos – 1 na Taça dos Campeões e 6 na Oberliga - e mais de 40.000 pessoas compareceram no Städtisches Stadium, criando um ambiente de forte apoio à equipa. Contudo, seria o Benfica, através de Cavém, a adiantar-se no marcador aos 10 minutos, só que o Nuremberga reagiu e ainda antes do intervalo deu a volta ao marcador, com golos de Flachenecker e do inevitável Strehl. Na segunda parte, os alemães procuraram dilatar a vantagem e conseguiram, já perto do fim, novamente por Flachenecker, a figura do jogo, a confirmar o excelente momento de forma que atravessava, pois já marcara golos nas duas partidas da Oberliga que antecederam o confronto com o Benfica – diante do FC Schweinfurt 05 (vitória 3-1 fora) e do SpVgg Fürth (vitória 2-0 em casa). Costa Pereira, guarda-redes do Benfica, foi mal batido em dois dos golos da formação germânica, confirmando o mau momento que atravessava e que o fizera protagonista pela negativa do empate caseiro diante do Sporting (3-3), duas semanas e meia antes. Criticado pela imprensa, pediu para sair da equipa, mas a má exibição de Barroca, o seu suplente, diante do Sp. Covilhã (derrota 1-2), precipitou o seu regresso para o jogo da 2ª mão.

O PESADELO DE STRICK. Três semanas depois disputou-se a 2ª mão da eliminatória e nem mesmo o resultado negativo do jogo na Alemanha desanimou os adeptos “encarnados”, que compareceram em força: 55.000 espectadores deram um enorme “colorido” à Luz, procurando empurrar o Benfica para uma jornada gloriosa. Béla Guttman, o “velho feiticeiro” que treinava, na altura, o Benfica, promoveu alterações em relação ao primeiro jogo. Mudou a dupla de defesas, fazendo entrar Mário João e Ângelo Martins para os lugares de Manuel Serra e Fernando Cruz, sendo que o último avançou para o sector intermediário, juntando-se a Germano e Cavém, ocupando o lugar de Neto, que havia sido utilizado em Nuremberga. Na frente, Guttman chamou Eusébio, que falhara o primeiro jogo por estar a recuperar de uma lesão, à titularidade, abdicando de Santana, juntando-o aos inevitáveis José Augusto, Águas, Coluna e Simões. Do lado alemão, Herbert Widmayer, treinador do Nuremberga, via-se a contas com uma baixa de vulto. O guardião titular Roland Wabra, uma das grandes figuras do clube durante a década de 60 – disputou cerca de 250 jogos, entre 1960 e 1969 -, lesionou-se, abrindo as portas da titularidade ao inexperiente Gerhard Strick (na foto acima), que protagonizara uma má exibição na partida que antecedeu o jogo da Luz e que quebrou uma série de 10 triunfos consecutivos do Nuremberga: derrota 0-3 diante do Karlsruher SC. E pior entrada no jogo da Luz não podia ter: aos 4 minutos, o Benfica já igualava a eliminatória, com golos de José Águas, num belíssimo golpe de cabeça, e Eusébio, num remate cruzado de pé direito. Ainda antes do intervalo, Coluna, aproveitando uma má saída de Strick, colocou o Benfica a vencer por 3-0, passando para a frente da eliminatória. Na segunda parte, a noite de pesadelo de Strick prosseguiu, com Eusébio e José Augusto, que bisou - o último golo foi na sequência de uma brilhante iniciativa individual -, a conduzirem os “encarnados” a um histórico 6-0 rumo às meias-finais da Taça dos Campeões Europeus.

FINAL FELIZ. O Tottenham Hotspur foi o adversário seguinte do Benfica. Uma vitória por 3-1 na Luz, com novo “bis” de José Augusto, abriu boas perspectivas para a segunda mão, onde o Benfica se adiantou com um golo de José Águas, parecendo resolver a eliminatória. Contudo, o Tottenham reagiu, deu a volta ao marcador e fez sofrer os “encarnados”, que acabaram por “segurar” o 1-2, chegando, pelo segundo ano consecutivo, à final da Taça dos Campeões Europeus. Na final de Amsterdão, diante do poderoso Real Madrid, de Di Stéfano, Puskas e Gento, o Benfica chegou a estar a perder por 2-0 e 3-2 – Puskas marcou os três golos do Real -, mas acabou por vencer por 5-3, com golos de Águas, Cavém, Coluna e Eusébio, que bisou, garantindo o bi-campeonato europeu de clubes. O Nuremberga, por sua vez, falhou a reconquista do título alemão, perdendo a final da prova, diante do Colónia (0-4), mas sagrar-se-ia vencedor da Taça da Alemanha, ao vencer por 2-1 o Fortuna Düsseldorf, numa final que foi decidida no prolongamento com um golo de Tasso Wild.

AS FICHAS DOS JOGOS:

Nuremberga - Benfica

Benfica - Nuremberga

VÍDEO DO BENFICA 6-0 NUREMBERGA:


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Sporting: quebrar o enguiço suíço
terça-feira, 12 fevereiro 2008

Carlitos: a estrela da formação suiça

ENGUIÇO SUIÇO Sporting e Basileia disputam amanhã, em Alvalade, a primeira mão dos 16 avos de final da Taça UEFA. Será a primeira vez que os dois emblemas se cruzam no histórico das competições europeias, como também é a estreia da formação suíça, onde alinha o português Carlitos, diante de clubes portugueses. Ao invés, o Sporting defronta pela quinta vez equipas suíças nas provas da UEFA. E o saldo é negativo: os leões apenas uma vez seguiram em frente, diante do FC Zurique, na Taça das Taças, em 1973/74, contando já com três eliminações, repartidas por FC Zurique – 1967/68 na Taça das Cidades com Feira -, Neuchâtel Xamax – 1981/82 na Taça UEFA - e Grasshopper – 1992/93 na Taça UEFA. No entanto, o saldo de resultados até é equilibrado: 3 vitórias, 2 empates e 3 derrotas.

A equipa do FC Zurique que eliminou o Sporting em 1967/68

A REVELAÇÃO SUIÇA NA ANTECÂMARA DO DESASTRE Estimulado por um percurso de sete vitórias consecutivas na Liga portuguesa 1967/68, o Sporting, orientado por Fernando Caiado, deslocou-se a Zurique, na sua estreia diante de emblemas suíços nas competições europeias, extremamente motivado com a liderança isolada do campeonato português, depois de ter começado mal a temporada, andando algumas semanas no 5º posto da classificação. Na extinta Taça das Cidades com Feira, já deixara pelo caminho os belgas do Club Brugge (empate a zero na Bélgica ; vitória 2-1 em Alvalade, com “bis” de Lourenço) e os italianos da Fiorentina (nova vitória 2-1 em Alvalade, com golos de Lourenço e Peres, e empate a 1 em Itália, com golo de Peres), mas o adversário metia respeito: o FC Zurique, que tinha no avançado Christian Winiger o seu principal jogador, pois vinha a revelar-se como uma das figuras da competição, ao contribuir, de forma decisiva, para as eliminações de Barcelona e Nottingham Forest. No Letzigrund, o Sporting entrou mal e o FC Zurique vencia ao intervalo por 2-0, graças a golos de Winiger e Ernst Meyer. Na segunda parte, os leões reagiram e procuraram reduzir a diferença, mas seria a formação suíça, a um minuto do fim, a alcançar o 3-0, com um golo do lateral-direito Jürgen Neumann. Três dias antes da recepção ao Zurique, o Sporting perdia em Braga (1-3) e deixava-se apanhar pelo Benfica no comando da Liga. O público, pouco crente na recuperação da eliminatória, não compareceu em massa em Alvalade, onde a plateia não chegava a 20 mil espectadores. Caiado surpreendeu ao lançar no “onze” o jovem extremo Carlitos, ocupando o lugar de Fernando Peres, que já falhara o jogo na Suiça, onde fora rendido por Manuel Duarte. Foi Carlitos, que, aos 22 minutos, colocou o Sporting em vantagem e parecia relançar a eliminatória, mas a verdade é que o Zurique, com alguma sorte à mistura, acabou por segurar o 0-1, alcançando os quartos-de-final da competição. Esse resultado acabou por marcar o resto da temporada do Sporting na Liga, onde perderia o título, com quatro derrotas nas cinco últimas jornadas da prova.

FC Zurique - Sporting: 1967/68

Sporting - FC Zurique: 1967/68

A ÚNICA PASSAGEM. Em Março de 1974, desta feita para a Taça das Taças, Sporting e FC Zurique voltaram a encontrar-se nas competições europeias. Um Sporting rejuvenescido, onde Marinho era o único resistente da eliminatória de 1968, defrontava um FC Zurique, que mesclava juventude com jogadores mais veteranos, como Grob, Pirmin Stierli, Kuhn ou Martinelli, sobreviventes do duplo-encontro da Taça das Cidades com Feira. Para chegar aos quartos-de-final da Taça das Taças, o Sporting deixara pelo caminho o Cardiff City – empate a zero no País de Gales, seguido de vitória por 2-1 em Alvalade, com golos de Yazalde e Fraguito – e o Sunderland, com um golo de Yazalde, nos minutos finais da partida de Roker Park, a permitir um 1-2, que tornou possível a passagem em Alvalade, onde os leões bateram o conjunto inglês por 2-0, graças a golos dos repetentes Yazalde e Fraguito. O FC Zurique, por sua vez, vinha de duas eliminatórias sofridas: passara o Anderlecht e o Malmö em eliminatórias que terminaram empatas, mas fez-se valer dos golos apontados fora, com o internacional jugoslavo Ilija Katic em plano de destaque. A primeira mão, disputada em Alvalade, mostrou um Sporting demolidor, impulsionado por mais de 40 mil adeptos. Depois de uma primeira parte sem golos, muito por culpa da exibição do guardião suíço Grob, os leões construíram um resultado pesado: 3-0, com golos de Nelson, Marinho e Yazalde, de grande penalidade. Confirmava-se o Sporting imparável nos jogos caseiros, que somava por vitórias todos os jogos disputados em casa em 1973/74, com o impressionante registo de 54 golos nos 12 jogos que disputara, até aí, em Alvalade para a Liga. No jogo da segunda mão, apesar da vantagem dilatada, Mário Lino, treinador do Sporting, não facilitou, isto apesar de estar numa fase decisiva para a Liga – acabava de defrontar o FC Porto (vitória 2-0) e seguiam-se a deslocação a Guimarães e a recepção ao Benfica. É certo, que um golo madrugador de René Botteron, também conhecido por “Bo Bo”, chegou a assustar, mas Baltazar, aos 18 minutos, empatou e desmoralizou os suíços, que necessitavam de três golos para seguir em frente. É certo que desperdiçaram algumas oportunidades, mas Marinho, Yazalde e Dinis também souberam colocar a cabeça dos defesas adversários em água. O Sporting cairia depois nas meias-finais, diante do poderoso Magdeburgo, que derrotaria o AC Milan na final da prova, mas sagrar-se-ia campeão nacional, apesar da estrondosa derrota por 3-5 em Alvalade, diante do Benfica.

Sporting - FC Zurique: 1973/74

FC Zurique - Sporting: 1973/74

A PRIMEIRA DERROTA DA ÉPOCA. Em 1981/82, o Sporting, que já deixara para trás o modesto Red Boys, do Luxemburgo, e o Southampton, após uma exibição épica em The Dell, cruzava-se nos oitavos-de-final da Taça UEFA com o Neuchâtel Xamax. Ultrapassadas as dúvidas iniciais sobre a qualidade do playboy inglês Malcolm Allison, que João Rocha escolhera para recolocar os leões no caminho do êxito, o Sporting chegava à primeira mão da eliminatória frente aos suíços altamente moralizado: sem derrotas na campanha europeia e na Liga, um surpreendente empate caseiro do FC Porto, de Hermann Stessl, frente ao Amora, permitia aos “leões” chegarem ao comando isolado da principal competição nacional. No entanto, e apesar do optimismo generalizado, Allison mostrou muito respeito pelo Neuchâtel, ciente do perigo dos suíços no contra-ataque, que já valera uma vitória em casa do Malmö (1-0) e dois golos na deslocação a Praga (derrota 3-2). Assim, o “onze” foi montado com várias cautelas defensivas, ficando as “despesas” ofensivas entregues ao “tridente” mágico formado por Oliveira, Manuel Fernandes e Jordão, que não foi capaz de “derrubar” a resistência dos suíços, com o guardião Karl Engel, em noite inspirada. Na segunda mão, em que não pode contar com o goleador Jordão, “Big” Mal optou por uma estratégia mais ofensiva: lançou o jovem Freire no ataque e deu ao meio-campo maior poder ofensivo, com as presenças do veterano Marinho e de Nogueira. Um golo do médio Claude Andrey, actual treinador do Yverdon, acabaria por se revelar determinante, naquela que foi a primeira derrota da época do Sporting. Fora da Taça UEFA, os “leões” prosseguiram um caminho seguro no Campeonato e na Taça de Portugal, conquistando ambas as competições. Allison, contudo, não sobreviveria à tumultuosa pré-temporada de 1982/83, onde um escândalo com prostitutas, no estágio de pré-temporada dos “leões” realizado na Bulgária, precipitaria a sua saída.

Sporting – Neuchâtel Xamax: 1981/82

Neuchâtel Xamax – Sporting: 1981/82

A NOITE DE ELBER E O PESADELO DE SÉRGIO. Quase 11 anos depois da eliminação diante do Neuchâtel, o Sporting, novamente orientado tecnicamente por um inglês (Bobby Robson), reencontrava-se com um emblema suíço na Taça UEFA: o Grasshopper, uma equipa jovem, mas que não tardou a tornar-se a base da selecção suíça que garantiu o apuramento para o Mundial 1994 – deixando Portugal de fora – e para o Europeu 1996, onde esteve sob o comando de Artur Jorge. Treinados pelo globetrotter holandês Leo Beenhaker, o Grasshopper contava nas suas fileiras com Zuberbhuler, Sforza, Vega, Bickel, Yakin e Alain Sutter, para além de um jovem avançado brasileiro, que se destacara no Mundial de Juniores de 1991, disputado em Portugal: Elber. Apesar de um mau início de campeonato com apenas 1 vitória – 4-3, em casa, ao Famalicão – nas 4 primeiras jornadas da Liga, o Sporting partia para Zurique sob uma nuvem de interrogações. Robson, contudo, não hesitou em repetir o “onze” que garantira um empate a zero em Braga dias antes, onde surpreendera a titularidade do eterno suplente Sérgio Louro em detrimento de Tomislav Ivkovic, protagonista de um péssimo início de época. Um golo de Alain Sutter, de grande penalidade, fazia antever o pior, mas o Sporting partiu para uma exibição de qualidade, com Balakov inspiradíssimo, coadjuvado pelo jovem Luís Figo. Foi o internacional búlgaro, ainda antes do intervalo, a marcar o empate, com Juskowiak, perto do fim da partida, a garantir a primeira vitória dos “leões” fora de portas em 1992/93, abrindo excelentes perspectivas para a segunda mão em Alvalade. A boa “onda” leonina prosseguiu na Liga, com uma goleada por 3-0 ao Sp. Espinho, num jogo que ficou marcado pelo regresso de Ivkovic à titularidade, que teve continuidade, em Faro, onde o Sporting empatou, na véspera da recepção aos suíços. Contudo, seria Sérgio o titular diante do Grasshopper, num jogo em que Robson optou por voltar ao “onze” que vencera em Zurique. A partida não começou bem para os leões, e Elber, na primeira parte, adiantou os suíços, com Pedro Barny e Valckx a sentirem imensas dificuldades em travar a velocidade e qualidade técnica do avançado brasileiro, com Sérgio a revelar-se muito inseguro na baliza. O Sporting desperdiçou várias oportunidades para repor a igualdade, mas à medida que os minutos passavam a intranquilidade aumentava. Beenhaker, destemido, lançava Joël Magnin e alargava a frente de ataque, e a substituição deu frutos, pois o recém-entrado fez o 0-2 a cinco minutos do fim, que parecia resolver a eliminatória. No entanto, um golo “salvador” de Cadete levava a eliminatória para prolongamento, onde o contra-ataque do Grasshopper colocou definitivamente a nu a desastrosa noite da defesa leonina, com Elber a marcar o seu segundo golo da noite e a conduzir a formação de Zurique à eliminatória seguinte. Robson ficou na “corda-bamba” e uma derrota diante do Gil Vicente, graças a um golo de Jaime Cerqueira, a dois minutos do fim da partida, na jornada seguinte da Liga, colocou-o num “limbo”, que só uma vitória caseira diante do Benfica de Ivic travou. Sérgio é que não voltaria a merecer a confiança de Robson, não surpreendendo a sua dispensa no final da temporada, colocando o fim a um ciclo de 11 anos em Alvalade – foi contratado, enquanto juvenil, ao Barreirense -, interrompido por três épocas de empréstimo ao Portimonense, onde chegou a dar nas vistas. Iniciava, aos 27 anos, um percurso descendente, com passagens por Académica, Maia, Paços de Ferreira, Machico, Portimonense, Lagoa (duas passagens), Esperança de Lagos e Desportivo de Beja, onde terminou a carreira, na 3ªDivisão, em 2001.

Grasshopper - Sporting: 1992/93

Sporting - Grasshopper: 1992/93

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playmaker no "Carlsberg Cup Show" (RTP1)
sábado, 9 fevereiro 2008

carlsberg cup show | rtp1 | 8 de Fevereiro de 2008

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Ernesto Farías: tecla G(olo)
quarta-feira, 6 fevereiro 2008

Ernesto Farías: El Tecla

TECLA G(OLO). Ernesto Farías chegou a Portugal com um currículo repleto de golos: 129 golos na principal Liga argentina, onde é o terceiro maior goleador em actividade, depois de Martín Palermo (Boca Juniors) e José Luís Calderón (Arsenal Sarandí), jogadores que, tal como “Tecla”, passaram pela formação do Estudiantes La Plata. Contudo, aquela que foi a contratação mais cara do FC Porto - custou 4 milhões de euros – para esta temporada, demorou a mostrar serviço. Chegado a Portugal com a pré-época em andamento, depois de uma transferência abortada para os mexicanos do Toluca, onde foi mesmo apresentando como reforço, “Tecla” Farías sofreu uma mialgia na face anterior da coxa direita diante dos chineses do Shanghai Shenhua, durante o Torneio de Roterdão, competição que marcava a sua estreia de “azul e branco”. O problema físico acabaria por afastá-lo cerca de um mês da competição, impedindo-o de ser opção para a final da Supertaça e para as primeiras jornadas da Liga. A sua estreia aconteceu à 4ª jornada, diante do Marítimo, a 15 de Setembro, jogando toda a segunda parte, sem nada de brilhante a registar. Seguiram-se, no mesmo mês, participações nas partidas diante de Liverpool (suplente utilizado) e Desp. Fátima (substituído aos 67 minutos), onde não convenceu, o que conduziu a um afastamento das opções até 25 de Novembro, altura em que disputou os minutos finais da recepção ao Vitória de Setúbal. Depois de duas presenças na Liga Intercalar, diante de Desp. Aves e Varzim, onde voltou a não convencer, e de falhar a partida da Taça de Portugal diante do Desp. Chaves, devido a uma pequena lesão, poucos não hesitariam em colocar Farias na lista de “flops” dos grandes clubes portugueses. Aparentemente alheio à pressão exterior, ao invés do que vem a acontecer com o seu compatriota Mariano González, “Tecla” despertou a 12 de Janeiro de 2008: com o FC Porto a vencer por 2-0 o Sp. Braga, Jesualdo Ferreira lançou o goleador argentino, que, em pouco mais de 10 minutos em campo, deslumbrou, oferecendo o 3-0 a Lisandro López, após um excelente movimento de rotação, e marcando o seu primeiro golo em Portugal, numa finalização de pé direito, após assistência de Lucho González. Seguiu-se a titularidade diante do Desp. Aves para a Taça de Portugal, onde voltou a marcar, uma boa prestação como suplente utilizado diante do Sporting, onde não marcou, mas, por duas vezes, esteve perto de fazê-lo, e o seu primeiro “bis” em Portugal, diante da União de Leiria, na sua estreia a titular em jogos da Liga. A 13 minutos do fim foi substituído, com o Dragão rendido à prestação daquele que se está a revelar como o grande reforço de Inverno do bi-campeão nacional na tranquila caminhada para o “tri”.

A PRIMEIRA EXPERIÊNCIA EUROPEIA. No Verão de 2004, depois de apontar 94 golos em 205 jogos pelo Estudiantes La Plata, que o tornam no 5º maior goleador da história do clube na Liga argentina, “Tecla” Farías foi apresentado como novo reforço do Palermo, da Série A italiana, que investiu 5 milhões de euros na sua aquisição. A sua adaptação ao “Calcio” foi difícil, não marcando golos em 13 partidas do campeonato, tendo sido apenas uma vez titular. Ao contrário do FC Porto, o emblema italiano não esperou pelo segundo semestre de competição e não hesitou em negociá-lo, em Janeiro de 2005, para o River Plate – que investiu 1,75 milhões de euros por metade do seu passe –, onde viria a apontar 35 golos na Liga argentina em duas épocas e meia, juntando mais 14 na Copa Libertadores. Da sua passagem por Itália, o registo apenas de 2 golos: a 28 de Setembro de 2004, para a Coppa Italia, na recepção à Salernitana (vitória 2-0), que permitiram ao Palermo seguir em frente na competição, depois de ter perdido 1-2 na primeira mão.

OS “BIS” DE “TECLA” FARÍAS.

Ernesto Farías: os “bis” do “Tecla”

O “bis” apontado diante da União de Leiria foi o primeiro de Ernesto Farías ao serviço do FC Porto, mas já o 21º da sua carreira. A sua estreia a “bisar” ocorreu frente ao Independiente, com apenas 19 anos, pouco mais de 4 meses após se estrear na Liga argentina – empate 2-2 diante do Lanús -, numa vitória por 4-1, onde soube tirar partido de dois cruzamentos desde a esquerda de Rodolfo Estebán Cardoso, um argentino que realizou grande parte da sua carreira na Alemanha, e de uma jornada para esquecer de Gabriel Milito, seu colega nas selecções de base, e que era o defesa do Independiente encarregue de o marcar. Farías, que na primeira época como profissional, jogava tanto como “enganche” como na frente do ataque, no 4x3x1x2 do Estudiantes, só voltou a bisar um ano depois, diante do Talleres, o adversário ao qual mais golo marcou como jogador da equipa de La Plata. Entre Maio de 1998 e Junho de 2004, período em que representou o Estudiantes, “Tecla” apontaria 11 “bis”, 8 deles em casa – valeram sempre vitórias – e 3 extramuros. Seguiu-se a passagem de seis meses pelo futebol italiano ao serviço do Palermo, onde conseguiu um “bis”, na Coppa Italia, diante do Salernitana, no único jogo, dos 16 oficiais que realizou, em que marcou golos. No River Plate, onde actuou entre Fevereiro de 2005 e Junho de 2007, somou 8 “bis” – 7 na Liga argentina e 1 na Copa Libertadores, curiosamente diante dos argentinos do Banfield. Dos 8, 5 foram obtidos em jogos disputados como visitado – o River Plate venceu sempre que Farías “bisou” em casa – e 3 como visitante, o último dos quais, a 27 de Maio de 2007, na deslocação ao terreno do Gimnasia La Plata, rival do Estudiantes. Pouco mais de oito meses depois, já ao serviço do FC Porto, o primeiro “bis” no futebol português, na sua estreia a titular em jogos da Liga.

OS 4 GOLOS DE ERNESTO FARÍAS PELO FC PORTO AO DETALHE

Ernesto Farías: os 4 golos pelo FC Porto

(carregar na imagem para ver com maior detalhe)

- 4 golos apontados pelo FC Porto em 10 jogos efectuados.
- 3 dos seus 4 golos foram apontados na Liga portuguesa. o outro golo foi apontado na Taça de Portugal.
- Liga: 5 jogos / 3 golos ; Liga dos Campeões: 1 jogo / 0 golo ; Taça de Portugal: 1 jogo / 1 golo ; Taça da Liga: 1 jogo / 0 golo ; Liga Intercalar: 2 jogos / 0 golos.

- 10 jogos pelo FC Porto: 6 vitórias, 1 empate, 3 derrotas.
- marcou golos em 3 jogos: 2 golos solitários e 1 “bis”. sempre que marcou o FC Porto venceu.

- os 4 golos que apontou pelo FC Porto foram marcados em partidas em casa. 2 na primeira parte, 2 na etapa complementar.
- 1 dos seus 4 golos foi apontado na condição de suplente utilizado.
- 3 dos seus golos foram apontados de cabeça. todos esses golos surgiram a partir de cruzamentos: 2 da direita (Lino, de bola parada, e Quaresma, de bola corrida) e 1 da esquerda (Quaresma, de bola corrida). 2 desses 3 golos foram apontados da mesma zona: à entrada da pequena área.

- nunca marcou em jogos consecutivos da Liga. marcou golos em 2 jogos consecutivos: diante do Sp. Braga, para a Liga, e do Desp. Aves, para a Taça de Portugal, em Janeiro de 2008.
- esteve 6 jogos sem marcar golos, entre a sua estreia, diante do Marítimo, a 15 de Setembro de 2007, e o seu primeiro golo, apontado diante do Sp. Braga, a 12 de Janeiro de 2008.

Ernesto Farías: El Tecla no Estudiantes

OS GOLOS DE “TECLA” FARÍAS AO SERVIÇO DO ESTUDIANTES

- 94 golos em 205 jogos pelo Estudiantes La Plata em pouco mais de 6 anos ao serviço do clube. 5º melhor marcador da história do Estudiantes na Liga argentina.
- 57 em casa – 37 fora de casa ; 45 primeira parte – 49 etapa complementar
- 52 golos solitários, 11 “bis”, 4 “triplas” e 2 “poker”
- 14 dos seus 94 golos foram apontados através de grandes penalidades.
- por 3 vezes conseguiu marcar golos em 3 jornadas consecutivas: entre Fevereiro e Março de 2000, apontou 4 golos em 3 jogos consecutivos, diante de Gimnasia Jujuy (casa), River Plate (fora) e Newell’s Old Boys (casa) ; em Março de 2002, apontou 6 golos em 3 jogos consecutivos, diante de Talleres (casa), Huracán (fora) e Unión (casa) ; em Novembro de 2003, apontou 5 golos em 3 jogos consecutivos, diante de Lanús (casa), Talleres (fora) e Nueva Chicago (fora).
- os 2 “poker” que apontou aconteceram diante de Newell’s Old Boys (em casa, a 14 de Dezembro de 2003) e Argentinos Juniors (fora, a 16 de Setembro de 2001).
- as 4 “triplas” que apontou aconteceram diante de Rosário Central (fora, a 18 de Setembro de 2000), Almagro (fora, a 29 de Abril de 2001), Huracán (fora, a 28 de Março de 2002) e Olimpo (casa, a 14 de Março de 2004).

Ernesto Farías: El Tecla no Palermo

OS GOLOS DE “TECLA” FARÍAS AO SERVIÇO DO PALERMO

- 2 golos em 16 jogos pelo Palermo.
- Série A: 13 jogos / 0 golos (apenas foi uma vez titular) ; Coppa Itália: 3 jogos / 2 golos (foi sempre titular)
- 2 em casa – 0 fora de casa ; 1 primeira parte – 1 etapa complementar
- 0 golos solitários, 1 “bis”
- nenhum golo apontado de grande penalidade.

Ernesto Farías: El Tecla no River Plate

OS GOLOS DE “TECLA” FARÍAS AO SERVIÇO DO RIVER PLATE

- 49 golos em 93 jogos pelo River Plate.
- Liga Argentina: 67 jogos / 35 golos ; Copa Libertadores: 24 jogos / 14 golos ; Copa Sul-Americana: 2 jogos / 0 golos
- 24 em casa – 25 fora de casa ; 23 primeira parte – 26 etapa complementar
- 30 golos solitários, 8 “bis”, 1 “tripla”.
- 4 dos seus 49 golos foram apontados através de grandes penalidades.
- 3 golos como suplente utilizado em 9 jogos nessa condição.
- por uma vez marcou em 5 jogos consecutivos, mas em competições diferentes (4 na Liga e 1 na Copa Libertadores): entre Março e Abril de 2006, apontou 5 golos em 5 jogos consecutivos, diante de Estudiantes La Plata (casa), El Nacional (casa), Boca Juniors (fora), Rosário Central (casa) e Lanús (fora).
- por uma vez marcou em 5 jogos consecutivos da Liga argentina – intervalados por jogos na Copa Libertadores -, naquela que é a sua melhor série no campeonato: entre Março e Abril de 2006, apontou 6 golos em 5 jogos consecutivos, diante de Estudiantes La Plata (casa), Boca Juniors (fora), Rosário Central (casa), Lanús (fora) e Instituto (casa).
- a única “tripla” que marcou ao serviço do River Plate aconteceu a 13 de Novembro de 2005, na vitória por 4-1 no terreno do Instituto de Córdoba.

Ernesto Farías: El Tecla na selecção argentina

“TECLA” FARÍAS NA SELECÇÃO ARGENTINA

- 1 vez internacional “A” – foi titular, a tempo inteiro, na derrota da Argentina no terreno do Paraguai, a 3 de Setembro de 2005, em jogo de qualificação para o Mundial 2006.
- Foi campeão sul-americano de sub-20 em 1999 pela Argentina, ao lado de jogadores como Gabriel Milito, Aldo Duscher, Esteban Cambiasso, Luciano Galletti, Aimar e o ex-sadino La Paglia, num torneio disputado no seu país natal. É o único título que conquistou, até ao momento, na sua carreira. Habitual suplente, marcou 2 golos na competição, diante da Venezuela (vitória 4-1) e diante do Brasil (vitória 2-1), sendo que o último foi decisivo e valeu a vitória a 3 minutos do fim.
- Participou na desastrosa campanha da selecção argentina no Mundial Sub-20 de 1999, disputado na Nigéria. A Argentina caiu nos oitavos-de-final diante do México (derrota 1-4), mas não foi além do 3º lugar na fase de grupos, onde apenas venceu o Cazaquistão (1-0), empatando com a Croácia (0-0) e perdendo com o Gana (0-1). Não marcou golos.
- Ficou em 2º lugar no Campeonato sul-americano de 1997, disputado no Paraguai, e ganho pelo Brasil, onde se destacou Ronaldinho Gaúcho. Marcou 2 golos, ambos diante do Equador, numa vitória por 3-2. Foi o 2º melhor marcador da Argentina na competição, a par de Lívio Prieto, antigo jogador do Santa Clara, com menos um golo que Luciano Galletti, o goleador da Argentina com 3 tentos apontados. Juan Viveros, chileno que representou o Sporting e o Alverca, foi um dos melhores marcadores da prova, com 4 golos.
- Disputou o Mundial sub-17 de 1997, que se realizou no Egipto. Não marcou nenhum golo, sendo que a Argentina caiu nos quartos-de-final diante do Brasil. Na selecção argentina destacaram-se, sobretudo, Lívio Prieto (antigo jogador do Santa Clara), Júlio Marchant (antigo jogador do Nacional) e, sobretudo, Luciano Galletti, que voltou a ser a principal figura da equipa “celeste”.

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Neymar: prodígio do Santos faz hoje 16 anos
terça-feira, 5 fevereiro 2008

Neymar: chamam-lhe o novo Robinho

NEYMAR, O PRODÍGIO DAS ESCOLAS DO SANTOS. Neymar da Silva Santos Júnior, ou simples Neymar, completa hoje 16 anos. Natural de Mogi das Cruzes, município brasileiro do Estado de São Paulo, é filho de um ex-jogador de futebol, também ele chamado Neymar, que, em 1999, vendo no seu rebento um talento fora de comum para a prática de futebol levou-o às escolas do Tumiarú, treinadas por Betinho, técnico que lançou Robinho, onde foi enquadrado na equipa de futsal. O seu percurso seguiu, entre o futsal e o futebol de onze em clubes amadores, mostrando um potencial técnico fora do comum para a sua idade, como também velocidade e um remate forte e colocado, que lhe valeu muitos golos e jogadas de grande espectáculo, que despertaram o interesse do Santos: no final de 2003, olheiros do clube deslocaram-se à Copa TV Tribuna de Futsal Escolar e não hesitaram em dar o aval à sua aquisição, depois de verem Neymar brilhar ao serviço do Colégio-Liceu São Paulo. Em 2004 dividiu o seu tempo pelas equipas de futsal e de futebol de campo de sub-13 do Santos, conquistando dois torneios, seguindo-se, em 2005, o troféu de melhor marcador do Campeonato Paulista de futebol em Pré-Infantil (sub-14) e o prémio de melhor jogador do ano na mesma categoria. O ano de 2006 ficou marcado pela sua promoção à equipa Infantil (sub-15), onde rapidamente se destacou, provocando a atenção de vários empresários e, de seguida, de clubes europeus, como o Real Madrid e o Manchester United. Agenciado por Wagner Ribeiro, empresário de Robinho, que tem relações complicadas com o Santos, depois da tumultuosa transferência do jogador para o Real Madrid, Neymar foi dado, no Verão de 2007, como futuro reforço do clube espanhol, tendo-se mesmo deslocado à capital espanhola. Contudo, o Santos conseguiu assegurar a sua permanência até hoje, 5 de Fevereiro de 2008, data em que poderá, finalmente, assinar um contrato como profissional, que tem sido negociado nos últimos meses. Entretanto, Neymar foi o melhor marcador da equipa infantil (sub-15) do Santos em 2007, ao apontar 15 golos em 22 jogos, e no início deste ano, ainda com 15 anos, teve a oportunidade de realizar 4 jogos, todos como suplente utilizado, na Copa São Paulo 2008, destinada à categoria sub-19, marcando 1 golo, de grande penalidade, diante do Nacional de São Paulo.

PRÉ-ACORDO ATÉ 2013. Depois de no Verão passado ter estado muito perto de rumar ao Real Madrid, o Santos conseguiu “segurar” o jovem prodígio, que também mostrou vontade em permanecer no clube da Vila Belmiro, apesar de não esconder o “sonho” de vir a representar Real Madrid, Barcelona ou Manchester United no futuro. Para fazer face à impossibilidade de assinar contrato como profissional, o que no Brasil é possível a partir dos 16 anos, o Santos acertou um contrato de cessão de imagem com cláusula de rescisão de 25 milhões de dólares, válido até 2015, como também terá avançado com 2 milhões de reais (730 mil euros) para a família do jogador, pagos em parcelas até 2013, data em que terminará o futuro vínculo profissional de Neymar. Zito, campeão do Mundo em 1958 e 1962, e actual responsável pelo futebol de base do Santos, considera que foi um investimento demasiado avultado, mas que Marcelo Teixeira, presidente do clube, achou que seria rentável, pensando num futuro negócio com a venda do seu passe por valores entre os 50 e os 60 milhões de reais (18 a 22 milhões de euros).

SEM PRECIPITAÇÕES. O mediatismo em torno de Neymar fez com que a imprensa brasileira questionasse nas últimas semanas a hipótese de uma promoção à equipa principal. Emerson Leão, actual treinador do Santos, rejeitou a ideia, dizendo que o jogador ainda está a ser preparado e que, nesta altura, o mais importante é não queimar etapas antes da hora, de forma a não prejudicar o seu crescimento. Márcio Fernandes, técnico que o lançou na equipa júnior este ano, considera que o jogador tem muito talento, mas que ainda tem que evoluir e que a sua presença na Copa São Paulo lhe permitiu ganhar experiência e sentir a realidade de uma equipa bem mais próxima do escalão sénior. Já Zito, o já citado director do futebol de base do Santos, não tem dúvidas, ao definir Neymar como “ferinha” e “jóia do Santos”.

O QUE MOSTROU NEYMAR NA COPA SÃO PAULO 2008. Capaz de desempenhar vários postos entre o meio campo ofensivo e o ataque, tanto pode actuar como médio ofensivo, com características próximas de um “10”, como também como avançado móvel, nas costas de um avançado mais fixo ou a sair das alas para o meio. Fisicamente frágil – mas já acima do 1.66/53 que lhe é apontado – terá ainda muito que progredir a esse nível, já que se mostra muito frágil no choque, ficando sempre a perder em lances corpo a corpo, como também ainda não está preparado para jogar 90 minutos. Contudo, é um jogador destemido e agitador, que não tem qualquer receio de partir para cima do adversário, mostrando velocidade, capacidade de aceleração e de desmarcação, como também uma técnica muito interessante para um jogador tão jovem, ainda que tenha recorrido com algum exagero às célebres “pedaladas”, uma das imagens de marca do ídolo Robinho, o que o levou a perder objectividade nalgumas acções, mas não abusa de iniciativas individuais, até porque se trata de um jogador com forte sentido colectivo. E foi nesse aspecto que mais se destacou: mostrou possuir uma visão de jogo impressionante, para além de grande capacidade de passe, jogando com facilidade a um-dois toques com ambos os pés, descobrindo espaços onde parecem não existir e mostrando uma espantosa facilidade a desmarcar os avançados, o que lhe permitiu realizar várias assistências para finalizações, quer através de passes de ruptura a partir de posições centrais – os passes de três dedos (trivela) poderão constituir-se como uma das suas imagens de marca -, quer a partir de cruzamentos desde os flancos. Mostra também facilidade a aparecer em posições de finalização, quer dentro da área - onde sabe tirar partido de um bom poder de desmarcação -, quer à entrada desta, mas não revelou grande apetência pela baliza adversária, marcando apenas um golo, de grande penalidade. Optou, quase sempre, por passes, mas nos escalões de base do Santos tem mostrado uma boa capacidade de finalização com os pés, tirando também partido da sua boa capacidade de definição com o pé direito – o seu mais forte -, mas também de pé esquerdo, que usa com grande à vontade. Do ponto de vista defensivo e táctico tem também muitos aspectos a limar, mas mostra capacidade de sacrifício e é capaz de correr atrás da bola.

VÍDEOS:


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Benfica: 0-0 (ou o nítido nulo)
domingo, 3 fevereiro 2008

José António Camacho

O NÍTIDO NULO. Com o empate caseiro diante do Nacional ontem à noite, o Benfica somou o quarto nulo em casa esta temporada em jogos da Liga. Frente aos madeirenses os encarnados repetiram o resultado obtido diante de Vitória Guimarães, Sporting e Leixões, jogos que também terminaram com um empate a zero. É, a esse nível, o pior registo de sempre do Benfica em toda a história da Liga, pois, até hoje, nunca empatara mais do que três vezes a zero em jogos realizados em casa durante uma época. Foi o caso das temporadas 1968/69 – Vitória Guimarães, Sporting e FC Porto -, 1988/89 – Vitória Guimarães, FC Porto e Beira-Mar – e 1992/93 – Salgueiros, Beira-Mar e FC Porto, com a curiosidade do clube da Luz ter sido campeão nas duas primeiras.

MAU REGISTO CASEIRO. Para além dos 4 empates a zero em casa, o Benfica perdeu na Luz diante do FC Porto, jogo em que também não marcou golos. São já 11 pontos perdidos em casa em 27 possíveis, números semelhantes aos do Marítimo, que colocam o Benfica na sexta posição de uma tabela classificativa virtual de jogos caseiros, atrás, por exemplo, de Belenenses e Boavista, que venceram, este domingo, o Sporting e o Paços de Ferreira, podendo ainda ser ultrapassado pelo Vitória de Setúbal, caso vença amanhã a Naval. Os jogos caseiros têm sido, esta temporada, o grande “calcanhar de Aquiles” da equipa de Camacho, que soma menos 12 pontos do que o FC Porto na condição de visitado, superando o campeão nacional no registo extramuros, onde conquistou mais dois pontos, ainda que, até ao momento, tenha realizado mais uma partida na condição de visitante. Se nos restringirmos às primeiras 9 jornadas caseiras de Liga em todos os campeonatos nacionais com mais de 8 clubes, este é o segundo pior registo de sempre do Benfica em casa, só superado pela época 1996/97, com Paulo Autuori e, posteriormente, Mário Wilson a perderem 12 pontos, fruto de 2 derrotas e 3 empates.

6ª PIOR ÉPOCA DE SEMPRE. Com 9 vitórias, 7 empates e 2 derrotas ao fim de 18 jogos, o Benfica apresenta uma média pontual de 1,889 pontos/jornada. É um registo muito pobre, o sexto pior de sempre quando comparado com igual período em todas as épocas da história da Liga, assumindo uma classificação de três pontos por vitória. Apenas 2001/02 (1,778), 1953/54 e 2004/05 (1,722), 1997/98 (1,667) e 1950/51 (1,222) conseguem superar negativamente o actual registo. Curiosamente, em 2004/05 o Benfica acabaria por se sagrar Campeão Nacional. Quando comparada com a única época completa de Camacho ao serviço do Benfica, podemos constatar que o Benfica ganha menos (menos 2 vitórias), empata mais (mais 3 empates) e perde menos (menos 1 derrota), marca menos golos (menos 8 golos marcados), mas sofre menos golos (menos 9 golos sofridos). Em relação à última temporada, após 18 jogos, o Benfica de Fernando Santos não só apresentava um registo superior ao desta época, como também ao da “época Camacho”: tinha 12 vitórias (mais 3 que esta época e mais 1 que em 2003/04), 3 empates (menos 4 que esta época e menos 1 que em 2003/04) e 3 derrotas (mais 1 que esta época e igual registo ao de 2003/04) ; somava 36 golos apontados (mais 7 que esta época e menos 1 que em 2003/04) e tinha sofrido 14 golos (mais 4 que esta época e menos 5 que em 2003/04).

2-0: O RESULTADO MAIS COMUM DO BENFICA EM JOGOS EM CASA. Se esta temporada o resultado mais comum do Benfica, em jogos da Liga disputados no seu reduto, é o 0-0, em toda a história de jogos caseiros do clube para a Liga o desfecho que mais se repete é o 2-0, o que aconteceu em 111 ocasiões, nenhuma das quais esta época. O 1-0 (99 vezes) e o 3-0 (87 vezes) completam o “top 3”. O empate mais comum é o 1-1 (70 vezes) que supera o 0-0 (53 vezes). Já o 1-2 é o desfecho negativo mais comum (14 vezes), sendo que o último aconteceu a 2 de Novembro de 2003, diante do Beira-Mar, na inauguração, em jogos oficiais, do novo Estádio da Luz.

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Marat Izmailov: a ressurreição da Locomotiva de Moscovo
sábado, 2 fevereiro 2008

Marat Izmailov

A SEMANA DA LOCOMOTIVA. Entrado em campo aos 65 minutos na partida diante do Beira-Mar para a Taça da Liga, numa altura em que o Sporting empatava em casa a zero com os aveirenses, Marat Izmailov deu uma dinâmica maior ao ataque leonino, ajudando a construir um volumoso 3-0, tendo participado directamente no segundo golo, ao assistir a finalização vitoriosa de Simon Vukcevic. Quatro dias depois, Izmailov foi titular diante do FC Porto, para a Liga, reencontrando o adversário frente ao qual se estreou em Portugal, na final da Supertaça, que decidiu, com uma espectacular finalização de pé direito a 25 metros da baliza, após assistência de Miguel Veloso. E, mais uma vez, Izmailov voltou a ser preponderante para derrotar o FC Porto: serviu Vukcevic, através de um cruzamento desde a esquerda, para o 1-0 ; e apontou o segundo golo do Sporting, num subtil golpe de cabeça dentro da pequena área, após defesa incompleta de Hélton a remate de Vukcevic. Três dias depois, novamente em Alvalade, Izmailov foi o melhor em campo diante do Penafiel, ajudando o Sporting a construir uma vitória por 3-1, que colocou os “leões” na final da competição diante do Vitória de Setúbal. O internacional russo começou por assistir Romagnoli para o 1-0, através de um centro atrasado desde a esquerda, e apontou os outros dois golos: o 2-0, num remate cruzado, dentro da área, de pé direito, após excelente trabalho individual ; e o 3-1, numa finalização à boca da baliza, após boa jogada de Bruno Pereirinha à direita, concluindo uma semana de “luxo”, em que apontou 3 golos e realizou 3 assistências para finalizações vitoriosas.

DE “GOLDEN BOY” A SENHOR INTERMITÊNCIA. Produto das escolas do Torpedo Moscovo, rapidamente deu nas vistas, protagonizando uma transferência polémica, ainda enquanto júnior, para o “rival” Lokomotiv, que o inseriu, em 2000, na sua formação secundária. Chamado a alguns treinos da formação principal durante esse ano, Izmailov foi uma das figuras da pré-temporada de 2001, conseguindo não só um lugar na primeira equipa, como também conquistar a titularidade, com apenas 18 anos. Rapidamente se tornou numa das estrelas do Lokomotiv, chegando à selecção principal em Agosto de 2001, pouco mais de 5 meses depois de se ter estreado como profissional. Com 6 golos em 29 jogos, realizou não só a sua melhor época de sempre, como se transformou no “golden-boy” do futebol russo, ajudando o Lokomotiv a qualificar-se para a Liga dos Campeões, através do 2º lugar na Liga, como também a conquistar a Taça da Rússia, marcando um dos golos no desempate por pontapés da marca de grande penalidade. O ano de 2002 arrancou da melhor forma, com Izmailov a assumir protagonismo na formação do Lokomotiv e a justificar a presença no Mundial 2002, onde realizou 2 jogos como titular, mostrando um rendimento intermitente, que se prolongou nas jornadas do campeonato russo posteriores à grande competição, antecedendo uma lesão, no final de Julho de 2002, diante do Anzhi, que o afastou o resto da época, o que limitou o seu contributo a apenas 2 golos em 14 jogos para o título russo alcançado pelo Lokomotiv – o primeiro da sua história, mesmo alargando ao antigo campeonato soviético. O ano de 2003 começou com nova conquista: no seu regresso à competição foi suplente utilizado na final da Supertaça russa – na sua primeira edição -, e mesmo falhando uma das grandes penalidades no desempate desde os onze metros, sagrar-se-ia vencedor da competição. Na Liga russa acabaria por se fixar como titular, totalizando 5 golos em 27 jogos, aproximando-se, em algumas fases, do rendimento evidenciado em 2001, o que lhe permitiu recuperar um lugar na selecção russa. Contudo, em termos colectivos, o Lokomotiv não foi além de um quarto lugar na Liga, falhando o apuramento para as competições europeias. Em 2004, apesar de um início de época intermitente, marcou presença no Europeu 2004, disputado em Portugal, onde teve uma presença apagada. Seguiu-se nova lesão, que o afastou dois meses dos relvados, regressando sem grande fulgor. Apontou 2 golos em 18 jogos, no ano em que o Lokomotiv voltou a sagrar-se campeão, após intensa disputa com o CSKA Moscovo. Em 2005, após ajudar o Lokomotiv a vencer a Supertaça, numa final diante do Terek Groznyy, surgiu em grande plano na Liga, apontando 3 golos nas primeiras 10 jornadas da Liga, que lhe valeram o regresso à Selecção. Contudo, uma lesão aos 10 minutos de um particular diante da Alemanha, afastá-lo-ia cerca de 3 meses dos relvados, regressando com um golo diante do Amkar. O seu rendimento, no entanto, revelou-se intermitente, acabando a temporada com nova lesão. O início da temporada 2006 foi fraco, perdendo a titularidade. Quando parecia regressar, voltou a lesionar-se e só regressou à competição em Julho, com um registo muito irregular, que o impediu de se fixar no “onze”. A situação não se alterou em 2007, com uma lesão diante do Dínamo Moscovo, num jogo, disputado no inicio de Abril, em que começou como suplente, a afastá-lo da competição até à sua transferência, por empréstimo, para o Sporting. Ainda assim, ao efectuar dois jogos na Taça da Rússia, contribuiu para nova conquista do Lokomotiv na competição. Ao todo, em 6 anos e meio ao serviço da equipa principal do Lokomotiv, somou 6 títulos: 2 campeonatos, 2 taças e 2 supertaças.

LEÃO CASEIRO. Confirmado como reforço para a nova época no final de Junho de 2007, Marat Izmailov chegou a Alvalade por empréstimo de um ano, ficando o Sporting com direito de opção sobre o seu concurso até ao epílogo da temporada. Depois de alguns problemas físicos na pré-época, o internacional russo estreou-se da melhor forma em jogos oficiais, ao apontar o golo que valeu ao Sporting a conquista da Supertaça diante do campeão FC Porto. Contudo, uma entorse tibiotársica contraída nesse jogo, acabaria por afastá-lo da estreia na Liga, diante da Académica, surgindo como titular, uma semana depois, em novo confronto frente ao FC Porto. Realizou uma exibição apagada, o que levou Paulo Bento a substitui-lo durante a segunda parte, algo que se prolongou nos jogos seguintes, perdendo a titularidade. Seria no início de Outubro de 2007, diante do Vitória Guimarães, que o russo reapareceria no seu melhor: depois de uma primeira parte dominada pelos vimaranenses, Paulo Bento lançou Izmailov na etapa complementar e o internacional russo correspondeu com 2 golos, decidindo a partida. Esperava-se que se fosse o início da sua afirmação, mas não se confirmou, seguindo-se dois meses de intermitência. Em Dezembro, com dois golos diante de União de Leiria e Louletano, Izmailov deu os primeiros passos para a “explosão” de Janeiro, confirmada pelos 3 golos e 3 assistências na última semana, que lhe reabriram as portas da selecção russa, pela qual poderá marcar presença no Europeu 2008. Um aspecto não deixa de ser curioso nos “números” do internacional russo como jogador dos “leões” – se exceptuarmos o golo em Coimbra, para a Supertaça, diante do FC Porto, os outros 7 tentos aconteceram sempre em Alvalade, tal como as 4 assistências para golo que efectuou, indo de encontro aos números paupérrimos dos leões na Liga quando actuam extramuros, onde possuem o 5º pior da ataque da prova, com apenas 6 golos – menos um que União de Leiria e Paços de Ferreira, os dois últimos –, a que acresce o facto de só ter vencido 2 vezes em 9 partidas.

OS NÚMEROS DE IZMAILOV AO SERVIÇO DO SPORTING

Marat Izmailov: os números do internacional russo ao serviço do Sporting

- 28 jogos – 1827 minutos de utilização
- 14 vitórias, 6 empates, 8 derrotas
- dos 28 jogos que efectuou, 21 foram na condição de titular. foi substituído em 14 ocasiões, apenas completando 7 jogos. em 7 jogos foi suplente utilizado.

- 1 cartão amarelo. 0 cartões vermelhos.

- 8 golos: 4 golos solitários, 2 “bis”
- dos 8 golos marcados 7 foram apontados em jogos em casa ; nenhum foi apontado fora de casa ; um foi apontado em “campo-neutro”, na final da Supertaça.
- 2 dos 8 golos foram apontados na primeira parte ; 6 dos 8 golos foram apontados na segunda parte dos jogos.
- 2 dos seus 8 golos foram apontados como suplente utilizado em 7 partidas nessa condição.

- por duas vezes apontou golos em jogos consecutivos, mas nunca para a Liga. em Dezembro de 2007, apontou golos diante do União de Leiria (Liga) e Louletano (Taça de Portugal). em Janeiro de 2008, apontou golos diante de FC Porto (Liga) e Penafiel (Taça da Liga), série que mantém em aberto para o Restelo, caso seja utilizado.

- a sua pior série ao serviço do Sporting foram 9 jogos consecutivos sem marcar golos, entre o “bis” apontado ao Vitória de Guimarães, a 6 de Outubro de 2007, e o golo apontado no empate caseiro diante da União de Leiria, a 2 de Dezembro de 2007.

- soma 4 assistências para golo em 2007/08, 3 das quais na última semana. para além dos passes decisivos para Vukcevic, diante do Beira-Mar e FC Porto, e Romagnoli, diante do Penafiel, sempre a partir da esquerda, Izmailov assistira Liedson para um golo diante da AS Roma, também a partir de um cruzamento desde a esquerda. também em comum outro facto: todas as suas assistências aconteceram em jogos em casa.

- falhou 4 jogos do Sporting em 2007/08, sempre para a Liga. o Sporting nunca perdeu sem Izmailov: somou 3 vitórias (Académica, casa, Estrela da Amadora, fora, e Marítimo, fora) e 1 empate (Benfica, fora).

- os seus 8 golos foram apontados em 6 jogos. nesses 6 jogos o Sporting nunca perdeu: 5 vitórias e 1 empate.

Marat Izmailov ao serviço do Lokomotiv Moscovo

OS NÚMEROS DE MARAT IZMAILOV NA LIGA RUSSA

- 124 jogos – 8875 minutos de utilização em 6 épocas e meia
- 61 vitórias, 38 empates, 25 derrotas
- dos 124 jogos que efectuou, 102 foram na condição de titular. foi substituído em 40 ocasiões, sendo que numa das vezes – no último jogo que realizou pelo Lokomotiv, diante do Dínamo Moscovo – foi substituído após ter entrado na partida a partir do banco.
- completou os 90 minutos em 84 jogos. foi expulso uma vez e suplente utilizado em 22 jogos.

- 13 cartões amarelos. 1 cartão vermelho: diante do Torpedo Moscovo, em Novembro de 2004.

- 20 golos: 18 golos solitários, 1 “bis”
- dos 20 golos marcados 11 foram apontados em jogos em casa e 9 em jogos fora.
- 12 dos 20 golos foram apontados na primeira parte ; 8 dos 20 golos foram apontados na segunda parte dos jogos.
- 1 dos seus 20 golos foi apontado como suplente utilizado em 22 partidas nessa condição.

- por duas vezes apontou golos em 3 jogos consecutivos: entre Maio e Junho de 2001, diante de Zenit, Sokol Saratov e Chernomorets Novorossiysk ; em Maio de 2005, diante de Torpedo Moscovo, Dínamo Moscovo e Amkar Perm.

- a sua pior série ao serviço do Lokomotiv foram 18 jogos consecutivos sem marcar golos, o que acabou por significar mais de um ano a “seco”. depois de apontar um golo ao Amkar Perm, completando uma série de 3 jogos consecutivos a marcar, em 28 de Agosto de 2005, Izmailov só voltou a marcar a 23 de Setembro de 2006, na vitória 2-1 no terreno do CSKA Moscovo. foi o seu único golo na temporada 2006 da Liga russa.

- os seus 20 golos foram apontados em 19 jogos. apenas por uma vez o Lokomotiv perdeu em jogos em que marcou golos – foi a 27 de Junho de 2003, na derrota por 1-3 no terreno do Rubin Kazan. nas restantes partidas, 15 vitórias e 3 empates.

Marat Izmailov na selecção Russa

MARAT IZMAILOV NA SELECÇÃO RUSSA

- 31 jogos – 1857 minutos de utilização
- 12 vitórias, 9 empates, 10 derrotas
- dos 31 jogos que efectuou, 21 foram na condição de titular. foi substituído em 12 ocasiões, completando os 90 minutos em 9 jogos.
- 21 desses 31 jogos foram oficiais, tendo participado nas fases finais do Mundial 2002 e Europeu 2004, como também nas fases de qualificação do Mundial 2002, Europeu 2004, Mundial 2006 e Europeu 2008.

- 1 cartão amarelos. 0 cartões vermelhos.

- 2 golos: 2 golos solitários, diante de Estónia (Novembro de 2004, na qualificação para o Mundial 2006) e Luxemburgo (Outubro de 2005, também na qualificação para o Mundial 2006).
- os 2 golos marcados foram em jogos em casa e na primeira parte dos encontros. sempre que marcou golos, a Rússia venceu.

- nunca apontou golos em jogos consecutivos pela selecção russa.

- esteve 19 jogos sem marcar qualquer golo pela sua selecção, desde a sua estreia, diante da Grécia, em Agosto de 2001, e o seu golo de estreia, em Novembro de 2004, diante da Estónia.

- ao serviço da selecção russa defrontou duas vezes Portugal: empatou uma vez (0-0), em Setembro de 2005, na fase de apuramento para o Mundial 2006 ; perdeu na outra vez (0-2), em Junho de 2004, no Europeu de 2004.

- o seu último jogo pela selecção russa foi a 7 de Outubro de 2006, quando foi suplente utilizado no empate caseiro diante de Israel (1-1), na fase inicial do apuramento para o Europeu 2008. Guus Hiddink não o voltou a utilizar desde aí.

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