Cristián Rodríguez: Cebola voadora
segunda-feira, 18 fevereiro 2008

Cristián Rodríguez e Nuno Assis: os protagonistas do Benfica em vitória histórica

A PRIMEIRA VITÓRIA NA FIGUEIRA DA FOZ. Depois de dois empates nas temporadas 2005/06 e 2006/07, o Benfica conseguiu ontem o seu primeiro triunfo, em jogos da Liga portuguesa, no Estádio José Bento Pessoa, na Figueira da Foz. Para fazer face à exibição desinspirada dos encarnados, a ressentirem-se da ausência, por opção, de Rui Costa no “onze” titular, e sem rotinas para praticar um futebol mais british do que nos tempos de Graeme Souness, surgiu um desbloqueador: aos 18 minutos, um lançamento lateral de Gilles Binya esteve na origem do golo inaugural, apontado por Cristián Rodriguez, em novo golpe de cabeça, após saída em falso do intermitente Wilson Júnior. Foi a terceira vez que a força de braços de Binya se revela decisiva para lançar o Benfica para triunfos, sempre em fases delicadas dos jogos. Já o fora, diante da Académica, num lance com algumas similitudes ao de ontem, já que Luisão, num sumptuoso golpe de calcanhar, aproveitou uma saída em falso do guarda-redes Ricardo Nunes, para fazer o 2-1 ; como também na vitória caseira diante do Estrela da Amadora, ao proporcionar a Cebola Rodríguez o 1-0, numa altura em que os assobios subiam de tom na Luz, até porque Camacho, minutos antes, deixara Rui Costa nos balneários, depois de ter sido a única unidade acima da média durante o primeiro tempo. Mas se nesse jogo, o golo de Rodríguez acabou por “despertar” o Benfica, na Figueira da Foz as melhorias foram inexistentes até à entrada de Rui Costa e Sepsi, guardadas para os últimos 5 minutos. Apesar de algum sofrimento, os encarnados chegariam ao 0-2, ao minuto 90, naquele que foi o 15º golo da temporada nos últimos cinco minutos dos jogos. Nuno Assis, que se estreara a marcar, ao minuto 90, da recepção ao Paços de Ferreira, para a Taça de Portugal, há uma semana, repetiu a façanha, desta feita concluindo um cruzamento atrasado do romeno László Sepsi, a confirmar um dos seus melhores predicados.

CEBOLA VOADORA. Foi o 5º golo da temporada de Cristián Rodríguez, com a curiosidade de todos terem sido apontados na Liga, competição onde é o terceiro melhor marcador do Benfica, logo a seguir a Oscar Cardozo e Nuno Gomes. Jogador de estatura mediana – 1.75 – surpreende ao ser o melhor cabeceador dos encarnados em 2007/08: é que quatro dos seus cinco golos surgiram em finalizações aéreas, números que se tornam ainda mais significativos, por representarem mais de um terço dos golos de cabeça do Benfica esta temporada. Nuno Gomes e Cardozo, com dois, seguem-se na lista, onde se juntam ainda Petit, Katsouranis e Luisão, com uma finalização vitoriosa cada. Mas se nos restringirmos apenas aos números da Liga, a preponderância de Rodríguez aumenta, correspondendo a mais de metade dos 7 golos apontados em finalizações aéreas. Nuno Gomes, com dois, ambos na sequência de cruzamentos da esquerda de Cristián Rodríguez, e Petit, com um, na jornada inaugural diante do Leixões, completam a lista.

O PERCURSO DE CEBOLA. Depois de dar os primeiros passos futebolísticos nas escolas do Juan Lacaze, o principal clube da sua cidade natal, Nelson Di Cono, olheiro do Peñarol, não hesitou em indicar a sua aquisição, após algumas observações. A adaptação ao grande clube de Montevideo não foi fácil e as saudades da família e da sua cidade – situada a mais de cem quilómetros da capital uruguaia – eram muitas. Contudo, tornar-se-ia numa das referências dos escalões de base do Peñarol, jogando sempre em escalões etários superiores ao seu, e aos 15 anos já efectuava alguns treinos com a equipa principal. Em 2002, com apenas 16 anos, estreou-se pela primeira equipa, mas a sua explosão ocorreu em 2003: depois de ter sido a principal estrela da selecção uruguaia sub-20 no Sul-Americano de 2003, prova que não completou devido a uma lesão, foi reintegrado na primeira equipa e assim que recuperou impôs-se como titular – 2 golos em 21 jogos -, ajudando o seu clube a chegar ao título uruguaio, onde coincidiu com Pablo Bengoechea, um dos seus ídolos, cortando o domínio do rival Nacional. Em 2004, apontaria 3 golos em 28 jogos e conquistaria espaço na selecção principal, pela qual jogou a Copa América. No início de 2005 foi o capitão da selecção uruguaia no Sul-Americano disputado na Colômbia, onde voltou a brilhar, chamando a atenção de vários clubes europeus. Iniciou-se então uma batalha com o Peñarol, ao não aceitar uma proposta de renovação, que fez com que fosse afastado da equipa. Transferiu-se, no Verão de 2005, juntamente com o colega de equipa Carlos Bueno, para o Paris Saint-Germain, à revelia do clube, o que o tornou num “traidor” para os adeptos do Peñarol e o obrigou a uma paragem até final de Novembro do mesmo ano, por decisão da FIFA. Em Paris, durante dois anos, nunca se conseguiu impor como titular, apesar de algumas boas indicações a espaços. Ajudou o clube a vencer a Taça de França em 2005/06, mas não foi opção para os jogos decisivos. No último Verão, uma boa participação na Copa América, abriu-lhe perspectivas de uma eventual – e desejada – transferência. Demorou a concretizar-se, mas chegaria ao Benfica nos últimos dias de Agosto, juntamente com o seu compatriota Maxi Pereira, numa “operação” que coincidiu com o regresso de José António Camacho ao clube da Luz. Muito se falou sobre a passagem fracassada por Paris e sobre a sua (in)capacidade para suprir a saída de Simão Sabrosa, como também a história da sua alcunha – o Cebola, porque as suas fintas faziam chorar os defesas adversários – tornou-se até numa peça do anedotário futebolístico luso. A estreia ocorreu, poucas semanas depois, na deslocação à Choupana, para defrontar o Nacional, onde apesar de algum excesso de peso, deixou boas indicação nos 26 minutos em que esteve em campo – período em que o Benfica apontou dois golos -, depois de render Nuno Gomes. Seguiu-se a titularidade diante da Naval, jogo em que se cotou como um dos melhores em campo, ao apontar um golo e a realizar uma assistência para um tento de Nuno Gomes. Sempre a crescer do ponto de vista físico, tornou-se num dos melhores jogadores do Benfica ao longo da primeira volta, granjeando prestigio junto dos adeptos e de alguns históricos do clube, como António Simões, que lhe teceu rasgados elogios, considerando-o um jogador “à Benfica”. Uma lesão, no início do ano, diante do Vitória de Setúbal, afastou-o cerca de um mês da competição, estando agora a reaparecer gradualmente, ainda que a paragem lhe tenha retirado o fulgor mostrado na primeira fase da época. Com contrato até ao final da época vão começando a surgir notícias que apontam a renovação como difícil, fruto do interesse de vários clubes europeus no seu concurso. Se são verdadeiras ou meras manobras de diversão do grupo de empresários que detêm o seu passe para valorizá-lo o futuro o dirá.

OS 5 GOLOS DE CRISTIÁN RODRÍGUEZ PELO BENFICA AO DETALHE

Cebola Rodríguez: 5 golos pelo Benfica

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- 5 golos apontados pelo Benfica em 23 partidas entre todas as competições. Foi titular em 21 jogos – 12 completos – e suplente utilizado em 2 ocasiões. Soma 12 vitórias, 5 empates e 6 derrotas.
- Totaliza 1825 minutos de utilização, que correspondem a uma média de 79 minutos por jogo.
- Liga: 14 jogos – 5 golos ; Taça de Portugal: 1 jogo – 0 golos ; Liga dos Campeões: 5 jogos – 0 golos ; Taça da Liga: 2 jogos – 0 golos (apontou 1 golo no desempate por grandes penalidades, diante do Estrela da Amadora).
- Golos ao detalhe: 3 em casa ; 2 fora de casa. 3 nas primeiras partes ; 2 nas segundas partes.
- Dos seus 5 golos, 4 foram apontados de cabeça. O outro foi apontado de pé esquerdo. Três dos seus cinco golos surgiram na sequência de lances de bola parada: dois de lançamentos laterais à direita – uma assistência directa de Binya, o outro após um corte incompleto de um defesa, após lançamento lateral do camaronês – e outro de livre lateral, à esquerda, apontado por Rui Costa. Os outros dois golos surgiram em lances de ataque organizado: frente à Naval, em casa, a concluir, de pé esquerdo, uma assistência de Di María ; frente ao Boavista, em casa, numa recarga de cabeça, após defesa incompleta de Peter Jehle, a remate de Rui Costa.
- 4 dos seus 5 golos aconteceram em finalizações na área – sempre de cabeça. Um deles, diante do Paços de Ferreira, foi apontado dentro da pequena área, numa finalização, em antecipação, ao primeiro poste. Também diante do Estrela Amadora marcou um golo em movimento semelhante, mas a uma distância maior da baliza.
- Nunca marcou golos em jogos consecutivos ou jornadas consecutivas.
- 9 jogos consecutivos sem marcar é o seu pior registo ao serviço do Benfica: depois de se estrear a marcar diante da Naval, a 15 de Setembro de 2007, só voltou a marcar a 3 de Novembro de 2007, diante do Paços de Ferreira. Se nos restringirmos apenas a jogos da Liga, o seu pior registo são 4 jogos consecutivos sem marcar, entre os mesmos jogos.
- Realizou 3 assistências para finalizações, sempre a partir de cruzamentos, com a curiosidade de ter sido sempre Nuno Gomes a conclui-los. Dois deles surgiram de cruzamentos da esquerda – Naval e União de Leiria – e outro de um cruzamento do centro-direita, diante do Boavista.
- Viu 4 cartões amarelos: 3 na Liga e 1 na Liga dos Campeões.


OUTROS NÚMEROS DO “CEBOLA”

Cristián Rodríguez pelo Paris Saint-Germain

- 36 jogos pelo Paris Saint-Germain, na divisão maior do futebol francês, nas duas épocas que representou o clube (2005/06 e 2006/07). Nesses 36 jogos, Rodríguez venceu 11 vezes, empatou 15 e perdeu 10.
- Dos 36 jogos que efectuou foi apenas titular em 9 ocasiões, tendo sido utilizado em 27 jogos a partir do banco. Completou apenas 3 jogos.
- Apenas apontou 1 golo pelo Paris Saint-Germain na Ligue 1. Foi a 10 de Fevereiro de 2007, aos 86 minutos, em casa, diante do AS Mónaco (vitória 4-2). Rodríguez entrara 3 minutos antes em campo.
- Esteve 27 jogos sem marcar golos: entre a sua estreia, a 3 de Dezembro de 2005, diante do Olympique Lyon, e o seu primeiro golo, diante do AS Mónaco, em 10 de Fevereiro de 2007.
- Viu 5 cartões amarelos.

- No mesmo período, efectuou ainda 5 jogos na Taça de França – 4 vezes titular –, 3 na Taça da Liga – sempre titular e 6 na Taça UEFA – 3 como titular, 2 completos.
- Apontou 2 golos na Taça de França: ao Vermelles, fora, em 2005/06 ; e ao Valenciennes, casa, em 2006/07, que valeu uma vitória por 1-0 e o apuramento para os quartos-de-final da competição.

- Fez ainda 7 partidas pela equipa de reservas do Paris Saint-Germain, que disputa a CFA, 4º escalão do futebol francês. Marcou um golo.

 Cristián Rodríguez pelo Peñarol

- 5 golos pelo Peñarol em 55 jogos, na divisão maior do futebol uruguaio, onde actuou entre 2002 e 2005.
- Dos 5 golos que apontou 3 foram apontados em casa ; 2 fora de casa. 4 com os pés e 1 de cabeça. Todos os golos foram apontados nas segundas partes, com a curiosidade de três terem sido apontados no último minuto do jogo.
- Em 2004 apontou um golo na Taça Libertadores – diante do Strongest, em casa – e um na Copa Sul-Americana – diante do Cerro Porteño, fora. Ambos os golos foram apontados com os pés e nas segundas partes dos jogos.

Cristián Rodríguez pelo Uruguai

- 2 golos em 20 jogos pela Selecção principal do Uruguai. Nesses 20 jogos, Rodríguez soma 7 vitórias, 7 empates, 6 derrotas.
- Os seus 2 golos aconteceram nas segundas partes dos jogos: marcou diante da Argentina (derrota 2-4), a 9 de Junho de 2004, aos 63 minutos, em jogo da fase de qualificação para o Mundial 2006 ; e apontou, aos 87 minutos, um dos golos da vitória do Uruguai sobre a Venezuela (4-1), a 7 de Julho de 2007, na Copa América.
- A sua estreia pela Selecção ocorreu na Copa América de 2004, diante do México, a 7 de Julho de 2004. Jogou os 90 minutos no empate a dois golos.
- O seu último jogo pelo Uruguai foi no passado dia 6 de Fevereiro, num particular diante da Colômbia. Entrou ao intervalo e viu um cartão amarelo, num empate a dois golos.

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Ernesto Farías: tecla G(olo)
quarta-feira, 6 fevereiro 2008

Ernesto Farías: El Tecla

TECLA G(OLO). Ernesto Farías chegou a Portugal com um currículo repleto de golos: 129 golos na principal Liga argentina, onde é o terceiro maior goleador em actividade, depois de Martín Palermo (Boca Juniors) e José Luís Calderón (Arsenal Sarandí), jogadores que, tal como “Tecla”, passaram pela formação do Estudiantes La Plata. Contudo, aquela que foi a contratação mais cara do FC Porto - custou 4 milhões de euros – para esta temporada, demorou a mostrar serviço. Chegado a Portugal com a pré-época em andamento, depois de uma transferência abortada para os mexicanos do Toluca, onde foi mesmo apresentando como reforço, “Tecla” Farías sofreu uma mialgia na face anterior da coxa direita diante dos chineses do Shanghai Shenhua, durante o Torneio de Roterdão, competição que marcava a sua estreia de “azul e branco”. O problema físico acabaria por afastá-lo cerca de um mês da competição, impedindo-o de ser opção para a final da Supertaça e para as primeiras jornadas da Liga. A sua estreia aconteceu à 4ª jornada, diante do Marítimo, a 15 de Setembro, jogando toda a segunda parte, sem nada de brilhante a registar. Seguiram-se, no mesmo mês, participações nas partidas diante de Liverpool (suplente utilizado) e Desp. Fátima (substituído aos 67 minutos), onde não convenceu, o que conduziu a um afastamento das opções até 25 de Novembro, altura em que disputou os minutos finais da recepção ao Vitória de Setúbal. Depois de duas presenças na Liga Intercalar, diante de Desp. Aves e Varzim, onde voltou a não convencer, e de falhar a partida da Taça de Portugal diante do Desp. Chaves, devido a uma pequena lesão, poucos não hesitariam em colocar Farias na lista de “flops” dos grandes clubes portugueses. Aparentemente alheio à pressão exterior, ao invés do que vem a acontecer com o seu compatriota Mariano González, “Tecla” despertou a 12 de Janeiro de 2008: com o FC Porto a vencer por 2-0 o Sp. Braga, Jesualdo Ferreira lançou o goleador argentino, que, em pouco mais de 10 minutos em campo, deslumbrou, oferecendo o 3-0 a Lisandro López, após um excelente movimento de rotação, e marcando o seu primeiro golo em Portugal, numa finalização de pé direito, após assistência de Lucho González. Seguiu-se a titularidade diante do Desp. Aves para a Taça de Portugal, onde voltou a marcar, uma boa prestação como suplente utilizado diante do Sporting, onde não marcou, mas, por duas vezes, esteve perto de fazê-lo, e o seu primeiro “bis” em Portugal, diante da União de Leiria, na sua estreia a titular em jogos da Liga. A 13 minutos do fim foi substituído, com o Dragão rendido à prestação daquele que se está a revelar como o grande reforço de Inverno do bi-campeão nacional na tranquila caminhada para o “tri”.

A PRIMEIRA EXPERIÊNCIA EUROPEIA. No Verão de 2004, depois de apontar 94 golos em 205 jogos pelo Estudiantes La Plata, que o tornam no 5º maior goleador da história do clube na Liga argentina, “Tecla” Farías foi apresentado como novo reforço do Palermo, da Série A italiana, que investiu 5 milhões de euros na sua aquisição. A sua adaptação ao “Calcio” foi difícil, não marcando golos em 13 partidas do campeonato, tendo sido apenas uma vez titular. Ao contrário do FC Porto, o emblema italiano não esperou pelo segundo semestre de competição e não hesitou em negociá-lo, em Janeiro de 2005, para o River Plate – que investiu 1,75 milhões de euros por metade do seu passe –, onde viria a apontar 35 golos na Liga argentina em duas épocas e meia, juntando mais 14 na Copa Libertadores. Da sua passagem por Itália, o registo apenas de 2 golos: a 28 de Setembro de 2004, para a Coppa Italia, na recepção à Salernitana (vitória 2-0), que permitiram ao Palermo seguir em frente na competição, depois de ter perdido 1-2 na primeira mão.

OS “BIS” DE “TECLA” FARÍAS.

Ernesto Farías: os “bis” do “Tecla”

O “bis” apontado diante da União de Leiria foi o primeiro de Ernesto Farías ao serviço do FC Porto, mas já o 21º da sua carreira. A sua estreia a “bisar” ocorreu frente ao Independiente, com apenas 19 anos, pouco mais de 4 meses após se estrear na Liga argentina – empate 2-2 diante do Lanús -, numa vitória por 4-1, onde soube tirar partido de dois cruzamentos desde a esquerda de Rodolfo Estebán Cardoso, um argentino que realizou grande parte da sua carreira na Alemanha, e de uma jornada para esquecer de Gabriel Milito, seu colega nas selecções de base, e que era o defesa do Independiente encarregue de o marcar. Farías, que na primeira época como profissional, jogava tanto como “enganche” como na frente do ataque, no 4x3x1x2 do Estudiantes, só voltou a bisar um ano depois, diante do Talleres, o adversário ao qual mais golo marcou como jogador da equipa de La Plata. Entre Maio de 1998 e Junho de 2004, período em que representou o Estudiantes, “Tecla” apontaria 11 “bis”, 8 deles em casa – valeram sempre vitórias – e 3 extramuros. Seguiu-se a passagem de seis meses pelo futebol italiano ao serviço do Palermo, onde conseguiu um “bis”, na Coppa Italia, diante do Salernitana, no único jogo, dos 16 oficiais que realizou, em que marcou golos. No River Plate, onde actuou entre Fevereiro de 2005 e Junho de 2007, somou 8 “bis” – 7 na Liga argentina e 1 na Copa Libertadores, curiosamente diante dos argentinos do Banfield. Dos 8, 5 foram obtidos em jogos disputados como visitado – o River Plate venceu sempre que Farías “bisou” em casa – e 3 como visitante, o último dos quais, a 27 de Maio de 2007, na deslocação ao terreno do Gimnasia La Plata, rival do Estudiantes. Pouco mais de oito meses depois, já ao serviço do FC Porto, o primeiro “bis” no futebol português, na sua estreia a titular em jogos da Liga.

OS 4 GOLOS DE ERNESTO FARÍAS PELO FC PORTO AO DETALHE

Ernesto Farías: os 4 golos pelo FC Porto

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- 4 golos apontados pelo FC Porto em 10 jogos efectuados.
- 3 dos seus 4 golos foram apontados na Liga portuguesa. o outro golo foi apontado na Taça de Portugal.
- Liga: 5 jogos / 3 golos ; Liga dos Campeões: 1 jogo / 0 golo ; Taça de Portugal: 1 jogo / 1 golo ; Taça da Liga: 1 jogo / 0 golo ; Liga Intercalar: 2 jogos / 0 golos.

- 10 jogos pelo FC Porto: 6 vitórias, 1 empate, 3 derrotas.
- marcou golos em 3 jogos: 2 golos solitários e 1 “bis”. sempre que marcou o FC Porto venceu.

- os 4 golos que apontou pelo FC Porto foram marcados em partidas em casa. 2 na primeira parte, 2 na etapa complementar.
- 1 dos seus 4 golos foi apontado na condição de suplente utilizado.
- 3 dos seus golos foram apontados de cabeça. todos esses golos surgiram a partir de cruzamentos: 2 da direita (Lino, de bola parada, e Quaresma, de bola corrida) e 1 da esquerda (Quaresma, de bola corrida). 2 desses 3 golos foram apontados da mesma zona: à entrada da pequena área.

- nunca marcou em jogos consecutivos da Liga. marcou golos em 2 jogos consecutivos: diante do Sp. Braga, para a Liga, e do Desp. Aves, para a Taça de Portugal, em Janeiro de 2008.
- esteve 6 jogos sem marcar golos, entre a sua estreia, diante do Marítimo, a 15 de Setembro de 2007, e o seu primeiro golo, apontado diante do Sp. Braga, a 12 de Janeiro de 2008.

Ernesto Farías: El Tecla no Estudiantes

OS GOLOS DE “TECLA” FARÍAS AO SERVIÇO DO ESTUDIANTES

- 94 golos em 205 jogos pelo Estudiantes La Plata em pouco mais de 6 anos ao serviço do clube. 5º melhor marcador da história do Estudiantes na Liga argentina.
- 57 em casa – 37 fora de casa ; 45 primeira parte – 49 etapa complementar
- 52 golos solitários, 11 “bis”, 4 “triplas” e 2 “poker”
- 14 dos seus 94 golos foram apontados através de grandes penalidades.
- por 3 vezes conseguiu marcar golos em 3 jornadas consecutivas: entre Fevereiro e Março de 2000, apontou 4 golos em 3 jogos consecutivos, diante de Gimnasia Jujuy (casa), River Plate (fora) e Newell’s Old Boys (casa) ; em Março de 2002, apontou 6 golos em 3 jogos consecutivos, diante de Talleres (casa), Huracán (fora) e Unión (casa) ; em Novembro de 2003, apontou 5 golos em 3 jogos consecutivos, diante de Lanús (casa), Talleres (fora) e Nueva Chicago (fora).
- os 2 “poker” que apontou aconteceram diante de Newell’s Old Boys (em casa, a 14 de Dezembro de 2003) e Argentinos Juniors (fora, a 16 de Setembro de 2001).
- as 4 “triplas” que apontou aconteceram diante de Rosário Central (fora, a 18 de Setembro de 2000), Almagro (fora, a 29 de Abril de 2001), Huracán (fora, a 28 de Março de 2002) e Olimpo (casa, a 14 de Março de 2004).

Ernesto Farías: El Tecla no Palermo

OS GOLOS DE “TECLA” FARÍAS AO SERVIÇO DO PALERMO

- 2 golos em 16 jogos pelo Palermo.
- Série A: 13 jogos / 0 golos (apenas foi uma vez titular) ; Coppa Itália: 3 jogos / 2 golos (foi sempre titular)
- 2 em casa – 0 fora de casa ; 1 primeira parte – 1 etapa complementar
- 0 golos solitários, 1 “bis”
- nenhum golo apontado de grande penalidade.

Ernesto Farías: El Tecla no River Plate

OS GOLOS DE “TECLA” FARÍAS AO SERVIÇO DO RIVER PLATE

- 49 golos em 93 jogos pelo River Plate.
- Liga Argentina: 67 jogos / 35 golos ; Copa Libertadores: 24 jogos / 14 golos ; Copa Sul-Americana: 2 jogos / 0 golos
- 24 em casa – 25 fora de casa ; 23 primeira parte – 26 etapa complementar
- 30 golos solitários, 8 “bis”, 1 “tripla”.
- 4 dos seus 49 golos foram apontados através de grandes penalidades.
- 3 golos como suplente utilizado em 9 jogos nessa condição.
- por uma vez marcou em 5 jogos consecutivos, mas em competições diferentes (4 na Liga e 1 na Copa Libertadores): entre Março e Abril de 2006, apontou 5 golos em 5 jogos consecutivos, diante de Estudiantes La Plata (casa), El Nacional (casa), Boca Juniors (fora), Rosário Central (casa) e Lanús (fora).
- por uma vez marcou em 5 jogos consecutivos da Liga argentina – intervalados por jogos na Copa Libertadores -, naquela que é a sua melhor série no campeonato: entre Março e Abril de 2006, apontou 6 golos em 5 jogos consecutivos, diante de Estudiantes La Plata (casa), Boca Juniors (fora), Rosário Central (casa), Lanús (fora) e Instituto (casa).
- a única “tripla” que marcou ao serviço do River Plate aconteceu a 13 de Novembro de 2005, na vitória por 4-1 no terreno do Instituto de Córdoba.

Ernesto Farías: El Tecla na selecção argentina

“TECLA” FARÍAS NA SELECÇÃO ARGENTINA

- 1 vez internacional “A” – foi titular, a tempo inteiro, na derrota da Argentina no terreno do Paraguai, a 3 de Setembro de 2005, em jogo de qualificação para o Mundial 2006.
- Foi campeão sul-americano de sub-20 em 1999 pela Argentina, ao lado de jogadores como Gabriel Milito, Aldo Duscher, Esteban Cambiasso, Luciano Galletti, Aimar e o ex-sadino La Paglia, num torneio disputado no seu país natal. É o único título que conquistou, até ao momento, na sua carreira. Habitual suplente, marcou 2 golos na competição, diante da Venezuela (vitória 4-1) e diante do Brasil (vitória 2-1), sendo que o último foi decisivo e valeu a vitória a 3 minutos do fim.
- Participou na desastrosa campanha da selecção argentina no Mundial Sub-20 de 1999, disputado na Nigéria. A Argentina caiu nos oitavos-de-final diante do México (derrota 1-4), mas não foi além do 3º lugar na fase de grupos, onde apenas venceu o Cazaquistão (1-0), empatando com a Croácia (0-0) e perdendo com o Gana (0-1). Não marcou golos.
- Ficou em 2º lugar no Campeonato sul-americano de 1997, disputado no Paraguai, e ganho pelo Brasil, onde se destacou Ronaldinho Gaúcho. Marcou 2 golos, ambos diante do Equador, numa vitória por 3-2. Foi o 2º melhor marcador da Argentina na competição, a par de Lívio Prieto, antigo jogador do Santa Clara, com menos um golo que Luciano Galletti, o goleador da Argentina com 3 tentos apontados. Juan Viveros, chileno que representou o Sporting e o Alverca, foi um dos melhores marcadores da prova, com 4 golos.
- Disputou o Mundial sub-17 de 1997, que se realizou no Egipto. Não marcou nenhum golo, sendo que a Argentina caiu nos quartos-de-final diante do Brasil. Na selecção argentina destacaram-se, sobretudo, Lívio Prieto (antigo jogador do Santa Clara), Júlio Marchant (antigo jogador do Nacional) e, sobretudo, Luciano Galletti, que voltou a ser a principal figura da equipa “celeste”.

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Neymar: prodígio do Santos faz hoje 16 anos
terça-feira, 5 fevereiro 2008

Neymar: chamam-lhe o novo Robinho

NEYMAR, O PRODÍGIO DAS ESCOLAS DO SANTOS. Neymar da Silva Santos Júnior, ou simples Neymar, completa hoje 16 anos. Natural de Mogi das Cruzes, município brasileiro do Estado de São Paulo, é filho de um ex-jogador de futebol, também ele chamado Neymar, que, em 1999, vendo no seu rebento um talento fora de comum para a prática de futebol levou-o às escolas do Tumiarú, treinadas por Betinho, técnico que lançou Robinho, onde foi enquadrado na equipa de futsal. O seu percurso seguiu, entre o futsal e o futebol de onze em clubes amadores, mostrando um potencial técnico fora do comum para a sua idade, como também velocidade e um remate forte e colocado, que lhe valeu muitos golos e jogadas de grande espectáculo, que despertaram o interesse do Santos: no final de 2003, olheiros do clube deslocaram-se à Copa TV Tribuna de Futsal Escolar e não hesitaram em dar o aval à sua aquisição, depois de verem Neymar brilhar ao serviço do Colégio-Liceu São Paulo. Em 2004 dividiu o seu tempo pelas equipas de futsal e de futebol de campo de sub-13 do Santos, conquistando dois torneios, seguindo-se, em 2005, o troféu de melhor marcador do Campeonato Paulista de futebol em Pré-Infantil (sub-14) e o prémio de melhor jogador do ano na mesma categoria. O ano de 2006 ficou marcado pela sua promoção à equipa Infantil (sub-15), onde rapidamente se destacou, provocando a atenção de vários empresários e, de seguida, de clubes europeus, como o Real Madrid e o Manchester United. Agenciado por Wagner Ribeiro, empresário de Robinho, que tem relações complicadas com o Santos, depois da tumultuosa transferência do jogador para o Real Madrid, Neymar foi dado, no Verão de 2007, como futuro reforço do clube espanhol, tendo-se mesmo deslocado à capital espanhola. Contudo, o Santos conseguiu assegurar a sua permanência até hoje, 5 de Fevereiro de 2008, data em que poderá, finalmente, assinar um contrato como profissional, que tem sido negociado nos últimos meses. Entretanto, Neymar foi o melhor marcador da equipa infantil (sub-15) do Santos em 2007, ao apontar 15 golos em 22 jogos, e no início deste ano, ainda com 15 anos, teve a oportunidade de realizar 4 jogos, todos como suplente utilizado, na Copa São Paulo 2008, destinada à categoria sub-19, marcando 1 golo, de grande penalidade, diante do Nacional de São Paulo.

PRÉ-ACORDO ATÉ 2013. Depois de no Verão passado ter estado muito perto de rumar ao Real Madrid, o Santos conseguiu “segurar” o jovem prodígio, que também mostrou vontade em permanecer no clube da Vila Belmiro, apesar de não esconder o “sonho” de vir a representar Real Madrid, Barcelona ou Manchester United no futuro. Para fazer face à impossibilidade de assinar contrato como profissional, o que no Brasil é possível a partir dos 16 anos, o Santos acertou um contrato de cessão de imagem com cláusula de rescisão de 25 milhões de dólares, válido até 2015, como também terá avançado com 2 milhões de reais (730 mil euros) para a família do jogador, pagos em parcelas até 2013, data em que terminará o futuro vínculo profissional de Neymar. Zito, campeão do Mundo em 1958 e 1962, e actual responsável pelo futebol de base do Santos, considera que foi um investimento demasiado avultado, mas que Marcelo Teixeira, presidente do clube, achou que seria rentável, pensando num futuro negócio com a venda do seu passe por valores entre os 50 e os 60 milhões de reais (18 a 22 milhões de euros).

SEM PRECIPITAÇÕES. O mediatismo em torno de Neymar fez com que a imprensa brasileira questionasse nas últimas semanas a hipótese de uma promoção à equipa principal. Emerson Leão, actual treinador do Santos, rejeitou a ideia, dizendo que o jogador ainda está a ser preparado e que, nesta altura, o mais importante é não queimar etapas antes da hora, de forma a não prejudicar o seu crescimento. Márcio Fernandes, técnico que o lançou na equipa júnior este ano, considera que o jogador tem muito talento, mas que ainda tem que evoluir e que a sua presença na Copa São Paulo lhe permitiu ganhar experiência e sentir a realidade de uma equipa bem mais próxima do escalão sénior. Já Zito, o já citado director do futebol de base do Santos, não tem dúvidas, ao definir Neymar como “ferinha” e “jóia do Santos”.

O QUE MOSTROU NEYMAR NA COPA SÃO PAULO 2008. Capaz de desempenhar vários postos entre o meio campo ofensivo e o ataque, tanto pode actuar como médio ofensivo, com características próximas de um “10”, como também como avançado móvel, nas costas de um avançado mais fixo ou a sair das alas para o meio. Fisicamente frágil – mas já acima do 1.66/53 que lhe é apontado – terá ainda muito que progredir a esse nível, já que se mostra muito frágil no choque, ficando sempre a perder em lances corpo a corpo, como também ainda não está preparado para jogar 90 minutos. Contudo, é um jogador destemido e agitador, que não tem qualquer receio de partir para cima do adversário, mostrando velocidade, capacidade de aceleração e de desmarcação, como também uma técnica muito interessante para um jogador tão jovem, ainda que tenha recorrido com algum exagero às célebres “pedaladas”, uma das imagens de marca do ídolo Robinho, o que o levou a perder objectividade nalgumas acções, mas não abusa de iniciativas individuais, até porque se trata de um jogador com forte sentido colectivo. E foi nesse aspecto que mais se destacou: mostrou possuir uma visão de jogo impressionante, para além de grande capacidade de passe, jogando com facilidade a um-dois toques com ambos os pés, descobrindo espaços onde parecem não existir e mostrando uma espantosa facilidade a desmarcar os avançados, o que lhe permitiu realizar várias assistências para finalizações, quer através de passes de ruptura a partir de posições centrais – os passes de três dedos (trivela) poderão constituir-se como uma das suas imagens de marca -, quer a partir de cruzamentos desde os flancos. Mostra também facilidade a aparecer em posições de finalização, quer dentro da área - onde sabe tirar partido de um bom poder de desmarcação -, quer à entrada desta, mas não revelou grande apetência pela baliza adversária, marcando apenas um golo, de grande penalidade. Optou, quase sempre, por passes, mas nos escalões de base do Santos tem mostrado uma boa capacidade de finalização com os pés, tirando também partido da sua boa capacidade de definição com o pé direito – o seu mais forte -, mas também de pé esquerdo, que usa com grande à vontade. Do ponto de vista defensivo e táctico tem também muitos aspectos a limar, mas mostra capacidade de sacrifício e é capaz de correr atrás da bola.

VÍDEOS:


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Marat Izmailov: a ressurreição da Locomotiva de Moscovo
sábado, 2 fevereiro 2008

Marat Izmailov

A SEMANA DA LOCOMOTIVA. Entrado em campo aos 65 minutos na partida diante do Beira-Mar para a Taça da Liga, numa altura em que o Sporting empatava em casa a zero com os aveirenses, Marat Izmailov deu uma dinâmica maior ao ataque leonino, ajudando a construir um volumoso 3-0, tendo participado directamente no segundo golo, ao assistir a finalização vitoriosa de Simon Vukcevic. Quatro dias depois, Izmailov foi titular diante do FC Porto, para a Liga, reencontrando o adversário frente ao qual se estreou em Portugal, na final da Supertaça, que decidiu, com uma espectacular finalização de pé direito a 25 metros da baliza, após assistência de Miguel Veloso. E, mais uma vez, Izmailov voltou a ser preponderante para derrotar o FC Porto: serviu Vukcevic, através de um cruzamento desde a esquerda, para o 1-0 ; e apontou o segundo golo do Sporting, num subtil golpe de cabeça dentro da pequena área, após defesa incompleta de Hélton a remate de Vukcevic. Três dias depois, novamente em Alvalade, Izmailov foi o melhor em campo diante do Penafiel, ajudando o Sporting a construir uma vitória por 3-1, que colocou os “leões” na final da competição diante do Vitória de Setúbal. O internacional russo começou por assistir Romagnoli para o 1-0, através de um centro atrasado desde a esquerda, e apontou os outros dois golos: o 2-0, num remate cruzado, dentro da área, de pé direito, após excelente trabalho individual ; e o 3-1, numa finalização à boca da baliza, após boa jogada de Bruno Pereirinha à direita, concluindo uma semana de “luxo”, em que apontou 3 golos e realizou 3 assistências para finalizações vitoriosas.

DE “GOLDEN BOY” A SENHOR INTERMITÊNCIA. Produto das escolas do Torpedo Moscovo, rapidamente deu nas vistas, protagonizando uma transferência polémica, ainda enquanto júnior, para o “rival” Lokomotiv, que o inseriu, em 2000, na sua formação secundária. Chamado a alguns treinos da formação principal durante esse ano, Izmailov foi uma das figuras da pré-temporada de 2001, conseguindo não só um lugar na primeira equipa, como também conquistar a titularidade, com apenas 18 anos. Rapidamente se tornou numa das estrelas do Lokomotiv, chegando à selecção principal em Agosto de 2001, pouco mais de 5 meses depois de se ter estreado como profissional. Com 6 golos em 29 jogos, realizou não só a sua melhor época de sempre, como se transformou no “golden-boy” do futebol russo, ajudando o Lokomotiv a qualificar-se para a Liga dos Campeões, através do 2º lugar na Liga, como também a conquistar a Taça da Rússia, marcando um dos golos no desempate por pontapés da marca de grande penalidade. O ano de 2002 arrancou da melhor forma, com Izmailov a assumir protagonismo na formação do Lokomotiv e a justificar a presença no Mundial 2002, onde realizou 2 jogos como titular, mostrando um rendimento intermitente, que se prolongou nas jornadas do campeonato russo posteriores à grande competição, antecedendo uma lesão, no final de Julho de 2002, diante do Anzhi, que o afastou o resto da época, o que limitou o seu contributo a apenas 2 golos em 14 jogos para o título russo alcançado pelo Lokomotiv – o primeiro da sua história, mesmo alargando ao antigo campeonato soviético. O ano de 2003 começou com nova conquista: no seu regresso à competição foi suplente utilizado na final da Supertaça russa – na sua primeira edição -, e mesmo falhando uma das grandes penalidades no desempate desde os onze metros, sagrar-se-ia vencedor da competição. Na Liga russa acabaria por se fixar como titular, totalizando 5 golos em 27 jogos, aproximando-se, em algumas fases, do rendimento evidenciado em 2001, o que lhe permitiu recuperar um lugar na selecção russa. Contudo, em termos colectivos, o Lokomotiv não foi além de um quarto lugar na Liga, falhando o apuramento para as competições europeias. Em 2004, apesar de um início de época intermitente, marcou presença no Europeu 2004, disputado em Portugal, onde teve uma presença apagada. Seguiu-se nova lesão, que o afastou dois meses dos relvados, regressando sem grande fulgor. Apontou 2 golos em 18 jogos, no ano em que o Lokomotiv voltou a sagrar-se campeão, após intensa disputa com o CSKA Moscovo. Em 2005, após ajudar o Lokomotiv a vencer a Supertaça, numa final diante do Terek Groznyy, surgiu em grande plano na Liga, apontando 3 golos nas primeiras 10 jornadas da Liga, que lhe valeram o regresso à Selecção. Contudo, uma lesão aos 10 minutos de um particular diante da Alemanha, afastá-lo-ia cerca de 3 meses dos relvados, regressando com um golo diante do Amkar. O seu rendimento, no entanto, revelou-se intermitente, acabando a temporada com nova lesão. O início da temporada 2006 foi fraco, perdendo a titularidade. Quando parecia regressar, voltou a lesionar-se e só regressou à competição em Julho, com um registo muito irregular, que o impediu de se fixar no “onze”. A situação não se alterou em 2007, com uma lesão diante do Dínamo Moscovo, num jogo, disputado no inicio de Abril, em que começou como suplente, a afastá-lo da competição até à sua transferência, por empréstimo, para o Sporting. Ainda assim, ao efectuar dois jogos na Taça da Rússia, contribuiu para nova conquista do Lokomotiv na competição. Ao todo, em 6 anos e meio ao serviço da equipa principal do Lokomotiv, somou 6 títulos: 2 campeonatos, 2 taças e 2 supertaças.

LEÃO CASEIRO. Confirmado como reforço para a nova época no final de Junho de 2007, Marat Izmailov chegou a Alvalade por empréstimo de um ano, ficando o Sporting com direito de opção sobre o seu concurso até ao epílogo da temporada. Depois de alguns problemas físicos na pré-época, o internacional russo estreou-se da melhor forma em jogos oficiais, ao apontar o golo que valeu ao Sporting a conquista da Supertaça diante do campeão FC Porto. Contudo, uma entorse tibiotársica contraída nesse jogo, acabaria por afastá-lo da estreia na Liga, diante da Académica, surgindo como titular, uma semana depois, em novo confronto frente ao FC Porto. Realizou uma exibição apagada, o que levou Paulo Bento a substitui-lo durante a segunda parte, algo que se prolongou nos jogos seguintes, perdendo a titularidade. Seria no início de Outubro de 2007, diante do Vitória Guimarães, que o russo reapareceria no seu melhor: depois de uma primeira parte dominada pelos vimaranenses, Paulo Bento lançou Izmailov na etapa complementar e o internacional russo correspondeu com 2 golos, decidindo a partida. Esperava-se que se fosse o início da sua afirmação, mas não se confirmou, seguindo-se dois meses de intermitência. Em Dezembro, com dois golos diante de União de Leiria e Louletano, Izmailov deu os primeiros passos para a “explosão” de Janeiro, confirmada pelos 3 golos e 3 assistências na última semana, que lhe reabriram as portas da selecção russa, pela qual poderá marcar presença no Europeu 2008. Um aspecto não deixa de ser curioso nos “números” do internacional russo como jogador dos “leões” – se exceptuarmos o golo em Coimbra, para a Supertaça, diante do FC Porto, os outros 7 tentos aconteceram sempre em Alvalade, tal como as 4 assistências para golo que efectuou, indo de encontro aos números paupérrimos dos leões na Liga quando actuam extramuros, onde possuem o 5º pior da ataque da prova, com apenas 6 golos – menos um que União de Leiria e Paços de Ferreira, os dois últimos –, a que acresce o facto de só ter vencido 2 vezes em 9 partidas.

OS NÚMEROS DE IZMAILOV AO SERVIÇO DO SPORTING

Marat Izmailov: os números do internacional russo ao serviço do Sporting

- 28 jogos – 1827 minutos de utilização
- 14 vitórias, 6 empates, 8 derrotas
- dos 28 jogos que efectuou, 21 foram na condição de titular. foi substituído em 14 ocasiões, apenas completando 7 jogos. em 7 jogos foi suplente utilizado.

- 1 cartão amarelo. 0 cartões vermelhos.

- 8 golos: 4 golos solitários, 2 “bis”
- dos 8 golos marcados 7 foram apontados em jogos em casa ; nenhum foi apontado fora de casa ; um foi apontado em “campo-neutro”, na final da Supertaça.
- 2 dos 8 golos foram apontados na primeira parte ; 6 dos 8 golos foram apontados na segunda parte dos jogos.
- 2 dos seus 8 golos foram apontados como suplente utilizado em 7 partidas nessa condição.

- por duas vezes apontou golos em jogos consecutivos, mas nunca para a Liga. em Dezembro de 2007, apontou golos diante do União de Leiria (Liga) e Louletano (Taça de Portugal). em Janeiro de 2008, apontou golos diante de FC Porto (Liga) e Penafiel (Taça da Liga), série que mantém em aberto para o Restelo, caso seja utilizado.

- a sua pior série ao serviço do Sporting foram 9 jogos consecutivos sem marcar golos, entre o “bis” apontado ao Vitória de Guimarães, a 6 de Outubro de 2007, e o golo apontado no empate caseiro diante da União de Leiria, a 2 de Dezembro de 2007.

- soma 4 assistências para golo em 2007/08, 3 das quais na última semana. para além dos passes decisivos para Vukcevic, diante do Beira-Mar e FC Porto, e Romagnoli, diante do Penafiel, sempre a partir da esquerda, Izmailov assistira Liedson para um golo diante da AS Roma, também a partir de um cruzamento desde a esquerda. também em comum outro facto: todas as suas assistências aconteceram em jogos em casa.

- falhou 4 jogos do Sporting em 2007/08, sempre para a Liga. o Sporting nunca perdeu sem Izmailov: somou 3 vitórias (Académica, casa, Estrela da Amadora, fora, e Marítimo, fora) e 1 empate (Benfica, fora).

- os seus 8 golos foram apontados em 6 jogos. nesses 6 jogos o Sporting nunca perdeu: 5 vitórias e 1 empate.

Marat Izmailov ao serviço do Lokomotiv Moscovo

OS NÚMEROS DE MARAT IZMAILOV NA LIGA RUSSA

- 124 jogos – 8875 minutos de utilização em 6 épocas e meia
- 61 vitórias, 38 empates, 25 derrotas
- dos 124 jogos que efectuou, 102 foram na condição de titular. foi substituído em 40 ocasiões, sendo que numa das vezes – no último jogo que realizou pelo Lokomotiv, diante do Dínamo Moscovo – foi substituído após ter entrado na partida a partir do banco.
- completou os 90 minutos em 84 jogos. foi expulso uma vez e suplente utilizado em 22 jogos.

- 13 cartões amarelos. 1 cartão vermelho: diante do Torpedo Moscovo, em Novembro de 2004.

- 20 golos: 18 golos solitários, 1 “bis”
- dos 20 golos marcados 11 foram apontados em jogos em casa e 9 em jogos fora.
- 12 dos 20 golos foram apontados na primeira parte ; 8 dos 20 golos foram apontados na segunda parte dos jogos.
- 1 dos seus 20 golos foi apontado como suplente utilizado em 22 partidas nessa condição.

- por duas vezes apontou golos em 3 jogos consecutivos: entre Maio e Junho de 2001, diante de Zenit, Sokol Saratov e Chernomorets Novorossiysk ; em Maio de 2005, diante de Torpedo Moscovo, Dínamo Moscovo e Amkar Perm.

- a sua pior série ao serviço do Lokomotiv foram 18 jogos consecutivos sem marcar golos, o que acabou por significar mais de um ano a “seco”. depois de apontar um golo ao Amkar Perm, completando uma série de 3 jogos consecutivos a marcar, em 28 de Agosto de 2005, Izmailov só voltou a marcar a 23 de Setembro de 2006, na vitória 2-1 no terreno do CSKA Moscovo. foi o seu único golo na temporada 2006 da Liga russa.

- os seus 20 golos foram apontados em 19 jogos. apenas por uma vez o Lokomotiv perdeu em jogos em que marcou golos – foi a 27 de Junho de 2003, na derrota por 1-3 no terreno do Rubin Kazan. nas restantes partidas, 15 vitórias e 3 empates.

Marat Izmailov na selecção Russa

MARAT IZMAILOV NA SELECÇÃO RUSSA

- 31 jogos – 1857 minutos de utilização
- 12 vitórias, 9 empates, 10 derrotas
- dos 31 jogos que efectuou, 21 foram na condição de titular. foi substituído em 12 ocasiões, completando os 90 minutos em 9 jogos.
- 21 desses 31 jogos foram oficiais, tendo participado nas fases finais do Mundial 2002 e Europeu 2004, como também nas fases de qualificação do Mundial 2002, Europeu 2004, Mundial 2006 e Europeu 2008.

- 1 cartão amarelos. 0 cartões vermelhos.

- 2 golos: 2 golos solitários, diante de Estónia (Novembro de 2004, na qualificação para o Mundial 2006) e Luxemburgo (Outubro de 2005, também na qualificação para o Mundial 2006).
- os 2 golos marcados foram em jogos em casa e na primeira parte dos encontros. sempre que marcou golos, a Rússia venceu.

- nunca apontou golos em jogos consecutivos pela selecção russa.

- esteve 19 jogos sem marcar qualquer golo pela sua selecção, desde a sua estreia, diante da Grécia, em Agosto de 2001, e o seu golo de estreia, em Novembro de 2004, diante da Estónia.

- ao serviço da selecção russa defrontou duas vezes Portugal: empatou uma vez (0-0), em Setembro de 2005, na fase de apuramento para o Mundial 2006 ; perdeu na outra vez (0-2), em Junho de 2004, no Europeu de 2004.

- o seu último jogo pela selecção russa foi a 7 de Outubro de 2006, quando foi suplente utilizado no empate caseiro diante de Israel (1-1), na fase inicial do apuramento para o Europeu 2008. Guus Hiddink não o voltou a utilizar desde aí.

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Roberto: poder de decisão
sexta-feira, 1 fevereiro 2008

Roberto OS FACTOS. Ao marcar o golo do triunfo do Leixões sobre o Paços de Ferreira, Roberto conseguiu definir, em dois fins-de-semana consecutivos, dois triunfos por 1-0 para a formação leixonense, depois de ter contribuído de forma decisiva para a eliminação do Anadia da Taça de Portugal. O avançado-centro, de 30 anos, natural de Osasco, cidade do interior de São Paulo, apontou o 6º golo da temporada – 3 na Liga, 2 na Taça de Portugal e 1 na Taça da Liga – em 18 jogos oficiais, a que acresce a curiosidade de ter marcado em todas as partidas que o Leixões venceu esta época: Varzim (fora, Taça da Liga) ; Sp. Braga (casa, Liga) ; Torreense (casa, Taça de Portugal) ; União de Leiria (casa, Liga) ; Anadia (casa, Taça de Portugal) ; e Paços de Ferreira (casa, Liga). Talhado para finalizações no interior da área, Roberto, em 2007/08, apontou 4 golos de cabeça e 2 de pé direito.

2007/08 AO DETALHE

- 18 jogos – 6 vitórias, 8 empates, 4 derrotas
- 6 golos em 14 jogos: 5 golos apontados em casa – 1 golo apontado fora de casa ; 2 golos apontados na primeira parte – 4 golos apontados na segunda parte.
- não marcou qualquer golo de grande penalidade.
- 1 cartão amarelo (diante do Benfica, para a Liga, em casa) – 1 cartões vermelhos (diante do União de Leiria, para a Taça da Liga).
- nos 3 jogos que esteve ausente, sempre para a Liga, o Leixões somou 2 empates e 1 derrota.
- esteve 6 jogos consecutivos sem marcar golos na Liga – entre a jornada 1 e a jornada 8 (não foi utilizado na jornada 6 e 7).
- marcou por 2 vezes em 2 semanas consecutivas, sempre após jogos da Taça de Portugal: Torreense e União de Leiria, em Dezembro de 2007 ; Anadia e Paços de Ferreira, em Janeiro de 2008.
- marcou nos 2 jogos que o Leixões efectuou na Taça de Portugal, ambos contra adversários da 2ªDivisão.
- nunca marcou mais do que um golo por jogo.
- não realizou qualquer partida na Taça Intercalar.

PODER DE DECISÃO. Chegado a Matosinhos, oriundo do Penafiel, no início da temporada 2006/07, Roberto pretendia relançar a carreira, depois de uma suspensão de 6 meses motivada por um controlo anti-doping positivo num jogo diante do FC Porto, por alegadamente ter inalado Salbutamol, um bronco-dilatador utilizado no tratamento da asma. O objectivo foi alcançado em pleno: sagrou-se o melhor marcador da Liga de Honra, com 17 golos, contribuindo para a subida de divisão do Leixões, assim como para a conquista do título de campeão. Titular nas 30 partidas, realizou 18 jogos completos, totalizando 2494 de competição. Apontou golos em 13 dos 30 jogos, com a curiosidade do clube matosinhense nunca ter perdido sempre que marcou – 12 vitórias e 1 empate, diante do Feirense. A estes números juntou ainda 1 tento na Taça de Portugal, em 3 jogos na competição.

ROBERTO NA LIGA DE HONRA 2006/07

- 30 jogos – 18 vitórias, 6 empates, 6 derrotas
- dos 30 jogos efectuados, completou 18 partidas e foi substituído em 12 ocasiões.
- 17 golos apontados – 10 golos solitários, 2 “bis” e 1 “tripla”.
- 7 golos em casa – 10 golos fora de casa ; 10 golos na primeira parte – 7 golos na segunda parte.
- 1 dos 17 golos foi apontado de grande penalidade.
- 4 cartões amarelos – 0 cartões vermelhos.
- marcou por 1 vez em 3 jogos consecutivos, em Maio de 2007: Penafiel (casa), Olivais e Moscavide (fora) e Desp. Chaves (casa), entre a 28ª e a 30ª jornada da Liga de Honra.
- esteve 4 jogos consecutivos sem marcar golos, entre a jornada 20 e a jornada 23 da Liga de Honra. desses 4 jogos, o Leixões apenas venceu um.

TUDO SE REPETE. Roberto chegou a Portugal em Janeiro de 2003 para representar o Penafiel, na altura orientado tecnicamente por Jorge Amaral, depois de um percurso tergiversante por clubes brasileiros como Volta Redonda, Juventude e Vila Nova. Suplente não utilizado diante do Desportivo das Aves, a 16 de Fevereiro de 2003, estrear-se-ia no futebol português, uma semana depois, numa recepção ao Sp. Covilhã (derrota 0-1), entrando, a 30 minutos do fim, para o lugar de Pedro Moutinho, actualmente nos escoceses do Falkirk. Totalizaria 7 jogos até ao final da época, apontando 3 golos sempre em triunfos do Penafiel: um solitário diante da Ovarense (vitória fora 2-1, na estreia a titular) e um “bis” na recepção ao União de Lamas (vitória 4-0, já com José Garrido no comando técnico dos durienses). A época seguinte seria a da sua afirmação: 20 golos em 33 jogos, contribuindo, de forma decisiva, para a subida do Penafiel à Liga, para além de ter terminado a prova como segundo melhor marcador da Honra, atrás de Fábio Hempel, do Salgueiros. Apontou golos em 16 jogos, e, novamente, o conjunto penafidelense nunca perdeu sempre que marcou: 10 vitórias e 6 empates. Seguiram-se duas épocas nas divisão maior: apontou 9 golos em 31 jogos em 2004/05, com a particularidade de 8 terem sido apontados na segunda volta da prova ; e 3 golos em 22 jogos – foi suspenso por seis meses após a 22ª jornada – em 2005/06, sendo que todos foram marcados ao Marítimo, o adversário a quem mais golos marcou em jogos da Liga.

ROBERTO NO PENAFIEL (LIGA E LIGA DE HONRA)

- 93 jogos – 31 vitórias, 20 empates, 42 derrotas
- dos 93 jogos, efectuou 77 partidas como titular – 43 jogos completos, substituído em 34 ocasiões – e 16 como suplente utilizado – numa dessas vezes saiu por expulsão.
- 35 golos – 23 golos solitários, 6 bis
- 19 golos em casa – 16 golos fora de casa ; 17 golos na primeira parte – 18 golos na segunda parte.
- 3 golos de grande penalidade.
- 0 golos como suplente utilizado.
- 11 cartões amarelos. 1 cartão vermelho (diante do Estrela da Amadora, na 33ª Jornada da temporada 2002/03).

- a sua melhor série foram 4 jogos consecutivos a marcar, em que apontou 5 golos – entre Agosto e Setembro de 2003, da 1ª à 4ª jornada da Liga de Honra.
- bisou, por uma vez, em dois jogos consecutivos, em Abril de 2004: apontou dois golos ao Desp. Chaves (vitória caseira 3-2) e dois golos ao União da Madeira (vitória extramuros 3-1).
- 16 jogos sem marcar foram a sua pior série: não marcou nenhum golo de 18 de Setembro de 2005 (bis diante do Marítimo) a 5 de Fevereiro de 2006, data em que voltou a marcar um golo ao Marítimo.
marcou um auto-golo. foi a 12 de Fevereiro de 2006, no seu último jogo pelo Penafiel, que perdeu 0-4 na Luz.

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Oscar Cardozo: o percurso goleador do "Tacuara"
quarta-feira, 30 janeiro 2008

Oscar Cardozo

”TACUARA” DECISIVO EM GUIMARÃES. Com um “bis” em Guimarães, o quarto desde que chegou à Luz, Oscar Cardozo contribuiu de forma decisiva para o triunfo que permitiu ao Benfica segurar o 2º lugar na Liga, como também, finalizada a jornada 17 da Liga, encurtar a distância para o líder FC Porto para oito pontos. “Tacuara” chegou assim aos 13 golos – 7 na Liga, 3 na Liga dos Campeões e 3 na Taça de Portugal –, estando a sete do objectivo traçado por Luís Filipe Vieira para a temporada de estreia do internacional paraguaio no futebol europeu: 20.

OS 15 “BIS” DE ÓSCAR CARDOZO.

Óscar Cardozo: os “bis” do “Tacuara”

Em Guimarães, Óscar Cardozo alcançou o 15º “bis” da sua carreira, o seu 4º ao serviço do Benfica. Analisando-os ao detalhe sublinha-se um aspecto: Cardozo “bisa” mais fora de casa (9), do que em casa (6), o que não deixa de ser curioso tendo em conta as suas características. A sua estreia a “bisar” ocorreu na temporada 2003, na 2ª divisão do futebol paraguaio, quando marcou os dois golos do 3 de Febrero, o seu clube de então, diante do Nacional, que viria a sagrar-se campeão do escalão. Cardozo, que apontou 14 golos ao longo da temporada, ajudou o seu clube a alcançar o 2º lugar na fase regular e a ganhar a primeira fase do “play-off” de subida, só que perderia a final diante do primo divisionário Tacuary. No primeiro semestre da temporada seguinte, manter-se-ia no 3 de Febrero, onde apontou 6 golos, bisando diante do San Lorenzo, numa vitória por 2-0. Transferido, no final de Julho de 2004, para o Nacional, que lhe abriu as portas da divisão maior do futebol paraguaio, marcou 3 golos em 17 jogos na segunda metade da Liga, mas bisou na goleada diante do Guaraní (7-1). Na temporada de 2005 somou 9 golos na Liga, ajudando o seu clube a alcançar o 2º lugar na Liga paraguaia, que lhe permitiu disputar o acesso à Taça Sul-Americana diante do Libertad, que acabaria por levar a melhor. Bisou numa partida: na deslocação ao terreno do 12 de Octubre (vitória 4-2). No primeiro semestre de 2006 a sua produção goleadora subiu: 17 golos em 20 jogos, 16 dos quais como titular, com quatro “bis”: nas recepções a Fernando de la Mora (3-0) e Luqueño (5-1), e nas deslocações ao terreno de Guaraní (5-1) e 12 de Octubre (4-1), clubes a quem repetiu o feito. Transferido para o Newell’s Old Boys, da primeira Liga argentina, no final de Julho de 2006, não tardou em confirmar-se como goleador, somando 22 golos em 33 jogos, que lhe permitiram também chegar à Selecção paraguaia, onde se fixou. Entre Clausura 2006 e Apertura 2007, “Tacuara” somou 3 “bis”, com a curiosidade de todos terem sido obtidos fora de casa: no empate a 3 na “cancha” do River Plate ; e nas deslocações vitoriosas aos terrenos de Arsenal Sarandí e Belgrano. Chegado à Luz como a segunda contratação mais cara da história do Benfica, o seu percurso não tem escapado a críticas, mas a empatia com os adeptos tem-se revelado crescente. Dos 13 golos apontados até ao momento, 8 resultaram de 4 “bis”, confirmando a maior capacidade para “bisar” fora de casa (3, diante de Nacional, Shakthar e Vitória de Guimarães), do que em casa (1, diante da Académica, para a Taça de Portugal).

OS 13 GOLOS DE ÓSCAR CARDOZO PELO BENFICA AO DETALHE

Óscar Cardozo: 13 golos pelo Benfica

(carregar na imagem para ver com maior detalhe)

- 13 golos apontados pelo Benfica em 26 partidas entre todas as competições. Foi titular em 20 jogos e suplente utilizado em 6 ocasiões. Soma 14 vitórias, 7 empates e 5 derrotas.
- Liga: 16 jogos – 7 golos ; Taça de Portugal: 2 jogos – 3 golos ; Liga dos Campeões: 8 jogos – 3 golos ; Não foi utilizado na Taça da Liga.
- Golos ao detalhe: 7 em casa ; 6 fora de casa. 7 nas primeiras partes ; 6 nas segundas partes.
- 3 dos 13 golos foram apontados de grande penalidade. Não falhou nenhum castigo máximo. Dois foram convertidos para a sua direita ; um foi convertido para a sua esquerda, sempre de pé esquerdo.
- Em três situações marcou golos em jogos consecutivos: 2, diante de Celtic (Liga dos Campeões) e Marítimo (Liga) ; 4, diante de Shakthar (Liga dos Campeões) e Académica (Taça de Portugal) ; 3, diante de Feirense (Taça de Portugal) e Vitória Guimarães (Liga). A última série mantém-se em aberto.
- Nunca marcou em jornadas consecutivas de Liga. Se o fizer no próximo fim-de-semana diante do Nacional, atingirá o feito pela primeira vez.
- 5 jogos consecutivos sem marcar é o seu pior registo ao serviço do Benfica: depois de bisar diante do Nacional, a 2 de Setembro de 2007, só voltou a marcar diante do Celtic, para a Liga dos Campeões, a 24 de Outubro de 2007. Ficou em “branco” nas partidas diante de Sp. Braga, Sporting e União Leiria, para a Liga, e de AC Milan e Shakthar, para a Liga dos Campeões. Em três desses jogos o Benfica não marcou qualquer golo.
- 10 dos seus 13 golos foram apontados de pé esquerdo, claramente a sua arma mais forte. 6 desses golos – todos os que não foram apontados de bola parada – resultaram de finalizações a dois toques: recepção e finalização. Dos 10 golos apontados com o pé esquerdo, 3 resultaram de finalizações de fora da área – 1 em bola parada, 2 em bola corrida.
- Os 2 golos que apontou de cabeça surgiram na sequência de cruzamentos do lado direito do ataque: frente ao Shakthar foi Máxi Pereira quem o assistiu ; frente à Académica foi Nuno Gomes, num gesto pouco usual do avançado internacional português, quem fez a assistência para a finalização de Cardozo.
- O único golo que apontou de pé direito, diante do Feirense, para a Taça de Portugal, aconteceu na única partida em que marcou saído do banco dos suplentes. Cardozo foi em 6 ocasiões suplente utilizado.
- 4 dos seus 13 golos surgiram de perdas de bola do adversário. 2 desses 4 golos surgiram de passes errados de guarda-redes – Diego Benaglio (Nacional) e Nilson (Vitória de Guimarães).
- Dos 13 golos apontados, apenas 5 resultaram de assistências de colegas de equipa – Maxi Pereira e Nuno Gomes serviram-no a partir de cruzamentos ; Di Maria, Léo e Rui Costa através de passes, sendo que os dos dois primeiros surgiram de fora da área a partir de uma zona central.
- 7 dos seus 13 golos surgiram nos últimos 10 metros, a sua zona de concretização preferencial.

OUTROS NÚMEROS DO “TACUARA”

- 21 golos em 33 jogos pelo Newell’s Old Boys, na divisão maior do futebol argentino. Nesses 33 jogos, Cardozo venceu 9 vezes, empatou 11 e perdeu 13.
- Dos 21 golos de Cardozo, 7 foram apontados em jogos em casa e 14 fora de casa. 10 nas primeiras partes, 11 nas etapas complementares.
- Apenas 1 dos seus 21 golos surgiu na transformação de uma grande penalidade.
- Apontou 11 golos solitários ; 3 “bis” e 1 “tripla”.
- Não marcou qualquer golo a partir do banco. Era impossível: foi sempre titular e completou 30 das 33 partidas que efectuou.
- Na sua melhor série goleadora, apontou 4 golos em 3 jogos consecutivos, em Abril de 2007. Depois de golos solitários ao Gimnasia y Esgrima (fora) e Colón Santa Fé (casa), bisou na deslocação ao terreno do Belgrano.
- A sua pior série foi 3 jogos consecutivos sem marcar golos: em Maio de 2007, diante de Independiente (fora), San Lorenzo (casa) e Estudiantes la Plata (fora).

- 29 golos pelo Nacional, na divisão maior do futebol paraguaio. 16 deles foram apontados em jogos em casa ; 13 foram marcados em partidas fora de casa. 14 na primeira parte ; 15 na etapa complementar.
- Dos 29 golos apontados pelo Nacional, 14 foram golos solitários, 6 “bis” e 1 “tripla”.
- 2 dos 29 golos resultaram da transformação de grandes penalidades.
- Cardozo marcou 1 auto-golo na Liga paraguaia. Foi a 1 de Outubro de 2005, na deslocação ao terreno do Sportivo Luqueño (1-1).

- 20 golos pelo 3 de Febrero na 2ª Divisão do Paraguai. 11 apontados em jogos em casa ; 9 em partidas realizadas extramuros.
- Dos 20 golos apontados por Cardozo no 3 de Febrero: 16 foram solitários e 2 “bis”. Não apontou qualquer “tripla”.

- 2 golos em 12 jogos pela Selecção principal do Paraguai. Nesses 12 jogos, Cardozo soma 4 vitórias, 4 empates, 4 derrotas.
- Os seus 2 golos aconteceram nas segundas partes dos jogos: marcou o tento da vitória num particular diante do México (1-0), a 5 de Junho de 2006, aos 89 minutos, 13 após ter entrado em campo ; e apontou, aos 56 minutos, um dos golos da vitória do Paraguai sobre os Estados Unidos da América, a 2 de Julho de 2007, na Copa América.
- A sua estreia pela Selecção ocorreu num particular diante da Austrália, a 7 de Outubro de 2006, pouco mais de 2 meses depois de se ter transferido para o Newell’s Old Boys da Argentina. Jogou os 90 minutos no empate a uma bola.
- O seu último jogo pelo Paraguai foi a 17 de Outubro de 2007, na fase de qualificação para o Campeonato do Mundo. Foi suplente utilizado e ficou em “branco”. Há cinco partidas que não marca qualquer golo pela sua Selecção – o seu pior registo desde que se estreou como internacional.

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Jesualdo Ferreira e o 4x4x2
segunda-feira, 28 janeiro 2008

Jesualdo Ferreira

A SURPRESA DE JESUALDO. Depois de uma semana a discutir-se sobre quem completaria o “tridente” de ataque do FC Porto para a partida de Alvalade na ausência de Tarik Sektioui, Jesualdo Ferreira surpreendeu ao introduzir Marek Cech no “onze” portista em detrimento de Adriano, Ernesto Farias ou Mariano González. Assim, o Professor abdicava do tradicional 4x3x3 e apostava num 4x4x2, esquema que utilizara pela última vez em Anfield Road, há dois meses, naquela que foi a sua derrota mais pesada como técnico do FC Porto. Com esta opção, Jesualdo pretendia fazer face ao 4x5x1 que Paulo Bento previsivelmente apresentaria, contrariando não só a densidade do adversário no sector intermediário, como também criando uma situação de vantagem numérica na zona central do meio-campo, onde o FC Porto teria, do ponto de vista teórico, mais uma unidade. Os “dragões” entraram melhor na partida – Lucho González, nos primeiros dez minutos, desperdiçou duas excelentes oportunidades em posição privilegiada -, mas, aos 14 minutos, o Sporting já vencia por 2-0, com golos de Vukcevic e Izmailov. Esperava-se, então, uma reacção de Jesualdo, que só aconteceu após o intervalo: o “apático” Marek Cech, pouco eficaz a defender e totalmente ineficaz ofensivamente, ficou nos balneários, entrando Ernesto Farías, com o FC Porto a regressar ao 4x3x3 ; e Raul Meireles – que, em 69 minutos, conseguiu ser o jogador mais faltoso do campeão nacional no “clássico” - cedeu o seu lugar a Mariano González, com o FC Porto a passar a actuar entre um 4x2x3x1 em situação defensiva e um 4x2x4 ofensivo. O resultado não sofreria alterações até ao fim, mas o FC Porto foi dominador diante do Sporting: teve mais bola (61% - 49 %), rematou mais (18-12), enquadrou mais remates (7-6) e ganhou mais cantos (10-4). Falhou, contudo, no essencial: a eficácia, que permitiu ao Sporting resolver o clássico no primeiro quarto de hora, igualando o registo alcançado diante da Naval, a temporada passada, quando Alecsandro bisou com golos aos 12 e 14 minutos. Ao invés, o FC Porto não sofria dois golos no primeiro quarto de hora em jogos da Liga, desde que Derlei e Petar Krpan, a 16 de Dezembro de 2000, colocaram a União de Leiria, orientada por Manuel José, a vencer por 2-0 os “dragões” orientados por Fernando Santos – o jogo terminaria com 3-1 para os leirienses, com Krpan a bisar.

JESUALDO FERREIRA: 4x4x2 EM 7 EPISÓDIOS.

Jesualdo Ferreira em 4x4x2

ARSENAL 2-0 FC PORTO. O primeiro 4x4x2 de Jesualdo Ferreira aconteceu na estreia em jogos fora de casa na Liga dos Campeões. Depois de uma vitória caseira, por 3-0, diante do Beira-Mar, em 4x3x3, Jesualdo promoveu duas alterações no “onze”: mudou de médio ofensivo, trocando Jorginho por Anderson ; e retirou o avançado Adriano apostando em Ricardo Costa como lateral-esquerdo, fazendo avançar Marek Cech para o meio-campo, entre o centro e a esquerda. Ao intervalo, a perder por 1-0, e com o Arsenal dominador, retirou Ricardo Costa – má exibição – e Hélder Postiga, recuando Marek Cech – muito apagado como médio – e fazendo entrar Raul Meireles e Lisandro López. Aí, passou a assumir um 4x4x2 desdobrável em 4x3x3, já que Anderson aparecia muito sobre a esquerda do ataque. Aos 66 minutos, já a perder por 0-2, assumiu definitivamente um 4x3x3, com Adriano a render Anderson e a colocar-se na frente do ataque, apoiado por Lisandro e Quaresma. No jogo seguinte, em Braga, Jesualdo Ferreira regressou ao 4x3x3, mas surpreendeu ao colocar Anderson aberto no flanco esquerdo. O FC Porto sofreu um golo cedo, apontado por Marcel, e o Professor não tardou a reagir: aos 32 minutos, Assunção saiu e entrou Lisandro, com Anderson a regressar ao sector intermediário. Ainda antes do intervalo, por Postiga, o FC Porto chegou ao empate, mas, na segunda parte, Luís Filipe daria a vitória ao Sp. Braga.

FC PORTO 4-0 NAVAL. A única vitória do Professor em 4x4x2. Depois de duas derrotas para a Liga – em Leiria e no Dragão diante do Estrela da Amadora -, sempre em 4x3x3, Jesualdo apostou num 4x4x2 diante da Naval. Com Quaresma ausente devido a castigo, o que já sucedera diante da formação da Reboleira, onde Vieirinha aparecera como titular, o técnico portista lançou Bruno Moraes no “onze” em detrimento do jovem extremo, colocando-o nas costas de Lisandro López e Hélder Postiga. Insatisfeito com a inconsistência de Lucas Mareque a lateral-esquerdo, devolveu Jorge Fucile à posição onde se viria a fixar, juntando Marek Cech ao sector intermediário em detrimento de Raul Meireles, que foi poupado. Perante um adversário em noite medíocre, o FC Porto colocou-se com facilidade a vencer por 3-0 – dois de Lisandro e um de Lucho -, acabando a partida mais próximo de um 4x3x3, já com Wason Rentería em campo. Na partida seguinte, diante do Chelsea, no Dragão, para a Liga dos Campeões, especulou-se muito sobre uma eventual manutenção do esquema, mas o regresso de Quaresma ao “onze” levou-o a regressar ao 4x3x3, saindo Bruno Moraes.

CHELSEA 2-1 FC PORTO. Depois de uma vitória sofrida diante do Sp. Braga para a Liga em 4x3x3, Jesualdo Ferreira voltou a apostar num 4x4x2 em jogos da Liga dos Campeões. Sem Bosingwa, a contas com uma contractura muscular, Jesualdo viu-se obrigado a fazer regressar Ricardo Costa ao “onze”, deslocando Fucile para a direita, a sua posição natural. Adriano, que fora titular diante do Sp. Braga, foi preterido, com Marek Cech, mais uma vez, a reforçar o sector intermediário. A primeira parte do FC Porto foi agradável, e um fantástico lance de contra-ataque, finalizado por Ricardo Quaresma, até colocou os “dragões” em vantagem na eliminatória. Contudo, no início da etapa complementar, Robben empatou, e, minutos depois, Jesualdo regressou ao 4x3x3, com uma “dupla” substituição: saíram Marek Cech e Raul Meireles, entraram Ibson e Adriano. Um golo de Michael Ballack, a onze minutos do fim, afastaria o FC Porto da competição. No jogo seguinte, diante do Marítimo, para a Liga, Jesualdo regressou ao 4x3x3, surpreendendo a dar a titularidade a Ibson – saiu, prematuramente, lesionado – e Rentería. O FC Porto venceu por 2-1.

BENFICA 1-1 FC PORTO. Após uma derrota caseira diante do Sporting, em 4x3x3, onde a titularidade de Alan e o “esquecimento” de Miguel Veloso, que teve muita liberdade para lançar as iniciativas ofensivas dos “leões”, foram opções muito criticadas, Jesualdo assumiu o regresso ao 4x4x2 na deslocação à Luz, fortalecendo o sector intermediário, até porque o Benfica, em caso de vitória, assumiria o comando da Liga. Sem Lisandro, que já falhara a recepção ao Sporting devido a rotura muscular, o Professor manteve Adriano e Ricardo Quaresma no ataque, lançando Jorginho, em detrimento de Alan, na intermediária. Bosingwa, de regresso às convocatórias, foi titular, com Fucile a voltar à esquerda, saindo Cech do “onze”. O FC Porto colocar-se-ia em vantagem por Pepe no final da primeira parte, e já depois de refrescar o meio-campo com a entrada de Cech para o lugar de Raul Meireles, Jesualdo aproximou-se do 4x3x3, tirando Jorginho e lançando Wason Rentería, a um quarto-de-hora do fim. O avançado colombiano, verdadeiramente desastrado na finalização, poderia ter definido o clássico, mas foi o Benfica a chegar ao empate, através de David Luiz, nos últimos 10 minutos. No jogo seguinte, diante do Vitória de Setúbal, Jesualdo regressou ao 4x3x3, com Hélder Postiga a juntar-se a Adriano e Ricardo Quaresma no ataque, mantendo-se Jorginho no “onze”, com o FC Porto a conseguir um avassalador 5-1.

SPORTING 1-0 FC PORTO. Na partida de estreia da temporada 2007/08, o FC Porto defrontou o Sporting em Coimbra, na final da Supertaça Cândido de Oliveira. Quase cinco meses depois da derrota no Dragão para a Liga, Jesualdo não se esqueceu de Miguel Veloso, colocando Lisandro na posição “10”, nas costas de Ricardo Quaresma e Adriano, assumindo um 4x4x2. Sem Lucho González, apenas com 6 treinos nas pernas, o Professor voltou a colocar Marek Cech na zona intermediária, juntando-o a Paulo Assunção, Raul Meireles e Lisandro. Seria um minuto depois da saída do internacional eslovaco, rendido pelo estreante Kazmierczak, que o Sporting adiantar-se-ia no marcador por Izmailov, que aproveitou da melhor forma um passe açucarado de Miguel Veloso e a passividade do internacional polaco. Jesualdo assumiu, de imediato, o 4x3x3, que, com a entrada de Mariano González se esticou, muitas vezes, num 4x2x4, à semelhança do que aconteceu ontem em Alvalade, já que com Ricardo Quaresma aberto na outra ala, Lisandro juntava-se a Adriano na área. Contudo, o resultado não sofreria alterações, e, na partida seguinte, a de estreia na Liga, o FC Porto regressava ao 4x3x3, com Tarik Sektioui a surgir no “onze”, tal como Lucho González, vencendo em Braga por 2-1.

LIVERPOOL 4-1 FC PORTO. 3 meses e meio depois do jogo da Supertaça, o FC Porto regressava ao 4x4x2, em nova deslocação a solo inglês para um jogo da Liga dos Campeões. Depois de uma tranquila vitória por 2-0 diante da “revelação” Vitória de Setúbal, Jesualdo Ferreira surpreendeu ao colocar Kazmierczak e Mariano González no “onze”, abdicando de Raul Meireles e Tarik Sektioui. Mariano assumiu o papel de “10”, com Lucho González muito próximo, enquanto que Kazmierczak acumulava o “papel” de 2º trinco, no apoio a Paulo Assunção, e o de interior esquerdo, procurando dar mais músculo e capacidade no futebol aéreo ao meio-campo portista. O Liverpool adiantou-se por “El Niño” Torres, mas, ainda antes do intervalo, Lisandro empatou, após cruzamento de Kazmierczak. No segundo tempo, depois trocar o polaco por Raul Meireles, Jesualdo, a 13 minutos do fim, parecia apostar no 4x3x3, ao trocar o desinspirado Mariano por Tarik Sektioui. Só que, um minuto depois, Torres colocava o Liverpool novamente em vantagem, com o resultado a avolumar-se até ao 4-1, já com o FC Porto mais próximo de um 4x2x4, após a entrada de Hélder Postiga em detrimento de Paulo Assunção. Três dias depois, na Luz, diante do Benfica, Jesualdo regressava ao 4x3x3, vencendo por 1-0, com golo de Quaresma, “travando” a aproximação do Benfica na classificação. Promoveu 4 alterações na equipa em relação a Anfield Road: saíram Stepanov, Cech, Kazmierczak e Mariano González, entraram Pedro Emanuel, Jorge Fucile, Raul Meireles e Tarik Sektioui.

SPORTING 2-0 FC PORTO. Depois de vencer o Desp. Aves para a Taça de Portugal (2-0), apostando num 4x3x3, em que juntou Adriano, Farias e Mariano González no ataque, esperava-se que fosse um dos jogadores sul-americanos a juntar-se a Ricardo Quaresma e Lisandro López na linha da frente na deslocação a Alvalade. Se Adriano, que já havia sido titular diante do Sp. Braga, no último jogo da Liga, parecia o melhor colocado, o crescimento de forma de “Tecla” Farias deixava-o também bem posicionado, só que Jesualdo Ferreira apostou num 4x4x2, fazendo regressar Marek Cech ao meio-campo. No próximo sábado, na recepção ao Leiria, Jesualdo deverá regressar ao 4x3x3, e não constituirá surpresa que seja o argentino Farias, que voltou a deixar boas indicações em Alvalade, a juntar-se a Lisandro e Quaresma no ataque, até porque Adriano não saiu do “banco”.

SALDO: 7 jogos, 1 vitória, 1 empate, 5 derrotas. 7 golos marcados – 12 golos sofridos.

JESUALDO FERREIRA: SEM VITÓRIAS EM ALVALADE.

Jesualdo Ferreira em Alvalade

SALDO: 8 jogos, 0 vitórias, 4 empates, 4 derrotas. 3 golos marcados – 9 golos sofridos.

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Vladimir Stojkovic: a hora do regresso?
sexta-feira, 25 janeiro 2008

Vladimir Stojkovic

FACTO. Se Paulo Bento mantiver a estratégia de rotatividade que tem vindo a seguir esta temporada no que diz respeito à baliza, cuja única excepção foi a deslocação a Fátima, onde o Sporting se apresentou com o seu melhor “onze”, a surpreendente titularidade de Rui Patrício diante do Beira-Mar indicia o regresso do internacional sérvio Vladimir Stojkovic à baliza dos “leões” em jogos da Liga. Ausente desde a vitoriosa recepção à Naval, em 4 de Novembro de 2007, Stojkovic tem tido um percurso marcado por vários incidentes desde que chegou a Alvalade, com o objectivo de substituir Ricardo, o que levou o Sporting a investir 2 milhões de euros na sua aquisição junto do Nantes: tudo começou no lance polémico que ditou a derrota diante do FC Porto no “clássico” das Antas, passou depois por um incidente disciplinar que ditou o seu afastamento na deslocação a Roma, prosseguiu com uma lesão no abdómen e por entrevistas polémicas de Vladimir e do seu irmão Vladan que provocaram a ira de Paulo Bento e do departamento médico do Sporting. De Novembro até hoje, Stojkovic apenas realizou duas partidas: em Setúbal, para a Taça da Liga, onde foi o melhor do Sporting, na derrota por 0-1 ; e sábado passado, frente ao Lagoa, em jogo a contar para a Taça de Portugal (vitória 4-0).

STOJKOVIC E OS “JOGOS GRANDES”.

Vladimir Stojkovic

Formado nas escolas do Estrela Vermelha de Belgrado, com uma curta passagem, pelo meio, à experiência pelas categorias inferiores do Boavista, que não foi bem sucedida, Vladimir Stojkovic sentiu dificuldades na transição para sénior, já que sem espaços na formação principal da formação de Belgrado, acabou por ser dispensado. Viu-se obrigado a rumar ao modesto Zemun, onde se estreou como sénior, sendo que em duas épocas, cruzar-se-ia em três ocasiões com o seu anterior clube, protagonizando sempre excelentes exibições. Perdeu dois jogos, mas o empate a zero, em Março de 2005, acabaria por revelar-se decisivo para o seu regresso ao Estrela Vermelha pelas mãos do italiano Walter Zenga, curiosamente um antigo guardião da Squadra Azzurra. Frente ao Partizan, contudo, Vladimir Stojkovic não conseguiu exibições tão inspiradas: duas derrotas pesadas e oito golos sofridos, um deles apontado por Simon Vukcevic, seu actual colega de equipa no Sporting. Em 2005/06, já ao serviço do Estrela Vermelha, reencontrar-se-ia, em duas ocasiões, com o Partizan: uma vitória – curiosamente na sua estreia em jogos em casa – e um empate fora, duas grandes exibições e nenhum golo sofrido. Na temporada seguinte rumou ao Nantes, onde não foi feliz. O seu trajecto de meio ano no clube francês, com apenas uma vitória em dez jogos, iniciou-se com a recepção ao Lyon: má exibição e derrota por 1-3, com golos de Benzema, Squillaci e Fred. Já na Holanda, onde cumpriu a segunda metade da temporada passada, Stojkovic cruzou-se com o PSV Eindhoven: derrota por 1-5 do Vitesse, mas Stojkovic sairia ao intervalo, com o resultado em 1-2. Em Portugal, o mês de Agosto reservou-lhe dois encontros com o FC Porto: o primeiro, saboroso, com uma vitória (1-0), que lhe valeu a conquista do seu primeiro título (Supertaça) no jogo de estreia no futebol português ; o segundo, muito amargo, já que protagonizou o lance polémico que deu o triunfo ao FC Porto (0-1) – após um corte/atraso de Anderson Polga, e sob a pressão de Hélder Postiga, Stojkovic mostrou-se nervoso e pouco concentrado, agarrando a bola com as mãos mesmo após uma primeira hesitação, que originaria um livre indirecto dentro da área que Raul Meireles transformaria em golo após passe de Lucho González. Em Setembro, Stojkovic teria a oportunidade de realizar mais dois jogos “grandes”: primeiro com o Manchester United, em Alvalade, com derrota 0-1 ; o segundo, na Luz, diante do Benfica, com empate a zero.

UM OLHAR SOBRE A PRESTAÇÃO DOS GUARDA-REDES NAS PRIMEIRAS 16 JORNADAS DA LIGA

Guarda-Redes: dados estatísticos

Rui Patrício

STOJKOVIC VS. RUI PATRÍCIO. Num olhar sobre os números dos dois guarda-redes do Sporting na Liga 2007/08, a formação de Alvalade nada ganhou com a aposta em Rui Patrício em detrimento de Vladimir Stojkovic. Com o internacional sérvio na baliza, o Sporting venceu mais vezes e perdeu menos vezes, como também garantiu uma maior inviolabilidade das suas redes: Stojkovic valeu 5 “balizas virgens” em 9 jogos (55,6%), tendo sofrido 5 golos (0,56 por jogo) ; enquanto que Patrício não valeu nenhuma “baliza virgem” em seis partidas, tendo sofrido 7 golos em 6 jogos, o que garante uma média superior a um golo sofrido por partida (1,17), pouco habitual num clube grande. Numa análise mais ampla podemos também verificar as seguintes situações: Stojkovic intervém mais nas partidas (3,67 intervenções por jogo de diferencial), é mais activo entre postes (2 intervenções por jogo de diferencial) e também fora de postes, onde, ainda assim, existe um maior equilíbrio de forças (0,95 intervenções por jogo de diferencial). Em termos de intervenções completas, Stojkovic apresenta também números superiores ao do jovem guardião português (1,28 de diferencial por jogo), que só o suplanta nas intervenções incompletas – Patrício apenas executa 1 em média por jogo, enquanto que o internacional sérvio protagoniza 2,67 jogo. Essa diferença acaba por justificar-se pelo menor número de intervenções de Rui Patrício, como também por uma menor tendência pelo risco e por jogar seguro, que o leva a optar por defesas ou saídas completas: 70% das suas acções entre postes são defesas completas ; 90% das suas acções fora dos postes são saídas completas, aspecto em que se superioriza não só a Stojkovic, como também a Hélton e Quim, que, no entanto, arriscam muito mais acções fora dos postes. Já o guardião sérvio é aquele que mostra maior eficiência a funcionar como libero: recupera 2,33 bolas por jogo, média superior à de Hélton (1,54), Quim (2.09) e Rui Patrício (1,83).

Hélton

HÉLTON: SINÓNIMO DE QUALIDADE. O guardião brasileiro do FC Porto é, entre aqueles que disputaram pelo menos metade dos jogos da Liga, o que sofre menos golos em média por jogo (5 em 13 jogos, o que perfaz uma média de 0,38 golos sofridos por jogo), como também o que mais vezes garante a inviolabilidade das suas redes – 9 em 13 jogos (69,2 % de eficácia), o que lhe garante uma média superior de vitórias e inferior de derrotas em relação à concorrência. Menos interventivo do que Quim e Stojkovic ao longo dos jogos, o internacional brasileiro executa 11,46 intervenções em média por jogo, defendendo menos entre postes do que Stojkovic (0,67 de diferencial por jogo) e do que Quim fora dos postes (0,41). Contudo, superioriza-se, de forma inequívoca, à concorrência no que diz respeito a defesas e saídas completas: 7,85 em média por jogo contra 6,78 de Stojkovic e 6,33 de Quim, dominando também os itens isoladamente: 0,01 de diferencial sobre Stojkovic nas defesas completas ; 0,4 de diferencial sobre Quim nas saídas completas, onde revela maior eficácia nas suas intervenções (84% das suas acções fora dos postes são completas, enquanto que entre os postes 74% das suas defesas são completas).

Quim

QUIM: SENHOR INTERVENÇÃO. Com uma média de 0,56 golos sofridos por jogo, exactamente igual à de Stojkovic, ainda que representativos de 9 golos sofridos em 16 jogos, Quim apresenta, de momento, números superiores aos da época passada (0,69) ou aos da temporada do título (0,74). Contudo, tem garantido menos vezes a inviolabilidade da baliza encarnada: 7 jogos sem sofrer golos, que perfazem 46,7% de eficácia, números inferiores aos de Hélton (69,2%) e Stojkovic (55,6%), e pouco superiores aos do boavisteiro Carlos e do bracarense Paulo Santos, que sofreram 4 golos em 9 jogos (44,4% de eficácia), como também abaixo do rendimento evidenciando em épocas anteriores – 53,6% em 2006/07 ; 83,3% em 2005/06 e 47,4% em 2006/07. Quando comparado com os guarda-redes dos outros “grandes”, Quim é aquele que protagoniza mais intervenções por jogo - 12,27 de média -, como também é o que mais defesas ou saídas efectua – 9,79 de média por jogo -, o que também leva a que seja o guardião que mais faltas sofre (0,26 por jogo). Menos talhado para intervenções entre postes, onde apresenta números inferiores aos de Stojkovic e Hélton, Quim superioriza-se à concorrência nas saídas dos postes, efectuando 7,11 intervenções por jogo. De realçar que Quim é o “rei” das defesas incompletas – 3,46 intervenções por jogo, representativas de 35% das suas defesas e saídas - , com particular destaque para os números que apresenta entre postes, onde o internacional português mostra uma grande tendência para efectuar defesas incompletas – 59% das suas intervenções não garantem defesas completas -, o que é pouco usual, mas também é o guardião que efectua mais intervenções incompletas fora dos postes – 1,89 por jogo.

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Hélton: o travão do Levezinho
quinta-feira, 24 janeiro 2008

Hélton

FACTO. O próximo domingo marcará o oitavo encontro de Hélton e Liedson na Liga portuguesa. Até ao momento, o saldo é amplamente favorável ao guardião portista e ex-leiriense que soma 3 vitórias – 2 pelo FC Porto e 1 pela União de Leiria – e 3 empates – 2 pela União de Leiria e 1 pelo FC Porto – sobre o avançado sportinguista, que apenas saboreou uma vitória sobre o compatriota – diante da União de Leiria. Com 74 tentos apontados em 136 jogos na Liga portuguesa, Liedson, que, curiosamente, se estreou diante do FC Porto, a 2 de Setembro de 2003, nunca conseguiu apontar qualquer golo a Hélton, que assim se constitui como a sua principal “besta-negra”.

HÉLTON VS. LIEDSON: TODO O HISTÓRICO NA LIGA PORTUGUESA.

Hélton vs. Liedson

O JOGO DE ESTREIA. Foi a 20 de Dezembro de 2003, que o Sporting, orientado por Fernando Santos, recebeu e bateu a União de Leiria, comandada por Vítor Pontes, em Alvalade. Liedson ficou em branco, mas contribuiu, de forma decisiva, para o triunfo leonino: as suas acções foram determinantes para a expulsão de Gabriel, o seu marcador directo, para além de ter “cavado” a grande penalidade que deu o 2-0, cobrada por Pedro Barbosa, aos 81 minutos, seis após Lourenço ter aberto o marcador, num cabeceamento após cruzamento de Barbosa. Aos 61 minutos, após livre da direita de Fábio Rochemback, Liedson efectuou um excelente cabeceamento, para uma intervenção fabulosa de Hélton, que conduziu a bola ao ferro da sua baliza. Hélton que, apesar dos dois golos sofridos, cotou-se como um dos melhores em campo.

LEIRIA VENCE E PORTO FESTEJA. A 24 de Abril de 2004, União de Leiria e Sporting reencontraram-se, desta feita no Municipal leiriense, a duas jornadas do final do campeonato. Com o Sporting a atravessar um período conturbado, mas ainda em 2º lugar e com hipóteses matemáticas de chegar ao título, a derrota em Leiria, com um golo de Alhandra, após jogada de insistência de Douala, abriu os festejos no Porto, confirmados no dia seguinte na recepção ao Alverca. Na baliza da formação leiriense Hélton cotou-se como o melhor em campo, negando vários golos aos “leões”. Aos 58 minutos, após livre lateral de Tinga, Liedson cabeceou para uma defesa espantosa do guardião brasileiro, que, no final do jogo, confessou “não ter nada contra o Sporting”, por quem disse sentir “admiração”, numa altura em que se falava num eventual interesse do clube de Alvalade no seu concurso.

EMPATE EM ALVALADE E CRISE. A 4 de Outubro de 2004, o Sporting, orientado por José Peseiro, e a União de Leiria, ainda treinada por Vítor Pontes, encontraram-se em Alvalade. O Sporting, depois de um mau arranque de campeonato, queria regressar às vitórias, mas esteve muito perto de perder o encontro. Com Liedson muito activo no ataque, a formação leonina até entrou melhor no encontro, com Rogério a abrir o marcador, concluindo assistência do “Levezinho”. Contudo, os leirienses reagiram: João Paulo, actualmente no FC Porto, na sequência de um pontapé de canto, e Fábio Felício, num pontapé forte e colocado, deram a volta ao marcador. Foi já no período de descontos que Beto, concluindo jogada de insistência de Douala, curiosamente ex-leiriense, apontou o golo do empate, numa noite em que Hélton alternou boas defesas com momentos de algum nervosismo, terminando a partida, aparentemente, com algumas limitações físicas. Em Alvalade a contestação a Peseiro subia de tom, mas apesar do pior arranque pós-25 de Abril dos “leões”, o técnico ribatejano dizia, no fim da partida, ter forças para continuar.

NULO. A 19 de Fevereiro de 2005, União de Leiria e Sporting voltaram a defrontar-se no Municipal de Leiria. Jogo sem grande chama, com o Sporting a acusar, em demasia, o desgaste do jogo europeu a meio da semana diante do Feyenoord, realizando uma primeira parte muito fraca. Na segunda etapa, o Sporting procurou o triunfo, mas sem grande inspiração, perante uma União muito organizada do ponto de vista defensivo. Liedson teve uma noite apagada e pouco inspirada em termos de finalização, enquanto que Hélton resolveu, sem dificuldades, os maiores problemas que o Sporting causou, quase sempre em remates de fora da área.

O JOGO DO TÍTULO. A 8 de Abril de 2006, a primeira vitória de Hélton em Alvalade, num Sporting – FC Porto, que, a cinco jornadas do fim da prova, ganhou o epíteto de “jogo do título”, pois apenas 2 pontos separavam as duas equipas na tabela classificativa. O jogo, que colocava frente-a-frente Paulo Bento e Co Adriaanse, ficou marcado pela tensão e pouco espectáculo, com um número elevado de faltas a não contribuir para a sua fluidez. Foi Jorginho que, a cinco minutos do fim, deu a vitória ao FC Porto, escancarando as portas do título para os dragões. Com Liedson praticamente sem espaços para aparecer em zona de finalização, muito por culpa do bom trabalho de Pepe e Pedro Emanuel, o “Levezinho” acabou por se destacar mais em espaços exteriores, ao “sacar” a expulsão a Bosingwa. Hélton, que ainda vivia atormentado pela contestação em torno da perda da titularidade de Vítor Baía, esteve em bom plano, apesar de não ter sido obrigado a uma noite de intenso trabalho.

EMPATE A TRÊS. Com a liderança da Liga 2006/07 em disputa, Sporting, de Paulo Bento, e FC Porto, de Jesualdo Ferreira, encontraram-se em Alvalade em igualdade pontual, a 22 de Outubro de 2006, depois de jogo europeu a meio da semana. Numa noite de muito trabalho para Hélton, que se revelou quase sempre seguro, Yannick adiantou o Sporting no marcador, ainda no primeiro tempo, concluindo, de cabeça, um cruzamento de Nani, perante a apatia do sector recuado portista. Pouco antes, Hélton causara um calafrio aos adeptos portistas, quando, após receber um atraso, escorregou, mas mesmo pressionado por Liedson, recompôs-se e fintou o compatriota. Na etapa complementar, o FC Porto empatou por Ricardo Quaresma, aproveitando uma saída menos feliz de Ricardo, mas seria o Sporting a estar mais perto da vitória, quando, aos 83 minutos, Carlos Martins centrou para Liedson, que, de cabeça, atirou à barra da baliza portista, já com Hélton batido. O empate manteve-se e o grande beneficiado foi o Benfica, que, minutos antes, vencera o Estrela da Amadora, e juntava-se a FC Porto e Sporting no comando da Liga.

LIVRE INDIRECTO. Já depois de se terem cruzado, a meio de Agosto, na final da Supertaça, com um golo de Izmailov a dar o primeiro triunfo da época ao Sporting, “dragões” e “leões” reencontraram-se a 26 de Agosto de 2007 no Dragão, na 2ª jornada da Liga, após vitórias na ronda inaugural. Hélton, por duas vezes, e sempre em acções de antecipação, negou o golo ao “Levezinho”, mas não teve uma noite regular, já que, perto do fim, largou, de forma perigosa, um remate de Derlei, mas Yannick Djaló não conseguiu aproveitar o ressalto. A vitória do FC Porto acabou por surgiu num polémico livre indirecto dentro da área, depois de um hesitante Stojkovic ter agarrado com as mãos um corte/atraso de Anderson Polga. Raul Meireles deu a melhor sequência a uma assistência de Lucho González, quando todos esperavam que o argentino servisse Ricardo Quaresma. No final da partida, Hélton terá abordado Stojkovic em relação ao lance, aconselhando-o a não se deixar abater pela situação.

SEM PRECEDENTES NO BRASIL. Hélton e Liedson nunca se cruzaram em jogos da Liga brasileira. Hélton, entre 1999 e 2002, somou 44 jogos ao serviço do Vasco da Gama, enquanto que Liedson representou o Coritiba, em 2001 e 2002, o Flamengo, em 2002, e o Corinthians, em 2003, somando 29 golos em 51 partidas do Brasileirão. A 16 de Outubro de 2002, praticamente dois meses e meio antes da chegada de Hélton a Leiria, Liedson, ao serviço do Flamengo, fazendo dupla de ataque com Zé Carlos (“Zé do Golo”) defrontou o Vasco da Gama, perdendo 1-2 no Maracanã, mas o guardião não fez parte sequer dos convocados, tendo sido preterido em relação a Fábio e Márcio. No ano anterior, pelo Vasco da Gama, Hélton defrontara o Coritiba, mas Liedson não foi utilizado. Seria Rincón, actual avançado do Vizela, a decidir a partida para o “Coxa”, batendo Hélton numa conclusão ao segundo poste, após bom trabalho de Edmílson.

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Rodrigo Tiuí: o pássaro de Taboão da Serra
terça-feira, 22 janeiro 2008

Rodrigo Tiuí: o novo avançado do Sporting

RODRIGO TIUÍ: O NOVO AVANÇADO DO SPORTING. A meio da semana passada, o Sporting apresentou o seu primeiro reforço de Inverno: Rodrigo Bonifácio da Rocha, mais conhecido por Rodrigo Tiuí, avançado, de 22 anos, 1.77/64, dispensado pelo Fluminense no final da temporada 2007. Com um percurso irregular no futebol sénior, que conta também com passagens pelo Noroeste e Santos, o avançado que deu nas vistas como goleador nas equipas de base do Fluminense, representará o Sporting nas próximas três temporadas e meia. Até ao momento, Tiuí, cuja alcunha provém de um pássaro de bico achatado e longo, soma 17 golos em 103 jogos no Brasileirão, tendo conquistado 2 campeonatos estaduais: o Carioca, em 2005, ao serviço do Fluminense ; e o Paulista, em 2007, pelo Santos.

DADOS BIOGRÁFICOS. Natural de Taboão da Serra, município do interior do Estado de São Paulo, conhecido por ser cidade-dormitório de muitos trabalhadores da capital do Estado, teve uma infância complicada, que o obrigou a abandonar de forma prematura os estudos, não completando o actual primeiro ciclo do ensino básico. Incorporado em projectos sociais, acabou por dar nas vistas a jogar futebol no clube local, o Taboão, rumando, bastante jovem, ao Fluminense, onde conclui o seu trajecto de formação, concretizando o sonho de representar o seu clube do coração, destacando-se como melhor marcador das equipas jovens do clube carioca. Em 2003, ainda como júnior, teve oportunidade de se estrear pela equipa principal do Fluminense, aproveitando a péssima fase do clube no Brasileirão, para somar alguns minutos de competição. Em 2004, depois de ter dado nas vistas na Copa São Paulo - a popular "Copinha", uma espécie de Campeonato Nacional Brasileiro sub-20 -, com vários golos marcados, começou a ser uma presença regular na primeira equipa, marcando 5 golos em 18 partidas no Brasileirão 2004. Em 2005, já incorporado, de forma definitiva, na formação principal, ajudou o clube, na altura orientado por Abel Braga, a vencer o Cariocão 2005 e a chegar à final da Copa do Brasil - marcou um golo nas meias-finais diante do Ceará -, que perderia para o Paulista. No Brasileirão 2005 apontou 3 golos em 29 jogos, convivendo, pela primeira vez, com críticas por parte dos adeptos, pouco satisfeitos com o seu rendimento inconstante. No início de 2006, de forma a ser utilizado com maior regularidade, foi emprestado ao Noroeste, onde conheceu o melhor período da sua carreira: apontou 8 golos no Paulistão 2006 e contribuiu de forma decisiva para o Noroeste alcançar um histórico 4º lugar na competição, à frente do então campeão brasileiro Corinthians, despertando a cobiça de Santos e Palmeiras, que disputaram a sua aquisição. Rumaria ao Santos, por empréstimo de um ano, entrando de forma fulgurante no clube comandado por Vanderlei Luxemburgo, ao apontar 3 golos nos 4 primeiros jogos que realizou pelo "Peixe" no Brasileirão. Contudo, o seu rendimento foi caindo e perdeu espaço na equipa paulista, acabando a temporada com 6 golos em 29 jogos, 15 dos quais como titular. Criticado pela "torcida", que começou a chamar-lhe de forma irónica, Rodrigo "Henry", manteve-se no clube no primeiro semestre de 2007, apontando 3 golos no Paulistão e 3 golos em 7 partidas na Copa Libertadores, ainda que a sua utilização tenha sido bastante irregular. No final de Abril de 2007, o Fluminense optou por fazê-lo regressar ao clube para disputar o Brasileirão 2007. Apontou 2 golos nas 5 primeiras jornadas da competição, mas o seu rendimento foi caindo e não tardou em desaparecer das opções de Renato Gaúcho, que entre Setembro e Dezembro de 2007, apenas utilizou-o em 4 ocasiões, assinando a sentença da dispensa no final da temporada.

O QUE ESPERAR DE RODRIGO TIUÍ.

- Avançado móvel, habituado a actuar em 4x4x2, encaixa-se perfeitamente no esquema habitualmente utilizado por Paulo Bento, aproximando-se, em termos de movimentações ofensivas, muito mais a Liedson, do que a Yannick Djaló, Milan Purovic ou Luis Páez. E isto porquê? Porque Tiuí, apesar da sua mobilidade e velocidade, não se trata de um jogador para criar desequilíbrios sobre as faixas e nem se mostra particularmente forte na exploração de diagonais com bola, e, muito menos, é um avançado possante e expectante, cuja acção se limita a prender a marcação dos defesas adversários e procurar concluir cruzamentos.

- O ponto forte do jogo ofensivo de Tiuí é a capacidade para aparecer em zona de finalização a partir de movimentações sem bola, tirando partido da sua velocidade e interessante capacidade de desmarcação e antecipação sobre os defesas. Mais talhado para acções de contra-ataque ou ataque rápido, opta, muitas vezes, por finalizações a um toque, através de desvios subtis, concluindo, com igual facilidade, com ambos os pés e também de cabeça - bom poder de impulsão -, mas falta-lhe uma maior potência, agressividade e definição nas acções de finalização. A partir de uma posição mais central, mostra um potencial interessante em movimentações sem bola de dentro para fora - nomeadamente para o espaço entre central e lateral -, criando espaços de penetração para os médios ofensivos ou para o seu colega de ataque.

- Do ponto de vista técnico e a nível da condução de jogo ofensivo não mostra argumentos de monta, o que acaba por prejudicá-lo em acções exteriores, parecendo até, em algumas ocasiões, algo desengonçado e com falhas a coordenar a sua extrema velocidade com os seus argumentos de ordem técnica, desaparecendo também em várias fases do jogo. Ainda assim, sublinham-se-lhe algumas movimentações e acções interessantes: sabe funcionar como pivot, criando situações interessantes em combinações 2x1, nomeadamente em zonas próximas da área, mostrando alguma habilidade a jogar de costas para a baliza e no passe curto, com alguns bons pormenores de calcanhar ; é ágil e roda bem sobre os adversários, tirando também partido da facilidade em jogar com ambos os pés ; mesmo não sendo talhado para acções de condução, a sua velocidade, capacidade de aceleração e de desmarcação torna-o perigoso em contra-ataque nos últimos 25-30 metros ; em situação de ataque é um jogador lutador, que não desiste dos lances e, em algumas situações, acaba por saber tirar partido de ressaltos para finalizar.

- Do ponto de vista físico, apresenta uma constituição elegante, mas falta-lhe alguma força e potência, acabando por sentir dificuldades para se impor no corpo a corpo. Joga, poucas vezes, os 90 minutos das partidas, e está sem competir com alguma regularidade desde Agosto, o que deverá dificultar, no imediato, a sua afirmação no Sporting. Costuma ter bons arranques nos clubes por onde tem passado, mas a tendência acaba por ser para um apagamento gradual para impaciência dos adeptos. A excepção foi a passagem pelo Noroeste, onde, sem pressão, acabou por se destacar, mantendo um rendimento constante.

RODRIGO TIUÍ: BRASILEIRÃO 2007

Rodrigo Tiuí: Dados 2007

RODRIGO TIUÍ: BRASILEIRÃO 2006

Rodrigo Tiuí: Dados 2006

RODRIGO TIUÍ: BRASILEIRÃO 2005

Rodrigo Tiuí: Dados 2005

RODRIGO TIUÍ: BRASILEIRÃO 2004

Rodrigo Tiuí: Dados 2004

RODRIGO TIUÍ: BRASILEIRÃO 2003

Rodrigo Tiuí: Dados 2003

RODRIGO TIUÍ: DADOS ADICIONAIS (BRASILEIRÃO 2007)

- 20 jogos: 12 jogos como titular ; 8 jogo como suplente utilizado
- Dos 12 jogos como titular foi substituído em 10 ocasiões e apenas completou 2 partidas.
- Num dos 8 jogos como suplente utilizado, foi substituído.
- 1044 minutos de utilização.
- 7 vitórias, 9 empates, 4 derrotas.

- 3 golos marcados.
- 2 golos apontados em jogos em casa ; 1 golo apontado em jogos fora de casa.
- 3 golos apontados nas segundas partes.
- 2 dos 3 golos foram apontados como suplente utilizado.
- Efectuou 16 remates à baliza no Brasileirão 2007: marcou 3 golos ; 5 remates foram defendidos pelos guarda-redes, 7 remates foram para fora, 1 remate foi à barra.

- 5 cartões amarelos ; não foi expulso.

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László Sepsi: o novo lateral-esquerdo do Benfica
terça-feira, 15 janeiro 2008

László Sepsi: novo reforço do Benfica apresentado

SEPSI APRESENTADO. O Benfica apresentou ontem o primeiro reforço de Inverno: László Sepsi, lateral-esquerdo romeno, de 21 anos, titular do Gloria Bistriţa, actual 8º classificado da Liga, já a 21 pontos do líder CFR Cluj, como também da selecção sub-21 romena, que está a disputar a fase de apuramento para o Campeonato Europeu de Esperanças em 2009, liderando o grupo 10, onde marca também presença a selecção francesa, forte candidata à presença na fase final, depois de ter falhado a presença no último Europeu da categoria. O novo lateral benfiquista, que ocupa a vaga deixada por Miguelito, entretanto transferido a título definitivo para o Sp. Braga, rubricou um contrato válido até ao fim da temporada 2012/2013 e o seu passe terá custado uma verba próxima dos 2,5 milhões de euros.

QUEM É LÁSZLÓ SEPSI. Por motivos profissionais, durante a temporada 2005/06, tive a oportunidade de seguir o desempenho do lateral-esquerdo romeno, então a representar por empréstimo o Rennes, de László Bölöni: foi utilizado em 3 partidas pela equipa principal e em 17 pela formação secundária a disputar a 4ª Divisão do futebol francês, um viveiro interessante de talentos. Na altura, os desempenhos de Sepsi, ao serviço da forma secundária, deixavam antever um jogador com uma margem de progressão bastante interessante, mais talhado para acções ofensivas, mas em crescimento a nível defensivo, com uma evolução evidente na percepção táctica e posicional do jogo. Contudo, as suas três presenças na formação principal foram marcadas por desastres colectivos da formação de Bölöni - goleadas sofridas diante de Marselha e PAOK, e uma vitória por 5-3 diante do Montpellier. Nessas partidas, Sepsi acusou, em demasia, a sua falta de experiência, realizando exibições fracas e com alguns erros individuais - facilmente batido por Niang no lance do 3º golo Marselha, na sequência de uma diagonal do jogador africano. Com a saída de Bölöni, o clube francês desinteressou-se pela sua contratação a título definitivo, regressando à Roménia, onde o Gloria Bistriţa apressou-se a acertar a sua aquisição junto do Gaz Metan Mediaş, clube que detinha o seu passe, permitindo-lhe o reencontro com o técnico Ioan Ovidiu Sabău, antigo internacional romeno, que o lançara, com apenas 17 anos, na primeira equipa da formação de Mediaş. Sepsi impôs-se com grande facilidade ao longo do ano e meio que representou o Gloria Bistriţa, apenas não jogando por lesão, ganhando experiência, amadurecendo o seu jogo a nível defensivo - onde ainda necessita de refinar algumas características - e maximizando o seu talento ofensivo, que lhe permitiu também actuar no sector intermediário, nomeadamente como médio interior esquerdo, a bom nível. Por isso mesmo, é nesta altura apontado como o 2º melhor esquerdo da Liga romena, logo atrás de Corneliu Cristian Pulhac, jogador do Dinamo Bucareste, que se cruzou a época passado com o Benfica na Taça UEFA. Pretendido por Steaua Bucareste e Poli Timisoara, que chegaram a apresentar propostas concretas ao Gloria Bistriţa, ambas ligeiramente acima do 1 milhão de euros, Sepsi terá quatro meses pela frente para amadurecer e adaptar-se a uma nova realidade competitiva, muito provavelmente na sombra de Léo, e provar que poderá ser uma alternativa válida face à cada vez mais certa saída do lateral brasileiro no final da temporada.

LÁSZLÓ SEPSI: DADOS 2007/08

László Sepsi: Dados 2007/08

LÁSZLÓ SEPSI: DADOS 2006/07

László Sepsi: Dados 2006/07

LÁSZLÓ SEPSI: DADOS ADICIONAIS (LIGA ROMENA)

- 45 jogos: 44 jogos como titular ; 1 jogo como suplente utilizado
- Dos 44 jogos como titular foi substituído em 3 ocasiões e não completou um jogo devido a expulsão.
- 3795 minutos de utilização.
- 21 vitórias, 8 empates, 16 derrotas.
- 0 golos marcados.
- 3 cartões amarelos ; 1 cartão vermelho.
- Era um dos cinco jogadores totalistas na Liga Romena em 2007/08, totalizando 1170 minutos de utilização relativos a 19 jogos completos. Os outros são: Cristian Gigi Branet (Politehnica Iasi) e Cristian Haisan (FC Vaslui), ambos guarda-redes ; e os defesas Cristian Calin Panin (CFR Cluj) e Stefan Andrei Radu (Dinamo Bucareste).
- 2º jogador mais utilizado pelo Gloria Bistriţa desde que chegou ao clube no Verão de 2006: 45 jogos. Registo apenas superado por Octavian Abrudan, seu colega do sector defensivo, com 48 jogos (em 53 possíveis).
- Nos oito jogos em que Sepsi não jogou - esteve lesionado entre Março e Maio do ano passado - o Gloria Bistriţa venceu 2 jogos, empatou 2 e perdeu 4 partidas.

LIGAÇÕES . László Sepsi: promissor lateral romeno em processo de crescimento (Abril de 2006)

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Um novo Petit?
sábado, 12 janeiro 2008

Petit

UM OLHAR SOBRE A PRESTAÇÃO DOS MÉDIOS DEFENSIVOS DOS GRANDES NA 1. VOLTA DA LIGA

Médios defensivos: dados estatísticos

Petit

PETIT. Com um início de temporada fulgurante, em que se destacou por estar num patamar físico superior à maior parte dos seus colegas, Petit lesionou-se à 4ª jornada, diante da Naval, depois de realizar 7 jogos oficiais completos em menos de um mês: cinco pelo Benfica - três na Liga e dois na eliminatória de acesso à Liga dos Campeões - e dois pela Selecção nacional. Lesionado em véspera da deslocação a S. Siro, a rotura parcial no ligamento lateral interno do joelho direito que lhe foi diagnosticada, afastou-o mais de dois meses dos relvados, regressando, como suplente utilizado, diante da Académica, curiosamente em véspera da recepção ao AC Milan, jogo que marcou o seu regresso à titularidade, estatuto que manteve até hoje, com excepção da recepção ao Estrela da Amadora, em que ficou de fora devido a uma rotura muscular na coxa direita. Num olhar atento sobre os seus números na Liga, pode-se constatar que Petit está um jogador diferente: menos competente em acções de recuperação do que era seu apanágio, bem menos agressivo, mas com um engodo maior pela baliza adversária, o que, no seu caso, está longe de significar eficiência - apenas um golo apontado, na jornada de estreia, diante do Leixões. Em comparação com Gilles Binya, o seu substituto, e com quem coincidiu em campo apenas em Coimbra, Petit perde nos itens defensivos, já que tem menos intervenções - 4,39 de diferencial por jogo -, executa menos recuperações de bola completas - 2,28 de diferencial por jogo - e também se tem vindo a revelar muito menos agressivo, já que Binya comete mais faltas - 2,2 de diferencial por jogo, o que tem reflexo no número de cartões vistos: Binya viu 5 em 7 jogos ; Petit não viu nenhum em 8 partidas, número estranho para o médio defensivo internacional português, já que nas últimas 9 épocas como profissional, apenas em 2 delas viu menos do que 10 cartões por época. Do ponto de vista ofensivo, Petit mostra-se mais incisivo que o camaronês: participa mais em acções de ataque - 1,98 de diferencial por jogo -, remata muito mais - 1,48 de diferencial por jogo - e sofre mais faltas - 0,93 de diferencial por jogo -, algo que se justifica não pela condução de jogo ofensivo, já que é pautada pelo equilíbrio entre ambos, mas sim pela maior tendência de Petit para gerir a posse de bola, ao invés de Binya, que se mostra mais rápido e, algumas vezes, precipitado a desfazer-se da bola. Alargando a comparação a Paulo Assunção e Miguel Veloso, Petit continua a superiorizar-se no número de remates e no de faltas sofridas, ainda que Miguel Veloso o ultrapasse a nível das intervenções ofensivas - 0,61 de diferencial por jogo -, já que o "leão" se mostra mais talhado para conduzir iniciativas de ataque, efectuar cruzamentos ou assistências para acções de finalização enquadradas. Do ponto de vista defensivo, Petit vê os médios defensivos dos dois rivais superiorizarem-se, ainda que apresente números mais próximos de Miguel Veloso, do que de Paulo Assunção, que recupera muitas mais bola por jogo - 3,06 de diferencial por jogo - e intervém muito mais do ponto de vista defensivo - 3,64 de diferencial por jogo.

Gilles Binya

GILLES BINYA. O médio defensivo camaronês, que curiosamente se cruzou com a Selecção portuguesa de sub-17 na Meridian Cup de 2001, defrontando jogadores como Ricardo Quaresma, Hugo Viana ou Raul Meireles, foi um dos reforços "surpresa" do Benfica para a nova temporada: indicado por Eurico Gomes, seu técnico nos argelinos do MC Oran, tudo levava a crer que seria emprestado ao Estrela da Amadora, mas Camacho, poucos dias após a chegada à Luz, ordenou o seu regresso, depois de falhada a aquisição de Borja Oubiña, o jogador que pretendia para colmatar uma vaga no centro do terreno, na sequência da tumultuosa saída de Manuel Fernandes, em vésperas da recepção ao Copenhaga. A estreia de Binya ocorreu nos minutos finais da deslocação a Milão, que antecedeu a estreia como titular, em Braga, em jogo a contar para a Liga portuguesa, aproveitando a lesão de Petit para se fixar na equipa. Aliás, a presença de Gilles Binya na equipa do Benfica tem passado sempre por ausências do internacional português, mas com uma curiosidade relevante: sempre que Binya jogou na Liga portuguesa, o Benfica não perdeu - 6 vitórias e 1 empate. Mais talhado para acções defensivas - é o médio dos três grandes que mais intervenções defensivas protagoniza por jogo (média de 12), sendo que representam 81% das suas intervenções - do que para conduzir, definir ou finalizar acções de ataque, apesar da sua enorme disponibilidade física, o jogador camaronês destaca-se pela enorme agressividade que emprega nas suas acções, que faz com que cometa mais faltas por jogo do que Miguel Veloso e Paulo Assunção juntos. No que concerne a recuperações de bola completas, quando comparado com Petit, Veloso e Assunção, apenas o jogador brasileiro o bate: 0,78 de diferencial por jogo, batendo os dois internacionais portugueses: 0,8 de diferencial por jogo para o sportinguista ; 2,28 de diferencial por jogo para o seu colega de equipa. Do ponto de vista ofensivo, quando comparado com os mesmos jogadores, acaba por ser o que apresenta números mais limitados, destacando-se o facto de ser o que mais bolas perde, por desarme, ao longo dos jogos. Ainda assim, apresenta números próximos de Paulo Assunção, superando-o até na média de intervenções ofensivas por jogo: 0,52 de diferencial.

Paulo Assunção

PAULO ASSUNÇÃO. Titular a tempo inteiro em todos os jogos do FC Porto na Liga dos Campeões, marcou também presença no "onze" portista em 14 dos 15 jogos na Liga portuguesa, onde apenas falhou a recepção ao Leixões, já que Jesualdo Ferreira optou por fazê-lo descansar, depois de um jogo desgastante em Marselha, e em vésperas das recepções a Belenenses e ao emblema francês no espaço de uma semana. Com um jogo muito posicional e de grande inteligência táctica, os números do médio defensivo brasileiro, revelado pelo Palmeiras, não enganam: exímio nos processos defensivos, revela-se pouco participativo em acções de ataque: 83% das suas intervenções em jogo são defensivas, aspecto em que se superioriza aos médios defensivos dos rivais. Mas não só: Paulo Assunção é o "rei" das recuperações completas, totalizando, em média, 9,21 por jogo, números superiores aos de Gilles Binya - 0,78 de diferencial por jogo -, Miguel Veloso - 1,58 de diferencial por jogo - e Petit - 3,06 de diferencial por jogo. Apesar da sua enorme participação em acções de recuperação, Assunção é bem menos faltoso do que Binya - 1,74 de diferencial por jogo -, mas mesmo sendo mais do que Miguel Veloso e Petit, os seus números não são muito superiores: 0,33 de diferencial por jogo para o sportinguista ; 0,46 de diferencial por jogo para o benfiquista. Do ponto de vista ofensivo, quando comparado com os seus "rivais", Assunção é o que menos intervém em acções de ataque, com apenas 2,34 intervenções por jogo, número bem inferior a Petit (4,84) ou a Miguel Veloso (5,45), para quem perde em todos os itens ofensivo. Por isso mesmo, é também o médio-defensivo que menos faltas sofre e o que menos bolas perde, conseguindo suplantar Binya e Petit num item ofensivo: apesar do diferencial ser pouco relevante, conduz mais ataques por jogo do que os dois jogadores do Benfica, mas, ainda assim, longe de atingir os números de Miguel Veloso a esse nível.

Miguel Veloso

MIGUEL VELOSO. Depois de um início de época fulgurante, que motivou a sua "promoção" à Selecção principal, depois de ter efectuado as duas primeiras partidas de qualificação para o Europeu de Esperanças ao serviço dos sub-21, tem vindo a apresentar uma quebra de produção e de preponderância no jogo "leonino" nas últimas semanas, situação coincidente com o aumento de "ruído" em torno de eventuais transferências e da sua vida extra-futebol. Titular em todas as partidas do Sporting na Liga portuguesa e em 5 dos 6 jogos efectuados pelos "leões" na Liga dos Campeões - foi suplente utilizado na "despedida" diante do Dinamo Kiev -, Miguel Veloso, quando comparado com os médios defensivos dos rivais, é o que mais intervém em iniciativas de ataque (5,45 de média por jogo), onde acaba por dominar quase todos os itens, mas consegue ter números superiores aos de Petit em acções defensivas: Veloso efectua 9,14 por jogo contra 7,61 de Petit. Do ponto de vista defensivo, e no que concerne a recuperações completas, Miguel Veloso apenas consegue superar Petit - 1,48 de diferencial por jogo -, mas perde para Paulo Assunção e Gilles Binya, que são também mais agressivos defensivamente que o jogador do Sporting. A nível ofensivo, onde perde para Petit a nível dos remates efectuados por jogo, Veloso superioriza-se claramente face à concorrência a nível da condução de acções de ataque, de cruzamentos e assistências para finalizações enquadradas, aspectos que domina face à concorrência. Curiosamente, apesar da sua maior preponderância em acções de ataque, sofre menos faltas do que Petit, como também perde menos bolas por desarme do que a dupla de médios defensivos do Benfica.

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Yakubu: de dispensado no Gil Vicente a goleador na Premier League
sexta-feira, 4 janeiro 2008

Yakubu Aiyegbeni

“OPERAÇÃO” YAKUBU. Foi a 13 de Agosto de 1999, exactamente uma semana antes da Liga 1999/2000 se iniciar, que o Gil Vicente apresentava como reforço para a nova temporada um jovem internacional nigeriano nos escalões de formação. De seu nome Yakubu Aiyegbeni, de apenas 16 anos. Álvaro Magalhães, na altura técnico dos gilistas, mostrava-se preocupado com a lesão longa de Diocliciano Tavares e pela inadaptação do reforço Xandi, um avançado extremamente franzino descoberto no modesto Lajeadense e indicado pelo empresário Manuel Barbosa, tendo pedido um novo homem de área. A Direcção do Gil Vicente procurou uma solução e encontrou-a no jovem Yakubu, que, apesar da sua juventude, já era titular do Julius Berger, clube da divisão maior do futebol nigeriano. As negociações, intermediada por Sylvanus, antigo internacional nigeriano que jogou no futebol português na década de oitenta, foram duras e prolongaram-se durante algumas semanas, pois o Gil Vicente não podia cobrir o valor do passe de Yakubu, tendo sido encontrada uma solução intermédia: um empréstimo por uma temporada. A operação foi levada tão a sério que, apesar da imprensa falar do interesse do clube em jovens africanos, o nome de Yakubu só foi conhecido quando foi apresentado. E não chegou sozinho: com Yakubu chegou também um jovem central nigeriano de nome Harry (Harrison Omokoh, central há vários anos a jogar na Ucrânia, onde chegou a representar o Dínamo Kiev).

DOIS GOLOS NA ESTREIA APÓS A TEMPESTADE. Depois da apresentação, na então renovada sala de imprensa do Estádio Adelino Ribeiro Novo, Yakubu e Harry seguiram para Braga, onde pernoitaram. No dia seguinte, o secretário-técnico Rochinha dirigiu-se ao hotel, a fim de transportar os jogadores a Barcelos onde iriam fazer os indispensáveis testes médicos. Contudo, e para espanto de Rochinha, Harry e Yakubu recusaram-se a acompanhá-lo e reclamaram os passaportes para regressarem, de imediato, à Nigéria. Segundo a edição do jornal “Record” de 15 de Agosto de 1999, os dirigentes gilistas queixavam-se de um envolvimento de um novo empresário, que terá aliciado os jogadores com uma proposta de um emblema luso de maior projecção que dobraria as propostas. Contudo, Sylvanus e Peter Rufai, que se preparava para reforçar a formação gilista, conseguiram dar a volta à situação, e colocaram Yakubu e o seu compatriota novamente na rota do emblema de Barcelos. E, na tarde de 16 de Agosto, Yakubu fez o primeiro treino pelo Gil Vicente, apontando dois golos: um de grande penalidade e outro de cabeça numa movimentação à ponta de lança que agradou de sobremaneira a Álvaro Magalhães, que não escondia a felicidade com o novo reforço. Yakubu, de poucas palavras e algo tímido, falou à imprensa no final do treino: “É sempre importante marcar golos, mesmo que num treino, pois é essa a minha missão”.

NOVA NOVELA. Já depois de João Magalhães, na altura presidente do Gil Vicente, ter revelado que o clube ia contrair um empréstimo bancário para pagar os 40 mil contos envolvidos na operação de compra dos passes dos dois jovens nigerianos, de forma a evitar problemas semelhantes aos de Drulovic, que abandonou, a meio da temporada 1993-94, o Gil Vicente à revelia do clube, pois os seus empresários venderam o seu passe ao FC Porto, iniciou-se uma nova “novela”: a da não chegada do certificado internacional de Yakubu e Harry, que falharam a recepção ao Campomaiorense (vitória 3-0) e deslocação ao Restelo (empate 1-1), para desespero dos dirigentes do Gil Vicente e de Álvaro Magalhães, que se viu obrigado a adaptar Guga ao posto de avançado-centro. Só que, a 30 de Agosto, João Magalhães mostrou-se cansado de esperas e decidiu dispensar Yakubu e Harry, acrescentando que os jogadores estavam proibidos a partir daí de treinar com o restante plantel.

O RAPTO E A PENHORA. Na edição de 31 de Agosto de 1999 do jornal “Record”, o “caso” Yakubu e Harry mereceu amplo destaque, surgindo mais uma figura na novela – o guineense Cátio Balde, representante em Portugal do empresário nigeriano Sylvanus, que acrescentou novos dados ao enredo: “Os contratos estão assinados e tudo está legal. O Sylvanus regressa da Nigéria quarta-feira, onde se deslocou exclusivamente para desbloquear a situação, já com os documentos e agora eles querem dispensá-los. O Gil Vicente foi o escolhido devido às boas relações com o treinador Álvaro Magalhães, uma vez que havia vários clubes interessados. O Sylvanus quase teve de raptar o Yakubu para Portugal e, agora, foi obrigado a penhorar duas casas na Nigéria, no valor de um milhão de dólares, para o clube que detém o certificado internacional dar o documento. Ele chega amanhã, está tudo legal e já não querem os futebolistas”.

O ADEUS A BARCELOS. A aventura terminou a 2 de Setembro, data em que Sylvanus regressou a Portugal, desconhecendo-se se acompanhado dos certificados internacionais dos jogadores. O empresário ainda falou de um eventual interesse de União de Leiria e Marítimo no concurso de Harry e Yakubu, como também de um elemento ligado a um clube saudita. Yakubu, que em Barcelos cruzou-se com jogadores como Petit, Ricardo Nascimento, Auri, Fangueiro ou Guga, partiu amargurado, dizendo mesmo que o seu desejo era regressar o mais rapidamente possível à Nigéria, de forma a preparar da melhor forma possível uma eventual participação nos Jogos Olímpicos de 2000, que acabou por se concretizar. Na altura da despedida a Barcelos, os jogadores nigerianos queixaram-se ao jornal “Record”: “Esta situação não foi nada agradável e nunca pensámos que viesse a acontecer quando chegámos a Barcelos. Somos internacionais pelo nosso país e não merecemos este tratamento. Sentimo-nos superiores a isto tudo e ao clube”.

YAKUBU, PROFISSÃO: GOLEADOR Depois da experiência negativa em Barcelos, Yakubu regressou à Nigéria, mas por pouco tempo. Foi contratado pelo Hapoel Kfar-Saba, clube que pretendia fugir à despromoção na divisão maior do futebol israelita. Marcou 6 golos em 23 jogos em 1999/00, mas que não foram suficientes para evitar a descida. A boa experiência em Israel valeu-lhe a estreia pela Selecção principal da Nigéria, como também a participação nos Jogos Olímpicos de 2000, onde marcou um golo espectacular às Honduras. Após as Olímpiadas voltou a Israel, mas para representar o Maccabi Haifa, onde após apontar 3 golos em 14 jogos, seguiu, por empréstimo, para o Dínamo Kiev, onde não se chegou a estrear. Regressou a Israel, onde viria a apontar 13 golos em 22 jogos pelo Maccabi Haifa em 2001/02, regressando à Selecção, figurando no lote de pré-seleccionados para o Mundial 2002, mas acabaria por ficar de fora dos eleitos, isto apesar de ter participado no último jogo treino antes da fase final. Continuou no Maccabi Haifa, que lhe deu a oportunidade de se estrear na Liga dos Campeões, em 2002/03: apontou 7 golos em 7 jogos – um “hat-trick” ao Olympiakos e um golo, de grande penalidade, ao Manchester United deram-lhe grande projecção -, a que juntou 8 golos em 13 jogos da Liga, tornando-se num dos frutos mais apetecidos do “Mercado” de Janeiro em 2003. Rumaria ao Portsmouth, que procurava a subida à Premier League, e não desiludiu: 7 golos em 14 jogos e a promoção ao principal Campeonato do futebol inglês. Nas duas épocas seguintes, já na Premier League, apontou 29 golos em 67 jogos, transferindo-se, no Verão de 2005, para o Middlesbrough, que investiu 7 milhões e meio de libras na sua aquisição. Em duas temporadas, marcou 25 golos em 71 jogos da Premier League, a que juntou 8 golos na FA Cup e 2 na Taça UEFA, tendo sido suplente utilizado na final da competição em 2005/06, que o Boro perdeu para o Sevilha (0-4). Esta época começou-a ainda no emblema de Riverside, mas a 29 de Agosto de 2007 foi apresentado como novo reforço do Everton, que investiu 11,25 milhões de libras na sua aquisição. É, até ao momento, o melhor marcador do clube na Premier League 2007/08, somando 9 golos em 15 jogos, tendo-se destacado ao apontar um “hat-trick” diante do Fulham, o clube a quem mais golos marcou desde que chegou a Inglaterra: 8 em 8 jogos.

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Cristiano Ronaldo: Fazer História
segunda-feira, 10 dezembro 2007

OS FACTOS. Cristiano Ronaldo, ao apontar o 4º golo do Manchester United, na vitória caseira por 4-1 diante do Derby County, em jogo a contar para a 16ª jornada da Premier League, conseguiu, pela primeira vez na sua carreira, marcar golos em 4 jornadas consecutivas de Liga. Foi o 6º golo do internacional português nos últimos 4 jogos, num fim-de-semana feliz para a formação de Manchester, já que fruto da primeira derrota do Arsenal na Liga - 1-2 no terreno do Middlesbrough -, encurtou para 1 ponto a distância para o líder. Ronaldo, que apontou o seu 9º golo na Premier League em 2007/08, conseguiu alcançar no topo da lista dos melhores marcadores da Premier League o avançado togolês Emmanuel Adebayor, do Arsenal, que ficou em branco esta jornada, depois de ter apontado 3 golos nas 4 partidas anteriores.

FAZER HISTÓRIA. Foi a primeira vez que Cristiano Ronaldo conseguiu marcar golos em 4 jornadas consecutivas da Premier League, competição em que já apontara, em três ocasiões, golos em três jogos seguidos, com particular destaque para a série de 6 golos em 3 jogos no final de Dezembro do ano passado. Esta nova série de 6 golos nos últimos 4 jogos, iniciou-se na deslocação ao terreno do Arsenal, onde marcou 1 golo, seguindo-se "bis" nas recepções ao Blackburn Rovers e Fulham, e novo golo solitário ao Derby County, o seu primeiro da temporada desde os onze metros. O registo de golos em 4 jogos consecutivos em competições diferentes é também uma novidade na carreira do internacional português: na Liga dos Campeões, mantém em aberto uma série de 3 jogos consecutivos a marcar, até agora o seu melhor registo de sempre ; no Campeonato Nacional, onde apenas somou 3 golos, nunca marcou em jornadas seguidas ; e na Selecção Nacional, onde já marcou em 4 ocasiões em 2 jogos consecutivos, mas onde nunca somou 3 jogos seguidos a marcar. Caso seja utilizado em Anfield Road no próximo fim-de-semana, se marcar um golo ao Liverpool, adversário a que ainda não marcou qualquer tento em 5 jogos para a Premier League, Cristiano Ronaldo poderá entrar no grupo selecto de jogadores do Manchester United que marcou em 5 (ou mais jogos) consecutivos. Se nos restringirmos aos últimos 31 anos de competição primodivisionária em Inglaterra, apenas 5 jogadores conseguiram tal feito ao serviço do Manchester United: Ruud Van Nistelrooy - 15 golos em 10 jogos consecutivos entre Março e Agosto de 2003 ; 10 golos em 8 jogos consecutivos entre Dezembro de 2001 ; Janeiro de 2002 ; 6 golos em 6 jogos consecutivos entre Maio e Setembro de 2005 e 5 golos em 5 jogos consecutivos em Dezembro de 2005 -, Eric Cantona - 6 golos em 6 jogos consecutivos entre Março e Abril de 1996 -, Dwight Yorke - 8 golos em 5 jogos consecutivos entre Janeiro e Fevereiro de 1999 -, Gordon Hill - 6 golos em 5 jogos consecutivos entre Maio e Agosto de 1977 -, e Mark Hughes - 5 golos em 5 jogos consecutivos entre Setembro e Outubro de 1988.

OS GOLOS DE CRISTIANO RONALDO NA PREMIER LEAGUE AO DETALHE.

140 jogos - 44 golos (sempre pelo Manchester United)
24 golos solitários ; 10 "bis"
27 golos em jogos em casa ; 17 golos em jogos fora de casa
17 golos nas primeiras partes ; 27 golos nas segundas partes
4 golos de grande penalidade em 5 grandes penalidades apontadas (falhou uma)
6 golos como suplente utilizado
Melhor série: golos em 4 jogos consecutivos (em aberto)
Pior série: 13 jogos consecutivos sem marcar golos, entre Abril e Outubro de 2005.

OS GOLOS DE CRISTIANO RONALDO NA LIGA DOS CAMPEÕES AO DETALHE.

34 jogos - 8 golos (sempre pelo Manchester United)
4 golos solitários ; 2 "bis"
5 golos em jogos em casa ; 3 golos em jogos fora de casa
3 golos nas primeiras partes ; 5 golos nas segundas partes
1 golo de grande penalidade na única que apontou
0 golos como suplente utilizado
Melhor série: golos em 3 jogos consecutivos (em aberto)
Pior série: 26 jogos consecutivos sem marcar golos, entre Outubro de 2003 e Abril de 2007.

OS GOLOS DE CRISTIANO RONALDO NA LIGA PORTUGUESA AO DETALHE.

25 jogos - 3 golos (sempre pelo Sporting)
1 golos solitários ; 1 "bis"
2 golos em jogos em casa ; 1 golo em jogos fora de casa
1 golo nas primeiras partes ; 2 golos nas segundas partes
0 golos de grande penalidade
1 golo como suplente utilizado
Melhor série: nunca marcou em jogos consecutivos
Pior série: 21 jogos consecutivos sem marcar golos (série em aberto).

OS GOLOS DE CRISTIANO RONALDO NA SELECÇÃO NACIONAL "AA" AO DETALHE.

53 jogos - 20 golos
12 golos solitários ; 4 "bis"
12 golos em jogos em casa ; 8 golos em jogos fora de casa
9 golos nas primeiras partes ; 11 golos nas segundas partes
1 golo de grande penalidade
1 golo como suplente utilizado
Melhor série: em 4 ocasiões marcou em 2 jogos consecutivos
Pior série: 7 jogos consecutivos sem marcar golos, entre Agosto de 2003 e Junho de 2004.

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Freddy Adu: o rapaz do gongo
segunda-feira, 26 novembro 2007

Freddy Adu

JOKER. Ao apontar o terceiro golo do Benfica na vitória em Coimbra, Freddy Adu marcou o seu 5º golo da temporada em 9 jogos, o 4º na condição de suplente utilizado, igualando o registo obtido por Pedro Mantorras ao longo de toda a temporada 2004/05 e que lhe valeu o estatuto de "salvador" na época do último título encarnado. O internacional angolano, entre Campeonato, Taça e Competições Europeias somou 18 partidas, apontando 5 golos, 4 deles como suplente utilizado.

300 MINUTOS. Em Coimbra, Freddy Adu atingiu os 300 minutos de águia ao peito, tendo sido utilizado por 27 minutos, o seu registo mais alargado na Liga, onde ainda não foi titular. Esses números garantem ao jovem americano uma média de 1 golo a cada 60 minutos de utilização.

VARIEDADE NA FINALIZAÇÃO. Depois de dois golos de grande penalidade diante de Estrela da Amadora e Vitória de Setúbal, ambos na Taça da Liga, apontados com o pé esquerdo, para cada um dos lados da baliza, Adu, em Coimbra, marcou o seu terceiro golo de bola corrida, num remate cruzado de pé esquerdo, de fora da área, após diagonal da direita para o centro, aproveitando uma assistência de Cardozo, que deu sequência a uma jogada iniciada pelo internacional americano. Foi o primeiro golo de Adu de fora da área, já que os outros dois foram marcados na sequência de finalizações dentro da área: frente ao Vitória de Setúbal, em casa, para a Taça da Liga, Adu marcou na sequência de um remate cruzado, de pé esquerdo, à entrada da área ; frente ao Marítimo, também em casa, para a Liga, o internacional americano concluiu, dentro da pequena área, com um toque subtil de pé direito, um cruzamento desde a direita de Léo.

O RAPAZ DO GONGO. Dos 5 golos de Adu, este foi o quarto obtido nos últimos 5 minutos das partidas, o terceiro apontado no minuto 90, depois dos tentos ao Estrela da Amadora (fora) e Vitória de Setúbal (casa), ambos para a Taça da Liga, que, na altura, valeram empates.

AMADURECIMENTO. 3 meses e meio depois da precipitada estreia diante do Copenhaga, poucos dias após a chegada a Lisboa, Freddy Adu dá sinais de amadurecimento, bem para lá do registo goleador, que serviu, no entanto, para lhe garantir uma maior proximidade com os adeptos, depois dos assobios e risos após as suas primeiras exibições descoloridas. Menos individualista e mais objectivo, Adu vai perdendo a tendência para malabarismos desmedidos e adornos excessivos, mostrando maior rapidez a soltar a bola e uma maior consciência colectiva, suportada também pelo maior conhecimento que possui das movimentações dos seus colegas, com consequências no aumento da percentagem de passes certos. A capacidade de remate e para finalizações na sequência de diagonais, com e sem bola, já era um dos pontos fortes do seu jogo.

OS GOLOS DE ADU:

NO DC UNITED (87 jogos / 11 golos):

17-04-2004 - Metrostars 3-2 DC United (D) - 75' - Suplente Utilizado (entrou aos 54')
19-05-2004 - DC United 2-4 LA Galaxy (D) - 67' - Suplente Utilizado (entrou aos 62')
11-08-2004 - DC United 3-1 Colorado Rapids (V) - 35' - Titular (jogou os 90')
11-09-2004 - DC United 3-0 Dallas Burn (V) - 84' - Suplente Utilizado (entrou aos 71')
02-10-2004 - Metrostars 0-1 DC United (V) - 16' - Titular (substituído aos 89')
07-05-2005 - DC United 3-1 Columbus Crew (V) - 71' - Titular (jogou os 90')
23-07-2005 - LA Galaxy 0-1 DC United (V) - 90' - Titular (jogou os 90')
31-07-2005 - DC United 5-1 Real Salt Lake (V) - 46' - Titular (jogou os 90')
05-10-2005 - Real Salt Lake 1-3 DC United (V) - 50' - Titular (jogou os 90')
28-06-2006 - KC Wizards 2-3 DC United (V) - 16' - Titular (jogou os 90')
09-09-2006 - DC United 1-1 Real Salt Lake (E) - 45' - Titular (jogou os 90')

NO REAL SALT LAKE (11 jogos / 1 golo):

20-05-2007 - FC Dallas 2-1 Real Salt Lake (D) - 68' (de grande penalidade) - Titular (jogou os 90')

NO BENFICA (9 jogos / 5 golos):

26-09-2007 - Estrela Amadora 1-1 Benfica (E) - 90' (de grande penalidade) - Suplente utilizado (entrou aos 45')
(O Benfica venceria a partida, após desempate por pontapés de grande penalidade, tendo Adu marcado 1 golo na decisão).
20-10-2007 - Benfica 1-1 Vitória Setúbal (E) - 90' - Suplente utilizado (entrou aos 71')
28-10-2007 - Benfica 2-1 Marítimo (V) - 87' - Suplente utilizado (entrou aos 80')
31-10-2007 - Vitória Setúbal 2-1 Benfica (D) - 45' (de grande penalidade) - Titular (substituído aos 85')
24-11-2007 - Académica 1-3 Benfica (V) - 90' - Suplente utilizado (entrou aos 63')

TOTAIS:

107 jogos - 17 golos
8 golos apontados em jogos em casa ; 9 golos apontados em jogos fora de casa
5 golos apontados na primeira parte dos jogos ; 12 golos apontados na segunda parte dos jogos
7 dos 17 golos foram apontados como suplente utilizado.
3 golos de grande penalidade.

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Destino Chipre (III)
segunda-feira, 12 novembro 2007

LUKASZ SOSIN: O GOLEADOR DO LÍDER ANORTHOSIS

Lukasz Sosin: internacional polaco, 30 anos, 100 golos em 129 jogos na Liga cipriota. Protagonista da transferência mais polémica do último defeso, quando trocou o Apollon, a quem fizera juras de amor eterno, pelo Anorthosis, é o melhor marcador do líder em 2007/08. Goleador de golos simples? É verdade - os 4 vídeos, dos 4 golos apontados esta época comprovam-no, com 4 finalizações de pé direito, dentro da área, uma delas de grande penalidade. Contudo, o gigante de 1.89 não é um avançado vulgar: velocidade, potência de remate, capacidade de antecipação e sentido de oportunidade acima da média, justificavam o voo para um campeonato mais ambicioso. Já se faz tarde.

RICARDO FERNANDES: O MÁGICO DO CAMPEÃO APOEL

Aos 29 anos, Ricardo Fernandes é uma das principais estrelas da Liga cipriota, onde se revelou decisivo para a conquista do título 2006/07 - os melhores momentos do médio criativo português podem ser vistos no terceiro vídeos. Os dois primeiros referem-se aos dois golos apontados em 2007/08, ambos em conclusões de pé esquerdo, dentro da área. Algo não muito comum no jogador que não se impôs no FC Porto e no Sporting, mas que renasceu no APOEL, com golos fantásticos de livre directo e várias assistências para finalizações, já que todo o jogo ofensivo da equipa passa pelo seu pé esquerdo.

HARUNA BABANGIDA: A EXPLOSÃO DO "PITHAMOGONATOS"

Irmão mais novo de Tijani Babangida, antigo jogador do Ajax e da selecção nigeriana, Haruna rumou à Europa, com apenas 13 anos, para representar os escalões de formação da formação holandesa. As suas boas exibições despertaram rapidamente a atenção de outros grandes clubes europeus acabando por rumar ao Barcelona, onde completou a formação com o rótulo de "next big thing". Já depois de ter feito a sua estreia na formação B do clube catalão foi cedido por empréstimo ao Terrasa e ao Cádiz, onde se foi esfumando a aura em seu redor. Dispensado pelo Barcelona rumou ao futebol ucraniano, onde não vingou no FC Metalurh Donetsk, seguindo-se uma aventura na Grécia, ao serviço do Olympiakos, que acabou também por ser marcada pela irregularidade e várias pequenas lesões, apesar de alguns números mágicos, que lhe valeram a alcunha de "pithamogonatos" (o pigmeu). Dispensado no final da última época rumou ao futebol cipriota, onde se tem afirmado como uma das figuras da Liga e feito a diferença, o que já lhe vale o estatuto de novo ídolo dos adeptos do Apollon. A sua velocidade de ponta, os seus malabarismos com a bola nos pés e um bom remate cruzado de pé direito encontraram o espaço certo para uma afirmação que parecia não chegar. Aos 25 anos, completados no passado mês de Outubro, tem ainda oportunidade para regressar a um campeonato mais competitivo, mas a sua anarquia táctica e prazer por tornar o difícil fácil lhe poderão permitir adquirir o estatuto de "estrela" que já conquistou no Chipre.

TIQUINHO: O SENHOR DOS GOLOS BONITOS

Formado nas escolas do Benfica, atingiu alguma projecção nos escalões de formação, sobretudo após uma exibição fantástica num Portugal - Holanda (3-0), em Sub-17, disputado na Covilhã, em Outubro de 2001, onde fez dupla de ataque com Cristiano Ronaldo. Contudo, o final da etapa de formação já foi marcada por um perder de espaço, não só no clube, como também nas selecções jovens. Após uma breve passagem pelo futebol espanhol rumou à formação secundária do Marítimo, onde apesar de algumas boas exibições, nunca chegou a merecer uma oportunidade na equipa principal. Em fim de contrato rumou ao Chipre e no AEL tem-se afirmado e mostrado que tinha espaço na Liga portuguesa. Até ao momento, assinou dois grandes golos: um de pé direito e outro de pé esquerdo, em concretizações à entrada da área. Para desfrutar.

BERNARDO VASCONCELOS: O GOLEADOR PORTUGUÊS

Filho de Bernardo Vasconcelos, antigo médico do Benfica e andebolista de fino quilate, Bernardo herdou do pai o nome, mas optou pelo futebol. Depois de passagens pelos escalões jovens de Cascais e Estoril, mostrou dotes de goleador na sua estreia como sénior ao serviço do Palmelense, que o conduziram à formação secundária do Benfica. Seria, no entanto, ao serviço do Torreense, em 2001/02, que se revelaria como goleador, ao apontar 15 golos, que desperdiçaram a cobiça do Alverca, onde, na temporada seguinte, não vingou, mas ajudou o clube ribatejano a alcançar a promoção à divisão maior. Seguiu para Torres Vedras, onde em menos de meio ano se reencontrou com os golos, assinando, em Janeiro, pelo RKC Waalwijk, da divisão maior do futebol holandês. Marcou 4 golos, que fizeram com que o clube quisesse renovar contrato, mas optou por regressar a Portugal, para se estrear na Liga principal pela União de Leiria. Jogou pouco - apenas 2 jogos - e cedo se percebeu que fazia parte da lista de dispensas de Dezembro. Regressou à Holanda, de novo ao RKC Waalwijk, mas a segunda passagem não foi tão feliz. Esteve um ano no Estoril, na Liga de Honra, sem grande sucesso - 4 golos em 18 jogos -, antes de rumar ao Chipre, onde, a temporada passada, venceu a 2ªDivisão e sagrou-se melhor marcador da prova pelo APOP. Esta época é o segundo melhor marcador da Liga principal com 6 golos continuando a demonstrar engodo pelas balizas adversárias. 4 golos de pé direito e 2 de cabeça, em finalizações simples, sempre na área, plenas de oportunidade, por vezes misturadas com umas pitadinhas de felicidade. De realçar, também, a importância de Paulo Sousa, antigo médio do Paços de Ferreira, como cérebro na distribuição de jogo ofensivo da equipa.

CLAYTON & SILVA: SOCIEDADE GOLEADORA DO ALKI

Com 4 golos nos 5 primeiros jogos da Liga, Clayton tornou-se numa das principais figuras da Liga cipriota. Contudo, uma lesão - mais uma - afastou-o da competição nas últimas semanas, com claros prejuízos no rendimento da equipa, que caiu na classificação. O antigo extremo/avançado de FC Porto e Sporting, que nas duas últimas épocas representou o Penafiel sem grande sucesso, reencontrou-se com os seus bons momentos, apontando 4 golos com o seu excelente pé esquerdo, dois deles após assistências aéreas de Elpídio Silva. O "Pistoleiro", que após abandonar o Sporting, aonde não vingou, passou sem sucesso por Inglaterra e Coreia, antes de regressar ao ponto de partida - Corinthians Alagoano -, reencontrou-se também com os golos: soma 3, dois de pé direito e um de cabeça, este após cruzamento açucarado de Clayton. E voltou a disparar como as imagens documentam.

MUSTAPHA BANGURA: A REVELAÇÃO

Com apenas 18 anos, completados no final de Outubro passado, Mustapha Bangura, jovem avançado da Serra Leoa, tem sido uma das principais revelações da Liga cipriota 2007/08, somando já 4 golos, apesar da desastrosa campanha colectiva da sua equipa: o Nea Salamina. Esta há pouco mais de um ano no Chipre, onde chegou com 16 anos, oriundo do Old Edwardians, e apesar de alguma ingenuidade e crueza na suas acções, mostra potencial para vir a tornar-se num avançado interessante no futebol europeu. Veloz, agressivo, com sentido de baliza e disparo fácil, sobretudo de pé direito, é um jogador a seguir com atenção nos próximos meses.

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Gojko Kačar: tarde de glória frente ao Partizan
segunda-feira, 5 novembro 2007

Gojko Kačar, em Junho passado referenciado no Observatório, está a ser uma das grandes figuras da SuperLiga Sérvia 2007/08, liderando, de momento, a lista de melhores marcadores, ao somar 10 golos em 11 jogos, números raros para um central de origem, mas que se tem vindo a fixar, nos últimos tempos, na zona intermediária, actuando, quer como médio defensivo, quer como médio centro, preferencialmente entre o centro e a direita. Este domingo, Gojko Kačar, habitual titular da selecção Sérvia de sub-21, apontou 3 golos ao Partizan Belgrado, em casa deste, num jogo a contar para a 12ª jornada da SuperLiga, que permitiu ao Vojvodina, actual 2º classificado, manter a diferença de 5 pontos para a formação de Belgrado, que lidera a prova. O resumo alargado do jogo serve para atestar a qualidade do número 4 do Vojvodina, que ontem equipou de azul, e que já surpreendera ao apontar 7 golos em 6 jogos consecutivos na SuperLiga Sérvia, entre a 5ª e a 10ª jornada.

OS NÚMEROS DE GOJKO KACAR EM 2007/08:


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Renascer do Fidalgo
terça-feira, 30 outubro 2007

Miguel Fidalgo

Miguel Fidalgo é , até ao momento, a grande figura da 2ª Divisão, com 11 golos apontados em (apenas) 9 jogos ao serviço do União da Madeira, desde esta semana líder da Série A do 3º escalão do futebol português. Extremo ou avançado, natural do Caniçal, mas com formação realizada no Nacional da Madeira, as suas boas prestações justificaram chamadas às selecções jovens portuguesas e à Selecção da Madeira, que anualmente disputa o Torneio Internacional do Arquipélago. Talento precoce, estreou-se na equipa principal do Nacional, então na Liga de Honra, ainda com idade de júnior, em 2000/01, pelas mãos de José Peseiro, com quem, na temporada seguinte, subiria ao escalão maior do nosso futebol. Contudo, o actual técnico do Panathinaikos optaria por fazê-lo rodar na temporada de 2002/03, adiando a sua estreia na 1ªDivisão. Seguiu para o vizinho Camacha, onde acabou por regressar na temporada seguinte, já que Casemiro Mior, tal como Peseiro, achou por bem emprestá-lo durante a temporada 2003/04. 5 golos em 17 golos reabriram-lhe finalmente as portas do Nacional e a estreia na divisão maior foi auspiciosa: ainda com Mior no comando técnico dos madeirenses, Miguel Fidalgo foi titular diante do Vitória de Guimarães, à 6ª jornada, na Choupana e marcou o único golo da partida. A aposta teve continuidade, ainda que alternando o banco com o banco dos suplentes, totalizando 20 jogos e 4 golos, um deles na histórica goleada no Dragão (4-0), diante do FC Porto, já com João Carlos Pereira como técnico. A época seguinte, no entanto, correria bem abaixo das expectativas, pois alguns problemas físicos afastaram-no das opções regulares de Manuel Machado, que só apostou no jogador a espaços durante a segunda volta, normalmente saído do banco. Ao todo, 11 partidas na Liga, nenhuma das quais completas, acabaram por justificar a saída, por empréstimo, para o futebol cipriota, onde representou o AEK (Athlitiki Enosis Kition) em 2006/07. Uma experiência que acabou por revelar-se um fracasso, já que Miguel Fidalgo apenas foi utilizado nas primeiras 5 partidas - 1 jogo como titular e 4 como suplente utilizado -, pois nova lesão, desta feita com gravidade, acabou por afastá-lo do resto da temporada. De regresso à Madeira, e sem espaço na equipa do Nacional, com quem tem ainda contrato, foi emprestado ao União da Madeira, onde, curiosamente, se reencontrou com o seu irmão, o experiente central João Fidalgo, também ele um ex-nacionalista. Reencontro feliz, já que permitiu o relançamento da carreira de Miguel Fidalgo, que, aos 25 anos, atinge o melhor momento da sua carreira, com os 11 golos em 9 jogos a colocarem-no no topo da lista dos melhores marcadores da 2ªDivisão, permitindo-lhe sonhar com o tão ambicionado "salto" já em Janeiro.

OS NÚMEROS DE MIGUEL FIDALGO EM 2007/08:

Miguel Fidalgo: dados 2007/08

AO DETALHE:

9 jogos - 6 vitórias, 1 empate, 2 derrotas
746 minutos - 9 vezes titular - 4 jogos completos, 5 vezes substituído

11 golos - 3 golos solitários, 2 "bis", 1 "poker"
dos 11 tentos 2 foram obtidos de grande penalidade
5 golos em casa - 6 golos fora de casa
5 golos na primeira parte - 6 golos na etapa complementar

1 cartão amarelo.

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Europeu de Esperanças 2007: 36 jogadores para o futuro
sexta-feira, 22 junho 2007

Damir Kahriman

Damir Kahriman (Sérvia) – Guarda-redes titular do Vojvodina, de 23 anos, 1.96/94, foi a grande figura da selecção Sérvia no Europeu sub-21, conduzindo-a à final, onde só cedeu no prolongamento. Muito alto e dotado de uma condição física impressionante, impõe-se com grande naturalidade, quer entre postes, quer fora destes, mostrando enorme capacidade de liderança e conhecimento do espaço que pisa. Mostra um bom controlo da baliza, chegando com facilidade a ambos os postes, pois é muito elástico, sabe-se colocar e tem reflexos rápidos. Fora dos postes, gosta de arriscar, revelando um bom controlo do espaço aéreo, firmeza no um para um com os avançados por baixo e um excelente tempo de saída. Apesar da sua juventude, já ultrapassou a fasquia dos 50 jogos na principal Liga sérvia, onde foi lançado pelo Zemun, em Abril de 2004, numa deslocação ao terreno do Zeta (derrota 1-2).

Zdenek Zlámal

Zdenek Zlámal (República Checa) – Guarda-redes do Sparta Praga, começou a temporada como terceira escolha para o posto, o que levou o clube a emprestá-lo ao FC Tescoma Zlín, onde se impôs como titular, afirmando-se como uma das maiores revelações da Liga, ajudando a sua formação a ficar no escalão primo divisionário do futebol checo. 21 anos, 1.93-92. Trata-se de um guardião muito alto e com uma constituição física notável, que se mostra extremamente forte entre postes, parecendo ocupar toda a baliza, para além de evidenciar capacidade de liderança, comunicando muito com os seus colegas de sector. Dotado de uma boa colocação, revela bons reflexos e uma elasticidade e agilidade invulgares num guardião com as suas características físicas, protagonizando algumas defesas espectaculares e/ou de elevado grau de dificuldade. Pode, no entanto, trabalhar mais a recepção da bola, já que faz várias defesas incompletas ou a dois tempos, aspecto em que deverá melhorar. Fora dos postes deve tornar-se mais rápido a reagir aos lances, mas mostra capacidades nos lances de um para um com os avançados adversários, para além da sua elevada estatura permitir-lhe desfazer cruzamentos com alguma facilidade, mas pode e deve arriscar mais, já que não se costuma aventurar fora da sua pequena área.

Antonio Rukavina Antonio Rukavina (Sérvia) – Lateral-direito, impôs-se com grande facilidade no Partizan Belgrado, onde chegou a meio da época, depois de ter feito uma excelente primeira volta de Liga no modesto Bezanija. Jogador de 23 anos, 1.77/74, foi uma das revelações da temporada sérvia, o que lhe permitiu já ser chamado à selecção principal, pela qual se estreou dias antes de iniciar a sua participação no Europeu de Esperanças. É um lateral direito que está habituado a jogar num esquema tradicional de quatro defesas, mas cujas características, marcadamente ofensivas, permitem adaptá-lo com grande facilidade a uma posição de volante direito, num esquema com laterais adiantados. Mesmo que fisicamente não seja um portento, faz com grande facilidade todo o corredor durante os 90 minutos, criando desequilíbrios com as suas subidas, pois é rápido, possui uma capacidade técnica interessante e mostra-se particularmente perigoso nos cruzamentos, saindo dos seus pés várias assistências para finalizações, tanto em lances de bola parada, como em lances de bola corrida. No capítulo defensivo, apesar de muito esforçado e pressionante, necessita de evoluir do ponto de vista táctico, tanto na defesa de posições exteriores como em posições interiores, pois dá demasiado espaço aos adversários.

Gianni Zuiverloon Gianni Zuiverloon (Holanda) – Lateral-direito, adaptável também ao posto de central pela direita, num esquema com três defesas ou três centrais, de 20 anos, 1.81/70, foi revelado pelo Feyenoord, mas não vingou na primeira equipa da formação de Roterdão, passando depois pelo RKC Waalwijk e, na última época, pelo Heerenveen, onde realizou uma boa temporada, impondo-se com facilidade como titular. Trata-se de um lateral pouco brilhante, mas eficaz nos processos defensivos, já que é bastante pressionante, agressivo – por vezes em demasia – e com capacidade de desarme, tanto pelo chão, como pelo ar, não sendo fácil ultrapassá-lo, quando está correctamente posicionado. Do ponto de vista ofensivo, apesar de se tratar de um defesa rápido e potente, mostra poucos predicados de ordem técnica, para além de necessitar de ganhar maior consistência no passe e nos cruzamentos para atingir outra dimensão.

Manuel da Costa Manuel da Costa (Portugal) – Defesa-central, de 21 anos, 1.87/78. Depois de ter deslumbrado em Toulon 2006, o que lhe permitiu a fantástica transferência da equipa secundária do Nancy para o PSV Eindhoven, onde não se conseguiu ainda impor como titular absoluto, mas foi regularmente utilizado, confirmou-se como um dos jovens centrais – na minha opinião, o jovem central – mais promissores do futebol europeu e mundial. Apesar da decepcionante campanha portuguesa no Europeu de Esperanças, Manuel da Costa confirmou-se como um defesa central extremamente calmo e seguro, dotado de um excelente sentido posicional, grande capacidade de desarme, tanto pelo chão como pelo ar, e forte na antecipação, tirando partido de um bom tempo de entrada aos lances, para além da sua velocidade natural a atacar a bola. Falta-lhe, contudo, um pouco mais de agressividade, isto apesar de ser forte fisicamente, mas trata-se de um central pouco faltoso e que procura sempre a bola. Do ponto de vista técnico é bastante evoluído para um central, revelando facilidade a sair a jogar, assumindo uma primeira fase de construção, ainda que, em algumas ocasiões, arrisque em demasia. Eficaz no passe curto e médio, mostra predicados muito interessantes no passe longo, que lhe permitem lançar iniciativas ofensivas à distância. Central com presença na área adversária, falta-lhe ganhar ainda um maior engodo pela baliza adversária.

Dusko Tosic Dusko Tosic (Sérvia) – Defesa-central canhoto, de 22 anos, 1.81/78, foi contratado pelo Sochaux, em Janeiro de 2006, ao OFK Belgrado, onde era titular desde os 18 anos. Em França, acabou a última época como titular, mas não o foi de forma absoluta, totalizando, até ao momento, 40 jogos em época e meia na Ligue 1. Actua preferencialmente pela zona central esquerda da defesa, e apesar de canhoto, jogo também com alguma facilidade com o pé direito. Forte no jogo aéreo, tanto em situação defensiva, como ofensiva, sabe tirar partido de um excelente poder de impulsão, tratando-se de um especialista a jogar na antecipação, ganhando com facilidade posição aos adversários directos tanto pelo chão como pelo ar. Precisa, no entanto, de melhorar o tempo de entrada aos lances, o que o leva a ser algo faltoso, como também tornar-se mais concentrado, já que, em algumas ocasiões, parece “adormecer”. Mesmo assim, é bastante eficaz no desarme. Do ponto de vista técnico é um central muito evoluído, com grandes capacidades no um para um e a sair a jogar. Criterioso na distribuição de jogo, assume, sem receios, a primeira fase de construção, mostrando eficácia no passe: curto, médio ou longo.

Branislav Ivanovic Branislav Ivanovic (Sérvia) – Defesa central, de 23 anos, 1.88/84, já internacional A, pode também actuar como lateral, sobretudo à direita, mas não se sente tão à vontade nessa missão. Contratado pelo Lokomotiv Moscovo, onde é titularíssimo há ano e meio, ao OFK Belgrado, trata-se de um defesa muito seguro e talhado para voos mais altos. Poderoso fisicamente, impõe-se com facilidade e naturalidade no confronto físico, não abusando de jogo faltoso, isto apesar de se tratar de um central talhado para acções de marcação, bastante difícil de ultrapassar no um para um. Forte no desarme, tanto pelo ar como pelo chão, é rápido e contundente a atacar a bola, ganhando vários lances na antecipação, mas poderá melhorar a definição do tempo de entrada aos lances. Do ponto de vista técnico é um jogador muito interessante, mostrando capacidades a sair a jogar, sobretudo no passe curto e médio, mas, quando é necessário, também sabe jogar de forma feia e prática. Revela também facilidade em explorar o futebol aéreo em situação ofensiva, marcando alguns golos de cabeça na sequência de lances de bola parada, para além de se tratar de um líder nato, muito comunicativo, pois dá, de forma permanente, instruções aos seus colegas de sector, como também sabe empurrar a equipa para a frente.

Gojko Kacar Gojko Kacar (Sérvia) – Um jogador impressionante. Central ou médio defensivo, de 20 anos, 1.85/79, apenas realizou um jogo no Europeu, diante da Inglaterra, onde se exibiu a um nível altíssimo, confirmando a excelente época ao serviço do Vojvodina, clube que representa como titular há mais de dois anos. Jogador com grande capacidade de liderança, comunica muito com os seus companheiros de sector e sabe empurrar a equipa para a frente, destacando-se também por ser um exímio recuperador de bolas, muito forte no desarme, tanto pelo chão, como pelo ar, aliando contundência na abordagem aos lances – é fortíssimo no “tackle”, mas, em algumas ocasiões, demasiado duro – com um excelente poder de antecipação, pois é muito rápido e ganha com facilidade a posição aos avançados adversários. Inteligente a nível posicional e táctico, evidencia uma capacidade técnica bastante acima da média para um central, arriscando dribles em zonas proibidas, para além de sair a jogar com grande facilidade, assumindo a condução e a organização do jogo ofensivo desde trás, revelando uma boa capacidade de passe. É, também, um defesa que marca golos com alguma facilidade: seja através do seu jogo aéreo em lances de bola parada ofensivos, seja através de remates de fora da área, pois possui um bom disparo de pé direito, mas pode melhorar o enquadramento.

Ryan Donk Ryan Donk (Holanda) – Defesa-central, de 21 anos, 1.92/80, foi contratado, no final de Agosto de 2006, pelo AZ Alkmaar, onde acabou a época como titular, ao RKC Waalwijk, clube onde ainda pouco jogara. Destaca-se, sobretudo, pela sua grande compleição física e poder de choque, que lhe permite impor-se, com relativa facilidade, nos lances divididos, não recorrendo muito a faltas para parar o seu adversário directo. Muito forte no jogo aéreo, revela-se mais eficiente em situação defensiva, onde ganha a maior parte dos lances que disputa, do que em situação ofensiva, necessitando de trabalhar mais a sua técnica de cabeceamento em direcção à baliza adversária. Pelo chão, apesar de rápido e contundente a atacar a bola, sente algumas dificuldades em velocidade, quando são exploradas as costas da defesa, mas faz-se valer de um interessante sentido posicional. Apesar de possuir alguns atributos a sair a jogar, mesmo quando arrisca um futebol mais directo, é um defesa prático e nada complicativo, que joga feio quando tem que o fazer.

Marco Andreolli Marco Andreolli (Itália) – Defesa-central, habitualmente pela direita, de 21 anos, 1.87/81, produto das escolas do Inter, onde ainda não se conseguiu impor como titular, fruto da elevada concorrência na sua posição. Muito frio e seguro, trata-se de um jogador com escola, que se destaca por um elevado sentido posicional e táctico, que lhe permite ser eficaz tanto a jogar solto como em acções de marcação, não sendo fácil batê-lo no um para um, já que é muito eficaz no desarme pelo chão e pelo ar. Tecnicamente dotado, revela facilidade na recepção e no controlo de bola e sabe sair a jogar, quase sempre à base de passes curtos e médios. O seu ponto mais fraco acaba por ser a velocidade em lançamentos para as suas costas, já que se sente mais à vontade em espaços curtos do que em largos. Necessita também de jogar com mais frequência, o que dificilmente acontecerá no Inter.

Slobodan Rajkovic Slobodan Rajkovic (Sérvia) – Defesa-central canhoto, de 18 anos, 1.95/85, foi revelado pelo OFK Belgrado, onde ainda actua, mas já é jogador do Chelsea há mais de um ano e meio. Jogador portentoso do ponto de vista físico, impõe-se com enorme facilidade nos lances corpo a corpo, ainda que necessite de rever a contundência e agressividade excessiva com que aborda alguns lances. Muito forte no jogo aéreo, raramente perde uma bola no espaço defensivo, mostrando também à vontade para participar em situação ofensiva em lances de bola parada, conquistando várias bolas nesse tipo de situação. Apesar da sua elevada estatura, sai com facilidade de posição e pressiona tanto na zona intermediária, como também sobre a ala esquerda, mostrando facilidade no desarme e a jogar na antecipação, tanto pelo chão, como pelo ar. Bastante prático, sabe jogar feio quando é necessário, mas também é capaz de sair a jogar, mostrando capacidades no passe. Falta-lhe ganhar uma maior consistência nos lances de um para um, onde lhe falta um tempo de reacção mais rápido a acções de desequilíbrio dos adversários.

Giorgio Chiellini Giorgio Chiellini (Itália) – Lateral-esquerdo, de 22 anos, 1.86/79, surgiu com apenas 16 anos na primeira equipa do Livorno, de onde saltou, em 2004, para a Fiorentina, impondo-se com facilidade, o que lhe permitiu a estreia na selecção principal. Está há dois anos na Juventus, tendo sido um dos melhores jogadores na última época, ajudando o clube de Turim a regressar à Série A do Calcio. É um lateral que se adapta com facilidade ao esquema tradicional de quatro unidades defensivas, como também pode actuar como volante lateral pela esquerda, já que faz com facilidade todo o corredor, mostrando-se até mais à vontade a atacar do que a defender, onde necessita de ganhar maior consistência, isto apesar de poder também desempenhar as funções de central pela esquerda, sobretudo num esquema com três defesas. É um defesa bem constituído fisicamente e, por vezes, excessivamente duro, o que lhe custa alguns cartões, sentindo-se mais à vontade na defesa de posições interiores, até porque possui um bom jogo aéreo, do que na defesa de posições exteriores, onde comete algumas desatenções, que deverá corrigir. Do ponto de vista ofensivo, mostra-se muito rápido e potente a desdobrar-se em acções de ataque, tanto com bola, como sem bola, fazendo, com grande facilidade, todo o corredor, pois evidencia sempre uma excelente preparação física e um grande pulmão. Mesmo não se tratando de um jogador tecnicamente muito evoluído, ganha lances no um para um e mostra eficácia no passe e nos cruzamentos, onde pode tornar-se ainda mais acutilante, como também é forte a fazer diagonais com bola, pois tem um remate muito forte de pé esquerdo.

Sébastien Pocognoli Sébastien Pocognoli (Bélgica) – Lateral-esquerdo, de apenas 19 anos, 1.82/72, protagonizou uma excelente campanha no Genk, o que fez com que vários clubes o observassem, optando por uma proposta do AZ Alkmaar, que ganhou a corrida a alguns emblemas franceses de topo. Jogador muito forte do ponto de vista defensivo, defende com grande facilidade posições exteriores, onde é difícil superá-lo no um para um, pois é forte fisicamente, pressionante e eficaz tanto em acções de desarme como a jogar na antecipação. Inteligente a nível táctico e posicional, defende com facilidade posições interiores, revelando facilidade a defender o espaço aéreo, como também a acompanhar as movimentações em diagonal dos extremos/alas adversários. Do ponto de vista ofensivo, falta-lhe alguma capacidade técnica para criar desequilíbrios no um para um, mas é rápido, sabe conduzir jogo – tem facilidade em utilizar os dois pés, apesar de ser canhoto – e tem um remate fortíssimo de pé esquerdo, tanto em bola corrida, como em bola parada, onde poderá atingir outro patamar, se trabalhar o enquadramento. A nível do passe e dos cruzamentos evidencia potencial, mas poderá tornar-se ainda mais consistente e acutilante.

Aleksandar Kolarov Aleksandar Kolarov (Sérvia) – Apontado pela imprensa do seu país como o “novo Roberto Carlos”, realizou uma temporada muito boa no OFK Belgrado, onde apontou 4 golos em 27 jogos, o que motivou observações de clubes italianos, ingleses e alemães, falando-se, com insistência, de uma possível transferência para a Lázio. Tem 21 anos, 1.87/80. Apesar de se tratar de um jogador forte do ponto de vista físico, sente-se muito mais à vontade a atacar do que a defender, onde terá que ganhar uma bem maior consistência, de forma a atingir outros patamares, pois dá demasiado espaço nas suas costas e mostra algumas debilidades do ponto de vista táctico e posicional, nomeadamente quando é obrigado a defender posições interiores. Do ponto de vista ofensivo, é um lateral que faz com grande facilidade todo o corredor, assumindo e conduzindo jogo com muita qualidade, para além de revelar um bom poder de desmarcação com e sem bola. Muito rápido e muito dinâmico, alia a velocidade a uma capacidade técnica acima da média, que lhe permite criar desequilíbrios no um para um, mostrando também um bom potencial no passe e nos cruzamentos, realizando várias assistências para finalização. Dotado de um remate violentíssimo de pé esquerdo, procura muito a baliza adversária, tanto em lances de bola corrida, como também em bola parada, tratando-se de um especialista neste tipo de acção – marcou um golo de livre à Bélgica.

Hedwiges Maduro Hedwiges Maduro (Holanda) – Médio defensivo, de 22 anos, 1.84/79, realizou uma época bem abaixo das expectativas no Ajax, onde se assumira em 2005/06 como peça-chave do esquema da equipa, merecendo também chamadas regulares à selecção principal. Chegou ao Europeu em boa forma física, o que lhe permitiu exibir-se a altíssimo nível, isto apesar de não se tratar de um jogador muito veloz, mas é extremamente eficaz do ponto de vista táctico, ocupando e fechando muito bem os espaços, o que lhe permite recuperar muito jogo, quer através da sua capacidade de desarme, tanto pelo chão como pelo ar, mas também pela extrema facilidade com que corta linhas de passe. Eficaz a sair a jogar, fá-lo, quase sempre, de forma simples, com base num futebol mais apoiado, tirando partido da sua eficácia no passe curto e médio, mas também incorpora com facilidade acções de ataque, movimentando-se bem sem bola, já que aparece com facilidade em posições de remate, para tirar partido do seu excelente remate de pé direito.

Miguel Veloso Miguel Veloso (Portugal) – Médio defensivo, de 21 anos, 1.80/79, confirmou na Selecção de Esperanças a excelente segunda volta que realizou ao serviço do Sporting. Dotado de um excelente sentido posicional, que compensa algumas lacunas em velocidade, mostrou-se muito eficaz em acções de recuperação, tanto a nível do desarme, sobretudo pelo chão, como também a jogar na antecipação, o que lhe permitiu cortar inúmeras linhas de passe. Jogador com personalidade e maturidade acima do normal para a sua idade, assume o jogo desde trás, mostrando uma capacidade técnica acima da média, que lhe permite assumir a condução de jogo e criar desequilíbrios no um para um, como também uma grande facilidade no passe e na escolha dos tempos, que o tornam num especialista no lançamento de jogadas de ataque, tanto organizado, como de ataques rápidos, fruto da facilidade que evidencia a colocar a bola à distância, sobretudo sobre os flancos. Está a mostrar um crescimento importante na eficácia e enquadramento do remate de pé esquerdo de fora da área, tanto em bola corrida, como em bola parada, o que lhe permitiu marcar dois golos durante a competição, mas deverá trabalhar mais o futebol aéreo, tanto defensiva, como ofensivamente.

Antonio Nocerino Antonio Nocerino (Itália) – Protagonista de uma excelente época ao serviço do Piacenza, onde apontou 6 golos em 37 jogos na Série B em 2006/07, tem 22 anos, 1.78-76, e uma carreira extremamente irregular para um jogador tão jovem, com passagens por 6 clubes em apenas 4 épocas como profissional, quase sempre no segundo escalão do futebol italiano. Em Itália, é conhecido por “Piccolo Gattuso”, pelas semelhanças físicas e no estilo de jogo com o jogador do AC Milan e da Selecção Italiana. É um jogador que se destaca pela intensidade de jogo, pois corre os 90 minutos, pressionando a todo o campo e nunca virando a cara à luta, o que lhe permite recuperar muitas bolas, aliando capacidade de desarme e de antecipação a um bom sentido posicional e táctico, preenchendo os espaços de forma inteligente, ainda que, em algumas situações, evidencia excessos de agressividade que lhe custam vários cartões. Com a bola nos pés não se atrapalha, apesar de jogar, por norma, de forma simples, não arriscando muito no passe. Dotado de uma capacidade técnica interessante, rompe bem, em acções com bola e sem bola, de trás para a frente, aparecendo com facilidade em posições de remate, possuindo um bom disparo de pé direito.

Marouane Fellaini Marouane Fellaini (Bélgica) – Médio multi-funções, a sua posição natural é a de médio-centro, mas pode também actuar como médio defensivo ou como médio ofensivo, como aconteceu no Portugal – Bélgica, disputado há poucos meses em Alvalade. 18 anos, 1.94/85, joga no Standard de Liège, onde se impôs como titular, afirmando-se também como uma das figuras da temporada belga, o que lhe valeu um lugar na renovada selecção principal. Portentoso do ponto de vista físico, trata-se de um jogador que se movimenta muito e bem, quer em acções com bola, quer em acções sem bola, uma das suas especialidades. Muito forte no jogo aéreo, ganha bolas com grande facilidade a meio-campo, como também, em acção ofensiva, na área adversária, mostrando sentido de baliza, não só de cabeça, mas também em remates de pé direito. Pode assumir mais o jogo, pois é tecnicamente dotado, revelando igualmente facilidade no passe, ainda que jogue, essencialmente, com base em passes curtos. Do ponto de vista defensivo, controla o espaço aéreo e ganha a grande parte dos lances que disputa no corpo a corpo, mostrando potencial no desarme, para além de se tratar de um jogador agressivo, ainda que, em algumas situações, de forma excessiva. Fruto do seu poderio físico, sabe também jogar de costas para a baliza, escondendo a bola dos adversários.

Milan Smiljanic Milan Smiljanic (Sérvia) – Médio centro, de 20 anos, 1.81 / 75, foi uma das várias revelações da Liga Sérvia em 2006/07, tendo-se imposto como titular indiscutível do Partizan Belgrado, o seu clube de sempre. Apesar de mais talhado para acções ofensivas do que defensivas, o excesso de jogadores com características ofensivas no meio-campo sérvio obrigou-o a assumir um papel mais de contenção. Cumpriu, ainda que nem sempre de forma regular, essa tarefa, fazendo uso do seu jogo posicional, bem mais do que pela sua capacidade de desarme ou de marcação, aspectos para os quais não é particularmente talhado. Contudo, destingiu-se pela facilidade com que organiza jogo, mostrando capacidade para assumir a condução e distribuição de jogo, tirando partido do seu talento no passe, executando de forma inteligente e rápida. Capaz de progredir no terreno com bola e sem bola, revela uma capacidade técnica muito interessante, que lhe permite criar desequilíbrios no um para um, aparecendo também em posições de remate, ainda que necessite de potenciar o enquadramento.

Manuel Fernandes Manuel Fernandes (Portugal) – Segundo trinco, médio centro ou interior, deu sinais de um crescimento físico – verdadeiramente impressionante – capaz de o conduzir a patamares elevadíssimos, se a cabeça ajudar, pois tem talento de sobra, mas falta-lhe ganhar uma maior consistência e pendularidade exibicional, pois aparece e desaparece dos jogos ainda com alguma facilidade. 21 anos, 1.75/69, tem contrato com o Benfica, que o emprestou ao Portsmouth e, posteriormente, ao Everton, tendo sido apenas titular a espaços em ambas as formações. Médio completo, revela-se extremamente útil em acções de recuperação, já que a sua capacidade física actual permite-lhe impor-se nos lances divididos, ainda que, por vezes, com excessiva agressividade, juntando à sua já conhecida capacidade de desarme e, sobretudo, facilidade em jogar na antecipação. Do ponto de vista ofensivo apresentou também um salto qualitativo muito interessante: forte a conduzir jogo e a criar desequilíbrios no um para um, sabe usar a sua velocidade e poder físico para progredir no terreno, aliando-o a uma boa visão de jogo, capacidade de passe e bom poder técnico, ainda que exagere em acções individuais e em imprimir ritmos demasiados elevados, aspectos que terá que limar. Evoluiu também a nível do remate de fora da área: mais potente e melhor enquadrado, sobretudo em conclusões de fora da área, mas, também aí, deverá apresentar mais cuidados na selecção, já que exagera na busca do golo.

Nigel Reo-Cocker Nigel Reo-Coker (Inglaterra) – Médio centro ofensivo, de 23 anos, 1.72/65, é titularíssimo do West Ham United há três épocas, depois de ter sido revelado pelo Wimbledon, somando cerca de 200 jogos entre todas as competições, o que é sinónimo de experiência e maturidade acima da média para um jogador da sua idade. Por isso mesmo, não surpreendeu a forma adulta como liderou a formação inglesa, a partir da zona central do terreno, aliando capacidade para sair e organizar acções ofensivas a um grande poder físico, que lhe permite ser muito útil também em acções de recuperação. Com grande “pulmão”, corre os 90 minutos, mostrando um bom conhecimento táctico do jogo, que lhe permite ocupar bem os espaços, para além de possuir capacidades no desarme e a jogar na antecipação. Tecnicamente dotado, sabe aliar esse seu talento à força física, rompendo bem de trás para a frente em acções com bola, mas também sem bola, o que lhe permite aparecer com facilidade em posições de remate. Deve ganhar uma maior consistência a nível da visão de jogo e do passe, onde, por vezes, se revela errático, para atingir outro patamar.

Alberto Aquilani Alberto Aquilani (Itália) – Médio centro ofensivo, capaz de desempenhar várias funções a meio-campo, quer como interior, quer como médio mais ofensivo, de 22 anos, 1.84/78. Habitual suplente da AS Roma, onde foi incorporado na primeira equipa com apenas 17 anos, trata-se de um jogador de classe, capaz de desequilibrar o jogo numa acção, mas que evidencia uma irregularidade exasperante, pois passa longos minutos longe dos jogos. Dotado de um pé direito de enorme qualidade, possui uma capacidade técnica bem acima da média, que lhe permite criar desequilíbrios no um para um com facilidade, para além de ser um jogador capaz de gerir os tempos de entrega e de fazer com qualidade a condução e circulação de bola, pois também possui atributos a nível da visão de jogo e do passe, mas a sua habitual tendência para se esconder em determinadas fases do jogo acaba por lhe tirar influência. Possui também um bom remate de pé direito, que lhe valeu dois golos durante a competição.

Otman Bakkal Otman Bakkal (Holanda) – Médio de características ofensivas polivalente, de 22 anos, 1.82/76, pode desempenhar várias funções em campo: médio ofensivo, médio centro ofensivo ou interior, médio ala pela direita ou esquerda. O seu passe pertence ao PSV Eindhoven, sendo praticamente certo que Ronald Koeman lhe irá dar uma oportunidade em 2007/08, depois de dois anos e meio emprestado a FC Den Bosch, FC Eindhoven e Twente, onde, na última temporada, alternou a titularidade com o banco. Jogador talentoso, mas bastante irregular, sente dificuldades em cumprir os 90 minutos, sobretudo quando o jogo é mais intenso, aparecendo e desaparecendo com grande facilidade dos jogos. Trata-se de um médio tecnicamente dotado e rápido, com capacidade no um para um, já que sabe driblar em progressão, para além de possuir capacidades no passe. Defensivamente, procura preencher os espaços de forma inteligente, mas está longe de se tratar de um recuperador exímio.

Bosko Jankovic Bosko Jankovic (Sérvia) – Médio ofensivo, interior ou ala, preferencialmente sobre a direita, mas também, em caso de necessidade, sobre a esquerda, esta antiga estrela do Estrela Vermelha de Belgrado, onde apontou 24 golos em 73 jogos na principal Liga sérvia, realizou uma boa época em Espanha, onde, ao serviço do Maiorca, apontou 9 golos em 28 jogos, sendo que apenas 17 foram na condição de titular. 23 anos, 1.83/78, já internacional A. Sempre muito participativo no jogo ofensivo da equipa, possui uma boa técnica individual, para além de se tratar de um jogador com boa visão de jogo e com capacidade no passe e nos cruzamentos. Capaz de criar desequilíbrios no um para um, falta-lhe assumir mais o risco de partir para cima do adversário e melhorar a sua capacidade de drible curto, mas, ainda assim, cria desequilíbrios com as suas acções com bola e movimentações sem bola, explorando bem a força física que possui e os seus movimentos na sequência de diagonais, para além de revelar potência no remate de pé direito, tanto de dentro, como fora da área. A sua época em Espanha permitiu-lhe uma evolução em termos tácticos e de recuperação de jogo, aspecto onde ainda poderá evoluir, de forma a se tornar ainda mais completo.

Daniel de Ridder Daniel de Ridder (Holanda) – Jogador de enorme talento, mas de uma irregularidade exasperante, não vingou no Celta de Vigo, onde em quase dois anos realizou apenas 20 jogos, depois de um início de carreira promissor no Ajax, de onde sairia pela porta pequena após alguns conflitos. Tem 23 anos, 1.80/69, e é capaz de alternar exibições medíocres com momentos brilhantes, como a final do Europeu, em que realizou três assistências para golo. Actua, preferencialmente, aberto na ala direita do ataque, mas pode também jogar na esquerda ou livre nas costas do(s) avançado(s). numa posição mais interior. É um jogador de grande qualidade técnica e excelente drible, que cria desequilíbrios no um para um com grande facilidade, ainda que, por vezes, demore a mudar de velocidade ou perca objectividade com mais um adorno. Eficaz nos cruzamentos e no último passe, sobretudo na sequência de diagonais da ala para o meio, o que lhe permite fazer várias assistências para golo, falta-lhe algum sentido de baliza, como também tornar-se mais participativo no jogo, não só em termos ofensivos, como também a nível defensivo, pois não gosta muito de correr atrás da bola.

Dejan Milovanovic Dejan Milovanovic (Sérvia) – Médio centro ofensivo ou médio ofensivo, de 23 anos, 1.80/75, é uma das principais figuras do Estrela Vermelha de Belgrado, tendo-se estreado na equipa principal com apenas 17 anos, o que lhe permite somar, até ao momento, perto de 130 jogos na principal Liga sérvia. Talento puro, foi obrigado, por imperativos tácticos, a jogar um pouco mais recuado do que gosta, mas trata-se de um jogador que sabe organizar jogo, mostrando boa visão de jogo e facilidade de passe, ainda que se sinta mais à vontade quando actua livre, mais próximo do(s) avançado(s), de forma a retirar o máximo do seu elevado potencial técnico e da facilidade de remate. Para chegar a um patamar superior, necessita de ganhar maior consistência exibicional, já que desaparece com facilidade dos jogos, e também trabalhar um pouco em prol do colectivo, nomeadamente em acções de recuperação, para as quais não se mostra talhado.

Stefan Babovic Stefan Babovic (Sérvia) – Conhecido na Sérvia por “Messi”, tem 20 anos, 1.76/62, e deslumbrou, na última temporada, ao serviço do OFK Belgrado, apontando 6 golos em 27 jogos, depois de se ter estreado como profissional ao serviço do Partizan, que o lançou na primeira equipa com apenas 17 anos. Jogador polivalente de características ofensivas, sente-se mais à vontade a actuar como médio ofensivo ou segundo avançado, destacando-se por possuir um pé esquerdo maravilhoso, capaz de criar inúmeros desequilíbrios, pois sabe aliar velocidade a uma excelente capacidade técnica e de drible. Muito interessante também na condução de jogo ofensivo, alia uma boa visão de jogo a capacidade de passe, que lhe permitem fazer várias assistências para finalizações, como também evidencia um grande engodo pela baliza adversária, ainda que, em algumas situações, exagere em iniciativas individuais, faltando-lhe um maior sentido colectivo e maior capacidade física, já que é algo leve e sente algumas dificuldades a cumprir os 90 minutos. É apontado como potencial reforço de várias equipas da principal Liga espanhola.

Riccardo Montolivo Riccardo Montolivo (Itália) – Médio ofensivo da Fiorentina, onde foi utilizado com regularidade na última época, foi revelado pela Atalanta, então na Série B, com apenas 18 anos. Capaz de desempenhar também as funções de médio centro ou interior esquerdo ofensivo, tem 22 anos, 1.81/65. É um jogador de talento inegável, comparado pela imprensa italiana a Andrea Pirlo, com um belíssimo pé direito, mas que prima pela irregularidade e pela incapacidade que demonstra em assumir o jogo de forma constante, pois eclipsa-se das partidas com demasiada facilidade. Bem dotado do ponto de vista técnico e com grande facilidade de drible, cria desequilíbrios no um para um, para além de possuir uma muito boa capacidade de passe, que lhe permite fazer várias assistências para finalização, como também um bom remate de fora da área, ainda que possa tornar-se mais acutilante sobre esse ponto de vista. Falta-lhe alguma agressividade, assim como ganhar uma maior cultura táctica e percepção das acções defensivas, onde se mostra pouco consistente, recorrendo, muitas vezes, a faltas para travar os adversários.

Martin Fillo Martin Fillo (República Checa) – Médio ofensivo, actua preferencialmente sobre os flancos, quer à esquerda, quer à direita, mas pode também desempenhar funções de médio ofensivo ou segundo avançado. Revelação da última Liga checa, onde, ao serviço do Viktoria Plzen, apontou 7 golos em 28 jogos, esperava-se que jogasse mais no Europeu de Esperanças, o que não aconteceu, pois apenas foi titular diante da Sérvia. No entanto, mostrou predicados que o confirmam como uma das grandes promessas do futebol checo. Tem 21 anos, 1.77-68. Trata-se de um jogador criativo, que consegue aliar a sua capacidade técnica individual a velocidade e a mobilidade, que lhe permitem criar desequilíbrios no um para um. Ao seu jogo falta, no entanto, um pouco mais de maturidade, pois, em algumas ocasiões, tende a individualizar de forma excessiva as jogadas, perdendo objectividade. Mostra um potencial bastante interessante a nível do passe e dos cruzamentos, como também engodo pela baliza adversária, utilizando preferencialmente o pé direito, mas o pé esquerdo não é cego.

Roysthon Drenthe

Roysthon Drenthe (Holanda) – A maior estrela do Europeu de Esperanças 2007. Jogador capaz de fazer qualquer posição sobre a ala esquerda, foi a revelação da paupérrima época do Feyenoord, onde se assumiu como titular, abrindo-lhe as portas da Selecção de Esperanças. 20 anos, 1.82-78, está talhado para voos mais altos, e o seu futuro próximo passará por um dos grandes do futebol europeu. Muito rápido e potente, com estonteantes mudanças de velocidade, consegue aliar a esses atributos uma técnica individual e um poder de drible bastante acima da média, que o tornam num jogador capaz de criar inúmeros desequilíbrios, sobretudo em espaços largos, não mostrando qualquer receio em partir para cima dos adversários. Possuidor de um remate forte de pé esquerdo, tanto em bola corrida, como em bola parada, onde pode trabalhar mais o enquadramento com a baliza. É, também, extremamente eficaz nos cruzamentos, um dos pontos mais fortes do seu jogo, tanto em acções de bola corrida como em pontapés de canto ou livres laterais, dando grandes efeitos à bola e mostrando facilidade em encontrar o seu destinatário. Do ponto de vista defensivo é um jogador também eficaz, fazendo-se valer da sua excelente condição física e capacidade de pressão, conseguindo recuperações, quer em lances de confronto físico, quer a jogar na antecipação, onde mostra saber tirar partido da forma veloz e, por vezes, demasiado agressiva com que ataca a bola.

Ryan Babel Ryan Babel (Holanda) – Esperava-se um pouco mais, é certo, de um dos jogadores mais desejados do “mercado” Europeu, mas acabou por fazer uma competição em crescendo, marcando na final. Avançado móvel, capaz de actuar no centro, mas com predilecção pelas alas e pelas movimentações em diagonal, tem 20 anos, 1.84/79, e joga, com regularidade, no Ajax já há três temporadas, mas apenas apontou 14 golos em 73 jogos. É um jogador que se destaca pelo físico que possui, protegendo a bola de forma inteligente e mostrando-se forte no corpo a corpo, quer de costas para a baliza, quer em movimentações com bola, onde sabe também tirar partido da sua agilidade e fácil capacidade de rotação. Muito rápido e com capacidade de aceleração, torna-se num jogador muito potente nos últimos 30 metros, evidenciando também uma capacidade técnica interessante, ainda que necessite de aprimorar o seu jogo sem bola, aspecto em que revela algumas lacunas. Falta-lhe também melhorar o enquadramento do remate, pois é muito perdulário, isto apesar de possuir um remate violento de pé direito e de ter um grande engodo pela baliza adversária.

Giuseppe Rossi Giuseppe Rossi (Itália) – Apontado, há algumas semanas, como possível reforço do FC Porto, na sequência da transferência de Anderson para o Manchester United, clube que detém o seu passe, e o emprestou, em Janeiro passado, ao Parma, onde apontou 9 golos em 19 partidas, depois de uma curta passagem, sem grande sucesso, pelo Newcastle United. Jogador de 20 anos, 1.75/73, actua preferencialmente como avançado móvel nas costas de um avançado mais fixo ou sobre as alas, preferencialmente à esquerda, até porque se trata de um canhoto. Muito rápido e extremamente móvel, trata-se de um jogador eléctrico, que parte sem qualquer tipo de receio para cima dos adversários, arriscando o um para um. Muito forte no drible, consegue utilizá-lo em progressão, pois tira partido da sua impressionante capacidade de aceleração e para mudar ritmos, características que também utiliza em movimentos de desmarcação sem bola. Mostra também facilidade no remate, ainda que possa melhorar o enquadramento. O seu ponto mais fraco é alguma fragilidade do ponto de vista físico, que o deixa em desvantagem em lances de corpo a corpo, como também o seu carácter algo intempestivo, necessitando de ganhar um pouco mais de calma.

Ben Sahar Ben Sahar (Israel) – A maior promessa do futebol israelita, de apenas 17 anos, 1.80/72, mas já internacional A, foi contratado, há um ano, pelo Chelsea ao Hapoel Tel Aviv, tendo tido a oportunidade de realizar 3 jogos na Premier League na última temporada. Havia expectativas elevadas sobre a sua participação no Europeu de Esperanças, mas mesmo não tendo desiludido, não marcou de forma vincada a diferença. Avançado bem dotado do ponto de vista físico, mas com algumas dificuldades em aguentar os 90 minutos, apesar da sua juventude sabe movimentar-se muito bem, tanto na área, como em espaços exteriores, rompendo bem de trás para a frente como também a partir das alas, de forma a tirar partido da sua velocidade e capacidade técnica, que lhe permitem criar muitos desequilíbrios no um para um, até porque é capaz de apontamentos brilhantes e de driblar em progressão. Mostra facilidade no remate com os pés – o direito é o mais forte, mas também utiliza, com facilidade o esquerdo -, assim como capacidade de enquadramento, pecando por alguns excessos de individualismo nas suas acções.

Leroy Lita Leroy Lita (Inglaterra) – Avançado explosivo, de 22 anos, 1.75/70, nasceu no Congo, mas rumou jovem ao Chelsea, onde realizou parte da sua formação, antes de rumar ao Bristol City, clube em que se estreou como profissional aos 17 anos. Actua, preferencialmente, como avançado móvel, o que lhe permite derivar, várias vezes, para as alas, de forma a romper em diagonais, com e sem bola, em direcção à área. Apesar de não se tratar de um avançado que se destaque pela imponência física, sabe chocar com os defesas adversários e “esconder” a bola, mostrando-se muito rápido a movimentar-se e a desmarcar-se, aparecendo com facilidade em posições de remate, tirando partido da sua boa capacidade de antecipação, ainda que necessite de ganhar uma maior frieza no momento da finalização, pois apesar de ter apontado 3 golos na Competição, desperdiçou oportunidades claras para marcar, pelo menos, mais 3. Possui também atributos de ordem técnica, mas deve melhorar a sua capacidade para receber e controlar a bola, sobretudo em movimento.

Kevin Mirallas Kevin Mirallas (Bélgica) – Avançado, de apenas 19 anos, 1.79/68, cedo rumou ao futebol francês, onde, com apenas 16 anos, se estreou na equipa sénior do Lille, onde ainda não se conseguiu impor como titular, apesar de vir a jogar, época após época, com mais regularidade. Trata-se de um avançado móvel, que tanto pode actuar fixo na área, mas que gosta, sobretudo, de ter liberdade para procurar outros espaços, de forma a tirar partido da sua velocidade e mobilidade para aparecer também sobre os flancos ou a sair dos flancos para o meio. Está sempre em movimento e a procurar desmarcações, destacando-se, em zona de finalização, pela sua capacidade para ganhar posição aos defesas, rematando com facilidade, ainda que possa melhorar a definição. Tecnicamente não é brilhante, mas possui atributos, que o ajudam a criar desequilíbrios nos últimos 25-30 metros, quer em acções de ruptura, quer em movimentos curtos sobre os defesas.

Maceo Rigters Maceo Rigters (Holanda) – Avançado, de 23 anos, protagonista de uma época sem grande brilhantismo no NAC, onde apontou 3 golos em 32 jogos, destacou-se no Europeu de Esperanças ao sagrar-se melhor marcador da Competição com 4 golos, apenas não marcando no jogo de estreia diante de Israel. Não é um avançado brilhante, mas trata-se de um jogador muito lutador, que ataca todas as bolas e não desiste de nenhum lance, tirando também partido da sua velocidade e mobilidade, para procurar permanentes movimentações e desmarcações entre os defesas adversários, evidenciando grande facilidade em ganhar posição aos adversários. Do ponto de vista técnico evidencia algumas carências, que deverão ser limadas, para poder vingar noutro patamar, mas o Europeu deve-lhe abrir as portas de um clube mais ambicioso, ele que, curiosamente, foi formado nas escolas do Ajax, mas dispensado no final da etapa de formação.

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Destino Uruguai
segunda-feira, 11 junho 2007

Chegou ao fim a longa temporada 2006/07 da Liga uruguaia com o Danúbio, de Montevideu, a sagrar-se Campeão Uruguaio, juntando o Título de Clausura, após uma final disputadíssima e só decidida após o desempate por grandes penalidade diante do Peñarol, ao título de Apertura, conquistado, com maior facilidade, em Dezembro passado. Contudo, a temporada só terminou após a "Copa Artigas", que define as equipas que representarão o Uruguai na Copa Sul-Americana 2007 e na Libertadores 2008: Nacional e Montevideo Wanderers acabaram por alcançar a desejada presença na Libertadores, enquanto que Danúbio e Defensor Sporting competirão no segundo semestre deste ano a nível internacional na Copa Sul-Americana.

AS FIGURAS DA LIGA URUGUAIA 2006/07:

Walter Gargano

Walter Gargano, jovem médio de 22 anos, foi uma das referências do campeão Danúbio. Presença regular na formação principal desde 2004, soma já mais de 100 jogos na Liga principal, para além de ser internacional A uruguaio. Jogador de baixa estatura - 1.68 - compensa essa limitação com uma entrega total ao jogo, que lhe vale a alcunha de "Mota", pois é extremamente rápido e muito pressionante, aparecendo em todo o lado. É um médio completo, que ocupa, por norma, uma posição central, quer mais fixo, quer mais móvel, destacando-se não só pela eficiência em acções de recuperação, sobretudo pelo chão, como também pela capacidade que possui para conduzir e entregar jogo, aliando uma boa visão de jogo a qualidade no passe, para além de possuir uma técnica individual interessante. Um jogador de alta rotação que, ao que tudo indica, terá como destino o Calcio.

Jadson Vieira

Jadson Vieira, defesa-central, de 25 anos, é o líder do sector defensivo do campeão Danúbio, como também o capitão de equipa. Brasileiro do Rio Grande Sul acabou por fazer carreira no Uruguai, ingressando bastante jovem no Danúbio, clube que representa, como sénior, desde 2001, com uma pequena interrupção, de seis meses, entre Julho e Dezembro de 2005, em que jogou no Atlante, do México. Conhecido por "Xerife", com um físico impressionante - 1.92/86 -, destaca-se por ser um central muito forte no corpo a corpo, com bom poder de desarme e extremamente eficaz no jogo aéreo, não só em acções defensivas, como também em lances ofensivos, onde conquista várias bolas na sequência de lances de bola parada. Apesar de, normalmente, utilizar processos simples e práticos, jogando feio quando tem que o fazer, sabe sair a jogar e assumir uma primeira fase de condução ofensiva, mostrando soluções a nível do passe, normalmente curto, mas também no longo, quando procura um futebol mais directo, sobretudo em direcção aos avançados. Sem passado no seu País de origem, tem em carteira propostas de Flamengo e Corinthians, que o terão observado durante o primeiro semestre de 2007, mas é possível que o seu futuro passe pelo futebol argentino, de onde tem recebido várias propostas.

Ignacio González

Ignacio González, médio ofensivo, de 25 anos, é o médio criativo do campeão Danúbio, único clube que representou enquanto sénior. Internacional uruguaio, afirmou-se como uma das principais "estrelas" da competição, ao apontar 13 golos em 25 jogos, que lhe deram o 3º lugar entre os melhores marcadores, para além de ter sido o goleador-mor do campeão. Também conhecido por "Nacho", é um jogador criativo, que assume as funções de "nº10", mas que também gosta de cair para os flancos. Destaca-se por possuir uma capacidade técnica acima da média, que lhe permite criar desequilíbrios no um para um, mas que também alia a talento na condução e distribuição de jogo, mostrando-se eficaz no passe, o que lhe permite fazer várias assistências para golo. Contudo, mostra também dotes como goleador, como confirmam os seus 37 golos em 135 jogos na Liga, pois mostra-se particularmente forte em remates de fora da área ou à entrada desta, quer de pé direito, quer de pé esquerdo, para além de ser um bom marcador de lances de bola parada. Peca, contudo, em dois aspectos: é algo irregular, desaparecendo com alguma facilidade dos jogos, sobretudo quando sofre uma marcação mais forte ; e tem "cabeça quente", como comprovam vários amarelos e 2 expulsões no primeiro semestre de 2007, algo que deverá rever.

Carlos Grosmüller

Carlos Grosmüller, médio centro, de 24 anos, acabou por revelar-se como a grande revelação do campeão Danúbio. Internacional uruguaio nos escalões inferiores sentiu algumas dificuldades para se impor no futebol profissional, nunca se afirmando como titular no seu clube. Esta temporada deu-se a explosão: "Goma", como também é conhecido, marcou 10 golos em 30 jogos, o que justificou chamadas recentes à selecção principal do Uruguai. Médio centro, pode desempenhar funções defensivas, mas mostra-se mais desenvolto a sair para acções ofensivas, funcionando como principal apoio de "Nacho" González. Jogador dinâmico e rompedor, movimenta-se muito bem em acções com e sem bola, aparecendo com facilidade em posições de finalização. Possui também atributos de ordem técnica, para além de revelar capacidade para impor ritmos e distribuir jogo de forma eficaz, pois é eficaz no passe. A sua boa campanha não passou ao lado de clubes europeus e o "salto" poderá acontecer a breve prazo.

Pablo Lima

Pablo Lima, lateral-esquerdo, de 26 anos, é outra das figuras de proa do campeão Danúbio. Internacional uruguaio, impôs-se como titular do clube com apenas 20 anos, e, até hoje, só não jogou por lesão, somando 13 golos em 179 partidas na principal Liga uruguaia. Curiosamente, começou o Apertura 2006 lesionado, mas assim que recuperou do problema físico voltou à titularidade e não mais a largou. Lateral ou volante esquerdo de elevada propensão ofensiva, faz todo o corredor com grande facilidade, evidenciando velocidade e facilidade em conduzir jogo pelo flanco, desmarcando-se bem em acções com e sem bola. Eficaz nos cruzamentos, saem dos seus pés várias assistências para finalizações, mas também se destaca por possuir um bom remate de pé esquerdo. Por isso mesmo, revela-se um jogador perigoso em lances de bola parada: marca bem livres directos, como também livres laterais. Do ponto de vista defensivo não é tão eficaz, dando algum espaço nas suas costas, mas devidamente posicionado revela-se um defensor agressivo e com capacidade de desarme.

Diego Godín

Diego Godín, defesa-central, de 21 anos, uma das confirmações da temporada, apesar da decepcionante campanha do Nacional na temporada regular. Contratado ao Cerro, clube pelo qual se estreou com apenas 17 anos, no Verão de 2006, pegou de estaca no Nacional e ganhou espaço na Selecção, onde é titular. Defesa central muito seguro, defende bem por baixo e por cima, já que alia capacidade para jogar na antecipação com um bom poder de desarme e extrema qualidade no futebol aéreo, não só em situação defensiva, como também nas subidas ao ataque na sequência de lances de bola parada. Talhado para voos mais altos, tem já "mercado" na Europa, devendo apenas moderar a, por vezes, excessiva contundência com que aborda alguns lances.

Martín Cáceres

Martín Cáceres, defesa-central, de apenas 19 anos, uma das maiores revelações da temporada, já que se afirmou como titular da defesa do Defensor Sporting, somando 4 golos em 24 jogos. Referência da selecção sub-20 uruguaia, já foi contratado pelo Villareal, que o deverá emprestar na próxima temporada de forma a competir com regularidade. Apesar de não se tratar de um jogador com grande presença física - 1.79/71 - destaca-se por ser um central muito rápido e extremamente contundente na abordagem aos lances, muito eficaz nos desarmes por baixo, mas também com qualidade no futebol aéreo, tirando partido de um bom poder de impulsão e tempo de salto, importantes também na abordagem de lances de bola para ofensivos. Também conhecido por "Pelado", revela qualidades a sair a jogar, assumindo, em várias ocasiões, a primeira fase de construção ofensiva. Tem todas as condições para ser um dos grandes centrais da América do Sul na próxima década e poderá ser observado no próximo Mundial sub-20, onde irá liderar o sector defensivo da selecção uruguaia.

Nicolás Vigneri

Nicolás Vigneri, avançado móvel, de 23 anos, melhor marcador do Peñarol, 2º classificado do Campeonato, com 13 golos. Considerado, por muitos, como o jogador mais rápido e explosivo da Liga, é um especialista em diagonais das alas para o meio, o que lhe permite enquadrar-se como avançado móvel em 4x4x2 ou como falso extremo em 4x3x3. Desequilibrador nato, sabe fazer uso da sua velocidade e capacidade de desmarcação para aparecer em posições de finalização. No entanto, o seu jogo peca por excessiva irregularidade, desaparecendo com facilidade dos jogos e passando por fases de altos e baixos ao longo da época. Tem sido esse o factor fundamental para impedir o "salto" para o futebol europeu, mas já está referenciado por vários clubes.

Jorge Martínez

Jorge Martínez, também conhecido por "Malaka" Martínez, médio ofensivo, de 24 anos, do Nacional. Internacional uruguaio, protagonista de uma temporada irregular, alternou momentos medíocres, que lhe custaram a perda da titularidade, com outros em que fez a diferença, acabando a temporada com 6 golos. É um médio ofensivo, que actua tanto pelo centro, a "10" ou 2º avançado, como também sobre as alas, preferencialmente a esquerda. É um jogador com grande capacidade de distribuição de jogo, muito eficaz no passe, mas também capaz de números técnicos de enorme qualidade, que lhe permitem criar inúmeros desequilíbrios no 1x1 e decidir jogos em lances individuais, já que não evidencia qualquer receio em partir para cima dos adversários. Peca, contudo, por exagerar em individualismos e por jogar muito para a bancada, para além de revelar a já citada irregularidade exibicional, adicionada a alguns problemas de ordem física, sentindo algumas dificuldades em cumprir os 90 minutos em jogos disputados a um ritmo mais intenso.

Alvaro González

Alvaro González, também conhecido por "Tata" González, de 22 anos, foi outro dos protagonistas da temporada, ao serviço do Defensor Sporting, único clube que representou até hoje, e que justificou a sua chamada à Selecção principal. Talhado para voos mais altos, deverá dar o "salto" em breve, pois trata-se de um jogador polivalente, que desempenha com eficácia diversas funções: a sua posição de origem é médio interior, mas pode também jogar como volante lateral ou ala por qualquer das alas ou em posições mais centrais, quer como médio centro, quer como médio ofensivo ou segundo avançado. Dotado de uma boa capacidade técnica, trata-se de um bom condutor de jogo e assume essa missão, quer sobre o flanco, quer em posições mais centrais. Muito dinâmico, revela predicados a nível do passe e dos cruzamentos, realizando várias assistências para finalizações, tanto em bola corrida, como em bola parada. Apesar de não se tratar de um finalizador nato, procura a baliza, sobretudo em remates de fora da área. Possui também alguma capacidade defensiva, que lhe permite participar em acções de recuperação, mas é um jogador mais talhado para atacar do que defender.

Diego de Souza

Diego de Souza, médio, de 23 anos, "motor" ofensivo do Defensor Sporting, 3º classificado da Liga uruguaia. Também conhecido por "Pepe", trata-se de um jogador de características ofensivas, que tanto joga entre o centro e a esquerda, em funções de interior ofensivo, como também pode actuar como médio centro ou médio ofensivo. Apesar de algo pesado, é um jogador que sabe impor ritmos, mostrando capacidade para conduzir e distribuir jogo no meio campo ofensivo. Dotado tecnicamente, com boa visão de jogo e qualidade de passe, consegue aliar capacidade para realizar assistência para finalizações com um bom remate, sobretudo de fora da área, em lances de bola corrida e bola parada. Apontou 7 golos na Liga e foi uma das principais figuras na boa campanha da sua equipa na Copa Libertadores, onde caiu nos quartos-de-final da competição diante do Grêmio de Porto Alegre.

Alvaro Fernández

Alvaro Fernández, médio, de 21 anos, revelação do Torneio Clausura 2007, já que foi contratado pelo Montevideo Wanderers, no início do ano, ao modesto Atenas de San Carlos. Também conhecido por ‘El Flaco’, trata-se de um médio multi-funções, que tanto pode desempenhar funções mais defensivas, pois é lutador e revela uma boa capacidade para recuperar bolas, como também pode actuar mais avançado, em posições mais interiores, pois sabe sair a jogar e projectar a equipa ofensivamente, mostrando capacidades no passe e também no remate de fora da área, que lhe valeram 2 golos no Clausura.

Cristhian Stuani

Cristhian Stuani, avançado, de 20 anos, da "cantera" do Danúbio, foi emprestado durante o primeiro semestre de 2007 ao Bella Vista, 5º classificado no Campeonato, onde apontou 12 golos em 14 jogos. Talento precoce, presença regular nas selecções inferiores uruguaias, estreou-se na equipa principal do Danúbio com apenas 17 anos, mas faltou-lhe continuidade, o que conduziu ao empréstimo. Avançado rápido e móvel, que gosta de aparecer sobre as alas ou de se movimentar em semi-diagonais em direcção à área, trata-se de um avançado difícil de marcar e com uma interessante capacidade técnica, que lhe permite criar desequilíbrios, em espaços curtos, no um para um. Oportuno, finaliza com facilidade com os pés, mostrando frieza nos lances de um para um com os guarda-redes, como também um bom disparo cruzado. O seu futuro passa pelo regresso ao Danúbio, mas se lhe forem concedidas as oportunidades que lhe faltaram, não deverá ficar muito tempo na Liga uruguaia.

Nicolás Schenone

Nicolás Schenone, médio centro, de 21 anos, terá sido a maior revelação dos clubes da metade baixa da classificação da Liga uruguaia. Praticamente desconhecido mesmo no Uruguai, foi descoberto na Liga Universitária, em 2005, pelo Miramar Misiones, e depois de uma primeira época sem grande brilhantismo, assumiu um papel de revelo na temporada 2006/07, marcando 4 golos em 24 jogos. Actua, preferencialmente, como médio centro defensivo, com funções no futebol europeu similares às de um segundo trinco, ainda que possa também desempenhar o papel de médio mais recuado. Bem constituído do ponto de vista físico, trata-se de um bom recuperador de bolas, com capacidade de desarme e de pressão, ainda que, algumas vezes, excessivamente faltoso. Sabe sair a jogar, mostrando potencial a nível do passe, aparecendo também com grande facilidade em posições de remate, arriscando finalizações de fora da área, pois possui um bom disparo de meia distância. Não deverá demorar muito a dar o "salto" para um clube com maiores ambições.

Aldo Díaz

Aldo Fabián Díaz, avançado, de 32 anos. Avançado com um bom registo de golos em equipas pequenas, alcançou, finalmente, a glória de ser o melhor marcador da Liga 2006/07, ao apontar 15 golos, que acabaram por se revelar decisivos para a campanha tranquila do modesto Tacuarembó FC. Jogador experiente, também conhecido por "Canário", destaca-se sobretudo por ser muito batalhador e pelo sentido de oportunidade dentro da área, mas não foi por acaso que a quase totalidade dos seus golos surgiu contra as equipas da metade baixa da classificação. 14 dos seus tentos resultaram de remates com os pés, sendo que dois destes foram de grande penalidade.

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Toulon 2007: 43 jogadores para o futuro
domingo, 10 junho 2007

Geoffrey Jourdren Geoffrey Jourdren (França) . O melhor guarda-redes de Toulon 2007. Durante grande parte da época suplente do Montpellier, acabou a temporada como titular do clube da Ligue 2, destronando Laurent Pionnier, o habitual titular, realizando 12 partidas, para além de se ter estreado na Selecção sub-21 francesa num particular diante da Suécia. Apesar de não espantar pelo físico – 1.81 / 73 -, o guardião de 21 anos mostra muita segurança entre postes, relevando muita agilidade e elasticidade, que lhe permite controlar toda a baliza, protagonizando algumas defesas de excelente nível. Fora dos postes destaca-se mais nas saídas por baixo, pois é rápido e decidido a sair aos pés dos adversários, podendo trabalhar mais as saídas por alto, onde é capaz de boas intervenções, tirando partido de um bom tempo de saída, mas poderá ganhar maior consistência, sobretudo em intervenções fora da pequena área.

Benoît Costil Benoît Costil (França) . Guarda-redes de 19 anos, 1.87 / 83, contratualmente ligado ao Caen, foi o suplente de Jourdren, mas teve a oportunidade de jogar como titular diante da Alemanha (vitória 4-1) e do Japão (vitória 5-1). Com um percurso largo nos escalões de formação do futebol francês, foi titular dos sub-15, sub-16, sub-17, sub-18 e sub-19, tendo vencido o Europeu de sub-17 em 2004, para além de ter sido considerado o melhor guarda-redes do Torneio de Elite da UEFA de sub-19 em 2006. A nível do clube, ainda não se impôs como titular, defendendo a baliza da formação secundária do Caen, pela qual se sagrou campeão francês da 5ªDivisão (CFA2) em 2006/07. Bem dotado do ponto de vista físico, Costil mostra à vontade entre postes, onde evidencia excelentes reflexos e firmeza a blocar a bola, com potencial nas saídas, tirando partido da sua altura e bom poder de impulsão para desfazer cruzamentos de forma eficaz.

Zheng Cheng (China) . Guardião do Wuhan Guanggu, completou 20 anos no passado mês de Janeiro. Não é um guardião regular, pois alterna boas intervenções com outras em que não é tão eficaz, mas mostra uma boa constituição física aliada a excelentes reflexos e agilidade, que lhe dão segurança entre postes, onde também se destaca a defender grandes penalidades, uma das suas especialidades. Fora dos postes é menos seguro, necessitando de ganhar uma maior consistência, sobretudo nas saídas pelo ar fora da pequena área.

Mário Felgueiras Mário Felgueiras (Portugal) . Guarda-redes de 20 anos, 1.84 / 78, ainda contratualmente ligado ao Sporting, esteve emprestado nas duas últimas temporadas ao Sp. Espinho, onde, na última época, alternou a titularidade com o banco dos suplentes, somando, até ao momento, quatro dezenas de jogos na 2ªDivisão portuguesa. Apresenta uma assinalável segurança e confiança para um guardião jovem, evidenciando muita frieza entre os postes: é ágil, tem bons reflexos, elasticidade e sabe-se posicionar, protagonizando alguns voos felinos. Fora dos postes, também revela qualidades, quer nas saídas por baixo, quer nas saídas por alto, mostrando um bom controlo do espaço aéreo, assim como um bom tempo de saída aos lances. Denotam-se-lhe, principalmente, três defeitos: nem sempre se mostra concentrado, o que lhe custa alguns dissabores em lances aparentemente fáceis ; revela, por vezes, excesso de confiança nas decisões, sobretudo nas saídas por alto ; e, por fim, apresenta algumas deficiências a jogar com os pés, situação em que tem vindo a assinalar progressos. Ao invés, tem um bom jogo de mãos, colocando com facilidade a bola a longa distância, o que o torna num elemento importante no lançamento de contra-ataques.

Luís Mano Luís Mendes ‘Mano’ (Portugal) . Jogador polivalente, de 20 anos, presença regular nas selecções mais jovens, já com duas internacionalizações pelos sub-21, ainda não se conseguiu impor no Belenenses, tendo apenas realizado 4 jogos na Liga portuguesa. Actua tanto como médio interior como a lateral-direito, mas foi nesta última posição que se destacou em Toulon. Muito forte do ponto de vista defensivo, mostrou-se difícil de superar no um para um aberto sobre a faixa, aliando capacidade de pressão com um bom poder de desarme e facilidade em jogar na antecipação. Menos talhado para defender espaços centrais, fez-se valer de um bom sentido posicional e táctico para ganhar a frente ao adversário em acções interiores. Do ponto de vista ofensivo destacou-se menos, apenas subindo pelo seguro. Contudo, mostrou-se muito veloz e com capacidade para conduzir jogo pelo flanco e procurar a baliza adversária em remates de fora da área, mas poderá melhorar a eficácia a nível do passe e dos cruzamentos, onde necessita de ser mais incisivo.

Yassin Moutaouakil Yassin Moutaouakil (França) . Lateral-direito, de 20 anos, 1.80 / 73, é, desde há três épocas, utilizado de forma irregular no Châteauroux, da Ligue 2 francesa, onde ainda não se conseguiu impor como titular, apesar de já se ter estreado pela selecção sub-21 francesa. Trata-se de um jogador ainda por lapidar, capaz do melhor e do pior, necessitando de ganhar outra consistência e irregularidade, para fazer explodir, de forma definitiva, o seu potencial, aparentemente pouco trabalhado. Bem constituído do ponto de vista físico, mostra-se forte nas lutas corpo a corpo, para além de possuir um bom poder de desarme e de ser rápido a atacar a bola. Deve, no entanto, moderar alguns ímpetos excessivamente agressivos, que lhe custam alguns cartões, como também afinar melhor o tempo de entrada aos lances e o seu jogo posicional, nomeadamente a defender posições interiores. Do ponto de vista ofensivo gosta de arriscar, tirando partido da sua velocidade e capacidade física, mas deve trabalhar mais a capacidade de passe e de cruzamento, aspectos em que mostra alguma inconsistência.

Bai Lei (China) . Lateral-direito, de 20 anos, actua no Jilin. Uma das revelações da selecção chinesa, destacou-se, sobretudo, pela capacidade defensiva, dando consistência ao sector recuado. Bom marcador, revelou predicados a defender posições interiores e exteriores, tirando partido de um bom sentido posicional, como também de uma boa capacidade no desarme e, sobretudo, para jogar na antecipação, pois mostrou-se rápido e decidido a atacar a bola, ganhando a frente aos adversários. Do ponto de vista ofensivo arriscou muito pouco: quando o fez, mostrou velocidade, mas faltou-lhe agressividade para romper pelo meio-campo adversário, não se destacando no capítulo do passe e dos cruzamentos.

Mohamed Chakouri Mohamed Chakouri (França) . Defesa-central, de 21 anos, 1.81 / 73, actua no Montpellier, na Ligue 2 francesa, onde ainda não se conseguiu impor como titular absoluto no seu clube, mas, de época para época, tem vindo a ser chamado com maior regularidade à equipa principal, somando, até ao momento, 4 golos em 49 jogos, ao longo de três temporadas. Com um bom percurso nas selecções jovens francesas, destacou-se ao conquistar o Europeu de Sub-19 em 2005, numa competição onde fez dupla com Younes Kaboul, defesa do Auxerre, que deverá transferir-se para a Premier League este Verão. Defesa-central, habitualmente pela direita, destaca-se por ser muito forte do ponto de vista físico, ainda que não se trate de um central de grande envergadura, impondo-se, por norma, sobre os avançado, nos lances corpo a corpo, aliando uma boa capacidade de desarme, quer pelo chão, quer pelo ar, com um muito bom poder de antecipação, já que é um central rápido, que ganha a posição e a frente aos adversários, cortando linhas de passe. Poderoso no jogo aéreo, onde consegue aliar a sua altura a um bom poder de impulsão e a um excelente tempo de salto, revela-se eficaz no controlo do espaço aéreo defensivo e perigoso na subida ao ataque em lances de bola parada, atacando muito bem o primeiro poste, tirando partido do seu poder de antecipação sobre os defesas adversários. Rápido e agressivo a atacar a bola, pode, contudo, melhorar o tempo de entrada a alguns lances, já que, por vezes, comete algumas faltas, que lhe custam cartões amarelos, por excesso de ímpeto e contundência na abordagem aos lances. Extremamente pressionante, não raras vezes acompanha os avançados nas suas deslocações a espaços exteriores, procurando sempre fechar espaços e recuperar a bola. Do ponto de vista técnico, apesar de revelar facilidade no controlo de bola, não revela grandes atributos, jogando de forma prática e simples.

Gregory van der Wiel Gregory van der Wiel (Holanda) . Defesa-central ou libero, de 19 anos, 1.72 / 69, actua no Ajax, tendo já feito 4 jogos pela equipa principal em 2006/07. A sua baixa estatura apresenta-se como o principal óbice a uma afirmação absoluta na sua posição, já que desaconselha a sua utilização numa defesa tradicional a quatro, o que poderá levar a que no futuro seja enquadrado na zona central do terreno. Apesar de destro, joga com facilidade com os dois pés, mostrando uma capacidade técnica invulgar num jogador da sua posição, para além de uma grande frieza e segurança nas suas acções, saindo a jogar com grande facilidade, o que faz com que assuma, de forma regular, a primeira fase de construção do jogo da sua equipa. Muito eficaz no passe e com excelente visão de jogo, mostra facilidade no passe curto e médio, para além de potencial no passe longo, sobretudo em direcção às alas. Do ponto de vista defensivo, fruto da sua baixa estatura, sente algumas dificuldades no choque e no jogo aéreo em lances divididos, destacando-se mais pelo seu excelente jogo posicional e velocidade, ganhando vários lances na antecipação. Pressionante e inteligente, sai com facilidade de posição, mostrando grande à vontade a efectuar dobras.

Vasco Fernandes Vasco Fernandes (Portugal) . Defesa-central, de 20 anos, 1.81 / 74, regressou este ano ao Olhanense, após uma época na formação secundária do Bordéus. Fez uma boa época na Liga de Honra somando 25 jogos, que, juntamente com a sua boa participação em Toulon, lhe deverão valer nova experiência no estrangeiro, até porque estiveram emissários de clubes espanhóis e franceses a observá-lo durante a competição. Com alguns traços – físicos e no estilo de jogo – similares aos de Jorge Andrade, destaca-se por ser um central rápido e muito forte a jogar na antecipação, que ganha facilmente a posição aos adversários. Necessita, contudo, de se tornar mais consistente nas disputas de bola corpo a corpo, onde se revela, por vezes, excessivamente faltoso, mas mostra facilidade no desarme, tanto pelo chão, como pelo ar. Agressivo do ponto de vista ofensivo, tem um potencial técnico interessante, que lhe permite sair a jogar com facilidade, mas deverá resfriar um pouco os ânimos, já que sai de posição com facilidade. Bastante razoável no passe, poderá melhorar a sua eficácia no longo, já que o utiliza em várias ocasiões.

Mohammed West Yahaya (Gana) . Defesa-central ou trinco, de 19 anos, 1.79 / 77, pertence aos quadros do Tema Youth, 9º classificado da Premier League ganesa em 2006/07. Apontado como potencial reforço do Vitória de Guimarães, que o terá observado durante a competição, as suas boas exibições despertaram também o interesse de clubes franceses na sua aquisição. Apesar de não revelar uma envergadura física de monta, é um jogador muito forte no choque, muito forte em acções de marcação, tanto na zona central da defesa como a meio-campo. Forte no jogo aéreo, tirando partido de um bom poder de impulsão e tempo de salto, revela facilidade tanto no desarme como a jogar na antecipação, ainda que possa melhorar o tempo de entrada aos lances, já que se mostra, em algumas ocasiões, extremamente contundente na abordagem aos lances, tornando-se algo duro e faltoso. Com uma boa capacidade posicional, parece conhecer bem os terrenos que pisa, podendo ainda crescer a nível das saídas para jogo, onde lhe falta algum trabalho específico, o que acaba por afectar a sua consistência nesse item.

Nuno André Coelho Nuno André Coelho (Portugal) . Defesa-central, de 22 anos, 1.90 / 78, teve uma passagem discreta pelo Standard Liège, por empréstimo do FC Porto, em 2006/07, onde efectuou 10 jogos na Liga e 2 na eliminatória de acesso à Liga dos Campeões, diante do Steaua Bucareste. Depois de uma boa presença na edição passada de Toulon, onde fez uma excelente dupla com Manuel da Costa, este ano voltou a estar num plano muito interessante, ainda que tenha acusado um pouco a falta de ritmo de uma época com pouca competição. Bem constituído do ponto de vista físico e bastante alto, mostra-se forte no futebol aéreo, tanto em situação defensiva como na sequência de lances de bola parada ofensivos, para além de possuir uma boa capacidade de desarme, impondo-se com naturalidade no confronto físico, para além de ser rápido e agressivo a atacar a bola. Do ponto de vista técnico não arrisca muito, optando, muitas vezes, por processos simples e práticos, mas poderá melhorar a eficácia no controlo de bola.

Yohei Fukumoto Yohei Fukumoto (Japão) . Capitão da selecção japonesa, de apenas 20 anos, 1.81 / 68, actua como defesa-central, representando o Oita Trinita, da J League, onde ainda não se impôs como titular, mas que já lhe permitiu fazer mais de uma vintena de jogos no principal campeonato do seu País. É um defesa inteligente, com capacidade de liderança e que sabe liderar o seu sector defensivo, corrigindo posicionamentos e dando instruções aos colegas. O seu ponto forte é o jogo posicional, que lhe permite cortar linhas de passe e dobrar os colegas com grande facilidade, mas, quando necessário, assume funções de marcação, ainda que lhe falte alguma contundência na abordagem aos lances e no confronto físico, jogando com “pezinhos de lã”. Do ponto de vista técnico apresenta alguns argumentos, mas não gosta de arriscar e utiliza, por norma, processos simples. Ainda assim, é eficaz no passe curto e médio.

Zié Diabaté Zié Diabaté (Costa do Marfim) . Jovem de apenas 18 anos, que marcou presença no Mundial sub-17 de 2005, actua no IFER da Costa do Marfim. Apesar de actuar habitualmente como central pela esquerda, o facto de ser canhoto, permite-lhe também ser adaptado à lateral. Forte do ponto de vista físico, não teme o choque, mostrando-se forte em acções de marcação, aliando um bom poder de desarme a uma boa capacidade para atacar a bola em antecipação, ainda que necessite de melhorar o tempo de entrada aos lances, pois é, em algumas situações, demasiado contundente. É rápido e sabe sair a jogar, mostrando uma capacidade técnica interessante, que lhe permite assumir a primeira fase de construção de jogo ofensivo da equipa. Contudo, faltam-lhe argumentos em termos tácticos e posicionais, saindo de posição com muita facilidade, aspecto que terá que rever para atingir outro patamar. Por vezes, abusa num futebol mais directo, em que procura servir os avançados através de passes longos, necessitando de se conter um pouco mais a esse nível.

Thomas Mangani Thomas Mangani (França) . O melhor lateral-esquerdo de Toulon 2007, trata-se de um jogador com mais de 60 internacionalizações pelos escalões de formação do futebol francês, que representou nos sub-13, sub-15, sub-16, sub-17, sub-18 e sub-21, tendo-se destacado ao conquistar o Europeu de sub-17 em 2004, ao lado de vários colegas que marcaram presença em Toulon. Formando nas escolas do Mónaco, que o descobriu no Avignon, onde jogou ao lado de Samir Nasri, iniciou a carreira como defesa-central, mas acabou por ser adaptado à lateral-esquerda com sucesso. Tem 20 anos, 1.82 / 79, e na última época esteve emprestado ao Brest, da Ligue 2, onde teve pouco oportunidades: 13 jogos, 8 dos quais como titular. Lateral moderno, revela grande competência do ponto de vista defensivo, mas arrisca e cria desequilíbrios a nível ofensivo. Contudo, a sua maior preocupação é defender bem, não arriscando atrás, onde se revela prático, não temendo jogar feio quando necessário. Com forte capacidade de desarme, quer pelo chão, quer pelo ar, trata-se de um lateral marcador, que não concede espaços ao adversário directo, mostrando também um forte potencial a jogar na antecipação, cortando linhas de passe pelo chão e pelo ar. Dotado de um bom sentido posicional, revela-se eficaz na defesa de posições exteriores, como também a defender posições interiores, já que fruto da sua formação como central mostra um excelente domínio do jogo aéreo, acompanhando as deslocações dos alas para o centro ou funcionando como terceiro central quando necessário. Na defesa de posições exteriores revela-se duro e agressivo, por vezes até algo faltoso, apesar de se lhe denotar um óptimo tempo de entrada aos lances, mostrando também grande capacidade de pressão e de luta, sacrificando-se em prol do colectivo. Jogador rápido e com boas mudanças de velocidade, revela uma boa capacidade de desmarcação, sobretudo em acções sem bola, mas também com bola, já que é um muito razoável condutor de jogo ofensivo. Apesar de não ser brilhante tecnicamente, revela alguns bons apontamentos, mas o seu jogo ofensivo destaca-se mais pela força e pela velocidade que imprime sobre a faixa. Razoável no passe – é mais eficaz no curto, do que no médio e, sobretudo, no longo, onde necessita de trabalhar mais -, é um jogador que centra com facilidade, colocando a bola na área, saindo dos seus pés várias assistências para finalizações. Contudo, também neste pormenor poderá tornar-se mais consistente. É, também, um defesa com grande força de braços, mostrando-se perigoso a fazer lançamentos, já que coloca a bola a larga distância.

Pascal Bieler Pascal Bieler (Alemanha) . Lateral-esquerdo, de 21 anos, 1.81 / 73, pertence ao Hertha Berlim, onde ainda não teve oportunidade de se estrear pela primeira equipa, apesar de ser uma presença regular na equipa secundária desde 2003/04. Na última temporada foi emprestado ao Rot-Weiss Essen, realizando uma boa temporada na 2. Bundesliga, totalizando 33 jogos, todos como titular, que lhe permitem sonhar com voos mais altos na próxima época. Trata-se de um lateral de escola alemã, que se adapta com facilidade a esquemas de 4 defesas como também a sectores defensivos de 5, funcionando como volante lateral, fazendo todo o corredor. Bieler defende bem, tanto fora – onde é melhor – como dentro, mostrando agressividade e capacidade de desarme, tanto pelo chão como pelo ar. Com grande capacidade física, faz com facilidade todo o corredor, subindo e descendo com facilidade. Agressivo a atacar, sabe tirar partido da sua velocidade e sentido de desmarcação para progredir pela faixa, ainda que lhe falte alguma capacidade técnica para criar mais desequilíbrios no um para um. Com uma interessante capacidade de passe e nos cruzamentos, poderá, no entanto, tornar-se mais eficaz nesses itens.

Lorenzo Davids Lorenzo Davids (Holanda) . Irmão mais novo de Edgar Davids, tem 20 anos, 1.74 / 74, e actua no NEC Nijmegen, onde ainda não se conseguiu impor como titular, depois de ter feito a formação no Feyenoord, que não lhe deu oportunidades na equipa principal. Em Toulon, actuou como lateral-esquerdo, a posição onde mais gosta de actuar, mas pode desempenhar também as funções de médio-centro, interior esquerdo ou volante-médio ala esquerdo. Incansável do ponto de vista físico, corre os 90 minutos, subindo e descendo pela sua faixa, onde se mostra importante, tanto em acções defensivas, como também a atacar. Do ponto de vista defensivo defende bem posições exteriores, fazendo gala da sua agressividade e capacidade de pressão, para além da sua velocidade, o que faz com que seja difícil de bater no um para um. Necessita, contudo, de evoluir em termos tácticos e posicionais, pois sente algumas dificuldades em defender posições interiores, faltando-lhe também alguma capacidade no futebol aéreo. Do ponto de vista ofensivo, trata-se de um jogador agressivo, que ataca bastante e explora muito a faixa em acções com e sem bola. Rápido, potente e bem dotado do ponto de vista técnico, consegue criar desequilíbrios no um para um, mostrando também potencial no passe e nos cruzamentos, ainda que neste último item possa tornar-se mais consistente.

Tiago Gomes Tiago Gomes (Portugal) . Lateral-esquerdo, de 20 anos, 1.75 / 70, recuperou algum embalo em Toulon, depois de uma época muito fraca ao serviço do Estrela da Amadora, com o Ajax a mostrar-se interessado no seu concurso, numa altura em que parece certo que não fará parte dos planos do Benfica, com quem tem ainda contrato, para o futuro. Jogador “levezinho”, com claras limitações do ponto de vista físico, onde fica quase sempre a perder no choque, mostra-se sempre mais forte a atacar: é rápido, possui atributos de ordem técnica bastante interessantes e sabe conduzir jogo pelo flanco, evidenciando também alguma capacidade no passe e nos cruzamentos. Defensivamente irregular, concede espaços perigosos aos adversários, mas em Toulon esteve bastante razoável a defender posições exteriores, sobretudo em lances de um para um. No espaço interior sente dificuldades no jogo aéreo e deve melhorar o jogo posicional.

Youssouf Mulumbu Youssouf Mulumbu (França) . Natural de Kinshasa, capital do Congo, rumou bastante jovem a França, onde iniciou a carreira de futebolista no modesto Epinay sous Sénart, clube que lançou também os irmãos Jacques e Ricardo Faty – o último seu colega nesta selecção -, tendo sido descoberto por olheiros do Paris Saint Germain, onde chegou com 13 anos. Médio defensivo, de 20 anos, 1.77/65, já é conhecido em França como o “novo Makélélé”, devido às semelhanças físicas e no estilo de jogo com o jogador do Chelsea, tendo-se estreado, esta temporada, na equipa principal do PSG, actuando mesmo diante do Benfica, na Luz, partida em que foi expulso. Particularmente talhado para acções de recuperação, trata-se de um jogador evoluído em termos tácticos e posicionais, que se sabe colocar e faz, com grande eficácia, o trabalho “sujo” a meio campo, destruindo o jogo ofensivo do adversário e recuperando inúmeras bolas. Muito eficaz a nível do desarme, é mais forte pelo chão do que pelo ar, onde revela algumas dificuldades para se impor. Contudo, pelo chão sabe tirar partido da sua agilidade e da forma rápida e impetuosa com que ataca a bola, que lhe permitem também jogar com facilidade na antecipação, um dos pontos fortes do seu jogo, cortando linhas de passe. Em acções de construção utiliza processos simples e práticos, não complicando. Ágil, roda bem sobre os adversários, o que se revela importante, num primeiro movimento, de saída para o ataque, mas não gosta de ter muito tempo a bola nos pés, o que o leva a arriscar pouco em acções de construção, até porque não é muito evoluído tecnicamente. A nível do passe, opta, quase sempre, por curtos e médios para dar sequência às recuperações que efectua, lateralizando excessivamente em algumas situações. Necessita de trabalhar mais o passe longo, onde é pouco eficaz.

Mubarak Wakasu (Gana) . Médio centro ganês, de apenas 16 anos, actua no Ashanti Gold SC no seu país natal, que o descobriu, muito jovem, no Republican FC, clube de Tamale, a sua cidade natal. Fervoroso devoto de Alá, é uma presença regular na primeira equipa do AshGold, mostrando argumentos para dar o “salto”, em breve, para o futebol europeu, sabendo-se que o Tottenham é um dos clubes interessados na sua evolução. Médio de perfil misto, defende e ataca com facilidade, o que permite adaptá-lo, em caso de necessidade, a postos mais defensivos ou ofensivos a meio campo. Do ponto de vista defensivo destaca-se por ser forte fisicamente e pressionante, encurtando espaços aos adversários e recuperando bolas, fruto da sua boa capacidade de desarme e poder de antecipação, ainda que necessite de melhorar o tempo de entrada aos lances, já que abusa de jogo faltoso, o que lhe custa vários cartões. Rápido a sair para acções de ataque, assume a construção de jogo assim que recupera bolas, tirando partido do seu bom pé esquerdo. Com grande disponibilidade física, faz o vaivém defesa-ataque de forma incessante ao longo dos 90 minutos, mostrando uma boa técnica, como também qualidades no passe, que deverá refinar, sobretudo no que concerne a médio-longos.

Ricardo Faty Ricardo Faty (França) . Não atingiu o nível exibicional da edição passada, onde foi a figura-maior de Toulon 2006, acusando alguma falta de ritmo, que já evidenciara nos últimos jogos da Roma, aos quais foi chamado, sobretudo como suplente utilizado. Médio centro ou médio defensivo, também capaz de desempenhar funções de central ou interior, tem ainda 20 anos, 1.92 / 77, adapta-se com eficácia a acções de destruição ou de construção. Com uma agilidade pouco normal para um jogador da sua estatura, revela-se extremamente forte do ponto de vista físico, com uma energia inesgotável, que lhe permite correr os 90 minutos, e com grande capacidade de luta e trabalho a meio campo. Excelente recuperador de bolas, é um jogador com um enorme poder de desarme, quer pelo chão, quer pelo ar, com uma invulgar capacidade de pressão, já que parece estar em todo o lado, ocupando e encurtando muito bem os espaços, fruto de um excelente sentido posicional e táctico, que lhe permite também cortar muitas linhas de passe. Falta-lhe, contudo, moderar alguns ímpetos agressivos, já que é um jogador duro e algo faltoso, que não teme os lances divididos, atacando todos os lances com contundência. Muito rápido a atacar a bola, revela também um muito bom poder de antecipação, que contrasta com alguma lentidão, ainda que não excessiva, na recuperação no terreno. Extremamente forte no jogo aéreo, raramente perde um lance pelo ar, o que o torna também num jogador muito importante nos lances de bola parada, quer defensivos, quer ofensivos, já que conquista muitas bolas, ainda que raramente procure a baliza. Do ponto de vista ofensivo, assume a condução e distribuição de jogo assim que recupera uma bola, mostrando uma boa capacidade de movimentação e de condução de bola com o pé direito, ainda que possa utilizar processos mais simples, já que, em algumas situações, procura resolver tudo sozinho e complica, acabando desarmado. A nível do passe é algo irregular, sendo capaz de excelentes aberturas, através de passes curtos, médios ou longos (sobretudo variações de flanco), como também de falhar um passe simples ou exagerar em passes longos sem sentido. Integra com facilidade as manobras ofensivas e aparece em zonas próximas ou no interior da área, quer para participar em tabelas, uma das suas formas mais eficazes de progressão, quer para conquistar bolas para servir os avançados, faltando-lhe ganhar maior sentido de baliza e capacidade de remate.

Kevin-Prince Boateng Kevin-Prince Boateng (Alemanha) . Era, à partida, um dos jogadores sobre os quais recaiam mais olhares, com vários observadores de clubes ingleses, italianos e espanhóis interessados em seguir as suas prestações, mas uma lesão afastou-o, de forma prematura, de Toulon 2007. Médio defensivo ou médio centro, de 20 anos e origem familiar ganesa, 1.84 / 79, foi utilizado em 21 jogos na última Bundesliga pelo Hertha Berlim, aos quais juntou participações na Taça UEFA e na Selecção sub-21 alemã. Forte do ponto de vista defensivo, trata-se de um bom recuperador de bolas, com capacidade no desarme e nas lutas corpo a corpo, onde se impõe, sem grande dificuldade, fazendo uso do seu elevado poder físico. Contudo, revela-se excessivamente agressivo e contundente na abordagem a alguns lances, cometendo algumas faltas infantis, aspecto que terá que rever. A sua acção, no entanto, está longe de se cingir a aspectos defensivos: muito disponível do ponto de vista físico, corre os 90 minutos, mostrando grande à vontade nas saídas para o ataque, aliando velocidade e potência física a uma técnica individual interessante, que lhe permite criar desequilíbrios no um para um. Com alguma capacidade de passe, necessita de se tornar mais constante nesse prisma, já que tem uma certa tendência para precipitar-se, mas é capaz também de óptimas aberturas. Aparece com facilidade em posições de remate, mostrando um disparo potente, tanto na sequência de movimentações com bola como também sem bola.

Jeffrey Sarpong Jeffrey Sarpong (Holanda) . Médio centro, de 18 anos, 1.73 / 67, trabalha com o plantel principal do Ajax há duas épocas, depois de ter dados nas vistas nos escalões inferiores do clube e da selecção holandesa. Na última época, contudo, não efectuou qualquer partida pela equipa do Ajax, não dando sequência aos 9 jogos efectuados em 2005/06, 4 deles como titular. No entanto, nota-se um crescimento do jogador, muito provavelmente devido a trabalho específico realizado no laboratório (Ajax II), que o tornou num médio de perfil mais equilibrado, como notória evolução no capítulo defensivo. Está agora um jogador mais lutador e trabalhador, que pressiona os adversários e recupera bolas, ocupando melhor os espaços, mas que continua a revelar-se muito eficiente nas saídas para o ataque: rápido e ágil, roda bem sobre os adversários, possuindo uma boa técnica individual e uma boa visão de jogo, com argumentos a nível do passe, que lhe permitem assumir a condução e distribuição de jogo ofensivo, mostrando também argumentos no remate, sobretudo de fora da área, ainda que possa melhorar o enquadramento.

Wout Brama Wout Brama (Holanda) . Médio centro organizador, que pode também desempenhar as funções de médio interior, preferencialmente sobre a direita. Tem 20 anos, 1.70 / 65, e actua no FC Twente, da Eredivisie, onde esta temporada se revelou muito irregular, depois de ter sido uma das revelações da época 2005/06 do futebol holandês. Jogador inteligente e de bom toque de bola, destaca-se pela facilidade com que organiza e distribui jogo, tirando partido de uma boa capacidade no passe e de boa visão de jogo, com muito interessante leitura das desmarcações dos colegas e óptima selecção do tempo de passe. Tecnicamente dotado, apesar de destro, utiliza com facilidade o pé esquerdo, falta-lhe, contudo, explosão e velocidade para criar mais desequilíbrios no um para um, actuando, quase sempre, num registo mais pausado e em espaços curtos, o que faz com que apareça pouco em posições de remate. Do ponto de vista defensivo, apesar de uma interessante ocupação dos espaços, que lhe permite cortar linhas de passe, mostra-se pouco agressivo e pouco eficaz no desarme, para além de ser algo frágil no contacto corpo a corpo, ficando, por norma, a perder nas disputas de bola.

Eugen Polanski Eugen Polanski (Alemanha) . Médio centro, de origem polaca, de 21 anos, 1.83 / 74, é já uma presença regular na primeira equipa do Borussia Mönchengladbach, pela qual efectuou cerca de 50 jogos nas duas últimas épocas, para além de ser habitual titular da Selecção sub-21 germânica. Jogador de equipa, muito lutador, trabalhador e de grande capacidade física, evidencia uma muito boa colocação no terreno, que lhe permite cortar linhas de passe, mas também é eficiente em acções de desarme, sobretudo pelo chão, onde se mostra agressivo a atacar a bola, devendo melhorar o seu jogo aéreo, nomeadamente em lances divididos. Eficaz também nas saídas para acções ofensivas, assume a construção de jogo ofensivo quando é necessário, ainda que, quase sempre, num ritmo pausado, já que lhe falta velocidade e capacidade de aceleração com a bola nos pés. Destro, possui uma técnica individual muito boa, como também uma boa visão de jogo e capacidade de passe: mais forte no curto e médio, deverá ganhar maior acutilância no longo, sobretudo quando procura um jogo mais directo ou em direcção às faixas. Possui também um bom remate de fora da área, mas necessita de melhorar o enquadramento.

Chen Tao Chen Tao (China) . Médio ofensivo, de 22 anos, 1.78, actua no Changsha Ginde, clube da SuperLiga chinesa, onde é habitual titular, o que já justificou chamadas à selecção principal. Foi uma das figuras de Toulon 2007, ao apontar 2 golos e realizar 2 assistência para golo, o que comprovam a sua preponderância no jogo ofensivo da sua equipa, que conduziu à final da competição. Jogador sem capacidade defensiva, que não gosta de correr atrás da bola e não cumpre tarefas tácticas, trata-se de um “10” à moda antiga, totalmente virado para acções de ataque. Exímio na execução de lances de bola parada, marca-os todos, tanto directos – fortíssimo em livres em zonas próximas da área -, como indirectos, já que coloca a bola com grande facilidade na área, mostra-se também muito forte com a bola nos pés: possui uma capacidade técnica fantástica, escondendo a bola com grande facilidade, como também cria desequilíbrios no um para um, o que lhe permite ganhar muitas faltas em zonas próximas da área. Mostra talento no passe, não só curto, mas também médio-longo, saindo dos seus pés excelentes passes de ruptura ou aberturas para a desmarcação dos avançados.

Thierry Doubai Thierry Doubai (Costa do Marfim) . Médio ofensivo ou médio ala direito, pode também desempenhar funções de médio interior direito ou médio centro, de apenas 18 anos, 1.79/74, actua no Athletic Club d’Adjame, do seu país natal, mas mostrou talento para viajar, em breve, para o futebol europeu. Sem grandes argumentos de ordem táctica e posicional, pois não se mostra talhado para correr atrás da bola ou fechar espaços, trata-se de um jogador anárquico, e que, por isso mesmo, alterna momentos de grande fulgor, em que cria desequilíbrios, com outros em que desaparece do jogo e acaba por se esconder. Com a bola nos pés é um médio ofensivo muito interessante: muito rápido e com boa técnica, parte para cima dos adversários com facilidade e tem uma boa capacidade de drible, que lhe permite criar desequilíbrios num um para um, ainda que se exceda em iniciativas individuais, mostrando também talento no passe, sobretudo curto e médio, que lhe permite assumir a coordenação de acções de condução e distribuição de jogo, como também fazer assistências para acções de finalização com alguma facilidade. Aparece também com facilidade em posições de remate, na sequência de movimentos com e sem bola, mostrando um bom disparo de pé direito.

Ousmane Kader Touré (Costa do Marfim) . Extremo direito, de 20 anos, actua no EFYM, do seu país natal. Jogador extremamente rápido e de boa técnica, assume, com facilidade, a condução de jogo pelo flanco, mostrando-se talhado para actuar num 4x3x3. Forte no um para um, parte, com facilidade, para cima dos adversários, criando desequilíbrios, mostrando-se também forte nos auto-passes, de forma a tirar partido da sua capacidade de explosão e mudanças de velocidade, mas necessita de espaços para explanar melhor o seu futebol, o que o torna mais perigoso em contra-ataque do que em ataque continuado. Deverá trabalhar mais as diagonais, aspecto em que se pode revelar mais forte, pois tem tendência para jogar aberto sobre o flanco e para procurar a linha de fundo, evidenciando uma capacidade interessante para efectuar cruzamentos em direcção à área. Do ponto de vista defensivo é pouco cumpridor, já que não revela grande apetência para fechar as subidas dos laterais adversários.

Tim Vincken Tim Vincken (Holanda) . Extremo direito, de 20 anos, 1.74/65, foi utilizado, muitas vezes, como “arma-secreta” do Feyenoord ao longo da última temporada, somando 23 partidas na Eredivisie, 18 das quais como suplente utilizado. Com passado nas selecções inferiores holandesas, tinha muitos olhares sobre as suas prestações, mas acabou por revelar-se uma semi-desilusão, mostrando muita intermitência a nível exibicional: alguns momentos de fulgor alternados com largos períodos de distância em relação ao jogo. O ponto forte do seu jogo é a velocidade, mostrando uma impressionante capacidade de aceleração, mas nem sempre a utiliza da melhor forma, já que tem uma tendência para individualizar as acções, perdendo-se em fintas e adornos, acabando por ser desarmado, pois é extremamente frágil do ponto de vista físico. Com a bola nos pés ou em movimentos de desmarcação sem bola mostra uma tendência excessiva para procurar diagonais, raramente se mantendo aberto na ala, o que faz com que efectue poucos centros em direcção à área, aspecto em que terá que se tornar mais acutilante. Em zona de finalização, necessita de se revelar mais frio, mas aparece com facilidade para conclusões ao segundo poste. Pouco dado a correr atrás da bola, não mostra grande apetência para fechar as subidas dos laterais adversários.

Vieirinha Vieirinha (Portugal) . Extremo, de 21 anos, 1.73/73, sagrou-se campeão pelo FC Porto em 2006/07, efectuando 8 jogos na Liga, nenhum deles completo, já que foi apenas uma vez titular: na recepção ao Estrela da Amadora (derrota 0-1). Em Toulon, acusou um pouco a falta de ritmo, já que desde Fevereiro apenas realizara um jogo, mas mostrou, como é seu timbre, excelentes pormenores de ordem técnica, ainda que nem sempre consequentes, pois continua a revelar uma tendência excessiva para adornar os lances e individualizar as acções. Jogador rápido e de muito boa técnica, parte, sem receios, para cima dos adversários, criando inúmeros desequilíbrios no um para um, mostrando capacidade para conduzir jogo sobre o flanco, quer em direcção à linha de fundo, quer para romper em diagonais para o meio, para depois procurar finalizações com o pé direito, algumas delas de belíssimo efeito. Com potencial a nível do passe e dos cruzamentos, pode tornar-se mais constante nessas acções, mas dos seus pés saem várias assistências para finalizações. Algo limitado do ponto de vista físico, sente dificuldades no choque, saindo quase sempre a perder em lances divididos, para além de não revelar grande apetência para participar em acções defensivas, aspecto que deverá melhorar. Em 2007/08 deverá rodar num clube da Liga: Leixões e Vitória de Guimarães, curiosamente o clube onde se iniciou, parecem ser os melhores colocados para um eventual empréstimo.

Patrick Ebert Patrick Ebert (Alemanha) . Médio ala, actua preferencialmente aberto à esquerda, ainda que possa assumir idênticas funções à direita. Jogador de 20 anos, 1.75 / 72, é já presença habitual na primeira equipa do Hertha Berlim, tendo na última temporada apontado 2 golos em 19 partidas na Bundesliga. Muito bom condutor de jogo sobre o flanco, assume esse papel sem receios, aliando velocidade a uma capacidade técnica interessante, tirando partido de utilizar com facilidade os dois pés, o que lhe permite criar desequilíbrios no um para um, ainda que prefira progredir através de tabelas, de forma a tirar partido da sua capacidade de aceleração e bom poder de desmarcação. Forte no passe lateral, mostra-se também à vontade a fazer a bola circular para posições interiores, mais à base de toques curtos e médios, para além de ser muito eficiente nos cruzamentos, colocando a bola com grande facilidade na área. Possui um bom remate, tanto de dentro, como de fora da área, mostrando também um potencial interessante no futebol aéreo, mesmo não sendo muito alto. Com um “pulmão” inesgotável, corre os 90 minutos, ajudando também nos processos defensivos, fechando bem o seu flanco.

Bruno Gama Bruno Gama (Portugal) . Extremo, tanto pela esquerda, como pela direita, de 19 anos, 1.77 / 72, regressou na última época ao Sp. Braga, depois de dois anos no FC Porto, mas o seu rendimento ficou aquém das expectativas: apenas um jogo completo, em 5 como titular, e um golo diante do Slovan Liberec, em jogo a contar para a fase de grupos da Taça UEFA. Jogador de enorme talento, com uma capacidade técnica e de drible assinalável, capaz de decidir um jogo numa acção, peca por uma exasperante irregularidade, que faz com que desapareça com enorme facilidade dos jogos, para além de ter uma tendência excessiva para individualizar e adornar as suas acções, acabando por ser desarmado ou carregado em falta, pois é algo frágil do ponto de vista físico. Muito forte na execução de lances de bola parada, tanto directos – em zonas próximas da área, sobretudo descaídas para o centro/esquerda -, como indirectos, já que coloca a bola com grande facilidade na área, tratando-se de um jogador forte nos cruzamentos e nos passes, capaz de realizar várias assistências para finalizações. Com grande capacidade para conduzir jogo ofensivo sobre o flanco, sabe romper em diagonais da ala para o meio com a bola nos pés, aliando velocidade à sua capacidade técnica, mostrando facilidade de remate de pé direito, protagonizando remates de excelente execução, sobretudo ao poste mais distante.

Tsukasa Umesaki Tsukasa Umesaki (Japão). Médio ala esquerdo, de 20 anos, 1.67 / 64, já internacional A pelo Japão, pertence aos quadros do Oita Trinita – 3 golos em 28 jogos em pouco mais de um ano -, que o emprestou nos últimos cinco meses ao Grenoble, da Ligue 2 francesa, onde não se conseguiu impor. Foi o melhor jogador do Japão em Toulon 2007, destacando-se pela velocidade e capacidade técnica, que lhe permitiram criar desequilíbrios no um para um, tirando também partido do facto de usar os dois pés, em contraste com o físico franzino, a deixá-lo, quase sempre, em desvantagem, em situações de choque, mas que não o impede de ajudar em acções defensivas, fechando espaços e pressionando. Forte a assumir a condução de jogo pelo flanco, mostra inteligência na gestão do tempo do passe, o que lhe permite marcar os ritmos: sabe acelerar o jogo, sobretudo no lançamento de ataques rápidos ; como também sabe pausá-lo, fazendo a bola circular em ataque organizado. É, por isso, um jogador com grandes virtudes no passe, colocando, várias vezes, os avançados em posição de remate. Poderá tornar-se mais acutilante a nível do remate, não só em bola corrida, mas também em bola parada.

Alexandre Bonnet Alexandre Bonnet (França) . O melhor jogador de Toulon 2007. Médio ala ou extremo-esquerdo, de 20 anos, 1.73/65, foi descoberto por olheiros do Toulouse no Niort B, rumando ao clube da Ligue 1 no Verão de 2005, depois de ter ultrapassado um curto período experimental. No primeiro ano, apesar de ter trabalhado frequentemente com a equipa principal, foi utilizado na equipa secundária, sendo que na última época já mereceu oportunidades na primeira equipa, realizando 13 jogos na Liga e 2 na Taça da Liga – onde marcou um golo na vitória no terreno do Nantes, o que acabou por justificar chamadas à selecção sub-21 francesa, pela qual se estreou, em Novembro de 2006, marcando um golo na vitória na Suécia (4-2). Médio ala esquerdo de origem, pode também ser utilizado à direita ou mesmo em posições mais centrais, estando mais habituado a ser utilizado em esquemas de 4x4x2, mas pode ser também adaptado ao posto de extremo em 4x3x3. Trata-se de um desequilibrador nato, extremamente rápido, capaz de acelerar jogo, imprimindo ritmos fortes e muito boas mudanças de velocidade. Capaz de executar em velocidade, revela inúmeros predicados na condução de jogo ofensivo, normalmente aberto na ala, saindo rápido para acções de ataque, como também se revela um jogador que assume e procura jogo, estando constantemente em acção e em busca da bola. Dotado de um bom controlo de bola – recebe, sem dificuldades, de primeira – e muito bem dotado tecnicamente, é capaz de pormenores deliciosos, como também de criar desequilíbrios no um para um, partindo, sem receios, para cima dos adversários, revelando também qualidades no drible curto, que lhe permitem, ganhar espaço em progressão, como também conquistar várias faltas em zonas laterais, pois não é fácil travá-lo. Capaz de ganhar a linha de fundo inúmeras vezes ao longo do jogo, mostra também inteligência na exploração de diagonais da ala para o meio, em acções com e sem bola, abrindo espaços para combinações com o lateral, a quem abre espaço no corredor. Muito dinâmico e extremamente móvel, apesar de gostar de ter a bola nos pés, revela grande sentido colectivo, destacando-se também por ter uma boa visão de jogo, que alia a uma boa capacidade de passe e eficácia nos cruzamentos – pode evoluir ainda neste aspecto técnico -, não só em bola corrida, como também em bola parada, já que bate bem livres laterais e pontapés de canto, colocando a bola com grande facilidade na área. É, também, um jogador capaz de segurar jogo e temporizar, mostrando uma boa selecção do tempo de passe, que lhe permite fazer várias assistências para finalizações. Apesar das suas características serem, sobretudo, ofensivas, trata-se de um jogador que sabe defender, mostrando sentido táctico e posicional ao fechar o flanco, funcionando quase como um segundo lateral, impedindo as subidas do lateral adversário. Contudo, a sua acção não é meramente de acompanhamento: revela capacidade de recuperação de jogo, pois é muito lutador e pressionante, fechando espaços e cortando linhas de passe, como também, fruto de um muito razoável poder de desarme pelo chão e de um bom poder de antecipação, tirando partido da sua grande agilidade, consegue desarmar os adversários. Para além disso, é um especialista a “matar” jogo, cometendo várias “pequenas” faltas, que travam a partida do adversário para ataques rápidos. Apesar de ser frágil do ponto de vista físico, sentindo evidentes dificuldades no choque com os adversários, não teme lances divididos e luta até à exaustão, sendo que o facto de estar permanentemente em movimentação e acção faz com que sinta dificuldades em completar os 90 minutos, sendo, por norma, substituído quando é titular, necessitando de uma maior gestão de esforço. A nível de carências revela-se também algo frágil no futebol aéreo, fruto da sua baixa estatura, como também procura pouco a baliza adversária, quer em remates de fora da área, quer dentro desta, onde aparece pouco, apesar da sua boa capacidade de antecipação sobre os defesas. Apesar de canhoto, o seu pé direito não é totalmente cego, o que o ajuda na criação de desequilíbrios, alargando-lhe o leque de soluções no um para um.

Yu Hai Yu Hai (China) . Médio ala ou extremo esquerdo, revelado pelo Xian Chanba, actua no Vitesse, que o contratou a meio da última época, mas não se conseguiu impor ainda no futebol holandês. Tem 20 anos, 1.83 / 70, e é uma das principais esperanças da China para os Jogos Olímpicos de 2008, podendo também ser adaptado a outras funções, quer pelo meio, quer sobre a direita, onde não se sente tão à vontade. O seu jogo destaca-se pela capacidade que possui para criar desequilíbrios sobre a ala, tratando-se, no entanto, de um jogador mais perigoso com a bola nos pés, do que em movimentações sem bola, onde se mostra um pouco “verde”, mas tem condições para progredir. Rápido e sempre disponível para intervir no jogo, mostra facilidades na recepção e no controlo, como também conduz bem jogo pelo flanco, aliando uma interessante capacidade técnica com uma excelente visão de jogo, que lhe permite fazer várias assistências para finalização, a partir de passes e, sobretudo, de cruzamentos, um dos aspectos mais fortes do seu jogo. Em algumas situações, procura também remates de fora da área ou conclusões em diagonal, mas deverá trabalhar mais o enquadrado. Do ponto de vista defensivo é pouco participativo, necessitando de evoluir na interpretação do jogo em termos tácticos e posicionais, tanto em situação defensiva como ofensiva.

Ashkan Dejagah Ashkan Dejagah (Alemanha) . Jogador de características ofensivas, fez grande parte da formação como avançado solto, posição em que jogou em Toulon, mas no clube actua preferencialmente como médio ala ou extremo, tanto na esquerda como na direita, aparecendo também como médio ofensivo, posições que parecem enquadrar-se melhor com as suas características. Tem 20 anos, 1.81 / 74, origem iraniana, mas naturalizou-se alemão. Foi uma das revelações da segunda metade da Bundesliga em 2006/07, ao apontar 1 golo em 22 jogos pelo Hertha Berlim, mas em Toulon esteve um pouco abaixo das expectativas, também porque abusou de iniciativas individuais, algo que não costuma acontecer no clube. Poderoso do ponto de vista físico, trata-se de um jogador muito rápido e potente, que gosta de descair para as faixas, onde o seu rendimento cresce, sobretudo quando explora as diagonais de fora para dentro. Com capacidade para conduzir jogo, tirando partido de uma boa capacidade técnica, mostra-se também forte no passe – progride bem através de tabelas - e eficaz nos cruzamentos, colocando a bola com grande facilidade na área, pois lê bem as desmarcações dos seus colegas, tirando partido de uma boa visão de jogo. Com grande sentido de baliza, tem um disparo violento com ambos os pés – o direito é o melhor -, que utiliza com facilidade de fora da área, como também dentro desta, sobretudo após acções de desmarcação, em remates cruzados ou em finalizações ao segundo poste. Jogador intenso, corre os 90 minutos, ajudando também em acções defensivas.

Loïc Rémy Loïc Rémy (França) . Avançado, de 21 anos, 1.84/66, é a principal estrela da formação secundária do Lyon, mas já teve a oportunidade de jogar pela equipa principal em 2006/07, actuando em 9 partidas, entre Ligue 1, Liga dos Campeões, Taça de França e Taça da Liga. Ao serviço do Lyon actua mais sobre as faixas, sobretudo na direita, mas na selecção desempenhou – e bem – as funções de segundo avançado, com liberdade para aparecer tanto na área como sobre as faixas, criando, com as suas acções, inúmeros desequilíbrios. Extremamente móvel, trata-se de um jogador que não pára um segundo em situação ofensiva, movimentando-se constantemente em busca de desmarcações sem bola, como também na exploração de movimentações com bola, seja em diagonais, seja de trás para a frente. Apesar de algo leve, cresceu em termos de potência física, o que lhe permite conquistar mais disputas de bola, como também jogar, com grande eficácia, de costas para a baliza, tirando partido da sua agilidade para rodar sobre os adversários, o que o torna num jogador muito perigoso em movimentos curtos. Muito rápido e dotado de uma técnica individual muito interessante, sabe acelerar o jogo, como também criar desequilíbrios no um para um, pois possui uma grande capacidade de drible curto, rodando bem sobre os adversários, mas não individualiza nem adorna demasiado as suas acções, mostrando sempre sentido colectivo, nomeadamente nas combinações com o avançado mais fixo, já que é inteligente a executar tabelas. Revela também predicados no último passe, executando várias assistências para finalização, quer a partir das alas, quer em posição central, para além de aparecer muito bem na área a finalizar, sobretudo através de remates cruzados de pé direito, mas regista uma evolução no trabalho com o pé esquerdo, que está longe de ser cego. Participa também em acções defensivas, pressionando os oponentes ainda no meio campo adversário.

Jiang Ning Jiang Ning (China) . Uma das revelações de Toulon 2007, onde foi o melhor marcador da selecção chinesa, ao apontar 3 golos. Avançado, de 20 anos, actua no Qingdao Zhongneng, e poderá ser uma das surpresas das próximas Olimpíadas. É um jogador muito móvel e eléctrico, que mesmo actuando como unidade mais avançada da equipa, não pára um segundo e está sempre a procurar movimentações, muitas vezes de dentro para fora, já que gostar de aparecer sobre as faixas. Dotado de um bom controlo de bola e de uma técnica individual muito interessante, sabe tirar partido da sua agilidade para rodar sobre os defesas adversários em movimentos curtos, mostrando também capacidade para romper em diagonais, tirando partido da sua velocidade e capacidade de desmarcação, que o torna num avançado muito perigoso em acções de contra-ataque. Oportuno dentro da área, está sempre atento a uma eventual desmarcação ou ressalto, mostrando sentido de baliza e facilidade de remate com o pé direito.

Abdoul Razak Boukari Abdoul Razak Boukari (França) . Avançado polivalente, nasceu em Lomé, no Togo, e é filho de um antigo internacional togolês. Tem 20 anos, 1.82/76, e foi revelado pelo Châteauroux, onde apareceu na primeira equipa com 17 anos. Uma excelente temporada em 2005/06, assim como o seu bom rendimento nas selecções jovens francesas, abriu-lhe as portas do Lens no Verão de 2006, tendo realizado 29 jogos na Ligue 1 na última época, ainda que 21 destes tenham sido na condição de suplente utilizado. Na selecção actua como avançado, ora mais ao centro, ora sobre uma das alas, preferencialmente a esquerda, apesar de se tratar de um jogador destro – não totalmente cego de pé esquerdo -, mas no seu clube é utilizado, muitas vezes, como volante lateral, fazendo todo o corredor. Trata-se de um jogador que se destaca pela velocidade e potência, revelando-se extremamente forte a romper de trás para a frente ou em diagonais, o que lhe permite aparecer, várias vezes, em posição de finalização, necessitando de ganhar uma maior consistência a nível do remate, onde alterna com facilidade o bom com o medíocre. Do ponto de vista técnico apresenta argumentos interessantes, ainda que se destaque mais pelos ritmos fortes que imprime em progressão, para além de se tratar de um jogador com grandes argumentos de ordem física, que se impõe em situações de choque, como também demonstra facilidade a proteger a bola e a escondê-la dos adversários.

Emmanuel Clottey Emmanuel Clottey (Gana) . Avançado ganês, de 19 anos, 1.70/72, actua no seu país ao serviço do Accra Great Olympics, onde tem vindo a revelar dotes de goleador, pois já somou mais de uma dezena de golos na Primeira Liga ganesa. Apesar da sua pouco imponente estrutura física, pode actuar na frente do ataque, mas gosta de ter mobilidade para aparecer em posições exteriores, sobretudo sobre as alas, para depois romper em diagonais para a área. Trata-se de um avançado extremamente rápido, capaz de imprimir impressionantes mudanças de ritmo, e que é também capaz de executar em velocidade, mostrando atributos de ordem técnica muito interessantes, nomeadamente uma boa capacidade de drible curto, que lhe permite criar desequilíbrios no um para um, ainda que, em algumas situações, exagere em individualismos. A sua capacidade de desmarcação, sobretudo em diagonal, permite-lhe também isolar-se através de tabelas, iniciando e finalizando as jogadas, após combinação com outro jogador. Apesar de destro, mostra facilidade a rematar com os dois pés, não só em finalizações dentro da área, onde revela um excelente sentido de oportunidade, sentido de baliza e uma boa capacidade de antecipação sobre os defesas, como também de fora da área, em lances de bola corrida ou de bola parada. A Europa não deverá demorar a ser o seu destino.

Kevin Gameiro Kevin Gameiro (França) . Melhor marcador da competição e também melhor jogador para a organização de Toulon, apontou 5 golos, 3 dos quais na final diante da China, mesmo não tendo começado a competição como titular absoluto. Actua no Estrasburgo, onde ainda não se conseguiu impor – 3 golos em 16 jogos na Ligue 2 em 2006/07 -, tem 20 anos, 1.68 / 64. Apesar das suas características físicas pouco imponentes, trata-se de um jogador que se sente muito à vontade na área, que pode ser caracterizado com a expressão “rato de área”. Oportuno, sabe aparecer no sítio certo para desviar a bola para a baliza, muitas vezes a um-dois toques, revelando também um bom poder de antecipação sobre os defesas adversários, ganhando-lhes facilmente posição. Rápido e móvel, pode aparecer também sobre as faixas ou nas costas de um avançado mais fixo, ainda que não se destaque por adornos técnicos, mas muito mais pela capacidade de movimentação e de desmarcação, tanto de fora para dentro, como de dentro para fora.

Carlos Saleiro Carlos Saleiro (Portugal) . Avançado, de 21 anos, 1.85/79, pertence aos quadros do Sporting, mas esteve emprestado nas duas últimas temporada ao Olivais e Moscavide, onde, na última época, apontou 4 golos em 24 partidas, sendo que apenas três foram completas. Apesar de ter ficado em branco em Toulon, trata-se de um avançado muito interessante, que tem vindo a evoluir como jogador, podendo atingir outro patamar. Actua, preferencialmente, na área, mas possui uma boa capacidade de movimentação, que lhe permite procurar espaços exteriores, quer sobre as alas, quer fora da área em espaços centrais, mostrando inteligência e elegância nas acções, sobretudo a proteger a bola de costas para a baliza: domina-a bem, sabe escondê-la do adversário, temporizar e efectuar uma entrega inteligente, com passes curtos e médios eficazes, tirando partido também da sua agilidade e capacidade para rodar sobre os adversários. Tecnicamente dotado, consegue ganhar alguns lances no um para um, sobretudo em espaços curtos, para além de evidenciar velocidade de movimentos, muito útil em ataques rápidos. Dentro da área também apresenta argumentos como finalizador, mas falta-lhe uma maior frieza – e menos ansiedade – no momento do remate.

Yasuhito Morishima Yasuhito Morishima (Japão) . Avançado-centro, de 19 anos, 1.86 / 80, tem começado a jogar com regularidade no Cerezo Osaka, actualmente na J-League 2, onde marcou o seu primeiro golo na última partida antes de rumar a Toulon, devendo marcar presença no próximo Mundial sub-20. É um jogador de área, muito interessante, que se destaca pela sua capacidade de finalização, que lhe valeu um “bis” diante da Alemanha: tem um remate forte e colocado com os pés e mostra também potencial no futebol aéreo, utilizando não só a sua altura, como um bom poder de impulsão e tempo de salto. Do ponto de vista técnico não deslumbra, mas possui atributos muito interessantes em movimentos curtos, rodando bem sobre os adversários, para além de evidenciar qualidade a jogar de costas para a baliza, pois sabe tirar partido da sua capacidade física para proteger a bola de forma inteligente, acrescida de uma boa capacidade no passe curto, também útil em acções de “pivot” em tabelas.

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Europeu Sub-17 2007: 43 jogadores para o futuro (I)
segunda-feira, 14 maio 2007

David De Egea David De Egea (Espanha) . 7-11-1990. Atlético de Madrid. O melhor guarda-redes do Europeu sub-17, jogou todos os minutos da competição, sofrendo 2 golos em 5 jogos, mostrando potencial para se tornar, a curto-médio prazo, num dos maiores valores do futebol espanhol na sua posição. Com uma boa estampa física para a sua idade, mostra também muita concentração e uma muito boa e rápida leitura do jogo, que acaba por se revelar fundamental nas suas intervenções. Forte entre postes, sabe-se colocar e mostra um bom controlo espacial da baliza, para isso contribuindo os bons reflexos e a elasticidade que possui. Fora dos postes, é corajoso e decidido a sair por baixo, mostrando-se forte nos duelos de um para um com os avançados, pois fecha muito bem os espaços, como também é eficaz nas saídas por alto, fazendo uso da sua estatura, alternando intervenções completas com saídas a soco, sempre muito criteriosas e adequadas. Com capacidade de liderança, comunica bastante com os elementos do quarteto defensivo, corrigindo posicionamentos e dando ordens. Sempre que foi chamado a intervir com os pés não complicou e jogou simples. O seu ponto mais fraco parece ser a defesa de grandes penalidades, pois das oito grandes penalidades batidas pela Bélgica no confronto das meias-finais apenas conseguiu parar uma.

Jason Steele Jason Steele (Inglaterra) . 18-8-1990. Middlesbrough. Fez um Europeu em crescendo, com uma excelente exibição diante da França nas meias-finais (segurou a vitória 1-0), totalizando os 400 minutos que a Inglaterra realizou na competição. Forte entre postes, com bom posicionamento, segurança a blocar a bola e agilidade, necessita de se tornar mais constantes nas saídas por alto, sobretudo para desfazer cruzamentos fora da pequena área, onde sente algumas dificuldades a definir o tempo de saída correcto. Com perfil de líder, comunica bastante com o sector recuado, mostrando também facilidade a jogar com os pés, mas é mais eficaz em saídas curtas e médias, do que em pontapés longos, onde nem sempre a potência condiz com colocação.

Jo Coppens Jo Coppens (Bélgica) . 21-12-1990. KRC Genk. Totalista da Bélgica na competição, disputou os 340 minutos dos belgas na competição, caindo nas meias-finais, no desempate por grandes penalidades diante da Espanha, onde apenas parou 1 de 8 remates. Guardião que se destaca por uma assinalável envergadura física – mede 1.90 -, mostra uma boa capacidade entre postes, tirando partido de uma boa colocação e de bastante agilidade, sobretudo para alguém com uma estatura tão elevada, ainda que tenha uma certa tendência para protagonizar defesas incompletas, agarrando poucas bolas à primeira. Fora dos postes, mostra um bom controlo da pequena área, mas é inconstante nas saídas a espaços exteriores, necessitando de mais trabalho a esse nível, pois falta-lhe uma maior agressividade e uma melhor definição do tempo de saída.

Nana Ofori-Twumasi Nana Ofori-Twumasi (Inglaterra) . 15-5-1990. Chelsea. Numa competição que não ficou marcada pela presença de grandes laterais-direitos, acabou por ser o inglês, de origem ganesa, Ofori-Twumasi o que mais se destacou. Foi titular em quatro das cinco partidas que a Inglaterra realizou no Europeu, falhando apenas o jogo com a Bélgica, da 2ª Jornada, onde deu lugar a Daniel Gosling. Fisicamente extremamente forte, defende bem no um para um, tanto em posições exteriores, como em posições interiores. No entanto, abusa um pouco do contacto físico, promovendo situações de choque com o adversário, em que sai, por norma, em vantagem, como também sai de posição com alguma facilidade, aspecto que deverá rever. A nível ofensivo mostra predicados interessantes: rápido e potente, progride muito bem pelo flanco, procurando combinações 2x1 com o extremo ou o interior direito. Tecnicamente é muito razoável, aspecto que o ajuda nas progressões, mas não complica e joga fácil, necessitando, contudo, de revelar maior acutilância e acerto nos cruzamentos.

Krystian Pearce Krystian Pearce (Inglaterra) . 5-1-1990. Birmingham City. Mais conhecido por “Chefe”, Krystian Pearce é uma pérola da formação do Birmingham e já trabalha com regularidade com a equipa principal. Titular em todos os jogos da Inglaterra no Europeu, apenas não jogou 8 minutos do jogo de estreia, diante da Islândia, para dar lugar a Gavin Hoyte, do Arsenal. Destro, actuou pelo centro-esquerda, assumindo, quase sempre, a primeira fase de construção de jogo da selecção inglesa, optando, quase sempre, por passes curto-médios em direcção ao centro do terreno, mas também mostrou argumentos em passes médio-longos, a procurar as desmarcações do lateral-esquerdo Mattock ou de uma das quatro unidades da frente da Inglaterra, que privilegiou um 4x2x3x1. Do ponto de vista defensivo mostrou elegância: apesar de se tratar de um central forte do ponto de vista físico, não abusa do contacto físico com os avançados adversários, procurando jogar de forma limpa, jogando bem na antecipação, tanto pelo ar, como também pelo chão, pois é um central rápido e dotado de um bom sentido posicional. A nível ofensivo mostrou-se forte na sequência de lances de bola parada, conquistando bolas na área adversária e revelando sentido de baliza, o que não se estranha, já que era avançado centro na fase inicial do seu processo de formação. Marcou um golo à Islândia.

Nils Teixeira Nils Teixeira (Alemanha) . 10-7-1990. Bayer Leverkusen. O apelido não engana: é filho de emigrantes portugueses na Alemanha e fala correctamente português. Titular indiscutível da Selecção alemã – defesa-central pela direita -, efectuou os 400 minutos da Alemanha na competição. Fisicamente franzino – 1.75/64 – para defesa central, joga melhor solto ou na antecipação – um dos pontos mais fortes do seu jogo – do que em acções de marcação, onde sente mais dificuldades, quando obrigado a contacto físico com o adversário. No entanto, é um defesa seguro, muito rápido a atacar a bola e a ganhar posição aos adversários. Eficaz no desarme pelo chão, tem um bom tempo de entrada aos lances, mostrando mobilidade e facilidade em se deslocar a posições exteriores, pressionando bastante em busca de recuperações, para além de evidenciar argumentos no futebol aéreo, tirando partido de um bom poder de impulsão e de um bom tempo de salto. Tecnicamente interessante, assume, quando necessário, a primeira fase de construção de jogo ofensivo, mas, por norma, joga simples e prático, não inventando.

Mathieu Saunier (França) . 7-2-1990. Bordéus. Defesa-central pela direita, realizou 240 minutos no Europeu, fruto de três jogos completos, pois falhou o terceiro jogo da competição, diante da Ucrânia, devido a lesão. Jogador elegante e extremamente frio, muito inteligente do ponto de vista táctico, ocupa muito bem os espaços e sabe-se posicionar, sentindo-se mais à vontade a jogar solto ou na antecipação do que em acções de marcação individual, para as quais se sente menos talhado, até porque não é fisicamente robusto. Muito ágil e rápido a atacar a bola, ganha com facilidade a posição aos avançados, jogando bem pelo chão e pelo ar, ainda que lhe falte alguma contundência na abordagem aos lances. Tecnicamente bem dotado, assume, quase sempre, a primeira fase de construção do jogo ofensivo, mostrando boa visão de jogo e qualidade no passe, ainda que, em algumas situações, procure adornar de forma excessiva os lances, devendo ser mais prático.

Mamadou Sakho Mamadou Sakho (França) . 13-2-1990. Paris Saint-Germain. Defesa-central pela esquerda formou com Saunier uma dupla muito interessante, já que se as suas características se complementam. Nascido em Paris, apesar das suas origens familiares serem senegalesas, é um produto das escolas do PSG, tendo já feito a estreia pela equipa sénior, lançado por Paul Le Guen em dois jogos na Taça UEFA: defrontou o AEK, em Atenas (vitória 2-0) e o Benfica, em Paris (vitória 2-1). No Europeu foi um dos totalistas da Selecção francesa: 320 minutos na competição com folha disciplinar limpa. Líder do sector recuado francês, assumiu também funções de “capitão”, em virtude da lesão de Saïd Mehamha, médio do Lyon, que normalmente assume esse papel. Fisicamente extremamente forte e poderoso no desarme, tanto pelo chão como pelo ar, trata-se de um central com bom sentido posicional e talhado para acções de marcação, pois impõe-se no corpo a corpo e revela-se extremamente contundente, por vezes de forma excessiva, na abordagem aos lances, procurando compensar alguma falta de agilidade. Muito forte no futebol aéreo, ganha quase todos os lances que disputa em situação defensiva, podendo tornar-se mais acutilante na sequência de bolas paradas ofensivas, pois conquista bolas no espaço aéreo, mas revela pouco sentido de baliza. Tecnicamente é pouco dotado, mas não procura fazer aquilo que não sabe: é prático, joga simples, ainda que, em algumas situações, procure um futebol mais directo, com passes longos em direcção ao ataque, mas falta-lhe alguma precisão.

David Rochela David Rochela (Espanha) . 19-2-1990. Deportivo. Líder do sector defensivo espanhol foi um dos totalistas do Campeão Europeu: 5 jogos completos, incluindo um prolongamento diante da Bélgica, 420 minutos de competição. Defesa seguro, adapta-se, com igual facilidade, às funções de defesa mais solto ou de marcador, mostrando capacidade de liderança e personalidade forte. Com um bom sentido posicional e extremamente concentrado, joga com bastante facilidade na antecipação, tanto pelo ar como pelo chão, e é eficaz a nível do desarme, atacando a bola de forma confiante e agressiva, mas não maldosa. Destro, actua preferencialmente sobre o centro-esquerda, mostrando uma capacidade técnica muito razoável, que lhe permite sair a jogar e assumir, quando necessário, a primeira fase de construção, mas também sabe jogar de forma simples e prática quando é necessário.

Patrick van Aanholt Patrick van Aanholt (Holanda) . 29-8-1990. PSV Eindhoven. Na minha opinião, o melhor defesa-central do Europeu de sub-17, e pelo que mostrou não demorará a ser pretendido por clubes de topo do futebol europeu. Central canhoto, mas com um pé direito que está longe de ser cego, revelou-se – de longe – como a melhor unidade do sector defensivo da Holanda, que acabou por ser a maior desilusão da prova, falhando até o apuramento para o Mundial sub-17, ao perder o jogo de “play-off” diante da Alemanha. Jogador muito dotado do ponto de vista físico, que pode também desempenhar as funções de lateral-esquerdo – não será estranho, atendendo às suas características, que acabe por ser essa a sua posição no futuro -, impõe-se com facilidade nos lances divididos, pois é forte no corpo a corpo, mas procura, quase sempre, jogar de forma limpa, destacando-se por ser muito rápido, tanto a movimentar-se como a atacar a bola, o que lhe garante uma enorme eficácia a jogar na antecipação, um dos pontos fortes do seu jogo, tanto pelo chão como pelo ar. Com bom sentido posicional e grande capacidade de aceleração, lê bem o jogo e conhece os terrenos que pisa, não se inibindo de sair de posição, quando necessário, para fazer dobras ou pressionar à esquerda ou no meio campo defensivo. Do ponto de vista técnico é muito dotado para defesa-central: boa recepção e controlo de bola ; joga de cabeça levantada, o que lhe permite ler bem as movimentações dos colegas ; apesar da sua estatura, é ágil e sabe rodar sobre os adversários, mostrando atributos no um para um ; é forte no passe, raramente falhando curtos e médios, mas arrisca em demasia no longo, devendo moderar essa tendência. Tem presença na área adversária na sequência de bolas paradas, tirando partido do seu poder de antecipação e forte jogo aéreo, para além de ter um pontapé forte de pé esquerdo. Marcou um golo diante da Alemanha.

Joe Mattock Joseph “Joe” Mattock (Inglaterra) . 15-5-1990. Leicester City. Ao invés do que aconteceu em relação a laterais-direitos, esta prova revelou laterais-esquerdos muito promissores, entre os quais o inglês Joe Mattock, do meu ponto de vista, o mais evoluído, tendo já feito a sua estreia pela equipa principal do seu clube, a disputar o Football League Championship (2º escalão), para além de ter contribuído para a conquista do FA Premier Academy League – campeonato inglês de sub-18 – por parte do Leicester. Foi titular nos cinco jogos que a Inglaterra disputou no Europeu, falhando apenas 21 minutos da partida das meias-finais diante da França, por acusar um problema de ordem física. Extremamente competente do ponto de vista defensivo, defende bem, fazendo uso de um excelente sentido posicional e de uma boa interpretação táctica do jogo, dando garantias tanto em posições interiores – fecha bem dentro e domina o espaço aéreo – como em posições exteriores, onde se mostrou praticamente insuperável no um para um, aliando capacidade de desarme a um bom poder de antecipação, nunca dando um lance por perdido, mostrando também argumentos nas lutas corpo a corpo. Apesar da sua competência defensiva, arrisca muito em termos ofensivos, mostrando facilidade a conduzir jogo pelo flanco, tanto em acções individuais, como também em combinações 2x1 com o ala, onde, muitas vezes, se projecta até à linha de fundo, tirando também partido de uma boa capacidade de aceleração e de desmarcação em acções sem bola. Extremamente rápido e acutilante, com uma preparação física que lhe garante 80 minutos a altíssimo ritmo e em constante vaivém defesa-ataque, mostra igualmente uma técnica muito interessante, que lhe permite criar desequilíbrios no um para um, ainda que, em algumas situações, abuse um pouco e acabe por ser desarmado. Forte no passe lateral e nos cruzamentos, coloca a bola com facilidade na área, mas neste último aspecto poderá tornar-se mais constante.

Konstantin Rausch Konstantin Rausch (Alemanha) . 15-3-1990. Hannover 96. Lateral-esquerdo titularíssimo: disputou os 320 minutos da Alemanha na competição. Marcadamente ofensivo, beneficiou das compensações protagonizadas por um dos médio defensivos alemães – Kevin Wolze, titular nos dois primeiros jogos, foi bem mais eficaz nessa tarefa do que Jantschke, que colmatou a baixa de Wolze por lesão – para subir com frequência, sobretudo através de combinações 2x1, com Kroos e Dowidat (ou Knoll), que lhe permitiam desdobramentos não só aberto na ala como também a explorar movimentações para espaços interiores. Razoável do ponto de vista técnico, destaca-se mais pela velocidade e potência em progressão, revelando talento a nível do passe e dos cruzamentos, o que lhe permite fazer algumas assistências para finalizações, como também no remate, pois tem um disparo forte de pé esquerdo, ainda que possa melhorar o enquadramento. Do ponto de vista defensivo mostra-se muito eficaz a jogar na antecipação, ganhando facilmente posição ao seu adversário. Forte no contacto físico e ágil, é difícil de bater no um para um sobre a ala, onde se sente mais à vontade do que em posições interiores, onde ainda assim é bastante razoável.

Alberto Morgado Alberto Morgado (Espanha) . 10-5-1990. Alavés. Lateral-esquerdo, curiosamente já teve oportunidade de realizar alguns minutos na 2ª divisão espanhola, ao serviço do Alavés. Titular, a tempo inteiro, em 4 das 5 partidas da Espanha no Europeu, totalizou 340 minutos de utilização, tendo sido poupado no empate diante da Alemanha, quando a Espanha já tinha garantido a qualificação para as meias-finais. Mais talhado para acções defensivas do que para atacar, mostra-se um defesa seguro, muito pressionante e com bom sentido posicional, eficaz na defesa de espaços exteriores e interiores. Junto à linha não é fácil batê-lo, pois mostra-se sempre muito concentrado, evidenciando uma boa capacidade de desarme e um bom tempo de entrada aos lances, para além de se tratar de um jogador rápido. Em zonas interiores faz-se valer de uma boa colocação, mostrando também atributos muito razoáveis no futebol aéreo. Do ponto de vista ofensivo arrisca muito pouco, só subindo pelo seguro. Deve tornar-se mais acutilante, para dar uma maior dimensão ao seu jogo.

Niels Ringoot Niels Ringoot (Bélgica) . 22-4-1990. Anderlecht. Numa selecção que, apesar de ter chegado às meias-finais do Europeias, nunca mostrou grande solidez no quarteto defensivo, sobretudo por falta de solidez da dupla de centrais, destacou-se o lateral esquerdo Ringoot, um dos três totalistas belgas na competição – 340 minutos -, tendo também apontado dois golos, ambos na sequência de lances de bola parada. Aparentemente talhado para desempenhar o posto de defesa central, trata-se de um defesa muito alto e forte fisicamente, particularmente talhado para defender espaços interiores, já que é muito forte no futebol aéreo. Nos espaços exteriores sente-se mais à vontade quando pode usar o seu físico do que em velocidade, pois é algo duro de rins, mas é agressivo e tem um bom poder de desarme. Limitado do ponto de vista técnico, não se mostra talhado para conduzir jogo pelo flanco, não revelando grandes virtudes a nível do passe e dos cruzamentos. Contudo, mostra-se mais talhado para progredir em força, mostrando um violento remate de pé esquerdo, em bola corrida e, sobretudo, em bola parada. Muito forte no jogo aéreo também em situação ofensiva, é muito perigoso na sequência de livres laterais e pontapés de cantos, atacando muito bem o segundo poste e mostrando sentido de baliza.

Alfred N’Diaye Alfred N’Diaye (França) . 6-3-1990. Nancy. Médio defensivo, o mais recuado do tridente de meio-campo da selecção francesa, foi titular nas quatro partidas da França no Europeu sub-17, totalizando os 320 minutos de competição. Jogador que se destaca por uma impressionante condição física, pouco normal num jovem de apenas 17 anos, parece talhado para uma carreira de sucesso. Fortíssimo recuperador de bolas, impõe-se com enorme facilidade nos lances divididos, não exagerando em jogo faltoso, para além de evidenciar grande facilidade no desarme e um bom poder de antecipação, tanto pelo chão como pelo ar. Com um “pulmão” impressionante, corre o jogo todo, saindo, várias vezes, de posição, para pressionar os adversários e recuperar jogo. Contudo, o seu jogo não se limita a acções de destruição. Habitualmente utilizado como médio interior no seu clube, mostra-se extremamente poderoso a progredir com a bola nos pés, aliando uma capacidade técnica bastante interessante para um jogador com as suas características físicas a velocidade em progressão e potência, o que o torna difícil de travar. Nesse tipo de situação, poderá ganhar uma maior consciência colectiva, já que tem uma certa tendência em individualizar as acções, como também a arriscar em zonas proibidas. Eficaz no passe curto e médio, os que mais utiliza, mostra também atributos interessantes a nível do passe longo, sobretudo quando procura as alas, mas poderá ainda tornar-se mais consistente a esse nível. Mostra também capacidades muito interessantes no futebol aéreo em lances de bola parada, tanto defensivos como ofensivos, ainda que nos últimos possa ganhar um bem maior engodo pela baliza, pois mostra-se mais à vontade como conquistador de bolas aéreas do que como finalizador.

Ximo Joaquín Forner “Ximo” (Espanha) . 27-1-1990. Valencia. Médio defensivo, revelou-se o complemento perfeito de Ignacio Camacho, tendo sido titular nas cinco partidas que a Espanha disputou no Europeu: completou uma, diante da Bélgica, com direito a prolongamento, e foi substituído nas restantes, sempre por David González, jogador do Barcelona, uma das revelações da temporada juvenil do futebol espanhol. Ximo destaca-se por ser um jogador de grande disponibilidade física, particularmente talhado para acções de marcação, de pressão e de recuperação: poderoso no choque, impõe-se com facilidade em lances divididos, mostrando uma boa capacidade de desarme, tanto pelo chão, como pelo ar, como também efectua muito bem marcações individuais, perseguindo o “10” adversário com rigidez e sem abusar de jogo faltoso – apenas viu um cartão amarelo durante a competição. Jogador pressionante, peca, por vezes, por sair de forma extemporânea de posição, mas é eficiente nesse tipo de tarefa, ainda que possa melhorar a sua capacidade posicional. Menos talhado para assumir acções de construção do que Camacho, mesmo assim está longe de ser um jogador limitado, mas poderá melhorar a precisão no passe, sobretudo no médio-longo – alternou bons passes, com outros menos precisos -, mas, por norma, joga com base em passes curtos. Com “pulmão” para correr ao longo de todos os minutos que está em campo, sabe-se movimentar sem bola e aparecer em posições de remate. Possui um bom disparo de pé direito, que deverá trabalhar a nível do enquadramento, como também é um especialista a bater lances de bola parada laterais, já que cruza bem e coloca a bola com facilidade na área: eficiente a bater pontapés de canto, mostra-se também perigoso a executar livres laterais, sobretudo quando descaídos para a esquerda do ataque.

Michael Woods Michael Woods (Inglaterra) . 6-4-1990. Chelsea. Médio defensivo ou médio centro, foi, por norma, a unidade mais recuada do sector intermediário inglês, ainda que trocasse, várias vezes, de posição com Henri Lansbury, o seu habitual parceiro. Contratado pelo Chelsea, em 2006, ao Leeds United, José Mourinho chamou-o a trabalhar, em várias ocasiões, com o plantel principal durante a última época, dando-lhe alguns minutos no jogo da FA Cup diante do Macclesfield Town, o que o tornou no 4º jogador mais jovem de sempre a envergar a camisola do clube londrino em jogos oficiais. Titular em 4 das 5 partidas da Inglaterra no Europeu sub-17, foi suplente utilizado diante da Bélgica, totalizando 343 minutos de utilização. Muito evoluído em termos posicionais e com grande disponibilidade física, sabe ocupar de forma inteligente os espaços, o que lhe permite cortar inúmeras linhas de passe, mostrando também capacidade de choque em lances divididos, mas poderá tornar-se mais agressivo e eficaz no desarme. Do ponto de vista ofensivo, trata-se de um jogador com processos simples e eficazes. Não apresenta grandes atributos de ordem técnica, mas não complica e não procura fazer o que não sabe, jogando, muitas vezes, a um-dois toques. Com boa visão de jogo, revela facilidade na distribuição, alternando passes curtos e médios com longos, onde mostrou atributos interessantes. Sabe movimentar-se sem bola e aparecer em posições de remate, mas evidenciou alguma timidez na finalização.


Daley Blind Daley Blind (Holanda) . 9-3-1990. Ajax. O filho de Danny Blind, glória do futebol holandês, 42 vezes internacional pelo seu país e com 372 jogos pelo Ajax, era um dos jogadores que gerava mais expectativas para o Europeu, até por se ter falado de um eventual interesse do Barcelona no seu concurso. A sua passagem pelo Europeu foi meteórica: depois de ter falhado a estreia diante da Bélgica, devido a castigo, apontou 2 golos em 72 minutos diante da Islândia, saindo com uma lesão no tornozelo, que o impediu de fazer os dois jogos seguintes. Apesar da sua posição de origem ser a de líbero, actuou como médio-defensivo, deixando água na boca. Jogador algo frágil do ponto de vista físico, destaca-se por um excelente posicionamento, que lhe permite cortar linhas de passe com regularidade. Rápido na abordagem aos lances e nas movimentações, sai a jogar com enorme facilidade, mostrando potencial técnico como também uma muito boa visão de jogo e capacidade para fazer a bola circular, tirando partido da sua grande facilidade no passe, normalmente curto-médio, mas também arrisca passes longos, aspecto em que pode tornar-se mais consistente. Destaca-se igualmente por aparecer com facilidade em posições de remate, possuindo um disparo potente de fora da área, tanto em bola corrida, como em bola parada. Um dos golos que apontou foi de livre directo.

Henri Lansbury Henri Lansbury (Inglaterra) . 12-10-1990. Arsenal. Médio defensivo ou médio centro, foi um dos principais destaques do Europeu sub-17, mesmo tendo jogado com algumas limitações físicas, que o obrigaram a uma gestão de esforço nas partidas diante da Bélgica e da Holanda – em ambas substituído -, antes de se lesionar diante da França, o que o impediu de disputar a final, totalizando 217 minutos de utilização e 1 golo – excelente, diante da Holanda. Extremamente forte do ponto de vista táctico, sabe ocupar de forma inteligente os espaços, jogando muito sem bola, o que lhe permite cortar inúmeras linhas de passe, a sua principal fonte de recuperação, pois mostra-se menos talhado para o choque. Muito útil nas saídas para o ataque, trata-se de um médio que gosta de assumir a condução de jogo, ainda que o faça, algumas vezes, a um ritmo demasiado pausado, até porque não se destaca pela velocidade nas acções. Ainda assim, é um jogador capaz de impor ritmos, tirando partido da sua boa visão de jogo e capacidade de passe: muito forte no curto e no médio, mostra também argumentos interessantes nos passes longos, mas poderá arriscar mais, sobretudo no lançamento de ataques rápidos. Bem dotado do ponto de vista técnico, sabe segurar e “esconder” a bola, rodando com facilidade sobre os adversários, não sendo fácil desarmá-lo. Inteligente nas movimentações sem bola, aparece com facilidade em posições de remate, mostrando potencial nos disparos de fora da área, outro dos pontos fortes do seu jogo.

Ignacio Camacho Ignacio Camacho (Espanha) . 4-5-1990. Atlético Madrid. Médio defensivo ou médio centro, com capacidade, em caso de necessidade, como aconteceu diante da Bélgica, de se adaptar ao posto de defesa central, foi uma das figuras maiores do Europeu sub-17, capitaneando a selecção espanhola rumo ao título: 420 minutos, fizeram dele um dos totalistas da competição, apontou um golo – diante da Ucrânia – e viu dois cartões amarelos. Apontado como a jóia da coroa dos escalões de base do Atlético Madrid, tem todas as condições para se tornar numa referência do futebol espanhol a médio prazo. Com uma inteligência e maturidade pouco comuns num jogador tão jovem, destaca-se por um elevado conhecimento táctico do jogo, que lhe dá garantias de um excelente posicionamento e de uma interpretação perspicaz dos lances, o que lhe permite cortar inúmeras linhas de passe, parecendo adivinhar as acções dos adversários. Agressivo e pressionante, joga com grande facilidade na antecipação e é muito eficaz nos desarmes, tanto pelo chão, como pelo ar, ainda que necessite de evoluir no capítulo físico, pois é pouco possante, acabando por ficar em desvantagem em lances corpo a corpo com adversários mais físicos. Contudo, é um jogador com enorme “pulmão”, que corre os 90 minutos e não tem medo de por o pé em lances divididos, mas a sua acção está longe de se limitar a tarefas de recuperação: assim que recupera a bola, assume a condução e/ou distribuição do jogo ofensivo ; quando é um colega a conseguir a recuperação, movimenta-se de forma a criar uma linha de passe para que lhe possa ser entregue a bola, mostrando personalidade forte. Com um pé direito de grande qualidade, possui uma capacidade técnica acima da média, que lhe permite criar desequilíbrios no um para um em condução, mas é, por norma, um jogador com processos simples e objectivo, que perde muito poucas bolas e sabe impor ritmos: mais pausado, em ataque organizado ; mais acelerado, em ataque rápido. Muito forte no que concerne à visão de jogo, lê muito bem as desmarcações dos seus colegas, mostrando facilidade no passe curto, médio e longo. Poderá desenvolver a capacidade de remate, aspecto em que se mostra mais tímido, optando, quase sempre, por passes.

Kevin Wolze Kevin Wolze (Alemanha) . 9-3-1990. Bolton Wanderers. Médio defensivo ou médio centro, com capacidade para desempenhar – diria mesmo, mais talhado para – funções de médio interior esquerdo ou de médio ofensivo, apenas foi utilizado nas duas primeiras partidas, diante da Ucrânia e da França, tendo jogado em ambas 79 minutos, acabando por se ver afastado da competição devido a lesão, que limitou um pouco as suas prestações do ponto de vista físico. Natural de Wolfsburgo, iniciou a sua carreira no VfB Wolfsburg, mas as suas boas exibições ao serviço da selecção sub-16 alemã despertaram o interesse de olheiros do Bolton Wanderers, que avançou para a sua aquisição a temporada passada. Inteligente do ponto de vista posicional, nomeadamente a fazer compensações e na ocupação de espaços, não se trata, no entanto, de um exímio recuperador de bolas, até porque se revela algo frágil do ponto de vista físico e pouco talhado para o choque, mas destaca-se, sobretudo, pela capacidade que possui para assumir a organização e distribuição de jogo, tirando partido de um pé esquerdo de grande qualidade, que lhe permite jogar, com espantosa facilidade, ao primeiro toque, mas também segurar a bola de forma inteligente, mostrando capacidade para impor ritmos diferenciados. Dotado de boa técnica e de uma excelente visão de jogo, o ponto forte do seu jogo é a capacidade de passe: muito bom no passe curto-médio, onde é raro vê-lo falhar uma intervenção, mostra também grande capacidade no médio-longo, abrindo o jogo em direcção aos flancos com enorme facilidade, critério e precisão. Muito preso a questões tácticas, nomeadamente a compensar as subidas do lateral-esquerdo, não apareceu em posições de remate.

Yann M’Vila Yann M’Vila (França) . 29-6-1990. Rennes. Médio centro ou médio interior, preferencialmente pelo centro-direita, produto das escolas do Rennes, esteve em destaque no Torneio do Algarve de 2007, ao marcar um belíssimo golo diante da selecção portuguesa. Voltou a estar em bom plano no Europeu sub-17, assumindo-se como a melhor unidade do meio-campo francês, tendo sido titular nas três partidas da primeira fase – 234 minutos de utilização -, mas falhou o jogo das meias-finais diante da Inglaterra, por ter visto o segundo amarelo na competição diante da Ucrânia – jogo em que também marcou um golo -, acabando por se notar muito a sua ausência, até porque Martial Riff, o seu substituto, mostrou-se demasiado limitado. Sem grandes atributos do ponto de vista defensivo, nomeadamente em acções de recuperação, até porque lhe falta capacidade de choque, M’Vila mostra, ainda assim, capacidades interessantes do ponto de vista táctico, quer a nível da ocupação de espaços, quer a fazer algumas faltas úteis, para travar ataques rápidos ao adversário. Contudo, trata-se de um jogador com mais atributos de ordem ofensiva: procura a bola para partir para acções de ataque, assume a condução de jogo ofensivo – quase sempre entre o centro e a direita, progredindo bem com a bola nos pés e criando desequilíbrios no um para um, pois é rápido, muito ágil e mostra atributos muito interessantes do ponto de vista técnico – e a nível da visão de jogo, ainda que, em algumas ocasiões, se revele algo previsível ou precipitado, aspectos em que poderá melhorar. Possui também um bom remate de fora da área, para além de aparecer bem na área na sequência de lances de bola parada, tirando partido do seu bom jogo aéreo – foi assim que marcou um golo diante da Ucrânia.

Georgino Wijnaldum Georgino Wijnaldum (Holanda) . 11-11-1990. Feyenoord. Médio interior ou médio ofensivo, foi mais utilizado nesta última função, assumindo um papel próximo ao de um “nº 10”, face ao meio-campo em triângulo invertido que a formação holandesa habitualmente utilizou, e que sem a presença de Daley Blind, acusou demasiada lentidão, falta de dinamismo e previsibilidade. Wijnaldum, que durante a última época já treinou várias vezes com o plantel principal do Feyenoord, foi o que mais procurou lutar contra a maré, totalizando 4 jogos completos e 1 golo, que valeu o 2-2, na partida de estreia diante da Bélgica. Jogador particularmente talhado para acções de construção, procura a bola a partir da zona central da intermediária, mostrando grandes virtudes na recepção e controlo de bola, assumindo a condução de jogo ofensivo, ainda que, em algumas ocasiões, peque por alguma ingenuidade. Possui uma técnica individual muito interessante, que lhe permite criar desequilíbrios no um para um, para além de “esconder” a bola com grande facilidade dos adversários, ainda que, por vezes, quando o faz, perde tempo de passe. Contudo, trata-se de um jogador com boa visão de jogo e com facilidade no passe, alternando passes curtos e médios, onde lhe faltaram apoios para produzir desequilíbrios, com passes longos, sobretudo em direcção às alas ou à procura de desmarcações de ruptura dos elementos do tridente ofensivo. Aparece, também, com relativa facilidade em posições de remate, mostrando potencial a esse nível, mas, muitas vezes, prefere optar pelo (último) passe, perdendo aí alguma objectividade.

Fran Mérida Fran Mérida (Espanha) . 4-3-1990. Arsenal. A sua polémica transferência do Barcelona para o Arsenal em Setembro de 2005, seguindo as pisadas de Cesc Fabregas, deu-lhe projecção internacional aos 15 anos, e as expectativas sobre a sua participação no Europeu sub-17 eram elevadas, até porque já foi chamado por Arsene Wenger para participar em jogos particulares da equipa sénior do Arsenal. Contudo, as suas actuações na competição acabaram por saber a pouco, pois se o talento é inegável, os excessos de vedetismo e carácter complicado também o foram, acabando por destoar do colectivo que levou a Espanha ao título. Titular em 4 das 5 partidas da Espanha no Europeu, totalizou 1 golo em 339 minutos de competição, tendo falhado o jogo diante da Alemanha devido a castigo. Médio ofensivo, assumiu o papel de “nº10” da selecção espanhola, ainda que possa também desempenhar funções de médio centro ou médio interior esquerdo, até porque se trata de um canhoto. Muito evoluído do ponto de vista técnico, cria, com facilidade, desequilíbrios no um para um, jogando sempre com a cabeça levantada e com a bola colada ao pé esquerdo, destacando-se igualmente por uma excelente visão de jogo e grande capacidade de passe, alguns deles verdadeiramente espectaculares e imprevisíveis, jogando com facilidade tanto em curto-médio como em médio-longo. Contudo, é um jogador irregular, que tende a desaparecer dos jogos, mostrando pouco sentido colectivo e alguma prepotência na forma como aborda as partidas, para além de lhe faltar força física, potência e resistência, aspectos em que terá que evoluir para atingir um patamar consentâneo com o seu potencial técnico. Possui um remate forte de fora da área e trata-se de um especialista na conversão de lances de bola parada.

Artur Karnoza (Ucrânia) . 2-8-1990. Dniepr. O maior destaque da selecção da Ucrânia, uma das maiores desilusões da competição. Titular nos dois primeiros jogos, ficou, com bastante estranheza, no banco dos suplentes diante da França, jogo em que entrou ao intervalo, marcando um golo e ajudando a equipa a chegar ao empate (2-2), aproveitando o adormecimento do adversário. Médio ofensivo, que assume o papel de “nº10”, pode também aparecer como segundo avançado. Extremamente limitado do ponto de vista físico, sente imensas dificuldades nos lances corpo a corpo, onde sai sempre a perder, mas, apesar disso, não vira a cara à luta e ajuda a defender, recuperando algumas bolas tirando partido de um interessante sentido posicional. O ponto forte do seu jogo é, no entanto, a capacidade para atacar: bom condutor de iniciativas ofensivas, sobretudo em ataque rápido ou contra-ataque, é veloz, tem boa técnica e drible curto, criando desequilíbrios no um para um, não temendo partir para cima dos adversários, apesar das suas limitações no contacto físico, conquistando diversas faltas no meio-campo adversário. Dotado de uma interessante visão de jogo, faltou quem desse sequência a alguns dos seus bons passes – quer para desmarcar, quer a procurar a progressão através de tabelas -, tratando-se de um especialista na marcação de livres, tirando partido do seu remate forte e colocado de pé direito – foi assim que marcou diante da França.

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Europeu Sub-17 2007: 43 jogadores para o futuro (II)
segunda-feira, 14 maio 2007


Toni Kroos Toni Kroos (Alemanha) . 4-1-1990. Bayern München. Melhor marcador da competição, a par do ingles Victor Moses, com 3 golos em 4 partidas, todas completas, mostrou porque é apontado como uma das maiores promessas do futebol alemão, carregando a sua equipa às costas e assumindo a condução e, muitas vezes, a conclusão das iniciativas ofensivas da sua selecção. Natural de Greifswalfd, ainda na Alemanha Oriental, estreou-se futebolisticamente no Greifswalfder SC, já com a Alemanha unificada. Deu nas vistas e rumou ao Hansa Rostock, onde o Bayern o contratou em 2006. Na última temporada, tem vindo a jogar na formação sub-19 do clube do Munique, pela qual apontou, até ao momento, 7 golos em 17 jogos, não devendo tardar a sua chegada à formação principal, estando em aberto a possibilidade de vir a realizar a próxima pré-época. Médio ofensivo ou segundo ponta de lança, não raras vezes desloca-se ao centro da intermediária para assumir a condução de jogo ofensivo desde trás, mas gosta particularmente de ter liberdade para aparecer também sobre os flancos, prefencialmente à esquerda, tirando partido depois de diagonais em direcção ao centro, de forma a aplicar o seu excelente remate de pé direito – forte e colocado, tanto dentro como fora da área -, o seu mais forte, mas também sabe executar com o pé esquerdo, o que potencia as suas acções em progressão. Assume o jogo sem receios e gosta de ter a bola nos pés, mostrando velocidade, muito boa capacidade de aceleração, potência física e uma técnica individual bem acima da média, o que lhe permite criar inúmeros desequilíbrios no um para um, um dos pontos mais fortes do seu jogo. Para além disso, lê bem o jogo e mostra predicados no passe, tanto no desenvolvimento de tabelas, quer como protagonista das acções, quer como pivot, para além de fazer várias assistências para finalização em zonas próximas da área, ainda que, muitas vezes, opte por assumir a finalização dos lances. É, também, um bom marcador de lances de bola parada, tanto directos como indirectos. Forte fisicamente e com bom posicionamento consegue recuperar algumas bolas, apesar de não se tratar de um jogador particularmente talhado para acções defensivas.

Eden Hazard Eden Hazard (Bélgica) . 7-1-1991. Lille. Um dos jogadores mais jovens do Europeu sub-17 foi um dos poucos representantes da classe 1991 na competição, somando 2 golos em 4 jogos como titular: totalizou 320 minutos de competição, já que foi poupado nos últimos 20 minutos diante da Islândia. Foi, sem sombra de dúvida, o melhor jogador belga na competição e decisivo na chegada à etapa final, já que todo o jogo ofensivo passava pelos seus pés. Revelado pelo AFC Tubize foi descoberto, em 2005, por olheiros do Lille num torneio de futebol, que o levaram para França, onde já joga pela formação secundária do clube, não devendo tardar a chamada à formação principal. Médio ofensivo ou segundo avançado, trata-se de um jogador de baixa estatura, mas com uma velocidade impressionante, capaz de impor ritmos extremamente fortes ao jogo, pois tem grande capacidade de aceleração, que consegue aliar a uma boa técnica individual e, sobretudo, a uma capacidade de drible excelente, tratando-se de um especialista no ziguezague em progressão, até porque joga com facilidade com os dois pés, apesar do direito ser o mais forte. Com uma grande tendência para procurar iniciativas individuais deverá ganhar uma maior consciência colectiva, necessitando de melhorar a sua capacidade no último passe, onde é algo intermitente, apesar de revelar uma boa leitura das desmarcações dos seus colegas de equipa. Contudo, apesar de lhe faltar alguma capacidade física, trata-se de um jogador que protege a bola e sabe esconde-la, não sendo nada fácil desarmá-lo sem recorrer a faltas. Especialista na transformação de lances de bola parada, mostra-se muito forte em finalizações na área, sobretudo no um para um com o guarda-redes, pois desmarca-se muito bem e tem um remate fácil, o que o torna particularmente perigoso em estratégias de contra-ataque.

Victor Moses Victor Moses (Inglaterra) . 12-12-1990. Crystal Palace. Médio ofensivo ou segundo avançado, que deixou excelentes indicações no Torneio do Algarve em Fevereiro passado, onde marcou o golo da Inglaterra diante de Portugal (1-0), nasceu na Nigéria, mas rumou a Inglaterra, como exilado, depois de perder os pais. Foi uma das grandes figuras deste Europeu, ao sagrar-se melhor marcador da competição, juntamente com o alemão Toni Kroos, com três golos em cinco partidas, totalizando 395 minutos de competição. Extremamente dotado do ponto de vista técnico, é capaz de excelentes pormenores, tanto a nível do drible como em simulações, projectando-se também através da velocidade e da potência que emprega às suas acções, ainda que, em algumas situações, tende a individualizá-las excessivamente. Possui também atributos a nível da visão de jogo e do passe, mas destaca-se ainda mais como finalizador: perigoso a aparecer dentro da área, desmarca-se de forma inteligente e ganha com facilidade posição aos adversários, mostrando facilidade e enquadramento no remate, como também tem um bom disparo de fora da área, tirando partido do seu sentido de baliza e potência. Apesar das suas características ofensivas, ajuda, quando necessário, nos processos defensivos, mostrando capacidade de pressão e consciência colectiva. Necessita, no entanto, de se tornar mais constante, pois tende a desaparecer no decurso das segundas partes, o que até motivou a sua substituição na final, onde realizou a sua exibição mais fraca no Europeu, muito por culpa da ausência de Lansbury. Ainda não se estreou pela equipa principal do Crystal Palace, o que deverá acontecer em breve, mas não deverá demorar a dar o salto para uma equipa de potencial mais elevado.

Nill De Pauw (Bélgica) . 6-1-1990. Lokeren. Jogador de características ofensivas, que no seu clube, desempenha, várias vezes, a função de unidade mais avançada da equipa, foi adaptado neste Europeu, por imperativos de ordem táctica e, provavelmente, de ordem física – dar maior poder de choque e capacidade no jogo aéreo – foi adaptado à zona central do terreno, actuando como segundo trinco. Não desiludiu na sua nova tarefa, mas por pouco conhecimento da sua nova posição, revelou-se algo irregular e, por vezes, algo perdido sobre o terreno, algo que procurou compensar com a sua capacidade de luta e de trabalho em prol do colectivo. Contudo, foi quando teve oportunidade de jogar no meio campo ofensivo, quer ao centro, quer sobre as alas, que o seu futebol explodiu, já que se trata de um jogador muito interessante do ponto de vista técnico, capaz de criar desequilíbrios em acções individuais, como também evidencia qualidades a nível da visão de jogo e do passe, mostrando um bom critério de selecção do tipo e do tempo de passe. Aparece igualmente com facilidade em posições de remate, mostrando sentindo de baliza: apontou 2 golos na competição, em 4 jogos sempre como titular, totalizando 329 de utilização.

Nacer Barazite Nacer Barazite (Holanda) . 27-5-1990. Arsenal. Jogador de origem marroquina, nasceu já na Holanda, dando nas vistas nos escalões de base do NEC Nijmegen e, posteriormente, na selecção de sub-16 da Holanda, onde foi descoberto por “olheiros” do Arsenal, que não hesitaram a aconselhar a sua aquisição, que acabou por se concretizar no Verão passado. Este ano, ao serviço do clube londrino, apontou 5 golos em 26 jogos pela formação sub-18, justificando também algumas chamadas à equipa de reservas, pela qual fez 9 jogos. Médio ofensivo ou segundo avançado de origem, foi utilizado no Europeu sub-17 como extremo, variando entre a direita e a esquerda, numa opção duvidosa, que acabou por não produzir resultados, pois apesar de alguns apontamentos de grande qualidade, não teve o rendimento que era esperado. Titular nas 4 partidas, jogou sempre a tempo inteiro, totalizando 320 minutos de utilização, apontando um golo na partida de estreia diante da Bélgica. Muito inteligente do ponto de vista táctico, conhece bem os terrenos que pisa, ocupando bem os espaços, para além de se revelar pressionante e inteligente a cortar linhas de passe. Gosta de ter a bola nos pés e de assumir os processos de condução e construção de jogo, mas o jogo demasiado pausado e centralizado da Holanda não favoreceu as suas acções, já que o 4x3x3 o obrigava a estar demasiado aberto sobre a faixa. Ainda assim, quando a bola lhe chegou, mostrou tendência a derivar para o meio, tirando partido do seu futebol rápido e evoluído do ponto de vista técnico, que lhe permite criar desequilíbrios no um para um, como também mostra qualidade a nível do passe e do remate, já que aparece com facilidade em posições de finalização.

Henning Sauerbier Henning Sauerbier (Alemanha) . 6-1-1990. Bayer Leverkusen. Médio ala ou extremo, que deixou muito boas indicações no Torneio do Algarve deste ano, ao apontar golos diante de Portugal e Inglaterra, que acabaram por se revelar decisivos para o triunfo germânico na competição, efectuou um Europeu irregular, bem abaixo das expectativas, apesar de ter sido titular nas 4 partidas da Alemanha: fez 1 jogo completo e em 3 foi substituído, totalizando 242 minutos de competição, não marcando nenhum golo. Actuou preferencialmente aberto na ala direita, com funções de médio-ala, no 4x2x3x1 que a Alemanha utilizou, ainda que, esporadicamente tenha aparecido também pela esquerda. Jogador destro, destaca-se sobretudo pela extrema velocidade com que explora o seu flanco, mas pagou bastante o preço da Alemanha ter apostado muito pouco em ataques rápidos, estilo de jogo que favorece as suas características, como ficou provado no Torneio do Algarve. Apesar de algo limitado do ponto de vista físico, trata-se de um jogador solidário e com virtudes tácticas, já que ajuda nos processos defensivos, fechando os espaços e pressionando, mas acaba por se desgastar nessas tarefas, perdendo fulgor nas segundas partes, pois não gere muito bem o esforço, acusando demasiada “electricidade”. Do ponto de vista técnico apresenta alguns atributos, mas necessita de ganhar maior consistência, já que, por vezes, a sua velocidade excessiva acabou por atrapalhá-lo em acções de condução. Ainda assim, mostrou algumas virtudes a nível dos cruzamentos, como também capacidade para aparecer em situação de finalização na sequência de desmarcações sem bola, mas a pontaria, ao contrário do que aconteceu no Algarve, não esteve afinada.

Henri Saivet Henri Saivet (França) . 26-10-1990. Bordéus. Extremo-direito, que se adapta com facilidade à esquerda ou mesmo a jogar nas costas do avançado mais fixo, foi titular nas 4 partidas da França no Europeu sub-17, completando 2 jogos e sendo em 2 ocasiões substituído, totalizando 284 minutos de utilização. Jogador de origem senegalesa, destaca-se, sobretudo, pela extrema velocidade que imprime ao seu jogo, com uma impressionante capacidade de aceleração e de explosão, à qual, por vezes, consegue aliar o seu potencial técnico, nomeadamente um bom drible curto, tornando-se perigosíssimo no um para um, pois também é bastante potente em progressão, mas falta-lhe uma maior consistência e coordenação no seu jogo, sobretudo quando assume a condução, já que, muitas vezes, perde objectividade, acabando por revelar-se trapalhão e algo desastrado. Capaz de explorar diagonais, como também de romper de trás para a frente em zona central, em acções com e sem bola, sabe-se desmarcar e não tem receio de partir para cima dos adversários, mas falta-lhe uma maior regularidade a nível do último passe. Possui um remate forte de pé direito, mas necessita de trabalhar o enquadramento.

Iago Falqué Iago Falqué (Espanha) . 4-1-1990. Barcelona. Extremo ou médio ofensivo galego, que o Barcelona “roubou” ao Real Madrid em 2001, depois de ter sido revelado pelo Victoria de Vigo, já é conhecido em Espanha como o “canhoto de ouro”, jogando quase de olhos fechados com Fran Merida e Bojan Krkic, com quem se cruzou nas categorias de base do Barcelona. Titular nas cinco partidas da Espanha no Europeu, apenas completou uma, totalizando 366 minutos de utilização, apontando 2 golos, diante da França e da Ucrânia, ainda na fase de grupos da competição. Canhoto, actuou preferencialmente sobre a direita do ataque da selecção espanhola, mas também experimentou outras posições: na final, diante da Inglaterra, actuou na esquerda do ataque, e na fase de grupos, diante da Alemanha, face às ausências de Bojan Krkic e de Isma López, acabou por ser a unidade mais ofensiva, função para a qual parece menos talhado. Jogador de grande talento, mas irregular e algo inconsistente, desaparece com facilidade dos jogos e não gosta de cumprir missões de sacrifício, mostrando dificuldades em cumprir as acções defensivas que lhe estavam incumbidas. Com a bola nos pés, transforma-se, tornando-se num jogador desequilibrador: muito forte na recepção e no controlo da bola, revela-se um bom condutor de jogo, muito forte do ponto de vista técnico, ainda que lhe falte alguma capacidade de explosão e tenda a individualizar em demasia as suas acções, mas parte para cima dos adversários com grande facilidade, criando desequilíbrios no um para um fruto dos seus dribles curtos. Pouco talhado para procurar a linha de fundo, mostra-se muito forte a explorar diagonais, um dos pontos-chave do seu jogo, sobretudo da direita para o meio, mas também da esquerda para o meio, mostrando grande facilidade e enquadramento no remate. Evidencia também argumentos muito válidos a nível do passe, ainda que deva ganhar uma muito maior consciência colectiva. Frágil do ponto de vista físico, cai, por norma, de produção nas segundas partes, o que acaba por justificar o facto de ter sido 4 vezes substituído ao longo da competição. Terá que evoluir bastante a esse nível.

Lucas Porcar Lucas Porcar (Espanha) . 18-2-1990. Espanyol. Estrela das equipas de base do Espanyol, onde costuma actuar como médio ofensivo ou segundo avançado, com liberdade total de movimentos, acabou por ser o 12º jogador de Espanha ao longo da competição, mas os seus bons desempenhos como suplente utilizado, com particular destaque para o jogo com a Bélgica das meias-finais, acabaram por dar-lhe a titularidade na final. Jogou as 5 partidas, totalizando 213 minutos de utilização, actuando preferencialmente na direita do ataque, mas, a espaços também ao meio, onde rende mais. Trata-se de um jogador com grande capacidade de sacrifício, que cumpre tarefas defensivas, mostrando um belíssimo sentido táctico e é inteligente a fazer pressão, conseguindo conquistar algumas bolas. Contudo, as suas características são ofensivas e é aí que se destaca mais. Muito rápido e habilidoso a sair para o ataque em velocidade, possui também uma boa técnica individual, mas não se prende de forma excessiva à bola, sabendo jogar simples e a poucos toques, ainda que, em algumas situações, arrisque e crie desequilíbrios no um para um, mostrando critério e inteligência nas decisões. Com boa visão de jogo, sabe ler as desmarcações dos seus colegas e impor ritmos, mostrando potencial no último passe. Procurou pouco a baliza adversária ao longo da competição, o que contrasta um pouco com as suas prestações no clube, onde costuma apontar vários golos.

Thibault Bourgeois Thibault Bourgeois (França) . 5-1-1990. Metz. Médio ala ou extremo, tanto à direita como à esquerda, ou avançado, foi utilizado neste Europeu por François Blanquart como médio ala esquerdo, apesar de se tratar de um jogador destro. Titular indiscutível, realizou as 4 partidas da França, todas completas, totalizando 320 minutos de utilização, que lhe valeram um golo, na fase de grupos, diante da Ucrânia. Jogador muito evoluído do ponto de vista posicional, fecha muito bem os espaços, o que se enquadra perfeitamente no rigor táctico exibido pela selecção francesa, que, por norma, partia de um 4x5x1 defensivo para um 4x3x3 em situação ofensiva. Extremamente lutador e pressionante, não dá espaços ao lateral adversário, impedindo-o de subir, como também recupera algumas bolas, quer junto à linha, quer em deslocação a espaços interiores, já que está sempre disponível para trabalhar em prol do colectivo, evidenciando uma boa leitura dos lances. A nível ofensivo, apesar de alguns predicados interessantes a nível técnico, mostra-se demasiado previsível no drible, quando procura situações de um para um, acabando por ser desarmado. Ainda assim, não desiste do lance e procura recuperar a bola, mas é mais eficiente quando explora a sua velocidade e mobilidade em desmarcação do que em condução, mostrando predicados muito interessantes a nível dos cruzamentos, já que coloca a bola com facilidade na área. Perigoso em contra-ataque, sobretudo quando lançado para desmarcação em diagonal, necessita de refinar a finalização, já que se mostra excessivamente perdulário em lances de um para um com o guarda-redes adversário, acusando demasiada ansiedade no momento do remate.

Danny Rose Danny Rose (Inglaterra) . 2-7-1990. Leeds United. Produto das escolas do Leeds United, esteve muito perto de rumar ao Chelsea no Verão passado, mas acabou por não seguir o mesmo caminho de Michael Woods, seu antigo colega de clube e actual companheiro na selecção. Contudo, é um jogador desejado por vários clubes da Premier League, e não deverá demorar a dar o “salto”. Titular nos cinco jogos que a Inglaterra disputou no Europeu, totalizou 358 minutos de competição, marcando um golo diante da Islândia. Médio ala ou extremo esquerdo, trata-se de um jogador versátil e de grande sentido táctico, que, em algumas situações, sobretudo defensivas, se desloca para posições interiores, dando indicações que pode também desempenhar as funções de médio interior esquerdo num 4x3x3. Muito dinâmico e objectivo, trata-se de um jogador que assume, com facilidade, a condução de jogo, tirando partido da sua velocidade, aliada a uma capacidade técnica interessante, mas não fulgurante, apesar de alguns pormenores a nível do drible, que lhe permitem criar vários desequilíbrios no um para um. Dotado de uma boa visão de jogo, mostra grande facilidade no passe, tanto interior como exterior, para além de chegar com facilidade à linha de fundo, de onde tira cruzamentos extremamente perigosos, colocando a bola na área com grande facilidade e precisão. Do ponto de vista defensivo, sabe ocupar os espaços, mostrando bons predicados de ordem táctica, não só a fechar o flanco, como também a preencher o espaço interior, pressionando e evidenciando potencial no desarme ou a cortar linhas de passe, partindo imediatamente para acções de ataque. Apesar de se tratar de um jogador canhoto, utiliza com grande facilidade o pé direito, mostrando uma boa capacidade de remate, sobretudo na sequência de diagonais da esquerda para o meio.

Luciano Narsingh Luciano Narsingh (Holanda) . 13-9-1990. Heerenveen. Avançado holandês, capaz de desempenhar qualquer posto entre a esquerda e o centro, foi mais utilizado aberto à esquerda do ataque. Titular nas 4 partidas da Holanda no Europeu, totalizou 272 minutos de utilização, pois apenas completou a partida de estreia diante da Bélgica. Apontou um golo, na derrota 2-4 diante da Inglaterra, o jogo que acabou por ditar o afastamento da sua selecção do “top 4” da competição. Jogador rápido, dinâmico e muito móvel, mais talhado para romper em diagonais em direcção à área do que para procurar a linha de fundo, mostra também uma capacidade técnica interessante e também bastante agilidade, o que lhe permite criar desequilíbrios no um para um, mas o seu jogo nem sempre tem a objectividade desejada, perdendo-se em mais um adorno, que acaba por lhe retirar o tempo ideal para uma assistência ou um remate. Frágil do ponto de vista físico, fica, por norma, a perder em situações de choque. Sabe aparecer em posições de remate, dentro da área, tirando partido de um bom poder de desmarcação e de antecipação sobre os defesas, mostrando facilidade no remate, muitas vezes a um toque, mas deve melhorar a definição do seu remate cruzado.

Ismael López ‘Isma’ Ismael López “Isma” (Espanha) . 29-1-1990. Athletic. Avançado-centro de origem, com muitos golos ao serviço das equipas de base da formação basca, a presença de Bojan Krkic na equipa, deslocou-o para a ala esquerda do ataque, onde não rende tanto, mas as trocas de posição com Krkic acabaram por revelar-se num factor importante de desequilíbrio, pois baralharam as marcações das defesas adversárias. Utilizado nas 5 partidas, foi titular em 3, mas apenas completou 1 jogo, totalizando 242 minutos de utilização, que não lhe valeram golos. Esse facto, e a afirmação de Lucas Porcar, acabou por atirá-lo para o banco na final diante da Inglaterra, onde rendeu Yago Falqué nos instantes finais da partida. Pouco talhado para actuar aberto na ala e para procurar a linha de fundo, raramente o fez, optando permanentemente por diagonais, com e sem bola, em direcção à área, tirando também partido da sua capacidade para se desmarcar e de uma muito interessante capacidade de recepção em progressão. Do ponto de vista técnico não revela grandes predicados, apesar de alguns bons movimentos curtos, típicos da sua formação como avançado-centro, nomeadamente a jogar de costas para a baliza e em acções de rotação sobre os defesas, mas destaca-se sobretudo pela velocidade e potência que emprega nas suas acções, aparecendo com facilidade em posições de remate, mostrando potência e colocação no disparo de pé esquerdo e predicados também na utilização do pé direito, tratando-se de um jogador muito forte em finalizações cruzadas. Com potencial do ponto de vista físico, sabe chocar com os defesas adversários e consegue ganhar lances no corpo a corpo, para além de se tratar de um avançado agressivo e pressionante, que consegue efectuar algumas recuperações no meio campo adversário.

Sascha Bigalke Sascha Bigalke (Alemanha) . 8-1-1990. Hertha Berlim. Avançado extremamente baixo, com cerca de 1.65 e menos de 60 kgs., foi o melhor marcador da Fase de Apuramento para o Europeu, como também do Torneio do Algarve deste ano, competição em que apontou 3 golos – 2 diante da França e 1 frente à Inglaterra. No Europeu de sub-17 marcou um golo, de grande penalidade, diante da Ucrânia, em 4 jogos, todos como titular, mas apenas dois completos, totalizando 251 minutos de competição, onde depois de uma estreia auspiciosa diante da Ucrânia acabou por cair de produção. Apesar das suas características físicas e técnicas serem as de um falso avançado ou extremo, na selecção alemã actua como avançado-centro, tanto sozinho como acompanhado por Sukuta-Pasu, um jogador mais possante, curiosamente de origem congolesa. Extremamente rápido e móvel, por vezes até demasiado eléctrico, devido ao seu elevado dinamismo, Bigalke vive, sobretudo, do seu jogo exterior, aparecendo preferencialmente sobre as faixas, mas também em posições mais recuadas ao centro, criando espaços para serem explorados por Toni Kroos ou por Sukuta-Paso, quando coincidiram em campo, já que, diversas vezes, baralha o sistema defensivo do adversário com as suas permanentes movimentações. Bem dotado do ponto de vista técnico, parte para cima dos adversários e sabe assumir a condução de jogo, impondo ritmos fortes, fruto da sua velocidade e capacidade de aceleração, mas também mostra predicados a nível da visão de jogo e do passe, fazendo excelentes aberturas de ruptura, que acabam por se transformar em assistências para finalizações. Muito limitado do ponto de vista físico – falta-lhe força, capacidade de choque e cai de rendimento durante as segundas partes – e sem poder no futebol aéreo, trata-se de um jogador muito oportuno dentro da área, que se antecipa com grande facilidade aos adversários, mostrando um remate fácil e colocado de pé direito. Do ponto de vista defensivo revela-se extremamente lutador e pressionante, assumindo, muitas vezes a toda a largura do terreno, dentro do meio-campo ofensivo, a pressão ao condutor de jogo do adversário, conseguindo alguns desarmes, como também se destaca a cortar linhas de passe em antecipação. É, também, um especialista na transformação de grandes penalidades.

Damien Le Tallec Damien Le Tallec (França) . 19-4-1990. Rennes. É o irmão mais novo de Anthony Le Tallec, também ele um jogador com passado nas selecções inferiores francesas, pois sagrou-se Campeão do Mundo de sub-17 em 2001, passando depois, sem grande sucesso, pelo Liverpool, com quem ainda mantém contrato, apesar de ter estado emprestado ao Sochaux, clube ao serviço do qual venceu a Taça de França este ano, marcando um golo na final. Damien Le Tallec acabou por ser o melhor jogador francês no Europeu sub-17, marcando 2 golos – bisou diante da Alemanha – em 4 jogos, todos como titular e a tempo inteiro. Produto das escolas do Le Havre, transferiu-se, há dois anos, para o Rennes, onde se tem destacado como goleador nas categorias de base, tendo já merecido chamadas à formação de reservas. Avançado-centro, trata-se de um jogador que nunca se dá à marcação, e que faz alarde de uma extrema mobilidade, que lhe permite explorar espaços exteriores à área, tanto ao centro, para participar em tabelas e acções de construção, como sobre as faixas, até porque no seu clube actua, várias vezes, como extremo-direito, de forma a tirar partido das suas diagonais em direcção à área. Contudo, não se trata de um jogador que se destaque pela velocidade e capacidade de explosão, como também por grandes pormenores de ordem técnica, mas é extremamente inteligente nas movimentações, com e sem bola, e muito forte em acções curtas, já que joga muito bem de costas para a baliza e é extremamente ágil e eficiente em movimentos de rotação sobre os defesas, tirando também partido da sua pujança física, ganhando-lhes a frente. Mostra também capacidade a nível do passe, quer em combinações mais à base de passes curtos com os médios interiores, quer em passes médios em direcção às alas. Em zona de finalização é agressivo e sabe tirar partido do seu bom poder de desmarcação e de antecipação, para ganhar posição aos adversários, evidenciando potencial no futebol aéreo, como também um remate forte com os pés, sobretudo o direito, finalizando bem a um-dois toques.

Bojan Krkic Bojan Krkic (Espanha) . 28-8-1990. Barcelona. O melhor jogador do Europeu de sub-17, e, muito provavelmente, o melhor jogador do Mundo da classe 1990. Filho de Krkic, antigo jogador do Estrela Vermelha e da selecção jugoslava, que decidiu acabar a carreira em Espanha, onde se viria a casar e fixar, já deslumbrara na edição passada do Europeu, onde acabou por revelar-se como o “joker” de ouro da selecção espanhola e melhor marcador da competição, confirmando o porquê dos mais de 800 golos apontados nas categorias inferiores do Barcelona. Na edição deste ano, acusou um pouco a carga competitiva desta temporada, em que se destacou como o melhor jogador da equipa B do Barcelona, tendo tido a oportunidade de se estrear pela equipa principal, num particular diante do Al-Ahly, de Manuel José, marcando um golo, o que aumentou, ainda mais, a carga mediática e a pressão em seu redor. Contudo, nota-se que é um jogador com excelente cabeça, inteligente e preparado para atingir o topo, sem perder humildade, mas a sua visibilidade acaba por levar os defesas a fazerem marcações extremamente cerradas e a abusarem em jogo faltoso sobre ele. Utilizado nas 5 partidas da Espanha no Europeu, foi titular em 4, somando 344 minutos de utilização e dois golos, ambos decisivos: o que valeu o prolongamento, nas meias-finais, diante da Bélgica, a 9 minutos do fim da partida ; e o da final, diante da Inglaterra, que valeu o título de campeã da Europa sub-17 à Espanha. Neste Europeu, actuou preferencialmente como unidade mais avançada da sua selecção, mas sente-se, claramente, mais à vontade, a dispor de liberdade de movimentos do que como referência de ataque. Assim, as trocas de posição com Isma López acabaram por ser determinantes, já que Krkic revela-se tremendo a executar diagonais da esquerda para o meio, como também a procurar outros espaços exteriores e a partir em direcção à área com a bola bem colada ao seu magistral pé direito, sempre de cabeça levantada e com grande agilidade mental na altura de tomar decisões – quando os outros começam a pensar, já Bojan decidiu o que fazer. Fisicamente franzino, nota-se que desenvolveu, durante o último ano, a sua potência física e o poder de choque, o que faz com que seja cada vez mais difícil travar as suas progressões, mas está longe de ser um jogador individualista: tem grande sentido colectivo e nunca vira a cara à luta ; joga para e com a equipa, tirando também partido da sua excelente visão de jogo e fantástica capacidade de passe, que lhe permite fazer vários passes a rasgar ; mas, quando é necessário, como aconteceu nas partidas decisivas deste Europeu, assumiu a responsabilidade de fazer a diferença. Extremamente rápido, com um poder de arranque e uma capacidade extraordinária para mudar de velocidade, possui atributos técnicos de gala, com uma excelente gama de dribles, que lhe permitem criar inúmeros desequilíbrios no um para um. Possui também um remate fácil e potente, com uma colocação extraordinária e extremamente imprevisível, pois finaliza com igual facilidade dentro – esteve algo perdulário no 1x1 com os guarda-redes adversários – e fora da área, em bola corrida ou bola parada. Na próxima temporada deverá ganhar espaço na equipa principal do Barcelona, sendo certo que irá realizar a pré-temporada sob o comando de Frank Rijkaard.

Rhys Murphy Rhys Murphy (Inglaterra) . 6-11-1990. Arsenal. Avançado-centro, que marcou presença no último Torneio do Algarve, onde marcou um golo, de grande penalidade, diante da França, foi descoberto por “olheiros” do Arsenal no Wimbledon, afirmando-se como uma das figuras da formação sub-18 do clube londrino esta temporada, onde jogou, muitas vezes, ao lado do português Rui Fonte, apontando 17 golos em 21 jogos, que lhe valeram também a presença em alguns jogos de reservas dos “Gunners”. No Europeu sub-17, apontou 1 golo em 4 jogos como titular, representativos de 280 minutos de utilização, já que falhou a estreia diante da Islândia, devido a castigo. Avançado muito móvel, que explora muito bem espaços exteriores, tanto sobre as alas, como em zonais mais centrais, joga com grande à vontade fora da área, mostrando um boa capacidade de passe e de condução de bola no último terço do terreno, pois é um jogador rápido, incisivo e com potencial técnico, o que lhe permite criar desequilíbrios no um para um, mas também se sabe desmarcar em acções sem bola, aparecendo com facilidade em posições de remate. Forte em movimentos de frente para a baliza, nota-se que tem muito trabalho de ponta-de-lança, já que se sente também à vontade a jogar de costas para a baliza, recebendo e protegendo a bola com firmeza, para além de rodar com extrema facilidade sobre os defesas, ganhando-lhes posição. Dentro da área é extremamente perigoso: muito oportuno, alia um forte jogo aéreo – belo poder de impulsão e tempo de salto – a uma finalização fácil com ambos os pés, apesar do direito ser o mais forte, mas deverá trabalhar ainda mais o enquadramento. Lutador e com boa capacidade física, não dá uma bola por perdida, mostrando também capacidade para se impor em duelos mais físicos.

Christian Benteke Christian Benteke (Bélgica) . 3-12-1990. Genk. Avançado-centro belga, de origem africana, foi titular nas 4 partidas da Bélgica no Europeu sub-17, totalizando 297 minutos de utilização, fruto de 2 jogos completos e 2 incompletos. Marcou um golo, na goleada de 5-1 diante da Islândia, na 3ª jornada da fase de grupos. Extremamente poderoso do ponto de vista físico, funcionou, várias vezes, como unidade de referência dos ataques rápidos dos belgas, pela interessante capacidade que revelou a jogar de costas para a baliza: sabe proteger a bola e temporizar, esperando a entrada em velocidade de Hazard ou de algum dos alas. Cumpriu essa missão de forma positiva, pois apesar de não revelar grandes atributos de ordem técnica, aspecto que terá que trabalhar, mostra uma capacidade de passe curto interessante, como também sabe movimentar-se, caindo, quando necessário, para as alas, de forma a criar espaços para os seus colegas de equipa entrarem de trás para a frente em zona central. Avançado lutador e agressivo, por vezes até em demasia, mostra-se particularmente talhado para situações de corpo a corpo, onde sai, muitas vezes, a ganhar, para além de revelar potência e um remate forte, mas a necessitar de uma maior e melhor definição.

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Sul-Americano Sub-20: 48 jogadores para o futuro (parte um)
quarta-feira, 31 janeiro 2007

Sergio Romero Sergio Romero (Argentina) . 22-2-1987. Racing Club. O melhor guarda-redes do Sul Americano sub-20, realizou uma prova em crescendo, acabando com 4 jogos consecutivos sem sofrer golos e 390 minutos de inviolabilidade, registo de grande qualidade para uma competição com estas características. Totalista da Argentina, somou 810 minutos de competição, fruto de 9 jogos a tempo inteiro, em que sofreu 8 golos e manteve por 5 vezes a sua “baliza virgem” – diante da Venezuela, na 1ª fase, e de Paraguai, Chile, Colômbia e Uruguai, na fase final da prova. Presença regular nas selecções inferiores argentinas, já deu nas vistas no último Mundial sub-17, sendo, desde aí, seguido por vários clubes europeus, que viram o “apetite” aguçar-se depois deste reaparecimento a grande nível numa competição internacional. No Racing Club ainda não teve oportunidade de se estrear em jogos oficiais pela equipa principal, com quem trabalha há dois anos, tendo já sido suplente não utilizado em vários jogos da principal Liga argentina. Muito forte fora dos postes, revela uma grande eficácia nas saídas por alto, tirando partido da sua excelente constituição física – 1.92/87 -, que lhe garante firmeza e segurança a atacar a bola, como também uma boa leitura dos lances, antecipando-se, de forma inteligente, às movimentações dos adversários. Para além disso, gosta de desempenhar a função de libero, colocando-se, quando a sua equipa está com a posse de bola, à entrada da sua área, mostrando-se sempre atento às bolas perdidas, até porque demonstra uma grande facilidade a jogar com os pés, lançando, com precisão, tanto com as mãos como com os pés, iniciativas ofensivas. O seu principal problema acaba por ser a colocação entre postes: gosta de jogar adiantado e assume esse risco, que faz com que seja, em algumas ocasiões, surpreendido por remates de fora da área. Contudo, é muito ágil e elástico, o que lhe permite protagonizar algumas defesas de elevado grau de dificuldade e altíssimo aparato, ainda que possa moderar alguma tendência para procurar dar espectáculo.

Cássio Cássio Ramos (Brasil) . 6-6-1987. Grêmio Porto Alegre. Começou o Sul-Americano como suplente, mas acabou-o como titular, estatuto que agarrou após a partida diante do Paraguai, a última da primeira fase, em que teve a oportunidade de se estrear, mostrando, desde logo, um nível superior ao do seu “rival” Muriel, guarda-redes do Internacional de Porto Alegre. Esteve 540 minutos na baliza do Brasil no Sul-Americano 2007, representativos de 6 jogos como titular – todos completos -, em que sofreu 6 golos e viu 1 cartão amarelo, acabando o torneio com 2 “balizas virgens” consecutivas, diante de Paraguai e Colômbia, depois de ter também parado uma grande penalidade de Cavani, no Brasil-Uruguai, da antepenúltima jornada da segunda fase. Guardião do Grêmio de Porto Alegre, já teve a oportunidade de se estrear, a temporada passada, na Série A do Brasileirão, jogando alguns minutos diante do Fluminense, em Outubro de 2006. Contudo, a aposta não teve continuidade e Cássio espera agora, no Campeonato Gaúcho 2007, ter mais oportunidades. Extremamente dotado do ponto de vista físico – 1.95/92 – mostra argumentos pouco habituais nos guardiões brasileiros, saindo bem dos postes, quer pelo chão – é forte no um para um com os avançados adversários e destemido a atacar a bola -, quer pelo ar, onde mostra à vontade, ainda que possa melhorar, em algumas ocasiões, o tempo de saída, aspecto onde denota algumas deficiências. Forte entre postes, apesar da estrutura física, revela-se extremamente ágil e elástico, controlando bem toda a baliza, chegando com rapidez e facilidade a ambos os cantos, protagonizando algumas defesas de elevado grau de dificuldade. Muito comunicativo, mostra capacidade de liderança e corrige, frequentemente, o posicionamento dos seus colegas do sector defensivo. É, também, rápido a sair para iniciativas ofensivas, lançando alguns lances de contra-ataque. Pode melhorar a sua colocação, já que tem uma tendência excessiva para jogar adiantado, o que dificulta a sua acção, sobretudo em remates de fora da área.

Libis Arenas Libis Arenas (Colômbia) . 12-5-1987. Envigado FC. Pretendido por diversos clubes europeus, o guardião colombiano realizou uma 1ª fase de Sul-Americano de altíssimo nível, com prestações fantásticas diante de Argentina (vitória 2-1), Uruguai (derrota 0-1) e Equador (vitória 1-0). Contudo, uma desastrosa exibição diante do Chile (derrota 0-5) e outro jogo menos conseguido diante do Uruguai (derrota 0-2), na segunda fase da prova, acabaram por fazer com que perdesse a titularidade para David Ospina. Ao todo, somou 5 jogos como titular, representativos de 450 minutos de utilização -, sofrendo 9 golos e mantendo por uma vez a “baliza virgem”. Guardião do Envigado FC, estreou-se com apenas 17 anos na principal Liga da Colômbia, mas ainda não se fixou como titular, sendo, por norma, o suplente de Janer Serpa, que se transferiu recentemente para o Tolima. É um guardião com boa constituição física – 1.86 / 80 – e com experiência a nível internacional, pois já participou, como titular, no Mundial Sub-20 de 2005, onde sofreu 4 golos em 4 jogos, e no Mundial Sub-17 de 2003, onde fez 6 jogos, ajudando a Colômbia a chegar ao 4º lugar da prova. Trata-se de um guarda-redes muito ágil e com grandes reflexos, capaz de intervenções de grande nível entre postes, tanto por cima como por baixo. Muito elástico, chega com facilidade a ambos os postes, mas pode trabalhar mais a colocação, aspecto onde, em algumas situações, revela algumas carências. Fora dos postes, mostra grande à vontade nas saídas aéreas, ainda que tenha tendência para socar a bola e raramente procurar desfazer cruzamentos de forma completa. Arrisca muito, mesmo fora da pequena área, o que faz com que cometa alguns erros. Nas saídas aos pés dos adversários mostra-se rápido, corajoso e decidido, para além de segurar bem a queda. Tem capacidade de liderança, comandando, por vezes com alguns exageros, o seu sector defensivo. É rápido a lançar ataques: tem um lançamento manual longo, colocando a bola a larga distância ; possui um pontapé forte e muito alto, colocando, quase sempre, a bola numa posição central, a meio do meio campo adversário.

Amaral Amaral (Brasil) . 5-9-1987. Palmeiras. Titularíssimo na selecção brasileira, efectuou as 9 partidas da sua Selecção no Sul-Americano, somando 794 minutos de utilização, em que apenas viu um amarelo, fruto de 8 jogos completos e 1 incompleto. Jogador revelado pelo Fortaleza, onde se impôs como titular, na Série A do Brasileirão, com apenas 17 anos, foi contratado há um ano pelo Palmeiras, clube que já representou em 11 ocasiões na divisão maior do futebol brasileiro. Lateral direito extremamente ofensivo, faz com grande facilidade todo o corredor, transformando-se, em acção de ataque, em médio ala ou extremo direito. Na segunda fase da competição, foi utilizado também a lateral-esquerdo, adaptando-se bem à função, de forma a suprir a ausência de Carlinhos, devido a castigo. Muito rápido e com grande capacidade de aceleração, desdobra-se bem em acções de ataque, mostrando facilidade em assumir jogo pelo flanco. Dotado de um potencial técnico interessante, perde-se, em algumas ocasiões, em adornos, que acabam por fazer com que seja desarmado, perdendo objectividade. Deve ganhar uma maior regularidade a nível do passe e dos cruzamentos, mas, sobretudo no último item, já revela pormenores muito interessantes. Apesar de frágil fisicamente – 1.66/58 -, apresenta uma boa condição física que lhe permite fazer todo o corredor ao longo do jogo. Do ponto de vista defensivo necessita de evoluir, de forma a ganhar uma consistência maior: para já, revela-se mais à vontade na defesa de posições exteriores, onde não é fácil batê-lo em velocidade, do que na defesa de espaços interiores, onde revela limitações, quer no futebol aéreo, quer na marcação.

Gabriel Mercado Gabriel Mercado (Argentina) . 18-3-1987. Racing Club. Começou a prova como suplente, não tendo sido utilizado nas duas primeiras partidas da Argentina, mas o fraco rendimento de Miguel Ángel Torren, abriu-lhe as portas da titularidade, jogando preferencialmente como lateral-direito, num esquema de quatro defesas, mas também como central pela direita, num esquema com três centrais. Ao todo, realizou 5 jogos como titular, 4 deles completos, totalizando 424 minutos de competição, em que viu 3 amarelos e 1 vermelho por acumulação, diante do Paraguai, já na 2ª fase, e que o obrigaram a falhar as partidas diante de Chile e Uruguai na fase decisiva da competição. No Racing Club ainda não fez a sua estreia na equipa principal, apesar de já ter sido convocado para alguns jogos da Liga argentina. Defesa polivalente, pode jogar como lateral-direito ou a defesa-central pela direita, num esquema com dois ou três centrais, que é a sua posição de origem. Jogador de características defensivas, preocupa-se quase que exclusivamente em cumprir do ponto de vista defensivo, mostrando-se forte do ponto de vista físico – 1.80/71 -, aliando uma boa capacidade de choque com um bom jogo aéreo, que lhe permite garantir competência na defesa de posições interiores, como também exteriores, revelando um bom poder de desarme e capacidade para jogar na antecipação, ainda que se revele extremamente contundente e agressivo na abordagem aos lances, o que lhe custou vários cartões ao longo da prova. A nível ofensivo é muito pouco participativo, raramente penetrando no meio-campo adversário. Razoável no passe – mais eficaz no curto do que no longo -, efectuou muito poucos cruzamentos ao longo da competição, não mostrando grandes atributos a esse nível.

Dagoberto Currimilla Dagoberto Currimilla (Chile) . 26-12-1987. Huachipato. Jogador polivalente, capaz de desempenhar diferentes tarefas sobre a ala direita, foi utilizado em 6 jogos como titular, mas apenas completou um jogo, tendo sido substituído em 5 ocasiões, a que juntou ainda uma partida como suplente utilizado, totalizando 511 minutos de utilização. Viu 3 cartões amarelos, o que fez com que falhasse o último jogo diante do Paraguai, devido a castigo. Revelação da temporada 2005 no futebol chileno, justificou chamada à selecção principal do seu país, pela qual se estreou, com apenas 18 anos, num particular diante da Nova Zelândia. Depois de apontar 3 golos em 28 jogos na Liga 2005, perdeu um pouco de espaço na época passada, onde apontou 1 golo em 16 jogos, sendo que só 2 foram na condição de titular. Médio ala direito de origem, pode também desempenhar funções interiores pela direita, como também fazer todo o corredor, como volante lateral, num esquema com três centrais, algo que aconteceu na maior parte dos jogos do Chile no Sul-Americano. É um jogador destro, algo franzino, com claras características ofensivas, mas disponível também para trabalhar defensivamente, mostrando capacidade de luta e de pressão, notando-se que se sente mais à vontade a jogar na antecipação do que nos lances corpo a corpo. Rápido, desmarca-se ou progride com facilidade pelo seu flanco, mostrando uma boa capacidade no passe lateral, mas falta-lhe uma maior regularidade e acerto a nível dos cruzamentos, tanto em bola parada como em bola corrida, já que alterna o bom com o mau com demasiada frequência. Revelou algumas limitações de ordem física, sentindo dificuldades em completar os 90 minutos, como também se mostrou um jogador irregular e intermitente, que desaparece com alguma facilidade dos jogos.

Martín Cáceres Martín Cáceres (Uruguai) . 7-4-1987. Defensor Sporting. O melhor defesa-central do Sul-Americano 2007, foi titular, a tempo inteiro, em 7 das 9 partidas do Uruguai na prova, falhando, por castigo, as duas partidas diante da Argentina, já que completou 2 séries de cartões amarelos, uma em casa fase. Assim, totalizou 630 minutos de competição, em que não marcou qualquer golo. Revelação da primeira fase do Campeonato uruguaio, impôs-se como titular do Defensor Sporting, pelo qual marcou 4 golos em 14 partidas na Liga, confirmando no Sul-Americano as boas exibições protagonizadas no último semestre de 2006, que o deverão conduzir em breve ao futebol europeu. Apesar de não apresentar grandes argumentos de ordem física – 1.79/75 -, trata-se de um defesa-central agressivo – por vezes em demasia, aspecto que deverá moderar -, com capacidade nos lances corpo a corpo, para além de se evidenciar muito forte na marcação e extremamente inteligente do ponto de vista posicional, transmitindo enorme segurança. Rápido sobre a bola, joga com grande facilidade na antecipação, para além de evidenciar um excelente poder de desarme, tanto pelo chão como pelo ar, pois apesar de não ser muito alto, domina o espaço aéreo, tirando partido de um muito bom poder de impulsão e tempo de salto, que lhe permite igualmente criar perigo em lances de bola para ofensivos. Do ponto de vista técnico apresenta também argumentos muito interessantes, mas não gosta de arriscar, e quando é necessário joga feio. Contudo, se tem oportunidade ou espaço para o fazer, sabe sair a jogar, assumindo a primeira fase de construção, mostrando boa visão de jogo e boa capacidade de passe, não só curto, mas também médio e longo, quando procura um futebol mais directo.

Nicolás Larrondo Nicolás Larrondo (Chile) . 4-10-1987. Universidad de Chile. Titular em 8 dos 9 jogos do Chile nesta competição, apenas não completou a partida diante do Brasil, na 2ª fase, por ter sido expulso por duplo-amarelo, curiosamente no único jogo em que foi admoestado, o que o afastaria da partida diante da Argentina (0-0). Apontou 3 golos no Sul-Americano - 2 diante da Bolívia (1ªfase) e 1 diante da Colômbia (2ª fase) – como também 1 auto-golo, diante do Peru, na primeira fase da competição, em 687 minutos de utilização. Presença pouco regular na equipa principal do seu clube, soma apenas 7 jogos – 6 deles como titular – na principal equipa da Universidad de Chile. Central pela direita, enquadra-se bem num esquema com dois ou três centrais, mostrando-se sólido nos processos defensivos, tanto em acções de marcação como numa missão mais solta, onde sabe tirar partido de um bom sentido posicional, mas é também um defesa eficaz em acções de desarme e a jogar na antecipação. Forte no jogo aéreo, mostrou um bom controlo do espaço aéreo em acção defensiva, surpreendo pelo potencial no jogo de cabeça na área adversária, que lhe acabou por valer três golos. Sem grandes alaridos do ponto de vista técnico, opta, quase sempre, por processos simples e práticos, nunca complicando.

Carlos Tordoya Carlos Tordoya (Bolívia) . 31-7-1987. Arsenal Sarandí. Titular nas 3 primeiras partidas da Bolívia no Sul-Americano, esteve ausente do 4º jogo, diante do Peru, devido a castigo, pois foi expulso diante do Brasil, no único jogo em que foi admoestado, acabando por totalizar 244 minutos de utilização na competição, em que se destacou como a melhor unidade da selecção da Bolívia, que capitaneou. Ainda não efectuou a sua estreia pelos argentinos do Arsenal Sarandí, clube que tem vindo a representar nas reservas e para o qual se transferiu depois de ter completado a formação no Rosario Central, que o descobriu na Academia Tahuichi, na Bolívia, falando-se de um eventual regresso ao seu país para representar o Bolívar. É um defesa-central agressivo e pressionante, bem constituído do ponto de vista físico – 1.83/73 -, que acaba por se impor com facilidade nos confrontos físicos, mostrando-se talhado para acções de marcação, até porque é eficaz no desarme, tanto pelo chão, como pelo ar, até porque é um defesa forte no futebol aéreo, mas que poderá tornar-se mais acutilante em bolas paradas ofensivas. Dotado também de um bom sentido posicional, mostra capacidade de liderança e voz de comando no sector defensivo, para além de potencial a empurrar a equipa para a frente, saindo a jogar de cabeça levantada.

Federico Fazio Federico Fazio (Argentina) . 17-3-1987. Ferrocarril Oeste. Titular nos dois primeiros jogos da Argentina no Sul-Americano, perdeu o lugar após uma exibição menos conseguida diante da Colômbia, jogo em que até marcou um golo – o seu único na competição -, mas recuperá-la-ia na fase final da prova, onde apenas falhou a última partida, frente ao Uruguai, devido a castigo. Somou 6 jogos, todos como titular, sendo que 5 foram completos, representativos de 529 minutos de competição, tendo visto 3 cartões amarelos. Contratado pelo Sevilha, que ficou convencido com as suas prestações ao longo da prova, dará um “salto” da Nacional B argentina, onde era titular da equipa do Ferrocarril Oeste - 17 jogos, em que viu 2 cartões vermelhos -, para a Liga espanhola. Defesa-central destro e marcador, destaca-se por ser muito forte do ponto de vista físico – 1.95/85 -, duro – por vezes, excessivamente agressivo, algo que deve moderar – e forte nas lutas corpo a corpo, onde se impõe com grande facilidade, para além de revelar um bom poder de desarme e um muito interessante poder de antecipação, que acaba por compensar alguma dureza de rins, sobretudo quando os adversários aparecem vindos de trás para a frente em velocidade, e algumas deficiências a nível posicional, aspecto que por certo limará com trabalho específico em Sevilha. Muito forte no jogo aéreo, revela-se insuperável pelo ar a nível defensivo, como também perigoso em acção ofensiva, sobretudo a conquistar bolas, pois necessita de aprimorar a sua técnica de cabeceamento em direcção à baliza. Tecnicamente não se trata de um jogador muito dotado, mas opta, quase sempre, por processos simples e práticos, ainda que possua um pontapé muito forte, que lhe permite colocar a bola a larga distância, mas pode melhorar a precisão no passe.

David David (Brasil) . 21-5-1987. Palmeiras. Teve uma passagem curta pelo Sul-Americano 2007, mas suficiente para se mostrar como o melhor defesa-central do Brasil na competição, apesar de ter começado a prova como 4ª opção para o lugar. Efectuou 3 jogos como titular – completou apenas um – totalizando 203 minutos de utilização, em que marcou um golo, diante do Uruguai, na 2ª fase. No único jogo em que foi admoestado – diante do Paraguai, na 2ª fase -, acabou por ser expulso, por duplo amarelo, numa altura em que tinha conquistado a titularidade. Defesa central destro, evidencia uma capacidade física imponente – 1.87/82 -, que lhe permite impor-se nos lances divididos com grande facilidade, ainda que em alguns casos abuse do contacto com os adversários, tornando-se excessivamente faltoso, o que lhe custou a expulsão diante do Paraguai. Contudo, trata-se de um defesa muito eficaz no desarme, tanto pelo chão como pelo ar, tirando partido de um bom tempo de entrada aos lances e de um bom jogo aéreo, mostrando-se impetuoso na abordagem aos lances, o que o deixa também à vontade a jogar na antecipação, pois é um defesa rápido, o que o coloca num patamar superior ao de Thiago Heleno e Eliézio, dois centrais lentos e duros de rins, com características muito próximas. Do ponto de vista técnico e a nível do controlo de bola apresenta algumas limitações, que procura compensar jogando de forma simples e prática, não procurando fazer aquilo que não sabe. Mostrou presença na área adversária na sequência de lances de bola parada, onde soube tirar partido do seu bom jogo aéreo.

Carlos Zambrano Carlos Zambrano (Perú) . 10-7-1989. Schalke 04. Defesa-central, de apenas 17 anos, apenas somou 180 minutos de utilização no Sul-Americano 2007, fruto de 2 jogos a titular, diante de Brasil e Chile, em que viu 2 cartões amarelos. Contudo, a sua ausência nos jogos diante de Paraguai – opção – e Bolívia – castigo – acabou por se revelar determinante para a falta de coesão defensiva dos peruanos, que saíram de competição com 4 derrotas em 4 jogos. Jogador do Schalke 04, foi contratado pelo conjunto alemão após uma excelente participação no Mundial sub-17 de 2005, e encontra-se incorporado na formação sub-19, onde rapidamente se afirmou como líder, apesar de ter estado algum tempo afastado devido a uma grave lesão, que ficou bem debelada. É um central com enorme potencial, provavelmente o segundo melhor da competição, logo atrás de Martín Cáceres, isto apesar da paupérrima campanha peruana no Sul-Americano. Muito forte do ponto de vista físico e difícil de bater no um para um, trata-se de um defesa que joga com igual à vontade na marcação ou solto, revelando um bom sentido posicional, como também rapidez e agressividade na abordagem aos lances, que faz com que corte inúmeras linhas de passe, tirando partido de um muito bom poder de antecipação e capacidade de pressão, já que sai com inteligência e eficácia de posição. Forte no desarme, tanto pelo chão como pelo ar, deve, no entanto, moderar os seus ímpetos agressivos na abordagem a alguns lances, mas trata-se de um central contundente e que não gosta de perder, destacando-se também por possuir uma capacidade de liderança pouco comum num jogador tão jovem. Do ponto de vista ofensivo, aparece bem na área adversária na sequência de lances de bola parada, como também sabe sair a jogar, assumindo uma primeira fase de construção de jogo ofensivo, mostrando uma muito interessante capacidade de passe.

Cristián Suarez Cristián Suárez (Chile) . 6-2-1987. Unión San Filipe. Titularíssimo no eixo central da defensiva do Chile efectuou os 9 jogos da sua selecção no Sul-Americano, todos como titular e a tempo inteiro: não marcou qualquer golo em 810 minutos de competição, tendo visto 2 cartões amarelos. Habitual titular do Unión San Filipe, emblema da 2ªDivisão do Chile, é pretendido por vários clubes da divisão maior do futebol chileno. Defesa destro, mas não totalmente cego de pé esquerdo, destaca-se pela capacidade defensiva e poder físico: bom marcador, dá poucos espaços ao seu adversário directo, impondo-se, por norma, nos lances divididos, ainda que, em algumas ocasiões, abuse um pouco do contacto físico, revelando-se algo faltoso e demasiadamente agressivo na abordagem aos lances. Sente-se, no entanto, menos à vontade, quando é obrigado a disputar lances em velocidade, mostrando alguma lentidão, que procura ludibriar com um razoável posicionamento e o seu habitual poder de choque. Forte no jogo aéreo, mostrou-se mais à vontade do ponto de vista defensivo do que ofensivo, onde deve tornar-se mais acutilante na procura da baliza adversária na sequência de lances de bola parada. Do ponto de vista técnico não é um jogador muito dotado: contudo, não complica, e opta, quase sempre, por processos simples, mas deverá trabalhar a capacidade de passe e evitar a sua tendência natural para procurar um futebol directo, de forma a poder atingir outro patamar.

Matías Cahais Matías Cahais (Argentina) . 24-12-1987. Boca Juniors. Capitão da selecção argentina de sub-20, foi titular em 8 dos 9 jogos da Argentina no Sul-Americano 2007, só falhando a partida diante da Colômbia, por castigo, na sequência da expulsão, no período de descontos, na partida frente ao Chile. Totalizou 720 minutos de competição, marcando 2 golos, ambos na 2ª fase: um frente ao Brasil e outro diante do Paraguai, que valeu uma vitória por 1-0. Para além do cartão vermelho por acumulação de amarelos, viu um cartão amarelo durante a competição. Apesar de apontado como um dos centrais promissores do futebol argentino, ainda não se conseguiu impor na primeira equipa do Boca Juniors, isto apesar de ter feito a sua estreia com 17 anos, marcando um golo ao Almagro (derrota 2-3). É um central canhoto, que confirmou neste Sul-Americano, as excelentes indicações dadas no último Torneio de Toulon: apesar de não se tratar de um central rápido e de se mostrar algo duro de rins, o que o deixa demasiado exposto quando tem pela frente adversários mais rápidos, sabe tirar partido de um bom sentido posicional e da sua capacidade física para se impor, atacando a bola com grande contundência e mostrando-se forte na antecipação, ainda que, em algumas ocasiões, se revele extremamente duro. É, também, muito forte no futebol aéreo, não só em situação defensiva, como também em ofensiva, tratando-se de um jogador muito perigoso na sequência de lances de bola parada. Líder, apesar da sua juventude mostra já uma personalidade muito forte, dando instruções e coordenando as operações defensivas. Elegante, sabe sair a jogar, mostrando capacidade para assumir uma primeira fase de construção.

Carlinhos Carlinhos (Brasil) . 23-1-1987. Santos. Lateral-esquerdo, estava a realizar uma prova muito boa até ser expulso diante do Chile, na sequência dos confrontos entre jogadores das duas equipas na fase final do jogo da 2ª fase, que acabou por lhe custar o afastamento de duas partidas da segunda fase. Assim, totalizou 556 minutos de utilização, fruto de 6 jogos como titular e de 1 como suplente utilizado, em que viu 1 cartão amarelo e 1 cartão vermelho. Presença cada vez mais regular na primeira equipa do Santos, Carlinhos, que já foi chamado à Selecção principal, soma 2 golos em 24 partidas na Série A do Brasileirão, desde que se estreou, em Junho de 2005, com apenas 18 anos, diante do Fortaleza. Lateral de forte propensão ofensiva e boa condição física, que lhe permite fazer todo o flanco, é dotado de um belo pé esquerdo e transforma-se, à semelhança de Amaral, num autêntico médio-ala/extremo em situação ofensiva, mas mostra-se mais eficaz nos processos defensivos do que o seu compatriota, revelando um maior conhecimento táctico e maior eficácia, tanto na defesa de posições interiores como exteriores, onde, ainda assim, se sente mais à vontade. Do ponto de vista ofensivo, é um lateral rápido, com bom toque de bola e remate potente, tanto em bola parada como em bola corrida. Eficaz nos cruzamentos, coloca a bola com facilidade e precisão na área, proporcionado aos avançados várias assistências para finalização. Deve, no entanto, moderar um pouco a sua tendência para individualizar as jogadas, que acaba por lhe retirar objectividade nas acções, assim como ganhar maior consistência no passe, onde alterna o bom com o mau com relativa frequência, fruto de alguma precipitação.

Gonzalo García Gonzalo García (Argentina) . 6-2-1987. Racing Club. Defesa extremamente regular, foi titularíssimo na lateral-esquerda da selecção argentina, onde se esperava a presença de Emiliano Insúa, jogador dos ingleses do Liverpool, que ficou remetido à condição de suplente. García efectuou 8 partidas, todas completas, totalizando 720 minutos de competição, em que viu 2 cartões amarelos, que acabariam por afastá-lo da partida diante do Uruguai, a última da competição. Já teve a oportunidade de se estrear pela equipa principal do Racing, realizando uma partida diante do Banfield, em Novembro passado. É um jogador que se destaca pela regularidade, mostrando, apesar de alguma fragilidade do ponto de vista físico – 1.70 / 64 -, uma boa capacidade do ponto de vista defensivo, sobretudo na defesa de espaços exteriores, onde não é fácil batê-lo, pois trata-se de um jogador muito lutador e pressionante, com argumentos interessantes no desarme e que não é fácil de bater em velocidade, até pela sua entrega total ao jogo. Em espaços interiores, mostra conhecimentos tácticos interessantes, fechando dentro, mas tem algumas dificuldades no futebol aéreo, que procura compensar com o seu sentido posicional e capacidade para jogar na antecipação. Do ponto de vista ofensivo não arrisca muito, subindo apenas pelo seguro. Quando sobe, utiliza quase sempre processos simples, mostrando-se pouco acutilante, mas muito “certinho”, nunca procurando fazer aquilo que não sabe.

Carlos Carmona Carlos Carmona (Chile) . 21-2-1987. Coquimbo. Pêndulo e “capitão” da selecção chilena, foi um dos totalistas da competição, ao somar 810 minutos de utilização, correspondentes a 9 jogos como titular e a tempo inteiro, em que não marcou qualquer golo e viu 2 cartões amarelos. Presença regular na primeira equipa do Coquimbo, soma já 47 jogos pela formação principal na divisão maior do futebol chileno, tendo apontado 2 golos. Jogador polivalente pode actuar mais sobre o centro ou aberto à esquerda, desempenhando funções de volante-lateral, ainda que, nessa posição, tenha uma grande tendência a deslocar-se para o centro e não progredir pela faixa, até porque mostra pouco potencial com o pé esquerdo. É um jogador lutador, que sabe fechar e ocupar os espaços, para além de sair bem a jogar, mostrando uma boa visão de jogo e capacidade de passe, mais à base do curto, fazendo a bola circular de forma inteligente. Pouco incisivo nos últimos metros, raramente procura a baliza em bola corrida, mas mostra-se um jogador eficaz a bater livres laterais, colocando a bola com grande facilidade na área, como também em livres directos descaídos para o centro-esquerda, de forma a tirar partido do seu remate de pé direito.

Gary Medel Gary Medel (Chile) . 3-8-1987. Universidad Católica. Médio defensivo chileno, pareceu começar o Sul-Americano a acusar um défice físico, mas fez uma competição em crescendo – boas exibições diante de Brasil e Argentina, na 2ª fase -, ainda que tenha pago o preço de um temperamento demasiado quente, ao falhar 2 jogos devido a castigo (Colômbia e Uruguai, na 2ª fase). Foi utilizado em 7 jogos, 6 dos quais como titular – 4 completos, 2 substituído – e 1 como suplente utilizado, totalizando 464 minutos de utilização, em que viu 3 cartões amarelos e 1 vermelho por acumulação, diante do Peru, pouco depois da meia hora de jogo. Promovido à equipa principal da Universidad Católica durante a temporada 2006, realizou apenas um jogo pela formação principal, diante da Universidad Chile (derrota 0-1), mas este ano deverá ter mais oportunidades. Jogador de grande disponibilidade física, ressentiu-se, na primeira fase da competição, de algum défice a esse nível, mas com os jogos foi ganhando “pulmão” e mostrou uma assinalável capacidade de pressão e eficácia nos processos de destruição de jogo. Apesar de algo baixo – 1.70 -, o que faz com que não se sinta particularmente à vontade no futebol aéreo, mostrou-se muito forte no jogo pelo chão: bom marcador, forte no desarme pelo chão e eficaz a jogar na antecipação, aliando um bom sentido posicional a uma agressividade, por vezes, excessiva na abordagem aos lances, algo que deverá rever com urgência, pois perde a cabeça com excessiva facilidade. Do ponto de vista ofensivo é pouco participativo, raramente ultrapassando a linha de meio-campo. Ainda assim, quando chamado a intervir, não procura fazer o que não sabe: joga simples e prático, mostrando capacidade no passe curto e a lateralizar.

Ever Banega Ever Banega (Argentina) . 29-6-1988. Boca Juniors. Já apontado como uma das maiores promessas do futebol argentino e sucessor de Fernando Gago no Boca Juniors, onde ainda não se estreou pela equipa principal, Banega deu mostras do seu grande talento durante o Sul-Americano, ainda que a sua prestação, sobretudo na segunda fase da prova, se visse condicionada com um problema físico, que o afastou do jogo contra a Colômbia, acabando por acusar alguma irregularidade. Ao todo, realizou 7 jogos como titular, 5 dos quais completos, representativos de 591 minutos de utilização. Viu dois cartões amarelos, que acabaram por afastá-lo da partida diante do Brasil, com que a Argentina iniciou a segunda fase da competição. É um jogador que apesar da juventude e da falta de experiência no futebol profissional mostra já um conhecimento elevado do lado táctico do jogo, mostrando competência nos processos defensivos e ofensivos desde o centro do terreno. Eficaz nos processos defensivos, a sua cultura táctica permite-lhe recuperar várias bolas, através de cortes da linha de passe, mas não é tão eficaz a nível do desarme, sobretudo em lances corpo a corpo, onde sentiu muitas dificuldades para se impor, até porque é algo leve, e o levou a cometer algumas faltas. O seu jogo ganha outra dimensão com a bola nos pés. Assim que recupera a bola ou lhe fazem chegar, sabe o que fazer a seguir, mostrando uma boa capacidade organizativa, tirando partido de um bom controlo de bola e de uma boa visão de jogo, para além de uma grande facilidade na selecção e execução dos passes – curtos, médios ou longos -, quase sempre a encontrarem o destino desejado. Tecnicamente mostrou também ser bastante dotado, rodando muito bem sobre os adversários e ganhando lances no um para um, mas faltou-lhe um pouco mais de atrevimento para entrar no último terço de campo, aspecto em que se revelou tímido. Necessita também de ganhar uma maior dimensão física, mas os problemas que o afectaram nesse capítulo, terão condicionado o seu rendimento.

Claudio Yacob Claudio Yacob (Argentina) . 18-7-1987. Racing Club. Suplente não utilizado na desastrosa partida de estreia diante do Equador (1-1), Hugo Tocalli não hesitou em chamá-lo à equipa titular na partida seguinte, diante da Colômbia, e Yacob não mais perdeu o lugar. Titular a tempo inteiro em 8 jogos do Sul-Americano, totalizou 720 minutos de utilização, em que apenas viu 1 cartão amarelo, afirmando-se como um “pêndulo” da zona central do meio-campo argentino. Já teve a oportunidade de realizar dois jogos pela formação principal do Racing, em Novembro e Dezembro passado, mais ainda não se estreou como titular, o que deverá acontecer na segunda metade da época argentina. É um médio de características defensivas, que actua mais fixo do que Banega, e cuja acção é mais posicional e de destruição do jogo do adversário. Muito regular, raramente perde a posição, dando segurança à equipa, pois é muito lutador e pressionante, revelando um enorme “pulmão”. Muito forte em acções de recuperação, alia uma boa capacidade de desarme a um bom poder de antecipação, tirando também partido de uma boa capacidade física – 1.81 / 73 -, que lhe permite impor-se em lances corpo a corpo. Apesar de impetuoso, não faz faltas disparatadas, mostrando até aí um elevado sentido táctico. Do ponto de vista ofensivo, trata-se de um jogador limitado, até porque tecnicamente mostra poucos argumentos. Opta, assim, por jogar de forma simples, quase sempre à base de passes curtos, raramente incorporando acções de ataque, quer em acções com bola, quer sem bola.

Maurício Isla Maurício Isla (Chile) . 12-6-1988. Universidad Católica. Jogador polivalente foi utilizado no eixo central do meio-campo da formação chilena, mas também como central, o que aconteceu diante da Argentina, para suprir a ausência de Larrondo, de forma a completar o tridente defensivo que caracterizou os chilenos, já que José Sulantay apostou num 3x5x2, ou a volante lateral. Jogou 7 das 9 partidas do Chile no Sul-Americano, totalizando 575 minutos de utilização, fruto de 5 jogos completos e de 2 incompletos. Marcou 1 golo, logo na estreia, diante do Brasil, e viu 2 amarelos, que lhe valeram uma partida de suspensão ainda na primeira fase. Sem espaço, até ao momento, na formação principal da Universidad Católica, aguarda oportunidade para se estrear em 2007, o que deverá acontecer muito em breve, pois mostra “madeira” para se tornar numa referência a médio-prazo do futebol chileno. Extremamente elegante e inteligente, demonstra uma polivalência assinalável, que alia a um excelente jogo posicional, mostrando conhecimento dos terrenos que pisa, tanto na defesa como a meio campo. Forte nos processos defensivos, trata-se de um jogador eficaz a nível do desarme, pois, apesar de não se tratar de um jogador que promova muito situações de choque, mostra-se extremamente eficaz a cortar linhas de passe e a jogar na antecipação, para além de evidenciar um bom tempo de entrada aos lances. Contudo, o seu potencial eleva-se com a bola nos pés: assim que recupera uma bola ou lhe fazem chegar o esférico, sabe o que fazer a seguir. Elegante na forma como conduz jogo, joga de cabeça levantada e com a bola colada ao pé direito, mostrando capacidade técnica interessante, e, sobretudo, uma boa leitura de jogo, percebendo muito bem as movimentações/desmarcações dos seus colegas, para além de rapidez, tanto na movimentação como na execução, e grande qualidade no passe: não só curto e médio, como também longo, onde se poderá tornar, no entanto, mais acutilante. Forte a romper de trás para a frente, com ou sem bola, aparece também em zona de finalização, dentro da área ou à entrada desta, mostrando um bom remate de pé direito, como também alguma capacidade no futebol aéreo, que poderá desenvolver.

Lucas Leiva Lucas Leiva (Brasil) . 9-1-1987. Grêmio Porto Alegre. Sobrinho do craque “Leivinha”, bi-campeão brasileiro pelo Palmeiras na década de 70 e antigo jogador do Atlético Madrid, onde era conhecido por “Príncipe”, Lucas Leiva foi outra das grandes figuras da competição, o melhor jogador do Brasil, decisivo na condução da formação brasileira à conquista do Sul-Americano de sub-20. Capitão e pêndulo da selecção brasileira, foi um dos totalistas da prova, ao somar 810 minutos de utilização, representativos de 9 jogos completos, no quais somou 4 golos – 2 na primeira fase, ambos diante do Peru, que valeram a vitória 2-1 ; 2 na segunda fase, diante de Argentina e Colômbia – e viu apenas 1 cartão amarelo. Titular indiscutível do Grêmio de Porto Alegre, no ano do regresso à divisão maior do futebol brasileiro, totalizou 4 golos em 32 jogos, que o transformaram numa das figuras da temporada e lhe valeram a chamada à Selecção principal do Brasil. Médio centro, box-to-box, revela uma maturidade táctica fora do comum, para além de grande capacidade de liderança, que o leva a assumir o jogo em fases mais delicadas, como também a entregar-se de forma total, revelando grande sentido colectivo. Bem dotado do ponto de vista físico, não só a nível da força, que lhe permite impor-se nos lances divididos, mas também no que concerne à condição, não parando de correr os 90 minutos, sabe ocupar os espaços e revela-se um bom recuperador de bolas, cortando linhas de passe e efectuando desarmes. Muito forte na condução e distribuição de jogo, rompe bem de trás para a frente com a bola nos pés, aliando velocidade e potência a uma boa capacidade técnica, que lhe permitem criar desequilíbrios no um para um. Inteligente a ler o jogo, revela-se muito eficaz no passe, mostrando uma boa selecção do mesmo: curto-médio em zona central ; curto-médio-longo do centro em direcção às alas. Possui também um remate forte, para além de grande sentido de baliza, aparecendo com grande facilidade em posições de finalização, a partir de acções com ou sem bola.

Marcel Román Marcel Román (Uruguai) . 7-2-1988. Danúbio. Uma das boas “surpresas” do Sul-Americano 2008, foi titular nas 9 partidas da selecção uruguaia na prova, completando 8 jogos, totalizando 798 minutos de utilização, tendo visto um cartão amarelo. Ainda não teve a oportunidade de se estrear pela equipa principal do Danúbio, o que deverá acontecer em breve, pois trabalha há algum tempo como a equipa principal, mas pelas indicações dadas nesta competição, não deverá demorar a dar o “salto” para o futebol direito. Actuou, preferencialmente, como médio interior direito, no 4x1x2x1x2 uruguaio, mas trata-se de um jogador que, em situação defensiva, apoia bastante o médio mais defensivo, funcionando como segundo trinco. Dotado de elevado sentido táctico e posicional, revela-se um bom recuperador de bolas, muito lutador e pressionante, com boa capacidade de desarme e inteligente a cortar linhas de passe. Contudo, a sua acção não se limita apenas a destruir jogo ao adversário, pois sabe assumir a condução de jogo ofensivo, mostrando uma técnica bastante interessante, como também boa visão de jogo e qualidade no passe, com critério na distribuição e inteligente na gestão dos tempos. É, igualmente, um jogador inteligente a desdobrar-se ofensivamente, aparecendo em posição de remate, ainda que possa trabalhar mais o enquadramento do disparo.

Gerardo vonder Putten Gerardo vonder Putten (Uruguai) . 28-2-1988. Danúbio. Jogador que deu nas vistas no último Mundial sub-17, em 2005, apesar da fraca campanha do Uruguai na competição, voltou a ser preponderante na acção ofensiva da equipa no Sul-Americano 2007. Foi titular em 7 jogos, completando 4, a que juntou ainda uma participação como suplente utilizado, totalizando 607 minutos de competição. Marcou 1 golo, diante do Paraguai, na 2ª fase, e viu 1 cartão amarelo. Actua no Danúbio, mas apesar de já trabalhar com a equipa principal, ainda não realizou a sua estreia como profissional, à semelhança do seu colega de selecção e de clube Marcel Román. Médio de características ofensivas, alternou entre a posição “10”, a sua de origem, e a de médio interior esquerdo, onde deu nota de um crescimento do ponto de vista táctico e posicional, sublinhando-se as boas combinações com o lateral Juan Manuel Diáz. Jogador canhoto, que assume a condução e distribuição de jogo ofensivo, pelos seus pés passaram a maior parte das jogadas de ataque do Uruguai. Apesar de lhe faltar alguma capacidade de explosão, mostra uma boa capacidade técnica, para além de uma boa visão de jogo e muito boa capacidade no passe, realizando várias assistências para finalização, através de venenosos passes de ruptura. Possui também um bom remate de pé esquerdo, tanto em bola corrida, como também em bola parada, para além de mostrar predicados a bater livres laterais e pontapés de canto, colocando a bola com facilidade e precisão na área. O seu jogo carece, no entanto, de uma maior regularidade, para além de necessitar de evoluir do ponto de vista físico, mostrando algumas dificuldades em completar os 90 minutos de jogo, sobretudo se forem disputados a um ritmo mais rápido.

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Sul-Americano Sub-20: 48 jogadores para o futuro (parte dois)
quarta-feira, 31 janeiro 2007

Arturo Vidal Arturo Vidal (Chile) . 22-5-1987. Colo Colo. Segundo melhor marcador da competição e, na minha opinião, o jogador mais completo dos presentes no Sul-Americano de sub-20, pois tem todas as condições para se tornar, em breve, num jogador de “top”. Essa visão será semelhante à dos observadores do FC Porto presentes na competição, pois, segundo a imprensa portuguesa, terão recomendado a sua aquisição, que não se concretizou e dificilmente se concretizará, já que o jogador tem em carteira propostas de vários clubes europeus de topo. Titular a tempo inteiro em 8 dos 9 jogos do Chile, falhou a partida diante da Bolívia, ainda na 1ª fase da competição, por ter visto dois amarelos nos dois jogos iniciais. Ao todo, somaria 3 amarelos na prova, a que juntou 6 golos – 2 na primeira fase (bisou diante do Peru) e 4 na fase decisiva (onde bisou diante do Brasil, com dois golos de grande penalidade, marcando também a Colômbia e Paraguai). Presença regular na equipa do Colo Colo durante a última época, soma já 17 partidas na principal Liga chilena, sendo certo que, se permanecer no clube, ganhará outro estatuto na nova temporada que agora se inicia, até porque, ao que tudo indica, será chamado à selecção principal para um particular no início de Fevereiro. Jogador polivalente, atinge maior rendimento a actuar como médio centro ou médio interior esquerdo, mas pode desempenhar funções de lateral-volante esquerdo, médio ala esquerdo, médio ofensivo, médio defensivo ou defesa central, mostrando um rendimento altíssimo. Destro, mostra-se tremendo nas saídas para ataque: rápido, acutilante, progride bem com a bola nos pés, mas mostra também grande facilidade a desmarcar-se em acções sem bola. Dotado de uma boa técnica individual, para além de uma grande força física, é forte no choque, o que faz com que não seja nada fácil derrubá-lo, como também consegue criar desequilíbrios no um para um, pois sabe aliar a sua boa capacidade técnica, a velocidade e potência em progressão. Dotado de boa visão de jogo, é forte no passe, ainda que, algumas vezes, acuse alguma precipitação, ao querer jogar muito rápido. Aparece também com grande facilidade em posições de remate, mostrando um disparo violento de pé direito, que utiliza com grande facilidade de fora da área, tanto em bola corrida, como em bola parada, mas também dentro de área, concluindo iniciativas ofensivas ou desde os onze metros, para além de mostrar potencial no futebol aéreo na sequência de livres laterais ou pontapés de canto. Do ponto de vista defensivo é também um jogador forte, com boa capacidade no desarme e inteligente na antecipação, mostrando grande capacidade de pressão, para além de uma agressividade excessiva, aspecto que deverá moderar, pois perde a cabeça com relativa facilidade.

Mathias Cardaccio Mathias Cardaccio (Uruguai) . 2-10-1987. Nacional. Titular em 5 jogos do Uruguai no Sul-Americano 2008, acabou por ser prejudicado por problemas físicos, que fizeram com que ficasse de fora das partidas diante de Chile e Argentina na 2ª fase da competição, onde não conseguiu atingir o patamar exibicional da fase inicial. Apenas realizou 1 jogo completo, tendo sido substituído em 4 ocasiões, não efectuando qualquer partida a partir do banco. Assim, totalizou 313 minutos, não marcou qualquer golo e viu 2 cartões amarelos. Jogador do Nacional de Montevideo, ainda não efectuou a sua estreia pela equipa principal, apesar de trabalhar habitualmente com o conjunto sénior. Médio polivalente, de características ofensivas, pode assumir as funções de “10”, como também pode desempenhar o papel de médio centro ou interior ofensivo. Jogador dinâmico e veloz, sabe assumir a condução de jogo ofensivo, marcando bem os ritmos. Dotado de boa visão de jogo, mostra qualidades no passe, tanto em posição central, como a partir do centro em direcção às alas. Aparece com facilidade em posições de remate, mas deverá trabalhar mais o enquadramento, pois tem um disparo forte de fora da área. Do ponto de vista defensivo, não é tão eficiente, mas sabe ocupar os espaços e cortar linhas de passe. Deverá moderar, no entanto, alguns excessos no capítulo disciplinar, como também ganhar uma melhor condição física, pois tem tendência a quebrar de rendimento no decurso das segundas partes.

José Montiel José Montiel (Paraguai) . 19-3-1988. Udinese. Jovem muito promissor e de grande talento, marcou presença no Mundial de 2006, disputado na Alemanha, depois de se ter estreado como internacional A pelo Paraguai nos últimos jogos da fase de qualificação para a grande competição internacional de selecções. É certo que não efectuou qualquer minuto no Mundial, mas a Udinese avançou para a sua aquisição, numa altura em que já era titular do Olímpia, clube onde se estreou na principal Liga paraguaia com apenas 16 anos. Em Itália soma já 8 jogos pela formação de Udine na Série A, mas o seu rendimento tem sido intermitente. No Sul-Americano 2007 alternou momentos de grande fulgor com outros de menor rendimento, acabando a competição em perda e da pior maneira – expulsão diante do Brasil, que o afastou da partida final diante do Chile. Assim, totalizou 342 minutos de utilização, fruto de 4 jogos como titular – apenas um completo – e 3 como suplente utilizado, em que não marcou qualquer golo, tendo visto 1 amarelo e 1 vermelho por acumulação. É um médio centro completo, que ajuda nos processos defensivos, ainda que se destaque mais pela capacidade criativa e organizativa a partir da zona central da intermediária. Revela uma qualidade técnica acima da média, que lhe permite criar desequilíbrios no um para um em condução, para além de evidenciar uma boa visão de jogo e grande potencial no passe, que lhe permitem projectar a equipa ofensivamente e realizar várias assistências para finalização. Para além disso, mostrou um remate forte de fora da área, mas a necessitar de trabalhar o enquadramento. Contudo, nem tudo foram “rosas” nas suas actuações: apesar de ser capaz de fazer a diferença numa jogada, mostrou também um carácter complicado – cabeça demasiado quente – e muita irregularidade, alternando, com facilidade exasperante, bons momentos com períodos de franco apagamento ou de uma quase total falta de inspiração, para além de alguma inconstância do ponto de vista físico, acabando por cair de produção no decurso das segundas partes.

Juan Pablo Pino Juan Pablo Pino (Colômbia) . 30-3-1987. Independiente Medellín. Uma das principais estrelas do Sul-Americano 2007, foi, talvez, o jogador que apresentou maiores argumentos durante a competição, andando, em algumas ocasiões, com a sua equipa às costas, realizando uma prova em crescendo, que lhe valeu a transferência para os franceses do AS Mónaco, que garantiram a sua aquisição ao Independiente, onde era habitual titular, totalizando 4 golos em 40 partidas na Liga colombiana. Totalizou 600 minutos de competição, fruto de 6 jogos como titular, 5 deles completos, e de 2 como suplente utilizado, sendo que num deles, diante do Equador, na primeira fase, saiu do banco para resolver a partida, marcando o tento do triunfo do colombiano. Marcou dois golos no Sul-Americano 2007: o outro apontou-o diante do Paraguai, já na 2ª fase do torneio, em que não viu qualquer amarelo, mostrando-se sempre mais preocupado em jogar futebol, do que em perder tempo com quezílias. Médio ofensivo, com características de “nº 10”, gosta, no entanto, de romper em diagonais desde as alas em direcção ao centro do terreno. Sem capacidade defensiva e com pouco sentido colectivo, aspectos em que terá que evoluir para se adaptar ao futebol europeu, até porque tende a individualizar as acções, trata-se de um verdadeiro “craque”, com grande controlo de bola e excelente pé direito, capaz de pormenores de ordem técnica notáveis, que aliados à sua enorme velocidade em condução e agilidade natural, permitem-lhe acelerar o jogo e criar inúmeros desequilíbrios no um para um, até porque não revela qualquer receio em partir para cima dos adversários, mostrando capacidades para definir uma partida. Dotado de um remate forte e colocado de pé direito, o seu mais forte, é igualmente capaz de definir de pé esquerdo, aparecendo com facilidade em posições de remate e evidenciando sentido de baliza. Mostra também facilidade a criar jogo, apesar da sua tendência para jogar sozinho. No entanto, tem boa visão de jogo e é forte no passe e nos cruzamentos, realizando várias assistências para finalização, mas poderá ganhar uma maior consciência colectiva, pois, em algumas situações, acaba por perder o melhor tempo para definir a jogada. Contudo, é também capaz de descobrir espaços, onde, aparentemente, não existem.

Maximiliano Morales Maximiliano Moralez (Argentina) . 27-2-1987. Racing Club. Médio criativo da Argentina, que usou a mítica “10”, foi titular em 7 dos 9 jogos da sua selecção no Sul-Americano, efectuando 4 partidas completas. Suplente utilizado na última partida diante do Uruguai, esteve ausente da partida da primeira fase diante do mesmo adversário, por ter visto 2 cartões amarelos na primeira fase da prova, onde marcou o seu único golo na prova – diante da Venezuela. Totalizou 596 minutos de utilização. No Racing Club, acabou o Torneio Apertura como titular, somando 4 golos em 16 jogos, tendo já ultrapassado a fasquia das 30 partidas na principal Liga argentina, onde se estreou com 18 anos. Médio ofensivo, que tanto pode actuar como “nº10” puro, a partir de uma posição central, como também sobre as alas, preferencialmente a direita, onde apareceu em diversas ocasiões, trata-se de um jogador muito móvel, veloz e de grande electricidade, o que contrasta com o seu físico frágil – 1.61 / 53 – que lhe vale a alcunha de “Anão”. Pouco dado a tarefas de recuperação, até pelas limitações de ordem física, que o deixam sempre a perder em situações de choque, trata-se de um jogador com grande capacidade para assumir a condução de jogo ofensivo – nunca se esconde e é extremamente dinâmico - e muito inteligente na interpretação das movimentações dos seus colegas, o que lhe permite ler o jogo com mestria, mostrando grandes atributos a nível do passe, deixando, várias vezes, os seus colegas isolados através de brilhantes passes de ruptura. Do ponto de vista técnico é um jogador bastante dotado, mas não individualiza excessivamente as suas acções, apesar de mostrar-se forte a romper de trás para a frente ou das alas para o meio com a bola nos pés, até porque é um jogador rápido e muito forte a mudar de velocidade. Para além das limitações de ordem física, poderá ganhar uma maior ambição pela baliza adversária, já que, muitas vezes, opta por passes ou cruzamentos – outro aspecto em que é muito forte -, quando tem condições para procurar o golo.

Lautaro Acosta Lautaro Acosta (Argentina) . 14-3-1988. Lanús. Médio de características ofensivas ou avançado móvel, começou a prova como titular da selecção argentina, mas “pagou” com o banco, a má estreia diante do Equador. Depois de dois jogos como suplente utilizado e um no “banco”, foi, de forma algo surpreendente, titular diante do Brasil, no início da fase final da prova. Ficou de fora nas partidas diante de Paraguai e Colômbia, intervaladas por nova titularidade, desta feita diante do Chile. Contudo, o seu momento de glória chegaria nos descontos da última partida, diante do Uruguai: saído do banco, deu à Argentina a vitória no jogo, que valeu também a qualificação para os próximos Jogos Olímpicos. Ao todo, Acosta somou 3 jogos como titular – 2 deles completos -, 3 partidas como suplente utilizado e 3 jogos em que não saiu do “banco”. Totalizou 322 minutos de utilização e 1 golo. Titular da equipa do Lanús, estreou-se na divisão maior do futebol argentino com apenas 17 anos, numa partida diante do Rosário Central. Até ao momento, soma 1 golo em 21 partidas na Liga, a que junta a participação em 3 partidas na Copa Sul-Americana. Apesar da sua participação intermitente, Acosta confirmou o porquê de ter sido considerado uma das revelações do último ano do futebol argentino: jogador rápido e muito móvel, talhado para conduzir acções de ataque, mostra uma capacidade técnica e de drible muito interessantes, que lhe permitem criar desequilíbrios no um para um, pois apesar do seu físico frágil, não teme o confronto com os defesas adversários. Mais talhado para o último passe, onde pode tornar-se mais constante, mostra também argumentos como finalizador, tirando partido do seu bom poder de desmarcação e de desdobramentos interessantes na sequência de tabelas 2x1, uma das suas especialidades. Falta-lhe, no entanto, uma maior consistência táctica e também uma maior participação no jogo, já que tende, em algumas situações, a algum apagamento.

Juan Pablo Arenas Juan Pablo Arenas (Chile) . 22-4-1987. Colo Colo. Observado, ao que se diz, pelo Sporting, o autor do melhor golo do Sul-Americano 2007, num espectacular chapéu a 50 metros da baliza, diante da Colômbia, raramente foi mais do que um suplente utilizado na selecção chilena, onde somou 264 minutos de utilização, representativos de 2 jogos como titular – apenas um completo – e de 5 partidas como suplente utilizado. Apontou 2 golos – o outro foi diante do Paraguai, na última jornada da 2ª fase, numa finalização de pé direito, dentro da área – e viu 2 amarelos. Até ao momento, soma 9 partidas pela equipa principal do Colo Colo na Liga chilena, mas ainda não marcou qualquer golo. Trata-se de um “10” puro, destro e algo frágil do ponto de vista físico, que pode também desempenhar funções de médio interior ofensivo, mas não se sente à vontade quando obrigado a cumprir missões tácticas e defensivas, aspecto que terá que rever para atingir outro patamar competitivo, pois não gosta de correr atrás da bola. É, no entanto, um jogador capaz de pormenores deliciosos, dotado de boa técnica, capacidade de condução e visão de jogo, com argumentos muito interessantes a nível do passe e dos cruzamentos, tanto em bola corrida como em bola parada, para além de possuir um bom remate de pé direito. Necessita também de aparecer mais em jogo, pois a sua participação é algo intermitente: aparece e desaparece das partidas com grande facilidade.

Tchô Tchô (Brasil) . 21-4-1987. Atlético Mineiro. “Joker” da selecção brasileira, começou a competição como suplente utilizado, tendo marcando 3 golos em 5 jogos nessa condição. Acabaria por ganhar um lugar como titular nas últimas três partidas do Brasil no Sul-Americano, mas não foi tão preponderante como havia sido como suplente utilizado, apesar de ter mostrado excelentes pormenores. Ao todo, apontou 3 golos – Bolívia e Paraguai, na 1ª fase, e Chile, na 2ª fase – sempre a partir do banco, em 8 jogos – 3 como titular (nenhum completo) e 5 como suplente utilizado – representativos de 300 minutos de utilização, tendo visto um cartão amarelo. Presença regular na primeira equipa do Atlético Mineiro, onde tem vindo a conquistar cada vez mais espaço, somando 2 golos em 23 partidas entre Série A e B do Brasileirão. Actua, preferencialmente, como médio ofensivo, mas a sua polivalência permite-lhe também actuar como médio centro ou segundo avançado. Jogador destro, muito veloz e com boa capacidade de aceleração, rompe bem de trás para a frente, tirando partido de combinações 2x1, uma das suas especialidades. Tecnicamente dotado e com bons predicados no passe, recua, diversas vezes, à zona do central do terreno, para assumir a condução e distribuição de jogo, aspectos em que mostra qualidade, ainda que possa revelar-se mais rápido a soltar a bola em algumas ocasiões, pois tende a procurar situações de um para um com os adversários, perdendo tempo de passe. Inteligente a movimentar-se sem bola, aparece com facilidade em posição de remate, mostrando uma grande sentido de baliza e um disparo potente e colocado de pé direito – o pé esquerdo não é cego e valeu-lhe um golo de “cobertura” diante da Bolívia em lance de um para um com o guarda-redes adversário -, sobretudo em bola corrida, mas também em bola parada. Mostrou algumas debilidades a nível físico, tanto no choque, como para aguentar os 90 minutos quando foi titular, onde se mostrou mais inconstante. Apesar de talhado para acções ofensivas, também sabe ajudar a equipa defensivamente, procurando fechar linhas de passe e ganhar bolas na antecipação.

Willian Willian (Brasil) . 9-8-1988. Corinthians. Outra das maiores figuras da selecção do Brasil e da competição. Titular em 8 das 9 partidas do Brasil, apenas ficou de fora diante do Uruguai, na 2ª fase, depois de ver dois cartões amarelos. Totalizou 617 minutos de competição, em que não marcou golos, mas criou vários, realizando 2 partidas completas e 6 incompletas, pois não pareceu ainda preparado para disputar os 90 minutos a um ritmo mais forte. Jogador das categorias de base do “Timão”, ainda não teve oportunidade para se estrear pela equipa principal, o que deverá acontecer em breve. Médio ofensivo, com características de “nº10”, pode também adaptar-se às alas – preferencialmente a direita, por onde apareceu mais – como também, mais recuado, numa posição de médio centro ofensivo. É um jogador muito rápido e capaz de imprimir ritmos fortes à partida, aliando à sua velocidade uma belíssima capacidade técnica e de drible, que lhe permite criar inúmeros desequilíbrios no um para um, aspecto em que se revelou um dos melhores jogadores da prova. Apesar de ter alguma tendência para procurar acções individuais, mostra também possuir elevado sentido colectivo: lê bem o jogo e sabe impor ritmos, mostrando muita qualidade a nível do passe e dos cruzamentos, fazendo, por isso, várias assistências para finalizações. Necessita, contudo, de melhorar a sua capacidade de remate, aspecto em que evidencia lacunas, sobretudo no capítulo do enquadramento, para além de não se revelar talhado para cumprir acções de recuperação. No entanto, com a bola nos pés, sabe fazer a diferença e, em situações difíceis, mostra personalidade para assumir a responsabilidade de levar a equipa para a frente, não temendo partir para cima dos adversários.

Damián Ísmodes Damián Ísmodes (Perú) . 10-3-1989. Sporting Cristal. Médio ala peruano, foi juntamente com Carlos Zambrano, o jogador que mais se destacou na paupérrima participação do Perú no Sul-Americano 2007, isto apesar de ter apenas 17 anos. Totalizou 280 minutos de competição, fruto de 3 jogos como titular – 2 completos e 1 incompleto – e de 1 jogo como suplente utilizado, tendo visto um cartão amarelo. Chamado à primeira equipa do Sporting Cristal a meio da época passada, estreou-se com 17 anos, acabando por efectuar 12 partidas na Liga, 9 das quais como titular, mas apenas 1 completa, o que não o impediu de conquistar o rótulo de “revelação do ano”. Jogador extremamente interessante, que actua tanto na ala direita como na ala esquerda do ataque, onde rende mais, de forma a tirar partido das diagonais, já que é destro, mas tão totalmente cego de pé esquerdo. Muito rápido e com uma excelente capacidade de aceleração, alia à sua velocidade uma boa capacidade técnica e de drible, ainda que, em algumas situações, exagere no individualismo e nos adornos – recorre muito às “pedaladas”, gesto que celebrizou Robinho - que emprega às suas acções, acabando por perder objectividade. Contudo, não teme o um para um com os defesas adversários e consegue conquistar faltas em zonas próximas da área, para além de assumir a condução de jogo ofensivo desde o flanco, tanto em ataque organizado como em contra-ataque. Pode melhor alguns aspectos: a nível do passe e do cruzamento, apesar de bons pormenores, que lhe permitem realizar assistências para finalizações, nem sempre é constante ; a nível do controlo de bola, sobretudo em movimento, tem tendência a fazer recepções largas, o que permite, em algumas ocasiões, recuperações aos adversários. Possui também um bom poder de desmarcação, em acções sem bola a partir de diagonais, aparecendo com facilidade em posição de remate. Mostra argumentos no disparo de pé direito, quer cruzado, quer em situações de um para um com o guardião adversário.

Danilinho Danilinho (Brasil) . 11-3-1987. Atlético Mineiro. O outro dos “jokers” da selecção brasileira no Sul-Americano, ainda que menos efectivo que Tchô, seu colega de equipa no Atlético Mineiro. Danilinho nunca foi titular, totalizando 125 minutos de competição, fruto de 6 jogos como suplente utilizado. Marcou 1 golo, diante do Paraguai, na 2ª fase, que valeu a vitória do Brasil (1-0), e viu um cartão amarelo. Contratado com apenas 16 anos pelo Schalke 04, que o descobriu nas categorias de base do América de São José de Rio Preto, não se adaptou à Alemanha e regressou ao Brasil, onde passou, sem grande sucesso, por Mirassol, Santos – 9 jogos pela equipa principal em 2005 – e, novamente, pelo América de Rio Preto. Quando parecia que a sua carreira entrava num impasse, explodiu ao serviço do Atlético Mineiro, em 2006, tornando-se numa das grandes figuras do “Galo” na conquista da Série B do Brasileirão, somando 6 golos em 28 jogos, que o tornaram num dos ídolos dos adeptos. Médio ofensivo, com capacidade para jogar nas costas dos avançados ou sobre as alas, pode também desempenhar as funções de avançado móvel. Muito rápido e com uma impressionante capacidade de aceleração, trata-se de um jogador muito móvel e particularmente perigoso em estratégias de contra-ataque, pois é inteligente na exploração dos espaços vazios e mostra bons pormenores de ordem técnica, apesar de revelar dificuldades para se impor em situações de choque e de se agarrar um pouco à bola em algumas ocasiões. No entanto, é um jogador que se desmarca com grande facilidade e sabe aparecer em posições de finalização, sobretudo dentro da área, definindo bem de pé direito. Mostra também predicados a nível do passe, nomeadamente na execução de passes de ruptura em zonas próximas da área, o que lhe permite fazer assistências para finalizações. Falta-lhe alguma “pausa” no jogo – sempre muito eléctrico – como também uma maior consistência a nível exibicional, mas deixou bons pormenores.

Leandro Lima Leandro Lima (Brasil) . 19-12-1987. São Caetano. A “revelação” da selecção brasileira, teve um início de Sul-Americano fulgurante, com um “bis” diante do Chile, mas realizou uma prova em quebra, perdendo mesmo a titularidade nos últimos jogos. Apontou 2 golos em 8 partidas – 7 como titular, apenas 2 completas, e 1 como suplente utilizado, representativas de 560 minutos de utilização – e viu 2 cartões amarelos na segunda fase, que lhe valeram a suspensão diante do Paraguai. Presença regular na equipa principal do São Caetano, apontou 4 golos em 24 partidas na Série A do Brasileirão em 2006. É um médio ofensivo versátil, que tanto pode actuar a partir de uma posição mais central, nas costas dos avançados, como também a partir das alas: apareceu mais à esquerda, mas foi até em diagonais da direita para o meio que se revelou mais perigoso. Apesar de frágil do ponto de vista físico – com pouca capacidade de choque – e de se notar que lhe falta alguma condição para aguentar os 90 minutos, trata-se de um jogador a campo inteiro, que não vira a cara à luta e ajuda em acções de recuperação, não temendo colocar o pé e efectuar acções de desarme, por vezes até com agressividade excessiva. No entanto, é em situação ofensiva que mais se destaca: boa recepção de bola, tanto parado como em movimento, boa condução de jogo, aliando muita rapidez e capacidade de aceleração a uma boa capacidade técnica e poder de drible, o que lhe permite criar desequilíbrios no um para um, ainda que, em algumas situações, perca objectividade no seu jogo, complicando o fácil. No entanto, mostrou-se capaz de fazer a diferença, rompendo bem em diagonais em direcção à área ou de trás para a frente, mostrando potencial também como finalizador: bom remate de pé direito, qualidade também no disparo de pé esquerdo e elevado sentido de baliza, tanto dentro da área, como fora desta.

Ángel Dí María Ángel Di María (Argentina) . 14-2-1988. Rosário Central. O médio-ala/extremo nunca pareceu ser opção prioritária para Tocalli, pois mesmo após “bisar” diante do Uruguai, regressou ao banco dos suplentes na partida seguinte. Ao todo, Di Maria participou em 6 partidas no Sul-Americano, nenhuma delas completa. Foi titular em 2 ocasiões – sempre substituído – e suplente utilizado 4 vezes, tendo nos restantes 3 jogos ficado no “banco”. Totalizou 268 minutos de utilização, que valeram um “bis” diante do Uruguai, ainda na primeira fase, e 2 cartões amarelos. Presença regular na primeira equipa do Rosário Central, ainda que normalmente a partir do banco, estreou-se na principal Liga argentina e na Taça Libertadores com 17 anos, somando, entre as duas competições, 1 golo em 20 jogos. Médio-ala ou extremo esquerdo, que pode também funcionar como médio ofensivo, foi um dos jogadores-chave da Argentina na prova, apesar de não ser opção prioritária para o técnico. Apesar de algo franzino – pouco poder de choque - e ter uma tendência excessiva para individualizar e adornar os lances, perdendo objectividade em algumas acções, trata-se de um jogador desequilibrador e destemido, que assume a condução de jogo e parte para cima dos adversários sem qualquer tipo de temor. Muito rápido, extremamente ágil e com grandes atributos de ordem técnica, acelera o jogo, mostrando pouco tendência pela linha de fundo, optando, quase sempre, por romper em diagonais para dentro. Aí, mostra capacidades no último passe ou para explorar tabelas 2x1 com um dos avançados, evidenciando depois potencial de desmarcação e na finalização, sobretudo com o pé esquerdo, mas poderá trabalhar mais a definição do seu remate, pois, em algumas ocasiões, mostra alguma precipitação e ansiedade excessiva no momento da concretização. Terá também que alcançar uma maior dimensão física, pois dá ideia de não estar preparado para 90 minutos, o que o leva a desaparecer das partidas com alguma frequência, sobretudo quando é titular.

Mathías Vidangossy Mathías Vidangossy (Chile) . 25-5-1987. Unión Española. Utilizado nas 9 partidas do Chile no Sul-Americano 2007, começou por ser suplente, mas ao terceiro jogo, na sua estreia como titular, apontou 2 golos diante da Bolívia, os seus únicos na competição, que acabaram por lhe garantir um posto no “onze” chileno até ao fim da prova, onde também se destacou no capítulo do último passe. Somou 630 minutos de utilização, fruto de 7 jogos como titular – 5 deles completos – e 2 como suplente utilizado, em que para além dos 2 golos que apontou, viu 2 cartões amarelos. Presença regular na primeira do Unión Española, da divisão maior do futebol chileno, é já uma das principais figuras da equipa e da Liga, onde soma 2 golos em 45 jogos. Jogador de características ofensivas, bastante versátil, actua, preferencialmente, aberto na ala esquerda do ataque, de forma a tirar partido das suas diagonais para dentro, pois é um jogador destro, mas pode também desempenhar um papel semelhante na ala direita do ataque ou nas costas do(s) avançado(s). Extremamente potente e explosivo nos últimos 35 metros, revela-se muito forte na exploração de diagonais, onde cria com facilidade desequilíbrios no um para um em acções com bola, mostrando grande competência na condução de jogo ofensivo, pois consegue aliar a sua boa capacidade técnica a velocidade, para além de estar permanentemente à procura de movimentações e desmarcações em acções sem bola. Muito eficaz no desenvolvimento de tabelas 2x1, inicia-as e sabe conclui-las, mostrando também atributos para criar desequilíbrios em acções individuais e definir através de finalizações de pé direito, aspecto em que se poderá tornar mais constante. Para além disso, mostra-se forte no capítulo das assistências para finalização, tirando partido da sua boa visão de jogo e capacidade de passe, como também da sua eficácia nos cruzamentos, tanto em bola corrida como em bola parada. Falta-lhe, contudo, uma maior capacidade física, pois fica muitas vezes a perder em situações de choque, como também revela poucos predicados a participar em acções defensivas.

Alexis Sánchez Alexis Sánchez (Chile) . 19-12-1988. Colo Colo. A principal “estrela” da selecção chilena somou 8 jogos na competição – 6 como titular (3 deles completos) e 2 como suplente utilizado – totalizando 540 minutos de utilização, tendo marcado 1 golo, diante do Brasil, no jogo de estreia. Viu um cartão amarelo e um cartão vermelho, diante do Paraguai, no último jogo do Sul-Americano. O seu passe pertence à Udinese, que o contratou no Verão passado ao Cobreloa, mas optou por emprestá-lo ao Colo Colo, onde formou um “tridente” ofensivo mágico com Matías Fernández, entretanto transferido para o Villareal, e “Chupete” Suazo. Internacional AA pelo Chile, soma já 5 presenças na selecção principal, contando também no seu currículo com 12 golos em 53 jogos na Liga chilena, para além de 1 golo em 10 partidas da Copa Sul-Americana, competição em que o Colo Colo foi finalista vencido. Capaz de desempenhar várias funções no ataque, no Colo Colo tem vindo a actuar preferencialmente entre as alas e o posto de avançado móvel, mas na selecção chilena sub-20 acabou por desempenhar funções de médio ofensivo, próximas do tradicional “nº10”, o que acabou por afastá-lo da zona de finalização, obrigando-o, várias vezes, a pisar terrenos mais recuados para trazer a equipa para a frente. Trata-se de um jogador explosivo no meio-campo ofensivo, capaz de fazer a diferença numa acção individual, já que alia uma velocidade extrema a uma capacidade técnica invulgar – tem uma gama de dribles impressionante -, mostrando-se muito forte em acções de ataque organizado, como também em contra-ataque ou ataques rápidos. Neste Sul-Americano destacou-se sobretudo pela competência para assumir a condução de jogo e a sua distribuição, mostrando uma muito boa visão de jogo e grandes predicados no passe – várias vezes, de primeira -, quer como distribuidor de jogo na primeira metade do meio campo ofensivo, quer como homem do último passe, o que lhe permitiu realizar várias assistências para finalização, evidenciando à vontade no passe curto – o que mais utiliza -, como também no passe médio e longo, realizando excelentes aberturas de 30-35 metros, sobretudo em direcção às alas, lendo bem as desmarcações dos seus colegas de ataque. Forte na execução de lances de bola parada, quer directos, quer indirectos, pois coloca a bola com grande facilidade na área adversária, pecou por mostrar alguma intermitência a nível exibicional, para além de evidenciar algumas fragilidades do ponto de vista físico, já que é pouco possante e sente algumas dificuldades em aguentar os 90 minutos, fruto da sua missão de desgaste no sector intermediário. Apesar da sua tendência natural para individualizar as acções, mostrou saber jogar com e para a equipa.

Carlos Darwin Quintero Carlos Darwin Quintero (Colômbia) . 19-9-1987. Deportes Tolima. Uma das principais unidades da formação colombiana, foi titular em 8 – 6 jogos completos - das 9 partidas da sua Selecção no Sul-Americano 2007, já que foi poupado diante da Venezuela, na última partida da primeira fase da competição. Apontou 1 golo, que valeu a vitória da Colômbia diante da Argentina (2-1), no jogo de estreia, e viu um cartão amarelo. Para muitos foi, em 2006, o melhor jogador da Liga colombiana: marcou 19 golos em 42 jogos pelo Tolima, que juntamente com as suas exibições no Sul-Americano, deverão abrir-lhe brevemente as portas do futebol europeu. Fisicamente extremamente frágil – 1.64/61 - sente grandes dificuldades para se impor nos lances corpo a corpo, mas parte sem receio para cima dos adversários, mostrando-se muito descarado e nada intimidado, mesmo perante entradas mais duras. É, sobretudo, um avançado rompedor, que gosta de actuar solto, ao lado de um avançado mais fixo, de forma a tirar partido de acções das alas para o meio ou de trás para a frente, aliando a sua extrema velocidade a uma boa capacidade de condução nos últimos 30-35 metros, graças à sua técnica individual de grande qualidade, com alguns dribles brilhantes, tirando também partido da sua agilidade natural fruto de um centro de gravidade baixo. Em zona de finalização, mostra atributos, sobretudo com o pé direito, o seu mais forte, mas também de pé esquerdo, que não é cego, e ajuda-o também a projectar-se ofensivamente em lances de um para um. Falta-lhe, no entanto, uma maior consciência colectiva, já que tende a individualizar excessivamente as suas acções, esquecendo-se dos seus colegas de equipa, e mostrando muita sede de protagonismo. Com isso, acaba por perder objectividade no seu jogo. É, também, muito indisciplinado, mostrando um temperamento difícil: é certo que não foi muito castigado do ponto de vista disciplinar, mas está constantemente a protestar com árbitros, adversários e colegas de equipa.

Alexandre Pato Alexandre Pato (Brasil) . 2-9-1989. Internacional Porto Alegre. Um dos jogadores sobre os quais recaiam mais atenções, já que é desejado pela maior parte dos “grandes” europeus, começou a competição, com alguma surpresa, como suplente de Edgar e Fabiano Oliveira, e mesmo depois de apontar dois golos diante do Chile, em 29 minutos em campo, voltou a sentar-se no banco diante do Perú, partida em que entraria ao intervalo. A partir daí fixou-se como titular, jogando sobretudo com Luiz Adriano, seu colega no Internacional, acabando por marcar 5 golos - depois do “bis” diante do Chile, marcou à Bolívia, ainda na primeira fase, e ao Chile (novamente) e ao Uruguai, na 2ª fase – em 8 partidas, 6 das quais como titular (4 completas e 2 incompletas), totalizando 573 minutos de utilização. Viu dois cartões amarelos na segunda fase da competição, que o afastaram da partida da “consagração” diante da Colômbia, impedindo também que lutasse pela conquista do troféu de melhor marcador. Conta apenas com um jogo pelo Internacional de Porto Alegre na Liga Brasileira, mas marcou na estreia: foi diante do Palmeiras, em Novembro passado, pouco mais de dois meses depois de ter completado 17 anos. Participou também na conquista do Campeonato Mundial de Clubes, em Dezembro, marcando 1 golo – diante do Al-Ahly, de Manuel José – em 2 jogos, ambos incompletos. Avançado móvel, particularmente talhado para actuar em 4x4x2, joga, com extrema facilidade, em espaços exteriores à área, mas mostra-se tremendamente perigoso dentro desta, tirando partido de um excelente sentido de oportunidade e fácil definição. Extremamente elegante na forma de jogar, parece ter a bola sempre colada ao pé direito, recebendo e conduzindo com mestria. Consegue aliar a sua velocidade a uma muito interessante capacidade técnica, mostrando-se poderoso no um para um, até porque é fisicamente robusto. Forte em acções com bola, tanto a penetrar na área através de diagonais como de trás para a frente, quando joga mais aberto sobre o flanco, mostra também capacidade para ganhar a linha de fundo. Com capacidade nos cruzamentos, destaca-se mais ainda, em posição central, no último passe, tirando partido da sua visão de jogo inteligente. No entanto, em algumas situações, opta por iniciativas individuais, procurando a finalização, abusando de individualismos. É, também, um avançado muito forte em movimentações sem bola, já que sabe explorar os espaços vazios e tem um sentido de desmarcação excelente, tanto dentro da área, como também, e sobretudo, a sair de uma das alas para o meio. Muito forte a finalizar de pé direito, o seu pé mais forte, mas também com qualidades no futebol aéreo, define muito bem as conclusões, aliando potência a colocação, para além de se revelar muito rápido a atacar a bola, ganhando com uma espantosa facilidade a frente aos defesas. Necessita também de amadurecer um pouco o seu jogo, pois tem uma certa tendência para desaparecer em algumas fases. No entanto, quando reaparece, é capaz de fazer a diferença.

Cristián Bogado Cristián Bogado (Paraguai) . 7-1-1987. Nacional. Avançado, já internacional A pelo Paraguai, estreou-se no particular diante do Chile (derrota 2-3) em Novembro passado, confirmando os seus créditos no Sul-Americano 2007, onde se revelou como unidade fulcral no esquema da selecção paraguaia. Totalizou 611 minutos de competição, fruto de 6 jogos como titular – 5 partidas completas – e 2 partidas como suplente utilizado, em que marcou 3 golos, dois deles de grande penalidade. Marcou dois golos ao Chile, nas duas fases da competição, a que juntou outro golo, diante do Uruguai, na segunda fase, numa partida em que começou no banco dos suplentes. Viu dois cartões amarelos. A nível de clubes foi lançado na primeira equipa do Sol de América com apenas 17 anos, marcando 4 golos em 20 jogos, que lhe permitiram, em 2005, o salto para o Libertad. Pouco utilizado no Libertad, rumou, após o Torneio de Abertura, para o Nacional, onde se conseguiu impor em 2006, apontando 6 golos em 22 jogos, que o tornaram numa das revelações do ano da temporada paraguaia. Avançado muito móvel e agressivo, que se enquadra num 4x4x2 preferencialmente solto, como também num 4x3x3 ou 4x2x3x1, sobre as faixas ou nas costas de um avançado fixo, trata-se de um jogador que gosta de descair para os flancos, ganhando a linha de fundo ou rompendo em diagonais em direcção à área, mas também aparece com grande facilidade em posições centrais. Apesar de algo baixo – 1.67 – e de parecer extremamente pesado, mostra-se um avançado muito rápido e potente – choca bem com os defesas adversários -, particularmente perigoso em lances de contra-ataque, pois sabe jogar nos limites do fora-de-jogo, para além de conseguir acelerar o jogo e imprimir mudanças de velocidade impressionantes, que o tornam extremamente acutilante nos últimos trinta metros. Aberto na faixa, mostra-se perigoso nos cruzamentos, sobretudo rasteiros, mas também é um jogador perigoso, em posição central, a fazer assistências para finalizações: possui uma boa visão de jogo, eficácia no passe curto e sabe temporizar, lendo bem as movimentações dos seus colegas de ataque e mostrando à vontade a proteger a bola de costas para a baliza. Apesar de canhoto, joga com facilidade com os dois pés, mostrando também uma extrema facilidade no remate, tanto dentro da área, como nas imediações desta, tirando partido de um disparo forte e colocado, para além de elevado sentido de baliza. É, também, um especialista na transformação de grandes penalidades. Do ponto de vista técnico não evidencia atributos de monta, pois progride muito à base da velocidade e da potência física, contudo, não deixa de ser capaz de alguns pormenores de grande qualidade no um para um. É, também, agressivo do ponto de vista defensivo, ajudando a pressionar os adversários e mostrando até, em algumas situações, capacidade para recuperar bolas.

Pablo Nicolás Mouche Pablo Nicolás Mouche (Argentina) . 11-10-1987. Boca Juniors. Avançado que aproveitou as inúmeras ausências no sector ofensivo da Argentina, que não contou, por exemplo, com Agüero, Messi, Higuaín ou Zarate, jogadores que ainda pertencem a este escalão etário, para aparecer como opção. Apesar de apresentar um rendimento muito irregular, mostrando também dificuldades em cumprir os 90 minutos, teve o seu momento de glória ao apontar uma “tripla” diante da Venezuela, ainda na primeira fase da competição. Utilizado nos 9 jogos da Argentina no Sul-Americano, foi titular em 6 partidas – não completou nenhuma – e suplente utilizado em 3 ocasiões, totalizando 501 minutos de utilização, apontando 3 golos – todos diante da Venezuela, na 1ª fase – e visto 2 cartões amarelos. Estrela precoce do Estudiantes de Buenos Aires, o popular “Pincha”, apareceu na primeira equipa com apenas 16 anos, no terceiro escalão do futebol argentino. O seu talento não passou despercebido aos “olheiros” do Boca Juniors, que deram o aval à sua aquisição, encontrando-se, de momento, na equipa secundária do clube, apesar de treinar regularmente com a formação principal. Avançado eléctrico, constantemente em movimento, mostra-se talhado para actuar como unidade móvel de ataque em 4x4x2, ainda que as suas características possam vir a enquadrá-lo num 4x3x3 sobre as alas, sobretudo se rumar ao futebol europeu. Com um excelente pé esquerdo, apesar de frágil do ponto de vista físico – 1.75/74 -, que faz com que fique a perder, quase sempre, em situações de choque, não revela receios em partir para cima dos adversários, mostrando-se forte no um para um, tirando partido da sua velocidade e capacidade técnica, como também é extremamente forte a desmarcar-se em diagonais, recebendo e controlando a bola com facilidade em movimento e partindo em direcção à baliza. Apesar de algo individualista em algumas acções, mostra sentido colectivo e percepção do jogo, sabendo também utilizar processos simples, a um-dois toques, progredindo bem através de tabelas 2x1, para além de mostrar uma boa visão de jogo e de leitura das desmarcações dos seus colegas de equipa. Eficaz a fazer assistências para finalização, mostra predicados igualmente como concretizador, sobretudo em disparos de pé esquerdo, mas falta-lhe uma maior consistência e regularidade.

Felipe Caicedo Felipe Caicedo (Equador) . 5-9-1988. Basileia. O melhor jogador da selecção do Equador, isto apesar de ter ficado em branco na competição. Somou 259 minutos de utilização, fruto de 3 jogos como titular – apenas 1 completo – e de 1 partida como suplente utilizado. Jovem avançado dos suíços do Basileia, foi contratado, no último Verão, ao Rocafuerte, e soma já dois golos no campeonato helvético 2006/07, apesar de ser mais utilizado a partir do banco. Internacional A pelo Equador, estreou-se com apenas 16 anos na selecção principal, num particular diante do Paraguai (vitória 1-0), somando já 5 jogos, mas ainda não marcou qualquer golo. Avançado impressionante do ponto de vista físico – 1.85/78 muitíssimo bem potenciados -, apresenta na extrema velocidade e potência física os seus principais argumentos, mostrando-se temível nos últimos 25-30 metros. Capaz de desempenhar as funções de “9”, não gosta de limitar a sua acção à área, procurando, muitas vezes, projectar-se de zonas exteriores em direcção a espaços de finalização dentro de área, o que faz com grande perigo, tanto em acções com bola como também sem bola, tirando partido de um bom poder de desmarcação. Dentro da área é extremamente perigoso: possui atributos no futebol aéreo, onde poderá trabalhar melhor o enquadramento, como também finaliza com facilidade com ambos os pés – o esquerdo é o mais forte, mas o direito também é potente -, tirando partido do seu bom sentido de oportunidade, para além de ser muito rápido e agressivo a atacar a bola, ganhando a posição aos adversários. Pode, contudo, tornar-se mais frio nos lances de um para um com os guarda-redes adversários, onde peca, em algumas situações, por excessiva precipitação. Forte do ponto de vista físico, sente-se à vontade nos lances corpo a corpo, para além de se revelar muito lutador, nunca desistindo dos lances. Pode, no entanto, desenvolver a sua capacidade para jogar de costas para a baliza, aspecto onde revela ainda algumas carências, mas onde se poderá tornar muito forte.

Edison Cavani Edison Cavani (Uruguai) . 14-2-1987. Danúbio. O melhor marcador do Sul-Americano 2007, ao apontar 7 golos – 4 de pé direito, 2 de cabeça e 1 de pé esquerdo - em 9 jogos, confirmou-se como uma das grandes figuras da prova, mostrando enorme potencial, que lhe valeu a transferência para o Palermo. Capitão da selecção uruguaia, Cavani foi um dos totalistas da competição, somando, por isso, 810 minutos de utilização, em que viu 1 cartão amarelo e apontou 7 golos, conseguidos em 6 jogos consecutivos – 4 na primeira fase, em que bisou diante da Argentina ; e 3 na segunda fase, onde marcou a Paraguai, Colômbia e Brasil, sendo que frente aos “canarinhos” ainda desperdiçou uma grande penalidade. Aliás, apenas 1 dos seus 7 golos foi apontado desde os “onze metros” – um dos dois apontados à Argentina. Titular do Danúbio, emblema da principal Liga uruguaia, apontou 5 golos em 15 jogos no Torneio de Abertura de 2006, depois de ter apontado 4 golos em 10 jogos no primeiro semestre de 2006, altura em que foi promovido à equipa principal. É um avançado com características extremamente interessantes, pois mostra-se fortíssimo dentro da área, onde se destaca por um excelente sentido de oportunidade, como também revela capacidade para partir de posições exteriores em direcção à área. Com grande capacidade física – 1.84 / 71 -, trata-se de um avançado rápido e potente nos últimos 25 metros, mostrando capacidade de condução com a bola nos pés, com alguns pormenores de ordem técnica, sobretudo em acções curtas, extremamente interessantes, como também se movimenta com grande inteligência em acções sem bola, tirando partido da sua excelente capacidade de desmarcação para sair de uma das alas e aparecer na área a finalizar. Tem um disparo potente e colocado de pé direito – o seu mais forte -, tanto em finalizações de posição central como também em remates cruzados, para além de mostrar atributos com o pé esquerdo, mas é menos potente e enquadrado. Para além disso, é muito forte no jogo aéreo, ganhando com facilidade a posição aos defesas, tirando partido de um muito bom poder de antecipação e de contundência a atacar a bola. É, também, um jogador capaz de jogar de costas para a baliza, temporizando, para depois servir um colega de equipa, ou rodando, com agilidade, sobre os defesas, ganhando-lhes posição. Lutador e trabalhador em prol do colectivo, joga bem de primeira, como também sabe movimentar-se, de forma inteligente, de posições interiores para exteriores, abrindo espaços de penetração para os médios ofensivos ou para o seu colega de ataque. Mentalmente forte, tem capacidade de liderança e sabe “puxar” pelos seus companheiros de equipa. Peca, em algumas situações, por excessos de egoísmo, optando por finalizações, mesmo de ângulo difícil, quando tem colegas melhor posicionados, mas não tem medo de arriscar e procurar a baliza.

Elias Figueroa Elias Figueroa (Uruguai) . 26-1-1988. Liverpool Montevideo. Autor de 2 golos, diante de Equador (1ª fase) e Colômbia (2ª fase), em 8 jogos – foi suplente não utilizado diante da Argentina, na 1ª fase, dando o seu lugar no “onze” a Leandro Silva -, totalizou 564 minutos de competição, fruto de 7 jogos como titular – apenas 3 completos – e 1 como suplente utilizado – diante do Chile, partida em que entrou com o Uruguai a perder e ajudou a sua selecção a chegar ao empate. Avançado do Liverpool de Montevideo, que se destacou no último Mundial sub-17, estreou-se com apenas 17 anos na primeira equipa do seu clube, marcando o seu primeiro golo como profissional logo ao segundo jogo, diante do Cerro, num empate caseiro a um. Contudo, ainda não se conseguiu impor como titular absoluto no Liverpool, entrando, por norma, a meio das segundas partes, sendo que, este ano, ainda não marcou qualquer golo em 7 partidas na Liga uruguaia. Avançado bem constituído do ponto de vista físico – 1.87 / 81 -, com características de “9”, sabe jogar dentro da área, onde se mostra particularmente forte no futebol aéreo, tirando partido de um bom poder de impulsão e tempo de salto, aliado a potência e definição no cabeceamento. Para além disso, tem boas movimentações dentro da área, pois apesar de não se tratar de um jogador muito dotado do ponto de vista técnico, sabe rodar sobre os defesas adversários e mostra facilidade no remate de pé esquerdo, o seu mais forte, ainda que possa melhorar a nível da colocação, aspecto que o torna algo perdulário em finalizações dentro de área. Apesar das suas características de homem de área, trata-se de um avançado que não se limita a actuar entre os centrais e gosta de ter liberdade para se movimentar de espaços exteriores em direcção à área, tirando partido do seu potencial físico, que lhe permite também mostrar alguns atributos na condução de bola nos últimos 25-30 metros. Neste Sul-Americano evidenciou um crescimento a nível do jogo sem bola, já que muitas das suas acções possibilitaram a criação de espaços para Cavani ou para os médios ofensivos.

Édgar Édgar (Brasil) . 3-1-1987. São Paulo. Inicialmente apontado como provável reforço do Sp. Braga, o futuro avançado do Beira-Mar, que passou, sem grande sucesso, pelo São Paulo em 2006 – 3 jogos / 0 golos -, começou o Sul-Americano como titular, mas depois das decepcionantes prestações diante de Chile e Perú acabou por perder o lugar e “penar” no banco. Ressurgiria na fase final da competição, recuperando a titularidade, marcando 1 golo diante da Colômbia, na última jornada da fase final. Ao todo somou 379 minutos de utilização, fruto de 5 jogos como titular – 2 completos e 3 incompletos – e de 1 partida como suplente utilizado, tendo visto um cartão amarelo. Trata-se de um avançado de área, com características pouco habituais nos jogadores brasileiros da sua posição, pois é alto e possante, mas tem escassa mobilidade, é lento e extremamente limitado do ponto de vista técnico: fraco controlo de bola e sem capacidade de drible. O ponto forte do seu jogo acaba por ser o jogo aéreo, onde é muito poderoso, ainda que deva melhorar a técnica de cabeceamento, sobretudo no que concerne ao enquadramento, mas conquista inúmeras bolas aéreas e é difícil ganhar-lhe bolas. Tem também um remate forte de pé direito, que utiliza, sobretudo, em finalizações dentro da área, onde mostra outras características extremamente interessantes em acções sem bola: posiciona-se bem, é oportuno e sabe ganhar posição aos defesas. Mostra também alguma capacidade a jogar de costas para a baliza, tirando partido do seu poderio físico para proteger a bola e tocar curto para assistir algum colega.

Nicolás Medina Nicolás Medina (Chile) . 28-3-1987. Universidad de Chile. Avançado, titularíssimo na selecção do Chile, efectuou os 9 jogos da competição, todos como titular, tendo sido substituído em 6 ocasiões, totalizando 734 minutos de utilização. Marcou 5 golos, com direito a dois “bis” – diante de Perú (1ª fase) e Colômbia (2ª fase) -, para além de um golo solitário diante do Uruguai, na 2ª fase. Curiosamente, sentiu-se mais à vontade como unidade mais avançado do ataque, com Alexis Sánchez (ou Felipe Flores) e Mathías Vidangossy no apoio, do que actuando com um avançado mais fixo ao lado (Grandona). Viu um cartão amarelo e apenas 1 dos seus 5 golos foi apontado de grande penalidade. Com um passado goleador nos escalões de base da Universidad de Chile, como também nas selecções inferiores chilenas, já teve a oportunidade de efectuar 3 jogos pela equipa principal do seu clube, mas ainda não se estreou a marcar. Avançado canhoto, é, acima de tudo, um finalizador, cuja principal acção é concluir as iniciativas ofensivas da sua equipa, participando muito pouco nas restantes acções colectivas. Rápido e móvel nos últimos 20-25 metros, trata-se de um jogador perigoso em contra-ataque, pois desmarca-se com grande facilidade e mostra facilidade de remate, mostrando algumas semelhanças em algumas movimentações com “Pippo” Inzaghi, avançado do AC Milan. Dentro da área é extremamente oportuno, finalizando de forma simples, preferencialmente de pé esquerdo e de cabeça, a um-dois toques, sabendo tirar partido da sua muito boa capacidade de antecipação sobre os defesas adversários. Pode, no entanto, melhorar a definição, pois é um avançado algo ansioso, que desperdiça algumas oportunidades fáceis, o que o torna perdulário, como também estar mais atento em relação aos foras-de-jogo, já que cai, demasiadas vezes, em posição irregular.

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