Aberdeen: Tempo dos mais novos
sexta-feira, 15 fevereiro 2008
EMPATE A DOIS. Numa das partidas dos dezasseis avos de final da Taça UEFA, o Aberdeen arrancou um surpreendente empate caseiro a dois diante do poderoso FC Bayern München, um dos principais favoritos à conquista da prova. Sem cinco habituais titulares, a equipa de Pittodrie Street, que está a realizar uma época medíocre a nível interno e vinha de dois resultados desastrosos em casa – derrotas por 1-4 com Dundee United, para a League Cup, e 1-5 com o Celtic, para a Premier League -, esteve por duas vezes em vantagem no marcador e pode queixar-se de uma arbitragem desastrosa do espanhol Iturralde González, que fez vista grossa a dois lances polémicos na grande área do Bayern, para além de ter apontado uma grande penalidade muito duvidosa a favor da formação alemã, que esteve na génese do 2-2, com Hamit Altintop a marcar na recarga ao castigo máximo por si desperdiçado, levando às lágrimas Jamie Langfield, o guardião do Aberdeen, protagonista de uma excelente exibição.
A NOITE “TEEN”. Na equipa do Aberdeen destacaram-se dois jovens ingleses de 18 anos, curiosamente colegas de equipa também na selecção sub-19: o extremo Sone Aluko, cujo passe pertence ao Birmingham City, e que se encontra no Aberdeen desde Outubro, e o médio-centro Josh Walker, em noite de estreia, já que chegou ao clube, no final do mês de Janeiro, oriundo do Middlesbrough, depois de um excelente percurso nas selecções jovens inglesas, capitaneando os sub-16 e sub-17. Aluko, de origem nigeriana, foi mesmo o melhor em campo: assistiu Walker para o golo inaugural do Aberdeen, num excelente remate em arco, e já depois de Klose fazer o empate, apontou o segundo tento da formação escocesa, num remate colocado, após deixar Lell para trás.
O 4x5x1 DO ABERDEEN. Jimmy Calderwood, técnico do Aberdeen, antiga glória do Birmingham City e há quase quatro anos em Pittodrie, apresentou a sua equipa num 4x5x1, desdobrável ofensivamente em 4x2x3x1. Na baliza esteve o experiente Jamie Langfield, de 28 anos, antigo internacional escocês sub-21, titular indiscutível, que caminha para os 150 jogos na Liga escocesa, onde também representou Dundee e Partick Thistle. Terá realizado uma das melhores exibições da sua carreira, mostrando colocação e agilidade entre postes, como também agressividade nas saídas por alto, tirando partido da sua elevada estatura (1.94) e pujança física nos confrontos com Luca Toni e Miroslav Klose. Comunicativo e com perfil de líder, soube comandar a dupla de centrais que esteve à sua frente, que não prima pela consistência, formado por Lee Mair, de 27 anos, contratado este ano ao Dundee United, e pelo jovem Alexander Diamond, de 22 anos, produto das escolas do clube e a cumprir a sua sexta época como profissional. Diamond, antigo internacional sub-21, ainda assim, mostra mais qualidade e potencial que o seu colega de sector: muito alto (1.88), domina o espaço aéreo, mostrando também qualidades no desarme, atacando a bola com agressividade e contundência, não se mostrando nada peco quando é preciso jogar feio. Mair, que apareceu no lugar do recém-contratado holandês Dave Bus, titular diante do Celtic, apesar de talhado para acções de marcação, mostrou-se frágil no jogo aéreo e excessivamente duro de rins. Nas laterais, dois jogadores que tiveram uma noite complicada: Alan Maybury, internacional irlandês, de 29 anos, antigo jogador do Leeds United e recém-contratado ao Leicester City, nunca se entendeu com a velocidade de Schweinsteiger, apesar da noite desinspirada do internacional alemão, mas bem pior esteve o jovem Andrew Considine, de 20 anos, um central de origem, que foi adaptado à esquerda, nunca se entendendo com as dinâmicas de Altintop, um dos melhores dos alemães – esteve na origem do primeiro golo e apontou o segundo. No meio campo, uma dupla de médios-defensivos: o experiente Scott Severin, antigo jogador do Hearts, a caminho dos 300 jogos na Premier League escocesa, 14 vezes internacional pela Escócia, muito eficaz a nível posicional, ocupando bem os espaços e forte no choque, para além de importante no lançamento de algumas iniciativas ofensivas, pois tem capacidade de passe ; e o jovem estreante Josh Walker, internacional inglês nos escalões de formação, protagonista de uma exibição de encher o olho, pois alia uma excelente capacidade defensiva, já que é muito forte em acções de pressão e no desarme, tirando partido também do facto de ser um central de origem, mas importante nos desdobramentos ofensivos, pela boa condição física evidenciada, que lhe permite aparecer em zonas próximas da área adversária, mas também pela capacidade de passe e no remate, que lhe valeu um golo na estreia, numa finalização em arco, plena de efeito. Ainda na zona intermediária, uma segunda linha composta por três jogadores: Barry Nicholson, 3 vezes internacional A escocês, de 29 anos, um médio centro que foi adaptado à direita, onde se revelou mais importante do ponto de vista táctico – fechar as subidas de Marcel Jansen e apoiar defensivamente, quer Alan Maybury, quer a dupla de médios defensivos -, do que pela capacidade ofensiva, pois o jogo raramente passou pelos seus pés ; Darren Mackie, uma das “estrelas” do clube, jogador de 26 anos, produto das escolas do Aberdeen, com 43 golos em 215 jogos na Premier League escocesa, ao centro, onde permitia, quando a equipa defendia, criar uma superioridade numérica 3x2 na zona central do meio-campo, mas importante no desdobramentos ofensivos, onde aparecia como segundo avançado, procurando tirar partido da velocidade e agressividade ofensiva, os pontos mais fortes do seu jogo ; e Sone Aluko, o melhor em campo, sobre a esquerda – jovem internacional inglês nos escalões de formação, de 18 anos, algo franzino do ponto de vista físico – 1.73 / 62 -, mas extremamente rápido e incisivo, quer na exploração de diagonais, quer a procurar a linha de fundo, que se revelou uma permanente dor de cabeça a Lell, mostrando também potencial técnico, qualidade nos passes e cruzamentos – onde se poderá tornar mais constante – e um bom remate de pé esquerdo. Na frente do ataque, Lee Miller teve uma missão de sacrifício, mas bateu-se muito bem frente a Lúcio e DeMichelis, apesar de algumas limitações de ordem técnica, que não o impediram de assistir Aluko para o 2-1. Apesar dos seus 24 anos, tem um currículo goleador pelos vários clubes por onde passou – Falkirk, Bristol City, Hearts e Dundee United, cumprindo a sua segunda temporada ao serviço do Aberdeen, pelo qual soma 12 golos na Premier League escocesa, mas permanece a “seco” na Taça UEFA. Um dos pontos fortes do seu jogo – o poder aéreo, acabou por ser pouco explorado, o que o deixou em dificuldades, pois acabou por não ter grandes oportunidades para finalizar. Já com o resultado em 2-2, Calderwood lançou o inglês Steve Lovell no ataque, para os últimos 20 minutos, abdicando de Mackie, em dificuldades físicas. Lovell, outro jogador de área, juntou-se a Miller, mas nada acrescentou, até porque atravessa uma fase negativa, que levou a que perdesse a titularidade. A outra opção, já na fase terminal do jogo, passou pela entrada do holandês Karim Touzani, que rendeu o “esgotado” Walker. Touzani, que nunca se impôs como titular absoluto de Utrecht e Twente, está a ter uma passagem sem chama pelo futebol escocês e já não jogava desde Dezembro.
VINGANÇA ALEMÃ. Apesar do resultado ser lisonjeiro para o FC Bayern München, a passagem aos oitavos de final está escancarada para o histórico emblema alemão, que já parte para a segunda mão com vantagem. Será a oportunidade para o ajuste de contas, pois o FC Bayern foi eliminado da Taça das Taças pelo Aberdeen, de Alex Ferguson, nos quartos de final da Taça das Taças 1982/83. O Bayern, orientado, na altura, pelo húngaro Pál Csernai, que passaria depois pelo Benfica, não foi além de um 0-0 caseiro no Olympiastadion, numa noite de pouca inspiração de Paul Breitner, Dieter Houness e Karl-Heinz Rummenigge, que não conseguiram bater um inspiradíssimo Jim Leighton. Na segunda mão, no Pittodrie Stadium, o Bayern adiantou-se logo aos 10 minutos por Klaus Augenthaler, o que obrigava o Aberdeen a marcar dois golos. O sonho escocês manteve-se vivo, quando, aos 39 minutos, Neil Simpson empatou, mas Hans Pfügler, já na segunda parte, voltava a colocar o Bayern na frente do marcador e parecia resolver a eliminatória. Contudo, o minuto 76 revelar-se-ia decisivo: Alex Ferguson lançou o avançado John Hewitt em campo, e em dois minutos o Aberdeen deu a volta à eliminatória, com golos de McLeish e do inevitável Hewitt, que, dois meses depois, voltaria a sair do banco para oferecer ao Aberdeen a conquista da Taça das Taças, no prolongamento da final diante do Real Madrid, disputada em Gotemburgo.
Neymar: prodígio do Santos faz hoje 16 anos
terça-feira, 5 fevereiro 2008

NEYMAR, O PRODÍGIO DAS ESCOLAS DO SANTOS. Neymar da Silva Santos Júnior, ou simples Neymar, completa hoje 16 anos. Natural de Mogi das Cruzes, município brasileiro do Estado de São Paulo, é filho de um ex-jogador de futebol, também ele chamado Neymar, que, em 1999, vendo no seu rebento um talento fora de comum para a prática de futebol levou-o às escolas do Tumiarú, treinadas por Betinho, técnico que lançou Robinho, onde foi enquadrado na equipa de futsal. O seu percurso seguiu, entre o futsal e o futebol de onze em clubes amadores, mostrando um potencial técnico fora do comum para a sua idade, como também velocidade e um remate forte e colocado, que lhe valeu muitos golos e jogadas de grande espectáculo, que despertaram o interesse do Santos: no final de 2003, olheiros do clube deslocaram-se à Copa TV Tribuna de Futsal Escolar e não hesitaram em dar o aval à sua aquisição, depois de verem Neymar brilhar ao serviço do Colégio-Liceu São Paulo. Em 2004 dividiu o seu tempo pelas equipas de futsal e de futebol de campo de sub-13 do Santos, conquistando dois torneios, seguindo-se, em 2005, o troféu de melhor marcador do Campeonato Paulista de futebol em Pré-Infantil (sub-14) e o prémio de melhor jogador do ano na mesma categoria. O ano de 2006 ficou marcado pela sua promoção à equipa Infantil (sub-15), onde rapidamente se destacou, provocando a atenção de vários empresários e, de seguida, de clubes europeus, como o Real Madrid e o Manchester United. Agenciado por Wagner Ribeiro, empresário de Robinho, que tem relações complicadas com o Santos, depois da tumultuosa transferência do jogador para o Real Madrid, Neymar foi dado, no Verão de 2007, como futuro reforço do clube espanhol, tendo-se mesmo deslocado à capital espanhola. Contudo, o Santos conseguiu assegurar a sua permanência até hoje, 5 de Fevereiro de 2008, data em que poderá, finalmente, assinar um contrato como profissional, que tem sido negociado nos últimos meses. Entretanto, Neymar foi o melhor marcador da equipa infantil (sub-15) do Santos em 2007, ao apontar 15 golos em 22 jogos, e no início deste ano, ainda com 15 anos, teve a oportunidade de realizar 4 jogos, todos como suplente utilizado, na Copa São Paulo 2008, destinada à categoria sub-19, marcando 1 golo, de grande penalidade, diante do Nacional de São Paulo.
PRÉ-ACORDO ATÉ 2013. Depois de no Verão passado ter estado muito perto de rumar ao Real Madrid, o Santos conseguiu “segurar” o jovem prodígio, que também mostrou vontade em permanecer no clube da Vila Belmiro, apesar de não esconder o “sonho” de vir a representar Real Madrid, Barcelona ou Manchester United no futuro. Para fazer face à impossibilidade de assinar contrato como profissional, o que no Brasil é possível a partir dos 16 anos, o Santos acertou um contrato de cessão de imagem com cláusula de rescisão de 25 milhões de dólares, válido até 2015, como também terá avançado com 2 milhões de reais (730 mil euros) para a família do jogador, pagos em parcelas até 2013, data em que terminará o futuro vínculo profissional de Neymar. Zito, campeão do Mundo em 1958 e 1962, e actual responsável pelo futebol de base do Santos, considera que foi um investimento demasiado avultado, mas que Marcelo Teixeira, presidente do clube, achou que seria rentável, pensando num futuro negócio com a venda do seu passe por valores entre os 50 e os 60 milhões de reais (18 a 22 milhões de euros).
SEM PRECIPITAÇÕES. O mediatismo em torno de Neymar fez com que a imprensa brasileira questionasse nas últimas semanas a hipótese de uma promoção à equipa principal. Emerson Leão, actual treinador do Santos, rejeitou a ideia, dizendo que o jogador ainda está a ser preparado e que, nesta altura, o mais importante é não queimar etapas antes da hora, de forma a não prejudicar o seu crescimento. Márcio Fernandes, técnico que o lançou na equipa júnior este ano, considera que o jogador tem muito talento, mas que ainda tem que evoluir e que a sua presença na Copa São Paulo lhe permitiu ganhar experiência e sentir a realidade de uma equipa bem mais próxima do escalão sénior. Já Zito, o já citado director do futebol de base do Santos, não tem dúvidas, ao definir Neymar como “ferinha” e “jóia do Santos”.
O QUE MOSTROU NEYMAR NA COPA SÃO PAULO 2008. Capaz de desempenhar vários postos entre o meio campo ofensivo e o ataque, tanto pode actuar como médio ofensivo, com características próximas de um “10”, como também como avançado móvel, nas costas de um avançado mais fixo ou a sair das alas para o meio. Fisicamente frágil – mas já acima do 1.66/53 que lhe é apontado – terá ainda muito que progredir a esse nível, já que se mostra muito frágil no choque, ficando sempre a perder em lances corpo a corpo, como também ainda não está preparado para jogar 90 minutos. Contudo, é um jogador destemido e agitador, que não tem qualquer receio de partir para cima do adversário, mostrando velocidade, capacidade de aceleração e de desmarcação, como também uma técnica muito interessante para um jogador tão jovem, ainda que tenha recorrido com algum exagero às célebres “pedaladas”, uma das imagens de marca do ídolo Robinho, o que o levou a perder objectividade nalgumas acções, mas não abusa de iniciativas individuais, até porque se trata de um jogador com forte sentido colectivo. E foi nesse aspecto que mais se destacou: mostrou possuir uma visão de jogo impressionante, para além de grande capacidade de passe, jogando com facilidade a um-dois toques com ambos os pés, descobrindo espaços onde parecem não existir e mostrando uma espantosa facilidade a desmarcar os avançados, o que lhe permitiu realizar várias assistências para finalizações, quer através de passes de ruptura a partir de posições centrais – os passes de três dedos (trivela) poderão constituir-se como uma das suas imagens de marca -, quer a partir de cruzamentos desde os flancos. Mostra também facilidade a aparecer em posições de finalização, quer dentro da área - onde sabe tirar partido de um bom poder de desmarcação -, quer à entrada desta, mas não revelou grande apetência pela baliza adversária, marcando apenas um golo, de grande penalidade. Optou, quase sempre, por passes, mas nos escalões de base do Santos tem mostrado uma boa capacidade de finalização com os pés, tirando também partido da sua boa capacidade de definição com o pé direito – o seu mais forte -, mas também de pé esquerdo, que usa com grande à vontade. Do ponto de vista defensivo e táctico tem também muitos aspectos a limar, mas mostra capacidade de sacrifício e é capaz de correr atrás da bola.
VÍDEOS:
Cristiano Ronaldo: Fazer História
segunda-feira, 10 dezembro 2007

OS FACTOS. Cristiano Ronaldo, ao apontar o 4º golo do Manchester United, na vitória caseira por 4-1 diante do Derby County, em jogo a contar para a 16ª jornada da Premier League, conseguiu, pela primeira vez na sua carreira, marcar golos em 4 jornadas consecutivas de Liga. Foi o 6º golo do internacional português nos últimos 4 jogos, num fim-de-semana feliz para a formação de Manchester, já que fruto da primeira derrota do Arsenal na Liga - 1-2 no terreno do Middlesbrough -, encurtou para 1 ponto a distância para o líder. Ronaldo, que apontou o seu 9º golo na Premier League em 2007/08, conseguiu alcançar no topo da lista dos melhores marcadores da Premier League o avançado togolês Emmanuel Adebayor, do Arsenal, que ficou em branco esta jornada, depois de ter apontado 3 golos nas 4 partidas anteriores.
FAZER HISTÓRIA. Foi a primeira vez que Cristiano Ronaldo conseguiu marcar golos em 4 jornadas consecutivas da Premier League, competição em que já apontara, em três ocasiões, golos em três jogos seguidos, com particular destaque para a série de 6 golos em 3 jogos no final de Dezembro do ano passado. Esta nova série de 6 golos nos últimos 4 jogos, iniciou-se na deslocação ao terreno do Arsenal, onde marcou 1 golo, seguindo-se "bis" nas recepções ao Blackburn Rovers e Fulham, e novo golo solitário ao Derby County, o seu primeiro da temporada desde os onze metros. O registo de golos em 4 jogos consecutivos em competições diferentes é também uma novidade na carreira do internacional português: na Liga dos Campeões, mantém em aberto uma série de 3 jogos consecutivos a marcar, até agora o seu melhor registo de sempre ; no Campeonato Nacional, onde apenas somou 3 golos, nunca marcou em jornadas seguidas ; e na Selecção Nacional, onde já marcou em 4 ocasiões em 2 jogos consecutivos, mas onde nunca somou 3 jogos seguidos a marcar. Caso seja utilizado em Anfield Road no próximo fim-de-semana, se marcar um golo ao Liverpool, adversário a que ainda não marcou qualquer tento em 5 jogos para a Premier League, Cristiano Ronaldo poderá entrar no grupo selecto de jogadores do Manchester United que marcou em 5 (ou mais jogos) consecutivos. Se nos restringirmos aos últimos 31 anos de competição primodivisionária em Inglaterra, apenas 5 jogadores conseguiram tal feito ao serviço do Manchester United: Ruud Van Nistelrooy - 15 golos em 10 jogos consecutivos entre Março e Agosto de 2003 ; 10 golos em 8 jogos consecutivos entre Dezembro de 2001 ; Janeiro de 2002 ; 6 golos em 6 jogos consecutivos entre Maio e Setembro de 2005 e 5 golos em 5 jogos consecutivos em Dezembro de 2005 -, Eric Cantona - 6 golos em 6 jogos consecutivos entre Março e Abril de 1996 -, Dwight Yorke - 8 golos em 5 jogos consecutivos entre Janeiro e Fevereiro de 1999 -, Gordon Hill - 6 golos em 5 jogos consecutivos entre Maio e Agosto de 1977 -, e Mark Hughes - 5 golos em 5 jogos consecutivos entre Setembro e Outubro de 1988.
OS GOLOS DE CRISTIANO RONALDO NA PREMIER LEAGUE AO DETALHE.
140 jogos - 44 golos (sempre pelo Manchester United)
24 golos solitários ; 10 "bis"
27 golos em jogos em casa ; 17 golos em jogos fora de casa
17 golos nas primeiras partes ; 27 golos nas segundas partes
4 golos de grande penalidade em 5 grandes penalidades apontadas (falhou uma)
6 golos como suplente utilizado
Melhor série: golos em 4 jogos consecutivos (em aberto)
Pior série: 13 jogos consecutivos sem marcar golos, entre Abril e Outubro de 2005.
OS GOLOS DE CRISTIANO RONALDO NA LIGA DOS CAMPEÕES AO DETALHE.
34 jogos - 8 golos (sempre pelo Manchester United)
4 golos solitários ; 2 "bis"
5 golos em jogos em casa ; 3 golos em jogos fora de casa
3 golos nas primeiras partes ; 5 golos nas segundas partes
1 golo de grande penalidade na única que apontou
0 golos como suplente utilizado
Melhor série: golos em 3 jogos consecutivos (em aberto)
Pior série: 26 jogos consecutivos sem marcar golos, entre Outubro de 2003 e Abril de 2007.
OS GOLOS DE CRISTIANO RONALDO NA LIGA PORTUGUESA AO DETALHE.
25 jogos - 3 golos (sempre pelo Sporting)
1 golos solitários ; 1 "bis"
2 golos em jogos em casa ; 1 golo em jogos fora de casa
1 golo nas primeiras partes ; 2 golos nas segundas partes
0 golos de grande penalidade
1 golo como suplente utilizado
Melhor série: nunca marcou em jogos consecutivos
Pior série: 21 jogos consecutivos sem marcar golos (série em aberto).
OS GOLOS DE CRISTIANO RONALDO NA SELECÇÃO NACIONAL "AA" AO DETALHE.
53 jogos - 20 golos
12 golos solitários ; 4 "bis"
12 golos em jogos em casa ; 8 golos em jogos fora de casa
9 golos nas primeiras partes ; 11 golos nas segundas partes
1 golo de grande penalidade
1 golo como suplente utilizado
Melhor série: em 4 ocasiões marcou em 2 jogos consecutivos
Pior série: 7 jogos consecutivos sem marcar golos, entre Agosto de 2003 e Junho de 2004.
A Maldição
sábado, 8 dezembro 2007

O DUELO. Este sábado, Everton e Fulham encontrar-se-ão, em Liverpool, em jogos da principal Liga inglesa, pela 18ª vez. Nunca o Fulham conseguiu vencer em casa do Everton, onde não pontua desde Setembro de 1959, quando arrancou um empate a zero à 5ª jornada da Liga 1959/60. Ao todo, 15 vitórias para o Everton, 14 das quais consecutivas, e 2 empates, com um registo de 40 golos marcados pelo Everton e apenas 9 pelo Fulham.
MAU PRESSÁGIO. 8º classificado da Liga 2007/08, o Everton, que a meio da semana garantiu a vitória no Grupo A da fase de grupos da Taça UEFA, surge como grande favorito ao triunfo na partida de hoje: na Liga, os Toffees somam 5 jogos sem perder, que se estendem a 9, se forem contabilizados os jogos da UEFA e da Carling Cup. Ao invés, o Fulham está a protagonizar o seu pior arranque dos últimos anos, ocupando o 14º lugar da tabela, apenas 2 pontos acima da linha de água, somando apenas 13 pontos em 15 jornadas. A equipa londrina não vence fora de casa há um ano e três meses, totalizando 24 partidas sem vencer fora de casa, desde que triunfou, a 9 de Setembro de 2006, no terreno do Newcastle United (2-1), naquele que é o segundo pior registo de sempre do clube, depois de ter estado 31 jogos sem vencer extramuros entre 19 de Setembro de 1964 e 12 de Março de 1966. Esta temporada, o Fulham venceu apenas 2 vezes, contando apenas com 1 triunfo nas últimas 13 partidas da Liga.
BOA MORTE NA HISTÓRIA. O português Luís Boa Morte é o jogador do Fulham que mais vezes defrontou o Everton em todo o historial do clube na principal Liga inglesa: ao todo 11 jogos, o último dos quais em Novembro de 2006, com uma curiosidade: perdeu sempre como visitante, venceu sempre como visitado, o que lhe garante um registo de 6 vitórias e 5 empates. Actualmente no West Ham United, Boa Morte não defrontará o Everton esta tarde, mas poderá haver um português a pisar o relvado de Goodison Park: Nuno Valente, que, se for utilizado, poderá somar o seu 4º jogo consecutivo como titular na Premier League deste ano. Será apenas a 2ª vez que o lateral-esquerdo internacional português, em 3 épocas em Inglaterra, defrontará o Fulham, depois de ter sido titular - substituído aos 77 minutos - na vitória caseira por 3-1 na Liga 2005/06.
YAKUBU, ANTI-FULHAM. Melhor marcador do Everton na Liga 2007/08 com 5 golos em 11 jogos, o avançado internacional nigeriano Yakubu está a fazer a sua época de estreia ao serviço da formação de Liverpool. Desde 2003 em Inglaterra, Yakubu soma 59 golos em 151 jogos na Premier League, sendo que o Fulham, juntamente com o Middlesbrough, emblema que representou durante mais de dois anos, é o clube a quem mais golos apontou: 5, com a curiosidade de todos terem sido apontados em jogos em casa - 4 pelo Portsmouth e 1 pelo 'Boro.
MURPHY DECISIVO. Depois de passagens por Liverpool, Charlton e Tottenham, Danny Murphy é uma das principais unidades do Fulham. O médio ofensivo já defrontou em 10 ocasiões o Everton, 6 delas em Goodison Park, só tendo perdido uma vez - em 2005/06 pelo Charlton. Contudo, em 2002/03, um golo seu em Goodison Park faria história: ainda ao serviço do Liverpool, Murphy apontou o golo da vitória do "derby", garantindo, na altura, a terceira vitória consecutiva dos reds em casa dos Toffees, feito que já não era alcançado desde 1915.
A PRIMEIRA VEZ. Será a primeira vez que os técnicos David Moyes (Everton) e Lawrie Sanchez (Fulham) se irão encontrar em jogos da Premier League. Moyes, que a meio da semana completou 250 jogos como treinador do Everton em todas as competições, somará a sua 12ª partida diante do Fulham em jogos da Premier League: 6 vitórias, todas como visitado ; 5 derrotas, sempre na condição de visitante. Já Lawrie Sanchez fará a sua estreia, como técnico, diante do Everton, mas como jogador defrontou em 11 ocasiões os Toffees: 3 vitórias, 6 empates e 2 derrotas. Dos 3 triunfos, 1 deles foi alcançado em Goodison Park, em 1990/91, pelo Wimbledon, numa vitória por 2-1.
FC Bayern München: como joga o adversário do Sp. Braga na Taça UEFA
quarta-feira, 28 novembro 2007

Líder isolado da Bundesliga, o FC Bayern München apostou forte na nova temporada, de forma a fazer face ao desastroso 4º lugar da época passada, que afastou a equipa da Liga dos Campeões. Contudo, se as primeiras semanas da nova época davam ideia que a vitória na Bundesliga seria praticamente um passeio - vitória na Taça da Liga, oito vitórias e dois empates nas dez primeiras jornadas da Liga, duas vitórias na Taça UEFA (frente ao Belenenses) -, as últimas semanas mostraram uma equipa em quebra, coincidente com a primeira derrota - em Estugarda - e três empates - dois na Liga e na Taça UEFA -, que permitiram a aproximação de Werder Bremen e Hamburgo - ambos a um ponto - e fizeram surgir as primeiras críticas ao trabalho de Ottmar Hitzfeld, seis vezes campeão alemão e duas vezes campeão europeu de clubes, que regressou ao comando técnico do clube em Fevereiro passado, depois de ter feito uma pausa de quase três anos, em que rejeitou propostas de vários clubes e da Selecção Alemã após o Europeu 2004.
OPERAÇÃO BAYERN
O PLAYMAKER propõe uma análise táctica ao Bayern de Hitzfeld, a algumas especificidades do seu jogo e aos seus jogadores com apoio na última partida do clube na Bundesliga, realizada sábado, em Munique, diante do Wolfsburgo (vitória 2-1), que alinhou em 4x2x3x1, curiosamente o sistema que Manuel Machado, técnico do Sp. Braga, mais gosta de utilizar. Foi o regresso do Bayern às vitórias, num jogo vivo e intenso, praticamente sem paragens, que controlou do início ao fim, ainda que tenha estado longe de ser brilhante.
ANÁLISE TÁCTICA

Adepto do 4x1x3x2, esquema que usou na quase totalidade dos jogos que realizou a temporada passada, Hitzfeld adoptou este ano um 4x4x2 dinâmico como sistema preferencial, depois de ter experimentado, em algumas partidas, um 4x2x3x1, de forma a utilizar em simultâneo o "tridente" criativo formado por Altintop, Ribéry e Schweinsteiger nas costas de Toni. Frente ao Wolfsburgo, com Lúcio (castigado) e Schweinsteiger (lesionado), Hitzfeld utilizou a tradicional linha defensiva de 4 unidades, com Lell e Lahm sobre as laterais, enquanto que van Buyten, chamado a substituir Lúcio, se juntou ao internacional argentino DeMichelis. No centro da intermediária uma dupla de médios centrais formada por van Bommel e Zé Roberto, duas unidades nucleares do jogo do Bayern, enquanto que sobre as alas estiveram Altintop (direita) e Ribéry (esquerda), cuja acção móvel acaba por ser preponderante na dinâmica táctica do esquema de Hitzfeld, permitindo, muitas vezes, à equipa, partir de um 4x3x1x2 defensivo para o modelo de 4x4x2 ou 4x2x1x3 em situação de ataque, pois Altintop, em situação defensiva, junta-se, muitas vezes, a van Bommel e Zé Roberto, funcionando quase como um interior direito, enquanto que Ribéry, em algumas situações, assume um papel de falso "nº10", assumindo a condução ofensiva a partir de uma posição central, o que acontece, sobretudo, em contra-ataque ou ataque rápido. Na frente, a dupla de avançados formada por Klose e Toni, sendo que, em situação defensiva, um deles, por norma, recua um pouco mais, enquanto que, em ataque rápido, é normal ver um dos jogadores da frente descair para um dos flancos - Toni, por norma, abre mais sobre a esquerda, enquanto que Klose, habitualmente, descai mais para a direita. Para Braga, o esquema não deverá sofrer grandes alterações: Hitzfeld deverá manter este desenho e praticamente os mesmos jogadores, só se prevendo o regresso do internacional brasileiro Lúcio ao centro da defesa, que poderá render DeMichelis, a contas com uma pequena lesão. Esse facto, deverá levar Van Buyten a passar do centro-direita para o centro-esquerda. Schweinsteiger, lesionado, é uma baixa certa, assim como os lesionados Marcell Jansen, José Sosa e Lukas Podolski, curiosamente titular na Selecção, mas suplente no seu clube.
ESPECIFICIDADES DO BAYERN
DEFESA ORGANIZADA. A primeira imagem retrata a situação referida no ponto anterior: em situação defensiva, quando a equipa adversária parte para ataque organizado, a equipa do Bayern junta-se em duas linhas de quatro muito próximas, com Altintop a defender praticamente como interior direito e Ribéry também a juntar-se mais ao centro, sobretudo a pensar no lançamento de uma iniciativa de ataque rápido. Referência para o bom desempenho defensivo dos laterais, inteligentes na leitura táctica do jogo: seguros a defender posições exteriores, deslocam-se para o interior quando é necessário, acompanhando, sem dificuldade, movimentos diagonais sem bola dos alas adversários. Ao centro, Van Buyten quase sempre solto, e DeMichelis em acção de marcação, apostando muito em acções de antecipação, um dos pontos mais fortes do seu jogo.

O RISCO. O preenchimento dos espaços centrais em acções defensivas, tem o seu senão, como prova o lance que dá origem ao golo do Wolfsburgo: a única subida do lateral-esquerdo van der Heyden ao longo dos 90 minutos criou um desequilíbrio defensivo na formação do Bayern, já que ninguém acompanhou o jogador do Wolfsburgo - Altintop estava a recuperar posição ao centro -, que soube tirar partido da diagonal com bola do polaco Krzynowek, que arrastou Lell consigo, assistindo, depois, a desmarcação do seu lateral, que tirou o cruzamento que deu origem ao golo.

ATAQUE RÁPIDO (I). É o lance que dá origem ao primeiro golo do Bayern. Recuperação de bola a meio campo, com Ribéry, em posição central, a iniciar uma iniciativa de ataque rápido, abrindo para Altintop, que sai de interior direito para ala direito. O internacional turco assumiu a condução do lance sobre o flanco, assistindo depois Ribéry, que saiu do centro para o centro-direita, rompendo em direcção à área, ganhando a linha de fundo, de onde assistiu, com um passe atrasado, Klose, que, com Toni se encontrava no interior da área. Existe, contudo, uma alternativa a este lance, com Altintop, após condução sobre o flanco, a centrar para a área, procurando um cabeceamento de Klose ou Toni. Nesse tipo de situação, Ribéry opta, depois de iniciar o ataque rápido, por sair do centro para a ala esquerda numa acção sem bola, ou de prosseguir pelo centro, pronto para um eventual remate de ressaca. Em poucos toques, o Bayern chega com grande facilidade a área adversária.

ATAQUE RÁPIDO (II). O lance que dá origem ao 2º golo do Bayern, novamente a partir de um ataque rápido. Desta feita é Altintop, que partindo de uma posição de interior direito, assume a condução pelo centro, com Ribéry a sair do centro, em acção sem bola, para a ala direita. Tirando partido da sua capacidade de passe, o internacional turco abre na direita, isolando Ribéry, já em diagonal da direita para o meio, em direcção à baliza. Com duas opções, o internacional francês optou, como quase sempre o faz, pelo remate cruzado, em detrimento da assistência para um dos dois avançados, que voltaram a revelar uma movimentação interessante: Klose, fixo ao centro, prende os dois centrais ; Toni, sai do centro para a esquerda, seguindo em movimento sem bola para a área, para uma eventual finalização ao segundo poste.

ACÇÃO SIMPLES. Uma das acções trabalhadas pelo Bayern esta temporada e com resultados práticos: lançamento longo desde o sector defensivo por Kahn - mas também por um dos centrais -, Toni ganha a bola aérea à entrada do meio campo ofensivo, servindo Ribéry, de cabeça, e este, após recepção, acompanhada ou não por um movimento de temporização, centra largo em direcção à área, onde aparece Klose, entre o centro e o segundo poste, a concluir a acção. Em 5-6 toques na bola, o Bayern cria uma situação de perigo, surpreendendo pela velocidade de movimentos a defesa adversária.

CONTRAPÉ. Outra das acções que caracteriza o Bayern 2007/08. Van Bommel recupera uma bola - ou um dos defesas a passa após recuperação - e assume a acção de ataque rápido. Com Altintop e Ribéry ainda em posição central, o internacional holandês faz gala da sua impressionante capacidade no passe longo para fazer uma abertura desde o centro para a ala esquerda, onde Toni, sempre no limite do fora-de-jogo procura a desmarcação e finaliza, por norma, a três toques: recebe em movimento; faz um auto-passe em direcção à área e dispara violentamente de pé esquerdo cruzado. Importante aqui, o jogo posicional de Klose, a colocar-se entre os dois centrais.

DA DIREITA PARA A ESQUERDA EM ATAQUE ORGANIZADO. Uma imagem que comprova as dificuldades de encaixe do 4x2x3x1 no 4x4x2 do Bayern e uma das situações com que o Sp. Braga terá que ter maior cuidado. Situação de ataque organizado do Bayern, a 1-2 toques por jogador, que se inicia numa combinação à direira, entre Lell e Altintop. Lell inicia depois a variação de jogo, servindo Zé Roberto, que, nesse tipo de situação, aparece sempre descaído para o lado em que está a bola. O internacional brasileiro serve van Bommel e o movimento de circulação de bola acaba por obrigar o lateral-direito a sair de posição e tentar compensar ao meio, situação que van Bommel, mais uma vez fazendo uso da facilidade impressionante no passe que possui, aproveita para servir a desmarcação rápida de Ribéry nas costas do lateral. Depois, o internacional francês recebe a bola em movimento e tem duas soluções: o remate cruzado, a sua habitual conclusão, ou a assistência para um dos dois avançados. Três pontos fundamentais nesta acção: Lahm, em cima da linha de meio campo, não sobe, mas prende o ala direito ; o posicionamento dos dois avançados em zona central perto da área, prendendo os dois centrais e deixando o médio mais defensivo do adversário em situação delicada: entre o posto de terceiro central, de forma a não permitir uma situação de paridade numérica sempre perigoso, e de médio defensivo, não tem tempo para fazer face ao movimento rápido de circulação de bola da direita para a esquerda do Bayern, ficando a meio do caminho, o que obriga ao já referido desposicionamento do lateral ; e, por fim, a postura passiva do médio ofensivo, que, pouco talhado para acções defensivas, não consegue acompanhar o rápido movimento de van Bommel, que recebe o passe de Zé Roberto na sequência de movimento sem bola e abre para o flanco de primeira.

BOLA PARADA À DIREITA. São variadas as soluções do Bayern neste tipo de situação. À direita, os pontapés de canto são normalmente batidos por Altintop, ainda que Ribéry surja também como opção. Já nos livres laterais, apesar de Altintop ser a opção mais regular, Zé Roberto e Van Bommel são também opção. As bolas são colocadas ao primeiro ou ao segundo poste, notando-se que, existe uma maior perigo quando o destino é a segunda opção. Na área cinco jogadores: Lell, sempre ao primeiro poste, sem objectivo de finalização, mas sempre atento a um potencial desvio que possa dar à bola em direcção ao centro ou ao segundo poste ; Klose, o jogador mais perto do guarda-redes, atento a um possível desvio à boca da baliza, sobretudo numa recarga ou ressalto ; DeMichelis com uma acção de ruptura, partindo de trás para entrar entre o centro e o primeiro poste ; Toni, partindo do centro para o segundo poste ; e Van Buyten, o jogador mais perigoso neste tipo de acção, que parte de trás em direcção ao ponto onde a bola vai cair: bem mais perigoso quando ataca o segundo poste, do que o centro ou primeiro poste. Ribéry, à entrada da área, e Van Bommel, mais atrás, entre o centro e a esquerda, estão prontos para um eventual remate de ressaca, enquanto que Zé Roberto e Lahm ficam junto à entrada do meio-campo.

BOLA PARADA À ESQUERDA. Ribéry é, por norma, o jogador que bate os cantos à esquerda, podendo Altintop surgir como opção. O internacional francês opta, quase sempre, por colocar a bola ao primeiro poste, evidenciando algumas lacunas de direcção na colocação ao segundo poste. Por isso, um passe atrasado para van Bommel, que fica fora da área, sobre a esquerda, surge também como opção para esse tipo de lance. Nos livres laterais, os protagonistas são os mesmos: Ribéry ou Altintop são os habituais marcadores, ainda que, tal como acontece à direita, Zé Roberto e van Bommel surjam como outras opções. As movimentações na área são em todo similares às dos lances à direita, com a excepção do lance que a imagem documenta e mostra um livre lateral alternativo: Ribéry simula que centra em direcção à área, mas quem executa a acção é Altintop, que varia entre o remate directo e o centro à direcção à área, onde só estão 4 jogadores, pois Hitzfeld abdica da presença de um dos defesas: neste caso, DeMichelis. Klose e Toni trocaram, nesta situação, de funções, enquanto que Zé Roberto aparece fora da área para um eventual remate de ressaca, tal como van Bommel, que não aparece na imagem. Lahm e DeMichelis estavam sobre a linha de meio campo.
ANÁLISE INDIVIDUAL
OLIVER KAHN . O veterano guarda-redes, de 38 anos, voltou à baliza do Bayern, depois de ter estado afastado da competição durante o mês de Outubro, em que foi substituído pelo jovem Michael Rensing, que, ao que tudo indica, será o seu sucessor na baliza do Bayern. Frente ao Wolfsburgo, Kahn passou largos minutos de inactividade, sendo que a sua primeira defesa apenas aconteceu aos 33 minutos. Ao todo, realizou 38 intervenções, das quais 28 foram passes - 18 certos e 10 errados - e 5 recuperações de bola - todas completas -, para além de ter feito 4 defesas: 2 completas e 2 incompletas, num jogo em que o Wolfsburgo apenas efectuou 6 remates, dos quais 4 levaram a direcção da baliza. Do jogo de Kahn a realçar alguns aspectos: eficácia no passes curtos, ainda que opte, quase sempre, por passes longos nas saídas para jogo: 20 dos seus 28 passes foram longos, mostrando mais facilidade em colocar a bola em posições centrais - 10 passes longos para Toni - 8 certos, 2 errados - e 1 para Klose - do que para as laterais, onde colocou a bola em 9 ocasiões - Altintop (4) e Ribéry (5) -, acertando apenas em duas ocasiões, uma delas manual. Fora dos postes, manteve a sua tradicional tendência para não efectuar saídas, só desfazendo um cruzamento, de forma completa, para a sua direita, sendo que as restantes três defesas que efectuou foram entre postes e para o lado direito, o seu mais forte. Curiosamente, o golo do Wolfsburgo surgiu no único remate que foi feito para a sua esquerda.
CHRISTIAN LELL. Lateral-direito, de 23 anos, está a viver a época da sua afirmação, ocupando o espaço que pertencia ao internacional francês Sagnol, que após longa lesão é agora seu suplente, e não deverá demorar a estrear-se pela selecção principal da Alemanha. Produto das escolas do Bayern rodou, durante duas épocas, no Colónia, o que permitiu uma evolução, tratando-se de um defesa forte no aspecto defensivo e muito rápido a subir para o ataque, combinando bem com o ala. Necessita, contudo, de melhorar a eficácia nos cruzamentos. No jogo frente ao Wolfsburgo foi dos jogadores mais activos efectuando um total de 69 intervenções, equilibradas entre o 1º (37) e 2º (32) tempo. Lateral ofensivo, procura muito progressões em acções com e sem bola, o que lhe garante muita acção no meio campo ofensivo, revelando eficácia no passe curto e médio junto à lateral ou no passe curto para posições interiores: frente ao Wolfsburgo efectuou 53 passes, acertando 46. Altintop, com quem procura, muitas vezes, combinações 2x1, e Van Bommel, a sua "muleta" interior, foram os jogadores que mais passes seus receberam (13 cada um), mas Zé Roberto e Toni (ambos com 7) também foram muito procurados por este lateral, que gosta de jogar para frente e tem pouca tendência para atrasar a bola - 2 bolas para Kahn – ou para fazer circular a bola junto à defesa - apenas 2 passes para van Buyten. Ao longo do jogo efectuou 7 cruzamentos, apenas acertando 2, aspecto que, como já referimos, terá que melhorar, pois falhou 5 (dos 7 passes errados), que representam mais de 70% dos seus passes errados. Refira-se, como complemento, que o seus centros foram interceptados ainda antes de chegarem à área ou foram dirigidos, com alguma força excessiva, ao 2º poste. Lell participa também em lances de bola parada ofensivos, aparecendo dentro da área, por norma ao primeiro poste. Não efectuou qualquer remate, pois procura apenas conquistar bolas, o que raramente aconteceu. Do ponto de vista defensivo efectuou 8 recuperações, 5 delas completas: 7 em posições exteriores e 1 em acção interior, desfazendo um cruzamento ao 2º poste. Não efectuou qualquer falta, tendo sofrido 3, sempre em disputas de bola.
DANIEL VAN BUYTEN. Defesa-central, internacional belga, foi titular no Portugal - Bélgica, disputado em Março passado, trata-se de um jogador experiente, de 29 anos, com passagens pelo futebol francês (Marselha) e inglês (Manchester City), e que o Bayern contratou, a temporada passada, ao Hamburgo. Titular indiscutível a época passada, perdeu o lugar esta época, mas soube aproveitar o castigo de Lúcio para regressar à titularidade, realizando uma boa exibição diante do Wolfsburgo. Central muito posicional, funciona, muitas vezes, como um falso libero. Muito seguro no jogo aéreo em situação defensiva, é muito perigoso em lances de bola parada ofensivos, sobretudo a atacar o 2º poste, sentindo-se menos à vontade em velocidade. Protagonizou 48 intervenções diante do Wolfsburgo, com a curiosidade de não ter feito nenhuma entre os 63 e os 78 minutos, o que justifica ter o dobro das intervenções na 1. parte (32) do que na 2. (16). Curiosamente, não teve qualquer intervenção no meio campo ofensivo adversário na 2. parte, depois de na etapa inicial ter feito 2 finalizações de cabeça, na sequência de lances de bola parada – uma ao lado ; outra ao poste. Ambas em finalizações ao 2º poste. Ao longo da partida efectuou 20 recuperações, 12 das quais completas, mostrando eficácia no jogo aéreo, bom sentido posicional (corta linhas passe pelo chão e pelo ar) e risco-zero (corta sem passe quando é necessário). Apenas efectou 1 falta, num lance dividido aéreo. Efectuou 25 passes ao longo do jogo - alternando passes curtos com longos -, dos quais 20 foram certos. 4 dos seus 5 passes errados saíram de passes longos para Toni ou Klose. Toni, com 5 passes, e DeMichelis, com 4, foram os jogadores que mais procurou.
MARTIN DEMICHELIS. Internacional argentino, de 26 anos, contratado pelo Bayern ao River Plate, vive a sua melhor época de sempre: titular indiscutível no Bayern, onde apenas falhou um jogo na Taça da Liga e os dois da fase de grupos da Taça UEFA, conquistou também o seu espaço na Selecção Argentina, onde tem sido titular no apuramento para o Mundial 2010. Jogador marcador, que tanto pode actuar como central ou trinco, trata-se de um defesa agressivo, forte no desarme, particularmente a jogar na antecipação, tanto pelo chão, como pelo ar, mostrando capacidade para sair de posição, recuperando e desarmando sobre as laterais ou mais sobre o meio campo. Frente ao Wolfsburgo, como foi, quase sempre, o marcador do avançado do adversário, esteve muito mais em contacto com a bola do que van Buyten, o seu colega de sector, totalizando 65 intervenções, equilibradas entra a 1ª (35) e a 2ª parte (30). Ao todo efectuou 26 recuperações de bola, 16 das quais completas, mostrando facilidade em ganhar posição ao adversário directo, para além de velocidade a atacar a bola e simplicidade de processos, não arriscando cortes completos em situação de pressão. Equilibrado entre os desarmes pelo chão e pelo ar, apesar da entrega e agressividade que o caracterizam, só cometeu 1 falta, curiosamente em situação ofensiva. Sem registo de remates à baliza, apesar de participar, por norma, em lances de bola parada ofensivas, perdeu 1 bola, numa das poucas tentativas de progressão com bola que protagonizou, acção que gosta de desenvolver, mas que o facto de jogar a central o impede de realizar com maior frequência. A nível do passe efectuou 36 acções, 29 das quais com acerto, falhando 7, sempre em tentativas de passe longo ou de aberturas para desmarcação à esquerda - Toni (6) e Ribéry (1). Toni e Lahm, com 7 passes, foram os jogadores que mais procurou, mostrando uma tendência para fazer circular a bola para a esquerda - juntam-se ainda 4 passes a Ribéry -, para além de os números não enganarem: maior eficácia no passe curto-médio - 7 passes certos para Lahm - do que no longo - apenas 1 passe certo para Toni.
PHILIPP LAHM. Lateral esquerdo, de 23 anos, recuperou no final de Outubro a titularidade, depois de mês e meio afastado das convocatórias devido a lesão. Formado nas escolas do Bayern, impôs-se como titular, depois de uma passagem de dois anos por empréstimo no Estugarda, acabando por conquistar o seu espaço no clube e na Selecção. Jogador destro, está, cada vez mais completo, ainda que o seu jogo tenha perdido alguma agressividade ofensiva, sobretudo em acções no último terço do terreno, mas ganho competência defensiva e qualidade táctica, não só na defesa de posições exteriores, como também de interiores, pois, apesar da sua baixa estatura (1.70), corta várias linhas de passe aéreas e ganha bolas na antecipação. Frente ao Wolfsburgo, Lahm foi o defesa mais interventivo: protagonizou 71 acções, 36 na primeira parte e 35 na etapa complementar. Bem menos ofensivo do que Lell, apenas por uma vez rompeu com bola no último terço do terreno, realizando, nessa acção, o seu único cruzamento: rasteiro, mas que não encontrou o destino desejado (Toni ou Klose). Contudo, Lahm revelou-se fundamental numa primeira fase de condução e distribuição de jogo: dos seus pés sairam 43 passes, a maior parte dos quais junto à lateral, alternando entre o curto e o médio. Desses, 38 encontraram o destino desejado, perdendo-se 5. Ribéry, o seu companheiro de faixa, foi o principal "alvo" dos seus passes: 17 - 15 certos e 2 errados, seguindo-se De Michelis, com quem trocou bolas no sector recuado, com 8. A nível defensivo, Lahm foi o segundo defesa mais recuperado, com o triplo das recuperação de Lell - 24: 14 completas e 10 incompletas ; 17 em posições exteriores à área e 7 em zonas interiores, tirando partido do seu bom jogo posicional e capacidade para jogar na antecipação. Sem qualquer falta cometida, apesar das várias entradas a bolas divididas, Lahm destacou-se pelo excelente tempo de entrada aos lances, uma das suas características principais, tendo sofrido 2 faltas. Perdeu duas bolas, ambas em movimentações de progressão.
MARK VAN BOMMEL. Jogador chave do esquema do Bayern, é fundamental tanto defensivamente como ofensivamente. Contratado a época passada ao Barcelona, onde não conseguiu atingir o nível esperado, recuperou em Munique a boa forma exibida ao longo de 6 épocas ao serviço do PSV Eindhoven, tendo atingido, aos 30 anos, aquele que é, muito provavelmente, o ponto mais alto da sua carreira a nível exibicional. Enorme recuperador de bolas, com uma capacidade de desarme e um sentido posicional assinaláveis, revela uma capacidade de pressão e agressividade notáveis, a que acrescenta um extraordinário talento na condução e, sobretudo, distribuição de jogo, executando, com grande facilidade, de primeira, e mostrando uma enorme precisão no passe longo. Frente ao Wolfsburgo foi o jogador mais em acção, somando 101 intervenções (50+51), nunca tendo estado mais de 3 minutos sem qualquer participação no jogo. Impressionante recuperador, totalizou 28 recuperações ao longo do jogo, 14 completas e 14 incompletas, mostrando uma enorme eficiência no desarme, tanto pelo chão como pelo ar. Agressivo, por vezes em demasia, foi o jogador mais faltoso do Bayern, ao cometer 6 infracções, sempre em lances divididos. A nível do passe atingiu um rendimento extraordinário: efectuou 64, dos quais 56 encontraram o destino certo, variando entre toques curtos, médios e longos, executando perto de metade de primeira, o que atesta a sua competência e facilidade em fazer distribuições rápidas, pois não gosta de prender a bola muito tempo. Em passe curto e médio, opta, quase sempre, por procurar o flanco direito, para onde direccionou 25 passes: Lell recebeu 17, e foi o jogador que mais procurou ao longo do jogo, somando 16 passes certos ; enquanto que Altintop recebeu 8, todos certos. Ao invés, em passe longo, procura mais um espaço entre o centro e a esquerda, dado suportado por 15 passes para Luca Toni, quase todos longos, sendo que 12 encontraram o destino desejado. Rápido a soltar a bola, não sofreu qualquer falta, nem perdeu nenhuma vez a posse do esférico, destacando-se também por ter efectuado 3 remates à baliza, sempre de pé direito: 2 de fora da área, sendo que um foi defendido pelo guarda-redes para canto e outro foi interceptado por um defesa ; e outro à entrada da área, que o guarda-redes também defendeu para canto.
ZÉ ROBERTO. De regresso à Alemanha, onde jogara oito épocas, e ao Bayern, que já representara durante quatro temporadas, Zé Roberto, depois de um ano intermitente no futebol brasileiro, pegou de "estaca" em Munique, não se notando o "peso" dos 33 anos. Médio centro mais móvel e menos directo e interventivo do que van Bommel, sempre com tendência para aparecer como apoio interior no flanco por onde a bola é conduzida, o internacional brasileiro também é um importante elemento em acções de recuperação, assumindo-se como uma importante "muleta" do internacional holandês, fazendo gala da sua boa condição física e capacidade posicional. Frente ao Wolfsburgo, Zé Roberto interveio em 62 ocasiões no jogo, 34 na primeira parte e 28 na etapa complementar, realçando-se o facto de ter feito o último quarto de hora em gestão de esforço, protagonizando apenas 3 intervenções. Mais de metade das suas acções foram passes (38 - 35 certos), quase sempre curtos, pois opta, normalmente, por um futebol apoiado e sem grande risco na entrega: Lell e Lahm, ambos com 7 passes recebidos, mostram a sua tendência para servir como apoio interior em progressões ; juntando-se a estes Ribéry, também com 7 passes recebidos, 6 deles certos, que mostram a sua tendência para, em situação ofensiva e em posse de bola, progredir mais pelo centro-esquerda, até porque é canhoto. Curiosamente, o seu jogo prima pelas lateralizações, raramente arriscado passes a romper pelo centro: apenas 4 para Klose e nenhum para Luca Toni. Ainda a nível ofensivo, Zé Roberto, que, em algumas situações, arrisca progressões, com bola, de trás para a frente, perdeu 3 bolas, sempre na sequência desse tipo de acções, e rematou 1 vez à baliza, na sequência de um livre lateral descaído para a direita, que foi parado a soco pelo guardião do Wolfsburgo. Do ponto de vista defensivo, Zé Roberto efectuou 19 recuperações: 13 completas e 6 incompletas, destacando-se mais pela capacidade de cortar linhas de passe, tanto pelo chão, como pelo ar, do que no capítulo do desarme em lances divididos. Não sofreu nenhuma falta e cometeu apenas uma, na sequência de uma disputa corpo a corpo.
HAMIT ALTINTOP. Contratado, este ano, ao Schalke 04, Hamit Altintop, internacional turco, nascido na Alemanha, de 24 anos, está a confirmar-se como um centro-campista completo: eficaz em acções de recuperação, o que lhe permite ser praticamente um interior direito em situação defensiva, e determinante em acções ofensivas, tirando partida da sua velocidade, capacidade técnica e de passe, sobretudo aberto na ala direita, mas também, em caso de necessidade, pelo centro. Diante do Wolfsburgo, Altintop participou em 80 acções, que fizeram dele o 2º jogador mais interventivo da equipa, mesmo tendo passado por alguns momentos de "apagão": pouco activo no último quarto de hora da primeira parte e entre os 64 e os 77 minutos - apenas quatro acções -, para reaparecer, em grande, na fase final do jogo. O internacional turco protagonizou 56 passes, 46 dos quais certos, sendo que um, a partir de posição central, resultou no golo de Ribéry. Dos 10 passes errados, destaque para 7 cruzamentos, aspecto em que se mostrou intermitente, pois apesar de colocar a bola na área com alguma facilidade, demonstrou alguns problemas de colocação, com várias intercepções na zona do primeiro poste. Ainda assim, acertou 6 dos 13 cruzamentos que efectuou, mostrando-se particularmente feliz nas bolas tensas a meia-altura, que proporcionaram duas assistências para finalização. O facto de partir, muitas vezes, para acções ofensivas, a partir de uma posição central, permitiu que Ribéry fosse o principal alvo dos seus passes (11), sendo que duas dessas situações acabaram por resultar em golo - uma de forma directa e outra no decurso do lance. van Bommel e Lell, ambos com 9 passes, Klose, com 8, e Toni, com 6, foram outros dos jogadores que mais procurou, sendo que os dois primeiros em acções sobre a ala, e os dois últimos, sobretudo, como destino dos seus cruzamentos. Para além das acções de passe, Altintop protagonizou ainda 3 remates, todos de fora da área, sendo que apenas 1, na transformação de um livre lateral, chegou à baliza, obrigando o guarda-redes do Wolfsburgo a uma intervenção a soco. Os outros dois remates, ambos em acção de bola corrida, não levaram o destino ambicionado: um foi por cima ; o outro interceptado. Do ponto de vista defensivo, Altintop, muito cumpridor no aspecto táctico, concretizou 15 recuperações, 11 das quais completas, destacando-se, sobretudo, a cortar linhas de passe pelo chão. A estes números há ainda a juntar mais alguns registos: 3 perdas de bola, sendo que 2 surgiram após acções individuais ; 1 falta cometida, muito inteligente, que travou um contra-ataque com 2-1 no marcador ; e 2 faltas sofridas.
FRANCK RIBÉRY. Internacional francês, de 24 anos, foi contratado ao Marselha no último defeso, tendo sido apresentado juntamente com Luca Toni como os grandes reforços do "novo" Bayern. Ainda que as suas prestações não venham a primar pela regularidade, a verdade é que Ribéry tem sido o jogador mais desequilibrador, somando 3 golos na Liga em 13 partidas, a que juntou 3 tentos na Taça da Liga, onde a sua prestação foi decisiva para a conquista do troféu. Jogador explosivo, que sabe aliar a sua velocidade a uma muito boa capacidade técnica e de passe, mostra-se tremendo no 1x1, tirando também partido da facilidade com que joga com os dois pés. Dotado de um bom poder de desmarcação, sai muito bem em diagonais da ala para o meio, mostrando uma grande facilidade de remate, ainda que, por vezes, se revele excessivamente individualista. Com Hitzfeld actua preferencialmente pela esquerda, mas nas saídas de acções defensivas para ofensivas, parte, muitas vezes, de posições centrais, tratando-se do jogador com mais liberdade para procurar acções individuais e para ter mais tempo a bola nos pés. Frente ao Wolfsburgo, Ribéry demorou a entrar em jogo, realizando apenas 6 acções no primeiro quarto de hora, a que se seguiram 11 no segundo quarto e 19 no terceiro quarto (deu a assistência para o golo de Klose), numa exibição em crescendo, totalizando 36 intervenções na primeira parte, a que se seguiram 40 na segunda metade: 17 no primeiro quarto de hora (marcou 1 golo), 19 no segundo quarto de hora e 5 no último quarto de hora, período que coincidiu com a sua substituição, a cinco minutos do fim, depois de 4 intervenções erradas nas suas últimas 5 participações no jogo, comprovando um claro decréscimo de produção. 47 das 76 intervenções de Ribéry foram passes: 33 certos e 14 errados, número que se explica pelo elevado número de tentativas de passes de ruptura e cruzamentos. No último aspecto, Ribéry efectuou 9 cruzamentos, 6 dos quais que não encontraram o destino desejado, mas entre os 3 que acertou, 1 deles acabaria por resultar em golo. Luca Toni, com 11 passes, foi o colega de equipa que mais procurou, mas apenas por 4 vezes conseguiu fazer chegar a bola em condições ao internacional italiano. Altintop (8, em trocas de bolas mais centrais), Van Bommel (7, quase sempre em passes atrasados ou de apoio), Klose (6, 1 deu golo), Lell (5, com particular destaque para 3 bolas paradas enviadas ao 1º poste) foram os outros jogadores que mais procurou. A nível do remate, Ribéry destacou-se também ao ser o jogador do Bayern que mais vezes rematou à baliza do Wolfsburgo: o internacional francês marcou 1 golo em 5 remates, curiosamente na sua única finalização de pé direito, numa finalização cruzada dentro da área. Os restantes 4 remates foram efectuados de pé esquerdo, 3 deles dentro da área e 1 de fora da área, sendo que 2 levaram a direcção da baliza, enquanto que os outros 2 foram por cima e ao lado. Tratando-se do jogador que mais tempo fica com a bola nos pés em cada acção, não surpreende o facto de ter sido o jogador com mais perdas de bola: 14, 9 das quais na sequência de acções individuais. Contudo, recuperaria 8 bolas, fruto do seu posicionamento ao centro em várias acções defensivas, que lhe permitiu cortar linhas de passe e aproveitar alguns ressaltos para partir para acções ofensivas, já que todas as suas recuperações foram completas. Com pouca tendência para "chocar" com adversários, não cometeu nenhuma falta, tendo sofrido duas.
MIROSLAV KLOSE. Goleador internacional alemão, de origem polaca, chegou este ao Bayern, depois de três épocas no Werder Bremen, em que apontou 53 golos em 89 jogos na Bundesliga, dando sequência ao registo goleador já evidenciado no Kaiserslautern, onde marcou 44 golos, em 120 jogos. Ao serviço do Bayern, em jogos da Liga, soma já 9 golos em 12 jogos, a que junta ainda 2 tentos na Taça UEFA em 2 partidas. Frente ao Wolfsburgo, e como já é um hábito nos jogos do Bayern, foi o jogador menos interventivo entre os titulares. Teve apenas 31 intervenções ao longo do jogo, até porque a sua função é, sobretudo, finalizar as jogadas, e criar espaços ou prender os adversários com as suas movimentações, aspecto em que é extremamente eficaz, o que faz com que esteja, por mais do que uma vez, largos minutos sem tocar na bola. Efectuou 4 remates à baliza, todos na primeira parte: 3 dentro da área, o seu local dilecto para finalizar, e 1 fora da área, de pé direito, que foi interceptado. Dos 3 remates efectuados dentro da área, o único de pé direito deu golo, enquanto que os 2 de cabeça tiveram destinos diferentes: um foi à barra e outro ao lado. No capítulo do passe esteve, como lhe é comum, pouco activo: 16 passes, na quase totalidade curtos, de pé direito ou cabeça, acertando 12. Toni e van Bommel, ambos com 4 passes, foram os jogadores que mais procurou. A estes números juntam-se ainda 1 fora-de-jogo ; 2 recuperações (1 completa, 1 incompleta) ; 3 perdas de bola (sempre após recepções deficientes) ; 2 faltas cometidas ; e 3 faltas sofridas, sempre em disputas de bola.
LUCA TONI. O possante avançado internacional italiano, de 30 anos, depois de apontar 67 golos em três épocas no Calcio, soma já 9 golos em 13 jogos na Bundesliga, a que junta mais 2 tentos, ambos diante do Belenenses, em 3 partidas na Taça UEFA. Tremendo em finalizações aéreas dentro da área, sobretudo ao segundo poste, trata-se também de um avançado extremamente potente nos últimos 25 metros, desmarcando-se, quase sempre nos limites do fora-de-jogo, com grande velocidade e facilidade em diagonais, com e sem bola, da esquerda para o meio que conclui com remates violentos e quase indefensáveis. Frente ao Wolfsburgo, Luca Toni não esteve numa tarde particularmente feliz, mostrando-se muito impaciente com o português Ricardo Costa, que cometeu várias faltas sobre o italiano em lances divididos aéreos. Ao longo do jogo teve 46 intervenções - 26 na primeira parte e 20 na etapa complementar, denotando-se-lhe largos períodos de inactividade, sobretudo no último quarto de hora da primeira parte (5 intervenções) e no primeiro quarto de hora do segundo tempo (apenas 2 intervenções). Luca Toni efectuou 4 remates, mas não esteve feliz no aspecto mais forte do seu jogo: 2 finalizações dentro da área, 1 de cabeça (ao lado) e 1 de pé esquerdo (para fora) ; 2 finalizações de fora da área (uma enquadrada, mas sem criar perigo, outra interceptada antes de chegar à área). Pior ainda esteve nas perdas de bola: 10, número apenas superado por Ribéry, que esteve em muito mais contacto com a bola, sendo que 6 resultaram de recepções deficientes de passes, aspecto em que revela limitações. Foi 3 vezes apanhado em fora-de-jogo - numa delas marcou um golo que foi invalidado -, situação comum devido ao seu estilo de jogo, sempre no limite, e efectou 3 recuperações, em lances divididos, 2 das quais completas. Apenas cometeu 1 falta, mas sofreu 12, a maior parte das quais feitas por Ricardo Costa, o que demonstra as dificuldades que os defesas encontram em disputar lances com o possante avançado italiano de 1 metro e 93 centímetros e 88 quilos. A estes números juntam-se ainda 13 passes, sendo que 10, quase todos curtos, encontraram o seu destino. Klose, com 5 passes, Ribéry, com 4, e Altinlop, com 3, foram os destinatários preferenciais dos seus passes.
TONI KROOS. O jovem fenómeno do futebol alemão, de apenas 17 anos, teve oportunidade de jogar os últimos 5 minutos da partida, rendendo Franck Ribéry. Sem posição fixa, entre a esquerda e o meio do meio-campo ofensivo, Kroos, que nas camadas jovens costumava actuar como "nº10", teve oportunidade de mostrar a velocidade e capacidade de desmarcação que o caracterizam, numa fase em que vai alternando a utilização na formação secundária com alguns minutos na equipa principal, onde se estreou como titular na derrota em Estugarda. Possui uma frieza pouco comum num jogador tão jovem, destacando-se por ser detentor de um bom remate de pé direito - usa também, com facilidade, o pé esquerdo -, para além de um bom drible e capacidade no passe, executando bem em progressão. Diante do Wolfsburgo teve 4 intervenções no jogo: 3 passes - acertou dois - e 1 remate, dentro da área, no último lance da partida, em que atirou de pé direito ao lado, depois de uma excelente desmarcação da esquerda para a direita ao longo de 50 metros.
OUTRAS OPÇÕES. Entre os jogadores que ficaram de fora diante do Wolfsburgo, apenas Lúcio deverá ser titular diante do Sp. Braga, em princípio no lugar do argentino DeMichelis, cuja utilização está em dúvida e que, mesmo em caso de recuperação, poderá ser poupado, até porque, entre Bayern e Selecção Argentina, soma já 25 jogos esta temporada. Lúcio, internacional brasileiro, de 29 anos, vinha a fazer dupla no centro da defesa com DeMichelis, mas foi expulso, após uma entrada duríssima sobre um adversário, na deslocação Estugarda, jogo que ficou marcado pela primeira derrota do Bayern esta época. Para além do promissor Kroos, único suplente utilizado diante do Wolfsburgo, Hitzfeld poderá ter no banco as seguintes opções: o guardião Michael Rensing, de 23 anos, antigo internacional sub-21 e apontado como uma das maiores promessas do futebol alemão na sua posição ; Willy Sagnol, lateral direito internacional francês, de 30 anos, que ainda não se estreou em jogos pela equipa principal do Bayern, pois lesionou-se com gravidade em Abril passado, tendo apenas realizado, no último mês, 2 jogos pela formação secundária do clube para recuperar a forma ; Andreas Ottl, médio defensivo, de 22 anos, que vem ganhando minutos pela equipa principal esta época, somando 12 jogos entre as diversas competições ; Jan Schlaudraff, unidade móvel de ataque, que pode jogar sobre os flancos ou em zonas centrais, que tem sido pouco utilizado, mas jogou alguns minutos nas duas partidas diante do Belenenses, depois de ter chegado a internacional alemão ao serviço do Alemannia Aachen, clube onde apontou 19 golos nas duas últimas temporadas ; Mats Hummels, jovem defesa-central ou trinco, de 18 anos, já internacional sub-21 pela Alemanha, que vem sendo uma das principais unidades da formação secundária, destacando-se pelo físico impressionante (1.91-88), que o torna muito forte no jogo aéreo e em acções de recuperação.
LINHAS PREFERENCIAIS DE PASSE DO BAYERN

BAYERN: CIRCUITO DE PASSES (acima de 4)

Europeu de Esperanças 2007: 36 jogadores para o futuro
sexta-feira, 22 junho 2007

Damir Kahriman (Sérvia) – Guarda-redes titular do Vojvodina, de 23 anos, 1.96/94, foi a grande figura da selecção Sérvia no Europeu sub-21, conduzindo-a à final, onde só cedeu no prolongamento. Muito alto e dotado de uma condição física impressionante, impõe-se com grande naturalidade, quer entre postes, quer fora destes, mostrando enorme capacidade de liderança e conhecimento do espaço que pisa. Mostra um bom controlo da baliza, chegando com facilidade a ambos os postes, pois é muito elástico, sabe-se colocar e tem reflexos rápidos. Fora dos postes, gosta de arriscar, revelando um bom controlo do espaço aéreo, firmeza no um para um com os avançados por baixo e um excelente tempo de saída. Apesar da sua juventude, já ultrapassou a fasquia dos 50 jogos na principal Liga sérvia, onde foi lançado pelo Zemun, em Abril de 2004, numa deslocação ao terreno do Zeta (derrota 1-2).

Zdenek Zlámal (República Checa) – Guarda-redes do Sparta Praga, começou a temporada como terceira escolha para o posto, o que levou o clube a emprestá-lo ao FC Tescoma Zlín, onde se impôs como titular, afirmando-se como uma das maiores revelações da Liga, ajudando a sua formação a ficar no escalão primo divisionário do futebol checo. 21 anos, 1.93-92. Trata-se de um guardião muito alto e com uma constituição física notável, que se mostra extremamente forte entre postes, parecendo ocupar toda a baliza, para além de evidenciar capacidade de liderança, comunicando muito com os seus colegas de sector. Dotado de uma boa colocação, revela bons reflexos e uma elasticidade e agilidade invulgares num guardião com as suas características físicas, protagonizando algumas defesas espectaculares e/ou de elevado grau de dificuldade. Pode, no entanto, trabalhar mais a recepção da bola, já que faz várias defesas incompletas ou a dois tempos, aspecto em que deverá melhorar. Fora dos postes deve tornar-se mais rápido a reagir aos lances, mas mostra capacidades nos lances de um para um com os avançados adversários, para além da sua elevada estatura permitir-lhe desfazer cruzamentos com alguma facilidade, mas pode e deve arriscar mais, já que não se costuma aventurar fora da sua pequena área.
Antonio Rukavina (Sérvia) – Lateral-direito, impôs-se com grande facilidade no Partizan Belgrado, onde chegou a meio da época, depois de ter feito uma excelente primeira volta de Liga no modesto Bezanija. Jogador de 23 anos, 1.77/74, foi uma das revelações da temporada sérvia, o que lhe permitiu já ser chamado à selecção principal, pela qual se estreou dias antes de iniciar a sua participação no Europeu de Esperanças. É um lateral direito que está habituado a jogar num esquema tradicional de quatro defesas, mas cujas características, marcadamente ofensivas, permitem adaptá-lo com grande facilidade a uma posição de volante direito, num esquema com laterais adiantados. Mesmo que fisicamente não seja um portento, faz com grande facilidade todo o corredor durante os 90 minutos, criando desequilíbrios com as suas subidas, pois é rápido, possui uma capacidade técnica interessante e mostra-se particularmente perigoso nos cruzamentos, saindo dos seus pés várias assistências para finalizações, tanto em lances de bola parada, como em lances de bola corrida. No capítulo defensivo, apesar de muito esforçado e pressionante, necessita de evoluir do ponto de vista táctico, tanto na defesa de posições exteriores como em posições interiores, pois dá demasiado espaço aos adversários.
Gianni Zuiverloon (Holanda) – Lateral-direito, adaptável também ao posto de central pela direita, num esquema com três defesas ou três centrais, de 20 anos, 1.81/70, foi revelado pelo Feyenoord, mas não vingou na primeira equipa da formação de Roterdão, passando depois pelo RKC Waalwijk e, na última época, pelo Heerenveen, onde realizou uma boa temporada, impondo-se com facilidade como titular. Trata-se de um lateral pouco brilhante, mas eficaz nos processos defensivos, já que é bastante pressionante, agressivo – por vezes em demasia – e com capacidade de desarme, tanto pelo chão, como pelo ar, não sendo fácil ultrapassá-lo, quando está correctamente posicionado. Do ponto de vista ofensivo, apesar de se tratar de um defesa rápido e potente, mostra poucos predicados de ordem técnica, para além de necessitar de ganhar maior consistência no passe e nos cruzamentos para atingir outra dimensão.
Manuel da Costa (Portugal) – Defesa-central, de 21 anos, 1.87/78. Depois de ter deslumbrado em Toulon 2006, o que lhe permitiu a fantástica transferência da equipa secundária do Nancy para o PSV Eindhoven, onde não se conseguiu ainda impor como titular absoluto, mas foi regularmente utilizado, confirmou-se como um dos jovens centrais – na minha opinião, o jovem central – mais promissores do futebol europeu e mundial. Apesar da decepcionante campanha portuguesa no Europeu de Esperanças, Manuel da Costa confirmou-se como um defesa central extremamente calmo e seguro, dotado de um excelente sentido posicional, grande capacidade de desarme, tanto pelo chão como pelo ar, e forte na antecipação, tirando partido de um bom tempo de entrada aos lances, para além da sua velocidade natural a atacar a bola. Falta-lhe, contudo, um pouco mais de agressividade, isto apesar de ser forte fisicamente, mas trata-se de um central pouco faltoso e que procura sempre a bola. Do ponto de vista técnico é bastante evoluído para um central, revelando facilidade a sair a jogar, assumindo uma primeira fase de construção, ainda que, em algumas ocasiões, arrisque em demasia. Eficaz no passe curto e médio, mostra predicados muito interessantes no passe longo, que lhe permitem lançar iniciativas ofensivas à distância. Central com presença na área adversária, falta-lhe ganhar ainda um maior engodo pela baliza adversária.
Dusko Tosic (Sérvia) – Defesa-central canhoto, de 22 anos, 1.81/78, foi contratado pelo Sochaux, em Janeiro de 2006, ao OFK Belgrado, onde era titular desde os 18 anos. Em França, acabou a última época como titular, mas não o foi de forma absoluta, totalizando, até ao momento, 40 jogos em época e meia na Ligue 1. Actua preferencialmente pela zona central esquerda da defesa, e apesar de canhoto, jogo também com alguma facilidade com o pé direito. Forte no jogo aéreo, tanto em situação defensiva, como ofensiva, sabe tirar partido de um excelente poder de impulsão, tratando-se de um especialista a jogar na antecipação, ganhando com facilidade posição aos adversários directos tanto pelo chão como pelo ar. Precisa, no entanto, de melhorar o tempo de entrada aos lances, o que o leva a ser algo faltoso, como também tornar-se mais concentrado, já que, em algumas ocasiões, parece “adormecer”. Mesmo assim, é bastante eficaz no desarme. Do ponto de vista técnico é um central muito evoluído, com grandes capacidades no um para um e a sair a jogar. Criterioso na distribuição de jogo, assume, sem receios, a primeira fase de construção, mostrando eficácia no passe: curto, médio ou longo.
Branislav Ivanovic (Sérvia) – Defesa central, de 23 anos, 1.88/84, já internacional A, pode também actuar como lateral, sobretudo à direita, mas não se sente tão à vontade nessa missão. Contratado pelo Lokomotiv Moscovo, onde é titularíssimo há ano e meio, ao OFK Belgrado, trata-se de um defesa muito seguro e talhado para voos mais altos. Poderoso fisicamente, impõe-se com facilidade e naturalidade no confronto físico, não abusando de jogo faltoso, isto apesar de se tratar de um central talhado para acções de marcação, bastante difícil de ultrapassar no um para um. Forte no desarme, tanto pelo ar como pelo chão, é rápido e contundente a atacar a bola, ganhando vários lances na antecipação, mas poderá melhorar a definição do tempo de entrada aos lances. Do ponto de vista técnico é um jogador muito interessante, mostrando capacidades a sair a jogar, sobretudo no passe curto e médio, mas, quando é necessário, também sabe jogar de forma feia e prática. Revela também facilidade em explorar o futebol aéreo em situação ofensiva, marcando alguns golos de cabeça na sequência de lances de bola parada, para além de se tratar de um líder nato, muito comunicativo, pois dá, de forma permanente, instruções aos seus colegas de sector, como também sabe empurrar a equipa para a frente.
Gojko Kacar (Sérvia) – Um jogador impressionante. Central ou médio defensivo, de 20 anos, 1.85/79, apenas realizou um jogo no Europeu, diante da Inglaterra, onde se exibiu a um nível altíssimo, confirmando a excelente época ao serviço do Vojvodina, clube que representa como titular há mais de dois anos. Jogador com grande capacidade de liderança, comunica muito com os seus companheiros de sector e sabe empurrar a equipa para a frente, destacando-se também por ser um exímio recuperador de bolas, muito forte no desarme, tanto pelo chão, como pelo ar, aliando contundência na abordagem aos lances – é fortíssimo no “tackle”, mas, em algumas ocasiões, demasiado duro – com um excelente poder de antecipação, pois é muito rápido e ganha com facilidade a posição aos avançados adversários. Inteligente a nível posicional e táctico, evidencia uma capacidade técnica bastante acima da média para um central, arriscando dribles em zonas proibidas, para além de sair a jogar com grande facilidade, assumindo a condução e a organização do jogo ofensivo desde trás, revelando uma boa capacidade de passe. É, também, um defesa que marca golos com alguma facilidade: seja através do seu jogo aéreo em lances de bola parada ofensivos, seja através de remates de fora da área, pois possui um bom disparo de pé direito, mas pode melhorar o enquadramento.
Ryan Donk (Holanda) – Defesa-central, de 21 anos, 1.92/80, foi contratado, no final de Agosto de 2006, pelo AZ Alkmaar, onde acabou a época como titular, ao RKC Waalwijk, clube onde ainda pouco jogara. Destaca-se, sobretudo, pela sua grande compleição física e poder de choque, que lhe permite impor-se, com relativa facilidade, nos lances divididos, não recorrendo muito a faltas para parar o seu adversário directo. Muito forte no jogo aéreo, revela-se mais eficiente em situação defensiva, onde ganha a maior parte dos lances que disputa, do que em situação ofensiva, necessitando de trabalhar mais a sua técnica de cabeceamento em direcção à baliza adversária. Pelo chão, apesar de rápido e contundente a atacar a bola, sente algumas dificuldades em velocidade, quando são exploradas as costas da defesa, mas faz-se valer de um interessante sentido posicional. Apesar de possuir alguns atributos a sair a jogar, mesmo quando arrisca um futebol mais directo, é um defesa prático e nada complicativo, que joga feio quando tem que o fazer.
Marco Andreolli (Itália) – Defesa-central, habitualmente pela direita, de 21 anos, 1.87/81, produto das escolas do Inter, onde ainda não se conseguiu impor como titular, fruto da elevada concorrência na sua posição. Muito frio e seguro, trata-se de um jogador com escola, que se destaca por um elevado sentido posicional e táctico, que lhe permite ser eficaz tanto a jogar solto como em acções de marcação, não sendo fácil batê-lo no um para um, já que é muito eficaz no desarme pelo chão e pelo ar. Tecnicamente dotado, revela facilidade na recepção e no controlo de bola e sabe sair a jogar, quase sempre à base de passes curtos e médios. O seu ponto mais fraco acaba por ser a velocidade em lançamentos para as suas costas, já que se sente mais à vontade em espaços curtos do que em largos. Necessita também de jogar com mais frequência, o que dificilmente acontecerá no Inter.
Slobodan Rajkovic (Sérvia) – Defesa-central canhoto, de 18 anos, 1.95/85, foi revelado pelo OFK Belgrado, onde ainda actua, mas já é jogador do Chelsea há mais de um ano e meio. Jogador portentoso do ponto de vista físico, impõe-se com enorme facilidade nos lances corpo a corpo, ainda que necessite de rever a contundência e agressividade excessiva com que aborda alguns lances. Muito forte no jogo aéreo, raramente perde uma bola no espaço defensivo, mostrando também à vontade para participar em situação ofensiva em lances de bola parada, conquistando várias bolas nesse tipo de situação. Apesar da sua elevada estatura, sai com facilidade de posição e pressiona tanto na zona intermediária, como também sobre a ala esquerda, mostrando facilidade no desarme e a jogar na antecipação, tanto pelo chão, como pelo ar. Bastante prático, sabe jogar feio quando é necessário, mas também é capaz de sair a jogar, mostrando capacidades no passe. Falta-lhe ganhar uma maior consistência nos lances de um para um, onde lhe falta um tempo de reacção mais rápido a acções de desequilíbrio dos adversários.
Giorgio Chiellini (Itália) – Lateral-esquerdo, de 22 anos, 1.86/79, surgiu com apenas 16 anos na primeira equipa do Livorno, de onde saltou, em 2004, para a Fiorentina, impondo-se com facilidade, o que lhe permitiu a estreia na selecção principal. Está há dois anos na Juventus, tendo sido um dos melhores jogadores na última época, ajudando o clube de Turim a regressar à Série A do Calcio. É um lateral que se adapta com facilidade ao esquema tradicional de quatro unidades defensivas, como também pode actuar como volante lateral pela esquerda, já que faz com facilidade todo o corredor, mostrando-se até mais à vontade a atacar do que a defender, onde necessita de ganhar maior consistência, isto apesar de poder também desempenhar as funções de central pela esquerda, sobretudo num esquema com três defesas. É um defesa bem constituído fisicamente e, por vezes, excessivamente duro, o que lhe custa alguns cartões, sentindo-se mais à vontade na defesa de posições interiores, até porque possui um bom jogo aéreo, do que na defesa de posições exteriores, onde comete algumas desatenções, que deverá corrigir. Do ponto de vista ofensivo, mostra-se muito rápido e potente a desdobrar-se em acções de ataque, tanto com bola, como sem bola, fazendo, com grande facilidade, todo o corredor, pois evidencia sempre uma excelente preparação física e um grande pulmão. Mesmo não se tratando de um jogador tecnicamente muito evoluído, ganha lances no um para um e mostra eficácia no passe e nos cruzamentos, onde pode tornar-se ainda mais acutilante, como também é forte a fazer diagonais com bola, pois tem um remate muito forte de pé esquerdo.
Sébastien Pocognoli (Bélgica) – Lateral-esquerdo, de apenas 19 anos, 1.82/72, protagonizou uma excelente campanha no Genk, o que fez com que vários clubes o observassem, optando por uma proposta do AZ Alkmaar, que ganhou a corrida a alguns emblemas franceses de topo. Jogador muito forte do ponto de vista defensivo, defende com grande facilidade posições exteriores, onde é difícil superá-lo no um para um, pois é forte fisicamente, pressionante e eficaz tanto em acções de desarme como a jogar na antecipação. Inteligente a nível táctico e posicional, defende com facilidade posições interiores, revelando facilidade a defender o espaço aéreo, como também a acompanhar as movimentações em diagonal dos extremos/alas adversários. Do ponto de vista ofensivo, falta-lhe alguma capacidade técnica para criar desequilíbrios no um para um, mas é rápido, sabe conduzir jogo – tem facilidade em utilizar os dois pés, apesar de ser canhoto – e tem um remate fortíssimo de pé esquerdo, tanto em bola corrida, como em bola parada, onde poderá atingir outro patamar, se trabalhar o enquadramento. A nível do passe e dos cruzamentos evidencia potencial, mas poderá tornar-se ainda mais consistente e acutilante.
Aleksandar Kolarov (Sérvia) – Apontado pela imprensa do seu país como o “novo Roberto Carlos”, realizou uma temporada muito boa no OFK Belgrado, onde apontou 4 golos em 27 jogos, o que motivou observações de clubes italianos, ingleses e alemães, falando-se, com insistência, de uma possível transferência para a Lázio. Tem 21 anos, 1.87/80. Apesar de se tratar de um jogador forte do ponto de vista físico, sente-se muito mais à vontade a atacar do que a defender, onde terá que ganhar uma bem maior consistência, de forma a atingir outros patamares, pois dá demasiado espaço nas suas costas e mostra algumas debilidades do ponto de vista táctico e posicional, nomeadamente quando é obrigado a defender posições interiores. Do ponto de vista ofensivo, é um lateral que faz com grande facilidade todo o corredor, assumindo e conduzindo jogo com muita qualidade, para além de revelar um bom poder de desmarcação com e sem bola. Muito rápido e muito dinâmico, alia a velocidade a uma capacidade técnica acima da média, que lhe permite criar desequilíbrios no um para um, mostrando também um bom potencial no passe e nos cruzamentos, realizando várias assistências para finalização. Dotado de um remate violentíssimo de pé esquerdo, procura muito a baliza adversária, tanto em lances de bola corrida, como também em bola parada, tratando-se de um especialista neste tipo de acção – marcou um golo de livre à Bélgica.
Hedwiges Maduro (Holanda) – Médio defensivo, de 22 anos, 1.84/79, realizou uma época bem abaixo das expectativas no Ajax, onde se assumira em 2005/06 como peça-chave do esquema da equipa, merecendo também chamadas regulares à selecção principal. Chegou ao Europeu em boa forma física, o que lhe permitiu exibir-se a altíssimo nível, isto apesar de não se tratar de um jogador muito veloz, mas é extremamente eficaz do ponto de vista táctico, ocupando e fechando muito bem os espaços, o que lhe permite recuperar muito jogo, quer através da sua capacidade de desarme, tanto pelo chão como pelo ar, mas também pela extrema facilidade com que corta linhas de passe. Eficaz a sair a jogar, fá-lo, quase sempre, de forma simples, com base num futebol mais apoiado, tirando partido da sua eficácia no passe curto e médio, mas também incorpora com facilidade acções de ataque, movimentando-se bem sem bola, já que aparece com facilidade em posições de remate, para tirar partido do seu excelente remate de pé direito.
Miguel Veloso (Portugal) – Médio defensivo, de 21 anos, 1.80/79, confirmou na Selecção de Esperanças a excelente segunda volta que realizou ao serviço do Sporting. Dotado de um excelente sentido posicional, que compensa algumas lacunas em velocidade, mostrou-se muito eficaz em acções de recuperação, tanto a nível do desarme, sobretudo pelo chão, como também a jogar na antecipação, o que lhe permitiu cortar inúmeras linhas de passe. Jogador com personalidade e maturidade acima do normal para a sua idade, assume o jogo desde trás, mostrando uma capacidade técnica acima da média, que lhe permite assumir a condução de jogo e criar desequilíbrios no um para um, como também uma grande facilidade no passe e na escolha dos tempos, que o tornam num especialista no lançamento de jogadas de ataque, tanto organizado, como de ataques rápidos, fruto da facilidade que evidencia a colocar a bola à distância, sobretudo sobre os flancos. Está a mostrar um crescimento importante na eficácia e enquadramento do remate de pé esquerdo de fora da área, tanto em bola corrida, como em bola parada, o que lhe permitiu marcar dois golos durante a competição, mas deverá trabalhar mais o futebol aéreo, tanto defensiva, como ofensivamente.
Antonio Nocerino (Itália) – Protagonista de uma excelente época ao serviço do Piacenza, onde apontou 6 golos em 37 jogos na Série B em 2006/07, tem 22 anos, 1.78-76, e uma carreira extremamente irregular para um jogador tão jovem, com passagens por 6 clubes em apenas 4 épocas como profissional, quase sempre no segundo escalão do futebol italiano. Em Itália, é conhecido por “Piccolo Gattuso”, pelas semelhanças físicas e no estilo de jogo com o jogador do AC Milan e da Selecção Italiana. É um jogador que se destaca pela intensidade de jogo, pois corre os 90 minutos, pressionando a todo o campo e nunca virando a cara à luta, o que lhe permite recuperar muitas bolas, aliando capacidade de desarme e de antecipação a um bom sentido posicional e táctico, preenchendo os espaços de forma inteligente, ainda que, em algumas situações, evidencia excessos de agressividade que lhe custam vários cartões. Com a bola nos pés não se atrapalha, apesar de jogar, por norma, de forma simples, não arriscando muito no passe. Dotado de uma capacidade técnica interessante, rompe bem, em acções com bola e sem bola, de trás para a frente, aparecendo com facilidade em posições de remate, possuindo um bom disparo de pé direito.
Marouane Fellaini (Bélgica) – Médio multi-funções, a sua posição natural é a de médio-centro, mas pode também actuar como médio defensivo ou como médio ofensivo, como aconteceu no Portugal – Bélgica, disputado há poucos meses em Alvalade. 18 anos, 1.94/85, joga no Standard de Liège, onde se impôs como titular, afirmando-se também como uma das figuras da temporada belga, o que lhe valeu um lugar na renovada selecção principal. Portentoso do ponto de vista físico, trata-se de um jogador que se movimenta muito e bem, quer em acções com bola, quer em acções sem bola, uma das suas especialidades. Muito forte no jogo aéreo, ganha bolas com grande facilidade a meio-campo, como também, em acção ofensiva, na área adversária, mostrando sentido de baliza, não só de cabeça, mas também em remates de pé direito. Pode assumir mais o jogo, pois é tecnicamente dotado, revelando igualmente facilidade no passe, ainda que jogue, essencialmente, com base em passes curtos. Do ponto de vista defensivo, controla o espaço aéreo e ganha a grande parte dos lances que disputa no corpo a corpo, mostrando potencial no desarme, para além de se tratar de um jogador agressivo, ainda que, em algumas situações, de forma excessiva. Fruto do seu poderio físico, sabe também jogar de costas para a baliza, escondendo a bola dos adversários.
Milan Smiljanic (Sérvia) – Médio centro, de 20 anos, 1.81 / 75, foi uma das várias revelações da Liga Sérvia em 2006/07, tendo-se imposto como titular indiscutível do Partizan Belgrado, o seu clube de sempre. Apesar de mais talhado para acções ofensivas do que defensivas, o excesso de jogadores com características ofensivas no meio-campo sérvio obrigou-o a assumir um papel mais de contenção. Cumpriu, ainda que nem sempre de forma regular, essa tarefa, fazendo uso do seu jogo posicional, bem mais do que pela sua capacidade de desarme ou de marcação, aspectos para os quais não é particularmente talhado. Contudo, destingiu-se pela facilidade com que organiza jogo, mostrando capacidade para assumir a condução e distribuição de jogo, tirando partido do seu talento no passe, executando de forma inteligente e rápida. Capaz de progredir no terreno com bola e sem bola, revela uma capacidade técnica muito interessante, que lhe permite criar desequilíbrios no um para um, aparecendo também em posições de remate, ainda que necessite de potenciar o enquadramento.
Manuel Fernandes (Portugal) – Segundo trinco, médio centro ou interior, deu sinais de um crescimento físico – verdadeiramente impressionante – capaz de o conduzir a patamares elevadíssimos, se a cabeça ajudar, pois tem talento de sobra, mas falta-lhe ganhar uma maior consistência e pendularidade exibicional, pois aparece e desaparece dos jogos ainda com alguma facilidade. 21 anos, 1.75/69, tem contrato com o Benfica, que o emprestou ao Portsmouth e, posteriormente, ao Everton, tendo sido apenas titular a espaços em ambas as formações. Médio completo, revela-se extremamente útil em acções de recuperação, já que a sua capacidade física actual permite-lhe impor-se nos lances divididos, ainda que, por vezes, com excessiva agressividade, juntando à sua já conhecida capacidade de desarme e, sobretudo, facilidade em jogar na antecipação. Do ponto de vista ofensivo apresentou também um salto qualitativo muito interessante: forte a conduzir jogo e a criar desequilíbrios no um para um, sabe usar a sua velocidade e poder físico para progredir no terreno, aliando-o a uma boa visão de jogo, capacidade de passe e bom poder técnico, ainda que exagere em acções individuais e em imprimir ritmos demasiados elevados, aspectos que terá que limar. Evoluiu também a nível do remate de fora da área: mais potente e melhor enquadrado, sobretudo em conclusões de fora da área, mas, também aí, deverá apresentar mais cuidados na selecção, já que exagera na busca do golo.
Nigel Reo-Coker (Inglaterra) – Médio centro ofensivo, de 23 anos, 1.72/65, é titularíssimo do West Ham United há três épocas, depois de ter sido revelado pelo Wimbledon, somando cerca de 200 jogos entre todas as competições, o que é sinónimo de experiência e maturidade acima da média para um jogador da sua idade. Por isso mesmo, não surpreendeu a forma adulta como liderou a formação inglesa, a partir da zona central do terreno, aliando capacidade para sair e organizar acções ofensivas a um grande poder físico, que lhe permite ser muito útil também em acções de recuperação. Com grande “pulmão”, corre os 90 minutos, mostrando um bom conhecimento táctico do jogo, que lhe permite ocupar bem os espaços, para além de possuir capacidades no desarme e a jogar na antecipação. Tecnicamente dotado, sabe aliar esse seu talento à força física, rompendo bem de trás para a frente em acções com bola, mas também sem bola, o que lhe permite aparecer com facilidade em posições de remate. Deve ganhar uma maior consistência a nível da visão de jogo e do passe, onde, por vezes, se revela errático, para atingir outro patamar.
Alberto Aquilani (Itália) – Médio centro ofensivo, capaz de desempenhar várias funções a meio-campo, quer como interior, quer como médio mais ofensivo, de 22 anos, 1.84/78. Habitual suplente da AS Roma, onde foi incorporado na primeira equipa com apenas 17 anos, trata-se de um jogador de classe, capaz de desequilibrar o jogo numa acção, mas que evidencia uma irregularidade exasperante, pois passa longos minutos longe dos jogos. Dotado de um pé direito de enorme qualidade, possui uma capacidade técnica bem acima da média, que lhe permite criar desequilíbrios no um para um com facilidade, para além de ser um jogador capaz de gerir os tempos de entrega e de fazer com qualidade a condução e circulação de bola, pois também possui atributos a nível da visão de jogo e do passe, mas a sua habitual tendência para se esconder em determinadas fases do jogo acaba por lhe tirar influência. Possui também um bom remate de pé direito, que lhe valeu dois golos durante a competição.
Otman Bakkal (Holanda) – Médio de características ofensivas polivalente, de 22 anos, 1.82/76, pode desempenhar várias funções em campo: médio ofensivo, médio centro ofensivo ou interior, médio ala pela direita ou esquerda. O seu passe pertence ao PSV Eindhoven, sendo praticamente certo que Ronald Koeman lhe irá dar uma oportunidade em 2007/08, depois de dois anos e meio emprestado a FC Den Bosch, FC Eindhoven e Twente, onde, na última temporada, alternou a titularidade com o banco. Jogador talentoso, mas bastante irregular, sente dificuldades em cumprir os 90 minutos, sobretudo quando o jogo é mais intenso, aparecendo e desaparecendo com grande facilidade dos jogos. Trata-se de um médio tecnicamente dotado e rápido, com capacidade no um para um, já que sabe driblar em progressão, para além de possuir capacidades no passe. Defensivamente, procura preencher os espaços de forma inteligente, mas está longe de se tratar de um recuperador exímio.
Bosko Jankovic (Sérvia) – Médio ofensivo, interior ou ala, preferencialmente sobre a direita, mas também, em caso de necessidade, sobre a esquerda, esta antiga estrela do Estrela Vermelha de Belgrado, onde apontou 24 golos em 73 jogos na principal Liga sérvia, realizou uma boa época em Espanha, onde, ao serviço do Maiorca, apontou 9 golos em 28 jogos, sendo que apenas 17 foram na condição de titular. 23 anos, 1.83/78, já internacional A. Sempre muito participativo no jogo ofensivo da equipa, possui uma boa técnica individual, para além de se tratar de um jogador com boa visão de jogo e com capacidade no passe e nos cruzamentos. Capaz de criar desequilíbrios no um para um, falta-lhe assumir mais o risco de partir para cima do adversário e melhorar a sua capacidade de drible curto, mas, ainda assim, cria desequilíbrios com as suas acções com bola e movimentações sem bola, explorando bem a força física que possui e os seus movimentos na sequência de diagonais, para além de revelar potência no remate de pé direito, tanto de dentro, como fora da área. A sua época em Espanha permitiu-lhe uma evolução em termos tácticos e de recuperação de jogo, aspecto onde ainda poderá evoluir, de forma a se tornar ainda mais completo.
Daniel de Ridder (Holanda) – Jogador de enorme talento, mas de uma irregularidade exasperante, não vingou no Celta de Vigo, onde em quase dois anos realizou apenas 20 jogos, depois de um início de carreira promissor no Ajax, de onde sairia pela porta pequena após alguns conflitos. Tem 23 anos, 1.80/69, e é capaz de alternar exibições medíocres com momentos brilhantes, como a final do Europeu, em que realizou três assistências para golo. Actua, preferencialmente, aberto na ala direita do ataque, mas pode também jogar na esquerda ou livre nas costas do(s) avançado(s). numa posição mais interior. É um jogador de grande qualidade técnica e excelente drible, que cria desequilíbrios no um para um com grande facilidade, ainda que, por vezes, demore a mudar de velocidade ou perca objectividade com mais um adorno. Eficaz nos cruzamentos e no último passe, sobretudo na sequência de diagonais da ala para o meio, o que lhe permite fazer várias assistências para golo, falta-lhe algum sentido de baliza, como também tornar-se mais participativo no jogo, não só em termos ofensivos, como também a nível defensivo, pois não gosta muito de correr atrás da bola.
Dejan Milovanovic (Sérvia) – Médio centro ofensivo ou médio ofensivo, de 23 anos, 1.80/75, é uma das principais figuras do Estrela Vermelha de Belgrado, tendo-se estreado na equipa principal com apenas 17 anos, o que lhe permite somar, até ao momento, perto de 130 jogos na principal Liga sérvia. Talento puro, foi obrigado, por imperativos tácticos, a jogar um pouco mais recuado do que gosta, mas trata-se de um jogador que sabe organizar jogo, mostrando boa visão de jogo e facilidade de passe, ainda que se sinta mais à vontade quando actua livre, mais próximo do(s) avançado(s), de forma a retirar o máximo do seu elevado potencial técnico e da facilidade de remate. Para chegar a um patamar superior, necessita de ganhar maior consistência exibicional, já que desaparece com facilidade dos jogos, e também trabalhar um pouco em prol do colectivo, nomeadamente em acções de recuperação, para as quais não se mostra talhado.
Stefan Babovic (Sérvia) – Conhecido na Sérvia por “Messi”, tem 20 anos, 1.76/62, e deslumbrou, na última temporada, ao serviço do OFK Belgrado, apontando 6 golos em 27 jogos, depois de se ter estreado como profissional ao serviço do Partizan, que o lançou na primeira equipa com apenas 17 anos. Jogador polivalente de características ofensivas, sente-se mais à vontade a actuar como médio ofensivo ou segundo avançado, destacando-se por possuir um pé esquerdo maravilhoso, capaz de criar inúmeros desequilíbrios, pois sabe aliar velocidade a uma excelente capacidade técnica e de drible. Muito interessante também na condução de jogo ofensivo, alia uma boa visão de jogo a capacidade de passe, que lhe permitem fazer várias assistências para finalizações, como também evidencia um grande engodo pela baliza adversária, ainda que, em algumas situações, exagere em iniciativas individuais, faltando-lhe um maior sentido colectivo e maior capacidade física, já que é algo leve e sente algumas dificuldades a cumprir os 90 minutos. É apontado como potencial reforço de várias equipas da principal Liga espanhola.
Riccardo Montolivo (Itália) – Médio ofensivo da Fiorentina, onde foi utilizado com regularidade na última época, foi revelado pela Atalanta, então na Série B, com apenas 18 anos. Capaz de desempenhar também as funções de médio centro ou interior esquerdo ofensivo, tem 22 anos, 1.81/65. É um jogador de talento inegável, comparado pela imprensa italiana a Andrea Pirlo, com um belíssimo pé direito, mas que prima pela irregularidade e pela incapacidade que demonstra em assumir o jogo de forma constante, pois eclipsa-se das partidas com demasiada facilidade. Bem dotado do ponto de vista técnico e com grande facilidade de drible, cria desequilíbrios no um para um, para além de possuir uma muito boa capacidade de passe, que lhe permite fazer várias assistências para finalização, como também um bom remate de fora da área, ainda que possa tornar-se mais acutilante sobre esse ponto de vista. Falta-lhe alguma agressividade, assim como ganhar uma maior cultura táctica e percepção das acções defensivas, onde se mostra pouco consistente, recorrendo, muitas vezes, a faltas para travar os adversários.
Martin Fillo (República Checa) – Médio ofensivo, actua preferencialmente sobre os flancos, quer à esquerda, quer à direita, mas pode também desempenhar funções de médio ofensivo ou segundo avançado. Revelação da última Liga checa, onde, ao serviço do Viktoria Plzen, apontou 7 golos em 28 jogos, esperava-se que jogasse mais no Europeu de Esperanças, o que não aconteceu, pois apenas foi titular diante da Sérvia. No entanto, mostrou predicados que o confirmam como uma das grandes promessas do futebol checo. Tem 21 anos, 1.77-68. Trata-se de um jogador criativo, que consegue aliar a sua capacidade técnica individual a velocidade e a mobilidade, que lhe permitem criar desequilíbrios no um para um. Ao seu jogo falta, no entanto, um pouco mais de maturidade, pois, em algumas ocasiões, tende a individualizar de forma excessiva as jogadas, perdendo objectividade. Mostra um potencial bastante interessante a nível do passe e dos cruzamentos, como também engodo pela baliza adversária, utilizando preferencialmente o pé direito, mas o pé esquerdo não é cego.
Roysthon Drenthe (Holanda) – A maior estrela do Europeu de Esperanças 2007. Jogador capaz de fazer qualquer posição sobre a ala esquerda, foi a revelação da paupérrima época do Feyenoord, onde se assumiu como titular, abrindo-lhe as portas da Selecção de Esperanças. 20 anos, 1.82-78, está talhado para voos mais altos, e o seu futuro próximo passará por um dos grandes do futebol europeu. Muito rápido e potente, com estonteantes mudanças de velocidade, consegue aliar a esses atributos uma técnica individual e um poder de drible bastante acima da média, que o tornam num jogador capaz de criar inúmeros desequilíbrios, sobretudo em espaços largos, não mostrando qualquer receio em partir para cima dos adversários. Possuidor de um remate forte de pé esquerdo, tanto em bola corrida, como em bola parada, onde pode trabalhar mais o enquadramento com a baliza. É, também, extremamente eficaz nos cruzamentos, um dos pontos mais fortes do seu jogo, tanto em acções de bola corrida como em pontapés de canto ou livres laterais, dando grandes efeitos à bola e mostrando facilidade em encontrar o seu destinatário. Do ponto de vista defensivo é um jogador também eficaz, fazendo-se valer da sua excelente condição física e capacidade de pressão, conseguindo recuperações, quer em lances de confronto físico, quer a jogar na antecipação, onde mostra saber tirar partido da forma veloz e, por vezes, demasiado agressiva com que ataca a bola.
Ryan Babel (Holanda) – Esperava-se um pouco mais, é certo, de um dos jogadores mais desejados do “mercado” Europeu, mas acabou por fazer uma competição em crescendo, marcando na final. Avançado móvel, capaz de actuar no centro, mas com predilecção pelas alas e pelas movimentações em diagonal, tem 20 anos, 1.84/79, e joga, com regularidade, no Ajax já há três temporadas, mas apenas apontou 14 golos em 73 jogos. É um jogador que se destaca pelo físico que possui, protegendo a bola de forma inteligente e mostrando-se forte no corpo a corpo, quer de costas para a baliza, quer em movimentações com bola, onde sabe também tirar partido da sua agilidade e fácil capacidade de rotação. Muito rápido e com capacidade de aceleração, torna-se num jogador muito potente nos últimos 30 metros, evidenciando também uma capacidade técnica interessante, ainda que necessite de aprimorar o seu jogo sem bola, aspecto em que revela algumas lacunas. Falta-lhe também melhorar o enquadramento do remate, pois é muito perdulário, isto apesar de possuir um remate violento de pé direito e de ter um grande engodo pela baliza adversária.
Giuseppe Rossi (Itália) – Apontado, há algumas semanas, como possível reforço do FC Porto, na sequência da transferência de Anderson para o Manchester United, clube que detém o seu passe, e o emprestou, em Janeiro passado, ao Parma, onde apontou 9 golos em 19 partidas, depois de uma curta passagem, sem grande sucesso, pelo Newcastle United. Jogador de 20 anos, 1.75/73, actua preferencialmente como avançado móvel nas costas de um avançado mais fixo ou sobre as alas, preferencialmente à esquerda, até porque se trata de um canhoto. Muito rápido e extremamente móvel, trata-se de um jogador eléctrico, que parte sem qualquer tipo de receio para cima dos adversários, arriscando o um para um. Muito forte no drible, consegue utilizá-lo em progressão, pois tira partido da sua impressionante capacidade de aceleração e para mudar ritmos, características que também utiliza em movimentos de desmarcação sem bola. Mostra também facilidade no remate, ainda que possa melhorar o enquadramento. O seu ponto mais fraco é alguma fragilidade do ponto de vista físico, que o deixa em desvantagem em lances de corpo a corpo, como também o seu carácter algo intempestivo, necessitando de ganhar um pouco mais de calma.
Ben Sahar (Israel) – A maior promessa do futebol israelita, de apenas 17 anos, 1.80/72, mas já internacional A, foi contratado, há um ano, pelo Chelsea ao Hapoel Tel Aviv, tendo tido a oportunidade de realizar 3 jogos na Premier League na última temporada. Havia expectativas elevadas sobre a sua participação no Europeu de Esperanças, mas mesmo não tendo desiludido, não marcou de forma vincada a diferença. Avançado bem dotado do ponto de vista físico, mas com algumas dificuldades em aguentar os 90 minutos, apesar da sua juventude sabe movimentar-se muito bem, tanto na área, como em espaços exteriores, rompendo bem de trás para a frente como também a partir das alas, de forma a tirar partido da sua velocidade e capacidade técnica, que lhe permitem criar muitos desequilíbrios no um para um, até porque é capaz de apontamentos brilhantes e de driblar em progressão. Mostra facilidade no remate com os pés – o direito é o mais forte, mas também utiliza, com facilidade o esquerdo -, assim como capacidade de enquadramento, pecando por alguns excessos de individualismo nas suas acções.
Leroy Lita (Inglaterra) – Avançado explosivo, de 22 anos, 1.75/70, nasceu no Congo, mas rumou jovem ao Chelsea, onde realizou parte da sua formação, antes de rumar ao Bristol City, clube em que se estreou como profissional aos 17 anos. Actua, preferencialmente, como avançado móvel, o que lhe permite derivar, várias vezes, para as alas, de forma a romper em diagonais, com e sem bola, em direcção à área. Apesar de não se tratar de um avançado que se destaque pela imponência física, sabe chocar com os defesas adversários e “esconder” a bola, mostrando-se muito rápido a movimentar-se e a desmarcar-se, aparecendo com facilidade em posições de remate, tirando partido da sua boa capacidade de antecipação, ainda que necessite de ganhar uma maior frieza no momento da finalização, pois apesar de ter apontado 3 golos na Competição, desperdiçou oportunidades claras para marcar, pelo menos, mais 3. Possui também atributos de ordem técnica, mas deve melhorar a sua capacidade para receber e controlar a bola, sobretudo em movimento.
Kevin Mirallas (Bélgica) – Avançado, de apenas 19 anos, 1.79/68, cedo rumou ao futebol francês, onde, com apenas 16 anos, se estreou na equipa sénior do Lille, onde ainda não se conseguiu impor como titular, apesar de vir a jogar, época após época, com mais regularidade. Trata-se de um avançado móvel, que tanto pode actuar fixo na área, mas que gosta, sobretudo, de ter liberdade para procurar outros espaços, de forma a tirar partido da sua velocidade e mobilidade para aparecer também sobre os flancos ou a sair dos flancos para o meio. Está sempre em movimento e a procurar desmarcações, destacando-se, em zona de finalização, pela sua capacidade para ganhar posição aos defesas, rematando com facilidade, ainda que possa melhorar a definição. Tecnicamente não é brilhante, mas possui atributos, que o ajudam a criar desequilíbrios nos últimos 25-30 metros, quer em acções de ruptura, quer em movimentos curtos sobre os defesas.
Maceo Rigters (Holanda) – Avançado, de 23 anos, protagonista de uma época sem grande brilhantismo no NAC, onde apontou 3 golos em 32 jogos, destacou-se no Europeu de Esperanças ao sagrar-se melhor marcador da Competição com 4 golos, apenas não marcando no jogo de estreia diante de Israel. Não é um avançado brilhante, mas trata-se de um jogador muito lutador, que ataca todas as bolas e não desiste de nenhum lance, tirando também partido da sua velocidade e mobilidade, para procurar permanentes movimentações e desmarcações entre os defesas adversários, evidenciando grande facilidade em ganhar posição aos adversários. Do ponto de vista técnico evidencia algumas carências, que deverão ser limadas, para poder vingar noutro patamar, mas o Europeu deve-lhe abrir as portas de um clube mais ambicioso, ele que, curiosamente, foi formado nas escolas do Ajax, mas dispensado no final da etapa de formação.