Aberdeen: Tempo dos mais novos
sexta-feira, 15 fevereiro 2008

O choro de Jamie Langfield

EMPATE A DOIS. Numa das partidas dos dezasseis avos de final da Taça UEFA, o Aberdeen arrancou um surpreendente empate caseiro a dois diante do poderoso FC Bayern München, um dos principais favoritos à conquista da prova. Sem cinco habituais titulares, a equipa de Pittodrie Street, que está a realizar uma época medíocre a nível interno e vinha de dois resultados desastrosos em casa – derrotas por 1-4 com Dundee United, para a League Cup, e 1-5 com o Celtic, para a Premier League -, esteve por duas vezes em vantagem no marcador e pode queixar-se de uma arbitragem desastrosa do espanhol Iturralde González, que fez vista grossa a dois lances polémicos na grande área do Bayern, para além de ter apontado uma grande penalidade muito duvidosa a favor da formação alemã, que esteve na génese do 2-2, com Hamit Altintop a marcar na recarga ao castigo máximo por si desperdiçado, levando às lágrimas Jamie Langfield, o guardião do Aberdeen, protagonista de uma excelente exibição.

A NOITE “TEEN”. Na equipa do Aberdeen destacaram-se dois jovens ingleses de 18 anos, curiosamente colegas de equipa também na selecção sub-19: o extremo Sone Aluko, cujo passe pertence ao Birmingham City, e que se encontra no Aberdeen desde Outubro, e o médio-centro Josh Walker, em noite de estreia, já que chegou ao clube, no final do mês de Janeiro, oriundo do Middlesbrough, depois de um excelente percurso nas selecções jovens inglesas, capitaneando os sub-16 e sub-17. Aluko, de origem nigeriana, foi mesmo o melhor em campo: assistiu Walker para o golo inaugural do Aberdeen, num excelente remate em arco, e já depois de Klose fazer o empate, apontou o segundo tento da formação escocesa, num remate colocado, após deixar Lell para trás.

O 4x5x1 DO ABERDEEN. Jimmy Calderwood, técnico do Aberdeen, antiga glória do Birmingham City e há quase quatro anos em Pittodrie, apresentou a sua equipa num 4x5x1, desdobrável ofensivamente em 4x2x3x1. Na baliza esteve o experiente Jamie Langfield, de 28 anos, antigo internacional escocês sub-21, titular indiscutível, que caminha para os 150 jogos na Liga escocesa, onde também representou Dundee e Partick Thistle. Terá realizado uma das melhores exibições da sua carreira, mostrando colocação e agilidade entre postes, como também agressividade nas saídas por alto, tirando partido da sua elevada estatura (1.94) e pujança física nos confrontos com Luca Toni e Miroslav Klose. Comunicativo e com perfil de líder, soube comandar a dupla de centrais que esteve à sua frente, que não prima pela consistência, formado por Lee Mair, de 27 anos, contratado este ano ao Dundee United, e pelo jovem Alexander Diamond, de 22 anos, produto das escolas do clube e a cumprir a sua sexta época como profissional. Diamond, antigo internacional sub-21, ainda assim, mostra mais qualidade e potencial que o seu colega de sector: muito alto (1.88), domina o espaço aéreo, mostrando também qualidades no desarme, atacando a bola com agressividade e contundência, não se mostrando nada peco quando é preciso jogar feio. Mair, que apareceu no lugar do recém-contratado holandês Dave Bus, titular diante do Celtic, apesar de talhado para acções de marcação, mostrou-se frágil no jogo aéreo e excessivamente duro de rins. Nas laterais, dois jogadores que tiveram uma noite complicada: Alan Maybury, internacional irlandês, de 29 anos, antigo jogador do Leeds United e recém-contratado ao Leicester City, nunca se entendeu com a velocidade de Schweinsteiger, apesar da noite desinspirada do internacional alemão, mas bem pior esteve o jovem Andrew Considine, de 20 anos, um central de origem, que foi adaptado à esquerda, nunca se entendendo com as dinâmicas de Altintop, um dos melhores dos alemães – esteve na origem do primeiro golo e apontou o segundo. No meio campo, uma dupla de médios-defensivos: o experiente Scott Severin, antigo jogador do Hearts, a caminho dos 300 jogos na Premier League escocesa, 14 vezes internacional pela Escócia, muito eficaz a nível posicional, ocupando bem os espaços e forte no choque, para além de importante no lançamento de algumas iniciativas ofensivas, pois tem capacidade de passe ; e o jovem estreante Josh Walker, internacional inglês nos escalões de formação, protagonista de uma exibição de encher o olho, pois alia uma excelente capacidade defensiva, já que é muito forte em acções de pressão e no desarme, tirando partido também do facto de ser um central de origem, mas importante nos desdobramentos ofensivos, pela boa condição física evidenciada, que lhe permite aparecer em zonas próximas da área adversária, mas também pela capacidade de passe e no remate, que lhe valeu um golo na estreia, numa finalização em arco, plena de efeito. Ainda na zona intermediária, uma segunda linha composta por três jogadores: Barry Nicholson, 3 vezes internacional A escocês, de 29 anos, um médio centro que foi adaptado à direita, onde se revelou mais importante do ponto de vista táctico – fechar as subidas de Marcel Jansen e apoiar defensivamente, quer Alan Maybury, quer a dupla de médios defensivos -, do que pela capacidade ofensiva, pois o jogo raramente passou pelos seus pés ; Darren Mackie, uma das “estrelas” do clube, jogador de 26 anos, produto das escolas do Aberdeen, com 43 golos em 215 jogos na Premier League escocesa, ao centro, onde permitia, quando a equipa defendia, criar uma superioridade numérica 3x2 na zona central do meio-campo, mas importante no desdobramentos ofensivos, onde aparecia como segundo avançado, procurando tirar partido da velocidade e agressividade ofensiva, os pontos mais fortes do seu jogo ; e Sone Aluko, o melhor em campo, sobre a esquerda – jovem internacional inglês nos escalões de formação, de 18 anos, algo franzino do ponto de vista físico – 1.73 / 62 -, mas extremamente rápido e incisivo, quer na exploração de diagonais, quer a procurar a linha de fundo, que se revelou uma permanente dor de cabeça a Lell, mostrando também potencial técnico, qualidade nos passes e cruzamentos – onde se poderá tornar mais constante – e um bom remate de pé esquerdo. Na frente do ataque, Lee Miller teve uma missão de sacrifício, mas bateu-se muito bem frente a Lúcio e DeMichelis, apesar de algumas limitações de ordem técnica, que não o impediram de assistir Aluko para o 2-1. Apesar dos seus 24 anos, tem um currículo goleador pelos vários clubes por onde passou – Falkirk, Bristol City, Hearts e Dundee United, cumprindo a sua segunda temporada ao serviço do Aberdeen, pelo qual soma 12 golos na Premier League escocesa, mas permanece a “seco” na Taça UEFA. Um dos pontos fortes do seu jogo – o poder aéreo, acabou por ser pouco explorado, o que o deixou em dificuldades, pois acabou por não ter grandes oportunidades para finalizar. Já com o resultado em 2-2, Calderwood lançou o inglês Steve Lovell no ataque, para os últimos 20 minutos, abdicando de Mackie, em dificuldades físicas. Lovell, outro jogador de área, juntou-se a Miller, mas nada acrescentou, até porque atravessa uma fase negativa, que levou a que perdesse a titularidade. A outra opção, já na fase terminal do jogo, passou pela entrada do holandês Karim Touzani, que rendeu o “esgotado” Walker. Touzani, que nunca se impôs como titular absoluto de Utrecht e Twente, está a ter uma passagem sem chama pelo futebol escocês e já não jogava desde Dezembro.

VINGANÇA ALEMÃ. Apesar do resultado ser lisonjeiro para o FC Bayern München, a passagem aos oitavos de final está escancarada para o histórico emblema alemão, que já parte para a segunda mão com vantagem. Será a oportunidade para o ajuste de contas, pois o FC Bayern foi eliminado da Taça das Taças pelo Aberdeen, de Alex Ferguson, nos quartos de final da Taça das Taças 1982/83. O Bayern, orientado, na altura, pelo húngaro Pál Csernai, que passaria depois pelo Benfica, não foi além de um 0-0 caseiro no Olympiastadion, numa noite de pouca inspiração de Paul Breitner, Dieter Houness e Karl-Heinz Rummenigge, que não conseguiram bater um inspiradíssimo Jim Leighton. Na segunda mão, no Pittodrie Stadium, o Bayern adiantou-se logo aos 10 minutos por Klaus Augenthaler, o que obrigava o Aberdeen a marcar dois golos. O sonho escocês manteve-se vivo, quando, aos 39 minutos, Neil Simpson empatou, mas Hans Pfügler, já na segunda parte, voltava a colocar o Bayern na frente do marcador e parecia resolver a eliminatória. Contudo, o minuto 76 revelar-se-ia decisivo: Alex Ferguson lançou o avançado John Hewitt em campo, e em dois minutos o Aberdeen deu a volta à eliminatória, com golos de McLeish e do inevitável Hewitt, que, dois meses depois, voltaria a sair do banco para oferecer ao Aberdeen a conquista da Taça das Taças, no prolongamento da final diante do Real Madrid, disputada em Gotemburgo.

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Neymar: prodígio do Santos faz hoje 16 anos
terça-feira, 5 fevereiro 2008

Neymar: chamam-lhe o novo Robinho

NEYMAR, O PRODÍGIO DAS ESCOLAS DO SANTOS. Neymar da Silva Santos Júnior, ou simples Neymar, completa hoje 16 anos. Natural de Mogi das Cruzes, município brasileiro do Estado de São Paulo, é filho de um ex-jogador de futebol, também ele chamado Neymar, que, em 1999, vendo no seu rebento um talento fora de comum para a prática de futebol levou-o às escolas do Tumiarú, treinadas por Betinho, técnico que lançou Robinho, onde foi enquadrado na equipa de futsal. O seu percurso seguiu, entre o futsal e o futebol de onze em clubes amadores, mostrando um potencial técnico fora do comum para a sua idade, como também velocidade e um remate forte e colocado, que lhe valeu muitos golos e jogadas de grande espectáculo, que despertaram o interesse do Santos: no final de 2003, olheiros do clube deslocaram-se à Copa TV Tribuna de Futsal Escolar e não hesitaram em dar o aval à sua aquisição, depois de verem Neymar brilhar ao serviço do Colégio-Liceu São Paulo. Em 2004 dividiu o seu tempo pelas equipas de futsal e de futebol de campo de sub-13 do Santos, conquistando dois torneios, seguindo-se, em 2005, o troféu de melhor marcador do Campeonato Paulista de futebol em Pré-Infantil (sub-14) e o prémio de melhor jogador do ano na mesma categoria. O ano de 2006 ficou marcado pela sua promoção à equipa Infantil (sub-15), onde rapidamente se destacou, provocando a atenção de vários empresários e, de seguida, de clubes europeus, como o Real Madrid e o Manchester United. Agenciado por Wagner Ribeiro, empresário de Robinho, que tem relações complicadas com o Santos, depois da tumultuosa transferência do jogador para o Real Madrid, Neymar foi dado, no Verão de 2007, como futuro reforço do clube espanhol, tendo-se mesmo deslocado à capital espanhola. Contudo, o Santos conseguiu assegurar a sua permanência até hoje, 5 de Fevereiro de 2008, data em que poderá, finalmente, assinar um contrato como profissional, que tem sido negociado nos últimos meses. Entretanto, Neymar foi o melhor marcador da equipa infantil (sub-15) do Santos em 2007, ao apontar 15 golos em 22 jogos, e no início deste ano, ainda com 15 anos, teve a oportunidade de realizar 4 jogos, todos como suplente utilizado, na Copa São Paulo 2008, destinada à categoria sub-19, marcando 1 golo, de grande penalidade, diante do Nacional de São Paulo.

PRÉ-ACORDO ATÉ 2013. Depois de no Verão passado ter estado muito perto de rumar ao Real Madrid, o Santos conseguiu “segurar” o jovem prodígio, que também mostrou vontade em permanecer no clube da Vila Belmiro, apesar de não esconder o “sonho” de vir a representar Real Madrid, Barcelona ou Manchester United no futuro. Para fazer face à impossibilidade de assinar contrato como profissional, o que no Brasil é possível a partir dos 16 anos, o Santos acertou um contrato de cessão de imagem com cláusula de rescisão de 25 milhões de dólares, válido até 2015, como também terá avançado com 2 milhões de reais (730 mil euros) para a família do jogador, pagos em parcelas até 2013, data em que terminará o futuro vínculo profissional de Neymar. Zito, campeão do Mundo em 1958 e 1962, e actual responsável pelo futebol de base do Santos, considera que foi um investimento demasiado avultado, mas que Marcelo Teixeira, presidente do clube, achou que seria rentável, pensando num futuro negócio com a venda do seu passe por valores entre os 50 e os 60 milhões de reais (18 a 22 milhões de euros).

SEM PRECIPITAÇÕES. O mediatismo em torno de Neymar fez com que a imprensa brasileira questionasse nas últimas semanas a hipótese de uma promoção à equipa principal. Emerson Leão, actual treinador do Santos, rejeitou a ideia, dizendo que o jogador ainda está a ser preparado e que, nesta altura, o mais importante é não queimar etapas antes da hora, de forma a não prejudicar o seu crescimento. Márcio Fernandes, técnico que o lançou na equipa júnior este ano, considera que o jogador tem muito talento, mas que ainda tem que evoluir e que a sua presença na Copa São Paulo lhe permitiu ganhar experiência e sentir a realidade de uma equipa bem mais próxima do escalão sénior. Já Zito, o já citado director do futebol de base do Santos, não tem dúvidas, ao definir Neymar como “ferinha” e “jóia do Santos”.

O QUE MOSTROU NEYMAR NA COPA SÃO PAULO 2008. Capaz de desempenhar vários postos entre o meio campo ofensivo e o ataque, tanto pode actuar como médio ofensivo, com características próximas de um “10”, como também como avançado móvel, nas costas de um avançado mais fixo ou a sair das alas para o meio. Fisicamente frágil – mas já acima do 1.66/53 que lhe é apontado – terá ainda muito que progredir a esse nível, já que se mostra muito frágil no choque, ficando sempre a perder em lances corpo a corpo, como também ainda não está preparado para jogar 90 minutos. Contudo, é um jogador destemido e agitador, que não tem qualquer receio de partir para cima do adversário, mostrando velocidade, capacidade de aceleração e de desmarcação, como também uma técnica muito interessante para um jogador tão jovem, ainda que tenha recorrido com algum exagero às célebres “pedaladas”, uma das imagens de marca do ídolo Robinho, o que o levou a perder objectividade nalgumas acções, mas não abusa de iniciativas individuais, até porque se trata de um jogador com forte sentido colectivo. E foi nesse aspecto que mais se destacou: mostrou possuir uma visão de jogo impressionante, para além de grande capacidade de passe, jogando com facilidade a um-dois toques com ambos os pés, descobrindo espaços onde parecem não existir e mostrando uma espantosa facilidade a desmarcar os avançados, o que lhe permitiu realizar várias assistências para finalizações, quer através de passes de ruptura a partir de posições centrais – os passes de três dedos (trivela) poderão constituir-se como uma das suas imagens de marca -, quer a partir de cruzamentos desde os flancos. Mostra também facilidade a aparecer em posições de finalização, quer dentro da área - onde sabe tirar partido de um bom poder de desmarcação -, quer à entrada desta, mas não revelou grande apetência pela baliza adversária, marcando apenas um golo, de grande penalidade. Optou, quase sempre, por passes, mas nos escalões de base do Santos tem mostrado uma boa capacidade de finalização com os pés, tirando também partido da sua boa capacidade de definição com o pé direito – o seu mais forte -, mas também de pé esquerdo, que usa com grande à vontade. Do ponto de vista defensivo e táctico tem também muitos aspectos a limar, mas mostra capacidade de sacrifício e é capaz de correr atrás da bola.

VÍDEOS:


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Cristiano Ronaldo: Fazer História
segunda-feira, 10 dezembro 2007

OS FACTOS. Cristiano Ronaldo, ao apontar o 4º golo do Manchester United, na vitória caseira por 4-1 diante do Derby County, em jogo a contar para a 16ª jornada da Premier League, conseguiu, pela primeira vez na sua carreira, marcar golos em 4 jornadas consecutivas de Liga. Foi o 6º golo do internacional português nos últimos 4 jogos, num fim-de-semana feliz para a formação de Manchester, já que fruto da primeira derrota do Arsenal na Liga - 1-2 no terreno do Middlesbrough -, encurtou para 1 ponto a distância para o líder. Ronaldo, que apontou o seu 9º golo na Premier League em 2007/08, conseguiu alcançar no topo da lista dos melhores marcadores da Premier League o avançado togolês Emmanuel Adebayor, do Arsenal, que ficou em branco esta jornada, depois de ter apontado 3 golos nas 4 partidas anteriores.

FAZER HISTÓRIA. Foi a primeira vez que Cristiano Ronaldo conseguiu marcar golos em 4 jornadas consecutivas da Premier League, competição em que já apontara, em três ocasiões, golos em três jogos seguidos, com particular destaque para a série de 6 golos em 3 jogos no final de Dezembro do ano passado. Esta nova série de 6 golos nos últimos 4 jogos, iniciou-se na deslocação ao terreno do Arsenal, onde marcou 1 golo, seguindo-se "bis" nas recepções ao Blackburn Rovers e Fulham, e novo golo solitário ao Derby County, o seu primeiro da temporada desde os onze metros. O registo de golos em 4 jogos consecutivos em competições diferentes é também uma novidade na carreira do internacional português: na Liga dos Campeões, mantém em aberto uma série de 3 jogos consecutivos a marcar, até agora o seu melhor registo de sempre ; no Campeonato Nacional, onde apenas somou 3 golos, nunca marcou em jornadas seguidas ; e na Selecção Nacional, onde já marcou em 4 ocasiões em 2 jogos consecutivos, mas onde nunca somou 3 jogos seguidos a marcar. Caso seja utilizado em Anfield Road no próximo fim-de-semana, se marcar um golo ao Liverpool, adversário a que ainda não marcou qualquer tento em 5 jogos para a Premier League, Cristiano Ronaldo poderá entrar no grupo selecto de jogadores do Manchester United que marcou em 5 (ou mais jogos) consecutivos. Se nos restringirmos aos últimos 31 anos de competição primodivisionária em Inglaterra, apenas 5 jogadores conseguiram tal feito ao serviço do Manchester United: Ruud Van Nistelrooy - 15 golos em 10 jogos consecutivos entre Março e Agosto de 2003 ; 10 golos em 8 jogos consecutivos entre Dezembro de 2001 ; Janeiro de 2002 ; 6 golos em 6 jogos consecutivos entre Maio e Setembro de 2005 e 5 golos em 5 jogos consecutivos em Dezembro de 2005 -, Eric Cantona - 6 golos em 6 jogos consecutivos entre Março e Abril de 1996 -, Dwight Yorke - 8 golos em 5 jogos consecutivos entre Janeiro e Fevereiro de 1999 -, Gordon Hill - 6 golos em 5 jogos consecutivos entre Maio e Agosto de 1977 -, e Mark Hughes - 5 golos em 5 jogos consecutivos entre Setembro e Outubro de 1988.

OS GOLOS DE CRISTIANO RONALDO NA PREMIER LEAGUE AO DETALHE.

140 jogos - 44 golos (sempre pelo Manchester United)
24 golos solitários ; 10 "bis"
27 golos em jogos em casa ; 17 golos em jogos fora de casa
17 golos nas primeiras partes ; 27 golos nas segundas partes
4 golos de grande penalidade em 5 grandes penalidades apontadas (falhou uma)
6 golos como suplente utilizado
Melhor série: golos em 4 jogos consecutivos (em aberto)
Pior série: 13 jogos consecutivos sem marcar golos, entre Abril e Outubro de 2005.

OS GOLOS DE CRISTIANO RONALDO NA LIGA DOS CAMPEÕES AO DETALHE.

34 jogos - 8 golos (sempre pelo Manchester United)
4 golos solitários ; 2 "bis"
5 golos em jogos em casa ; 3 golos em jogos fora de casa
3 golos nas primeiras partes ; 5 golos nas segundas partes
1 golo de grande penalidade na única que apontou
0 golos como suplente utilizado
Melhor série: golos em 3 jogos consecutivos (em aberto)
Pior série: 26 jogos consecutivos sem marcar golos, entre Outubro de 2003 e Abril de 2007.

OS GOLOS DE CRISTIANO RONALDO NA LIGA PORTUGUESA AO DETALHE.

25 jogos - 3 golos (sempre pelo Sporting)
1 golos solitários ; 1 "bis"
2 golos em jogos em casa ; 1 golo em jogos fora de casa
1 golo nas primeiras partes ; 2 golos nas segundas partes
0 golos de grande penalidade
1 golo como suplente utilizado
Melhor série: nunca marcou em jogos consecutivos
Pior série: 21 jogos consecutivos sem marcar golos (série em aberto).

OS GOLOS DE CRISTIANO RONALDO NA SELECÇÃO NACIONAL "AA" AO DETALHE.

53 jogos - 20 golos
12 golos solitários ; 4 "bis"
12 golos em jogos em casa ; 8 golos em jogos fora de casa
9 golos nas primeiras partes ; 11 golos nas segundas partes
1 golo de grande penalidade
1 golo como suplente utilizado
Melhor série: em 4 ocasiões marcou em 2 jogos consecutivos
Pior série: 7 jogos consecutivos sem marcar golos, entre Agosto de 2003 e Junho de 2004.

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A Maldição
sábado, 8 dezembro 2007

O DUELO. Este sábado, Everton e Fulham encontrar-se-ão, em Liverpool, em jogos da principal Liga inglesa, pela 18ª vez. Nunca o Fulham conseguiu vencer em casa do Everton, onde não pontua desde Setembro de 1959, quando arrancou um empate a zero à 5ª jornada da Liga 1959/60. Ao todo, 15 vitórias para o Everton, 14 das quais consecutivas, e 2 empates, com um registo de 40 golos marcados pelo Everton e apenas 9 pelo Fulham.

MAU PRESSÁGIO. 8º classificado da Liga 2007/08, o Everton, que a meio da semana garantiu a vitória no Grupo A da fase de grupos da Taça UEFA, surge como grande favorito ao triunfo na partida de hoje: na Liga, os Toffees somam 5 jogos sem perder, que se estendem a 9, se forem contabilizados os jogos da UEFA e da Carling Cup. Ao invés, o Fulham está a protagonizar o seu pior arranque dos últimos anos, ocupando o 14º lugar da tabela, apenas 2 pontos acima da linha de água, somando apenas 13 pontos em 15 jornadas. A equipa londrina não vence fora de casa há um ano e três meses, totalizando 24 partidas sem vencer fora de casa, desde que triunfou, a 9 de Setembro de 2006, no terreno do Newcastle United (2-1), naquele que é o segundo pior registo de sempre do clube, depois de ter estado 31 jogos sem vencer extramuros entre 19 de Setembro de 1964 e 12 de Março de 1966. Esta temporada, o Fulham venceu apenas 2 vezes, contando apenas com 1 triunfo nas últimas 13 partidas da Liga.

BOA MORTE NA HISTÓRIA. O português Luís Boa Morte é o jogador do Fulham que mais vezes defrontou o Everton em todo o historial do clube na principal Liga inglesa: ao todo 11 jogos, o último dos quais em Novembro de 2006, com uma curiosidade: perdeu sempre como visitante, venceu sempre como visitado, o que lhe garante um registo de 6 vitórias e 5 empates. Actualmente no West Ham United, Boa Morte não defrontará o Everton esta tarde, mas poderá haver um português a pisar o relvado de Goodison Park: Nuno Valente, que, se for utilizado, poderá somar o seu 4º jogo consecutivo como titular na Premier League deste ano. Será apenas a 2ª vez que o lateral-esquerdo internacional português, em 3 épocas em Inglaterra, defrontará o Fulham, depois de ter sido titular - substituído aos 77 minutos - na vitória caseira por 3-1 na Liga 2005/06.

YAKUBU, ANTI-FULHAM. Melhor marcador do Everton na Liga 2007/08 com 5 golos em 11 jogos, o avançado internacional nigeriano Yakubu está a fazer a sua época de estreia ao serviço da formação de Liverpool. Desde 2003 em Inglaterra, Yakubu soma 59 golos em 151 jogos na Premier League, sendo que o Fulham, juntamente com o Middlesbrough, emblema que representou durante mais de dois anos, é o clube a quem mais golos apontou: 5, com a curiosidade de todos terem sido apontados em jogos em casa - 4 pelo Portsmouth e 1 pelo 'Boro.

MURPHY DECISIVO. Depois de passagens por Liverpool, Charlton e Tottenham, Danny Murphy é uma das principais unidades do Fulham. O médio ofensivo já defrontou em 10 ocasiões o Everton, 6 delas em Goodison Park, só tendo perdido uma vez - em 2005/06 pelo Charlton. Contudo, em 2002/03, um golo seu em Goodison Park faria história: ainda ao serviço do Liverpool, Murphy apontou o golo da vitória do "derby", garantindo, na altura, a terceira vitória consecutiva dos reds em casa dos Toffees, feito que já não era alcançado desde 1915.

A PRIMEIRA VEZ. Será a primeira vez que os técnicos David Moyes (Everton) e Lawrie Sanchez (Fulham) se irão encontrar em jogos da Premier League. Moyes, que a meio da semana completou 250 jogos como treinador do Everton em todas as competições, somará a sua 12ª partida diante do Fulham em jogos da Premier League: 6 vitórias, todas como visitado ; 5 derrotas, sempre na condição de visitante. Já Lawrie Sanchez fará a sua estreia, como técnico, diante do Everton, mas como jogador defrontou em 11 ocasiões os Toffees: 3 vitórias, 6 empates e 2 derrotas. Dos 3 triunfos, 1 deles foi alcançado em Goodison Park, em 1990/91, pelo Wimbledon, numa vitória por 2-1.

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FC Bayern München: como joga o adversário do Sp. Braga na Taça UEFA
quarta-feira, 28 novembro 2007

Líder isolado da Bundesliga, o FC Bayern München apostou forte na nova temporada, de forma a fazer face ao desastroso 4º lugar da época passada, que afastou a equipa da Liga dos Campeões. Contudo, se as primeiras semanas da nova época davam ideia que a vitória na Bundesliga seria praticamente um passeio - vitória na Taça da Liga, oito vitórias e dois empates nas dez primeiras jornadas da Liga, duas vitórias na Taça UEFA (frente ao Belenenses) -, as últimas semanas mostraram uma equipa em quebra, coincidente com a primeira derrota - em Estugarda - e três empates - dois na Liga e na Taça UEFA -, que permitiram a aproximação de Werder Bremen e Hamburgo - ambos a um ponto - e fizeram surgir as primeiras críticas ao trabalho de Ottmar Hitzfeld, seis vezes campeão alemão e duas vezes campeão europeu de clubes, que regressou ao comando técnico do clube em Fevereiro passado, depois de ter feito uma pausa de quase três anos, em que rejeitou propostas de vários clubes e da Selecção Alemã após o Europeu 2004.

OPERAÇÃO BAYERN

O PLAYMAKER propõe uma análise táctica ao Bayern de Hitzfeld, a algumas especificidades do seu jogo e aos seus jogadores com apoio na última partida do clube na Bundesliga, realizada sábado, em Munique, diante do Wolfsburgo (vitória 2-1), que alinhou em 4x2x3x1, curiosamente o sistema que Manuel Machado, técnico do Sp. Braga, mais gosta de utilizar. Foi o regresso do Bayern às vitórias, num jogo vivo e intenso, praticamente sem paragens, que controlou do início ao fim, ainda que tenha estado longe de ser brilhante.

ANÁLISE TÁCTICA

Adepto do 4x1x3x2, esquema que usou na quase totalidade dos jogos que realizou a temporada passada, Hitzfeld adoptou este ano um 4x4x2 dinâmico como sistema preferencial, depois de ter experimentado, em algumas partidas, um 4x2x3x1, de forma a utilizar em simultâneo o "tridente" criativo formado por Altintop, Ribéry e Schweinsteiger nas costas de Toni. Frente ao Wolfsburgo, com Lúcio (castigado) e Schweinsteiger (lesionado), Hitzfeld utilizou a tradicional linha defensiva de 4 unidades, com Lell e Lahm sobre as laterais, enquanto que van Buyten, chamado a substituir Lúcio, se juntou ao internacional argentino DeMichelis. No centro da intermediária uma dupla de médios centrais formada por van Bommel e Zé Roberto, duas unidades nucleares do jogo do Bayern, enquanto que sobre as alas estiveram Altintop (direita) e Ribéry (esquerda), cuja acção móvel acaba por ser preponderante na dinâmica táctica do esquema de Hitzfeld, permitindo, muitas vezes, à equipa, partir de um 4x3x1x2 defensivo para o modelo de 4x4x2 ou 4x2x1x3 em situação de ataque, pois Altintop, em situação defensiva, junta-se, muitas vezes, a van Bommel e Zé Roberto, funcionando quase como um interior direito, enquanto que Ribéry, em algumas situações, assume um papel de falso "nº10", assumindo a condução ofensiva a partir de uma posição central, o que acontece, sobretudo, em contra-ataque ou ataque rápido. Na frente, a dupla de avançados formada por Klose e Toni, sendo que, em situação defensiva, um deles, por norma, recua um pouco mais, enquanto que, em ataque rápido, é normal ver um dos jogadores da frente descair para um dos flancos - Toni, por norma, abre mais sobre a esquerda, enquanto que Klose, habitualmente, descai mais para a direita. Para Braga, o esquema não deverá sofrer grandes alterações: Hitzfeld deverá manter este desenho e praticamente os mesmos jogadores, só se prevendo o regresso do internacional brasileiro Lúcio ao centro da defesa, que poderá render DeMichelis, a contas com uma pequena lesão. Esse facto, deverá levar Van Buyten a passar do centro-direita para o centro-esquerda. Schweinsteiger, lesionado, é uma baixa certa, assim como os lesionados Marcell Jansen, José Sosa e Lukas Podolski, curiosamente titular na Selecção, mas suplente no seu clube.

ESPECIFICIDADES DO BAYERN

DEFESA ORGANIZADA. A primeira imagem retrata a situação referida no ponto anterior: em situação defensiva, quando a equipa adversária parte para ataque organizado, a equipa do Bayern junta-se em duas linhas de quatro muito próximas, com Altintop a defender praticamente como interior direito e Ribéry também a juntar-se mais ao centro, sobretudo a pensar no lançamento de uma iniciativa de ataque rápido. Referência para o bom desempenho defensivo dos laterais, inteligentes na leitura táctica do jogo: seguros a defender posições exteriores, deslocam-se para o interior quando é necessário, acompanhando, sem dificuldade, movimentos diagonais sem bola dos alas adversários. Ao centro, Van Buyten quase sempre solto, e DeMichelis em acção de marcação, apostando muito em acções de antecipação, um dos pontos mais fortes do seu jogo.

O RISCO. O preenchimento dos espaços centrais em acções defensivas, tem o seu senão, como prova o lance que dá origem ao golo do Wolfsburgo: a única subida do lateral-esquerdo van der Heyden ao longo dos 90 minutos criou um desequilíbrio defensivo na formação do Bayern, já que ninguém acompanhou o jogador do Wolfsburgo - Altintop estava a recuperar posição ao centro -, que soube tirar partido da diagonal com bola do polaco Krzynowek, que arrastou Lell consigo, assistindo, depois, a desmarcação do seu lateral, que tirou o cruzamento que deu origem ao golo.

ATAQUE RÁPIDO (I). É o lance que dá origem ao primeiro golo do Bayern. Recuperação de bola a meio campo, com Ribéry, em posição central, a iniciar uma iniciativa de ataque rápido, abrindo para Altintop, que sai de interior direito para ala direito. O internacional turco assumiu a condução do lance sobre o flanco, assistindo depois Ribéry, que saiu do centro para o centro-direita, rompendo em direcção à área, ganhando a linha de fundo, de onde assistiu, com um passe atrasado, Klose, que, com Toni se encontrava no interior da área. Existe, contudo, uma alternativa a este lance, com Altintop, após condução sobre o flanco, a centrar para a área, procurando um cabeceamento de Klose ou Toni. Nesse tipo de situação, Ribéry opta, depois de iniciar o ataque rápido, por sair do centro para a ala esquerda numa acção sem bola, ou de prosseguir pelo centro, pronto para um eventual remate de ressaca. Em poucos toques, o Bayern chega com grande facilidade a área adversária.

ATAQUE RÁPIDO (II). O lance que dá origem ao 2º golo do Bayern, novamente a partir de um ataque rápido. Desta feita é Altintop, que partindo de uma posição de interior direito, assume a condução pelo centro, com Ribéry a sair do centro, em acção sem bola, para a ala direita. Tirando partido da sua capacidade de passe, o internacional turco abre na direita, isolando Ribéry, já em diagonal da direita para o meio, em direcção à baliza. Com duas opções, o internacional francês optou, como quase sempre o faz, pelo remate cruzado, em detrimento da assistência para um dos dois avançados, que voltaram a revelar uma movimentação interessante: Klose, fixo ao centro, prende os dois centrais ; Toni, sai do centro para a esquerda, seguindo em movimento sem bola para a área, para uma eventual finalização ao segundo poste.

ACÇÃO SIMPLES. Uma das acções trabalhadas pelo Bayern esta temporada e com resultados práticos: lançamento longo desde o sector defensivo por Kahn - mas também por um dos centrais -, Toni ganha a bola aérea à entrada do meio campo ofensivo, servindo Ribéry, de cabeça, e este, após recepção, acompanhada ou não por um movimento de temporização, centra largo em direcção à área, onde aparece Klose, entre o centro e o segundo poste, a concluir a acção. Em 5-6 toques na bola, o Bayern cria uma situação de perigo, surpreendendo pela velocidade de movimentos a defesa adversária.

CONTRAPÉ. Outra das acções que caracteriza o Bayern 2007/08. Van Bommel recupera uma bola - ou um dos defesas a passa após recuperação - e assume a acção de ataque rápido. Com Altintop e Ribéry ainda em posição central, o internacional holandês faz gala da sua impressionante capacidade no passe longo para fazer uma abertura desde o centro para a ala esquerda, onde Toni, sempre no limite do fora-de-jogo procura a desmarcação e finaliza, por norma, a três toques: recebe em movimento; faz um auto-passe em direcção à área e dispara violentamente de pé esquerdo cruzado. Importante aqui, o jogo posicional de Klose, a colocar-se entre os dois centrais.

DA DIREITA PARA A ESQUERDA EM ATAQUE ORGANIZADO. Uma imagem que comprova as dificuldades de encaixe do 4x2x3x1 no 4x4x2 do Bayern e uma das situações com que o Sp. Braga terá que ter maior cuidado. Situação de ataque organizado do Bayern, a 1-2 toques por jogador, que se inicia numa combinação à direira, entre Lell e Altintop. Lell inicia depois a variação de jogo, servindo Zé Roberto, que, nesse tipo de situação, aparece sempre descaído para o lado em que está a bola. O internacional brasileiro serve van Bommel e o movimento de circulação de bola acaba por obrigar o lateral-direito a sair de posição e tentar compensar ao meio, situação que van Bommel, mais uma vez fazendo uso da facilidade impressionante no passe que possui, aproveita para servir a desmarcação rápida de Ribéry nas costas do lateral. Depois, o internacional francês recebe a bola em movimento e tem duas soluções: o remate cruzado, a sua habitual conclusão, ou a assistência para um dos dois avançados. Três pontos fundamentais nesta acção: Lahm, em cima da linha de meio campo, não sobe, mas prende o ala direito ; o posicionamento dos dois avançados em zona central perto da área, prendendo os dois centrais e deixando o médio mais defensivo do adversário em situação delicada: entre o posto de terceiro central, de forma a não permitir uma situação de paridade numérica sempre perigoso, e de médio defensivo, não tem tempo para fazer face ao movimento rápido de circulação de bola da direita para a esquerda do Bayern, ficando a meio do caminho, o que obriga ao já referido desposicionamento do lateral ; e, por fim, a postura passiva do médio ofensivo, que, pouco talhado para acções defensivas, não consegue acompanhar o rápido movimento de van Bommel, que recebe o passe de Zé Roberto na sequência de movimento sem bola e abre para o flanco de primeira.

BOLA PARADA À DIREITA. São variadas as soluções do Bayern neste tipo de situação. À direita, os pontapés de canto são normalmente batidos por Altintop, ainda que Ribéry surja também como opção. Já nos livres laterais, apesar de Altintop ser a opção mais regular, Zé Roberto e Van Bommel são também opção. As bolas são colocadas ao primeiro ou ao segundo poste, notando-se que, existe uma maior perigo quando o destino é a segunda opção. Na área cinco jogadores: Lell, sempre ao primeiro poste, sem objectivo de finalização, mas sempre atento a um potencial desvio que possa dar à bola em direcção ao centro ou ao segundo poste ; Klose, o jogador mais perto do guarda-redes, atento a um possível desvio à boca da baliza, sobretudo numa recarga ou ressalto ; DeMichelis com uma acção de ruptura, partindo de trás para entrar entre o centro e o primeiro poste ; Toni, partindo do centro para o segundo poste ; e Van Buyten, o jogador mais perigoso neste tipo de acção, que parte de trás em direcção ao ponto onde a bola vai cair: bem mais perigoso quando ataca o segundo poste, do que o centro ou primeiro poste. Ribéry, à entrada da área, e Van Bommel, mais atrás, entre o centro e a esquerda, estão prontos para um eventual remate de ressaca, enquanto que Zé Roberto e Lahm ficam junto à entrada do meio-campo.

BOLA PARADA À ESQUERDA. Ribéry é, por norma, o jogador que bate os cantos à esquerda, podendo Altintop surgir como opção. O internacional francês opta, quase sempre, por colocar a bola ao primeiro poste, evidenciando algumas lacunas de direcção na colocação ao segundo poste. Por isso, um passe atrasado para van Bommel, que fica fora da área, sobre a esquerda, surge também como opção para esse tipo de lance. Nos livres laterais, os protagonistas são os mesmos: Ribéry ou Altintop são os habituais marcadores, ainda que, tal como acontece à direita, Zé Roberto e van Bommel surjam como outras opções. As movimentações na área são em todo similares às dos lances à direita, com a excepção do lance que a imagem documenta e mostra um livre lateral alternativo: Ribéry simula que centra em direcção à área, mas quem executa a acção é Altintop, que varia entre o remate directo e o centro à direcção à área, onde só estão 4 jogadores, pois Hitzfeld abdica da presença de um dos defesas: neste caso, DeMichelis. Klose e Toni trocaram, nesta situação, de funções, enquanto que Zé Roberto aparece fora da área para um eventual remate de ressaca, tal como van Bommel, que não aparece na imagem. Lahm e DeMichelis estavam sobre a linha de meio campo.

ANÁLISE INDIVIDUAL

Oliver Kahn OLIVER KAHN . O veterano guarda-redes, de 38 anos, voltou à baliza do Bayern, depois de ter estado afastado da competição durante o mês de Outubro, em que foi substituído pelo jovem Michael Rensing, que, ao que tudo indica, será o seu sucessor na baliza do Bayern. Frente ao Wolfsburgo, Kahn passou largos minutos de inactividade, sendo que a sua primeira defesa apenas aconteceu aos 33 minutos. Ao todo, realizou 38 intervenções, das quais 28 foram passes - 18 certos e 10 errados - e 5 recuperações de bola - todas completas -, para além de ter feito 4 defesas: 2 completas e 2 incompletas, num jogo em que o Wolfsburgo apenas efectuou 6 remates, dos quais 4 levaram a direcção da baliza. Do jogo de Kahn a realçar alguns aspectos: eficácia no passes curtos, ainda que opte, quase sempre, por passes longos nas saídas para jogo: 20 dos seus 28 passes foram longos, mostrando mais facilidade em colocar a bola em posições centrais - 10 passes longos para Toni - 8 certos, 2 errados - e 1 para Klose - do que para as laterais, onde colocou a bola em 9 ocasiões - Altintop (4) e Ribéry (5) -, acertando apenas em duas ocasiões, uma delas manual. Fora dos postes, manteve a sua tradicional tendência para não efectuar saídas, só desfazendo um cruzamento, de forma completa, para a sua direita, sendo que as restantes três defesas que efectuou foram entre postes e para o lado direito, o seu mais forte. Curiosamente, o golo do Wolfsburgo surgiu no único remate que foi feito para a sua esquerda.

Christian Lell CHRISTIAN LELL. Lateral-direito, de 23 anos, está a viver a época da sua afirmação, ocupando o espaço que pertencia ao internacional francês Sagnol, que após longa lesão é agora seu suplente, e não deverá demorar a estrear-se pela selecção principal da Alemanha. Produto das escolas do Bayern rodou, durante duas épocas, no Colónia, o que permitiu uma evolução, tratando-se de um defesa forte no aspecto defensivo e muito rápido a subir para o ataque, combinando bem com o ala. Necessita, contudo, de melhorar a eficácia nos cruzamentos. No jogo frente ao Wolfsburgo foi dos jogadores mais activos efectuando um total de 69 intervenções, equilibradas entre o 1º (37) e 2º (32) tempo. Lateral ofensivo, procura muito progressões em acções com e sem bola, o que lhe garante muita acção no meio campo ofensivo, revelando eficácia no passe curto e médio junto à lateral ou no passe curto para posições interiores: frente ao Wolfsburgo efectuou 53 passes, acertando 46. Altintop, com quem procura, muitas vezes, combinações 2x1, e Van Bommel, a sua "muleta" interior, foram os jogadores que mais passes seus receberam (13 cada um), mas Zé Roberto e Toni (ambos com 7) também foram muito procurados por este lateral, que gosta de jogar para frente e tem pouca tendência para atrasar a bola - 2 bolas para Kahn – ou para fazer circular a bola junto à defesa - apenas 2 passes para van Buyten. Ao longo do jogo efectuou 7 cruzamentos, apenas acertando 2, aspecto que, como já referimos, terá que melhorar, pois falhou 5 (dos 7 passes errados), que representam mais de 70% dos seus passes errados. Refira-se, como complemento, que o seus centros foram interceptados ainda antes de chegarem à área ou foram dirigidos, com alguma força excessiva, ao 2º poste. Lell participa também em lances de bola parada ofensivos, aparecendo dentro da área, por norma ao primeiro poste. Não efectuou qualquer remate, pois procura apenas conquistar bolas, o que raramente aconteceu. Do ponto de vista defensivo efectuou 8 recuperações, 5 delas completas: 7 em posições exteriores e 1 em acção interior, desfazendo um cruzamento ao 2º poste. Não efectuou qualquer falta, tendo sofrido 3, sempre em disputas de bola.

Daniel Van Buyten DANIEL VAN BUYTEN. Defesa-central, internacional belga, foi titular no Portugal - Bélgica, disputado em Março passado, trata-se de um jogador experiente, de 29 anos, com passagens pelo futebol francês (Marselha) e inglês (Manchester City), e que o Bayern contratou, a temporada passada, ao Hamburgo. Titular indiscutível a época passada, perdeu o lugar esta época, mas soube aproveitar o castigo de Lúcio para regressar à titularidade, realizando uma boa exibição diante do Wolfsburgo. Central muito posicional, funciona, muitas vezes, como um falso libero. Muito seguro no jogo aéreo em situação defensiva, é muito perigoso em lances de bola parada ofensivos, sobretudo a atacar o 2º poste, sentindo-se menos à vontade em velocidade. Protagonizou 48 intervenções diante do Wolfsburgo, com a curiosidade de não ter feito nenhuma entre os 63 e os 78 minutos, o que justifica ter o dobro das intervenções na 1. parte (32) do que na 2. (16). Curiosamente, não teve qualquer intervenção no meio campo ofensivo adversário na 2. parte, depois de na etapa inicial ter feito 2 finalizações de cabeça, na sequência de lances de bola parada – uma ao lado ; outra ao poste. Ambas em finalizações ao 2º poste. Ao longo da partida efectuou 20 recuperações, 12 das quais completas, mostrando eficácia no jogo aéreo, bom sentido posicional (corta linhas passe pelo chão e pelo ar) e risco-zero (corta sem passe quando é necessário). Apenas efectou 1 falta, num lance dividido aéreo. Efectuou 25 passes ao longo do jogo - alternando passes curtos com longos -, dos quais 20 foram certos. 4 dos seus 5 passes errados saíram de passes longos para Toni ou Klose. Toni, com 5 passes, e DeMichelis, com 4, foram os jogadores que mais procurou.

Martin Demichelis MARTIN DEMICHELIS. Internacional argentino, de 26 anos, contratado pelo Bayern ao River Plate, vive a sua melhor época de sempre: titular indiscutível no Bayern, onde apenas falhou um jogo na Taça da Liga e os dois da fase de grupos da Taça UEFA, conquistou também o seu espaço na Selecção Argentina, onde tem sido titular no apuramento para o Mundial 2010. Jogador marcador, que tanto pode actuar como central ou trinco, trata-se de um defesa agressivo, forte no desarme, particularmente a jogar na antecipação, tanto pelo chão, como pelo ar, mostrando capacidade para sair de posição, recuperando e desarmando sobre as laterais ou mais sobre o meio campo. Frente ao Wolfsburgo, como foi, quase sempre, o marcador do avançado do adversário, esteve muito mais em contacto com a bola do que van Buyten, o seu colega de sector, totalizando 65 intervenções, equilibradas entra a 1ª (35) e a 2ª parte (30). Ao todo efectuou 26 recuperações de bola, 16 das quais completas, mostrando facilidade em ganhar posição ao adversário directo, para além de velocidade a atacar a bola e simplicidade de processos, não arriscando cortes completos em situação de pressão. Equilibrado entre os desarmes pelo chão e pelo ar, apesar da entrega e agressividade que o caracterizam, só cometeu 1 falta, curiosamente em situação ofensiva. Sem registo de remates à baliza, apesar de participar, por norma, em lances de bola parada ofensivas, perdeu 1 bola, numa das poucas tentativas de progressão com bola que protagonizou, acção que gosta de desenvolver, mas que o facto de jogar a central o impede de realizar com maior frequência. A nível do passe efectuou 36 acções, 29 das quais com acerto, falhando 7, sempre em tentativas de passe longo ou de aberturas para desmarcação à esquerda - Toni (6) e Ribéry (1). Toni e Lahm, com 7 passes, foram os jogadores que mais procurou, mostrando uma tendência para fazer circular a bola para a esquerda - juntam-se ainda 4 passes a Ribéry -, para além de os números não enganarem: maior eficácia no passe curto-médio - 7 passes certos para Lahm - do que no longo - apenas 1 passe certo para Toni.

Philipp Lahm PHILIPP LAHM. Lateral esquerdo, de 23 anos, recuperou no final de Outubro a titularidade, depois de mês e meio afastado das convocatórias devido a lesão. Formado nas escolas do Bayern, impôs-se como titular, depois de uma passagem de dois anos por empréstimo no Estugarda, acabando por conquistar o seu espaço no clube e na Selecção. Jogador destro, está, cada vez mais completo, ainda que o seu jogo tenha perdido alguma agressividade ofensiva, sobretudo em acções no último terço do terreno, mas ganho competência defensiva e qualidade táctica, não só na defesa de posições exteriores, como também de interiores, pois, apesar da sua baixa estatura (1.70), corta várias linhas de passe aéreas e ganha bolas na antecipação. Frente ao Wolfsburgo, Lahm foi o defesa mais interventivo: protagonizou 71 acções, 36 na primeira parte e 35 na etapa complementar. Bem menos ofensivo do que Lell, apenas por uma vez rompeu com bola no último terço do terreno, realizando, nessa acção, o seu único cruzamento: rasteiro, mas que não encontrou o destino desejado (Toni ou Klose). Contudo, Lahm revelou-se fundamental numa primeira fase de condução e distribuição de jogo: dos seus pés sairam 43 passes, a maior parte dos quais junto à lateral, alternando entre o curto e o médio. Desses, 38 encontraram o destino desejado, perdendo-se 5. Ribéry, o seu companheiro de faixa, foi o principal "alvo" dos seus passes: 17 - 15 certos e 2 errados, seguindo-se De Michelis, com quem trocou bolas no sector recuado, com 8. A nível defensivo, Lahm foi o segundo defesa mais recuperado, com o triplo das recuperação de Lell - 24: 14 completas e 10 incompletas ; 17 em posições exteriores à área e 7 em zonas interiores, tirando partido do seu bom jogo posicional e capacidade para jogar na antecipação. Sem qualquer falta cometida, apesar das várias entradas a bolas divididas, Lahm destacou-se pelo excelente tempo de entrada aos lances, uma das suas características principais, tendo sofrido 2 faltas. Perdeu duas bolas, ambas em movimentações de progressão.

Mark van Bommel MARK VAN BOMMEL. Jogador chave do esquema do Bayern, é fundamental tanto defensivamente como ofensivamente. Contratado a época passada ao Barcelona, onde não conseguiu atingir o nível esperado, recuperou em Munique a boa forma exibida ao longo de 6 épocas ao serviço do PSV Eindhoven, tendo atingido, aos 30 anos, aquele que é, muito provavelmente, o ponto mais alto da sua carreira a nível exibicional. Enorme recuperador de bolas, com uma capacidade de desarme e um sentido posicional assinaláveis, revela uma capacidade de pressão e agressividade notáveis, a que acrescenta um extraordinário talento na condução e, sobretudo, distribuição de jogo, executando, com grande facilidade, de primeira, e mostrando uma enorme precisão no passe longo. Frente ao Wolfsburgo foi o jogador mais em acção, somando 101 intervenções (50+51), nunca tendo estado mais de 3 minutos sem qualquer participação no jogo. Impressionante recuperador, totalizou 28 recuperações ao longo do jogo, 14 completas e 14 incompletas, mostrando uma enorme eficiência no desarme, tanto pelo chão como pelo ar. Agressivo, por vezes em demasia, foi o jogador mais faltoso do Bayern, ao cometer 6 infracções, sempre em lances divididos. A nível do passe atingiu um rendimento extraordinário: efectuou 64, dos quais 56 encontraram o destino certo, variando entre toques curtos, médios e longos, executando perto de metade de primeira, o que atesta a sua competência e facilidade em fazer distribuições rápidas, pois não gosta de prender a bola muito tempo. Em passe curto e médio, opta, quase sempre, por procurar o flanco direito, para onde direccionou 25 passes: Lell recebeu 17, e foi o jogador que mais procurou ao longo do jogo, somando 16 passes certos ; enquanto que Altintop recebeu 8, todos certos. Ao invés, em passe longo, procura mais um espaço entre o centro e a esquerda, dado suportado por 15 passes para Luca Toni, quase todos longos, sendo que 12 encontraram o destino desejado. Rápido a soltar a bola, não sofreu qualquer falta, nem perdeu nenhuma vez a posse do esférico, destacando-se também por ter efectuado 3 remates à baliza, sempre de pé direito: 2 de fora da área, sendo que um foi defendido pelo guarda-redes para canto e outro foi interceptado por um defesa ; e outro à entrada da área, que o guarda-redes também defendeu para canto.

Zé Roberto ZÉ ROBERTO. De regresso à Alemanha, onde jogara oito épocas, e ao Bayern, que já representara durante quatro temporadas, Zé Roberto, depois de um ano intermitente no futebol brasileiro, pegou de "estaca" em Munique, não se notando o "peso" dos 33 anos. Médio centro mais móvel e menos directo e interventivo do que van Bommel, sempre com tendência para aparecer como apoio interior no flanco por onde a bola é conduzida, o internacional brasileiro também é um importante elemento em acções de recuperação, assumindo-se como uma importante "muleta" do internacional holandês, fazendo gala da sua boa condição física e capacidade posicional. Frente ao Wolfsburgo, Zé Roberto interveio em 62 ocasiões no jogo, 34 na primeira parte e 28 na etapa complementar, realçando-se o facto de ter feito o último quarto de hora em gestão de esforço, protagonizando apenas 3 intervenções. Mais de metade das suas acções foram passes (38 - 35 certos), quase sempre curtos, pois opta, normalmente, por um futebol apoiado e sem grande risco na entrega: Lell e Lahm, ambos com 7 passes recebidos, mostram a sua tendência para servir como apoio interior em progressões ; juntando-se a estes Ribéry, também com 7 passes recebidos, 6 deles certos, que mostram a sua tendência para, em situação ofensiva e em posse de bola, progredir mais pelo centro-esquerda, até porque é canhoto. Curiosamente, o seu jogo prima pelas lateralizações, raramente arriscado passes a romper pelo centro: apenas 4 para Klose e nenhum para Luca Toni. Ainda a nível ofensivo, Zé Roberto, que, em algumas situações, arrisca progressões, com bola, de trás para a frente, perdeu 3 bolas, sempre na sequência desse tipo de acções, e rematou 1 vez à baliza, na sequência de um livre lateral descaído para a direita, que foi parado a soco pelo guardião do Wolfsburgo. Do ponto de vista defensivo, Zé Roberto efectuou 19 recuperações: 13 completas e 6 incompletas, destacando-se mais pela capacidade de cortar linhas de passe, tanto pelo chão, como pelo ar, do que no capítulo do desarme em lances divididos. Não sofreu nenhuma falta e cometeu apenas uma, na sequência de uma disputa corpo a corpo.

Hamit Altintop HAMIT ALTINTOP. Contratado, este ano, ao Schalke 04, Hamit Altintop, internacional turco, nascido na Alemanha, de 24 anos, está a confirmar-se como um centro-campista completo: eficaz em acções de recuperação, o que lhe permite ser praticamente um interior direito em situação defensiva, e determinante em acções ofensivas, tirando partida da sua velocidade, capacidade técnica e de passe, sobretudo aberto na ala direita, mas também, em caso de necessidade, pelo centro. Diante do Wolfsburgo, Altintop participou em 80 acções, que fizeram dele o 2º jogador mais interventivo da equipa, mesmo tendo passado por alguns momentos de "apagão": pouco activo no último quarto de hora da primeira parte e entre os 64 e os 77 minutos - apenas quatro acções -, para reaparecer, em grande, na fase final do jogo. O internacional turco protagonizou 56 passes, 46 dos quais certos, sendo que um, a partir de posição central, resultou no golo de Ribéry. Dos 10 passes errados, destaque para 7 cruzamentos, aspecto em que se mostrou intermitente, pois apesar de colocar a bola na área com alguma facilidade, demonstrou alguns problemas de colocação, com várias intercepções na zona do primeiro poste. Ainda assim, acertou 6 dos 13 cruzamentos que efectuou, mostrando-se particularmente feliz nas bolas tensas a meia-altura, que proporcionaram duas assistências para finalização. O facto de partir, muitas vezes, para acções ofensivas, a partir de uma posição central, permitiu que Ribéry fosse o principal alvo dos seus passes (11), sendo que duas dessas situações acabaram por resultar em golo - uma de forma directa e outra no decurso do lance. van Bommel e Lell, ambos com 9 passes, Klose, com 8, e Toni, com 6, foram outros dos jogadores que mais procurou, sendo que os dois primeiros em acções sobre a ala, e os dois últimos, sobretudo, como destino dos seus cruzamentos. Para além das acções de passe, Altintop protagonizou ainda 3 remates, todos de fora da área, sendo que apenas 1, na transformação de um livre lateral, chegou à baliza, obrigando o guarda-redes do Wolfsburgo a uma intervenção a soco. Os outros dois remates, ambos em acção de bola corrida, não levaram o destino ambicionado: um foi por cima ; o outro interceptado. Do ponto de vista defensivo, Altintop, muito cumpridor no aspecto táctico, concretizou 15 recuperações, 11 das quais completas, destacando-se, sobretudo, a cortar linhas de passe pelo chão. A estes números há ainda a juntar mais alguns registos: 3 perdas de bola, sendo que 2 surgiram após acções individuais ; 1 falta cometida, muito inteligente, que travou um contra-ataque com 2-1 no marcador ; e 2 faltas sofridas.

Franck Ribéry FRANCK RIBÉRY. Internacional francês, de 24 anos, foi contratado ao Marselha no último defeso, tendo sido apresentado juntamente com Luca Toni como os grandes reforços do "novo" Bayern. Ainda que as suas prestações não venham a primar pela regularidade, a verdade é que Ribéry tem sido o jogador mais desequilibrador, somando 3 golos na Liga em 13 partidas, a que juntou 3 tentos na Taça da Liga, onde a sua prestação foi decisiva para a conquista do troféu. Jogador explosivo, que sabe aliar a sua velocidade a uma muito boa capacidade técnica e de passe, mostra-se tremendo no 1x1, tirando também partido da facilidade com que joga com os dois pés. Dotado de um bom poder de desmarcação, sai muito bem em diagonais da ala para o meio, mostrando uma grande facilidade de remate, ainda que, por vezes, se revele excessivamente individualista. Com Hitzfeld actua preferencialmente pela esquerda, mas nas saídas de acções defensivas para ofensivas, parte, muitas vezes, de posições centrais, tratando-se do jogador com mais liberdade para procurar acções individuais e para ter mais tempo a bola nos pés. Frente ao Wolfsburgo, Ribéry demorou a entrar em jogo, realizando apenas 6 acções no primeiro quarto de hora, a que se seguiram 11 no segundo quarto e 19 no terceiro quarto (deu a assistência para o golo de Klose), numa exibição em crescendo, totalizando 36 intervenções na primeira parte, a que se seguiram 40 na segunda metade: 17 no primeiro quarto de hora (marcou 1 golo), 19 no segundo quarto de hora e 5 no último quarto de hora, período que coincidiu com a sua substituição, a cinco minutos do fim, depois de 4 intervenções erradas nas suas últimas 5 participações no jogo, comprovando um claro decréscimo de produção. 47 das 76 intervenções de Ribéry foram passes: 33 certos e 14 errados, número que se explica pelo elevado número de tentativas de passes de ruptura e cruzamentos. No último aspecto, Ribéry efectuou 9 cruzamentos, 6 dos quais que não encontraram o destino desejado, mas entre os 3 que acertou, 1 deles acabaria por resultar em golo. Luca Toni, com 11 passes, foi o colega de equipa que mais procurou, mas apenas por 4 vezes conseguiu fazer chegar a bola em condições ao internacional italiano. Altintop (8, em trocas de bolas mais centrais), Van Bommel (7, quase sempre em passes atrasados ou de apoio), Klose (6, 1 deu golo), Lell (5, com particular destaque para 3 bolas paradas enviadas ao 1º poste) foram os outros jogadores que mais procurou. A nível do remate, Ribéry destacou-se também ao ser o jogador do Bayern que mais vezes rematou à baliza do Wolfsburgo: o internacional francês marcou 1 golo em 5 remates, curiosamente na sua única finalização de pé direito, numa finalização cruzada dentro da área. Os restantes 4 remates foram efectuados de pé esquerdo, 3 deles dentro da área e 1 de fora da área, sendo que 2 levaram a direcção da baliza, enquanto que os outros 2 foram por cima e ao lado. Tratando-se do jogador que mais tempo fica com a bola nos pés em cada acção, não surpreende o facto de ter sido o jogador com mais perdas de bola: 14, 9 das quais na sequência de acções individuais. Contudo, recuperaria 8 bolas, fruto do seu posicionamento ao centro em várias acções defensivas, que lhe permitiu cortar linhas de passe e aproveitar alguns ressaltos para partir para acções ofensivas, já que todas as suas recuperações foram completas. Com pouca tendência para "chocar" com adversários, não cometeu nenhuma falta, tendo sofrido duas.

Miroslav Klose MIROSLAV KLOSE. Goleador internacional alemão, de origem polaca, chegou este ao Bayern, depois de três épocas no Werder Bremen, em que apontou 53 golos em 89 jogos na Bundesliga, dando sequência ao registo goleador já evidenciado no Kaiserslautern, onde marcou 44 golos, em 120 jogos. Ao serviço do Bayern, em jogos da Liga, soma já 9 golos em 12 jogos, a que junta ainda 2 tentos na Taça UEFA em 2 partidas. Frente ao Wolfsburgo, e como já é um hábito nos jogos do Bayern, foi o jogador menos interventivo entre os titulares. Teve apenas 31 intervenções ao longo do jogo, até porque a sua função é, sobretudo, finalizar as jogadas, e criar espaços ou prender os adversários com as suas movimentações, aspecto em que é extremamente eficaz, o que faz com que esteja, por mais do que uma vez, largos minutos sem tocar na bola. Efectuou 4 remates à baliza, todos na primeira parte: 3 dentro da área, o seu local dilecto para finalizar, e 1 fora da área, de pé direito, que foi interceptado. Dos 3 remates efectuados dentro da área, o único de pé direito deu golo, enquanto que os 2 de cabeça tiveram destinos diferentes: um foi à barra e outro ao lado. No capítulo do passe esteve, como lhe é comum, pouco activo: 16 passes, na quase totalidade curtos, de pé direito ou cabeça, acertando 12. Toni e van Bommel, ambos com 4 passes, foram os jogadores que mais procurou. A estes números juntam-se ainda 1 fora-de-jogo ; 2 recuperações (1 completa, 1 incompleta) ; 3 perdas de bola (sempre após recepções deficientes) ; 2 faltas cometidas ; e 3 faltas sofridas, sempre em disputas de bola.

Luca Toni LUCA TONI. O possante avançado internacional italiano, de 30 anos, depois de apontar 67 golos em três épocas no Calcio, soma já 9 golos em 13 jogos na Bundesliga, a que junta mais 2 tentos, ambos diante do Belenenses, em 3 partidas na Taça UEFA. Tremendo em finalizações aéreas dentro da área, sobretudo ao segundo poste, trata-se também de um avançado extremamente potente nos últimos 25 metros, desmarcando-se, quase sempre nos limites do fora-de-jogo, com grande velocidade e facilidade em diagonais, com e sem bola, da esquerda para o meio que conclui com remates violentos e quase indefensáveis. Frente ao Wolfsburgo, Luca Toni não esteve numa tarde particularmente feliz, mostrando-se muito impaciente com o português Ricardo Costa, que cometeu várias faltas sobre o italiano em lances divididos aéreos. Ao longo do jogo teve 46 intervenções - 26 na primeira parte e 20 na etapa complementar, denotando-se-lhe largos períodos de inactividade, sobretudo no último quarto de hora da primeira parte (5 intervenções) e no primeiro quarto de hora do segundo tempo (apenas 2 intervenções). Luca Toni efectuou 4 remates, mas não esteve feliz no aspecto mais forte do seu jogo: 2 finalizações dentro da área, 1 de cabeça (ao lado) e 1 de pé esquerdo (para fora) ; 2 finalizações de fora da área (uma enquadrada, mas sem criar perigo, outra interceptada antes de chegar à área). Pior ainda esteve nas perdas de bola: 10, número apenas superado por Ribéry, que esteve em muito mais contacto com a bola, sendo que 6 resultaram de recepções deficientes de passes, aspecto em que revela limitações. Foi 3 vezes apanhado em fora-de-jogo - numa delas marcou um golo que foi invalidado -, situação comum devido ao seu estilo de jogo, sempre no limite, e efectou 3 recuperações, em lances divididos, 2 das quais completas. Apenas cometeu 1 falta, mas sofreu 12, a maior parte das quais feitas por Ricardo Costa, o que demonstra as dificuldades que os defesas encontram em disputar lances com o possante avançado italiano de 1 metro e 93 centímetros e 88 quilos. A estes números juntam-se ainda 13 passes, sendo que 10, quase todos curtos, encontraram o seu destino. Klose, com 5 passes, Ribéry, com 4, e Altinlop, com 3, foram os destinatários preferenciais dos seus passes.

Toni Kroos TONI KROOS. O jovem fenómeno do futebol alemão, de apenas 17 anos, teve oportunidade de jogar os últimos 5 minutos da partida, rendendo Franck Ribéry. Sem posição fixa, entre a esquerda e o meio do meio-campo ofensivo, Kroos, que nas camadas jovens costumava actuar como "nº10", teve oportunidade de mostrar a velocidade e capacidade de desmarcação que o caracterizam, numa fase em que vai alternando a utilização na formação secundária com alguns minutos na equipa principal, onde se estreou como titular na derrota em Estugarda. Possui uma frieza pouco comum num jogador tão jovem, destacando-se por ser detentor de um bom remate de pé direito - usa também, com facilidade, o pé esquerdo -, para além de um bom drible e capacidade no passe, executando bem em progressão. Diante do Wolfsburgo teve 4 intervenções no jogo: 3 passes - acertou dois - e 1 remate, dentro da área, no último lance da partida, em que atirou de pé direito ao lado, depois de uma excelente desmarcação da esquerda para a direita ao longo de 50 metros.

OUTRAS OPÇÕES. Entre os jogadores que ficaram de fora diante do Wolfsburgo, apenas Lúcio deverá ser titular diante do Sp. Braga, em princípio no lugar do argentino DeMichelis, cuja utilização está em dúvida e que, mesmo em caso de recuperação, poderá ser poupado, até porque, entre Bayern e Selecção Argentina, soma já 25 jogos esta temporada. Lúcio, internacional brasileiro, de 29 anos, vinha a fazer dupla no centro da defesa com DeMichelis, mas foi expulso, após uma entrada duríssima sobre um adversário, na deslocação Estugarda, jogo que ficou marcado pela primeira derrota do Bayern esta época. Para além do promissor Kroos, único suplente utilizado diante do Wolfsburgo, Hitzfeld poderá ter no banco as seguintes opções: o guardião Michael Rensing, de 23 anos, antigo internacional sub-21 e apontado como uma das maiores promessas do futebol alemão na sua posição ; Willy Sagnol, lateral direito internacional francês, de 30 anos, que ainda não se estreou em jogos pela equipa principal do Bayern, pois lesionou-se com gravidade em Abril passado, tendo apenas realizado, no último mês, 2 jogos pela formação secundária do clube para recuperar a forma ; Andreas Ottl, médio defensivo, de 22 anos, que vem ganhando minutos pela equipa principal esta época, somando 12 jogos entre as diversas competições ; Jan Schlaudraff, unidade móvel de ataque, que pode jogar sobre os flancos ou em zonas centrais, que tem sido pouco utilizado, mas jogou alguns minutos nas duas partidas diante do Belenenses, depois de ter chegado a internacional alemão ao serviço do Alemannia Aachen, clube onde apontou 19 golos nas duas últimas temporadas ; Mats Hummels, jovem defesa-central ou trinco, de 18 anos, já internacional sub-21 pela Alemanha, que vem sendo uma das principais unidades da formação secundária, destacando-se pelo físico impressionante (1.91-88), que o torna muito forte no jogo aéreo e em acções de recuperação.

LINHAS PREFERENCIAIS DE PASSE DO BAYERN

BAYERN: CIRCUITO DE PASSES (acima de 4)


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Europeu de Esperanças 2007: 36 jogadores para o futuro
sexta-feira, 22 junho 2007

Damir Kahriman

Damir Kahriman (Sérvia) – Guarda-redes titular do Vojvodina, de 23 anos, 1.96/94, foi a grande figura da selecção Sérvia no Europeu sub-21, conduzindo-a à final, onde só cedeu no prolongamento. Muito alto e dotado de uma condição física impressionante, impõe-se com grande naturalidade, quer entre postes, quer fora destes, mostrando enorme capacidade de liderança e conhecimento do espaço que pisa. Mostra um bom controlo da baliza, chegando com facilidade a ambos os postes, pois é muito elástico, sabe-se colocar e tem reflexos rápidos. Fora dos postes, gosta de arriscar, revelando um bom controlo do espaço aéreo, firmeza no um para um com os avançados por baixo e um excelente tempo de saída. Apesar da sua juventude, já ultrapassou a fasquia dos 50 jogos na principal Liga sérvia, onde foi lançado pelo Zemun, em Abril de 2004, numa deslocação ao terreno do Zeta (derrota 1-2).

Zdenek Zlámal

Zdenek Zlámal (República Checa) – Guarda-redes do Sparta Praga, começou a temporada como terceira escolha para o posto, o que levou o clube a emprestá-lo ao FC Tescoma Zlín, onde se impôs como titular, afirmando-se como uma das maiores revelações da Liga, ajudando a sua formação a ficar no escalão primo divisionário do futebol checo. 21 anos, 1.93-92. Trata-se de um guardião muito alto e com uma constituição física notável, que se mostra extremamente forte entre postes, parecendo ocupar toda a baliza, para além de evidenciar capacidade de liderança, comunicando muito com os seus colegas de sector. Dotado de uma boa colocação, revela bons reflexos e uma elasticidade e agilidade invulgares num guardião com as suas características físicas, protagonizando algumas defesas espectaculares e/ou de elevado grau de dificuldade. Pode, no entanto, trabalhar mais a recepção da bola, já que faz várias defesas incompletas ou a dois tempos, aspecto em que deverá melhorar. Fora dos postes deve tornar-se mais rápido a reagir aos lances, mas mostra capacidades nos lances de um para um com os avançados adversários, para além da sua elevada estatura permitir-lhe desfazer cruzamentos com alguma facilidade, mas pode e deve arriscar mais, já que não se costuma aventurar fora da sua pequena área.

Antonio Rukavina Antonio Rukavina (Sérvia) – Lateral-direito, impôs-se com grande facilidade no Partizan Belgrado, onde chegou a meio da época, depois de ter feito uma excelente primeira volta de Liga no modesto Bezanija. Jogador de 23 anos, 1.77/74, foi uma das revelações da temporada sérvia, o que lhe permitiu já ser chamado à selecção principal, pela qual se estreou dias antes de iniciar a sua participação no Europeu de Esperanças. É um lateral direito que está habituado a jogar num esquema tradicional de quatro defesas, mas cujas características, marcadamente ofensivas, permitem adaptá-lo com grande facilidade a uma posição de volante direito, num esquema com laterais adiantados. Mesmo que fisicamente não seja um portento, faz com grande facilidade todo o corredor durante os 90 minutos, criando desequilíbrios com as suas subidas, pois é rápido, possui uma capacidade técnica interessante e mostra-se particularmente perigoso nos cruzamentos, saindo dos seus pés várias assistências para finalizações, tanto em lances de bola parada, como em lances de bola corrida. No capítulo defensivo, apesar de muito esforçado e pressionante, necessita de evoluir do ponto de vista táctico, tanto na defesa de posições exteriores como em posições interiores, pois dá demasiado espaço aos adversários.

Gianni Zuiverloon Gianni Zuiverloon (Holanda) – Lateral-direito, adaptável também ao posto de central pela direita, num esquema com três defesas ou três centrais, de 20 anos, 1.81/70, foi revelado pelo Feyenoord, mas não vingou na primeira equipa da formação de Roterdão, passando depois pelo RKC Waalwijk e, na última época, pelo Heerenveen, onde realizou uma boa temporada, impondo-se com facilidade como titular. Trata-se de um lateral pouco brilhante, mas eficaz nos processos defensivos, já que é bastante pressionante, agressivo – por vezes em demasia – e com capacidade de desarme, tanto pelo chão, como pelo ar, não sendo fácil ultrapassá-lo, quando está correctamente posicionado. Do ponto de vista ofensivo, apesar de se tratar de um defesa rápido e potente, mostra poucos predicados de ordem técnica, para além de necessitar de ganhar maior consistência no passe e nos cruzamentos para atingir outra dimensão.

Manuel da Costa Manuel da Costa (Portugal) – Defesa-central, de 21 anos, 1.87/78. Depois de ter deslumbrado em Toulon 2006, o que lhe permitiu a fantástica transferência da equipa secundária do Nancy para o PSV Eindhoven, onde não se conseguiu ainda impor como titular absoluto, mas foi regularmente utilizado, confirmou-se como um dos jovens centrais – na minha opinião, o jovem central – mais promissores do futebol europeu e mundial. Apesar da decepcionante campanha portuguesa no Europeu de Esperanças, Manuel da Costa confirmou-se como um defesa central extremamente calmo e seguro, dotado de um excelente sentido posicional, grande capacidade de desarme, tanto pelo chão como pelo ar, e forte na antecipação, tirando partido de um bom tempo de entrada aos lances, para além da sua velocidade natural a atacar a bola. Falta-lhe, contudo, um pouco mais de agressividade, isto apesar de ser forte fisicamente, mas trata-se de um central pouco faltoso e que procura sempre a bola. Do ponto de vista técnico é bastante evoluído para um central, revelando facilidade a sair a jogar, assumindo uma primeira fase de construção, ainda que, em algumas ocasiões, arrisque em demasia. Eficaz no passe curto e médio, mostra predicados muito interessantes no passe longo, que lhe permitem lançar iniciativas ofensivas à distância. Central com presença na área adversária, falta-lhe ganhar ainda um maior engodo pela baliza adversária.

Dusko Tosic Dusko Tosic (Sérvia) – Defesa-central canhoto, de 22 anos, 1.81/78, foi contratado pelo Sochaux, em Janeiro de 2006, ao OFK Belgrado, onde era titular desde os 18 anos. Em França, acabou a última época como titular, mas não o foi de forma absoluta, totalizando, até ao momento, 40 jogos em época e meia na Ligue 1. Actua preferencialmente pela zona central esquerda da defesa, e apesar de canhoto, jogo também com alguma facilidade com o pé direito. Forte no jogo aéreo, tanto em situação defensiva, como ofensiva, sabe tirar partido de um excelente poder de impulsão, tratando-se de um especialista a jogar na antecipação, ganhando com facilidade posição aos adversários directos tanto pelo chão como pelo ar. Precisa, no entanto, de melhorar o tempo de entrada aos lances, o que o leva a ser algo faltoso, como também tornar-se mais concentrado, já que, em algumas ocasiões, parece “adormecer”. Mesmo assim, é bastante eficaz no desarme. Do ponto de vista técnico é um central muito evoluído, com grandes capacidades no um para um e a sair a jogar. Criterioso na distribuição de jogo, assume, sem receios, a primeira fase de construção, mostrando eficácia no passe: curto, médio ou longo.

Branislav Ivanovic Branislav Ivanovic (Sérvia) – Defesa central, de 23 anos, 1.88/84, já internacional A, pode também actuar como lateral, sobretudo à direita, mas não se sente tão à vontade nessa missão. Contratado pelo Lokomotiv Moscovo, onde é titularíssimo há ano e meio, ao OFK Belgrado, trata-se de um defesa muito seguro e talhado para voos mais altos. Poderoso fisicamente, impõe-se com facilidade e naturalidade no confronto físico, não abusando de jogo faltoso, isto apesar de se tratar de um central talhado para acções de marcação, bastante difícil de ultrapassar no um para um. Forte no desarme, tanto pelo ar como pelo chão, é rápido e contundente a atacar a bola, ganhando vários lances na antecipação, mas poderá melhorar a definição do tempo de entrada aos lances. Do ponto de vista técnico é um jogador muito interessante, mostrando capacidades a sair a jogar, sobretudo no passe curto e médio, mas, quando é necessário, também sabe jogar de forma feia e prática. Revela também facilidade em explorar o futebol aéreo em situação ofensiva, marcando alguns golos de cabeça na sequência de lances de bola parada, para além de se tratar de um líder nato, muito comunicativo, pois dá, de forma permanente, instruções aos seus colegas de sector, como também sabe empurrar a equipa para a frente.

Gojko Kacar Gojko Kacar (Sérvia) – Um jogador impressionante. Central ou médio defensivo, de 20 anos, 1.85/79, apenas realizou um jogo no Europeu, diante da Inglaterra, onde se exibiu a um nível altíssimo, confirmando a excelente época ao serviço do Vojvodina, clube que representa como titular há mais de dois anos. Jogador com grande capacidade de liderança, comunica muito com os seus companheiros de sector e sabe empurrar a equipa para a frente, destacando-se também por ser um exímio recuperador de bolas, muito forte no desarme, tanto pelo chão, como pelo ar, aliando contundência na abordagem aos lances – é fortíssimo no “tackle”, mas, em algumas ocasiões, demasiado duro – com um excelente poder de antecipação, pois é muito rápido e ganha com facilidade a posição aos avançados adversários. Inteligente a nível posicional e táctico, evidencia uma capacidade técnica bastante acima da média para um central, arriscando dribles em zonas proibidas, para além de sair a jogar com grande facilidade, assumindo a condução e a organização do jogo ofensivo desde trás, revelando uma boa capacidade de passe. É, também, um defesa que marca golos com alguma facilidade: seja através do seu jogo aéreo em lances de bola parada ofensivos, seja através de remates de fora da área, pois possui um bom disparo de pé direito, mas pode melhorar o enquadramento.

Ryan Donk Ryan Donk (Holanda) – Defesa-central, de 21 anos, 1.92/80, foi contratado, no final de Agosto de 2006, pelo AZ Alkmaar, onde acabou a época como titular, ao RKC Waalwijk, clube onde ainda pouco jogara. Destaca-se, sobretudo, pela sua grande compleição física e poder de choque, que lhe permite impor-se, com relativa facilidade, nos lances divididos, não recorrendo muito a faltas para parar o seu adversário directo. Muito forte no jogo aéreo, revela-se mais eficiente em situação defensiva, onde ganha a maior parte dos lances que disputa, do que em situação ofensiva, necessitando de trabalhar mais a sua técnica de cabeceamento em direcção à baliza adversária. Pelo chão, apesar de rápido e contundente a atacar a bola, sente algumas dificuldades em velocidade, quando são exploradas as costas da defesa, mas faz-se valer de um interessante sentido posicional. Apesar de possuir alguns atributos a sair a jogar, mesmo quando arrisca um futebol mais directo, é um defesa prático e nada complicativo, que joga feio quando tem que o fazer.

Marco Andreolli Marco Andreolli (Itália) – Defesa-central, habitualmente pela direita, de 21 anos, 1.87/81, produto das escolas do Inter, onde ainda não se conseguiu impor como titular, fruto da elevada concorrência na sua posição. Muito frio e seguro, trata-se de um jogador com escola, que se destaca por um elevado sentido posicional e táctico, que lhe permite ser eficaz tanto a jogar solto como em acções de marcação, não sendo fácil batê-lo no um para um, já que é muito eficaz no desarme pelo chão e pelo ar. Tecnicamente dotado, revela facilidade na recepção e no controlo de bola e sabe sair a jogar, quase sempre à base de passes curtos e médios. O seu ponto mais fraco acaba por ser a velocidade em lançamentos para as suas costas, já que se sente mais à vontade em espaços curtos do que em largos. Necessita também de jogar com mais frequência, o que dificilmente acontecerá no Inter.

Slobodan Rajkovic Slobodan Rajkovic (Sérvia) – Defesa-central canhoto, de 18 anos, 1.95/85, foi revelado pelo OFK Belgrado, onde ainda actua, mas já é jogador do Chelsea há mais de um ano e meio. Jogador portentoso do ponto de vista físico, impõe-se com enorme facilidade nos lances corpo a corpo, ainda que necessite de rever a contundência e agressividade excessiva com que aborda alguns lances. Muito forte no jogo aéreo, raramente perde uma bola no espaço defensivo, mostrando também à vontade para participar em situação ofensiva em lances de bola parada, conquistando várias bolas nesse tipo de situação. Apesar da sua elevada estatura, sai com facilidade de posição e pressiona tanto na zona intermediária, como também sobre a ala esquerda, mostrando facilidade no desarme e a jogar na antecipação, tanto pelo chão, como pelo ar. Bastante prático, sabe jogar feio quando é necessário, mas também é capaz de sair a jogar, mostrando capacidades no passe. Falta-lhe ganhar uma maior consistência nos lances de um para um, onde lhe falta um tempo de reacção mais rápido a acções de desequilíbrio dos adversários.

Giorgio Chiellini Giorgio Chiellini (Itália) – Lateral-esquerdo, de 22 anos, 1.86/79, surgiu com apenas 16 anos na primeira equipa do Livorno, de onde saltou, em 2004, para a Fiorentina, impondo-se com facilidade, o que lhe permitiu a estreia na selecção principal. Está há dois anos na Juventus, tendo sido um dos melhores jogadores na última época, ajudando o clube de Turim a regressar à Série A do Calcio. É um lateral que se adapta com facilidade ao esquema tradicional de quatro unidades defensivas, como também pode actuar como volante lateral pela esquerda, já que faz com facilidade todo o corredor, mostrando-se até mais à vontade a atacar do que a defender, onde necessita de ganhar maior consistência, isto apesar de poder também desempenhar as funções de central pela esquerda, sobretudo num esquema com três defesas. É um defesa bem constituído fisicamente e, por vezes, excessivamente duro, o que lhe custa alguns cartões, sentindo-se mais à vontade na defesa de posições interiores, até porque possui um bom jogo aéreo, do que na defesa de posições exteriores, onde comete algumas desatenções, que deverá corrigir. Do ponto de vista ofensivo, mostra-se muito rápido e potente a desdobrar-se em acções de ataque, tanto com bola, como sem bola, fazendo, com grande facilidade, todo o corredor, pois evidencia sempre uma excelente preparação física e um grande pulmão. Mesmo não se tratando de um jogador tecnicamente muito evoluído, ganha lances no um para um e mostra eficácia no passe e nos cruzamentos, onde pode tornar-se ainda mais acutilante, como também é forte a fazer diagonais com bola, pois tem um remate muito forte de pé esquerdo.

Sébastien Pocognoli Sébastien Pocognoli (Bélgica) – Lateral-esquerdo, de apenas 19 anos, 1.82/72, protagonizou uma excelente campanha no Genk, o que fez com que vários clubes o observassem, optando por uma proposta do AZ Alkmaar, que ganhou a corrida a alguns emblemas franceses de topo. Jogador muito forte do ponto de vista defensivo, defende com grande facilidade posições exteriores, onde é difícil superá-lo no um para um, pois é forte fisicamente, pressionante e eficaz tanto em acções de desarme como a jogar na antecipação. Inteligente a nível táctico e posicional, defende com facilidade posições interiores, revelando facilidade a defender o espaço aéreo, como também a acompanhar as movimentações em diagonal dos extremos/alas adversários. Do ponto de vista ofensivo, falta-lhe alguma capacidade técnica para criar desequilíbrios no um para um, mas é rápido, sabe conduzir jogo – tem facilidade em utilizar os dois pés, apesar de ser canhoto – e tem um remate fortíssimo de pé esquerdo, tanto em bola corrida, como em bola parada, onde poderá atingir outro patamar, se trabalhar o enquadramento. A nível do passe e dos cruzamentos evidencia potencial, mas poderá tornar-se ainda mais consistente e acutilante.

Aleksandar Kolarov Aleksandar Kolarov (Sérvia) – Apontado pela imprensa do seu país como o “novo Roberto Carlos”, realizou uma temporada muito boa no OFK Belgrado, onde apontou 4 golos em 27 jogos, o que motivou observações de clubes italianos, ingleses e alemães, falando-se, com insistência, de uma possível transferência para a Lázio. Tem 21 anos, 1.87/80. Apesar de se tratar de um jogador forte do ponto de vista físico, sente-se muito mais à vontade a atacar do que a defender, onde terá que ganhar uma bem maior consistência, de forma a atingir outros patamares, pois dá demasiado espaço nas suas costas e mostra algumas debilidades do ponto de vista táctico e posicional, nomeadamente quando é obrigado a defender posições interiores. Do ponto de vista ofensivo, é um lateral que faz com grande facilidade todo o corredor, assumindo e conduzindo jogo com muita qualidade, para além de revelar um bom poder de desmarcação com e sem bola. Muito rápido e muito dinâmico, alia a velocidade a uma capacidade técnica acima da média, que lhe permite criar desequilíbrios no um para um, mostrando também um bom potencial no passe e nos cruzamentos, realizando várias assistências para finalização. Dotado de um remate violentíssimo de pé esquerdo, procura muito a baliza adversária, tanto em lances de bola corrida, como também em bola parada, tratando-se de um especialista neste tipo de acção – marcou um golo de livre à Bélgica.

Hedwiges Maduro Hedwiges Maduro (Holanda) – Médio defensivo, de 22 anos, 1.84/79, realizou uma época bem abaixo das expectativas no Ajax, onde se assumira em 2005/06 como peça-chave do esquema da equipa, merecendo também chamadas regulares à selecção principal. Chegou ao Europeu em boa forma física, o que lhe permitiu exibir-se a altíssimo nível, isto apesar de não se tratar de um jogador muito veloz, mas é extremamente eficaz do ponto de vista táctico, ocupando e fechando muito bem os espaços, o que lhe permite recuperar muito jogo, quer através da sua capacidade de desarme, tanto pelo chão como pelo ar, mas também pela extrema facilidade com que corta linhas de passe. Eficaz a sair a jogar, fá-lo, quase sempre, de forma simples, com base num futebol mais apoiado, tirando partido da sua eficácia no passe curto e médio, mas também incorpora com facilidade acções de ataque, movimentando-se bem sem bola, já que aparece com facilidade em posições de remate, para tirar partido do seu excelente remate de pé direito.

Miguel Veloso Miguel Veloso (Portugal) – Médio defensivo, de 21 anos, 1.80/79, confirmou na Selecção de Esperanças a excelente segunda volta que realizou ao serviço do Sporting. Dotado de um excelente sentido posicional, que compensa algumas lacunas em velocidade, mostrou-se muito eficaz em acções de recuperação, tanto a nível do desarme, sobretudo pelo chão, como também a jogar na antecipação, o que lhe permitiu cortar inúmeras linhas de passe. Jogador com personalidade e maturidade acima do normal para a sua idade, assume o jogo desde trás, mostrando uma capacidade técnica acima da média, que lhe permite assumir a condução de jogo e criar desequilíbrios no um para um, como também uma grande facilidade no passe e na escolha dos tempos, que o tornam num especialista no lançamento de jogadas de ataque, tanto organizado, como de ataques rápidos, fruto da facilidade que evidencia a colocar a bola à distância, sobretudo sobre os flancos. Está a mostrar um crescimento importante na eficácia e enquadramento do remate de pé esquerdo de fora da área, tanto em bola corrida, como em bola parada, o que lhe permitiu marcar dois golos durante a competição, mas deverá trabalhar mais o futebol aéreo, tanto defensiva, como ofensivamente.

Antonio Nocerino Antonio Nocerino (Itália) – Protagonista de uma excelente época ao serviço do Piacenza, onde apontou 6 golos em 37 jogos na Série B em 2006/07, tem 22 anos, 1.78-76, e uma carreira extremamente irregular para um jogador tão jovem, com passagens por 6 clubes em apenas 4 épocas como profissional, quase sempre no segundo escalão do futebol italiano. Em Itália, é conhecido por “Piccolo Gattuso”, pelas semelhanças físicas e no estilo de jogo com o jogador do AC Milan e da Selecção Italiana. É um jogador que se destaca pela intensidade de jogo, pois corre os 90 minutos, pressionando a todo o campo e nunca virando a cara à luta, o que lhe permite recuperar muitas bolas, aliando capacidade de desarme e de antecipação a um bom sentido posicional e táctico, preenchendo os espaços de forma inteligente, ainda que, em algumas situações, evidencia excessos de agressividade que lhe custam vários cartões. Com a bola nos pés não se atrapalha, apesar de jogar, por norma, de forma simples, não arriscando muito no passe. Dotado de uma capacidade técnica interessante, rompe bem, em acções com bola e sem bola, de trás para a frente, aparecendo com facilidade em posições de remate, possuindo um bom disparo de pé direito.

Marouane Fellaini Marouane Fellaini (Bélgica) – Médio multi-funções, a sua posição natural é a de médio-centro, mas pode também actuar como médio defensivo ou como médio ofensivo, como aconteceu no Portugal – Bélgica, disputado há poucos meses em Alvalade. 18 anos, 1.94/85, joga no Standard de Liège, onde se impôs como titular, afirmando-se também como uma das figuras da temporada belga, o que lhe valeu um lugar na renovada selecção principal. Portentoso do ponto de vista físico, trata-se de um jogador que se movimenta muito e bem, quer em acções com bola, quer em acções sem bola, uma das suas especialidades. Muito forte no jogo aéreo, ganha bolas com grande facilidade a meio-campo, como também, em acção ofensiva, na área adversária, mostrando sentido de baliza, não só de cabeça, mas também em remates de pé direito. Pode assumir mais o jogo, pois é tecnicamente dotado, revelando igualmente facilidade no passe, ainda que jogue, essencialmente, com base em passes curtos. Do ponto de vista defensivo, controla o espaço aéreo e ganha a grande parte dos lances que disputa no corpo a corpo, mostrando potencial no desarme, para além de se tratar de um jogador agressivo, ainda que, em algumas situações, de forma excessiva. Fruto do seu poderio físico, sabe também jogar de costas para a baliza, escondendo a bola dos adversários.

Milan Smiljanic Milan Smiljanic (Sérvia) – Médio centro, de 20 anos, 1.81 / 75, foi uma das várias revelações da Liga Sérvia em 2006/07, tendo-se imposto como titular indiscutível do Partizan Belgrado, o seu clube de sempre. Apesar de mais talhado para acções ofensivas do que defensivas, o excesso de jogadores com características ofensivas no meio-campo sérvio obrigou-o a assumir um papel mais de contenção. Cumpriu, ainda que nem sempre de forma regular, essa tarefa, fazendo uso do seu jogo posicional, bem mais do que pela sua capacidade de desarme ou de marcação, aspectos para os quais não é particularmente talhado. Contudo, destingiu-se pela facilidade com que organiza jogo, mostrando capacidade para assumir a condução e distribuição de jogo, tirando partido do seu talento no passe, executando de forma inteligente e rápida. Capaz de progredir no terreno com bola e sem bola, revela uma capacidade técnica muito interessante, que lhe permite criar desequilíbrios no um para um, aparecendo também em posições de remate, ainda que necessite de potenciar o enquadramento.

Manuel Fernandes Manuel Fernandes (Portugal) – Segundo trinco, médio centro ou interior, deu sinais de um crescimento físico – verdadeiramente impressionante – capaz de o conduzir a patamares elevadíssimos, se a cabeça ajudar, pois tem talento de sobra, mas falta-lhe ganhar uma maior consistência e pendularidade exibicional, pois aparece e desaparece dos jogos ainda com alguma facilidade. 21 anos, 1.75/69, tem contrato com o Benfica, que o emprestou ao Portsmouth e, posteriormente, ao Everton, tendo sido apenas titular a espaços em ambas as formações. Médio completo, revela-se extremamente útil em acções de recuperação, já que a sua capacidade física actual permite-lhe impor-se nos lances divididos, ainda que, por vezes, com excessiva agressividade, juntando à sua já conhecida capacidade de desarme e, sobretudo, facilidade em jogar na antecipação. Do ponto de vista ofensivo apresentou também um salto qualitativo muito interessante: forte a conduzir jogo e a criar desequilíbrios no um para um, sabe usar a sua velocidade e poder físico para progredir no terreno, aliando-o a uma boa visão de jogo, capacidade de passe e bom poder técnico, ainda que exagere em acções individuais e em imprimir ritmos demasiados elevados, aspectos que terá que limar. Evoluiu também a nível do remate de fora da área: mais potente e melhor enquadrado, sobretudo em conclusões de fora da área, mas, também aí, deverá apresentar mais cuidados na selecção, já que exagera na busca do golo.

Nigel Reo-Cocker Nigel Reo-Coker (Inglaterra) – Médio centro ofensivo, de 23 anos, 1.72/65, é titularíssimo do West Ham United há três épocas, depois de ter sido revelado pelo Wimbledon, somando cerca de 200 jogos entre todas as competições, o que é sinónimo de experiência e maturidade acima da média para um jogador da sua idade. Por isso mesmo, não surpreendeu a forma adulta como liderou a formação inglesa, a partir da zona central do terreno, aliando capacidade para sair e organizar acções ofensivas a um grande poder físico, que lhe permite ser muito útil também em acções de recuperação. Com grande “pulmão”, corre os 90 minutos, mostrando um bom conhecimento táctico do jogo, que lhe permite ocupar bem os espaços, para além de possuir capacidades no desarme e a jogar na antecipação. Tecnicamente dotado, sabe aliar esse seu talento à força física, rompendo bem de trás para a frente em acções com bola, mas também sem bola, o que lhe permite aparecer com facilidade em posições de remate. Deve ganhar uma maior consistência a nível da visão de jogo e do passe, onde, por vezes, se revela errático, para atingir outro patamar.

Alberto Aquilani Alberto Aquilani (Itália) – Médio centro ofensivo, capaz de desempenhar várias funções a meio-campo, quer como interior, quer como médio mais ofensivo, de 22 anos, 1.84/78. Habitual suplente da AS Roma, onde foi incorporado na primeira equipa com apenas 17 anos, trata-se de um jogador de classe, capaz de desequilibrar o jogo numa acção, mas que evidencia uma irregularidade exasperante, pois passa longos minutos longe dos jogos. Dotado de um pé direito de enorme qualidade, possui uma capacidade técnica bem acima da média, que lhe permite criar desequilíbrios no um para um com facilidade, para além de ser um jogador capaz de gerir os tempos de entrega e de fazer com qualidade a condução e circulação de bola, pois também possui atributos a nível da visão de jogo e do passe, mas a sua habitual tendência para se esconder em determinadas fases do jogo acaba por lhe tirar influência. Possui também um bom remate de pé direito, que lhe valeu dois golos durante a competição.

Otman Bakkal Otman Bakkal (Holanda) – Médio de características ofensivas polivalente, de 22 anos, 1.82/76, pode desempenhar várias funções em campo: médio ofensivo, médio centro ofensivo ou interior, médio ala pela direita ou esquerda. O seu passe pertence ao PSV Eindhoven, sendo praticamente certo que Ronald Koeman lhe irá dar uma oportunidade em 2007/08, depois de dois anos e meio emprestado a FC Den Bosch, FC Eindhoven e Twente, onde, na última temporada, alternou a titularidade com o banco. Jogador talentoso, mas bastante irregular, sente dificuldades em cumprir os 90 minutos, sobretudo quando o jogo é mais intenso, aparecendo e desaparecendo com grande facilidade dos jogos. Trata-se de um médio tecnicamente dotado e rápido, com capacidade no um para um, já que sabe driblar em progressão, para além de possuir capacidades no passe. Defensivamente, procura preencher os espaços de forma inteligente, mas está longe de se tratar de um recuperador exímio.

Bosko Jankovic Bosko Jankovic (Sérvia) – Médio ofensivo, interior ou ala, preferencialmente sobre a direita, mas também, em caso de necessidade, sobre a esquerda, esta antiga estrela do Estrela Vermelha de Belgrado, onde apontou 24 golos em 73 jogos na principal Liga sérvia, realizou uma boa época em Espanha, onde, ao serviço do Maiorca, apontou 9 golos em 28 jogos, sendo que apenas 17 foram na condição de titular. 23 anos, 1.83/78, já internacional A. Sempre muito participativo no jogo ofensivo da equipa, possui uma boa técnica individual, para além de se tratar de um jogador com boa visão de jogo e com capacidade no passe e nos cruzamentos. Capaz de criar desequilíbrios no um para um, falta-lhe assumir mais o risco de partir para cima do adversário e melhorar a sua capacidade de drible curto, mas, ainda assim, cria desequilíbrios com as suas acções com bola e movimentações sem bola, explorando bem a força física que possui e os seus movimentos na sequência de diagonais, para além de revelar potência no remate de pé direito, tanto de dentro, como fora da área. A sua época em Espanha permitiu-lhe uma evolução em termos tácticos e de recuperação de jogo, aspecto onde ainda poderá evoluir, de forma a se tornar ainda mais completo.

Daniel de Ridder Daniel de Ridder (Holanda) – Jogador de enorme talento, mas de uma irregularidade exasperante, não vingou no Celta de Vigo, onde em quase dois anos realizou apenas 20 jogos, depois de um início de carreira promissor no Ajax, de onde sairia pela porta pequena após alguns conflitos. Tem 23 anos, 1.80/69, e é capaz de alternar exibições medíocres com momentos brilhantes, como a final do Europeu, em que realizou três assistências para golo. Actua, preferencialmente, aberto na ala direita do ataque, mas pode também jogar na esquerda ou livre nas costas do(s) avançado(s). numa posição mais interior. É um jogador de grande qualidade técnica e excelente drible, que cria desequilíbrios no um para um com grande facilidade, ainda que, por vezes, demore a mudar de velocidade ou perca objectividade com mais um adorno. Eficaz nos cruzamentos e no último passe, sobretudo na sequência de diagonais da ala para o meio, o que lhe permite fazer várias assistências para golo, falta-lhe algum sentido de baliza, como também tornar-se mais participativo no jogo, não só em termos ofensivos, como também a nível defensivo, pois não gosta muito de correr atrás da bola.

Dejan Milovanovic Dejan Milovanovic (Sérvia) – Médio centro ofensivo ou médio ofensivo, de 23 anos, 1.80/75, é uma das principais figuras do Estrela Vermelha de Belgrado, tendo-se estreado na equipa principal com apenas 17 anos, o que lhe permite somar, até ao momento, perto de 130 jogos na principal Liga sérvia. Talento puro, foi obrigado, por imperativos tácticos, a jogar um pouco mais recuado do que gosta, mas trata-se de um jogador que sabe organizar jogo, mostrando boa visão de jogo e facilidade de passe, ainda que se sinta mais à vontade quando actua livre, mais próximo do(s) avançado(s), de forma a retirar o máximo do seu elevado potencial técnico e da facilidade de remate. Para chegar a um patamar superior, necessita de ganhar maior consistência exibicional, já que desaparece com facilidade dos jogos, e também trabalhar um pouco em prol do colectivo, nomeadamente em acções de recuperação, para as quais não se mostra talhado.

Stefan Babovic Stefan Babovic (Sérvia) – Conhecido na Sérvia por “Messi”, tem 20 anos, 1.76/62, e deslumbrou, na última temporada, ao serviço do OFK Belgrado, apontando 6 golos em 27 jogos, depois de se ter estreado como profissional ao serviço do Partizan, que o lançou na primeira equipa com apenas 17 anos. Jogador polivalente de características ofensivas, sente-se mais à vontade a actuar como médio ofensivo ou segundo avançado, destacando-se por possuir um pé esquerdo maravilhoso, capaz de criar inúmeros desequilíbrios, pois sabe aliar velocidade a uma excelente capacidade técnica e de drible. Muito interessante também na condução de jogo ofensivo, alia uma boa visão de jogo a capacidade de passe, que lhe permitem fazer várias assistências para finalizações, como também evidencia um grande engodo pela baliza adversária, ainda que, em algumas situações, exagere em iniciativas individuais, faltando-lhe um maior sentido colectivo e maior capacidade física, já que é algo leve e sente algumas dificuldades a cumprir os 90 minutos. É apontado como potencial reforço de várias equipas da principal Liga espanhola.

Riccardo Montolivo Riccardo Montolivo (Itália) – Médio ofensivo da Fiorentina, onde foi utilizado com regularidade na última época, foi revelado pela Atalanta, então na Série B, com apenas 18 anos. Capaz de desempenhar também as funções de médio centro ou interior esquerdo ofensivo, tem 22 anos, 1.81/65. É um jogador de talento inegável, comparado pela imprensa italiana a Andrea Pirlo, com um belíssimo pé direito, mas que prima pela irregularidade e pela incapacidade que demonstra em assumir o jogo de forma constante, pois eclipsa-se das partidas com demasiada facilidade. Bem dotado do ponto de vista técnico e com grande facilidade de drible, cria desequilíbrios no um para um, para além de possuir uma muito boa capacidade de passe, que lhe permite fazer várias assistências para finalização, como também um bom remate de fora da área, ainda que possa tornar-se mais acutilante sobre esse ponto de vista. Falta-lhe alguma agressividade, assim como ganhar uma maior cultura táctica e percepção das acções defensivas, onde se mostra pouco consistente, recorrendo, muitas vezes, a faltas para travar os adversários.

Martin Fillo Martin Fillo (República Checa) – Médio ofensivo, actua preferencialmente sobre os flancos, quer à esquerda, quer à direita, mas pode também desempenhar funções de médio ofensivo ou segundo avançado. Revelação da última Liga checa, onde, ao serviço do Viktoria Plzen, apontou 7 golos em 28 jogos, esperava-se que jogasse mais no Europeu de Esperanças, o que não aconteceu, pois apenas foi titular diante da Sérvia. No entanto, mostrou predicados que o confirmam como uma das grandes promessas do futebol checo. Tem 21 anos, 1.77-68. Trata-se de um jogador criativo, que consegue aliar a sua capacidade técnica individual a velocidade e a mobilidade, que lhe permitem criar desequilíbrios no um para um. Ao seu jogo falta, no entanto, um pouco mais de maturidade, pois, em algumas ocasiões, tende a individualizar de forma excessiva as jogadas, perdendo objectividade. Mostra um potencial bastante interessante a nível do passe e dos cruzamentos, como também engodo pela baliza adversária, utilizando preferencialmente o pé direito, mas o pé esquerdo não é cego.

Roysthon Drenthe

Roysthon Drenthe (Holanda) – A maior estrela do Europeu de Esperanças 2007. Jogador capaz de fazer qualquer posição sobre a ala esquerda, foi a revelação da paupérrima época do Feyenoord, onde se assumiu como titular, abrindo-lhe as portas da Selecção de Esperanças. 20 anos, 1.82-78, está talhado para voos mais altos, e o seu futuro próximo passará por um dos grandes do futebol europeu. Muito rápido e potente, com estonteantes mudanças de velocidade, consegue aliar a esses atributos uma técnica individual e um poder de drible bastante acima da média, que o tornam num jogador capaz de criar inúmeros desequilíbrios, sobretudo em espaços largos, não mostrando qualquer receio em partir para cima dos adversários. Possuidor de um remate forte de pé esquerdo, tanto em bola corrida, como em bola parada, onde pode trabalhar mais o enquadramento com a baliza. É, também, extremamente eficaz nos cruzamentos, um dos pontos mais fortes do seu jogo, tanto em acções de bola corrida como em pontapés de canto ou livres laterais, dando grandes efeitos à bola e mostrando facilidade em encontrar o seu destinatário. Do ponto de vista defensivo é um jogador também eficaz, fazendo-se valer da sua excelente condição física e capacidade de pressão, conseguindo recuperações, quer em lances de confronto físico, quer a jogar na antecipação, onde mostra saber tirar partido da forma veloz e, por vezes, demasiado agressiva com que ataca a bola.

Ryan Babel Ryan Babel (Holanda) – Esperava-se um pouco mais, é certo, de um dos jogadores mais desejados do “mercado” Europeu, mas acabou por fazer uma competição em crescendo, marcando na final. Avançado móvel, capaz de actuar no centro, mas com predilecção pelas alas e pelas movimentações em diagonal, tem 20 anos, 1.84/79, e joga, com regularidade, no Ajax já há três temporadas, mas apenas apontou 14 golos em 73 jogos. É um jogador que se destaca pelo físico que possui, protegendo a bola de forma inteligente e mostrando-se forte no corpo a corpo, quer de costas para a baliza, quer em movimentações com bola, onde sabe também tirar partido da sua agilidade e fácil capacidade de rotação. Muito rápido e com capacidade de aceleração, torna-se num jogador muito potente nos últimos 30 metros, evidenciando também uma capacidade técnica interessante, ainda que necessite de aprimorar o seu jogo sem bola, aspecto em que revela algumas lacunas. Falta-lhe também melhorar o enquadramento do remate, pois é muito perdulário, isto apesar de possuir um remate violento de pé direito e de ter um grande engodo pela baliza adversária.

Giuseppe Rossi Giuseppe Rossi (Itália) – Apontado, há algumas semanas, como possível reforço do FC Porto, na sequência da transferência de Anderson para o Manchester United, clube que detém o seu passe, e o emprestou, em Janeiro passado, ao Parma, onde apontou 9 golos em 19 partidas, depois de uma curta passagem, sem grande sucesso, pelo Newcastle United. Jogador de 20 anos, 1.75/73, actua preferencialmente como avançado móvel nas costas de um avançado mais fixo ou sobre as alas, preferencialmente à esquerda, até porque se trata de um canhoto. Muito rápido e extremamente móvel, trata-se de um jogador eléctrico, que parte sem qualquer tipo de receio para cima dos adversários, arriscando o um para um. Muito forte no drible, consegue utilizá-lo em progressão, pois tira partido da sua impressionante capacidade de aceleração e para mudar ritmos, características que também utiliza em movimentos de desmarcação sem bola. Mostra também facilidade no remate, ainda que possa melhorar o enquadramento. O seu ponto mais fraco é alguma fragilidade do ponto de vista físico, que o deixa em desvantagem em lances de corpo a corpo, como também o seu carácter algo intempestivo, necessitando de ganhar um pouco mais de calma.

Ben Sahar Ben Sahar (Israel) – A maior promessa do futebol israelita, de apenas 17 anos, 1.80/72, mas já internacional A, foi contratado, há um ano, pelo Chelsea ao Hapoel Tel Aviv, tendo tido a oportunidade de realizar 3 jogos na Premier League na última temporada. Havia expectativas elevadas sobre a sua participação no Europeu de Esperanças, mas mesmo não tendo desiludido, não marcou de forma vincada a diferença. Avançado bem dotado do ponto de vista físico, mas com algumas dificuldades em aguentar os 90 minutos, apesar da sua juventude sabe movimentar-se muito bem, tanto na área, como em espaços exteriores, rompendo bem de trás para a frente como também a partir das alas, de forma a tirar partido da sua velocidade e capacidade técnica, que lhe permitem criar muitos desequilíbrios no um para um, até porque é capaz de apontamentos brilhantes e de driblar em progressão. Mostra facilidade no remate com os pés – o direito é o mais forte, mas também utiliza, com facilidade o esquerdo -, assim como capacidade de enquadramento, pecando por alguns excessos de individualismo nas suas acções.

Leroy Lita Leroy Lita (Inglaterra) – Avançado explosivo, de 22 anos, 1.75/70, nasceu no Congo, mas rumou jovem ao Chelsea, onde realizou parte da sua formação, antes de rumar ao Bristol City, clube em que se estreou como profissional aos 17 anos. Actua, preferencialmente, como avançado móvel, o que lhe permite derivar, várias vezes, para as alas, de forma a romper em diagonais, com e sem bola, em direcção à área. Apesar de não se tratar de um avançado que se destaque pela imponência física, sabe chocar com os defesas adversários e “esconder” a bola, mostrando-se muito rápido a movimentar-se e a desmarcar-se, aparecendo com facilidade em posições de remate, tirando partido da sua boa capacidade de antecipação, ainda que necessite de ganhar uma maior frieza no momento da finalização, pois apesar de ter apontado 3 golos na Competição, desperdiçou oportunidades claras para marcar, pelo menos, mais 3. Possui também atributos de ordem técnica, mas deve melhorar a sua capacidade para receber e controlar a bola, sobretudo em movimento.

Kevin Mirallas Kevin Mirallas (Bélgica) – Avançado, de apenas 19 anos, 1.79/68, cedo rumou ao futebol francês, onde, com apenas 16 anos, se estreou na equipa sénior do Lille, onde ainda não se conseguiu impor como titular, apesar de vir a jogar, época após época, com mais regularidade. Trata-se de um avançado móvel, que tanto pode actuar fixo na área, mas que gosta, sobretudo, de ter liberdade para procurar outros espaços, de forma a tirar partido da sua velocidade e mobilidade para aparecer também sobre os flancos ou a sair dos flancos para o meio. Está sempre em movimento e a procurar desmarcações, destacando-se, em zona de finalização, pela sua capacidade para ganhar posição aos defesas, rematando com facilidade, ainda que possa melhorar a definição. Tecnicamente não é brilhante, mas possui atributos, que o ajudam a criar desequilíbrios nos últimos 25-30 metros, quer em acções de ruptura, quer em movimentos curtos sobre os defesas.

Maceo Rigters Maceo Rigters (Holanda) – Avançado, de 23 anos, protagonista de uma época sem grande brilhantismo no NAC, onde apontou 3 golos em 32 jogos, destacou-se no Europeu de Esperanças ao sagrar-se melhor marcador da Competição com 4 golos, apenas não marcando no jogo de estreia diante de Israel. Não é um avançado brilhante, mas trata-se de um jogador muito lutador, que ataca todas as bolas e não desiste de nenhum lance, tirando também partido da sua velocidade e mobilidade, para procurar permanentes movimentações e desmarcações entre os defesas adversários, evidenciando grande facilidade em ganhar posição aos adversários. Do ponto de vista técnico evidencia algumas carências, que deverão ser limadas, para poder vingar noutro patamar, mas o Europeu deve-lhe abrir as portas de um clube mais ambicioso, ele que, curiosamente, foi formado nas escolas do Ajax, mas dispensado no final da etapa de formação.

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Destino Uruguai
segunda-feira, 11 junho 2007

Chegou ao fim a longa temporada 2006/07 da Liga uruguaia com o Danúbio, de Montevideu, a sagrar-se Campeão Uruguaio, juntando o Título de Clausura, após uma final disputadíssima e só decidida após o desempate por grandes penalidade diante do Peñarol, ao título de Apertura, conquistado, com maior facilidade, em Dezembro passado. Contudo, a temporada só terminou após a "Copa Artigas", que define as equipas que representarão o Uruguai na Copa Sul-Americana 2007 e na Libertadores 2008: Nacional e Montevideo Wanderers acabaram por alcançar a desejada presença na Libertadores, enquanto que Danúbio e Defensor Sporting competirão no segundo semestre deste ano a nível internacional na Copa Sul-Americana.

AS FIGURAS DA LIGA URUGUAIA 2006/07:

Walter Gargano

Walter Gargano, jovem médio de 22 anos, foi uma das referências do campeão Danúbio. Presença regular na formação principal desde 2004, soma já mais de 100 jogos na Liga principal, para além de ser internacional A uruguaio. Jogador de baixa estatura - 1.68 - compensa essa limitação com uma entrega total ao jogo, que lhe vale a alcunha de "Mota", pois é extremamente rápido e muito pressionante, aparecendo em todo o lado. É um médio completo, que ocupa, por norma, uma posição central, quer mais fixo, quer mais móvel, destacando-se não só pela eficiência em acções de recuperação, sobretudo pelo chão, como também pela capacidade que possui para conduzir e entregar jogo, aliando uma boa visão de jogo a qualidade no passe, para além de possuir uma técnica individual interessante. Um jogador de alta rotação que, ao que tudo indica, terá como destino o Calcio.

Jadson Vieira

Jadson Vieira, defesa-central, de 25 anos, é o líder do sector defensivo do campeão Danúbio, como também o capitão de equipa. Brasileiro do Rio Grande Sul acabou por fazer carreira no Uruguai, ingressando bastante jovem no Danúbio, clube que representa, como sénior, desde 2001, com uma pequena interrupção, de seis meses, entre Julho e Dezembro de 2005, em que jogou no Atlante, do México. Conhecido por "Xerife", com um físico impressionante - 1.92/86 -, destaca-se por ser um central muito forte no corpo a corpo, com bom poder de desarme e extremamente eficaz no jogo aéreo, não só em acções defensivas, como também em lances ofensivos, onde conquista várias bolas na sequência de lances de bola parada. Apesar de, normalmente, utilizar processos simples e práticos, jogando feio quando tem que o fazer, sabe sair a jogar e assumir uma primeira fase de condução ofensiva, mostrando soluções a nível do passe, normalmente curto, mas também no longo, quando procura um futebol mais directo, sobretudo em direcção aos avançados. Sem passado no seu País de origem, tem em carteira propostas de Flamengo e Corinthians, que o terão observado durante o primeiro semestre de 2007, mas é possível que o seu futuro passe pelo futebol argentino, de onde tem recebido várias propostas.

Ignacio González

Ignacio González, médio ofensivo, de 25 anos, é o médio criativo do campeão Danúbio, único clube que representou enquanto sénior. Internacional uruguaio, afirmou-se como uma das principais "estrelas" da competição, ao apontar 13 golos em 25 jogos, que lhe deram o 3º lugar entre os melhores marcadores, para além de ter sido o goleador-mor do campeão. Também conhecido por "Nacho", é um jogador criativo, que assume as funções de "nº10", mas que também gosta de cair para os flancos. Destaca-se por possuir uma capacidade técnica acima da média, que lhe permite criar desequilíbrios no um para um, mas que também alia a talento na condução e distribuição de jogo, mostrando-se eficaz no passe, o que lhe permite fazer várias assistências para golo. Contudo, mostra também dotes como goleador, como confirmam os seus 37 golos em 135 jogos na Liga, pois mostra-se particularmente forte em remates de fora da área ou à entrada desta, quer de pé direito, quer de pé esquerdo, para além de ser um bom marcador de lances de bola parada. Peca, contudo, em dois aspectos: é algo irregular, desaparecendo com alguma facilidade dos jogos, sobretudo quando sofre uma marcação mais forte ; e tem "cabeça quente", como comprovam vários amarelos e 2 expulsões no primeiro semestre de 2007, algo que deverá rever.

Carlos Grosmüller

Carlos Grosmüller, médio centro, de 24 anos, acabou por revelar-se como a grande revelação do campeão Danúbio. Internacional uruguaio nos escalões inferiores sentiu algumas dificuldades para se impor no futebol profissional, nunca se afirmando como titular no seu clube. Esta temporada deu-se a explosão: "Goma", como também é conhecido, marcou 10 golos em 30 jogos, o que justificou chamadas recentes à selecção principal do Uruguai. Médio centro, pode desempenhar funções defensivas, mas mostra-se mais desenvolto a sair para acções ofensivas, funcionando como principal apoio de "Nacho" González. Jogador dinâmico e rompedor, movimenta-se muito bem em acções com e sem bola, aparecendo com facilidade em posições de finalização. Possui também atributos de ordem técnica, para além de revelar capacidade para impor ritmos e distribuir jogo de forma eficaz, pois é eficaz no passe. A sua boa campanha não passou ao lado de clubes europeus e o "salto" poderá acontecer a breve prazo.

Pablo Lima

Pablo Lima, lateral-esquerdo, de 26 anos, é outra das figuras de proa do campeão Danúbio. Internacional uruguaio, impôs-se como titular do clube com apenas 20 anos, e, até hoje, só não jogou por lesão, somando 13 golos em 179 partidas na principal Liga uruguaia. Curiosamente, começou o Apertura 2006 lesionado, mas assim que recuperou do problema físico voltou à titularidade e não mais a largou. Lateral ou volante esquerdo de elevada propensão ofensiva, faz todo o corredor com grande facilidade, evidenciando velocidade e facilidade em conduzir jogo pelo flanco, desmarcando-se bem em acções com e sem bola. Eficaz nos cruzamentos, saem dos seus pés várias assistências para finalizações, mas também se destaca por possuir um bom remate de pé esquerdo. Por isso mesmo, revela-se um jogador perigoso em lances de bola parada: marca bem livres directos, como também livres laterais. Do ponto de vista defensivo não é tão eficaz, dando algum espaço nas suas costas, mas devidamente posicionado revela-se um defensor agressivo e com capacidade de desarme.

Diego Godín

Diego Godín, defesa-central, de 21 anos, uma das confirmações da temporada, apesar da decepcionante campanha do Nacional na temporada regular. Contratado ao Cerro, clube pelo qual se estreou com apenas 17 anos, no Verão de 2006, pegou de estaca no Nacional e ganhou espaço na Selecção, onde é titular. Defesa central muito seguro, defende bem por baixo e por cima, já que alia capacidade para jogar na antecipação com um bom poder de desarme e extrema qualidade no futebol aéreo, não só em situação defensiva, como também nas subidas ao ataque na sequência de lances de bola parada. Talhado para voos mais altos, tem já "mercado" na Europa, devendo apenas moderar a, por vezes, excessiva contundência com que aborda alguns lances.

Martín Cáceres

Martín Cáceres, defesa-central, de apenas 19 anos, uma das maiores revelações da temporada, já que se afirmou como titular da defesa do Defensor Sporting, somando 4 golos em 24 jogos. Referência da selecção sub-20 uruguaia, já foi contratado pelo Villareal, que o deverá emprestar na próxima temporada de forma a competir com regularidade. Apesar de não se tratar de um jogador com grande presença física - 1.79/71 - destaca-se por ser um central muito rápido e extremamente contundente na abordagem aos lances, muito eficaz nos desarmes por baixo, mas também com qualidade no futebol aéreo, tirando partido de um bom poder de impulsão e tempo de salto, importantes também na abordagem de lances de bola para ofensivos. Também conhecido por "Pelado", revela qualidades a sair a jogar, assumindo, em várias ocasiões, a primeira fase de construção ofensiva. Tem todas as condições para ser um dos grandes centrais da América do Sul na próxima década e poderá ser observado no próximo Mundial sub-20, onde irá liderar o sector defensivo da selecção uruguaia.

Nicolás Vigneri

Nicolás Vigneri, avançado móvel, de 23 anos, melhor marcador do Peñarol, 2º classificado do Campeonato, com 13 golos. Considerado, por muitos, como o jogador mais rápido e explosivo da Liga, é um especialista em diagonais das alas para o meio, o que lhe permite enquadrar-se como avançado móvel em 4x4x2 ou como falso extremo em 4x3x3. Desequilibrador nato, sabe fazer uso da sua velocidade e capacidade de desmarcação para aparecer em posições de finalização. No entanto, o seu jogo peca por excessiva irregularidade, desaparecendo com facilidade dos jogos e passando por fases de altos e baixos ao longo da época. Tem sido esse o factor fundamental para impedir o "salto" para o futebol europeu, mas já está referenciado por vários clubes.

Jorge Martínez

Jorge Martínez, também conhecido por "Malaka" Martínez, médio ofensivo, de 24 anos, do Nacional. Internacional uruguaio, protagonista de uma temporada irregular, alternou momentos medíocres, que lhe custaram a perda da titularidade, com outros em que fez a diferença, acabando a temporada com 6 golos. É um médio ofensivo, que actua tanto pelo centro, a "10" ou 2º avançado, como também sobre as alas, preferencialmente a esquerda. É um jogador com grande capacidade de distribuição de jogo, muito eficaz no passe, mas também capaz de números técnicos de enorme qualidade, que lhe permitem criar inúmeros desequilíbrios no 1x1 e decidir jogos em lances individuais, já que não evidencia qualquer receio em partir para cima dos adversários. Peca, contudo, por exagerar em individualismos e por jogar muito para a bancada, para além de revelar a já citada irregularidade exibicional, adicionada a alguns problemas de ordem física, sentindo algumas dificuldades em cumprir os 90 minutos em jogos disputados a um ritmo mais intenso.

Alvaro González

Alvaro González, também conhecido por "Tata" González, de 22 anos, foi outro dos protagonistas da temporada, ao serviço do Defensor Sporting, único clube que representou até hoje, e que justificou a sua chamada à Selecção principal. Talhado para voos mais altos, deverá dar o "salto" em breve, pois trata-se de um jogador polivalente, que desempenha com eficácia diversas funções: a sua posição de origem é médio interior, mas pode também jogar como volante lateral ou ala por qualquer das alas ou em posições mais centrais, quer como médio centro, quer como médio ofensivo ou segundo avançado. Dotado de uma boa capacidade técnica, trata-se de um bom condutor de jogo e assume essa missão, quer sobre o flanco, quer em posições mais centrais. Muito dinâmico, revela predicados a nível do passe e dos cruzamentos, realizando várias assistências para finalizações, tanto em bola corrida, como em bola parada. Apesar de não se tratar de um finalizador nato, procura a baliza, sobretudo em remates de fora da área. Possui também alguma capacidade defensiva, que lhe permite participar em acções de recuperação, mas é um jogador mais talhado para atacar do que defender.

Diego de Souza

Diego de Souza, médio, de 23 anos, "motor" ofensivo do Defensor Sporting, 3º classificado da Liga uruguaia. Também conhecido por "Pepe", trata-se de um jogador de características ofensivas, que tanto joga entre o centro e a esquerda, em funções de interior ofensivo, como também pode actuar como médio centro ou médio ofensivo. Apesar de algo pesado, é um jogador que sabe impor ritmos, mostrando capacidade para conduzir e distribuir jogo no meio campo ofensivo. Dotado tecnicamente, com boa visão de jogo e qualidade de passe, consegue aliar capacidade para realizar assistência para finalizações com um bom remate, sobretudo de fora da área, em lances de bola corrida e bola parada. Apontou 7 golos na Liga e foi uma das principais figuras na boa campanha da sua equipa na Copa Libertadores, onde caiu nos quartos-de-final da competição diante do Grêmio de Porto Alegre.

Alvaro Fernández

Alvaro Fernández, médio, de 21 anos, revelação do Torneio Clausura 2007, já que foi contratado pelo Montevideo Wanderers, no início do ano, ao modesto Atenas de San Carlos. Também conhecido por ‘El Flaco’, trata-se de um médio multi-funções, que tanto pode desempenhar funções mais defensivas, pois é lutador e revela uma boa capacidade para recuperar bolas, como também pode actuar mais avançado, em posições mais interiores, pois sabe sair a jogar e projectar a equipa ofensivamente, mostrando capacidades no passe e também no remate de fora da área, que lhe valeram 2 golos no Clausura.

Cristhian Stuani

Cristhian Stuani, avançado, de 20 anos, da "cantera" do Danúbio, foi emprestado durante o primeiro semestre de 2007 ao Bella Vista, 5º classificado no Campeonato, onde apontou 12 golos em 14 jogos. Talento precoce, presença regular nas selecções inferiores uruguaias, estreou-se na equipa principal do Danúbio com apenas 17 anos, mas faltou-lhe continuidade, o que conduziu ao empréstimo. Avançado rápido e móvel, que gosta de aparecer sobre as alas ou de se movimentar em semi-diagonais em direcção à área, trata-se de um avançado difícil de marcar e com uma interessante capacidade técnica, que lhe permite criar desequilíbrios, em espaços curtos, no um para um. Oportuno, finaliza com facilidade com os pés, mostrando frieza nos lances de um para um com os guarda-redes, como também um bom disparo cruzado. O seu futuro passa pelo regresso ao Danúbio, mas se lhe forem concedidas as oportunidades que lhe faltaram, não deverá ficar muito tempo na Liga uruguaia.

Nicolás Schenone

Nicolás Schenone, médio centro, de 21 anos, terá sido a maior revelação dos clubes da metade baixa da classificação da Liga uruguaia. Praticamente desconhecido mesmo no Uruguai, foi descoberto na Liga Universitária, em 2005, pelo Miramar Misiones, e depois de uma primeira época sem grande brilhantismo, assumiu um papel de revelo na temporada 2006/07, marcando 4 golos em 24 jogos. Actua, preferencialmente, como médio centro defensivo, com funções no futebol europeu similares às de um segundo trinco, ainda que possa também desempenhar o papel de médio mais recuado. Bem constituído do ponto de vista físico, trata-se de um bom recuperador de bolas, com capacidade de desarme e de pressão, ainda que, algumas vezes, excessivamente faltoso. Sabe sair a jogar, mostrando potencial a nível do passe, aparecendo também com grande facilidade em posições de remate, arriscando finalizações de fora da área, pois possui um bom disparo de meia distância. Não deverá demorar muito a dar o "salto" para um clube com maiores ambições.

Aldo Díaz

Aldo Fabián Díaz, avançado, de 32 anos. Avançado com um bom registo de golos em equipas pequenas, alcançou, finalmente, a glória de ser o melhor marcador da Liga 2006/07, ao apontar 15 golos, que acabaram por se revelar decisivos para a campanha tranquila do modesto Tacuarembó FC. Jogador experiente, também conhecido por "Canário", destaca-se sobretudo por ser muito batalhador e pelo sentido de oportunidade dentro da área, mas não foi por acaso que a quase totalidade dos seus golos surgiu contra as equipas da metade baixa da classificação. 14 dos seus tentos resultaram de remates com os pés, sendo que dois destes foram de grande penalidade.

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Toulon 2007: 43 jogadores para o futuro
domingo, 10 junho 2007

Geoffrey Jourdren Geoffrey Jourdren (França) . O melhor guarda-redes de Toulon 2007. Durante grande parte da época suplente do Montpellier, acabou a temporada como titular do clube da Ligue 2, destronando Laurent Pionnier, o habitual titular, realizando 12 partidas, para além de se ter estreado na Selecção sub-21 francesa num particular diante da Suécia. Apesar de não espantar pelo físico – 1.81 / 73 -, o guardião de 21 anos mostra muita segurança entre postes, relevando muita agilidade e elasticidade, que lhe permite controlar toda a baliza, protagonizando algumas defesas de excelente nível. Fora dos postes destaca-se mais nas saídas por baixo, pois é rápido e decidido a sair aos pés dos adversários, podendo trabalhar mais as saídas por alto, onde é capaz de boas intervenções, tirando partido de um bom tempo de saída, mas poderá ganhar maior consistência, sobretudo em intervenções fora da pequena área.

Benoît Costil Benoît Costil (França) . Guarda-redes de 19 anos, 1.87 / 83, contratualmente ligado ao Caen, foi o suplente de Jourdren, mas teve a oportunidade de jogar como titular diante da Alemanha (vitória 4-1) e do Japão (vitória 5-1). Com um percurso largo nos escalões de formação do futebol francês, foi titular dos sub-15, sub-16, sub-17, sub-18 e sub-19, tendo vencido o Europeu de sub-17 em 2004, para além de ter sido considerado o melhor guarda-redes do Torneio de Elite da UEFA de sub-19 em 2006. A nível do clube, ainda não se impôs como titular, defendendo a baliza da formação secundária do Caen, pela qual se sagrou campeão francês da 5ªDivisão (CFA2) em 2006/07. Bem dotado do ponto de vista físico, Costil mostra à vontade entre postes, onde evidencia excelentes reflexos e firmeza a blocar a bola, com potencial nas saídas, tirando partido da sua altura e bom poder de impulsão para desfazer cruzamentos de forma eficaz.

Zheng Cheng (China) . Guardião do Wuhan Guanggu, completou 20 anos no passado mês de Janeiro. Não é um guardião regular, pois alterna boas intervenções com outras em que não é tão eficaz, mas mostra uma boa constituição física aliada a excelentes reflexos e agilidade, que lhe dão segurança entre postes, onde também se destaca a defender grandes penalidades, uma das suas especialidades. Fora dos postes é menos seguro, necessitando de ganhar uma maior consistência, sobretudo nas saídas pelo ar fora da pequena área.

Mário Felgueiras Mário Felgueiras (Portugal) . Guarda-redes de 20 anos, 1.84 / 78, ainda contratualmente ligado ao Sporting, esteve emprestado nas duas últimas temporadas ao Sp. Espinho, onde, na última época, alternou a titularidade com o banco dos suplentes, somando, até ao momento, quatro dezenas de jogos na 2ªDivisão portuguesa. Apresenta uma assinalável segurança e confiança para um guardião jovem, evidenciando muita frieza entre os postes: é ágil, tem bons reflexos, elasticidade e sabe-se posicionar, protagonizando alguns voos felinos. Fora dos postes, também revela qualidades, quer nas saídas por baixo, quer nas saídas por alto, mostrando um bom controlo do espaço aéreo, assim como um bom tempo de saída aos lances. Denotam-se-lhe, principalmente, três defeitos: nem sempre se mostra concentrado, o que lhe custa alguns dissabores em lances aparentemente fáceis ; revela, por vezes, excesso de confiança nas decisões, sobretudo nas saídas por alto ; e, por fim, apresenta algumas deficiências a jogar com os pés, situação em que tem vindo a assinalar progressos. Ao invés, tem um bom jogo de mãos, colocando com facilidade a bola a longa distância, o que o torna num elemento importante no lançamento de contra-ataques.

Luís Mano Luís Mendes ‘Mano’ (Portugal) . Jogador polivalente, de 20 anos, presença regular nas selecções mais jovens, já com duas internacionalizações pelos sub-21, ainda não se conseguiu impor no Belenenses, tendo apenas realizado 4 jogos na Liga portuguesa. Actua tanto como médio interior como a lateral-direito, mas foi nesta última posição que se destacou em Toulon. Muito forte do ponto de vista defensivo, mostrou-se difícil de superar no um para um aberto sobre a faixa, aliando capacidade de pressão com um bom poder de desarme e facilidade em jogar na antecipação. Menos talhado para defender espaços centrais, fez-se valer de um bom sentido posicional e táctico para ganhar a frente ao adversário em acções interiores. Do ponto de vista ofensivo destacou-se menos, apenas subindo pelo seguro. Contudo, mostrou-se muito veloz e com capacidade para conduzir jogo pelo flanco e procurar a baliza adversária em remates de fora da área, mas poderá melhorar a eficácia a nível do passe e dos cruzamentos, onde necessita de ser mais incisivo.

Yassin Moutaouakil Yassin Moutaouakil (França) . Lateral-direito, de 20 anos, 1.80 / 73, é, desde há três épocas, utilizado de forma irregular no Châteauroux, da Ligue 2 francesa, onde ainda não se conseguiu impor como titular, apesar de já se ter estreado pela selecção sub-21 francesa. Trata-se de um jogador ainda por lapidar, capaz do melhor e do pior, necessitando de ganhar outra consistência e irregularidade, para fazer explodir, de forma definitiva, o seu potencial, aparentemente pouco trabalhado. Bem constituído do ponto de vista físico, mostra-se forte nas lutas corpo a corpo, para além de possuir um bom poder de desarme e de ser rápido a atacar a bola. Deve, no entanto, moderar alguns ímpetos excessivamente agressivos, que lhe custam alguns cartões, como também afinar melhor o tempo de entrada aos lances e o seu jogo posicional, nomeadamente a defender posições interiores. Do ponto de vista ofensivo gosta de arriscar, tirando partido da sua velocidade e capacidade física, mas deve trabalhar mais a capacidade de passe e de cruzamento, aspectos em que mostra alguma inconsistência.

Bai Lei (China) . Lateral-direito, de 20 anos, actua no Jilin. Uma das revelações da selecção chinesa, destacou-se, sobretudo, pela capacidade defensiva, dando consistência ao sector recuado. Bom marcador, revelou predicados a defender posições interiores e exteriores, tirando partido de um bom sentido posicional, como também de uma boa capacidade no desarme e, sobretudo, para jogar na antecipação, pois mostrou-se rápido e decidido a atacar a bola, ganhando a frente aos adversários. Do ponto de vista ofensivo arriscou muito pouco: quando o fez, mostrou velocidade, mas faltou-lhe agressividade para romper pelo meio-campo adversário, não se destacando no capítulo do passe e dos cruzamentos.

Mohamed Chakouri Mohamed Chakouri (França) . Defesa-central, de 21 anos, 1.81 / 73, actua no Montpellier, na Ligue 2 francesa, onde ainda não se conseguiu impor como titular absoluto no seu clube, mas, de época para época, tem vindo a ser chamado com maior regularidade à equipa principal, somando, até ao momento, 4 golos em 49 jogos, ao longo de três temporadas. Com um bom percurso nas selecções jovens francesas, destacou-se ao conquistar o Europeu de Sub-19 em 2005, numa competição onde fez dupla com Younes Kaboul, defesa do Auxerre, que deverá transferir-se para a Premier League este Verão. Defesa-central, habitualmente pela direita, destaca-se por ser muito forte do ponto de vista físico, ainda que não se trate de um central de grande envergadura, impondo-se, por norma, sobre os avançado, nos lances corpo a corpo, aliando uma boa capacidade de desarme, quer pelo chão, quer pelo ar, com um muito bom poder de antecipação, já que é um central rápido, que ganha a posição e a frente aos adversários, cortando linhas de passe. Poderoso no jogo aéreo, onde consegue aliar a sua altura a um bom poder de impulsão e a um excelente tempo de salto, revela-se eficaz no controlo do espaço aéreo defensivo e perigoso na subida ao ataque em lances de bola parada, atacando muito bem o primeiro poste, tirando partido do seu poder de antecipação sobre os defesas adversários. Rápido e agressivo a atacar a bola, pode, contudo, melhorar o tempo de entrada a alguns lances, já que, por vezes, comete algumas faltas, que lhe custam cartões amarelos, por excesso de ímpeto e contundência na abordagem aos lances. Extremamente pressionante, não raras vezes acompanha os avançados nas suas deslocações a espaços exteriores, procurando sempre fechar espaços e recuperar a bola. Do ponto de vista técnico, apesar de revelar facilidade no controlo de bola, não revela grandes atributos, jogando de forma prática e simples.

Gregory van der Wiel Gregory van der Wiel (Holanda) . Defesa-central ou libero, de 19 anos, 1.72 / 69, actua no Ajax, tendo já feito 4 jogos pela equipa principal em 2006/07. A sua baixa estatura apresenta-se como o principal óbice a uma afirmação absoluta na sua posição, já que desaconselha a sua utilização numa defesa tradicional a quatro, o que poderá levar a que no futuro seja enquadrado na zona central do terreno. Apesar de destro, joga com facilidade com os dois pés, mostrando uma capacidade técnica invulgar num jogador da sua posição, para além de uma grande frieza e segurança nas suas acções, saindo a jogar com grande facilidade, o que faz com que assuma, de forma regular, a primeira fase de construção do jogo da sua equipa. Muito eficaz no passe e com excelente visão de jogo, mostra facilidade no passe curto e médio, para além de potencial no passe longo, sobretudo em direcção às alas. Do ponto de vista defensivo, fruto da sua baixa estatura, sente algumas dificuldades no choque e no jogo aéreo em lances divididos, destacando-se mais pelo seu excelente jogo posicional e velocidade, ganhando vários lances na antecipação. Pressionante e inteligente, sai com facilidade de posição, mostrando grande à vontade a efectuar dobras.

Vasco Fernandes Vasco Fernandes (Portugal) . Defesa-central, de 20 anos, 1.81 / 74, regressou este ano ao Olhanense, após uma época na formação secundária do Bordéus. Fez uma boa época na Liga de Honra somando 25 jogos, que, juntamente com a sua boa participação em Toulon, lhe deverão valer nova experiência no estrangeiro, até porque estiveram emissários de clubes espanhóis e franceses a observá-lo durante a competição. Com alguns traços – físicos e no estilo de jogo – similares aos de Jorge Andrade, destaca-se por ser um central rápido e muito forte a jogar na antecipação, que ganha facilmente a posição aos adversários. Necessita, contudo, de se tornar mais consistente nas disputas de bola corpo a corpo, onde se revela, por vezes, excessivamente faltoso, mas mostra facilidade no desarme, tanto pelo chão, como pelo ar. Agressivo do ponto de vista ofensivo, tem um potencial técnico interessante, que lhe permite sair a jogar com facilidade, mas deverá resfriar um pouco os ânimos, já que sai de posição com facilidade. Bastante razoável no passe, poderá melhorar a sua eficácia no longo, já que o utiliza em várias ocasiões.

Mohammed West Yahaya (Gana) . Defesa-central ou trinco, de 19 anos, 1.79 / 77, pertence aos quadros do Tema Youth, 9º classificado da Premier League ganesa em 2006/07. Apontado como potencial reforço do Vitória de Guimarães, que o terá observado durante a competição, as suas boas exibições despertaram também o interesse de clubes franceses na sua aquisição. Apesar de não revelar uma envergadura física de monta, é um jogador muito forte no choque, muito forte em acções de marcação, tanto na zona central da defesa como a meio-campo. Forte no jogo aéreo, tirando partido de um bom poder de impulsão e tempo de salto, revela facilidade tanto no desarme como a jogar na antecipação, ainda que possa melhorar o tempo de entrada aos lances, já que se mostra, em algumas ocasiões, extremamente contundente na abordagem aos lances, tornando-se algo duro e faltoso. Com uma boa capacidade posicional, parece conhecer bem os terrenos que pisa, podendo ainda crescer a nível das saídas para jogo, onde lhe falta algum trabalho específico, o que acaba por afectar a sua consistência nesse item.

Nuno André Coelho Nuno André Coelho (Portugal) . Defesa-central, de 22 anos, 1.90 / 78, teve uma passagem discreta pelo Standard Liège, por empréstimo do FC Porto, em 2006/07, onde efectuou 10 jogos na Liga e 2 na eliminatória de acesso à Liga dos Campeões, diante do Steaua Bucareste. Depois de uma boa presença na edição passada de Toulon, onde fez uma excelente dupla com Manuel da Costa, este ano voltou a estar num plano muito interessante, ainda que tenha acusado um pouco a falta de ritmo de uma época com pouca competição. Bem constituído do ponto de vista físico e bastante alto, mostra-se forte no futebol aéreo, tanto em situação defensiva como na sequência de lances de bola parada ofensivos, para além de possuir uma boa capacidade de desarme, impondo-se com naturalidade no confronto físico, para além de ser rápido e agressivo a atacar a bola. Do ponto de vista técnico não arrisca muito, optando, muitas vezes, por processos simples e práticos, mas poderá melhorar a eficácia no controlo de bola.

Yohei Fukumoto Yohei Fukumoto (Japão) . Capitão da selecção japonesa, de apenas 20 anos, 1.81 / 68, actua como defesa-central, representando o Oita Trinita, da J League, onde ainda não se impôs como titular, mas que já lhe permitiu fazer mais de uma vintena de jogos no principal campeonato do seu País. É um defesa inteligente, com capacidade de liderança e que sabe liderar o seu sector defensivo, corrigindo posicionamentos e dando instruções aos colegas. O seu ponto forte é o jogo posicional, que lhe permite cortar linhas de passe e dobrar os colegas com grande facilidade, mas, quando necessário, assume funções de marcação, ainda que lhe falte alguma contundência na abordagem aos lances e no confronto físico, jogando com “pezinhos de lã”. Do ponto de vista técnico apresenta alguns argumentos, mas não gosta de arriscar e utiliza, por norma, processos simples. Ainda assim, é eficaz no passe curto e médio.

Zié Diabaté Zié Diabaté (Costa do Marfim) . Jovem de apenas 18 anos, que marcou presença no Mundial sub-17 de 2005, actua no IFER da Costa do Marfim. Apesar de actuar habitualmente como central pela esquerda, o facto de ser canhoto, permite-lhe também ser adaptado à lateral. Forte do ponto de vista físico, não teme o choque, mostrando-se forte em acções de marcação, aliando um bom poder de desarme a uma boa capacidade para atacar a bola em antecipação, ainda que necessite de melhorar o tempo de entrada aos lances, pois é, em algumas situações, demasiado contundente. É rápido e sabe sair a jogar, mostrando uma capacidade técnica interessante, que lhe permite assumir a primeira fase de construção de jogo ofensivo da equipa. Contudo, faltam-lhe argumentos em termos tácticos e posicionais, saindo de posição com muita facilidade, aspecto que terá que rever para atingir outro patamar. Por vezes, abusa num futebol mais directo, em que procura servir os avançados através de passes longos, necessitando de se conter um pouco mais a esse nível.

Thomas Mangani Thomas Mangani (França) . O melhor lateral-esquerdo de Toulon 2007, trata-se de um jogador com mais de 60 internacionalizações pelos escalões de formação do futebol francês, que representou nos sub-13, sub-15, sub-16, sub-17, sub-18 e sub-21, tendo-se destacado ao conquistar o Europeu de sub-17 em 2004, ao lado de vários colegas que marcaram presença em Toulon. Formando nas escolas do Mónaco, que o descobriu no Avignon, onde jogou ao lado de Samir Nasri, iniciou a carreira como defesa-central, mas acabou por ser adaptado à lateral-esquerda com sucesso. Tem 20 anos, 1.82 / 79, e na última época esteve emprestado ao Brest, da Ligue 2, onde teve pouco oportunidades: 13 jogos, 8 dos quais como titular. Lateral moderno, revela grande competência do ponto de vista defensivo, mas arrisca e cria desequilíbrios a nível ofensivo. Contudo, a sua maior preocupação é defender bem, não arriscando atrás, onde se revela prático, não temendo jogar feio quando necessário. Com forte capacidade de desarme, quer pelo chão, quer pelo ar, trata-se de um lateral marcador, que não concede espaços ao adversário directo, mostrando também um forte potencial a jogar na antecipação, cortando linhas de passe pelo chão e pelo ar. Dotado de um bom sentido posicional, revela-se eficaz na defesa de posições exteriores, como também a defender posições interiores, já que fruto da sua formação como central mostra um excelente domínio do jogo aéreo, acompanhando as deslocações dos alas para o centro ou funcionando como terceiro central quando necessário. Na defesa de posições exteriores revela-se duro e agressivo, por vezes até algo faltoso, apesar de se lhe denotar um óptimo tempo de entrada aos lances, mostrando também grande capacidade de pressão e de luta, sacrificando-se em prol do colectivo. Jogador rápido e com boas mudanças de velocidade, revela uma boa capacidade de desmarcação, sobretudo em acções sem bola, mas também com bola, já que é um muito razoável condutor de jogo ofensivo. Apesar de não ser brilhante tecnicamente, revela alguns bons apontamentos, mas o seu jogo ofensivo destaca-se mais pela força e pela velocidade que imprime sobre a faixa. Razoável no passe – é mais eficaz no curto, do que no médio e, sobretudo, no longo, onde necessita de trabalhar mais -, é um jogador que centra com facilidade, colocando a bola na área, saindo dos seus pés várias assistências para finalizações. Contudo, também neste pormenor poderá tornar-se mais consistente. É, também, um defesa com grande força de braços, mostrando-se perigoso a fazer lançamentos, já que coloca a bola a larga distância.

Pascal Bieler Pascal Bieler (Alemanha) . Lateral-esquerdo, de 21 anos, 1.81 / 73, pertence ao Hertha Berlim, onde ainda não teve oportunidade de se estrear pela primeira equipa, apesar de ser uma presença regular na equipa secundária desde 2003/04. Na última temporada foi emprestado ao Rot-Weiss Essen, realizando uma boa temporada na 2. Bundesliga, totalizando 33 jogos, todos como titular, que lhe permitem sonhar com voos mais altos na próxima época. Trata-se de um lateral de escola alemã, que se adapta com facilidade a esquemas de 4 defesas como também a sectores defensivos de 5, funcionando como volante lateral, fazendo todo o corredor. Bieler defende bem, tanto fora – onde é melhor – como dentro, mostrando agressividade e capacidade de desarme, tanto pelo chão como pelo ar. Com grande capacidade física, faz com facilidade todo o corredor, subindo e descendo com facilidade. Agressivo a atacar, sabe tirar partido da sua velocidade e sentido de desmarcação para progredir pela faixa, ainda que lhe falte alguma capacidade técnica para criar mais desequilíbrios no um para um. Com uma interessante capacidade de passe e nos cruzamentos, poderá, no entanto, tornar-se mais eficaz nesses itens.

Lorenzo Davids Lorenzo Davids (Holanda) . Irmão mais novo de Edgar Davids, tem 20 anos, 1.74 / 74, e actua no NEC Nijmegen, onde ainda não se conseguiu impor como titular, depois de ter feito a formação no Feyenoord, que não lhe deu oportunidades na equipa principal. Em Toulon, actuou como lateral-esquerdo, a posição onde mais gosta de actuar, mas pode desempenhar também as funções de médio-centro, interior esquerdo ou volante-médio ala esquerdo. Incansável do ponto de vista físico, corre os 90 minutos, subindo e descendo pela sua faixa, onde se mostra importante, tanto em acções defensivas, como também a atacar. Do ponto de vista defensivo defende bem posições exteriores, fazendo gala da sua agressividade e capacidade de pressão, para além da sua velocidade, o que faz com que seja difícil de bater no um para um. Necessita, contudo, de evoluir em termos tácticos e posicionais, pois sente algumas dificuldades em defender posições interiores, faltando-lhe também alguma capacidade no futebol aéreo. Do ponto de vista ofensivo, trata-se de um jogador agressivo, que ataca bastante e explora muito a faixa em acções com e sem bola. Rápido, potente e bem dotado do ponto de vista técnico, consegue criar desequilíbrios no um para um, mostrando também potencial no passe e nos cruzamentos, ainda que neste último item possa tornar-se mais consistente.

Tiago Gomes Tiago Gomes (Portugal) . Lateral-esquerdo, de 20 anos, 1.75 / 70, recuperou algum embalo em Toulon, depois de uma época muito fraca ao serviço do Estrela da Amadora, com o Ajax a mostrar-se interessado no seu concurso, numa altura em que parece certo que não fará parte dos planos do Benfica, com quem tem ainda contrato, para o futuro. Jogador “levezinho”, com claras limitações do ponto de vista físico, onde fica quase sempre a perder no choque, mostra-se sempre mais forte a atacar: é rápido, possui atributos de ordem técnica bastante interessantes e sabe conduzir jogo pelo flanco, evidenciando também alguma capacidade no passe e nos cruzamentos. Defensivamente irregular, concede espaços perigosos aos adversários, mas em Toulon esteve bastante razoável a defender posições exteriores, sobretudo em lances de um para um. No espaço interior sente dificuldades no jogo aéreo e deve melhorar o jogo posicional.

Youssouf Mulumbu Youssouf Mulumbu (França) . Natural de Kinshasa, capital do Congo, rumou bastante jovem a França, onde iniciou a carreira de futebolista no modesto Epinay sous Sénart, clube que lançou também os irmãos Jacques e Ricardo Faty – o último seu colega nesta selecção -, tendo sido descoberto por olheiros do Paris Saint Germain, onde chegou com 13 anos. Médio defensivo, de 20 anos, 1.77/65, já é conhecido em França como o “novo Makélélé”, devido às semelhanças físicas e no estilo de jogo com o jogador do Chelsea, tendo-se estreado, esta temporada, na equipa principal do PSG, actuando mesmo diante do Benfica, na Luz, partida em que foi expulso. Particularmente talhado para acções de recuperação, trata-se de um jogador evoluído em termos tácticos e posicionais, que se sabe colocar e faz, com grande eficácia, o trabalho “sujo” a meio campo, destruindo o jogo ofensivo do adversário e recuperando inúmeras bolas. Muito eficaz a nível do desarme, é mais forte pelo chão do que pelo ar, onde revela algumas dificuldades para se impor. Contudo, pelo chão sabe tirar partido da sua agilidade e da forma rápida e impetuosa com que ataca a bola, que lhe permitem também jogar com facilidade na antecipação, um dos pontos fortes do seu jogo, cortando linhas de passe. Em acções de construção utiliza processos simples e práticos, não complicando. Ágil, roda bem sobre os adversários, o que se revela importante, num primeiro movimento, de saída para o ataque, mas não gosta de ter muito tempo a bola nos pés, o que o leva a arriscar pouco em acções de construção, até porque não é muito evoluído tecnicamente. A nível do passe, opta, quase sempre, por curtos e médios para dar sequência às recuperações que efectua, lateralizando excessivamente em algumas situações. Necessita de trabalhar mais o passe longo, onde é pouco eficaz.

Mubarak Wakasu (Gana) . Médio centro ganês, de apenas 16 anos, actua no Ashanti Gold SC no seu país natal, que o descobriu, muito jovem, no Republican FC, clube de Tamale, a sua cidade natal. Fervoroso devoto de Alá, é uma presença regular na primeira equipa do AshGold, mostrando argumentos para dar o “salto”, em breve, para o futebol europeu, sabendo-se que o Tottenham é um dos clubes interessados na sua evolução. Médio de perfil misto, defende e ataca com facilidade, o que permite adaptá-lo, em caso de necessidade, a postos mais defensivos ou ofensivos a meio campo. Do ponto de vista defensivo destaca-se por ser forte fisicamente e pressionante, encurtando espaços aos adversários e recuperando bolas, fruto da sua boa capacidade de desarme e poder de antecipação, ainda que necessite de melhorar o tempo de entrada aos lances, já que abusa de jogo faltoso, o que lhe custa vários cartões. Rápido a sair para acções de ataque, assume a construção de jogo assim que recupera bolas, tirando partido do seu bom pé esquerdo. Com grande disponibilidade física, faz o vaivém defesa-ataque de forma incessante ao longo dos 90 minutos, mostrando uma boa técnica, como também qualidades no passe, que deverá refinar, sobretudo no que concerne a médio-longos.

Ricardo Faty Ricardo Faty (França) . Não atingiu o nível exibicional da edição passada, onde foi a figura-maior de Toulon 2006, acusando alguma falta de ritmo, que já evidenciara nos últimos jogos da Roma, aos quais foi chamado, sobretudo como suplente utilizado. Médio centro ou médio defensivo, também capaz de desempenhar funções de central ou interior, tem ainda 20 anos, 1.92 / 77, adapta-se com eficácia a acções de destruição ou de construção. Com uma agilidade pouco normal para um jogador da sua estatura, revela-se extremamente forte do ponto de vista físico, com uma energia inesgotável, que lhe permite correr os 90 minutos, e com grande capacidade de luta e trabalho a meio campo. Excelente recuperador de bolas, é um jogador com um enorme poder de desarme, quer pelo chão, quer pelo ar, com uma invulgar capacidade de pressão, já que parece estar em todo o lado, ocupando e encurtando muito bem os espaços, fruto de um excelente sentido posicional e táctico, que lhe permite também cortar muitas linhas de passe. Falta-lhe, contudo, moderar alguns ímpetos agressivos, já que é um jogador duro e algo faltoso, que não teme os lances divididos, atacando todos os lances com contundência. Muito rápido a atacar a bola, revela também um muito bom poder de antecipação, que contrasta com alguma lentidão, ainda que não excessiva, na recuperação no terreno. Extremamente forte no jogo aéreo, raramente perde um lance pelo ar, o que o torna também num jogador muito importante nos lances de bola parada, quer defensivos, quer ofensivos, já que conquista muitas bolas, ainda que raramente procure a baliza. Do ponto de vista ofensivo, assume a condução e distribuição de jogo assim que recupera uma bola, mostrando uma boa capacidade de movimentação e de condução de bola com o pé direito, ainda que possa utilizar processos mais simples, já que, em algumas situações, procura resolver tudo sozinho e complica, acabando desarmado. A nível do passe é algo irregular, sendo capaz de excelentes aberturas, através de passes curtos, médios ou longos (sobretudo variações de flanco), como também de falhar um passe simples ou exagerar em passes longos sem sentido. Integra com facilidade as manobras ofensivas e aparece em zonas próximas ou no interior da área, quer para participar em tabelas, uma das suas formas mais eficazes de progressão, quer para conquistar bolas para servir os avançados, faltando-lhe ganhar maior sentido de baliza e capacidade de remate.

Kevin-Prince Boateng Kevin-Prince Boateng (Alemanha) . Era, à partida, um dos jogadores sobre os quais recaiam mais olhares, com vários observadores de clubes ingleses, italianos e espanhóis interessados em seguir as suas prestações, mas uma lesão afastou-o, de forma prematura, de Toulon 2007. Médio defensivo ou médio centro, de 20 anos e origem familiar ganesa, 1.84 / 79, foi utilizado em 21 jogos na última Bundesliga pelo Hertha Berlim, aos quais juntou participações na Taça UEFA e na Selecção sub-21 alemã. Forte do ponto de vista defensivo, trata-se de um bom recuperador de bolas, com capacidade no desarme e nas lutas corpo a corpo, onde se impõe, sem grande dificuldade, fazendo uso do seu elevado poder físico. Contudo, revela-se excessivamente agressivo e contundente na abordagem a alguns lances, cometendo algumas faltas infantis, aspecto que terá que rever. A sua acção, no entanto, está longe de se cingir a aspectos defensivos: muito disponível do ponto de vista físico, corre os 90 minutos, mostrando grande à vontade nas saídas para o ataque, aliando velocidade e potência física a uma técnica individual interessante, que lhe permite criar desequilíbrios no um para um. Com alguma capacidade de passe, necessita de se tornar mais constante nesse prisma, já que tem uma certa tendência para precipitar-se, mas é capaz também de óptimas aberturas. Aparece com facilidade em posições de remate, mostrando um disparo potente, tanto na sequência de movimentações com bola como também sem bola.

Jeffrey Sarpong Jeffrey Sarpong (Holanda) . Médio centro, de 18 anos, 1.73 / 67, trabalha com o plantel principal do Ajax há duas épocas, depois de ter dados nas vistas nos escalões inferiores do clube e da selecção holandesa. Na última época, contudo, não efectuou qualquer partida pela equipa do Ajax, não dando sequência aos 9 jogos efectuados em 2005/06, 4 deles como titular. No entanto, nota-se um crescimento do jogador, muito provavelmente devido a trabalho específico realizado no laboratório (Ajax II), que o tornou num médio de perfil mais equilibrado, como notória evolução no capítulo defensivo. Está agora um jogador mais lutador e trabalhador, que pressiona os adversários e recupera bolas, ocupando melhor os espaços, mas que continua a revelar-se muito eficiente nas saídas para o ataque: rápido e ágil, roda bem sobre os adversários, possuindo uma boa técnica individual e uma boa visão de jogo, com argumentos a nível do passe, que lhe permitem assumir a condução e distribuição de jogo ofensivo, mostrando também argumentos no remate, sobretudo de fora da área, ainda que possa melhorar o enquadramento.

Wout Brama Wout Brama (Holanda) . Médio centro organizador, que pode também desempenhar as funções de médio interior, preferencialmente sobre a direita. Tem 20 anos, 1.70 / 65, e actua no FC Twente, da Eredivisie, onde esta temporada se revelou muito irregular, depois de ter sido uma das revelações da época 2005/06 do futebol holandês. Jogador inteligente e de bom toque de bola, destaca-se pela facilidade com que organiza e distribui jogo, tirando partido de uma boa capacidade no passe e de boa visão de jogo, com muito interessante leitura das desmarcações dos colegas e óptima selecção do tempo de passe. Tecnicamente dotado, apesar de destro, utiliza com facilidade o pé esquerdo, falta-lhe, contudo, explosão e velocidade para criar mais desequilíbrios no um para um, actuando, quase sempre, num registo mais pausado e em espaços curtos, o que faz com que apareça pouco em posições de remate. Do ponto de vista defensivo, apesar de uma interessante ocupação dos espaços, que lhe permite cortar linhas de passe, mostra-se pouco agressivo e pouco eficaz no desarme, para além de ser algo frágil no contacto corpo a corpo, ficando, por norma, a perder nas disputas de bola.

Eugen Polanski Eugen Polanski (Alemanha) . Médio centro, de origem polaca, de 21 anos, 1.83 / 74, é já uma presença regular na primeira equipa do Borussia Mönchengladbach, pela qual efectuou cerca de 50 jogos nas duas últimas épocas, para além de ser habitual titular da Selecção sub-21 germânica. Jogador de equipa, muito lutador, trabalhador e de grande capacidade física, evidencia uma muito boa colocação no terreno, que lhe permite cortar linhas de passe, mas também é eficiente em acções de desarme, sobretudo pelo chão, onde se mostra agressivo a atacar a bola, devendo melhorar o seu jogo aéreo, nomeadamente em lances divididos. Eficaz também nas saídas para acções ofensivas, assume a construção de jogo ofensivo quando é necessário, ainda que, quase sempre, num ritmo pausado, já que lhe falta velocidade e capacidade de aceleração com a bola nos pés. Destro, possui uma técnica individual muito boa, como também uma boa visão de jogo e capacidade de passe: mais forte no curto e médio, deverá ganhar maior acutilância no longo, sobretudo quando procura um jogo mais directo ou em direcção às faixas. Possui também um bom remate de fora da área, mas necessita de melhorar o enquadramento.

Chen Tao Chen Tao (China) . Médio ofensivo, de 22 anos, 1.78, actua no Changsha Ginde, clube da SuperLiga chinesa, onde é habitual titular, o que já justificou chamadas à selecção principal. Foi uma das figuras de Toulon 2007, ao apontar 2 golos e realizar 2 assistência para golo, o que comprovam a sua preponderância no jogo ofensivo da sua equipa, que conduziu à final da competição. Jogador sem capacidade defensiva, que não gosta de correr atrás da bola e não cumpre tarefas tácticas, trata-se de um “10” à moda antiga, totalmente virado para acções de ataque. Exímio na execução de lances de bola parada, marca-os todos, tanto directos – fortíssimo em livres em zonas próximas da área -, como indirectos, já que coloca a bola com grande facilidade na área, mostra-se também muito forte com a bola nos pés: possui uma capacidade técnica fantástica, escondendo a bola com grande facilidade, como também cria desequilíbrios no um para um, o que lhe permite ganhar muitas faltas em zonas próximas da área. Mostra talento no passe, não só curto, mas também médio-longo, saindo dos seus pés excelentes passes de ruptura ou aberturas para a desmarcação dos avançados.

Thierry Doubai Thierry Doubai (Costa do Marfim) . Médio ofensivo ou médio ala direito, pode também desempenhar funções de médio interior direito ou médio centro, de apenas 18 anos, 1.79/74, actua no Athletic Club d’Adjame, do seu país natal, mas mostrou talento para viajar, em breve, para o futebol europeu. Sem grandes argumentos de ordem táctica e posicional, pois não se mostra talhado para correr atrás da bola ou fechar espaços, trata-se de um jogador anárquico, e que, por isso mesmo, alterna momentos de grande fulgor, em que cria desequilíbrios, com outros em que desaparece do jogo e acaba por se esconder. Com a bola nos pés é um médio ofensivo muito interessante: muito rápido e com boa técnica, parte para cima dos adversários com facilidade e tem uma boa capacidade de drible, que lhe permite criar desequilíbrios num um para um, ainda que se exceda em iniciativas individuais, mostrando também talento no passe, sobretudo curto e médio, que lhe permite assumir a coordenação de acções de condução e distribuição de jogo, como também fazer assistências para acções de finalização com alguma facilidade. Aparece também com facilidade em posições de remate, na sequência de movimentos com e sem bola, mostrando um bom disparo de pé direito.

Ousmane Kader Touré (Costa do Marfim) . Extremo direito, de 20 anos, actua no EFYM, do seu país natal. Jogador extremamente rápido e de boa técnica, assume, com facilidade, a condução de jogo pelo flanco, mostrando-se talhado para actuar num 4x3x3. Forte no um para um, parte, com facilidade, para cima dos adversários, criando desequilíbrios, mostrando-se também forte nos auto-passes, de forma a tirar partido da sua capacidade de explosão e mudanças de velocidade, mas necessita de espaços para explanar melhor o seu futebol, o que o torna mais perigoso em contra-ataque do que em ataque continuado. Deverá trabalhar mais as diagonais, aspecto em que se pode revelar mais forte, pois tem tendência para jogar aberto sobre o flanco e para procurar a linha de fundo, evidenciando uma capacidade interessante para efectuar cruzamentos em direcção à área. Do ponto de vista defensivo é pouco cumpridor, já que não revela grande apetência para fechar as subidas dos laterais adversários.

Tim Vincken Tim Vincken (Holanda) . Extremo direito, de 20 anos, 1.74/65, foi utilizado, muitas vezes, como “arma-secreta” do Feyenoord ao longo da última temporada, somando 23 partidas na Eredivisie, 18 das quais como suplente utilizado. Com passado nas selecções inferiores holandesas, tinha muitos olhares sobre as suas prestações, mas acabou por revelar-se uma semi-desilusão, mostrando muita intermitência a nível exibicional: alguns momentos de fulgor alternados com largos períodos de distância em relação ao jogo. O ponto forte do seu jogo é a velocidade, mostrando uma impressionante capacidade de aceleração, mas nem sempre a utiliza da melhor forma, já que tem uma tendência para individualizar as acções, perdendo-se em fintas e adornos, acabando por ser desarmado, pois é extremamente frágil do ponto de vista físico. Com a bola nos pés ou em movimentos de desmarcação sem bola mostra uma tendência excessiva para procurar diagonais, raramente se mantendo aberto na ala, o que faz com que efectue poucos centros em direcção à área, aspecto em que terá que se tornar mais acutilante. Em zona de finalização, necessita de se revelar mais frio, mas aparece com facilidade para conclusões ao segundo poste. Pouco dado a correr atrás da bola, não mostra grande apetência para fechar as subidas dos laterais adversários.

Vieirinha Vieirinha (Portugal) . Extremo, de 21 anos, 1.73/73, sagrou-se campeão pelo FC Porto em 2006/07, efectuando 8 jogos na Liga, nenhum deles completo, já que foi apenas uma vez titular: na recepção ao Estrela da Amadora (derrota 0-1). Em Toulon, acusou um pouco a falta de ritmo, já que desde Fevereiro apenas realizara um jogo, mas mostrou, como é seu timbre, excelentes pormenores de ordem técnica, ainda que nem sempre consequentes, pois continua a revelar uma tendência excessiva para adornar os lances e individualizar as acções. Jogador rápido e de muito boa técnica, parte, sem receios, para cima dos adversários, criando inúmeros desequilíbrios no um para um, mostrando capacidade para conduzir jogo sobre o flanco, quer em direcção à linha de fundo, quer para romper em diagonais para o meio, para depois procurar finalizações com o pé direito, algumas delas de belíssimo efeito. Com potencial a nível do passe e dos cruzamentos, pode tornar-se mais constante nessas acções, mas dos seus pés saem várias assistências para finalizações. Algo limitado do ponto de vista físico, sente dificuldades no choque, saindo quase sempre a perder em lances divididos, para além de não revelar grande apetência para participar em acções defensivas, aspecto que deverá melhorar. Em 2007/08 deverá rodar num clube da Liga: Leixões e Vitória de Guimarães, curiosamente o clube onde se iniciou, parecem ser os melhores colocados para um eventual empréstimo.

Patrick Ebert Patrick Ebert (Alemanha) . Médio ala, actua preferencialmente aberto à esquerda, ainda que possa assumir idênticas funções à direita. Jogador de 20 anos, 1.75 / 72, é já presença habitual na primeira equipa do Hertha Berlim, tendo na última temporada apontado 2 golos em 19 partidas na Bundesliga. Muito bom condutor de jogo sobre o flanco, assume esse papel sem receios, aliando velocidade a uma capacidade técnica interessante, tirando partido de utilizar com facilidade os dois pés, o que lhe permite criar desequilíbrios no um para um, ainda que prefira progredir através de tabelas, de forma a tirar partido da sua capacidade de aceleração e bom poder de desmarcação. Forte no passe lateral, mostra-se também à vontade a fazer a bola circular para posições interiores, mais à base de toques curtos e médios, para além de ser muito eficiente nos cruzamentos, colocando a bola com grande facilidade na área. Possui um bom remate, tanto de dentro, como de fora da área, mostrando também um potencial interessante no futebol aéreo, mesmo não sendo muito alto. Com um “pulmão” inesgotável, corre os 90 minutos, ajudando também nos processos defensivos, fechando bem o seu flanco.

Bruno Gama Bruno Gama (Portugal) . Extremo, tanto pela esquerda, como pela direita, de 19 anos, 1.77 / 72, regressou na última época ao Sp. Braga, depois de dois anos no FC Porto, mas o seu rendimento ficou aquém das expectativas: apenas um jogo completo, em 5 como titular, e um golo diante do Slovan Liberec, em jogo a contar para a fase de grupos da Taça UEFA. Jogador de enorme talento, com uma capacidade técnica e de drible assinalável, capaz de decidir um jogo numa acção, peca por uma exasperante irregularidade, que faz com que desapareça com enorme facilidade dos jogos, para além de ter uma tendência excessiva para individualizar e adornar as suas acções, acabando por ser desarmado ou carregado em falta, pois é algo frágil do ponto de vista físico. Muito forte na execução de lances de bola parada, tanto directos – em zonas próximas da área, sobretudo descaídas para o centro/esquerda -, como indirectos, já que coloca a bola com grande facilidade na área, tratando-se de um jogador forte nos cruzamentos e nos passes, capaz de realizar várias assistências para finalizações. Com grande capacidade para conduzir jogo ofensivo sobre o flanco, sabe romper em diagonais da ala para o meio com a bola nos pés, aliando velocidade à sua capacidade técnica, mostrando facilidade de remate de pé direito, protagonizando remates de excelente execução, sobretudo ao poste mais distante.

Tsukasa Umesaki Tsukasa Umesaki (Japão). Médio ala esquerdo, de 20 anos, 1.67 / 64, já internacional A pelo Japão, pertence aos quadros do Oita Trinita – 3 golos em 28 jogos em pouco mais de um ano -, que o emprestou nos últimos cinco meses ao Grenoble, da Ligue 2 francesa, onde não se conseguiu impor. Foi o melhor jogador do Japão em Toulon 2007, destacando-se pela velocidade e capacidade técnica, que lhe permitiram criar desequilíbrios no um para um, tirando também partido do facto de usar os dois pés, em contraste com o físico franzino, a deixá-lo, quase sempre, em desvantagem, em situações de choque, mas que não o impede de ajudar em acções defensivas, fechando espaços e pressionando. Forte a assumir a condução de jogo pelo flanco, mostra inteligência na gestão do tempo do passe, o que lhe permite marcar os ritmos: sabe acelerar o jogo, sobretudo no lançamento de ataques rápidos ; como também sabe pausá-lo, fazendo a bola circular em ataque organizado. É, por isso, um jogador com grandes virtudes no passe, colocando, várias vezes, os avançados em posição de remate. Poderá tornar-se mais acutilante a nível do remate, não só em bola corrida, mas também em bola parada.

Alexandre Bonnet Alexandre Bonnet (França) . O melhor jogador de Toulon 2007. Médio ala ou extremo-esquerdo, de 20 anos, 1.73/65, foi descoberto por olheiros do Toulouse no Niort B, rumando ao clube da Ligue 1 no Verão de 2005, depois de ter ultrapassado um curto período experimental. No primeiro ano, apesar de ter trabalhado frequentemente com a equipa principal, foi utilizado na equipa secundária, sendo que na última época já mereceu oportunidades na primeira equipa, realizando 13 jogos na Liga e 2 na Taça da Liga – onde marcou um golo na vitória no terreno do Nantes, o que acabou por justificar chamadas à selecção sub-21 francesa, pela qual se estreou, em Novembro de 2006, marcando um golo na vitória na Suécia (4-2). Médio ala esquerdo de origem, pode também ser utilizado à direita ou mesmo em posições mais centrais, estando mais habituado a ser utilizado em esquemas de 4x4x2, mas pode ser também adaptado ao posto de extremo em 4x3x3. Trata-se de um desequilibrador nato, extremamente rápido, capaz de acelerar jogo, imprimindo ritmos fortes e muito boas mudanças de velocidade. Capaz de executar em velocidade, revela inúmeros predicados na condução de jogo ofensivo, normalmente aberto na ala, saindo rápido para acções de ataque, como também se revela um jogador que assume e procura jogo, estando constantemente em acção e em busca da bola. Dotado de um bom controlo de bola – recebe, sem dificuldades, de primeira – e muito bem dotado tecnicamente, é capaz de pormenores deliciosos, como também de criar desequilíbrios no um para um, partindo, sem receios, para cima dos adversários, revelando também qualidades no drible curto, que lhe permitem, ganhar espaço em progressão, como também conquistar várias faltas em zonas laterais, pois não é fácil travá-lo. Capaz de ganhar a linha de fundo inúmeras vezes ao longo do jogo, mostra também inteligência na exploração de diagonais da ala para o meio, em acções com e sem bola, abrindo espaços para combinações com o lateral, a quem abre espaço no corredor. Muito dinâmico e extremamente móvel, apesar de gostar de ter a bola nos pés, revela grande sentido colectivo, destacando-se também por ter uma boa visão de jogo, que alia a uma boa capacidade de passe e eficácia nos cruzamentos – pode evoluir ainda neste aspecto técnico -, não só em bola corrida, como também em bola parada, já que bate bem livres laterais e pontapés de canto, colocando a bola com grande facilidade na área. É, também, um jogador capaz de segurar jogo e temporizar, mostrando uma boa selecção do tempo de passe, que lhe permite fazer várias assistências para finalizações. Apesar das suas características serem, sobretudo, ofensivas, trata-se de um jogador que sabe defender, mostrando sentido táctico e posicional ao fechar o flanco, funcionando quase como um segundo lateral, impedindo as subidas do lateral adversário. Contudo, a sua acção não é meramente de acompanhamento: revela capacidade de recuperação de jogo, pois é muito lutador e pressionante, fechando espaços e cortando linhas de passe, como também, fruto de um muito razoável poder de desarme pelo chão e de um bom poder de antecipação, tirando partido da sua grande agilidade, consegue desarmar os adversários. Para além disso, é um especialista a “matar” jogo, cometendo várias “pequenas” faltas, que travam a partida do adversário para ataques rápidos. Apesar de ser frágil do ponto de vista físico, sentindo evidentes dificuldades no choque com os adversários, não teme lances divididos e luta até à exaustão, sendo que o facto de estar permanentemente em movimentação e acção faz com que sinta dificuldades em completar os 90 minutos, sendo, por norma, substituído quando é titular, necessitando de uma maior gestão de esforço. A nível de carências revela-se também algo frágil no futebol aéreo, fruto da sua baixa estatura, como também procura pouco a baliza adversária, quer em remates de fora da área, quer dentro desta, onde aparece pouco, apesar da sua boa capacidade de antecipação sobre os defesas. Apesar de canhoto, o seu pé direito não é totalmente cego, o que o ajuda na criação de desequilíbrios, alargando-lhe o leque de soluções no um para um.

Yu Hai Yu Hai (China) . Médio ala ou extremo esquerdo, revelado pelo Xian Chanba, actua no Vitesse, que o contratou a meio da última época, mas não se conseguiu impor ainda no futebol holandês. Tem 20 anos, 1.83 / 70, e é uma das principais esperanças da China para os Jogos Olímpicos de 2008, podendo também ser adaptado a outras funções, quer pelo meio, quer sobre a direita, onde não se sente tão à vontade. O seu jogo destaca-se pela capacidade que possui para criar desequilíbrios sobre a ala, tratando-se, no entanto, de um jogador mais perigoso com a bola nos pés, do que em movimentações sem bola, onde se mostra um pouco “verde”, mas tem condições para progredir. Rápido e sempre disponível para intervir no jogo, mostra facilidades na recepção e no controlo, como também conduz bem jogo pelo flanco, aliando uma interessante capacidade técnica com uma excelente visão de jogo, que lhe permite fazer várias assistências para finalização, a partir de passes e, sobretudo, de cruzamentos, um dos aspectos mais fortes do seu jogo. Em algumas situações, procura também remates de fora da área ou conclusões em diagonal, mas deverá trabalhar mais o enquadrado. Do ponto de vista defensivo é pouco participativo, necessitando de evoluir na interpretação do jogo em termos tácticos e posicionais, tanto em situação defensiva como ofensiva.

Ashkan Dejagah Ashkan Dejagah (Alemanha) . Jogador de características ofensivas, fez grande parte da formação como avançado solto, posição em que jogou em Toulon, mas no clube actua preferencialmente como médio ala ou extremo, tanto na esquerda como na direita, aparecendo também como médio ofensivo, posições que parecem enquadrar-se melhor com as suas características. Tem 20 anos, 1.81 / 74, origem iraniana, mas naturalizou-se alemão. Foi uma das revelações da segunda metade da Bundesliga em 2006/07, ao apontar 1 golo em 22 jogos pelo Hertha Berlim, mas em Toulon esteve um pouco abaixo das expectativas, também porque abusou de iniciativas individuais, algo que não costuma acontecer no clube. Poderoso do ponto de vista físico, trata-se de um jogador muito rápido e potente, que gosta de descair para as faixas, onde o seu rendimento cresce, sobretudo quando explora as diagonais de fora para dentro. Com capacidade para conduzir jogo, tirando partido de uma boa capacidade técnica, mostra-se também forte no passe – progride bem através de tabelas - e eficaz nos cruzamentos, colocando a bola com grande facilidade na área, pois lê bem as desmarcações dos seus colegas, tirando partido de uma boa visão de jogo. Com grande sentido de baliza, tem um disparo violento com ambos os pés – o direito é o melhor -, que utiliza com facilidade de fora da área, como também dentro desta, sobretudo após acções de desmarcação, em remates cruzados ou em finalizações ao segundo poste. Jogador intenso, corre os 90 minutos, ajudando também em acções defensivas.

Loïc Rémy Loïc Rémy (França) . Avançado, de 21 anos, 1.84/66, é a principal estrela da formação secundária do Lyon, mas já teve a oportunidade de jogar pela equipa principal em 2006/07, actuando em 9 partidas, entre Ligue 1, Liga dos Campeões, Taça de França e Taça da Liga. Ao serviço do Lyon actua mais sobre as faixas, sobretudo na direita, mas na selecção desempenhou – e bem – as funções de segundo avançado, com liberdade para aparecer tanto na área como sobre as faixas, criando, com as suas acções, inúmeros desequilíbrios. Extremamente móvel, trata-se de um jogador que não pára um segundo em situação ofensiva, movimentando-se constantemente em busca de desmarcações sem bola, como também na exploração de movimentações com bola, seja em diagonais, seja de trás para a frente. Apesar de algo leve, cresceu em termos de potência física, o que lhe permite conquistar mais disputas de bola, como também jogar, com grande eficácia, de costas para a baliza, tirando partido da sua agilidade para rodar sobre os adversários, o que o torna num jogador muito perigoso em movimentos curtos. Muito rápido e dotado de uma técnica individual muito interessante, sabe acelerar o jogo, como também criar desequilíbrios no um para um, pois possui uma grande capacidade de drible curto, rodando bem sobre os adversários, mas não individualiza nem adorna demasiado as suas acções, mostrando sempre sentido colectivo, nomeadamente nas combinações com o avançado mais fixo, já que é inteligente a executar tabelas. Revela também predicados no último passe, executando várias assistências para finalização, quer a partir das alas, quer em posição central, para além de aparecer muito bem na área a finalizar, sobretudo através de remates cruzados de pé direito, mas regista uma evolução no trabalho com o pé esquerdo, que está longe de ser cego. Participa também em acções defensivas, pressionando os oponentes ainda no meio campo adversário.

Jiang Ning Jiang Ning (China) . Uma das revelações de Toulon 2007, onde foi o melhor marcador da selecção chinesa, ao apontar 3 golos. Avançado, de 20 anos, actua no Qingdao Zhongneng, e poderá ser uma das surpresas das próximas Olimpíadas. É um jogador muito móvel e eléctrico, que mesmo actuando como unidade mais avançada da equipa, não pára um segundo e está sempre a procurar movimentações, muitas vezes de dentro para fora, já que gostar de aparecer sobre as faixas. Dotado de um bom controlo de bola e de uma técnica individual muito interessante, sabe tirar partido da sua agilidade para rodar sobre os defesas adversários em movimentos curtos, mostrando também capacidade para romper em diagonais, tirando partido da sua velocidade e capacidade de desmarcação, que o torna num avançado muito perigoso em acções de contra-ataque. Oportuno dentro da área, está sempre atento a uma eventual desmarcação ou ressalto, mostrando sentido de baliza e facilidade de remate com o pé direito.

Abdoul Razak Boukari Abdoul Razak Boukari (França) . Avançado polivalente, nasceu em Lomé, no Togo, e é filho de um antigo internacional togolês. Tem 20 anos, 1.82/76, e foi revelado pelo Châteauroux, onde apareceu na primeira equipa com 17 anos. Uma excelente temporada em 2005/06, assim como o seu bom rendimento nas selecções jovens francesas, abriu-lhe as portas do Lens no Verão de 2006, tendo realizado 29 jogos na Ligue 1 na última época, ainda que 21 destes tenham sido na condição de suplente utilizado. Na selecção actua como avançado, ora mais ao centro, ora sobre uma das alas, preferencialmente a esquerda, apesar de se tratar de um jogador destro – não totalmente cego de pé esquerdo -, mas no seu clube é utilizado, muitas vezes, como volante lateral, fazendo todo o corredor. Trata-se de um jogador que se destaca pela velocidade e potência, revelando-se extremamente forte a romper de trás para a frente ou em diagonais, o que lhe permite aparecer, várias vezes, em posição de finalização, necessitando de ganhar uma maior consistência a nível do remate, onde alterna com facilidade o bom com o medíocre. Do ponto de vista técnico apresenta argumentos interessantes, ainda que se destaque mais pelos ritmos fortes que imprime em progressão, para além de se tratar de um jogador com grandes argumentos de ordem física, que se impõe em situações de choque, como também demonstra facilidade a proteger a bola e a escondê-la dos adversários.

Emmanuel Clottey Emmanuel Clottey (Gana) . Avançado ganês, de 19 anos, 1.70/72, actua no seu país ao serviço do Accra Great Olympics, onde tem vindo a revelar dotes de goleador, pois já somou mais de uma dezena de golos na Primeira Liga ganesa. Apesar da sua pouco imponente estrutura física, pode actuar na frente do ataque, mas gosta de ter mobilidade para aparecer em posições exteriores, sobretudo sobre as alas, para depois romper em diagonais para a área. Trata-se de um avançado extremamente rápido, capaz de imprimir impressionantes mudanças de ritmo, e que é também capaz de executar em velocidade, mostrando atributos de ordem técnica muito interessantes, nomeadamente uma boa capacidade de drible curto, que lhe permite criar desequilíbrios no um para um, ainda que, em algumas situações, exagere em individualismos. A sua capacidade de desmarcação, sobretudo em diagonal, permite-lhe também isolar-se através de tabelas, iniciando e finalizando as jogadas, após combinação com outro jogador. Apesar de destro, mostra facilidade a rematar com os dois pés, não só em finalizações dentro da área, onde revela um excelente sentido de oportunidade, sentido de baliza e uma boa capacidade de antecipação sobre os defesas, como também de fora da área, em lances de bola corrida ou de bola parada. A Europa não deverá demorar a ser o seu destino.

Kevin Gameiro Kevin Gameiro (França) . Melhor marcador da competição e também melhor jogador para a organização de Toulon, apontou 5 golos, 3 dos quais na final diante da China, mesmo não tendo começado a competição como titular absoluto. Actua no Estrasburgo, onde ainda não se conseguiu impor – 3 golos em 16 jogos na Ligue 2 em 2006/07 -, tem 20 anos, 1.68 / 64. Apesar das suas características físicas pouco imponentes, trata-se de um jogador que se sente muito à vontade na área, que pode ser caracterizado com a expressão “rato de área”. Oportuno, sabe aparecer no sítio certo para desviar a bola para a baliza, muitas vezes a um-dois toques, revelando também um bom poder de antecipação sobre os defesas adversários, ganhando-lhes facilmente posição. Rápido e móvel, pode aparecer também sobre as faixas ou nas costas de um avançado mais fixo, ainda que não se destaque por adornos técnicos, mas muito mais pela capacidade de movimentação e de desmarcação, tanto de fora para dentro, como de dentro para fora.

Carlos Saleiro Carlos Saleiro (Portugal) . Avançado, de 21 anos, 1.85/79, pertence aos quadros do Sporting, mas esteve emprestado nas duas últimas temporada ao Olivais e Moscavide, onde, na última época, apontou 4 golos em 24 partidas, sendo que apenas três foram completas. Apesar de ter ficado em branco em Toulon, trata-se de um avançado muito interessante, que tem vindo a evoluir como jogador, podendo atingir outro patamar. Actua, preferencialmente, na área, mas possui uma boa capacidade de movimentação, que lhe permite procurar espaços exteriores, quer sobre as alas, quer fora da área em espaços centrais, mostrando inteligência e elegância nas acções, sobretudo a proteger a bola de costas para a baliza: domina-a bem, sabe escondê-la do adversário, temporizar e efectuar uma entrega inteligente, com passes curtos e médios eficazes, tirando partido também da sua agilidade e capacidade para rodar sobre os adversários. Tecnicamente dotado, consegue ganhar alguns lances no um para um, sobretudo em espaços curtos, para além de evidenciar velocidade de movimentos, muito útil em ataques rápidos. Dentro da área também apresenta argumentos como finalizador, mas falta-lhe uma maior frieza – e menos ansiedade – no momento do remate.

Yasuhito Morishima Yasuhito Morishima (Japão) . Avançado-centro, de 19 anos, 1.86 / 80, tem começado a jogar com regularidade no Cerezo Osaka, actualmente na J-League 2, onde marcou o seu primeiro golo na última partida antes de rumar a Toulon, devendo marcar presença no próximo Mundial sub-20. É um jogador de área, muito interessante, que se destaca pela sua capacidade de finalização, que lhe valeu um “bis” diante da Alemanha: tem um remate forte e colocado com os pés e mostra também potencial no futebol aéreo, utilizando não só a sua altura, como um bom poder de impulsão e tempo de salto. Do ponto de vista técnico não deslumbra, mas possui atributos muito interessantes em movimentos curtos, rodando bem sobre os adversários, para além de evidenciar qualidade a jogar de costas para a baliza, pois sabe tirar partido da sua capacidade física para proteger a bola de forma inteligente, acrescida de uma boa capacidade no passe curto, também útil em acções de “pivot” em tabelas.

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Europeu Sub-17 2007: 43 jogadores para o futuro (I)
segunda-feira, 14 maio 2007

David De Egea David De Egea (Espanha) . 7-11-1990. Atlético de Madrid. O melhor guarda-redes do Europeu sub-17, jogou todos os minutos da competição, sofrendo 2 golos em 5 jogos, mostrando potencial para se tornar, a curto-médio prazo, num dos maiores valores do futebol espanhol na sua posição. Com uma boa estampa física para a sua idade, mostra também muita concentração e uma muito boa e rápida leitura do jogo, que acaba por se revelar fundamental nas suas intervenções. Forte entre postes, sabe-se colocar e mostra um bom controlo espacial da baliza, para isso contribuindo os bons reflexos e a elasticidade que possui. Fora dos postes, é corajoso e decidido a sair por baixo, mostrando-se forte nos duelos de um para um com os avançados, pois fecha muito bem os espaços, como também é eficaz nas saídas por alto, fazendo uso da sua estatura, alternando intervenções completas com saídas a soco, sempre muito criteriosas e adequadas. Com capacidade de liderança, comunica bastante com os elementos do quarteto defensivo, corrigindo posicionamentos e dando ordens. Sempre que foi chamado a intervir com os pés não complicou e jogou simples. O seu ponto mais fraco parece ser a defesa de grandes penalidades, pois das oito grandes penalidades batidas pela Bélgica no confronto das meias-finais apenas conseguiu parar uma.

Jason Steele Jason Steele (Inglaterra) . 18-8-1990. Middlesbrough. Fez um Europeu em crescendo, com uma excelente exibição diante da França nas meias-finais (segurou a vitória 1-0), totalizando os 400 minutos que a Inglaterra realizou na competição. Forte entre postes, com bom posicionamento, segurança a blocar a bola e agilidade, necessita de se tornar mais constantes nas saídas por alto, sobretudo para desfazer cruzamentos fora da pequena área, onde sente algumas dificuldades a definir o tempo de saída correcto. Com perfil de líder, comunica bastante com o sector recuado, mostrando também facilidade a jogar com os pés, mas é mais eficaz em saídas curtas e médias, do que em pontapés longos, onde nem sempre a potência condiz com colocação.

Jo Coppens Jo Coppens (Bélgica) . 21-12-1990. KRC Genk. Totalista da Bélgica na competição, disputou os 340 minutos dos belgas na competição, caindo nas meias-finais, no desempate por grandes penalidades diante da Espanha, onde apenas parou 1 de 8 remates. Guardião que se destaca por uma assinalável envergadura física – mede 1.90 -, mostra uma boa capacidade entre postes, tirando partido de uma boa colocação e de bastante agilidade, sobretudo para alguém com uma estatura tão elevada, ainda que tenha uma certa tendência para protagonizar defesas incompletas, agarrando poucas bolas à primeira. Fora dos postes, mostra um bom controlo da pequena área, mas é inconstante nas saídas a espaços exteriores, necessitando de mais trabalho a esse nível, pois falta-lhe uma maior agressividade e uma melhor definição do tempo de saída.

Nana Ofori-Twumasi Nana Ofori-Twumasi (Inglaterra) . 15-5-1990. Chelsea. Numa competição que não ficou marcada pela presença de grandes laterais-direitos, acabou por ser o inglês, de origem ganesa, Ofori-Twumasi o que mais se destacou. Foi titular em quatro das cinco partidas que a Inglaterra realizou no Europeu, falhando apenas o jogo com a Bélgica, da 2ª Jornada, onde deu lugar a Daniel Gosling. Fisicamente extremamente forte, defende bem no um para um, tanto em posições exteriores, como em posições interiores. No entanto, abusa um pouco do contacto físico, promovendo situações de choque com o adversário, em que sai, por norma, em vantagem, como também sai de posição com alguma facilidade, aspecto que deverá rever. A nível ofensivo mostra predicados interessantes: rápido e potente, progride muito bem pelo flanco, procurando combinações 2x1 com o extremo ou o interior direito. Tecnicamente é muito razoável, aspecto que o ajuda nas progressões, mas não complica e joga fácil, necessitando, contudo, de revelar maior acutilância e acerto nos cruzamentos.

Krystian Pearce Krystian Pearce (Inglaterra) . 5-1-1990. Birmingham City. Mais conhecido por “Chefe”, Krystian Pearce é uma pérola da formação do Birmingham e já trabalha com regularidade com a equipa principal. Titular em todos os jogos da Inglaterra no Europeu, apenas não jogou 8 minutos do jogo de estreia, diante da Islândia, para dar lugar a Gavin Hoyte, do Arsenal. Destro, actuou pelo centro-esquerda, assumindo, quase sempre, a primeira fase de construção de jogo da selecção inglesa, optando, quase sempre, por passes curto-médios em direcção ao centro do terreno, mas também mostrou argumentos em passes médio-longos, a procurar as desmarcações do lateral-esquerdo Mattock ou de uma das quatro unidades da frente da Inglaterra, que privilegiou um 4x2x3x1. Do ponto de vista defensivo mostrou elegância: apesar de se tratar de um central forte do ponto de vista físico, não abusa do contacto físico com os avançados adversários, procurando jogar de forma limpa, jogando bem na antecipação, tanto pelo ar, como também pelo chão, pois é um central rápido e dotado de um bom sentido posicional. A nível ofensivo mostrou-se forte na sequência de lances de bola parada, conquistando bolas na área adversária e revelando sentido de baliza, o que não se estranha, já que era avançado centro na fase inicial do seu processo de formação. Marcou um golo à Islândia.

Nils Teixeira Nils Teixeira (Alemanha) . 10-7-1990. Bayer Leverkusen. O apelido não engana: é filho de emigrantes portugueses na Alemanha e fala correctamente português. Titular indiscutível da Selecção alemã – defesa-central pela direita -, efectuou os 400 minutos da Alemanha na competição. Fisicamente franzino – 1.75/64 – para defesa central, joga melhor solto ou na antecipação – um dos pontos mais fortes do seu jogo – do que em acções de marcação, onde sente mais dificuldades, quando obrigado a contacto físico com o adversário. No entanto, é um defesa seguro, muito rápido a atacar a bola e a ganhar posição aos adversários. Eficaz no desarme pelo chão, tem um bom tempo de entrada aos lances, mostrando mobilidade e facilidade em se deslocar a posições exteriores, pressionando bastante em busca de recuperações, para além de evidenciar argumentos no futebol aéreo, tirando partido de um bom poder de impulsão e de um bom tempo de salto. Tecnicamente interessante, assume, quando necessário, a primeira fase de construção de jogo ofensivo, mas, por norma, joga simples e prático, não inventando.

Mathieu Saunier (França) . 7-2-1990. Bordéus. Defesa-central pela direita, realizou 240 minutos no Europeu, fruto de três jogos completos, pois falhou o terceiro jogo da competição, diante da Ucrânia, devido a lesão. Jogador elegante e extremamente frio, muito inteligente do ponto de vista táctico, ocupa muito bem os espaços e sabe-se posicionar, sentindo-se mais à vontade a jogar solto ou na antecipação do que em acções de marcação individual, para as quais se sente menos talhado, até porque não é fisicamente robusto. Muito ágil e rápido a atacar a bola, ganha com facilidade a posição aos avançados, jogando bem pelo chão e pelo ar, ainda que lhe falte alguma contundência na abordagem aos lances. Tecnicamente bem dotado, assume, quase sempre, a primeira fase de construção do jogo ofensivo, mostrando boa visão de jogo e qualidade no passe, ainda que, em algumas situações, procure adornar de forma excessiva os lances, devendo ser mais prático.

Mamadou Sakho Mamadou Sakho (França) . 13-2-1990. Paris Saint-Germain. Defesa-central pela esquerda formou com Saunier uma dupla muito interessante, já que se as suas características se complementam. Nascido em Paris, apesar das suas origens familiares serem senegalesas, é um produto das escolas do PSG, tendo já feito a estreia pela equipa sénior, lançado por Paul Le Guen em dois jogos na Taça UEFA: defrontou o AEK, em Atenas (vitória 2-0) e o Benfica, em Paris (vitória 2-1). No Europeu foi um dos totalistas da Selecção francesa: 320 minutos na competição com folha disciplinar limpa. Líder do sector recuado francês, assumiu também funções de “capitão”, em virtude da lesão de Saïd Mehamha, médio do Lyon, que normalmente assume esse papel. Fisicamente extremamente forte e poderoso no desarme, tanto pelo chão como pelo ar, trata-se de um central com bom sentido posicional e talhado para acções de marcação, pois impõe-se no corpo a corpo e revela-se extremamente contundente, por vezes de forma excessiva, na abordagem aos lances, procurando compensar alguma falta de agilidade. Muito forte no futebol aéreo, ganha quase todos os lances que disputa em situação defensiva, podendo tornar-se mais acutilante na sequência de bolas paradas ofensivas, pois conquista bolas no espaço aéreo, mas revela pouco sentido de baliza. Tecnicamente é pouco dotado, mas não procura fazer aquilo que não sabe: é prático, joga simples, ainda que, em algumas situações, procure um futebol mais directo, com passes longos em direcção ao ataque, mas falta-lhe alguma precisão.

David Rochela David Rochela (Espanha) . 19-2-1990. Deportivo. Líder do sector defensivo espanhol foi um dos totalistas do Campeão Europeu: 5 jogos completos, incluindo um prolongamento diante da Bélgica, 420 minutos de competição. Defesa seguro, adapta-se, com igual facilidade, às funções de defesa mais solto ou de marcador, mostrando capacidade de liderança e personalidade forte. Com um bom sentido posicional e extremamente concentrado, joga com bastante facilidade na antecipação, tanto pelo ar como pelo chão, e é eficaz a nível do desarme, atacando a bola de forma confiante e agressiva, mas não maldosa. Destro, actua preferencialmente sobre o centro-esquerda, mostrando uma capacidade técnica muito razoável, que lhe permite sair a jogar e assumir, quando necessário, a primeira fase de construção, mas também sabe jogar de forma simples e prática quando é necessário.

Patrick van Aanholt Patrick van Aanholt (Holanda) . 29-8-1990. PSV Eindhoven. Na minha opinião, o melhor defesa-central do Europeu de sub-17, e pelo que mostrou não demorará a ser pretendido por clubes de topo do futebol europeu. Central canhoto, mas com um pé direito que está longe de ser cego, revelou-se – de longe – como a melhor unidade do sector defensivo da Holanda, que acabou por ser a maior desilusão da prova, falhando até o apuramento para o Mundial sub-17, ao perder o jogo de “play-off” diante da Alemanha. Jogador muito dotado do ponto de vista físico, que pode também desempenhar as funções de lateral-esquerdo – não será estranho, atendendo às suas características, que acabe por ser essa a sua posição no futuro -, impõe-se com facilidade nos lances divididos, pois é forte no corpo a corpo, mas procura, quase sempre, jogar de forma limpa, destacando-se por ser muito rápido, tanto a movimentar-se como a atacar a bola, o que lhe garante uma enorme eficácia a jogar na antecipação, um dos pontos fortes do seu jogo, tanto pelo chão como pelo ar. Com bom sentido posicional e grande capacidade de aceleração, lê bem o jogo e conhece os terrenos que pisa, não se inibindo de sair de posição, quando necessário, para fazer dobras ou pressionar à esquerda ou no meio campo defensivo. Do ponto de vista técnico é muito dotado para defesa-central: boa recepção e controlo de bola ; joga de cabeça levantada, o que lhe permite ler bem as movimentações dos colegas ; apesar da sua estatura, é ágil e sabe rodar sobre os adversários, mostrando atributos no um para um ; é forte no passe, raramente falhando curtos e médios, mas arrisca em demasia no longo, devendo moderar essa tendência. Tem presença na área adversária na sequência de bolas paradas, tirando partido do seu poder de antecipação e forte jogo aéreo, para além de ter um pontapé forte de pé esquerdo. Marcou um golo diante da Alemanha.

Joe Mattock Joseph “Joe” Mattock (Inglaterra) . 15-5-1990. Leicester City. Ao invés do que aconteceu em relação a laterais-direitos, esta prova revelou laterais-esquerdos muito promissores, entre os quais o inglês Joe Mattock, do meu ponto de vista, o mais evoluído, tendo já feito a sua estreia pela equipa principal do seu clube, a disputar o Football League Championship (2º escalão), para além de ter contribuído para a conquista do FA Premier Academy League – campeonato inglês de sub-18 – por parte do Leicester. Foi titular nos cinco jogos que a Inglaterra disputou no Europeu, falhando apenas 21 minutos da partida das meias-finais diante da França, por acusar um problema de ordem física. Extremamente competente do ponto de vista defensivo, defende bem, fazendo uso de um excelente sentido posicional e de uma boa interpretação táctica do jogo, dando garantias tanto em posições interiores – fecha bem dentro e domina o espaço aéreo – como em posições exteriores, onde se mostrou praticamente insuperável no um para um, aliando capacidade de desarme a um bom poder de antecipação, nunca dando um lance por perdido, mostrando também argumentos nas lutas corpo a corpo. Apesar da sua competência defensiva, arrisca muito em termos ofensivos, mostrando facilidade a conduzir jogo pelo flanco, tanto em acções individuais, como também em combinações 2x1 com o ala, onde, muitas vezes, se projecta até à linha de fundo, tirando também partido de uma boa capacidade de aceleração e de desmarcação em acções sem bola. Extremamente rápido e acutilante, com uma preparação física que lhe garante 80 minutos a altíssimo ritmo e em constante vaivém defesa-ataque, mostra igualmente uma técnica muito interessante, que lhe permite criar desequilíbrios no um para um, ainda que, em algumas situações, abuse um pouco e acabe por ser desarmado. Forte no passe lateral e nos cruzamentos, coloca a bola com facilidade na área, mas neste último aspecto poderá tornar-se mais constante.

Konstantin Rausch Konstantin Rausch (Alemanha) . 15-3-1990. Hannover 96. Lateral-esquerdo titularíssimo: disputou os 320 minutos da Alemanha na competição. Marcadamente ofensivo, beneficiou das compensações protagonizadas por um dos médio defensivos alemães – Kevin Wolze, titular nos dois primeiros jogos, foi bem mais eficaz nessa tarefa do que Jantschke, que colmatou a baixa de Wolze por lesão – para subir com frequência, sobretudo através de combinações 2x1, com Kroos e Dowidat (ou Knoll), que lhe permitiam desdobramentos não só aberto na ala como também a explorar movimentações para espaços interiores. Razoável do ponto de vista técnico, destaca-se mais pela velocidade e potência em progressão, revelando talento a nível do passe e dos cruzamentos, o que lhe permite fazer algumas assistências para finalizações, como também no remate, pois tem um disparo forte de pé esquerdo, ainda que possa melhorar o enquadramento. Do ponto de vista defensivo mostra-se muito eficaz a jogar na antecipação, ganhando facilmente posição ao seu adversário. Forte no contacto físico e ágil, é difícil de bater no um para um sobre a ala, onde se sente mais à vontade do que em posições interiores, onde ainda assim é bastante razoável.

Alberto Morgado Alberto Morgado (Espanha) . 10-5-1990. Alavés. Lateral-esquerdo, curiosamente já teve oportunidade de realizar alguns minutos na 2ª divisão espanhola, ao serviço do Alavés. Titular, a tempo inteiro, em 4 das 5 partidas da Espanha no Europeu, totalizou 340 minutos de utilização, tendo sido poupado no empate diante da Alemanha, quando a Espanha já tinha garantido a qualificação para as meias-finais. Mais talhado para acções defensivas do que para atacar, mostra-se um defesa seguro, muito pressionante e com bom sentido posicional, eficaz na defesa de espaços exteriores e interiores. Junto à linha não é fácil batê-lo, pois mostra-se sempre muito concentrado, evidenciando uma boa capacidade de desarme e um bom tempo de entrada aos lances, para além de se tratar de um jogador rápido. Em zonas interiores faz-se valer de uma boa colocação, mostrando também atributos muito razoáveis no futebol aéreo. Do ponto de vista ofensivo arrisca muito pouco, só subindo pelo seguro. Deve tornar-se mais acutilante, para dar uma maior dimensão ao seu jogo.

Niels Ringoot Niels Ringoot (Bélgica) . 22-4-1990. Anderlecht. Numa selecção que, apesar de ter chegado às meias-finais do Europeias, nunca mostrou grande solidez no quarteto defensivo, sobretudo por falta de solidez da dupla de centrais, destacou-se o lateral esquerdo Ringoot, um dos três totalistas belgas na competição – 340 minutos -, tendo também apontado dois golos, ambos na sequência de lances de bola parada. Aparentemente talhado para desempenhar o posto de defesa central, trata-se de um defesa muito alto e forte fisicamente, particularmente talhado para defender espaços interiores, já que é muito forte no futebol aéreo. Nos espaços exteriores sente-se mais à vontade quando pode usar o seu físico do que em velocidade, pois é algo duro de rins, mas é agressivo e tem um bom poder de desarme. Limitado do ponto de vista técnico, não se mostra talhado para conduzir jogo pelo flanco, não revelando grandes virtudes a nível do passe e dos cruzamentos. Contudo, mostra-se mais talhado para progredir em força, mostrando um violento remate de pé esquerdo, em bola corrida e, sobretudo, em bola parada. Muito forte no jogo aéreo também em situação ofensiva, é muito perigoso na sequência de livres laterais e pontapés de cantos, atacando muito bem o segundo poste e mostrando sentido de baliza.

Alfred N’Diaye Alfred N’Diaye (França) . 6-3-1990. Nancy. Médio defensivo, o mais recuado do tridente de meio-campo da selecção francesa, foi titular nas quatro partidas da França no Europeu sub-17, totalizando os 320 minutos de competição. Jogador que se destaca por uma impressionante condição física, pouco normal num jovem de apenas 17 anos, parece talhado para uma carreira de sucesso. Fortíssimo recuperador de bolas, impõe-se com enorme facilidade nos lances divididos, não exagerando em jogo faltoso, para além de evidenciar grande facilidade no desarme e um bom poder de antecipação, tanto pelo chão como pelo ar. Com um “pulmão” impressionante, corre o jogo todo, saindo, várias vezes, de posição, para pressionar os adversários e recuperar jogo. Contudo, o seu jogo não se limita a acções de destruição. Habitualmente utilizado como médio interior no seu clube, mostra-se extremamente poderoso a progredir com a bola nos pés, aliando uma capacidade técnica bastante interessante para um jogador com as suas características físicas a velocidade em progressão e potência, o que o torna difícil de travar. Nesse tipo de situação, poderá ganhar uma maior consciência colectiva, já que tem uma certa tendência em individualizar as acções, como também a arriscar em zonas proibidas. Eficaz no passe curto e médio, os que mais utiliza, mostra também atributos interessantes a nível do passe longo, sobretudo quando procura as alas, mas poderá ainda tornar-se mais consistente a esse nível. Mostra também capacidades muito interessantes no futebol aéreo em lances de bola parada, tanto defensivos como ofensivos, ainda que nos últimos possa ganhar um bem maior engodo pela baliza, pois mostra-se mais à vontade como conquistador de bolas aéreas do que como finalizador.

Ximo Joaquín Forner “Ximo” (Espanha) . 27-1-1990. Valencia. Médio defensivo, revelou-se o complemento perfeito de Ignacio Camacho, tendo sido titular nas cinco partidas que a Espanha disputou no Europeu: completou uma, diante da Bélgica, com direito a prolongamento, e foi substituído nas restantes, sempre por David González, jogador do Barcelona, uma das revelações da temporada juvenil do futebol espanhol. Ximo destaca-se por ser um jogador de grande disponibilidade física, particularmente talhado para acções de marcação, de pressão e de recuperação: poderoso no choque, impõe-se com facilidade em lances divididos, mostrando uma boa capacidade de desarme, tanto pelo chão, como pelo ar, como também efectua muito bem marcações individuais, perseguindo o “10” adversário com rigidez e sem abusar de jogo faltoso – apenas viu um cartão amarelo durante a competição. Jogador pressionante, peca, por vezes, por sair de forma extemporânea de posição, mas é eficiente nesse tipo de tarefa, ainda que possa melhorar a sua capacidade posicional. Menos talhado para assumir acções de construção do que Camacho, mesmo assim está longe de ser um jogador limitado, mas poderá melhorar a precisão no passe, sobretudo no médio-longo – alternou bons passes, com outros menos precisos -, mas, por norma, joga com base em passes curtos. Com “pulmão” para correr ao longo de todos os minutos que está em campo, sabe-se movimentar sem bola e aparecer em posições de remate. Possui um bom disparo de pé direito, que deverá trabalhar a nível do enquadramento, como também é um especialista a bater lances de bola parada laterais, já que cruza bem e coloca a bola com facilidade na área: eficiente a bater pontapés de canto, mostra-se também perigoso a executar livres laterais, sobretudo quando descaídos para a esquerda do ataque.

Michael Woods Michael Woods (Inglaterra) . 6-4-1990. Chelsea. Médio defensivo ou médio centro, foi, por norma, a unidade mais recuada do sector intermediário inglês, ainda que trocasse, várias vezes, de posição com Henri Lansbury, o seu habitual parceiro. Contratado pelo Chelsea, em 2006, ao Leeds United, José Mourinho chamou-o a trabalhar, em várias ocasiões, com o plantel principal durante a última época, dando-lhe alguns minutos no jogo da FA Cup diante do Macclesfield Town, o que o tornou no 4º jogador mais jovem de sempre a envergar a camisola do clube londrino em jogos oficiais. Titular em 4 das 5 partidas da Inglaterra no Europeu sub-17, foi suplente utilizado diante da Bélgica, totalizando 343 minutos de utilização. Muito evoluído em termos posicionais e com grande disponibilidade física, sabe ocupar de forma inteligente os espaços, o que lhe permite cortar inúmeras linhas de passe, mostrando também capacidade de choque em lances divididos, mas poderá tornar-se mais agressivo e eficaz no desarme. Do ponto de vista ofensivo, trata-se de um jogador com processos simples e eficazes. Não apresenta grandes atributos de ordem técnica, mas não complica e não procura fazer o que não sabe, jogando, muitas vezes, a um-dois toques. Com boa visão de jogo, revela facilidade na distribuição, alternando passes curtos e médios com longos, onde mostrou atributos interessantes. Sabe movimentar-se sem bola e aparecer em posições de remate, mas evidenciou alguma timidez na finalização.


Daley Blind Daley Blind (Holanda) . 9-3-1990. Ajax. O filho de Danny Blind, glória do futebol holandês, 42 vezes internacional pelo seu país e com 372 jogos pelo Ajax, era um dos jogadores que gerava mais expectativas para o Europeu, até por se ter falado de um eventual interesse do Barcelona no seu concurso. A sua passagem pelo Europeu foi meteórica: depois de ter falhado a estreia diante da Bélgica, devido a castigo, apontou 2 golos em 72 minutos diante da Islândia, saindo com uma lesão no tornozelo, que o impediu de fazer os dois jogos seguintes. Apesar da sua posição de origem ser a de líbero, actuou como médio-defensivo, deixando água na boca. Jogador algo frágil do ponto de vista físico, destaca-se por um excelente posicionamento, que lhe permite cortar linhas de passe com regularidade. Rápido na abordagem aos lances e nas movimentações, sai a jogar com enorme facilidade, mostrando potencial técnico como também uma muito boa visão de jogo e capacidade para fazer a bola circular, tirando partido da sua grande facilidade no passe, normalmente curto-médio, mas também arrisca passes longos, aspecto em que pode tornar-se mais consistente. Destaca-se igualmente por aparecer com facilidade em posições de remate, possuindo um disparo potente de fora da área, tanto em bola corrida, como em bola parada. Um dos golos que apontou foi de livre directo.

Henri Lansbury Henri Lansbury (Inglaterra) . 12-10-1990. Arsenal. Médio defensivo ou médio centro, foi um dos principais destaques do Europeu sub-17, mesmo tendo jogado com algumas limitações físicas, que o obrigaram a uma gestão de esforço nas partidas diante da Bélgica e da Holanda – em ambas substituído -, antes de se lesionar diante da França, o que o impediu de disputar a final, totalizando 217 minutos de utilização e 1 golo – excelente, diante da Holanda. Extremamente forte do ponto de vista táctico, sabe ocupar de forma inteligente os espaços, jogando muito sem bola, o que lhe permite cortar inúmeras linhas de passe, a sua principal fonte de recuperação, pois mostra-se menos talhado para o choque. Muito útil nas saídas para o ataque, trata-se de um médio que gosta de assumir a condução de jogo, ainda que o faça, algumas vezes, a um ritmo demasiado pausado, até porque não se destaca pela velocidade nas acções. Ainda assim, é um jogador capaz de impor ritmos, tirando partido da sua boa visão de jogo e capacidade de passe: muito forte no curto e no médio, mostra também argumentos interessantes nos passes longos, mas poderá arriscar mais, sobretudo no lançamento de ataques rápidos. Bem dotado do ponto de vista técnico, sabe segurar e “esconder” a bola, rodando com facilidade sobre os adversários, não sendo fácil desarmá-lo. Inteligente nas movimentações sem bola, aparece com facilidade em posições de remate, mostrando potencial nos disparos de fora da área, outro dos pontos fortes do seu jogo.

Ignacio Camacho Ignacio Camacho (Espanha) . 4-5-1990. Atlético Madrid. Médio defensivo ou médio centro, com capacidade, em caso de necessidade, como aconteceu diante da Bélgica, de se adaptar ao posto de defesa central, foi uma das figuras maiores do Europeu sub-17, capitaneando a selecção espanhola rumo ao título: 420 minutos, fizeram dele um dos totalistas da competição, apontou um golo – diante da Ucrânia – e viu dois cartões amarelos. Apontado como a jóia da coroa dos escalões de base do Atlético Madrid, tem todas as condições para se tornar numa referência do futebol espanhol a médio prazo. Com uma inteligência e maturidade pouco comuns num jogador tão jovem, destaca-se por um elevado conhecimento táctico do jogo, que lhe dá garantias de um excelente posicionamento e de uma interpretação perspicaz dos lances, o que lhe permite cortar inúmeras linhas de passe, parecendo adivinhar as acções dos adversários. Agressivo e pressionante, joga com grande facilidade na antecipação e é muito eficaz nos desarmes, tanto pelo chão, como pelo ar, ainda que necessite de evoluir no capítulo físico, pois é pouco possante, acabando por ficar em desvantagem em lances corpo a corpo com adversários mais físicos. Contudo, é um jogador com enorme “pulmão”, que corre os 90 minutos e não tem medo de por o pé em lances divididos, mas a sua acção está longe de se limitar a tarefas de recuperação: assim que recupera a bola, assume a condução e/ou distribuição do jogo ofensivo ; quando é um colega a conseguir a recuperação, movimenta-se de forma a criar uma linha de passe para que lhe possa ser entregue a bola, mostrando personalidade forte. Com um pé direito de grande qualidade, possui uma capacidade técnica acima da média, que lhe permite criar desequilíbrios no um para um em condução, mas é, por norma, um jogador com processos simples e objectivo, que perde muito poucas bolas e sabe impor ritmos: mais pausado, em ataque organizado ; mais acelerado, em ataque rápido. Muito forte no que concerne à visão de jogo, lê muito bem as desmarcações dos seus colegas, mostrando facilidade no passe curto, médio e longo. Poderá desenvolver a capacidade de remate, aspecto em que se mostra mais tímido, optando, quase sempre, por passes.

Kevin Wolze Kevin Wolze (Alemanha) . 9-3-1990. Bolton Wanderers. Médio defensivo ou médio centro, com capacidade para desempenhar – diria mesmo, mais talhado para – funções de médio interior esquerdo ou de médio ofensivo, apenas foi utilizado nas duas primeiras partidas, diante da Ucrânia e da França, tendo jogado em ambas 79 minutos, acabando por se ver afastado da competição devido a lesão, que limitou um pouco as suas prestações do ponto de vista físico. Natural de Wolfsburgo, iniciou a sua carreira no VfB Wolfsburg, mas as suas boas exibições ao serviço da selecção sub-16 alemã despertaram o interesse de olheiros do Bolton Wanderers, que avançou para a sua aquisição a temporada passada. Inteligente do ponto de vista posicional, nomeadamente a fazer compensações e na ocupação de espaços, não se trata, no entanto, de um exímio recuperador de bolas, até porque se revela algo frágil do ponto de vista físico e pouco talhado para o choque, mas destaca-se, sobretudo, pela capacidade que possui para assumir a organização e distribuição de jogo, tirando partido de um pé esquerdo de grande qualidade, que lhe permite jogar, com espantosa facilidade, ao primeiro toque, mas também segurar a bola de forma inteligente, mostrando capacidade para impor ritmos diferenciados. Dotado de boa técnica e de uma excelente visão de jogo, o ponto forte do seu jogo é a capacidade de passe: muito bom no passe curto-médio, onde é raro vê-lo falhar uma intervenção, mostra também grande capacidade no médio-longo, abrindo o jogo em direcção aos flancos com enorme facilidade, critério e precisão. Muito preso a questões tácticas, nomeadamente a compensar as subidas do lateral-esquerdo, não apareceu em posições de remate.

Yann M’Vila Yann M’Vila (França) . 29-6-1990. Rennes. Médio centro ou médio interior, preferencialmente pelo centro-direita, produto das escolas do Rennes, esteve em destaque no Torneio do Algarve de 2007, ao marcar um belíssimo golo diante da selecção portuguesa. Voltou a estar em bom plano no Europeu sub-17, assumindo-se como a melhor unidade do meio-campo francês, tendo sido titular nas três partidas da primeira fase – 234 minutos de utilização -, mas falhou o jogo das meias-finais diante da Inglaterra, por ter visto o segundo amarelo na competição diante da Ucrânia – jogo em que também marcou um golo -, acabando por se notar muito a sua ausência, até porque Martial Riff, o seu substituto, mostrou-se demasiado limitado. Sem grandes atributos do ponto de vista defensivo, nomeadamente em acções de recuperação, até porque lhe falta capacidade de choque, M’Vila mostra, ainda assim, capacidades interessantes do ponto de vista táctico, quer a nível da ocupação de espaços, quer a fazer algumas faltas úteis, para travar ataques rápidos ao adversário. Contudo, trata-se de um jogador com mais atributos de ordem ofensiva: procura a bola para partir para acções de ataque, assume a condução de jogo ofensivo – quase sempre entre o centro e a direita, progredindo bem com a bola nos pés e criando desequilíbrios no um para um, pois é rápido, muito ágil e mostra atributos muito interessantes do ponto de vista técnico – e a nível da visão de jogo, ainda que, em algumas ocasiões, se revele algo previsível ou precipitado, aspectos em que poderá melhorar. Possui também um bom remate de fora da área, para além de aparecer bem na área na sequência de lances de bola parada, tirando partido do seu bom jogo aéreo – foi assim que marcou um golo diante da Ucrânia.

Georgino Wijnaldum Georgino Wijnaldum (Holanda) . 11-11-1990. Feyenoord. Médio interior ou médio ofensivo, foi mais utilizado nesta última função, assumindo um papel próximo ao de um “nº 10”, face ao meio-campo em triângulo invertido que a formação holandesa habitualmente utilizou, e que sem a presença de Daley Blind, acusou demasiada lentidão, falta de dinamismo e previsibilidade. Wijnaldum, que durante a última época já treinou várias vezes com o plantel principal do Feyenoord, foi o que mais procurou lutar contra a maré, totalizando 4 jogos completos e 1 golo, que valeu o 2-2, na partida de estreia diante da Bélgica. Jogador particularmente talhado para acções de construção, procura a bola a partir da zona central da intermediária, mostrando grandes virtudes na recepção e controlo de bola, assumindo a condução de jogo ofensivo, ainda que, em algumas ocasiões, peque por alguma ingenuidade. Possui uma técnica individual muito interessante, que lhe permite criar desequilíbrios no um para um, para além de “esconder” a bola com grande facilidade dos adversários, ainda que, por vezes, quando o faz, perde tempo de passe. Contudo, trata-se de um jogador com boa visão de jogo e com facilidade no passe, alternando passes curtos e médios, onde lhe faltaram apoios para produzir desequilíbrios, com passes longos, sobretudo em direcção às alas ou à procura de desmarcações de ruptura dos elementos do tridente ofensivo. Aparece, também, com relativa facilidade em posições de remate, mostrando potencial a esse nível, mas, muitas vezes, prefere optar pelo (último) passe, perdendo aí alguma objectividade.

Fran Mérida Fran Mérida (Espanha) . 4-3-1990. Arsenal. A sua polémica transferência do Barcelona para o Arsenal em Setembro de 2005, seguindo as pisadas de Cesc Fabregas, deu-lhe projecção internacional aos 15 anos, e as expectativas sobre a sua participação no Europeu sub-17 eram elevadas, até porque já foi chamado por Arsene Wenger para participar em jogos particulares da equipa sénior do Arsenal. Contudo, as suas actuações na competição acabaram por saber a pouco, pois se o talento é inegável, os excessos de vedetismo e carácter complicado também o foram, acabando por destoar do colectivo que levou a Espanha ao título. Titular em 4 das 5 partidas da Espanha no Europeu, totalizou 1 golo em 339 minutos de competição, tendo falhado o jogo diante da Alemanha devido a castigo. Médio ofensivo, assumiu o papel de “nº10” da selecção espanhola, ainda que possa também desempenhar funções de médio centro ou médio interior esquerdo, até porque se trata de um canhoto. Muito evoluído do ponto de vista técnico, cria, com facilidade, desequilíbrios no um para um, jogando sempre com a cabeça levantada e com a bola colada ao pé esquerdo, destacando-se igualmente por uma excelente visão de jogo e grande capacidade de passe, alguns deles verdadeiramente espectaculares e imprevisíveis, jogando com facilidade tanto em curto-médio como em médio-longo. Contudo, é um jogador irregular, que tende a desaparecer dos jogos, mostrando pouco sentido colectivo e alguma prepotência na forma como aborda as partidas, para além de lhe faltar força física, potência e resistência, aspectos em que terá que evoluir para atingir um patamar consentâneo com o seu potencial técnico. Possui um remate forte de fora da área e trata-se de um especialista na conversão de lances de bola parada.

Artur Karnoza (Ucrânia) . 2-8-1990. Dniepr. O maior destaque da selecção da Ucrânia, uma das maiores desilusões da competição. Titular nos dois primeiros jogos, ficou, com bastante estranheza, no banco dos suplentes diante da França, jogo em que entrou ao intervalo, marcando um golo e ajudando a equipa a chegar ao empate (2-2), aproveitando o adormecimento do adversário. Médio ofensivo, que assume o papel de “nº10”, pode também aparecer como segundo avançado. Extremamente limitado do ponto de vista físico, sente imensas dificuldades nos lances corpo a corpo, onde sai sempre a perder, mas, apesar disso, não vira a cara à luta e ajuda a defender, recuperando algumas bolas tirando partido de um interessante sentido posicional. O ponto forte do seu jogo é, no entanto, a capacidade para atacar: bom condutor de iniciativas ofensivas, sobretudo em ataque rápido ou contra-ataque, é veloz, tem boa técnica e drible curto, criando desequilíbrios no um para um, não temendo partir para cima dos adversários, apesar das suas limitações no contacto físico, conquistando diversas faltas no meio-campo adversário. Dotado de uma interessante visão de jogo, faltou quem desse sequência a alguns dos seus bons passes – quer para desmarcar, quer a procurar a progressão através de tabelas -, tratando-se de um especialista na marcação de livres, tirando partido do seu remate forte e colocado de pé direito – foi assim que marcou diante da França.

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Europeu Sub-17 2007: 43 jogadores para o futuro (II)
segunda-feira, 14 maio 2007


Toni Kroos Toni Kroos (Alemanha) . 4-1-1990. Bayern München. Melhor marcador da competição, a par do ingles Victor Moses, com 3 golos em 4 partidas, todas completas, mostrou porque é apontado como uma das maiores promessas do futebol alemão, carregando a sua equipa às costas e assumindo a condução e, muitas vezes, a conclusão das iniciativas ofensivas da sua selecção. Natural de Greifswalfd, ainda na Alemanha Oriental, estreou-se futebolisticamente no Greifswalfder SC, já com a Alemanha unificada. Deu nas vistas e rumou ao Hansa Rostock, onde o Bayern o contratou em 2006. Na última temporada, tem vindo a jogar na formação sub-19 do clube do Munique, pela qual apontou, até ao momento, 7 golos em 17 jogos, não devendo tardar a sua chegada à formação principal, estando em aberto a possibilidade de vir a realizar a próxima pré-época. Médio ofensivo ou segundo ponta de lança, não raras vezes desloca-se ao centro da intermediária para assumir a condução de jogo ofensivo desde trás, mas gosta particularmente de ter liberdade para aparecer também sobre os flancos, prefencialmente à esquerda, tirando partido depois de diagonais em direcção ao centro, de forma a aplicar o seu excelente remate de pé direito – forte e colocado, tanto dentro como fora da área -, o seu mais forte, mas também sabe executar com o pé esquerdo, o que potencia as suas acções em progressão. Assume o jogo sem receios e gosta de ter a bola nos pés, mostrando velocidade, muito boa capacidade de aceleração, potência física e uma técnica individual bem acima da média, o que lhe permite criar inúmeros desequilíbrios no um para um, um dos pontos mais fortes do seu jogo. Para além disso, lê bem o jogo e mostra predicados no passe, tanto no desenvolvimento de tabelas, quer como protagonista das acções, quer como pivot, para além de fazer várias assistências para finalização em zonas próximas da área, ainda que, muitas vezes, opte por assumir a finalização dos lances. É, também, um bom marcador de lances de bola parada, tanto directos como indirectos. Forte fisicamente e com bom posicionamento consegue recuperar algumas bolas, apesar de não se tratar de um jogador particularmente talhado para acções defensivas.

Eden Hazard Eden Hazard (Bélgica) . 7-1-1991. Lille. Um dos jogadores mais jovens do Europeu sub-17 foi um dos poucos representantes da classe 1991 na competição, somando 2 golos em 4 jogos como titular: totalizou 320 minutos de competição, já que foi poupado nos últimos 20 minutos diante da Islândia. Foi, sem sombra de dúvida, o melhor jogador belga na competição e decisivo na chegada à etapa final, já que todo o jogo ofensivo passava pelos seus pés. Revelado pelo AFC Tubize foi descoberto, em 2005, por olheiros do Lille num torneio de futebol, que o levaram para França, onde já joga pela formação secundária do clube, não devendo tardar a chamada à formação principal. Médio ofensivo ou segundo avançado, trata-se de um jogador de baixa estatura, mas com uma velocidade impressionante, capaz de impor ritmos extremamente fortes ao jogo, pois tem grande capacidade de aceleração, que consegue aliar a uma boa técnica individual e, sobretudo, a uma capacidade de drible excelente, tratando-se de um especialista no ziguezague em progressão, até porque joga com facilidade com os dois pés, apesar do direito ser o mais forte. Com uma grande tendência para procurar iniciativas individuais deverá ganhar uma maior consciência colectiva, necessitando de melhorar a sua capacidade no último passe, onde é algo intermitente, apesar de revelar uma boa leitura das desmarcações dos seus colegas de equipa. Contudo, apesar de lhe faltar alguma capacidade física, trata-se de um jogador que protege a bola e sabe esconde-la, não sendo nada fácil desarmá-lo sem recorrer a faltas. Especialista na transformação de lances de bola parada, mostra-se muito forte em finalizações na área, sobretudo no um para um com o guarda-redes, pois desmarca-se muito bem e tem um remate fácil, o que o torna particularmente perigoso em estratégias de contra-ataque.

Victor Moses Victor Moses (Inglaterra) . 12-12-1990. Crystal Palace. Médio ofensivo ou segundo avançado, que deixou excelentes indicações no Torneio do Algarve em Fevereiro passado, onde marcou o golo da Inglaterra diante de Portugal (1-0), nasceu na Nigéria, mas rumou a Inglaterra, como exilado, depois de perder os pais. Foi uma das grandes figuras deste Europeu, ao sagrar-se melhor marcador da competição, juntamente com o alemão Toni Kroos, com três golos em cinco partidas, totalizando 395 minutos de competição. Extremamente dotado do ponto de vista técnico, é capaz de excelentes pormenores, tanto a nível do drible como em simulações, projectando-se também através da velocidade e da potência que emprega às suas acções, ainda que, em algumas situações, tende a individualizá-las excessivamente. Possui também atributos a nível da visão de jogo e do passe, mas destaca-se ainda mais como finalizador: perigoso a aparecer dentro da área, desmarca-se de forma inteligente e ganha com facilidade posição aos adversários, mostrando facilidade e enquadramento no remate, como também tem um bom disparo de fora da área, tirando partido do seu sentido de baliza e potência. Apesar das suas características ofensivas, ajuda, quando necessário, nos processos defensivos, mostrando capacidade de pressão e consciência colectiva. Necessita, no entanto, de se tornar mais constante, pois tende a desaparecer no decurso das segundas partes, o que até motivou a sua substituição na final, onde realizou a sua exibição mais fraca no Europeu, muito por culpa da ausência de Lansbury. Ainda não se estreou pela equipa principal do Crystal Palace, o que deverá acontecer em breve, mas não deverá demorar a dar o salto para uma equipa de potencial mais elevado.

Nill De Pauw (Bélgica) . 6-1-1990. Lokeren. Jogador de características ofensivas, que no seu clube, desempenha, várias vezes, a função de unidade mais avançada da equipa, foi adaptado neste Europeu, por imperativos de ordem táctica e, provavelmente, de ordem física – dar maior poder de choque e capacidade no jogo aéreo – foi adaptado à zona central do terreno, actuando como segundo trinco. Não desiludiu na sua nova tarefa, mas por pouco conhecimento da sua nova posição, revelou-se algo irregular e, por vezes, algo perdido sobre o terreno, algo que procurou compensar com a sua capacidade de luta e de trabalho em prol do colectivo. Contudo, foi quando teve oportunidade de jogar no meio campo ofensivo, quer ao centro, quer sobre as alas, que o seu futebol explodiu, já que se trata de um jogador muito interessante do ponto de vista técnico, capaz de criar desequilíbrios em acções individuais, como também evidencia qualidades a nível da visão de jogo e do passe, mostrando um bom critério de selecção do tipo e do tempo de passe. Aparece igualmente com facilidade em posições de remate, mostrando sentindo de baliza: apontou 2 golos na competição, em 4 jogos sempre como titular, totalizando 329 de utilização.

Nacer Barazite Nacer Barazite (Holanda) . 27-5-1990. Arsenal. Jogador de origem marroquina, nasceu já na Holanda, dando nas vistas nos escalões de base do NEC Nijmegen e, posteriormente, na selecção de sub-16 da Holanda, onde foi descoberto por “olheiros” do Arsenal, que não hesitaram a aconselhar a sua aquisição, que acabou por se concretizar no Verão passado. Este ano, ao serviço do clube londrino, apontou 5 golos em 26 jogos pela formação sub-18, justificando também algumas chamadas à equipa de reservas, pela qual fez 9 jogos. Médio ofensivo ou segundo avançado de origem, foi utilizado no Europeu sub-17 como extremo, variando entre a direita e a esquerda, numa opção duvidosa, que acabou por não produzir resultados, pois apesar de alguns apontamentos de grande qualidade, não teve o rendimento que era esperado. Titular nas 4 partidas, jogou sempre a tempo inteiro, totalizando 320 minutos de utilização, apontando um golo na partida de estreia diante da Bélgica. Muito inteligente do ponto de vista táctico, conhece bem os terrenos que pisa, ocupando bem os espaços, para além de se revelar pressionante e inteligente a cortar linhas de passe. Gosta de ter a bola nos pés e de assumir os processos de condução e construção de jogo, mas o jogo demasiado pausado e centralizado da Holanda não favoreceu as suas acções, já que o 4x3x3 o obrigava a estar demasiado aberto sobre a faixa. Ainda assim, quando a bola lhe chegou, mostrou tendência a derivar para o meio, tirando partido do seu futebol rápido e evoluído do ponto de vista técnico, que lhe permite criar desequilíbrios no um para um, como também mostra qualidade a nível do passe e do remate, já que aparece com facilidade em posições de finalização.

Henning Sauerbier Henning Sauerbier (Alemanha) . 6-1-1990. Bayer Leverkusen. Médio ala ou extremo, que deixou muito boas indicações no Torneio do Algarve deste ano, ao apontar golos diante de Portugal e Inglaterra, que acabaram por se revelar decisivos para o triunfo germânico na competição, efectuou um Europeu irregular, bem abaixo das expectativas, apesar de ter sido titular nas 4 partidas da Alemanha: fez 1 jogo completo e em 3 foi substituído, totalizando 242 minutos de competição, não marcando nenhum golo. Actuou preferencialmente aberto na ala direita, com funções de médio-ala, no 4x2x3x1 que a Alemanha utilizou, ainda que, esporadicamente tenha aparecido também pela esquerda. Jogador destro, destaca-se sobretudo pela extrema velocidade com que explora o seu flanco, mas pagou bastante o preço da Alemanha ter apostado muito pouco em ataques rápidos, estilo de jogo que favorece as suas características, como ficou provado no Torneio do Algarve. Apesar de algo limitado do ponto de vista físico, trata-se de um jogador solidário e com virtudes tácticas, já que ajuda nos processos defensivos, fechando os espaços e pressionando, mas acaba por se desgastar nessas tarefas, perdendo fulgor nas segundas partes, pois não gere muito bem o esforço, acusando demasiada “electricidade”. Do ponto de vista técnico apresenta alguns atributos, mas necessita de ganhar maior consistência, já que, por vezes, a sua velocidade excessiva acabou por atrapalhá-lo em acções de condução. Ainda assim, mostrou algumas virtudes a nível dos cruzamentos, como também capacidade para aparecer em situação de finalização na sequência de desmarcações sem bola, mas a pontaria, ao contrário do que aconteceu no Algarve, não esteve afinada.

Henri Saivet Henri Saivet (França) . 26-10-1990. Bordéus. Extremo-direito, que se adapta com facilidade à esquerda ou mesmo a jogar nas costas do avançado mais fixo, foi titular nas 4 partidas da França no Europeu sub-17, completando 2 jogos e sendo em 2 ocasiões substituído, totalizando 284 minutos de utilização. Jogador de origem senegalesa, destaca-se, sobretudo, pela extrema velocidade que imprime ao seu jogo, com uma impressionante capacidade de aceleração e de explosão, à qual, por vezes, consegue aliar o seu potencial técnico, nomeadamente um bom drible curto, tornando-se perigosíssimo no um para um, pois também é bastante potente em progressão, mas falta-lhe uma maior consistência e coordenação no seu jogo, sobretudo quando assume a condução, já que, muitas vezes, perde objectividade, acabando por revelar-se trapalhão e algo desastrado. Capaz de explorar diagonais, como também de romper de trás para a frente em zona central, em acções com e sem bola, sabe-se desmarcar e não tem receio de partir para cima dos adversários, mas falta-lhe uma maior regularidade a nível do último passe. Possui um remate forte de pé direito, mas necessita de trabalhar o enquadramento.

Iago Falqué Iago Falqué (Espanha) . 4-1-1990. Barcelona. Extremo ou médio ofensivo galego, que o Barcelona “roubou” ao Real Madrid em 2001, depois de ter sido revelado pelo Victoria de Vigo, já é conhecido em Espanha como o “canhoto de ouro”, jogando quase de olhos fechados com Fran Merida e Bojan Krkic, com quem se cruzou nas categorias de base do Barcelona. Titular nas cinco partidas da Espanha no Europeu, apenas completou uma, totalizando 366 minutos de utilização, apontando 2 golos, diante da França e da Ucrânia, ainda na fase de grupos da competição. Canhoto, actuou preferencialmente sobre a direita do ataque da selecção espanhola, mas também experimentou outras posições: na final, diante da Inglaterra, actuou na esquerda do ataque, e na fase de grupos, diante da Alemanha, face às ausências de Bojan Krkic e de Isma López, acabou por ser a unidade mais ofensiva, função para a qual parece menos talhado. Jogador de grande talento, mas irregular e algo inconsistente, desaparece com facilidade dos jogos e não gosta de cumprir missões de sacrifício, mostrando dificuldades em cumprir as acções defensivas que lhe estavam incumbidas. Com a bola nos pés, transforma-se, tornando-se num jogador desequilibrador: muito forte na recepção e no controlo da bola, revela-se um bom condutor de jogo, muito forte do ponto de vista técnico, ainda que lhe falte alguma capacidade de explosão e tenda a individualizar em demasia as suas acções, mas parte para cima dos adversários com grande facilidade, criando desequilíbrios no um para um fruto dos seus dribles curtos. Pouco talhado para procurar a linha de fundo, mostra-se muito forte a explorar diagonais, um dos pontos-chave do seu jogo, sobretudo da direita para o meio, mas também da esquerda para o meio, mostrando grande facilidade e enquadramento no remate. Evidencia também argumentos muito válidos a nível do passe, ainda que deva ganhar uma muito maior consciência colectiva. Frágil do ponto de vista físico, cai, por norma, de produção nas segundas partes, o que acaba por justificar o facto de ter sido 4 vezes substituído ao longo da competição. Terá que evoluir bastante a esse nível.

Lucas Porcar Lucas Porcar (Espanha) . 18-2-1990. Espanyol. Estrela das equipas de base do Espanyol, onde costuma actuar como médio ofensivo ou segundo avançado, com liberdade total de movimentos, acabou por ser o 12º jogador de Espanha ao longo da competição, mas os seus bons desempenhos como suplente utilizado, com particular destaque para o jogo com a Bélgica das meias-finais, acabaram por dar-lhe a titularidade na final. Jogou as 5 partidas, totalizando 213 minutos de utilização, actuando preferencialmente na direita do ataque, mas, a espaços também ao meio, onde rende mais. Trata-se de um jogador com grande capacidade de sacrifício, que cumpre tarefas defensivas, mostrando um belíssimo sentido táctico e é inteligente a fazer pressão, conseguindo conquistar algumas bolas. Contudo, as suas características são ofensivas e é aí que se destaca mais. Muito rápido e habilidoso a sair para o ataque em velocidade, possui também uma boa técnica individual, mas não se prende de forma excessiva à bola, sabendo jogar simples e a poucos toques, ainda que, em algumas situações, arrisque e crie desequilíbrios no um para um, mostrando critério e inteligência nas decisões. Com boa visão de jogo, sabe ler as desmarcações dos seus colegas e impor ritmos, mostrando potencial no último passe. Procurou pouco a baliza adversária ao longo da competição, o que contrasta um pouco com as suas prestações no clube, onde costuma apontar vários golos.

Thibault Bourgeois Thibault Bourgeois (França) . 5-1-1990. Metz. Médio ala ou extremo, tanto à direita como à esquerda, ou avançado, foi utilizado neste Europeu por François Blanquart como médio ala esquerdo, apesar de se tratar de um jogador destro. Titular indiscutível, realizou as 4 partidas da França, todas completas, totalizando 320 minutos de utilização, que lhe valeram um golo, na fase de grupos, diante da Ucrânia. Jogador muito evoluído do ponto de vista posicional, fecha muito bem os espaços, o que se enquadra perfeitamente no rigor táctico exibido pela selecção francesa, que, por norma, partia de um 4x5x1 defensivo para um 4x3x3 em situação ofensiva. Extremamente lutador e pressionante, não dá espaços ao lateral adversário, impedindo-o de subir, como também recupera algumas bolas, quer junto à linha, quer em deslocação a espaços interiores, já que está sempre disponível para trabalhar em prol do colectivo, evidenciando uma boa leitura dos lances. A nível ofensivo, apesar de alguns predicados interessantes a nível técnico, mostra-se demasiado previsível no drible, quando procura situações de um para um, acabando por ser desarmado. Ainda assim, não desiste do lance e procura recuperar a bola, mas é mais eficiente quando explora a sua velocidade e mobilidade em desmarcação do que em condução, mostrando predicados muito interessantes a nível dos cruzamentos, já que coloca a bola com facilidade na área. Perigoso em contra-ataque, sobretudo quando lançado para desmarcação em diagonal, necessita de refinar a finalização, já que se mostra excessivamente perdulário em lances de um para um com o guarda-redes adversário, acusando demasiada ansiedade no momento do remate.

Danny Rose Danny Rose (Inglaterra) . 2-7-1990. Leeds United. Produto das escolas do Leeds United, esteve muito perto de rumar ao Chelsea no Verão passado, mas acabou por não seguir o mesmo caminho de Michael Woods, seu antigo colega de clube e actual companheiro na selecção. Contudo, é um jogador desejado por vários clubes da Premier League, e não deverá demorar a dar o “salto”. Titular nos cinco jogos que a Inglaterra disputou no Europeu, totalizou 358 minutos de competição, marcando um golo diante da Islândia. Médio ala ou extremo esquerdo, trata-se de um jogador versátil e de grande sentido táctico, que, em algumas situações, sobretudo defensivas, se desloca para posições interiores, dando indicações que pode também desempenhar as funções de médio interior esquerdo num 4x3x3. Muito dinâmico e objectivo, trata-se de um jogador que assume, com facilidade, a condução de jogo, tirando partido da sua velocidade, aliada a uma capacidade técnica interessante, mas não fulgurante, apesar de alguns pormenores a nível do drible, que lhe permitem criar vários desequilíbrios no um para um. Dotado de uma boa visão de jogo, mostra grande facilidade no passe, tanto interior como exterior, para além de chegar com facilidade à linha de fundo, de onde tira cruzamentos extremamente perigosos, colocando a bola na área com grande facilidade e precisão. Do ponto de vista defensivo, sabe ocupar os espaços, mostrando bons predicados de ordem táctica, não só a fechar o flanco, como também a preencher o espaço interior, pressionando e evidenciando potencial no desarme ou a cortar linhas de passe, partindo imediatamente para acções de ataque. Apesar de se tratar de um jogador canhoto, utiliza com grande facilidade o pé direito, mostrando uma boa capacidade de remate, sobretudo na sequência de diagonais da esquerda para o meio.

Luciano Narsingh Luciano Narsingh (Holanda) . 13-9-1990. Heerenveen. Avançado holandês, capaz de desempenhar qualquer posto entre a esquerda e o centro, foi mais utilizado aberto à esquerda do ataque. Titular nas 4 partidas da Holanda no Europeu, totalizou 272 minutos de utilização, pois apenas completou a partida de estreia diante da Bélgica. Apontou um golo, na derrota 2-4 diante da Inglaterra, o jogo que acabou por ditar o afastamento da sua selecção do “top 4” da competição. Jogador rápido, dinâmico e muito móvel, mais talhado para romper em diagonais em direcção à área do que para procurar a linha de fundo, mostra também uma capacidade técnica interessante e também bastante agilidade, o que lhe permite criar desequilíbrios no um para um, mas o seu jogo nem sempre tem a objectividade desejada, perdendo-se em mais um adorno, que acaba por lhe retirar o tempo ideal para uma assistência ou um remate. Frágil do ponto de vista físico, fica, por norma, a perder em situações de choque. Sabe aparecer em posições de remate, dentro da área, tirando partido de um bom poder de desmarcação e de antecipação sobre os defesas, mostrando facilidade no remate, muitas vezes a um toque, mas deve melhorar a definição do seu remate cruzado.

Ismael López ‘Isma’ Ismael López “Isma” (Espanha) . 29-1-1990. Athletic. Avançado-centro de origem, com muitos golos ao serviço das equipas de base da formação basca, a presença de Bojan Krkic na equipa, deslocou-o para a ala esquerda do ataque, onde não rende tanto, mas as trocas de posição com Krkic acabaram por revelar-se num factor importante de desequilíbrio, pois baralharam as marcações das defesas adversárias. Utilizado nas 5 partidas, foi titular em 3, mas apenas completou 1 jogo, totalizando 242 minutos de utilização, que não lhe valeram golos. Esse facto, e a afirmação de Lucas Porcar, acabou por atirá-lo para o banco na final diante da Inglaterra, onde rendeu Yago Falqué nos instantes finais da partida. Pouco talhado para actuar aberto na ala e para procurar a linha de fundo, raramente o fez, optando permanentemente por diagonais, com e sem bola, em direcção à área, tirando também partido da sua capacidade para se desmarcar e de uma muito interessante capacidade de recepção em progressão. Do ponto de vista técnico não revela grandes predicados, apesar de alguns bons movimentos curtos, típicos da sua formação como avançado-centro, nomeadamente a jogar de costas para a baliza e em acções de rotação sobre os defesas, mas destaca-se sobretudo pela velocidade e potência que emprega nas suas acções, aparecendo com facilidade em posições de remate, mostrando potência e colocação no disparo de pé esquerdo e predicados também na utilização do pé direito, tratando-se de um jogador muito forte em finalizações cruzadas. Com potencial do ponto de vista físico, sabe chocar com os defesas adversários e consegue ganhar lances no corpo a corpo, para além de se tratar de um avançado agressivo e pressionante, que consegue efectuar algumas recuperações no meio campo adversário.

Sascha Bigalke Sascha Bigalke (Alemanha) . 8-1-1990. Hertha Berlim. Avançado extremamente baixo, com cerca de 1.65 e menos de 60 kgs., foi o melhor marcador da Fase de Apuramento para o Europeu, como também do Torneio do Algarve deste ano, competição em que apontou 3 golos – 2 diante da França e 1 frente à Inglaterra. No Europeu de sub-17 marcou um golo, de grande penalidade, diante da Ucrânia, em 4 jogos, todos como titular, mas apenas dois completos, totalizando 251 minutos de competição, onde depois de uma estreia auspiciosa diante da Ucrânia acabou por cair de produção. Apesar das suas características físicas e técnicas serem as de um falso avançado ou extremo, na selecção alemã actua como avançado-centro, tanto sozinho como acompanhado por Sukuta-Pasu, um jogador mais possante, curiosamente de origem congolesa. Extremamente rápido e móvel, por vezes até demasiado eléctrico, devido ao seu elevado dinamismo, Bigalke vive, sobretudo, do seu jogo exterior, aparecendo preferencialmente sobre as faixas, mas também em posições mais recuadas ao centro, criando espaços para serem explorados por Toni Kroos ou por Sukuta-Paso, quando coincidiram em campo, já que, diversas vezes, baralha o sistema defensivo do adversário com as suas permanentes movimentações. Bem dotado do ponto de vista técnico, parte para cima dos adversários e sabe assumir a condução de jogo, impondo ritmos fortes, fruto da sua velocidade e capacidade de aceleração, mas também mostra predicados a nível da visão de jogo e do passe, fazendo excelentes aberturas de ruptura, que acabam por se transformar em assistências para finalizações. Muito limitado do ponto de vista físico – falta-lhe força, capacidade de choque e cai de rendimento durante as segundas partes – e sem poder no futebol aéreo, trata-se de um jogador muito oportuno dentro da área, que se antecipa com grande facilidade aos adversários, mostrando um remate fácil e colocado de pé direito. Do ponto de vista defensivo revela-se extremamente lutador e pressionante, assumindo, muitas vezes a toda a largura do terreno, dentro do meio-campo ofensivo, a pressão ao condutor de jogo do adversário, conseguindo alguns desarmes, como também se destaca a cortar linhas de passe em antecipação. É, também, um especialista na transformação de grandes penalidades.

Damien Le Tallec Damien Le Tallec (França) . 19-4-1990. Rennes. É o irmão mais novo de Anthony Le Tallec, também ele um jogador com passado nas selecções inferiores francesas, pois sagrou-se Campeão do Mundo de sub-17 em 2001, passando depois, sem grande sucesso, pelo Liverpool, com quem ainda mantém contrato, apesar de ter estado emprestado ao Sochaux, clube ao serviço do qual venceu a Taça de França este ano, marcando um golo na final. Damien Le Tallec acabou por ser o melhor jogador francês no Europeu sub-17, marcando 2 golos – bisou diante da Alemanha – em 4 jogos, todos como titular e a tempo inteiro. Produto das escolas do Le Havre, transferiu-se, há dois anos, para o Rennes, onde se tem destacado como goleador nas categorias de base, tendo já merecido chamadas à formação de reservas. Avançado-centro, trata-se de um jogador que nunca se dá à marcação, e que faz alarde de uma extrema mobilidade, que lhe permite explorar espaços exteriores à área, tanto ao centro, para participar em tabelas e acções de construção, como sobre as faixas, até porque no seu clube actua, várias vezes, como extremo-direito, de forma a tirar partido das suas diagonais em direcção à área. Contudo, não se trata de um jogador que se destaque pela velocidade e capacidade de explosão, como também por grandes pormenores de ordem técnica, mas é extremamente inteligente nas movimentações, com e sem bola, e muito forte em acções curtas, já que joga muito bem de costas para a baliza e é extremamente ágil e eficiente em movimentos de rotação sobre os defesas, tirando também partido da sua pujança física, ganhando-lhes a frente. Mostra também capacidade a nível do passe, quer em combinações mais à base de passes curtos com os médios interiores, quer em passes médios em direcção às alas. Em zona de finalização é agressivo e sabe tirar partido do seu bom poder de desmarcação e de antecipação, para ganhar posição aos adversários, evidenciando potencial no futebol aéreo, como também um remate forte com os pés, sobretudo o direito, finalizando bem a um-dois toques.

Bojan Krkic Bojan Krkic (Espanha) . 28-8-1990. Barcelona. O melhor jogador do Europeu de sub-17, e, muito provavelmente, o melhor jogador do Mundo da classe 1990. Filho de Krkic, antigo jogador do Estrela Vermelha e da selecção jugoslava, que decidiu acabar a carreira em Espanha, onde se viria a casar e fixar, já deslumbrara na edição passada do Europeu, onde acabou por revelar-se como o “joker” de ouro da selecção espanhola e melhor marcador da competição, confirmando o porquê dos mais de 800 golos apontados nas categorias inferiores do Barcelona. Na edição deste ano, acusou um pouco a carga competitiva desta temporada, em que se destacou como o melhor jogador da equipa B do Barcelona, tendo tido a oportunidade de se estrear pela equipa principal, num particular diante do Al-Ahly, de Manuel José, marcando um golo, o que aumentou, ainda mais, a carga mediática e a pressão em seu redor. Contudo, nota-se que é um jogador com excelente cabeça, inteligente e preparado para atingir o topo, sem perder humildade, mas a sua visibilidade acaba por levar os defesas a fazerem marcações extremamente cerradas e a abusarem em jogo faltoso sobre ele. Utilizado nas 5 partidas da Espanha no Europeu, foi titular em 4, somando 344 minutos de utilização e dois golos, ambos decisivos: o que valeu o prolongamento, nas meias-finais, diante da Bélgica, a 9 minutos do fim da partida ; e o da final, diante da Inglaterra, que valeu o título de campeã da Europa sub-17 à Espanha. Neste Europeu, actuou preferencialmente como unidade mais avançada da sua selecção, mas sente-se, claramente, mais à vontade, a dispor de liberdade de movimentos do que como referência de ataque. Assim, as trocas de posição com Isma López acabaram por ser determinantes, já que Krkic revela-se tremendo a executar diagonais da esquerda para o meio, como também a procurar outros espaços exteriores e a partir em direcção à área com a bola bem colada ao seu magistral pé direito, sempre de cabeça levantada e com grande agilidade mental na altura de tomar decisões – quando os outros começam a pensar, já Bojan decidiu o que fazer. Fisicamente franzino, nota-se que desenvolveu, durante o último ano, a sua potência física e o poder de choque, o que faz com que seja cada vez mais difícil travar as suas progressões, mas está longe de ser um jogador individualista: tem grande sentido colectivo e nunca vira a cara à luta ; joga para e com a equipa, tirando também partido da sua excelente visão de jogo e fantástica capacidade de passe, que lhe permite fazer vários passes a rasgar ; mas, quando é necessário, como aconteceu nas partidas decisivas deste Europeu, assumiu a responsabilidade de fazer a diferença. Extremamente rápido, com um poder de arranque e uma capacidade extraordinária para mudar de velocidade, possui atributos técnicos de gala, com uma excelente gama de dribles, que lhe permitem criar inúmeros desequilíbrios no um para um. Possui também um remate fácil e potente, com uma colocação extraordinária e extremamente imprevisível, pois finaliza com igual facilidade dentro – esteve algo perdulário no 1x1 com os guarda-redes adversários – e fora da área, em bola corrida ou bola parada. Na próxima temporada deverá ganhar espaço na equipa principal do Barcelona, sendo certo que irá realizar a pré-temporada sob o comando de Frank Rijkaard.

Rhys Murphy Rhys Murphy (Inglaterra) . 6-11-1990. Arsenal. Avançado-centro, que marcou presença no último Torneio do Algarve, onde marcou um golo, de grande penalidade, diante da França, foi descoberto por “olheiros” do Arsenal no Wimbledon, afirmando-se como uma das figuras da formação sub-18 do clube londrino esta temporada, onde jogou, muitas vezes, ao lado do português Rui Fonte, apontando 17 golos em 21 jogos, que lhe valeram também a presença em alguns jogos de reservas dos “Gunners”. No Europeu sub-17, apontou 1 golo em 4 jogos como titular, representativos de 280 minutos de utilização, já que falhou a estreia diante da Islândia, devido a castigo. Avançado muito móvel, que explora muito bem espaços exteriores, tanto sobre as alas, como em zonais mais centrais, joga com grande à vontade fora da área, mostrando um boa capacidade de passe e de condução de bola no último terço do terreno, pois é um jogador rápido, incisivo e com potencial técnico, o que lhe permite criar desequilíbrios no um para um, mas também se sabe desmarcar em acções sem bola, aparecendo com facilidade em posições de remate. Forte em movimentos de frente para a baliza, nota-se que tem muito trabalho de ponta-de-lança, já que se sente também à vontade a jogar de costas para a baliza, recebendo e protegendo a bola com firmeza, para além de rodar com extrema facilidade sobre os defesas, ganhando-lhes posição. Dentro da área é extremamente perigoso: muito oportuno, alia um forte jogo aéreo – belo poder de impulsão e tempo de salto – a uma finalização fácil com ambos os pés, apesar do direito ser o mais forte, mas deverá trabalhar ainda mais o enquadramento. Lutador e com boa capacidade física, não dá uma bola por perdida, mostrando também capacidade para se impor em duelos mais físicos.

Christian Benteke Christian Benteke (Bélgica) . 3-12-1990. Genk. Avançado-centro belga, de origem africana, foi titular nas 4 partidas da Bélgica no Europeu sub-17, totalizando 297 minutos de utilização, fruto de 2 jogos completos e 2 incompletos. Marcou um golo, na goleada de 5-1 diante da Islândia, na 3ª jornada da fase de grupos. Extremamente poderoso do ponto de vista físico, funcionou, várias vezes, como unidade de referência dos ataques rápidos dos belgas, pela interessante capacidade que revelou a jogar de costas para a baliza: sabe proteger a bola e temporizar, esperando a entrada em velocidade de Hazard ou de algum dos alas. Cumpriu essa missão de forma positiva, pois apesar de não revelar grandes atributos de ordem técnica, aspecto que terá que trabalhar, mostra uma capacidade de passe curto interessante, como também sabe movimentar-se, caindo, quando necessário, para as alas, de forma a criar espaços para os seus colegas de equipa entrarem de trás para a frente em zona central. Avançado lutador e agressivo, por vezes até em demasia, mostra-se particularmente talhado para situações de corpo a corpo, onde sai, muitas vezes, a ganhar, para além de revelar potência e um remate forte, mas a necessitar de uma maior e melhor definição.

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Sul-Americano Sub-20: 48 jogadores para o futuro (parte um)
quarta-feira, 31 janeiro 2007

Sergio Romero Sergio Romero (Argentina) . 22-2-1987. Racing Club. O melhor guarda-redes do Sul Americano sub-20, realizou uma prova em crescendo, acabando com 4 jogos consecutivos sem sofrer golos e 390 minutos de inviolabilidade, registo de grande qualidade para uma competição com estas características. Totalista da Argentina, somou 810 minutos de competição, fruto de 9 jogos a tempo inteiro, em que sofreu 8 golos e manteve por 5 vezes a sua “baliza virgem” – diante da Venezuela, na 1ª fase, e de Paraguai, Chile, Colômbia e Uruguai, na fase final da prova. Presença regular nas selecções inferiores argentinas, já deu nas vistas no último Mundial sub-17, sendo, desde aí, seguido por vários clubes europeus, que viram o “apetite” aguçar-se depois deste reaparecimento a grande nível numa competição internacional. No Racing Club ainda não teve oportunidade de se estrear em jogos oficiais pela equipa principal, com quem trabalha há dois anos, tendo já sido suplente não utilizado em vários jogos da principal Liga argentina. Muito forte fora dos postes, revela uma grande eficácia nas saídas por alto, tirando partido da sua excelente constituição física – 1.92/87 -, que lhe garante firmeza e segurança a atacar a bola, como também uma boa leitura dos lances, antecipando-se, de forma inteligente, às movimentações dos adversários. Para além disso, gosta de desempenhar a função de libero, colocando-se, quando a sua equipa está com a posse de bola, à entrada da sua área, mostrando-se sempre atento às bolas perdidas, até porque demonstra uma grande facilidade a jogar com os pés, lançando, com precisão, tanto com as mãos como com os pés, iniciativas ofensivas. O seu principal problema acaba por ser a colocação entre postes: gosta de jogar adiantado e assume esse risco, que faz com que seja, em algumas ocasiões, surpreendido por remates de fora da área. Contudo, é muito ágil e elástico, o que lhe permite protagonizar algumas defesas de elevado grau de dificuldade e altíssimo aparato, ainda que possa moderar alguma tendência para procurar dar espectáculo.

Cássio Cássio Ramos (Brasil) . 6-6-1987. Grêmio Porto Alegre. Começou o Sul-Americano como suplente, mas acabou-o como titular, estatuto que agarrou após a partida diante do Paraguai, a última da primeira fase, em que teve a oportunidade de se estrear, mostrando, desde logo, um nível superior ao do seu “rival” Muriel, guarda-redes do Internacional de Porto Alegre. Esteve 540 minutos na baliza do Brasil no Sul-Americano 2007, representativos de 6 jogos como titular – todos completos -, em que sofreu 6 golos e viu 1 cartão amarelo, acabando o torneio com 2 “balizas virgens” consecutivas, diante de Paraguai e Colômbia, depois de ter também parado uma grande penalidade de Cavani, no Brasil-Uruguai, da antepenúltima jornada da segunda fase. Guardião do Grêmio de Porto Alegre, já teve a oportunidade de se estrear, a temporada passada, na Série A do Brasileirão, jogando alguns minutos diante do Fluminense, em Outubro de 2006. Contudo, a aposta não teve continuidade e Cássio espera agora, no Campeonato Gaúcho 2007, ter mais oportunidades. Extremamente dotado do ponto de vista físico – 1.95/92 – mostra argumentos pouco habituais nos guardiões brasileiros, saindo bem dos postes, quer pelo chão – é forte no um para um com os avançados adversários e destemido a atacar a bola -, quer pelo ar, onde mostra à vontade, ainda que possa melhorar, em algumas ocasiões, o tempo de saída, aspecto onde denota algumas deficiências. Forte entre postes, apesar da estrutura física, revela-se extremamente ágil e elástico, controlando bem toda a baliza, chegando com rapidez e facilidade a ambos os cantos, protagonizando algumas defesas de elevado grau de dificuldade. Muito comunicativo, mostra capacidade de liderança e corrige, frequentemente, o posicionamento dos seus colegas do sector defensivo. É, também, rápido a sair para iniciativas ofensivas, lançando alguns lances de contra-ataque. Pode melhorar a sua colocação, já que tem uma tendência excessiva para jogar adiantado, o que dificulta a sua acção, sobretudo em remates de fora da área.

Libis Arenas Libis Arenas (Colômbia) . 12-5-1987. Envigado FC. Pretendido por diversos clubes europeus, o guardião colombiano realizou uma 1ª fase de Sul-Americano de altíssimo nível, com prestações fantásticas diante de Argentina (vitória 2-1), Uruguai (derrota 0-1) e Equador (vitória 1-0). Contudo, uma desastrosa exibição diante do Chile (derrota 0-5) e outro jogo menos conseguido diante do Uruguai (derrota 0-2), na segunda fase da prova, acabaram por fazer com que perdesse a titularidade para David Ospina. Ao todo, somou 5 jogos como titular, representativos de 450 minutos de utilização -, sofrendo 9 golos e mantendo por uma vez a “baliza virgem”. Guardião do Envigado FC, estreou-se com apenas 17 anos na principal Liga da Colômbia, mas ainda não se fixou como titular, sendo, por norma, o suplente de Janer Serpa, que se transferiu recentemente para o Tolima. É um guardião com boa constituição física – 1.86 / 80 – e com experiência a nível internacional, pois já participou, como titular, no Mundial Sub-20 de 2005, onde sofreu 4 golos em 4 jogos, e no Mundial Sub-17 de 2003, onde fez 6 jogos, ajudando a Colômbia a chegar ao 4º lugar da prova. Trata-se de um guarda-redes muito ágil e com grandes reflexos, capaz de intervenções de grande nível entre postes, tanto por cima como por baixo. Muito elástico, chega com facilidade a ambos os postes, mas pode trabalhar mais a colocação, aspecto onde, em algumas situações, revela algumas carências. Fora dos postes, mostra grande à vontade nas saídas aéreas, ainda que tenha tendência para socar a bola e raramente procurar desfazer cruzamentos de forma completa. Arrisca muito, mesmo fora da pequena área, o que faz com que cometa alguns erros. Nas saídas aos pés dos adversários mostra-se rápido, corajoso e decidido, para além de segurar bem a queda. Tem capacidade de liderança, comandando, por vezes com alguns exageros, o seu sector defensivo. É rápido a lançar ataques: tem um lançamento manual longo, colocando a bola a larga distância ; possui um pontapé forte e muito alto, colocando, quase sempre, a bola numa posição central, a meio do meio campo adversário.

Amaral Amaral (Brasil) . 5-9-1987. Palmeiras. Titularíssimo na selecção brasileira, efectuou as 9 partidas da sua Selecção no Sul-Americano, somando 794 minutos de utilização, em que apenas viu um amarelo, fruto de 8 jogos completos e 1 incompleto. Jogador revelado pelo Fortaleza, onde se impôs como titular, na Série A do Brasileirão, com apenas 17 anos, foi contratado há um ano pelo Palmeiras, clube que já representou em 11 ocasiões na divisão maior do futebol brasileiro. Lateral direito extremamente ofensivo, faz com grande facilidade todo o corredor, transformando-se, em acção de ataque, em médio ala ou extremo direito. Na segunda fase da competição, foi utilizado também a lateral-esquerdo, adaptando-se bem à função, de forma a suprir a ausência de Carlinhos, devido a castigo. Muito rápido e com grande capacidade de aceleração, desdobra-se bem em acções de ataque, mostrando facilidade em assumir jogo pelo flanco. Dotado de um potencial técnico interessante, perde-se, em algumas ocasiões, em adornos, que acabam por fazer com que seja desarmado, perdendo objectividade. Deve ganhar uma maior regularidade a nível do passe e dos cruzamentos, mas, sobretudo no último item, já revela pormenores muito interessantes. Apesar de frágil fisicamente – 1.66/58 -, apresenta uma boa condição física que lhe permite fazer todo o corredor ao longo do jogo. Do ponto de vista defensivo necessita de evoluir, de forma a ganhar uma consistência maior: para já, revela-se mais à vontade na defesa de posições exteriores, onde não é fácil batê-lo em velocidade, do que na defesa de espaços interiores, onde revela limitações, quer no futebol aéreo, quer na marcação.

Gabriel Mercado Gabriel Mercado (Argentina) . 18-3-1987. Racing Club. Começou a prova como suplente, não tendo sido utilizado nas duas primeiras partidas da Argentina, mas o fraco rendimento de Miguel Ángel Torren, abriu-lhe as portas da titularidade, jogando preferencialmente como lateral-direito, num esquema de quatro defesas, mas também como central pela direita, num esquema com três centrais. Ao todo, realizou 5 jogos como titular, 4 deles completos, totalizando 424 minutos de competição, em que viu 3 amarelos e 1 vermelho por acumulação, diante do Paraguai, já na 2ª fase, e que o obrigaram a falhar as partidas diante de Chile e Uruguai na fase decisiva da competição. No Racing Club ainda não fez a sua estreia na equipa principal, apesar de já ter sido convocado para alguns jogos da Liga argentina. Defesa polivalente, pode jogar como lateral-direito ou a defesa-central pela direita, num esquema com dois ou três centrais, que é a sua posição de origem. Jogador de características defensivas, preocupa-se quase que exclusivamente em cumprir do ponto de vista defensivo, mostrando-se forte do ponto de vista físico – 1.80/71 -, aliando uma boa capacidade de choque com um bom jogo aéreo, que lhe permite garantir competência na defesa de posições interiores, como também exteriores, revelando um bom poder de desarme e capacidade para jogar na antecipação, ainda que se revele extremamente contundente e agressivo na abordagem aos lances, o que lhe custou vários cartões ao longo da prova. A nível ofensivo é muito pouco participativo, raramente penetrando no meio-campo adversário. Razoável no passe – mais eficaz no curto do que no longo -, efectuou muito poucos cruzamentos ao longo da competição, não mostrando grandes atributos a esse nível.

Dagoberto Currimilla Dagoberto Currimilla (Chile) . 26-12-1987. Huachipato. Jogador polivalente, capaz de desempenhar diferentes tarefas sobre a ala direita, foi utilizado em 6 jogos como titular, mas apenas completou um jogo, tendo sido substituído em 5 ocasiões, a que juntou ainda uma partida como suplente utilizado, totalizando 511 minutos de utilização. Viu 3 cartões amarelos, o que fez com que falhasse o último jogo diante do Paraguai, devido a castigo. Revelação da temporada 2005 no futebol chileno, justificou chamada à selecção principal do seu país, pela qual se estreou, com apenas 18 anos, num particular diante da Nova Zelândia. Depois de apontar 3 golos em 28 jogos na Liga 2005, perdeu um pouco de espaço na época passada, onde apontou 1 golo em 16 jogos, sendo que só 2 foram na condição de titular. Médio ala direito de origem, pode também desempenhar funções interiores pela direita, como também fazer todo o corredor, como volante lateral, num esquema com três centrais, algo que aconteceu na maior parte dos jogos do Chile no Sul-Americano. É um jogador destro, algo franzino, com claras características ofensivas, mas disponível também para trabalhar defensivamente, mostrando capacidade de luta e de pressão, notando-se que se sente mais à vontade a jogar na antecipação do que nos lances corpo a corpo. Rápido, desmarca-se ou progride com facilidade pelo seu flanco, mostrando uma boa capacidade no passe lateral, mas falta-lhe uma maior regularidade e acerto a nível dos cruzamentos, tanto em bola parada como em bola corrida, já que alterna o bom com o mau com demasiada frequência. Revelou algumas limitações de ordem física, sentindo dificuldades em completar os 90 minutos, como também se mostrou um jogador irregular e intermitente, que desaparece com alguma facilidade dos jogos.

Martín Cáceres Martín Cáceres (Uruguai) . 7-4-1987. Defensor Sporting. O melhor defesa-central do Sul-Americano 2007, foi titular, a tempo inteiro, em 7 das 9 partidas do Uruguai na prova, falhando, por castigo, as duas partidas diante da Argentina, já que completou 2 séries de cartões amarelos, uma em casa fase. Assim, totalizou 630 minutos de competição, em que não marcou qualquer golo. Revelação da primeira fase do Campeonato uruguaio, impôs-se como titular do Defensor Sporting, pelo qual marcou 4 golos em 14 partidas na Liga, confirmando no Sul-Americano as boas exibições protagonizadas no último semestre de 2006, que o deverão conduzir em breve ao futebol europeu. Apesar de não apresentar grandes argumentos de ordem física – 1.79/75 -, trata-se de um defesa-central agressivo – por vezes em demasia, aspecto que deverá moderar -, com capacidade nos lances corpo a corpo, para além de se evidenciar muito forte na marcação e extremamente inteligente do ponto de vista posicional, transmitindo enorme segurança. Rápido sobre a bola, joga com grande facilidade na antecipação, para além de evidenciar um excelente poder de desarme, tanto pelo chão como pelo ar, pois apesar de não ser muito alto, domina o espaço aéreo, tirando partido de um muito bom poder de impulsão e tempo de salto, que lhe permite igualmente criar perigo em lances de bola para ofensivos. Do ponto de vista técnico apresenta também argumentos muito interessantes, mas não gosta de arriscar, e quando é necessário joga feio. Contudo, se tem oportunidade ou espaço para o fazer, sabe sair a jogar, assumindo a primeira fase de construção, mostrando boa visão de jogo e boa capacidade de passe, não só curto, mas também médio e longo, quando procura um futebol mais directo.

Nicolás Larrondo Nicolás Larrondo (Chile) . 4-10-1987. Universidad de Chile. Titular em 8 dos 9 jogos do Chile nesta competição, apenas não completou a partida diante do Brasil, na 2ª fase, por ter sido expulso por duplo-amarelo, curiosamente no único jogo em que foi admoestado, o que o afastaria da partida diante da Argentina (0-0). Apontou 3 golos no Sul-Americano - 2 diante da Bolívia (1ªfase) e 1 diante da Colômbia (2ª fase) – como também 1 auto-golo, diante do Peru, na primeira fase da competição, em 687 minutos de utilização. Presença pouco regular na equipa principal do seu clube, soma apenas 7 jogos – 6 deles como titular – na principal equipa da Universidad de Chile. Central pela direita, enquadra-se bem num esquema com dois ou três centrais, mostrando-se sólido nos processos defensivos, tanto em acções de marcação como numa missão mais solta, onde sabe tirar partido de um bom sentido posicional, mas é também um defesa eficaz em acções de desarme e a jogar na antecipação. Forte no jogo aéreo, mostrou um bom controlo do espaço aéreo em acção defensiva, surpreendo pelo potencial no jogo de cabeça na área adversária, que lhe acabou por valer três golos. Sem grandes alaridos do ponto de vista técnico, opta, quase sempre, por processos simples e práticos, nunca complicando.

Carlos Tordoya Carlos Tordoya (Bolívia) . 31-7-1987. Arsenal Sarandí. Titular nas 3 primeiras partidas da Bolívia no Sul-Americano, esteve ausente do 4º jogo, diante do Peru, devido a castigo, pois foi expulso diante do Brasil, no único jogo em que foi admoestado, acabando por totalizar 244 minutos de utilização na competição, em que se destacou como a melhor unidade da selecção da Bolívia, que capitaneou. Ainda não efectuou a sua estreia pelos argentinos do Arsenal Sarandí, clube que tem vindo a representar nas reservas e para o qual se transferiu depois de ter completado a formação no Rosario Central, que o descobriu na Academia Tahuichi, na Bolívia, falando-se de um eventual regresso ao seu país para representar o Bolívar. É um defesa-central agressivo e pressionante, bem constituído do ponto de vista físico – 1.83/73 -, que acaba por se impor com facilidade nos confrontos físicos, mostrando-se talhado para acções de marcação, até porque é eficaz no desarme, tanto pelo chão, como pelo ar, até porque é um defesa forte no futebol aéreo, mas que poderá tornar-se mais acutilante em bolas paradas ofensivas. Dotado também de um bom sentido posicional, mostra capacidade de liderança e voz de comando no sector defensivo, para além de potencial a empurrar a equipa para a frente, saindo a jogar de cabeça levantada.

Federico Fazio Federico Fazio (Argentina) . 17-3-1987. Ferrocarril Oeste. Titular nos dois primeiros jogos da Argentina no Sul-Americano, perdeu o lugar após uma exibição menos conseguida diante da Colômbia, jogo em que até marcou um golo – o seu único na competição -, mas recuperá-la-ia na fase final da prova, onde apenas falhou a última partida, frente ao Uruguai, devido a castigo. Somou 6 jogos, todos como titular, sendo que 5 foram completos, representativos de 529 minutos de competição, tendo visto 3 cartões amarelos. Contratado pelo Sevilha, que ficou convencido com as suas prestações ao longo da prova, dará um “salto” da Nacional B argentina, onde era titular da equipa do Ferrocarril Oeste - 17 jogos, em que viu 2 cartões vermelhos -, para a Liga espanhola. Defesa-central destro e marcador, destaca-se por ser muito forte do ponto de vista físico – 1.95/85 -, duro – por vezes, excessivamente agressivo, algo que deve moderar – e forte nas lutas corpo a corpo, onde se impõe com grande facilidade, para além de revelar um bom poder de desarme e um muito interessante poder de antecipação, que acaba por compensar alguma dureza de rins, sobretudo quando os adversários aparecem vindos de trás para a frente em velocidade, e algumas deficiências a nível posicional, aspecto que por certo limará com trabalho específico em Sevilha. Muito forte no jogo aéreo, revela-se insuperável pelo ar a nível defensivo, como também perigoso em acção ofensiva, sobretudo a conquistar bolas, pois necessita de aprimorar a sua técnica de cabeceamento em direcção à baliza. Tecnicamente não se trata de um jogador muito dotado, mas opta, quase sempre, por processos simples e práticos, ainda que possua um pontapé muito forte, que lhe permite colocar a bola a larga distância, mas pode melhorar a precisão no passe.

David David (Brasil) . 21-5-1987. Palmeiras. Teve uma passagem curta pelo Sul-Americano 2007, mas suficiente para se mostrar como o melhor defesa-central do Brasil na competição, apesar de ter começado a prova como 4ª opção para o lugar. Efectuou 3 jogos como titular – completou apenas um – totalizando 203 minutos de utilização, em que marcou um golo, diante do Uruguai, na 2ª fase. No único jogo em que foi admoestado – diante do Paraguai, na 2ª fase -, acabou por ser expulso, por duplo amarelo, numa altura em que tinha conquistado a titularidade. Defesa central destro, evidencia uma capacidade física imponente – 1.87/82 -, que lhe permite impor-se nos lances divididos com grande facilidade, ainda que em alguns casos abuse do contacto com os adversários, tornando-se excessivamente faltoso, o que lhe custou a expulsão diante do Paraguai. Contudo, trata-se de um defesa muito eficaz no desarme, tanto pelo chão como pelo ar, tirando partido de um bom tempo de entrada aos lances e de um bom jogo aéreo, mostrando-se impetuoso na abordagem aos lances, o que o deixa também à vontade a jogar na antecipação, pois é um defesa rápido, o que o coloca num patamar superior ao de Thiago Heleno e Eliézio, dois centrais lentos e duros de rins, com características muito próximas. Do ponto de vista técnico e a nível do controlo de bola apresenta algumas limitações, que procura compensar jogando de forma simples e prática, não procurando fazer aquilo que não sabe. Mostrou presença na área adversária na sequência de lances de bola parada, onde soube tirar partido do seu bom jogo aéreo.

Carlos Zambrano Carlos Zambrano (Perú) . 10-7-1989. Schalke 04. Defesa-central, de apenas 17 anos, apenas somou 180 minutos de utilização no Sul-Americano 2007, fruto de 2 jogos a titular, diante de Brasil e Chile, em que viu 2 cartões amarelos. Contudo, a sua ausência nos jogos diante de Paraguai – opção – e Bolívia – castigo – acabou por se revelar determinante para a falta de coesão defensiva dos peruanos, que saíram de competição com 4 derrotas em 4 jogos. Jogador do Schalke 04, foi contratado pelo conjunto alemão após uma excelente participação no Mundial sub-17 de 2005, e encontra-se incorporado na formação sub-19, onde rapidamente se afirmou como líder, apesar de ter estado algum tempo afastado devido a uma grave lesão, que ficou bem debelada. É um central com enorme potencial, provavelmente o segundo melhor da competição, logo atrás de Martín Cáceres, isto apesar da paupérrima campanha peruana no Sul-Americano. Muito forte do ponto de vista físico e difícil de bater no um para um, trata-se de um defesa que joga com igual à vontade na marcação ou solto, revelando um bom sentido posicional, como também rapidez e agressividade na abordagem aos lances, que faz com que corte inúmeras linhas de passe, tirando partido de um muito bom poder de antecipação e capacidade de pressão, já que sai com inteligência e eficácia de posição. Forte no desarme, tanto pelo chão como pelo ar, deve, no entanto, moderar os seus ímpetos agressivos na abordagem a alguns lances, mas trata-se de um central contundente e que não gosta de perder, destacando-se também por possuir uma capacidade de liderança pouco comum num jogador tão jovem. Do ponto de vista ofensivo, aparece bem na área adversária na sequência de lances de bola parada, como também sabe sair a jogar, assumindo uma primeira fase de construção de jogo ofensivo, mostrando uma muito interessante capacidade de passe.

Cristián Suarez Cristián Suárez (Chile) . 6-2-1987. Unión San Filipe. Titularíssimo no eixo central da defensiva do Chile efectuou os 9 jogos da sua selecção no Sul-Americano, todos como titular e a tempo inteiro: não marcou qualquer golo em 810 minutos de competição, tendo visto 2 cartões amarelos. Habitual titular do Unión San Filipe, emblema da 2ªDivisão do Chile, é pretendido por vários clubes da divisão maior do futebol chileno. Defesa destro, mas não totalmente cego de pé esquerdo, destaca-se pela capacidade defensiva e poder físico: bom marcador, dá poucos espaços ao seu adversário directo, impondo-se, por norma, nos lances divididos, ainda que, em algumas ocasiões, abuse um pouco do contacto físico, revelando-se algo faltoso e demasiadamente agressivo na abordagem aos lances. Sente-se, no entanto, menos à vontade, quando é obrigado a disputar lances em velocidade, mostrando alguma lentidão, que procura ludibriar com um razoável posicionamento e o seu habitual poder de choque. Forte no jogo aéreo, mostrou-se mais à vontade do ponto de vista defensivo do que ofensivo, onde deve tornar-se mais acutilante na procura da baliza adversária na sequência de lances de bola parada. Do ponto de vista técnico não é um jogador muito dotado: contudo, não complica, e opta, quase sempre, por processos simples, mas deverá trabalhar a capacidade de passe e evitar a sua tendência natural para procurar um futebol directo, de forma a poder atingir outro patamar.

Matías Cahais Matías Cahais (Argentina) . 24-12-1987. Boca Juniors. Capitão da selecção argentina de sub-20, foi titular em 8 dos 9 jogos da Argentina no Sul-Americano 2007, só falhando a partida diante da Colômbia, por castigo, na sequência da expulsão, no período de descontos, na partida frente ao Chile. Totalizou 720 minutos de competição, marcando 2 golos, ambos na 2ª fase: um frente ao Brasil e outro diante do Paraguai, que valeu uma vitória por 1-0. Para além do cartão vermelho por acumulação de amarelos, viu um cartão amarelo durante a competição. Apesar de apontado como um dos centrais promissores do futebol argentino, ainda não se conseguiu impor na primeira equipa do Boca Juniors, isto apesar de ter feito a sua estreia com 17 anos, marcando um golo ao Almagro (derrota 2-3). É um central canhoto, que confirmou neste Sul-Americano, as excelentes indicações dadas no último Torneio de Toulon: apesar de não se tratar de um central rápido e de se mostrar algo duro de rins, o que o deixa demasiado exposto quando tem pela frente adversários mais rápidos, sabe tirar partido de um bom sentido posicional e da sua capacidade física para se impor, atacando a bola com grande contundência e mostrando-se forte na antecipação, ainda que, em algumas ocasiões, se revele extremamente duro. É, também, muito forte no futebol aéreo, não só em situação defensiva, como também em ofensiva, tratando-se de um jogador muito perigoso na sequência de lances de bola parada. Líder, apesar da sua juventude mostra já uma personalidade muito forte, dando instruções e coordenando as operações defensivas. Elegante, sabe sair a jogar, mostrando capacidade para assumir uma primeira fase de construção.

Carlinhos Carlinhos (Brasil) . 23-1-1987. Santos. Lateral-esquerdo, estava a realizar uma prova muito boa até ser expulso diante do Chile, na sequência dos confrontos entre jogadores das duas equipas na fase final do jogo da 2ª fase, que acabou por lhe custar o afastamento de duas partidas da segunda fase. Assim, totalizou 556 minutos de utilização, fruto de 6 jogos como titular e de 1 como suplente utilizado, em que viu 1 cartão amarelo e 1 cartão vermelho. Presença cada vez mais regular na primeira equipa do Santos, Carlinhos, que já foi chamado à Selecção principal, soma 2 golos em 24 partidas na Série A do Brasileirão, desde que se estreou, em Junho de 2005, com apenas 18 anos, diante do Fortaleza. Lateral de forte propensão ofensiva e boa condição física, que lhe permite fazer todo o flanco, é dotado de um belo pé esquerdo e transforma-se, à semelhança de Amaral, num autêntico médio-ala/extremo em situação ofensiva, mas mostra-se mais eficaz nos processos defensivos do que o seu compatriota, revelando um maior conhecimento táctico e maior eficácia, tanto na defesa de posições interiores como exteriores, onde, ainda assim, se sente mais à vontade. Do ponto de vista ofensivo, é um lateral rápido, com bom toque de bola e remate potente, tanto em bola parada como em bola corrida. Eficaz nos cruzamentos, coloca a bola com facilidade e precisão na área, proporcionado aos avançados várias assistências para finalização. Deve, no entanto, moderar um pouco a sua tendência para individualizar as jogadas, que acaba por lhe retirar objectividade nas acções, assim como ganhar maior consistência no passe, onde alterna o bom com o mau com relativa frequência, fruto de alguma precipitação.

Gonzalo García Gonzalo García (Argentina) . 6-2-1987. Racing Club. Defesa extremamente regular, foi titularíssimo na lateral-esquerda da selecção argentina, onde se esperava a presença de Emiliano Insúa, jogador dos ingleses do Liverpool, que ficou remetido à condição de suplente. García efectuou 8 partidas, todas completas, totalizando 720 minutos de competição, em que viu 2 cartões amarelos, que acabariam por afastá-lo da partida diante do Uruguai, a última da competição. Já teve a oportunidade de se estrear pela equipa principal do Racing, realizando uma partida diante do Banfield, em Novembro passado. É um jogador que se destaca pela regularidade, mostrando, apesar de alguma fragilidade do ponto de vista físico – 1.70 / 64 -, uma boa capacidade do ponto de vista defensivo, sobretudo na defesa de espaços exteriores, onde não é fácil batê-lo, pois trata-se de um jogador muito lutador e pressionante, com argumentos interessantes no desarme e que não é fácil de bater em velocidade, até pela sua entrega total ao jogo. Em espaços interiores, mostra conhecimentos tácticos interessantes, fechando dentro, mas tem algumas dificuldades no futebol aéreo, que procura compensar com o seu sentido posicional e capacidade para jogar na antecipação. Do ponto de vista ofensivo não arrisca muito, subindo apenas pelo seguro. Quando sobe, utiliza quase sempre processos simples, mostrando-se pouco acutilante, mas muito “certinho”, nunca procurando fazer aquilo que não sabe.

Carlos Carmona Carlos Carmona (Chile) . 21-2-1987. Coquimbo. Pêndulo e “capitão” da selecção chilena, foi um dos totalistas da competição, ao somar 810 minutos de utilização, correspondentes a 9 jogos como titular e a tempo inteiro, em que não marcou qualquer golo e viu 2 cartões amarelos. Presença regular na primeira equipa do Coquimbo, soma já 47 jogos pela formação principal na divisão maior do futebol chileno, tendo apontado 2 golos. Jogador polivalente pode actuar mais sobre o centro ou aberto à esquerda, desempenhando funções de volante-lateral, ainda que, nessa posição, tenha uma grande tendência a deslocar-se para o centro e não progredir pela faixa, até porque mostra pouco potencial com o pé esquerdo. É um jogador lutador, que sabe fechar e ocupar os espaços, para além de sair bem a jogar, mostrando uma boa visão de jogo e capacidade de passe, mais à base do curto, fazendo a bola circular de forma inteligente. Pouco incisivo nos últimos metros, raramente procura a baliza em bola corrida, mas mostra-se um jogador eficaz a bater livres laterais, colocando a bola com grande facilidade na área, como também em livres directos descaídos para o centro-esquerda, de forma a tirar partido do seu remate de pé direito.

Gary Medel Gary Medel (Chile) . 3-8-1987. Universidad Católica. Médio defensivo chileno, pareceu começar o Sul-Americano a acusar um défice físico, mas fez uma competição em crescendo – boas exibições diante de Brasil e Argentina, na 2ª fase -, ainda que tenha pago o preço de um temperamento demasiado quente, ao falhar 2 jogos devido a castigo (Colômbia e Uruguai, na 2ª fase). Foi utilizado em 7 jogos, 6 dos quais como titular – 4 completos, 2 substituído – e 1 como suplente utilizado, totalizando 464 minutos de utilização, em que viu 3 cartões amarelos e 1 vermelho por acumulação, diante do Peru, pouco depois da meia hora de jogo. Promovido à equipa principal da Universidad Católica durante a temporada 2006, realizou apenas um jogo pela formação principal, diante da Universidad Chile (derrota 0-1), mas este ano deverá ter mais oportunidades. Jogador de grande disponibilidade física, ressentiu-se, na primeira fase da competição, de algum défice a esse nível, mas com os jogos foi ganhando “pulmão” e mostrou uma assinalável capacidade de pressão e eficácia nos processos de destruição de jogo. Apesar de algo baixo – 1.70 -, o que faz com que não se sinta particularmente à vontade no futebol aéreo, mostrou-se muito forte no jogo pelo chão: bom marcador, forte no desarme pelo chão e eficaz a jogar na antecipação, aliando um bom sentido posicional a uma agressividade, por vezes, excessiva na abordagem aos lances, algo que deverá rever com urgência, pois perde a cabeça com excessiva facilidade. Do ponto de vista ofensivo é pouco participativo, raramente ultrapassando a linha de meio-campo. Ainda assim, quando chamado a intervir, não procura fazer o que não sabe: joga simples e prático, mostrando capacidade no passe curto e a lateralizar.

Ever Banega Ever Banega (Argentina) . 29-6-1988. Boca Juniors. Já apontado como uma das maiores promessas do futebol argentino e sucessor de Fernando Gago no Boca Juniors, onde ainda não se estreou pela equipa principal, Banega deu mostras do seu grande talento durante o Sul-Americano, ainda que a sua prestação, sobretudo na segunda fase da prova, se visse condicionada com um problema físico, que o afastou do jogo contra a Colômbia, acabando por acusar alguma irregularidade. Ao todo, realizou 7 jogos como titular, 5 dos quais completos, representativos de 591 minutos de utilização. Viu dois cartões amarelos, que acabaram por afastá-lo da partida diante do Brasil, com que a Argentina iniciou a segunda fase da competição. É um jogador que apesar da juventude e da falta de experiência no futebol profissional mostra já um conhecimento elevado do lado táctico do jogo, mostrando competência nos processos defensivos e ofensivos desde o centro do terreno. Eficaz nos processos defensivos, a sua cultura táctica permite-lhe recuperar várias bolas, através de cortes da linha de passe, mas não é tão eficaz a nível do desarme, sobretudo em lances corpo a corpo, onde sentiu muitas dificuldades para se impor, até porque é algo leve, e o levou a cometer algumas faltas. O seu jogo ganha outra dimensão com a bola nos pés. Assim que recupera a bola ou lhe fazem chegar, sabe o que fazer a seguir, mostrando uma boa capacidade organizativa, tirando partido de um bom controlo de bola e de uma boa visão de jogo, para além de uma grande facilidade na selecção e execução dos passes – curtos, médios ou longos -, quase sempre a encontrarem o destino desejado. Tecnicamente mostrou também ser bastante dotado, rodando muito bem sobre os adversários e ganhando lances no um para um, mas faltou-lhe um pouco mais de atrevimento para entrar no último terço de campo, aspecto em que se revelou tímido. Necessita também de ganhar uma maior dimensão física, mas os problemas que o afectaram nesse capítulo, terão condicionado o seu rendimento.

Claudio Yacob Claudio Yacob (Argentina) . 18-7-1987. Racing Club. Suplente não utilizado na desastrosa partida de estreia diante do Equador (1-1), Hugo Tocalli não hesitou em chamá-lo à equipa titular na partida seguinte, diante da Colômbia, e Yacob não mais perdeu o lugar. Titular a tempo inteiro em 8 jogos do Sul-Americano, totalizou 720 minutos de utilização, em que apenas viu 1 cartão amarelo, afirmando-se como um “pêndulo” da zona central do meio-campo argentino. Já teve a oportunidade de realizar dois jogos pela formação principal do Racing, em Novembro e Dezembro passado, mais ainda não se estreou como titular, o que deverá acontecer na segunda metade da época argentina. É um médio de características defensivas, que actua mais fixo do que Banega, e cuja acção é mais posicional e de destruição do jogo do adversário. Muito regular, raramente perde a posição, dando segurança à equipa, pois é muito lutador e pressionante, revelando um enorme “pulmão”. Muito forte em acções de recuperação, alia uma boa capacidade de desarme a um bom poder de antecipação, tirando também partido de uma boa capacidade física – 1.81 / 73 -, que lhe permite impor-se em lances corpo a corpo. Apesar de impetuoso, não faz faltas disparatadas, mostrando até aí um elevado sentido táctico. Do ponto de vista ofensivo, trata-se de um jogador limitado, até porque tecnicamente mostra poucos argumentos. Opta, assim, por jogar de forma simples, quase sempre à base de passes curtos, raramente incorporando acções de ataque, quer em acções com bola, quer sem bola.

Maurício Isla Maurício Isla (Chile) . 12-6-1988. Universidad Católica. Jogador polivalente foi utilizado no eixo central do meio-campo da formação chilena, mas também como central, o que aconteceu diante da Argentina, para suprir a ausência de Larrondo, de forma a completar o tridente defensivo que caracterizou os chilenos, já que José Sulantay apostou num 3x5x2, ou a volante lateral. Jogou 7 das 9 partidas do Chile no Sul-Americano, totalizando 575 minutos de utilização, fruto de 5 jogos completos e de 2 incompletos. Marcou 1 golo, logo na estreia, diante do Brasil, e viu 2 amarelos, que lhe valeram uma partida de suspensão ainda na primeira fase. Sem espaço, até ao momento, na formação principal da Universidad Católica, aguarda oportunidade para se estrear em 2007, o que deverá acontecer muito em breve, pois mostra “madeira” para se tornar numa referência a médio-prazo do futebol chileno. Extremamente elegante e inteligente, demonstra uma polivalência assinalável, que alia a um excelente jogo posicional, mostrando conhecimento dos terrenos que pisa, tanto na defesa como a meio campo. Forte nos processos defensivos, trata-se de um jogador eficaz a nível do desarme, pois, apesar de não se tratar de um jogador que promova muito situações de choque, mostra-se extremamente eficaz a cortar linhas de passe e a jogar na antecipação, para além de evidenciar um bom tempo de entrada aos lances. Contudo, o seu potencial eleva-se com a bola nos pés: assim que recupera uma bola ou lhe fazem chegar o esférico, sabe o que fazer a seguir. Elegante na forma como conduz jogo, joga de cabeça levantada e com a bola colada ao pé direito, mostrando capacidade técnica interessante, e, sobretudo, uma boa leitura de jogo, percebendo muito bem as movimentações/desmarcações dos seus colegas, para além de rapidez, tanto na movimentação como na execução, e grande qualidade no passe: não só curto e médio, como também longo, onde se poderá tornar, no entanto, mais acutilante. Forte a romper de trás para a frente, com ou sem bola, aparece também em zona de finalização, dentro da área ou à entrada desta, mostrando um bom remate de pé direito, como também alguma capacidade no futebol aéreo, que poderá desenvolver.

Lucas Leiva Lucas Leiva (Brasil) . 9-1-1987. Grêmio Porto Alegre. Sobrinho do craque “Leivinha”, bi-campeão brasileiro pelo Palmeiras na década de 70 e antigo jogador do Atlético Madrid, onde era conhecido por “Príncipe”, Lucas Leiva foi outra das grandes figuras da competição, o melhor jogador do Brasil, decisivo na condução da formação brasileira à conquista do Sul-Americano de sub-20. Capitão e pêndulo da selecção brasileira, foi um dos totalistas da prova, ao somar 810 minutos de utilização, representativos de 9 jogos completos, no quais somou 4 golos – 2 na primeira fase, ambos diante do Peru, que valeram a vitória 2-1 ; 2 na segunda fase, diante de Argentina e Colômbia – e viu apenas 1 cartão amarelo. Titular indiscutível do Grêmio de Porto Alegre, no ano do regresso à divisão maior do futebol brasileiro, totalizou 4 golos em 32 jogos, que o transformaram numa das figuras da temporada e lhe valeram a chamada à Selecção principal do Brasil. Médio centro, box-to-box, revela uma maturidade táctica fora do comum, para além de grande capacidade de liderança, que o leva a assumir o jogo em fases mais delicadas, como também a entregar-se de forma total, revelando grande sentido colectivo. Bem dotado do ponto de vista físico, não só a nível da força, que lhe permite impor-se nos lances divididos, mas também no que concerne à condição, não parando de correr os 90 minutos, sabe ocupar os espaços e revela-se um bom recuperador de bolas, cortando linhas de passe e efectuando desarmes. Muito forte na condução e distribuição de jogo, rompe bem de trás para a frente com a bola nos pés, aliando velocidade e potência a uma boa capacidade técnica, que lhe permitem criar desequilíbrios no um para um. Inteligente a ler o jogo, revela-se muito eficaz no passe, mostrando uma boa selecção do mesmo: curto-médio em zona central ; curto-médio-longo do centro em direcção às alas. Possui também um remate forte, para além de grande sentido de baliza, aparecendo com grande facilidade em posições de finalização, a partir de acções com ou sem bola.

Marcel Román Marcel Román (Uruguai) . 7-2-1988. Danúbio. Uma das boas “surpresas” do Sul-Americano 2008, foi titular nas 9 partidas da selecção uruguaia na prova, completando 8 jogos, totalizando 798 minutos de utilização, tendo visto um cartão amarelo. Ainda não teve a oportunidade de se estrear pela equipa principal do Danúbio, o que deverá acontecer em breve, pois trabalha há algum tempo como a equipa principal, mas pelas indicações dadas nesta competição, não deverá demorar a dar o “salto” para o futebol direito. Actuou, preferencialmente, como médio interior direito, no 4x1x2x1x2 uruguaio, mas trata-se de um jogador que, em situação defensiva, apoia bastante o médio mais defensivo, funcionando como segundo trinco. Dotado de elevado sentido táctico e posicional, revela-se um bom recuperador de bolas, muito lutador e pressionante, com boa capacidade de desarme e inteligente a cortar linhas de passe. Contudo, a sua acção não se limita apenas a destruir jogo ao adversário, pois sabe assumir a condução de jogo ofensivo, mostrando uma técnica bastante interessante, como também boa visão de jogo e qualidade no passe, com critério na distribuição e inteligente na gestão dos tempos. É, igualmente, um jogador inteligente a desdobrar-se ofensivamente, aparecendo em posição de remate, ainda que possa trabalhar mais o enquadramento do disparo.

Gerardo vonder Putten Gerardo vonder Putten (Uruguai) . 28-2-1988. Danúbio. Jogador que deu nas vistas no último Mundial sub-17, em 2005, apesar da fraca campanha do Uruguai na competição, voltou a ser preponderante na acção ofensiva da equipa no Sul-Americano 2007. Foi titular em 7 jogos, completando 4, a que juntou ainda uma participação como suplente utilizado, totalizando 607 minutos de competição. Marcou 1 golo, diante do Paraguai, na 2ª fase, e viu 1 cartão amarelo. Actua no Danúbio, mas apesar de já trabalhar com a equipa principal, ainda não realizou a sua estreia como profissional, à semelhança do seu colega de selecção e de clube Marcel Román. Médio de características ofensivas, alternou entre a posição “10”, a sua de origem, e a de médio interior esquerdo, onde deu nota de um crescimento do ponto de vista táctico e posicional, sublinhando-se as boas combinações com o lateral Juan Manuel Diáz. Jogador canhoto, que assume a condução e distribuição de jogo ofensivo, pelos seus pés passaram a maior parte das jogadas de ataque do Uruguai. Apesar de lhe faltar alguma capacidade de explosão, mostra uma boa capacidade técnica, para além de uma boa visão de jogo e muito boa capacidade no passe, realizando várias assistências para finalização, através de venenosos passes de ruptura. Possui também um bom remate de pé esquerdo, tanto em bola corrida, como também em bola parada, para além de mostrar predicados a bater livres laterais e pontapés de canto, colocando a bola com facilidade e precisão na área. O seu jogo carece, no entanto, de uma maior regularidade, para além de necessitar de evoluir do ponto de vista físico, mostrando algumas dificuldades em completar os 90 minutos de jogo, sobretudo se forem disputados a um ritmo mais rápido.

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Sul-Americano Sub-20: 48 jogadores para o futuro (parte dois)
quarta-feira, 31 janeiro 2007

Arturo Vidal Arturo Vidal (Chile) . 22-5-1987. Colo Colo. Segundo melhor marcador da competição e, na minha opinião, o jogador mais completo dos presentes no Sul-Americano de sub-20, pois tem todas as condições para se tornar, em breve, num jogador de “top”. Essa visão será semelhante à dos observadores do FC Porto presentes na competição, pois, segundo a imprensa portuguesa, terão recomendado a sua aquisição, que não se concretizou e dificilmente se concretizará, já que o jogador tem em carteira propostas de vários clubes europeus de topo. Titular a tempo inteiro em 8 dos 9 jogos do Chile, falhou a partida diante da Bolívia, ainda na 1ª fase da competição, por ter visto dois amarelos nos dois jogos iniciais. Ao todo, somaria 3 amarelos na prova, a que juntou 6 golos – 2 na primeira fase (bisou diante do Peru) e 4 na fase decisiva (onde bisou diante do Brasil, com dois golos de grande penalidade, marcando também a Colômbia e Paraguai). Presença regular na equipa do Colo Colo durante a última época, soma já 17 partidas na principal Liga chilena, sendo certo que, se permanecer no clube, ganhará outro estatuto na nova temporada que agora se inicia, até porque, ao que tudo indica, será chamado à selecção principal para um particular no início de Fevereiro. Jogador polivalente, atinge maior rendimento a actuar como médio centro ou médio interior esquerdo, mas pode desempenhar funções de lateral-volante esquerdo, médio ala esquerdo, médio ofensivo, médio defensivo ou defesa central, mostrando um rendimento altíssimo. Destro, mostra-se tremendo nas saídas para ataque: rápido, acutilante, progride bem com a bola nos pés, mas mostra também grande facilidade a desmarcar-se em acções sem bola. Dotado de uma boa técnica individual, para além de uma grande força física, é forte no choque, o que faz com que não seja nada fácil derrubá-lo, como também consegue criar desequilíbrios no um para um, pois sabe aliar a sua boa capacidade técnica, a velocidade e potência em progressão. Dotado de boa visão de jogo, é forte no passe, ainda que, algumas vezes, acuse alguma precipitação, ao querer jogar muito rápido. Aparece também com grande facilidade em posições de remate, mostrando um disparo violento de pé direito, que utiliza com grande facilidade de fora da área, tanto em bola corrida, como em bola parada, mas também dentro de área, concluindo iniciativas ofensivas ou desde os onze metros, para além de mostrar potencial no futebol aéreo na sequência de livres laterais ou pontapés de canto. Do ponto de vista defensivo é também um jogador forte, com boa capacidade no desarme e inteligente na antecipação, mostrando grande capacidade de pressão, para além de uma agressividade excessiva, aspecto que deverá moderar, pois perde a cabeça com relativa facilidade.

Mathias Cardaccio Mathias Cardaccio (Uruguai) . 2-10-1987. Nacional. Titular em 5 jogos do Uruguai no Sul-Americano 2008, acabou por ser prejudicado por problemas físicos, que fizeram com que ficasse de fora das partidas diante de Chile e Argentina na 2ª fase da competição, onde não conseguiu atingir o patamar exibicional da fase inicial. Apenas realizou 1 jogo completo, tendo sido substituído em 4 ocasiões, não efectuando qualquer partida a partir do banco. Assim, totalizou 313 minutos, não marcou qualquer golo e viu 2 cartões amarelos. Jogador do Nacional de Montevideo, ainda não efectuou a sua estreia pela equipa principal, apesar de trabalhar habitualmente com o conjunto sénior. Médio polivalente, de características ofensivas, pode assumir as funções de “10”, como também pode desempenhar o papel de médio centro ou interior ofensivo. Jogador dinâmico e veloz, sabe assumir a condução de jogo ofensivo, marcando bem os ritmos. Dotado de boa visão de jogo, mostra qualidades no passe, tanto em posição central, como a partir do centro em direcção às alas. Aparece com facilidade em posições de remate, mas deverá trabalhar mais o enquadramento, pois tem um disparo forte de fora da área. Do ponto de vista defensivo, não é tão eficiente, mas sabe ocupar os espaços e cortar linhas de passe. Deverá moderar, no entanto, alguns excessos no capítulo disciplinar, como também ganhar uma melhor condição física, pois tem tendência a quebrar de rendimento no decurso das segundas partes.

José Montiel José Montiel (Paraguai) . 19-3-1988. Udinese. Jovem muito promissor e de grande talento, marcou presença no Mundial de 2006, disputado na Alemanha, depois de se ter estreado como internacional A pelo Paraguai nos últimos jogos da fase de qualificação para a grande competição internacional de selecções. É certo que não efectuou qualquer minuto no Mundial, mas a Udinese avançou para a sua aquisição, numa altura em que já era titular do Olímpia, clube onde se estreou na principal Liga paraguaia com apenas 16 anos. Em Itália soma já 8 jogos pela formação de Udine na Série A, mas o seu rendimento tem sido intermitente. No Sul-Americano 2007 alternou momentos de grande fulgor com outros de menor rendimento, acabando a competição em perda e da pior maneira – expulsão diante do Brasil, que o afastou da partida final diante do Chile. Assim, totalizou 342 minutos de utilização, fruto de 4 jogos como titular – apenas um completo – e 3 como suplente utilizado, em que não marcou qualquer golo, tendo visto 1 amarelo e 1 vermelho por acumulação. É um médio centro completo, que ajuda nos processos defensivos, ainda que se destaque mais pela capacidade criativa e organizativa a partir da zona central da intermediária. Revela uma qualidade técnica acima da média, que lhe permite criar desequilíbrios no um para um em condução, para além de evidenciar uma boa visão de jogo e grande potencial no passe, que lhe permitem projectar a equipa ofensivamente e realizar várias assistências para finalização. Para além disso, mostrou um remate forte de fora da área, mas a necessitar de trabalhar o enquadramento. Contudo, nem tudo foram “rosas” nas suas actuações: apesar de ser capaz de fazer a diferença numa jogada, mostrou também um carácter complicado – cabeça demasiado quente – e muita irregularidade, alternando, com facilidade exasperante, bons momentos com períodos de franco apagamento ou de uma quase total falta de inspiração, para além de alguma inconstância do ponto de vista físico, acabando por cair de produção no decurso das segundas partes.

Juan Pablo Pino Juan Pablo Pino (Colômbia) . 30-3-1987. Independiente Medellín. Uma das principais estrelas do Sul-Americano 2007, foi, talvez, o jogador que apresentou maiores argumentos durante a competição, andando, em algumas ocasiões, com a sua equipa às costas, realizando uma prova em crescendo, que lhe valeu a transferência para os franceses do AS Mónaco, que garantiram a sua aquisição ao Independiente, onde era habitual titular, totalizando 4 golos em 40 partidas na Liga colombiana. Totalizou 600 minutos de competição, fruto de 6 jogos como titular, 5 deles completos, e de 2 como suplente utilizado, sendo que num deles, diante do Equador, na primeira fase, saiu do banco para resolver a partida, marcando o tento do triunfo do colombiano. Marcou dois golos no Sul-Americano 2007: o outro apontou-o diante do Paraguai, já na 2ª fase do torneio, em que não viu qualquer amarelo, mostrando-se sempre mais preocupado em jogar futebol, do que em perder tempo com quezílias. Médio ofensivo, com características de “nº 10”, gosta, no entanto, de romper em diagonais desde as alas em direcção ao centro do terreno. Sem capacidade defensiva e com pouco sentido colectivo, aspectos em que terá que evoluir para se adaptar ao futebol europeu, até porque tende a individualizar as acções, trata-se de um verdadeiro “craque”, com grande controlo de bola e excelente pé direito, capaz de pormenores de ordem técnica notáveis, que aliados à sua enorme velocidade em condução e agilidade natural, permitem-lhe acelerar o jogo e criar inúmeros desequilíbrios no um para um, até porque não revela qualquer receio em partir para cima dos adversários, mostrando capacidades para definir uma partida. Dotado de um remate forte e colocado de pé direito, o seu mais forte, é igualmente capaz de definir de pé esquerdo, aparecendo com facilidade em posições de remate e evidenciando sentido de baliza. Mostra também facilidade a criar jogo, apesar da sua tendência para jogar sozinho. No entanto, tem boa visão de jogo e é forte no passe e nos cruzamentos, realizando várias assistências para finalização, mas poderá ganhar uma maior consciência colectiva, pois, em algumas situações, acaba por perder o melhor tempo para definir a jogada. Contudo, é também capaz de descobrir espaços, onde, aparentemente, não existem.

Maximiliano Morales Maximiliano Moralez (Argentina) . 27-2-1987. Racing Club. Médio criativo da Argentina, que usou a mítica “10”, foi titular em 7 dos 9 jogos da sua selecção no Sul-Americano, efectuando 4 partidas completas. Suplente utilizado na última partida diante do Uruguai, esteve ausente da partida da primeira fase diante do mesmo adversário, por ter visto 2 cartões amarelos na primeira fase da prova, onde marcou o seu único golo na prova – diante da Venezuela. Totalizou 596 minutos de utilização. No Racing Club, acabou o Torneio Apertura como titular, somando 4 golos em 16 jogos, tendo já ultrapassado a fasquia das 30 partidas na principal Liga argentina, onde se estreou com 18 anos. Médio ofensivo, que tanto pode actuar como “nº10” puro, a partir de uma posição central, como também sobre as alas, preferencialmente a direita, onde apareceu em diversas ocasiões, trata-se de um jogador muito móvel, veloz e de grande electricidade, o que contrasta com o seu físico frágil – 1.61 / 53 – que lhe vale a alcunha de “Anão”. Pouco dado a tarefas de recuperação, até pelas limitações de ordem física, que o deixam sempre a perder em situações de choque, trata-se de um jogador com grande capacidade para assumir a condução de jogo ofensivo – nunca se esconde e é extremamente dinâmico - e muito inteligente na interpretação das movimentações dos seus colegas, o que lhe permite ler o jogo com mestria, mostrando grandes atributos a nível do passe, deixando, várias vezes, os seus colegas isolados através de brilhantes passes de ruptura. Do ponto de vista técnico é um jogador bastante dotado, mas não individualiza excessivamente as suas acções, apesar de mostrar-se forte a romper de trás para a frente ou das alas para o meio com a bola nos pés, até porque é um jogador rápido e muito forte a mudar de velocidade. Para além das limitações de ordem física, poderá ganhar uma maior ambição pela baliza adversária, já que, muitas vezes, opta por passes ou cruzamentos – outro aspecto em que é muito forte -, quando tem condições para procurar o golo.

Lautaro Acosta Lautaro Acosta (Argentina) . 14-3-1988. Lanús. Médio de características ofensivas ou avançado móvel, começou a prova como titular da selecção argentina, mas “pagou” com o banco, a má estreia diante do Equador. Depois de dois jogos como suplente utilizado e um no “banco”, foi, de forma algo surpreendente, titular diante do Brasil, no início da fase final da prova. Ficou de fora nas partidas diante de Paraguai e Colômbia, intervaladas por nova titularidade, desta feita diante do Chile. Contudo, o seu momento de glória chegaria nos descontos da última partida, diante do Uruguai: saído do banco, deu à Argentina a vitória no jogo, que valeu também a qualificação para os próximos Jogos Olímpicos. Ao todo, Acosta somou 3 jogos como titular – 2 deles completos -, 3 partidas como suplente utilizado e 3 jogos em que não saiu do “banco”. Totalizou 322 minutos de utilização e 1 golo. Titular da equipa do Lanús, estreou-se na divisão maior do futebol argentino com apenas 17 anos, numa partida diante do Rosário Central. Até ao momento, soma 1 golo em 21 partidas na Liga, a que junta a participação em 3 partidas na Copa Sul-Americana. Apesar da sua participação intermitente, Acosta confirmou o porquê de ter sido considerado uma das revelações do último ano do futebol argentino: jogador rápido e muito móvel, talhado para conduzir acções de ataque, mostra uma capacidade técnica e de drible muito interessantes, que lhe permitem criar desequilíbrios no um para um, pois apesar do seu físico frágil, não teme o confronto com os defesas adversários. Mais talhado para o último passe, onde pode tornar-se mais constante, mostra também argumentos como finalizador, tirando partido do seu bom poder de desmarcação e de desdobramentos interessantes na sequência de tabelas 2x1, uma das suas especialidades. Falta-lhe, no entanto, uma maior consistência táctica e também uma maior participação no jogo, já que tende, em algumas situações, a algum apagamento.

Juan Pablo Arenas Juan Pablo Arenas (Chile) . 22-4-1987. Colo Colo. Observado, ao que se diz, pelo Sporting, o autor do melhor golo do Sul-Americano 2007, num espectacular chapéu a 50 metros da baliza, diante da Colômbia, raramente foi mais do que um suplente utilizado na selecção chilena, onde somou 264 minutos de utilização, representativos de 2 jogos como titular – apenas um completo – e de 5 partidas como suplente utilizado. Apontou 2 golos – o outro foi diante do Paraguai, na última jornada da 2ª fase, numa finalização de pé direito, dentro da área – e viu 2 amarelos. Até ao momento, soma 9 partidas pela equipa principal do Colo Colo na Liga chilena, mas ainda não marcou qualquer golo. Trata-se de um “10” puro, destro e algo frágil do ponto de vista físico, que pode também desempenhar funções de médio interior ofensivo, mas não se sente à vontade quando obrigado a cumprir missões tácticas e defensivas, aspecto que terá que rever para atingir outro patamar competitivo, pois não gosta de correr atrás da bola. É, no entanto, um jogador capaz de pormenores deliciosos, dotado de boa técnica, capacidade de condução e visão de jogo, com argumentos muito interessantes a nível do passe e dos cruzamentos, tanto em bola corrida como em bola parada, para além de possuir um bom remate de pé direito. Necessita também de aparecer mais em jogo, pois a sua participação é algo intermitente: aparece e desaparece das partidas com grande facilidade.

Tchô Tchô (Brasil) . 21-4-1987. Atlético Mineiro. “Joker” da selecção brasileira, começou a competição como suplente utilizado, tendo marcando 3 golos em 5 jogos nessa condição. Acabaria por ganhar um lugar como titular nas últimas três partidas do Brasil no Sul-Americano, mas não foi tão preponderante como havia sido como suplente utilizado, apesar de ter mostrado excelentes pormenores. Ao todo, apontou 3 golos – Bolívia e Paraguai, na 1ª fase, e Chile, na 2ª fase – sempre a partir do banco, em 8 jogos – 3 como titular (nenhum completo) e 5 como suplente utilizado – representativos de 300 minutos de utilização, tendo visto um cartão amarelo. Presença regular na primeira equipa do Atlético Mineiro, onde tem vindo a conquistar cada vez mais espaço, somando 2 golos em 23 partidas entre Série A e B do Brasileirão. Actua, preferencialmente, como médio ofensivo, mas a sua polivalência permite-lhe também actuar como médio centro ou segundo avançado. Jogador destro, muito veloz e com boa capacidade de aceleração, rompe bem de trás para a frente, tirando partido de combinações 2x1, uma das suas especialidades. Tecnicamente dotado e com bons predicados no passe, recua, diversas vezes, à zona do central do terreno, para assumir a condução e distribuição de jogo, aspectos em que mostra qualidade, ainda que possa revelar-se mais rápido a soltar a bola em algumas ocasiões, pois tende a procurar situações de um para um com os adversários, perdendo tempo de passe. Inteligente a movimentar-se sem bola, aparece com facilidade em posição de remate, mostrando uma grande sentido de baliza e um disparo potente e colocado de pé direito – o pé esquerdo não é cego e valeu-lhe um golo de “cobertura” diante da Bolívia em lance de um para um com o guarda-redes adversário -, sobretudo em bola corrida, mas também em bola parada. Mostrou algumas debilidades a nível físico, tanto no choque, como para aguentar os 90 minutos quando foi titular, onde se mostrou mais inconstante. Apesar de talhado para acções ofensivas, também sabe ajudar a equipa defensivamente, procurando fechar linhas de passe e ganhar bolas na antecipação.

Willian Willian (Brasil) . 9-8-1988. Corinthians. Outra das maiores figuras da selecção do Brasil e da competição. Titular em 8 das 9 partidas do Brasil, apenas ficou de fora diante do Uruguai, na 2ª fase, depois de ver dois cartões amarelos. Totalizou 617 minutos de competição, em que não marcou golos, mas criou vários, realizando 2 partidas completas e 6 incompletas, pois não pareceu ainda preparado para disputar os 90 minutos a um ritmo mais forte. Jogador das categorias de base do “Timão”, ainda não teve oportunidade para se estrear pela equipa principal, o que deverá acontecer em breve. Médio ofensivo, com características de “nº10”, pode também adaptar-se às alas – preferencialmente a direita, por onde apareceu mais – como também, mais recuado, numa posição de médio centro ofensivo. É um jogador muito rápido e capaz de imprimir ritmos fortes à partida, aliando à sua velocidade uma belíssima capacidade técnica e de drible, que lhe permite criar inúmeros desequilíbrios no um para um, aspecto em que se revelou um dos melhores jogadores da prova. Apesar de ter alguma tendência para procurar acções individuais, mostra também possuir elevado sentido colectivo: lê bem o jogo e sabe impor ritmos, mostrando muita qualidade a nível do passe e dos cruzamentos, fazendo, por isso, várias assistências para finalizações. Necessita, contudo, de melhorar a sua capacidade de remate, aspecto em que evidencia lacunas, sobretudo no capítulo do enquadramento, para além de não se revelar talhado para cumprir acções de recuperação. No entanto, com a bola nos pés, sabe fazer a diferença e, em situações difíceis, mostra personalidade para assumir a responsabilidade de levar a equipa para a frente, não temendo partir para cima dos adversários.

Damián Ísmodes Damián Ísmodes (Perú) . 10-3-1989. Sporting Cristal. Médio ala peruano, foi juntamente com Carlos Zambrano, o jogador que mais se destacou na paupérrima participação do Perú no Sul-Americano 2007, isto apesar de ter apenas 17 anos. Totalizou 280 minutos de competição, fruto de 3 jogos como titular – 2 completos e 1 incompleto – e de 1 jogo como suplente utilizado, tendo visto um cartão amarelo. Chamado à primeira equipa do Sporting Cristal a meio da época passada, estreou-se com 17 anos, acabando por efectuar 12 partidas na Liga, 9 das quais como titular, mas apenas 1 completa, o que não o impediu de conquistar o rótulo de “revelação do ano”. Jogador extremamente interessante, que actua tanto na ala direita como na ala esquerda do ataque, onde rende mais, de forma a tirar partido das diagonais, já que é destro, mas tão totalmente cego de pé esquerdo. Muito rápido e com uma excelente capacidade de aceleração, alia à sua velocidade uma boa capacidade técnica e de drible, ainda que, em algumas situações, exagere no individualismo e nos adornos – recorre muito às “pedaladas”, gesto que celebrizou Robinho - que emprega às suas acções, acabando por perder objectividade. Contudo, não teme o um para um com os defesas adversários e consegue conquistar faltas em zonas próximas da área, para além de assumir a condução de jogo ofensivo desde o flanco, tanto em ataque organizado como em contra-ataque. Pode melhor alguns aspectos: a nível do passe e do cruzamento, apesar de bons pormenores, que lhe permitem realizar assistências para finalizações, nem sempre é constante ; a nível do controlo de bola, sobretudo em movimento, tem tendência a fazer recepções largas, o que permite, em algumas ocasiões, recuperações aos adversários. Possui também um bom poder de desmarcação, em acções sem bola a partir de diagonais, aparecendo com facilidade em posição de remate. Mostra argumentos no disparo de pé direito, quer cruzado, quer em situações de um para um com o guardião adversário.

Danilinho Danilinho (Brasil) . 11-3-1987. Atlético Mineiro. O outro dos “jokers” da selecção brasileira no Sul-Americano, ainda que menos efectivo que Tchô, seu colega de equipa no Atlético Mineiro. Danilinho nunca foi titular, totalizando 125 minutos de competição, fruto de 6 jogos como suplente utilizado. Marcou 1 golo, diante do Paraguai, na 2ª fase, que valeu a vitória do Brasil (1-0), e viu um cartão amarelo. Contratado com apenas 16 anos pelo Schalke 04, que o descobriu nas categorias de base do América de São José de Rio Preto, não se adaptou à Alemanha e regressou ao Brasil, onde passou, sem grande sucesso, por Mirassol, Santos – 9 jogos pela equipa principal em 2005 – e, novamente, pelo América de Rio Preto. Quando parecia que a sua carreira entrava num impasse, explodiu ao serviço do Atlético Mineiro, em 2006, tornando-se numa das grandes figuras do “Galo” na conquista da Série B do Brasileirão, somando 6 golos em 28 jogos, que o tornaram num dos ídolos dos adeptos. Médio ofensivo, com capacidade para jogar nas costas dos avançados ou sobre as alas, pode também desempenhar as funções de avançado móvel. Muito rápido e com uma impressionante capacidade de aceleração, trata-se de um jogador muito móvel e particularmente perigoso em estratégias de contra-ataque, pois é inteligente na exploração dos espaços vazios e mostra bons pormenores de ordem técnica, apesar de revelar dificuldades para se impor em situações de choque e de se agarrar um pouco à bola em algumas ocasiões. No entanto, é um jogador que se desmarca com grande facilidade e sabe aparecer em posições de finalização, sobretudo dentro da área, definindo bem de pé direito. Mostra também predicados a nível do passe, nomeadamente na execução de passes de ruptura em zonas próximas da área, o que lhe permite fazer assistências para finalizações. Falta-lhe alguma “pausa” no jogo – sempre muito eléctrico – como também uma maior consistência a nível exibicional, mas deixou bons pormenores.

Leandro Lima Leandro Lima (Brasil) . 19-12-1987. São Caetano. A “revelação” da selecção brasileira, teve um início de Sul-Americano fulgurante, com um “bis” diante do Chile, mas realizou uma prova em quebra, perdendo mesmo a titularidade nos últimos jogos. Apontou 2 golos em 8 partidas – 7 como titular, apenas 2 completas, e 1 como suplente utilizado, representativas de 560 minutos de utilização – e viu 2 cartões amarelos na segunda fase, que lhe valeram a suspensão diante do Paraguai. Presença regular na equipa principal do São Caetano, apontou 4 golos em 24 partidas na Série A do Brasileirão em 2006. É um médio ofensivo versátil, que tanto pode actuar a partir de uma posição mais central, nas costas dos avançados, como também a partir das alas: apareceu mais à esquerda, mas foi até em diagonais da direita para o meio que se revelou mais perigoso. Apesar de frágil do ponto de vista físico – com pouca capacidade de choque – e de se notar que lhe falta alguma condição para aguentar os 90 minutos, trata-se de um jogador a campo inteiro, que não vira a cara à luta e ajuda em acções de recuperação, não temendo colocar o pé e efectuar acções de desarme, por vezes até com agressividade excessiva. No entanto, é em situação ofensiva que mais se destaca: boa recepção de bola, tanto parado como em movimento, boa condução de jogo, aliando muita rapidez e capacidade de aceleração a uma boa capacidade técnica e poder de drible, o que lhe permite criar desequilíbrios no um para um, ainda que, em algumas situações, perca objectividade no seu jogo, complicando o fácil. No entanto, mostrou-se capaz de fazer a diferença, rompendo bem em diagonais em direcção à área ou de trás para a frente, mostrando potencial também como finalizador: bom remate de pé direito, qualidade também no disparo de pé esquerdo e elevado sentido de baliza, tanto dentro da área, como fora desta.

Ángel Dí María Ángel Di María (Argentina) . 14-2-1988. Rosário Central. O médio-ala/extremo nunca pareceu ser opção prioritária para Tocalli, pois mesmo após “bisar” diante do Uruguai, regressou ao banco dos suplentes na partida seguinte. Ao todo, Di Maria participou em 6 partidas no Sul-Americano, nenhuma delas completa. Foi titular em 2 ocasiões – sempre substituído – e suplente utilizado 4 vezes, tendo nos restantes 3 jogos ficado no “banco”. Totalizou 268 minutos de utilização, que valeram um “bis” diante do Uruguai, ainda na primeira fase, e 2 cartões amarelos. Presença regular na primeira equipa do Rosário Central, ainda que normalmente a partir do banco, estreou-se na principal Liga argentina e na Taça Libertadores com 17 anos, somando, entre as duas competições, 1 golo em 20 jogos. Médio-ala ou extremo esquerdo, que pode também funcionar como médio ofensivo, foi um dos jogadores-chave da Argentina na prova, apesar de não ser opção prioritária para o técnico. Apesar de algo franzino – pouco poder de choque - e ter uma tendência excessiva para individualizar e adornar os lances, perdendo objectividade em algumas acções, trata-se de um jogador desequilibrador e destemido, que assume a condução de jogo e parte para cima dos adversários sem qualquer tipo de temor. Muito rápido, extremamente ágil e com grandes atributos de ordem técnica, acelera o jogo, mostrando pouco tendência pela linha de fundo, optando, quase sempre, por romper em diagonais para dentro. Aí, mostra capacidades no último passe ou para explorar tabelas 2x1 com um dos avançados, evidenciando depois potencial de desmarcação e na finalização, sobretudo com o pé esquerdo, mas poderá trabalhar mais a definição do seu remate, pois, em algumas ocasiões, mostra alguma precipitação e ansiedade excessiva no momento da concretização. Terá também que alcançar uma maior dimensão física, pois dá ideia de não estar preparado para 90 minutos, o que o leva a desaparecer das partidas com alguma frequência, sobretudo quando é titular.

Mathías Vidangossy Mathías Vidangossy (Chile) . 25-5-1987. Unión Española. Utilizado nas 9 partidas do Chile no Sul-Americano 2007, começou por ser suplente, mas ao terceiro jogo, na sua estreia como titular, apontou 2 golos diante da Bolívia, os seus únicos na competição, que acabaram por lhe garantir um posto no “onze” chileno até ao fim da prova, onde também se destacou no capítulo do último passe. Somou 630 minutos de utilização, fruto de 7 jogos como titular – 5 deles completos – e 2 como suplente utilizado, em que para além dos 2 golos que apontou, viu 2 cartões amarelos. Presença regular na primeira do Unión Española, da divisão maior do futebol chileno, é já uma das principais figuras da equipa e da Liga, onde soma 2 golos em 45 jogos. Jogador de características ofensivas, bastante versátil, actua, preferencialmente, aberto na ala esquerda do ataque, de forma a tirar partido das suas diagonais para dentro, pois é um jogador destro, mas pode também desempenhar um papel semelhante na ala direita do ataque ou nas costas do(s) avançado(s). Extremamente potente e explosivo nos últimos 35 metros, revela-se muito forte na exploração de diagonais, onde cria com facilidade desequilíbrios no um para um em acções com bola, mostrando grande competência na condução de jogo ofensivo, pois consegue aliar a sua boa capacidade técnica a velocidade, para além de estar permanentemente à procura de movimentações e desmarcações em acções sem bola. Muito eficaz no desenvolvimento de tabelas 2x1, inicia-as e sabe conclui-las, mostrando também atributos para criar desequilíbrios em acções individuais e definir através de finalizações de pé direito, aspecto em que se poderá tornar mais constante. Para além disso, mostra-se forte no capítulo das assistências para finalização, tirando partido da sua boa visão de jogo e capacidade de passe, como também da sua eficácia nos cruzamentos, tanto em bola corrida como em bola parada. Falta-lhe, contudo, uma maior capacidade física, pois fica muitas vezes a perder em situações de choque, como também revela poucos predicados a participar em acções defensivas.

Alexis Sánchez Alexis Sánchez (Chile) . 19-12-1988. Colo Colo. A principal “estrela” da selecção chilena somou 8 jogos na competição – 6 como titular (3 deles completos) e 2 como suplente utilizado – totalizando 540 minutos de utilização, tendo marcado 1 golo, diante do Brasil, no jogo de estreia. Viu um cartão amarelo e um cartão vermelho, diante do Paraguai, no último jogo do Sul-Americano. O seu passe pertence à Udinese, que o contratou no Verão passado ao Cobreloa, mas optou por emprestá-lo ao Colo Colo, onde formou um “tridente” ofensivo mágico com Matías Fernández, entretanto transferido para o Villareal, e “Chupete” Suazo. Internacional AA pelo Chile, soma já 5 presenças na selecção principal, contando também no seu currículo com 12 golos em 53 jogos na Liga chilena, para além de 1 golo em 10 partidas da Copa Sul-Americana, competição em que o Colo Colo foi finalista vencido. Capaz de desempenhar várias funções no ataque, no Colo Colo tem vindo a actuar preferencialmente entre as alas e o posto de avançado móvel, mas na selecção chilena sub-20 acabou por desempenhar funções de médio ofensivo, próximas do tradicional “nº10”, o que acabou por afastá-lo da zona de finalização, obrigando-o, várias vezes, a pisar terrenos mais recuados para trazer a equipa para a frente. Trata-se de um jogador explosivo no meio-campo ofensivo, capaz de fazer a diferença numa acção individual, já que alia uma velocidade extrema a uma capacidade técnica invulgar – tem uma gama de dribles impressionante -, mostrando-se muito forte em acções de ataque organizado, como também em contra-ataque ou ataques rápidos. Neste Sul-Americano destacou-se sobretudo pela competência para assumir a condução de jogo e a sua distribuição, mostrando uma muito boa visão de jogo e grandes predicados no passe – várias vezes, de primeira -, quer como distribuidor de jogo na primeira metade do meio campo ofensivo, quer como homem do último passe, o que lhe permitiu realizar várias assistências para finalização, evidenciando à vontade no passe curto – o que mais utiliza -, como também no passe médio e longo, realizando excelentes aberturas de 30-35 metros, sobretudo em direcção às alas, lendo bem as desmarcações dos seus colegas de ataque. Forte na execução de lances de bola parada, quer directos, quer indirectos, pois coloca a bola com grande facilidade na área adversária, pecou por mostrar alguma intermitência a nível exibicional, para além de evidenciar algumas fragilidades do ponto de vista físico, já que é pouco possante e sente algumas dificuldades em aguentar os 90 minutos, fruto da sua missão de desgaste no sector intermediário. Apesar da sua tendência natural para individualizar as acções, mostrou saber jogar com e para a equipa.

Carlos Darwin Quintero Carlos Darwin Quintero (Colômbia) . 19-9-1987. Deportes Tolima. Uma das principais unidades da formação colombiana, foi titular em 8 – 6 jogos completos - das 9 partidas da sua Selecção no Sul-Americano 2007, já que foi poupado diante da Venezuela, na última partida da primeira fase da competição. Apontou 1 golo, que valeu a vitória da Colômbia diante da Argentina (2-1), no jogo de estreia, e viu um cartão amarelo. Para muitos foi, em 2006, o melhor jogador da Liga colombiana: marcou 19 golos em 42 jogos pelo Tolima, que juntamente com as suas exibições no Sul-Americano, deverão abrir-lhe brevemente as portas do futebol europeu. Fisicamente extremamente frágil – 1.64/61 - sente grandes dificuldades para se impor nos lances corpo a corpo, mas parte sem receio para cima dos adversários, mostrando-se muito descarado e nada intimidado, mesmo perante entradas mais duras. É, sobretudo, um avançado rompedor, que gosta de actuar solto, ao lado de um avançado mais fixo, de forma a tirar partido de acções das alas para o meio ou de trás para a frente, aliando a sua extrema velocidade a uma boa capacidade de condução nos últimos 30-35 metros, graças à sua técnica individual de grande qualidade, com alguns dribles brilhantes, tirando também partido da sua agilidade natural fruto de um centro de gravidade baixo. Em zona de finalização, mostra atributos, sobretudo com o pé direito, o seu mais forte, mas também de pé esquerdo, que não é cego, e ajuda-o também a projectar-se ofensivamente em lances de um para um. Falta-lhe, no entanto, uma maior consciência colectiva, já que tende a individualizar excessivamente as suas acções, esquecendo-se dos seus colegas de equipa, e mostrando muita sede de protagonismo. Com isso, acaba por perder objectividade no seu jogo. É, também, muito indisciplinado, mostrando um temperamento difícil: é certo que não foi muito castigado do ponto de vista disciplinar, mas está constantemente a protestar com árbitros, adversários e colegas de equipa.

Alexandre Pato Alexandre Pato (Brasil) . 2-9-1989. Internacional Porto Alegre. Um dos jogadores sobre os quais recaiam mais atenções, já que é desejado pela maior parte dos “grandes” europeus, começou a competição, com alguma surpresa, como suplente de Edgar e Fabiano Oliveira, e mesmo depois de apontar dois golos diante do Chile, em 29 minutos em campo, voltou a sentar-se no banco diante do Perú, partida em que entraria ao intervalo. A partir daí fixou-se como titular, jogando sobretudo com Luiz Adriano, seu colega no Internacional, acabando por marcar 5 golos - depois do “bis” diante do Chile, marcou à Bolívia, ainda na primeira fase, e ao Chile (novamente) e ao Uruguai, na 2ª fase – em 8 partidas, 6 das quais como titular (4 completas e 2 incompletas), totalizando 573 minutos de utilização. Viu dois cartões amarelos na segunda fase da competição, que o afastaram da partida da “consagração” diante da Colômbia, impedindo também que lutasse pela conquista do troféu de melhor marcador. Conta apenas com um jogo pelo Internacional de Porto Alegre na Liga Brasileira, mas marcou na estreia: foi diante do Palmeiras, em Novembro passado, pouco mais de dois meses depois de ter completado 17 anos. Participou também na conquista do Campeonato Mundial de Clubes, em Dezembro, marcando 1 golo – diante do Al-Ahly, de Manuel José – em 2 jogos, ambos incompletos. Avançado móvel, particularmente talhado para actuar em 4x4x2, joga, com extrema facilidade, em espaços exteriores à área, mas mostra-se tremendamente perigoso dentro desta, tirando partido de um excelente sentido de oportunidade e fácil definição. Extremamente elegante na forma de jogar, parece ter a bola sempre colada ao pé direito, recebendo e conduzindo com mestria. Consegue aliar a sua velocidade a uma muito interessante capacidade técnica, mostrando-se poderoso no um para um, até porque é fisicamente robusto. Forte em acções com bola, tanto a penetrar na área através de diagonais como de trás para a frente, quando joga mais aberto sobre o flanco, mostra também capacidade para ganhar a linha de fundo. Com capacidade nos cruzamentos, destaca-se mais ainda, em posição central, no último passe, tirando partido da sua visão de jogo inteligente. No entanto, em algumas situações, opta por iniciativas individuais, procurando a finalização, abusando de individualismos. É, também, um avançado muito forte em movimentações sem bola, já que sabe explorar os espaços vazios e tem um sentido de desmarcação excelente, tanto dentro da área, como também, e sobretudo, a sair de uma das alas para o meio. Muito forte a finalizar de pé direito, o seu pé mais forte, mas também com qualidades no futebol aéreo, define muito bem as conclusões, aliando potência a colocação, para além de se revelar muito rápido a atacar a bola, ganhando com uma espantosa facilidade a frente aos defesas. Necessita também de amadurecer um pouco o seu jogo, pois tem uma certa tendência para desaparecer em algumas fases. No entanto, quando reaparece, é capaz de fazer a diferença.

Cristián Bogado Cristián Bogado (Paraguai) . 7-1-1987. Nacional. Avançado, já internacional A pelo Paraguai, estreou-se no particular diante do Chile (derrota 2-3) em Novembro passado, confirmando os seus créditos no Sul-Americano 2007, onde se revelou como unidade fulcral no esquema da selecção paraguaia. Totalizou 611 minutos de competição, fruto de 6 jogos como titular – 5 partidas completas – e 2 partidas como suplente utilizado, em que marcou 3 golos, dois deles de grande penalidade. Marcou dois golos ao Chile, nas duas fases da competição, a que juntou outro golo, diante do Uruguai, na segunda fase, numa partida em que começou no banco dos suplentes. Viu dois cartões amarelos. A nível de clubes foi lançado na primeira equipa do Sol de América com apenas 17 anos, marcando 4 golos em 20 jogos, que lhe permitiram, em 2005, o salto para o Libertad. Pouco utilizado no Libertad, rumou, após o Torneio de Abertura, para o Nacional, onde se conseguiu impor em 2006, apontando 6 golos em 22 jogos, que o tornaram numa das revelações do ano da temporada paraguaia. Avançado muito móvel e agressivo, que se enquadra num 4x4x2 preferencialmente solto, como também num 4x3x3 ou 4x2x3x1, sobre as faixas ou nas costas de um avançado fixo, trata-se de um jogador que gosta de descair para os flancos, ganhando a linha de fundo ou rompendo em diagonais em direcção à área, mas também aparece com grande facilidade em posições centrais. Apesar de algo baixo – 1.67 – e de parecer extremamente pesado, mostra-se um avançado muito rápido e potente – choca bem com os defesas adversários -, particularmente perigoso em lances de contra-ataque, pois sabe jogar nos limites do fora-de-jogo, para além de conseguir acelerar o jogo e imprimir mudanças de velocidade impressionantes, que o tornam extremamente acutilante nos últimos trinta metros. Aberto na faixa, mostra-se perigoso nos cruzamentos, sobretudo rasteiros, mas também é um jogador perigoso, em posição central, a fazer assistências para finalizações: possui uma boa visão de jogo, eficácia no passe curto e sabe temporizar, lendo bem as movimentações dos seus colegas de ataque e mostrando à vontade a proteger a bola de costas para a baliza. Apesar de canhoto, joga com facilidade com os dois pés, mostrando também uma extrema facilidade no remate, tanto dentro da área, como nas imediações desta, tirando partido de um disparo forte e colocado, para além de elevado sentido de baliza. É, também, um especialista na transformação de grandes penalidades. Do ponto de vista técnico não evidencia atributos de monta, pois progride muito à base da velocidade e da potência física, contudo, não deixa de ser capaz de alguns pormenores de grande qualidade no um para um. É, também, agressivo do ponto de vista defensivo, ajudando a pressionar os adversários e mostrando até, em algumas situações, capacidade para recuperar bolas.

Pablo Nicolás Mouche Pablo Nicolás Mouche (Argentina) . 11-10-1987. Boca Juniors. Avançado que aproveitou as inúmeras ausências no sector ofensivo da Argentina, que não contou, por exemplo, com Agüero, Messi, Higuaín ou Zarate, jogadores que ainda pertencem a este escalão etário, para aparecer como opção. Apesar de apresentar um rendimento muito irregular, mostrando também dificuldades em cumprir os 90 minutos, teve o seu momento de glória ao apontar uma “tripla” diante da Venezuela, ainda na primeira fase da competição. Utilizado nos 9 jogos da Argentina no Sul-Americano, foi titular em 6 partidas – não completou nenhuma – e suplente utilizado em 3 ocasiões, totalizando 501 minutos de utilização, apontando 3 golos – todos diante da Venezuela, na 1ª fase – e visto 2 cartões amarelos. Estrela precoce do Estudiantes de Buenos Aires, o popular “Pincha”, apareceu na primeira equipa com apenas 16 anos, no terceiro escalão do futebol argentino. O seu talento não passou despercebido aos “olheiros” do Boca Juniors, que deram o aval à sua aquisição, encontrando-se, de momento, na equipa secundária do clube, apesar de treinar regularmente com a formação principal. Avançado eléctrico, constantemente em movimento, mostra-se talhado para actuar como unidade móvel de ataque em 4x4x2, ainda que as suas características possam vir a enquadrá-lo num 4x3x3 sobre as alas, sobretudo se rumar ao futebol europeu. Com um excelente pé esquerdo, apesar de frágil do ponto de vista físico – 1.75/74 -, que faz com que fique a perder, quase sempre, em situações de choque, não revela receios em partir para cima dos adversários, mostrando-se forte no um para um, tirando partido da sua velocidade e capacidade técnica, como também é extremamente forte a desmarcar-se em diagonais, recebendo e controlando a bola com facilidade em movimento e partindo em direcção à baliza. Apesar de algo individualista em algumas acções, mostra sentido colectivo e percepção do jogo, sabendo também utilizar processos simples, a um-dois toques, progredindo bem através de tabelas 2x1, para além de mostrar uma boa visão de jogo e de leitura das desmarcações dos seus colegas de equipa. Eficaz a fazer assistências para finalização, mostra predicados igualmente como concretizador, sobretudo em disparos de pé esquerdo, mas falta-lhe uma maior consistência e regularidade.

Felipe Caicedo Felipe Caicedo (Equador) . 5-9-1988. Basileia. O melhor jogador da selecção do Equador, isto apesar de ter ficado em branco na competição. Somou 259 minutos de utilização, fruto de 3 jogos como titular – apenas 1 completo – e de 1 partida como suplente utilizado. Jovem avançado dos suíços do Basileia, foi contratado, no último Verão, ao Rocafuerte, e soma já dois golos no campeonato helvético 2006/07, apesar de ser mais utilizado a partir do banco. Internacional A pelo Equador, estreou-se com apenas 16 anos na selecção principal, num particular diante do Paraguai (vitória 1-0), somando já 5 jogos, mas ainda não marcou qualquer golo. Avançado impressionante do ponto de vista físico – 1.85/78 muitíssimo bem potenciados -, apresenta na extrema velocidade e potência física os seus principais argumentos, mostrando-se temível nos últimos 25-30 metros. Capaz de desempenhar as funções de “9”, não gosta de limitar a sua acção à área, procurando, muitas vezes, projectar-se de zonas exteriores em direcção a espaços de finalização dentro de área, o que faz com grande perigo, tanto em acções com bola como também sem bola, tirando partido de um bom poder de desmarcação. Dentro da área é extremamente perigoso: possui atributos no futebol aéreo, onde poderá trabalhar melhor o enquadramento, como também finaliza com facilidade com ambos os pés – o esquerdo é o mais forte, mas o direito também é potente -, tirando partido do seu bom sentido de oportunidade, para além de ser muito rápido e agressivo a atacar a bola, ganhando a posição aos adversários. Pode, contudo, tornar-se mais frio nos lances de um para um com os guarda-redes adversários, onde peca, em algumas situações, por excessiva precipitação. Forte do ponto de vista físico, sente-se à vontade nos lances corpo a corpo, para além de se revelar muito lutador, nunca desistindo dos lances. Pode, no entanto, desenvolver a sua capacidade para jogar de costas para a baliza, aspecto onde revela ainda algumas carências, mas onde se poderá tornar muito forte.

Edison Cavani Edison Cavani (Uruguai) . 14-2-1987. Danúbio. O melhor marcador do Sul-Americano 2007, ao apontar 7 golos – 4 de pé direito, 2 de cabeça e 1 de pé esquerdo - em 9 jogos, confirmou-se como uma das grandes figuras da prova, mostrando enorme potencial, que lhe valeu a transferência para o Palermo. Capitão da selecção uruguaia, Cavani foi um dos totalistas da competição, somando, por isso, 810 minutos de utilização, em que viu 1 cartão amarelo e apontou 7 golos, conseguidos em 6 jogos consecutivos – 4 na primeira fase, em que bisou diante da Argentina ; e 3 na segunda fase, onde marcou a Paraguai, Colômbia e Brasil, sendo que frente aos “canarinhos” ainda desperdiçou uma grande penalidade. Aliás, apenas 1 dos seus 7 golos foi apontado desde os “onze metros” – um dos dois apontados à Argentina. Titular do Danúbio, emblema da principal Liga uruguaia, apontou 5 golos em 15 jogos no Torneio de Abertura de 2006, depois de ter apontado 4 golos em 10 jogos no primeiro semestre de 2006, altura em que foi promovido à equipa principal. É um avançado com características extremamente interessantes, pois mostra-se fortíssimo dentro da área, onde se destaca por um excelente sentido de oportunidade, como também revela capacidade para partir de posições exteriores em direcção à área. Com grande capacidade física – 1.84 / 71 -, trata-se de um avançado rápido e potente nos últimos 25 metros, mostrando capacidade de condução com a bola nos pés, com alguns pormenores de ordem técnica, sobretudo em acções curtas, extremamente interessantes, como também se movimenta com grande inteligência em acções sem bola, tirando partido da sua excelente capacidade de desmarcação para sair de uma das alas e aparecer na área a finalizar. Tem um disparo potente e colocado de pé direito – o seu mais forte -, tanto em finalizações de posição central como também em remates cruzados, para além de mostrar atributos com o pé esquerdo, mas é menos potente e enquadrado. Para além disso, é muito forte no jogo aéreo, ganhando com facilidade a posição aos defesas, tirando partido de um muito bom poder de antecipação e de contundência a atacar a bola. É, também, um jogador capaz de jogar de costas para a baliza, temporizando, para depois servir um colega de equipa, ou rodando, com agilidade, sobre os defesas, ganhando-lhes posição. Lutador e trabalhador em prol do colectivo, joga bem de primeira, como também sabe movimentar-se, de forma inteligente, de posições interiores para exteriores, abrindo espaços de penetração para os médios ofensivos ou para o seu colega de ataque. Mentalmente forte, tem capacidade de liderança e sabe “puxar” pelos seus companheiros de equipa. Peca, em algumas situações, por excessos de egoísmo, optando por finalizações, mesmo de ângulo difícil, quando tem colegas melhor posicionados, mas não tem medo de arriscar e procurar a baliza.

Elias Figueroa Elias Figueroa (Uruguai) . 26-1-1988. Liverpool Montevideo. Autor de 2 golos, diante de Equador (1ª fase) e Colômbia (2ª fase), em 8 jogos – foi suplente não utilizado diante da Argentina, na 1ª fase, dando o seu lugar no “onze” a Leandro Silva -, totalizou 564 minutos de competição, fruto de 7 jogos como titular – apenas 3 completos – e 1 como suplente utilizado – diante do Chile, partida em que entrou com o Uruguai a perder e ajudou a sua selecção a chegar ao empate. Avançado do Liverpool de Montevideo, que se destacou no último Mundial sub-17, estreou-se com apenas 17 anos na primeira equipa do seu clube, marcando o seu primeiro golo como profissional logo ao segundo jogo, diante do Cerro, num empate caseiro a um. Contudo, ainda não se conseguiu impor como titular absoluto no Liverpool, entrando, por norma, a meio das segundas partes, sendo que, este ano, ainda não marcou qualquer golo em 7 partidas na Liga uruguaia. Avançado bem constituído do ponto de vista físico – 1.87 / 81 -, com características de “9”, sabe jogar dentro da área, onde se mostra particularmente forte no futebol aéreo, tirando partido de um bom poder de impulsão e tempo de salto, aliado a potência e definição no cabeceamento. Para além disso, tem boas movimentações dentro da área, pois apesar de não se tratar de um jogador muito dotado do ponto de vista técnico, sabe rodar sobre os defesas adversários e mostra facilidade no remate de pé esquerdo, o seu mais forte, ainda que possa melhorar a nível da colocação, aspecto que o torna algo perdulário em finalizações dentro de área. Apesar das suas características de homem de área, trata-se de um avançado que não se limita a actuar entre os centrais e gosta de ter liberdade para se movimentar de espaços exteriores em direcção à área, tirando partido do seu potencial físico, que lhe permite também mostrar alguns atributos na condução de bola nos últimos 25-30 metros. Neste Sul-Americano evidenciou um crescimento a nível do jogo sem bola, já que muitas das suas acções possibilitaram a criação de espaços para Cavani ou para os médios ofensivos.

Édgar Édgar (Brasil) . 3-1-1987. São Paulo. Inicialmente apontado como provável reforço do Sp. Braga, o futuro avançado do Beira-Mar, que passou, sem grande sucesso, pelo São Paulo em 2006 – 3 jogos / 0 golos -, começou o Sul-Americano como titular, mas depois das decepcionantes prestações diante de Chile e Perú acabou por perder o lugar e “penar” no banco. Ressurgiria na fase final da competição, recuperando a titularidade, marcando 1 golo diante da Colômbia, na última jornada da fase final. Ao todo somou 379 minutos de utilização, fruto de 5 jogos como titular – 2 completos e 3 incompletos – e de 1 partida como suplente utilizado, tendo visto um cartão amarelo. Trata-se de um avançado de área, com características pouco habituais nos jogadores brasileiros da sua posição, pois é alto e possante, mas tem escassa mobilidade, é lento e extremamente limitado do ponto de vista técnico: fraco controlo de bola e sem capacidade de drible. O ponto forte do seu jogo acaba por ser o jogo aéreo, onde é muito poderoso, ainda que deva melhorar a técnica de cabeceamento, sobretudo no que concerne ao enquadramento, mas conquista inúmeras bolas aéreas e é difícil ganhar-lhe bolas. Tem também um remate forte de pé direito, que utiliza, sobretudo, em finalizações dentro da área, onde mostra outras características extremamente interessantes em acções sem bola: posiciona-se bem, é oportuno e sabe ganhar posição aos defesas. Mostra também alguma capacidade a jogar de costas para a baliza, tirando partido do seu poderio físico para proteger a bola e tocar curto para assistir algum colega.

Nicolás Medina Nicolás Medina (Chile) . 28-3-1987. Universidad de Chile. Avançado, titularíssimo na selecção do Chile, efectuou os 9 jogos da competição, todos como titular, tendo sido substituído em 6 ocasiões, totalizando 734 minutos de utilização. Marcou 5 golos, com direito a dois “bis” – diante de Perú (1ª fase) e Colômbia (2ª fase) -, para além de um golo solitário diante do Uruguai, na 2ª fase. Curiosamente, sentiu-se mais à vontade como unidade mais avançado do ataque, com Alexis Sánchez (ou Felipe Flores) e Mathías Vidangossy no apoio, do que actuando com um avançado mais fixo ao lado (Grandona). Viu um cartão amarelo e apenas 1 dos seus 5 golos foi apontado de grande penalidade. Com um passado goleador nos escalões de base da Universidad de Chile, como também nas selecções inferiores chilenas, já teve a oportunidade de efectuar 3 jogos pela equipa principal do seu clube, mas ainda não se estreou a marcar. Avançado canhoto, é, acima de tudo, um finalizador, cuja principal acção é concluir as iniciativas ofensivas da sua equipa, participando muito pouco nas restantes acções colectivas. Rápido e móvel nos últimos 20-25 metros, trata-se de um jogador perigoso em contra-ataque, pois desmarca-se com grande facilidade e mostra facilidade de remate, mostrando algumas semelhanças em algumas movimentações com “Pippo” Inzaghi, avançado do AC Milan. Dentro da área é extremamente oportuno, finalizando de forma simples, preferencialmente de pé esquerdo e de cabeça, a um-dois toques, sabendo tirar partido da sua muito boa capacidade de antecipação sobre os defesas adversários. Pode, no entanto, melhorar a definição, pois é um avançado algo ansioso, que desperdiça algumas oportunidades fáceis, o que o torna perdulário, como também estar mais atento em relação aos foras-de-jogo, já que cai, demasiadas vezes, em posição irregular.

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(2005) Corinthians 1 - 1 Internacional
domingo, 20 novembro 2005

Corinthians - Internacional: penalty sobre Tinga ficou por marcar

Com o Pacaembu repleto, Corinthians e Internacional de Porto Alegre disputaram o jogo do ano no Brasil. O empate final favorece o 'Timão', que, a duas jornadas do fim da prova, mantém três pontos de vantagem sobre o rival 'Colorado', que pode queixar-se da arbitragem do experiente Márcio Rezende de Freitas. Foi um jogo intenso, disputado a um ritmo bem mais elevado do que é habitual no futebol brasileiro, e em que o Corinthians, apesar de um futebol algo desgarrado e a viver sobretudo de desequilibrios individuais, entrou melhor na partida, perante um Inter algo retraído, alicerçado numa consistente organização defensiva e que procurava surpreender em contra-ataques. Seria assim que Rafael Sóbis, após passe de Fernandão, esteve perto de inaugurar o marcador, já depois de Carlitos Tevez e Gustavo Nery terem posto à prova a atenção de Clemer. Contudo, acabaria por ser o Timão a adiantar-se no marcador, já perto do intervalo, com o argentino Tevez, a aproveitar um desentendimento entre Alex e Clemer, após jogada de Carlos Alberto na direita.

A etapa complementar trouxe um Internacional de Porto Alegre mais ofensivo e estendido no terreno, o que concedeu maiores espaços para o Corinthians explorar, sobretudo tirando partido do adiantamento dos laterais adversários. Carlos Alberto e Carlitos Tevez estiveram próximo do 2-0, mas seria Rafael Sóbis, após assistência de Perdigão, a chegar à igualdade aos 49 minutos, num excelente remate cruzado. O golo partiu o jogo, com ambas as equipas a procurarem a vitória, mas seria o Internacional a mostrar mais capacidade para chegar à vitória: melhor organizada tacticamente a formação de Muricy Ramalho superiorizou-se a meio-campo e procurou tirar partido da intranquilidade defensiva do adversário, que dificilmente se entendeu com os desdobramentos ofensivos de Tinga e com a mobilidade e capacidade técnica de Rafael Sóbis, as duas figuras maiores do Colorado. E, aos 73 minutos, o 'caso do jogo': Tinga isolou-se e foi derrubado por Fábio Costa dentro da grande área, num lance que justificava não só grande penalidade, como também a expulsão do guardião do Corinthians. Só que Márcio Rezende de Freitas, que viria a pedir desculpas no final da partida pelo seu erro, nada viu e expulsou Tinga, por duplo amarelo, já que considerou que o ex-sportinguista simulou a falta. A partir daí, o 'Timão' tomou conta do jogo, mas sem grande sucesso, pois Antônio Lopes insistiu num futebol muito directo e extremamente desorganizado tacticamente, acrescido pela substituição de Bruno Octavio por Jô, que partiu ainda mais a equipa em dois blocos: o defensivo e o ofensivo, praticamente sem meio-campo.

O Corinthians, de Antônio Lopes, que teve uma passagem fugaz pelo Belenenses no início da década de 90, apresentou-se num 4x4x2, que viria a transformar-se em 3x4x1x2. Fábio Costa foi o guarda-redes ; à sua frente, e dada a qualidade da dupla Rafael Sóbis-Fernandão, acabou por adaptar o médio defensivo Marcelo Mattos ao posto de terceiro central, juntando-se à dupla formada por Betão e Marinho, um misto de juventude (do primeiro) e de experiência (do segundo), mas que se dá melhor com avançados mais fixos do que com avançados móveis, o que foi visivel pelas dificuldades que sentiram em travar Rafael Sóbis. Nas laterais, Eduardo Ratinho mostrou pouca consistência à direita, ao invés de Gustavo Nery, muito activo à esquerda, ainda que mais inspirado para acções ofensivas do que defensivas. A meio-campo e face ao recuo de Marcelo Mattos, Bruno Octávio acabou por assumir um papel mais fixo, apoiado pelo volante ofensivo Rosinei, uma das revelações da competição, que realizou uma exibição irregular, bem abaixo do que mostrou em outras partidas. Na frente, Carlos Alberto desempenhava as funções de médio ofensivo entre o centro e a direita, procurando apoiar uma dupla de ataque móvel formada por Carlitos Tevez e Nilmar.

O Internacional, de Muricy Ramalho, apostou no 4x4x2, um dos dois sistemas tácticos que apresentou ao longo da competição, e que foi uma alternativa consistente ao mais habitual 3x5x2. O veterano Clemer foi o guarda-redes ; a linha defensiva contou com os laterais Élder Granja, bastante disponível para se libertar para acções ofensivas, e Alex, que rendeu o habitual titular Jorge Wagner, sentindo algumas dificuldades na primeira parte, por ter que fechar em várias ocasiões posições interiores, o que lhe tirou clarividência ofensiva ; a dupla de centrais foi formada por Edinho e Ediglê, bem mais consistentes do que os rivais, ainda que tenham sentido algumas dificuldades quando Carlitos Tevez ou Nilmar fugiam de posições centrais. O meio campo, bastante compacto, contactou com quatro unidades: o paraguaio Gavilán e Perdigão eram os jogadores mais presos a acções defensivas, enquanto que Tinga e Ricardinho, o mais apagado do quarteto, tinham maior liberdade para incorporar o ataque, ainda que, sobretudo na primeira parte, tenham estado mais presos a acções de contenção. Na frente, Fernandão e Rafael Sóbis formavam a dupla de ataque. O primeiro, apesar de muito esforçado, esteve algo distante do jogo, ao invés de Sóbis, sempre muito activo a criar desequilibrios com a sua velocidade e excelente capacidade técnica, que fazem dele um dos frutos mais apetecidos do mercado brasileiro na actualidade.

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(2005/06) Chelsea 3 - 0 Newcastle United
sábado, 19 novembro 2005

Duff fechou a contagem ao cair do pano

O Chelsea prosseguiu a sua caminhada rumo ao título inglês com uma vitória confortável diante do Newcastle, que somava três triunfos consecutivos, mas ressentiu-se das ausências de Michael Owen e Alan Shearer, mostrando pouco poder de fogo: apenas três remates à baliza em 90 minutos. Ainda assim, registo para a boa organização da equipa de Graeme Souness no primeiro período que valeu um nulo ao intervalo, perante um Chelsea pouco inspirado, a viver sobretudo de lances de bola parada, devido à pouca inspiração de Joe Cole e Damien Duff sobre as alas e ao apagamento de Frank Lampard e Eidur Gudjohnsen na zona central, onde Scott Parker exibiu-se a grande nível. O início de segunda parte trouxe um novo Chelsea: Lampard assumiu o jogo, Cole e Duff começaram a desequilibrar e em seis minutos os 'blues' chegaram a um confortável 2-0, colocando a nú as fragilidades da dupla de centrais do Newcastle, com destaque pela negativa para Titus Bramble, com responsabilidades nos golos de Joe Cole, aos 47 minutos, e de Hernan Crespo, aos 51, que voltou aos tentos na Liga dois meses depois. A partida ficou resolvida, mas Damien Duff, no melhor lance do jogo, fixou o resultado no minuto final.

O Chelsea, de José Mourinho, apresentou-se no seu habitual 4x3x3, que partia de um 4x5x1 defensivo. Petr Cech foi o guarda-redes ; o quarteto defensivo foi formado por Glen Johnson e Asier del Horno nas laterais, com Ricardo Carvalho e John Terry a formarem o eixo central ; Claude Makelele era o médio mais defensivo, mas uma lesão precoce, obrigou Mourinho a lançar Michael Essien no seu lugar ; Frank Lampard e Eidur Gudjohnsen eram os interiores ofensivos, sendo que o internacional islandês, em situação ofensiva, funcionava quase como um segundo avançado ; Joe Cole e Damien Duff actuavam sobre as alas no apoio ao internacional argentino Hernan Crespo.

O Newcastle, de Graeme Souness, partia habitualmente de um 4x5x1, que em situação ofensiva se transformava em 4x3x3 ou em 4x2x3x1, devido aos desdobramentos de Lee Bowyer, o médio centro mais ofensivo. Shay Given foi o guarda-redes ; Peter Ramage e Celestine Babayaro realizaram actuações regulares nas laterais, ainda que na segunda parte sentiram bem mais dificuldades para travar Cole e Duff ; ao centro, Titus Bramble, o pior do Newcastle, e Jean Alain Boumsong formaram a dupla de centrais, que acabou por ser determinante pelo descalabro no início da etapa complementar ; a meio-campo, o inexcedivel Scott Parker era o médio mais recuado, apoiado por Lee Bowyer, que também se exibiu a um nível alto, e pelo turco Emre Belozoglu, o mais apagado do tridente. Nas alas, o peruano Norberto Solano esteve apagado à direita, ao invés de Charles N'Zogbia, muito activo à esquerda, onde deu imensas dores de cabeça a Glen Johnson. Na frente, Shola Ameobi sentiu imensas dificuldades para se libertar da marcação de Ricardo Carvalho e John Terry.

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(2005/06) Premier League: 12ª Jornada
segunda-feira, 7 novembro 2005

Manchester United - Chelsea: boa disposição de Brito e Mourinho antes do jogo

José Mourinho, que completava o jogo 50 como técnico do Chelsea na Premier League, e Baltemar Brito evidenciavam boa disposição antes do 'clássico' diante do Manchester United, mas foi Alex Ferguson o último a rir-se, fruto da vitória por 1-0, com golo de Darren Fletcher, que não só quebrou uma série de 40 jogos sem perder do Chelsea, como também conduziu os 'blues' à segunda derrota consecutiva em cinco dias, depois do desaire em Sevilha, diante do Bétis, para a Liga dos Campeões. Contudo, o Chelsea permanece sólido na liderança, perseguido pelo imparável Wigan, que voltou a vencer, desta feita na deslocação ao terreno do Portsmouth. Também o Bolton, futuro adversário do Vitória de Guimarães na Taça UEFA, confirmou o bom momento, isolando-se no terceiro lugar, agora perseguido pelo Manchester United e Arsenal, que venceu tranquilamente o 'lanterna-vermelha' Sunderland. A jornada 12 confirmou também a subida de forma de Newcastle e Everton, que já abandonou a zona de descida, assim como marcou o regresso aos triunfos de Fulham, com Luis Boa Morte em destaque, e do Liverpool, que agudizou a crise do Aston Villa de David O'Leary.


JORNADA 12


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. 6ª vitória consecutiva do Wigan Athletic na Premier League, que soma já o 9º jogo sem conhecer a derrota, a maior série de invencibilidade da Premier League após a derrota do Chelsea em Old Trafford. Desta feita vitória no terreno do Portsmouth, com o lateral-direito Pascal Chimbonda a voltar a revelar-se decisivo, já que abriu caminho o caminho para o triunfo, confirmado, mais tarde, por um golo de Jason Roberts. Em vésperas de recepção ao Arsenal, esta foi também a 4ª vitória consecutiva da equipa de Paul Jewell fora de casa, que cumpriu também o quarto jogo consecutivo sem sofrer golos, confirmando-se como a defesa menos batida da competição.

. Esta jornada marca também os terceiros triunfos consecutivos de Newcastle United e Bolton Wanderers. A formação de Graeme Souness derrotou o Birmingham com um golo do turco Emre, e juntou-se ao West Ham no 9º lugar, a apenas dois pontos de um lugar europeu, enquanto que o Bolton derrotou o Tottenham, isolando-se no 3º lugar, graças a mais um golo de Kevin Nolan, que já soma cinco na Premier League 2005/06. Refira-se que o futuro adversário do Vitória Guimarães na Taça UEFA, depois de goleado pelo Chelsea, cumpriu também o seu terceiro jogo consecutivo sem sofrer golos.

. Em crescendo está também o Everton, que, finalmente, deixou os lugares de descida. Há três jogos sem perder, os azuis de Liverpool somaram o segundo triunfo consecutivo, diante do Boro, graças a um golo de James Beattie, que somou o seu 2º golo da temporada, dos 4 (!) que o Everton apontou em 11 jogos. Nuno Valente não foi utilizado.

. Destaques também para o Arsenal, que somou o seu 12º triunfo consecutivo na condição de visitado, não perdendo pontos em casa desde que foi derrotado pelo Man United a 1 de Fevereiro de 2005, como também para o 3º triunfo consecutivo em casa do Blackburn Rovers, que despachou o Charlton por 4-1, e, claro está, para as vitórias do Manchester United diante do Chelsea, que permite ao clube de Alex Ferguson saltar para o 4º lugar, e do Liverpool em Villa Park, que, com dois jogos em atraso, continua na metade baixa da classificação.



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. 5ª derrota consecutiva do Birmingham City, que somou o 8º jogo sem vencer e não marca qualquer golo há cinco partidas. Também o Sunderland, último classificado da Premier League, somou a sua 4ª derrota consecutiva e 5º jogo sem vencer. O West Bromwich completa o trio de equipas abaixo da linha de água, após a 8ª derrota, em 10 jogos. Derrotado, desta feita pelo West Ham, a formação de Bryan Robson somou a 3ª derrota consecutiva e já não vence fora de casa desde Abril de 2005.

. Também em crise está o Aston Villa. A formação de David O'Leary somou a terceira derrota consecutiva, somando também o terceiro desaire consecutivo no Villa Park, onde perdeu diante do Boro, Wigan e, agora, diante do Liverpool. Em 17º lugar na classificação, o Villa está apenas um ponto acima da linha de água.

. O Portsmouth voltou a perder em casa, desta feita diante do Wigan. É já o 7º jogo consecutivo sem vencer como visitado, sendo que o último triunfo caseiro da formação de Alain Perrin aconteceu já há mais de seis meses, quando, a 24 de Abril, recebeu e bateu o Southampton por 4-1.

. Terceira derrota consecutiva do Manchester City na condição de visitado. A formação de Stuart Pearce, após este desaire diante do Fulham, perdeu a posição europeia, confirmando quebra extramuros, depois de triunfos diante do Birmingham e Sunderland, na jornada 2 e 3 da Liga.



[curiosidades]

- 750ª vitória do Everton em jogos caseiros na principal liga do futebol inglês, onde cumpriu o 1427º jogo como visitado ;
- 50º jogo de José Mourinho como treinador do Chelsea na Premier League: 39 vitórias, 9 empates e 2 derrotas ;
- 300º de Dennis Bergkamp pelo Arsenal na Premier League ; 225º jogo de Sami Hyypiä pelo Liverpool ; 150º jogo de Steed Malbranque pelo Fulham ; 125º jogo de Ruud van Nistelrooy pelo Manchester United ; 100º jogo de George Boateng pelo Boro ; 75º jogo de Stylianos Giannakopoulos pelo Bolton Wanderers ; 50º jogo de Darren Fletcher pelo Manchester United ; 50º jogo de Jonathan Stead, actualmente no Sunderland, na Liga Inglesa ;
- Estreias do guarda-redes Ben Alwick, de 18 anos, e do lateral-esquerdo Danny Collins, ambos do Sunderland, na Premier League ;
- 1º golo de Lee Croft, do Manchester City, na Premier League.
- 7º jogo de 10, em que José Reina, guarda-redes do Liverpool, não sofre qualquer golo.



Resultados:

Bolton 1 - 0 Tottenham
Everton 1 - 0 Middlesbrough
Man Utd 1 - 0 Chelsea
Arsenal 3 - 1 Sunderland
Aston Villa 0 - 2 Liverpool
Blackburn 4 - 1 Charlton
Fulham 2 - 1 Man City
Newcastle 1 - 0 Birmingham
Portsmouth 0 - 2 Wigan
West Ham 1 - 0 West Brom



Classificação:

1. Chelsea, 31
2. Wigan, 25 (-1)
3. Bolton, 23
4. Man Utd, 21 (-1)
5. Arsenal, 20 (-1)
6. Tottenham, 20
7. Man City, 20
8. Charlton, 19 (-1)
9. West Ham, 18 (-1)
10. Newcastle, 18
11. Blackburn, 17
12. Liverpool, 16 (-2)
13. M'brough, 15
14. Fulham, 12
15. Portsmouth, 10
16. Everton, 10 (-1)
17. Aston Villa, 9
18. West Brom, 8
19. Birmingham, 6
20. Sunderland, 5



Melhores Marcadores:

Frank Lampard Chelsea 10
Ruud van Nistelrooy Manchester United 8
Darren Bent Charlton Athletic 7
Didier Drogba Chelsea 6
Yakubu Aiyegbeni Middlesbrough 6
Thierry Henry Arsenal 5
Kevin Nolan Bolton Wanderers 5
Andy Cole Manchester City 5

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(2005/06) Manchester United 1 - 0 Chelsea
domingo, 6 novembro 2005

Manchester United - Chelsea: Golo de Fletcher pôs fim à série de 40  jogos sem perder do Chelsea

Quarenta jogos depois, a derrota. Com um certo sabor a injustiça é certo, e para isso basta olhar as estatísticas e verificar que o Chelsea, em 26 ocasiões, tentou bater Van der Sar, mas também não deixa de ser verdade que só três bolas levaram a direcção correcta, e aí o guardião holandês não vacilou. Ao invés, o Manchester United rematou pouco - 9 remates - e só por uma vez com a direcção da baliza. Foi o golo de Fletcher, no dia em que realizava o seu 50º jogo na Premier League, um dos visados das declarações polémicas de Roy Keane durante a semana passada, num golpe de cabeça, a concluir excelente trabalho de Cristiano Ronaldo sobre Paulo Ferreira à esquerda, num lance em que a defesa do Chelsea, mas sobretudo Cech, ficaram mal na fotografia.

O Manchester United, de Alex Ferguson, começou por apresentar-se em 4x3x3, ainda que desdobrável em 4x4x2, devido aos desdobramentos ofensivos de Rooney da direita para o meio, esquema em que havia de se fixar a meio da primeira parte, com Cristiano Ronaldo, que começou à esquerda, a passar a variar de flancos. Edwin Van der Sar foi o guarda-redes, protagonista de uma actuação bastante segura ; a defesa de quatro, bem mais consistente do que num passado recente, contou com Wes Brown - apenas o segundo jogo na temporada - e John O'Shea nas laterais, onde levaram a melhor sobre os alas do Chelsea, e com Rio Ferdinand e Mikael Silvestre ao meio, com o primeiro a exibir-se a um nível superior ao dos colegas de sector, numa exibição de qualidade e muita raça, espicaçada pelas declarações de Keane. Ao meio, Alan Smith actuou mais fixo, na sua melhor exibição como médio centro, apoiado por Darren Fletcher, que, na mudança para 4x4x2, acabou por abrir mais vezes à direita, e por Paul Scholes, estranhamente o mais apagado dos médios. Na frente, Cristiano Ronaldo, ainda que intermitente, criou inúmeros desequilibrios nas alas, com Wayne Rooney a revelar-se mais expedito que Ruud van Nistelrooy, que raramente se conseguiu libertar da marcação de Terry e Gallas.

O Chelsea, de José Mourinho, partia habitualmente de um 4x5x1 defensivo, que se transformava num 4x3x3 ofensivo, desdobrável em 4x1x2x2x1. Petr Cech foi o guarda-redes, numa tarde ingrata, já que não teve muito trabalho e acabou por ter culpas no golo ; a defesa de quatro foi formada por Paulo Ferreira e Asier del Horno, que sentiram algumas dificuldades em termos defensivos, com o português nem sempre a entender-se com a capacidade de drible de Cristiano Ronaldo, enquanto que o espanhol, mais uma vez, revelou algumas dificuldades a defender em posições interiores, mas foi importante nos desdobramentos ofensivos pelo seu flanco. No centro da defesa, John Terry e William Gallas formaram uma dupla consistente, com Ricardo Carvalho a regressar ao banco dos suplentes, de onde não saiu. A meio campo, Claude Makelele, com exibição consistente, foi a unidade mais recuada, com Michael Essien e Frank Lampard a assumirem o papel de interiores ofensivos. O médio ganês, algo escondido do jogo, realizou uma exibição fraca, não surpreendendo a sua substituição por Eidur Gudjohnsen, enquanto que o internacional inglês, depois de uma primeira parte algo apagada, cresceu de produção no segundo tempo, exibindo-se a bom nível. Na frente, Joe Cole e Damien Duff criaram poucos desequilibrios pelas alas, enquanto que Didier Drogba, mais fixo, apesar de muito bem marcado, deu bastante trabalho aos centrais adversários, e esteve muito perto de conseguir o empate.

Os primeiros minutos da partida mostraram um Manchester United de raça, mas a frieza do Chelsea acabou por vir ao de cima, com Drogba a colocar à prova a atenção de Van der Sar, a que se seguiram duas conclusões ao lado de Del Horno, após livre de Duff, e de Essien, de cabeça, também após assistência do irlandês. Foi aí que Ferguson decidiu e bem fixar-se num 4x4x2, que acabaria por revelar-se decisivo na chegada à vantagem ao minuto 31: jogada iniciada e concluída por Fletcher, depois de Rooney ter encontrado Cristiano Ronaldo à esquerda, onde bateu Paulo Ferreira, e centrou com perfeição ao segundo poste, onde o médio escocês se revelou mais expedito que Asier del Horno, aproveitando uma saída pouco decidida de Cech. O Chelsea, como lhe competia, procurou reagir, mas com Joe Cole e Damien Duff com dificuldades em criarem desequilibrios em bola corrida, e Essien e Lampard algo alheados do jogo, sentiu dificuldades em impor o seu jogo. Mesmo assim, ainda antes do intervalo, Drogba e Lampard, de livre, estiveram perto de alcançar a igualdade.

Em desvantagem ao intervalo pela quarta vez em doze jogos da Premier League 2005/06, restava saber se o Chelsea seria capaz de conseguir a reviravolta, como aconteceu diante do Aston Villa e do Bolton, ou de chegar ao empate, à semelhança da deslocação a Liverpool, para defrontar o Everton há duas semanas. Não foi capaz, mas bem o procurou: Lampard cresceu e o Chelsea também. Mourinho não tardou em lançar Eidur Gudjohnsen, que entrou bem, no lugar do amorfo Essien, mas terá demorado em demasia a fazer entrar Shaun Wright-Phillips - em melhor forma do que Joe Cole - e Carlton Cole, apostas (apenas) para o último quarto de hora. Se Lampard, logo nos primeiros minutos da etapa complementar, tentou por duas vezes surpreender Van der Sar, Ruud van Nistelrooy desperdiçou uma excelente oportunidade para fazer o 2-0, ao não aproveitar um excelente passe de Fletcher. Contudo, o sinal mais pertencia ao Chelsea, muito pressionante, quase que a asfixiar o Man United em busca do empate, mas apesar das inúmeras tentativas, os remates raramente levavam a melhor direcção. A excepção foi uma finalização de Lampard, que obrigou Van der Sar a uma excelente intervenção. Já depois de Drogba, com um remate ao lado, ter estado perto do empate, e quando Mourinho já tinha abdicado de Del Horno para fazer entrar Carlton Cole, o Man United, que abdicara de Ruud van Nistelrooy para lançar Park Ji-sung, passou a explorar melhor o contra-ataque, tirando partido da velocidade e mobilidade do novo tridente ofensivo, com o internacional coreano e Rooney a desperdiçarem boas oportunidades para sentenciar a partida.

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(2005/06) Fulham 2 - 1 Manchester City
sábado, 5 novembro 2005

Fulham - Manchester City: Steed Malbranque bisou e foi decisivo no triunfo dos Cottagers

Vitória justa do Fulham, que assim consegue aumentar a distância pontual para a zona descida, perante um Manchester City 'europeu', em tarde bastante apagada. Luis Boa Morte e Steed Malbranque foram as figuras do jogo, cujo resultado ficou definido ainda na primeira parte, com o internacional português a assistir por duas vezes o médio ofensivo francês, que bisou pela 4ª vez na Premier League, no dia em que completou 150 jogos no principal campeonato inglês. No meio dos dois golos, o empate do Man City, por obra e graça do talentoso Lee Croft, uma grande dor de cabeça para o lateral dinamarquês Niclas Jensen. Na segunda parte, o City até entrou melhor e parecia poder chegar ao empate, mas acabou por ser o Fulham, sobretudo na última meia hora, a estar por cima, e a justificar um 3-1 que acabou por não acontecer.

O Fulham, do galês Chris Coleman, apresentou-se em 4x3x3, com várias permutações posicionais entre os elementos mais adiantados, de forma a baralhar o sistema de marcações do adversário. Tony Warner, o único jogador inglês utilizado pelos Cottagers, foi o guarda-redes, que acabou por ter uma tarde relativamente tranquila ; nas laterais actuaram o alemão Moritz Volz e o dinamarquês Niclas Jensen, este último obrigado a bastante trabalho dada a actuação inspirada do ala direito adversário Croft ; Alain Goma e Carlos Bocanegra formaram a dupla de centrais, que, ao contrário de outros jogos, revelou-se bastante eficaz, não concedendo espaços a Vassell. A meio-campo, o senegalês Papa Bouba Diop, a efectuar o seu 40º jogo na Premier League, foi a unidade mais recuada, particularmente atento às acções de Andy Cole, com o francês Steed Malbranque e o português Luis Boa Morte, as duas melhores unidades do Fulham, a assumirem o papel de criativos e de principais desequilibradores ; na frente, Collins John actuou preferencialmente na direita, mas apareceu pouco em jogo, ao invés de Tomasz Radzinski, que explorou a ala esquerda, e esteve bastante activo, ainda que pouco eficaz na altura do remate, com o internacional americano Brian McBride a actuar mais fixo na frente. Refira-se que as cinco unidades de ataque, trocavam, em várias situações, de posição, sendo normais as permutas entre Luis Boa Morte, Radzinski e Colins John, assim como o desdobramento ofensivo de Malbranque em segundo ponta de lança, aspecto decisivo para a construção do triunfo.

O Manchester City, de Stuart Pearce, apresentou-se com bastantes cautelas, tentando explorar o contra-ataque, partindo de um 4x4x1x1 defensivo para um 4x4x2 ofensivo, em que, pelo menos um dos alas, normalmente Croft, procurava abrir no flanco como se fosse um extremo. David James foi o guarda-redes, com uma actuação irregular: revelou-se extremamente importante para impedir o avolumar do resultado, mas também, sobretudo na primeira parte, cometeu erros inadmissiveis ; a defesa de quatro elementos, contou com o voluntarioso Danny Mills à direita e Stephen Jordan à esquerda, que realizou uma exibição bastante intermitente ; Richard Dunne e Sylvain Distin formaram a dupla de centrais, eficaz na marcação a McBride, mas dura de rins para os desdobramentos de Malbranque ; a meio-campo, Stephen Ireland e Joey Barton formaram a dupla central, numa tarde dificil, já que estavam em desvantagem numérica, nem sempre compensada por Andy Cole. O irlandês Ireland, de apenas 17 anos, completados no passado mês de Agosto, confirmou o porquê da aposta de Pearce: jogador adulto, com personalidade, eficaz a defender e com capacidade a construir jogo, evidenciando boa visão e qualidade no passe ; nas alas, o jovem Lee Croft, de apenas 20 anos, esteve extremamente activo à direita, aliando velocidade a uma capacidade técnica acima da média, enquanto que o holandês Kizito Musampa, mais comedido, actuou à esquerda, saindo, perto do intervalo, devido a lesão, sendo substituído pelo francês Antoine Sibierski, que também esteve longe do jogo ; na frente, Andy Cole, que jogou mais recuado, partindo de uma posição de 5º médio, em situação defensiva, para 2º avançado quando a equipa atacava, fez dupla com Darius Vassell, sempre bastante móvel, a tentar tirar partido da sua velocidade, sem grande eficácia, dada a actuação muito certinha dos centrais adversários.

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(2005/06) Arsenal 3 - 1 Sunderland
sábado, 5 novembro 2005

Arsenal - Sunderland: Henry bisou

Vitória tranquila do Arsenal, que, logo aos 12 minutos, se adiantou no marcador por Robbie Van Persie, passando a gerir a vantagem. Percebeu-se, de imediato, que o ampliar do marcador seria apenas uma questão de tempo, tamanha a diferença de qualidade das duas equipas, e Henry, ainda antes do intervalo, conclui da melhor maneira uma excelente iniciativa de Lauren à direita. Na segunda parte, aproveitando a descontracção do Arsenal, Stubbs ainda reduziu, no único remate de todo o jogo do Sunderland, mas Henry, pouco depois, estabeleceria o resultado final, apontando o seu 5º golo da temporada - foi utilizado em apenas 5 jogos - e o seu 28º bis na Premier League.

O Arsenal, de Arsene Wenger, apresentou-se em 4x4x2, normalmente desdobrável em 4x2x4, com variante em 4x3x3, dependente da acções de Reyes, Van Persie e Robert Pires. Jens Lehmann foi o guarda-redes, com uma linha defensiva de quatro unidades, formada por Kolo Touré e Sol Campbell ao centro, em tarde de pouco ou nenhum trabalho, e por Lauren e Gael Clichy nas laterais, com grande liberdade para incorporarem as acções ofensivas ; a meio campo, Francesc Fabregas e Gilberto Silva formavam a dupla central, com o médio brasileiro mais fixo, enquanto o espanhol tinha maior liberdade para atacar, assumindo o papel de médio centro ofensivo ; nas alas, Robert Pires actuava sobre a direita, mas com liberdade para derivar para posições mais centrais, que permitiam passar do 4x4x2 para 4x3x3, enquanto Jose Antonio Reyes actuava sobre a esquerda, mas não raras vezes, sobretudo quando Van Persie derivava para a direita, aparecia como 2º avançado, ao lado de Henry ; na frente, Van Persie, mais móvel, entre o centro e a direita, e Henry, mais fixo, faziam dupla.

O Sunderland, de Mick McCarthy, que somou a sua 18ª derrota, em 21 jogos como treinador da Premier League, começou por abordar o jogo num 5x3x2, que procurava desdobrar-se em 3x5x2, mas vendo-se a perder logo aos 12 minutos, passou a adoptar um 4x5x1 defensivo, que procurava transformar-se em 4x3x3, desdobrável em 4x1x2x2x1, sempre que a equipa partia para acções ofensivas, o que acontecia poucas vezes. Ben Alnwick, de apenas 18 anos, era o guarda-redes, em estreia absoluta na principal liga inglesa ; a defesa, bastante limitada e com imensas dificuldades em velocidade, era formada por quatro unidades com Nyron Nosworthy e Danny Collins nas laterais ; Alan Stubbs e Steve Caldwell no eixo central, com o primeiro, veterano escocês, de 34 anos, contratado ao Everton a exibir-se a um nível ligeiramente superior aos dos seus colegas, fazendo-se valer da sua experiência e bastante razoável sentido posicional ; à frente da defesa actuou Gary Breen, que começara a partida como líbero, e acabou por ser uma adaptação feliz, já que o irlandês, de 31 anos, deu maior equilibrio ao centro do terreno, onde Dean Whitehead e Carl Robinson exibiam-se a um nível medíocre, apesar de esforçados. Nas alas, Jon Stead, habitualmente avançado, foi adaptado à direita, onde não rendeu, nem defensiva, nem ofensivamente, enquanto que Daryl Murphy, que começara a partida numa posição mais central, fixou-se à esquerda, onde acabou por fechar mais o flanco, do que criar desequilibrios pelo menos. Na frente, Andy Gray, muito desamparado, era a unidade mais adiantada, ainda que, em algumas situações, tenha trocado de posição com Jon Stead.

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(2005/06) Aston Villa 0 - 2 Liverpool
sábado, 5 novembro 2005

Aston Villa - Liverpool: vitória dos 'reds' ao cair do pano

Vitória importante do Liverpool, com golos de Gerrard, através de uma grande penalidade duvidosa, e Xabi Alonso, nos últimos cinco minutos da partida, num jogo de fraca qualidade, que parecia condenado ao empate, dada a fraca produtividade ofensiva de ambos os conjuntos, apesar do maior domínio do Liverpool, perante um Aston Villa encolhido, mesmo actuando em casa, onde apenas ganhou uma vez esta temporada.

O Aston Villa, do irlandês David O'Leary, que procurava a sua 30ª vitória como treinador do Aston Villa na Premier League (88º jogo), apresentou-se num esquema de 4x4x2, habitualmente desdobrável em 4x2x4, mas também com variante em 4x3x3. O internacional dinamarquês Thomas Sorensen era o guarda-redes ; o galês Mark Delaney e Gareth Barry actuavam sobre as laterais, com o primeiro a revelar maior vocação ofensiva, enquanto que o segundo esteve muito preso a acções ofensivas, funcionando, algumas vezes, como um terceiro central sobre a esquerda ; no eixo central da defesa o internacional sueco Olof Mellberg e Liam Ridgewell faziam dupla ; a meio-campo Gavin McCann e o norueguês Eirik Bakke faziam dupla de médios centro, com o último a actuar mais fixo, preso a acções de destruição de jogo, enquanto que McCann assumia maior preponderância na distribuição de jogo e incorporação das acções ofensivas ; nas alas actuavam Steven Davis e James Milner, que trocaram várias vezes de posição, ainda que Davis, em algumas situações, procurava posições mais centrais, enquanto que Milner, pouco inspirado, transformava-se quase sempre em extremo quando a equipa atacava ; na frente, Kevin Phillips e Milan Baros faziam dupla, alternando posições: um actuava mais fixo, entre os centrais, enquanto o outro procurava romper em diagonais ou surgir de trás para a frente.

O Liverpool, de Rafael Benitez, apresentou um esquema entre o 4x3x3 defensivo e o 4x4x2 ofensivo, com diversas variáveis. O espanhol Jose Reina foi o guarda-redes ; o internacional irlandês Steve Finnan e o internacional norueguês John Riise actuavam nas laterais, mas bastante presos a acções defensivas ; Jamie Carragher e Sami Hyypia formaram uma dupla de centrais muito coesa, não dando grandes espaços a Baros, Phillips e, mais tarde, a Angel ; o espanhol Xabi Alonso era o médio mais fixo a acções ofensivas, apoiado por Mohamed Sissoko, com mais liberdade para incorporar acções ofensivas, e Steven Gerrard, que, em acções ofensivas, abria, muitas vezes, à direita, transformando o esquema num 4x4x2 ; no ataque, Luis Garcia actuava fixo à esquerda ; Morientes funcionava como 2º avançado, com Cissé mais adiantado, ainda que, em várias situações, a partir da direita para o meio.

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Desde Fevereiro de 1998 que o Liverpool não perde diante do Aston Villa. Nas últimas 8 temporadas, os 'reds' somaram o seu quinto triunfo em Villa Park.

Rafael Benitez mexeu bem na equipa. Começou por retirar um desinspirado Luis Garcia, que não desequilibriou ofensivamente e raramente acompanhou as subidas de Delaney, fazendo entrar o holandês Zenden ; depois abdicou de Morientes, também apagado, fazendo entrar o ponta de lança Peter Crouch, que passou a actuar mais fixo entre os centrais adversários, e acabou por ser decisivo, ao conquistar a grande penalidade ; pouco depois, e com Cissé aparentemente em quebra de produção e pouco inspirado na finalização, lançou Harry Kewell, que, no entanto, pouco acrescentou, provando porque é cada vez menos utilizado: segundo jogo da temporada.

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O Aston Villa revelou-se uma equipa muito medrosa e preocupada, sobretudo, em conquistar um ponto. Demasiado dependente de um Milan Baros, com dificuldades físicas e muito marcado, contou ainda com Jason Milner e Kevin Phillips extremamente desinspirados e incapazes de criar desequilibrios, até pela extrema preocupação defensiva dos laterais do Liverpool. Apenas um remate na direcção da baliza em 90 minutos é muito pouco, mas ajuda a explicar o segundo jogo consecutivo em casa sem marcar golos.

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(2005/06) Premier League: 11ª Jornada
segunda-feira, 31 outubro 2005

Wigan - Fulham: Pascal Chimbonda garantiu a surpreendente chegada do Wigan ao 2º lugar

Com cinco vitórias consecutivas, o Wigan, à partida o principal favorito à descida, isolou-se no segundo lugar da Premier League, já a nove pontos do Chelsea, que voltou a vencer, depois do empate em Liverpool, diante do Everton, e da eliminação da Taça da Liga perante o Charlton, que foi surpreendido em casa, este sábado, pelo Bolton, futuro adversário do Vitória de Guimarães, também na luta pelo segundo posto. Este fim-de-semana confirmou as crises de Arsenal - empate feliz no 'derby' londrino diante do Tottenham - e de Manchester United, humilhado na deslocação a Riverside, perante um Middlesbrough eléctrico, na tarde-noite do renascimento do espanhol Gaizka Mendieta. Por fim, realce para a goleada do Newcastle, de Souness, no jogo domingueiro diante do West Bromwich, com Michael Owen e Alan Shearer em destaque.



JORNADA 11


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. 5ª vitória consecutiva do Wigan Athletic na Premier League, que não perde há oito jornadas e apenas sofreu um golo nas últimas cinco rondas, isolando-se no 2º lugar da classificação, a 9 pontos do Chelsea, ainda que com menos um jogo, a disputar a 14 de Dezembro próximo, em Old Trafford, diante do Manchester United. Frente ao Fulham, este fim de semana, valeu o golo decisivo do lateral-direito francês Pascal Chimbonda, contratado este Verão ao Bastia, ao minuto 90. Excelente trabalho do técnico Paul Jewell, no seu regresso à Premier League, depois de ter descido com o Bradford City, em 1999/2000.

. Com o triunfo diante do Blackburn Rovers, o Chelsea soma já o seu 40º jogo sem sofrer derrotas. José Mourinho está a apenas dois jogos de igualar o registo do Nottingham Forest, de Brian Clough, que não perdeu qualquer jogo entre 26 de Novembro de 1977 e 25 Novembro de 1978 (42 jogos), e a nove do record da Liga Inglesa, pertença do Arsenal, de Arsene Wenger, invicto de 7 de Maio de 2003 a 16 de Outubro de 2004 (49 jogos).

. Frank Lampard. É inevitável. Com 10 golos, em 11 jogos, é o melhor marcador da Premier League. Marcou golos pelo 5º jogo consecutivo - 3º bis, em 5 partidas -, situação virgem ao longo da sua carreira, que já soma 67 golos, em 309 partidas.

. Sinais de retoma no Everton, ainda assim abaixo da linha de água. Depois do empate com o Chelsea no fim-de-semana passado, vitória extramuros diante do Birmingham, com um golo do internacional galês Simon Davies: apenas o terceiro dos 'azuis' esta temporada. O antigo médio do Tottenham, já não marcava qualquer tento desde Fevereiro de 2004.

. Destaque também para as vitórias fora de casa de Bolton, Portsmouth e Newcastle. O Bolton, futuro adversário do Vitória de Guimarães na Taça UEFA, derrotou o Charlton por 1-0, e somou o seu sexto triunfo da temporada - 3º fora de casa - subindo ao 4º posto da tabela, em igualdade com o Tottenham. Foi o médio Kevin Nolan, de apenas 23 anos, mas há cinco anos titular do clube orientado por Sam Allardyce, o autor do golo decisivo, o seu 4º esta temporada. Já o Portsmouth, a realizar temporada irregular, goleou o Sunderland, num jogo marcado pela espantosa exibição do lateral esquerdo, agora convertido em médio centro, Matthew Taylor, que apontou dois golos - um deles fabuloso - e assistiu o uruguaio Dario Silva para o 4º tento. Por fim, o Newcastle, de Graeme Souness, em clara recuperação na tabela classificativa. Vitória por 3-0 no terreno do West Bromwich, com bis de Owen, somando o 4º triunfo nas últimas seis partidas, em que somou 13 pontos, em 18 possíveis.



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. 4ª derrota consecutiva do Birmingham City, que não vence há sete jornadas e não marca golos desde o empate a dois com o Liverpool. Steve Bruce, técnico do clube, que recebeu um voto de confiança a semana passada, está com o lugar em risco. 3ª derrota consecutiva do Sunderland, último classificado da Premier League, com o irlandês Mick McCarthy a somar a sua 17ª derrota, em 20 jogos como treinador na Premier League. Assustador! Por fim, 7ª derrota em 9 jogos do West Bromwich, em queda na classificação, depois de um arranque positivo de temporada.

. Ainda não foi desta. Decorridas 11 jornadas de Liga, o Arsenal ainda não conseguiu somar dois triunfos consecutivos. É preciso recuar mais de 20 anos, até à temporada 1981/82, para encontrar uma situação similar com os 'gunners'. Nessa altura o clube era orientado pelo norte-irlandês Terry Neill, e contava nas suas fileiras com Raphael Joseph Meade, que viria a ser, anos mais tarde, jogador do Sporting. Apesar do início de temporada cambaleante, o Arsenal acabaria por classificar-se no 3º lugar.

. O Manchester United continua a desiludir. A goleada sofrida em Riverside voltou a colocar a nú as fragilidades técnicas e tácticas do conjunto de Alex Ferguson, que desde Setembro de 2001 nunca tinha sofrido três golos numa primeira parte. Nessa partida, diante do Tottenham, o Manchester, a perder por 0-3 ao intervalo, conseguiu dar a volta para um espectacular 5-3. Desse épico, apenas Silvestre, Scholes e van Nistelrooy resistem no actual 'onze' de 'Sir' Ferguson.



[curiosidades]

- 125º jogo de Steve Bruce como treinador do Birmingham City: 37 vitórias, 38 empates e 50 derrotas ;
- 175º de Norberto Solano pelo Newcastle United ; 75º jogo de Moritz Volz pelo Fulham ; 75º jogo de Dejan Stefanovic pelo Portsmouth ; 50º jogo de José António Reyes pelo Arsenal ; 50º jogo de Henri Camara, actualmente no Wigan, na Liga Inglesa ; 25º jogo de Djibril Cissé pelo Liverpool e de Jean-Alain Boumsong pelo Newcastle United ;
- Estreias de James Collins - defesa internacional galês, do West Ham, de 22 anos - e Andy van der Meyde - extremo internacional holandês, de 26 anos, do Everton - na Premier League ;
- 1ºs golos de Dean Whitehead (Sunderland), Pascal Chimbonda (Wigan) e Zvonimir Vukic (Portsmouth) na Premier League.

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(2005/06) West Bromwich 0 - 3 Newcastle United
domingo, 30 outubro 2005

West Bromwich Albion - Newcastle United: Owen e Shearer garantiram a vitória da equipa de Graeme Souness

A tarde de domingo colocou frente o West Bromwich, em crise de resultados, e o Newcastle United, de Graeme Souness, em franca recuperação na tabela classificativa, depois de um início desastroso. O resultado final, algo exagerado para o que se passou em The Hawthorns, acaba por confirmar a tendência recente de ambos os conjuntos.

O West Bromwich Albion é, claramente, um dos mais fortes candidatos descida, depois da milacorosa salvação da época passada. Bryan Robson tem à sua disposição um conjunto muito limitado, que actua num 4x4x2 com um estilo de jogo tipicamente 80's: o polaco Tomasz Kuszczak é o guarda redes ; a defesa de quatro, conta com os experientes Scimeca e Clement nas laterais, ficando o eixo central para a dupla Curtis Davies, de apenas 20 anos, e o jamaicano Darren Moore, um 'paredão' sem mobilidade e velocidade ; segue-se uma segunda linha de quatro unidades, com Steve Watson e o internacional japonês Junichi Inamoto ao centro, ficando Jonathan Greening, à direita, e Darren Carter, à esquerda ; na frente, Robert Earnshaw, mais solto, a surgir, normalmente da esquerda para a direita, fez dupla com o nigeriano Nwankwo Kanu, em tarde de pouca (ou nenhuma) inspiração.

Souness, por sua vez, apostou num esquema de 4x4x2 mais flexível, desdobrável ofensivamente em 4x1x3x2 ou 4x2x4, com Shay Given na baliza ; Peter Ramage e Celestine Babayaro nas laterais ; Steven Taylor e Jean-Alain Boumsong a formarem a dupla de centrais ; Scott Parker, mais fixo, e Emre, mais solto, como eixo central do meio-campo, com o peruano Nolberto Solano e o francês Charles N'Zogbia nas alas, com liberdade para romperem em diagonais, no apoio a uma dupla de ataque formada por Michael Owen e um desastrado Shola Ameobi.

A tendência da primeira parte fazia antever que a chegada à vantagem do Newcastle seria uma questão de tempo. O nulo ao intervalo justificava-se, sobretudo, pela total desinspiração de Shola Ameobi, incapaz de concluir uma iniciativa ofensiva, e para o diálogo entre Owen e Kuszczak, em que o guardião polaco, com duas intervenções de grande nível, levava a melhor. O West Bromwich jogava um futebol desgarrado, usando e abusando dos lançamentos longos para o improdutivo Kanu, de forma a fazer face à pouca inspiração de Inamoto, 'engolido' pelo eficiente Scott Parker. No futebol medíocre da equipa de Robson, Jonathan Greening era a excepção, mas, excessivamente sozinho e preso à direita, poucos desequilibrios conseguiu criar, até pela eficaz actuação de Babayaro, muito preso a acções defensivas na primeira parte.

A etapa complementar começou com o golo inaugural do Newcatle: vinte segundos depois do reínicio da partida, Owen, perante a passividade de Moore, concluiu da melhor forma uma jogada de N'Zgobia. O jogo abriu, com o West Bromwich a procurar a igualdade, com Shay Given a negar o 1-1 a Earnshaw, por duas ocasiões, e a Inamoto. Só que Souness leu bem o jogo, fazendo entrar Shearer e Dyer para aproveitar os cada vez maiores espaços que o West Bomwich ia concedendo, o que acabou por resultar num avolumar do resultado. Owen, após assistência de Dyer, e Shearer, a concluir uma jogada entre Dyer e Ramage à direita, fizeram o resultado final.

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(2005/06) Middlesbrough 4 - 1 Manchester United
domingo, 30 outubro 2005

Middlesbrough - Manchester United: Mandieta com tarde-noite de sonho

Uma tarde-noite de sonho do Boro, com o espanhol Gaizka Mendieta em plano de destaque: 2 golos, 1 assistência e uma exibição notável, a fazer lembrar os tempos em que era o 'motor' do Valencia de Héctor Cúper. Steve McLaren, técnico do Boro e antigo adjunto do Man United, foi o grande vencedor da partida. Surpreendeu ao apostar de início num 3x5x2 muito pouco habitual na formação de Riverside, que não pôde contar com Gareth Southgate e Ugo Ehiogu: Mark Schwarzer foi o guarda-redes ; Matthew Bates, Chris Riggott e o francês Franck Queudrue a linha de três defensiva ; Stuart Parnaby e o austríaco Emanuel Pogatetz os volantes laterais ; George Boateng, como médio mais recuado, Gaizka Mendieta e Fábio Rochemback, os interiores ofensivos, formaram o tridente central de meio-campo, no apoio a Jimmy Hasselbaink, mais solto, e a sair, por norma, da ala direita para o meio, e ao tanque nigeriano Yakubu Aiyegbeni.

Sir Alex Ferguson, por sua vez, parecia apostar num esquema flexível, entre o 4x3x3 e o 4x4x2, mas a desvantagem inicial acabou por o 'obrigar' a fixar-se no último, perdendo, de forma a inequívoca, a zona central do meio campo: Edwin Van der Sar foi o guarda-redes ; Phillip Bardsley e Mikael Silvestre os laterais ; Rio Ferdinand e John O`Shea a periclitante dupla de centrais ; à frente do quarteto defensivo, actuou Alan Smith, já que Darren Fletcher, acabou por se fixar mais à direita, obrigando Paul Scholes a trabalho mais aturado no centro do terreno, com o internacional coreano Ji-sung Park a aparecer, preferencialmente, à esquerda ; na frente, Wayne Rooney, mais solto, actuou ao lado de um angustiado Ruud van Nistelrooy.

O golo inaugural de Mendieta, logo aos dois minutos, com claras culpas para Van der Sar, acabou por ser determinante no desenrolar do jogo. Com superioridade a meio-campo, o Boro tirou partido das acções de Mendieta e Rochemback para controlar a partida, desenvolvendo muito jogo a partir das desmarcações dos volantes laterais, bastante activos, perante a confusão óbvia do Man United, que nunca se encaixou no sistema de McLaren. A colocação de Jimmy, entre a faixa direita e o centro, arrastou Silvestre, permitindo a Parnaby explorar a ala com muito à vontade, já que o coreano Park raramente cumpriu as tarefas defensivas a preceito. O segundo golo, num excelente contra-ataque, confirmou o 'cinismo' do Boro, com Mendieta a lançar Jimmy, que aproveitando um erro de Ferdinand, não perdoou. Aparentemente apercebendo-se dos desequilibrios do seu sistema táctico, Ferguson tentou responder, abdicando do medíocre Bardsley, para lançar Richardson na lateral esquerda, passando O'Shea de central para lateral direito, e Silvestre de lateral esquerdo para central. Se as alas ficaram melhor cobertas, o desequilíbrio central a meio campo mantinha-se, para além do risco de assumir, muitas vezes, um dois para dois, entre Ferdinand - Silveste e Jimmy - Yakubu. Assim, ainda antes do intervalo, o Boro chegou ao 3-0, apontado por Yakubu, de grande penalidade, a castigar uma falta infantil de Richardson sobre Parnaby.

Após o intervalo, esperava-se uma reacção do Man United, sobretudo com a entrada de Cristiano Ronaldo, que ainda teve que aguardar quinze minutos para entrar em campo. O Boro, sem acelerar muito o ritmo, e já a gerir o esforço tendo em vista a Taça UEFA, assumiu uma postura expectante e jogou, como quase sempre o fez, no erro do adversário. E já com o português em campo, e numa altura em que Doriva rendera o 'tocado' Rochemback, Mendieta chegou ao quarto golo, concluindo uma iniciativa atrapalhada de Yakubu sobre a esquerda, que, mesmo assim, ultrapassou, sem grandes problemas, Rio Ferdinand. McLaren aproveitou os minutos finais para fazer descansar Jimmy e Mendieta, e, já em descontos, viu Cristiano Ronaldo apontar o golo 1000 do United desde que a principal Liga inglesa assumiu a designação de Premiership. Um prémio justo para o jogador português, que, juntamente com Wayne Rooney, tentou lutar contra o marasmo generalizado de um conjunto esgotado, cheio de equívocos e que vive da inspiração das suas poucas unidades desequilibradoras.

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(2005/06) Chelsea 4 - 2 Blackburn Rovers
sábado, 29 outubro 2005

Chelsea - Blackburn Rovers: Drogba apontou o 6º golo da temporada

Depois dos primeiros pontos perdidos na Premier League - empate em Liverpool, diante do Everton - e da eliminação na Taça da Liga, diante do Charlton, o Blackburn Rovers, ainda que a realizar temporada regular, parecia o adversário ideal para o regresso às vitórias dos 'blues'.

José Mourinho voltou a apostar no 4x5x1, que Sam Allardyce reclamou direitos de autor, numa polémica que até agora ainda não mereceu resposta de José Mourinho, mais preocupado com o 'Crespúsculo dos Deuses', como César de Oliveira definiu na última Dez, a guerra verbal do técnico português com Johan Cruijff. Certo é que o propalado 4x5x1 é bem mais um 4x3x3, ainda que centralizado, com os seguintes protagonistas: Petr Cech na baliza ; William Gallas, de novo adaptado à direita, face a nova ausência, por opção, de Paulo Ferreira, apenas utilizado em 6 das 11 partidas desta temporada da Premier League, e Asier del Horno à esquerda ; Ricardo Carvalho, que somou apenas o 5º jogo na Liga, e John Terry formaram o eixo central defensivo ; Claude Makelele era o médio mais recuado, com Michael Essien e Frank Lampard a serem os médios interiores de vocação ofensiva ; um intermitente Shaun Wright-Phillips e Joe Cole actuavam sobre as alas, no apoio a Didier Drogba, a unidade mais adiantada dos 'Blues'.

O Blackburn Rovers, orientado pelo galês Mark Hughes, optou pelo tradicional 4x4x2, com Brad Friedel na baliza ; Lucas Neill e Michael Gray nas laterais, com o primeiro, internacional australiano, a revelar-se bem mais eficaz do que o segundo ; Zura Khizanishvili e Andy Todd formaram o eixo central defensivo ; à sua frente, uma dupla de médios-centro formada pelos 'bad-boys' Robbie Savage e Kerimoglou Tugay, com Brett Emerton e o apagado Morten Gamst Pedersen nas alas ; na frente, Craig Bellamy, o melhor jogador da equipa, e a 'torre' Shefki Kuqi, um finlandês nascido no Kosovo, muito lutador, mas extremamente limitado.

O jogo parecia resolvido no primeiro quarto de hora, marcado pelo forte assédio do Chelsea à baliza do Blackburn, com dois golos na sequência de lances de bola parada: o primeiro por Drogba, concluindo um cruzamento de Lampard na sequência de um canto curto, perante a passividade dos jogadores do Blackburn, que se limitaram a assistir ao lance, e, pouco depois, já após Essien ter estado perto do 2-0, grande penalidade a favor do Chelsea, com Lampard a apontar o seu terceiro tento da temporada na sequência de castigos máximos. A vantagem adormeceu o Chelsea, e nem mesmo o golo de Craig Bellamy, aos 18 minutos, de grande penalidade, a castigar falta de Ricardo Carvalho sobre Khizanishvili, acordou os 'blues'. É certo que continuaram dominadores, mas jogaram de forma lenta e algo adormecida, perante uma equipa encolhida e limitada, que, com bastante surpresa e injustiça, chegou ao empate, de novo por Bellamy, um oásis no meio da mediania, que aproveitou da melhor forma um erro infantil de Cech.

Os 'blues' saíram do balneário com nova atitude, comandados por Frank Lampard, que logo nos minutos iniciais da etapa complementar, colocou à prova Brad Friedel. O futebol do Chelsea ganhou mais velocidade, foi mais incisivo, o que obrigou o Blackburn a cometer várias faltas no seu meio campo defensivo, com os enérgicos, mas bastante limitados, Savage e Tugay a destacarem-se nesse aspecto. E foi sobretudo de bola parada que o Chelsea criou perigo para Friedel, com o 3-2 de Lampard a surgir na sequência de um livre directo. Já com Robben em campo, e depois de Lampard, novamente de livre, ter obrigado Friedel a mais uma excelente intervenção, Joe Cole fechou o resultado, contando com a ajuda de um ressalto traiçoeiro em Khizanishvili.

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(2005/06) Tottenham 1 - 1 Arsenal
sábado, 29 outubro 2005

Tottenham - Arsenal: Robert Pires entrou para garantir o empate

O sempre ansiado 'derby' londrino abriu a jornada 11 da Premier League. Desde Novembro de 1999 que o Tottenham não vencia o Arsenal, seguindo-se 11 partidas, com 7 triunfos para os 'gunners' e 4 empates.

Martin Jol apresentou os 'Spurs' no habitual 4x4x2: Paul Robinson na baliza ; Paul Stalteri e Young-Pyo Lee nas laterais, com o internacional coreano a revelar-se bem mais expedito nas saídas para acções ofensivas ; Michael Dawson e Ledley King no eixo central da defesa ; no centro do meio campo Jermaine Jenas e Michael Carrick assumiam a coordenação e distribuição de jogo ofensivo ; Aaron Lennon e Teemu Tainio nas alas, mas a flectirem algumas vezes para posições centrais, já que sobretudo o segundo revela poucos predicados para chegar à linha de fundo ; Hossam Mido, com maior liberdade de movimentos, para se deslocar para as faixas, e Jermaine Defoe no ataque.

Arsene Wenger, por sua vez, procurava contrariar o facto do Arsenal ser a pior equipa da Premier League a actuar fora de casa - 1 ponto, em 4 jogos. Sem Thierry Henry, Aliaksandr Hleb e Andy Cole, ausentes por lesão, o técnico francês deixou no banco dos suplentes Robert Pires e o holandês Robin van Persie, apesar do bis na eliminatória da League Cup a meio da semana. A aposta passou por um esquema de 4x4x2: Jens Lehmann na baliza ; Lauren e Gael Clichy nas laterais ; Kolo Touré e Sol Campbell no eixo central da defesa ; Mathieu Flamini e Gilberto no centro do meio campo ; Francesc Fabregas e Fredrik Ljungberg sobre as alas, ainda que o promissor médio espanhol revela-se pouco à vontade para se desdobrar ofensivamente pelo flanco direito ; Dennis Bergkamp e Jose Reyes na frente, com o avançado internacional espanhol a procurar, quer à esquerda, quer à direita, o espaço entre os laterais e o central.

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- Excelente primeira parte do Tottenham. Com um futebol apoiado e as duas primeiras linhas muito próximas, o Tottenham não só não deixou o Arsenal jogar - Jenas e Carrick impuseram-se defensiva e ofensivamente a Flamini e Gilberto - como também criou várias oportunidades de golo. Ledley King, na sequência de um lance de bola parada, adiantou os Spurs, mas Carrick, por duas vezes, e Jenas, a obrigar Lehmann a uma excelente intervenção, justificaram uma vantagem mais dilatada ao intervalo.

- As substituições de Wenger. A entrada de Robert Pires ao intervalo, e consequente derivação de Cesc Fabregas para uma posição central, e de Robbie Van Persie aos 65 minutos, deram outra qualidade de jogo ao Arsenal, que na etapa inicial poucas cócegas fez ao sector mais recuado do Tottenham. Acabaria por ser o internacional francês, aproveitando um erro clamoroso de Robinson, a apontar o tento da igualdade, nada de novo na sua carreira: já é o sétimo golo que aponta aos Spurs para a Premier League, sendo que marcou sempre nas últimas cinco deslocações a White Hart Lane. Mas, nos últimos dez minutos da partida, acabaria por ser o Arsenal a estar mais próxima de um triunfo injusto: valeu a acção do central Dawson, em duas ocasiões, a contrariar remates de Van Persie e Reyes.

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- Deserto de ideias. A melhor imagem para a primeira parte do Arsenal, que praticamente não criou qualquer lance de perigo para a baliza de Robinson. A zona central do meio campo, formada por Flamini e Gilberto Silva, revelou-se desastrada no passe, com claros prejuízos na fluidez de jogo da formação de Wenger. Fabregas, inadaptado à direito, e Ljungberg, limitado fisicamente, raramente criaram desequilibrios, e os melhores desenvolvimentos ofensivos acabaram por surgir através dos desdobramentos ofensivos dos laterais, sobretudo do promissor francês Gaël Clichy, bastante activo.

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(2005/06) Manchester United 2 - 1 Benfica
terça-feira, 27 setembro 2005

Manchester United - Benfica: van Nistelrooij festeja o tento da vitória

Ronald Koeman, na conferência de imprensa prévia à partida, prometeu um Benfica de ataque e com uma vontade indómita de vitória. Numa altura em que os 'encarnados' estavam por cima no jogo, com o Manchester United a sentir demasiado o peso do golo de Simão Sabrosa, em mais um livre directo soberbo, e a cada vez menor empatia com os adeptos, o técnico holandês contrariou o que prometera, atrasando as linhas e dando-se por satisfeito com o empate, como o provou, pouco depois, com a saída de Miccoli, para dar lugar a João Pereira. Bastaram quatro minutos para o United chegar ao triunfo, com um golo de van Nistelrooij, na sequência de um canto de Giggs, que abrira o marcador, com felicidade, num livre directo.
Em suma, três golos de bola parada, num jogo em que o Benfica esteve perto de fazer história, mostrando uma atitude e confiança há muito distantes em jogos europeus, empurrado por 3.500 adeptos que se fizeram ouvir, saindo de cabeça erguida, mas sem pontos e euros na bagagem. Tudo isto numa noite em que também ficou comprovado o esgotamento do colectivo do Manchester United de Ferguson, que vive agora do talento individual das suas poucas unidades acima da média, e para o reacender, mais de dez anos depois, da 'síndrome Tavares', tendo agora Beto como protagonista.

O Manchester United apresentou-se em 4x2x3x1, com Van der Sar na baliza e uma linha defensiva de quatro unidades com Bardsley e Richardson nas laterais, mas com bastante liberdade para incorporarem as acções ofensivas, e Ferdinand e O'Shea a formarem o eixo central. A meio campo, Fletcher e Alan Smith formavam a dupla de médios recuados, ainda que, um deles, sempre que a equipa tinha a posse da bola e atacava por um dos flancos - Fletcher (direita) e Smith (esquerda) - tinham liberdade para se desdobrarem entre o centro e a ala. Paul Scholes funcionava como médio mais ofensivo, com Cristiano Ronaldo, mais sobre a direita, a ter mais liberdade para se deslocar para posições centrais, abrindo espaços para as entradas de Bardsley e Fletcher na ala, do que Giggs, sempre muito preso à esquerda. Na frente, van Nistelrooij era a unidade mais adiantada.

O Benfica, por sua vez, apresentou um esquema bastante flexível, defendendo praticamente em 4x1x4x1, ficando apenas Miccoli à frente da linha da bola. Assim, à frente de uma linha defensiva de quatro unidades, com Nélson e Léo nas laterais e Luisão e Ricardo Rocha no eixo central, actuava Petit, muito atento às acções de Paul Scholes, com nova linha de quatro unidades à sua frente: a Beto, a flectir muito para posições interiores, e Simão, mais sobre a ala esquerda, juntavam-se Nuno Gomes e Manuel Fernandes em posições mais centrais, de forma a elevar a pressão para uma zona mais próxima da entrada do meio campo, dificultando o processo de circulação de bola a partir dos médios centro adversários. Quando a equipa tinha a posse da bola, a equipa 'encarnada' desdobrava-se sobretudo em 4x3x3 centralizado, com Miccoli e Simão Sabrosa nas costas de Nuno Gomes, existindo anda uma variante no habitual 4x2x3x1, sem grandes efeitos práticos, já que Beto foi sempre incapaz de abrir à direita do ataque.



Simão festeja o golo do Benfica

Enquadramento

O Benfica procurava o seu primeiro triunfo diante do Manchester United em jogos oficiais, depois de três derrotas na década de 60: em 1968, na final da Taça dos Campeões Europeus, por 4-1, após prolongamento, num jogo realizado em Wembley ; em 1965/66, nos quartos de final da mesma competição, onde, depois de um 2-3 em Old Trafford, o Benfica foi goleado na Luz, perdendo por 1-5. Em sete deslocações a Inglaterra, o Benfica apenas venceu por uma vez, em 1991, diante do Arsenal, por 3-1, após prolongamento. Ao invés, o Manchester United recebeu por seis vezes adversários portugueses em Old Trafford, somando cinco vitórias e um empate, diante do FC Porto, há duas temporadas.
Depois da derrota no passado sábado diante do Blackburn Rovers, as críticas sobre as opções tácticas de Alex Ferguson subiram de tom, e agudizaram-se nas últimas horas com as alegadas declarações de Carlos Queirós, em que terá chamado estúpidos aos adeptos do clube que clamam por um 4-4-2. Independentemente disso, o plantel está a contas com uma onda de lesões, com Gary Neville, Wes Brown, Sylvestre, Gabriel Heinze, Quinton Fortune, Roy Keane, Saha e Solskjaer de baixa, a que se juntou ainda o castigo de Wayne Rooney, expulso na deslocação ao terreno do Villareal.
O Benfica, por sua vez, chegava a Manchester com ambição e confiança, fruto dos triunfos consecutivos, com Ronald Koeman a assumir, na conferência de imprensa de ontem, o desejo de vitória, reconhecendo a má fase do adversário e a onda de lesões. Karagounis, que regressava após lesão, ressentiu-se dos problemas físicos, e ficou de fora das opções, com o técnico holandês a surpreender com a utilização de Beto no lugar de Geovanni, e com o regresso de Ricardo Rocha à titularidade, em detrimento de Anderson, quando se colocava a hipótese do central português ser adaptado à esquerda, onde Koeman manteve a aposta em Léo.



Positivo

Miccoli esteve perto do golo

Atitude e confiança. Empurrados por 3.500 adeptos que gritavam incessantemente e faziam-se ouvir perante um Old Trafford desconfiado e emudecido, o Benfica acreditou ser possível fazer história e durante 75 minutos mostrou capacidade para o conseguir. Realizou uma exibição adulta e confiante, pouco ou nada habitual nas recentes aventuras europeias, não só defendendo bem, com um meio campo muito pressionante e eficaz na recuperação de bola, como também a mostrar inteligência nas saídas para o ataque. A posse de bola, em ataque continuado, foi bem gerida, com boa circulação de bola, destacando-se as combinações entre Simão, Miccoli e Nuno Gomes, para além das boas incursões ofensivas dos defesas, não só dos laterais, como também de Luisão e Ricardo Rocha que se revelaram eficazes e destemidos a partir para acções de ataque.

Individualidades. É o que sobra ao Manchester United, já que o seu futebol, em termos colectivos, é desconchavado e, por vezes, anedótico, e nem mesmo as inúmeras baixas servem como atenuante, pois, do meio campo para a frente, apenas Roy Keane, mais útil defensivamente do que ofensivamente, e Wayne Rooney, que implicaria a saída do 'onze' de Cristiano Ronaldo ou Ryan Giggs, teriam hipóteses de jogar no 'onze' inicial esta noite. Com Paul Scholes, muito bem marcado por Petit, e Giggs, só a conseguir criar algum perigo, em bola corrida, quando Richardson apoiava o ataque, deixando Nélson, por falta de apoio de Beto, com dois adversários pela frente, sobraram Cristiano Ronaldo e Ruud van Nistelrooij para criarem desequilibrios no último reduto encarnado. O internacional português, foi demasiado individualista em algumas ocasiões, mas o seu talento acabou por vir ao de cima, quer junto à linha, quer nas suas diagonais, sendo que numa delas viu Moreira - e a barra - negarem-lhe o golo, enquanto que o avançado holandês, aproveitou bem os poucos espaços que lhe foram dados: uma bola ao ferro e um golo pleno de oportunidade.

Ryan Giggs aponta o livre do 1-0

Bolas paradas. Três golos, todos na sequência de lances de bola parada. Giggs, abriu o marcador de livre, contando com um desvio precioso em Nuno Gomes ; Simão Sabrosa empatou, em mais uma obra-prima, ainda por cima com a barreira a seis metros ; van Nistelrooij desempatou, a seis minutos do fim, na sequência de um canto de Ryan Giggs, onde foram evidentes as lacunas do Benfica no futebol aéreo, com Petit (!) a perder o primeiro poste para Rio Ferdinand, e o avançado holandês, sem marcação, a aproveitar um novo ressalto em Nuno Gomes para desviar para o fundo da baliza. Quase sem se dar por isso, a acção de John O'Shea é determinante no desenrolar do lance, não só por prender Ricardo Rocha, como também por ter bloqueado a intenção de Luisão atacar a bola ao primeiro poste.

Negativo

Beto: o reacender da 'Síndrome Tavares'

'Síndrome Tavares'. Beto, em Manchester, reacendeu um fantasma com mais de dez anos: o da exibição risível do voluntarioso Tavares em Milão, no AC Milan - Benfica, em 94/95. A prestação do médio brasileiro, de novo encostado à direita, foi horrível, quer em termos defensivos, onde nunca apoiou Nélson, permitindo que Richardson, sobretudo na primeira parte, subisse no terreno sem acompanhamento, e nas compensações centrais, destoou dos restantes, registando-se, em 86 minutos, apenas um desarme a Cristiano Ronaldo. Ofensivamente, foi desastroso, pois, se abrir na ala seria efectivamente pedir-lhe demasiado, todas as suas derivações para o centro, resultaram em passes errados ou em remates temerários e desastrosos. Salvou-se contudo alguma inteligência, quando optou por fazer passes para trás, depois de ultrapassar a dezena de passes errados para a frente e para o lado.

Estigma holandês. As opções iniciais de Koeman foram surpreendentes: Anderson, que tem estado em bom plano, foi rendido por Ricardo Rocha, que realizou uma exibição positiva, quer em termos defensivos, valendo-se aqui do seu bom poder de antecipação e de um bom tempo de entrada nos lances, sobretudo fora da área, quer a sair a jogar, sendo que o livre que está na origem do golo de Simão saiu de uma jogada por si iniciada ; e face à ausência de Karagounis, que não recuperou de lesão, Koeman optou, mais uma vez, por encostar Beto à direita do meio campo, em detrimento de Geovanni ou mesmo João Pereira, numa aposta completamente falhada. Se foi pouco compreensivel que Beto não tivesse rendido ao intervalo, é totalmente incompreensível que, a quinze minutos do fim, e com o Benfica por cima no jogo, tivesse começado a dar indicações para a equipa adoptar uma estratégia mais defensiva, agravada com a saída de Miccoli para dar entrada a João Pereira, permanecendo Beto em campo, quando, para defender o empate como pretendia, seria bem mais útil, por exemplo, a entrada de Anderson, para acrescentar centímetros à equipa. Quatro minutos chegaram para o Manchester chegar ao 2-1, e, só aí, chamou Geovanni e Pedro Mantorras, tentando reorganizar a equipa num 4-2-4. Tarde demais.

Alex Ferguson. Depois de ter desperdiçado várias oportunidades para sair em beleza do clube e dar por encerrada a sua carreira, 'Sir' Ferguson deixou-se das novelas do 'este é que é o último ano' e tem vindo a destroçar a equipa com a preciosa colaboração de Carlos Queirós, enquanto Mourinho se ri, preparando mais uma garrafa de vinho para o próximo 'meeting' com o veterano escocês. O trabalho colectivo neste Manchester United é inexistente, assim como a circulação de bola, que cada vez mais acontece aos repelões e sem grande ligação entre sectores, muito por culpa da ineficácia e falta de talento para a função central a meio campo dos adaptados Fletcher e Smith. O Manchester United 2005/06 vai vivendo exclusivamente do talento individual dos poucos jogadores acima da média que possui e dos lances de bola parada, que Simão Sabrosa definiu - e bem - como previsiveis, mas que ainda surpreendem alguns incautos.

Destaques

Que pesadelo!: Bardsley e Beto. Sobre o médio brasileiro do Benfica já tudo foi dito. Em relação a Bardsley, formado como central nas escolas do Manchester United, e que tem vindo a ser 'trabalhado' por Alex Ferguson para ser o lateral-direito do futuro do clube, conseguiu provar aos adeptos 'encarnados', que, afinal, ainda existem laterais ingleses piores que Charles e Harkness.
Temerário: Moreira. Entre os postes esteve em bom plano, mas fora destes esteve mal, com saídas em falso a tirarem-lhe a confiança, o que acabou por fazer com que se deixasse ficar entre postes, enquanto as bolas cruzavam a área encarnada com perigo, acabando por ter sorte quando van Nistelrooij e, mais tarde, Scholes chegaram atrasados para o desvio fatal.
Destemido: Nélson. Mais uma exibição de encher o olho do lateral direito cabo-verdiano. Mesmo em desequilibrio a defender, perante Richardson e Giggs, só por uma vez deu espaço ao veterano galês. Defendeu bem, e, na segunda parte, aproveitando o desgaste do seu adversário directo, subiu mais no terreno, criando desequilibrios com a sua velocidade. Estranhamente adulto, para quem há ano e meio jogava no 3º escalão do futebol português, ainda teve tempo para fazer algumas 'maldades' a Giggs, que se habituou a ver na televisão, das quais se destaca uma finta de corpo que o sentou.
Eficiente: Simão Sabrosa. Boa exibição do 'capitão' encarnado, coroado com um golo de livre directo superiormente executado. Esforçado em termos defensivos, onde ajudou a fechar o flanco esquerdo 'encarnado', saiu bem para as iniciativas ofensivas, criando desequilibrios sobre Bardsley. Jogou poucas vezes junto à linha, saindo da ala para o meio, onde teve excelentes combinações com Miccoli, mas também com Nuno Gomes, que o assistiu, aos 20 minutos, para um remate forte, ao lado da baliza de Van der Sar.
O dandy: Cristiano Ronaldo. Apesar de se ter agarrado à bola em demasia, o seu talento é extraordinário e foi capaz de criar vários desequilibrios, quer na ala, quer, sobretudo, quando fugia para o meio. De uma espantosa jogada a solo acabou por resultar o livre que está na origem do golo inaugural, e, na segunda parte, esteve perto de marcar, quando, numa diagonal, viu Moreira e a barra negarem-lhe o golo.
O ás: Ruud van Nistelrooij. Teve, sobretudo, em Ricardo Rocha, um oponente duro, que não lhe concendeu grandes espaços, jogando e bem na antecipação. Só que o avançado internacional holandês em duas das três oportunidades que teve para visar as redes de Moreira mostrou a sua qualidade: uma bola no ferro, depois de uma recepção brilhante, e um golo, que valeu a vitória, pleno de oportunidade.
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