FC Bayern München: como joga o adversário do Sp. Braga na Taça UEFA
quarta-feira, 28 novembro 2007

Líder isolado da Bundesliga, o FC Bayern München apostou forte na nova temporada, de forma a fazer face ao desastroso 4º lugar da época passada, que afastou a equipa da Liga dos Campeões. Contudo, se as primeiras semanas da nova época davam ideia que a vitória na Bundesliga seria praticamente um passeio - vitória na Taça da Liga, oito vitórias e dois empates nas dez primeiras jornadas da Liga, duas vitórias na Taça UEFA (frente ao Belenenses) -, as últimas semanas mostraram uma equipa em quebra, coincidente com a primeira derrota - em Estugarda - e três empates - dois na Liga e na Taça UEFA -, que permitiram a aproximação de Werder Bremen e Hamburgo - ambos a um ponto - e fizeram surgir as primeiras críticas ao trabalho de Ottmar Hitzfeld, seis vezes campeão alemão e duas vezes campeão europeu de clubes, que regressou ao comando técnico do clube em Fevereiro passado, depois de ter feito uma pausa de quase três anos, em que rejeitou propostas de vários clubes e da Selecção Alemã após o Europeu 2004.
OPERAÇÃO BAYERN
O PLAYMAKER propõe uma análise táctica ao Bayern de Hitzfeld, a algumas especificidades do seu jogo e aos seus jogadores com apoio na última partida do clube na Bundesliga, realizada sábado, em Munique, diante do Wolfsburgo (vitória 2-1), que alinhou em 4x2x3x1, curiosamente o sistema que Manuel Machado, técnico do Sp. Braga, mais gosta de utilizar. Foi o regresso do Bayern às vitórias, num jogo vivo e intenso, praticamente sem paragens, que controlou do início ao fim, ainda que tenha estado longe de ser brilhante.
ANÁLISE TÁCTICA

Adepto do 4x1x3x2, esquema que usou na quase totalidade dos jogos que realizou a temporada passada, Hitzfeld adoptou este ano um 4x4x2 dinâmico como sistema preferencial, depois de ter experimentado, em algumas partidas, um 4x2x3x1, de forma a utilizar em simultâneo o "tridente" criativo formado por Altintop, Ribéry e Schweinsteiger nas costas de Toni. Frente ao Wolfsburgo, com Lúcio (castigado) e Schweinsteiger (lesionado), Hitzfeld utilizou a tradicional linha defensiva de 4 unidades, com Lell e Lahm sobre as laterais, enquanto que van Buyten, chamado a substituir Lúcio, se juntou ao internacional argentino DeMichelis. No centro da intermediária uma dupla de médios centrais formada por van Bommel e Zé Roberto, duas unidades nucleares do jogo do Bayern, enquanto que sobre as alas estiveram Altintop (direita) e Ribéry (esquerda), cuja acção móvel acaba por ser preponderante na dinâmica táctica do esquema de Hitzfeld, permitindo, muitas vezes, à equipa, partir de um 4x3x1x2 defensivo para o modelo de 4x4x2 ou 4x2x1x3 em situação de ataque, pois Altintop, em situação defensiva, junta-se, muitas vezes, a van Bommel e Zé Roberto, funcionando quase como um interior direito, enquanto que Ribéry, em algumas situações, assume um papel de falso "nº10", assumindo a condução ofensiva a partir de uma posição central, o que acontece, sobretudo, em contra-ataque ou ataque rápido. Na frente, a dupla de avançados formada por Klose e Toni, sendo que, em situação defensiva, um deles, por norma, recua um pouco mais, enquanto que, em ataque rápido, é normal ver um dos jogadores da frente descair para um dos flancos - Toni, por norma, abre mais sobre a esquerda, enquanto que Klose, habitualmente, descai mais para a direita. Para Braga, o esquema não deverá sofrer grandes alterações: Hitzfeld deverá manter este desenho e praticamente os mesmos jogadores, só se prevendo o regresso do internacional brasileiro Lúcio ao centro da defesa, que poderá render DeMichelis, a contas com uma pequena lesão. Esse facto, deverá levar Van Buyten a passar do centro-direita para o centro-esquerda. Schweinsteiger, lesionado, é uma baixa certa, assim como os lesionados Marcell Jansen, José Sosa e Lukas Podolski, curiosamente titular na Selecção, mas suplente no seu clube.
ESPECIFICIDADES DO BAYERN
DEFESA ORGANIZADA. A primeira imagem retrata a situação referida no ponto anterior: em situação defensiva, quando a equipa adversária parte para ataque organizado, a equipa do Bayern junta-se em duas linhas de quatro muito próximas, com Altintop a defender praticamente como interior direito e Ribéry também a juntar-se mais ao centro, sobretudo a pensar no lançamento de uma iniciativa de ataque rápido. Referência para o bom desempenho defensivo dos laterais, inteligentes na leitura táctica do jogo: seguros a defender posições exteriores, deslocam-se para o interior quando é necessário, acompanhando, sem dificuldade, movimentos diagonais sem bola dos alas adversários. Ao centro, Van Buyten quase sempre solto, e DeMichelis em acção de marcação, apostando muito em acções de antecipação, um dos pontos mais fortes do seu jogo.

O RISCO. O preenchimento dos espaços centrais em acções defensivas, tem o seu senão, como prova o lance que dá origem ao golo do Wolfsburgo: a única subida do lateral-esquerdo van der Heyden ao longo dos 90 minutos criou um desequilíbrio defensivo na formação do Bayern, já que ninguém acompanhou o jogador do Wolfsburgo - Altintop estava a recuperar posição ao centro -, que soube tirar partido da diagonal com bola do polaco Krzynowek, que arrastou Lell consigo, assistindo, depois, a desmarcação do seu lateral, que tirou o cruzamento que deu origem ao golo.

ATAQUE RÁPIDO (I). É o lance que dá origem ao primeiro golo do Bayern. Recuperação de bola a meio campo, com Ribéry, em posição central, a iniciar uma iniciativa de ataque rápido, abrindo para Altintop, que sai de interior direito para ala direito. O internacional turco assumiu a condução do lance sobre o flanco, assistindo depois Ribéry, que saiu do centro para o centro-direita, rompendo em direcção à área, ganhando a linha de fundo, de onde assistiu, com um passe atrasado, Klose, que, com Toni se encontrava no interior da área. Existe, contudo, uma alternativa a este lance, com Altintop, após condução sobre o flanco, a centrar para a área, procurando um cabeceamento de Klose ou Toni. Nesse tipo de situação, Ribéry opta, depois de iniciar o ataque rápido, por sair do centro para a ala esquerda numa acção sem bola, ou de prosseguir pelo centro, pronto para um eventual remate de ressaca. Em poucos toques, o Bayern chega com grande facilidade a área adversária.

ATAQUE RÁPIDO (II). O lance que dá origem ao 2º golo do Bayern, novamente a partir de um ataque rápido. Desta feita é Altintop, que partindo de uma posição de interior direito, assume a condução pelo centro, com Ribéry a sair do centro, em acção sem bola, para a ala direita. Tirando partido da sua capacidade de passe, o internacional turco abre na direita, isolando Ribéry, já em diagonal da direita para o meio, em direcção à baliza. Com duas opções, o internacional francês optou, como quase sempre o faz, pelo remate cruzado, em detrimento da assistência para um dos dois avançados, que voltaram a revelar uma movimentação interessante: Klose, fixo ao centro, prende os dois centrais ; Toni, sai do centro para a esquerda, seguindo em movimento sem bola para a área, para uma eventual finalização ao segundo poste.

ACÇÃO SIMPLES. Uma das acções trabalhadas pelo Bayern esta temporada e com resultados práticos: lançamento longo desde o sector defensivo por Kahn - mas também por um dos centrais -, Toni ganha a bola aérea à entrada do meio campo ofensivo, servindo Ribéry, de cabeça, e este, após recepção, acompanhada ou não por um movimento de temporização, centra largo em direcção à área, onde aparece Klose, entre o centro e o segundo poste, a concluir a acção. Em 5-6 toques na bola, o Bayern cria uma situação de perigo, surpreendendo pela velocidade de movimentos a defesa adversária.

CONTRAPÉ. Outra das acções que caracteriza o Bayern 2007/08. Van Bommel recupera uma bola - ou um dos defesas a passa após recuperação - e assume a acção de ataque rápido. Com Altintop e Ribéry ainda em posição central, o internacional holandês faz gala da sua impressionante capacidade no passe longo para fazer uma abertura desde o centro para a ala esquerda, onde Toni, sempre no limite do fora-de-jogo procura a desmarcação e finaliza, por norma, a três toques: recebe em movimento; faz um auto-passe em direcção à área e dispara violentamente de pé esquerdo cruzado. Importante aqui, o jogo posicional de Klose, a colocar-se entre os dois centrais.

DA DIREITA PARA A ESQUERDA EM ATAQUE ORGANIZADO. Uma imagem que comprova as dificuldades de encaixe do 4x2x3x1 no 4x4x2 do Bayern e uma das situações com que o Sp. Braga terá que ter maior cuidado. Situação de ataque organizado do Bayern, a 1-2 toques por jogador, que se inicia numa combinação à direira, entre Lell e Altintop. Lell inicia depois a variação de jogo, servindo Zé Roberto, que, nesse tipo de situação, aparece sempre descaído para o lado em que está a bola. O internacional brasileiro serve van Bommel e o movimento de circulação de bola acaba por obrigar o lateral-direito a sair de posição e tentar compensar ao meio, situação que van Bommel, mais uma vez fazendo uso da facilidade impressionante no passe que possui, aproveita para servir a desmarcação rápida de Ribéry nas costas do lateral. Depois, o internacional francês recebe a bola em movimento e tem duas soluções: o remate cruzado, a sua habitual conclusão, ou a assistência para um dos dois avançados. Três pontos fundamentais nesta acção: Lahm, em cima da linha de meio campo, não sobe, mas prende o ala direito ; o posicionamento dos dois avançados em zona central perto da área, prendendo os dois centrais e deixando o médio mais defensivo do adversário em situação delicada: entre o posto de terceiro central, de forma a não permitir uma situação de paridade numérica sempre perigoso, e de médio defensivo, não tem tempo para fazer face ao movimento rápido de circulação de bola da direita para a esquerda do Bayern, ficando a meio do caminho, o que obriga ao já referido desposicionamento do lateral ; e, por fim, a postura passiva do médio ofensivo, que, pouco talhado para acções defensivas, não consegue acompanhar o rápido movimento de van Bommel, que recebe o passe de Zé Roberto na sequência de movimento sem bola e abre para o flanco de primeira.

BOLA PARADA À DIREITA. São variadas as soluções do Bayern neste tipo de situação. À direita, os pontapés de canto são normalmente batidos por Altintop, ainda que Ribéry surja também como opção. Já nos livres laterais, apesar de Altintop ser a opção mais regular, Zé Roberto e Van Bommel são também opção. As bolas são colocadas ao primeiro ou ao segundo poste, notando-se que, existe uma maior perigo quando o destino é a segunda opção. Na área cinco jogadores: Lell, sempre ao primeiro poste, sem objectivo de finalização, mas sempre atento a um potencial desvio que possa dar à bola em direcção ao centro ou ao segundo poste ; Klose, o jogador mais perto do guarda-redes, atento a um possível desvio à boca da baliza, sobretudo numa recarga ou ressalto ; DeMichelis com uma acção de ruptura, partindo de trás para entrar entre o centro e o primeiro poste ; Toni, partindo do centro para o segundo poste ; e Van Buyten, o jogador mais perigoso neste tipo de acção, que parte de trás em direcção ao ponto onde a bola vai cair: bem mais perigoso quando ataca o segundo poste, do que o centro ou primeiro poste. Ribéry, à entrada da área, e Van Bommel, mais atrás, entre o centro e a esquerda, estão prontos para um eventual remate de ressaca, enquanto que Zé Roberto e Lahm ficam junto à entrada do meio-campo.

BOLA PARADA À ESQUERDA. Ribéry é, por norma, o jogador que bate os cantos à esquerda, podendo Altintop surgir como opção. O internacional francês opta, quase sempre, por colocar a bola ao primeiro poste, evidenciando algumas lacunas de direcção na colocação ao segundo poste. Por isso, um passe atrasado para van Bommel, que fica fora da área, sobre a esquerda, surge também como opção para esse tipo de lance. Nos livres laterais, os protagonistas são os mesmos: Ribéry ou Altintop são os habituais marcadores, ainda que, tal como acontece à direita, Zé Roberto e van Bommel surjam como outras opções. As movimentações na área são em todo similares às dos lances à direita, com a excepção do lance que a imagem documenta e mostra um livre lateral alternativo: Ribéry simula que centra em direcção à área, mas quem executa a acção é Altintop, que varia entre o remate directo e o centro à direcção à área, onde só estão 4 jogadores, pois Hitzfeld abdica da presença de um dos defesas: neste caso, DeMichelis. Klose e Toni trocaram, nesta situação, de funções, enquanto que Zé Roberto aparece fora da área para um eventual remate de ressaca, tal como van Bommel, que não aparece na imagem. Lahm e DeMichelis estavam sobre a linha de meio campo.
ANÁLISE INDIVIDUAL
OLIVER KAHN . O veterano guarda-redes, de 38 anos, voltou à baliza do Bayern, depois de ter estado afastado da competição durante o mês de Outubro, em que foi substituído pelo jovem Michael Rensing, que, ao que tudo indica, será o seu sucessor na baliza do Bayern. Frente ao Wolfsburgo, Kahn passou largos minutos de inactividade, sendo que a sua primeira defesa apenas aconteceu aos 33 minutos. Ao todo, realizou 38 intervenções, das quais 28 foram passes - 18 certos e 10 errados - e 5 recuperações de bola - todas completas -, para além de ter feito 4 defesas: 2 completas e 2 incompletas, num jogo em que o Wolfsburgo apenas efectuou 6 remates, dos quais 4 levaram a direcção da baliza. Do jogo de Kahn a realçar alguns aspectos: eficácia no passes curtos, ainda que opte, quase sempre, por passes longos nas saídas para jogo: 20 dos seus 28 passes foram longos, mostrando mais facilidade em colocar a bola em posições centrais - 10 passes longos para Toni - 8 certos, 2 errados - e 1 para Klose - do que para as laterais, onde colocou a bola em 9 ocasiões - Altintop (4) e Ribéry (5) -, acertando apenas em duas ocasiões, uma delas manual. Fora dos postes, manteve a sua tradicional tendência para não efectuar saídas, só desfazendo um cruzamento, de forma completa, para a sua direita, sendo que as restantes três defesas que efectuou foram entre postes e para o lado direito, o seu mais forte. Curiosamente, o golo do Wolfsburgo surgiu no único remate que foi feito para a sua esquerda.
CHRISTIAN LELL. Lateral-direito, de 23 anos, está a viver a época da sua afirmação, ocupando o espaço que pertencia ao internacional francês Sagnol, que após longa lesão é agora seu suplente, e não deverá demorar a estrear-se pela selecção principal da Alemanha. Produto das escolas do Bayern rodou, durante duas épocas, no Colónia, o que permitiu uma evolução, tratando-se de um defesa forte no aspecto defensivo e muito rápido a subir para o ataque, combinando bem com o ala. Necessita, contudo, de melhorar a eficácia nos cruzamentos. No jogo frente ao Wolfsburgo foi dos jogadores mais activos efectuando um total de 69 intervenções, equilibradas entre o 1º (37) e 2º (32) tempo. Lateral ofensivo, procura muito progressões em acções com e sem bola, o que lhe garante muita acção no meio campo ofensivo, revelando eficácia no passe curto e médio junto à lateral ou no passe curto para posições interiores: frente ao Wolfsburgo efectuou 53 passes, acertando 46. Altintop, com quem procura, muitas vezes, combinações 2x1, e Van Bommel, a sua "muleta" interior, foram os jogadores que mais passes seus receberam (13 cada um), mas Zé Roberto e Toni (ambos com 7) também foram muito procurados por este lateral, que gosta de jogar para frente e tem pouca tendência para atrasar a bola - 2 bolas para Kahn – ou para fazer circular a bola junto à defesa - apenas 2 passes para van Buyten. Ao longo do jogo efectuou 7 cruzamentos, apenas acertando 2, aspecto que, como já referimos, terá que melhorar, pois falhou 5 (dos 7 passes errados), que representam mais de 70% dos seus passes errados. Refira-se, como complemento, que o seus centros foram interceptados ainda antes de chegarem à área ou foram dirigidos, com alguma força excessiva, ao 2º poste. Lell participa também em lances de bola parada ofensivos, aparecendo dentro da área, por norma ao primeiro poste. Não efectuou qualquer remate, pois procura apenas conquistar bolas, o que raramente aconteceu. Do ponto de vista defensivo efectuou 8 recuperações, 5 delas completas: 7 em posições exteriores e 1 em acção interior, desfazendo um cruzamento ao 2º poste. Não efectuou qualquer falta, tendo sofrido 3, sempre em disputas de bola.
DANIEL VAN BUYTEN. Defesa-central, internacional belga, foi titular no Portugal - Bélgica, disputado em Março passado, trata-se de um jogador experiente, de 29 anos, com passagens pelo futebol francês (Marselha) e inglês (Manchester City), e que o Bayern contratou, a temporada passada, ao Hamburgo. Titular indiscutível a época passada, perdeu o lugar esta época, mas soube aproveitar o castigo de Lúcio para regressar à titularidade, realizando uma boa exibição diante do Wolfsburgo. Central muito posicional, funciona, muitas vezes, como um falso libero. Muito seguro no jogo aéreo em situação defensiva, é muito perigoso em lances de bola parada ofensivos, sobretudo a atacar o 2º poste, sentindo-se menos à vontade em velocidade. Protagonizou 48 intervenções diante do Wolfsburgo, com a curiosidade de não ter feito nenhuma entre os 63 e os 78 minutos, o que justifica ter o dobro das intervenções na 1. parte (32) do que na 2. (16). Curiosamente, não teve qualquer intervenção no meio campo ofensivo adversário na 2. parte, depois de na etapa inicial ter feito 2 finalizações de cabeça, na sequência de lances de bola parada – uma ao lado ; outra ao poste. Ambas em finalizações ao 2º poste. Ao longo da partida efectuou 20 recuperações, 12 das quais completas, mostrando eficácia no jogo aéreo, bom sentido posicional (corta linhas passe pelo chão e pelo ar) e risco-zero (corta sem passe quando é necessário). Apenas efectou 1 falta, num lance dividido aéreo. Efectuou 25 passes ao longo do jogo - alternando passes curtos com longos -, dos quais 20 foram certos. 4 dos seus 5 passes errados saíram de passes longos para Toni ou Klose. Toni, com 5 passes, e DeMichelis, com 4, foram os jogadores que mais procurou.
MARTIN DEMICHELIS. Internacional argentino, de 26 anos, contratado pelo Bayern ao River Plate, vive a sua melhor época de sempre: titular indiscutível no Bayern, onde apenas falhou um jogo na Taça da Liga e os dois da fase de grupos da Taça UEFA, conquistou também o seu espaço na Selecção Argentina, onde tem sido titular no apuramento para o Mundial 2010. Jogador marcador, que tanto pode actuar como central ou trinco, trata-se de um defesa agressivo, forte no desarme, particularmente a jogar na antecipação, tanto pelo chão, como pelo ar, mostrando capacidade para sair de posição, recuperando e desarmando sobre as laterais ou mais sobre o meio campo. Frente ao Wolfsburgo, como foi, quase sempre, o marcador do avançado do adversário, esteve muito mais em contacto com a bola do que van Buyten, o seu colega de sector, totalizando 65 intervenções, equilibradas entra a 1ª (35) e a 2ª parte (30). Ao todo efectuou 26 recuperações de bola, 16 das quais completas, mostrando facilidade em ganhar posição ao adversário directo, para além de velocidade a atacar a bola e simplicidade de processos, não arriscando cortes completos em situação de pressão. Equilibrado entre os desarmes pelo chão e pelo ar, apesar da entrega e agressividade que o caracterizam, só cometeu 1 falta, curiosamente em situação ofensiva. Sem registo de remates à baliza, apesar de participar, por norma, em lances de bola parada ofensivas, perdeu 1 bola, numa das poucas tentativas de progressão com bola que protagonizou, acção que gosta de desenvolver, mas que o facto de jogar a central o impede de realizar com maior frequência. A nível do passe efectuou 36 acções, 29 das quais com acerto, falhando 7, sempre em tentativas de passe longo ou de aberturas para desmarcação à esquerda - Toni (6) e Ribéry (1). Toni e Lahm, com 7 passes, foram os jogadores que mais procurou, mostrando uma tendência para fazer circular a bola para a esquerda - juntam-se ainda 4 passes a Ribéry -, para além de os números não enganarem: maior eficácia no passe curto-médio - 7 passes certos para Lahm - do que no longo - apenas 1 passe certo para Toni.
PHILIPP LAHM. Lateral esquerdo, de 23 anos, recuperou no final de Outubro a titularidade, depois de mês e meio afastado das convocatórias devido a lesão. Formado nas escolas do Bayern, impôs-se como titular, depois de uma passagem de dois anos por empréstimo no Estugarda, acabando por conquistar o seu espaço no clube e na Selecção. Jogador destro, está, cada vez mais completo, ainda que o seu jogo tenha perdido alguma agressividade ofensiva, sobretudo em acções no último terço do terreno, mas ganho competência defensiva e qualidade táctica, não só na defesa de posições exteriores, como também de interiores, pois, apesar da sua baixa estatura (1.70), corta várias linhas de passe aéreas e ganha bolas na antecipação. Frente ao Wolfsburgo, Lahm foi o defesa mais interventivo: protagonizou 71 acções, 36 na primeira parte e 35 na etapa complementar. Bem menos ofensivo do que Lell, apenas por uma vez rompeu com bola no último terço do terreno, realizando, nessa acção, o seu único cruzamento: rasteiro, mas que não encontrou o destino desejado (Toni ou Klose). Contudo, Lahm revelou-se fundamental numa primeira fase de condução e distribuição de jogo: dos seus pés sairam 43 passes, a maior parte dos quais junto à lateral, alternando entre o curto e o médio. Desses, 38 encontraram o destino desejado, perdendo-se 5. Ribéry, o seu companheiro de faixa, foi o principal "alvo" dos seus passes: 17 - 15 certos e 2 errados, seguindo-se De Michelis, com quem trocou bolas no sector recuado, com 8. A nível defensivo, Lahm foi o segundo defesa mais recuperado, com o triplo das recuperação de Lell - 24: 14 completas e 10 incompletas ; 17 em posições exteriores à área e 7 em zonas interiores, tirando partido do seu bom jogo posicional e capacidade para jogar na antecipação. Sem qualquer falta cometida, apesar das várias entradas a bolas divididas, Lahm destacou-se pelo excelente tempo de entrada aos lances, uma das suas características principais, tendo sofrido 2 faltas. Perdeu duas bolas, ambas em movimentações de progressão.
MARK VAN BOMMEL. Jogador chave do esquema do Bayern, é fundamental tanto defensivamente como ofensivamente. Contratado a época passada ao Barcelona, onde não conseguiu atingir o nível esperado, recuperou em Munique a boa forma exibida ao longo de 6 épocas ao serviço do PSV Eindhoven, tendo atingido, aos 30 anos, aquele que é, muito provavelmente, o ponto mais alto da sua carreira a nível exibicional. Enorme recuperador de bolas, com uma capacidade de desarme e um sentido posicional assinaláveis, revela uma capacidade de pressão e agressividade notáveis, a que acrescenta um extraordinário talento na condução e, sobretudo, distribuição de jogo, executando, com grande facilidade, de primeira, e mostrando uma enorme precisão no passe longo. Frente ao Wolfsburgo foi o jogador mais em acção, somando 101 intervenções (50+51), nunca tendo estado mais de 3 minutos sem qualquer participação no jogo. Impressionante recuperador, totalizou 28 recuperações ao longo do jogo, 14 completas e 14 incompletas, mostrando uma enorme eficiência no desarme, tanto pelo chão como pelo ar. Agressivo, por vezes em demasia, foi o jogador mais faltoso do Bayern, ao cometer 6 infracções, sempre em lances divididos. A nível do passe atingiu um rendimento extraordinário: efectuou 64, dos quais 56 encontraram o destino certo, variando entre toques curtos, médios e longos, executando perto de metade de primeira, o que atesta a sua competência e facilidade em fazer distribuições rápidas, pois não gosta de prender a bola muito tempo. Em passe curto e médio, opta, quase sempre, por procurar o flanco direito, para onde direccionou 25 passes: Lell recebeu 17, e foi o jogador que mais procurou ao longo do jogo, somando 16 passes certos ; enquanto que Altintop recebeu 8, todos certos. Ao invés, em passe longo, procura mais um espaço entre o centro e a esquerda, dado suportado por 15 passes para Luca Toni, quase todos longos, sendo que 12 encontraram o destino desejado. Rápido a soltar a bola, não sofreu qualquer falta, nem perdeu nenhuma vez a posse do esférico, destacando-se também por ter efectuado 3 remates à baliza, sempre de pé direito: 2 de fora da área, sendo que um foi defendido pelo guarda-redes para canto e outro foi interceptado por um defesa ; e outro à entrada da área, que o guarda-redes também defendeu para canto.
ZÉ ROBERTO. De regresso à Alemanha, onde jogara oito épocas, e ao Bayern, que já representara durante quatro temporadas, Zé Roberto, depois de um ano intermitente no futebol brasileiro, pegou de "estaca" em Munique, não se notando o "peso" dos 33 anos. Médio centro mais móvel e menos directo e interventivo do que van Bommel, sempre com tendência para aparecer como apoio interior no flanco por onde a bola é conduzida, o internacional brasileiro também é um importante elemento em acções de recuperação, assumindo-se como uma importante "muleta" do internacional holandês, fazendo gala da sua boa condição física e capacidade posicional. Frente ao Wolfsburgo, Zé Roberto interveio em 62 ocasiões no jogo, 34 na primeira parte e 28 na etapa complementar, realçando-se o facto de ter feito o último quarto de hora em gestão de esforço, protagonizando apenas 3 intervenções. Mais de metade das suas acções foram passes (38 - 35 certos), quase sempre curtos, pois opta, normalmente, por um futebol apoiado e sem grande risco na entrega: Lell e Lahm, ambos com 7 passes recebidos, mostram a sua tendência para servir como apoio interior em progressões ; juntando-se a estes Ribéry, também com 7 passes recebidos, 6 deles certos, que mostram a sua tendência para, em situação ofensiva e em posse de bola, progredir mais pelo centro-esquerda, até porque é canhoto. Curiosamente, o seu jogo prima pelas lateralizações, raramente arriscado passes a romper pelo centro: apenas 4 para Klose e nenhum para Luca Toni. Ainda a nível ofensivo, Zé Roberto, que, em algumas situações, arrisca progressões, com bola, de trás para a frente, perdeu 3 bolas, sempre na sequência desse tipo de acções, e rematou 1 vez à baliza, na sequência de um livre lateral descaído para a direita, que foi parado a soco pelo guardião do Wolfsburgo. Do ponto de vista defensivo, Zé Roberto efectuou 19 recuperações: 13 completas e 6 incompletas, destacando-se mais pela capacidade de cortar linhas de passe, tanto pelo chão, como pelo ar, do que no capítulo do desarme em lances divididos. Não sofreu nenhuma falta e cometeu apenas uma, na sequência de uma disputa corpo a corpo.
HAMIT ALTINTOP. Contratado, este ano, ao Schalke 04, Hamit Altintop, internacional turco, nascido na Alemanha, de 24 anos, está a confirmar-se como um centro-campista completo: eficaz em acções de recuperação, o que lhe permite ser praticamente um interior direito em situação defensiva, e determinante em acções ofensivas, tirando partida da sua velocidade, capacidade técnica e de passe, sobretudo aberto na ala direita, mas também, em caso de necessidade, pelo centro. Diante do Wolfsburgo, Altintop participou em 80 acções, que fizeram dele o 2º jogador mais interventivo da equipa, mesmo tendo passado por alguns momentos de "apagão": pouco activo no último quarto de hora da primeira parte e entre os 64 e os 77 minutos - apenas quatro acções -, para reaparecer, em grande, na fase final do jogo. O internacional turco protagonizou 56 passes, 46 dos quais certos, sendo que um, a partir de posição central, resultou no golo de Ribéry. Dos 10 passes errados, destaque para 7 cruzamentos, aspecto em que se mostrou intermitente, pois apesar de colocar a bola na área com alguma facilidade, demonstrou alguns problemas de colocação, com várias intercepções na zona do primeiro poste. Ainda assim, acertou 6 dos 13 cruzamentos que efectuou, mostrando-se particularmente feliz nas bolas tensas a meia-altura, que proporcionaram duas assistências para finalização. O facto de partir, muitas vezes, para acções ofensivas, a partir de uma posição central, permitiu que Ribéry fosse o principal alvo dos seus passes (11), sendo que duas dessas situações acabaram por resultar em golo - uma de forma directa e outra no decurso do lance. van Bommel e Lell, ambos com 9 passes, Klose, com 8, e Toni, com 6, foram outros dos jogadores que mais procurou, sendo que os dois primeiros em acções sobre a ala, e os dois últimos, sobretudo, como destino dos seus cruzamentos. Para além das acções de passe, Altintop protagonizou ainda 3 remates, todos de fora da área, sendo que apenas 1, na transformação de um livre lateral, chegou à baliza, obrigando o guarda-redes do Wolfsburgo a uma intervenção a soco. Os outros dois remates, ambos em acção de bola corrida, não levaram o destino ambicionado: um foi por cima ; o outro interceptado. Do ponto de vista defensivo, Altintop, muito cumpridor no aspecto táctico, concretizou 15 recuperações, 11 das quais completas, destacando-se, sobretudo, a cortar linhas de passe pelo chão. A estes números há ainda a juntar mais alguns registos: 3 perdas de bola, sendo que 2 surgiram após acções individuais ; 1 falta cometida, muito inteligente, que travou um contra-ataque com 2-1 no marcador ; e 2 faltas sofridas.
FRANCK RIBÉRY. Internacional francês, de 24 anos, foi contratado ao Marselha no último defeso, tendo sido apresentado juntamente com Luca Toni como os grandes reforços do "novo" Bayern. Ainda que as suas prestações não venham a primar pela regularidade, a verdade é que Ribéry tem sido o jogador mais desequilibrador, somando 3 golos na Liga em 13 partidas, a que juntou 3 tentos na Taça da Liga, onde a sua prestação foi decisiva para a conquista do troféu. Jogador explosivo, que sabe aliar a sua velocidade a uma muito boa capacidade técnica e de passe, mostra-se tremendo no 1x1, tirando também partido da facilidade com que joga com os dois pés. Dotado de um bom poder de desmarcação, sai muito bem em diagonais da ala para o meio, mostrando uma grande facilidade de remate, ainda que, por vezes, se revele excessivamente individualista. Com Hitzfeld actua preferencialmente pela esquerda, mas nas saídas de acções defensivas para ofensivas, parte, muitas vezes, de posições centrais, tratando-se do jogador com mais liberdade para procurar acções individuais e para ter mais tempo a bola nos pés. Frente ao Wolfsburgo, Ribéry demorou a entrar em jogo, realizando apenas 6 acções no primeiro quarto de hora, a que se seguiram 11 no segundo quarto e 19 no terceiro quarto (deu a assistência para o golo de Klose), numa exibição em crescendo, totalizando 36 intervenções na primeira parte, a que se seguiram 40 na segunda metade: 17 no primeiro quarto de hora (marcou 1 golo), 19 no segundo quarto de hora e 5 no último quarto de hora, período que coincidiu com a sua substituição, a cinco minutos do fim, depois de 4 intervenções erradas nas suas últimas 5 participações no jogo, comprovando um claro decréscimo de produção. 47 das 76 intervenções de Ribéry foram passes: 33 certos e 14 errados, número que se explica pelo elevado número de tentativas de passes de ruptura e cruzamentos. No último aspecto, Ribéry efectuou 9 cruzamentos, 6 dos quais que não encontraram o destino desejado, mas entre os 3 que acertou, 1 deles acabaria por resultar em golo. Luca Toni, com 11 passes, foi o colega de equipa que mais procurou, mas apenas por 4 vezes conseguiu fazer chegar a bola em condições ao internacional italiano. Altintop (8, em trocas de bolas mais centrais), Van Bommel (7, quase sempre em passes atrasados ou de apoio), Klose (6, 1 deu golo), Lell (5, com particular destaque para 3 bolas paradas enviadas ao 1º poste) foram os outros jogadores que mais procurou. A nível do remate, Ribéry destacou-se também ao ser o jogador do Bayern que mais vezes rematou à baliza do Wolfsburgo: o internacional francês marcou 1 golo em 5 remates, curiosamente na sua única finalização de pé direito, numa finalização cruzada dentro da área. Os restantes 4 remates foram efectuados de pé esquerdo, 3 deles dentro da área e 1 de fora da área, sendo que 2 levaram a direcção da baliza, enquanto que os outros 2 foram por cima e ao lado. Tratando-se do jogador que mais tempo fica com a bola nos pés em cada acção, não surpreende o facto de ter sido o jogador com mais perdas de bola: 14, 9 das quais na sequência de acções individuais. Contudo, recuperaria 8 bolas, fruto do seu posicionamento ao centro em várias acções defensivas, que lhe permitiu cortar linhas de passe e aproveitar alguns ressaltos para partir para acções ofensivas, já que todas as suas recuperações foram completas. Com pouca tendência para "chocar" com adversários, não cometeu nenhuma falta, tendo sofrido duas.
MIROSLAV KLOSE. Goleador internacional alemão, de origem polaca, chegou este ao Bayern, depois de três épocas no Werder Bremen, em que apontou 53 golos em 89 jogos na Bundesliga, dando sequência ao registo goleador já evidenciado no Kaiserslautern, onde marcou 44 golos, em 120 jogos. Ao serviço do Bayern, em jogos da Liga, soma já 9 golos em 12 jogos, a que junta ainda 2 tentos na Taça UEFA em 2 partidas. Frente ao Wolfsburgo, e como já é um hábito nos jogos do Bayern, foi o jogador menos interventivo entre os titulares. Teve apenas 31 intervenções ao longo do jogo, até porque a sua função é, sobretudo, finalizar as jogadas, e criar espaços ou prender os adversários com as suas movimentações, aspecto em que é extremamente eficaz, o que faz com que esteja, por mais do que uma vez, largos minutos sem tocar na bola. Efectuou 4 remates à baliza, todos na primeira parte: 3 dentro da área, o seu local dilecto para finalizar, e 1 fora da área, de pé direito, que foi interceptado. Dos 3 remates efectuados dentro da área, o único de pé direito deu golo, enquanto que os 2 de cabeça tiveram destinos diferentes: um foi à barra e outro ao lado. No capítulo do passe esteve, como lhe é comum, pouco activo: 16 passes, na quase totalidade curtos, de pé direito ou cabeça, acertando 12. Toni e van Bommel, ambos com 4 passes, foram os jogadores que mais procurou. A estes números juntam-se ainda 1 fora-de-jogo ; 2 recuperações (1 completa, 1 incompleta) ; 3 perdas de bola (sempre após recepções deficientes) ; 2 faltas cometidas ; e 3 faltas sofridas, sempre em disputas de bola.
LUCA TONI. O possante avançado internacional italiano, de 30 anos, depois de apontar 67 golos em três épocas no Calcio, soma já 9 golos em 13 jogos na Bundesliga, a que junta mais 2 tentos, ambos diante do Belenenses, em 3 partidas na Taça UEFA. Tremendo em finalizações aéreas dentro da área, sobretudo ao segundo poste, trata-se também de um avançado extremamente potente nos últimos 25 metros, desmarcando-se, quase sempre nos limites do fora-de-jogo, com grande velocidade e facilidade em diagonais, com e sem bola, da esquerda para o meio que conclui com remates violentos e quase indefensáveis. Frente ao Wolfsburgo, Luca Toni não esteve numa tarde particularmente feliz, mostrando-se muito impaciente com o português Ricardo Costa, que cometeu várias faltas sobre o italiano em lances divididos aéreos. Ao longo do jogo teve 46 intervenções - 26 na primeira parte e 20 na etapa complementar, denotando-se-lhe largos períodos de inactividade, sobretudo no último quarto de hora da primeira parte (5 intervenções) e no primeiro quarto de hora do segundo tempo (apenas 2 intervenções). Luca Toni efectuou 4 remates, mas não esteve feliz no aspecto mais forte do seu jogo: 2 finalizações dentro da área, 1 de cabeça (ao lado) e 1 de pé esquerdo (para fora) ; 2 finalizações de fora da área (uma enquadrada, mas sem criar perigo, outra interceptada antes de chegar à área). Pior ainda esteve nas perdas de bola: 10, número apenas superado por Ribéry, que esteve em muito mais contacto com a bola, sendo que 6 resultaram de recepções deficientes de passes, aspecto em que revela limitações. Foi 3 vezes apanhado em fora-de-jogo - numa delas marcou um golo que foi invalidado -, situação comum devido ao seu estilo de jogo, sempre no limite, e efectou 3 recuperações, em lances divididos, 2 das quais completas. Apenas cometeu 1 falta, mas sofreu 12, a maior parte das quais feitas por Ricardo Costa, o que demonstra as dificuldades que os defesas encontram em disputar lances com o possante avançado italiano de 1 metro e 93 centímetros e 88 quilos. A estes números juntam-se ainda 13 passes, sendo que 10, quase todos curtos, encontraram o seu destino. Klose, com 5 passes, Ribéry, com 4, e Altinlop, com 3, foram os destinatários preferenciais dos seus passes.
TONI KROOS. O jovem fenómeno do futebol alemão, de apenas 17 anos, teve oportunidade de jogar os últimos 5 minutos da partida, rendendo Franck Ribéry. Sem posição fixa, entre a esquerda e o meio do meio-campo ofensivo, Kroos, que nas camadas jovens costumava actuar como "nº10", teve oportunidade de mostrar a velocidade e capacidade de desmarcação que o caracterizam, numa fase em que vai alternando a utilização na formação secundária com alguns minutos na equipa principal, onde se estreou como titular na derrota em Estugarda. Possui uma frieza pouco comum num jogador tão jovem, destacando-se por ser detentor de um bom remate de pé direito - usa também, com facilidade, o pé esquerdo -, para além de um bom drible e capacidade no passe, executando bem em progressão. Diante do Wolfsburgo teve 4 intervenções no jogo: 3 passes - acertou dois - e 1 remate, dentro da área, no último lance da partida, em que atirou de pé direito ao lado, depois de uma excelente desmarcação da esquerda para a direita ao longo de 50 metros.
OUTRAS OPÇÕES. Entre os jogadores que ficaram de fora diante do Wolfsburgo, apenas Lúcio deverá ser titular diante do Sp. Braga, em princípio no lugar do argentino DeMichelis, cuja utilização está em dúvida e que, mesmo em caso de recuperação, poderá ser poupado, até porque, entre Bayern e Selecção Argentina, soma já 25 jogos esta temporada. Lúcio, internacional brasileiro, de 29 anos, vinha a fazer dupla no centro da defesa com DeMichelis, mas foi expulso, após uma entrada duríssima sobre um adversário, na deslocação Estugarda, jogo que ficou marcado pela primeira derrota do Bayern esta época. Para além do promissor Kroos, único suplente utilizado diante do Wolfsburgo, Hitzfeld poderá ter no banco as seguintes opções: o guardião Michael Rensing, de 23 anos, antigo internacional sub-21 e apontado como uma das maiores promessas do futebol alemão na sua posição ; Willy Sagnol, lateral direito internacional francês, de 30 anos, que ainda não se estreou em jogos pela equipa principal do Bayern, pois lesionou-se com gravidade em Abril passado, tendo apenas realizado, no último mês, 2 jogos pela formação secundária do clube para recuperar a forma ; Andreas Ottl, médio defensivo, de 22 anos, que vem ganhando minutos pela equipa principal esta época, somando 12 jogos entre as diversas competições ; Jan Schlaudraff, unidade móvel de ataque, que pode jogar sobre os flancos ou em zonas centrais, que tem sido pouco utilizado, mas jogou alguns minutos nas duas partidas diante do Belenenses, depois de ter chegado a internacional alemão ao serviço do Alemannia Aachen, clube onde apontou 19 golos nas duas últimas temporadas ; Mats Hummels, jovem defesa-central ou trinco, de 18 anos, já internacional sub-21 pela Alemanha, que vem sendo uma das principais unidades da formação secundária, destacando-se pelo físico impressionante (1.91-88), que o torna muito forte no jogo aéreo e em acções de recuperação.
LINHAS PREFERENCIAIS DE PASSE DO BAYERN

BAYERN: CIRCUITO DE PASSES (acima de 4)

Lille: A força do colectivo
quarta-feira, 14 setembro 2005

Vice-campeão francês em 2004/05, o Lille OSC realizou a sua melhor temporada de sempre dos últimos 50 anos, conseguindo, com surpresa, o apuramento directo para a Liga dos Campeões. É, assim, o ano de todos os desafios para esta formação, que há apenas cinco temporadas se sagrava campeã da 2ªDivisão francesa, e que teve um crescimento tremendo muito por culpa do bom trabalho de Claude Puel, campeão francês pelo Mónaco em 2000, que parte para a sua quarta época à frente do clube.
Sem Philippe Brunel, transferido para o Sochaux, e Christophe Landrin, que rumou ao PSG, Puel perdeu os seus dois jogadores com maior capacidade no último passe, mas garantiu a permanência de Milenko Acimovic e Geoffrey Dernis, que estiveram com pé e meio fora do clube, só se estreando no último fim-de-semana pela equipa principal. Essas indefinições, aliadas a alguma irregularidade do eixo central da defesa, fizeram com que o início de temporada fosse trémulo, mas a vitória no terreno do Metz, no passado sábado, mostrou um Lille bem mais próximo do que habituou os adeptos na temporada anterior.
Organizado num 4x2x3x1, que parte habitualmente de um 4x5x1 defensivo, e que pode transformar-se num 4x4x2, com a deslocação do médio ofensivo para segundo ponta de lança, o Lille é uma equipa com um futebol muito mecanizado e entrosado, que procura anular o esquema do adversário, para depois fazer valer a consistência do seu colectivo, particularmente talhado para jogar em contra-ataque, mas que trata bem a bola e sabe também jogar em ataque continuado. O grupo é bastante jovem, repleto de jogadores com enorme vontade e talento, prontos para voos mais altos. Contudo, essa inexperiência, que, por vezes, parece ser força, tem feito a equipa quebrar nos jogos com os 'grandes', como prova o facto de não terem vencido qualquer partida frente a estes a temporada passada, algo que poderá ter os seus custos na Liga dos Campeões, assim como a impossibilidade de actuarem no Lille Métropole, que obrigará a que os jogos caseiros sejam disputado no Stade de France.
A táctica

A baliza

O guarda-redes internacional senegalês Tony Mario Sylva, de 30 anos, é o dono do lugar, depois de vários anos como suplente do AS Mónaco. Guardião possante, destaca-se sobretudo pela sua acção entre postes, pois é muito ágil e revela bons reflexos. Fora dos postes é irregular, arriscando, muitas vezes, em demasia nas saídas, alternando boas intervenções, com alguma espectacularidade, com outras em falso. O seu ponto mais fraco, contudo, é o jogo com os pés, já que é algo trapalhão e muito limitado tecnicamente.
O seu suplente é o experiente Grégory Malicki, de 31 anos, que cumpre a sua quarta temporada no clube, onde se tem mantido nessa condição. Guardião regular, destaca-se sobretudo pela acção entre os postes, pois tem bons reflexos.
A defesa

Claude Puel aposta numa tradicional defesa de quatro, com dois laterais, que sobem, normalmente, à vez, e uma zona central rigida, que demorou a estabilizar esta temporada, já que em seis partidas foram utilizados quatro jogadores.
À direita, o titular é o franco-belga Matthieu Chalmé, um lateral que se destaca pela velocidade e grande 'pulmão', que lhe permite fazer todo o corredor, criando, com isso, alguns desequilíbrios, ainda que seja pouco dotado tecnicamente. Defensivamente é cumpridor, ainda que defenda melhor em posições exteriores do que interiores, onde lhe falta alguma capacidade no jogo aéreo e no posicionamento.
À esquerda, o 'capitão' Grégory Tafforeau, de 28 anos, é indiscutível, tratando-se de um defesa muito esforçado, que sabe também sair para movimentações ofensivas, destacando-se pela velocidade, já que tecnicamente é bastante limitado. Defensivamente, revela um bom poder de desarme e agressividade, mas comete algumas falhas de marcação, quer em velocidade, quer a defender em posições interiores, sobretudo na cobertura do segundo poste.
A dupla de centrais deverá ser formada por Nicolas Plestan e Rafael Schmitz, depois de várias experiências em termos de duplas esta temporada, aliadas à lesão do grego Tavlaridis, o líder do sector defensivo. Plestan, de 24 anos, foi lançado no futebol profissional pelo AS Mónaco, cumprindo a sua terceira época no Lille, a primeira onde consegue garantir a titularidade. Apesar de se revelar ainda algo 'verde', é um defesa agressivo e forte no desarme, mas comete algumas falhas no jogo aéreo, para além de ser bastante limitado do ponto de vista técnico. O brasileiro Rafael Schmitz, também de 24 anos, apresenta características similares às do seu parceiro, ainda que se revele mais experiente e mais dotado do ponto de vista técnico, com o seu bom sentido posicional a compensar algumas lacunas em termos de velocidade.
Quanto a outras opções para o sector defensivo, Stephan Lichtsteiner, internacional esperança suiço, contratado este ano ao Grasshoper, é a outra opção para a lateral-direito. Menos brilhante que Chalmé em termos ofensivos, é, contudo, mais eficaz defensivamente, sobretudo no que concerne a defender em posições interiores. O sérvio-montenegrino Milivoje Vitakic, contratado a época passada ao Estrela Vermelha, é opção para o centro da defesa, tratando-se de um jogador experiente, forte na marcação, que se destaca pelo bom jogo aéreo e poder de desarme, mas é algo limitado tecnicamente e pouco veloz. O internacional grego Stathis Tavlaridis, formado nas escolas do Iraklis, e que passou pelo futebol inglês, onde representou Arsenal e Portsmouth, foi sempre titular no ano e meio que leva de clube, mas depois de um arraque de temporada irregular, lesionou-se e não jogará na Luz. Trata-se, no entanto, do melhor central do conjunto, com capacidade de liderança e bom sentido posicional, podendo jogar como líbero ou na marcação. Forte no jogo aéreo e com bom poder de desarme e de antecipação, destaca-se dos demais por sair bem a jogar, já que é dotado tecnicamente e tem capacidades no passe. Por fim, referência ainda ao jovens Peter Franquart, produto das escolas do clube, que é um central de origem, mas pode desempenhar o papel de lateral-esquerdo, e para o lateral esquerdo/central brasileiro Dante, de 21 anos, descoberto, há dois anos, no Juventude de Caxias, mas que ainda não se conseguiu impor no clube.
Meio-campo defensivo

À frente da defesa, Claude Puel faz a equipa actuar, por norma, com dois médios mais defensivos, embora dê alguma liberdade para que um deles, em situação ofensiva, apoie o ataque.
O internacional camaronês Jean II Makoun, de 22 anos, formado nas escolas do clube, é uma das 'jóias' do conjunto. Médio ofensivo de origem, foi convertido com sucesso em médio defensivo, aliando capacidade defensiva com ofensiva. Bom marcador, é um jogador com capacidade no desarme e bom sentido posicional, que lhe permitem recuperar inúmeras bolas a meio-campo, apesar de não ser fisicamente robusto. Tirando partido da sua velocidade e boa capacidade técnica, sai muito bem a jogar, mostrando predicados no passe, quer curto, quer longo, sobretudo a procurar as alas, tratando-se de um jogador 'chave' no esquema de Puel. Contudo, há ainda aspectos que precisa de 'limar': arrisca, por vezes, dribles em zonas proibidas ; tem algumas limitações no jogo aéreo ; e era pouco eficaz nos remates de fora da área, situação que tem revisto, com sucesso, esta temporada.
Ao seu lado, com mais liberdade para participar nas acções ofensivas, actua Matthieu Bodmer, um médio 'box to box' de grande qualidade e com bastante 'mercado', de apenas 22 anos, que o Lille contratou, há duas épocas ao Caen. Conhecido por 'Vieira branco', é competente a nível defensivo, tirando sobretudo partido de um bom posicionamento e da sua capacidade física - mede 1.88 -, peca, contudo, por ser pouco talhado para acções de marcação e por denotar algumas dificuldades na recuperação, que tenta compensar no corpo a corpo, o que lhe custa alguns amarelos. Em termos ofensivos, é um médio muito interessante, pois sai muito bem a jogar, já que é bem dotado tecnicamente e eficaz no passe, mostrando também alguma apetência para aparecer em posições de remate.
A alternativa a esta dupla é o jovem Yohan Cabaye, de apenas 19 anos, titular nas selecções inferiores francesas. Médio centro, com características ofensivas, é um jogador muito promissor, que alia qualidades defensivas, com qualidade a sair para o ataque, pois para além de ser um bom condutor e distribuidor de jogo, gosta de rematar de fora da área, o que faz com bastante perigo. Falta-lhe, contudo, experiência no futebol sénior. A este junta-se ainda Stéphane Dumont, de 22 anos, que, no entanto, não poderá jogar na Luz devido a lesão. Dumont foi titular toda a temporada passada, mas esta época ainda não foi utilizado. Médio centro combativo, forte na recuperação da bola e com qualidades no jogo aéreo, é também um jogo valioso nas saídas para acções ofensivas.
Meio-campo ofensivo

É formado habitualmente por três unidades, com duas a descaírem para as alas e uma em posição mais central, que se desdobra entre a posição de médio ofensivo e segundo ponta de lança.
À direita, Mathieu Debuchy, internacional esperança francês, de 20 anos, é o dono do lugar. Jogador muito interessante, com grande cultura táctica, foi uma das grandes surpresas da última temporada, tratando-se de um polivalente, capaz de fazer todo o corredor direito, como também, em caso de necessidade, de ser utilizado numa zona central na intermediária. Jogador lutador e veloz, desdobra-se bem pela ala direita, graças à sua boa capacidade técnica e velocidade, conseguindo tirar bons cruzamentos. Mais rotinado como ala, está a tornar-se também perigoso nas diagonais, procurando os remates cruzados, como também nas finalizações ao segundo poste, já que tem um bom jogo aéreo, tirando partido do seu 1.87.
À esquerda, o internacional marroquino Hicham Aboucherouane, contratado ao Raja Casablanca, começou a época como titular, mas o regresso de Geoffrey Dernis, que esteve em vias de abandonar o clube, aliado à sua adaptação ainda algo lenta ao futebol francês, fez com que perdesse a titularidade. Aboucherouane, de 24 anos, é um jogador ainda muito rebelde tacticamente, mas extremamente perigoso em termos ofensivos, pois tem uma capacidade técnica e uma gama de dribles impressionantes, capazes de criar inúmeros desequilíbrios no um para um. Forte nas assistências - melhor a cruzar do que no passe -, evidencia também qualidades como finalizador, como atestam os 11 golos apontados no último campeonato marroquino, quer em lances de bola corrida, quer em lances de bola parada. Dernis, também de 24 anos, pode também actuar na direita do ataque, tratando-se de um jogador de boa técnica e muito eficaz nos cruzamentos, saindo dos seus pés várias assistências para golo. Pouco possante, apesar de não ser talhado para missões defensivas, é cumpridor, fazendo o acompanhamento defensivo das subidas do lateral adversário, o que agrada a Puel.
Para o posto de médio ofensivo, Puel também dispõe de duas opções: o suiço Daniel Gygax, contratado ao FC Zurich, começou a época como titular, mas perdeu o lugar com a reincorporação do esloveno Milenko Acimovic, que esteve com pé e meio fora do clube, falando-se, entre outros clubes, do interesse do Benfica, que acabou por não se concretizar.
Acimovic, antigo jogador de Tottenham e Estrela Vermelha, é um médio criativo, bastante evoluido tecnicamente, que pode actuar no centro do terreno, entre o posto de '10' e segundo ponta de lança, mas que gosta de ter liberdade para aparecer também à esquerda. Irregular e pouco consistente em termos exibicionais, é capaz do melhor e do pior, mas é um jogador desequilibrador, que pode decidir um jogo num lance individual. Forte no último passe, como também a cruzar, joga com facilidade de primeira, e sabe tirar partido das tabelas com o avançado mais fixo para aparecer em posição de finalização. Falta-lhe, contudo, mais velocidade e, sobretudo, mais agressividade nos lances.
Já o suiço Daniel Gygax, internacional pelo seu país, assume as características de um 'nº10' mais fixo, capaz também de desempenhar funções de interior, e, apesar de algo lento, é um jogador com qualidades no passe e com um bom remate, quer em bola parada, quer em bola corrida.
Ataque

No ataque, não faltam soluções a Claude Puel, ainda que Peter Odemwingie se assuma como o avançado titular desde o inicio da época, que viu o seu esforço ser compensado com um 'bis' em Metz no passado sábado. Internacional nigeriano, de 24 anos, apesar de ter nascido em Moscovo, onde se formou ao serviço do CSKA, já alinhou contra o Benfica, quando representava o RAAL La Louvière. Na altura, era extremo direito, mas Puel, ao longo da temporada passada, tirando partido da sua mobilidade e bom poder de finalização, adaptou-o, com sucesso, ao posto de avançado. Muito móvel e rápido, é um jogador muito perigoso em contra-ataque, pois alia uma boa capacidade técnica e de drible, a um bom poder de finalização, sobretudo com o pé direito. Em caso de necessidade, e quando Puel decide alargar a frente de ataque, pode desempenhar outras funções, sobre qualquer uma das alas, como também como segundo ponta de lança.
Matt Moussilou, avançado móvel, internacional esperança por França, de 23 anos, que pode jogar quer sobre as alas, quer em posições mais centrais, tem sido, neste início de época, a principal solução ofensiva, lançada a partir do banco. A sua força física, aliada à velocidade e, sobretudo, à capacidade técnica e de drible, criam sempre inúmeros desequilíbrios, para além de ser um jogador com bom poder de finalização, como atestam os 16 tentos apontados na época passada. Outra opção é o internacional marfinense Abdelkader Keita, de 24 anos, contratado ao Al Saad, do Qatar, onde era a principal estrela do campeonato, depois de ter vivido situação similar na Tunisia. Extremamente poderoso fisicamente e agressivo, alia à sua força, velocidade e capacidade de movimentação, que lhe permitem também actuar a sair da esquerda para o meio. Contudo, as suas características enquadram-se nas de um ponta de lança, mostrando, por onde tem passado, uma boa capacidade finalizadora, que ainda não confirmou no Lille.
As outras opções atacantes: Kevin Mirallas, belga, de 17 anos, é um jovem muito promissor, que descai preferencialmente para as alas, embora possa também funcionar como segundo ponta de lança. Apesar da sua juventude, já foi suplente utilizado em duas partidas. Nicolas Fauvergue, internacional esperança, de 20 anos, tem vindo a alinhar pela formação B. É um típico avançado de área, muito possante fisicamente - 1.91/81 -, que desgasta muito os adversários e cuja principal virtude é o jogo aéreo. Por fim, o jovem Larsen Touré, de 21 anos, também oriundo da formação B do clube, que actua preferencialmente como segundo avançado.
Glasgow Rangers: Campeão em crise
terça-feira, 13 setembro 2005

Campeão e vencedor da Taça escocesa na temporada passada, o mau início de temporada 2005/06, apenas atenuado pela instabilidade no 'rival' Celtic, já fez os adeptos do Glasgow Rangers esquecerem os êxitos recentes. A recepção ao FC Porto é quase encarada como um jogo de 'tudo ou nada' para o treinador Alex McLeish, cujo trabalho, apesar dos títulos conquistados, tem sido muito contestado. Esta época a contestação subiu de tom, face não só aos maus resultados, como também à indefinição táctica do treinador, que já experimentou cinco esquemas tácticos - o tradicional 4x4x2, o 4x3x3, o 4x3x1x2, o 4x5x1 e, finalmente, o 3x4x1x2 - e tem feito algumas adaptações muito contestadas, onde se destaca, sobretudo, a colocação do avançado croata Prso a ala esquerdo.
Sem grande margem para errar, quando os nomes de Terry Butcher e Walter Smith são avançados para uma eventual sucessão, McLeish, na conferência de imprensa de ontem, mostrou-se ciente do que poderá acontecer na eventualidade de um mau resultado, mas evidenciou confiança que o jogo desta noite em Ibrox marcará um 'novo início' para o Rangers, que apenas somou um ponto nas duas últimas partidas da Liga escocesa. Apesar de ter testado ultimamente os sistemas de 4x3x1x2 e 3x4x1x2 a pensar na estreia na Liga dos Campeões, os maus resultados e a forte pressão dos adeptos, poderão fazê-lo regressar ao 4x4x2, desdobrável em 4x2x4, o que a acontecer, proporcionará, por certo, um espectáculo aberto, de futebol ofensivo e, provavelmente, com golos.
Contudo, o mais moderado 4x3x1x2, poderá ser a solução, até porque permite, sem fazer substituições, adaptar a equipa a um esquema de três centrais e até a um esquema próximo do 4x4x2. Sendo certa a ausência de Hemdani, por ainda não estar a 100% do ponto de vista físico, existe alguma ansiedade em relação à utilização dos últimos reforços: o grego 'Soto' Kyrgiakos, que já foi titular diante do Falkirk, deverá manter-se no 'onze' ; o lateral-esquerdo francês Bernard, que iniciou a preparação apenas no início de Setembro, poderá ser a grande surpresa, ainda que Murray, que nessa situação poderia avançar para o meio-campo, pareça ser, à partida, uma opção mais consistente ; o avançado italiano Maniero, em principio, continuará de fora ; e o avançado inglês Jeffers, suplente utilizado diante do Falkirk, deverá manter essa condição, ainda que haja a hipótese de ser titular.
As tácticas



** Se o lateral-esquerdo 'Olly' Bernard for considerado apto para disputar a partida de logo à noite, deverá ocupar a posição de lateral (ou volante, em 3x4x1x2) esquerdo, permitindo que Ian Murray possa ser utilizado no centro do meio campo, no lugar de Alex Rae ou Namouchi.
A baliza
Contratado a 31 de Janeiro de 2005 para suprir uma lesão de Stefan Klos, o holandês Ronald Waterreus não mais perdeu a titularidade. Antigo guarda-redes do Roda, PSV e Manchester City, acabou por revelar-se decisivo para a 'dobradinha' do Rangers a temporada passada, tratando-se de um guardião veterano, de 35 anos, mais forte entre postes, do que fora destes. O seu suplente é Stefan Klos, guardião alemão, de 34 anos, uma autêntica instituição dentro do clube. 'Der Goalie', como é conhecido, atravessa um dos melhores períodos da sua carreira, após vencer o prémio de jogador do ano da liga escocesa em 2003/2004, mas uma lesão afastou-o dos últimos meses da temporada passada e acabou por não conseguir recuperar a titularidade esta época. Destaca-se sobretudo pela sua presença entre postes e por ser forte nos lances de 1x1 com os avançados, que compensam algumas lacunas que tem nas saídas por alto.
A defesa
À direita são algumas as indefinições. Alex McLeish dispensou Maurice 'Mo' Ross, o único lateral-direito de raíz, e tem alternado a utilização de dois jogadores: o holandês Fernando 'Nando' Ricksen, jogador do ano na Escócia em 2004/05, também capaz de actuar a médio centro ou médio direito, onde se revela mais importante no jogo da equipa ; e o francês Jose Karl Pierre-Fanfan, de 30 anos, contratado ao Paris Saint-Germain no último defeso e que é um central adaptado ao posto. Ricksen, que foi contratado em 2000 ao AZ Alkmaar, é um jogador agressivo, que defende bem, mas gosta de atacar, tirando partido da sua velocidade e capacidade técnica ; Pierre-Fanfan é um defesa marcador, muito agressivo, forte no desarme e no jogo aéreo, mas muito limitado tecnicamente, o que faz com que raramente passe a linha do meio-campo.
No centro da defesa, para além de Pierre-Fanfan, as principais opções são o francês Julien Rodriguez, ex-AS Mónaco, e o grego Sotirios 'Soto' Kyrgiakos. 'Soto', internacional grego, de 25 anos, chegou ao clube em Janeiro passado, com um contrato de seis meses, que, numa primeira fase, não quis renovar, mas acabou por aceitar o regresso ao clube no final de Agosto. É um central marcador, forte no desarme e com bom jogo aéreo, também nas acções ofensivas, mas que peca por ser algo limitado tecnicamente e não muito veloz, lacuna que tenta compensar com o seu poder de antecipação. Rodriguez, de 27 anos, chegou este Verão ao clube, com o intuito de acrescentar mais experiência ao sector, fruto da experiência que acumulou no AS Mónaco, ainda que nem sempre tenha sido titular. Jogador versátil, que tanto pode actuar solto como na marcação, destaca-se pela força física e jogo aéreo, mas tem claras limitações em termos de velocidade e de capacidade técnica, ainda que seja um jogador de processos simples, que não costuma complicar atrás.
Para o eixo da defesa são também opção Marvin Andrews, experiente central de Trinidad & Tobago, que se destaca pelo jogo aéreo e tremenda força física ; e o jovem Robert 'Bob' Malcolm, de 24 anos, um jogador polivalente, também adaptável ao meio-campo defensivo, já que é um especialista na marcação.
À esquerda, o francês Olivier 'Olly' Bernard, contratado ao Southampton, após passagem pelo Newcastle, será, em principio, a principal opção para o sector, depois da saída do titular Michael Ball para o PSV Eindhoven. Contudo, como só chegou ao clube no início de Setembro, McLeish ainda não o estreou, pois considera que ainda não está no momento de forma física ideal, já que não fez pré-temporada, daí que possa ser demasiado arriscada a sua utilização, pelo menos a titular, diante do FC Porto. Trata-se de um lateral bastante razoável defensivamente, mas que se destaca sobretudo nos desdobramentos ofensivos, pois é rápido e tira bons cruzamentos, revelando também capacidade física para fazer todo o corredor. Assim, surge como principal opção para o posto o polivalente Ian Murray, internacional escocês, de 24 anos, contratado este Verão ao Hibernian, onde era capitão de equipa. Adaptável ao centro do meio campo e defesa ou à esquerda do sector recuado ou intermediário, é um jogador muito eficaz defensivamente, com boa capacidade de desarme, excelente capacidade física e agressivo, mas também interessante a sair a jogar, pois não sendo virtuoso tecnicamente, tem qualidades no passe e não tem medo de assumir o jogo.
O meio-campo defensivo
Os já citados Fernando 'Nando' Ricksen e Ian Murray, se não forem utilizados na defesa, são opções para o meio-campo, quer como volantes laterais, num esquema de 3 defesas, quer como médios-centro, no tradicional 4-4-2 ou na sua variável em 4-3-1-2. Indiscutível, até ao momento, no centro do meio-campo é Barry 'Baz' Ferguson, internacional escocês, de 27 anos. Produto das escolas do Rangers, regressou em Janeiro passado ao clube, depois de época e meia no Blackburn, para onde foi levado por Graeme Souness, que o definiu, na altura, como um dos médios mais completos do futebol europeu. Com boa capacidade defensiva, destaca-se, sobretudo, pela forma como sai para acções ofensivas, graças à sua excelente visão de jogo e capacidade no passe, mas também porque é um jogador valioso tacticamente, já que gosta de aparecer junto à área adversária, para tirar partido do seu bom remate, quer em bola parada, quer em bola corrida. É um líder, ostentando a braçadeira de 'capitão' no clube e na selecção.
Para a zona central do meio-campo existem ainda mais opções: desde logo o franco-argelino Brahim Hemdani, contratado ao Marselha, onde era capitão de equipa, e que ainda não se estreou pelo Rangers, devido a uma lesão, que parece agora estar debelada. Jogador versátil, já que pode ser utilizado como central ou líbero, trata-se de um jogador muito consistente sob o ponto de vista táctico, com bom sentido posicional, que lhe permite cortar as linhas de passe, como também é um jogador com uma energia inesgotável e capaz de sair a jogar, mostrando-se bastante razoável no passe ; ou ainda o veterano Alex Rae, um médio-centro que construiu a sua carreira no futebol inglês, tendo regressado a época passada à Escócia, tratando-se de um lutador, forte na recuperação de bolas e poderoso fisicamente, apesar de algo lento. Rae, destaca-se também, por ser bastante razoável no passe, fazendo boas aberturas para as alas.
O meio-campo ofensivo
A principal referência do sector é o internacional belga Thomas Buffel. Muito versátil, pode actuar sobre qualquer uma das alas, como também nas costas do(s) avançado(s). Rápido e bem dotado tecnicamente, este antigo jogador do Feyenoord, que chegou a ser pretendido pelo Benfica, tem capacidade no último passe, mas é também um bom finalizador, sobretudo com os pés. O franco-tunisino Hamed Namouchi é outra das opções, actuando, por norma, entre o centro/esquerda, como interior ofensivo, e a ala esquerda, ao contrário do que acontece na sua selecção, onde actua preferencialmente pela direita. Muito rápido e bem dotado tecnicamente, este jogador, de apenas 21 anos, peca ainda por alguma inconsistência, mas é um desequilibrador.
Para as alas, para além do espanhol Nacho Novo, utilizável à direita como também no centro do ataque, Alex McLeish tem à sua disposição Chris Burke, um ala direito escocês, de apenas 21 anos, que é o 'menino bonito' dos adeptos e considerado o sucessor de Brian Laudrup. Esta época, devido a um problema viral, ainda não foi utilizado, mas parece agora surgir como opção, tratando-se de um jogador bastante rápido e dotado tecnicamente, que se destaca nos lances de 1x1, onde não é fácil pará-lo, tornando-se muito perigoso quando ganha a linha de fundo, pois cruza bem, mas também rompe bem em diagonais, procurando o remate ou a assistência para os avançados. O internacional dinamarquês Peter 'Pete' Løvenkrands é outra das opções para as alas, neste caso para a esquerda. Este extremo, de 24 anos, tem na velocidade a sua principal arma, o que o torna bastante perigoso quando rompe em diagonais, pois tem também um bom remate, somando já 38 golos com a camisola do Rangers.
Por fim, referência ainda para o jovem francês Dany N'Guessan, de 18 anos, produto das escolas do Auxerre, contratado este Verão pelo Rangers, que ganhou a corrida pelo seu concurso a Valência, Marselha, Bordéus e Manchester City. Médio ofensivo muito promissor, bem constituído fisicamente, é um jogador rápido e bem dotado tecnicamente, com qualidades no último passe e um bom remate. Ainda não fez a sua estreia pela equipa principal, mas já tem sido chamado por McLeish ao banco dos suplentes em algumas partidas.
O ataque
O espanhol Nacho Novo, também adaptável à ala direita, e o croata Dado Prso, este ano também adaptado à ala esquerda, são as principais opções para o centro do ataque, mas não faltam soluções a Alex McLeish: Francis Jeffers, ex-Charlton, Steven Thompson, Steven Smith, os jovens Ross McCormack e o argentino Federico Nieto, e ainda o experiente italiano Filippo Maniero.
O internacional croata Dado Prso, contratado ao AS Monaco, no Verão passado, já apontou 26 golos com a camisola do Rangers, o que faz dele um dos preferidos junto dos adeptos, que têm lançado duras críticas a Alex McLeish pelas adaptações do jogador à ala esquerda do ataque, onde não se sente à vontade, até porque se trata de um jogador tecnicamente bastante limitado, que se destaca pela mobilidade, mas, sobretudo, pelo poder físico e apurado sentido de oportunidade, revelando-se bastante perigoso quando tem espaços para aplicar o remate dentro da área, seja com os pés ou de cabeça.
O seu parceiro de ataque é, normalmente, o espanhol Nacho Novo, ainda que este possa jogar aberto na ala direita, já que se trata de um avançado pouco possante, mas muito rápido e móvel. É bastante agressivo e tem um bom poder de finalização, como provam os seus 28 golos em pouco mais de um ano com a camisola do Rangers, que ganhou a corrida pelo seu concurso ao Celtic.
Entre as restantes opções, Francis Jeffers, emprestado pelo Charlton até ao final da temporada, surge como principal alternativa. Internacional sub-21 inglês, formado nas escolas do Everton, com passagem posterior pelo Arsenal, estreou-se no passado sábado diante do Falkirk, numa partida em que foi suplente utilizado. Avançado finalizador, não limita a sua acção à área, já que é um jogador que se movimenta bastante, tirando partido da sua velocidade e técnica bastante razoável para o típico '9' britânico. Outra alternativa é Steven Thompson, um avançado lutador, com mobilidade, que revela um bom sentido de oportunidade e facilidade no remate, sobretudo de cabeça, tirando partido da sua altura (1.88).
Por fim, referência para o experiente italiano Filippo 'Pippo' Maniero, de 33 anos, contratado ao Torino, em 31 de Agosto passado. Já numa fase descendente da sua carreira, que contou com uma breve passagem pelo AC Milan, entre a dezena de clubes que representou, destaca-se sobretudo pela agressividade e bom poder de finalização, quer com os pés, quer de cabeça. Com a preparação atrasada, ainda não fez a sua estreia pelo Rangers. Ross McCormack, produto das escolas do clube, onde revelou uma enorme capacidade goleadora ; Steven Smith, um antigo lateral-esquerdo, convertido em ala/2º avançado, e o possante argentino Federico Nieto, contratado, por seis meses, ao Almagro, são as restantes opções.
FK Crvena Zvezda Beograd: jugoslavos em processo de italianização
sábado, 27 agosto 2005

2º classificado do campeonato 2004/05, o Estrela Vermelha de Belgrado, futuro adversário do Sp. Braga na Taça UEFA, parte para a nova época com o desejo de recuperar o título nacional e de entrar na fase de grupos da Taça UEFA, procurando recuperar o prestígio que foi perdendo com o avançar da década de 90, depois de no início desta ter vencido a Taça dos Campeões Europeus e a Taça Intercontinental.
Em 2005/06, já realizou quatro jogos oficiais esta temporada e ainda não perdeu: 2 vitórias na ronda preliminar da UEFA, diante dos croatas do Inter Zapresic, 1 vitória e 1 empate no campeonato jugoslavo, onde adiaram o jogo relativo à segunda jornada.

O clube é actualmente presidido por Dragan Stojkovic, antiga estrela do futebol jugoslavo, e o seu trabalho à frente do clube começa a ter os seus frutos. A crise financeira com que a formação de Belgrado se debateu está praticamente resolvida e os tempos começam a ser prósperos. A sua inteligência e prestígio têm sido aproveitadas para explorar manobras de marketing, cruciais, por exemplo, na conquista de novos patrocinadores e na renovação da imagem do clube. Para além disso, o clube tem aproveitado ao máximo o trabalho desenvolvido na formação, que é a base do actual conjunto, onde só cabem dois estrangeiros: os jovens Dramani (ganês) e Fábio da Silva (brasileiro), ambos defesas, sendo que o último substituiu o ex-benfiquista Júlio César, que chegou a ter um pré-acordo com Stojkovic.
À frente da equipa está agora o antigo internacional italiano Walter Zenga, que tem procurado, nos dois meses que leva à frente da equipa, dar maior consistência defensiva a uma equipa de grande valor técnico e enorme poder de fogo: os avançados Pantelic, Zigic, Purovic e Stojanovic - os três últimos reforços para a nova época - renderam juntos, a temporada passada, 64 golos no campeonato jugoslavo. Contudo, o seu valor como técnico ainda é uma incógnita, e apesar de ter contribuído para o título romeno do Steaua Bucareste a temporada passada, o seu despedimento, em Abril passado, quando era líder do campeonato, surgiu na sequência de muita contestação em torno do seu trabalho, assim como do seu relacionamento complicado com alguns jogadores. Em Belgrado, a história parecia repetir-se, ainda que os tempos sejam de maior harmonia, pois, no primeiro mês, o afastamento da equipa titular do guarda-redes Stojkovic, considerado superior ao titular Randjelovic, e do avançado Zigic, decisivo no último jogo frente ao Inter, geraram fortes críticas, assim como o difícil relacionamento com a 'estrela' do conjunto, o avançado Pantelic, numa clara guerra de egos.
A tarefa do Sp. Braga não se antevê fácil, mas a eliminatória promete equilíbrio. Os bracarenses, que jogam fora na primeira mão, terão que mostrar personalidade para enfrentarem o complicado ambiente que os espera no Maracanã, o estádio, com ambiente vulcânico, do Estrela Vermelha. Um bom resultado em Belgrado será a chave para a ansiada chegada à fase de grupos.

A Táctica

Baliza
Ivan Randjelović, experiente guarda-redes, de 30 anos, tem sido o titular com Walter Zenga, mas é uma escolha pouco pacífica. Irregular, apesar do seu 1.97, mostra-se, por vezes, inseguro nas saídas dos postes e tem algumas limitações nos reflexos, que tenta compensar com um bom posicionamento. Um dos seus pontos mais fortes é o forte pontapé, colocando, com facilidade, a bola na área adversária.
Vladimir Stojković, o seu suplente, é o desejado para a baliza. Contratado ao Zemun, é considerado, aos 22 anos, como o grande guarda-redes jugoslavo do futuro. Também muito alto - 1.95 -, revela-se bem mais completo que o seu concorrente, mas a sua falta de experiência parece ter sido decisiva para a opção de Zenga.
Defesa
A defesa de quatro unidades é o sector mais fraco da equipa, também por culpa das indefinições neste início de época, já que sem laterais direitos de raiz - Basta está lesionado, Dramani ainda não completou o processo de transferência -, Zenga tem sido obrigado a fazer adaptações. Contudo, o eixo central tem-se revelado pouco consistente e os laterais são algo permeáveis em termos defensivos, factor a explorar pelo Sp. Braga.
Intocáveis são Milan Dudić e Aleksandar Luković. Dudić é um central de origem, e, em condições normais, actuará nessa posição, até porque é o líder do sector recuado. Contudo, como também pode jogar a lateral-direito, tem feito essa posição para suprir as baixas de Basta, que regressa à competição em Setembro, e do ganês Dramani. É um defesa marcador, com bom posicionamento e forte no jogo aéreo, que sabe também integrar movimentações ofensivas, mostrando qualidades no passe e nos cruzamentos. Luković, de 22 anos, é o lateral-esquerdo titular, até porque não tem concorrência no seu lugar. Forte fisicamente, com capacidade para fazer todo o corredor, é, contudo, algo limitado e irregular, alternando bons jogos com outros medíocres, factor a ser explorado pelo Sp. Braga, sobretudo se também abrir o jogo à direita.
Se recuperar da lesão que o afastou da pré-época, Dušan Basta será o lateral-direito titular. Apesar de ser um médio de origem, é um jogador que desempenha bem as funções defensivas, com a vantagem de fazer com facilidade todo o corredor. Mais forte a atacar do que a defender, tem boa técnica e cruza bem, revelando também uma grande capacidade de trabalho, nunca virando a cara à luta. A outra alternativa para a direita, para além de Dudić, é o jovem ganês Dramani, de apenas 19 anos, que convenceu Zenga na pré-temporada. Contudo, o seu valor é ainda uma incógnita.
O quarto lugar do sector defensivo tem vários concorrentes: Nebojša Joksimović, um central e possante, de 24 anos, tem-se imposto na pré-temporada, e será sempre opção, caso Dudić se mantenha à direita. Impõe-se normalmente pelo físico, revelando-se um bom marcador, forte no jogo aéreo, mas algo lento e limitado tecnicamente. Outra opção é Milan Biševac. Defesa consistente, ainda que apenas tenha 21 anos, tem a vantagem de ser rápido, para além de forte fisicamente e no jogo aéreo. Depois, surgem o brasileiro Fábio da Silva, um central que ainda aguarda a estreia, e cuja adaptação é ainda uma incógnita, assim como os jovens Slavoljub Djordjević e Bojan Miladinović, sendo que este último tenha alguma vantagem, até porque tem sido opção para Zenga. É um central muito alto, de 1.90, forte na marcação e no jogo aéreo, mas limitado tecnicamente e em termos de velocidade.
Meio-campo
O meio-campo composto por quatro unidades, tem um desenho flexível, ainda que com Zenga haja maior rigor táctico, o que não acontecia até aqui, já que o sector intermediário era bastante virado para a frente. Com o italiano, existem dois médios mais defensivos, ainda que um deles, à vez, tenha liberdade para integrar iniciativas ofensivas, um flanqueador e um 'nº10', que, em situação ofensiva, se encosta à dupla de avançados.
Nenad Kovačević é o patrão do meio campo. Médio mais defensivo, que ocupa um espaço mais central, ainda que saia, com frequência para acções ofensivas, este jogador, de 24 anos, tem enorme qualidade. Bom recuperador de bolas, tirando, sobretudo, proveito do seu bom posicionamento, é também um jogador agressivo, que precisa de controlar mais alguns ímpetos, que lhe custam vários amarelos. Contudo, a sua acção está longe de limitar-se à recuperação. Sabe sair a jogar, tem qualidade técnica acima da média e sabe entregá-la jogável, ainda que possa evoluir no passe longo. Ao seu lado, costuma actuar Vladimir Mudrinić, um jogador experiente, de 29 anos, com passagem pelo futebol russo. Médio ofensivo de origem, foi adaptado ao posto de médio centro/esquerdo, mas continua a não ser um jogador talhado para processos defensivos, já que se destaca, sobretudo, pela capacidade técnica e qualidade no passe. Contudo, é um jogador muito irregular. Nas alas, preferencialmente à esquerda, actua Marko Perović, de 21 anos, um produto das escolas do clube. Muito dotado tecnicamente, é um jogador que cria muitos desequilíbrios pelo flanco, mas que também sabe procurar posições mais centrais, de forma a explorar o seu bom remate, quer em bola corrida, quer em bolas paradas. O seu ponto fraco é a falta de consistência defensiva, algo que Zenga tem procurado rever.
Boško Janković, que chegou a ser apontado como possível reforço do FC Porto, é o médio mais ofensivo, ocupando, por norma, uma posição mais central, de apoio à dupla de ataque, ainda que descaia, algumas vezes para a direita, até por ser um ala de origem. Com apenas 21 anos, é já uma certeza do futebol jugoslavo, e dificilmente não dará o 'salto' para um outro campeonato nos próximos tempos. Tecnicamente bastante dotado, é um jogador muito eficaz nas assistências, quer através de passes, quer através de cruzamentos, mas que também se destaca na finalização, tirando partido do seu remate forte e colocado, em lances de bola parada, onde é muito perigoso, ou de bola corrida.
Quanto a outras opções, para além de Dušan Basta, que pode ocupar o papel de médio centro/direito, surge, por exemplo, Radovan Krivokapić, médio de 27 anos, com características ofensivas, mas que Zenga tem tentado tornar numa solução como médio centro mais defensivo. Algo lento, mostra à semelhança de Mudrinić, pouco à vontade para correr atrás da bola, mas é um jogador eficaz nas saídas para o ataque, forte no passe e com qualidade técnica. Nikola Trajković, contratado ao Zeta, é opção, quer para jogar nas alas, sobretudo à esquerda, quer para médio ofensivo. Antigo jogador do Vojvodina Novi Sad, este jogador, de 24 anos, é um criativo, veloz e com boa técnica, que tem caído no 'goto' dos adeptos. O médio ofensivo Dejan Miladinović, jogador forte tecnicamente e nas bolas paradas, mas pouco consistente, e o ala canhoto, também adaptável a lateral, Ardijan Djokaj, que já passou pelo futebol espanhol, são as restantes alternativas para Zenga.
Ataque
Na frente do ataque, a dupla de avançados é, habitualmente, formada por Nikola Žigić e Marko Pantelić. O primeiro, que irá falhar o jogo da primeira mão, por ter sido expulso frente ao Inter, é o típico avançado de área, que se destaca pelo fortíssimo jogo aéreo, pois mede 2.02. Tecnicamente limitado, é, no entanto, bastante difícil de marcar, ainda por cima porque o Sp. Braga tem centrais cerca de 20 centímetros mais baixos do que ele. Ao seu lado actua Pantelić, estrela precoce do futebol jugoslavo, que já passou pelo futebol espanhol, francês, suiço e grego, para além de ter estado perto de ingressar no Rio Ave, no final da década de 90. Depois de ter caído em desgraça, reapareceu em grande no Estrela Vermelha há dois anos, e foi o melhor marcador do último campeonato, com 21 tentos. Com uma personalidade dificil, é a 'estrela' do conjunto e comporta-se como tal, apesar da sua irregularidade. Contudo, é um desequilibrador e, sobretudo, um exímio finalizador, tirando partido de um excelente sentido de oportunidade e boa capacidade de desmarcação.
Soluções para a frente de ataque não faltam. Boban Stojanović, regressado de um empréstimo feliz ao Borac, é a principal solução para render Žigić, apesar de se tratar de um avançado bem mais móvel, rápido, mas com bom poder de finalização. Se recair nele a opção, é bem provável que Pantelić, jogue mais em cunha entre os centrais adversários. Milan Purović, contratado ao Budocnost, onde apontou 12 golos, é outra possibilidade, tratando-se de um jogador com características mais próximas às de Žigić. Muito alto - 1.93 -, é bastante forte no jogo aéreo e muito agressivo na luta com os centrais adversários. Com menos hipóteses de serem utilizados estão Milanko Rašković e Dragan Mrđa. O primeiro, contratado ao Zeta, é um avançado móvel, que actua preferencialmente nas costas do ponta de lança, enquanto que o segundo trata-se de um avançado mais possante, pouco dotado tecnicamente, e que actua preferencialmente na área, ainda que não seja um jogador que goste de estar parado.
Wisła Kraków: Perigo Polaco
sexta-feira, 26 agosto 2005

É certo que no lote de possíveis adversários do Vitória Guimarães, o Wisła Kraków era, juntamente com o Steaua, o mais desejado, tendo em conta a perspectiva de chegar à fase de grupos da Taça UEFA. No entanto, a eliminatória encerra imensas dificuldades para os vimaranenses, já que pela frente terão o tri-campeão polaco, claro dominador da competição no seu país, já com alguma experiência internacional, e que tem no seu estádio uma autêntica fortaleza: o Wisła não perde em casa, em jogos do campeonato, há praticamente quatro anos. Uma tarefa complicada para o Vitória, até porque a eliminatória será definida em Cracóvia.
Orientados pelo antigo seleccionador polaco Jerzy Engel - um claro defensor do 4-4-2 -, há meio ano no comando técnico da equipa, com quatro jornadas do campeonato já realizadas, o Wisła, ainda que com menos um jogo, já é líder da competição, mas um dos objectivos para a nova temporada ficou pelo caminho: o apuramento para a Liga dos Campeões. É que depois de um 3-1 em Cracóvia, a equipa cedeu no terreno do Panathinaikos, que acabou por ganhar a eliminatória no prolongamento, quando o Wisła já estava reduzido a 10 unidades, após expulsão do nuclear Sobolewski, que assim, falhará a partida de Guimarães.
A aposta para a nova época passou, claramente, pela continuidade, e ainda que tenham perdido o decisivo Zurawski para o Celtic, Liczka contratou alguns jogadores, que enriquecem o grupo em termos de soluções. Entre estes, a surpresa é o brasileiro Jean Paulista, ex-Maia, com um carreira bastante irregular em Portugal, onde também representou Sp. Farense, Sp. Braga, Desp. Aves, Imortal e Vitória Setúbal.

A Táctica

Baliza
Radosław Majdan é o guardião titular. Internacional A polaco, passou, sem grande sucesso, pelo futebol turco, grego e israelita, até que há dois anos se fixou no Wisła. Aos 33 anos, atravessa a melhor fase da sua carreira, ainda que, por vezes, complique o fácil. Algo excêntrico e aparatoso, é um líder, muito forte nas saídas dos postes pelo chão, com bom domínio da baliza. Nas saídas pelo ar, apesar de alto, é irregular, arriscando em demasia.
Defesa
Defesa de quatro, muito coesa, com uma dupla de centrais muito rotinada e que se complementa, e laterais que defendem bem e só arriscam as subidas pelo seguro. Arkadiusz Głowacki e Tomasz Kłos, ambos internacionais, formam o eixo central da defesa. Kłos, de 32 anos, é um central muito experiente, que conta no seu currículo com passagens pelo futebol francês (Auxerre) e alemão (Kaiserslautern e Colónia). Algo lento e limitado tecnicamente, compensa essas lacunas com um excelente sentido posicional, bom poder de desarme e domínio do jogo aéreo, tratando-se de um jogador perigoso nas subidas à área adversária. Glowacki, por sua vez, é um central de 26 anos, com 'mercado' no exterior. Forte na marcação, é mais rápido que o seu colega de sector, mas também é forte fisicamente e no jogo aéreo.
Nas laterais, Marcin Baszczyński e Dariusz Dudka, ambos internacionais são indiscutíveis. O primeiro, também conhecido como 'Baszczu', de 28 anos, é considerado, há vários anos, o melhor lateral direito da Liga polaca. Muito competente em termos defensivos, tratando-se de um bom marcador, gosta de subir, até porque tem capacidade física para subir e descer pelo seu flanco, mas falta-lhe alguma competência técnica. Contudo, tem um forte pontapé, ainda que nem sempre leve a melhor direcção. Já Dudka, contratado ao Amica, é um lateral esquerdo jovem, de 21 anos, que foi uma das revelações do último campeonato. Trata-se de um lateral mais forte defensivamente, bom marcador e com bom poder de desarme, até porque também pode ser utilizado como central.
Jakub Błaszczykowski, internacional sub-21, de apenas 19 anos, é a alternativa para a lateral direita ; Jacek Kowalczyk, de 24 anos, e também internacional A, é a alternativa para o eixo central da defesa, tratando-se de um central que se destaca pela força física, já que é algo limitado e não está ao nível dos parceiros de sector ; o internacional Maciej Stolarczyk, lateral-esquerdo experiente, de 33 anos, também adaptável a central, foi o sacrificado com a aquisição de Dudka, perdendo a titularidade, que foi sua nas últimas três temporadas.
Meio-campo
Meio campo de quatro, com duas unidades a preencherem o eixo central - uma mais fixa, outra mais livre para criar - e dois alas, que, em situação ofensiva, se transformam praticamente em extremos, mas também procuram as diagonais. Radosław Sobolewski, de 28 anos, é o médio mais recuado, mas a expulsão diante do Panathinaikos, a sua segunda esta época, impede-o de alinhar em Guimarães. Uma baixa de vulto, já que se trata de um jogador nuclear, internacional polaco, muito forte defensivamente, já que se trata de um excelente recuperador de bolas, muito pressionante e agressivo, com grande capacidade também no futebol aéreo. Apesar de particularmente talhado para missões defensivas, mostra também qualidade no passe. Ao seu lado costuma actuar o argentino Mauro Cantoro, também conhecido por 'Byk' (O Touro), antigo jogador do Ascoli, de Itália, há quatro anos no clube. Médio possante e com grande capacidade física, tem alguma liberdade para criar, até por se tratar de um '10' de origem. Apesar de algo irregular, conseguiu impor-se na equipa, fruto da sua capacidade técnica e na marcação de lances de bola parada, colocando com facilidade a bola na área.
Nas alas, o internacional nigeriano Kalu Uche, de 22 anos, é o titular à direita. Regressado de uma passagem pelo futebol francês, ao serviço do Bordéus, este jovem jogador, que também já representou o Espanyol de Barcelona, é um desequilibrador nato, que tanto joga colocado à linha, como rompe em diagonais. Imprevisível, é um jogador muito rápido e dotado tecnicamente, embora, por vezes, se perca em alguns adornos excessivos. À esquerda, Marek Zieńczuk , também conhecido por 'Zieniek', é um jogador muito importante no esquema da equipa. Internacional polaco, é um jogador cerebral, muito forte nos cruzamentos e no passe, forte tecnicamente, que, não só faz várias assistências para golo, como também aparece com facilidade em posições de remate, tendo apontado 24 golos nos últimos três campeonatos (sempre 8 por época).
Como outras opções na zona central do meio-campo surgem o jovem nigeriano Martins Ekwueme, médio de recorte defensivo, mas capaz de ser adaptado a várias funções, quer na defesa, quer no meio-campo, ao centro ou à esquerda, embora peque por alguma imaturidade e falta de experiência, próprias dos seus 19 anos. Mais consistente é o jovem Konrad Gołoś, contratado ao Polónia Varsóvia, depois de se ter estreado pela selecção principal no passado mês de Abril. Contudo, não se trata de um trinco, mas sim de um médio centro/interior, um pouco à semelhança do 'Touro' Cantoro, ainda que seja previsível que faça com este a dupla de meio-campo em Guimarães. Destaca-se por ser um jogador evoluído tacticamente, muito lutador, mas com alguma capacidade criativa: tem qualidade no passe e um bom remate de fora da área, ainda que nem sempre o use.
Como opções mais ofensivas surgem o internacional sub-21 Piotr Brożek, regressado de um empréstimo ao Gornik, que ainda não se estreou esta época, pois peca pela pouca consistência defensiva e também exibicional, apesar da sua qualidade técnica e na marcação de lances de bola parada ; e também o brasileiro Jean Paulista, que tem surgido, em quase todos os jogos, como suplente utilizado. Com a carreira relançada após uma boa época no Maia, trata-se de um extremo adaptável a ambas as alas, com boa capacidade técnica e veloz, mas cuja adaptação ao futebol polaco é ainda uma incógnita.
Ataque
A dupla de ataque é formada por dois elementos: um mais fixo, para actuar entre os centrais adversários, e outro mais móvel, que funciona como segundo ponta de lança, mas como liberdade para aparecer também sobre as alas. Paweł Brożek, forte aposta para a nova época, foi o escolhido para suceder a Zurawski. Já internacional, apesar dos seus 22 anos, é um falso avançado, muito veloz e móvel, que se destaca pela capacidade técnica, mas necessita de se tornar mais eficaz na finalização, o que tem acontecido esta temporada: 3 golos, em 3 jogos. Mais fixo na frente actuará Tomasz Frankowski, a principal referência da equipa, que marcou, nas duas últimas temporadas, 40 golos. Esta época, já leva três golos apontados, tratando-se de um avançado de área, muito experiente, que já passou pelo futebol francês e japonês. Muito forte na finalização, sobretudo com os pés, sabe-se posicionar na área, e não lhe podem ser concedidos espaços, já que não é peco no momento do remate, atirando, muitas vezes, de primeira.
O reforço Marek Penksa, um veterano eslovaco, de 32 anos, contratado ao Ferencvaros, depois de passagens por vários países, é a opção para o posto de segundo ponta de lança. Adaptável também às alas, é um jogador que só ataca, muito móvel e que aparece com facilidade em posições de finalização, ainda que a sua carreira tenha sido marcada por uma enorme irregularidade. Como avançado de área, Marcin Kuźba, que tem passagens pelo futebol suiço, francês e grego, é a alternativa. A sua principal força é o jogo aéreo, já que se trata de um jogador lento e pouco dotado tecnicamente.
Halmstad BK: Suecos em crise
sexta-feira, 26 agosto 2005

Depois do excelente 2º lugar da época passada, a apenas dois pontos do campeão Malmö FF, o Halmstad BK está a ser a grande decepção da nova época sueca, ocupando um modesto 12º lugar, após 19 jornadas. A qualificação europeia será irrepetivel esta temporada, e a luta do clube passa pela fuga à zona de descida, pois está apenas quatro pontos acima do Sundsvall (13º e primeiro a descer), encontrando-se no lugar que obriga a um 'play-off' com o 3º classificado da 2ªDivisão. Muito mau!
Na UEFA, sem grande dificuldade, o Halmstad levou de vencida o Linfield, mas teve que vencer na Irlanda (4-2), depois de um empate caseiro (1-1) inesperado. Janne Andersson, de 42 anos, é o treinador da equipa há dois anos, sucedendo ao antigo internacional Jonas Thern, de quem era adjunto. Sem grandes estrelas, o jovem médio, já internacional sueco, Djuric é a principal figura de um plantel, que conta nas suas fileiras com o ganês Preko, já longe dos tempos em que atingiu algum destaque no Anderlecht.

A Táctica

Partindo de um 4-4-2 típico, o esquema de Janne Andersson tem, no entanto, duas variantes: um desdobramento em 4-4-2 losango, com a transformação dos alas em médios interiores/ofensivos, ou um 4-5-1, com Djoric a assumir o papel de coordenador de jogo, com Preko e Ingelstad aberto nas alas, ficando o islândes Thorvaldsson como único ponta.
Baliza
Conny Johansson é o titularíssimo na baliza. Há seis anos no clube, este guardião de 34 anos, assumiu-se como titular há três épocas e não mais largou o lugar. Apesar de ter pouco estilo e de parecer algo pesado, é um guardião bastante razoável, com bons reflexos e forte nos duelos, mas não atravessa uma fase positiva.
Defesa
Defesa de quatro unidades, com algumas limitações, sobretudo em termos de velocidade e de técnica, a explorar pelo ataque do Sporting. A dupla de centrais é formada por Tomas Zvirgzdauskas, central internacional lituano, de 30 anos, e o 'capitão' Tommy Jönsson, de 29 anos, um histórico do clube e que já chegou a passar pela selecção sueca. Formam uma dupla forte, que se impõe, por norma, no jogo aéreo e fisicamente, mas com claras limitações em termos de velocidade e mobilidade. Nas laterais, Peter Larsson, um central de origem, e, normalmente, 'backup' de Zvirgzduaskas e Jönsson, tem vindo a ser utilizado à direita, tirando partido de ser um bom marcador, mas pouco ou nada dotado para tarefas ofensivas. À esquerda, Per Johansson, também conhecido por 'Texas', é titularíssimo. Apontado como um dos melhores laterais suecos da actualidade, este jogador, de 26 anos, bastante alto e forte fisicamente, espera por uma chamada à selecção, tratando-se de um lateral competente a defender, mas que também sabe sair para acções ofensivas. Björn Anklev e Emil Jensen são outras opções, podendo jogar em qualquer umas das laterais, e o veterano Joel Borgstrand, antigo titular, para o centro da defesa, ainda que esta época ainda não tenha sido utilizado.
Meio-campo
O meio-campo é formado, por norma, por 4 unidades, e o sector com mais qualidade da formação sueca. Magnus Svensson, conhecido por 'Turbo', é a grande referência. Aos 36 anos, este veterano médio centro, 32 vezes internacional sueco, já não revela a frescura física de outros tempos, mas é um jogador inteligente tacticamente, que sabe defender, e também sair a jogar, com boa visão de jogo e qualidade no passe. Ao seu lado, costuma actuar Andreas Johansson, antigo internacional sub-21, de 23 anos, produto das escolas do clube. Com capacidade defensiva, mostra também talento no passe. Dusan Djuric, também conhecido por Dolle, de 20 anos, é a principal estrela da equipa. Formado nas escolas do clube, este jovem, já internacional A, é visto como o 'novo Ljungberg'. Centro-campista completo, veloz e com boa técnica, tanto pode actuar descaido para as alas, sobretudo à direita, como em posições interiores ou nas costas do(s) avançados. À esquerda, Patrik Ingelsten é indiscutivel. Flanqueador, pode também surgir em posições mais centrais, já que se trata de um jogador bem dotado tecnicamente e com um remate forte e colocado: não é por acaso o segundo melhor marcador da equipa.
Magnus Andersson, de 24 anos, é outra opção para o centro do terreno, onde, por vezes, alterna com Andreas Johansson. Médio centro forte fisicamente, destaca-se a recuperar bolas, mas também procura entregá-las de forma jogável. O excêntrico Kristoffer Fagercrantz, de apenas 18 anos, ainda júnior, e Johan Mangfors, de 20 anos, são as restantes opções para o meio-campo.
Ataque
Yaw Preko, antigo jogador do Anderlecht e da selecção ganesa, onde foi uma das grandes revelações dos Jogos Olímpicos de 1992, é o nome mais conhecido do plantel. Aos 30 anos, numa fase já descendente da sua carreira, não deixa de ser um jogador importante no esquema da equipa, procurando explorar a sua velocidade e capacidade técnica, a jogar como segundo avançado ou aberto à direita, quando a táctica passa a um 4-5-1. Contudo, é o seu parceiro de ataque, que tem vindo a dar mais nas vistas: Gunnar Heidar Thorvaldsson, internacional islandês, de 23 anos, que depois de uma época como reserva, saltou para a titularidade e tem vindo a demonstrar dotes de goleador. Longe de ser um avançado fixo e parado, revela mobilidade, bom poder de desmarcação e poder de finalização, quer com os pés, quer de cabeça.
Como alternativas ofensivas surgem Joel Johansson, também conhecido por 'Jolly', um avançado veloz e bem dotado tecnicamente, de apenas 18 anos, e o possante brasileiro Eduardo Delani, contratado ao Botafogo, mas que até agora não tem mostrado qualidade e continua a 'zeros', o que tem gerado muita desilusão, já que fora contratado com fama de goleador.
Sampdória: Missão (quase) impossível
sexta-feira, 26 agosto 2005

A Sampdoria é o adversário do Vitória Setúbal na 1ª eliminatória da Taça UEFA. Missão muito difícil para os comandados de Luís Norton de Matos no regresso à Europa, depois de, na última presença, terem caído frente a um emblema italiano: a AS Roma, em 1999/00, com um humilhante 0-7 no Olímpico. É certo que o valor da formação de Génova é inferior à que então apresentava a equipa da capital, mas o 5º classificado da última Série A, orientado por Walter Novellino, procura recuperar o prestígio perdido com a queda na Série B. Regressados, há dois anos, à Série A, pelas mãos do mesmo técnico, seguiram-se um 8º e um 5º lugar no principal campeonato italiano.
Sem grandes estrelas - as principais são o guardião Antonioli e o avançado Flachi -, a equipa vale sobretudo pelo conjunto e pela inteligência táctica que costuma apresentar, revelando-se extremamente perigosa no desenvolvimento de lances de contra-ataque, tirando partido, quer dos desdobramentos dos laterais, quer da qualidade de passe dos médios, no lançamento de um duo da frente, onde Flachi se destaca pela velocidade e capacidade de finalização. Para a nova época, a aposta foi na continuidade, com os poucos reforços a dotarem a equipa de mais soluções em todos os sectores. Entre estes, destacam-se o central Sala, o médio centro 'Sam' Dalla Bona e o possante avançado Bonazzoli.

A Táctica

Baliza
Um dos pontos mais fortes da equipa. Guarda-redes veterano, de 35 anos, Antonioli, há dois anos no clube, atravessa uma das melhores fases da sua carreira, que conta com passagens por Roma e AC Milan. A época passada sofreu apenas 26 golos, em 37 jogos na Série A.
Defesa
Defesa de quatro unidades, forte nas laterais, mas algo insegura no eixo central, o ponto mais fraco da equipa. Cristian Zenoni e Marco Pisano são indiscutíveis nas laterais. O primeiro, ex-Alatanta e Juventus, é internacional italiano, e faz com muita facilidade todo o corredor, provocando desequilíbrios com as subidas, enquanto que o segundo, de 24 anos, teve a época passada a sua afirmação na Série A, depois de dois anos como suplente no Brescia. É também um lateral ofensivo, que centra bastante bem, mas competente a defender, ainda que sinta algumas dificuldades em defender posições interiores. O eixo central é formado por dois veteranos: Marcello Castellini, de 32 anos, e Luigi Sala, de 31, um dos novos reforços para a nova temporada, contratado à Atalanta. São dois defesas agressivos, mas que revelam alguma lentidão, e apesar de altos, nem sempre se mostram eficazes no jogo aéreo.
Giuli Falcone e Simone Pavan, ambos de 31 anos, são as outras opções para o eixo central da defesa. O primeiro, titular grande parte da época passada, parte em desvantagem por estar lesionado. Marco Zamboni, contratado à Reggina, surge como opção para as laterais, ainda que também possa ser utilizado como central, sobretudo num esquema de três defesas.
Meio-campo
Meio-campo trabalhador e valioso tacticamente, onde todos têm que defender, mas em que são muito trabalhados os desdobramentos ofensivos dos alas, como também dos médios centrais, quer no lançamento das iniciativas ofensivas, quer no aparecimento, na sequência de saídas rápidas para o ataque, em posições de remate.
Sam Dalla Bona, contratado ao Lecce, depois de passagens pelo AC Milan, Chelsea e Bolonha, é já um jogador chave no esquema de Novellino: ajuda na recuperação de bolas, lança iniciativas ofensivas, marca lances de bola parada e aparece também a concluir ataque, tirando partido do seu forte pontapé. Sergio Volpi, de 31 anos, é o seu parceiro no miolo, tratando-se de um exímio recuperador de bolas, forte fisicamente, mas que também sabe sair a jogar e de utilizar o seu bom remate. Angelo Palombo, jovem de 23 anos, é a principal alternativa, e está também na luta por um lugar. Muito impetuoso, é, sobretudo, um excelente marcador e muito forte a destruir jogo, mas também sabe construir. Mark Edusei, internacional ganês, que já passou pela União Leiria, e Gionata Mingozzi, contratado ao Perugia, são as outras opções para o centro do meio-campo.
Nas alas, o polivalente Max Tonetto é indiscutível à esquerda, tratando-se de um jogador muito competente e valioso tacticamente, já que defende e ataca, podendo também fazer outras posições. À direita, duas opções: Aimo Stefano Diana e o ex-sportinguista Vitali Kutuzov, que pode também derivar para uma função de segundo ponta de lança. O primeiro, capaz de desempenhar qualquer posto defensivo ou ofensivo à direita, dá uma maior valia táctica ao conjunto, mas o internacional bielorrusso é também opção, sobretudo nas partidas em que Novelinno pretende que a equipa tenha um maior cariz ofensivo. Marco Borriello, contratado ao Reggina, e que já teve uma curta passagem pela equipa principal do AC Milan, é outra opção para as alas, quer esquerda, de preferência, ou direita.
Ataque
Francesco Flachi, antigo companheiro de Rui Costa na Fiorentina, é o indiscutível do ataque. Autor de 25 tentos nas duas últimas edições da Série A, Flachi, ora mais atrasado, ora mais adiantado, é uma autêntica seta apontada à baliza adversária. Muito móvel e extremamente veloz, é especialista no desenvolvimento de lances de contra-ataque, apesar de ser um quase recordista mundial na queda em fora-de-jogo. Contudo, alia o excelente poder de desmarcação a um bom poder de finalização. Para seu companheiro no ataque há várias alternativas: o veterano Lamberto Zauli, de 34 anos, contratado ao Palermo, trata-se de um jogador com características de médio ofensivo/2º ponta de lança, que pode jogar mais atrasado, como lançador de Flachi ; Emiliano Bonazzoli, o seu mais provável companheiro, é um avançado muito alto e possante, com características de 'nº9', que gosta de actuar mais fixo entre os centrais adversários, embora possa jogar um pouco mais recuado, de forma a ganhar bolas para lançar a velocidade de Flachi ; e, por fim, Fabio Bazzani, que se encontra lesionado e procura reencontrar-se com os golos, depois de passagem pouco feliz pela Lazio, após duas épocas de luxo na 'Samp' - 29 golos em duas temporadas.
Udinese: uma equipa em transformação
sexta-feira, 29 julho 2005


A Udinese, adversário do Sporting na eliminatória de acesso à Liga dos Campeões, vive, ao contrário dos 'leões', uma época de transição, já que Luciano Spaletti, treinador responsável pelo 4º lugar a época passada, rumou à AS Roma, registando-se também algumas saídas de jogadores importantes que rumaram a outras paragens: são os casos do lateral/volante checo Marek Jankulovski, que rumou ao AC Milan ; do central dinamarquês Per Kroldrup, que se transferiu para o Everton ; ou do médio defensivo chileno David Pizarro, novo reforço do Inter de Milão.
O excêntrico Serse Cosmi é o novo treinador do conjunto, depois de ter conseguido promover o Génova à Série A. Com conceitos tácticos diferentes de Spaletti, que esquematizava a equipa em 3x5x2, Cosmi é um defensor do 4x4x2, entre o 4x3x1x2 e o 4x1x3x2, um pouco à semelhança de José Peseiro. Contudo, nos jogos realizados na pré-época, Cosmi tem apostado na continuidade do 3x5x2 à imagem de Spaletti, e é muito provável que seja esse o esquema que venha a utilizar diante do Sporting.
O futuro adversário do Sporting, apostou bastante no 'mercado', apresentando 17 reforços para a nova temporada. A Atalanta, de Bergamo, de onde chegaram seis reforços, foi a principal base de recrutamento. Entre os reforços, destaque para o português Vidigal, contratado ao Livorno, que assim poderá regressar a Alvalade e, pelas indicações dadas na pré-temporada, deverá ser mesmo aposta de Cosmi. O central Natali, ex-Atalanta, o lateral/volante esquerdo Candela, ex-Bolton, o médio defensivo/interior nigeriano Obodo, ex-Perugia, e o avançado Rossini, ex-Atalanta, são outras das principais aquisições, às quais se juntou, nos últimos dias, o defesa brasileiro Juarez.

A equipa base