FC Bayern München: como joga o adversário do Sp. Braga na Taça UEFA
quarta-feira, 28 novembro 2007

Líder isolado da Bundesliga, o FC Bayern München apostou forte na nova temporada, de forma a fazer face ao desastroso 4º lugar da época passada, que afastou a equipa da Liga dos Campeões. Contudo, se as primeiras semanas da nova época davam ideia que a vitória na Bundesliga seria praticamente um passeio - vitória na Taça da Liga, oito vitórias e dois empates nas dez primeiras jornadas da Liga, duas vitórias na Taça UEFA (frente ao Belenenses) -, as últimas semanas mostraram uma equipa em quebra, coincidente com a primeira derrota - em Estugarda - e três empates - dois na Liga e na Taça UEFA -, que permitiram a aproximação de Werder Bremen e Hamburgo - ambos a um ponto - e fizeram surgir as primeiras críticas ao trabalho de Ottmar Hitzfeld, seis vezes campeão alemão e duas vezes campeão europeu de clubes, que regressou ao comando técnico do clube em Fevereiro passado, depois de ter feito uma pausa de quase três anos, em que rejeitou propostas de vários clubes e da Selecção Alemã após o Europeu 2004.
OPERAÇÃO BAYERN
O PLAYMAKER propõe uma análise táctica ao Bayern de Hitzfeld, a algumas especificidades do seu jogo e aos seus jogadores com apoio na última partida do clube na Bundesliga, realizada sábado, em Munique, diante do Wolfsburgo (vitória 2-1), que alinhou em 4x2x3x1, curiosamente o sistema que Manuel Machado, técnico do Sp. Braga, mais gosta de utilizar. Foi o regresso do Bayern às vitórias, num jogo vivo e intenso, praticamente sem paragens, que controlou do início ao fim, ainda que tenha estado longe de ser brilhante.
ANÁLISE TÁCTICA

Adepto do 4x1x3x2, esquema que usou na quase totalidade dos jogos que realizou a temporada passada, Hitzfeld adoptou este ano um 4x4x2 dinâmico como sistema preferencial, depois de ter experimentado, em algumas partidas, um 4x2x3x1, de forma a utilizar em simultâneo o "tridente" criativo formado por Altintop, Ribéry e Schweinsteiger nas costas de Toni. Frente ao Wolfsburgo, com Lúcio (castigado) e Schweinsteiger (lesionado), Hitzfeld utilizou a tradicional linha defensiva de 4 unidades, com Lell e Lahm sobre as laterais, enquanto que van Buyten, chamado a substituir Lúcio, se juntou ao internacional argentino DeMichelis. No centro da intermediária uma dupla de médios centrais formada por van Bommel e Zé Roberto, duas unidades nucleares do jogo do Bayern, enquanto que sobre as alas estiveram Altintop (direita) e Ribéry (esquerda), cuja acção móvel acaba por ser preponderante na dinâmica táctica do esquema de Hitzfeld, permitindo, muitas vezes, à equipa, partir de um 4x3x1x2 defensivo para o modelo de 4x4x2 ou 4x2x1x3 em situação de ataque, pois Altintop, em situação defensiva, junta-se, muitas vezes, a van Bommel e Zé Roberto, funcionando quase como um interior direito, enquanto que Ribéry, em algumas situações, assume um papel de falso "nº10", assumindo a condução ofensiva a partir de uma posição central, o que acontece, sobretudo, em contra-ataque ou ataque rápido. Na frente, a dupla de avançados formada por Klose e Toni, sendo que, em situação defensiva, um deles, por norma, recua um pouco mais, enquanto que, em ataque rápido, é normal ver um dos jogadores da frente descair para um dos flancos - Toni, por norma, abre mais sobre a esquerda, enquanto que Klose, habitualmente, descai mais para a direita. Para Braga, o esquema não deverá sofrer grandes alterações: Hitzfeld deverá manter este desenho e praticamente os mesmos jogadores, só se prevendo o regresso do internacional brasileiro Lúcio ao centro da defesa, que poderá render DeMichelis, a contas com uma pequena lesão. Esse facto, deverá levar Van Buyten a passar do centro-direita para o centro-esquerda. Schweinsteiger, lesionado, é uma baixa certa, assim como os lesionados Marcell Jansen, José Sosa e Lukas Podolski, curiosamente titular na Selecção, mas suplente no seu clube.
ESPECIFICIDADES DO BAYERN
DEFESA ORGANIZADA. A primeira imagem retrata a situação referida no ponto anterior: em situação defensiva, quando a equipa adversária parte para ataque organizado, a equipa do Bayern junta-se em duas linhas de quatro muito próximas, com Altintop a defender praticamente como interior direito e Ribéry também a juntar-se mais ao centro, sobretudo a pensar no lançamento de uma iniciativa de ataque rápido. Referência para o bom desempenho defensivo dos laterais, inteligentes na leitura táctica do jogo: seguros a defender posições exteriores, deslocam-se para o interior quando é necessário, acompanhando, sem dificuldade, movimentos diagonais sem bola dos alas adversários. Ao centro, Van Buyten quase sempre solto, e DeMichelis em acção de marcação, apostando muito em acções de antecipação, um dos pontos mais fortes do seu jogo.

O RISCO. O preenchimento dos espaços centrais em acções defensivas, tem o seu senão, como prova o lance que dá origem ao golo do Wolfsburgo: a única subida do lateral-esquerdo van der Heyden ao longo dos 90 minutos criou um desequilíbrio defensivo na formação do Bayern, já que ninguém acompanhou o jogador do Wolfsburgo - Altintop estava a recuperar posição ao centro -, que soube tirar partido da diagonal com bola do polaco Krzynowek, que arrastou Lell consigo, assistindo, depois, a desmarcação do seu lateral, que tirou o cruzamento que deu origem ao golo.

ATAQUE RÁPIDO (I). É o lance que dá origem ao primeiro golo do Bayern. Recuperação de bola a meio campo, com Ribéry, em posição central, a iniciar uma iniciativa de ataque rápido, abrindo para Altintop, que sai de interior direito para ala direito. O internacional turco assumiu a condução do lance sobre o flanco, assistindo depois Ribéry, que saiu do centro para o centro-direita, rompendo em direcção à área, ganhando a linha de fundo, de onde assistiu, com um passe atrasado, Klose, que, com Toni se encontrava no interior da área. Existe, contudo, uma alternativa a este lance, com Altintop, após condução sobre o flanco, a centrar para a área, procurando um cabeceamento de Klose ou Toni. Nesse tipo de situação, Ribéry opta, depois de iniciar o ataque rápido, por sair do centro para a ala esquerda numa acção sem bola, ou de prosseguir pelo centro, pronto para um eventual remate de ressaca. Em poucos toques, o Bayern chega com grande facilidade a área adversária.

ATAQUE RÁPIDO (II). O lance que dá origem ao 2º golo do Bayern, novamente a partir de um ataque rápido. Desta feita é Altintop, que partindo de uma posição de interior direito, assume a condução pelo centro, com Ribéry a sair do centro, em acção sem bola, para a ala direita. Tirando partido da sua capacidade de passe, o internacional turco abre na direita, isolando Ribéry, já em diagonal da direita para o meio, em direcção à baliza. Com duas opções, o internacional francês optou, como quase sempre o faz, pelo remate cruzado, em detrimento da assistência para um dos dois avançados, que voltaram a revelar uma movimentação interessante: Klose, fixo ao centro, prende os dois centrais ; Toni, sai do centro para a esquerda, seguindo em movimento sem bola para a área, para uma eventual finalização ao segundo poste.

ACÇÃO SIMPLES. Uma das acções trabalhadas pelo Bayern esta temporada e com resultados práticos: lançamento longo desde o sector defensivo por Kahn - mas também por um dos centrais -, Toni ganha a bola aérea à entrada do meio campo ofensivo, servindo Ribéry, de cabeça, e este, após recepção, acompanhada ou não por um movimento de temporização, centra largo em direcção à área, onde aparece Klose, entre o centro e o segundo poste, a concluir a acção. Em 5-6 toques na bola, o Bayern cria uma situação de perigo, surpreendendo pela velocidade de movimentos a defesa adversária.

CONTRAPÉ. Outra das acções que caracteriza o Bayern 2007/08. Van Bommel recupera uma bola - ou um dos defesas a passa após recuperação - e assume a acção de ataque rápido. Com Altintop e Ribéry ainda em posição central, o internacional holandês faz gala da sua impressionante capacidade no passe longo para fazer uma abertura desde o centro para a ala esquerda, onde Toni, sempre no limite do fora-de-jogo procura a desmarcação e finaliza, por norma, a três toques: recebe em movimento; faz um auto-passe em direcção à área e dispara violentamente de pé esquerdo cruzado. Importante aqui, o jogo posicional de Klose, a colocar-se entre os dois centrais.

DA DIREITA PARA A ESQUERDA EM ATAQUE ORGANIZADO. Uma imagem que comprova as dificuldades de encaixe do 4x2x3x1 no 4x4x2 do Bayern e uma das situações com que o Sp. Braga terá que ter maior cuidado. Situação de ataque organizado do Bayern, a 1-2 toques por jogador, que se inicia numa combinação à direira, entre Lell e Altintop. Lell inicia depois a variação de jogo, servindo Zé Roberto, que, nesse tipo de situação, aparece sempre descaído para o lado em que está a bola. O internacional brasileiro serve van Bommel e o movimento de circulação de bola acaba por obrigar o lateral-direito a sair de posição e tentar compensar ao meio, situação que van Bommel, mais uma vez fazendo uso da facilidade impressionante no passe que possui, aproveita para servir a desmarcação rápida de Ribéry nas costas do lateral. Depois, o internacional francês recebe a bola em movimento e tem duas soluções: o remate cruzado, a sua habitual conclusão, ou a assistência para um dos dois avançados. Três pontos fundamentais nesta acção: Lahm, em cima da linha de meio campo, não sobe, mas prende o ala direito ; o posicionamento dos dois avançados em zona central perto da área, prendendo os dois centrais e deixando o médio mais defensivo do adversário em situação delicada: entre o posto de terceiro central, de forma a não permitir uma situação de paridade numérica sempre perigoso, e de médio defensivo, não tem tempo para fazer face ao movimento rápido de circulação de bola da direita para a esquerda do Bayern, ficando a meio do caminho, o que obriga ao já referido desposicionamento do lateral ; e, por fim, a postura passiva do médio ofensivo, que, pouco talhado para acções defensivas, não consegue acompanhar o rápido movimento de van Bommel, que recebe o passe de Zé Roberto na sequência de movimento sem bola e abre para o flanco de primeira.

BOLA PARADA À DIREITA. São variadas as soluções do Bayern neste tipo de situação. À direita, os pontapés de canto são normalmente batidos por Altintop, ainda que Ribéry surja também como opção. Já nos livres laterais, apesar de Altintop ser a opção mais regular, Zé Roberto e Van Bommel são também opção. As bolas são colocadas ao primeiro ou ao segundo poste, notando-se que, existe uma maior perigo quando o destino é a segunda opção. Na área cinco jogadores: Lell, sempre ao primeiro poste, sem objectivo de finalização, mas sempre atento a um potencial desvio que possa dar à bola em direcção ao centro ou ao segundo poste ; Klose, o jogador mais perto do guarda-redes, atento a um possível desvio à boca da baliza, sobretudo numa recarga ou ressalto ; DeMichelis com uma acção de ruptura, partindo de trás para entrar entre o centro e o primeiro poste ; Toni, partindo do centro para o segundo poste ; e Van Buyten, o jogador mais perigoso neste tipo de acção, que parte de trás em direcção ao ponto onde a bola vai cair: bem mais perigoso quando ataca o segundo poste, do que o centro ou primeiro poste. Ribéry, à entrada da área, e Van Bommel, mais atrás, entre o centro e a esquerda, estão prontos para um eventual remate de ressaca, enquanto que Zé Roberto e Lahm ficam junto à entrada do meio-campo.

BOLA PARADA À ESQUERDA. Ribéry é, por norma, o jogador que bate os cantos à esquerda, podendo Altintop surgir como opção. O internacional francês opta, quase sempre, por colocar a bola ao primeiro poste, evidenciando algumas lacunas de direcção na colocação ao segundo poste. Por isso, um passe atrasado para van Bommel, que fica fora da área, sobre a esquerda, surge também como opção para esse tipo de lance. Nos livres laterais, os protagonistas são os mesmos: Ribéry ou Altintop são os habituais marcadores, ainda que, tal como acontece à direita, Zé Roberto e van Bommel surjam como outras opções. As movimentações na área são em todo similares às dos lances à direita, com a excepção do lance que a imagem documenta e mostra um livre lateral alternativo: Ribéry simula que centra em direcção à área, mas quem executa a acção é Altintop, que varia entre o remate directo e o centro à direcção à área, onde só estão 4 jogadores, pois Hitzfeld abdica da presença de um dos defesas: neste caso, DeMichelis. Klose e Toni trocaram, nesta situação, de funções, enquanto que Zé Roberto aparece fora da área para um eventual remate de ressaca, tal como van Bommel, que não aparece na imagem. Lahm e DeMichelis estavam sobre a linha de meio campo.
ANÁLISE INDIVIDUAL
OLIVER KAHN . O veterano guarda-redes, de 38 anos, voltou à baliza do Bayern, depois de ter estado afastado da competição durante o mês de Outubro, em que foi substituído pelo jovem Michael Rensing, que, ao que tudo indica, será o seu sucessor na baliza do Bayern. Frente ao Wolfsburgo, Kahn passou largos minutos de inactividade, sendo que a sua primeira defesa apenas aconteceu aos 33 minutos. Ao todo, realizou 38 intervenções, das quais 28 foram passes - 18 certos e 10 errados - e 5 recuperações de bola - todas completas -, para além de ter feito 4 defesas: 2 completas e 2 incompletas, num jogo em que o Wolfsburgo apenas efectuou 6 remates, dos quais 4 levaram a direcção da baliza. Do jogo de Kahn a realçar alguns aspectos: eficácia no passes curtos, ainda que opte, quase sempre, por passes longos nas saídas para jogo: 20 dos seus 28 passes foram longos, mostrando mais facilidade em colocar a bola em posições centrais - 10 passes longos para Toni - 8 certos, 2 errados - e 1 para Klose - do que para as laterais, onde colocou a bola em 9 ocasiões - Altintop (4) e Ribéry (5) -, acertando apenas em duas ocasiões, uma delas manual. Fora dos postes, manteve a sua tradicional tendência para não efectuar saídas, só desfazendo um cruzamento, de forma completa, para a sua direita, sendo que as restantes três defesas que efectuou foram entre postes e para o lado direito, o seu mais forte. Curiosamente, o golo do Wolfsburgo surgiu no único remate que foi feito para a sua esquerda.
CHRISTIAN LELL. Lateral-direito, de 23 anos, está a viver a época da sua afirmação, ocupando o espaço que pertencia ao internacional francês Sagnol, que após longa lesão é agora seu suplente, e não deverá demorar a estrear-se pela selecção principal da Alemanha. Produto das escolas do Bayern rodou, durante duas épocas, no Colónia, o que permitiu uma evolução, tratando-se de um defesa forte no aspecto defensivo e muito rápido a subir para o ataque, combinando bem com o ala. Necessita, contudo, de melhorar a eficácia nos cruzamentos. No jogo frente ao Wolfsburgo foi dos jogadores mais activos efectuando um total de 69 intervenções, equilibradas entre o 1º (37) e 2º (32) tempo. Lateral ofensivo, procura muito progressões em acções com e sem bola, o que lhe garante muita acção no meio campo ofensivo, revelando eficácia no passe curto e médio junto à lateral ou no passe curto para posições interiores: frente ao Wolfsburgo efectuou 53 passes, acertando 46. Altintop, com quem procura, muitas vezes, combinações 2x1, e Van Bommel, a sua "muleta" interior, foram os jogadores que mais passes seus receberam (13 cada um), mas Zé Roberto e Toni (ambos com 7) também foram muito procurados por este lateral, que gosta de jogar para frente e tem pouca tendência para atrasar a bola - 2 bolas para Kahn – ou para fazer circular a bola junto à defesa - apenas 2 passes para van Buyten. Ao longo do jogo efectuou 7 cruzamentos, apenas acertando 2, aspecto que, como já referimos, terá que melhorar, pois falhou 5 (dos 7 passes errados), que representam mais de 70% dos seus passes errados. Refira-se, como complemento, que o seus centros foram interceptados ainda antes de chegarem à área ou foram dirigidos, com alguma força excessiva, ao 2º poste. Lell participa também em lances de bola parada ofensivos, aparecendo dentro da área, por norma ao primeiro poste. Não efectuou qualquer remate, pois procura apenas conquistar bolas, o que raramente aconteceu. Do ponto de vista defensivo efectuou 8 recuperações, 5 delas completas: 7 em posições exteriores e 1 em acção interior, desfazendo um cruzamento ao 2º poste. Não efectuou qualquer falta, tendo sofrido 3, sempre em disputas de bola.
DANIEL VAN BUYTEN. Defesa-central, internacional belga, foi titular no Portugal - Bélgica, disputado em Março passado, trata-se de um jogador experiente, de 29 anos, com passagens pelo futebol francês (Marselha) e inglês (Manchester City), e que o Bayern contratou, a temporada passada, ao Hamburgo. Titular indiscutível a época passada, perdeu o lugar esta época, mas soube aproveitar o castigo de Lúcio para regressar à titularidade, realizando uma boa exibição diante do Wolfsburgo. Central muito posicional, funciona, muitas vezes, como um falso libero. Muito seguro no jogo aéreo em situação defensiva, é muito perigoso em lances de bola parada ofensivos, sobretudo a atacar o 2º poste, sentindo-se menos à vontade em velocidade. Protagonizou 48 intervenções diante do Wolfsburgo, com a curiosidade de não ter feito nenhuma entre os 63 e os 78 minutos, o que justifica ter o dobro das intervenções na 1. parte (32) do que na 2. (16). Curiosamente, não teve qualquer intervenção no meio campo ofensivo adversário na 2. parte, depois de na etapa inicial ter feito 2 finalizações de cabeça, na sequência de lances de bola parada – uma ao lado ; outra ao poste. Ambas em finalizações ao 2º poste. Ao longo da partida efectuou 20 recuperações, 12 das quais completas, mostrando eficácia no jogo aéreo, bom sentido posicional (corta linhas passe pelo chão e pelo ar) e risco-zero (corta sem passe quando é necessário). Apenas efectou 1 falta, num lance dividido aéreo. Efectuou 25 passes ao longo do jogo - alternando passes curtos com longos -, dos quais 20 foram certos. 4 dos seus 5 passes errados saíram de passes longos para Toni ou Klose. Toni, com 5 passes, e DeMichelis, com 4, foram os jogadores que mais procurou.
MARTIN DEMICHELIS. Internacional argentino, de 26 anos, contratado pelo Bayern ao River Plate, vive a sua melhor época de sempre: titular indiscutível no Bayern, onde apenas falhou um jogo na Taça da Liga e os dois da fase de grupos da Taça UEFA, conquistou também o seu espaço na Selecção Argentina, onde tem sido titular no apuramento para o Mundial 2010. Jogador marcador, que tanto pode actuar como central ou trinco, trata-se de um defesa agressivo, forte no desarme, particularmente a jogar na antecipação, tanto pelo chão, como pelo ar, mostrando capacidade para sair de posição, recuperando e desarmando sobre as laterais ou mais sobre o meio campo. Frente ao Wolfsburgo, como foi, quase sempre, o marcador do avançado do adversário, esteve muito mais em contacto com a bola do que van Buyten, o seu colega de sector, totalizando 65 intervenções, equilibradas entra a 1ª (35) e a 2ª parte (30). Ao todo efectuou 26 recuperações de bola, 16 das quais completas, mostrando facilidade em ganhar posição ao adversário directo, para além de velocidade a atacar a bola e simplicidade de processos, não arriscando cortes completos em situação de pressão. Equilibrado entre os desarmes pelo chão e pelo ar, apesar da entrega e agressividade que o caracterizam, só cometeu 1 falta, curiosamente em situação ofensiva. Sem registo de remates à baliza, apesar de participar, por norma, em lances de bola parada ofensivas, perdeu 1 bola, numa das poucas tentativas de progressão com bola que protagonizou, acção que gosta de desenvolver, mas que o facto de jogar a central o impede de realizar com maior frequência. A nível do passe efectuou 36 acções, 29 das quais com acerto, falhando 7, sempre em tentativas de passe longo ou de aberturas para desmarcação à esquerda - Toni (6) e Ribéry (1). Toni e Lahm, com 7 passes, foram os jogadores que mais procurou, mostrando uma tendência para fazer circular a bola para a esquerda - juntam-se ainda 4 passes a Ribéry -, para além de os números não enganarem: maior eficácia no passe curto-médio - 7 passes certos para Lahm - do que no longo - apenas 1 passe certo para Toni.
PHILIPP LAHM. Lateral esquerdo, de 23 anos, recuperou no final de Outubro a titularidade, depois de mês e meio afastado das convocatórias devido a lesão. Formado nas escolas do Bayern, impôs-se como titular, depois de uma passagem de dois anos por empréstimo no Estugarda, acabando por conquistar o seu espaço no clube e na Selecção. Jogador destro, está, cada vez mais completo, ainda que o seu jogo tenha perdido alguma agressividade ofensiva, sobretudo em acções no último terço do terreno, mas ganho competência defensiva e qualidade táctica, não só na defesa de posições exteriores, como também de interiores, pois, apesar da sua baixa estatura (1.70), corta várias linhas de passe aéreas e ganha bolas na antecipação. Frente ao Wolfsburgo, Lahm foi o defesa mais interventivo: protagonizou 71 acções, 36 na primeira parte e 35 na etapa complementar. Bem menos ofensivo do que Lell, apenas por uma vez rompeu com bola no último terço do terreno, realizando, nessa acção, o seu único cruzamento: rasteiro, mas que não encontrou o destino desejado (Toni ou Klose). Contudo, Lahm revelou-se fundamental numa primeira fase de condução e distribuição de jogo: dos seus pés sairam 43 passes, a maior parte dos quais junto à lateral, alternando entre o curto e o médio. Desses, 38 encontraram o destino desejado, perdendo-se 5. Ribéry, o seu companheiro de faixa, foi o principal "alvo" dos seus passes: 17 - 15 certos e 2 errados, seguindo-se De Michelis, com quem trocou bolas no sector recuado, com 8. A nível defensivo, Lahm foi o segundo defesa mais recuperado, com o triplo das recuperação de Lell - 24: 14 completas e 10 incompletas ; 17 em posições exteriores à área e 7 em zonas interiores, tirando partido do seu bom jogo posicional e capacidade para jogar na antecipação. Sem qualquer falta cometida, apesar das várias entradas a bolas divididas, Lahm destacou-se pelo excelente tempo de entrada aos lances, uma das suas características principais, tendo sofrido 2 faltas. Perdeu duas bolas, ambas em movimentações de progressão.
MARK VAN BOMMEL. Jogador chave do esquema do Bayern, é fundamental tanto defensivamente como ofensivamente. Contratado a época passada ao Barcelona, onde não conseguiu atingir o nível esperado, recuperou em Munique a boa forma exibida ao longo de 6 épocas ao serviço do PSV Eindhoven, tendo atingido, aos 30 anos, aquele que é, muito provavelmente, o ponto mais alto da sua carreira a nível exibicional. Enorme recuperador de bolas, com uma capacidade de desarme e um sentido posicional assinaláveis, revela uma capacidade de pressão e agressividade notáveis, a que acrescenta um extraordinário talento na condução e, sobretudo, distribuição de jogo, executando, com grande facilidade, de primeira, e mostrando uma enorme precisão no passe longo. Frente ao Wolfsburgo foi o jogador mais em acção, somando 101 intervenções (50+51), nunca tendo estado mais de 3 minutos sem qualquer participação no jogo. Impressionante recuperador, totalizou 28 recuperações ao longo do jogo, 14 completas e 14 incompletas, mostrando uma enorme eficiência no desarme, tanto pelo chão como pelo ar. Agressivo, por vezes em demasia, foi o jogador mais faltoso do Bayern, ao cometer 6 infracções, sempre em lances divididos. A nível do passe atingiu um rendimento extraordinário: efectuou 64, dos quais 56 encontraram o destino certo, variando entre toques curtos, médios e longos, executando perto de metade de primeira, o que atesta a sua competência e facilidade em fazer distribuições rápidas, pois não gosta de prender a bola muito tempo. Em passe curto e médio, opta, quase sempre, por procurar o flanco direito, para onde direccionou 25 passes: Lell recebeu 17, e foi o jogador que mais procurou ao longo do jogo, somando 16 passes certos ; enquanto que Altintop recebeu 8, todos certos. Ao invés, em passe longo, procura mais um espaço entre o centro e a esquerda, dado suportado por 15 passes para Luca Toni, quase todos longos, sendo que 12 encontraram o destino desejado. Rápido a soltar a bola, não sofreu qualquer falta, nem perdeu nenhuma vez a posse do esférico, destacando-se também por ter efectuado 3 remates à baliza, sempre de pé direito: 2 de fora da área, sendo que um foi defendido pelo guarda-redes para canto e outro foi interceptado por um defesa ; e outro à entrada da área, que o guarda-redes também defendeu para canto.
ZÉ ROBERTO. De regresso à Alemanha, onde jogara oito épocas, e ao Bayern, que já representara durante quatro temporadas, Zé Roberto, depois de um ano intermitente no futebol brasileiro, pegou de "estaca" em Munique, não se notando o "peso" dos 33 anos. Médio centro mais móvel e menos directo e interventivo do que van Bommel, sempre com tendência para aparecer como apoio interior no flanco por onde a bola é conduzida, o internacional brasileiro também é um importante elemento em acções de recuperação, assumindo-se como uma importante "muleta" do internacional holandês, fazendo gala da sua boa condição física e capacidade posicional. Frente ao Wolfsburgo, Zé Roberto interveio em 62 ocasiões no jogo, 34 na primeira parte e 28 na etapa complementar, realçando-se o facto de ter feito o último quarto de hora em gestão de esforço, protagonizando apenas 3 intervenções. Mais de metade das suas acções foram passes (38 - 35 certos), quase sempre curtos, pois opta, normalmente, por um futebol apoiado e sem grande risco na entrega: Lell e Lahm, ambos com 7 passes recebidos, mostram a sua tendência para servir como apoio interior em progressões ; juntando-se a estes Ribéry, também com 7 passes recebidos, 6 deles certos, que mostram a sua tendência para, em situação ofensiva e em posse de bola, progredir mais pelo centro-esquerda, até porque é canhoto. Curiosamente, o seu jogo prima pelas lateralizações, raramente arriscado passes a romper pelo centro: apenas 4 para Klose e nenhum para Luca Toni. Ainda a nível ofensivo, Zé Roberto, que, em algumas situações, arrisca progressões, com bola, de trás para a frente, perdeu 3 bolas, sempre na sequência desse tipo de acções, e rematou 1 vez à baliza, na sequência de um livre lateral descaído para a direita, que foi parado a soco pelo guardião do Wolfsburgo. Do ponto de vista defensivo, Zé Roberto efectuou 19 recuperações: 13 completas e 6 incompletas, destacando-se mais pela capacidade de cortar linhas de passe, tanto pelo chão, como pelo ar, do que no capítulo do desarme em lances divididos. Não sofreu nenhuma falta e cometeu apenas uma, na sequência de uma disputa corpo a corpo.
HAMIT ALTINTOP. Contratado, este ano, ao Schalke 04, Hamit Altintop, internacional turco, nascido na Alemanha, de 24 anos, está a confirmar-se como um centro-campista completo: eficaz em acções de recuperação, o que lhe permite ser praticamente um interior direito em situação defensiva, e determinante em acções ofensivas, tirando partida da sua velocidade, capacidade técnica e de passe, sobretudo aberto na ala direita, mas também, em caso de necessidade, pelo centro. Diante do Wolfsburgo, Altintop participou em 80 acções, que fizeram dele o 2º jogador mais interventivo da equipa, mesmo tendo passado por alguns momentos de "apagão": pouco activo no último quarto de hora da primeira parte e entre os 64 e os 77 minutos - apenas quatro acções -, para reaparecer, em grande, na fase final do jogo. O internacional turco protagonizou 56 passes, 46 dos quais certos, sendo que um, a partir de posição central, resultou no golo de Ribéry. Dos 10 passes errados, destaque para 7 cruzamentos, aspecto em que se mostrou intermitente, pois apesar de colocar a bola na área com alguma facilidade, demonstrou alguns problemas de colocação, com várias intercepções na zona do primeiro poste. Ainda assim, acertou 6 dos 13 cruzamentos que efectuou, mostrando-se particularmente feliz nas bolas tensas a meia-altura, que proporcionaram duas assistências para finalização. O facto de partir, muitas vezes, para acções ofensivas, a partir de uma posição central, permitiu que Ribéry fosse o principal alvo dos seus passes (11), sendo que duas dessas situações acabaram por resultar em golo - uma de forma directa e outra no decurso do lance. van Bommel e Lell, ambos com 9 passes, Klose, com 8, e Toni, com 6, foram outros dos jogadores que mais procurou, sendo que os dois primeiros em acções sobre a ala, e os dois últimos, sobretudo, como destino dos seus cruzamentos. Para além das acções de passe, Altintop protagonizou ainda 3 remates, todos de fora da área, sendo que apenas 1, na transformação de um livre lateral, chegou à baliza, obrigando o guarda-redes do Wolfsburgo a uma intervenção a soco. Os outros dois remates, ambos em acção de bola corrida, não levaram o destino ambicionado: um foi por cima ; o outro interceptado. Do ponto de vista defensivo, Altintop, muito cumpridor no aspecto táctico, concretizou 15 recuperações, 11 das quais completas, destacando-se, sobretudo, a cortar linhas de passe pelo chão. A estes números há ainda a juntar mais alguns registos: 3 perdas de bola, sendo que 2 surgiram após acções individuais ; 1 falta cometida, muito inteligente, que travou um contra-ataque com 2-1 no marcador ; e 2 faltas sofridas.
FRANCK RIBÉRY. Internacional francês, de 24 anos, foi contratado ao Marselha no último defeso, tendo sido apresentado juntamente com Luca Toni como os grandes reforços do "novo" Bayern. Ainda que as suas prestações não venham a primar pela regularidade, a verdade é que Ribéry tem sido o jogador mais desequilibrador, somando 3 golos na Liga em 13 partidas, a que juntou 3 tentos na Taça da Liga, onde a sua prestação foi decisiva para a conquista do troféu. Jogador explosivo, que sabe aliar a sua velocidade a uma muito boa capacidade técnica e de passe, mostra-se tremendo no 1x1, tirando também partido da facilidade com que joga com os dois pés. Dotado de um bom poder de desmarcação, sai muito bem em diagonais da ala para o meio, mostrando uma grande facilidade de remate, ainda que, por vezes, se revele excessivamente individualista. Com Hitzfeld actua preferencialmente pela esquerda, mas nas saídas de acções defensivas para ofensivas, parte, muitas vezes, de posições centrais, tratando-se do jogador com mais liberdade para procurar acções individuais e para ter mais tempo a bola nos pés. Frente ao Wolfsburgo, Ribéry demorou a entrar em jogo, realizando apenas 6 acções no primeiro quarto de hora, a que se seguiram 11 no segundo quarto e 19 no terceiro quarto (deu a assistência para o golo de Klose), numa exibição em crescendo, totalizando 36 intervenções na primeira parte, a que se seguiram 40 na segunda metade: 17 no primeiro quarto de hora (marcou 1 golo), 19 no segundo quarto de hora e 5 no último quarto de hora, período que coincidiu com a sua substituição, a cinco minutos do fim, depois de 4 intervenções erradas nas suas últimas 5 participações no jogo, comprovando um claro decréscimo de produção. 47 das 76 intervenções de Ribéry foram passes: 33 certos e 14 errados, número que se explica pelo elevado número de tentativas de passes de ruptura e cruzamentos. No último aspecto, Ribéry efectuou 9 cruzamentos, 6 dos quais que não encontraram o destino desejado, mas entre os 3 que acertou, 1 deles acabaria por resultar em golo. Luca Toni, com 11 passes, foi o colega de equipa que mais procurou, mas apenas por 4 vezes conseguiu fazer chegar a bola em condições ao internacional italiano. Altintop (8, em trocas de bolas mais centrais), Van Bommel (7, quase sempre em passes atrasados ou de apoio), Klose (6, 1 deu golo), Lell (5, com particular destaque para 3 bolas paradas enviadas ao 1º poste) foram os outros jogadores que mais procurou. A nível do remate, Ribéry destacou-se também ao ser o jogador do Bayern que mais vezes rematou à baliza do Wolfsburgo: o internacional francês marcou 1 golo em 5 remates, curiosamente na sua única finalização de pé direito, numa finalização cruzada dentro da área. Os restantes 4 remates foram efectuados de pé esquerdo, 3 deles dentro da área e 1 de fora da área, sendo que 2 levaram a direcção da baliza, enquanto que os outros 2 foram por cima e ao lado. Tratando-se do jogador que mais tempo fica com a bola nos pés em cada acção, não surpreende o facto de ter sido o jogador com mais perdas de bola: 14, 9 das quais na sequência de acções individuais. Contudo, recuperaria 8 bolas, fruto do seu posicionamento ao centro em várias acções defensivas, que lhe permitiu cortar linhas de passe e aproveitar alguns ressaltos para partir para acções ofensivas, já que todas as suas recuperações foram completas. Com pouca tendência para "chocar" com adversários, não cometeu nenhuma falta, tendo sofrido duas.
MIROSLAV KLOSE. Goleador internacional alemão, de origem polaca, chegou este ao Bayern, depois de três épocas no Werder Bremen, em que apontou 53 golos em 89 jogos na Bundesliga, dando sequência ao registo goleador já evidenciado no Kaiserslautern, onde marcou 44 golos, em 120 jogos. Ao serviço do Bayern, em jogos da Liga, soma já 9 golos em 12 jogos, a que junta ainda 2 tentos na Taça UEFA em 2 partidas. Frente ao Wolfsburgo, e como já é um hábito nos jogos do Bayern, foi o jogador menos interventivo entre os titulares. Teve apenas 31 intervenções ao longo do jogo, até porque a sua função é, sobretudo, finalizar as jogadas, e criar espaços ou prender os adversários com as suas movimentações, aspecto em que é extremamente eficaz, o que faz com que esteja, por mais do que uma vez, largos minutos sem tocar na bola. Efectuou 4 remates à baliza, todos na primeira parte: 3 dentro da área, o seu local dilecto para finalizar, e 1 fora da área, de pé direito, que foi interceptado. Dos 3 remates efectuados dentro da área, o único de pé direito deu golo, enquanto que os 2 de cabeça tiveram destinos diferentes: um foi à barra e outro ao lado. No capítulo do passe esteve, como lhe é comum, pouco activo: 16 passes, na quase totalidade curtos, de pé direito ou cabeça, acertando 12. Toni e van Bommel, ambos com 4 passes, foram os jogadores que mais procurou. A estes números juntam-se ainda 1 fora-de-jogo ; 2 recuperações (1 completa, 1 incompleta) ; 3 perdas de bola (sempre após recepções deficientes) ; 2 faltas cometidas ; e 3 faltas sofridas, sempre em disputas de bola.
LUCA TONI. O possante avançado internacional italiano, de 30 anos, depois de apontar 67 golos em três épocas no Calcio, soma já 9 golos em 13 jogos na Bundesliga, a que junta mais 2 tentos, ambos diante do Belenenses, em 3 partidas na Taça UEFA. Tremendo em finalizações aéreas dentro da área, sobretudo ao segundo poste, trata-se também de um avançado extremamente potente nos últimos 25 metros, desmarcando-se, quase sempre nos limites do fora-de-jogo, com grande velocidade e facilidade em diagonais, com e sem bola, da esquerda para o meio que conclui com remates violentos e quase indefensáveis. Frente ao Wolfsburgo, Luca Toni não esteve numa tarde particularmente feliz, mostrando-se muito impaciente com o português Ricardo Costa, que cometeu várias faltas sobre o italiano em lances divididos aéreos. Ao longo do jogo teve 46 intervenções - 26 na primeira parte e 20 na etapa complementar, denotando-se-lhe largos períodos de inactividade, sobretudo no último quarto de hora da primeira parte (5 intervenções) e no primeiro quarto de hora do segundo tempo (apenas 2 intervenções). Luca Toni efectuou 4 remates, mas não esteve feliz no aspecto mais forte do seu jogo: 2 finalizações dentro da área, 1 de cabeça (ao lado) e 1 de pé esquerdo (para fora) ; 2 finalizações de fora da área (uma enquadrada, mas sem criar perigo, outra interceptada antes de chegar à área). Pior ainda esteve nas perdas de bola: 10, número apenas superado por Ribéry, que esteve em muito mais contacto com a bola, sendo que 6 resultaram de recepções deficientes de passes, aspecto em que revela limitações. Foi 3 vezes apanhado em fora-de-jogo - numa delas marcou um golo que foi invalidado -, situação comum devido ao seu estilo de jogo, sempre no limite, e efectou 3 recuperações, em lances divididos, 2 das quais completas. Apenas cometeu 1 falta, mas sofreu 12, a maior parte das quais feitas por Ricardo Costa, o que demonstra as dificuldades que os defesas encontram em disputar lances com o possante avançado italiano de 1 metro e 93 centímetros e 88 quilos. A estes números juntam-se ainda 13 passes, sendo que 10, quase todos curtos, encontraram o seu destino. Klose, com 5 passes, Ribéry, com 4, e Altinlop, com 3, foram os destinatários preferenciais dos seus passes.
TONI KROOS. O jovem fenómeno do futebol alemão, de apenas 17 anos, teve oportunidade de jogar os últimos 5 minutos da partida, rendendo Franck Ribéry. Sem posição fixa, entre a esquerda e o meio do meio-campo ofensivo, Kroos, que nas camadas jovens costumava actuar como "nº10", teve oportunidade de mostrar a velocidade e capacidade de desmarcação que o caracterizam, numa fase em que vai alternando a utilização na formação secundária com alguns minutos na equipa principal, onde se estreou como titular na derrota em Estugarda. Possui uma frieza pouco comum num jogador tão jovem, destacando-se por ser detentor de um bom remate de pé direito - usa também, com facilidade, o pé esquerdo -, para além de um bom drible e capacidade no passe, executando bem em progressão. Diante do Wolfsburgo teve 4 intervenções no jogo: 3 passes - acertou dois - e 1 remate, dentro da área, no último lance da partida, em que atirou de pé direito ao lado, depois de uma excelente desmarcação da esquerda para a direita ao longo de 50 metros.
OUTRAS OPÇÕES. Entre os jogadores que ficaram de fora diante do Wolfsburgo, apenas Lúcio deverá ser titular diante do Sp. Braga, em princípio no lugar do argentino DeMichelis, cuja utilização está em dúvida e que, mesmo em caso de recuperação, poderá ser poupado, até porque, entre Bayern e Selecção Argentina, soma já 25 jogos esta temporada. Lúcio, internacional brasileiro, de 29 anos, vinha a fazer dupla no centro da defesa com DeMichelis, mas foi expulso, após uma entrada duríssima sobre um adversário, na deslocação Estugarda, jogo que ficou marcado pela primeira derrota do Bayern esta época. Para além do promissor Kroos, único suplente utilizado diante do Wolfsburgo, Hitzfeld poderá ter no banco as seguintes opções: o guardião Michael Rensing, de 23 anos, antigo internacional sub-21 e apontado como uma das maiores promessas do futebol alemão na sua posição ; Willy Sagnol, lateral direito internacional francês, de 30 anos, que ainda não se estreou em jogos pela equipa principal do Bayern, pois lesionou-se com gravidade em Abril passado, tendo apenas realizado, no último mês, 2 jogos pela formação secundária do clube para recuperar a forma ; Andreas Ottl, médio defensivo, de 22 anos, que vem ganhando minutos pela equipa principal esta época, somando 12 jogos entre as diversas competições ; Jan Schlaudraff, unidade móvel de ataque, que pode jogar sobre os flancos ou em zonas centrais, que tem sido pouco utilizado, mas jogou alguns minutos nas duas partidas diante do Belenenses, depois de ter chegado a internacional alemão ao serviço do Alemannia Aachen, clube onde apontou 19 golos nas duas últimas temporadas ; Mats Hummels, jovem defesa-central ou trinco, de 18 anos, já internacional sub-21 pela Alemanha, que vem sendo uma das principais unidades da formação secundária, destacando-se pelo físico impressionante (1.91-88), que o torna muito forte no jogo aéreo e em acções de recuperação.
LINHAS PREFERENCIAIS DE PASSE DO BAYERN

BAYERN: CIRCUITO DE PASSES (acima de 4)

Lille: A força do colectivo
quarta-feira, 14 setembro 2005

Vice-campeão francês em 2004/05, o Lille OSC realizou a sua melhor temporada de sempre dos últimos 50 anos, conseguindo, com surpresa, o apuramento directo para a Liga dos Campeões. É, assim, o ano de todos os desafios para esta formação, que há apenas cinco temporadas se sagrava campeã da 2ªDivisão francesa, e que teve um crescimento tremendo muito por culpa do bom trabalho de Claude Puel, campeão francês pelo Mónaco em 2000, que parte para a sua quarta época à frente do clube.
Sem Philippe Brunel, transferido para o Sochaux, e Christophe Landrin, que rumou ao PSG, Puel perdeu os seus dois jogadores com maior capacidade no último passe, mas garantiu a permanência de Milenko Acimovic e Geoffrey Dernis, que estiveram com pé e meio fora do clube, só se estreando no último fim-de-semana pela equipa principal. Essas indefinições, aliadas a alguma irregularidade do eixo central da defesa, fizeram com que o início de temporada fosse trémulo, mas a vitória no terreno do Metz, no passado sábado, mostrou um Lille bem mais próximo do que habituou os adeptos na temporada anterior.
Organizado num 4x2x3x1, que parte habitualmente de um 4x5x1 defensivo, e que pode transformar-se num 4x4x2, com a deslocação do médio ofensivo para segundo ponta de lança, o Lille é uma equipa com um futebol muito mecanizado e entrosado, que procura anular o esquema do adversário, para depois fazer valer a consistência do seu colectivo, particularmente talhado para jogar em contra-ataque, mas que trata bem a bola e sabe também jogar em ataque continuado. O grupo é bastante jovem, repleto de jogadores com enorme vontade e talento, prontos para voos mais altos. Contudo, essa inexperiência, que, por vezes, parece ser força, tem feito a equipa quebrar nos jogos com os 'grandes', como prova o facto de não terem vencido qualquer partida frente a estes a temporada passada, algo que poderá ter os seus custos na Liga dos Campeões, assim como a impossibilidade de actuarem no Lille Métropole, que obrigará a que os jogos caseiros sejam disputado no Stade de France.
A táctica

A baliza

O guarda-redes internacional senegalês Tony Mario Sylva, de 30 anos, é o dono do lugar, depois de vários anos como suplente do AS Mónaco. Guardião possante, destaca-se sobretudo pela sua acção entre postes, pois é muito ágil e revela bons reflexos. Fora dos postes é irregular, arriscando, muitas vezes, em demasia nas saídas, alternando boas intervenções, com alguma espectacularidade, com outras em falso. O seu ponto mais fraco, contudo, é o jogo com os pés, já que é algo trapalhão e muito limitado tecnicamente.
O seu suplente é o experiente Grégory Malicki, de 31 anos, que cumpre a sua quarta temporada no clube, onde se tem mantido nessa condição. Guardião regular, destaca-se sobretudo pela acção entre os postes, pois tem bons reflexos.
A defesa

Claude Puel aposta numa tradicional defesa de quatro, com dois laterais, que sobem, normalmente, à vez, e uma zona central rigida, que demorou a estabilizar esta temporada, já que em seis partidas foram utilizados quatro jogadores.
À direita, o titular é o franco-belga Matthieu Chalmé, um lateral que se destaca pela velocidade e grande 'pulmão', que lhe permite fazer todo o corredor, criando, com isso, alguns desequilíbrios, ainda que seja pouco dotado tecnicamente. Defensivamente é cumpridor, ainda que defenda melhor em posições exteriores do que interiores, onde lhe falta alguma capacidade no jogo aéreo e no posicionamento.
À esquerda, o 'capitão' Grégory Tafforeau, de 28 anos, é indiscutível, tratando-se de um defesa muito esforçado, que sabe também sair para movimentações ofensivas, destacando-se pela velocidade, já que tecnicamente é bastante limitado. Defensivamente, revela um bom poder de desarme e agressividade, mas comete algumas falhas de marcação, quer em velocidade, quer a defender em posições interiores, sobretudo na cobertura do segundo poste.
A dupla de centrais deverá ser formada por Nicolas Plestan e Rafael Schmitz, depois de várias experiências em termos de duplas esta temporada, aliadas à lesão do grego Tavlaridis, o líder do sector defensivo. Plestan, de 24 anos, foi lançado no futebol profissional pelo AS Mónaco, cumprindo a sua terceira época no Lille, a primeira onde consegue garantir a titularidade. Apesar de se revelar ainda algo 'verde', é um defesa agressivo e forte no desarme, mas comete algumas falhas no jogo aéreo, para além de ser bastante limitado do ponto de vista técnico. O brasileiro Rafael Schmitz, também de 24 anos, apresenta características similares às do seu parceiro, ainda que se revele mais experiente e mais dotado do ponto de vista técnico, com o seu bom sentido posicional a compensar algumas lacunas em termos de velocidade.
Quanto a outras opções para o sector defensivo, Stephan Lichtsteiner, internacional esperança suiço, contratado este ano ao Grasshoper, é a outra opção para a lateral-direito. Menos brilhante que Chalmé em termos ofensivos, é, contudo, mais eficaz defensivamente, sobretudo no que concerne a defender em posições interiores. O sérvio-montenegrino Milivoje Vitakic, contratado a época passada ao Estrela Vermelha, é opção para o centro da defesa, tratando-se de um jogador experiente, forte na marcação, que se destaca pelo bom jogo aéreo e poder de desarme, mas é algo limitado tecnicamente e pouco veloz. O internacional grego Stathis Tavlaridis, formado nas escolas do Iraklis, e que passou pelo futebol inglês, onde representou Arsenal e Portsmouth, foi sempre titular no ano e meio que leva de clube, mas depois de um arraque de temporada irregular, lesionou-se e não jogará na Luz. Trata-se, no entanto, do melhor central do conjunto, com capacidade de liderança e bom sentido posicional, podendo jogar como líbero ou na marcação. Forte no jogo aéreo e com bom poder de desarme e de antecipação, destaca-se dos demais por sair bem a jogar, já que é dotado tecnicamente e tem capacidades no passe. Por fim, referência ainda ao jovens Peter Franquart, produto das escolas do clube, que é um central de origem, mas pode desempenhar o papel de lateral-esquerdo, e para o lateral esquerdo/central brasileiro Dante, de 21 anos, descoberto, há dois anos, no Juventude de Caxias, mas que ainda não se conseguiu impor no clube.
Meio-campo defensivo

À frente da defesa, Claude Puel faz a equipa actuar, por norma, com dois médios mais defensivos, embora dê alguma liberdade para que um deles, em situação ofensiva, apoie o ataque.
O internacional camaronês Jean II Makoun, de 22 anos, formado nas escolas do clube, é uma das 'jóias' do conjunto. Médio ofensivo de origem, foi convertido com sucesso em médio defensivo, aliando capacidade defensiva com ofensiva. Bom marcador, é um jogador com capacidade no desarme e bom sentido posicional, que lhe permitem recuperar inúmeras bolas a meio-campo, apesar de não ser fisicamente robusto. Tirando partido da sua velocidade e boa capacidade técnica, sai muito bem a jogar, mostrando predicados no passe, quer curto, quer longo, sobretudo a procurar as alas, tratando-se de um jogador 'chave' no esquema de Puel. Contudo, há ainda aspectos que precisa de 'limar': arrisca, por vezes, dribles em zonas proibidas ; tem algumas limitações no jogo aéreo ; e era pouco eficaz nos remates de fora da área, situação que tem revisto, com sucesso, esta temporada.
Ao seu lado, com mais liberdade para participar nas acções ofensivas, actua Matthieu Bodmer, um médio 'box to box' de grande qualidade e com bastante 'mercado', de apenas 22 anos, que o Lille contratou, há duas épocas ao Caen. Conhecido por 'Vieira branco', é competente a nível defensivo, tirando sobretudo partido de um bom posicionamento e da sua capacidade física - mede 1.88 -, peca, contudo, por ser pouco talhado para acções de marcação e por denotar algumas dificuldades na recuperação, que tenta compensar no corpo a corpo, o que lhe custa alguns amarelos. Em termos ofensivos, é um médio muito interessante, pois sai muito bem a jogar, já que é bem dotado tecnicamente e eficaz no passe, mostrando também alguma apetência para aparecer em posições de remate.
A alternativa a esta dupla é o jovem Yohan Cabaye, de apenas 19 anos, titular nas selecções inferiores francesas. Médio centro, com características ofensivas, é um jogador muito promissor, que alia qualidades defensivas, com qualidade a sair para o ataque, pois para além de ser um bom condutor e distribuidor de jogo, gosta de rematar de fora da área, o que faz com bastante perigo. Falta-lhe, contudo, experiência no futebol sénior. A este junta-se ainda Stéphane Dumont, de 22 anos, que, no entanto, não poderá jogar na Luz devido a lesão. Dumont foi titular toda a temporada passada, mas esta época ainda não foi utilizado. Médio centro combativo, forte na recuperação da bola e com qualidades no jogo aéreo, é também um jogo valioso nas saídas para acções ofensivas.
Meio-campo ofensivo

É formado habitualmente por três unidades, com duas a descaírem para as alas e uma em posição mais central, que se desdobra entre a posição de médio ofensivo e segundo ponta de lança.
À direita, Mathieu Debuchy, internacional esperança francês, de 20 anos, é o dono do lugar. Jogador muito interessante, com grande cultura táctica, foi uma das grandes surpresas da última temporada, tratando-se de um polivalente, capaz de fazer todo o corredor direito, como também, em caso de necessidade, de ser utilizado numa zona central na intermediária. Jogador lutador e veloz, desdobra-se bem pela ala direita, graças à sua boa capacidade técnica e velocidade, conseguindo tirar bons cruzamentos. Mais rotinado como ala, está a tornar-se também perigoso nas diagonais, procurando os remates cruzados, como também nas finalizações ao segundo poste, já que tem um bom jogo aéreo, tirando partido do seu 1.87.
À esquerda, o internacional marroquino Hicham Aboucherouane, contratado ao Raja Casablanca, começou a época como titular, mas o regresso de Geoffrey Dernis, que esteve em vias de abandonar o clube, aliado à sua adaptação ainda algo lenta ao futebol francês, fez com que perdesse a titularidade. Aboucherouane, de 24 anos, é um jogador ainda muito rebelde tacticamente, mas extremamente perigoso em termos ofensivos, pois tem uma capacidade técnica e uma gama de dribles impressionantes, capazes de criar inúmeros desequilíbrios no um para um. Forte nas assistências - melhor a cruzar do que no passe -, evidencia também qualidades como finalizador, como atestam os 11 golos apontados no último campeonato marroquino, quer em lances de bola corrida, quer em lances de bola parada. Dernis, também de 24 anos, pode também actuar na direita do ataque, tratando-se de um jogador de boa técnica e muito eficaz nos cruzamentos, saindo dos seus pés várias assistências para golo. Pouco possante, apesar de não ser talhado para missões defensivas, é cumpridor, fazendo o acompanhamento defensivo das subidas do lateral adversário, o que agrada a Puel.
Para o posto de médio ofensivo, Puel também dispõe de duas opções: o suiço Daniel Gygax, contratado ao FC Zurich, começou a época como titular, mas perdeu o lugar com a reincorporação do esloveno Milenko Acimovic, que esteve com pé e meio fora do clube, falando-se, entre outros clubes, do interesse do Benfica, que acabou por não se concretizar.
Acimovic, antigo jogador de Tottenham e Estrela Vermelha, é um médio criativo, bastante evoluido tecnicamente, que pode actuar no centro do terreno, entre o posto de '10' e segundo ponta de lança, mas que gosta de ter liberdade para aparecer também à esquerda. Irregular e pouco consistente em termos exibicionais, é capaz do melhor e do pior, mas é um jogador desequilibrador, que pode decidir um jogo num lance individual. Forte no último passe, como também a cruzar, joga com facilidade de primeira, e sabe tirar partido das tabelas com o avançado mais fixo para aparecer em posição de finalização. Falta-lhe, contudo, mais velocidade e, sobretudo, mais agressividade nos lances.
Já o suiço Daniel Gygax, internacional pelo seu país, assume as características de um 'nº10' mais fixo, capaz também de desempenhar funções de interior, e, apesar de algo lento, é um jogador com qualidades no passe e com um bom remate, quer em bola parada, quer em bola corrida.
Ataque

No ataque, não faltam soluções a Claude Puel, ainda que Peter Odemwingie se assuma como o avançado titular desde o inicio da época, que viu o seu esforço ser compensado com um 'bis' em Metz no passado sábado. Internacional nigeriano, de 24 anos, apesar de ter nascido em Moscovo, onde se formou ao serviço do CSKA, já alinhou contra o Benfica, quando representava o RAAL La Louvière. Na altura, era extremo direito, mas Puel, ao longo da temporada passada, tirando partido da sua mobilidade e bom poder de finalização, adaptou-o, com sucesso, ao posto de avançado. Muito móvel e rápido, é um jogador muito perigoso em contra-ataque, pois alia uma boa capacidade técnica e de drible, a um bom poder de finalização, sobretudo com o pé direito. Em caso de necessidade, e quando Puel decide alargar a frente de ataque, pode desempenhar outras funções, sobre qualquer uma das alas, como também como segundo ponta de lança.
Matt Moussilou, avançado móvel, internacional esperança por França, de 23 anos, que pode jogar quer sobre as alas, quer em posições mais centrais, tem sido, neste início de época, a principal solução ofensiva, lançada a partir do banco. A sua força física, aliada à velocidade e, sobretudo, à capacidade técnica e de drible, criam sempre inúmeros desequilíbrios, para além de ser um jogador com bom poder de finalização, como atestam os 16 tentos apontados na época passada. Outra opção é o internacional marfinense Abdelkader Keita, de 24 anos, contratado ao Al Saad, do Qatar, onde era a principal estrela do campeonato, depois de ter vivido situação similar na Tunisia. Extremamente poderoso fisicamente e agressivo, alia à sua força, velocidade e capacidade de movimentação, que lhe permitem também actuar a sair da esquerda para o meio. Contudo, as suas características enquadram-se nas de um ponta de lança, mostrando, por onde tem passado, uma boa capacidade finalizadora, que ainda não confirmou no Lille.
As outras opções atacantes: Kevin Mirallas, belga, de 17 anos, é um jovem muito promissor, que descai preferencialmente para as alas, embora possa também funcionar como segundo ponta de lança. Apesar da sua juventude, já foi suplente utilizado em duas partidas. Nicolas Fauvergue, internacional esperança, de 20 anos, tem vindo a alinhar pela formação B. É um típico avançado de área, muito possante fisicamente - 1.91/81 -, que desgasta muito os adversários e cuja principal virtude é o jogo aéreo. Por fim, o jovem Larsen Touré, de 21 anos, também oriundo da formação B do clube, que actua preferencialmente como segundo avançado.
Glasgow Rangers: Campeão em crise
terça-feira, 13 setembro 2005

Campeão e vencedor da Taça escocesa na temporada passada, o mau início de temporada 2005/06, apenas atenuado pela instabilidade no 'rival' Celtic, já fez os adeptos do Glasgow Rangers esquecerem os êxitos recentes. A recepção ao FC Porto é quase encarada como um jogo de 'tudo ou nada' para o treinador Alex McLeish, cujo trabalho, apesar dos títulos conquistados, tem sido muito contestado. Esta época a contestação subiu de tom, face não só aos maus resultados, como também à indefinição táctica do treinador, que já experimentou cinco esquemas tácticos - o tradicional 4x4x2, o 4x3x3, o 4x3x1x2, o 4x5x1 e, finalmente, o 3x4x1x2 - e tem feito algumas adaptações muito contestadas, onde se destaca, sobretudo, a colocação do avançado croata Prso a ala esquerdo.
Sem grande margem para errar, quando os nomes de Terry Butcher e Walter Smith são avançados para uma eventual sucessão, McLeish, na conferência de imprensa de ontem, mostrou-se ciente do que poderá acontecer na eventualidade de um mau resultado, mas evidenciou confiança que o jogo desta noite em Ibrox marcará um 'novo início' para o Rangers, que apenas somou um ponto nas duas últimas partidas da Liga escocesa. Apesar de ter testado ultimamente os sistemas de 4x3x1x2 e 3x4x1x2 a pensar na estreia na Liga dos Campeões, os maus resultados e a forte pressão dos adeptos, poderão fazê-lo regressar ao 4x4x2, desdobrável em 4x2x4, o que a acontecer, proporcionará, por certo, um espectáculo aberto, de futebol ofensivo e, provavelmente, com golos.
Contudo, o mais moderado 4x3x1x2, poderá ser a solução, até porque permite, sem fazer substituições, adaptar a equipa a um esquema de três centrais e até a um esquema próximo do 4x4x2. Sendo certa a ausência de Hemdani, por ainda não estar a 100% do ponto de vista físico, existe alguma ansiedade em relação à utilização dos últimos reforços: o grego 'Soto' Kyrgiakos, que já foi titular diante do Falkirk, deverá manter-se no 'onze' ; o lateral-esquerdo francês Bernard, que iniciou a preparação apenas no início de Setembro, poderá ser a grande surpresa, ainda que Murray, que nessa situação poderia avançar para o meio-campo, pareça ser, à partida, uma opção mais consistente ; o avançado italiano Maniero, em principio, continuará de fora ; e o avançado inglês Jeffers, suplente utilizado diante do Falkirk, deverá manter essa condição, ainda que haja a hipótese de ser titular.
As tácticas



** Se o lateral-esquerdo 'Olly' Bernard for considerado apto para disputar a partida de logo à noite, deverá ocupar a posição de lateral (ou volante, em 3x4x1x2) esquerdo, permitindo que Ian Murray possa ser utilizado no centro do meio campo, no lugar de Alex Rae ou Namouchi.
A baliza
Contratado a 31 de Janeiro de 2005 para suprir uma lesão de Stefan Klos, o holandês Ronald Waterreus não mais perdeu a titularidade. Antigo guarda-redes do Roda, PSV e Manchester City, acabou por revelar-se decisivo para a 'dobradinha' do Rangers a temporada passada, tratando-se de um guardião veterano, de 35 anos, mais forte entre postes, do que fora destes. O seu suplente é Stefan Klos, guardião alemão, de 34 anos, uma autêntica instituição dentro do clube. 'Der Goalie', como é conhecido, atravessa um dos melhores períodos da sua carreira, após vencer o prémio de jogador do ano da liga escocesa em 2003/2004, mas uma lesão afastou-o dos últimos meses da temporada passada e acabou por não conseguir recuperar a titularidade esta época. Destaca-se sobretudo pela sua presença entre postes e por ser forte nos lances de 1x1 com os avançados, que compensam algumas lacunas que tem nas saídas por alto.
A defesa
À direita são algumas as indefinições. Alex McLeish dispensou Maurice 'Mo' Ross, o único lateral-direito de raíz, e tem alternado a utilização de dois jogadores: o holandês Fernando 'Nando' Ricksen, jogador do ano na Escócia em 2004/05, também capaz de actuar a médio centro ou médio direito, onde se revela mais importante no jogo da equipa ; e o francês Jose Karl Pierre-Fanfan, de 30 anos, contratado ao Paris Saint-Germain no último defeso e que é um central adaptado ao posto. Ricksen, que foi contratado em 2000 ao AZ Alkmaar, é um jogador agressivo, que defende bem, mas gosta de atacar, tirando partido da sua velocidade e capacidade técnica ; Pierre-Fanfan é um defesa marcador, muito agressivo, forte no desarme e no jogo aéreo, mas muito limitado tecnicamente, o que faz com que raramente passe a linha do meio-campo.
No centro da defesa, para além de Pierre-Fanfan, as principais opções são o francês Julien Rodriguez, ex-AS Mónaco, e o grego Sotirios 'Soto' Kyrgiakos. 'Soto', internacional grego, de 25 anos, chegou ao clube em Janeiro passado, com um contrato de seis meses, que, numa primeira fase, não quis renovar, mas acabou por aceitar o regresso ao clube no final de Agosto. É um central marcador, forte no desarme e com bom jogo aéreo, também nas acções ofensivas, mas que peca por ser algo limitado tecnicamente e não muito veloz, lacuna que tenta compensar com o seu poder de antecipação. Rodriguez, de 27 anos, chegou este Verão ao clube, com o intuito de acrescentar mais experiência ao sector, fruto da experiência que acumulou no AS Mónaco, ainda que nem sempre tenha sido titular. Jogador versátil, que tanto pode actuar solto como na marcação, destaca-se pela força física e jogo aéreo, mas tem claras limitações em termos de velocidade e de capacidade técnica, ainda que seja um jogador de processos simples, que não costuma complicar atrás.
Para o eixo da defesa são também opção Marvin Andrews, experiente central de Trinidad & Tobago, que se destaca pelo jogo aéreo e tremenda força física ; e o jovem Robert 'Bob' Malcolm, de 24 anos, um jogador polivalente, também adaptável ao meio-campo defensivo, já que é um especialista na marcação.
À esquerda, o francês Olivier 'Olly' Bernard, contratado ao Southampton, após passagem pelo Newcastle, será, em principio, a principal opção para o sector, depois da saída do titular Michael Ball para o PSV Eindhoven. Contudo, como só chegou ao clube no início de Setembro, McLeish ainda não o estreou, pois considera que ainda não está no momento de forma física ideal, já que não fez pré-temporada, daí que possa ser demasiado arriscada a sua utilização, pelo menos a titular, diante do FC Porto. Trata-se de um lateral bastante razoável defensivamente, mas que se destaca sobretudo nos desdobramentos ofensivos, pois é rápido e tira bons cruzamentos, revelando também capacidade física para fazer todo o corredor. Assim, surge como principal opção para o posto o polivalente Ian Murray, internacional escocês, de 24 anos, contratado este Verão ao Hibernian, onde era capitão de equipa. Adaptável ao centro do meio campo e defesa ou à esquerda do sector recuado ou intermediário, é um jogador muito eficaz defensivamente, com boa capacidade de desarme, excelente capacidade física e agressivo, mas também interessante a sair a jogar, pois não sendo virtuoso tecnicamente, tem qualidades no passe e não tem medo de assumir o jogo.
O meio-campo defensivo
Os já citados Fernando 'Nando' Ricksen e Ian Murray, se não forem utilizados na defesa, são opções para o meio-campo, quer como volantes laterais, num esquema de 3 defesas, quer como médios-centro, no tradicional 4-4-2 ou na sua variável em 4-3-1-2. Indiscutível, até ao momento, no centro do meio-campo é Barry 'Baz' Ferguson, internacional escocês, de 27 anos. Produto das escolas do Rangers, regressou em Janeiro passado ao clube, depois de época e meia no Blackburn, para onde foi levado por Graeme Souness, que o definiu, na altura, como um dos médios mais completos do futebol europeu. Com boa capacidade defensiva, destaca-se, sobretudo, pela forma como sai para acções ofensivas, graças à sua excelente visão de jogo e capacidade no passe, mas também porque é um jogador valioso tacticamente, já que gosta de aparecer junto à área adversária, para tirar partido do seu bom remate, quer em bola parada, quer em bola corrida. É um líder, ostentando a braçadeira de 'capitão' no clube e na selecção.
Para a zona central do meio-campo existem ainda mais opções: desde logo o franco-argelino Brahim Hemdani, contratado ao Marselha, onde era capitão de equipa, e que ainda não se estreou pelo Rangers, devido a uma lesão, que parece agora estar debelada. Jogador versátil, já que pode ser utilizado como central ou líbero, trata-se de um jogador muito consistente sob o ponto de vista táctico, com bom sentido posicional, que lhe permite cortar as linhas de passe, como também é um jogador com uma energia inesgotável e capaz de sair a jogar, mostrando-se bastante razoável no passe ; ou ainda o veterano Alex Rae, um médio-centro que construiu a sua carreira no futebol inglês, tendo regressado a época passada à Escócia, tratando-se de um lutador, forte na recuperação de bolas e poderoso fisicamente, apesar de algo lento. Rae, destaca-se também, por ser bastante razoável no passe, fazendo boas aberturas para as alas.
O meio-campo ofensivo
A principal referência do sector é o internacional belga Thomas Buffel. Muito versátil, pode actuar sobre qualquer uma das alas, como também nas costas do(s) avançado(s). Rápido e bem dotado tecnicamente, este antigo jogador do Feyenoord, que chegou a ser pretendido pelo Benfica, tem capacidade no último passe, mas é também um bom finalizador, sobretudo com os pés. O franco-tunisino Hamed Namouchi é outra das opções, actuando, por norma, entre o centro/esquerda, como interior ofensivo, e a ala esquerda, ao contrário do que acontece na sua selecção, onde actua preferencialmente pela direita. Muito rápido e bem dotado tecnicamente, este jogador, de apenas 21 anos, peca ainda por alguma inconsistência, mas é um desequilibrador.
Para as alas, para além do espanhol Nacho Novo, utilizável à direita como também no centro do ataque, Alex McLeish tem à sua disposição Chris Burke, um ala direito escocês, de apenas 21 anos, que é o 'menino bonito' dos adeptos e considerado o sucessor de Brian Laudrup. Esta época, devido a um problema viral, ainda não foi utilizado, mas parece agora surgir como opção, tratando-se de um jogador bastante rápido e dotado tecnicamente, que se destaca nos lances de 1x1, onde não é fácil pará-lo, tornando-se muito perigoso quando ganha a linha de fundo, pois cruza bem, mas também rompe bem em diagonais, procurando o remate ou a assistência para os avançados. O internacional dinamarquês Peter 'Pete' Løvenkrands é outra das opções para as alas, neste caso para a esquerda. Este extremo, de 24 anos, tem na velocidade a sua principal arma, o que o torna bastante perigoso quando rompe em diagonais, pois tem também um bom remate, somando já 38 golos com a camisola do Rangers.
Por fim, referência ainda para o jovem francês Dany N'Guessan, de 18 anos, produto das escolas do Auxerre, contratado este Verão pelo Rangers, que ganhou a corrida pelo seu concurso a Valência, Marselha, Bordéus e Manchester City. Médio ofensivo muito promissor, bem constituído fisicamente, é um jogador rápido e bem dotado tecnicamente, com qualidades no último passe e um bom remate. Ainda não fez a sua estreia pela equipa principal, mas já tem sido chamado por McLeish ao banco dos suplentes em algumas partidas.
O ataque
O espanhol Nacho Novo, também adaptável à ala direita, e o croata Dado Prso, este ano também adaptado à ala esquerda, são as principais opções para o centro do ataque, mas não faltam soluções a Alex McLeish: Francis Jeffers, ex-Charlton, Steven Thompson, Steven Smith, os jovens Ross McCormack e o argentino Federico Nieto, e ainda o experiente italiano Filippo Maniero.
O internacional croata Dado Prso, contratado ao AS Monaco, no Verão passado, já apontou 26 golos com a camisola do Rangers, o que faz dele um dos preferidos junto dos adeptos, que têm lançado duras críticas a Alex McLeish pelas adaptações do jogador à ala esquerda do ataque, onde não se sente à vontade, até porque se trata de um jogador tecnicamente bastante limitado, que se destaca pela mobilidade, mas, sobretudo, pelo poder físico e apurado sentido de oportunidade, revelando-se bastante perigoso quando tem espaços para aplicar o remate dentro da área, seja com os pés ou de cabeça.
O seu parceiro de ataque é, normalmente, o espanhol Nacho Novo, ainda que este possa jogar aberto na ala direita, já que se trata de um avançado pouco possante, mas muito rápido e móvel. É bastante agressivo e tem um bom poder de finalização, como provam os seus 28 golos em pouco mais de um ano com a camisola do Rangers, que ganhou a corrida pelo seu concurso ao Celtic.
Entre as restantes opções, Francis Jeffers, emprestado pelo Charlton até ao final da temporada, surge como principal alternativa. Internacional sub-21 inglês, formado nas escolas do Everton, com passagem posterior pelo Arsenal, estreou-se no passado sábado diante do Falkirk, numa partida em que foi suplente utilizado. Avançado finalizador, não limita a sua acção à área, já que é um jogador que se movimenta bastante, tirando partido da sua velocidade e técnica bastante razoável para o típico '9' britânico. Outra alternativa é Steven Thompson, um avançado lutador, com mobilidade, que revela um bom sentido de oportunidade e facilidade no remate, sobretudo de cabeça, tirando partido da sua altura (1.88).
Por fim, referência para o experiente italiano Filippo 'Pippo' Maniero, de 33 anos, contratado ao Torino, em 31 de Agosto passado. Já numa fase descendente da sua carreira, que contou com uma breve passagem pelo AC Milan, entre a dezena de clubes que representou, destaca-se sobretudo pela agressividade e bom poder de finalização, quer com os pés, quer de cabeça. Com a preparação atrasada, ainda não fez a sua estreia pelo Rangers. Ross McCormack, produto das escolas do clube, onde revelou uma enorme capacidade goleadora ; Steven Smith, um antigo lateral-esquerdo, convertido em ala/2º avançado, e o possante argentino Federico Nieto, contratado, por seis meses, ao Almagro, são as restantes opções.
FK Crvena Zvezda Beograd: jugoslavos em processo de italianização
sábado, 27 agosto 2005

2º classificado do campeonato 2004/05, o Estrela Vermelha de Belgrado, futuro adversário do Sp. Braga na Taça UEFA, parte para a nova época com o desejo de recuperar o título nacional e de entrar na fase de grupos da Taça UEFA, procurando recuperar o prestígio que foi perdendo com o avançar da década de 90, depois de no início desta ter vencido a Taça dos Campeões Europeus e a Taça Intercontinental.
Em 2005/06, já realizou quatro jogos oficiais esta temporada e ainda não perdeu: 2 vitórias na ronda preliminar da UEFA, diante dos croatas do Inter Zapresic, 1 vitória e 1 empate no campeonato jugoslavo, onde adiaram o jogo relativo à segunda jornada.

O clube é actualmente presidido por Dragan Stojkovic, antiga estrela do futebol jugoslavo, e o seu trabalho à frente do clube começa a ter os seus frutos. A crise financeira com que a formação de Belgrado se debateu está praticamente resolvida e os tempos começam a ser prósperos. A sua inteligência e prestígio têm sido aproveitadas para explorar manobras de marketing, cruciais, por exemplo, na conquista de novos patrocinadores e na renovação da imagem do clube. Para além disso, o clube tem aproveitado ao máximo o trabalho desenvolvido na formação, que é a base do actual conjunto, onde só cabem dois estrangeiros: os jovens Dramani (ganês) e Fábio da Silva (brasileiro), ambos defesas, sendo que o último substituiu o ex-benfiquista Júlio César, que chegou a ter um pré-acordo com Stojkovic.
À frente da equipa está agora o antigo internacional italiano Walter Zenga, que tem procurado, nos dois meses que leva à frente da equipa, dar maior consistência defensiva a uma equipa de grande valor técnico e enorme poder de fogo: os avançados Pantelic, Zigic, Purovic e Stojanovic - os três últimos reforços para a nova época - renderam juntos, a temporada passada, 64 golos no campeonato jugoslavo. Contudo, o seu valor como técnico ainda é uma incógnita, e apesar de ter contribuído para o título romeno do Steaua Bucareste a temporada passada, o seu despedimento, em Abril passado, quando era líder do campeonato, surgiu na sequência de muita contestação em torno do seu trabalho, assim como do seu relacionamento complicado com alguns jogadores. Em Belgrado, a história parecia repetir-se, ainda que os tempos sejam de maior harmonia, pois, no primeiro mês, o afastamento da equipa titular do guarda-redes Stojkovic, considerado superior ao titular Randjelovic, e do avançado Zigic, decisivo no último jogo frente ao Inter, geraram fortes críticas, assim como o difícil relacionamento com a 'estrela' do conjunto, o avançado Pantelic, numa clara guerra de egos.
A tarefa do Sp. Braga não se antevê fácil, mas a eliminatória promete equilíbrio. Os bracarenses, que jogam fora na primeira mão, terão que mostrar personalidade para enfrentarem o complicado ambiente que os espera no Maracanã, o estádio, com ambiente vulcânico, do Estrela Vermelha. Um bom resultado em Belgrado será a chave para a ansiada chegada à fase de grupos.

A Táctica

Baliza
Ivan Randjelović, experiente guarda-redes, de 30 anos, tem sido o titular com Walter Zenga, mas é uma escolha pouco pacífica. Irregular, apesar do seu 1.97, mostra-se, por vezes, inseguro nas saídas dos postes e tem algumas limitações nos reflexos, que tenta compensar com um bom posicionamento. Um dos seus pontos mais fortes é o forte pontapé, colocando, com facilidade, a bola na área adversária.
Vladimir Stojković, o seu suplente, é o desejado para a baliza. Contratado ao Zemun, é considerado, aos 22 anos, como o grande guarda-redes jugoslavo do futuro. Também muito alto - 1.95 -, revela-se bem mais completo que o seu concorrente, mas a sua falta de experiência parece ter sido decisiva para a opção de Zenga.
Defesa
A defesa de quatro unidades é o sector mais fraco da equipa, também por culpa das indefinições neste início de época, já que sem laterais direitos de raiz - Basta está lesionado, Dramani ainda não completou o processo de transferência -, Zenga tem sido obrigado a fazer adaptações. Contudo, o eixo central tem-se revelado pouco consistente e os laterais são algo permeáveis em termos defensivos, factor a explorar pelo Sp. Braga.
Intocáveis são Milan Dudić e Aleksandar Luković. Dudić é um central de origem, e, em condições normais, actuará nessa posição, até porque é o líder do sector recuado. Contudo, como também pode jogar a lateral-direito, tem feito essa posição para suprir as baixas de Basta, que regressa à competição em Setembro, e do ganês Dramani. É um defesa marcador, com bom posicionamento e forte no jogo aéreo, que sabe também integrar movimentações ofensivas, mostrando qualidades no passe e nos cruzamentos. Luković, de 22 anos, é o lateral-esquerdo titular, até porque não tem concorrência no seu lugar. Forte fisicamente, com capacidade para fazer todo o corredor, é, contudo, algo limitado e irregular, alternando bons jogos com outros medíocres, factor a ser explorado pelo Sp. Braga, sobretudo se também abrir o jogo à direita.
Se recuperar da lesão que o afastou da pré-época, Dušan Basta será o lateral-direito titular. Apesar de ser um médio de origem, é um jogador que desempenha bem as funções defensivas, com a vantagem de fazer com facilidade todo o corredor. Mais forte a atacar do que a defender, tem boa técnica e cruza bem, revelando também uma grande capacidade de trabalho, nunca virando a cara à luta. A outra alternativa para a direita, para além de Dudić, é o jovem ganês Dramani, de apenas 19 anos, que convenceu Zenga na pré-temporada. Contudo, o seu valor é ainda uma incógnita.
O quarto lugar do sector defensivo tem vários concorrentes: Nebojša Joksimović, um central e possante, de 24 anos, tem-se imposto na pré-temporada, e será sempre opção, caso Dudić se mantenha à direita. Impõe-se normalmente pelo físico, revelando-se um bom marcador, forte no jogo aéreo, mas algo lento e limitado tecnicamente. Outra opção é Milan Biševac. Defesa consistente, ainda que apenas tenha 21 anos, tem a vantagem de ser rápido, para além de forte fisicamente e no jogo aéreo. Depois, surgem o brasileiro Fábio da Silva, um central que ainda aguarda a estreia, e cuja adaptação é ainda uma incógnita, assim como os jovens Slavoljub Djordjević e Bojan Miladinović, sendo que este último tenha alguma vantagem, até porque tem sido opção para Zenga. É um central muito alto, de 1.90, forte na marcação e no jogo aéreo, mas limitado tecnicamente e em termos de velocidade.
Meio-campo
O meio-campo composto por quatro unidades, tem um desenho flexível, ainda que com Zenga haja maior rigor táctico, o que não acontecia até aqui, já que o sector intermediário era bastante virado para a frente. Com o italiano, existem dois médios mais defensivos, ainda que um deles, à vez, tenha liberdade para integrar iniciativas ofensivas, um flanqueador e um 'nº10', que, em situação ofensiva, se encosta à dupla de avançados.
Nenad Kovačević é o patrão do meio campo. Médio mais defensivo, que ocupa um espaço mais central, ainda que saia, com frequência para acções ofensivas, este jogador, de 24 anos, tem enorme qualidade. Bom recuperador de bolas, tirando, sobretudo, proveito do seu bom posicionamento, é também um jogador agressivo, que precisa de controlar mais alguns ímpetos, que lhe custam vários amarelos. Contudo, a sua acção está longe de limitar-se à recuperação. Sabe sair a jogar, tem qualidade técnica acima da média e sabe entregá-la jogável, ainda que possa evoluir no passe longo. Ao seu lado, costuma actuar Vladimir Mudrinić, um jogador experiente, de 29 anos, com passagem pelo futebol russo. Médio ofensivo de origem, foi adaptado ao posto de médio centro/esquerdo, mas continua a não ser um jogador talhado para processos defensivos, já que se destaca, sobretudo, pela capacidade técnica e qualidade no passe. Contudo, é um jogador muito irregular. Nas alas, preferencialmente à esquerda, actua Marko Perović, de 21 anos, um produto das escolas do clube. Muito dotado tecnicamente, é um jogador que cria muitos desequilíbrios pelo flanco, mas que também sabe procurar posições mais centrais, de forma a explorar o seu bom remate, quer em bola corrida, quer em bolas paradas. O seu ponto fraco é a falta de consistência defensiva, algo que Zenga tem procurado rever.
Boško Janković, que chegou a ser apontado como possível reforço do FC Porto, é o médio mais ofensivo, ocupando, por norma, uma posição mais central, de apoio à dupla de ataque, ainda que descaia, algumas vezes para a direita, até por ser um ala de origem. Com apenas 21 anos, é já uma certeza do futebol jugoslavo, e dificilmente não dará o 'salto' para um outro campeonato nos próximos tempos. Tecnicamente bastante dotado, é um jogador muito eficaz nas assistências, quer através de passes, quer através de cruzamentos, mas que também se destaca na finalização, tirando partido do seu remate forte e colocado, em lances de bola parada, onde é muito perigoso, ou de bola corrida.
Quanto a outras opções, para além de Dušan Basta, que pode ocupar o papel de médio centro/direito, surge, por exemplo, Radovan Krivokapić, médio de 27 anos, com características ofensivas, mas que Zenga tem tentado tornar numa solução como médio centro mais defensivo. Algo lento, mostra à semelhança de Mudrinić, pouco à vontade para correr atrás da bola, mas é um jogador eficaz nas saídas para o ataque, forte no passe e com qualidade técnica. Nikola Trajković, contratado ao Zeta, é opção, quer para jogar nas alas, sobretudo à esquerda, quer para médio ofensivo. Antigo jogador do Vojvodina Novi Sad, este jogador, de 24 anos, é um criativo, veloz e com boa técnica, que tem caído no 'goto' dos adeptos. O médio ofensivo Dejan Miladinović, jogador forte tecnicamente e nas bolas paradas, mas pouco consistente, e o ala canhoto, também adaptável a lateral, Ardijan Djokaj, que já passou pelo futebol espanhol, são as restantes alternativas para Zenga.
Ataque
Na frente do ataque, a dupla de avançados é, habitualmente, formada por Nikola Žigić e Marko Pantelić. O primeiro, que irá falhar o jogo da primeira mão, por ter sido expulso frente ao Inter, é o típico avançado de área, que se destaca pelo fortíssimo jogo aéreo, pois mede 2.02. Tecnicamente limitado, é, no entanto, bastante difícil de marcar, ainda por cima porque o Sp. Braga tem centrais cerca de 20 centímetros mais baixos do que ele. Ao seu lado actua Pantelić, estrela precoce do futebol jugoslavo, que já passou pelo futebol espanhol, francês, suiço e grego, para além de ter estado perto de ingressar no Rio Ave, no final da década de 90. Depois de ter caído em desgraça, reapareceu em grande no Estrela Vermelha há dois anos, e foi o melhor marcador do último campeonato, com 21 tentos. Com uma personalidade dificil, é a 'estrela' do conjunto e comporta-se como tal, apesar da sua irregularidade. Contudo, é um desequilibrador e, sobretudo, um exímio finalizador, tirando partido de um excelente sentido de oportunidade e boa capacidade de desmarcação.
Soluções para a frente de ataque não faltam. Boban Stojanović, regressado de um empréstimo feliz ao Borac, é a principal solução para render Žigić, apesar de se tratar de um avançado bem mais móvel, rápido, mas com bom poder de finalização. Se recair nele a opção, é bem provável que Pantelić, jogue mais em cunha entre os centrais adversários. Milan Purović, contratado ao Budocnost, onde apontou 12 golos, é outra possibilidade, tratando-se de um jogador com características mais próximas às de Žigić. Muito alto - 1.93 -, é bastante forte no jogo aéreo e muito agressivo na luta com os centrais adversários. Com menos hipóteses de serem utilizados estão Milanko Rašković e Dragan Mrđa. O primeiro, contratado ao Zeta, é um avançado móvel, que actua preferencialmente nas costas do ponta de lança, enquanto que o segundo trata-se de um avançado mais possante, pouco dotado tecnicamente, e que actua preferencialmente na área, ainda que não seja um jogador que goste de estar parado.
Wisła Kraków: Perigo Polaco
sexta-feira, 26 agosto 2005

É certo que no lote de possíveis adversários do Vitória Guimarães, o Wisła Kraków era, juntamente com o Steaua, o mais desejado, tendo em conta a perspectiva de chegar à fase de grupos da Taça UEFA. No entanto, a eliminatória encerra imensas dificuldades para os vimaranenses, já que pela frente terão o tri-campeão polaco, claro dominador da competição no seu país, já com alguma experiência internacional, e que tem no seu estádio uma autêntica fortaleza: o Wisła não perde em casa, em jogos do campeonato, há praticamente quatro anos. Uma tarefa complicada para o Vitória, até porque a eliminatória será definida em Cracóvia.
Orientados pelo antigo seleccionador polaco Jerzy Engel - um claro defensor do 4-4-2 -, há meio ano no comando técnico da equipa, com quatro jornadas do campeonato já realizadas, o Wisła, ainda que com menos um jogo, já é líder da competição, mas um dos objectivos para a nova temporada ficou pelo caminho: o apuramento para a Liga dos Campeões. É que depois de um 3-1 em Cracóvia, a equipa cedeu no terreno do Panathinaikos, que acabou por ganhar a eliminatória no prolongamento, quando o Wisła já estava reduzido a 10 unidades, após expulsão do nuclear Sobolewski, que assim, falhará a partida de Guimarães.
A aposta para a nova época passou, claramente, pela continuidade, e ainda que tenham perdido o decisivo Zurawski para o Celtic, Liczka contratou alguns jogadores, que enriquecem o grupo em termos de soluções. Entre estes, a surpresa é o brasileiro Jean Paulista, ex-Maia, com um carreira bastante irregular em Portugal, onde também representou Sp. Farense, Sp. Braga, Desp. Aves, Imortal e Vitória Setúbal.

A Táctica

Baliza
Radosław Majdan é o guardião titular. Internacional A polaco, passou, sem grande sucesso, pelo futebol turco, grego e israelita, até que há dois anos se fixou no Wisła. Aos 33 anos, atravessa a melhor fase da sua carreira, ainda que, por vezes, complique o fácil. Algo excêntrico e aparatoso, é um líder, muito forte nas saídas dos postes pelo chão, com bom domínio da baliza. Nas saídas pelo ar, apesar de alto, é irregular, arriscando em demasia.
Defesa
Defesa de quatro, muito coesa, com uma dupla de centrais muito rotinada e que se complementa, e laterais que defendem bem e só arriscam as subidas pelo seguro. Arkadiusz Głowacki e Tomasz Kłos, ambos internacionais, formam o eixo central da defesa. Kłos, de 32 anos, é um central muito experiente, que conta no seu currículo com passagens pelo futebol francês (Auxerre) e alemão (Kaiserslautern e Colónia). Algo lento e limitado tecnicamente, compensa essas lacunas com um excelente sentido posicional, bom poder de desarme e domínio do jogo aéreo, tratando-se de um jogador perigoso nas subidas à área adversária. Glowacki, por sua vez, é um central de 26 anos, com 'mercado' no exterior. Forte na marcação, é mais rápido que o seu colega de sector, mas também é forte fisicamente e no jogo aéreo.
Nas laterais, Marcin Baszczyński e Dariusz Dudka, ambos internacionais são indiscutíveis. O primeiro, também conhecido como 'Baszczu', de 28 anos, é considerado, há vários anos, o melhor lateral direito da Liga polaca. Muito competente em termos defensivos, tratando-se de um bom marcador, gosta de subir, até porque tem capacidade física para subir e descer pelo seu flanco, mas falta-lhe alguma competência técnica. Contudo, tem um forte pontapé, ainda que nem sempre leve a melhor direcção. Já Dudka, contratado ao Amica, é um lateral esquerdo jovem, de 21 anos, que foi uma das revelações do último campeonato. Trata-se de um lateral mais forte defensivamente, bom marcador e com bom poder de desarme, até porque também pode ser utilizado como central.
Jakub Błaszczykowski, internacional sub-21, de apenas 19 anos, é a alternativa para a lateral direita ; Jacek Kowalczyk, de 24 anos, e também internacional A, é a alternativa para o eixo central da defesa, tratando-se de um central que se destaca pela força física, já que é algo limitado e não está ao nível dos parceiros de sector ; o internacional Maciej Stolarczyk, lateral-esquerdo experiente, de 33 anos, também adaptável a central, foi o sacrificado com a aquisição de Dudka, perdendo a titularidade, que foi sua nas últimas três temporadas.
Meio-campo
Meio campo de quatro, com duas unidades a preencherem o eixo central - uma mais fixa, outra mais livre para criar - e dois alas, que, em situação ofensiva, se transformam praticamente em extremos, mas também procuram as diagonais. Radosław Sobolewski, de 28 anos, é o médio mais recuado, mas a expulsão diante do Panathinaikos, a sua segunda esta época, impede-o de alinhar em Guimarães. Uma baixa de vulto, já que se trata de um jogador nuclear, internacional polaco, muito forte defensivamente, já que se trata de um excelente recuperador de bolas, muito pressionante e agressivo, com grande capacidade também no futebol aéreo. Apesar de particularmente talhado para missões defensivas, mostra também qualidade no passe. Ao seu lado costuma actuar o argentino Mauro Cantoro, também conhecido por 'Byk' (O Touro), antigo jogador do Ascoli, de Itália, há quatro anos no clube. Médio possante e com grande capacidade física, tem alguma liberdade para criar, até por se tratar de um '10' de origem. Apesar de algo irregular, conseguiu impor-se na equipa, fruto da sua capacidade técnica e na marcação de lances de bola parada, colocando com facilidade a bola na área.
Nas alas, o internacional nigeriano Kalu Uche, de 22 anos, é o titular à direita. Regressado de uma passagem pelo futebol francês, ao serviço do Bordéus, este jovem jogador, que também já representou o Espanyol de Barcelona, é um desequilibrador nato, que tanto joga colocado à linha, como rompe em diagonais. Imprevisível, é um jogador muito rápido e dotado tecnicamente, embora, por vezes, se perca em alguns adornos excessivos. À esquerda, Marek Zieńczuk , também conhecido por 'Zieniek', é um jogador muito importante no esquema da equipa. Internacional polaco, é um jogador cerebral, muito forte nos cruzamentos e no passe, forte tecnicamente, que, não só faz várias assistências para golo, como também aparece com facilidade em posições de remate, tendo apontado 24 golos nos últimos três campeonatos (sempre 8 por época).
Como outras opções na zona central do meio-campo surgem o jovem nigeriano Martins Ekwueme, médio de recorte defensivo, mas capaz de ser adaptado a várias funções, quer na defesa, quer no meio-campo, ao centro ou à esquerda, embora peque por alguma imaturidade e falta de experiência, próprias dos seus 19 anos. Mais consistente é o jovem Konrad Gołoś, contratado ao Polónia Varsóvia, depois de se ter estreado pela selecção principal no passado mês de Abril. Contudo, não se trata de um trinco, mas sim de um médio centro/interior, um pouco à semelhança do 'Touro' Cantoro, ainda que seja previsível que faça com este a dupla de meio-campo em Guimarães. Destaca-se por ser um jogador evoluído tacticamente, muito lutador, mas com alguma capacidade criativa: tem qualidade no passe e um bom remate de fora da área, ainda que nem sempre o use.
Como opções mais ofensivas surgem o internacional sub-21 Piotr Brożek, regressado de um empréstimo ao Gornik, que ainda não se estreou esta época, pois peca pela pouca consistência defensiva e também exibicional, apesar da sua qualidade técnica e na marcação de lances de bola parada ; e também o brasileiro Jean Paulista, que tem surgido, em quase todos os jogos, como suplente utilizado. Com a carreira relançada após uma boa época no Maia, trata-se de um extremo adaptável a ambas as alas, com boa capacidade técnica e veloz, mas cuja adaptação ao futebol polaco é ainda uma incógnita.
Ataque
A dupla de ataque é formada por dois elementos: um mais fixo, para actuar entre os centrais adversários, e outro mais móvel, que funciona como segundo ponta de lança, mas como liberdade para aparecer também sobre as alas. Paweł Brożek, forte aposta para a nova época, foi o escolhido para suceder a Zurawski. Já internacional, apesar dos seus 22 anos, é um falso avançado, muito veloz e móvel, que se destaca pela capacidade técnica, mas necessita de se tornar mais eficaz na finalização, o que tem acontecido esta temporada: 3 golos, em 3 jogos. Mais fixo na frente actuará Tomasz Frankowski, a principal referência da equipa, que marcou, nas duas últimas temporadas, 40 golos. Esta época, já leva três golos apontados, tratando-se de um avançado de área, muito experiente, que já passou pelo futebol francês e japonês. Muito forte na finalização, sobretudo com os pés, sabe-se posicionar na área, e não lhe podem ser concedidos espaços, já que não é peco no momento do remate, atirando, muitas vezes, de primeira.
O reforço Marek Penksa, um veterano eslovaco, de 32 anos, contratado ao Ferencvaros, depois de passagens por vários países, é a opção para o posto de segundo ponta de lança. Adaptável também às alas, é um jogador que só ataca, muito móvel e que aparece com facilidade em posições de finalização, ainda que a sua carreira tenha sido marcada por uma enorme irregularidade. Como avançado de área, Marcin Kuźba, que tem passagens pelo futebol suiço, francês e grego, é a alternativa. A sua principal força é o jogo aéreo, já que se trata de um jogador lento e pouco dotado tecnicamente.
Halmstad BK: Suecos em crise
sexta-feira, 26 agosto 2005

Depois do excelente 2º lugar da época passada, a apenas dois pontos do campeão Malmö FF, o Halmstad BK está a ser a grande decepção da nova época sueca, ocupando um modesto 12º lugar, após 19 jornadas. A qualificação europeia será irrepetivel esta temporada, e a luta do clube passa pela fuga à zona de descida, pois está apenas quatro pontos acima do Sundsvall (13º e primeiro a descer), encontrando-se no lugar que obriga a um 'play-off' com o 3º classificado da 2ªDivisão. Muito mau!
Na UEFA, sem grande dificuldade, o Halmstad levou de vencida o Linfield, mas teve que vencer na Irlanda (4-2), depois de um empate caseiro (1-1) inesperado. Janne Andersson, de 42 anos, é o treinador da equipa há dois anos, sucedendo ao antigo internacional Jonas Thern, de quem era adjunto. Sem grandes estrelas, o jovem médio, já internacional sueco, Djuric é a principal figura de um plantel, que conta nas suas fileiras com o ganês Preko, já longe dos tempos em que atingiu algum destaque no Anderlecht.

A Táctica

Partindo de um 4-4-2 típico, o esquema de Janne Andersson tem, no entanto, duas variantes: um desdobramento em 4-4-2 losango, com a transformação dos alas em médios interiores/ofensivos, ou um 4-5-1, com Djoric a assumir o papel de coordenador de jogo, com Preko e Ingelstad aberto nas alas, ficando o islândes Thorvaldsson como único ponta.
Baliza
Conny Johansson é o titularíssimo na baliza. Há seis anos no clube, este guardião de 34 anos, assumiu-se como titular há três épocas e não mais largou o lugar. Apesar de ter pouco estilo e de parecer algo pesado, é um guardião bastante razoável, com bons reflexos e forte nos duelos, mas não atravessa uma fase positiva.
Defesa
Defesa de quatro unidades, com algumas limitações, sobretudo em termos de velocidade e de técnica, a explorar pelo ataque do Sporting. A dupla de centrais é formada por Tomas Zvirgzdauskas, central internacional lituano, de 30 anos, e o 'capitão' Tommy Jönsson, de 29 anos, um histórico do clube e que já chegou a passar pela selecção sueca. Formam uma dupla forte, que se impõe, por norma, no jogo aéreo e fisicamente, mas com claras limitações em termos de velocidade e mobilidade. Nas laterais, Peter Larsson, um central de origem, e, normalmente, 'backup' de Zvirgzduaskas e Jönsson, tem vindo a ser utilizado à direita, tirando partido de ser um bom marcador, mas pouco ou nada dotado para tarefas ofensivas. À esquerda, Per Johansson, também conhecido por 'Texas', é titularíssimo. Apontado como um dos melhores laterais suecos da actualidade, este jogador, de 26 anos, bastante alto e forte fisicamente, espera por uma chamada à selecção, tratando-se de um lateral competente a defender, mas que também sabe sair para acções ofensivas. Björn Anklev e Emil Jensen são outras opções, podendo jogar em qualquer umas das laterais, e o veterano Joel Borgstrand, antigo titular, para o centro da defesa, ainda que esta época ainda não tenha sido utilizado.
Meio-campo
O meio-campo é formado, por norma, por 4 unidades, e o sector com mais qualidade da formação sueca. Magnus Svensson, conhecido por 'Turbo', é a grande referência. Aos 36 anos, este veterano médio centro, 32 vezes internacional sueco, já não revela a frescura física de outros tempos, mas é um jogador inteligente tacticamente, que sabe defender, e também sair a jogar, com boa visão de jogo e qualidade no passe. Ao seu lado, costuma actuar Andreas Johansson, antigo internacional sub-21, de 23 anos, produto das escolas do clube. Com capacidade defensiva, mostra também talento no passe. Dusan Djuric, também conhecido por Dolle, de 20 anos, é a principal estrela da equipa. Formado nas escolas do clube, este jovem, já internacional A, é visto como o 'novo Ljungberg'. Centro-campista completo, veloz e com boa técnica, tanto pode actuar descaido para as alas, sobretudo à direita, como em posições interiores ou nas costas do(s) avançados. À esquerda, Patrik Ingelsten é indiscutivel. Flanqueador, pode também surgir em posições mais centrais, já que se trata de um jogador bem dotado tecnicamente e com um remate forte e colocado: não é por acaso o segundo melhor marcador da equipa.
Magnus Andersson, de 24 anos, é outra opção para o centro do terreno, onde, por vezes, alterna com Andreas Johansson. Médio centro forte fisicamente, destaca-se a recuperar bolas, mas também procura entregá-las de forma jogável. O excêntrico Kristoffer Fagercrantz, de apenas 18 anos, ainda júnior, e Johan Mangfors, de 20 anos, são as restantes opções para o meio-campo.
Ataque
Yaw Preko, antigo jogador do Anderlecht e da selecção ganesa, onde foi uma das grandes revelações dos Jogos Olímpicos de 1992, é o nome mais conhecido do plantel. Aos 30 anos, numa fase já descendente da sua carreira, não deixa de ser um jogador importante no esquema da equipa, procurando explorar a sua velocidade e capacidade técnica, a jogar como segundo avançado ou aberto à direita, quando a táctica passa a um 4-5-1. Contudo, é o seu parceiro de ataque, que tem vindo a dar mais nas vistas: Gunnar Heidar Thorvaldsson, internacional islandês, de 23 anos, que depois de uma época como reserva, saltou para a titularidade e tem vindo a demonstrar dotes de goleador. Longe de ser um avançado fixo e parado, revela mobilidade, bom poder de desmarcação e poder de finalização, quer com os pés, quer de cabeça.
Como alternativas ofensivas surgem Joel Johansson, também conhecido por 'Jolly', um avançado veloz e bem dotado tecnicamente, de apenas 18 anos, e o possante brasileiro Eduardo Delani, contratado ao Botafogo, mas que até agora não tem mostrado qualidade e continua a 'zeros', o que tem gerado muita desilusão, já que fora contratado com fama de goleador.
Sampdória: Missão (quase) impossível
sexta-feira, 26 agosto 2005

A Sampdoria é o adversário do Vitória Setúbal na 1ª eliminatória da Taça UEFA. Missão muito difícil para os comandados de Luís Norton de Matos no regresso à Europa, depois de, na última presença, terem caído frente a um emblema italiano: a AS Roma, em 1999/00, com um humilhante 0-7 no Olímpico. É certo que o valor da formação de Génova é inferior à que então apresentava a equipa da capital, mas o 5º classificado da última Série A, orientado por Walter Novellino, procura recuperar o prestígio perdido com a queda na Série B. Regressados, há dois anos, à Série A, pelas mãos do mesmo técnico, seguiram-se um 8º e um 5º lugar no principal campeonato italiano.
Sem grandes estrelas - as principais são o guardião Antonioli e o avançado Flachi -, a equipa vale sobretudo pelo conjunto e pela inteligência táctica que costuma apresentar, revelando-se extremamente perigosa no desenvolvimento de lances de contra-ataque, tirando partido, quer dos desdobramentos dos laterais, quer da qualidade de passe dos médios, no lançamento de um duo da frente, onde Flachi se destaca pela velocidade e capacidade de finalização. Para a nova época, a aposta foi na continuidade, com os poucos reforços a dotarem a equipa de mais soluções em todos os sectores. Entre estes, destacam-se o central Sala, o médio centro 'Sam' Dalla Bona e o possante avançado Bonazzoli.

A Táctica

Baliza
Um dos pontos mais fortes da equipa. Guarda-redes veterano, de 35 anos, Antonioli, há dois anos no clube, atravessa uma das melhores fases da sua carreira, que conta com passagens por Roma e AC Milan. A época passada sofreu apenas 26 golos, em 37 jogos na Série A.
Defesa
Defesa de quatro unidades, forte nas laterais, mas algo insegura no eixo central, o ponto mais fraco da equipa. Cristian Zenoni e Marco Pisano são indiscutíveis nas laterais. O primeiro, ex-Alatanta e Juventus, é internacional italiano, e faz com muita facilidade todo o corredor, provocando desequilíbrios com as subidas, enquanto que o segundo, de 24 anos, teve a época passada a sua afirmação na Série A, depois de dois anos como suplente no Brescia. É também um lateral ofensivo, que centra bastante bem, mas competente a defender, ainda que sinta algumas dificuldades em defender posições interiores. O eixo central é formado por dois veteranos: Marcello Castellini, de 32 anos, e Luigi Sala, de 31, um dos novos reforços para a nova temporada, contratado à Atalanta. São dois defesas agressivos, mas que revelam alguma lentidão, e apesar de altos, nem sempre se mostram eficazes no jogo aéreo.
Giuli Falcone e Simone Pavan, ambos de 31 anos, são as outras opções para o eixo central da defesa. O primeiro, titular grande parte da época passada, parte em desvantagem por estar lesionado. Marco Zamboni, contratado à Reggina, surge como opção para as laterais, ainda que também possa ser utilizado como central, sobretudo num esquema de três defesas.
Meio-campo
Meio-campo trabalhador e valioso tacticamente, onde todos têm que defender, mas em que são muito trabalhados os desdobramentos ofensivos dos alas, como também dos médios centrais, quer no lançamento das iniciativas ofensivas, quer no aparecimento, na sequência de saídas rápidas para o ataque, em posições de remate.
Sam Dalla Bona, contratado ao Lecce, depois de passagens pelo AC Milan, Chelsea e Bolonha, é já um jogador chave no esquema de Novellino: ajuda na recuperação de bolas, lança iniciativas ofensivas, marca lances de bola parada e aparece também a concluir ataque, tirando partido do seu forte pontapé. Sergio Volpi, de 31 anos, é o seu parceiro no miolo, tratando-se de um exímio recuperador de bolas, forte fisicamente, mas que também sabe sair a jogar e de utilizar o seu bom remate. Angelo Palombo, jovem de 23 anos, é a principal alternativa, e está também na luta por um lugar. Muito impetuoso, é, sobretudo, um excelente marcador e muito forte a destruir jogo, mas também sabe construir. Mark Edusei, internacional ganês, que já passou pela União Leiria, e Gionata Mingozzi, contratado ao Perugia, são as outras opções para o centro do meio-campo.
Nas alas, o polivalente Max Tonetto é indiscutível à esquerda, tratando-se de um jogador muito competente e valioso tacticamente, já que defende e ataca, podendo também fazer outras posições. À direita, duas opções: Aimo Stefano Diana e o ex-sportinguista Vitali Kutuzov, que pode também derivar para uma função de segundo ponta de lança. O primeiro, capaz de desempenhar qualquer posto defensivo ou ofensivo à direita, dá uma maior valia táctica ao conjunto, mas o internacional bielorrusso é também opção, sobretudo nas partidas em que Novelinno pretende que a equipa tenha um maior cariz ofensivo. Marco Borriello, contratado ao Reggina, e que já teve uma curta passagem pela equipa principal do AC Milan, é outra opção para as alas, quer esquerda, de preferência, ou direita.
Ataque
Francesco Flachi, antigo companheiro de Rui Costa na Fiorentina, é o indiscutível do ataque. Autor de 25 tentos nas duas últimas edições da Série A, Flachi, ora mais atrasado, ora mais adiantado, é uma autêntica seta apontada à baliza adversária. Muito móvel e extremamente veloz, é especialista no desenvolvimento de lances de contra-ataque, apesar de ser um quase recordista mundial na queda em fora-de-jogo. Contudo, alia o excelente poder de desmarcação a um bom poder de finalização. Para seu companheiro no ataque há várias alternativas: o veterano Lamberto Zauli, de 34 anos, contratado ao Palermo, trata-se de um jogador com características de médio ofensivo/2º ponta de lança, que pode jogar mais atrasado, como lançador de Flachi ; Emiliano Bonazzoli, o seu mais provável companheiro, é um avançado muito alto e possante, com características de 'nº9', que gosta de actuar mais fixo entre os centrais adversários, embora possa jogar um pouco mais recuado, de forma a ganhar bolas para lançar a velocidade de Flachi ; e, por fim, Fabio Bazzani, que se encontra lesionado e procura reencontrar-se com os golos, depois de passagem pouco feliz pela Lazio, após duas épocas de luxo na 'Samp' - 29 golos em duas temporadas.
Udinese: uma equipa em transformação
sexta-feira, 29 julho 2005


A Udinese, adversário do Sporting na eliminatória de acesso à Liga dos Campeões, vive, ao contrário dos 'leões', uma época de transição, já que Luciano Spaletti, treinador responsável pelo 4º lugar a época passada, rumou à AS Roma, registando-se também algumas saídas de jogadores importantes que rumaram a outras paragens: são os casos do lateral/volante checo Marek Jankulovski, que rumou ao AC Milan ; do central dinamarquês Per Kroldrup, que se transferiu para o Everton ; ou do médio defensivo chileno David Pizarro, novo reforço do Inter de Milão.
O excêntrico Serse Cosmi é o novo treinador do conjunto, depois de ter conseguido promover o Génova à Série A. Com conceitos tácticos diferentes de Spaletti, que esquematizava a equipa em 3x5x2, Cosmi é um defensor do 4x4x2, entre o 4x3x1x2 e o 4x1x3x2, um pouco à semelhança de José Peseiro. Contudo, nos jogos realizados na pré-época, Cosmi tem apostado na continuidade do 3x5x2 à imagem de Spaletti, e é muito provável que seja esse o esquema que venha a utilizar diante do Sporting.
O futuro adversário do Sporting, apostou bastante no 'mercado', apresentando 17 reforços para a nova temporada. A Atalanta, de Bergamo, de onde chegaram seis reforços, foi a principal base de recrutamento. Entre os reforços, destaque para o português Vidigal, contratado ao Livorno, que assim poderá regressar a Alvalade e, pelas indicações dadas na pré-temporada, deverá ser mesmo aposta de Cosmi. O central Natali, ex-Atalanta, o lateral/volante esquerdo Candela, ex-Bolton, o médio defensivo/interior nigeriano Obodo, ex-Perugia, e o avançado Rossini, ex-Atalanta, são outras das principais aquisições, às quais se juntou, nos últimos dias, o defesa brasileiro Juarez.

A equipa base

Na baliza, a titularidade de Morgan de Sanctis, é indiscutível. Com passagem pela Juventus, onde nunca se impôs, este guardião, de 28 anos, é há três anos titularíssimo na Udinese. Destaca-se, sobretudo, pelos excelentes reflexos, mas também é forte nas saídas, sendo que o jogo de pés é o seu ponto mais fraco.

A defesa de três deverá ser formada por Natali, Bertotto e Felipe. Cesare Natali, de 26 anos, é um dos reforços para a nova temporada, contratado à Atalanta, destacando-se sobretudo pelo seu forte jogo aéreo e bom sentido posicional, podendo jogar a líbero ou na marcação. Valerio Bertotto, experiente defesa de 32 anos, capitão e líder da equipa, que chegou a passar pela selecção italiana, costuma actuar como central de marcação pela direita, tratando-se de um defesa muito agressivo e com bom poder de desarme, mas algo limitado tecnicamente. Por fim, Felipe. Jovem central brasileiro, de 20 anos, foi uma das revelações da última temporada, em que se impôs como titular. É utilizado habitualmente na marcação pela esquerda, destacando-se pelo bom poder de antecipação e por dar muito poucos espaços aos avançados. O também brasileiro Juarez, último reforço para a nova temporada, parte com algum atraso, sendo que o veterano argentino Nestor Sensini, de 38 anos, é outra das opções às ordens de Cosmi, podendo ser opção para o posto de líbero.

Nas laterais, que funcionam como volantes, devido ao esquema de 3-5-2, Damiano Zenoni, contratado à Atalanta a meio da época passada, é a opção mais forte para desempenhar o papel de volante direito. Trata-se de um jogador com grande capacidade física, capaz de fazer todo o corredor, revelando qualidades a defender, dando poucos espaços ao seu oponente directo, como também a atacar, já que sai bem para as movimentações ofensivas, mostrando qualidades a cruzar, para além de uma boa qualidade técnica. À esquerda, o internacional francês Vincent Candela, regressado a Itália, onde representou durante vários anos a Roma, deverá ser indiscutivel. Com 31 anos, é também um jogador capaz de fazer todo o corredor, quer em termos defensivos, quer em termos ofensivos.
O extremo brasileiro Barreto, contratado ao Treviso, também tem sido testado à direita, mas ainda é um jogador algo 'verde', e especialmente talhado para atacar. Os polivalentes Pinzi e Mauri, também talhados para posições interiores, são outras opções para as laterais, direita e esquerda, respectivamente.

No centro do meio campo, três jogadores, com um desdobramento em 2-1, com dois médios mais defensivos e um mais ofensivo, ainda que um dos médios de contenção, tenha liberdade para sair para acções ofensivas. O português Vidigal deverá assumir as funções de médio mais defensivo, apoiado pelo nigeriano Obodo, outro médio de contenção, mas que pode também desempenhar funções de médio interior. É um jogador trabalhador, com grande capacidade física, que recupera muitas bolas a meio campo, mas que procura depois sair para movimentações ofensivas, mostrando-se bastante razoável no passe. Para o terceiro lugar no meio campo, ainda há várias dúvidas. No entanto, a boa pré-temporada de Stefano Mauri, deverá valer-lhe a titularidade. Médio canhoto, de 25 anos, trata-se de um jogador competente a defender, mas que mostra também qualidades a distribuir jogo, para além de rematar bem de fora da área.
O ganês Sulley Ali Muntari é mais uma opção para o meio campo defensivo, tratando-se de um jogador de 20 anos, que era opção constante de Spaletti. Trata-se de um jogador muito agressivo e forte fisicamente, que trabalha muito a meio-campo, pois tem grande capacidade de pressão, procurando também sair a jogar. A sua presença na equipa, poderia implicar a saída de Obodo, mas também é opção para o lugar de Mauri, caso Cosmi pretenda dar ainda mais agressividade ao centro do terreno, o que poderá acontecer em Alvalade. Michele Pazienza, com características mais defensivas, e o polivalente Giampiero Pinzi são outras opções para o centro do terreno.

No ataque, um duo de avançados, com um atacante mais solto e outro mais fixo. David di Michele, melhor marcador do clube a época passada, é indiscutível, tratando-se de um avançado móvel, que gosta de sair dos flancos para o meio, rápido, com boa capacidade técnica, remate fácil e bom sentido de oportunidade. A época passada, Vincenzo Iaquinta foi o seu habitual parceiro de ataque. Trata-se de um avançado de área, antigo internacional sub-21, com boa capacidade de finalização, sobretudo de cabeça e pé direito. É, no entanto, um jogador algo lento e sem grande capacidade técnica, mas que trabalha muito e desgasta bastante os centrais adversários. Contudo, nesta pré-temporada, Cosmi tem testado Fausto Rossini, ex-Atalanta, ao lado de Di Michele. Protagonista de uma época apagada na Sampdória, onde actuou por empréstimo do Atalanta, é um jogador com características similares às de Iaquinta, embora um pouco mais móvel, só que revela pouca apetência pelo golo: 5 golos são o seu melhor registo na Serie A. À espera de uma oportunidade está também Dino Fava Passaro, protagonista de uma excelente temporada em 2003/04, à qual não deu sequência a época passada, em que apenas apontou dois golos. É também um avançado de área, forte no jogo aéreo e com bom remate de pé direito. Por fim, Antonio Di Natale. O número 10 da Udinese, é um jogador utilizado, muitas vezes, a partir do banco, mas trata-se de um extremo desequilibrador, forte nas diagonais, que tem na velocidade e capacidade técnica os seus pontos mais fortes. Tem, também, um bom remate de pé esquerdo, pecando, no entanto, por ser um jogador extremamente individualista e algo limitado do ponto de vista físico, pois é pouco possante e sente dificuldades em aguentar os 90 minutos.
Pré-época 2005/06
Estágio na Suiça
20/7 - Rapid Bucareste - 0/0 (E)
20/7 - Panionios - 2/0 (V)
23/7 - Paris Saint Germain - 0/0 (E)
25/7 - Sparta Praga - 1/2 (D)
27/7 - Cardiff City - 3/1 (V)
31/7 - Young Boys
31/7 - VfB Estugarda
SK Rapid Viena: o adversário do Sporting na UEFA
sábado, 28 agosto 2004


O sorteio de ontem da Taça UEFA, ditou o reencontro do Sporting com o Rapid Viena, na reedição de uma eliminatória, que, em 1995/1996, foi 'fatídica' para o Sporting, que, após vitória por 2-0 em casa, perdeu, após prolongamento, na Áustria, por 0-4, num jogo que, ao contrário do que foi dito pela generalidade da imprensa portuguesa, não ditou o despedimento de Carlos Queirós, que só viria a sair do comando técnico da equipa meses mais tarde, após a 23ª jornada do campeonato desse ano.
O Rapid Viena, orientado desde 2002 por Josef Hickersberger, aposta na luta pelo título austríaco, após dois quartos lugares consecutivos. A equipa, em competição a sério, desde meados de Julho, ocupa o 2º lugar do campeonato, após seis jornadas, a um ponto do líder e já com cinco pontos de vantagem sobre o grupo de 3ºs. classificados, o que revela um 'crescimento' da formação, formada por jogadores de várias nacionalidades, em relação a temporadas anteriores.
No entanto, este factor não retira qualquer tipo de favoritismo ao Sporting, pois é superior ao adversário, mas terá que prová-lo em campo. Refira-se que o Rapid teve que disputar a última pré eliminatória de acesso à Taça UEFA, à qual teve imensas dificuldades em aceder, depois de uma desastrosa derrota em casa (0-2) com o modestíssimo Rubin Kazan, mas na última quinta-feira, a equipa austríaca deu a volta à eliminatória, ganhando por 3-0 no terreno do adversário.
Adepto do 4-4-2, Josef Hickersberger tem testado, nos últimos jogos, o 3-5-2 e o 4-3-1-2 como modelos alternativos, destacando-se na equipa o médio ofensivo Andreas Ivanschitz, jovem internacional austríaco de 20 anos, apontado como o maior talento do país nos últimos anos, e o ponta de lança checo Marek Kincl, contratado este Verão, mas que já tem mostrado veia goleadora. E o futebol ofensivo é uma das imagens deste Austria Viena, que não é por acaso que apresenta uma média superior a dois golos por jogo esta temporada.
Táctica: 4-4-2

Modelo Alternativo: 3-5-2

Equipa Base (4-4-2): Maier - Korsos (Katzer), Feldhofer, Martin Hiden, Adamski - Hoffman (Korsos), Martinez (Hoffman), Hlinka, Ivanschitz - Lawaree (Dosek), Kincl.
Equipa Base (3-5-2): Maier - Feldhofer, Martin Hiden, Adamski - Korsos, Hoffman (Martinez), Hlinka, Ivanschitz, Katzer - Lawaree (Dosek), Kincl.
Análise:
Josef Hickersberger, antigo internacional austríaco, de 56 anos, é o treinador do Rapid Viena, desde 2002, após vários anos a trabalhar na África e na Ásia, no Egipto, Bahrain, Emiratos Arabes Unidos e Qatar, onde conquistou alguns títulos.
Adepto do 4-4-2, esta temporada, depois da surpreendente derrota em casa com o Rubin Kazan, na 1ª mão da pré eliminatória de acesso à Taça UEFA, tem vindo a testar outros sistemas tácticos, como o 3-5-2 e o 4-3-1-2, sendo que contra o Sporting, tendo em conta a possibilidade dos 'leões' actuarem com dois avançados em cunha, o esquema de três centrais pode ser uma variante ao tradicional 4-4-2, pois a polivalência de alguns jogadores, permite-lhe variar o sistema sem a necessidade de mexer no 'onze'.
Depois de dois quartos lugares nas últimas duas Ligas, este ano o Rapid quer intrometer-se na luta pelo título, e um bom início de campeonato, coloca a formação de Viena a apenas um ponto do líder GAK, após seis jornadas, já com uma vantagem de 5 pontos sobre o grupo de 3ºs. classificados.
Guarda-Redes:
O guarda redes titular é o veterano Ladislav MAIER , de 38 anos, conhecido por ser especialista na defesa de grandes penalidades. Desde 1998 no clube, este guardião internacional checo, é uma referência do Rapid, e apesar da veterania, tem feito um bom início de época, impedindo que Jürgen MACHO, guardião autríaco, de 27 anos, emprestado pelo Chelsea, se tenha imposto como titular, como era previsto, já que o jogador apostava nesta transferência, também para ganhar o lugar na Selecção do seu país.
A Defesa:
No centro da defesa, Josef Hickersberger não tem dúvidas, e a dupla de centrais é formado por: Ferdinand FELDHOFER, central internacional austríaco, de 24 anos, um agressivo central de marcação, que pode também actuar a trinco, embora se tenha fixado na zona central da defesa ; e Martin HIDEN, antigo jogador do Leeds United e Austria Viena, internacional austríaco, de 31 anos, que gosta de actuar mais solto, tratando-se de um jogador forte no jogo aéreo, com bom sentido posicional e gosta, muitas vezes, de sair a jogar, iniciando algumas das iniciativas ofensivas da equipa ; à direita, o habitual titular é György KORSOS, internacional húngaro, de 28 anos, contratado este ano ao Sturm Graz, onde actuou nas últimas cinco épocas, tratando-se de um jogador interessante, também pela sua polivalência, já que é um médio de origem, podendo também actuar no lado direito ou no centro do meio campo ; à esquerda, Marcin ADAMSKI, internacional polaco, de 29 anos, costuma ser o titular, tratando-se de um jogador muito pouco ofensivo, já que é essencialmente um marcador, podendo ser, por isso, utilizado como 3ºcentral pela esquerda, quando Hickersberger muda o sistema táctico. E aí surge Markus KATZER, jogador de 24 anos, que faz todo o corredor esquerdo, mostrando mais eficácia ofensiva, do que defensiva. É também alternativa para a direita, quando Korsos é utilizado no meio campo.
O Meio-Campo:
O meio-campo costuma ser formado por 4 unidades: Peter HLINKA, internacional eslovaco, de 25 anos, costuma ser o médio mais recuado, já que é um médio forte no desarme e pelo ar, mas a sua polivalência também permite que seja utilizado na direita do meio campo ; Steffen HOFMANN, médio ofensivo alemão, de 23 anos, produto das escolas do FC Bayern München, é um médio de características ofensivas, que tanto pode jogar pela direita, como pelo centro, como organizador, quando Hickersberger avança Korsos, ou mesmo Hlinka, para a direita do meio campo, ou então, trocando de posição com Martinez. Trata-se de um jogador bastante razoável, com qualidades no passe e um bom remate ; Sebastian MARTINEZ é um médio de características ofensivas, que tanto pode actuar no meio como pela direita, o que lhe permite trocar facilmente de posição com Hofmann. Jogador de 26 anos, nascido no Uruguai, tem nacionalidade austríaca, tratando-se de um jogador de alguma qualidade técnica, mas de rendimento algo irregular ; à esquerda, o titular é Andreas IVANSCHITZ, um jovem de 20 anos, internacional austríaco, para muitos o melhor jogador da equipa e o novo grande talento do futebol do país. Será um jogador com quem o Sporting terá que ter muitos cuidados, até por se tratar de um jogador móvel, que aparece com facilidade pelo meio, e também à direita, revelando uma capacidade técnica e uma qualidade no passe acima da média, totalizando, apesar da sua juventude, 114 jogos e 16 golos pela equipa do Rapid Viena.
O Ataque:
No ataque, o internacional checo Marek KINCL, de 31 anos, contratado este Verão ao Zenit St.Petersburg, é titular indiscutivel. Avançado possante e forte no jogo aéreo, este antigo ponta de lança do Sparta Praga, costuma limitar a sua acção à área, destacando-se também por ser muito lutador e agressivo. O apoio ao ponta de lança checo pode vir de dois jogadores: Axel LAWAREE , avançado belga, de 30 anos, que chegou a passar, sem sucesso, pelo Sevilha, e que foi contratado em Janeiro de 2004, apontando apenas 1 golo, em 16 jogos, o que prova a sua irregularidade ; ou Tomas DOSEK, internacional checo, de 25 anos, contratado este Verão ao Slavia Praga, um jogador móvel e rápido, que pode também actuar pelas alas ou nas costas do(s) avançado(s), chegando com facilidade a posições de remate. A sua presença na equipa, permite também a adopção de um sistema de 4x3x1x2, actuando nas costas de Kincl e Lawaree, o que pode ser utilizado em situação de desvantagem, com Hofmann (ou Martinez) e Ivanschitz a deslocarem-se para posições mais interiores a meio campo.
Outras Opções:
Thomas BURGSTALLER, defesa central austríaco, de 24 anos, é opção para o eixo central, tratando-se, normalmente, de um central marcador, cujo ponto forte é o jogo aéreo, mas com bastantes limitações técnicas e de velocidade ; Florian STURM, de 23 anos, é um médio ala esquerdo de origem, mas pode também actuar como lateral, o que aconteceu no início desta época ; Markus HIDEN é um defesa polivalente, que actua, preferencialmente, à direita da defesa, como lateral, mas pode também actuar no meio campo, de preferência à direita, embora, em caso de necessidade, possa também ser utilizado no flanco oposto ; György "Gyuri" GARICS, é um jovem polivalente, de 20 anos, que começou a sua carreira como trinco, mas pode também actuar como lateral ou médio direito ; Eldar TOPIC, de 21 anos, costuma actuar como médio ala direito, embora possa também jogar como médio ofensivo, mas raramente é opção para o técnico ; Stefan KULOVITS, de 21 anos, é outra opção para o centro do terreno, já que normalmente actua como trinco, embora, este ano, já tenha jogado como interior esquerdo e costuma ser opção quando é necessário defender resultados.
Estádio:

Gerhard Hanappi Stadion (antes: Weststadion)
Inauguração: 1977
Capacidade: 19,600
Endereço: Keißlergasse 6, 1140 Wien
Época 2004/2005:

Hearts FC: o adversário do Sp. Braga na UEFA
sexta-feira, 27 agosto 2004


O sorteio da Taça UEFA colocou o Heart of Midlothian FC, mais conhecido por Hearts FC, de Edimburgo, no caminho do Sp. Braga, na 1ª eliminatória da competição. Dentro dos possíveis adversários, os bracarenses, tal como já o demonstraram, consideram-se bafejados pela sorte, e, mesmo sendo superiores qualitativamente ao adversário, não terão pela frente um conjunto demasiado acessível, apesar do favoritismo na eliminatória.
O Hearts, orientado pelo antigo internacional Craig Levein, tem sido o campeão do 'campeonato dos pequenos' na liga escocesa, conseguindo, pelo segundo ano consecutivo, o 3º lugar na competição, o que aumenta o sonho dos adeptos, de, a breve prazo, intrometerem-se na luta pelo título escocês. Com o avançado holandês Mark de Vries - que está lesionado - e o médio ofensivo Paul Hartley como principais figuras, o técnico tem-se destacado pelo lançamento de vários jovens, a maior parte dos quais oriundos da formação, de que são exemplo o guardião Craig Gordon e o central Andy Webster, já internacionais pela selecção principal da Escócia.
Com 3 jogos do principal campeonato escocês já disputados, o Hearts FC ainda não perdeu e ocupa o 2º lugar da prova, com os mesmos pontos do Rangers, a dois pontos do líder Celtic, que conta por vitórias os jogos realizados.
A Táctica: 4-4-2

Equipa-Tipo:
Gordon - Neilson, Pressley, Webster, Maybury - Hartley, Kisworbo, Stamp, Hamill - Pereira, Weir
Análise:
Craig Levein, antigo defesa central internacional escocês, de 39 anos, é o treinador do Hearts, clube que representou como jogador ao longo da sua carreira, que teve como ponto mais alto a presença na Fase Final do Campeonato do Mundo de 1990. Um conjunto de lesões acabou por afastá-lo, de forma prematura dos relvados, assumindo, em Dezembro de 2000, o cargo de técnico do Hearts, conseguindo dois 5ºs lugares, seguidos de dois 3ºs, nas duas últimas temporadas.
A sua táctica dilecta é o 4-4-2, mas com algumas variações, fazendo uso da polivalência de alguns jogadores. Assim, Paul Hartley, que costuma descair para a direita, foge bastante para o meio, assumindo tarefas de organização, abrindo espaços para a entrada do lateral direito Neilson ou de um dos trincos, Kisworbo, um lateral direito ofensivo de origem, que se adapta bem a ambas as funções. Na ala esquerda, Joe Hamill funciona como um verdadeiro extremo, com a equipa a apresentar sempre dois avançados: o espanhol Ruben Pereira e Weir começaram a época como titulares, mas o regresso do lesionado De Vries, previsto para meados de Setembro, deverá implicar a saída de um deles do 'onze'.
Levein, em alguns jogos, adopta também um esquema de 3-5-2, colocando um 3ºcentral (McKenna), abdicando, normalmente, do extremo (Hamill), aproveitando a polivalência dos laterais (Neilson e Maybury), que passam a funcionar como volantes, fazendo todo o corredor, com Hartley a assumir o papel de 'nº10' com o apoio de Stamp e Kisworbo.
Guarda-Redes:
Craig Gordon, produto das escolas da equipa, de 21 anos, é o dono da baliza do Hearts, e, para além de titular na Selecção Sub-21, o guardião, apontado como o futuro 'dono' da baliza da selecção principal, já é internacional A. De elevada estatura (1.93) e com boa presença, dentro e fora dos postes, roubou a titularidade a Moilanen, e ganhou o prémio de jogador jovem do ano em 2003/2004.
Defesa:
Robbie Neilson, de 24 anos, é outro jogador formado no clube, e actua como lateral-direito, podendo também fazer outros postos no lado direito. Internacional sub-21 pela Escócia, destaca-se pela sua energia e capacidade física para fazer todo o flanco. À esquerda da defesa, apesar de ser um lateral direito de origem, actua o internacional irlandês Alan Maybury, antigo jogador do Leeds United. Considerado um dos melhores defesas da Liga Escocesa, Maybury é consistente em termos defensivos, mas também ataca bem, arrancando bons cruzamentos. No centro da defesa alinham Steven Pressley, internacional escocês, de 30 anos, habitual 'capitão' de equipa, um jogador experiente e forte no jogo aéreo, como atestam os 5 golos que apontou na última época, e Andy Webster, jovem central, de 22 anos, uma das apostas de Berti Vogts na selecção principal escocesa, que se destaca pela capacidade de desarme e por ser forte no jogo aéreo, tratando-se, para muitos, do futuro grande central escocês, o que faz com que vários clubes da Premier League estejam interessados no seu concurso.
Meio Campo:
O meio campo de 4 unidades, tem dois médios mais defensivos: Phil Stamp, médio centro inglês, de 28 anos, que já passou pelo Middlesbrough, costuma actuar mais fixo, até porque é um jogador com uma fisionomia bem distante da de um futebolista 'normal'. No entanto, trata-se de um médio de grande capacidade de trabalho e bom sentido posicional, que procura também sair a jogar. Resta saber é como a sua falta de velocidade e fraca capacidade de reacção, vai encaixar-se no futebol tecnicista do meio campo bracarense ; e Patrick Kisnorbo, polivalente australiano, de 23 anos, que foi adaptado, com sucesso, ao lugar de médio centro, já que é um lateral direito de origem. Forte defensivamente, quer no desarme, quer no jogo aéreo, o jogador compensa bem as subidas dos laterais, e, por vezes, tenta explorar o flanco direito, abrindo espaço para Paul Hartley, escocês, de 27 anos, que costuma actuar sobre a direita, mas foge bastante para o meio, pois trata-se de um jogador que organiza bem o jogo, tirando partido do seu bom passe, como também de um forte remate de fora da área. No entanto, como se trata de um jogador veloz, também chega à linha de fundo, de onde tira bons cruzamentos. À esquerda, actua Joe Hamill, um extremo à moda antiga, de 20 anos, formado no clube. A sua arma é a velocidade e alguma qualidade nos cruzamentos, mas raramente rompe em diagonais e mostra pouco poder no remate.
Ataque:
Sem De Vries, que só deverá regressar à competição durante o mês de Setembro, devido a uma lesão, Levein aposta numa dupla de ataque formada pelo espanhol Ramón Pereira, um jogador excêntrico, conhecido na Escócia por 'Spanish Gazza', que, ao serviço do Raith Rovers, a temporada passada, fez 5 golos, em 10 jogos, depois de uma carreira construída nas divisões secundárias espanholas, que se destaca pela velocidade e mobilidade e alguma capacidade na finalização ; e pelo jovem Graham Weir, aposta do técnico, de apenas 20 anos, formado nas escolas do clube, que se destaca pela força física e capacidade de luta, mas ainda não confirmou no futebol sénior, a veia goleadora mostrada nas camadas jovens do Hearts.
Os 'jokers':
Mark De Vries, avançado holandês, originário do Suriname, de 29 anos, é o ídolo dos adeptos. Uma lesão afastou-o deste início de época, e só deverá regressar à competição durante o mês de Setembro, daí que haja dúvidas em relação à sua utilização frente ao Braga, sobretudo no primeiro jogo. Avançado possante, é um verdadeiro 'animal de área', fortíssimo no jogo aéreo, e o goleador da equipa - totalizando 30 golos, desde que chegou ao clube, no Verão de 2002.
Michael Stewart chegou este Verão ao Hearts, emprestado pelo Manchester United, onde chegou a fazer alguns jogos na primeira equipa. Médio centro, de 23 anos, é um jogador combativo e lutador, que tem vindo a ser utilizado nas segundas partes das partidas, para reforçar/refrescar a zona central do terreno.
Dennis Wyness, avançado de 27 anos, apontou 7 golos na última época, a sua primeira no Hearts, após 3 temporadas no Inverness CT, onde apontou 75 golos, em três épocas. Avançado rápido e móvel, que pode também descair para as alas, destaca-se pela velocidade, boa capacidade de desmarcação e facilidade no remate.
Kevin McKenna é o central suplente, que, quando Levein opta por uma estrutura de três centrais, é titular. Defesa possante, forte na marcação e no jogo aéreo, é tecnicamente limitado. Foi contratado, em 2001, ao Energie Cottbus, da Alemanha.
Neil MacFarlane, médio centro escocês, de 26 anos, era titular na temporada passada, mas acabou por perder espaço com a adaptação de Patrick Kisnorbo ao centro do terreno. Jogador trabalhador, bom recuperador de bolas, este ano ainda não foi utilizado.
Outras Opções:
Teuvo Moilanen, guarda-redes finlandês, de 30 anos, perdeu a titularidade para Gordon ; Christophe Berra, jovem central escocês, de 19 anos, forte na marcação e um produto das escolas do clube ; Jamie McAllister, lateral esquerdo contratado ao Livingston FC, onde fez uma boa época, depois de alguns anos no Aberdeen, tratando-se de um lateral ofensivo, mas que, de momento, está 'tapado' ; Neil Janczyk, jovem de 21 anos, das escolas do clube, apontado como um médio centro criativo, que poderá, no futuro, ser o 'playmaker' da equipa ; Robert Sloan, extremo esquerdo, de 21 anos, das escolas do clube, que se destaca pela velocidade e por alguma capacidade no cruzamento, mas peca pela pouca consistência no seu jogo.
Estádio:

Tynecastle Stadium
Inauguração: 10 Abril 1886
Primeiro Jogo: Hearts-Bolton 4-1
Lotação: 18,000 lugares
Lotação Máxima: 53,396, Hearts-Rangers; 13.02.1932
Endereço: Gorgie Rd, Edinburgh, EH11 2NL
Jogos em 2004/2005:

FK Dukla Banská Bystrica: o adversário do Benfica na UEFA
sexta-feira, 27 agosto 2004

A formação eslovaca do FK Dukla Banská Bystrica será o adversário do Benfica, na 1ª Eliminatória da Taça UEFA 2004/2005.
Adversário acessível aos 'encarnados', que só conta no seu historial - entre as participações no campeonato eslovaco e checoslovaco - com um troféu, conquistado em 1939, para além de uma final perdida na Taça da Eslováquia, em 98/99, frente ao Slovan Bratislava.
2º classificado no último campeonato, em igualdade pontual com o campeão MSK Zilina, a equipa perdeu o título no confronto directo dos jogos entre os dois clubes. Aliás, o Zilina, meses antes, já eliminara o Dukla B. Bystrica da Taça da Eslováquia, na segunda eliminatória da competição, que só foi decidida na transformação de grandes penalidades.
Refira-se que, em 2002/2003, a equipa disputava a 2ªDivisão da Eslováquia, e quase conseguiu o feito histórico de em dois anos consecutivos, se sagrar campeã dos dois principais escalões do futebol eslovaco.
Para defrontar o Benfica, o Dukla B. Bystrica teve que participar em duas pré eliminatórias da Taça UEFA, eliminando o FK Karabach Baku, com duas vitórias, e os suiços do FC Wil, com uma vitória confortável na primeira mão e um empate na segunda mão, realizada esta semana.
A Táctica: Fidelidade ao 4x4x2

Equipa Tipo:
Zajac - Ľ. Vyskoč, Dzúrik, F. Kunzo, Leitner (Tóth) - Pečovský, M. Sovič, Svintek, Kulík (Leitner) - Jakubko, Semeník
Análise:

Ladislav Mólnar, de 43 anos, é o técnico da equipa. Antigo guarda-redes, com passagens pelos principais clubes do futebol eslovaco, chegou a jogar a Champions League pelo FC Kosice.
Considerado treinador do ano no seu País, em 2004, foi ele o responsável pela subida de divisão do Dukla Bystrica em 2002/2003, e pela sensacional carreira que quase conduziu ao título eslovaco a temporada passada.
É um adepto do 4-4-2, sistema táctico que utiliza em quase todos os jogos, variando apenas para 4-5-1, em alguns jogos extramuros, abdicando de um dos avançados (Semeník), para reforçar o centro do meio campo com mais uma unidade.
O dono da baliza é Richard Zajac, guarda-redes de 28 anos, 1.86/81, formado nas escolas do clube. A defesa formada por 4 jogadores, tem 2 titulares indiscutíveis: o lateral direito Ľubomír Vyskoč, de 25 anos, que sobe pelo seu flanco, já que no início da carreira jogava como extremo, e o defesa central Peter Dzúrik, um veterano de 35 anos, que já jogou no Inter Bratislava e no FC Kosice, bastante experiente, mas que já acusa alguma falta de velocidade, que compensa com bom sentido posicional e bom jogo aéreo, subindo nos lances de bola parada, onde marca alguns golos. O companheiro de Dzúrik, normalmente, é Jaroslav Kentoš, central, de 30 anos, há vários anos no clube, mas, nos últimos jogos, Molnár tem vindo a apostar em František Kunzo, de 31 anos, também adaptável a trinco, e que tem no seu currículo passagens pelo futebol húngaro, ao serviço do Videoton e Újpest. À esquerda, Vladimír Leitner, de 30 anos, é titular, seja na defesa ou na ala esquerda, já que se trata de um dos melhores jogadores da equipa, tendo actuado vários anos no Teplice. Ultimamente tem vindo a ser mais utilizado a lateral, o que provocou a perda da titularidade de Dušan Tóth, de 33 anos, antigo jogador do Kosice, que, no entanto, caso Molnár pretenda utilizar Leitner na ala esquerda do meio campo, poderá ter uma oportunidade. Tóth é também opção para a lateral direita, caso surja alguma complicação com Vyskoč.
O meio campo é composto por 4 unidades: Martin Svintek, de 29 anos, há vários anos no clube, e Miroslav Sovič, um veterano, de 34 anos, com larga experiência e passagens pelo Sparta Praga, Kosice e Viktoria Zivkov, ocupam as duas posições mais centrais, jogando, normalmente, juntos quando a equipa defende, mas, em movimentações ofensivas, Sovič costuma ter mais alguma liberdade. À direita, Viktor Pečovský, um jovem promissor, de 21 anos, formado nas escolas do clube, costuma ser titular, embora tenha a concorrência de Tomáš Libič, um médio ofensivo, de 25 anos, que também pode actuar no centro, e que surgiu no Kosice, onde foi contratado. À esquerda, Vladimír Leitner era o habitual titular, mas a sua adaptação à lateral, abriu as portas da titularidade a Radovan Kulík, um jogador com características mais ofensivas, de 21 anos, que se destaca pela velocidade, mas também por uma interessante capacidade técnica, que faz dele um jogador muito promissor, também ele formado nas escolas do clube. Peter Penov, de 27 anos, antigo jogador do Petrochema Dubovaque, pode actuar, quer nas alas, quer no centro, e Ratislav Urgela, de 28 anos, são outras das opções para o miolo, sendo que Urgela pode também ser adaptado a lateral esquerdo.
No ataque, o goleador Martin Jakubko, de 24 anos, é um avançado extremamente possante e forte no jogo áereo, descoberto no Tatran Presov, e já leva quatro golos, em quatro jornadas, no Campeonato Eslovaco 2004/2005. O seu companheiro é Róbert Semeník, de 31 anos, com passagens pelo futebol turco e húngaro, que já apontou dois golos no campeonato deste ano, e sendo também um goleador, é um jogador com maior mobilidade, não actuando tão fixo entre os centrais. Martin Fabuš, de 27 anos, é a outra opção para o ataque, que, habitualmente, sai do banco nas segundas partes. Este jogador já passou pelo Karlsruher, da Alemanha, e por vários clubes da Eslováquia.
O Estádio:

Lotação: 8500 lugares ; Dimensões: 105x68m
Campeonato Eslovaco 2004/2005
(4) 1.FC Artmedia Petržalka : FK Dukla Banská Bystrica 2:1
(3) FK Dukla Banská Bystrica : MŠK Žilina 1:1
(2) AŠK Inter Bratislava : FK Dukla Banská Bystrica 1:4
(1) FK Dukla Banská Bystrica : AS Trenčín 2:1
Marcadores:
1. Martin Jakubko 4
2. Róbert Semeník 2
3. Peter Dzúrik 1
4. Radovan Kulík 1
UEFA:
FC Wil 1 - 1 Dukla Bystrica
Dukla Bystrica 3 - 1 FC Wil
Karabakh Azersun 0 - 1 Dukla Bystrica
Dukla Bystrica 3 - 0 Karabakh Azersun
Próximo Jogo:
29.8.2004 FK Dukla Banská Bystrica - Trnava
Anderlecht: o adversário do Benfica
sexta-feira, 30 julho 2004


O Anderlecht, campeão belga em 2003/2004, procura regressar à Liga dos Campeões, onde esteve na temporada passada, ficando no último lugar do grupo ganho pelo Olympique Lyon, conseguindo, mesmo assim, 7 pontos, ficando a apenas dois do FC Bayern München, 2º classificado do grupo.
A nível interno, o clube voltou a ser campeão, depois de três anos de jejum, ganhando o campeonato com 9 pontos de avanço sobre o Club Brugge, conquistando o 27º título belga do seu historial.
Para a nova época, o treinador Hugo Broos, que renovou o contrato por dois anos, manteve a estrutura base da equipa que conquistou o título, garantindo apenas dois reforços para a zona ofensiva: o franco-suiço Ehrat, contratado ao Estrasburgo, e o ex-Sporting Mpenza, contratado ao Mouscron. De saída apenas o defesa internacional Doll, já em fase descendente, que rumou ao Lokeren.
Broos, antigo jogador do Anderlecht, foi contratado em 2002, depois de bons trabalhos no Mouscron, formando uma equipa técnica em que se rodeou de antigas glórias do clube, onde estão, por exemplo, Munaron e Vercauteren, jogadores que, tal como o técnico principal, disputaram a final da UEFA, em 81/82, frente ao Benfica, onde também marcou presença Álvaro Magalhães.
Na pré época 2004/2005 o Anderlecht ainda não perdeu, faltando apenas disputar um jogo, amanhã, frente ao West Ham, naquela que poderá ser a primeira observação dos 'encarnados' ao futuro adversário. Refira-se que a equipa belga tem a sua preparação adiantada em relação ao Benfica, e o campeonato começa já a 6 de Agosto, com uma deslocação a Mouscron, dias antes do jogo de acesso à Champions na Luz.
4-4-2: o sistema segundo Broos
Hugo Broos, treinador do Anderlecht, é um defensor do 4-4-2, normalmente desdobrável em 4-1-3-2, com a presença de um médio mais defensivo e de um médio centro, que apoia defensivamente, mas que se torna em médio centro ofensivo em situação ofensiva. Aliás, defensivamente, a equipa joga muito compacta, com as duas linhas de 4 próximas, procurando fechar espaços e bastante pressionante. Ofensivamente, os dois alas abrem, transformando-se em extremos, com a colocação dos dois avançados, normalmente, possantes, dentro da área, onde procuram baralhar as marcações da defesa adversária. A defesa de 4 é muito rigorosa, arrisca pouco ofensivamente, apostando no rigor defensivo, com os laterais a fecharem bem dentro, tirando partido do facto de poderem também ser utilizados como centrais.
3-5-2: a alternativa
A polivalência é uma das armas desta equipa, constituida por jogadores muito rigorosos e de avançado sentido táctico. Isso permite a Broos adaptar a equipa para um esquema de 3-5-2, sempre que os adversários apresentam dois avançados. Com laterais e alas polivalentes, o técnico do Anderlecht coloca um dos laterais, normalmente Deschacht, para 3º central, avançando o lateral direito (Zewlakow), para uma posição de volante direito. À esquerda, o ala - e aqui tem 3 jogadores que fazem bem o lugar - recua para volante, com o ala direito, o internacional sueco Wilhelmsson a passar para uma posição de interior direito ofensivo, passando a zona central do meio campo, com a sua presença, a contar com 3 unidades. Na frente, sempre os dois avançados, que procuram colocar-se, em situação ofensiva, sempre dentro da área.
Primeiros problemas para 2004/2005
Broos tem alguns problemas com lesões: os seus dois principais guarda-redes, o titular Zitka e o suplente Peersman estão lesionados, o que deu a titularidade ao veterano Van Steenberghe, de 32 anos, até aqui 3º guarda-redes. Mas a principal baixa é o marfinense Dindané, melhor marcador da equipa no último campeonato. O jogador lesionou-se no final da prova passada, e, no seu regresso à competição, a semana passada, voltou a lesionar-se, podendo não recuperar a tempo do jogo com o Benfica. A este trio junta-se ainda o franco-suiço Ehrat, reforço para a nova época, que se lesionou num dos primeiros jogos treino da temporada.
A equipa
Zitka, guarda redes checo, é o habitual titular. Guarda redes experiente, com vários anos de futebol belga, foi muito importante na conquista do título. Só que está lesionado, tal como o suplente Peersman, o que poderá abrir as portas da titularidade a Van Steenberghe, um guarda redes sem grande brilho, que fez toda a sua carreira como suplente de equipas da principal liga belga.
A defesa de 4, raramente muda: o internacional polaco Zewlakow, homem da confiança de Broos, acompanha-o desde o Mouscron, tratando-se de um defesa agressivo, forte fisicamente e tacticamente, mais dotado ofensivo que o seu colega da outra ala, o belga Deschacht, um defesa de marcação, bastante lutador e duro, que pode actuar como 3º central, e que revela pouca apetência ofensiva, até porque é lento, o que será, por certo, um factor a explorar pelo Benfica. A zona central da defesa é normalmente ocupada por Kompany, jovem de 18 anos, bastante promissor, e uma das revelações do último campeonato belga, actuando, normalmente mais solto, já que o central marcador costuma ser o internacional finlandês Tihinen, um jogador muito duro, forte no jogo aéreo e no desarme, que tem como principais limitações a velocidade e a capacidade técnica, apesar de não complicar, preferindo processos simples.
O meio campo, normalmente, de 4 unidades, costuma ter no albanês Hasi, o médio mais recuado. Jogador lento e pouco dotado tecnicamente, é um trabalhador por natureza, com grande pulmão e muito pressionante, evidenciando um bom poder de desarme, que faz dele um médio forte na recuperação de bola. Ao seu lado, mas com funções mais ofensivas, costuma actuar Baseggio, um jogador bastante interessante tacticamente, pois apesar de algo lento, alia uma boa capacidade defensiva, com poder criativo, fruto de uma boa capacidade técnica, visão de jogo e qualidade no passe. Curiosamente, este duo tem alguma apetência para os remates de meia distância, sobretudo Baseggio, que marca sempre alguns golos por temporada. Nas alas, dois jogadores de grande rigor táctico, que fecham atrás, quase como volantes, quando a equipa defende, mas que abrem ofensivamente, bem nos extremos, quando a equipa ataca. Wilhelmsson é o dono da direita, o internacional sueco que esteve no Euro 2004, descoberto no Stabæk IF, um jogador muito forte tacticamente, pois defende bem, ajudando na recuperação de bola, abrindo muito bem ofensiva, tirando partido da sua velocidade, e mesmo não sendo muito dotado tecnicamente, cruza muito bem, saindo dos seus pés várias assistências para golo. À esquerda, Broos tem várias opções: o jovem checo Kolar, descoberto no Bohemians, foi muito utilizado na época passada, tratando-se de um jogador veloz, que defende - podendo funcionar como volante - e ataca, a sua principal virtude. Ehrat, contratado ao Estrasburgo, parecia vir a ser nova aposta de Broos para esta época nesse lugar, mas uma lesão tem afastado o franco-suiço da equipa, tratando-se de um jogador muito forte tacticamente, à semelhança de Wilhelmsson, pois é rigoroso defensivamente e desdobra-se bem em acções ofensivas. A terceira hipótese é a que tem ganho mais consistência na pré época: Goran Lovre, jovem jugoslavo, habitualmente médio interior esquerdo, mas que se está a dar bem mais colado à ala, tratando-se de um jogador com alguma qualidade técnica, forte no passe e a cruzar, que tem também crescido tacticamente, fazendo bem o papel que Broos deseja naquela posição, ou seja, funcionar como falso lateral quando a equipa defende, abrindo depois ofensivamente pelo flanco esquerdo.
No ataque sempre duas unidades: Broos gosta de jogadores moveis e possantes, que, sem bola, corram atrás dela, mas que quando a equipa ataca se coloquem na área, sempre em movimentação, e esse será o principal problema do Benfica, que habitualmente joga apenas com 2 centrais, e que para evitar a perigosa paridade numérica na zona central da área, terá, por certo, que desviar um lateral para posições interiores, já que os trincos encarnados são baixos. Mbo Mpenza, um antigo jogador do Sporting, foi contratado para esta época, e é uma aposta de Broos, que o levara do Galatasaray para o Mouscron, e agora recupera-o no Anderlecht ; Aruna Dindané, a pérola marfinense do clube, melhor marcador da última época, seria a referência do ataque, mas uma lesão poderá afasta-lo, pelo menos, da primeira partida. Dindané, tal como Mpenza, é um jogador possante, rápido e móvel, mas é bastante mais perigoso na área, onde é oportuno e tem um remate fácil e extremamente colocado, para além de um excelente poder de desmarcação, que causou alguns estragos na última Champions League. Com a lesão do marfinense, o jugoslavo Jestrovic poderá ter a sua hipótese, e durante a pré época, o também ex-jogador de Broos no Mouscron, tem feito tudo para segurar o lugar. Não sendo muito dotado tecnicamente, nem veloz, Jestrovic é um avançado que se mexe bem na área e é oportuno, finalizando bem, quer com os pés, quer de cabeça.
As outras opções:
O 4 de defesa é quase imutável. No entanto, existem alguns jogadores na 2ª linha, prontos para qualquer eventualidade: Vanden Borre, a revelação do estágio de pré época, é, aos 16 anos, uma aposta clara do treinador, que lançou Kompany, com apenas 17 anos, na primeira linha do Anderlecht. Traoré, um jogador agressivo e possante, é opção para a direita e para o centro, enquanto que o experiente Hendrikx, que também pode jogar no meio campo, é a alternativa para a lateral esquerda.
A meio campo há várias soluções: o veterano Vanderhaeghe, de 34 anos, é um jogador importante, acabando por ser utilizado, várias vezes, nas segundas partes, actuando à frente do sector defensivo, pois é um jogador de bom sentido posicional e forte na recuperação ; o sueco Zetterberg, principal referência do clube durante largos anos, está já na fase descendente da sua carreira, mas ainda é solução para o posto de médio criativo, pois, mesmo a ritmo lento, ainda tem grande capacidade no passe e algum virtuosismo técnico ; o belga de origem congolesa Ngalula Mbuyi foi outra das apostas fortes desta pré época, tratando-se de um jogador polivalente, que começou a sua carreira na defesa, mas que agora tem vindo a trabalhar mais no miolo, quer como trinco, quer em funções de interior ou volante, revelando sempre grande disponibilidade física e capacidade de trabalho.
No ataque surge mais uma opção: o ucraniano Yachtchouk, um jogador bastante irregular, mas com alguma capacidade técnica e no passe, para além de ser um razoável finalizador.
TAG: quadro tácticoAS Monaco: o adversário do FC Porto visto à lupa
sexta-feira, 7 maio 2004

Perto da glória após a quase catástrofe
O AS Mónaco, 7 vezes campeão francês (1961, 1963, 1978, 1982, 1988, 1997, 2000), acabou por ser, muito provavelmente, a maior revelação da Liga dos Campeões, numa época que começou 'torta', com a possibilidade iminente de descida de divisão, devido a irregularidades financeiras, e com a lesão grave de Shabani Nonda, jogador chave no 2º lugar alcançado em 2002/2003 na Liga francesa, depois de dois anos 'negros' com a fuga à despromoção só a ser consumada perto do final da prova.
Figura de proa da recuperação do clube monegasco é Didier Deschamps, antigo internacional francês, campeão mundial e europeu, que, curiosamente, teve uma péssima entrada no clube, em 2001/2002, e o seu lugar chegou a ser posto em causa, depois de uma estreia como treinador desastrosa, com 4 derrotas nos seus 5 primeiros jogos, agravada com os afastamentos de Panucci, Simone e Bierhoff, jogadores muito queridos dos adeptos monegascos.
A manutenção acabou por chegar sobre a linha de meta, levando-o a fazer uma reestruturação no plantel às suas ordens: Evra e Rothen chegaram ; Givet foi aposta uma das apostas na formação ; o trinco grego Zikos uma aposta pessoal do técnico. Foi o ponto de viragem, e o título francês, em 2002/2003, acabou por escapar na última jornada por um mísero ponto.
Esta época, depois de conquistada a Taça da Liga, a luta pelo título com o Lyon permanece viva, apesar da equipa monegasca já ter estado bem mais perto de conseguir chegar ao seu objectivo. A fantástica carreira da equipa na Liga dos Campeões tem obrigado Deschamps a fazer gestão do plantel a nível interno, com custos sobretudo a nível dos últimos resultados caseiros, poderá atrapalhar definitivamente a conquista da Liga francesa, mas todos parecem mais concentrados na hipótese de serem campeões europeus, com o técnico francês a ter hipóteses de o conseguir sem ganhar nenhuma das duas mais importantes competições internas.
Como joga o Mónaco:
(Deliberadamente) Ao Ataque em Casa

A equipa raramente foge do seu esquema de 4-4-2, curiosamente, bastante similar ao que o Benfica tem utilizado nos últimos jogos, com alguns aspectos que aguçam essas similitudes: também a defesa monegasca apresenta debilidades quando pressionada, também o ataque é o ponto mais forte, com muito do jogo a passar pelos desequilíbrios causados pelo ala esquerdo (Rothen). Mas também existem claras diferenças: os dois laterais monegascos sobem com facilidade ; os dois trincos são muito fixos, raramente saindo do seu espaço de acção, e apesar de Bernardi ser mais ofensivo, não faz os desdobramentos ofensivos de Tiago ; os dois avançados monegascos complementam-se bem, com um (Morientes) normalmente mais recuado e móvel, e outro (Prso) mais fixo.
Em relação ao onze base: Roma - Ibarra, Rodriguez, Givet, Evra - Bernardi, Zikos - Giuly, Rothen - Morientes, Prso , Deschamps vai fazendo alterações pontuais: Squillaci, que começou a época como titular, é uma opção válida para o centro da defesa, o que permite, por exemplo, deslocar Givet para as laterais ; Cissé, médio defensivo, é alternativa a qualquer um dos médios defensivos ; o checo Plasil é outra opção para o meio campo defensivo, podendo também actuar na direita ou na esquerda do miolo, quando Deschamps quer dar maior consistência defensiva ao meio campo ; Prso pode ser sacrificado por Nonda - que tem regressado, de forma gradual, à competição - ou pelo agressivo Adebayor.
Rigor Táctico nos jogos fora com os primeiros classificados da L1 e nas deslocações da LC:

As preocupações de Deschamps, nos jogos fora de casa, costumam ser maiores, e apesar de manter a base do 4x4x2, produz uma alteração importante no 'onze' quando o jogo é importante: coloca um médio mais defensivo na direita, que lhe permite fechar melhor esse flanco ou mesmo ao centro quando é necessário, apostando claramente no contra-ataque, com Rothen bem aberto na esquerda, Morientes no seu habitual papel de falso 2º avançado e desloca o veloz Giuly para a frente do ataque, abrindo sempre que necessário à direita.
Frente ao Chelsea, fora de casa, a recuperação da segunda parte passou exactamente por aí, depois da invenção que ia custando caro na primeira parte: Deschamps utilizando este esquema, preferiu colocar Ibarra no papel de médio direito, colocando Givet à direita e Squillaci no centro da defesa, o que permitia, quando necessário, que Givet funcionasse como 3º central, tendo em conta os dois avançados que o Chelsea apresentava em zona mais central.
O rigor táctico é maior, mas os desequilíbrios passam quase que única e exclusivamente por situações de contra ataque, ou então, por iniciativas individuais de Rothen à esquerda, com ou sem combinações com o veloz Evra. O Mónaco acaba por ficar 'coxo', mas Rothen é um desequilibrador nato, com a vantagem de ser exímio nas assistências, o que se torna ainda mais perigoso tendo em conta que Morientes e Giuly são exímios a desmarcarem-se e frios na finalização.
Com o regresso de Zikos - expulso na primeira mão da meia final -, a sua titularidade na final será quase certa, sendo provável que Cissé seja preterido, embora exista sempre a hipótese de jogarem juntos, descaindo Bernardi ligeiramente para a direita, não jogando Plasil. Essa solução foi experimentada frente ao Real Madrid, em casa deste, com resultados negativos, daí que não seja provável que Deschamps a repita.
O provável desenho táctico da final de Gelsenkirchen:

Pelo esquema habitual das duas equipas, ambas costumam actuar em 4-4-2, com variantes diferentes: se, por um lado, o FC Porto joga em 4-1-2-1-2, os monegascos optam por um 4-2-2-1-1.
À partida será mais fácil aos portistas encaixarem-se no sistema adversário, já que a ausência de um médio ofensivo, fará com que Costinha, muito certamente, acabe por ter funções de 3º central, procurando anular Morientes, de forma a que não aconteça uma situação de 2 para 2 entre Morientes/Giuly e Jorge Costa/Ricardo Carvalho. Depois, é fácil perceber que o FC Porto, na zona central do meio campo, disporá de uma vantagem de 3 para 2, situação que os portistas sabem aproveitar como ninguém, com a vantagem ainda de possuir médios mais móveis e com maior apetência ofensiva - restando a Deschamps, que não é muito hábil tacticamente, derivar o médio direito para uma posição mais central ou avançar com um dos laterais.
No caso da opção ser o médio direito fechar mais ao centro, Nuno Valente terá mais espaço para atacar, o que poderá ser bem aproveitado para combinações com Deco ou um dos dois avançados, que pelas suas características irão causar mossa na defesa adversária, que não se costuma dar bem com jogadores velozes.
No entanto, o FC Porto terá que ter algum cuidado com as subidas dos laterais, sobretudo de Evra, mas sendo certo que um dos avançados fechará uma das alas, um dos médios volantes poderá fechar o outro lateral, até porque se sabe que os dois médios monegascos são pouco dados a aventuras ofensivas.
De referir que o Mónaco apresenta algumas debilidades na cobertura do segundo poste, sobretudo na sequência de centros, já que os jogadores têm uma estranha tendência para fecharem mais o primeiro, não ajudando o facto de os laterais serem baixos.
Análise aos jogadores monegascos:
Flávio Roma - Guarda redes italiano, de 29 anos, só foi titular em clubes italianos de segunda/terceira linha, apesar de uma episódica passagem pela Lázio, onde era 3º guarda redes. Terceiro ano na baliza monegasca, é um guarda redes com bons reflexos, apesar de não ser muito ágil. Tem algumas dificuldades nas saídas dos postes.
Hugo 'El Negro' Ibarra - Primeira época no clube do ainda jogador do FC Porto. Bastante ágil e rápido, joga sempre nos limites, mas revela algumas deficiências técnicas, sobretudo a nível do controlo de bola. É fraco no jogo aéreo.
Julien Rodriguez - Central da 'casa', está a fazer a sua melhor época de sempre - a primeira como titular indiscutível. Mentalmente forte e bastante poderoso fisicamente, os seus pontos fortes são o jogo aéreo e capacidade de desarme, mas é bastante lento e tecnicamente fraco.
Gaël Givet - Jovem formado no clube, é o chamado 'pau para toda a obra'. Actua habitualmente a central, mas também pode ser lateral - direito ou esquerdo - a última até era a sua posição de origem. Jogador forte na marcação e no desarme, sente algumas dificuldades com adversários velozes.
Sébastien Squillaci - Depois de dois anos a rodar na D2, ao serviço do Ajaccio, realizou grande época no Mónaco, a temporada passada. Este ano começou como titular, mas nos últimos jogos perdeu espaço para Givet, embora seja sempre opção, até porque Givet pode ser sempre adaptado a uma das laterais, o que poderá acontecer em Gelsenkirchen. Central marcador, é o mais rápido e tecnicista dos centrais monegascos. Já marcou 5 golos na L1 esta temporada.
Patrice Evra - Aos 22 anos é já uma certeza do futebol francês. De origem senegalesa, foi formado nas escolas do PSG, mas sem oportunidades para vingar optou por um inicio de carreira profissional nas divisões secundárias italianas, onde foi descoberto pelo Nice. É o seu segundo ano no Mónaco. Lateral moderno, bastante rápido e dotado tecnicamente, comete, por vezes, algumas desatenções defensivas.
Vassilis Zikos - Antigo jogador do AEK Atenas, este trinco grego, de 29 anos, foi uma das fortes apostas de Deschamps. É um jogador de marcação e grande rigor táctico, muito lutador e determinado, fortíssimo na recuperação de bolas. Peca, no entanto, por ser tecnicamente limitado e algo lento, denotando algumas dificuldades a sair a jogar, o que o leva a jogar à base do passe curto.
Edouard Cissé - Antigo jogador do PSG e do West Ham, foi aquisição para esta temporada. Tem alternado o banco com a titularidade, tratando-se de um jogador rápido, bastante agressivo e mentalmente forte. Peca por ser irregular e, apesar das suas características defensivas, falta-lhe algum rigor táctico.
Lucas Bernardi - Jogador italo-argentino, descoberto pelo Marselha no Newell's Old Boys, em 2000. Cumpre a sua 3ª temporada no Mónaco, depois de uma má época em Marselha, tratando-se de um jogador de grande capacidade táctica, que defende bem, com grande rigor e procura sair a jogar, mas não arrisca muito nas iniciativas ofensivas, preferindo ser lançador, do que incorporar os ataques.
Jaroslav Plasil - O jovem checo, de 21 anos, é um jogador de grande rigor táctico, que pode jogar à direita, esquerda ou no meio. Forte defensivamente, é bastante possante e lutador. Tecnicamente tem limitações, visiveis quando procura construir jogo. Raramente faz os 90 minutos, mas é um jogador com quem Deschamps conta, seja a partir do banco ou como titular.
Ludovic Giuly - Antigo jogador do Lyon, curiosamente, fez a sua estreia nas competições europeias frente ao Sp. Farense. Peça chave desta equipa do Mónaco, actua preferencialmente na direita do ataque, mas também pode actuar em zonas mais centrais, sobretudo fora de casa. Jogador tremendo em contra ataque, é extremamente rápido e tem um excelente poder de desmarcação. Tecnicamente é bastante dotado, jogando com os dois pés, para além de ser um jogador bom a finalizar - 12 golos na L1 - e no último passe - 4 assistências para golo. O seu ponto fraco é alguma falta de empenho para tarefas defensivas.
Jérôme Rothen - Aos 26 anos, é, sem sombra de dúvida, um dos melhores jogadores europeus na sua posição. Descoberto no modesto Troyes, depois de passagem pelo Caen, fez um excelente campeonato a temporada passada, repetindo-o este ano, onde tem sido decisivo: só na L1 já leva 11 assistências para golo. Não tem medo de assumir o jogo, e é perigosíssimo quando corre pelo flanco esquerdo, ganhando, muitas vezes, a linha de fundo, de onde tira centros fantásticos, ou então, rompendo em diagonal para assistir a desmarcação dos seus colegas de ataque. A sua capacidade técnica, à qual alia grande velocidade, é espantosa, assim como a sua precisão no passe e no centro. Falta-lhe, no entanto, ganhar maior consistência, quer a nível do remate, quer também a defender.
Fernando Morientes - Aos 28 anos, está a realizar uma das suas melhores épocas de sempre, depois de ter sido dispensado pelo Real Madrid. Soma 11 golos na L1, aos quais junta os golos decisivos na LC, onde tem sido decisivo. Avançado inteligente, tem um sentido posicional notável, assim como um excelente poder de desmarcação, ao qual sabe aliar a frieza no remate - seja com os pés, seja de cabeça. No Mónaco desempenha muito bem as funções de segundo avançado, que, em desdobramento ofensivo, muitas vezes, acaba por cumprir o papel de ponta de lança, fruto das combinações e movimentações do avançado mais fixo.
Dado Prso - Avançado croata, cumpre a sua 5ª temporada no emblema monegasco - foi campeão em 2000 -, onde raramente era opção. Esta está a ser a sua grande época, depois da 'explosão' na primeira fase da LC. Não sendo um jogador rápido, é possante e movimenta-se bem na área, ganhando espaços para os seus colegas, para além de revelar um bom sentido de oportunidade, que já lhe valeu 8 golos na L1 esta temporada, nenhum deles obtido de cabeça - 7 de pé direito e 1 de pé esquerdo.
Outras opções:
Tony Sylva - Este guarda-redes franco-senegalês, com nome de artista de variedades luso-francês, é o suplente de Roma. Homem da casa, destaca-se pela agilidade que compensa o 'desespero' quando tem que jogar a bola com os pés.
Jim Ablancourt - Jovem defesa central, tem sido chamado ao banco nos últimos jogos.
Hassan El Fakiri - Lateral ou médio esquerdo norueguês (!), tem, como o seu nome indicia, origem marroquina. Fez a sua carreira no futebol norueguês, onde foi descoberto pelo Mónaco há dois anos. É um jogador canhoto, que faz todo o corredor esquerdo, destacando-se pela velocidade e grande 'pulmão'.
Sheyi Emmanuel Adebayor - Este avançado do Togo, foi descoberto no Metz, onde, a temporada passada, apontou 13 golos na L2. Ao serviço do Mónaco, esta temporada, já apontou 7 golos na L1, juntando 3 assistências para golo. Avançado 'eléctrico', dá tudo em campo, revelando-se rápido e feroz no jogo aéreo, pois é bastante alto. É, no entanto, um jogador pouco elegante, e, por vezes, algo trapalhão.
Shabani Nonda - No início da época teve uma lesão grave, que parecia condenar o resto da temporada. Apontou 26 golos a temporada passada, e, em apenas 8 jogos nesta temporada, leva 4 golos. Está a regressar aos poucos à competição e ainda há quem tenha esperança na titularidade do congolês na final da LC. É um avançado possante, tecnicamente dotado e extremamente rápido, com grande sentido de oportunidade e capacidade finalizadora - frente ao Chelsea, no primeiro jogo, apontou um golo na primeira vez que tocou na bola. Peca, no entanto, por algumas debilidades no passe e por ser avesso a tarefas defensivas.
Lyon: um osso duro de roer
sexta-feira, 12 março 2004

Quando se chega a uns quartos de final da Liga dos Campeões, já não há muito por onde escolher, daí que não tenha surpreendido o desejo de Mourinho de enfrentar o Mónaco. No entanto, o sorteio acabou por contrariar a vontade do técnico portista, que terá que enfrentar os também franceses do Olympique Lyon.
O técnico dos azuis e brancos, ao contrário da euforia que se generalizou pós-sorteio, mostrou precaução. Dentro das hipóteses possíveis, o Lyon acaba por ser um dos melhores adversários para os azuis e brancos, mas, sem ser uma equipa brilhante, os franceses têm revelado na Europa, a base do seu sucesso interno: o brilhantismo táctico, ao que sabem juntar o talento na execução de lances de bola parada, para além de segurança defensiva e velocidade a sair para o ataque.
Mourinho sabe disso e preferiu repartir as hipóteses de passagem rumo às meias finais. Atitude inteligente, como é seu timbre, mas, em abono da verdade, Mourinho, apesar de o não ter demonstrado, sabe que o FC Porto está bem perto de chegar ao 'top 4' da Champions League, que será, independentemente do que possa acontecer a seguir, mais um momento de enorme glória na sua carreira de treinador de sucesso.
O Lyon, 2º classificado do campeonato francês, a 4 pontos do lider Mónaco, procura o tri campeonato, depois de ter vencido as duas últimas edições da prova. As hipóteses de revalidação do título estão em aberto, apesar do enorme contratempo que foi a derrota caseira frente ao Guingamp, há um mês, na sequência da goleada sofrida no Mónaco, onde, perdendo por 0-3, viu o Mónaco ganhar-lhe o chamado 'ponto extra' em caso de desempate, depois de terem vencido os monegascos por 3-1 na primeira volta.
A nível da Liga dos Campeões, os franceses têm feito uma campanha de sucesso - depois de terem vencido o seu grupo, deixando Celtic e Anderlecht para trás, e terem chegado a ameaçar, com uma vitória na Alemanha, a qualificação do Bayern, coube-lhes em sorte a Real Sociedad, que eliminaram, com uma dupla vitória, na fase anterior da prova.
O treinador da equipa francesa é Paul Le Guen. Antigo médio centro da selecção francesa e do Paris Saint Germain, onde foi orientado por Artur Jorge, chegou ao clube em 2002, depois de treinar o Rennes, entre 1998 e 2001, conduziu o Lyon ao bi-campeonato francês, depois de Santini, actual seleccionador francês, ter ganho o campeonato em 2001/2002. Aos 40 anos, Le Guen já é considerado um dos melhores treinadores franceses da actualidade, tendo também no seu currículo de técnico duas Supertaças de França (Copa dos Campeões) conquistadas ao serviço do Lyon.
O seu esquema táctico baseia-se num 4x4x2, embora, sobretudo fora de casa, costume abdicar de um dos avançados, fazendo entrar mais um médio de contenção, passando o esquema para um 4x2x3x1, o que deverá acontecer, pelo menos, no primeiro jogo nas Antas, no próximo dia 23.
O dono das balizas é Grégory Coupet, experiente guarda redes, de 31 anos, internacional francês. Guarda redes bastante seguro e de qualidade, lesionou-se frente à Real Sociedad, devendo ficar de fora, não só dos quartos de final da Liga dos Campeões, como também do Euro 2004. Assim, deverá ser Rémy Vercoutre, o internacional esperança, de 23 anos, a segurar as redes do Lyon no duplo confronto com o FC Porto.
Na defesa, há 3 jogadores 'intocáveis': a dupla de centrais é formada pelo brasileiro Edmilson, campeão do Mundo pela sua selecção em 2002, e um defesa de enorme qualidade, não só a destruir, como também a construir jogo, e por Patrick Müller, central internacional suiço, forte no desarme e no jogo aéreo, titularíssimo desde que chegou ao clube em 2000, situação que chegou a ser 'questionada' este ano pelo brasileiro Cláudio Caçapa, também adaptável ao meio campo defensivo, que é, actualmente, o reserva destes dois jogadores. À direita, Eric Deflandre, um internacional belga, de 31 anos, desde 2000 no clube, ganhou o lugar e tem sido titularíssimo nos últimos jogos, daí que a grande dúvida acaba por ser o posto de lateral esquerdo, onde Le Guen tem experimentado várias opções: Jérémy Berthod, internacional francês sub-19, com apenas 19 anos, chegou a ser aposta firme de Le Guen, mas nos últimos tempos perdeu espaço. Daí que, Anthony Réveillère, que tanto joga à direita, como à esquerda, surja como hipótese forte para o lugar. Réveillère foi aquisição para este ano, depois de uma época irregular nos espanhóis do Valência, regressou ao futebol francês, reencontrando-se com Le Guen, técnico que apostar bastante nele no Rennes. Por fim, surge ainda outra opção para a lateral esquerda, que tem sido posta em prática nos últimos jogos: Florent Malouda, médio canhoto, de 23 anos, titularíssimo na Selecção de Esperanças, mas que se sente bem mais à vontade a meio campo.
No centro meio campo, Mahamadou Diarra funciona como médio mais defensivo. Este jogador do Mali, foi descoberto este ano, no Vitesse, da Holanda. É um jogador agressivo, bastante forte fisicamente, excelente a recuperar bolas e a pressionar, tendo a vantagem de ser ambidextro. Ao seu lado, funcionando, normalmente, como 2º trinco, que ajuda a recuperar, mas que tem à sua responsabilidade a organização e condução de jogo, está a estrela desta equipa: Juninho Pernambucano, que, em tempos, chegou a interessar ao FC Porto, mas o Lyon acabaria por ganhar a corrida. 7 golos e 6 assistências para o campeonato, aos quais junta vários golos na Liga dos Campeões, onde está entre os melhores marcadores desta temporada, e várias nomeações para 'Man of the Match', Juninho é um dos médios mais desejados pelos grandes clubes europeus, pois para além da sua grande qualidade táctica, é um jogador de grande qualidade no passe e na condução de jogo, para além de ter um remate forte e colocado, que usa, quer em bola corrida, quer em bola parada. Nos jogos da Liga dos Campeões, Le Guen costuma dar mais liberdade a Juninho, utilizando-o como médio mais ofensivo, o que o leva a lançar um segundo médio de contenção: Mickaël Essien, médio internacional ganês, de 21 anos, que foi revelado pelo Bastia, e que se trata de um jogador de grande capacidade de luta e trabalhador, que, na sua anterior equipa, também mostrava qualidades no remate de fora da área, que tarda em evidenciar em Lyon.
Nas alas, Sidney Govou costuma ser titular à direita, embora, quando a equipa joga em 4x4x2, muitas vezes, actua no ataque ao lado de Luyindula. Govou, de 24 anos, é já internacional francês, e até pode estar presente no Euro 2004, tratando-se de um jogador rápido, dotado tecnicamente e que rompe bem em diagonais. Esta época, no entanto, tem marcado bem menos golos do que é habitual. À esquerda, costuma actuar Florent Malouda, internacional esperança francês, que, no entanto, nos últimos jogos, tem jogado a lateral. É uma grande promessa do futebol francês, pois trata-se de um jogador canhoto, com muitos predicados no passe e no cruzamento, bem dotado tecnicamente e já com grande cultura táctica. No entanto, o seu recuo no terreno tem aberto as portas da titularidade a dois jogadores, que vão alternando o banco com a titularidade: Vikash Dhorasoo, um jogador de grande qualidade, mas bastante irregular, que pode actuar, quer à direita, quer à esquerda, quer como '10', o que faz com que seja bastante utilizado, dependendo a sua presença no onze do sistema táctico utilizado: quando a equipa joga em 4-4-2, subindo Govou para o ataque, é ele que costuma jogar mais à direita ; Eric Carrière, um jogador muito útil, sendo, muitas vezes, um suplente de luxo - é um jogador rápido, com bom pé direito, e que apesar de preferir jogar à esquerda, onde tira melhor partido das diagonais, também pode jogar à direita.
No ataque, a presença certa de Péguy Luyindula, internacional esperança francês, de 24 anos, uma das grandes promessas do futebol francês na actualidade. Este congolês de nascença, não tem as características físicas de um homem de área (mede 1,78, pesa 72 kgs), mas é terrível nesse espaço. Rápido, móvel e com um grande poder de finalização, Luyindula leva já 13 golos no campeonato francês, às quais junta 5 assistências, pois a sua movimentação na área e em zonas perto desta, é bem aproveitada pelos alas ou por Élber, quando o brasileiro joga ao seu lado. Giovane Elber não tem tido a afirmação esperada neste seu primeiro ano na formação francesa, mas, quer saído do banco, quer jogando ao lado de Luyindula, quando a equipa joga em 4x4x2, é sempre um jogador a ter em conta, pois é um finalizador nato, ao qual não pode ser dado qualquer espaço.
Outras opções: Bryan Bergougnoux, jovem avançado francês, das escolas do clube, que, sobretudo nos últimos jogos, tem sido suplente utilizado ; Julien Viale, outra jovem promessa do clube, um avançado, de 21 anos, que também é utilizado algumas vezes.
TAG: quadro tácticoBenfica - Inter: Os problemas de 'Zac'
quinta-feira, 4 março 2004

A entrada de Zaccheroni no Inter de Milão parecia trazer 'sangue novo' à formação milanesa, cujos adeptos estavam fartos do futebol ultra defensivo de Cúper. Na verdade, 'Zac' arrancou muito bem, chegou a devolver a esperança da chegada ao título, após uma vitória fora frente à Juventus, mas a equipa acabou por mergulhar numa crise profunda, que dura há dois meses, período em que apenas venceu um jogo - em casa, frente ao Siena - em dez.
Como já disse, um dos 'motivos' desta quebra, têm sido as constantes lesões e castigos de alguns 'jogadores chave', mas também a quebra de forma de algumas unidades fundamentais, e, nem mesmo o forte reforço de Inverno - Stankovic e Adriano foram contratados - tem permitido à equipa regressar a uma série de triunfos, tendo mesmo a sua qualificação europeia em causa.
'Zac' costuma utilizar habitualmente um esquema de 3-4-3:
. Toldo é indiscutivel na baliza, mas apesar do seu 'estatuto', já tem vindo a receber algumas críticas, pois, nos últimos 11 jogos, apenas em dois não sofreu golos ;
. a zona central da defesa, formada por 3 jogadores, fruto das lesões e castigos, tem vindo a sofrer várias alterações, com o dinamarquês Helveg - antigo lateral, agora adaptado a central -, Adani - ex colega de Nuno Gomes na Fiorentina-, e o colombiano Córdoba a serem os mais utilizados.
. o 4 de meio campo é formado por dois volantes, um à direita, e outro à esquerda e dois médios centro. À direita, o internacional argentino Javier Zanetti é titular indiscutivel. À esquerda, 'Zac', que não conta com Coco, por lesão, vai alternando entre Pasquale, jogador mais fixo e mais forte defensivamente, e Kily González, o argentino, que, para além de defender bem, garante um muito maior apoio ofensivo. No centro do meio campo, Cristiano Zanetti tem sido titularissimo, actuando com o apoio, ora de Stankovic - se o 'onze' for mais ofensivo -, ora de Farinós - opção mais de contenção -, o médio espanhol que acabou por ser recuperado e ter uma oportunidade que soube agarrar. Refira-se que Stankovic, que jogou contra o Benfica pela Lázio, não pode jogar nas competições europeias, e está, de momento, suspenso internamente, depois de ter sido expulso frente ao Brescia.
. na frente, costumam actuar 3 elementos. 'Zac' vai alternando o 1-2 na frente com o 2-1, dependendo das suas escolhas. Adriano, que também não pode jogar frente ao Benfica, pois já jogou pelo Parma, tem vindo a ser titular. Normalmente, acompanhado por Vieri ou Júlio Cruz, que, ainda ontem, face à ausência de Adriano, actuaram juntos. Assim, sem Adriano e Vieri, Cruz deverá jogar frente ao Benfica. Quem o poderá acompanhar? Stankovic é um jogador que, não alinhando no meio campo, tem actuado nas costas dos avançados, só que, como já dissemos, não pode actuar frente ao Benfica. Assim, sobram Kili González, que não jogando como volante, tem sido utilizado, várias vezes, na ala esquerda do ataque, e ainda Van der Meyde, que, normalmente, descai para a direita, e, apesar de nem sempre ser titular, é bastante utilizado. Sobram ainda 'Chino' Recoba, que pode ser sempre chamado ao 'onze' no lugar de Van der Meyde, mas não atravessa uma boa fase, apresentando também problemas físicos, o mesmo se sucedendo com o nigeriano Wunmi Akin Obafemi Martins, que está em dúvida para o primeiro jogo com o Benfica.
Ontem frente ao Sochaux, 'Zac' apostou numa táctica diferente, que já havia apresentado, em casa, frente ao Brescia. Um 4-4-2 que não resultou e no qual não deverá voltar a apostar. Aliás, na segunda parte do jogo frente ao Sochaux, chegou a recuperar o 3-4-3, com as alterações que produziu no onze inicial formado por: Toldo - Okan, Helveg, Adani, Córdoba - J.Zanetti, Farinós, C. Zanetti, Kily - Vieri, Cruz.
Do vasto leque de lesionados já referidos no post anterior, Cannavaro, Recoba e Martins são os que mais hipóteses têm de recuperar para o primeiro jogo frente ao Benfica, embora o central seja o caso de mais dificil solução. Também Cordoba e Farinós têm apresentado problemas físicos, mas deverão ser titulares já no fim-de-semana frente à Roma.
Outras soluções, para além dos já referidos: o turco Okan, que regressou de lesão, e ainda está com pouco ritmo, tratando-se de um jogador polivalente, que faz vários postos, sobretudo a meio campo, mas também pode ser lateral/volante direito ; Lamouchi, médio centro francês, um jogador experiente, que é chamado várias vezes à equipa ; Giorgios Karagounis, médio grego, bastante pouco utilizado ; e Brechet, defesa central francês, contratado ao Lyon, mas pouco utilizado.
Assim, o 'onze' que entrará na próxima quinta feira na Nova Luz, não deverá andar longe de:
Toldo - Helveg, Adani, Córdoba - Javier Zanetti, Farinós, Cristiano Zanetti, Pasquale (Kily Gonzalez) - 'Chino' Recoba, Júlio Cruz, Kily Gonzalez (van der Meyde).
Próxima Estação: Trondheim (II)
quinta-feira, 26 fevereiro 2004

De Dezembro até final de Fevereiro pouco ou nada mudou no Rosenborg: o novo técnico Ola By Rise mantem o esquema de 4-3-3, e como prevíramos, Jan Gunnar Solli ganhou um lugar no meio campo dos noruegueses. Em principio, seria o veterano Berg a perder o lugar, mas Rise, pelos testes que efectuou, parece querer actuar frente ao Benfica com um meio campo de combate - Berg, Solli e Winsnes -, por isso tem vindo a abdicar do médio mais ofensivo, que é Frode Johnsen, que ainda parece longe da sua melhor forma. No entanto, é sempre bom recordar que este jogador apontou 15 golos na temporada anterior e será sempre uma opção a ter em conta. O avançado Brattbakk teve alguns problemas nas costas, mas já recuperou e será, por certo, titular.
Equipa Provável (4-3-3) : Espen Johnsen - Basma, Riseth, Hoftun, Stensaas - Berg, Solli, Winsnes - Storflor, Karadas, Brattbakk.
Em destaque nesta pré época dos noruegueses tem estado o ponta de lança Karadas, que ainda num jogo recente apontou 3 golos. A equipa já apresenta bons índices físicos, mantendo as características de conjunto combativo e agressivo, que procura, em movimentos ofensivos, o seu ponta de lança. Outro ponto forte são os lances de bola parada - onde procuram tirar partido da elevada altura da maior parte dos jogadores. Sem Frode Johnsen, o meio campo revela pouca criatividade, jogando muito recuado e próximo da defesa, que é o sector mais fraco dos noruegueses. Apesar de fortes pelo ar, os centrais do Rosenborg são lentos e dão-se mal com a mobilidade dos avançados, assim como os laterais, sobretudo Stensaas, que sentem algumas dificuldades a defender, quando apanham pela frente adversários velozes.
São factores a ter em conta e a explorar pela equipa do Benfica, que tem a obrigação de amanhã fazer um bom resultado, e não deixa de ser estranho que Camacho, depois do Rosenborg ter empatado por 4-4 no seu último jogo particular, frente ao Dinamo Kiev, diga que é muito difícil marcar golos aos noruegueses.
TAG: quadro tácticoPróxima Estação: Trondheim
sexta-feira, 12 dezembro 2003

Rosenborg - é este o próximo adversário do Benfica na aventura europeia, naquele que será um regresso à Noruega, depois dos 'encarnados' terem eliminado o Molde na eliminatória anterior. Importa referir que o campeonato norueguês já terminou há um mês e que os clubes encontram-se agora no defeso, já que a nova época apenas se inicia em Abril, o que motiva que o Benfica não vá ter oportunidades para observar, em competição, o seu futuro adversário, que, por sua vez, fará uma preparação especial para o próximo encontro, já que o primeiro jogo, a 26 de Fevereiro, no Estádio da Luz, realizar-se-á mês e meio antes do início do campeonato norueguês de 2004. Assim, está previsto um estágio em Tenerife durante a primeira quinzena de Janeiro, seguindo-se um conjunto de jogos de preparação, alguns ainda em solo espanhol, e outros, já em Fevereiro na Noruega.
Assim, também é natural que a equipa norueguesa apresente alguns reforços para a próxima eliminatória, numa altura que vai definindo o plantel para a próxima temporada, depois de se ter sagrado, pela 12ª vez consecutiva, campeão norueguês, com uma vantagem de 14 pontos sobre o 2º classificado, o FK Bodö/Glimt, e de 30 pontos sobre o Molde, que terminou a prova no modesto 9º lugar.
O Rosenborg há muitos anos que actua num esquema táctico de 4-3-3, que raramente sofre alterações. E, uma das principais novidades do Rosenborg, frente ao Benfica, será a estreia de um novo técnico: Ola By Rise, antigo adjunto, de 43 anos, que foi promovido a técnico principal, ele que foi um antigo jogador do clube, substituindo Åge Hareide, que deverá ser o novo seleccionador norueguês, e que foi o responsável pelos curtos meses de sucessão do 'mítico' Nils Arne Eggen, que abandonou o futebol, após a conquista de mais um título.
Quanto ao 'onze' habitual: na baliza, o titular é Espen Johnsen, conhecido por 'Feber', de 23 anos, titular da selecção norueguesa, e que realizou uma soberba exibição no Espanha-Noruega, de Mestalla. É um guarda redes seguro e bastante ágil, muito forte entre postes e bastante razoável fora deles. Parte para o seu quarto ano de clube e terá como suplente Alexander Lund Hansen, de 21 anos, e ex-junior do clube, que substituirá o internacional islandês Arason, que segue novos rumos na sua carreira.
A defesa, por sua vez, é formada por 4 jogadores: à direita, Christer Basma, experiente lateral direito, titularíssimo na selecção, de 31 anos, forte defensivamente e bastante alto, que cumprirá a sua 7ª época no clube ; à esquerda, Ståle Stensaas, outro veterano, de 32 anos, um jogador que fez toda a sua carreira no clube, e que contrasta dos seus colegas de sector defensivo, por ser bem menos possante, mas é bastante agressivo e lutador, e também um habitual na selecção, jogando a titular quando Riise sobe para o meio campo ; no centro da defesa, uma dupla formada por Vidar Riseth, de 31 anos - antigo médio ofensivo, agora convertido a central, que regressou à Noruega, após passagens pela Áustria e pela Escócia, onde representou o Celtic, e que se trata habitualmente do central mais solto, uma revelação no lugar, já que revela bom sentido posicional, é forte pelo ar e sabe sair a jogar - e Erik Hoftun, conhecido por 'Hoffa', um central veterano, de 34 anos, que está no clube desde 1994, ano em que foi contrado ao Molde, um jogador duro, forte na marcação e pelo ar, mas que peca por ser algo lento, assim como toda a defesa, que tem na falta de velocidade o seu ponto mais fraco, e que deverá ser aproveitado pelo Benfica, que deve evitar jogar pelo ar - onde são realmente fortes - e o confronto físico, devendo jogar pelo chão e em velocidade. Este 'quatro' defensivo raramente sofre alterações, sendo que as alternativas são Lars Blixt, lateral, de 27 anos, e, sobretudo, Torjus Hansén, central, adaptável a lateral, e que foi contratado há um ano ao Lillestrøm.
A meio campo, costumam actuar três jogadores: Ørjan Berg, veterano médio centro, de 35 anos, antigo jogador do Bodø/Glimt, e que costuma funcionar como cérebro do conjunto, apoiado pelo 'todo o terreno' Fredrik Winsnes, jogador lutador e agressivo, produto das escolas do clube, e que nos últimos anos conquistou um lugar na equipa, com algumas chamadas à selecção da Noruega. O médio mais ofensivo costuma ser Frode Johnsen, de 29 anos, considerado um dos melhores jogadores do campeonato norueguês, tendo apontado 15 golos no último campeonato. Trata-se de um avançado centro, mas a sua mobilidade, faz que em vários jogos, actue como médio ofensivo, pois trata-se de um jogador de remate fácil e forte, e também forte no jogo aéreo. Tecnicamente é razoável, mas combina bem com os avançados, fazendo também várias assistências para golo. Quando Johnsen joga no ataque, quem habitualmente ocupa o posto de médio ofensivo é Roar Strand, de 33 anos, conhecido por 'Bom-Bom'. É um jogador experiente, formado no clube, e com qualidades na distribuição de jogo e no passe, mas já lhe falta algum 'pulmão'. Jan Gunnar Solli, de 22 anos, conhecido por 'Gunda', costuma ser o suplente de Berg, e é uma das grandes promessas do clube, que o foi buscar ao Odd Grenland. Está a entrar aos poucos na equipa e será, por certo, titular dentro de muito pouco tempo, até porque já conquistou o seu espaço na selecção, tendo mesmo sido titular no duplo confronto ante Espanha. Por isso, não será de admirar que Solli seja já titular na Luz, fazendo descansar o 'veterano' Berg, que poderá passar a ser um suplente utilizado para segurar resultados, fazendo uso da sua experiência, nesta fase final de carreira.
No ataque, três jogadores: Azar Karadas, quando Johnsen joga como médio ofensivo, actua como homem fixo, ele que é um avançado possante e bastante batalhador, mas algo limitado. Forte no jogo aéreo (mede 1.90) é um jovem de 22 anos, que se revelou no Brann, com apenas 19. É conhecido no plantel por 'La Familia'. No apoio directo ao avançado, embora mais descaído à esquerda, Harald Martin Brattbakk, conhecido do 'Bratigol', a principal estrela do conjunto, e melhor marcador da equipa, em 2003, com 17 golos, somando 49 nas últimas três épocas, após passagem pelo Celtic de Glasgow. Foi ele que marcou o golo que valeu a passagem a esta eliminatória e não sendo um super-jogador, cria bastantes desequilíbrios, não só por ser oportuno e um bom finalizador, mas também porque apresenta predicados técnicos e qualidade no último passe. À direita, costuma actuar Øyvind Storflor, jovem de 23 anos, produto das escolas do clube, mas que se revelou no Moss, o que lhe permitiu regressar pela 'porta grande' ao Rosenborg, onde foi uma das revelações da última época. É agressivo, rápido, rompe bem em diagonal e mostra talento no remate. Depois, existem outras opções: Odd Inge Olsen, normalmente, é o substituto de Storflor, actuando quer como ala, quer como médio direito ofensivo. É um jogador veterano, de 33 anos, que se revelou no Molde, mas que já não aguenta os 90 minutos ; e, por fim, Dagfinn Enerly, conhecido por 'Smurfen', de 31 anos, que costuma também actuar na direita do ataque, mas que perdeu importância no conjunto, quer por lesões, quer pela afirmação de Storflor. Por fim, Christian Sæther Moen e o africano Alexander Tettey, são dois ex-juniores, de características ofensivas, que deverão ser lançados na equipa principal em 2004.
Não será uma eliminatória fácil para os 'encarnados', mas dentro dos possíveis adversários - Parma, Barcelona, Marselha, Rosenborg - os noruegueses parecem ser o mais acessível ao Benfica. Camacho, no entanto, mostra-se prevenido dizendo que há 50% de hipoteses de passagem para cada lado. O Rosenborg falhou a qualificação, pela primeira vez, para a Champions League, tendo sido eliminado pelo Deportivo (0-0, 0-1). Na UEFA 'cilindrou' o Ventspils, da Letónia, e teve imensas dificuldades para eliminar o Estrela Vermelha de Belgrado, tendo empatado a zero em casa, mas na Jugoslávia venceram por 1-0, frente à equipa onde actuou o ex-lateral direito do Benfica, Ivan Dudic.
TAG: quadro tácticoA Máquina Amarela
terça-feira, 2 dezembro 2003

O Beira-Mar já não é apenas a equipa sensação desta SuperLiga - mesmo que o percurso dos aveirenses venha a sofrer quebras, que poderão chegar com lesões, castigos, ou mesmo, com abaixamento de forma -, pois estamos na presença de uma formação que joga bom futebol e que parece ter capacidade para lutar por um lugar europeu, sabendo que, para o ano, teremos seis representantes nas competições europeias.
A formação de António Sousa conseguiu apenas a manutenção na última jornada do último campeonato e perdeu duas unidades de peso: Ricardo Sousa e Fary Faye, que juntos, valiam cerca de 75% dos golos dos aveirenses. Como é que é possível, uma equipa perder dois jogadores de peso e conseguir uma transformação tão grande no seu jogo? A resposta poderia ser - e também o é - uma boa escolha de reforços, mas prende-se, sobretudo, com a adopção de um novo sistema táctico que encaixa na perfeição nos jogadores à disposição do técnico, solução encontrada depois de um início de época, onde mantendo o mesmo sistema do passado, a equipa dava sinais de não conseguir ir mais longe do que em épocas anteriores.
Em 2002/2003, o Beira Mar jogava preferencialmente em 4-2-3-1. Na baliza estava Paulo Sérgio, e a defesa de 4 era formada, preferencialmente, por Toni (ou Ribeiro), Filipe (depois, Alcaraz), Mariano Fernandez e Diogo Luis (ou Areias). À frente da defesa, uma dupla de trincos, com Sandro Gaúcho e Levato, com Marcelinho ou Kata, a serem segundas opções. Depois, 3 médios ofensivos: Ricardo Sousa, no centro, por quem passava todo o jogo ofensivo, e Juninho Petrolina e Rui Dolores (ou Gamboa) nas alas, com Fary, goleador mor da temporada, na frente. A defesa era um sector fraco da equipa, sobretudo na sua zona central, algo lenta e dura de rins, mas também as laterais se mostravam algo vulneráveis. O meio campo defensivo era pressionante, sempre com dois jogadores, que usavam e abusavam de faltas. Procuravam também compensar a subida dos laterais, e, um deles, sempre que podia incorporava as acções ofensivas, com Levato a marcar alguns golos, de fora da área. As subidas dos laterais raramente se revelavam eficazes, pois a equipa procurava sempre Ricardo Sousa, o organizador de jogo da equipa. A linha de fundo raramente era procurada - Juninho, um 10 encostado à direita, era uma sombra, e os extremos Rui Dolores e Gamboa, preferem romper em diagonais, do que procurar a linha. Na frente, um avançado móvel, rápido, com sentido de baliza e remate fácil.
Este ano, o que mudou? O sistema táctico é diferente: o famoso 4-4-2 losango, um 4-3-1-2 mais compacto, com as linhas mais próximas e outro tipo de desdobramentos. Andy Marriot, guarda redes galês, por infortúnio de Paulo Sérgio e lesão de Debenest, assumiu a baliza. Apesar de não ter grande 'cartel' em Inglaterra, adaptou-se bem ao clube e até tem valido pontos, com defesas decisivas. A defesa foi totalmente reformulada: Ribeiro e Areias, que, na temporada passada, não eram tão utilizados (sobretudo Ribeiro) ganharam o lugar a Toni e a Diogo Luis, enquanto que no centro da defesa, que continua a ser o sector mais frágil da equipa, moram Alcaraz - tão fraquinho o ano passado, razoável este ano - e o esloveno Zeman, com larga experiência no futebol holandês, e apesar de lento, uma verdadeira mais-valia para o conjunto.
A meio campo, um conjunto de 3 jogadores, muito pressionantes, mas que também procuram sair a jogar, com um futebol apoiado, compensando a subida dos laterais, que, à falta de extremos, incorporam as manobras ofensivas como verdadeiros volantes, já que Marcelinho (ou Levato) e Kata fecham defensivamente, quando Ribeiro e Areias sobem. E é das subidas e cruzamentos de Ribeiro - sobretudo dele - e de Areias, que têm surgido muitos dos golos dos aveirenses. Assim, Sandro - fundamental na exploração dos lances de bola parada, pelo seu jogo aéreo, bem aproveitado este ano, o que o torna numa espécie de 'Costinha de Aveiro' - é o médio mais recuado, enquanto que Marcelinho (ou Levato) e Kata são os seus apoios.
À frente destes, 'comandante' Juninho Petrolina, por quem passa todo o jogo da equipa. Juninho, depois, ou lança os laterais, que, em situação ofensiva, tornam-se alas, ou sai para cima dos adversários, procurando a jogada individual, as combinações e a velocidade de Kingsley, ou as tabelas com Clyde Wijnhard, o pivot de ataque dos aveirenses. Wijnhard é diferente de Fary - é um avançado experiente, que sabe jogar de costas para a baliza, e não sendo um goleador, é um jogador forte e oportuno, que sabe fazer golos. Mas é o outro avançado, que costuma actuar solto, preferencialmente pela esquerda, que tem sido o desequilibrador: chama-se Kingsley, tem uma velocidade de ponta, que o torna muito difícil no 1x1. Para além disso, criou excelentes automatismos, quer com Petrolina, quer com Wijnhard, e apesar de algumas carências técnicas e a nível do remate, tem um excelente poder de desmarcação, que o tem ajudado a marcar golos.
No banco, um suplente importante: o ponta de lança Whelliton, que substituiu normalmente Wijnhard, quando este está desgastado, e é um jogador que por ser forte fisicamente, desgasta muito os adversários e traz à equipa, maior qualidade no futebol aéreo. Entre os suplentes também há Rui Dolores, que, normalmente, substitui Kingsley, quando este está desgastado, tentando imprimir velocidade ao flanco esquerdo, mas não consegue ser desequilibrador.
Molde: noruegueses em crise na rota do Leiria na UEFA
sexta-feira, 29 agosto 2003

É um Molde em crise que vai enfrentar a União de Leiria, na 1ªeliminatória da Taça UEFA. O conjunto norueguês, bem longe do fulgor das últimas épocas, ocupa um modesto 10ºlugar, após 18 jornadas de campeonato, estando apenas cinco pontos acima da linha de água. No entanto, há um importante factor a ter em conta: a época norueguesa começa na Primavera, e, por certo, o Molde já tem um fio de jogo que a equipa leiriense ainda está a procurar construir. Para chegar à Taça UEFa, o conjunto norueguês, tal como o Leiria, jogou a pré eliminatória, eliminando, sem qualquer dificuldade, o KI Klaksvik, das Ilhas Faroé, vencendo as duas mãos, por 2-0 (fora) e 4-0 (casa).
O conjunto é orientado por Odd Berg, que assumiu o comando da equipa, após a saída de Gunter Bengtsson. O esquema táctico dilecto de Berg é o 4-3-3, embora, em alguns jogos, acabe por funcionar mais como um 4x5x1, já que obriga os alas a fecharem a meio campo.
O dono da baliza do Molde é o excêntrico Eddie Gustafsson, internacional sueco, de 26 anos, contratado, em 2001, ao Norrköping. Apesar de ser considerado um dos melhores guarda redes do seu País, Gustafsson - que curiosamente é negro - peca por alguma irregularidade exibicional, embora seja detentor de excelentes reflexos.
A defesa é normalmente composta por 4 elementos: a dupla de centrais é sempre a mesma e é composta por Tobias Carlsson e David Ljung, dois centrais experientes, que apesar de fortes no corpo a corpo, revelam-se lentos, daí sintam muitas dificuldades com adversários rápidos, situação que o Leiria pode e deve aproveitar. Carlsson é um sueco, de 28 anos, habitualmente central de marcação, que se destaca pela sua impressionante compleição física (1,90/89), sendo, por isso, forte no corpo a corpo e no jogo aéreo. Peca por ser muito lento, para além de ser bastante limitado tecnicamente. Ljung, também é sueco, tem 27 anos, e características muito semelhantes às de Carlsson, pois também é muito forte fisicamente (1,88/88), impondo-se no jogo aéreo e no confronto físico, só que também é bastante lento e pouco dotado tecnicamente, revelando, no entanto, um bom sentido posicional, que faz com que actue, normalmente, mais livre do que Carlsson. Um dos problemas do Molde, ao longo da época, está a ser a definição do posto de lateral. Trond Strande, de 32 anos, é indiscutível, e apesar de ser um lateral direito, tem vindo a jogar, ultimamente, à esquerda, fruto das insuficiências da equipa nesse lugar. Strande, um fã da música de Eric Clapton e Bob Dylan, é mais um defesa de grande compleição física, mas sobe pouco, resguardando-se para as acções defensivas, denotando, claro está, dificuldades com jogadores rápidos. Mesmo assim, é um defesa muito agressivo e lutador, com boa capacidade de desarme e especialista em lançamentos de linha lateral longos. É um elemento muito importante no conjunto, não só pela veterania, mas também porque é um símbolo do clube, que já representa há mais de uma década. À direita, Petter Singsaas, de 31 anos, parece ter conquistado o lugar. É um jogador experiente, também ele com muitos anos de clube, que apesar de ser um central de raiz, sempre fez o posto de lateral direito ou esquerdo, quando necessário. É, provavelmente, o defesa mais rápido do conjunto, mas não se aventura muito em acções ofensivas, pois tecnicamente é limitado. É um jogador com grande capacidade de luta, muito esforçado e que marca bem, revelando um bom poder de desarme e, para não fugir à regra, é alto e forte fisicamente.
A meio campo, a equipa costuma actuar com 3 unidades. Magnus Kihlberg, sueco, de 29 anos, é o patrão do meio campo e, normalmente, coordena as operações desde o posto de médio centro. É um bom jogador, um dos mais importantes neste conjunto, revelando capacidades quer a defender, quer a atacar. Recupera várias bolas a meio campo, pois tem bom poder de desarme e sentido posicional, para além de ser forte fisicamente, sabendo, depois, construir jogo e, também, sempre que pode, utiliza o seu remate de fora da área. Daniel Berg Hestad, internacional norueguês, de 28 anos, costuma repartir com Kihlberg as despesas do meio campo, fazendo as compensações das subidas do seu colega de equipa, ou então, subindo ele próprio, já que, normalmente, actua descaído para o centro/direita. É outro dos jogadores com vários anos de clube, muito experiente, com capacidades para ajudar a defender, mas que prefere criar, já que se trata de um jogador com bom passe e com dotes técnicos, embora algo lento. O seu jogo peca, por vezes, por ser demasiado inconstante. O terceiro homem do meio campo, costuma ser o médio mais criativo do conjunto, Magne Hoseth, que é, nesta altura, o melhor jogador do Molde. Já internacional pela Noruega, aos 22 anos, este fã de Totti e Del Piero, já tem alguns clubes europeus interessados nos seus serviços e diz-se que não deverá ficar muito mais tempo na Noruega. É um jogador ambicioso, melhor marcador da equipa e jogador com mais assistências para golo esta temporada, e que actua, normalmente, entre o centro e a esquerda do meio campo. Não sendo um jogador muito rápido, destaca-se pela sua boa técnica, e grande capacidade no passe e no cruzamento, para além de ter grande facilidade no remate, quer de dentro, quer de fora da área. A equipa procura-o muito, pois é o jogador mais capaz de fazer a diferença.
Na frente do ataque costumam actuar três jogadores: dois mais pelas alas, que também fecham a meio campo, quando é preciso, e um mais no centro, entre os centrais adversários. Fredrik Gustafson, um sueco, de 27 anos, é quem costuma fazer a ala direita do Molde. É um jogador polivalente, que pode também actuar mais no miolo, o que, por vezes, acontece, de forma a libertar Hoseth para tarefas ainda mais ofensivas. Jogador de poucos recursos técnicos, é, no entanto, rápido e consegue tirar alguns bons cruzamentos, dando ao conjunto uma mais valia táctica, pois é muito trabalhador e apoia, com facilidade e à vontade, o meio campo. À esquerda, actua Thomas Mork, norueguês, de 25 anos. Canhoto, é um jogador com alguma cultura táctica, que apoia o meio campo quando existe essa necessidade, pois é mais um jogador com grande "pulmão". Tecnicamente não é um jogador por aí além, mas sabe assistir os avançados, quer através de passes, quer através de cruzamentos. Anders Hasselgård, de 25 anos, tem sido, este ano, o homem mais avançado do conjunto. Antigo médio ofensivo do conjunto, passou depois para a ala direita do ataque e, esta temporada, tem jogado mais na frente do ataque, mas apenas apontou 3 golos. Em alguns jogos, volta às alas, dando o lugar na frente do ataque a Bernt N. Hulsker, o ponta de lança da equipa, que não está em grande forma. Hulsker é um avançado muito alto (1,88), com argumentos no jogo aéreo, mas com alguma mobilidade, que lhe permite jogar também à esquerda.
No plantel, existem outras opções: Arild Stavrum, internacional norueguês, de 31 anos, é um médio ofensivo polivalente, que pode jogar pelas alas - sobretudo à direita - e no meio. É um elemento muito válido, apesar de já estar numa fase menos fulgurante da carreira, mas já passou, entre outros, pelo Aberdeen e pelo Besiktas. É um bom rematador, não lhe devendo ser concedidos espaços para testar o seu remate. Olafur Stigsson, internacional islandês, de 27 anos, é uma opção válida para o meio campo, podendo jogar como trinco ou médio centro. Stig Arild Råket, avançado norueguês, de 25 anos, é outra opção para o ataque, podendo actuar quer no centro do ataque, quer flectido para as alas. Bjarni Óskar Thorsteinsson, islandês, de 27 anos, era o habitual lateral esquerdo, mas perdeu o lugar, depois de umas exibições menos conseguidas.
O Molde é um adversário que está ao alcance do Leiria. Vítor Pontes deverá, sobretudo, ter em atenção a Hoseth, o jogador que decide as partidas e capaz de fazer a diferença, daí merecedor de uma marcação atenta. Para além disso, é importante ter em atenção os desdobramentos tácticos desta equipa, que apesar de jogar num 4-3-3, faz alterações, durante os jogos, com o "onze" base. Gustafson, o ala direito, fecha, muitas vezes, ao meio, permitindo o adiantamento de Hoseth, para um posto mais avançado, com Hasselgård - que nessas situações descai para a direita - e Mook - sempre na esquerda, a entrarem das alas para o meio. Factor importante a ser explorado: a imensa lentidão da defensiva norueguesa. O Leiria tem avançados rápidos que poderão criar desequilibrios tremendos. Bastará jogarem em velocidade e pelo chão. O jogo aéreo, até porque o Leiria não tem um jogador de área, deve ser evitado.
RAAL (Louviéroise): o adversário do Benfica na UEFA
sexta-feira, 29 agosto 2003

Os belgas do RAAL são os futuros adversários do Benfica na Taça UEFA, competição à qual chegaram, após venceram a Taça da Bélgica, da última época, apesar de um campeonato decepcionante, completado no modestíssimo 15ºlugar, entre 18 participantes. Equipa sem grande historial no futebol belga, o RAAL chega pela primeira vez, este ano, a uma competição europeia, e o jogo com o Benfica já é aguardado como enorme expectativa.
Ariel Jacobs é o treinador de um conjunto, de posses modestas e com um plantel sem caras conhecidas, onde apenas se destaca o lateral Blay, que chegou a ser observado pelo Benfica. Jacobs, de 50 anos, está no clube desde 2001, depois de passagens pelo RWD Molenbeek e pela Selecção de Sub-21 da Bélgica, já que é um treinador com um passado ligado à formação. Jacobs costuma fazer a equipa alinhar em 4x2x3x1, apostando, quase sempre, no mesmo conjunto de jogadores, apenas alternando a posição de ponta de lança - preferindo, normalmente, em casa, um jogador mais fixo, e fora de casa, um ponta de lança mais móvel, para explorar o contra-ataque.
A baliza do clube está entregue a Silvio Proto, um jovem muito promissor, de 20 anos, que já é internacional esperanças pelo seu País. Apontado como uma revelação do futebol belga, peca ainda por alguma inexperiência, que poderá ser sentida nesta eliminatória, apesar de revelar boas qualidades para o posto, o que lhe valeu a renovação de contrato, até 2006, pelo clube, até porque esteve perto dos italianos do Vicenza, na última época.
A defesa é formada, normalmente, por 4 jogadores. À direita, Georges Blay, internacional ganês, de 23 anos, acaba por ser o jogador mais conhecido da equipa. Contratado, esta época, ao Mechelen, foi lançado, com apenas 17 anos, na primeira equipa do Standard Liège, onde se manteve até 2002. É um lateral rápido, de forte vocação defensiva e que também sabe defender, apesar de ser, por vezes, demasiado duro, cometendo algumas desatenções, fruto de algumas falhas de concentração. Pode também ser utilizado como central ou no meio campo. À esquerda, o titular é Yannick Vervalle, de 22 anos, que fez a sua formação no Anderlecht. É um jogador com escola, que iniciou a sua carreira a médio ala, mas que recuou no terreno. Ataca bem, mas a defender não é tão forte, apesar de ser bastante esforçado. A dupla de centrais é formada por Georges Arts e Thierry Siquet, dois jogadores muito experientes, mas terrivelmente lentos e duros de rins. Arts, de 34 anos, fez grande parte da sua carreira nas divisões inferiores, até chegar ao Aalst, de onde provem. Jogador de marcação, actuava como trinco, mas agora é central. É duro e forte no jogo aéreo, mas peca por ser lento e por ter grandes dificuldades quando apanha pela frente adversários rápidos e de boa técnica. Siquet, por sua vez, também tem 34 anos, mas é um central com maior experiência de 1ªDivisão, onde construiu a sua carreira, passando pelo Standard Liège, Brugges e Ekeren, até se fixar no RAAL. Sem grande velocidade, trata-se de um jogador com bom sentido posicional, que pode jogar solto ou a marcar, pois é forte fisicamente e tem um bom poder de desarme, mas tal como o seu colega de sector, é um jogador lento e duro de rins.
À frente da defesa costumam actuar dois médios mais defensivos: Maamar Mamouni e Daniel Camus, ambos aquisições para a nova época. Mamouni é um internacional argelino, de 27 anos, também com nacionalidade francesa, com larga experiência no futebol francês, tendo sido contratado ao Créteil Lusitanos, depois de seis anos no Le Havre. É um trinco, adaptável sempre que necessário ao posto de 3º central, que se destaca pelo forte poder físico e por se tratar de um jogador forte na marcação e no jogo aéreo. Tecnicamente é limitado, também não revelando grandes predicados no passe, pois trata-se de um jogador de destruição. Camus, de 31 anos, foi contratado aos alemães do SV Waldhof Mannheim, onde actuou na última época. É um jogador com larga experiência na 1ªDivisão belga, tendo representado, o Charleroi, o Mechelen, o Genk e o Molenbeek, onde iniciou a sua carreira e deu mais nas vistas. Actua, normalmente, como segundo trinco, revelando-se como um jogador muito útil, já que defende e ataca. É um jogador de equipa, bastante pressionante, mas algo lento, que recupera várias bolas a meio campo, procurando, depois, lançar jogo, pois não sendo muito dotado tecnicamente, é um jogador razoável no passe e que tem um bom remate.
Depois dos dois trincos, a presença de três médios ofensivos: dois deles, actuam presos às alas, enquanto que o outro, funciona como "10" da equipa. À direita, costuma actuar Peter Odemwingie, de 22 anos, mas já internacional nigeriano. Este jogador muito rápido e dotado tecnicamente, que também joga à esquerda, foi descoberto no Bendel Insurance FC, da Nigéria, a temporada passada. Ao jogador falta-lhe ainda mais consistência no seu jogo, mas cria desequilíbrios e Jacobs tem trabalhado e insistido muito com o jogador. À esquerda, um jogador de origem congolesa, Serge Djamba-Shango, de 21 anos, internacional esperança pela Bélgica, e, até agora, o jogador em maior destaque na equipa. Contratado, este Verão, aos franceses do Lille, Djamba-Shango pegou de estaca na equipa do RAAL. É um jogador muito rápido e bem dotado tecnicamente, não muito fácil de marcar, que tem evidenciado predicados, quer a nível do passe, quer a centrar, tendo já duas assistências para golo. Falta-lhe alguma experiência e consistência, no entanto, é a principal arma ofensiva desta equipa. O posto de médio ofensivo, é ocupado pelo experiente Davy Cooreman, de 32 anos. Jogador com muitos anos de experiência na divisão maior belga, passou também pelo futebol israelita, onde foi contratado, em 2002. Foi ao serviço do Brugges e, sobretudo, com a camisola do Aalst que mais se destacou. Bem dotado tecnicamente, possui um remate fácil, que utiliza, várias vezes, de fora da área. Peca, no entanto, por já não ser tão rápido como chegou a ser e por se entregar pouco ao jogo, mas é útil tacticamente e como cérebro do jogo ofensivo da equipa.
No ataque, a principal referência é Manaseh Ishiaku, avançado nigeriano, de 20 anos, melhor marcador da equipa, em 2002/2003. Especialmente talhado para o contra ataque, em alguns jogos em casa, é preterido em relação ao francês Mickael Murcy, ponta de lança francês, melhor marcador da equipa, esta temporada. Ishiaku é um jogador promissor, que gosta de jogar solto na frente do ataque, pois tratando-se de um jogador rápido e móvel, descai com facilidade para as alas. Apesar de bastante perdulário, consegue aparecer na "cara do golo" em diversas situações, tirando partido do seu bom poder de desmarcação. Peca por ser algo ingénuo, caindo com facilidade em fora de jogo, para além de lhe faltar uma maior capacidade no jogo aéreo. O francês Murcy, tem características de homem de área, e já apontou dois golos esta época, apesar de só ter feito uma partida como titular. É um jovem ponta de lança de 23 anos, contratado ao Créteil Lusitanos, depois de ter estado emprestado ao Lusitanos St. Maur, a conhecida equipa dos emigrantes portugueses em França. É, no entanto, um jogador algo verde e inexperiente, mas com alguns predicados na área, mostrando um bom jogo aéreo e um razoável sentido de oportunidade.
Além dos 12 jogadores já citados, existem outras opções no plantel, mas Jacobs aposta sempre no mesmo grupo, praticamente não fazendo alterações. Entre as restantes opções, está o brasileiro Benjamin Rogério de Oliveira, de 25 anos, o "nº10" da equipa, já com alguma experiência na Bélgica. Apesar de apontado como o "craque" da equipa, este médio ofensivo ou médio ala esquerdo, não tem justificado estes predicados e tem sido pouco utilizado, apesar de ser bem dotado tecnicamente, só que raramente consegue impor velocidade ao seu jogo. Outra opção é o internacional esperança belga Riccardo Magro, contratado, há dois anos, ao Molembeek. Está prestes a completar 21 anos e é um jogador bastante criativo e promissor, que pode actuar como médio ofensivo ou 2ºavançado, descaindo com facilidade para as alas. O internacional canadiano, de origem polaca, Michaël Klukowski, de 22 anos, é uma solução para o centro da defesa e pode descair para a esquerda. Frédéric Tilmant, de 34 anos, é uma grande referência do plantel, já que representa o clube desde 1998, e apesar de estar sem o fulgor de outros tempos, é uma opção para a frente do ataque, ele que actuava, normalmente, mais descaído para a direita. O médio defensivo Rachid Belabed, belga-marroquino, de 23 anos, é opção para o centro do meio campo, tendo já passado, sem grande fulgor, pelo Anderlecht e pelos escoceses do Aberdeen. Sammy Van den Bossche, antigo internacional esperança belga, de 26 anos, foi contratado este ano ao KVC Westerlo, depois de vários anos no Aalst, tratando-se de um jogador polivalente, que faz todos os lugares do meio campo, à direita e ao centro. Por fim, Filip Susnjara, guarda redes croata, de 27 anos, foi contratado ao Standard Liège, e é o suplente de Proto.
A equipa do RAAL ocupa o 4ºlugar do campeonato, com 3 jornadas decorridas. Este fim de semana a equipa recebe o Charleroi e poderá chegar mais à frente na classificação, confirmando um bom início de época. No entanto, dentro dos adversários que podiam sair ao Benfica, parece ser dos mais acessíveis, quer desportivamente, quer em termos de deslocação. O Benfica é, sem margem para dúvida, amplamente favorito para esta eliminatória.
Partizan Belgrado: Kralj e Drulovic de regresso às Antas
quinta-feira, 28 agosto 2003

O Partizan de Belgrado protagonizou umas das grandes surpresas da 3ªPré Eliminatória da Liga dos Campeões, ao conseguir eliminar o Newcastle United, de Bobby Robson e Hugo Viana, no desempate por grandes penalidades, em pleno St. James Park. A equipa sérvia conseguiu recuperar a desvantagem de 0-1 do jogo de Belgrado, com um 1-0 dentro do tempo regulamentar, seguindo em frente para a fase de grupos. Os sérvios foram ainda obrigados a realizar a 2ª pré eliminatória de acesso à Liga dos Campeões, eliminando os suecos do Djurgardens IF, sem vencer nenhum jogo, já que teve vantagem por ter marcado mais um golo fora.
A equipa sérvia, bi-campeã jugoslava, eliminou, curiosamente, na última época, o Sporting, da Taça UEFA. Actualmente é orientada pelo antigo internacional alemão, Lothar Matthaus, que busca como treinador, em mais uma experiência internacional, o sucesso que teve como jogador. O técnico alemão faz a sua equipa jogar em 5-3-2, com três centrais e dois laterais, contando depois com um tridente de médios, no apoio a dois avançados. Em alguns jogos, promove algumas variantes, como o 5-2-3, em que abdica de um dos médios mais defensivos, lançando mais um avançado, ou então, o 5-2-1-2, abdicando de um dos médios defensivos e lançando um jogador para actuar nas costas dos dois avançados. À equipa de Belgrado, chegaram este Verão, dois reforços, que já passaram pelo futebol português e pelo FC Porto: o guarda redes Ivica Kralj, que teve uma passagem terrível pelas Antas, e o médio ofensivo Drulovic, ex-Benfica, que concretiza o "sonho" de voltar a jogar na Ligas dos Campeões, mostrando que valeu a pena o seu regresso à Jugoslávia, depois de rejeitar propostas de Leixões, Rio Ave e Moreirense, entre outros.
A baliza do conjunto sérvio é defendida por Ivica Kralj, que ganhou a titularidade a Radovan Radakovic, internacional jugoslavo, que na época passada perdeu a titularidade para Ilic. Kralj, agora com 30 anos, regressou à Jugoslávia, depois de passagens pelo PSV Eindhoven e FC Porto, onde não vingou.
A zona central da defesa é ocupado por três jogadores: Nenad Djordjevic, internacional jugoslavo, central marcador pela direita, de 24 anos, ex-Obilic, um defesa forte e bastante agressivo ; Taribo West, central marcador pela esquerda, internacional nigeriano, de 29 anos, ex-Inter, AC Milan, Derby County e Kaiserslautern, que apostou no Partizan, para relançar uma carreira, que chegou a ser muito promissora, tratando-se de um defesa com uma capacidade física extraordinária, fortíssimo no corpo a corpo, mas que comete algumas falhas, fruto da sua pouca capacidade em sair a jogar ; Milan Stojanovski é o líbero, internacional macedónio, de 30 anos, que já passou pelo Beitar, de Israel. Trata-se de um jogador muito experiente, que já foi utilizado no meio campo e no ataque, mas nesta fase da sua carreira recuou no terreno, passando a jogar como líbero, de forma a fazer uso do seu bom posicionamento e capacidade de liderança. Este jogador possui um bom remate, mas actuando como defesa raramente o utiliza.
Nas laterais, Milivoje Cirkovic actua à direita. Internacional jugoslavo, de 26 anos, impôs-se na equipa a temporada passada, tratando-se de um defesa duro e rápido, que sobe com facilidade no terreno, tirando alguns bons cruzamentos. À esquerda costuma actuar Nikola Malbasa, recentemente internacional pela Jugoslávia, de 26 anos, que foi contratado, a meio da época passada, ao Hajduk Kula. Foi uma das revelações do último campeonato jugoslavo, podendo também actuar a central, já que se trata de um jogador muito forte na marcação. Tecnicamente não é muito dotado, mas é bastante esforçado e deixa tudo em campo.
No plantel existem outras soluções para estes lugares: Branimir Bajic, bósnio, de 23 anos, costuma actuar no posto de líbero, mas também pode ser central de marcação, destacando-se pelo forte jogo aéreo e boa capacidade de desarme, embora tenha algumas dificuldades no 1x1 com adversários rápidos e bem dotados tecnicamente ; Dejan Djordjevic é um central de marcação de marcação, que pode também ser utilizado à esquerda, de 25 anos, que perdeu espaço na equipa com a chegada de West e Djordejvic para o centro da defesa e de Malbasa para o lado esquerdo ; Bojan Zavisic, de 22 anos, é opção para a lateral direita e trata-se de um jogador promissor, que sobe bem no terreno, mas ainda está algo "verde", sobretudo em termos defensivos ; Branko Savic, central ou líbero, de 31 anos, que também passou pelo Beitar, de Israel, que é um jogador com bom poder de desarme e forte no jogo aéreo, mas algo lento e limitado tecnicamente.
A meio campo, Matthaus forma normalmente um triângulo, que tem como principal referência Sasa Ilic, capitão e maior estrela do conjunto - uma espécie de "Deus" para os adeptos do Partizan. Internacional jugoslavo, de 25 anos, ainda não se percebeu porque ainda não deu o salto para um clube de outras dimensões. Actuando como médio centro, aponta cerca de 15 golos por época. Apesar de ser um jogador criativo, com forte pendor ofensivo, Ilic também recupera muito jogo, fruto da sua enorme disponibilidade física. Tecnicamente é bastante dotado, revelando qualidades no passe, aliando a isso uma excelente visão de jogo. Possui um remate forte, que utiliza bem de fora da área, revelando-se muito frio na altura da finalização. O seu maior defeito é o seu temperamento, por vezes, algo complicado. As "muletas" de Sasa Ilic são Igor Duljaj e o experiente Albert Nadj. Duljaj, produto das escolas do clube, é um internacional jugoslavo, de 23 anos, bastante promissor, e que pode actuar como trinco ou médio centro/direito, compensando as incursões ofensivas de Ilic, fruto do seu rigor táctico. É um jogador agressivo, forte na marcação, e com bastantes virtudes no capítulo do passe. Nadj, de 28 anos, é outro internacional jugoslavo, bastante experiente, fruto dos longos anos que passou na liga espanhola, actuando no Bétis e no Oviedo. Tal como Duljaj, actua como trinco ou médio centro, descaindo preferencialmente para a esquerda. Tacticamente bastante forte e com grande capacidade de trabalho, recupera inúmeras bolas e sabe distribuir jogo. Possui um remate muito forte, sobretudo de fora da área.
Para este tridente de meio campo, Matthaus apresenta algumas soluções, até porque em alguns jogos abdica de Duljaj ou Nadj, lançando um médio mais ofensivo, que tanto pode actuar nas costas dos avançados, como descaído para os flancos. Ljubinko Drulovic, internacional jugoslavo, prestes a completar 35 anos, é um jogador que se enquadra perfeitamente nesse perfil. O número 10 do Partizan tem vindo a ser utilizado, quer no meio, quer à esquerda, mostrando-se num nível de forma bem superior ao apresentado no último ano, no Benfica, onde também lhe faltou alguma continuidade. "Drulo" tem-se destacado pelos bons passes e cruzamentos, para além de ter mostrado o seu bom remate de pé esquerdo, quer em bola corrida, quer de bola parada, apontando dois golos na jornada inaugural do campeonato jugoslavo. Outro concorrente ao lugar de Drulovic, é o experiente Damir Cakar, médio ofensivo, internacional jugoslavo, de 30 anos, que passou pelo futebol francês. Não sendo muito rápido, é um jogador muito lutador, que também ajuda a defender, mas que sabe distribuir jogo e possui um bom remate.
Com menos hipóteses, mas também soluções para este meio campo estão: Vladimir Ivic, médio ofensivo, de 26 anos, que actua normalmente nas costas dos avançados, mas pode também descair para as alas. Internacional jugoslavo, é um jogador muito rápido e muito dotado tecnicamente, que cria bastantes desequilíbrios no 1x1, embora lhe falte, por vezes, alguma consistência no seu jogo ; e Tomasz Rzasa, internacional polaco, de 30 anos, ex-Feyenoord, e que actua como médio esquerdo/centro, mas também pode ser trinco ou mesmo lateral esquerdo. É um jogador forte tacticamente, mas com algumas limitações técnicas.
A frente do ataque está entregue a dois jogadores: Ivica Iliev e Andrija Delibasic que são indiscutíveis nesta equipa. Ivica Iliev, de 23 anos, é um avançado que gosta de jogar solto na frente do ataque, descaindo com facilidade para os flancos. Produto das escolas do clube, marcou o golo da vitória, no tempo regulamentar, em St. James Park, frente ao Newcastle. É um jogador bem dotado tecnicamente, bastante rápido e com bom poder de desmarcação. Pecava por ser algo perdulário, mas está a progredir no aspecto da finalização. Andrija Delibasic foi a grande revelação da temporada 1999/2000 do futebol jugoslavo e a partir daí tornou-se num elemento chave desta equipa. Com apenas 22 anos, é apontado como um dos melhores avançados jugoslavos da actualidade e já é seguido por várias equipas europeias. Actua, sobretudo, na área, mas não limita a sua acção a esta, até porque tem alguma mobilidade. É bastante frio a finalizar, embora lhe falte alguma experiência em competições de alto-nível.
A principal alternativa a estes dois avançados é Bojan Brnovic, promessa do futebol jugoslavo, já internacional, contrado ao FK Zeta Golubovci, onde era a estrela do conjunto. Com apenas 23 anos, trata-se de um avançado centro móvel, com bom poder de desmarcação e de finalização, mas ainda está a adaptar-se às exigências de um clube grande jugoslavo, encontrando-se "tapado" pela forte concorrência. O outro avançado é Dzenan Radoncic, jovem de 20 anos, descoberto no FK Rudar Pljevlja. É um jogador sem experiência, ainda a crescer, mas que tem características do típico "9".
Após a 2ªjornada do campeonato jugoslavo, o Partizan ocupa a 5ªposição no campeonato, com 3 pontos, que significam uma vitória e uma derrota. Depois de uma estreia em cheio, com vitória por 6-1 sobre o Borac, com Drulovic - eleito o melhor em campo -, Cakar e Delibasic a bisarem, no último fim de semana, o Partizan perdeu por 1-2 na deslocação ao terreno do Obilic, num "derby" de Belgrado. Nesse jogo, Matthaus poupou vários titulares, pois já estava com o seu pensamento direccionado para o jogo de St. James Park. Na próxima jornada do campeonato jugoslavo, o Partizan vai receber o Kom Zlatica, último classificado do campeonato.
Olympique Marselha: o ano do regresso à LC
quinta-feira, 28 agosto 2003

O Olympique de Marselha é um dos adversários do FC Porto, no grupo F, da Liga dos Campeões. A equipa francesa regressa este ano à Liga dos Campeões, competição que venceu em 1992/1993, depois de uma ausência de três anos - a última participação foi em 1999/2000. Depois de dois anos consecutivos no 15ºlugar na classificação da Liga Francesa - 1999/2000 e 2000/2001 -, com a manutenção a ser garantida sobre a linha de meta, o Marselha encetou uma renovação do plantel, com resultados práticos o ano passado, com a obtenção de um 3ºlugar, que lhes deu a oportunidade de jogar a 3ª pré eliminatória da Liga dos Campeões, onde defrontaram o Austria Viena, ganhando 1-0, fora, mas não passando de um "apagado" 0-0 em casa.
Na baliza, a titularidade pertence ao guardião croata, de 27 anos, Vedran Runje, que cumpre a sua 3ª temporada no clube. Guardião canhoto, este antigo guarda redes do Hadjuk Split e do Standard Liège, tem como principais virtudes os bons reflexos e um bom posicionamento entre postes, mas é algo lento. O seu suplente é o jovem Cédric Carasso, de 22 anos. Guardião de elevada estatura (1.92), a inexperiência joga contra si.
Na defesa, Habib Beye é o titular à direita. Internacional senegalês, é um jogador rápido e agressivo, mas a quem falta alguma técnica. Chegou este ano ao clube, depois de várias épocas no Estrasburgo. O líder da defesa é o central belga Daniel Van Buyten, de 25 anos, que já chegou a ser pretendido pelo Sporting, quando ainda jogava no Standard Liège. Internacional belga, Van Buyten é extremamente alto (1,97) e forte, revelando um excelente poder de desarme, bom jogo aéreo - valeu 8 golos na última época - e a voz de comando própria de um líder. As suas principais limitações são técnicas, já que não é muito dotado sob esse ponto de vista. Abdoulaye Meite é outro dos habituais titulares, e apesar da sua posição de raiz ser a de lateral direito, tem jogado ultimamente como central. Este jogador de 22 anos, é um poço de energia, forte na marcação e no jogo aéreo, mas com limitações, quer no aspecto táctico, quer técnico. À esquerda, costuma actuar o francês Brahim Hemdani, de 25 anos, que cumpre a sua 4ª época no clube, mas só a época passada se impos no OM. É um médio de origem, que foi bem adaptado ao posto de lateral esquerdo, apesar de não ser canhoto, tratando-se de um jogador de grande pulmão e rápido, mas com algumas limitações na marcação. Em alguns jogos, o técnico Alain Perrin opta pela utilização de um 3ºcentral, que costuma ser o experiente Johnny Ecker, francês, de 30 anos. Trata-se de um defesa duro e agressivo, forte na marcação e no jogo aéreo, também ele um líder, mas com limitações, quer técnicas, quer em termos de velocidade, pois é lento. Outras opções são o ex-Barcelona Philippe Christanval, defesa central, internacional francês, de grande presença e pujança física, mas limitado do ponto de vista técnico. O jogador ainda não se estreou pelo Marselha, mas assim que estiver em condições de o fazer, será por certo uma forte opção. O jovem Fabien Laurenti, de 20 anos, é outro dos jogadores utilizados como primeira solução, em caso de impedimento de um dos titulares. Trata-se de um defesa lateral direito, rápido e duro, mas com limitações a nível do passe e do jogo aéreo. Sebastien Perez, experiente lateral, de 30 anos, que já passou pelo futebol inglês (Blackburn Rovers) e turco (Galatasaray), e já defrontou o Benfica, numa eliminatória europeia pelo Bastia, é mais uma opção, mas Perrin não tem contado muito com o jogador.
A meio campo existem várias opções. O médio centro suiço Fabio Celestini, de 27 anos, é uma opção habitual de Perrin, tratando-se de um jogador que joga com pé direito e esquerdo, revelando boa capacidade para coordenar as operações a meio campo, já que é um jogador duro e com bom poder de desarme. Revela, no entanto, algumas dificuldades a nível do controlo de bola e nem sempre é eficaz nas marcações individuais que realiza - à atenção de Deco. Ao lado de Celestini, costuma actuar Pascal Johansen, de 24 anos, internacional esperança francês. Jogador lutador e determinado, sempre pronto para a luta do meio campo, peca no jogo aéreo e por ser algo indisciplinado tacticamente. À espreita de um lugar no miolo está o camaronês Salomon Olembé, médio, de 22 anos, internacional pelo seu país e detentor de um excelente pé esquerdo. Tecnicamente dotado, o jogador peca por alguma irregularidade exibicional e por nem sempre seguir as instruções que lhe são das pelo técnico, o que lhe tem custado um lugar na equipa. Nas alas, à direita, costuma actuar o senegalês Sylvain N'Diaye, de 27 anos, internacional pelo seu país. Jogador extremamente rápido, contratado este ano ao Lille, é um todo terreno, que pode fazer outras posições. Peca, no entanto, por ter algumas limitações técnicas, não conseguindo, por vezes, aliar a sua enorme velocidade à vertente técnica. Para além disso, mostra-se pouco confiante a nível do remate. À esquerda, o titular é o internacional checo Stepan Vachousek, de 24 anos, contratado ao Slavia Praga, onde apontou 8 golos, em 28 jogos, na época passada. Dotado de bom pé esquerdo, alia a técnica à velocidade, e já se impôs na formação do Marselha, saindo dos seus pés, importantes passes e cruzamentos, para a finalização dos avançados. Camel Meriem, extremo, de 23 anos, internacional esperança francês, é uma solução para as alas, que Perrin, normalmente, lança nas segundas partes. Jogador veloz e de grande técnica, costuma criar desequilíbrios. Por fim, o português Delfim. O antigo jogador do Sporting e Boavista faz parte do plantel do Marselha, mas Perrin não lhe tem dado oportunidades e o jogador até já foi dado como dispensado. Aos 26 anos, o médio centro português, corre o risco de ficar, pelo segundo ano consecutivo, sem jogar, pois na última época só foi chamado por uma vez, mesmo tendo em conta as lesões que sofreu.
No ataque, o Marselha conta com diversas opções. Didier Drogba, costa-marfinense, de 25 anos, foi contratado ao Guingamp, onde marcou 17 golos, em 2002/2003. O jogador inexperiente em competições de nível elevado entrou bem na equipa e tem sido titular, destacando-se pela sua velocidade, potência e pela facilidade que tem, quer a nível do passe, quer a nível do remate, quer de pé direito, quer de cabeça, pois mede 1.88m. Ao seu lado tem actuado Ahmed Hossam Mido, para muitos o principal reforço para esta época, já que foi contratado ao Celta de Vigo, onde não se impôs, após ter brilhado, ao mais alto nível, no Ajax. Este internacional egípcio, de 20 anos, é um jogador de área, com grande sentido de oportunidade e fácil conclusão. Canhoto, beneficia de ser alto e possante (1.90/81) na luta contra os centrais adversários. O russo Dmitry Sytchev, de 19 anos, já internacional pela selecção principal do seu País, onde é visto como um dos jogadores com maior futuro, é outras das opções para a frente do ataque e tem sido titular, sobretudo quando Perrin optar por um esquema mais ofensivo. De baixa estatura e pouco possante, o jogador gosta de jogar nas costas dos avançados, fazendo uso da sua velocidade, boa técnica e frieza na finalização. O seu ponto fraco é ser demasiado individualista e alguma irreverência táctica. Quem vai entrar nestas contas é Steve Marlet, que assinou esta semana pelo Marselha, após pouco mais de ano e meio no Fulham, da Premier League inglesa, onde foi colega de Luís Boa Morte. Jogador experiente, de 29 anos, foi contratado para reforçar um ataque jovem e algo inexperiente. É um avançado rápido, agressivo, muito móvel e com bom poder de finalização, quer com os pés, quer de cabeça. Peca, no entanto, por ser fisicamente algo frágil, o que dificulta a sua acção quando apanha pela frente adversários fortes e agressivos. Outra opção para o ataque é o brasileiro Fernandão, que perdeu um pouco de espaço com a chegada dos reforços. Este antigo ponta de lança do Goiás, de 25 anos, cumpre a sua 3ª época no Marselha, não confirmou os dotes de finalizador que trazia do Brasil, onde chegou a brilhar ao serviço da Selecção de Júniores brasileira, que disputou o Mundial da categoria em 1997. Em França, tem jogado mais como 2ºavançado, tirando partido do seu bom pé esquerdo, para além de se tratar de um jogador de grande constituição física.
O técnico da equipa é Alain Perrin, de 46 anos, antigo treinador do Troyes, e que desde Maio 2002 assumiu o comando técnico do Marselha, sendo visto como um dos grandes "obreiros" do relançamento do clube na "alta roda" do futebol francês e europeu. Acumula com o cargo de treinador, o de manager do clube, responsabilizando-se também na área das aquisições. O seu esquema preferido é o 4-4-2 : Runje - Beye, Van Buyten, Meite, Hemdani - N'Diaye, Celestini, Johansen, Vachousek - Drogba, Mido (Marlet). Em casa, normalmente, adopta uma postura mais ofensiva, jogando em 4-1-3-2, abdicando, normalmente, de um dos médios centro (Celestini e Johansen), jogando com Sychev nas costas dos avançados, funcionando como médio ofensivo. No entanto, Perrin, nos últimos jogos, tem testado dois novos esquemas tácticos, o 5-3-2 e o 5-2-1-2, pensando na Liga dos Campeões. Reforça a defesa com mais um central - Ecker -, optando por um triângulo a meio campo N'Diaye-Johansen-Vachousek (quando actua em 5-3-2), ou por dois médios centro (Celestini e Johansen) com um jogador (Sychev) nas costas dos avançados quando actua em 5-2-1-2, como aconteceu frente ao Austria de Viena. Estes dois sistemas dão uma maior liberdade aos laterais para incorporarem as acções ofensivas.
A equipa do Marselha ocupa, de momento, o 4ºlugar do campeonato francês, após 4 jornadas, com os mesmos pontos do 2º (Mónaco) e apenas a um ponto do líder Lille. No próximo domingo, o Olympique desloca-se ao terreno do Ajaccio, num jogo que não se espera fácil, já que a equipa entrou bem no campeonato.
