Robin Friday: O melhor futebolista que jamais vimos jogar
quinta-feira, 14 fevereiro 2008
Quando pediram a David Coles, responsável pelo World Sport Service da BBC, a sua lista de melhores futebolistas de sempre, o prestigiado jornalista britânico não hesitou em juntar o nome de Robin Friday a Bobby Moore, Bobby Charlton, George Best, Maradona, Rivelino, Pelé, Yashin, Beckenbauer e Cruyff. Sem qualquer jogo realizado na divisão maior do futebol inglês e sem passado a nível internacional, Friday é, no entanto, recordado pelos que o viram jogar como um avançado genial, de uma velocidade impressionante, técnica e grande capacidade de finalização. A sua história errante transformou-o também num ícone pop: os Super Furry Animals, conhecida banda galesa do indie-rock, escolheu uma foto sua, em atitude provocatória para um guarda-redes adversário, para a capa do single “The Man Don’t Give a Fuck”, canção dedicada ao jogador ; e Paul “Guigsy” McGuinan, ex-baixista dos Oasis, banda que fundou com os irmãos Gallagher, é um dos responsáveis pela única biografia de Friday disponível no mercado, “The Greatest Footballist You Never Saw”.
Nascido a 27 de Julho de 1952 em Hammersmith, na região oeste da cidade de Londres, Robin cresceu numa família numerosa e num ambiente social tumultuoso, com inúmeras privações e rodeado de marginalidade. O seu talento futebolístico, no entanto, cedo se realçou, e incorporaria a equipa infantil do Queen’s Park Rangers, de onde rumaria ao Chelsea. Quando parecia iniciar uma trajectória capaz de o retirar do ambiente conturbado em que vivia, surpreendeu ao abandonar o Chelsea e a rumar ao modesto Walthamshow Avenue, onde ficaria pouco tempo, já que rumou ao Hayes, da 4ª Divisão, onde iniciou o seu percurso como sénior. Os motivos da sua escolha são o primeiro passo para justificar a sua história errante: é que o Hayes era o clube mais próximo de Hammersmith e ao lado da sede do clube havia um pub, que vendia a cerveja mais barata da região londrina. Os primeiros episódios de indisciplina não tardaram. O clube atravessava um período complicado a nível económico e o seu plantel era composto por trabalhadores do bairro, o que fazia com que os jogadores só se reunissem ao sábado. Os jogos começavam e o Hayes, muitas vezes, só tinha 10 elementos em campos. Faltava Friday, que, invariavelmente, se atrasava a beber o último copo de cerveja no pub vizinho ao estádio. Vestia o equipamento apressadamente, entrava em campo e resolvia as partidas, com golos fantásticos. Os adversários, inicialmente, não o levavam a sério: viam-no a tropeçar sozinho em campo e a correr sem sentido, mas, de repente, despertava e decidia as partidas. O tempo foi passando e a história repetia-se, noutros pubs, depois em bancos de jardim, onde adormecia alcoolizado, mas sempre misturada com golos, muitos golos, alguns apontados em elevado estado de embriaguez. Era uma força da natureza, que gostava de ter a bola nos pés e que só tinha olhos pela baliza adversária. Tudo lhe parecia fácil: provocador, ultrapassava os adversários com grande facilidade e lutava contra os seus próprios limites. O jogo terminava e diz-se que Friday, muitas vezes, nem passava pelo balneário: saia directamente do relvado para um bar, algumas vezes com a camisola do jogo ainda envergada.
Contudo, em 1972, a sua carreira, e sobretudo a sua vida, sofriam o primeiro grande revés. Robin Friday foi encontrado totalmente alcoolizado, com o estômago e os pulmões perfurados por um objecto metálico depois de ter chocado contra um portão. Conduzido de ambulância ao hospital, esteve seis horas na sala de operações, mas os médicos conseguiram-no salvar. Três meses depois, estava de regresso aos relvados. Seguiram-se mais golos e bebedeiras, que não impediram o Hayes de lhe oferecer o primeiro contrato como profissional de 750 libras. Em 1973, indiferente às histórias de mau profissionalismo, o Reading, então no terceiro escalão, apostou na sua aquisição. Apontou 46 golos em 121 jogos em três anos ao serviço do Reading, que lhe valem o estatuto de “Melhor jogador de sempre do Reading” e de “Melhor jogador do século XX” para os adeptos do clube. Em Março de 1976, diante do Tranmere Rovers, marcou um golo que é definido como um dos melhores da história do futebol inglês, numa finalização acrobática, após rotação de 180 graus, que levou Clive Thomas, o árbitro da partida, a colocar as mãos na cabeça de espanto, enquanto que a multidão festejava com o seu ídolo. Não se pense que o comportamento disciplinar de Friday mudou: é certo que não chegava atrasado aos jogos, mas foram inúmeros os seus actos de indisciplina, dos quais se destaca o seu desaparecimento no Verão de 1975, falhando a pré-época do Reading. Desesperou os dirigentes do clube, que não o conseguiam encontrar, e depois de algumas semanas de ansiedade, foi descoberto na comunidade hippie de Cornwall, onde se rendera à marijuana e às drogas duras. Desentendimentos com adversários e técnicos fizeram também parte do seu percurso: agrediu, ao pontapé, Mark Lawrenson, quando o futuro internacional irlandês e central do Liverpool, jogava no Preston North End ; e ficou célebre um diálogo com Maurice Evans, técnico do Reading, quando Friday lhe perguntou a idade. Evans, desconfiado, limitou-se a responder que tinha muitos anos e Friday retorquiu: “Eu tenho metade da sua idade, mas já vivi tanto que, com a minha idade, já vivi duas vezes mais do que o senhor”.
No Verão de 1976, o Cardiff City, da 2ªDivisão, apostou na sua aquisição. Pagou 30 mil libras ao Reading pelo seu passe, e a sua estreia foi auspiciosa: frente ao West Ham United, onde militava o mítico Bobby Moore, em final de carreira, apontou dois golos, para além de ter protagonizado algumas jogadas de grande espectáculo. Mas, a partir daí, afundar-se-ia aos poucos, realizando apenas 25 jogos pela equipa principal, que não impediram os adeptos do clube de considerá-lo o “Melhor jogador de sempre do Cardiff City”. Contudo, os seus problemas de alcoolismo agudizaram-se – à dependência de cerveja, juntou a de vodka e whisky – e afundou-se em drogas duras, ligando-se aos principais dealers de Cardiff, que não mais o largaram. Sairia do clube completamente derrotado pelas dependências, mas não sem antes protagonizar mais episódios caricatos: foi detido pela polícia por ter viajado de comboio sem bilhete na linha de Cardiff, e acabou por ser preso por desacato à autoridade, depois de ter beijado na boca um dos polícias que o detivera ; o episódio do beijo ao polícia não foi novidade, pois já o protagonizara, num jogo, após marcar um golo ; numa partida foi expulso, já que chateado com a agressividade excessiva de um defesa, decidiu baixar-lhe os calções e as cuecas ; e não satisfeito, após a expulsão, decidiu defecar à porta do balneário adversário.
Após deixar o Cardiff, Friday abandonou o futebol e prosseguiu a sua vida de excessos em Londres, onde para além da dependência do álcool e de drogas, foi-se deixando envolver pelo tráfico de drogas e acumulando dívidas de jogo. Apareceu morto num apartamento a 22 de Dezembro de 1990, vítima de uma overdose de heroína, que lhe provocou uma paragem cardíaca, poucos meses depois de ter completado 38 anos. Foi o último auto-golo do melhor futebolista que jamais vimos jogar.
Benfica – Nuremberga: o reencontro 46 anos depois
quarta-feira, 13 fevereiro 2008
REENCONTRO. Benfica e Nuremberga disputam amanhã a primeira mão dos 16 avos de final da Taça UEFA, num jogo que marcará o reencontro dos dois clubes, quarenta e seis anos depois de terem disputado uma histórica eliminatória da Taça dos Campeões Europeus. Foi em 1961/62, nos quartos de final da competição, que o sorteio ditou que o Benfica, campeão europeu em título, se cruzasse com o Nuremberga, campeão alemão e a realizar uma excelente campanha na prova europeia, onde somava por vitórias todos os jogos disputados. O conjunto germânico começou por eliminar o Drumcondra Dublin sem grande dificuldade: 5-0 em Nuremberga e 4-1 na Irlanda, numa partida em que se destacou o avançado Heinz Strehl, antigo internacional alemão, já falecido, ao apontar um “poker”, dando sequência aos dois golos que já marcara no desafio da primeira mão. Seguiu-se um embate difícil diante dos turcos do Fenerbahçe, mas a vitória 2-1 em Istambul, com Strehl a marcar mais um golo, abria excelentes perspectivas para a segunda mão, que se confirmaram, com nova vitória, desta feita por 1-0, graças a um golo de Tasso Wild. O Benfica, por sua vez, ficou isento da primeira eliminatória da competição, beneficiando do estatuto de Campeão Europeu. A estreia dos “encarnados” ocorreu em Viena, diante do Austria, onde obtiveram um empate a um, graças a um golo de José Águas. A passagem em frente foi obtida, de forma tranquila, na Luz, com uma vitória por 5-1 – Águas e Santana bisaram, cabendo o outro golo a um jovem chamado Eusébio da Silva Ferreira.
A NOITE DE FLACHENECKER. Ao contrário do que acontecerá amanhã, a primeira mão da eliminatória foi disputada em Nuremberga, a 1 de Fevereiro de 1962. O conjunto alemão estava fortemente motivado com uma série de 7 triunfos consecutivos – 1 na Taça dos Campeões e 6 na Oberliga - e mais de 40.000 pessoas compareceram no Städtisches Stadium, criando um ambiente de forte apoio à equipa. Contudo, seria o Benfica, através de Cavém, a adiantar-se no marcador aos 10 minutos, só que o Nuremberga reagiu e ainda antes do intervalo deu a volta ao marcador, com golos de Flachenecker e do inevitável Strehl. Na segunda parte, os alemães procuraram dilatar a vantagem e conseguiram, já perto do fim, novamente por Flachenecker, a figura do jogo, a confirmar o excelente momento de forma que atravessava, pois já marcara golos nas duas partidas da Oberliga que antecederam o confronto com o Benfica – diante do FC Schweinfurt 05 (vitória 3-1 fora) e do SpVgg Fürth (vitória 2-0 em casa). Costa Pereira, guarda-redes do Benfica, foi mal batido em dois dos golos da formação germânica, confirmando o mau momento que atravessava e que o fizera protagonista pela negativa do empate caseiro diante do Sporting (3-3), duas semanas e meia antes. Criticado pela imprensa, pediu para sair da equipa, mas a má exibição de Barroca, o seu suplente, diante do Sp. Covilhã (derrota 1-2), precipitou o seu regresso para o jogo da 2ª mão.
O PESADELO DE STRICK. Três semanas depois disputou-se a 2ª mão da eliminatória e nem mesmo o resultado negativo do jogo na Alemanha desanimou os adeptos “encarnados”, que compareceram em força: 55.000 espectadores deram um enorme “colorido” à Luz, procurando empurrar o Benfica para uma jornada gloriosa. Béla Guttman, o “velho feiticeiro” que treinava, na altura, o Benfica, promoveu alterações em relação ao primeiro jogo. Mudou a dupla de defesas, fazendo entrar Mário João e Ângelo Martins para os lugares de Manuel Serra e Fernando Cruz, sendo que o último avançou para o sector intermediário, juntando-se a Germano e Cavém, ocupando o lugar de Neto, que havia sido utilizado em Nuremberga. Na frente, Guttman chamou Eusébio, que falhara o primeiro jogo por estar a recuperar de uma lesão, à titularidade, abdicando de Santana, juntando-o aos inevitáveis José Augusto, Águas, Coluna e Simões. Do lado alemão, Herbert Widmayer, treinador do Nuremberga, via-se a contas com uma baixa de vulto. O guardião titular Roland Wabra, uma das grandes figuras do clube durante a década de 60 – disputou cerca de 250 jogos, entre 1960 e 1969 -, lesionou-se, abrindo as portas da titularidade ao inexperiente Gerhard Strick (na foto acima), que protagonizara uma má exibição na partida que antecedeu o jogo da Luz e que quebrou uma série de 10 triunfos consecutivos do Nuremberga: derrota 0-3 diante do Karlsruher SC. E pior entrada no jogo da Luz não podia ter: aos 4 minutos, o Benfica já igualava a eliminatória, com golos de José Águas, num belíssimo golpe de cabeça, e Eusébio, num remate cruzado de pé direito. Ainda antes do intervalo, Coluna, aproveitando uma má saída de Strick, colocou o Benfica a vencer por 3-0, passando para a frente da eliminatória. Na segunda parte, a noite de pesadelo de Strick prosseguiu, com Eusébio e José Augusto, que bisou - o último golo foi na sequência de uma brilhante iniciativa individual -, a conduzirem os “encarnados” a um histórico 6-0 rumo às meias-finais da Taça dos Campeões Europeus.
FINAL FELIZ. O Tottenham Hotspur foi o adversário seguinte do Benfica. Uma vitória por 3-1 na Luz, com novo “bis” de José Augusto, abriu boas perspectivas para a segunda mão, onde o Benfica se adiantou com um golo de José Águas, parecendo resolver a eliminatória. Contudo, o Tottenham reagiu, deu a volta ao marcador e fez sofrer os “encarnados”, que acabaram por “segurar” o 1-2, chegando, pelo segundo ano consecutivo, à final da Taça dos Campeões Europeus. Na final de Amsterdão, diante do poderoso Real Madrid, de Di Stéfano, Puskas e Gento, o Benfica chegou a estar a perder por 2-0 e 3-2 – Puskas marcou os três golos do Real -, mas acabou por vencer por 5-3, com golos de Águas, Cavém, Coluna e Eusébio, que bisou, garantindo o bi-campeonato europeu de clubes. O Nuremberga, por sua vez, falhou a reconquista do título alemão, perdendo a final da prova, diante do Colónia (0-4), mas sagrar-se-ia vencedor da Taça da Alemanha, ao vencer por 2-1 o Fortuna Düsseldorf, numa final que foi decidida no prolongamento com um golo de Tasso Wild.
AS FICHAS DOS JOGOS:


VÍDEO DO BENFICA 6-0 NUREMBERGA:
Sporting: quebrar o enguiço suíço
terça-feira, 12 fevereiro 2008

ENGUIÇO SUIÇO Sporting e Basileia disputam amanhã, em Alvalade, a primeira mão dos 16 avos de final da Taça UEFA. Será a primeira vez que os dois emblemas se cruzam no histórico das competições europeias, como também é a estreia da formação suíça, onde alinha o português Carlitos, diante de clubes portugueses. Ao invés, o Sporting defronta pela quinta vez equipas suíças nas provas da UEFA. E o saldo é negativo: os leões apenas uma vez seguiram em frente, diante do FC Zurique, na Taça das Taças, em 1973/74, contando já com três eliminações, repartidas por FC Zurique – 1967/68 na Taça das Cidades com Feira -, Neuchâtel Xamax – 1981/82 na Taça UEFA - e Grasshopper – 1992/93 na Taça UEFA. No entanto, o saldo de resultados até é equilibrado: 3 vitórias, 2 empates e 3 derrotas.
A REVELAÇÃO SUIÇA NA ANTECÂMARA DO DESASTRE Estimulado por um percurso de sete vitórias consecutivas na Liga portuguesa 1967/68, o Sporting, orientado por Fernando Caiado, deslocou-se a Zurique, na sua estreia diante de emblemas suíços nas competições europeias, extremamente motivado com a liderança isolada do campeonato português, depois de ter começado mal a temporada, andando algumas semanas no 5º posto da classificação. Na extinta Taça das Cidades com Feira, já deixara pelo caminho os belgas do Club Brugge (empate a zero na Bélgica ; vitória 2-1 em Alvalade, com “bis” de Lourenço) e os italianos da Fiorentina (nova vitória 2-1 em Alvalade, com golos de Lourenço e Peres, e empate a 1 em Itália, com golo de Peres), mas o adversário metia respeito: o FC Zurique, que tinha no avançado Christian Winiger o seu principal jogador, pois vinha a revelar-se como uma das figuras da competição, ao contribuir, de forma decisiva, para as eliminações de Barcelona e Nottingham Forest. No Letzigrund, o Sporting entrou mal e o FC Zurique vencia ao intervalo por 2-0, graças a golos de Winiger e Ernst Meyer. Na segunda parte, os leões reagiram e procuraram reduzir a diferença, mas seria a formação suíça, a um minuto do fim, a alcançar o 3-0, com um golo do lateral-direito Jürgen Neumann. Três dias antes da recepção ao Zurique, o Sporting perdia em Braga (1-3) e deixava-se apanhar pelo Benfica no comando da Liga. O público, pouco crente na recuperação da eliminatória, não compareceu em massa em Alvalade, onde a plateia não chegava a 20 mil espectadores. Caiado surpreendeu ao lançar no “onze” o jovem extremo Carlitos, ocupando o lugar de Fernando Peres, que já falhara o jogo na Suiça, onde fora rendido por Manuel Duarte. Foi Carlitos, que, aos 22 minutos, colocou o Sporting em vantagem e parecia relançar a eliminatória, mas a verdade é que o Zurique, com alguma sorte à mistura, acabou por segurar o 0-1, alcançando os quartos-de-final da competição. Esse resultado acabou por marcar o resto da temporada do Sporting na Liga, onde perderia o título, com quatro derrotas nas cinco últimas jornadas da prova.


A ÚNICA PASSAGEM. Em Março de 1974, desta feita para a Taça das Taças, Sporting e FC Zurique voltaram a encontrar-se nas competições europeias. Um Sporting rejuvenescido, onde Marinho era o único resistente da eliminatória de 1968, defrontava um FC Zurique, que mesclava juventude com jogadores mais veteranos, como Grob, Pirmin Stierli, Kuhn ou Martinelli, sobreviventes do duplo-encontro da Taça das Cidades com Feira. Para chegar aos quartos-de-final da Taça das Taças, o Sporting deixara pelo caminho o Cardiff City – empate a zero no País de Gales, seguido de vitória por 2-1 em Alvalade, com golos de Yazalde e Fraguito – e o Sunderland, com um golo de Yazalde, nos minutos finais da partida de Roker Park, a permitir um 1-2, que tornou possível a passagem em Alvalade, onde os leões bateram o conjunto inglês por 2-0, graças a golos dos repetentes Yazalde e Fraguito. O FC Zurique, por sua vez, vinha de duas eliminatórias sofridas: passara o Anderlecht e o Malmö em eliminatórias que terminaram empatas, mas fez-se valer dos golos apontados fora, com o internacional jugoslavo Ilija Katic em plano de destaque. A primeira mão, disputada em Alvalade, mostrou um Sporting demolidor, impulsionado por mais de 40 mil adeptos. Depois de uma primeira parte sem golos, muito por culpa da exibição do guardião suíço Grob, os leões construíram um resultado pesado: 3-0, com golos de Nelson, Marinho e Yazalde, de grande penalidade. Confirmava-se o Sporting imparável nos jogos caseiros, que somava por vitórias todos os jogos disputados em casa em 1973/74, com o impressionante registo de 54 golos nos 12 jogos que disputara, até aí, em Alvalade para a Liga. No jogo da segunda mão, apesar da vantagem dilatada, Mário Lino, treinador do Sporting, não facilitou, isto apesar de estar numa fase decisiva para a Liga – acabava de defrontar o FC Porto (vitória 2-0) e seguiam-se a deslocação a Guimarães e a recepção ao Benfica. É certo, que um golo madrugador de René Botteron, também conhecido por “Bo Bo”, chegou a assustar, mas Baltazar, aos 18 minutos, empatou e desmoralizou os suíços, que necessitavam de três golos para seguir em frente. É certo que desperdiçaram algumas oportunidades, mas Marinho, Yazalde e Dinis também souberam colocar a cabeça dos defesas adversários em água. O Sporting cairia depois nas meias-finais, diante do poderoso Magdeburgo, que derrotaria o AC Milan na final da prova, mas sagrar-se-ia campeão nacional, apesar da estrondosa derrota por 3-5 em Alvalade, diante do Benfica.


A PRIMEIRA DERROTA DA ÉPOCA. Em 1981/82, o Sporting, que já deixara para trás o modesto Red Boys, do Luxemburgo, e o Southampton, após uma exibição épica em The Dell, cruzava-se nos oitavos-de-final da Taça UEFA com o Neuchâtel Xamax. Ultrapassadas as dúvidas iniciais sobre a qualidade do playboy inglês Malcolm Allison, que João Rocha escolhera para recolocar os leões no caminho do êxito, o Sporting chegava à primeira mão da eliminatória frente aos suíços altamente moralizado: sem derrotas na campanha europeia e na Liga, um surpreendente empate caseiro do FC Porto, de Hermann Stessl, frente ao Amora, permitia aos “leões” chegarem ao comando isolado da principal competição nacional. No entanto, e apesar do optimismo generalizado, Allison mostrou muito respeito pelo Neuchâtel, ciente do perigo dos suíços no contra-ataque, que já valera uma vitória em casa do Malmö (1-0) e dois golos na deslocação a Praga (derrota 3-2). Assim, o “onze” foi montado com várias cautelas defensivas, ficando as “despesas” ofensivas entregues ao “tridente” mágico formado por Oliveira, Manuel Fernandes e Jordão, que não foi capaz de “derrubar” a resistência dos suíços, com o guardião Karl Engel, em noite inspirada. Na segunda mão, em que não pode contar com o goleador Jordão, “Big” Mal optou por uma estratégia mais ofensiva: lançou o jovem Freire no ataque e deu ao meio-campo maior poder ofensivo, com as presenças do veterano Marinho e de Nogueira. Um golo do médio Claude Andrey, actual treinador do Yverdon, acabaria por se revelar determinante, naquela que foi a primeira derrota da época do Sporting. Fora da Taça UEFA, os “leões” prosseguiram um caminho seguro no Campeonato e na Taça de Portugal, conquistando ambas as competições. Allison, contudo, não sobreviveria à tumultuosa pré-temporada de 1982/83, onde um escândalo com prostitutas, no estágio de pré-temporada dos “leões” realizado na Bulgária, precipitaria a sua saída.


A NOITE DE ELBER E O PESADELO DE SÉRGIO. Quase 11 anos depois da eliminação diante do Neuchâtel, o Sporting, novamente orientado tecnicamente por um inglês (Bobby Robson), reencontrava-se com um emblema suíço na Taça UEFA: o Grasshopper, uma equipa jovem, mas que não tardou a tornar-se a base da selecção suíça que garantiu o apuramento para o Mundial 1994 – deixando Portugal de fora – e para o Europeu 1996, onde esteve sob o comando de Artur Jorge. Treinados pelo globetrotter holandês Leo Beenhaker, o Grasshopper contava nas suas fileiras com Zuberbhuler, Sforza, Vega, Bickel, Yakin e Alain Sutter, para além de um jovem avançado brasileiro, que se destacara no Mundial de Juniores de 1991, disputado em Portugal: Elber. Apesar de um mau início de campeonato com apenas 1 vitória – 4-3, em casa, ao Famalicão – nas 4 primeiras jornadas da Liga, o Sporting partia para Zurique sob uma nuvem de interrogações. Robson, contudo, não hesitou em repetir o “onze” que garantira um empate a zero em Braga dias antes, onde surpreendera a titularidade do eterno suplente Sérgio Louro em detrimento de Tomislav Ivkovic, protagonista de um péssimo início de época. Um golo de Alain Sutter, de grande penalidade, fazia antever o pior, mas o Sporting partiu para uma exibição de qualidade, com Balakov inspiradíssimo, coadjuvado pelo jovem Luís Figo. Foi o internacional búlgaro, ainda antes do intervalo, a marcar o empate, com Juskowiak, perto do fim da partida, a garantir a primeira vitória dos “leões” fora de portas em 1992/93, abrindo excelentes perspectivas para a segunda mão em Alvalade. A boa “onda” leonina prosseguiu na Liga, com uma goleada por 3-0 ao Sp. Espinho, num jogo que ficou marcado pelo regresso de Ivkovic à titularidade, que teve continuidade, em Faro, onde o Sporting empatou, na véspera da recepção aos suíços. Contudo, seria Sérgio o titular diante do Grasshopper, num jogo em que Robson optou por voltar ao “onze” que vencera em Zurique. A partida não começou bem para os leões, e Elber, na primeira parte, adiantou os suíços, com Pedro Barny e Valckx a sentirem imensas dificuldades em travar a velocidade e qualidade técnica do avançado brasileiro, com Sérgio a revelar-se muito inseguro na baliza. O Sporting desperdiçou várias oportunidades para repor a igualdade, mas à medida que os minutos passavam a intranquilidade aumentava. Beenhaker, destemido, lançava Joël Magnin e alargava a frente de ataque, e a substituição deu frutos, pois o recém-entrado fez o 0-2 a cinco minutos do fim, que parecia resolver a eliminatória. No entanto, um golo “salvador” de Cadete levava a eliminatória para prolongamento, onde o contra-ataque do Grasshopper colocou definitivamente a nu a desastrosa noite da defesa leonina, com Elber a marcar o seu segundo golo da noite e a conduzir a formação de Zurique à eliminatória seguinte. Robson ficou na “corda-bamba” e uma derrota diante do Gil Vicente, graças a um golo de Jaime Cerqueira, a dois minutos do fim da partida, na jornada seguinte da Liga, colocou-o num “limbo”, que só uma vitória caseira diante do Benfica de Ivic travou. Sérgio é que não voltaria a merecer a confiança de Robson, não surpreendendo a sua dispensa no final da temporada, colocando o fim a um ciclo de 11 anos em Alvalade – foi contratado, enquanto juvenil, ao Barreirense -, interrompido por três épocas de empréstimo ao Portimonense, onde chegou a dar nas vistas. Iniciava, aos 27 anos, um percurso descendente, com passagens por Académica, Maia, Paços de Ferreira, Machico, Portimonense, Lagoa (duas passagens), Esperança de Lagos e Desportivo de Beja, onde terminou a carreira, na 3ªDivisão, em 2001.


Yakubu: de dispensado no Gil Vicente a goleador na Premier League
sexta-feira, 4 janeiro 2008

“OPERAÇÃO” YAKUBU. Foi a 13 de Agosto de 1999, exactamente uma semana antes da Liga 1999/2000 se iniciar, que o Gil Vicente apresentava como reforço para a nova temporada um jovem internacional nigeriano nos escalões de formação. De seu nome Yakubu Aiyegbeni, de apenas 16 anos. Álvaro Magalhães, na altura técnico dos gilistas, mostrava-se preocupado com a lesão longa de Diocliciano Tavares e pela inadaptação do reforço Xandi, um avançado extremamente franzino descoberto no modesto Lajeadense e indicado pelo empresário Manuel Barbosa, tendo pedido um novo homem de área. A Direcção do Gil Vicente procurou uma solução e encontrou-a no jovem Yakubu, que, apesar da sua juventude, já era titular do Julius Berger, clube da divisão maior do futebol nigeriano. As negociações, intermediada por Sylvanus, antigo internacional nigeriano que jogou no futebol português na década de oitenta, foram duras e prolongaram-se durante algumas semanas, pois o Gil Vicente não podia cobrir o valor do passe de Yakubu, tendo sido encontrada uma solução intermédia: um empréstimo por uma temporada. A operação foi levada tão a sério que, apesar da imprensa falar do interesse do clube em jovens africanos, o nome de Yakubu só foi conhecido quando foi apresentado. E não chegou sozinho: com Yakubu chegou também um jovem central nigeriano de nome Harry (Harrison Omokoh, central há vários anos a jogar na Ucrânia, onde chegou a representar o Dínamo Kiev).
DOIS GOLOS NA ESTREIA APÓS A TEMPESTADE. Depois da apresentação, na então renovada sala de imprensa do Estádio Adelino Ribeiro Novo, Yakubu e Harry seguiram para Braga, onde pernoitaram. No dia seguinte, o secretário-técnico Rochinha dirigiu-se ao hotel, a fim de transportar os jogadores a Barcelos onde iriam fazer os indispensáveis testes médicos. Contudo, e para espanto de Rochinha, Harry e Yakubu recusaram-se a acompanhá-lo e reclamaram os passaportes para regressarem, de imediato, à Nigéria. Segundo a edição do jornal “Record” de 15 de Agosto de 1999, os dirigentes gilistas queixavam-se de um envolvimento de um novo empresário, que terá aliciado os jogadores com uma proposta de um emblema luso de maior projecção que dobraria as propostas. Contudo, Sylvanus e Peter Rufai, que se preparava para reforçar a formação gilista, conseguiram dar a volta à situação, e colocaram Yakubu e o seu compatriota novamente na rota do emblema de Barcelos. E, na tarde de 16 de Agosto, Yakubu fez o primeiro treino pelo Gil Vicente, apontando dois golos: um de grande penalidade e outro de cabeça numa movimentação à ponta de lança que agradou de sobremaneira a Álvaro Magalhães, que não escondia a felicidade com o novo reforço. Yakubu, de poucas palavras e algo tímido, falou à imprensa no final do treino: “É sempre importante marcar golos, mesmo que num treino, pois é essa a minha missão”.
NOVA NOVELA. Já depois de João Magalhães, na altura presidente do Gil Vicente, ter revelado que o clube ia contrair um empréstimo bancário para pagar os 40 mil contos envolvidos na operação de compra dos passes dos dois jovens nigerianos, de forma a evitar problemas semelhantes aos de Drulovic, que abandonou, a meio da temporada 1993-94, o Gil Vicente à revelia do clube, pois os seus empresários venderam o seu passe ao FC Porto, iniciou-se uma nova “novela”: a da não chegada do certificado internacional de Yakubu e Harry, que falharam a recepção ao Campomaiorense (vitória 3-0) e deslocação ao Restelo (empate 1-1), para desespero dos dirigentes do Gil Vicente e de Álvaro Magalhães, que se viu obrigado a adaptar Guga ao posto de avançado-centro. Só que, a 30 de Agosto, João Magalhães mostrou-se cansado de esperas e decidiu dispensar Yakubu e Harry, acrescentando que os jogadores estavam proibidos a partir daí de treinar com o restante plantel.
O RAPTO E A PENHORA. Na edição de 31 de Agosto de 1999 do jornal “Record”, o “caso” Yakubu e Harry mereceu amplo destaque, surgindo mais uma figura na novela – o guineense Cátio Balde, representante em Portugal do empresário nigeriano Sylvanus, que acrescentou novos dados ao enredo: “Os contratos estão assinados e tudo está legal. O Sylvanus regressa da Nigéria quarta-feira, onde se deslocou exclusivamente para desbloquear a situação, já com os documentos e agora eles querem dispensá-los. O Gil Vicente foi o escolhido devido às boas relações com o treinador Álvaro Magalhães, uma vez que havia vários clubes interessados. O Sylvanus quase teve de raptar o Yakubu para Portugal e, agora, foi obrigado a penhorar duas casas na Nigéria, no valor de um milhão de dólares, para o clube que detém o certificado internacional dar o documento. Ele chega amanhã, está tudo legal e já não querem os futebolistas”.
O ADEUS A BARCELOS. A aventura terminou a 2 de Setembro, data em que Sylvanus regressou a Portugal, desconhecendo-se se acompanhado dos certificados internacionais dos jogadores. O empresário ainda falou de um eventual interesse de União de Leiria e Marítimo no concurso de Harry e Yakubu, como também de um elemento ligado a um clube saudita. Yakubu, que em Barcelos cruzou-se com jogadores como Petit, Ricardo Nascimento, Auri, Fangueiro ou Guga, partiu amargurado, dizendo mesmo que o seu desejo era regressar o mais rapidamente possível à Nigéria, de forma a preparar da melhor forma possível uma eventual participação nos Jogos Olímpicos de 2000, que acabou por se concretizar. Na altura da despedida a Barcelos, os jogadores nigerianos queixaram-se ao jornal “Record”: “Esta situação não foi nada agradável e nunca pensámos que viesse a acontecer quando chegámos a Barcelos. Somos internacionais pelo nosso país e não merecemos este tratamento. Sentimo-nos superiores a isto tudo e ao clube”.
YAKUBU, PROFISSÃO: GOLEADOR Depois da experiência negativa em Barcelos, Yakubu regressou à Nigéria, mas por pouco tempo. Foi contratado pelo Hapoel Kfar-Saba, clube que pretendia fugir à despromoção na divisão maior do futebol israelita. Marcou 6 golos em 23 jogos em 1999/00, mas que não foram suficientes para evitar a descida. A boa experiência em Israel valeu-lhe a estreia pela Selecção principal da Nigéria, como também a participação nos Jogos Olímpicos de 2000, onde marcou um golo espectacular às Honduras. Após as Olímpiadas voltou a Israel, mas para representar o Maccabi Haifa, onde após apontar 3 golos em 14 jogos, seguiu, por empréstimo, para o Dínamo Kiev, onde não se chegou a estrear. Regressou a Israel, onde viria a apontar 13 golos em 22 jogos pelo Maccabi Haifa em 2001/02, regressando à Selecção, figurando no lote de pré-seleccionados para o Mundial 2002, mas acabaria por ficar de fora dos eleitos, isto apesar de ter participado no último jogo treino antes da fase final. Continuou no Maccabi Haifa, que lhe deu a oportunidade de se estrear na Liga dos Campeões, em 2002/03: apontou 7 golos em 7 jogos – um “hat-trick” ao Olympiakos e um golo, de grande penalidade, ao Manchester United deram-lhe grande projecção -, a que juntou 8 golos em 13 jogos da Liga, tornando-se num dos frutos mais apetecidos do “Mercado” de Janeiro em 2003. Rumaria ao Portsmouth, que procurava a subida à Premier League, e não desiludiu: 7 golos em 14 jogos e a promoção ao principal Campeonato do futebol inglês. Nas duas épocas seguintes, já na Premier League, apontou 29 golos em 67 jogos, transferindo-se, no Verão de 2005, para o Middlesbrough, que investiu 7 milhões e meio de libras na sua aquisição. Em duas temporadas, marcou 25 golos em 71 jogos da Premier League, a que juntou 8 golos na FA Cup e 2 na Taça UEFA, tendo sido suplente utilizado na final da competição em 2005/06, que o Boro perdeu para o Sevilha (0-4). Esta época começou-a ainda no emblema de Riverside, mas a 29 de Agosto de 2007 foi apresentado como novo reforço do Everton, que investiu 11,25 milhões de libras na sua aquisição. É, até ao momento, o melhor marcador do clube na Premier League 2007/08, somando 9 golos em 15 jogos, tendo-se destacado ao apontar um “hat-trick” diante do Fulham, o clube a quem mais golos marcou desde que chegou a Inglaterra: 8 em 8 jogos.
Benfica - FC Porto: pedaços de História do Clássico
quinta-feira, 29 novembro 2007


O PRIMEIRO CLÁSSICO EM LISBOA. Foi a 24 de Março de 1935 que Benfica e FC Porto se encontraram pela primeira vez em Lisboa para disputar um jogo da Liga, no velho Campo das Amoreiras, com arbitragem do lisboeta Manuel Marques. A partida, a contar para a 10ª jornada da prova, a apenas cinco jogos do final do Campeonato, levava um FC Porto extremamente moralizado a Lisboa, fruto de cinco vitórias consecutivas, que lhe garantiam a liderança da Liga, com 3 pontos de vantagem sobre Belenenses e 4 sobre Sporting e Benfica. O jogo, que criou enorme expectativa no País, levou 20.000 pessoas a encherem por completo o Campo das Amoreiras, sendo que do Porto viajaram dois comboios especiais repletos de adeptos. A recepção à equipa do FC Porto, quando os jogadores azuis e brancos entraram em campo, não foi a melhor: adeptos do Sporting e Belenenses juntaram-se à falange encarnada e criaram um ambiente de enorme agressividade, com gritos hostis de "fora, fora, fora". O Benfica venceu por 3-0, com o médio Gaspar Pinto, beneficiando de um desvio do defesa portista Jerónimo, e o avançado Rogério Sousa a garantirem no último quarto de hora da primeira parte uma vantagem de 2-0 ao intervalo. Vítor Silva, avançado, concretizaria o 3-0 final, a 12 minutos do fim, relançando a luta pelo título, já que o Sporting, com uma vitória no Estádio do Lima, diante da Académica do Porto, por 3-2, e o Belenenses, que derrotou a Académica, nas Salésias, por 4-0, também aproveitaram o deslize do líder. Joseph Szabo, o luso-húngaro que orientava tecnicamente o FC Porto, queixou-se no final do jogo do ambiente hostil criado pelos adeptos dos três grandes clubes lisboetas, mas garantiu que o título não escaparia ao FC Porto, o que se concretizaria, na última jornada, com um empate em Lisboa, no Campo Grande, diante do Sporting, que necessitava de uma vitória para se sagrar Campeão Nacional.
FICHA DO JOGO:
BENFICA: Augusto Amaro - Gatinho, Gustavo Teixeira - Francisco Albino, Lucas, Gaspar Pinto - Torres, Fernando Cardoso, Vítor Silva, Rogério Sousa, Alfredo Valadas.
Treinador: Vítor Gonçalves.
FC PORTO: Soares dos Reis - Carlos Pereira, Jerónimo Faria - João Nova, Álvaro Pereira, Raul Castro - Waldemar Mota, António Santos, Lopes Carneiro, Pinga, Carlos Nunes.
Treinador: Joseph Szabo.
GOLOS: 32' Gaspar Pinto (1-0) ; 40' Rogério Sousa (2-0) ; 78' Vítor Silva (3-0).
O PRIMEIRO CLÁSSICO NA LIGA. Menos de dois meses antes da primeira viagem do FC Porto a Lisboa para defrontar o Benfica, as duas equipas encontraram-se, no Porto, para disputarem o primeiro clássico da história da Liga, num jogo a contar para a 3ª jornada, e que se disputou no Estádio do Lima. A partida, disputada a 3 de Fevereiro de 1935, e que se iniciou às 14:40, com um atraso de dez minutos em relação à hora prevista, foi arbitrada pelo conimbricense Manuel Oliveira. O FC Porto venceu por 2-1, com o avançado Lopes Carneiro, aos 15 minutos, a adiantar os portistas no marcador, fixando o resultado ao intervalo. O Benfica procurou reagir, mas, aos 58 minutos, Manuel Oliveira assinalou uma grande penalidade favorável ao FC Porto. O goleador Pinga chamado à conversão do castigo máximo, desperdiçou a oportunidade, mas numa decisão muito contestada pelos jogadores do Benfica, o árbitro conimbricense mandou repetir a penalidade. Pinga voltaria a falhar, permitindo a Augusto Amaro entrar na história do Benfica, ao ser o primeiro guarda-redes a defender uma grande penalidade em jogos na Liga, mas não conseguiu impedir que o avançado portista marcasse na recarga, colocando o FC Porto a vencer por 2-0. Era o seu terceiro golo no Campeonato. Alfredo Valadas, avançado do Benfica, ainda reduziria, dois minutos depois, marcando o 4º dos seus 13 golos na Liga 1934/35, mas o FC Porto conseguiria segurar a vantagem até ao final, mantendo a liderança da prova a par do Belenenses, com o Benfica a ficar a 2 pontos de ambos.
FICHA DO JOGO:
FC PORTO: Soares dos Reis - Avelino Martins, Jerónimo Faria - João Nova, Álvaro Pereira, Carlos Pereira - Lopes Carneiro, Waldemar Mota, Acácio Mesquita, Pinga, Carlos Nunes.
Treinador: Joseph Szabo.
BENFICA: Augusto Amaro - Gatinho, Gustavo Teixeira - Francisco Albino, Álvaro Pina, Gaspar Pinto - Domingos Lopes, Luís Xavier, Torres, Rogério Sousa, Alfredo Valadas.
Treinador: Vítor Gonçalves.
GOLOS: 15' Lopes Carneiro (1-0), 60' Pinga (2-0), 62' Alfredo Valadas (2-1).
O PRIMEIRO JOGO. Em Abril de 1912, já com a vitória no Campeonato de Lisboa garantida a uma jornada do fim da prova, o Benfica deslocou-se ao Porto para efectuar um duplo confronto particular com o FC Porto: de manhã defrontaram-se as segundas categorias, com o Benfica a sair vencedor por 2-1 ; à tarde um jogos entre as primeiras categorias, em que o Benfica saiu também vencedor por um concludente 8-2. O primeiro registo de uma partida oficial reporta-se a 28 de Junho de 1931, quando Benfica e FC Porto defrontaram-se na final do Campeonato de Portugal 1930/31, numa partida disputada no Campo do Amado, em Coimbra, sob a arbitragem do lisboeta António Palhinhas. Vítor Silva, ao marcar dois golos, foi o "herói" encarnado, sendo que Denis apontou o outro golo do Benfica na vitória por 3-0.
FICHA DO JOGO DA FINAL DO CAMPEONATO DE PORTUGAL 1930/31:
BENFICA: Artur Dyson - Ralph Bailão, Luís Costa - João Correia, Aníbal José, Pedro Ferreira - Augusto Dinis, Emiliano Sampaio, Vítor Silva, João Oliveira, Manuel Oliveira.
Treinador: Artur John.
FC PORTO: Miguel Siska - Pedro Temudo, Avelino Martins - Felipe Santos, Álvaro Pereira, Euclides Anaura - Lopes Carneiro, Waldemar Mota, Norman Hall, Acácio Mesquita, Francisco Castro.
Treinador: Joseph Szabo.
GOLOS: 37' Vítor Silva (1-0), 44' Denis (2-0), 62' Vítor Silva (3-0).
BENFICA DOMINA EM CASA. Este sábado, Benfica e FC Porto disputarão o 74º clássico em casa dos encarnados em jogos da Liga, que possuem uma clara supremacia: 40 vitórias, 22 empates e 11 derrotas, 155 golos marcados e 72 golos sofridos. Apesar do domínio portista das últimas duas décadas do futebol português, nos últimos 21 anos apenas por 4 vezes conseguiram alcançar triunfos na Luz: em 1991/92, por 3-2 ; em 1996/97, por 2-1 ; em 2002/03, por 1-0, era Camacho o treinador do Benfica ; e em 2004/05, também por 1-0. A maior vitória do Benfica ao FC Porto, em jogos em casa, ocorreu em Fevereiro de 1943, com um estrondoso triunfo por 12-2, com o avançado Júlio a destacar-se ao apontar 4 golos ; enquanto que os portistas, em jogos do Campeonato, apenas venceram uma vez por mais do que um golo de diferença: em Janeiro de 1951, uma vitória por 2-0, com um "bis" de Monteiro da Costa.
MAIS AZUL. É o FC Porto que tem vantagem no confronto directo com o Benfica se contarmos todos os jogos (146) disputados entre os dois clubes na Liga: os azuis e brancos somam 55 triunfos, enquanto que os encarnados venceram em 52 ocasiões, tendo-se registado 39 empates. É, contudo, ao Benfica que pertence o maior registo de golos (243) face aos 218 do FC Porto.
CAMACHO - 3 JESUALDO - 0. Depois de ter substituído Jesualdo Ferreira no comando técnico do Benfica, José António Camacho teve a oportunidade de "apadrinhar" a estreia do Professor no Sp. Braga, triunfando no Municipal bracarense por 3-1. Na época seguinte - 2003/04 - Camacho voltou a levar a melhor sobre Jesualdo: 2-0 na Luz e 3-0 em Braga. Contudo, Camacho nunca conseguiu vencer o FC Porto em jogos a contar para o campeonato: 3 jogos, 1 empate e 2 derrotas ; enquanto que Jesualdo, que já defrontou o Benfica em 12 ocasiões, soma 4 triunfos - apenas 1 na Luz, pelo Alverca (2-0) -, 3 empates - 2 na Luz, um pelo FC Porto (1-1) e outro pelo Sp. Braga (0-0) - e 5 derrotas.
Sousa Cintra
terça-feira, 18 setembro 2007
Ao passar alguns dos meus arquivos VHS para formato DVD deparei-me com esta peça brilhante de Miguel Barroso para o programa "Fora de Jogo", de 1991. Uma câmara da RTP acompanhou o dia de Sousa Cintra antes, durante e depois do Sporting - Bolonha, partida do quartos-de-final da Taça UEFA 1990/91, que viria a dar o acesso dos "leões" às meias-finais da competição, onde cairiam aos pés do Inter. No entanto, esta reportagem retrata uma jornada gloriosa dos "leões" com Sousa Cintra como personagem central: a ansiedade antes da partida ; a viagem para o estádio ; a ida ao balneário antes do início do jogo, com direito a conversa com Marinho Peres e o jogador Careca, que havia sido apresentado, meses antes, como o "Novo Eusébio" ; a emoção ao rubro durante o jogo, com destaque para alguns comentários e diálogos hardcore ; e a felicidade pós-jogo no camarote, nos bastidores de Alvalade e, finalmente, num jantar oferecido aos árbitros. Memorável!
António Medeiros: Aramis e ralis
terça-feira, 1 novembro 2005
Texto de António Tadeia, no jornal 'Record' (Abril de 2004).
António Medeiros não gostava de punir quem mostrava iniciativa, mais não fosse para contrariar as regras. Foi o caso, por exemplo, quando alguns jogadores do Belenenses lhe gastaram em poucos minutos uma garrafa gigante de perfume "Aramis".
Os perfumes não abundavam naquele tempo, mas Medeiros fazia questão de andar sempre airoso, para o que se fazia acompanhar da tal mega-embalagem. Até que um dia, estando o treinador no duche, alguns jogadores incitaram os que desconheciam a quem pertencia a cheirosa essência a servir-se à vontade. Saído do banho, Medeiros percebeu, mas não deu parte de fraco: só na manhã seguinte, quando escreveu no quadro a programação dos trabalhos para a semana, é que surpreendeu todos com duas sessões diárias. E acabou: "Isto volta ao normal se aparecer uma garrafa de 'Aramis' igual à que foi gasta." E até houve quotizações para a comprar.
No fundo, Medeiros achava piada a estas coisas. Aliás, é o que se depreende do episódio em que Norton de Matos e Amaral, ambos loucos por ralis, pediram um atestado ao departamento médico para os libertar dos treinos (o jogo seguinte era particular) para acompanharem o Rali de Portugal por todo o país.
Por esses dias, o treinador desabafou ante o plantel: "Ainda por cima, temos dois doentes em casa." Um jogador não se conteve: "Doentes? Eles andam é no rali!" Medeiros ficou furioso e mandou os marialvas regressar de imediato, castigando-os com 90 minutos em campo no jogo. Já o denunciante teve pior sorte: passou a semana a treinar sozinho.
Futegrafia de António Medeiros.
António José dos Santos 'Medeiros', também conhecido por 'Tó de Leça', nasceu a 10 de Março de 1933.
Antigo jogador, com vários anos de 1ªDivisão, acabou por ser um dos treinadores de topo do futebol português na década de 70, em que realizou bons trabalhos no Estoril e no Belenenses, mas, ao contrário do que vaticinava, acabou por nunca chegar à selecção portuguesa e a um 'grande'.
Sem papas na língua, com uma atitude muito 'rock and roll' e deveras egocentrica, foi autor de frases como 'Só uma enxaqueca me poderá impedir de ser seleccionador nacional' ou 'O melhor é ir falar com o cavalo do Gary Cooper', especialmente dedicada aqueles que não gostava.
Na década de 80, a do seu declínio como técnico, com um afastamente progressivo da ribalta, foi protagonista no Amora, então na 1ªDivisão, de um caso insólito: numa altura em que a numeração era de um a onze, optou por invertê-la, com os avançados a utilizarem os números mais baixos e os defesas os mais altos (o lateral direito, por exemplo, era o nº11).

O Poço dos Tubarões (I)
segunda-feira, 10 outubro 2005

O ínicio de uma viagem até ao 'poço dos tubarões' do futebol português: a 2ªDivisão, esta época dividida em quatro séries. Para começar, a Série A, que engloba os clubes mais a Norte e formações da Madeira, onde recupero alguns jogadores e treinadores perdidos no 3º escalão do futebol português, longe das luzes da ribalta, que, em alguns casos, chegaram a ser conhecidas.
O líder da série é o Trofense, que tem como nome mais sonante o do ex-portista Costa, que, aos 31 anos, depois de passagens por Vitória Guimarães, Rio Ave, Vitória Setúbal e Desportivo de Chaves, caiu nas profundezas do terceiro escalão do futebol português. Os avançados Reguila, que a época passada actuou no Gondomar, e Shéu, que durante largas épocas representou o Gil Vicente, e o médio ofensivo Major, de 34 anos, com vários anos ao serviço do Maia, são outros dos principais nomes da equipa orientada por Daniel Ramos, antigo jogador do Rio Ave, que, na temporada anterior, teve uma passagem sem êxito pelo Desportivo de Chaves.
Uma das equipas que aposta forte na subida é o União da Madeira, que continua a ser orientado pelo brasileiro Ernesto Paulo, antigo treinador do clube na divisão maior do nosso futebol e seleccionador dos sub-20 brasileiros no Mundial de 1991. O início de época não tem sido o esperado, apesar do plantel conter vários jogadores experientes. São os casos do guardião Nuno Carrapato, ex-Nacional, dos médios Paiva, com muitos anos de 1ªDivisão, e de Joel Santos, ex-Marítimo, e do avançado Serginho Cunha, veterano brasileiro que fez furor durante várias épocas no rival Nacional. A estes juntam-se os jovens Rodrigo, antigo guarda-redes do Vitória Setúbal, o central Carlos Marques, formado no Sporting, e o lateral-esquerdo internacional esperança Vítor Rodrigues, produto das escolas do FC Porto, e ainda jogadores como Geufer, possante avançado brasileiro emprestado pelo Nacional, Emerson Gama, um médio ofensivo brasileiro que já representou Moreirense e Felgueiras, e Francisco Silva, antigo lateral esquerdo do Belenenses, que na última época actuou no Dragões Sandinenses.
Com ambição também parte o Portosantense, orientado por Lito Vidigal, antigo jogador do Belenenses, e que tem no seu irmão Toni Vidigal, antigo jogador de Varzim e Estoril, uma das principais unidades à sua disposição. Contudo, é o veteraníssimo Edinho, que, aos 38 anos, continua a revelar dotes de goleador, o nome mais sonante, contratado à Olhanense, de onde também chegaram o experiente central Miguel Teixeira, formado nas escolas do FC Porto, e que teve uma passagem pela divisão maior ao serviço do Salgueiros, e o médio brasileiro Glaedson, que já passou pelo Santa Clara. Léo Oliveira, um brasileiro que já passou por Paços de Ferreira e Penafiel, é outro dos elementos com maior experiência, de um plantel recheado de jovens, que apostou bastante no recrutamento em Elvas, terra natal da família Vidigal, de onde chegou o guarda-redes Pedro Silva, o defesa Rogério e o médio Dédé, uma das revelações deste início de temporada.
Depois de uma passagem pela 3ªDivisão, o Famalicão está de regresso ao terceiro escalão do futebol português. A aquisição mais sonantes dos famalicenses foi a de N'Tsunda, o ex-'filho do vento', que regressou a Portugal, onze anos depois de ter sido contrato pelo FC Porto, mas que ainda não se estreou na competição. O lateral-direito Hilário, depois de passagens pelo futebol italiano, o central/trinco Mirra, que já passou pelo Gil Vicente, o lateral-esquerdo Pinheiro, formado nas escolas do FC Porto, com passagem pelo Paços de Ferreira, o médio-ofensivo Kiwi e o avançado Bacari Djalô - filho de Mamadu Bobó -, ambos ex-Felgueiras, são outros dos principais nomes do plantel, que conta também com o jovem central Sereno, emprestado pelo Vitória de Guimarães.
Em Vila Verde, nos arredores de Braga, Nelito, antigo central do Sp. Braga e agora técnico do Vilaverdense, tenta repetir a surpreendente temporada do exercício anterior. Sem grandes nomes, destacam-se os experientes Ricardo Martins e Paulinho Cepa, com passagens pela Liga de Honra, para além de Jaco, um angolano que tentou a sua sorte em Espanha no último defeso, e do veterano Armando, de 34 anos, antigo goleador do Moreirense, que chegou a representar o Sp. Braga na divisão maior do nosso futebol.
Os Sandinenses, que garantiram a subida à 2ªDivisão na última temporada, não têm nomes sonantes, destacando-se apenas Quínio, um médio que já representou a equipa B do Sp. Braga, e Nuno Baptista, um lateral formado nas escolas do Boavista, mas que tem tido dificuldades em impor-se no futebol sénior, para além da curiosidade de ter um central chamado Padre. Contudo, a equipa revela um conjunto bastante compacto, orientado por António Carvalho, antigo jogador do Vitória de Guimarães.
Na Camacha, a formação madeirense apresenta alguns nomes com passado ligado aos 'grandes' clubes da região: são o caso de Márcio Abreu, extremo, ex-Marítimo, como também do lateral Carlos Manuel, do médio centro Leandro Salino - campeão mineiro em 2005 pelo Ipatinga - e do extremo brasileiro Rogerinho, ambos ex-Nacional, e do experiente central Agrela, antigo defesa do União da Madeira. Referência ainda para Diop, avançado senegalês, que na última época representou o Dragões Sandinenses.
O Ribeirão, que nas duas últimas temporadas havia sido orientado por Vítor Paneira, e que agora tem como técnico Dito, que procura relançar a sua carreira, conta nas suas fileiras com alguns jogadores experientes. São o caso do guarda-redes Litos, ex-Varzim, do central luso-brasileiro Lemos, também ex-Varzim, depois de vários anos ao serviço do Gil Vicente, do médio centro brasileiro Luiz Cláudio, que chegou a estar contratualmente ligado ao FC Porto, do também médio Rego, antigo internacional esperança português, e do veterano avançado goleador Paulo Vida, que na última temporada representou o Dragões Sandinenses.
O Atlético de Valdevez, que perdeu vários jogadores para clubes da SuperLiga e Liga de Honra - António (Rio Ave), Hélder Cabral (Vitória Guimarães), Peixinho (Santa Clara), Juliano Roma e Nicolas Jacob (Beira-Mar) - viu o seu plantel ser fortemente remodelado. A aposta no recrutamento passou pela aquisição de jovens ligados a clubes da principal Liga portuguesa, saídos dos juniores: são os casos de Rui Sacramento, guarda-redes, que luta pela titularidade com o ex-vimaranense Vítor Nuno, e André Carvalho, defesa-central, formados no FC Porto ; do lateral-direito Pedro Coentrão e do médio-centro Ricardo Palmeira, ambos ex-Rio Ave ; de Pedrinho, Toninho e Óscar, todos ex-Gil Vicente ; e de Rafael Santos, ex-Belenenses, que se juntam ao promissor Jeremy, internacional português nas selecções inferiores, que na última temporada chegou a fazer testes no Chelsea.
O Freamunde, orientado por Lowden, antigo jogador de Tirsense e Moreirense, sofreu várias perdas no seu plantel, já que o núcleo duro transitou com Nicolau Vaqueiro, antigo técnico do clube, para o Gondomar. O médio Raul Moreira, que chegou a representar o Rio Ave na divisão maior, e Nandinho, jovem extremo das escolas do clube vila-condense, que se juntam aos experientes Barbosa e Bessa, para além de André Lisboa e Fernandes, este último um guineense que chegou a representar o Boavista nos escalões de formação.
O Desportivo de Fafe, que é orientado tecnicamente pelo búlgaro Tenev, antigo jogador do clube, conta nas suas fileiras com alguns jogadores veteranos, como são o caso dos defesas Carlitos e Quim da Costa, com muitos anos ao serviço do Desp. Aves, como também do avançado angolano Lobo, de 35 anos. A estes juntam-se o luso-francês François Fernandez e o brasileiro Jader, jogadores que chegaram a passar pelo principal campeonato português ao serviço de Paços de Ferreira e Rio Ave, e o promissor Tiago Nogueira, o 'nº10' da equipa, que teve uma breve passagem pelo FC Porto B.
No Lixa, como é tradição, são vários os jogadores que contam com passagens pelo Felgueiras. São os casos de Paulo César, Rafael Duarte e Zézé, aos quais se junta Pedro Valente, irmão do internacional Nuno Valente, que tal como o irmão foi formado nas escolas do Sporting, e que já representou Maia e Leixões, o seu anterior clube, na Liga de Honra.
Abaixo das expectativas, o início do campeonato do Sp. Braga B. Com um plantel bastante jovem, tem nas suas fileiras vários jogadores que já trabalharam com o plantel principal: são os casos do guarda-redes Eduardo, do central José Pedro, do central/trinco Paulo Monteiro, do lateral-esquerdo João Cardoso, filho de João Cardoso, antigo internacional português e actual adjunto de Jesualdo Ferreira, do médio ofensivo Diego ou do muito promissor João Pedro, campeão europeu de sub-17. Entre as novidades, destaque para o jovem brasileiro Rodrigo Dantas, um avançado que mostrou dotes de goleador no Caldas, e que Jesualdo já chamou ao plantel principal.
Por fim, o Torcatense. A equipa dos arredores de Guimarães, estreante na competição, tem uma formação baseada em jovens formado nas escolas do Vitória, contando com alguns jogadores promissores, ainda contratualmente ligados ao clube vimaranense, como são o caso dos laterais Barata e Vitinha, ou do avançado Guilherme Cascavel, filho do 'mítico' Paulinho Cascavel, que fizeram a pré-temporada com Jaime Pacheco, e ainda Pedro Borges, Paulo Freitas, Rocha e Rui Cheguerov, todos ex-juniores do Vitória. Entre os restantes jogadores, o destaque vai para o central Miguel, antigo jogador do Vitória de Guimarães e Sporting, que, aos 41 anos, continua em actividade.
Vitória Setúbal: Norton de Matos e a viragem para França
quinta-feira, 30 junho 2005

Luís Norton de Matos fará a sua estreia como técnico na SuperLiga ao serviço do Vitória Setúbal, que lhe abrirá também a perspectiva de disputar as competições europeias. O Terceiro Anel propõe uma viagem pelo trajecto deste treinador multi-facetado, que nunca escondeu a sua predilecção pelo futebol argentino e francês. E tem sido o mercado francês uma das principais apostas do Vitória Setúbal para a construção do plantel para a nova temporada: conheça os reforços, os outros alvos, mas também as aquisições feitas por Norton de Matos no mercado francês, como director desportivo do Sporting e treinador do Sp. Espinho e Salgueiros.
O percurso como jogador

Luis Maria Cabral Norton de Matos, nasceu em Lisboa a 14 de Dezembro de 1953. Sobrinho-bisneto do General José Norton de Matos, grão-mestre da Maçonaria portuguesa e candidato à presidência da república em 1948, preso e exilado pelo antigo regime, Luis Maria cresceu sob essa sombra, que acabou por lhe dar algum destaque em termos de imprensa desportiva no início da carreira.
Depois de ter dado os primeiros passos nas camadas jovens do Estoril-Praia 'saltou', enquanto júnior, para o Benfica, onde se sagrou campeão nacional da categoria.
Em 1972/73 foi promovido à equipa sénior dos 'encarnados', mas não teve qualquer oportunidade na primeira equipa, rumando, na temporada seguinte, por empréstimo, à Académica, onde tentou, sem sucesso, ingressar no ensino superior.
Em 1974 regressaria à Luz, mas a falta de oportunidades acabaria por o levar a outros clubes: Estoril, Atlético e Belenenses, numa carreira em crescendo, que lhe abriria as portas do Standard Liège, emblema belga que representou entre 1978 e 1981, somando, em três épocas, 20 golos, em 87 jogos, entre Campeonato, Taça e Competições europeias.
Em 1981, regressou a Portugal, para representar o Portimonense, onde se manteve até 1984. Acabou por ser nessas três épocas um dos principais responsáveis pelas boas carreiras dos algarvios na divisão maior do futebol português, vencendo prémios de regularidade e de jogador do ano da imprensa desportiva nacional em 1981/82.
Em 1984, abandonou em litigio o clube, e apesar de se ter falado num eventual interesse do Benfica, assinou pelo Belenenses, onde jogou duas temporadas. O ponto final na sua carreira deu-se na Amadora, ao serviço do Estrela, em 1986/87.
Ao todo, foi internacional português em 8 ocasiões: 5 pela Selecção AA e 3 repartidas entre olímpicos, esperanças e júniores.
O percurso como treinador e director desportivo

Em 1989/90, Luís Norton de Matos iniciou a sua carreira como treinador no Atlético. Uma equipa maioritariamente composta por jovens, onde Camberra e Vinha viriam a ser os únicos jogadores a chegarem à divisão maior do nosso futebol. A estreia como técnico durou pouco, já que abandonou o clube ainda antes do final de 1989.
O passo seguinte foi a Selecção Nacional, onde viria a trabalhar com António Oliveira, na selecção de Esperanças, também sem grandes resultados. Em 1991 rumou ao Barreirense, acabado de cair na 2ªB, onde se manteve durante duas temporadas: na primeira época, não foi além de um modesto 11º lugar, seguindo-se um 3º lugar, em 1992/93. Do plantel, sem grandes nomes, acabaram por ser os centrais Fonseca e Duca, ainda em início de carreira, a atingirem maior projecção no futebol português.
Após abandonar o Barreirense, iniciou a temporada 1993/94 sem clube, mas rapidamente encontrou colocação: Quinito, com quem curiosamente trabalhará em Setúbal, foi despedido do Sp. Espinho após um decepcionante início de campeonato na Liga de Honra, mas Norton de Matos esteve longe de conseguir colocar o clube na rota do regresso à SuperLiga, acabando por cair num modesto 14º posto, com a manutenção apenas a ser garantida nas últimas jornadas. Na temporada seguinte, ainda em Espinho, promoveu uma reformulação no plantel, que conduziu a um campeonato tranquilo: 9º lugar final. Registam-se as suas apostas em dois talentosos jovens formados no clube - Pedro e Cardoso -, como também em Bolinhas e Artur Jorge, que, em conjunto, valeram 23 golos em 1994/95.
Terminado o campeonato, Norton de Matos decidiu fazer uma pausa no trabalho como técnico e aceitou um convite de Pedro Santana Lopes para assumir o cargo de Director Desportivo do Sporting, com a anuência de Carlos Queirós, na altura treinador. Manteve-se no cargo durante cerca de dois anos e meio, já que em Novembro de 1997, após divergências com Simões d'Almeida, na altura 'braço direito' de José Roquette, saiu do clube.
Meses mais tarde, regressaria ao Sporting, já sem Simões d'Almeida, e com José Couceiro, o seu 'sucessor', a ver o seu cargo esvaziado após o despedimento de Carlos Manuel. Com o pomposo cargo de Consultor para o Futebol, Norton de Matos manter-se-ia em funções entre o Verão de 1998 e Abril de 1999, saindo do clube ainda antes do final de (mais) uma época má em termos desportivos, onde várias das suas apostas na prospecção se revelaram um fracasso.
Ao longo do seu trajecto no Sporting, em que o êxito desportivo resume-se à conquista de uma SuperTaça, foi o principal responsável pelas apostas em Waseige e Jozic, que estiveram longe de resultar, mas também, segundo o próprio, numa entrevista ao jornal 'Record', em 2000, pela aquisição de 26 jogadores, nos quais o Sporting investiu cerca de 6,3 milhões de contos, mas obteve lucros na ordem dos 3 milhões de contos, já que a venda de 20 deles permitiram o encaixe de 9,3 milhões de contos. Contas, no mínimo, discutiveis, se analisarmos as 36 aquisições - e não 26 - feitas pelo Sporting com Norton a desempenhar os cargos de Director Desportivo e Consultor para o futebol.
Eis os nomes: Acosta, Afonso Martins, Assis, Balajic, Bino, Carlos Miguel, César Ramirez, De Wilde, Delfim, Dominguez, Duscher, Gil Baiano, Gimenez, Hadji, Heinze, Kmet, Krpan, Lang, Leandro Machado, Luis Miguel, Marcos, Mauro Soares, Misse Misse, Nélson, Nenê, Ouattara, Paulo Alves, Pedro Barbosa, Pedro Martins, Quim Berto, Quiroga, Saber, Skuhravy, Tiago, Vidigal, Vinicius. (não contando com Hanuch e Viveros, jogadores referenciados por Norton de Matos, mas já contratados após a sua saída do clube).
Após uma paragem de mais dois anos, assumiu, no Verão de 2001, o comando técnico do Sp. Espinho, retomando a sua carreira de treinador, curiosamente no clube que abandonara para rumar a Alvalade. As expectativas eram elevadas, com uma aposta muito forte no mercado francês e argentino, dois dos seus 'eternos' alvos preferenciais, mas que acabou por se revelar um verdadeiro fracasso. A temporada foi decepcionante, com Norton de Matos a abandonar o clube, na zona de descida, à 25ª jornada. Formosinho, futuro responsável pela equipa B do Vitória de Setúbal, foi quem lhe sucedeu à frente dos 'tigres', mas não conseguiu evitar a descida do Sp. Espinho à 2ªB.
Depois de nova paragem, de cerca de um ano, foi convidado para assumir o comando técnico do Salgueiros, também na Liga de Honra, na recta final do campeonato 2002/03. Depois de ter andado semanas consecutivas na liderança sob o comando técnico de Carlos Manuel, a equipa entrara numa trajectória descendente, mas ainda estava perto da zona de subida. A substituição foi desastrosa, e o Salgueiros acabou por se afundar na 9ª posição, acumulando derrotas. A nova época marcou uma profunda remodelação no plantel, com a aposta em muitos jovens, que acabou por resultar: 6º lugar, e o lançamento de alguns talentos, como Nélson, actualmente no Boavista, e Fábio Hempel, que se viria a sagrar melhor marcador da prova.
A boa prestação, valeu-lhe a renovação do contrato para 2004/05, época que foi atempadamente preparada, com novas apostas em jovens promissores: José Fonte, Flávio e Heitor, que acompanharão Norton em Setúbal, onde já está o guarda-redes Moretto contratado pelo Salgueiros no Verão de 2004, mas também jogadores como Ricardo Pateiro (futuro jogador do Nacional), Ricardo Jorge (futuro jogador do Rio Ave) e Igor (fará a pré-época do Boavista).
Só que a 13 de Julho de 2004, a Liga Portuguesa de Futebol Profissional despromoveu, por dívidas, o Salgueiros à 2ªB, assistindo-se a uma debandada de jogadores, que levaram Norton de Matos a abandonar o comando técnico do clube em Agosto.
Depois de um ano de paragem, segue-se a estreia na divisão maior ao serviço do Vitória Setúbal, que lhe permitirá também o seu debute, como técnico, em competições europeias. À sua espera um trabalho complicado, dadas as inúmeras saídas e também porque a fasquia - depois de uma época positiva, abrilhantada pela conquista da Taça de Portugal - está alta.
Tacticamente, costuma apresentar as suas equipas em 4x2x3x1, não muito diferente do esquema utilizado pelos sadinos na última temporada.
O primeiro futebolista 'cor-de-rosa'

Multi-facetado, Norton de Matos viveu também experiências na área do jornalismo, quer escrito, quer televisivo, como experimentou o cinema, a televisão, a moda e a publicidade, que lhe permitiram ser o primeiro (ex-)futebolista a ter uma presença assídua nas publicações cor-de-rosa.
Ainda como jogador, no final da década de 70, Luís Norton de Matos foi colaborador do jornal 'Record', aproveitando a sua experiência no futebol belga. Já em plena década de 80 foi fundador e director da revista FOOT, publicação de referência, que viria a abandonar no início da década de 90. Passou depois pelo Semanário e pela TVI, como comentador, antes de ingressar no Sporting como director desportivo. Após a sua primeira saída de Alvalade, e antes do seu regresso, foi cronista do jornal Público durante o Mundial de França. Depois de abandonar, de forma definitiva, o Sporting, em 1999, foi cronista do 24 Horas, director do jornal online Desporto Digital e comentador da RTP, onde chegou a ser afastado por algum tempo, depois de Luis Duque, na altura presidente da SAD do Sporting, o ter acusado de ser 'um empresário que se esconde nas funções de jornalista', após um alegado aliciamento a jovens jogadores dos 'leões'. Mais recentemente, voltou a colaborar como comentador da TVI, no Euro 2004, e do jornal 'Record', durante a temporada 2004/05.
Mas não só no jornalismo Luis Norton de Matos fez incursões: passou também pela publicidade e trabalhou como actor, em séries televisivas e no cinema, onde participou em três filmes de Joaquim Leitão: 'Voltou', 'Resgate' e 'Ao fim da noite'.
As 'aquisições francesas' de Norton

Afonso Martins. A sua chegada a Alvalade coincidiu com a de Luis Norton de Matos. Afonso, na altura com 22 anos, era há duas temporadas titular do Nancy, da 2ªDivisão francesa, rumando a Alvalade, apesar do interesse de outros clubes portugueses. Esteve sete anos no Sporting, mas depois de nas primeiras três temporadas ter sido utilizado de forma irregular, passou quatro épocas na 'prateleira', realizando apenas dois jogos pela equipa principal. Depois de uma boa época na equipa B, rumou ao Moreirense, de onde saltou para o Vitória Guimarães, onde realizou uma temporada abaixo das expectativas. Na última época regressou a Moreira de Cónegos, sem o sucesso da primeira passagem.

Mustapha Hadji. Médio ofensivo, chegou ao Sporting, em 1996, após várias épocas, de grande nível, no Nancy, onde actuara com Afonso Martins. Internacional marroquino, pegou de estaca em Alvalade, e apesar de alguma irregularidade exibicional, acabou por ser uma das unidades de maior rendimento em 1996/97. A época seguinte, ainda a começou de 'leão' ao peito, mas, em Dezembro de 1997, accionou a cláusula de rescisão para rumar ao Deportivo la Coruña, após o Sporting ter rejeitado uma melhoria no seu contrato. Um processo polémico que acabaria por render aos cofres verde-brancos 1 milhão de contos. Após um ano em meio em Espanha, onde não se afirmou, rumou ao futebol inglês, onde representou Coventry - com sucesso - e Aston Villa. Sem espaço no Villa, acabou por rumar, a meio da época 2003/04, ao Espanyol, onde marcou 2 golos, em 16 jogos.

Didier Lang. Formado nas escolas do Metz, onde surgiu na primeira equipa em 1989, foi conquistando espaço, assumindo-se como titular em 1992. Chegou a Alvalade, no Verão de 1997, a custo zero - mas com luvas de ouro -, depois de uma excelente época na 1ªdivisão francesa, em que marcou 4 golos, em 35 jogos. Ao serviço do Sporting, afirmou-se no início da temporada com Octávio Machado, assumindo-se como um jogador importante na transformação de lances de bola parada, o seu ponto mais forte, como o demonstrou, com duas assistências, na histórica vitória por 3-0 ao Mónaco na Liga dos Campeões. No entanto, foi perdendo espaço na equipa, ao evidenciar poucos argumentos em bola corrida, e acabou por ser afastado da equipa, devido a problemas disciplinares, por Cantatore. Carlos Manuel, quando chegou a Alvalade, ainda lhe deu uma oportunidade, mas o jogador voltou a evidenciar um carácter truculento e foi afastado. Regressou a França, onde passou por Sochaux, Troyes, Metz e Le Mans, cumprindo uma trajectória decrescente.

Frédéric Marguet. Guarda-redes francês, foi contratado para o Sp. Espinho em 2001/02, oriundo do Valence, onde actuara nas três épocas anteriores, depois de ter surgido no Louhans-Cuiseaux. Não foi utilizado em nenhum jogo da Liga de Honra e acabou dispensado no final da temporada. Regressado a França, passou por dois clubes da CFA 1 (equivalente à nossa 3ªDivisão) e 2 (distrital): o Avion e o Meaux CS, onde esteve nas duas últimas temporadas. É apontado, pela imprensa francesa, como possível reforço da Ovarense ou do Moreirense.

Harry Ntimban-Zeh. Possante defesa-central francês, foi contratado pelo Sp. Espinho em 2001/02, após o fracasso do argentino Juan Brown, que seria dispensado ao Barreirense. Formado nas escolas do Racing Club Paris, passou depois pelo Calais, Bologne, Dijon, até chegar a Portugal, semanas antes de completar 28 anos. Apesar da má campanha dos 'tigres', acabou por ser dos jogadores mais regulares, prolongando o seu vínculo contratual. Manteve-se ligado ao Espinho até metade da época 2003/04, altura em que se transferiu para o Wimbledon, clube pelo qual realizou 10 jogos. Na última época manteve-se em Inglaterra, representando o Milton Keynes Dons da Coca-Cola Football League One, pelo qual efectuou 11 jogos, sempre como titular.

Julien Vellas. Polivalente canhoto, adaptável a lateral, volante ou médio ala, produto das escolas do Nîmes, onde foi promovido à primeira equipa em 1999. Sem grandes oportunidades, rumou, com 20 anos, em 2001/02, ao Sp. Espinho, engrossando o contingente francês. Realizou uma temporada regular, apontando 1 golo, em 28 jogos. A principal mancha, para além do rendimento colectivo, foram os dois cartões vermelhos que viu no decorrer da prova. Regressado a França, tem vindo a fazer carreira no National, equivalente à nossa 2ªB: primeiro no Alês, depois no Raon-l'Etape, onde totalizou 4 golos, em 63 jogos, nas duas últimas temporadas.

Karim Belhocine. Médio ofensivo francês, de origem magrebina, teve uma passagem sem chama pelo futebol português, onde apenas realizou 4 jogos pelo Sp. Espinho, em 2001/02. Oriundo do Vaulx-en-Velin, regressou a França após jogar em Portugal, representando clubes da CFA: o Forbach e o Trélissac.

Karim Benkouar. Formado nas escolas do Nimes, onde se estreou na primeira equipa em 1999, este internacional olímpico marroquino, que marcou presença nos Jogos Olímpicos de 2000, chegou a Espinho em Dezembro de 2001, com muitas expectativas em seu redor, já depois de uma breve passagem pelo Panionios da Grécia. Extremo-direito, cujo principal predicado era a velocidade, não se adaptou ao futebol da Liga de Honra, apenas realizando 4 partidas, tendo, mesmo assim, marcado um golo. Regressou ao Nimes, onde realizou uma temporada intermitente na National 1, acabando por ter dificuldades em encontrar clube em 2003/04. Passou pelo Penafiel, à experiência, acabando por rumar ao Paredes, da 2ªB, onde acabou a temporada.

Hypolite Koueto Tagro. Avançado veloz e bastante móvel, natural da Costa do Marfim, fez, no entanto, a sua formação em França, nas escolas do Paris Saint Germain. Depois de representar a equipa secundária do principal clube de Paris, saltou para o Sp. Espinho, onde apontou 4 golos, em 25 jogos, na temporada 2001/02. Dispensado no final da temporada, rumou ao Louletano, onde deu nas vistas, com Norton de Matos a apostar novamente na sua aquisição, desta feita para o Salgueiros. Não se impos em Paranhos, onde apenas efectuou 3 jogos em 2003/04, e depois de algumas dificuldades em arranjar colocação, regressou ao Louletano, em Dezembro de 2004, reforçando o sector ofensivo da formação algarvia.

Hamid Rhanem. Extremo francês, de origem marroquina, actua preferencialmente pela esquerda. Contratado pelo Desp. Aves ao modesto Salbris, da CFA francesa, foi aposta de Norton de Matos, em 2003/04, para o Salgueiros. Protagonizou boas exibições, apontando 3 golos e realizando várias assistências para Fábio Hempel. Foi contratado pela Naval, contribuindo com 3 golos, em 23 jogos, para a subida à SuperLiga do emblema da Figueira da Foz. O seu futuro, para já, é uma incógnita.
França: Apostas sadinas para 2005/06

Mamadou Diakité. Médio defensivo maliano, de 20 anos (22/5/1985), 1.75/72, ex-Metz B, fez a sua formação no futebol francês. Internacional sub-20 pelo seu país, marcou presença no Mundial da categoria em 2003, onde foi apenas utilizado na última partida da primeira fase diante da Argentina. Na altura, representava a formação secundária do Cannes, mas, no Verão de 2003, rumou ao Metz. Nos dois anos que esteve no clube, acabou por nunca ter uma oportunidade na equipa principal, alinhando pela equipa secundária, que disputou o campeonato da CFA, equivalente à nossa 3ªDivisão. Em 2004/05 nem sempre foi titular, actuando apenas em 11 jogos. É um médio defensivo, especialmente talhado para missões de contenção e de marcação, bastante agressivo e eficaz na recuperação de bola.

Siramana Dembelé. Médio francês, bastante polivalente, de 27 anos (27/1/1977), 1.70/70, ex-Nîmes. Com uma carreira construída nas divisões inferiores francesas, Dembelé foi o escolhido para suceder a Sandro no centro do meio campo sadino. No entanto, a sua primeira oportunidade como profissional surgiu no Paris Saint Germain, onde, com 17 anos, chegou a treinar-se com a equipa principal, cruzando-se com Ginola e Weah, dois dos seus heróis, a seguir a Pelé, o seu ídolo. Sem espaço na equipa principal do PSG, acabou por rumar ao Villiers le Bel, onde actuou por duas vezes, intervaladas por uma passagem pelo St-Denis. Mas seria no Les Lilas, um clube modesto da CFA, que representou durante quatro épocas, que conseguiria algum destaque: capitão de equipa, considerado um dos melhores jogadores da divisão, chegou a ser observado por várias equipas da Ligue 1, com o Auxerre a adiantar-se na corrida pelo seu concurso. Contudo, acabou por optar por rumar ao Alès, onde esteve um ano, seguindo para o Cannes, e, na época passada, para o Nîmes, onde marcou 5 golos, em 36 jogos, na National 1, equivalente à nossa 2ªB. Médio centro, é facilmente adaptável a várias posições no centro do terreno: no Les Lilas actuava mais como médio ofensivo, mas tem vindo a recuar no terreno, podendo jogar como médio mais defensivo, a interior ou como segundo médio defensivo, num esquema de 4x2x3x1. Mesmo que sem uma grande estampa física, trata-se de um jogador com grande 'pulmão' e capacidade de liderança, que defende bem e trabalha bastante para a equipa, mas que sabe sair para o ataque, conduzindo e distribuindo jogo com qualidade. Para além disso, é um jogador que tenta, várias vezes, os remates de fora da área.

Grégory Lacombe. Médio ofensivo francês, internacional sub-18 e sub-21, de 23 anos (11/1/1982), 1.64/58, ex-AS Monaco. Formado nas escolas do clube monegasco, Lacombe foi presença regular nas selecções mais jovens da França. Em Fevereiro de 2000, com apenas 18 anos, teve oportunidade de se estrear pela primeira equipa do Mónaco, participando numa partida diante do Lyon, que lhe permitiu sagrar-se campeão de França em 1999/2000. Continuou ao serviço do clube mais duas temporadas, mas as oportunidades foram poucas: 11 jogos, 1 golo. No Verão de 2002 foi emprestado ao Ajaccio, onde viria a jogar duas temporadas. Na primeira, realizou um campeonato de bom nível, apontando 5 golos, em 29 jogos, decisivos na manutenção do clube na divisão maior francesa ; na segunda, caiu de produção, apontando 2 tentos, em 21 partidas. No Verão passado regressou ao AS Mónaco, com expectativas de vir a ser mais utilizado, o que acabou por não acontecer: não fez qualquer jogo pela equipa principal, jogando pela equipa B, que disputou a CFA, pela qual realizou 18 jogos, apontando 5 golos. Trata-se de um médio ofensivo, que actua preferencialmente aberto nas alas, de preferência à esquerda, mas também à direita, podendo também desempenhar as funções de 'nº10'. Apesar de ser bastante limitado em termos físicos, trata-se de um jogador muito rápido e dotado tecnicamente, com qualidades no passe e também um bom marcador de livres. Os seus pontos mais fracos são, dada a sua baixa estatura, o jogo aéreo e alguma falta de agressividade em termos defensivos, já que é um jogador pouco dado a correr atrás da bola.
Lacombe: Estatísticas 2002 a 2005

Golos ao detalhe: 7 golos, 5 em solitário, 1 bis, 4 golos na primeira parte, 3 golos na segunda parte, 2 golos em casa, 5 golos fora de casa, 1 golo a partir do banco
Vitória Setúbal: Prospecção francesa para 2005/06

Julien Benhamou. Defesa polivalente francês, de 27 anos, 1.80/72, do Nîmes, onde foi titularíssimo na última época. Com uma carreira construida nos escalões inferiores, já representou também Grenoble FC, Norcap Grenoble, Aurillac e Pau. Faz qualquer posto do sector defensivo, actuando, de preferência, nas laterais, mas pode também jogar no centro da defesa ou como médio ala. Consistente em termos defensivos, é também um jogador com qualidades nos cruzamentos, quer em bola corrida, quer em bola parada.

Jean-Pascal Yao. Defesa central, de 27 anos, 1.88/76, também do Nîmes, clube com o qual acabou contrato no final desta temporada. Com largo percurso nos escalões secundários, já representou o Valence, o Grenoble e o Saint-Ettiene, tendo chegado ao Nîmes em 2003, onde somou 52 jogos nas duas últimas temporadas. Central habitualmente de marcação, é um jogador agressivo, forte fisicamente e com bom jogo aéreo.

Alain Cantareil. Polivalente canhoto, de 21 anos, 1.78/70, formado nas escolas do Marselha, esteve, na última temporada, emprestado ao Nîmes, clube pelo qual fez 29 jogos, marcando um golo. Faz com facilidade qualquer posto no flanco esquerdo, podendo actuar como lateral, volante, médio ala ou mesmo como médio interior.

Thibault Giresse. Médio ofensivo, filho de Alain Giresse - uma das maiores estrelas do futebol francês na década de oitenta -, de 24 anos, 1.72/65, jogador do Toulouse. Actua preferencialmente à esquerda, como ala, ou no centro do terreno, como 'nº10', tratando-se de um jogador canhoto, de processos simples, com um excelente remate, quer em bola corrida, quer em bola parada. Depois de um início de carreira, ao serviço do Toulouse, que augurava voos mais altos, ajudando a conduzir, com 14 golos - 8 em 01/02, 6 em 02/03 - a sua equipa da National 1 à Ligue 1, o jogador não se conseguiu afirmar na divisão maior francesa, e foi emprestado ao Le Havre. Na última época regressou ao Toulouse, realizando uma época com altos e baixos, somando 2 golos, em 28 jogos, 20 dos quais como titular.

Jawad El Hajri. Avançado francês, de origem magrebina, de 25 anos, actua no Boulogne-sur-Mer, uma das revelações da temporada francesa, por ter ganho um dos grupos da CFA, mas sobretudo por ter chegado aos quartos de final da Taça de França. Foi a estrela principal da equipa, tendo apontado 17 golos, em 23 jogos, no campeonato. Actua preferencialmente como 2º avançado, gozando de liberdade, quer para aparecer pela direita, quer pelo centro. Veloz, dotado tecnicamente e com bom poder de finalização, tem muito mercado, depois de passagens pelo Pacy, Guingamp - onde não vingou - e Cherbourg.

Ethisse Enza Yamissi. Médio ofensivo franco-centro-africano, de 22 anos, 1.75/70, jogou no Nîmes na última temporada, marcando 3 golos, em 35 jogos. Formado nas escolas do Bordéus, não teve hipóteses na equipa principal, seguindo depois um percurso irregular pelo La Roche-sur-Yon, Alès e Nîmes, onde actuou nas duas últimas temporadas, mas só na última conseguiu 'vingar'. Os seus pontos fortes são a velocidade e a capacidade técnica, tratando-se de um jogador que pode actuar como médio ofensivo pelo meio, mas também descair para o flanco esquerdo.

Alioune Kissima Touré. Extremo-direito, de 26 anos, 1.70/62, é apontado, neste momento, como mais do que provável reforço dos sadinos. Com um percurso muito irregular, começou a carreira no Nantes, onde apareceu na primeira equipa com apenas 18 anos. Manteve-se no clube até ao Verão de 2001, altura em que foi emprestado ao Manchester City, que abandonaria meses depois, tendo apenas realizado uma partida para o campeonato. Em Dezembro de 2001 foi reintegrado no plantel do Nantes, mas não fez qualquer jogo, acabando por transferir-se, no Verão seguinte, para o PSG, onde nunca se impôs como titular, tendo estado próximo de rumar à União Leiria em 2003/04. A temporada passada, depois de ter começado a época no PSG, foi emprestado ao Guingamp, da Ligue 2, realizando 11 jogos, sem qualquer golo. O seu jogo caracteriza-se por uma extrema velocidade, à qual alia uma boa técnica, ganhando, várias vezes, a linha de fundo, de onde arranca alguns bons cruzamentos. Touré peca, no entanto, por uma extrema irregularidade exibicional, para além de evidenciar algumas deficiências a nível do controlo de bola e, também, por ser um jogador demasiado individualista e com dificuldades na finalização.

Florian Coquio. Avançado francês, de 26 anos, 1.80/73, actuou na última temporada no Boulogne-sur-Mer, depois de um percurso irregular, e sem grande chama, nos escalões secundários, ao serviço do Racing 92, Saint-Lô, La-Roche-sur-Yon, Mulhouse e Poitiers. Em 2004/05, apontou 7 golos, em 22 jogos, na CFA, contribuindo também para a boa campanha da equipa na Taça. Trata-se de um avançado com algumas limitações técnicas, mas móvel, muito agressivo e lutador.

Shiva-Star N'Zigou. Avançado internacional gabonês, com nacionalidade francesa, de 21 anos, 1.75/68, contratualmente ligado ao Nantes - estreou-se na primeira equipa em 2001/02, com 18 anos -, que o emprestou, nos últimos meses, ao Gueugnon, da Ligue 2, onde apontou 5 golos, em 18 jogos. Muito rápido e dotado tecnicamente, pode actuar como avançado solto ou descaído para o flanco direito.

David Gigliotti. Avançado, internacional francês nos escalões inferiores, esteve presente no último Torneio de Toulon, tendo sido suplente utilizado na final diante de Portugal. Tem 20 anos, 1.76/74, e actua no AS Mónaco, clube pelo qual fez 6 jogos pela equipa principal a época passada, marcando um golo, diante do Nîce. No entanto, foi utilizado com regularida na equipa B, que disputou o CFA, apontado 9 golos, em 20 partidas. Rápido e móvel, apesar de não ser alto, é um jogador que aparece com muita facilidade na área, em posições de finalização.

Nicolas Fauvergue. Ponta-de-lança, de 20 anos, internacional francês nos escalões inferiores, esteve presente no último torneio de Toulon, onde marcou um golo a Portugal na final. Jogador do Lille, ainda não garantiu um lugar na primeira equipa - 1 golo, em 5 jogos como suplente utilizado -, por isso tem vindo a jogar na equipa B, pela qual marcou 5 golos, em 26 jogos na CFA. Muito alto e possante, trata-se de um típico avançado de área, que desgasta bastante os centrais adversários e é bastante forte no jogo aéreo.
Jaco, o 'As' da fantasia
terça-feira, 28 junho 2005

Quem leu a edição de ontem do jornal espanhol 'As', ter-se-á deparado com este título: 'Mourinho é um génio, mas é melhor pessoa'.
Curioso, no mínimo, quando o texto em questão se referia a um Mundialito de imigrantes em Espanha. Lendo, com atenção, acabamos por perceber que o autor dessas declarações é Jaco, um extremo esquerdo angolano, que tem dado nas vistas nesse torneio, e que mereceu destaque do 'As' por afirmar ter sido jogador da equipa B do FC Porto, mas também por, segundo o próprio, ter trabalhado durante a semana com a equipa principal orientada por José Mourinho. Especialista no drible, Jaco enganou bem J.V. Catálan, jornalista do 'As', que confiou nas palavras do jovem angolano, que, não só nunca treinou pela equipa principal do FC Porto, como também nunca jogou na formação B 'azul e branca'.
Mas quem é afinal Jaco? É extremo sim, angolano também - chegou a ser chamado à selecção -, mas, entre 2002 e 2005, representou o Dragões Sandinenses, da 2ªB, onde chegou a dar nas vistas, sobretudo em 2003/2004. Actualmente em Espanha, Jaco procura clube, e apesar dos conselhos do 'amigo Deco' - será que se conhecem?! - em tentar a sorte em clubes catalães da 2ªB, a sua aposta passa por encontrar um clube em Madrid. Valeu o 'empurrão', até porque não está ao alcance de todos 'driblar' o 'As'.
De novo, Argentina
segunda-feira, 13 junho 2005

Com a aquisição de 'Lucho' González e 'Licha' López, o FC Porto reabre as portas ao mercado argentino, onde não tem sido feliz a nível das aquisições. O Terceiro Anel (re)apresenta os dois novos reforços dos portistas e recorda as histórias dos argentinos que já passaram pelo FC Porto: de Roberto Mogrovejo a Juan Esnaider, sem esquecer os treinadores que durante a década de 40 e 50 orientaram tecnicamente os 'azuis e brancos'.
Um médio de «Lucho»

Luis Oscar González, mais conhecido por 'Lucho', nasceu em Buenos Aires, a 19 de Janeiro de 1981. Filho de um cozinheiro e de uma dona de casa, é o mais velho de três irmãos, que cresceram, com dificuldades financeiras, no Bairro Parque Patricios, uma zona antiga e modesta da cidade, paredes meias com o estádio do CA Hurácan. Sem talento para a escola, Lucho, desde cedo se habituou a trabalhar, ao mesmo tempo que perseguia o sonho de ser futebolista profissional, também com o objectivo de ajudar a família: há dois anos concretizou o sonho de oferecer uma vivenda aos pais.
Como qualquer miúdo do Parque Patrícios, começou a jogar futebol na rua, na Plaza España. Aos 9 anos, passou pelas escolas do Unidos de Pompeya e do Huracán, onde viria a fazer todo o seu percurso nas categorias inferiores, até chegar, com apenas 17 anos, à primeira equipa, onde coincidiu com Ávalos (Nacional e Boavista), Grana (Maia) e Toedtli (Marítimo).
A sua estreia, em 1998, ocorreu diante do Racing, o clube do seu coração. Foram os primeiros passos na formação principal, onde se fixaria como titular a partir de 1999, ano em que o Hurácan caiu na Série B. O ano de 2000 traria o seu primeiro êxito: a vitória na série B e regresso à divisão maior. Em cerca de 4 anos ao serviço da equipa principal, Lucho somaria 111 jogos e 12 golos.
River e Racing disputaram a sua aquisição, com o Boca e o Independiente também à perna, mas acabou por viajar para França, onde iria representar o Châteauroux. Só que, uma oferta superior do River, acabou por trazê-lo, dias depois, de regresso à Argentina, acabando por nunca vestir a camisola do clube francês.
Apesar das dificuldades de adaptação a uma realidade bem diferente, que o próprio assume, já que não estava habituado à pressão de jornalista e adeptos, foi uma transferência de sucesso: titular indiscutivel desde a sua chegada, venceu o Clausura 2003 e 2004, conseguindo alcançar um objectivo que sempre perseguiu - a selecção argentina. Primeiro nos sub-23, que viria a representar nos Jogos Olímpicos de Atenas, onde conquistou a Medalha de Ouro, mas também a selecção principal, onde também já é indiscutivel, e, por certo, marcará presença no Mundial da Alemanha daqui a um ano.
Médio polivalente, bem dotado fisicamente (1.85/75) e de amplos recursos tácticos e técnicos, Lucho González é um centro-campista completo: pode jogar em posições interiores e exteriores, em linhas avançadas e recuadas. No River, actua preferencialmente como médio ala, quer à direita, quer à esquerda, mas na Selecção é mais médio interior, podendo desempenhar funções à esquerda e direita. No entanto, a sua polivalência, permite-lhe também jogar como médio defensivo ou ofensivo. Forte na recuperação, assume, sem problemas, a condução e coordenação das acções ofensivas, mostrando visão de jogo e qualidade no passe, quer curto, quer longo. Não sendo um jogador explosivo, já que a velocidade está longe de ser um dos seus pontos mais fortes, progride bem no terreno com a bola, tirando partido da sua técnica, mas também de movimentações inteligentes, que lhe permitem aparecer em posições de remate.
Jogador calmo, e nada temperamental, a sua grande mania são as tatuagens. Entre as várias que tem espalhadas pelo corpo, tem uma onde tem a assinatura de Diego Armando Maradona, o seu ídolo, mas também o nome da mulher (Pamela) em caracteres chineses, as iniciais da sua família, um Rosário e Jesus Cristo, a quem pede ajuda para marcar golos.
O FC Porto terá pago, por metade do seu passe, cerca de 3,6 milhões de euros. A outra metade é posse da Global Soccer Agencies. Um negócio altamente rentável para o River Plate, que, há dois anos, o contratara por cerca de 700 mil euros ao Hurácan.
Os números de Lucho:
Hurácan:
1999 e 1º semeste 2000: 42/5
Apertura 2000: 17/1
Clausura 2001: 17/2
Apertura 2001: 19/1
Apertura 2002: 16/3
River Plate:
Apertura 2002:
15 jogos (14x titular, 1x suplente) - 1128 minutos - 4 golos - 2 cartões amarelos
Clausura 2003:
17 jogos (14x titular, 3x suplente utilizado) - 1092 minutos - 4 golos - 0 cartões amarelos
Apertura 2003:
10 jogos (6x titular, 4x suplente) - 557 minutos - 0 golos - 0 cartões amarelos
Clausura 2004:
14 jogos (11 x titular, 3 x suplente utilizado) - 989 minutos - 2 golos - 1 cartão amarelo
Apertura 2004:
11 jogos (sempre titular) - 860 minutos - 2 golos - 0 cartões amarelos.
Clausura 2005:
14 jogos (11 x titular, 3 x suplente utilizado)/15 jornadas - 1034 minutos - 6 golos - 1 cartão amarelo.
'Licha' López: o herói de Rafael Obligado

Em Janeiro, chegou a ser apontado como possível reforço do Benfica, mas o seu destino será o Dragão. O FC Porto investiu 2,35 milhões de euros por metade do seu passe, em nova parceira com a Global Soccer Agencies, detentora da outra metade do passe do ainda avançado do Racing Club de Avellaneda.
Lisandro López, mais conhecido por 'Licha' López, tem 22 anos (2/3/83) e é natural de Rafael Obligado, uma pequena povoação nos arredores de Buenos Aires, onde o futebol tinha pouca importância até à explosão do filho da terra, que agora é visto como um novo herói.
Apesar do sonho de ser futebolista profissional ter estado sempre presente na sua vida, Lisandro optou por conjugar os estudos com o futebol, no Jorge Newbery, de Junín, no noroeste de Buenos Aires. Ingressou mesmo na Universidade de Junín, no curso de Economia, mas foi nessa mesma altura que teve a oportunidade de rumar ao Racing Club de Avellaneda, através de Miguel Angel Micó, coordenador dos escalões de base do clube, que o observou num Torneio de juvenis.
No entanto, as coisas não foram fáceis para 'Licha'. Ao dar nas vistas na formação júnior, em 2002, por duas vezes, teve oportunidade de se estrear na equipa principal do Racing, só que, em ambas as situações, acabaria por lesionar-se nas vésperas da estreia. Numa das vezes, ao partir um dedo no pé, chegou mesmo a pensar em abandonar o futebol.
A oportunidade acabaria por surgir, a 14 de Junho de 2003, ao jogar seis minutos diante do Vélez Sarsfield, substituindo Guillermo Rivarola, na altura prestes a encerrar a carreira, e que viria a ser, meses mais tarde, como seu treinador, o responsável pela explosão de Lisandro no futebol argentino. É que depois de ter conquistado a titularidade no clube, o que aconteceu na recta final de 2003, Licha López afirmou-se definitivamente no segundo semestre de 2004, ao consagrar-se como o melhor marcador do Torneio de Apertura, com 12 golos, em 19 jogos, conseguindo quebrar, com esse feito, 35 anos e 59 torneios de jejum de jogadores do Racing em relação ao troféu de melhor marcador.
Um feito relevante, para um avançado que não tem particular apetência para jogar na área, até pelas suas características fisionómicas: 1,74/70. Licha é, sobretudo, um avançado móvel, habituado a jogar num esquema de avançados abertos, sem referência na área, podendo funcionar como 2º avançado, ou então, como um extremo que, em situação ofensiva, aparece na área, tirando partido, sobretudo, de diagonais, uma das suas principais especialidades. Com faro pelo golo, finaliza com ambos os pés e de cabeça, mas também é um jogador desequilibrador no um para um, tirando partido da sua velocidade e capacidade técnica. A isso, junta ainda capacidade de luta e de pressão, procurando sempre desgastar e dificultar a saída dos defesas adversários para movimentos ofensivos.
Pretendido por Palermo, Shakhtar Donetsk e Charlton, o seu futuro passará por Portugal. Lisandro López já admitiu que uma boa época no FC Porto poderá abrir-lhe as portas para a concretização de um sonho antigo: o de jogar pela Selecção argentina e estar presente no Mundial de 2006. Tido como um 'low-profile', devido à sua timidez perante as câmaras e objectivas, define-se como o maior crítico dele próprio e raramente se sente satisfeito com o que faz. No terreno de jogo, no entanto, é uma espécie de vulcão. Agressivo e temperamental, como a foto acima documenta, tem uma relação complicada com os árbitros, que, nos últimos meses, tem tentado rever.
Os números de Licha:
Clausura 2003:
3 jogos (sempre suplente utilizado) - 27 minutos - 0 golos - 0 cartões amarelos
Apertura 2003:
13 jogos (9 como titular) - 875 minutos - 2 golos - 2 cartões amarelos
Clausura 2004:
18 jogos (sempre titular) - 1608 minutos - 6 golos - 1 cartão amarelo - 1 cartão vermelho
Apertura 2004:
19 jogos (sempre titular) - 1676 minutos - 12 golos (2 de penalty) - 4 cartões amarelos.
Clausura 2005:
14 jogos (sempre titular)/15 jornadas - 1241 minutos - 6 golos (2 de penalty) - 2 cartões amarelos * (falhou duas grandes penalidades)
Argentinos no FC Porto: histórias sem final feliz
Houseman: O amigo de Robson

Poucos lembrar-se-ão de Marcelo Houseman, mas este empresário argentino, irmão de René Houseman - ponta de lança campeão do Mundo pela Argentina em 1978 - foi o responsável pela viragem do FC Porto, em 1994, para o mercado sul-americano de origem hispânica, depois das aquisições de Cubillas e González na segunda metade da década de 70. Com relações privilegiadas com Bobby Robson, Houseman, com uma carteira recheada de jovens jogadores sul-americanos e sul-africanos, colocou no FC Porto cinco jogadores: Roberto Mogrovejo, que definia como 'novo Caniggia', Walter Paz, o 'futuro 10 da selecção argentina' e Ronald Baroni, um 'ponta de lança de créditos firmados', a que juntou ainda Mandla Zwane, o 'Maradona sul-africano' e Etienne N'Tsunda Mzumbi, o 'filho do vento'. Um conjunto de histórias pouco felizes, a que se juntaria cerca de dois anos depois, a colocação do central uruguaio Alejandro Díaz, recomendado ainda na 'era Robson', mas que viria a ser treinado por António Oliveira, que nunca confiou no jogador que foi apresentando como 'um dos melhores defesas centrais da América do Sul, superior a Bermúdez'. Depois de tantos 'flops', a que se junta ainda a colocação do guardião Botende no Marítimo, as portas do futebol português fecharam-se a Houseman, que depois de ter transferido alguns jogadores sul-americanos para o futebol inglês, representa actualmente a WorldWide Athletes, que procura colocar na Europa jogadores da Colômbia, Equador e Nigéria.
Mogrovejo: um Caniggia que nunca o chegou a ser

Verão de 1994. O FC Porto perdera, muito por culpa da opção inicial por Ivic, a hipótese de se sagrar, pela primeira vez, tri-campeão, mas a segunda volta, já com Bobby Robson no comando técnico, abria excelentes perspectivas em relação ao futuro. Pinto da Costa assumia, na altura, algum cansaço pelos anos consecutivos sem férias, e confiou ao técnico britânico a construção do futuro plantel. Comprar bom e barato era a aposta, daí que a chegada de um 'Novo Caniggia', de nome Roberto Arturo Mogrovejo, tenha criado enormes expectativas. Recebido com pompa e circunstância, Mogrovejo, que representou a selecção argentina no Mundial de juniores em 1991, depois de ter sido o melhor marcador do torneio sul-americano de apuramento, teve mesmo a direito a fotos no gabinete presidencial na altura da sua apresentação. A sua experiência foi curta: as primeiras semanas da pré-época mostraram que o seu potencial ficava muito aquém do esperado, também por não ser o ponta de lança que Robson pensava que era, e a sua dispensa, depois transformada em mero período experimental, foi tudo menos surpreendente. Com uma carreira de insucessos e muitas lesões, foi caindo da 1ª até à 4ª divisão da Argentina, tendo, pelo meio, uma passagem fugaz pelos israelitas do Hapoel Kfar Shalem, há três anos Mogrovejo regressou a Portugal, para representar a selecção argentina de futebol de praia, e em entrevista ao Record relembrou a sua passagem pelo Porto: queixou-se de Houseman, que definiu como 'o homem que enganou toda a gente'; de ter sido contratado para ser ponta de lança, quando era extremo; e que Robson o queria obrigar a cortar a sua longa cabeleira loira, 'para ficar com melhor aspecto'. De regresso à Argentina, representou o modesto Justo Jose de Urquiza, da 4ªDivisão, onde encerrou carreira em 2003.
Walter Paz: o 'Pescadito'

Em 1991, tal como Mogrovejo, com quem chegou ao Porto, Walter 'Pescadito' Paz fora o único jogador a salvar-se na desastrosa participação da selecção de júniores argentina no Mundial sub-20. Eleito melhor médio ofensivo da prova, que contou com jogadores como João Pinto, Rui Costa, Luis Figo, Luiz Fernando, Ramon, Sérgio Manoel, Rödlund, Mandreko, Cherbakov, Mikhailenko, Oscar Garcia, Javier Delgado, Tejera ou Steve McManaman, havia enormes expectativas em torno do jogador, oriundo do Argentinos Juniors, e que era apontado como o 'futuro 10' da selecção argentina. A pré-época serviu para mostrar que se tratava de um jogador de boa técnica e com qualidade no passe, só que sem velocidade e agressividade para o futebol europeu. Não foi dispensado como Mogrovejo, mas acabou por rumar, por empréstimo, ao Gil Vicente, sem nunca vestir a camisola azul-branca em jogos oficiais. Em Barcelos, também não se fixou: 8 jogos, apenas um completo, e um golo. No final da época, acabaria por abandonar Portugal, sem honra, nem glória. Passou pelo Chile e pela Escócia, antes de regressar à Argentina, onde fez algumas boas temporadas na 2ªDivisão, conseguindo mesmo, em 2000, subir à divisão maior com o Quilmes. Foi um regresso curto aos principais palcos do futebol argentino, já que a sua carreira entrou numa trajectória descendente, sendo que, actualmente, joga nos regionais, ao serviço do modesto Estudiantes de Rio Cuarto.
Pizzi: o sucessor de Jardel

Juan António Pizzi chegou ao Porto a 20 de Julho de 2000, depois de ter sido escolhido para suceder a Jardel no ataque dos então tetra-campeões nacionais, mas partiria a 31 de Janeiro de 2001, sem grandes feitos, e com apenas um jogo completo realizado, diante do Atlético, num jogo da Taça de Portugal, em que o FC Porto ganhou nas Antas por 2-1, com um golo seu, depois de inúmeras oportunidades falhadas. Seis anos depois de Paz e Mogrovejo, era uma nova aposta dos portistas num futebolista argentino, também com nacionalidade espanhola, mas de créditos firmados no futebol europeu. No entanto, o Pizzi que chegou ao FC Porto, que desembolsou 440 mil contos pelo seu passe, mais 400 mil contos por dois anos de contrato, estava já longe dos tempos do Tenerife, Valência e Barcelona, e regressava à Europa, com 32 anos, depois de passagens por River Plate e Rosário Central, e um grave problema num dos joelhos, que viria a marcar a sua breve passagem pelo futebol português. Nos 11 jogos incompletos que realizou na SuperLiga, totalizando apenas 249 minutos, conseguiu apontar 3 golos, sempre nos
António Medeiros não gostava de punir quem mostrava iniciativa, mais não fosse para contrariar as regras. Foi o caso, por exemplo, quando alguns jogadores do Belenenses lhe gastaram em poucos minutos uma garrafa gigante de perfume "Aramis".