Robin Friday: O melhor futebolista que jamais vimos jogar
quinta-feira, 14 fevereiro 2008

Robin Friday: o melhor futebolista que jamais vimos jogar

Quando pediram a David Coles, responsável pelo World Sport Service da BBC, a sua lista de melhores futebolistas de sempre, o prestigiado jornalista britânico não hesitou em juntar o nome de Robin Friday a Bobby Moore, Bobby Charlton, George Best, Maradona, Rivelino, Pelé, Yashin, Beckenbauer e Cruyff. Sem qualquer jogo realizado na divisão maior do futebol inglês e sem passado a nível internacional, Friday é, no entanto, recordado pelos que o viram jogar como um avançado genial, de uma velocidade impressionante, técnica e grande capacidade de finalização. A sua história errante transformou-o também num ícone pop: os Super Furry Animals, conhecida banda galesa do indie-rock, escolheu uma foto sua, em atitude provocatória para um guarda-redes adversário, para a capa do single “The Man Don’t Give a Fuck”, canção dedicada ao jogador ; e Paul “Guigsy” McGuinan, ex-baixista dos Oasis, banda que fundou com os irmãos Gallagher, é um dos responsáveis pela única biografia de Friday disponível no mercado, “The Greatest Footballist You Never Saw”.

Nascido a 27 de Julho de 1952 em Hammersmith, na região oeste da cidade de Londres, Robin cresceu numa família numerosa e num ambiente social tumultuoso, com inúmeras privações e rodeado de marginalidade. O seu talento futebolístico, no entanto, cedo se realçou, e incorporaria a equipa infantil do Queen’s Park Rangers, de onde rumaria ao Chelsea. Quando parecia iniciar uma trajectória capaz de o retirar do ambiente conturbado em que vivia, surpreendeu ao abandonar o Chelsea e a rumar ao modesto Walthamshow Avenue, onde ficaria pouco tempo, já que rumou ao Hayes, da 4ª Divisão, onde iniciou o seu percurso como sénior. Os motivos da sua escolha são o primeiro passo para justificar a sua história errante: é que o Hayes era o clube mais próximo de Hammersmith e ao lado da sede do clube havia um pub, que vendia a cerveja mais barata da região londrina. Os primeiros episódios de indisciplina não tardaram. O clube atravessava um período complicado a nível económico e o seu plantel era composto por trabalhadores do bairro, o que fazia com que os jogadores só se reunissem ao sábado. Os jogos começavam e o Hayes, muitas vezes, só tinha 10 elementos em campos. Faltava Friday, que, invariavelmente, se atrasava a beber o último copo de cerveja no pub vizinho ao estádio. Vestia o equipamento apressadamente, entrava em campo e resolvia as partidas, com golos fantásticos. Os adversários, inicialmente, não o levavam a sério: viam-no a tropeçar sozinho em campo e a correr sem sentido, mas, de repente, despertava e decidia as partidas. O tempo foi passando e a história repetia-se, noutros pubs, depois em bancos de jardim, onde adormecia alcoolizado, mas sempre misturada com golos, muitos golos, alguns apontados em elevado estado de embriaguez. Era uma força da natureza, que gostava de ter a bola nos pés e que só tinha olhos pela baliza adversária. Tudo lhe parecia fácil: provocador, ultrapassava os adversários com grande facilidade e lutava contra os seus próprios limites. O jogo terminava e diz-se que Friday, muitas vezes, nem passava pelo balneário: saia directamente do relvado para um bar, algumas vezes com a camisola do jogo ainda envergada.

Contudo, em 1972, a sua carreira, e sobretudo a sua vida, sofriam o primeiro grande revés. Robin Friday foi encontrado totalmente alcoolizado, com o estômago e os pulmões perfurados por um objecto metálico depois de ter chocado contra um portão. Conduzido de ambulância ao hospital, esteve seis horas na sala de operações, mas os médicos conseguiram-no salvar. Três meses depois, estava de regresso aos relvados. Seguiram-se mais golos e bebedeiras, que não impediram o Hayes de lhe oferecer o primeiro contrato como profissional de 750 libras. Em 1973, indiferente às histórias de mau profissionalismo, o Reading, então no terceiro escalão, apostou na sua aquisição. Apontou 46 golos em 121 jogos em três anos ao serviço do Reading, que lhe valem o estatuto de “Melhor jogador de sempre do Reading” e de “Melhor jogador do século XX” para os adeptos do clube. Em Março de 1976, diante do Tranmere Rovers, marcou um golo que é definido como um dos melhores da história do futebol inglês, numa finalização acrobática, após rotação de 180 graus, que levou Clive Thomas, o árbitro da partida, a colocar as mãos na cabeça de espanto, enquanto que a multidão festejava com o seu ídolo. Não se pense que o comportamento disciplinar de Friday mudou: é certo que não chegava atrasado aos jogos, mas foram inúmeros os seus actos de indisciplina, dos quais se destaca o seu desaparecimento no Verão de 1975, falhando a pré-época do Reading. Desesperou os dirigentes do clube, que não o conseguiam encontrar, e depois de algumas semanas de ansiedade, foi descoberto na comunidade hippie de Cornwall, onde se rendera à marijuana e às drogas duras. Desentendimentos com adversários e técnicos fizeram também parte do seu percurso: agrediu, ao pontapé, Mark Lawrenson, quando o futuro internacional irlandês e central do Liverpool, jogava no Preston North End ; e ficou célebre um diálogo com Maurice Evans, técnico do Reading, quando Friday lhe perguntou a idade. Evans, desconfiado, limitou-se a responder que tinha muitos anos e Friday retorquiu: “Eu tenho metade da sua idade, mas já vivi tanto que, com a minha idade, já vivi duas vezes mais do que o senhor”.

No Verão de 1976, o Cardiff City, da 2ªDivisão, apostou na sua aquisição. Pagou 30 mil libras ao Reading pelo seu passe, e a sua estreia foi auspiciosa: frente ao West Ham United, onde militava o mítico Bobby Moore, em final de carreira, apontou dois golos, para além de ter protagonizado algumas jogadas de grande espectáculo. Mas, a partir daí, afundar-se-ia aos poucos, realizando apenas 25 jogos pela equipa principal, que não impediram os adeptos do clube de considerá-lo o “Melhor jogador de sempre do Cardiff City”. Contudo, os seus problemas de alcoolismo agudizaram-se – à dependência de cerveja, juntou a de vodka e whisky – e afundou-se em drogas duras, ligando-se aos principais dealers de Cardiff, que não mais o largaram. Sairia do clube completamente derrotado pelas dependências, mas não sem antes protagonizar mais episódios caricatos: foi detido pela polícia por ter viajado de comboio sem bilhete na linha de Cardiff, e acabou por ser preso por desacato à autoridade, depois de ter beijado na boca um dos polícias que o detivera ; o episódio do beijo ao polícia não foi novidade, pois já o protagonizara, num jogo, após marcar um golo ; numa partida foi expulso, já que chateado com a agressividade excessiva de um defesa, decidiu baixar-lhe os calções e as cuecas ; e não satisfeito, após a expulsão, decidiu defecar à porta do balneário adversário.

Após deixar o Cardiff, Friday abandonou o futebol e prosseguiu a sua vida de excessos em Londres, onde para além da dependência do álcool e de drogas, foi-se deixando envolver pelo tráfico de drogas e acumulando dívidas de jogo. Apareceu morto num apartamento a 22 de Dezembro de 1990, vítima de uma overdose de heroína, que lhe provocou uma paragem cardíaca, poucos meses depois de ter completado 38 anos. Foi o último auto-golo do melhor futebolista que jamais vimos jogar.

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Benfica – Nuremberga: o reencontro 46 anos depois
quarta-feira, 13 fevereiro 2008

Gerhard Strick REENCONTRO. Benfica e Nuremberga disputam amanhã a primeira mão dos 16 avos de final da Taça UEFA, num jogo que marcará o reencontro dos dois clubes, quarenta e seis anos depois de terem disputado uma histórica eliminatória da Taça dos Campeões Europeus. Foi em 1961/62, nos quartos de final da competição, que o sorteio ditou que o Benfica, campeão europeu em título, se cruzasse com o Nuremberga, campeão alemão e a realizar uma excelente campanha na prova europeia, onde somava por vitórias todos os jogos disputados. O conjunto germânico começou por eliminar o Drumcondra Dublin sem grande dificuldade: 5-0 em Nuremberga e 4-1 na Irlanda, numa partida em que se destacou o avançado Heinz Strehl, antigo internacional alemão, já falecido, ao apontar um “poker”, dando sequência aos dois golos que já marcara no desafio da primeira mão. Seguiu-se um embate difícil diante dos turcos do Fenerbahçe, mas a vitória 2-1 em Istambul, com Strehl a marcar mais um golo, abria excelentes perspectivas para a segunda mão, que se confirmaram, com nova vitória, desta feita por 1-0, graças a um golo de Tasso Wild. O Benfica, por sua vez, ficou isento da primeira eliminatória da competição, beneficiando do estatuto de Campeão Europeu. A estreia dos “encarnados” ocorreu em Viena, diante do Austria, onde obtiveram um empate a um, graças a um golo de José Águas. A passagem em frente foi obtida, de forma tranquila, na Luz, com uma vitória por 5-1 – Águas e Santana bisaram, cabendo o outro golo a um jovem chamado Eusébio da Silva Ferreira.

A NOITE DE FLACHENECKER. Ao contrário do que acontecerá amanhã, a primeira mão da eliminatória foi disputada em Nuremberga, a 1 de Fevereiro de 1962. O conjunto alemão estava fortemente motivado com uma série de 7 triunfos consecutivos – 1 na Taça dos Campeões e 6 na Oberliga - e mais de 40.000 pessoas compareceram no Städtisches Stadium, criando um ambiente de forte apoio à equipa. Contudo, seria o Benfica, através de Cavém, a adiantar-se no marcador aos 10 minutos, só que o Nuremberga reagiu e ainda antes do intervalo deu a volta ao marcador, com golos de Flachenecker e do inevitável Strehl. Na segunda parte, os alemães procuraram dilatar a vantagem e conseguiram, já perto do fim, novamente por Flachenecker, a figura do jogo, a confirmar o excelente momento de forma que atravessava, pois já marcara golos nas duas partidas da Oberliga que antecederam o confronto com o Benfica – diante do FC Schweinfurt 05 (vitória 3-1 fora) e do SpVgg Fürth (vitória 2-0 em casa). Costa Pereira, guarda-redes do Benfica, foi mal batido em dois dos golos da formação germânica, confirmando o mau momento que atravessava e que o fizera protagonista pela negativa do empate caseiro diante do Sporting (3-3), duas semanas e meia antes. Criticado pela imprensa, pediu para sair da equipa, mas a má exibição de Barroca, o seu suplente, diante do Sp. Covilhã (derrota 1-2), precipitou o seu regresso para o jogo da 2ª mão.

O PESADELO DE STRICK. Três semanas depois disputou-se a 2ª mão da eliminatória e nem mesmo o resultado negativo do jogo na Alemanha desanimou os adeptos “encarnados”, que compareceram em força: 55.000 espectadores deram um enorme “colorido” à Luz, procurando empurrar o Benfica para uma jornada gloriosa. Béla Guttman, o “velho feiticeiro” que treinava, na altura, o Benfica, promoveu alterações em relação ao primeiro jogo. Mudou a dupla de defesas, fazendo entrar Mário João e Ângelo Martins para os lugares de Manuel Serra e Fernando Cruz, sendo que o último avançou para o sector intermediário, juntando-se a Germano e Cavém, ocupando o lugar de Neto, que havia sido utilizado em Nuremberga. Na frente, Guttman chamou Eusébio, que falhara o primeiro jogo por estar a recuperar de uma lesão, à titularidade, abdicando de Santana, juntando-o aos inevitáveis José Augusto, Águas, Coluna e Simões. Do lado alemão, Herbert Widmayer, treinador do Nuremberga, via-se a contas com uma baixa de vulto. O guardião titular Roland Wabra, uma das grandes figuras do clube durante a década de 60 – disputou cerca de 250 jogos, entre 1960 e 1969 -, lesionou-se, abrindo as portas da titularidade ao inexperiente Gerhard Strick (na foto acima), que protagonizara uma má exibição na partida que antecedeu o jogo da Luz e que quebrou uma série de 10 triunfos consecutivos do Nuremberga: derrota 0-3 diante do Karlsruher SC. E pior entrada no jogo da Luz não podia ter: aos 4 minutos, o Benfica já igualava a eliminatória, com golos de José Águas, num belíssimo golpe de cabeça, e Eusébio, num remate cruzado de pé direito. Ainda antes do intervalo, Coluna, aproveitando uma má saída de Strick, colocou o Benfica a vencer por 3-0, passando para a frente da eliminatória. Na segunda parte, a noite de pesadelo de Strick prosseguiu, com Eusébio e José Augusto, que bisou - o último golo foi na sequência de uma brilhante iniciativa individual -, a conduzirem os “encarnados” a um histórico 6-0 rumo às meias-finais da Taça dos Campeões Europeus.

FINAL FELIZ. O Tottenham Hotspur foi o adversário seguinte do Benfica. Uma vitória por 3-1 na Luz, com novo “bis” de José Augusto, abriu boas perspectivas para a segunda mão, onde o Benfica se adiantou com um golo de José Águas, parecendo resolver a eliminatória. Contudo, o Tottenham reagiu, deu a volta ao marcador e fez sofrer os “encarnados”, que acabaram por “segurar” o 1-2, chegando, pelo segundo ano consecutivo, à final da Taça dos Campeões Europeus. Na final de Amsterdão, diante do poderoso Real Madrid, de Di Stéfano, Puskas e Gento, o Benfica chegou a estar a perder por 2-0 e 3-2 – Puskas marcou os três golos do Real -, mas acabou por vencer por 5-3, com golos de Águas, Cavém, Coluna e Eusébio, que bisou, garantindo o bi-campeonato europeu de clubes. O Nuremberga, por sua vez, falhou a reconquista do título alemão, perdendo a final da prova, diante do Colónia (0-4), mas sagrar-se-ia vencedor da Taça da Alemanha, ao vencer por 2-1 o Fortuna Düsseldorf, numa final que foi decidida no prolongamento com um golo de Tasso Wild.

AS FICHAS DOS JOGOS:

Nuremberga - Benfica

Benfica - Nuremberga

VÍDEO DO BENFICA 6-0 NUREMBERGA:


TAG: recordar é viver

Sporting: quebrar o enguiço suíço
terça-feira, 12 fevereiro 2008

Carlitos: a estrela da formação suiça

ENGUIÇO SUIÇO Sporting e Basileia disputam amanhã, em Alvalade, a primeira mão dos 16 avos de final da Taça UEFA. Será a primeira vez que os dois emblemas se cruzam no histórico das competições europeias, como também é a estreia da formação suíça, onde alinha o português Carlitos, diante de clubes portugueses. Ao invés, o Sporting defronta pela quinta vez equipas suíças nas provas da UEFA. E o saldo é negativo: os leões apenas uma vez seguiram em frente, diante do FC Zurique, na Taça das Taças, em 1973/74, contando já com três eliminações, repartidas por FC Zurique – 1967/68 na Taça das Cidades com Feira -, Neuchâtel Xamax – 1981/82 na Taça UEFA - e Grasshopper – 1992/93 na Taça UEFA. No entanto, o saldo de resultados até é equilibrado: 3 vitórias, 2 empates e 3 derrotas.

A equipa do FC Zurique que eliminou o Sporting em 1967/68

A REVELAÇÃO SUIÇA NA ANTECÂMARA DO DESASTRE Estimulado por um percurso de sete vitórias consecutivas na Liga portuguesa 1967/68, o Sporting, orientado por Fernando Caiado, deslocou-se a Zurique, na sua estreia diante de emblemas suíços nas competições europeias, extremamente motivado com a liderança isolada do campeonato português, depois de ter começado mal a temporada, andando algumas semanas no 5º posto da classificação. Na extinta Taça das Cidades com Feira, já deixara pelo caminho os belgas do Club Brugge (empate a zero na Bélgica ; vitória 2-1 em Alvalade, com “bis” de Lourenço) e os italianos da Fiorentina (nova vitória 2-1 em Alvalade, com golos de Lourenço e Peres, e empate a 1 em Itália, com golo de Peres), mas o adversário metia respeito: o FC Zurique, que tinha no avançado Christian Winiger o seu principal jogador, pois vinha a revelar-se como uma das figuras da competição, ao contribuir, de forma decisiva, para as eliminações de Barcelona e Nottingham Forest. No Letzigrund, o Sporting entrou mal e o FC Zurique vencia ao intervalo por 2-0, graças a golos de Winiger e Ernst Meyer. Na segunda parte, os leões reagiram e procuraram reduzir a diferença, mas seria a formação suíça, a um minuto do fim, a alcançar o 3-0, com um golo do lateral-direito Jürgen Neumann. Três dias antes da recepção ao Zurique, o Sporting perdia em Braga (1-3) e deixava-se apanhar pelo Benfica no comando da Liga. O público, pouco crente na recuperação da eliminatória, não compareceu em massa em Alvalade, onde a plateia não chegava a 20 mil espectadores. Caiado surpreendeu ao lançar no “onze” o jovem extremo Carlitos, ocupando o lugar de Fernando Peres, que já falhara o jogo na Suiça, onde fora rendido por Manuel Duarte. Foi Carlitos, que, aos 22 minutos, colocou o Sporting em vantagem e parecia relançar a eliminatória, mas a verdade é que o Zurique, com alguma sorte à mistura, acabou por segurar o 0-1, alcançando os quartos-de-final da competição. Esse resultado acabou por marcar o resto da temporada do Sporting na Liga, onde perderia o título, com quatro derrotas nas cinco últimas jornadas da prova.

FC Zurique - Sporting: 1967/68

Sporting - FC Zurique: 1967/68

A ÚNICA PASSAGEM. Em Março de 1974, desta feita para a Taça das Taças, Sporting e FC Zurique voltaram a encontrar-se nas competições europeias. Um Sporting rejuvenescido, onde Marinho era o único resistente da eliminatória de 1968, defrontava um FC Zurique, que mesclava juventude com jogadores mais veteranos, como Grob, Pirmin Stierli, Kuhn ou Martinelli, sobreviventes do duplo-encontro da Taça das Cidades com Feira. Para chegar aos quartos-de-final da Taça das Taças, o Sporting deixara pelo caminho o Cardiff City – empate a zero no País de Gales, seguido de vitória por 2-1 em Alvalade, com golos de Yazalde e Fraguito – e o Sunderland, com um golo de Yazalde, nos minutos finais da partida de Roker Park, a permitir um 1-2, que tornou possível a passagem em Alvalade, onde os leões bateram o conjunto inglês por 2-0, graças a golos dos repetentes Yazalde e Fraguito. O FC Zurique, por sua vez, vinha de duas eliminatórias sofridas: passara o Anderlecht e o Malmö em eliminatórias que terminaram empatas, mas fez-se valer dos golos apontados fora, com o internacional jugoslavo Ilija Katic em plano de destaque. A primeira mão, disputada em Alvalade, mostrou um Sporting demolidor, impulsionado por mais de 40 mil adeptos. Depois de uma primeira parte sem golos, muito por culpa da exibição do guardião suíço Grob, os leões construíram um resultado pesado: 3-0, com golos de Nelson, Marinho e Yazalde, de grande penalidade. Confirmava-se o Sporting imparável nos jogos caseiros, que somava por vitórias todos os jogos disputados em casa em 1973/74, com o impressionante registo de 54 golos nos 12 jogos que disputara, até aí, em Alvalade para a Liga. No jogo da segunda mão, apesar da vantagem dilatada, Mário Lino, treinador do Sporting, não facilitou, isto apesar de estar numa fase decisiva para a Liga – acabava de defrontar o FC Porto (vitória 2-0) e seguiam-se a deslocação a Guimarães e a recepção ao Benfica. É certo, que um golo madrugador de René Botteron, também conhecido por “Bo Bo”, chegou a assustar, mas Baltazar, aos 18 minutos, empatou e desmoralizou os suíços, que necessitavam de três golos para seguir em frente. É certo que desperdiçaram algumas oportunidades, mas Marinho, Yazalde e Dinis também souberam colocar a cabeça dos defesas adversários em água. O Sporting cairia depois nas meias-finais, diante do poderoso Magdeburgo, que derrotaria o AC Milan na final da prova, mas sagrar-se-ia campeão nacional, apesar da estrondosa derrota por 3-5 em Alvalade, diante do Benfica.

Sporting - FC Zurique: 1973/74

FC Zurique - Sporting: 1973/74

A PRIMEIRA DERROTA DA ÉPOCA. Em 1981/82, o Sporting, que já deixara para trás o modesto Red Boys, do Luxemburgo, e o Southampton, após uma exibição épica em The Dell, cruzava-se nos oitavos-de-final da Taça UEFA com o Neuchâtel Xamax. Ultrapassadas as dúvidas iniciais sobre a qualidade do playboy inglês Malcolm Allison, que João Rocha escolhera para recolocar os leões no caminho do êxito, o Sporting chegava à primeira mão da eliminatória frente aos suíços altamente moralizado: sem derrotas na campanha europeia e na Liga, um surpreendente empate caseiro do FC Porto, de Hermann Stessl, frente ao Amora, permitia aos “leões” chegarem ao comando isolado da principal competição nacional. No entanto, e apesar do optimismo generalizado, Allison mostrou muito respeito pelo Neuchâtel, ciente do perigo dos suíços no contra-ataque, que já valera uma vitória em casa do Malmö (1-0) e dois golos na deslocação a Praga (derrota 3-2). Assim, o “onze” foi montado com várias cautelas defensivas, ficando as “despesas” ofensivas entregues ao “tridente” mágico formado por Oliveira, Manuel Fernandes e Jordão, que não foi capaz de “derrubar” a resistência dos suíços, com o guardião Karl Engel, em noite inspirada. Na segunda mão, em que não pode contar com o goleador Jordão, “Big” Mal optou por uma estratégia mais ofensiva: lançou o jovem Freire no ataque e deu ao meio-campo maior poder ofensivo, com as presenças do veterano Marinho e de Nogueira. Um golo do médio Claude Andrey, actual treinador do Yverdon, acabaria por se revelar determinante, naquela que foi a primeira derrota da época do Sporting. Fora da Taça UEFA, os “leões” prosseguiram um caminho seguro no Campeonato e na Taça de Portugal, conquistando ambas as competições. Allison, contudo, não sobreviveria à tumultuosa pré-temporada de 1982/83, onde um escândalo com prostitutas, no estágio de pré-temporada dos “leões” realizado na Bulgária, precipitaria a sua saída.

Sporting – Neuchâtel Xamax: 1981/82

Neuchâtel Xamax – Sporting: 1981/82

A NOITE DE ELBER E O PESADELO DE SÉRGIO. Quase 11 anos depois da eliminação diante do Neuchâtel, o Sporting, novamente orientado tecnicamente por um inglês (Bobby Robson), reencontrava-se com um emblema suíço na Taça UEFA: o Grasshopper, uma equipa jovem, mas que não tardou a tornar-se a base da selecção suíça que garantiu o apuramento para o Mundial 1994 – deixando Portugal de fora – e para o Europeu 1996, onde esteve sob o comando de Artur Jorge. Treinados pelo globetrotter holandês Leo Beenhaker, o Grasshopper contava nas suas fileiras com Zuberbhuler, Sforza, Vega, Bickel, Yakin e Alain Sutter, para além de um jovem avançado brasileiro, que se destacara no Mundial de Juniores de 1991, disputado em Portugal: Elber. Apesar de um mau início de campeonato com apenas 1 vitória – 4-3, em casa, ao Famalicão – nas 4 primeiras jornadas da Liga, o Sporting partia para Zurique sob uma nuvem de interrogações. Robson, contudo, não hesitou em repetir o “onze” que garantira um empate a zero em Braga dias antes, onde surpreendera a titularidade do eterno suplente Sérgio Louro em detrimento de Tomislav Ivkovic, protagonista de um péssimo início de época. Um golo de Alain Sutter, de grande penalidade, fazia antever o pior, mas o Sporting partiu para uma exibição de qualidade, com Balakov inspiradíssimo, coadjuvado pelo jovem Luís Figo. Foi o internacional búlgaro, ainda antes do intervalo, a marcar o empate, com Juskowiak, perto do fim da partida, a garantir a primeira vitória dos “leões” fora de portas em 1992/93, abrindo excelentes perspectivas para a segunda mão em Alvalade. A boa “onda” leonina prosseguiu na Liga, com uma goleada por 3-0 ao Sp. Espinho, num jogo que ficou marcado pelo regresso de Ivkovic à titularidade, que teve continuidade, em Faro, onde o Sporting empatou, na véspera da recepção aos suíços. Contudo, seria Sérgio o titular diante do Grasshopper, num jogo em que Robson optou por voltar ao “onze” que vencera em Zurique. A partida não começou bem para os leões, e Elber, na primeira parte, adiantou os suíços, com Pedro Barny e Valckx a sentirem imensas dificuldades em travar a velocidade e qualidade técnica do avançado brasileiro, com Sérgio a revelar-se muito inseguro na baliza. O Sporting desperdiçou várias oportunidades para repor a igualdade, mas à medida que os minutos passavam a intranquilidade aumentava. Beenhaker, destemido, lançava Joël Magnin e alargava a frente de ataque, e a substituição deu frutos, pois o recém-entrado fez o 0-2 a cinco minutos do fim, que parecia resolver a eliminatória. No entanto, um golo “salvador” de Cadete levava a eliminatória para prolongamento, onde o contra-ataque do Grasshopper colocou definitivamente a nu a desastrosa noite da defesa leonina, com Elber a marcar o seu segundo golo da noite e a conduzir a formação de Zurique à eliminatória seguinte. Robson ficou na “corda-bamba” e uma derrota diante do Gil Vicente, graças a um golo de Jaime Cerqueira, a dois minutos do fim da partida, na jornada seguinte da Liga, colocou-o num “limbo”, que só uma vitória caseira diante do Benfica de Ivic travou. Sérgio é que não voltaria a merecer a confiança de Robson, não surpreendendo a sua dispensa no final da temporada, colocando o fim a um ciclo de 11 anos em Alvalade – foi contratado, enquanto juvenil, ao Barreirense -, interrompido por três épocas de empréstimo ao Portimonense, onde chegou a dar nas vistas. Iniciava, aos 27 anos, um percurso descendente, com passagens por Académica, Maia, Paços de Ferreira, Machico, Portimonense, Lagoa (duas passagens), Esperança de Lagos e Desportivo de Beja, onde terminou a carreira, na 3ªDivisão, em 2001.

Grasshopper - Sporting: 1992/93

Sporting - Grasshopper: 1992/93

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Yakubu: de dispensado no Gil Vicente a goleador na Premier League
sexta-feira, 4 janeiro 2008

Yakubu Aiyegbeni

“OPERAÇÃO” YAKUBU. Foi a 13 de Agosto de 1999, exactamente uma semana antes da Liga 1999/2000 se iniciar, que o Gil Vicente apresentava como reforço para a nova temporada um jovem internacional nigeriano nos escalões de formação. De seu nome Yakubu Aiyegbeni, de apenas 16 anos. Álvaro Magalhães, na altura técnico dos gilistas, mostrava-se preocupado com a lesão longa de Diocliciano Tavares e pela inadaptação do reforço Xandi, um avançado extremamente franzino descoberto no modesto Lajeadense e indicado pelo empresário Manuel Barbosa, tendo pedido um novo homem de área. A Direcção do Gil Vicente procurou uma solução e encontrou-a no jovem Yakubu, que, apesar da sua juventude, já era titular do Julius Berger, clube da divisão maior do futebol nigeriano. As negociações, intermediada por Sylvanus, antigo internacional nigeriano que jogou no futebol português na década de oitenta, foram duras e prolongaram-se durante algumas semanas, pois o Gil Vicente não podia cobrir o valor do passe de Yakubu, tendo sido encontrada uma solução intermédia: um empréstimo por uma temporada. A operação foi levada tão a sério que, apesar da imprensa falar do interesse do clube em jovens africanos, o nome de Yakubu só foi conhecido quando foi apresentado. E não chegou sozinho: com Yakubu chegou também um jovem central nigeriano de nome Harry (Harrison Omokoh, central há vários anos a jogar na Ucrânia, onde chegou a representar o Dínamo Kiev).

DOIS GOLOS NA ESTREIA APÓS A TEMPESTADE. Depois da apresentação, na então renovada sala de imprensa do Estádio Adelino Ribeiro Novo, Yakubu e Harry seguiram para Braga, onde pernoitaram. No dia seguinte, o secretário-técnico Rochinha dirigiu-se ao hotel, a fim de transportar os jogadores a Barcelos onde iriam fazer os indispensáveis testes médicos. Contudo, e para espanto de Rochinha, Harry e Yakubu recusaram-se a acompanhá-lo e reclamaram os passaportes para regressarem, de imediato, à Nigéria. Segundo a edição do jornal “Record” de 15 de Agosto de 1999, os dirigentes gilistas queixavam-se de um envolvimento de um novo empresário, que terá aliciado os jogadores com uma proposta de um emblema luso de maior projecção que dobraria as propostas. Contudo, Sylvanus e Peter Rufai, que se preparava para reforçar a formação gilista, conseguiram dar a volta à situação, e colocaram Yakubu e o seu compatriota novamente na rota do emblema de Barcelos. E, na tarde de 16 de Agosto, Yakubu fez o primeiro treino pelo Gil Vicente, apontando dois golos: um de grande penalidade e outro de cabeça numa movimentação à ponta de lança que agradou de sobremaneira a Álvaro Magalhães, que não escondia a felicidade com o novo reforço. Yakubu, de poucas palavras e algo tímido, falou à imprensa no final do treino: “É sempre importante marcar golos, mesmo que num treino, pois é essa a minha missão”.

NOVA NOVELA. Já depois de João Magalhães, na altura presidente do Gil Vicente, ter revelado que o clube ia contrair um empréstimo bancário para pagar os 40 mil contos envolvidos na operação de compra dos passes dos dois jovens nigerianos, de forma a evitar problemas semelhantes aos de Drulovic, que abandonou, a meio da temporada 1993-94, o Gil Vicente à revelia do clube, pois os seus empresários venderam o seu passe ao FC Porto, iniciou-se uma nova “novela”: a da não chegada do certificado internacional de Yakubu e Harry, que falharam a recepção ao Campomaiorense (vitória 3-0) e deslocação ao Restelo (empate 1-1), para desespero dos dirigentes do Gil Vicente e de Álvaro Magalhães, que se viu obrigado a adaptar Guga ao posto de avançado-centro. Só que, a 30 de Agosto, João Magalhães mostrou-se cansado de esperas e decidiu dispensar Yakubu e Harry, acrescentando que os jogadores estavam proibidos a partir daí de treinar com o restante plantel.

O RAPTO E A PENHORA. Na edição de 31 de Agosto de 1999 do jornal “Record”, o “caso” Yakubu e Harry mereceu amplo destaque, surgindo mais uma figura na novela – o guineense Cátio Balde, representante em Portugal do empresário nigeriano Sylvanus, que acrescentou novos dados ao enredo: “Os contratos estão assinados e tudo está legal. O Sylvanus regressa da Nigéria quarta-feira, onde se deslocou exclusivamente para desbloquear a situação, já com os documentos e agora eles querem dispensá-los. O Gil Vicente foi o escolhido devido às boas relações com o treinador Álvaro Magalhães, uma vez que havia vários clubes interessados. O Sylvanus quase teve de raptar o Yakubu para Portugal e, agora, foi obrigado a penhorar duas casas na Nigéria, no valor de um milhão de dólares, para o clube que detém o certificado internacional dar o documento. Ele chega amanhã, está tudo legal e já não querem os futebolistas”.

O ADEUS A BARCELOS. A aventura terminou a 2 de Setembro, data em que Sylvanus regressou a Portugal, desconhecendo-se se acompanhado dos certificados internacionais dos jogadores. O empresário ainda falou de um eventual interesse de União de Leiria e Marítimo no concurso de Harry e Yakubu, como também de um elemento ligado a um clube saudita. Yakubu, que em Barcelos cruzou-se com jogadores como Petit, Ricardo Nascimento, Auri, Fangueiro ou Guga, partiu amargurado, dizendo mesmo que o seu desejo era regressar o mais rapidamente possível à Nigéria, de forma a preparar da melhor forma possível uma eventual participação nos Jogos Olímpicos de 2000, que acabou por se concretizar. Na altura da despedida a Barcelos, os jogadores nigerianos queixaram-se ao jornal “Record”: “Esta situação não foi nada agradável e nunca pensámos que viesse a acontecer quando chegámos a Barcelos. Somos internacionais pelo nosso país e não merecemos este tratamento. Sentimo-nos superiores a isto tudo e ao clube”.

YAKUBU, PROFISSÃO: GOLEADOR Depois da experiência negativa em Barcelos, Yakubu regressou à Nigéria, mas por pouco tempo. Foi contratado pelo Hapoel Kfar-Saba, clube que pretendia fugir à despromoção na divisão maior do futebol israelita. Marcou 6 golos em 23 jogos em 1999/00, mas que não foram suficientes para evitar a descida. A boa experiência em Israel valeu-lhe a estreia pela Selecção principal da Nigéria, como também a participação nos Jogos Olímpicos de 2000, onde marcou um golo espectacular às Honduras. Após as Olímpiadas voltou a Israel, mas para representar o Maccabi Haifa, onde após apontar 3 golos em 14 jogos, seguiu, por empréstimo, para o Dínamo Kiev, onde não se chegou a estrear. Regressou a Israel, onde viria a apontar 13 golos em 22 jogos pelo Maccabi Haifa em 2001/02, regressando à Selecção, figurando no lote de pré-seleccionados para o Mundial 2002, mas acabaria por ficar de fora dos eleitos, isto apesar de ter participado no último jogo treino antes da fase final. Continuou no Maccabi Haifa, que lhe deu a oportunidade de se estrear na Liga dos Campeões, em 2002/03: apontou 7 golos em 7 jogos – um “hat-trick” ao Olympiakos e um golo, de grande penalidade, ao Manchester United deram-lhe grande projecção -, a que juntou 8 golos em 13 jogos da Liga, tornando-se num dos frutos mais apetecidos do “Mercado” de Janeiro em 2003. Rumaria ao Portsmouth, que procurava a subida à Premier League, e não desiludiu: 7 golos em 14 jogos e a promoção ao principal Campeonato do futebol inglês. Nas duas épocas seguintes, já na Premier League, apontou 29 golos em 67 jogos, transferindo-se, no Verão de 2005, para o Middlesbrough, que investiu 7 milhões e meio de libras na sua aquisição. Em duas temporadas, marcou 25 golos em 71 jogos da Premier League, a que juntou 8 golos na FA Cup e 2 na Taça UEFA, tendo sido suplente utilizado na final da competição em 2005/06, que o Boro perdeu para o Sevilha (0-4). Esta época começou-a ainda no emblema de Riverside, mas a 29 de Agosto de 2007 foi apresentado como novo reforço do Everton, que investiu 11,25 milhões de libras na sua aquisição. É, até ao momento, o melhor marcador do clube na Premier League 2007/08, somando 9 golos em 15 jogos, tendo-se destacado ao apontar um “hat-trick” diante do Fulham, o clube a quem mais golos marcou desde que chegou a Inglaterra: 8 em 8 jogos.

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Benfica - FC Porto: pedaços de História do Clássico
quinta-feira, 29 novembro 2007


O PRIMEIRO CLÁSSICO EM LISBOA. Foi a 24 de Março de 1935 que Benfica e FC Porto se encontraram pela primeira vez em Lisboa para disputar um jogo da Liga, no velho Campo das Amoreiras, com arbitragem do lisboeta Manuel Marques. A partida, a contar para a 10ª jornada da prova, a apenas cinco jogos do final do Campeonato, levava um FC Porto extremamente moralizado a Lisboa, fruto de cinco vitórias consecutivas, que lhe garantiam a liderança da Liga, com 3 pontos de vantagem sobre Belenenses e 4 sobre Sporting e Benfica. O jogo, que criou enorme expectativa no País, levou 20.000 pessoas a encherem por completo o Campo das Amoreiras, sendo que do Porto viajaram dois comboios especiais repletos de adeptos. A recepção à equipa do FC Porto, quando os jogadores azuis e brancos entraram em campo, não foi a melhor: adeptos do Sporting e Belenenses juntaram-se à falange encarnada e criaram um ambiente de enorme agressividade, com gritos hostis de "fora, fora, fora". O Benfica venceu por 3-0, com o médio Gaspar Pinto, beneficiando de um desvio do defesa portista Jerónimo, e o avançado Rogério Sousa a garantirem no último quarto de hora da primeira parte uma vantagem de 2-0 ao intervalo. Vítor Silva, avançado, concretizaria o 3-0 final, a 12 minutos do fim, relançando a luta pelo título, já que o Sporting, com uma vitória no Estádio do Lima, diante da Académica do Porto, por 3-2, e o Belenenses, que derrotou a Académica, nas Salésias, por 4-0, também aproveitaram o deslize do líder. Joseph Szabo, o luso-húngaro que orientava tecnicamente o FC Porto, queixou-se no final do jogo do ambiente hostil criado pelos adeptos dos três grandes clubes lisboetas, mas garantiu que o título não escaparia ao FC Porto, o que se concretizaria, na última jornada, com um empate em Lisboa, no Campo Grande, diante do Sporting, que necessitava de uma vitória para se sagrar Campeão Nacional.

FICHA DO JOGO:

BENFICA: Augusto Amaro - Gatinho, Gustavo Teixeira - Francisco Albino, Lucas, Gaspar Pinto - Torres, Fernando Cardoso, Vítor Silva, Rogério Sousa, Alfredo Valadas.
Treinador: Vítor Gonçalves.

FC PORTO: Soares dos Reis - Carlos Pereira, Jerónimo Faria - João Nova, Álvaro Pereira, Raul Castro - Waldemar Mota, António Santos, Lopes Carneiro, Pinga, Carlos Nunes.
Treinador: Joseph Szabo.

GOLOS: 32' Gaspar Pinto (1-0) ; 40' Rogério Sousa (2-0) ; 78' Vítor Silva (3-0).

O PRIMEIRO CLÁSSICO NA LIGA. Menos de dois meses antes da primeira viagem do FC Porto a Lisboa para defrontar o Benfica, as duas equipas encontraram-se, no Porto, para disputarem o primeiro clássico da história da Liga, num jogo a contar para a 3ª jornada, e que se disputou no Estádio do Lima. A partida, disputada a 3 de Fevereiro de 1935, e que se iniciou às 14:40, com um atraso de dez minutos em relação à hora prevista, foi arbitrada pelo conimbricense Manuel Oliveira. O FC Porto venceu por 2-1, com o avançado Lopes Carneiro, aos 15 minutos, a adiantar os portistas no marcador, fixando o resultado ao intervalo. O Benfica procurou reagir, mas, aos 58 minutos, Manuel Oliveira assinalou uma grande penalidade favorável ao FC Porto. O goleador Pinga chamado à conversão do castigo máximo, desperdiçou a oportunidade, mas numa decisão muito contestada pelos jogadores do Benfica, o árbitro conimbricense mandou repetir a penalidade. Pinga voltaria a falhar, permitindo a Augusto Amaro entrar na história do Benfica, ao ser o primeiro guarda-redes a defender uma grande penalidade em jogos na Liga, mas não conseguiu impedir que o avançado portista marcasse na recarga, colocando o FC Porto a vencer por 2-0. Era o seu terceiro golo no Campeonato. Alfredo Valadas, avançado do Benfica, ainda reduziria, dois minutos depois, marcando o 4º dos seus 13 golos na Liga 1934/35, mas o FC Porto conseguiria segurar a vantagem até ao final, mantendo a liderança da prova a par do Belenenses, com o Benfica a ficar a 2 pontos de ambos.

FICHA DO JOGO:

FC PORTO: Soares dos Reis - Avelino Martins, Jerónimo Faria - João Nova, Álvaro Pereira, Carlos Pereira - Lopes Carneiro, Waldemar Mota, Acácio Mesquita, Pinga, Carlos Nunes.
Treinador: Joseph Szabo.

BENFICA: Augusto Amaro - Gatinho, Gustavo Teixeira - Francisco Albino, Álvaro Pina, Gaspar Pinto - Domingos Lopes, Luís Xavier, Torres, Rogério Sousa, Alfredo Valadas.
Treinador: Vítor Gonçalves.

GOLOS: 15' Lopes Carneiro (1-0), 60' Pinga (2-0), 62' Alfredo Valadas (2-1).

O PRIMEIRO JOGO. Em Abril de 1912, já com a vitória no Campeonato de Lisboa garantida a uma jornada do fim da prova, o Benfica deslocou-se ao Porto para efectuar um duplo confronto particular com o FC Porto: de manhã defrontaram-se as segundas categorias, com o Benfica a sair vencedor por 2-1 ; à tarde um jogos entre as primeiras categorias, em que o Benfica saiu também vencedor por um concludente 8-2. O primeiro registo de uma partida oficial reporta-se a 28 de Junho de 1931, quando Benfica e FC Porto defrontaram-se na final do Campeonato de Portugal 1930/31, numa partida disputada no Campo do Amado, em Coimbra, sob a arbitragem do lisboeta António Palhinhas. Vítor Silva, ao marcar dois golos, foi o "herói" encarnado, sendo que Denis apontou o outro golo do Benfica na vitória por 3-0.

FICHA DO JOGO DA FINAL DO CAMPEONATO DE PORTUGAL 1930/31:

BENFICA: Artur Dyson - Ralph Bailão, Luís Costa - João Correia, Aníbal José, Pedro Ferreira - Augusto Dinis, Emiliano Sampaio, Vítor Silva, João Oliveira, Manuel Oliveira.
Treinador: Artur John.

FC PORTO: Miguel Siska - Pedro Temudo, Avelino Martins - Felipe Santos, Álvaro Pereira, Euclides Anaura - Lopes Carneiro, Waldemar Mota, Norman Hall, Acácio Mesquita, Francisco Castro.
Treinador: Joseph Szabo.

GOLOS: 37' Vítor Silva (1-0), 44' Denis (2-0), 62' Vítor Silva (3-0).

BENFICA DOMINA EM CASA. Este sábado, Benfica e FC Porto disputarão o 74º clássico em casa dos encarnados em jogos da Liga, que possuem uma clara supremacia: 40 vitórias, 22 empates e 11 derrotas, 155 golos marcados e 72 golos sofridos. Apesar do domínio portista das últimas duas décadas do futebol português, nos últimos 21 anos apenas por 4 vezes conseguiram alcançar triunfos na Luz: em 1991/92, por 3-2 ; em 1996/97, por 2-1 ; em 2002/03, por 1-0, era Camacho o treinador do Benfica ; e em 2004/05, também por 1-0. A maior vitória do Benfica ao FC Porto, em jogos em casa, ocorreu em Fevereiro de 1943, com um estrondoso triunfo por 12-2, com o avançado Júlio a destacar-se ao apontar 4 golos ; enquanto que os portistas, em jogos do Campeonato, apenas venceram uma vez por mais do que um golo de diferença: em Janeiro de 1951, uma vitória por 2-0, com um "bis" de Monteiro da Costa.

MAIS AZUL. É o FC Porto que tem vantagem no confronto directo com o Benfica se contarmos todos os jogos (146) disputados entre os dois clubes na Liga: os azuis e brancos somam 55 triunfos, enquanto que os encarnados venceram em 52 ocasiões, tendo-se registado 39 empates. É, contudo, ao Benfica que pertence o maior registo de golos (243) face aos 218 do FC Porto.

CAMACHO - 3 JESUALDO - 0. Depois de ter substituído Jesualdo Ferreira no comando técnico do Benfica, José António Camacho teve a oportunidade de "apadrinhar" a estreia do Professor no Sp. Braga, triunfando no Municipal bracarense por 3-1. Na época seguinte - 2003/04 - Camacho voltou a levar a melhor sobre Jesualdo: 2-0 na Luz e 3-0 em Braga. Contudo, Camacho nunca conseguiu vencer o FC Porto em jogos a contar para o campeonato: 3 jogos, 1 empate e 2 derrotas ; enquanto que Jesualdo, que já defrontou o Benfica em 12 ocasiões, soma 4 triunfos - apenas 1 na Luz, pelo Alverca (2-0) -, 3 empates - 2 na Luz, um pelo FC Porto (1-1) e outro pelo Sp. Braga (0-0) - e 5 derrotas.

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Sousa Cintra
terça-feira, 18 setembro 2007

Ao passar alguns dos meus arquivos VHS para formato DVD deparei-me com esta peça brilhante de Miguel Barroso para o programa "Fora de Jogo", de 1991. Uma câmara da RTP acompanhou o dia de Sousa Cintra antes, durante e depois do Sporting - Bolonha, partida do quartos-de-final da Taça UEFA 1990/91, que viria a dar o acesso dos "leões" às meias-finais da competição, onde cairiam aos pés do Inter. No entanto, esta reportagem retrata uma jornada gloriosa dos "leões" com Sousa Cintra como personagem central: a ansiedade antes da partida ; a viagem para o estádio ; a ida ao balneário antes do início do jogo, com direito a conversa com Marinho Peres e o jogador Careca, que havia sido apresentado, meses antes, como o "Novo Eusébio" ; a emoção ao rubro durante o jogo, com destaque para alguns comentários e diálogos hardcore ; e a felicidade pós-jogo no camarote, nos bastidores de Alvalade e, finalmente, num jantar oferecido aos árbitros. Memorável!

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António Medeiros: Aramis e ralis
terça-feira, 1 novembro 2005

Texto de António Tadeia, no jornal 'Record' (Abril de 2004).

Aramis António Medeiros não gostava de punir quem mostrava iniciativa, mais não fosse para contrariar as regras. Foi o caso, por exemplo, quando alguns jogadores do Belenenses lhe gastaram em poucos minutos uma garrafa gigante de perfume "Aramis".

Os perfumes não abundavam naquele tempo, mas Medeiros fazia questão de andar sempre airoso, para o que se fazia acompanhar da tal mega-embalagem. Até que um dia, estando o treinador no duche, alguns jogadores incitaram os que desconheciam a quem pertencia a cheirosa essência a servir-se à vontade. Saído do banho, Medeiros percebeu, mas não deu parte de fraco: só na manhã seguinte, quando escreveu no quadro a programação dos trabalhos para a semana, é que surpreendeu todos com duas sessões diárias. E acabou: "Isto volta ao normal se aparecer uma garrafa de 'Aramis' igual à que foi gasta." E até houve quotizações para a comprar.

No fundo, Medeiros achava piada a estas coisas. Aliás, é o que se depreende do episódio em que Norton de Matos e Amaral, ambos loucos por ralis, pediram um atestado ao departamento médico para os libertar dos treinos (o jogo seguinte era particular) para acompanharem o Rali de Portugal por todo o país.

Por esses dias, o treinador desabafou ante o plantel: "Ainda por cima, temos dois doentes em casa." Um jogador não se conteve: "Doentes? Eles andam é no rali!" Medeiros ficou furioso e mandou os marialvas regressar de imediato, castigando-os com 90 minutos em campo no jogo. Já o denunciante teve pior sorte: passou a semana a treinar sozinho.




Futegrafia de António Medeiros.

António MedeirosAntónio José dos Santos 'Medeiros', também conhecido por 'Tó de Leça', nasceu a 10 de Março de 1933.

Antigo jogador, com vários anos de 1ªDivisão, acabou por ser um dos treinadores de topo do futebol português na década de 70, em que realizou bons trabalhos no Estoril e no Belenenses, mas, ao contrário do que vaticinava, acabou por nunca chegar à selecção portuguesa e a um 'grande'.

Sem papas na língua, com uma atitude muito 'rock and roll' e deveras egocentrica, foi autor de frases como 'Só uma enxaqueca me poderá impedir de ser seleccionador nacional' ou 'O melhor é ir falar com o cavalo do Gary Cooper', especialmente dedicada aqueles que não gostava.

Na década de 80, a do seu declínio como técnico, com um afastamente progressivo da ribalta, foi protagonista no Amora, então na 1ªDivisão, de um caso insólito: numa altura em que a numeração era de um a onze, optou por invertê-la, com os avançados a utilizarem os números mais baixos e os defesas os mais altos (o lateral direito, por exemplo, era o nº11).


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O Poço dos Tubarões (I)
segunda-feira, 10 outubro 2005

Edinho

O ínicio de uma viagem até ao 'poço dos tubarões' do futebol português: a 2ªDivisão, esta época dividida em quatro séries. Para começar, a Série A, que engloba os clubes mais a Norte e formações da Madeira, onde recupero alguns jogadores e treinadores perdidos no 3º escalão do futebol português, longe das luzes da ribalta, que, em alguns casos, chegaram a ser conhecidas.


O líder da série é o Trofense, que tem como nome mais sonante o do ex-portista Costa, que, aos 31 anos, depois de passagens por Vitória Guimarães, Rio Ave, Vitória Setúbal e Desportivo de Chaves, caiu nas profundezas do terceiro escalão do futebol português. Os avançados Reguila, que a época passada actuou no Gondomar, e Shéu, que durante largas épocas representou o Gil Vicente, e o médio ofensivo Major, de 34 anos, com vários anos ao serviço do Maia, são outros dos principais nomes da equipa orientada por Daniel Ramos, antigo jogador do Rio Ave, que, na temporada anterior, teve uma passagem sem êxito pelo Desportivo de Chaves.

Uma das equipas que aposta forte na subida é o União da Madeira, que continua a ser orientado pelo brasileiro Ernesto Paulo, antigo treinador do clube na divisão maior do nosso futebol e seleccionador dos sub-20 brasileiros no Mundial de 1991. O início de época não tem sido o esperado, apesar do plantel conter vários jogadores experientes. São os casos do guardião Nuno Carrapato, ex-Nacional, dos médios Paiva, com muitos anos de 1ªDivisão, e de Joel Santos, ex-Marítimo, e do avançado Serginho Cunha, veterano brasileiro que fez furor durante várias épocas no rival Nacional. A estes juntam-se os jovens Rodrigo, antigo guarda-redes do Vitória Setúbal, o central Carlos Marques, formado no Sporting, e o lateral-esquerdo internacional esperança Vítor Rodrigues, produto das escolas do FC Porto, e ainda jogadores como Geufer, possante avançado brasileiro emprestado pelo Nacional, Emerson Gama, um médio ofensivo brasileiro que já representou Moreirense e Felgueiras, e Francisco Silva, antigo lateral esquerdo do Belenenses, que na última época actuou no Dragões Sandinenses.

Com ambição também parte o Portosantense, orientado por Lito Vidigal, antigo jogador do Belenenses, e que tem no seu irmão Toni Vidigal, antigo jogador de Varzim e Estoril, uma das principais unidades à sua disposição. Contudo, é o veteraníssimo Edinho, que, aos 38 anos, continua a revelar dotes de goleador, o nome mais sonante, contratado à Olhanense, de onde também chegaram o experiente central Miguel Teixeira, formado nas escolas do FC Porto, e que teve uma passagem pela divisão maior ao serviço do Salgueiros, e o médio brasileiro Glaedson, que já passou pelo Santa Clara. Léo Oliveira, um brasileiro que já passou por Paços de Ferreira e Penafiel, é outro dos elementos com maior experiência, de um plantel recheado de jovens, que apostou bastante no recrutamento em Elvas, terra natal da família Vidigal, de onde chegou o guarda-redes Pedro Silva, o defesa Rogério e o médio Dédé, uma das revelações deste início de temporada.

Depois de uma passagem pela 3ªDivisão, o Famalicão está de regresso ao terceiro escalão do futebol português. A aquisição mais sonantes dos famalicenses foi a de N'Tsunda, o ex-'filho do vento', que regressou a Portugal, onze anos depois de ter sido contrato pelo FC Porto, mas que ainda não se estreou na competição. O lateral-direito Hilário, depois de passagens pelo futebol italiano, o central/trinco Mirra, que já passou pelo Gil Vicente, o lateral-esquerdo Pinheiro, formado nas escolas do FC Porto, com passagem pelo Paços de Ferreira, o médio-ofensivo Kiwi e o avançado Bacari Djalô - filho de Mamadu Bobó -, ambos ex-Felgueiras, são outros dos principais nomes do plantel, que conta também com o jovem central Sereno, emprestado pelo Vitória de Guimarães.

Em Vila Verde, nos arredores de Braga, Nelito, antigo central do Sp. Braga e agora técnico do Vilaverdense, tenta repetir a surpreendente temporada do exercício anterior. Sem grandes nomes, destacam-se os experientes Ricardo Martins e Paulinho Cepa, com passagens pela Liga de Honra, para além de Jaco, um angolano que tentou a sua sorte em Espanha no último defeso, e do veterano Armando, de 34 anos, antigo goleador do Moreirense, que chegou a representar o Sp. Braga na divisão maior do nosso futebol.

Os Sandinenses, que garantiram a subida à 2ªDivisão na última temporada, não têm nomes sonantes, destacando-se apenas Quínio, um médio que já representou a equipa B do Sp. Braga, e Nuno Baptista, um lateral formado nas escolas do Boavista, mas que tem tido dificuldades em impor-se no futebol sénior, para além da curiosidade de ter um central chamado Padre. Contudo, a equipa revela um conjunto bastante compacto, orientado por António Carvalho, antigo jogador do Vitória de Guimarães.

Na Camacha, a formação madeirense apresenta alguns nomes com passado ligado aos 'grandes' clubes da região: são o caso de Márcio Abreu, extremo, ex-Marítimo, como também do lateral Carlos Manuel, do médio centro Leandro Salino - campeão mineiro em 2005 pelo Ipatinga - e do extremo brasileiro Rogerinho, ambos ex-Nacional, e do experiente central Agrela, antigo defesa do União da Madeira. Referência ainda para Diop, avançado senegalês, que na última época representou o Dragões Sandinenses.

O Ribeirão, que nas duas últimas temporadas havia sido orientado por Vítor Paneira, e que agora tem como técnico Dito, que procura relançar a sua carreira, conta nas suas fileiras com alguns jogadores experientes. São o caso do guarda-redes Litos, ex-Varzim, do central luso-brasileiro Lemos, também ex-Varzim, depois de vários anos ao serviço do Gil Vicente, do médio centro brasileiro Luiz Cláudio, que chegou a estar contratualmente ligado ao FC Porto, do também médio Rego, antigo internacional esperança português, e do veterano avançado goleador Paulo Vida, que na última temporada representou o Dragões Sandinenses.

O Atlético de Valdevez, que perdeu vários jogadores para clubes da SuperLiga e Liga de Honra - António (Rio Ave), Hélder Cabral (Vitória Guimarães), Peixinho (Santa Clara), Juliano Roma e Nicolas Jacob (Beira-Mar) - viu o seu plantel ser fortemente remodelado. A aposta no recrutamento passou pela aquisição de jovens ligados a clubes da principal Liga portuguesa, saídos dos juniores: são os casos de Rui Sacramento, guarda-redes, que luta pela titularidade com o ex-vimaranense Vítor Nuno, e André Carvalho, defesa-central, formados no FC Porto ; do lateral-direito Pedro Coentrão e do médio-centro Ricardo Palmeira, ambos ex-Rio Ave ; de Pedrinho, Toninho e Óscar, todos ex-Gil Vicente ; e de Rafael Santos, ex-Belenenses, que se juntam ao promissor Jeremy, internacional português nas selecções inferiores, que na última temporada chegou a fazer testes no Chelsea.

O Freamunde, orientado por Lowden, antigo jogador de Tirsense e Moreirense, sofreu várias perdas no seu plantel, já que o núcleo duro transitou com Nicolau Vaqueiro, antigo técnico do clube, para o Gondomar. O médio Raul Moreira, que chegou a representar o Rio Ave na divisão maior, e Nandinho, jovem extremo das escolas do clube vila-condense, que se juntam aos experientes Barbosa e Bessa, para além de André Lisboa e Fernandes, este último um guineense que chegou a representar o Boavista nos escalões de formação.

O Desportivo de Fafe, que é orientado tecnicamente pelo búlgaro Tenev, antigo jogador do clube, conta nas suas fileiras com alguns jogadores veteranos, como são o caso dos defesas Carlitos e Quim da Costa, com muitos anos ao serviço do Desp. Aves, como também do avançado angolano Lobo, de 35 anos. A estes juntam-se o luso-francês François Fernandez e o brasileiro Jader, jogadores que chegaram a passar pelo principal campeonato português ao serviço de Paços de Ferreira e Rio Ave, e o promissor Tiago Nogueira, o 'nº10' da equipa, que teve uma breve passagem pelo FC Porto B.

No Lixa, como é tradição, são vários os jogadores que contam com passagens pelo Felgueiras. São os casos de Paulo César, Rafael Duarte e Zézé, aos quais se junta Pedro Valente, irmão do internacional Nuno Valente, que tal como o irmão foi formado nas escolas do Sporting, e que já representou Maia e Leixões, o seu anterior clube, na Liga de Honra.

Abaixo das expectativas, o início do campeonato do Sp. Braga B. Com um plantel bastante jovem, tem nas suas fileiras vários jogadores que já trabalharam com o plantel principal: são os casos do guarda-redes Eduardo, do central José Pedro, do central/trinco Paulo Monteiro, do lateral-esquerdo João Cardoso, filho de João Cardoso, antigo internacional português e actual adjunto de Jesualdo Ferreira, do médio ofensivo Diego ou do muito promissor João Pedro, campeão europeu de sub-17. Entre as novidades, destaque para o jovem brasileiro Rodrigo Dantas, um avançado que mostrou dotes de goleador no Caldas, e que Jesualdo já chamou ao plantel principal.

Por fim, o Torcatense. A equipa dos arredores de Guimarães, estreante na competição, tem uma formação baseada em jovens formado nas escolas do Vitória, contando com alguns jogadores promissores, ainda contratualmente ligados ao clube vimaranense, como são o caso dos laterais Barata e Vitinha, ou do avançado Guilherme Cascavel, filho do 'mítico' Paulinho Cascavel, que fizeram a pré-temporada com Jaime Pacheco, e ainda Pedro Borges, Paulo Freitas, Rocha e Rui Cheguerov, todos ex-juniores do Vitória. Entre os restantes jogadores, o destaque vai para o central Miguel, antigo jogador do Vitória de Guimarães e Sporting, que, aos 41 anos, continua em actividade.

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Vitória Setúbal: Norton de Matos e a viragem para França
quinta-feira, 30 junho 2005

Norton de Matos em Setúbal

Luís Norton de Matos fará a sua estreia como técnico na SuperLiga ao serviço do Vitória Setúbal, que lhe abrirá também a perspectiva de disputar as competições europeias. O Terceiro Anel propõe uma viagem pelo trajecto deste treinador multi-facetado, que nunca escondeu a sua predilecção pelo futebol argentino e francês. E tem sido o mercado francês uma das principais apostas do Vitória Setúbal para a construção do plantel para a nova temporada: conheça os reforços, os outros alvos, mas também as aquisições feitas por Norton de Matos no mercado francês, como director desportivo do Sporting e treinador do Sp. Espinho e Salgueiros.


O percurso como jogador


Norton de Matos


Luis Maria Cabral Norton de Matos, nasceu em Lisboa a 14 de Dezembro de 1953. Sobrinho-bisneto do General José Norton de Matos, grão-mestre da Maçonaria portuguesa e candidato à presidência da república em 1948, preso e exilado pelo antigo regime, Luis Maria cresceu sob essa sombra, que acabou por lhe dar algum destaque em termos de imprensa desportiva no início da carreira.
Depois de ter dado os primeiros passos nas camadas jovens do Estoril-Praia 'saltou', enquanto júnior, para o Benfica, onde se sagrou campeão nacional da categoria.
Em 1972/73 foi promovido à equipa sénior dos 'encarnados', mas não teve qualquer oportunidade na primeira equipa, rumando, na temporada seguinte, por empréstimo, à Académica, onde tentou, sem sucesso, ingressar no ensino superior.
Em 1974 regressaria à Luz, mas a falta de oportunidades acabaria por o levar a outros clubes: Estoril, Atlético e Belenenses, numa carreira em crescendo, que lhe abriria as portas do Standard Liège, emblema belga que representou entre 1978 e 1981, somando, em três épocas, 20 golos, em 87 jogos, entre Campeonato, Taça e Competições europeias.
Em 1981, regressou a Portugal, para representar o Portimonense, onde se manteve até 1984. Acabou por ser nessas três épocas um dos principais responsáveis pelas boas carreiras dos algarvios na divisão maior do futebol português, vencendo prémios de regularidade e de jogador do ano da imprensa desportiva nacional em 1981/82.
Em 1984, abandonou em litigio o clube, e apesar de se ter falado num eventual interesse do Benfica, assinou pelo Belenenses, onde jogou duas temporadas. O ponto final na sua carreira deu-se na Amadora, ao serviço do Estrela, em 1986/87.
Ao todo, foi internacional português em 8 ocasiões: 5 pela Selecção AA e 3 repartidas entre olímpicos, esperanças e júniores.


O percurso como treinador e director desportivo


Norton de Matos


Em 1989/90, Luís Norton de Matos iniciou a sua carreira como treinador no Atlético. Uma equipa maioritariamente composta por jovens, onde Camberra e Vinha viriam a ser os únicos jogadores a chegarem à divisão maior do nosso futebol. A estreia como técnico durou pouco, já que abandonou o clube ainda antes do final de 1989.
O passo seguinte foi a Selecção Nacional, onde viria a trabalhar com António Oliveira, na selecção de Esperanças, também sem grandes resultados. Em 1991 rumou ao Barreirense, acabado de cair na 2ªB, onde se manteve durante duas temporadas: na primeira época, não foi além de um modesto 11º lugar, seguindo-se um 3º lugar, em 1992/93. Do plantel, sem grandes nomes, acabaram por ser os centrais Fonseca e Duca, ainda em início de carreira, a atingirem maior projecção no futebol português.
Após abandonar o Barreirense, iniciou a temporada 1993/94 sem clube, mas rapidamente encontrou colocação: Quinito, com quem curiosamente trabalhará em Setúbal, foi despedido do Sp. Espinho após um decepcionante início de campeonato na Liga de Honra, mas Norton de Matos esteve longe de conseguir colocar o clube na rota do regresso à SuperLiga, acabando por cair num modesto 14º posto, com a manutenção apenas a ser garantida nas últimas jornadas. Na temporada seguinte, ainda em Espinho, promoveu uma reformulação no plantel, que conduziu a um campeonato tranquilo: 9º lugar final. Registam-se as suas apostas em dois talentosos jovens formados no clube - Pedro e Cardoso -, como também em Bolinhas e Artur Jorge, que, em conjunto, valeram 23 golos em 1994/95.
Terminado o campeonato, Norton de Matos decidiu fazer uma pausa no trabalho como técnico e aceitou um convite de Pedro Santana Lopes para assumir o cargo de Director Desportivo do Sporting, com a anuência de Carlos Queirós, na altura treinador. Manteve-se no cargo durante cerca de dois anos e meio, já que em Novembro de 1997, após divergências com Simões d'Almeida, na altura 'braço direito' de José Roquette, saiu do clube.
Meses mais tarde, regressaria ao Sporting, já sem Simões d'Almeida, e com José Couceiro, o seu 'sucessor', a ver o seu cargo esvaziado após o despedimento de Carlos Manuel. Com o pomposo cargo de Consultor para o Futebol, Norton de Matos manter-se-ia em funções entre o Verão de 1998 e Abril de 1999, saindo do clube ainda antes do final de (mais) uma época má em termos desportivos, onde várias das suas apostas na prospecção se revelaram um fracasso.
Ao longo do seu trajecto no Sporting, em que o êxito desportivo resume-se à conquista de uma SuperTaça, foi o principal responsável pelas apostas em Waseige e Jozic, que estiveram longe de resultar, mas também, segundo o próprio, numa entrevista ao jornal 'Record', em 2000, pela aquisição de 26 jogadores, nos quais o Sporting investiu cerca de 6,3 milhões de contos, mas obteve lucros na ordem dos 3 milhões de contos, já que a venda de 20 deles permitiram o encaixe de 9,3 milhões de contos. Contas, no mínimo, discutiveis, se analisarmos as 36 aquisições - e não 26 - feitas pelo Sporting com Norton a desempenhar os cargos de Director Desportivo e Consultor para o futebol.
Eis os nomes: Acosta, Afonso Martins, Assis, Balajic, Bino, Carlos Miguel, César Ramirez, De Wilde, Delfim, Dominguez, Duscher, Gil Baiano, Gimenez, Hadji, Heinze, Kmet, Krpan, Lang, Leandro Machado, Luis Miguel, Marcos, Mauro Soares, Misse Misse, Nélson, Nenê, Ouattara, Paulo Alves, Pedro Barbosa, Pedro Martins, Quim Berto, Quiroga, Saber, Skuhravy, Tiago, Vidigal, Vinicius. (não contando com Hanuch e Viveros, jogadores referenciados por Norton de Matos, mas já contratados após a sua saída do clube).
Após uma paragem de mais dois anos, assumiu, no Verão de 2001, o comando técnico do Sp. Espinho, retomando a sua carreira de treinador, curiosamente no clube que abandonara para rumar a Alvalade. As expectativas eram elevadas, com uma aposta muito forte no mercado francês e argentino, dois dos seus 'eternos' alvos preferenciais, mas que acabou por se revelar um verdadeiro fracasso. A temporada foi decepcionante, com Norton de Matos a abandonar o clube, na zona de descida, à 25ª jornada. Formosinho, futuro responsável pela equipa B do Vitória de Setúbal, foi quem lhe sucedeu à frente dos 'tigres', mas não conseguiu evitar a descida do Sp. Espinho à 2ªB.
Depois de nova paragem, de cerca de um ano, foi convidado para assumir o comando técnico do Salgueiros, também na Liga de Honra, na recta final do campeonato 2002/03. Depois de ter andado semanas consecutivas na liderança sob o comando técnico de Carlos Manuel, a equipa entrara numa trajectória descendente, mas ainda estava perto da zona de subida. A substituição foi desastrosa, e o Salgueiros acabou por se afundar na 9ª posição, acumulando derrotas. A nova época marcou uma profunda remodelação no plantel, com a aposta em muitos jovens, que acabou por resultar: 6º lugar, e o lançamento de alguns talentos, como Nélson, actualmente no Boavista, e Fábio Hempel, que se viria a sagrar melhor marcador da prova.
A boa prestação, valeu-lhe a renovação do contrato para 2004/05, época que foi atempadamente preparada, com novas apostas em jovens promissores: José Fonte, Flávio e Heitor, que acompanharão Norton em Setúbal, onde já está o guarda-redes Moretto contratado pelo Salgueiros no Verão de 2004, mas também jogadores como Ricardo Pateiro (futuro jogador do Nacional), Ricardo Jorge (futuro jogador do Rio Ave) e Igor (fará a pré-época do Boavista).
Só que a 13 de Julho de 2004, a Liga Portuguesa de Futebol Profissional despromoveu, por dívidas, o Salgueiros à 2ªB, assistindo-se a uma debandada de jogadores, que levaram Norton de Matos a abandonar o comando técnico do clube em Agosto.
Depois de um ano de paragem, segue-se a estreia na divisão maior ao serviço do Vitória Setúbal, que lhe permitirá também o seu debute, como técnico, em competições europeias. À sua espera um trabalho complicado, dadas as inúmeras saídas e também porque a fasquia - depois de uma época positiva, abrilhantada pela conquista da Taça de Portugal - está alta.
Tacticamente, costuma apresentar as suas equipas em 4x2x3x1, não muito diferente do esquema utilizado pelos sadinos na última temporada.


O primeiro futebolista 'cor-de-rosa'


Norton de Matos com Boy George


Multi-facetado, Norton de Matos viveu também experiências na área do jornalismo, quer escrito, quer televisivo, como experimentou o cinema, a televisão, a moda e a publicidade, que lhe permitiram ser o primeiro (ex-)futebolista a ter uma presença assídua nas publicações cor-de-rosa.
Ainda como jogador, no final da década de 70, Luís Norton de Matos foi colaborador do jornal 'Record', aproveitando a sua experiência no futebol belga. Já em plena década de 80 foi fundador e director da revista FOOT, publicação de referência, que viria a abandonar no início da década de 90. Passou depois pelo Semanário e pela TVI, como comentador, antes de ingressar no Sporting como director desportivo. Após a sua primeira saída de Alvalade, e antes do seu regresso, foi cronista do jornal Público durante o Mundial de França. Depois de abandonar, de forma definitiva, o Sporting, em 1999, foi cronista do 24 Horas, director do jornal online Desporto Digital e comentador da RTP, onde chegou a ser afastado por algum tempo, depois de Luis Duque, na altura presidente da SAD do Sporting, o ter acusado de ser 'um empresário que se esconde nas funções de jornalista', após um alegado aliciamento a jovens jogadores dos 'leões'. Mais recentemente, voltou a colaborar como comentador da TVI, no Euro 2004, e do jornal 'Record', durante a temporada 2004/05.
Mas não só no jornalismo Luis Norton de Matos fez incursões: passou também pela publicidade e trabalhou como actor, em séries televisivas e no cinema, onde participou em três filmes de Joaquim Leitão: 'Voltou', 'Resgate' e 'Ao fim da noite'.


As 'aquisições francesas' de Norton


Afonso Martins. A sua chegada a Alvalade coincidiu com a de Luis Norton de Matos. Afonso, na altura com 22 anos, era há duas temporadas titular do Nancy, da 2ªDivisão francesa, rumando a Alvalade, apesar do interesse de outros clubes portugueses. Esteve sete anos no Sporting, mas depois de nas primeiras três temporadas ter sido utilizado de forma irregular, passou quatro épocas na 'prateleira', realizando apenas dois jogos pela equipa principal. Depois de uma boa época na equipa B, rumou ao Moreirense, de onde saltou para o Vitória Guimarães, onde realizou uma temporada abaixo das expectativas. Na última época regressou a Moreira de Cónegos, sem o sucesso da primeira passagem.


Hadji

Mustapha Hadji. Médio ofensivo, chegou ao Sporting, em 1996, após várias épocas, de grande nível, no Nancy, onde actuara com Afonso Martins. Internacional marroquino, pegou de estaca em Alvalade, e apesar de alguma irregularidade exibicional, acabou por ser uma das unidades de maior rendimento em 1996/97. A época seguinte, ainda a começou de 'leão' ao peito, mas, em Dezembro de 1997, accionou a cláusula de rescisão para rumar ao Deportivo la Coruña, após o Sporting ter rejeitado uma melhoria no seu contrato. Um processo polémico que acabaria por render aos cofres verde-brancos 1 milhão de contos. Após um ano em meio em Espanha, onde não se afirmou, rumou ao futebol inglês, onde representou Coventry - com sucesso - e Aston Villa. Sem espaço no Villa, acabou por rumar, a meio da época 2003/04, ao Espanyol, onde marcou 2 golos, em 16 jogos.


Lang

Didier Lang. Formado nas escolas do Metz, onde surgiu na primeira equipa em 1989, foi conquistando espaço, assumindo-se como titular em 1992. Chegou a Alvalade, no Verão de 1997, a custo zero - mas com luvas de ouro -, depois de uma excelente época na 1ªdivisão francesa, em que marcou 4 golos, em 35 jogos. Ao serviço do Sporting, afirmou-se no início da temporada com Octávio Machado, assumindo-se como um jogador importante na transformação de lances de bola parada, o seu ponto mais forte, como o demonstrou, com duas assistências, na histórica vitória por 3-0 ao Mónaco na Liga dos Campeões. No entanto, foi perdendo espaço na equipa, ao evidenciar poucos argumentos em bola corrida, e acabou por ser afastado da equipa, devido a problemas disciplinares, por Cantatore. Carlos Manuel, quando chegou a Alvalade, ainda lhe deu uma oportunidade, mas o jogador voltou a evidenciar um carácter truculento e foi afastado. Regressou a França, onde passou por Sochaux, Troyes, Metz e Le Mans, cumprindo uma trajectória decrescente.


Marguet

Frédéric Marguet. Guarda-redes francês, foi contratado para o Sp. Espinho em 2001/02, oriundo do Valence, onde actuara nas três épocas anteriores, depois de ter surgido no Louhans-Cuiseaux. Não foi utilizado em nenhum jogo da Liga de Honra e acabou dispensado no final da temporada. Regressado a França, passou por dois clubes da CFA 1 (equivalente à nossa 3ªDivisão) e 2 (distrital): o Avion e o Meaux CS, onde esteve nas duas últimas temporadas. É apontado, pela imprensa francesa, como possível reforço da Ovarense ou do Moreirense.


Harry

Harry Ntimban-Zeh. Possante defesa-central francês, foi contratado pelo Sp. Espinho em 2001/02, após o fracasso do argentino Juan Brown, que seria dispensado ao Barreirense. Formado nas escolas do Racing Club Paris, passou depois pelo Calais, Bologne, Dijon, até chegar a Portugal, semanas antes de completar 28 anos. Apesar da má campanha dos 'tigres', acabou por ser dos jogadores mais regulares, prolongando o seu vínculo contratual. Manteve-se ligado ao Espinho até metade da época 2003/04, altura em que se transferiu para o Wimbledon, clube pelo qual realizou 10 jogos. Na última época manteve-se em Inglaterra, representando o Milton Keynes Dons da Coca-Cola Football League One, pelo qual efectuou 11 jogos, sempre como titular.


Vellas

Julien Vellas. Polivalente canhoto, adaptável a lateral, volante ou médio ala, produto das escolas do Nîmes, onde foi promovido à primeira equipa em 1999. Sem grandes oportunidades, rumou, com 20 anos, em 2001/02, ao Sp. Espinho, engrossando o contingente francês. Realizou uma temporada regular, apontando 1 golo, em 28 jogos. A principal mancha, para além do rendimento colectivo, foram os dois cartões vermelhos que viu no decorrer da prova. Regressado a França, tem vindo a fazer carreira no National, equivalente à nossa 2ªB: primeiro no Alês, depois no Raon-l'Etape, onde totalizou 4 golos, em 63 jogos, nas duas últimas temporadas.


Karim Belhocine

Karim Belhocine. Médio ofensivo francês, de origem magrebina, teve uma passagem sem chama pelo futebol português, onde apenas realizou 4 jogos pelo Sp. Espinho, em 2001/02. Oriundo do Vaulx-en-Velin, regressou a França após jogar em Portugal, representando clubes da CFA: o Forbach e o Trélissac.


Karim Benkouar

Karim Benkouar. Formado nas escolas do Nimes, onde se estreou na primeira equipa em 1999, este internacional olímpico marroquino, que marcou presença nos Jogos Olímpicos de 2000, chegou a Espinho em Dezembro de 2001, com muitas expectativas em seu redor, já depois de uma breve passagem pelo Panionios da Grécia. Extremo-direito, cujo principal predicado era a velocidade, não se adaptou ao futebol da Liga de Honra, apenas realizando 4 partidas, tendo, mesmo assim, marcado um golo. Regressou ao Nimes, onde realizou uma temporada intermitente na National 1, acabando por ter dificuldades em encontrar clube em 2003/04. Passou pelo Penafiel, à experiência, acabando por rumar ao Paredes, da 2ªB, onde acabou a temporada.


Tagro

Hypolite Koueto Tagro. Avançado veloz e bastante móvel, natural da Costa do Marfim, fez, no entanto, a sua formação em França, nas escolas do Paris Saint Germain. Depois de representar a equipa secundária do principal clube de Paris, saltou para o Sp. Espinho, onde apontou 4 golos, em 25 jogos, na temporada 2001/02. Dispensado no final da temporada, rumou ao Louletano, onde deu nas vistas, com Norton de Matos a apostar novamente na sua aquisição, desta feita para o Salgueiros. Não se impos em Paranhos, onde apenas efectuou 3 jogos em 2003/04, e depois de algumas dificuldades em arranjar colocação, regressou ao Louletano, em Dezembro de 2004, reforçando o sector ofensivo da formação algarvia.


Hamid Rhanem

Hamid Rhanem. Extremo francês, de origem marroquina, actua preferencialmente pela esquerda. Contratado pelo Desp. Aves ao modesto Salbris, da CFA francesa, foi aposta de Norton de Matos, em 2003/04, para o Salgueiros. Protagonizou boas exibições, apontando 3 golos e realizando várias assistências para Fábio Hempel. Foi contratado pela Naval, contribuindo com 3 golos, em 23 jogos, para a subida à SuperLiga do emblema da Figueira da Foz. O seu futuro, para já, é uma incógnita.


França: Apostas sadinas para 2005/06


Mamadou Diakité

Mamadou Diakité. Médio defensivo maliano, de 20 anos (22/5/1985), 1.75/72, ex-Metz B, fez a sua formação no futebol francês. Internacional sub-20 pelo seu país, marcou presença no Mundial da categoria em 2003, onde foi apenas utilizado na última partida da primeira fase diante da Argentina. Na altura, representava a formação secundária do Cannes, mas, no Verão de 2003, rumou ao Metz. Nos dois anos que esteve no clube, acabou por nunca ter uma oportunidade na equipa principal, alinhando pela equipa secundária, que disputou o campeonato da CFA, equivalente à nossa 3ªDivisão. Em 2004/05 nem sempre foi titular, actuando apenas em 11 jogos. É um médio defensivo, especialmente talhado para missões de contenção e de marcação, bastante agressivo e eficaz na recuperação de bola.


Siramana Dembelé

Siramana Dembelé. Médio francês, bastante polivalente, de 27 anos (27/1/1977), 1.70/70, ex-Nîmes. Com uma carreira construída nas divisões inferiores francesas, Dembelé foi o escolhido para suceder a Sandro no centro do meio campo sadino. No entanto, a sua primeira oportunidade como profissional surgiu no Paris Saint Germain, onde, com 17 anos, chegou a treinar-se com a equipa principal, cruzando-se com Ginola e Weah, dois dos seus heróis, a seguir a Pelé, o seu ídolo. Sem espaço na equipa principal do PSG, acabou por rumar ao Villiers le Bel, onde actuou por duas vezes, intervaladas por uma passagem pelo St-Denis. Mas seria no Les Lilas, um clube modesto da CFA, que representou durante quatro épocas, que conseguiria algum destaque: capitão de equipa, considerado um dos melhores jogadores da divisão, chegou a ser observado por várias equipas da Ligue 1, com o Auxerre a adiantar-se na corrida pelo seu concurso. Contudo, acabou por optar por rumar ao Alès, onde esteve um ano, seguindo para o Cannes, e, na época passada, para o Nîmes, onde marcou 5 golos, em 36 jogos, na National 1, equivalente à nossa 2ªB. Médio centro, é facilmente adaptável a várias posições no centro do terreno: no Les Lilas actuava mais como médio ofensivo, mas tem vindo a recuar no terreno, podendo jogar como médio mais defensivo, a interior ou como segundo médio defensivo, num esquema de 4x2x3x1. Mesmo que sem uma grande estampa física, trata-se de um jogador com grande 'pulmão' e capacidade de liderança, que defende bem e trabalha bastante para a equipa, mas que sabe sair para o ataque, conduzindo e distribuindo jogo com qualidade. Para além disso, é um jogador que tenta, várias vezes, os remates de fora da área.


Grégory Lacombe

Grégory Lacombe. Médio ofensivo francês, internacional sub-18 e sub-21, de 23 anos (11/1/1982), 1.64/58, ex-AS Monaco. Formado nas escolas do clube monegasco, Lacombe foi presença regular nas selecções mais jovens da França. Em Fevereiro de 2000, com apenas 18 anos, teve oportunidade de se estrear pela primeira equipa do Mónaco, participando numa partida diante do Lyon, que lhe permitiu sagrar-se campeão de França em 1999/2000. Continuou ao serviço do clube mais duas temporadas, mas as oportunidades foram poucas: 11 jogos, 1 golo. No Verão de 2002 foi emprestado ao Ajaccio, onde viria a jogar duas temporadas. Na primeira, realizou um campeonato de bom nível, apontando 5 golos, em 29 jogos, decisivos na manutenção do clube na divisão maior francesa ; na segunda, caiu de produção, apontando 2 tentos, em 21 partidas. No Verão passado regressou ao AS Mónaco, com expectativas de vir a ser mais utilizado, o que acabou por não acontecer: não fez qualquer jogo pela equipa principal, jogando pela equipa B, que disputou a CFA, pela qual realizou 18 jogos, apontando 5 golos. Trata-se de um médio ofensivo, que actua preferencialmente aberto nas alas, de preferência à esquerda, mas também à direita, podendo também desempenhar as funções de 'nº10'. Apesar de ser bastante limitado em termos físicos, trata-se de um jogador muito rápido e dotado tecnicamente, com qualidades no passe e também um bom marcador de livres. Os seus pontos mais fracos são, dada a sua baixa estatura, o jogo aéreo e alguma falta de agressividade em termos defensivos, já que é um jogador pouco dado a correr atrás da bola.


Lacombe: Estatísticas 2002 a 2005


Golos ao detalhe: 7 golos, 5 em solitário, 1 bis, 4 golos na primeira parte, 3 golos na segunda parte, 2 golos em casa, 5 golos fora de casa, 1 golo a partir do banco



Vitória Setúbal: Prospecção francesa para 2005/06


Benhamou

Julien Benhamou. Defesa polivalente francês, de 27 anos, 1.80/72, do Nîmes, onde foi titularíssimo na última época. Com uma carreira construida nos escalões inferiores, já representou também Grenoble FC, Norcap Grenoble, Aurillac e Pau. Faz qualquer posto do sector defensivo, actuando, de preferência, nas laterais, mas pode também jogar no centro da defesa ou como médio ala. Consistente em termos defensivos, é também um jogador com qualidades nos cruzamentos, quer em bola corrida, quer em bola parada.


Yao

Jean-Pascal Yao. Defesa central, de 27 anos, 1.88/76, também do Nîmes, clube com o qual acabou contrato no final desta temporada. Com largo percurso nos escalões secundários, já representou o Valence, o Grenoble e o Saint-Ettiene, tendo chegado ao Nîmes em 2003, onde somou 52 jogos nas duas últimas temporadas. Central habitualmente de marcação, é um jogador agressivo, forte fisicamente e com bom jogo aéreo.


Cantareil

Alain Cantareil. Polivalente canhoto, de 21 anos, 1.78/70, formado nas escolas do Marselha, esteve, na última temporada, emprestado ao Nîmes, clube pelo qual fez 29 jogos, marcando um golo. Faz com facilidade qualquer posto no flanco esquerdo, podendo actuar como lateral, volante, médio ala ou mesmo como médio interior.


Thibault Giresse

Thibault Giresse. Médio ofensivo, filho de Alain Giresse - uma das maiores estrelas do futebol francês na década de oitenta -, de 24 anos, 1.72/65, jogador do Toulouse. Actua preferencialmente à esquerda, como ala, ou no centro do terreno, como 'nº10', tratando-se de um jogador canhoto, de processos simples, com um excelente remate, quer em bola corrida, quer em bola parada. Depois de um início de carreira, ao serviço do Toulouse, que augurava voos mais altos, ajudando a conduzir, com 14 golos - 8 em 01/02, 6 em 02/03 - a sua equipa da National 1 à Ligue 1, o jogador não se conseguiu afirmar na divisão maior francesa, e foi emprestado ao Le Havre. Na última época regressou ao Toulouse, realizando uma época com altos e baixos, somando 2 golos, em 28 jogos, 20 dos quais como titular.


Jawad El Hajri

Jawad El Hajri. Avançado francês, de origem magrebina, de 25 anos, actua no Boulogne-sur-Mer, uma das revelações da temporada francesa, por ter ganho um dos grupos da CFA, mas sobretudo por ter chegado aos quartos de final da Taça de França. Foi a estrela principal da equipa, tendo apontado 17 golos, em 23 jogos, no campeonato. Actua preferencialmente como 2º avançado, gozando de liberdade, quer para aparecer pela direita, quer pelo centro. Veloz, dotado tecnicamente e com bom poder de finalização, tem muito mercado, depois de passagens pelo Pacy, Guingamp - onde não vingou - e Cherbourg.


Enza Yamissi

Ethisse Enza Yamissi. Médio ofensivo franco-centro-africano, de 22 anos, 1.75/70, jogou no Nîmes na última temporada, marcando 3 golos, em 35 jogos. Formado nas escolas do Bordéus, não teve hipóteses na equipa principal, seguindo depois um percurso irregular pelo La Roche-sur-Yon, Alès e Nîmes, onde actuou nas duas últimas temporadas, mas só na última conseguiu 'vingar'. Os seus pontos fortes são a velocidade e a capacidade técnica, tratando-se de um jogador que pode actuar como médio ofensivo pelo meio, mas também descair para o flanco esquerdo.


Touré

Alioune Kissima Touré. Extremo-direito, de 26 anos, 1.70/62, é apontado, neste momento, como mais do que provável reforço dos sadinos. Com um percurso muito irregular, começou a carreira no Nantes, onde apareceu na primeira equipa com apenas 18 anos. Manteve-se no clube até ao Verão de 2001, altura em que foi emprestado ao Manchester City, que abandonaria meses depois, tendo apenas realizado uma partida para o campeonato. Em Dezembro de 2001 foi reintegrado no plantel do Nantes, mas não fez qualquer jogo, acabando por transferir-se, no Verão seguinte, para o PSG, onde nunca se impôs como titular, tendo estado próximo de rumar à União Leiria em 2003/04. A temporada passada, depois de ter começado a época no PSG, foi emprestado ao Guingamp, da Ligue 2, realizando 11 jogos, sem qualquer golo. O seu jogo caracteriza-se por uma extrema velocidade, à qual alia uma boa técnica, ganhando, várias vezes, a linha de fundo, de onde arranca alguns bons cruzamentos. Touré peca, no entanto, por uma extrema irregularidade exibicional, para além de evidenciar algumas deficiências a nível do controlo de bola e, também, por ser um jogador demasiado individualista e com dificuldades na finalização.


Coquio

Florian Coquio. Avançado francês, de 26 anos, 1.80/73, actuou na última temporada no Boulogne-sur-Mer, depois de um percurso irregular, e sem grande chama, nos escalões secundários, ao serviço do Racing 92, Saint-Lô, La-Roche-sur-Yon, Mulhouse e Poitiers. Em 2004/05, apontou 7 golos, em 22 jogos, na CFA, contribuindo também para a boa campanha da equipa na Taça. Trata-se de um avançado com algumas limitações técnicas, mas móvel, muito agressivo e lutador.


Shiva-Star N'Zigou

Shiva-Star N'Zigou. Avançado internacional gabonês, com nacionalidade francesa, de 21 anos, 1.75/68, contratualmente ligado ao Nantes - estreou-se na primeira equipa em 2001/02, com 18 anos -, que o emprestou, nos últimos meses, ao Gueugnon, da Ligue 2, onde apontou 5 golos, em 18 jogos. Muito rápido e dotado tecnicamente, pode actuar como avançado solto ou descaído para o flanco direito.


Gigliotti

David Gigliotti. Avançado, internacional francês nos escalões inferiores, esteve presente no último Torneio de Toulon, tendo sido suplente utilizado na final diante de Portugal. Tem 20 anos, 1.76/74, e actua no AS Mónaco, clube pelo qual fez 6 jogos pela equipa principal a época passada, marcando um golo, diante do Nîce. No entanto, foi utilizado com regularida na equipa B, que disputou o CFA, apontado 9 golos, em 20 partidas. Rápido e móvel, apesar de não ser alto, é um jogador que aparece com muita facilidade na área, em posições de finalização.


Fauvergue
Nicolas Fauvergue. Ponta-de-lança, de 20 anos, internacional francês nos escalões inferiores, esteve presente no último torneio de Toulon, onde marcou um golo a Portugal na final. Jogador do Lille, ainda não garantiu um lugar na primeira equipa - 1 golo, em 5 jogos como suplente utilizado -, por isso tem vindo a jogar na equipa B, pela qual marcou 5 golos, em 26 jogos na CFA. Muito alto e possante, trata-se de um típico avançado de área, que desgasta bastante os centrais adversários e é bastante forte no jogo aéreo.

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Jaco, o 'As' da fantasia
terça-feira, 28 junho 2005

Jaco

Quem leu a edição de ontem do jornal espanhol 'As', ter-se-á deparado com este título: 'Mourinho é um génio, mas é melhor pessoa'.

Curioso, no mínimo, quando o texto em questão se referia a um Mundialito de imigrantes em Espanha. Lendo, com atenção, acabamos por perceber que o autor dessas declarações é Jaco, um extremo esquerdo angolano, que tem dado nas vistas nesse torneio, e que mereceu destaque do 'As' por afirmar ter sido jogador da equipa B do FC Porto, mas também por, segundo o próprio, ter trabalhado durante a semana com a equipa principal orientada por José Mourinho. Especialista no drible, Jaco enganou bem J.V. Catálan, jornalista do 'As', que confiou nas palavras do jovem angolano, que, não só nunca treinou pela equipa principal do FC Porto, como também nunca jogou na formação B 'azul e branca'.

Mas quem é afinal Jaco? É extremo sim, angolano também - chegou a ser chamado à selecção -, mas, entre 2002 e 2005, representou o Dragões Sandinenses, da 2ªB, onde chegou a dar nas vistas, sobretudo em 2003/2004. Actualmente em Espanha, Jaco procura clube, e apesar dos conselhos do 'amigo Deco' - será que se conhecem?! - em tentar a sorte em clubes catalães da 2ªB, a sua aposta passa por encontrar um clube em Madrid. Valeu o 'empurrão', até porque não está ao alcance de todos 'driblar' o 'As'.

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De novo, Argentina
segunda-feira, 13 junho 2005

Com a aquisição de 'Lucho' González e 'Licha' López, o FC Porto reabre as portas ao mercado argentino, onde não tem sido feliz a nível das aquisições. O Terceiro Anel (re)apresenta os dois novos reforços dos portistas e recorda as histórias dos argentinos que já passaram pelo FC Porto: de Roberto Mogrovejo a Juan Esnaider, sem esquecer os treinadores que durante a década de 40 e 50 orientaram tecnicamente os 'azuis e brancos'.


Um médio de «Lucho»





Luis Oscar González, mais conhecido por 'Lucho', nasceu em Buenos Aires, a 19 de Janeiro de 1981. Filho de um cozinheiro e de uma dona de casa, é o mais velho de três irmãos, que cresceram, com dificuldades financeiras, no Bairro Parque Patricios, uma zona antiga e modesta da cidade, paredes meias com o estádio do CA Hurácan. Sem talento para a escola, Lucho, desde cedo se habituou a trabalhar, ao mesmo tempo que perseguia o sonho de ser futebolista profissional, também com o objectivo de ajudar a família: há dois anos concretizou o sonho de oferecer uma vivenda aos pais.
Como qualquer miúdo do Parque Patrícios, começou a jogar futebol na rua, na Plaza España. Aos 9 anos, passou pelas escolas do Unidos de Pompeya e do Huracán, onde viria a fazer todo o seu percurso nas categorias inferiores, até chegar, com apenas 17 anos, à primeira equipa, onde coincidiu com Ávalos (Nacional e Boavista), Grana (Maia) e Toedtli (Marítimo).
A sua estreia, em 1998, ocorreu diante do Racing, o clube do seu coração. Foram os primeiros passos na formação principal, onde se fixaria como titular a partir de 1999, ano em que o Hurácan caiu na Série B. O ano de 2000 traria o seu primeiro êxito: a vitória na série B e regresso à divisão maior. Em cerca de 4 anos ao serviço da equipa principal, Lucho somaria 111 jogos e 12 golos.
River e Racing disputaram a sua aquisição, com o Boca e o Independiente também à perna, mas acabou por viajar para França, onde iria representar o Châteauroux. Só que, uma oferta superior do River, acabou por trazê-lo, dias depois, de regresso à Argentina, acabando por nunca vestir a camisola do clube francês.
Apesar das dificuldades de adaptação a uma realidade bem diferente, que o próprio assume, já que não estava habituado à pressão de jornalista e adeptos, foi uma transferência de sucesso: titular indiscutivel desde a sua chegada, venceu o Clausura 2003 e 2004, conseguindo alcançar um objectivo que sempre perseguiu - a selecção argentina. Primeiro nos sub-23, que viria a representar nos Jogos Olímpicos de Atenas, onde conquistou a Medalha de Ouro, mas também a selecção principal, onde também já é indiscutivel, e, por certo, marcará presença no Mundial da Alemanha daqui a um ano.
Médio polivalente, bem dotado fisicamente (1.85/75) e de amplos recursos tácticos e técnicos, Lucho González é um centro-campista completo: pode jogar em posições interiores e exteriores, em linhas avançadas e recuadas. No River, actua preferencialmente como médio ala, quer à direita, quer à esquerda, mas na Selecção é mais médio interior, podendo desempenhar funções à esquerda e direita. No entanto, a sua polivalência, permite-lhe também jogar como médio defensivo ou ofensivo. Forte na recuperação, assume, sem problemas, a condução e coordenação das acções ofensivas, mostrando visão de jogo e qualidade no passe, quer curto, quer longo. Não sendo um jogador explosivo, já que a velocidade está longe de ser um dos seus pontos mais fortes, progride bem no terreno com a bola, tirando partido da sua técnica, mas também de movimentações inteligentes, que lhe permitem aparecer em posições de remate.
Jogador calmo, e nada temperamental, a sua grande mania são as tatuagens. Entre as várias que tem espalhadas pelo corpo, tem uma onde tem a assinatura de Diego Armando Maradona, o seu ídolo, mas também o nome da mulher (Pamela) em caracteres chineses, as iniciais da sua família, um Rosário e Jesus Cristo, a quem pede ajuda para marcar golos.
O FC Porto terá pago, por metade do seu passe, cerca de 3,6 milhões de euros. A outra metade é posse da Global Soccer Agencies. Um negócio altamente rentável para o River Plate, que, há dois anos, o contratara por cerca de 700 mil euros ao Hurácan.


Os números de Lucho:


Hurácan:


1999 e 1º semeste 2000: 42/5
Apertura 2000: 17/1
Clausura 2001: 17/2
Apertura 2001: 19/1
Apertura 2002: 16/3


River Plate:


Apertura 2002:
15 jogos (14x titular, 1x suplente) - 1128 minutos - 4 golos - 2 cartões amarelos

Clausura 2003:
17 jogos (14x titular, 3x suplente utilizado) - 1092 minutos - 4 golos - 0 cartões amarelos

Apertura 2003:
10 jogos (6x titular, 4x suplente) - 557 minutos - 0 golos - 0 cartões amarelos

Clausura 2004:
14 jogos (11 x titular, 3 x suplente utilizado) - 989 minutos - 2 golos - 1 cartão amarelo

Apertura 2004:
11 jogos (sempre titular) - 860 minutos - 2 golos - 0 cartões amarelos.

Clausura 2005:
14 jogos (11 x titular, 3 x suplente utilizado)/15 jornadas - 1034 minutos - 6 golos - 1 cartão amarelo.



'Licha' López: o herói de Rafael Obligado





Em Janeiro, chegou a ser apontado como possível reforço do Benfica, mas o seu destino será o Dragão. O FC Porto investiu 2,35 milhões de euros por metade do seu passe, em nova parceira com a Global Soccer Agencies, detentora da outra metade do passe do ainda avançado do Racing Club de Avellaneda.
Lisandro López, mais conhecido por 'Licha' López, tem 22 anos (2/3/83) e é natural de Rafael Obligado, uma pequena povoação nos arredores de Buenos Aires, onde o futebol tinha pouca importância até à explosão do filho da terra, que agora é visto como um novo herói.
Apesar do sonho de ser futebolista profissional ter estado sempre presente na sua vida, Lisandro optou por conjugar os estudos com o futebol, no Jorge Newbery, de Junín, no noroeste de Buenos Aires. Ingressou mesmo na Universidade de Junín, no curso de Economia, mas foi nessa mesma altura que teve a oportunidade de rumar ao Racing Club de Avellaneda, através de Miguel Angel Micó, coordenador dos escalões de base do clube, que o observou num Torneio de juvenis.
No entanto, as coisas não foram fáceis para 'Licha'. Ao dar nas vistas na formação júnior, em 2002, por duas vezes, teve oportunidade de se estrear na equipa principal do Racing, só que, em ambas as situações, acabaria por lesionar-se nas vésperas da estreia. Numa das vezes, ao partir um dedo no pé, chegou mesmo a pensar em abandonar o futebol.
A oportunidade acabaria por surgir, a 14 de Junho de 2003, ao jogar seis minutos diante do Vélez Sarsfield, substituindo Guillermo Rivarola, na altura prestes a encerrar a carreira, e que viria a ser, meses mais tarde, como seu treinador, o responsável pela explosão de Lisandro no futebol argentino. É que depois de ter conquistado a titularidade no clube, o que aconteceu na recta final de 2003, Licha López afirmou-se definitivamente no segundo semestre de 2004, ao consagrar-se como o melhor marcador do Torneio de Apertura, com 12 golos, em 19 jogos, conseguindo quebrar, com esse feito, 35 anos e 59 torneios de jejum de jogadores do Racing em relação ao troféu de melhor marcador.
Um feito relevante, para um avançado que não tem particular apetência para jogar na área, até pelas suas características fisionómicas: 1,74/70. Licha é, sobretudo, um avançado móvel, habituado a jogar num esquema de avançados abertos, sem referência na área, podendo funcionar como 2º avançado, ou então, como um extremo que, em situação ofensiva, aparece na área, tirando partido, sobretudo, de diagonais, uma das suas principais especialidades. Com faro pelo golo, finaliza com ambos os pés e de cabeça, mas também é um jogador desequilibrador no um para um, tirando partido da sua velocidade e capacidade técnica. A isso, junta ainda capacidade de luta e de pressão, procurando sempre desgastar e dificultar a saída dos defesas adversários para movimentos ofensivos.
Pretendido por Palermo, Shakhtar Donetsk e Charlton, o seu futuro passará por Portugal. Lisandro López já admitiu que uma boa época no FC Porto poderá abrir-lhe as portas para a concretização de um sonho antigo: o de jogar pela Selecção argentina e estar presente no Mundial de 2006. Tido como um 'low-profile', devido à sua timidez perante as câmaras e objectivas, define-se como o maior crítico dele próprio e raramente se sente satisfeito com o que faz. No terreno de jogo, no entanto, é uma espécie de vulcão. Agressivo e temperamental, como a foto acima documenta, tem uma relação complicada com os árbitros, que, nos últimos meses, tem tentado rever.



Os números de Licha:


Clausura 2003:
3 jogos (sempre suplente utilizado) - 27 minutos - 0 golos - 0 cartões amarelos

Apertura 2003:
13 jogos (9 como titular) - 875 minutos - 2 golos - 2 cartões amarelos

Clausura 2004:
18 jogos (sempre titular) - 1608 minutos - 6 golos - 1 cartão amarelo - 1 cartão vermelho

Apertura 2004:
19 jogos (sempre titular) - 1676 minutos - 12 golos (2 de penalty) - 4 cartões amarelos.

Clausura 2005:
14 jogos (sempre titular)/15 jornadas - 1241 minutos - 6 golos (2 de penalty) - 2 cartões amarelos * (falhou duas grandes penalidades)



Argentinos no FC Porto: histórias sem final feliz


Houseman: O amigo de Robson





Poucos lembrar-se-ão de Marcelo Houseman, mas este empresário argentino, irmão de René Houseman - ponta de lança campeão do Mundo pela Argentina em 1978 - foi o responsável pela viragem do FC Porto, em 1994, para o mercado sul-americano de origem hispânica, depois das aquisições de Cubillas e González na segunda metade da década de 70. Com relações privilegiadas com Bobby Robson, Houseman, com uma carteira recheada de jovens jogadores sul-americanos e sul-africanos, colocou no FC Porto cinco jogadores: Roberto Mogrovejo, que definia como 'novo Caniggia', Walter Paz, o 'futuro 10 da selecção argentina' e Ronald Baroni, um 'ponta de lança de créditos firmados', a que juntou ainda Mandla Zwane, o 'Maradona sul-africano' e Etienne N'Tsunda Mzumbi, o 'filho do vento'. Um conjunto de histórias pouco felizes, a que se juntaria cerca de dois anos depois, a colocação do central uruguaio Alejandro Díaz, recomendado ainda na 'era Robson', mas que viria a ser treinado por António Oliveira, que nunca confiou no jogador que foi apresentando como 'um dos melhores defesas centrais da América do Sul, superior a Bermúdez'. Depois de tantos 'flops', a que se junta ainda a colocação do guardião Botende no Marítimo, as portas do futebol português fecharam-se a Houseman, que depois de ter transferido alguns jogadores sul-americanos para o futebol inglês, representa actualmente a WorldWide Athletes, que procura colocar na Europa jogadores da Colômbia, Equador e Nigéria.


Mogrovejo: um Caniggia que nunca o chegou a ser





Verão de 1994. O FC Porto perdera, muito por culpa da opção inicial por Ivic, a hipótese de se sagrar, pela primeira vez, tri-campeão, mas a segunda volta, já com Bobby Robson no comando técnico, abria excelentes perspectivas em relação ao futuro. Pinto da Costa assumia, na altura, algum cansaço pelos anos consecutivos sem férias, e confiou ao técnico britânico a construção do futuro plantel. Comprar bom e barato era a aposta, daí que a chegada de um 'Novo Caniggia', de nome Roberto Arturo Mogrovejo, tenha criado enormes expectativas. Recebido com pompa e circunstância, Mogrovejo, que representou a selecção argentina no Mundial de juniores em 1991, depois de ter sido o melhor marcador do torneio sul-americano de apuramento, teve mesmo a direito a fotos no gabinete presidencial na altura da sua apresentação. A sua experiência foi curta: as primeiras semanas da pré-época mostraram que o seu potencial ficava muito aquém do esperado, também por não ser o ponta de lança que Robson pensava que era, e a sua dispensa, depois transformada em mero período experimental, foi tudo menos surpreendente. Com uma carreira de insucessos e muitas lesões, foi caindo da 1ª até à 4ª divisão da Argentina, tendo, pelo meio, uma passagem fugaz pelos israelitas do Hapoel Kfar Shalem, há três anos Mogrovejo regressou a Portugal, para representar a selecção argentina de futebol de praia, e em entrevista ao Record relembrou a sua passagem pelo Porto: queixou-se de Houseman, que definiu como 'o homem que enganou toda a gente'; de ter sido contratado para ser ponta de lança, quando era extremo; e que Robson o queria obrigar a cortar a sua longa cabeleira loira, 'para ficar com melhor aspecto'. De regresso à Argentina, representou o modesto Justo Jose de Urquiza, da 4ªDivisão, onde encerrou carreira em 2003.


Walter Paz: o 'Pescadito'





Em 1991, tal como Mogrovejo, com quem chegou ao Porto, Walter 'Pescadito' Paz fora o único jogador a salvar-se na desastrosa participação da selecção de júniores argentina no Mundial sub-20. Eleito melhor médio ofensivo da prova, que contou com jogadores como João Pinto, Rui Costa, Luis Figo, Luiz Fernando, Ramon, Sérgio Manoel, Rödlund, Mandreko, Cherbakov, Mikhailenko, Oscar Garcia, Javier Delgado, Tejera ou Steve McManaman, havia enormes expectativas em torno do jogador, oriundo do Argentinos Juniors, e que era apontado como o 'futuro 10' da selecção argentina. A pré-época serviu para mostrar que se tratava de um jogador de boa técnica e com qualidade no passe, só que sem velocidade e agressividade para o futebol europeu. Não foi dispensado como Mogrovejo, mas acabou por rumar, por empréstimo, ao Gil Vicente, sem nunca vestir a camisola azul-branca em jogos oficiais. Em Barcelos, também não se fixou: 8 jogos, apenas um completo, e um golo. No final da época, acabaria por abandonar Portugal, sem honra, nem glória. Passou pelo Chile e pela Escócia, antes de regressar à Argentina, onde fez algumas boas temporadas na 2ªDivisão, conseguindo mesmo, em 2000, subir à divisão maior com o Quilmes. Foi um regresso curto aos principais palcos do futebol argentino, já que a sua carreira entrou numa trajectória descendente, sendo que, actualmente, joga nos regionais, ao serviço do modesto Estudiantes de Rio Cuarto.


Pizzi: o sucessor de Jardel





Juan António Pizzi chegou ao Porto a 20 de Julho de 2000, depois de ter sido escolhido para suceder a Jardel no ataque dos então tetra-campeões nacionais, mas partiria a 31 de Janeiro de 2001, sem grandes feitos, e com apenas um jogo completo realizado, diante do Atlético, num jogo da Taça de Portugal, em que o FC Porto ganhou nas Antas por 2-1, com um golo seu, depois de inúmeras oportunidades falhadas. Seis anos depois de Paz e Mogrovejo, era uma nova aposta dos portistas num futebolista argentino, também com nacionalidade espanhola, mas de créditos firmados no futebol europeu. No entanto, o Pizzi que chegou ao FC Porto, que desembolsou 440 mil contos pelo seu passe, mais 400 mil contos por dois anos de contrato, estava já longe dos tempos do Tenerife, Valência e Barcelona, e regressava à Europa, com 32 anos, depois de passagens por River Plate e Rosário Central, e um grave problema num dos joelhos, que viria a marcar a sua breve passagem pelo futebol português. Nos 11 jogos incompletos que realizou na SuperLiga, totalizando apenas 249 minutos, conseguiu apontar 3 golos, sempre nos minutos finais, nas goleadas sobre Campomaiorense (2) e Alverca (1). Após a passagem pelo FC Porto, regressou à Argentina, para representar o Rosário Central. Uma transferência a custo zero, que terá servido também para poupar alguns salários do ano e meio de contrato que ainda tinha por cumprir.


Ivan Moreno y Fabianesi: dispensado na pré-época





Com a transferência a custo zero de Pizzi para o Rosário Central, o FC Porto garantiu a opção sobre Ivan Moreno y Fabianesi, também conhecido por 'Galego', o jogador mais promissor da formação argentina. Fabianesi, na altura com 22 anos, tinha a vantagem de possuir passaporte comunitário, e chegou mesmo a ser observado por Rui Barros na Argentina, que terá dado o aval à sua aquisição. Com 4 golos no Clausura 2001, este médio de características defensivas, chegava à Europa carregado de ilusão. Integrou o estágio de pré-época, chegou a ser utilizado num particular diante do Racing Paris, mas Octávio Machado não ficou convencido das suas potencialidades e ditou a dispensa duas semanas depois. O processo de saída do clube acabou por não ser o mais simpático: o FC Porto garantiu que o jogador não tinha qualquer vínculo, enquanto que Moreno y Fabianesi, em declarações à imprensa, garantia que assinara um pré-acordo válido por quatro anos e que tinha sido enganado pelos dirigentes. O seu futuro passou pela equipa B do Villareal, antes de regressar à Argentina, onde representou o Banfield e o Colón de Santa Fé, clube onde se encontra desde 2003.


Hugo Ibarra: o mais caro de sempre





O Verão de 2001 trouxe também Hugo Ibarra, conhecido na Argentina por 'El Negro'. Muito se falou da aquisição do lateral-direito, que então representava o Boca Juniors, e que foi, até ao Verão passado, a aquisição mais cara de sempre do FC Porto: uma operação mediada por Jorge Mendes, com um valor total de 1,775 milhões de contos, sendo que 950 mil contos se destinaram ao clube argentino, e os restantes a encargos salariais, segurança social e comissões de um contrato válido por quatro épocas. Pinto da Costa apresentava-o como um 'jogador moderno e de grande classe', que chegava para uma posição onde o FC Porto já tinha três jogadores: Secretário, Sousa e Nélson. A sua adaptação ao futebol português esteve longe de ser a melhor, e apesar de ter feito quase sempre parte das opções de Octávio Machado durante a primeira metade da época - 31 jogos, entre todas as competições -, depois de uma série de exibições fracas, este optou por Secretário. Com José Mourinho a sua influência diminuiu drasticamente e só por quatro vezes foi utilizado, acabando por ser dispensado. Seguiram-se empréstimos a Boca Juniors, em 2002/03, e ao AS Mónaco, em 2003/04, onde foi finalista vencido da Liga dos Campeões. Pelo meio, uma polémica intensa com Octávio Machado, com acusações de parte a parte. O lateral argentino queixou-se que com Octávio a equipa 'não trabalhava nada' e que esperava que o palmelense não voltasse a ser treinador de futebol. Octávio Machado reagiu, dizendo que Ibarra 'tinha a cabeça fora de Portugal' e que 'gostava muito era da noite'. No Verão passado, Ibarra regressou ao FC Porto, integrando os trabalhos de pré-época. Foi um retorno curto, já que o jogador não mostrava vontade de permanecer no clube, tendo chegado tarde à apresentação e evidenciado pouca vontade nos jogos de pré-época em que foi utilizado. Foi dispensado por Del Neri e colocado no Espanyol, de Barcelona, onde actuou na última época.


Esnaider: repetir Pizzi, um ano depois





A 28 de Julho de 2001, quando o FC Porto procurava fazer regressar Jardel às Antas, Pinto da Costa apresentava Esnaider como novo reforço dos 'dragões': numa operação mediada por Jorge Mendes, os portistas garantiam o empréstimo por um ano do jogador, junto da Juventus, com opção de compra, por três épocas, no final da época. Dias depois de Moreno y Fabianesi ter sido dispensado, Esnaider juntava-se a Ibarra no plantel portista para 2001/2002. Um ano após a contratação de Pizzi, nova aquisição de 'risco', sabendo-se da trajectória irregular de Esnaider - bons desempenhos no Saragoça, Atlético Madrid e Espanyol, fracassos no Real Madrid (duas passagens) e Juventus, para além de problemas disciplinares por onde passou - e da sua terrível época anterior: sem espaço na Juventus, onde acusou a dureza da preparação física, com constantes lesões no tendão de Aquiles, rumara ao Saragoça, onde para além das lesões, acumulou acidentes disciplinares, com árbitros e adeptos do seu clube.
A sua passagem pelas Antas foi curta, marcada por permanentes lesões, e sem registos positivos, para além de um golo ao Estrela da Amadora, numa eliminatória da Taça de Portugal. 3 jogos para a SuperLiga, todos incompletos, 2 jogos na Taça e 1 na Liga dos Campeões - incompleto, diante do Rosenborg - são o seu registo de 'azul e branco'. Partiu, sem deixar saudades, em meados de Janeiro, transferido para o River Plate. Evitou polémicas na hora da partida, depois de alguns incidentes com Octávio Machado, que dias depois, seria despedido. Amargurado, o palmelense, na sua primeira entrevista após a saída do FC Porto, dedicou uma frase ao avançado argentino: 'Esnaider pelas condições em que vinha nunca devia ter entrado no FC Porto'. Depois da passagem pelo River Plate, Esnaider regressou à Europa, para representar o Ajaccio e o Real Murcia, antes de voltar novamente à Argentina, onde representa o Newell's Old Boys de Rosario.


Os outros


Christian Omar Bonilla e Juan Manuel Seijo, dois médios das escolas do Argentinos Juniors, rumaram aos escalões de base do FC Porto, em Setembro de 2000, com apenas 16 anos, numa operação mediada por Jorge Mendes. Não vingaram, e em Março acabariam dispensados, com destino à equipa sénior do Salgueiros, onde também não se viriam a fixar. E, se Bonilla desapareceu do mapa, Juan Manuel Seijo, actualmente com 20 anos, joga nas reservas do Argentinos Juniors.
Já em Janeiro deste ano, chegou mais um jogador argentino para o FC Porto, com destino à equipa B: o ponta de lança Gonzalo Marronkle, de 20 anos, que mostrou qualidades na finalização na 2ªB. Homem de área, bastante alto e possante, joga fixo entre os centrais adversários, finalizando, por norma, de pé esquerdo ou de cabeça. Antes de rumar ao FC Porto representou o Lanús - estreou-se na primeira equipa com 17 anos -, o Defensa y Justicia e Los Andes.



Treinadores argentinos: aposta dos anos 40 e 50


Eládio Vaschetto


Orientou o FC Porto em 1947/48, época que não correu bem a nível interno, já que os portistas acabaram em 5º, em igualdade pontual com o 4º (Estoril-Praia). No entanto, o futebol praticado pelos 'azuis e brancos' deslumbrou, dada a sua forte vocação ofensiva, que conduziu Araújo ao título de melhor marcador do campeonato com 36 golos. Para além disso, o FC Porto deixou boa imagem nos encontros internacionais: venceu o Valência, campeão de Espanha, por 1-0, com golo de Catolino, e o Arsenal de Londres, por 3-2, com golos de Correia Dias (2) e de Araújo.
Três anos depois regressou, já que dirigentes, adeptos e atletas desejavam que voltasse ao comando técnico dos 'dragões', onde era carinhosamente apelidado de 'homem do Arsenal'. Homem de muito trabalho e poucas falas, Vaschetto protagonizou um arranque fabuloso de campeonato, em 1951/52, com os 'dragões' a chegarem a meio da prova isolados no comando com 3 pontos de vantagem, numa equipa onde pontificavam Barrigana, Virgilio, Carvalho, Joaquim, Vieira e Hernâni. Só que nos últimos dias de Dezembro de 1951 desapareceu misteriosamente rumo ao México, onde fora futebolista. Deixou os seus fatos e mobílias no Porto, e, ao que se sabe, não mais as veio buscar. O seu substituto, o espanhol Pasarín, realizou um trabalho desastroso, perdendo não só a liderança do campeonato, como também deixou cair a equipa no 3º lugar, em igualdade com o Belenenses (4º).


Alejandro Scopelli


Alejandro Scopelli, também conhecido por 'El Conejo' (o coelho), fez parte da primeira selecção argentina a estar presente num Mundial, em 1930. Mais tarde, viria a envergar também a camisola da selecção italiana, depois de se transferir para a Roma. Passou ainda pelo Racing de Paris, mas a Guerra, trouxe-o até Portugal e ao Belenenses, onde se tornou num jogador e treinador de referência. Viria a ser ele a introduzir em Portugal o esquema táctico WM e também a marcação individual. Depois de uma passagem pelo Chile, ainda como jogador, regressou a Portugal, onde treinou a selecção portuguesa, antes de rumar ao FC Porto, em 1948/49, tendo protagonizado uma temporada irregular, acabando em 4º lugar. A intenção dos dirigentes portistas era, mesmo assim, de lhe renovar contrato, mas optou por aceitar uma proposta do Deportivo la Coruña. Aliás, seria em Espanha que viria a passar grande parte da sua carreira de treinador, introduzindo outros métodos inovadores: no Espanyol, por exemplo, ficou conhecido por ligar os seus jogadores a tubos de oxigénio durante o intervalo, garantindo-lhes que correriam tanto na segunda parte como na primeira. Verdade ou não, o método teve correspondência a nível de resultados. Em Portugal, voltaria a trabalhar no Sporting, sem grandes resultados diga-se, onde 'roubou', em 54/55, no último minuto da temporada, através de um golo de Martins, o segundo título da história do Belenenses, 'oferecendo-o' ao Benfica. No início da década de 70 regressaria ao Restelo, já em final de carreira. Scopelli, nascido em Buenos Aires a 12 de Maio de 1908, faleceu em 1987.


Francisco Reboredo


Também argentino, foi jogador do FC Porto, tendo-se sagrado campeão de Portugal em 1937, ao lado de Pinga, numa equipa orientada tecnicamente pelo húngaro Szabo. Como treinador, teve uma breve passagem pelo comando técnico dos portistas em 1949/50, época em que foi o 4º (e último) treinador dos 'dragões', sucedendo a Alberto Augusto, Carlos Nunes e Augusto Silva. O FC Porto terminou o campeonato num modesto 5º lugar. Em 1961/62 voltou ao comando técnico do FC Porto, sucedendo, em Janeiro de 1962, ao húngaro Jorge Örth, um dos melhores futebolistas magiares de sempre, que faleceu repentinamente. Os portistas acabariam o campeonato em 2º lugar, a apenas dois pontos do Sporting, com Reboredo a rumar a Setúbal, onde rendeu Fernando Vaz, que se transferira para o Belenenses.


Lino Taioli


Antigo jogador, com passagens pelo futebol italiano, onde representou Génova e Mantova, já em fim de carreira, chegou a Portugal, em 1951/52, para orientar o Boavista, depois de uma passagem fraca pela Selecção da Colômbia e um trabalho positivo no Racing Santander. Conduziu os 'axadrezados' a um 5º lugar, onde era tratado por 'Mestre' Taioli, o que lhe abriu as portas do FC Porto. A carreira nos 'azuis e brancos' não estava a decepcionar, e a meio da temporada, encontrava-se a apenas dois pontos do líder Sporting, com os mesmos pontos do Benfica. Só que uma derrota em Évora, frente ao Lusitano, seguida de nova derrota, em casa, diante do Atlético, viria a custar-lhe o lugar. Foi rendido por Cândido de Oliveira, que, auxiliado pelos 'históricos' Pinga e Artur Baeta, não foi além do 4º lugar final.

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Destino: Holanda
sexta-feira, 10 junho 2005

A aposta do Benfica e FC Porto em técnicos holandeses será uma das principais novidades da próxima época da SuperLiga. Na história de ambos os clubes, e também no passado recente das competições profissionais portuguesas, não há qualquer referência a passagens de treinadores desse país, com a curiosidade de Co Adriaanse ser o primeiro holandês a integrar os quadros profissionais portistas. Mesmo em termos de jogadores, o mercado holandês nunca foi dos mais explorados pelos clubes portugueses. E é isso que propomos: uma viagem pelo trajecto dos jogadores holandeses que nas duas últimas décadas passaram pelos principais campeonatos do futebol português - a SuperLiga e a Liga de Honra.


A Unha a quem não deixaram tocar guitarra





Em final de Outubro de 1987 aterrava no aeroporto de Lisboa Franklin Edmundo Rijkaard. A seu lado, radiante, o então empresário Jorge Gonçalves, antigo campeão nacional de vela, em delírio com a hipótese de colocar a primeira 'unha' no clube que desejava presidir. Rijkaard era uma das mais valiosas pérolas do futebol europeu e cumpria o desejo de abandonar o Ajax. No dia seguinte, ao lado de Gonçalves, Rijkaard, em silêncio, assistia ao primeiro treino do seu novo clube. Só que, o Ajax ordenou, de imediato, o seu regresso à Holanda. A 'novela' da sua transferência tornou-se interminável: em Dezembro, o negócio parecia definitiva fechado por 350 mil contos ; em Janeiro, os dirigentes do Ajax negavam o acordo, dizendo que ainda faltavam 5 milhões de florins, ao mesmo tempo que Gonçalves anunciava a chegada do jogador ; ao mesmo tempo, em Itália, corriam notícias que AC Milan e Juventus pretendiam o jogador.
Até que em meados de Fevereiro, dias depois do despedimento do inglês Keith Burkinshaw, Jorge Gonçalves anunciava a chegada do reforço e atacava: 'Vou mostrar Rijkaard às vespas de Lisboa'. E mostrou. Só que, apesar de se treinar em Alvalade, Rijkaard não podia jogar. A FPF não autorizou a sua utilização, com Silva Resende, na altura presidente da organização, a revelar, anos mais tarde, que tudo não passou de uma encenação e que nunca houve qualquer processo de transferência entre a Federeção Holandesa e a sua homóloga nacional. Rijkaard, triste por não jogar, acabou por rumar ao Saragoça, de forma a não perder a carruagem para o Euro 88. Dias antes da competição, confirmava-se a sua transferência para o AC Milan, com o Sporting a lucrar uma verba entre 115 e 155 mil contos. Jorge Gonçalves, um mês depois, era eleito presidente do Sporting, e com ele chegaram muitas 'unhas', mas poucas cumpriram com o que prometera: 'neste leão só quem tem unhas toca guitarra'. As notas sairam quase todas ao lado.


O avançado que não valia um tostão furado





Formado nas escolas do FC Zwolle, Jimmy Floyd Hasselbaink nunca teve uma oportunidade para se estrear na primeira equipa. Seguiram-se passagens, sem grande sucesso, pelo Stormvogels/Telstar e AZ Alkmaar, apontando apenas 3 golos, em 3 épocas nestes clubes. Caído no esquecimento, rumou aos amadores do Neederlandia, um clube dos arredores de Amsterdão, que representou durante dois anos. Sem clube, no Verão de 95, surgiu, do nada, no Alentejo, para se submeter a um curto período experimental de cinco dias no Campomaiorense, em estreia na divisão maior do nosso futebol. Em dois dias, o rapaz holandês, de 23 anos, que parecia o pato Donald a correr - com os pés para os lados -, convenceu Manuel Fernandes, e o filho do comendador Nabeiro anunciava, via RTP, ao país a nova aquisição: 'contratamos o holandês Xime'. É certo que o Campomaiorense não se salvou da descida, mas na planície alentejana brotava uma 'pantera negra': Jimmy, autor de 12 tentos, praticamente metade dos tentos da equipa.





Os grandes tiveram medo de arriscar na sua aquisição, e o Boavista acabou por ser o passo seguinte na sua carreira. Formou uma das melhores duplas de ataque do clube, ao lado de Nuno Gomes, que valeu 35 golos na SuperLiga: 20 de Jimmy, 15 de Nuno Gomes. É certo que a carreira no campeonato foi uma desilusão - época conturbada, com quatro treinadores -, mas o êxito chegou no Jamor: vitória na Taça de Portugal, por 3-2, diante do Benfica, num jogo em que, estranhamente, Mário Reis preteriu Jimmy, que foi suplente utilizado. Muito pretendido, em Portugal e no estrangeiro, o Boavista vendeu o seu passe, no final da época, por 2 milhões de libras, ao Leeds United. Seguiram-se Atlético Madrid, Chelsea - que pagou 22,5 milhões de euros pelo seu passe - e Middlesbrough, com muitos golos, e a selecção holandesa, onde se pode orgulhar de ter sido dos poucos jogadores a vestir a camisola 10, a mesma de René van de Kerkhof, Ruud Gullit e Dennis Bergkamp.


O senhor Golo





Em 2000/01, a pior época de sempre do Benfica, que terminou a SuperLiga em 6ºlugar, salvou-se um nome: Pierre van Hooijdonk. Contratado ao Vitesse por Vale e Azevedo, depois de passagens pelo Celtic e Nottingham Forest, o internacional holandês originou uma novela tão em voga nesses anos: a sua transferência, acordada em 1,350 milhões de contos, só viria a ser paga meses depois, já pela direcção de Manuel Vilarinho - 1,180 milhões de contos, pois os holandeses aceitaram abater 170 mil contos -, depois de várias queixas do clube holandês, na altura orientado por Ronald Koeman, à FIFA. 19 golos, em 28 jogos, foi o saldo da passagem de van Hooijdonk pela Luz, tirando partido do seu violento remate, em bola parada ou bola corrida, e do seu excelente sentido de oportunidade e posicionamento. Pago a peso de ouro e com um temperamento complicado, que provocou distúrbios no balneário, acabou por ser transferido para o Feynoord no início da temporada seguinte: por uma verba a rondar os 500 mil contos, a que se junta a poupança dos 300 mil contos por cada um dos três anos de contrato que ainda lhe restavam no contrato.


Muralha de Aço





Uma história de sucesso no futebol português. Mitchell van der Gaag, que o PSV descobriu muito jovem no De Graafschap, acabou por nunca se afirmar na equipa de Eindhoven, onde apenas foi utilizado a espaços, apesar das boas indicações dadas no Sparta, nas duas épocas em que actuou emprestado no clube de Roterdão. O passo seguinte na sua carreira passou pelo futebol escocês, onde representou o Motherwell, durante dois anos e meio. Uma excelente época de 1996/97 reabriu-lhe as portas do futebol holandês, para representar o FC Utrecht, onde se manteve quatro épocas, habitualmente como titular. No Verão de 2001, em final de contrato, rumou ao Marítimo, onde acabou de cumprir a sua 4ª época, sempre como titular. A poucos meses de completar 34 anos, é um dos melhores centrais da SuperLiga, eficaz não só a defender, como também a explorar o seu jogo aéreo em lances de bola parada, que já lhe valeram o epíteto de 'holandês voador'. A idade avançada - já na casa dos 30 - terá sido o único óbice para chegar a um dos 'grandes' do nosso campeonato.


O 'afilhado' de Robson





Stanislaus Henricus Christina Valckx chegou a Portugal, no Verão de 1992, para representar o Sporting. Velho conhecido de Bobby Robson, que já o treinara o PSV, foi o escolhido para liderar um sector defensivo em remodelação, após as dispensas de Pedro Venâncio e Luizinho. O seu início em Alvalade foi muito complicado e as críticas mais do que muitas: duas péssimas exibições, diante do Famalicão (4-3) e do Grasshoper (1-3), fez aumentar um oceano de dúvidas em relação às reais capacidades do internacional holandês. Robson, no entanto, nunca o tirou da equipa, mas cedeu num aspecto: retirou-o do centro da defesa e passou a utilizá-lo como trinco, com o seu rendimento a crescer a olhos vistos. Na época seguinte, ainda com Bobby Robson, voltaria a recuar para o eixo da defesa, devido à aquisição de Paulo Sousa. No entanto, o seu rendimento foi bem superior ao evidenciado no ano anterior, tornando-se no líder incontestado do sector defensivo, situação que se manteve a partir do momento em que Carlos Queirós assumiu o comando técnico da equipa, que apenas lhe trouxe um novo companheiro no centro da defesa: Vujacic, que não entrava nas contas de Robson. As suas boas exibições acabaram por justificar o regresso à Selecção holandesa, marcando presença no Mundial 94. Regressado do Campeonato do Mundo, percebeu que não era primeira opção para Queirós, que pretendia formar o eixo central em torno de Naybet e Marco Aurélio, reforços para a nova temporada. Realizou, ainda assim, seis partidas, antes de regressar à Holanda e ao PSV, onde viria a finalizar a carreira em 2000. Mas não partiu sem deixar duras críticas a Carlos Queirós, queixando-se de perseguição pela sua ligaão a Robson, e também das 'longas e sonolentas' palestras do Professor.


Os 'big flops'





Formado nas escolas do Feyenoord, Gaston Taument estreou-se na primeira equipa do clube de Roterdão com apenas 18 anos. Depois de uma passagem de um ano pelo Excelsior, fixou-se como titular do Feyenoord, onde jogou até 1997, tornando-se também numa presença regular na Selecção holandesa. Extremo veloz e bem dotado tecnicamente, realizou a sua melhor temporada de sempre em 1996/97, apontando 13 golos, em 34 jogos. A tempo e horas, apesar do interesse de vários clubes europeus, o Benfica concretizou a sua contratação a custo zero, tirando partido da Lei Bosman, no seu segundo ano de vigência. A sua chegada à Luz era muito aguardada, mas acabou por se revelar frustrante: 16 partidas - apenas 6 completas - sem qualquer golo e com um nível exibicional bem longe do esperado. A chegada de Karel Poborsky abriu-lhe as portas da saída para o Anderlecht, onde também não se fixou. Perto do ocaso passou ainda pelo OFI Creta e pelo Rapid Viena, onde se despediu em 2001/2002.





No final de Novembro de 1996, o Benfica mantinha intactas as aspirações de chegar ao título 1996/97. O jogo excessivamente centralizado do Benfica de Autuori - a famosa 'táctica do pirilau' - tinha sido alvo de duras críticas, daí que a aquisição de Glenn Helder, que chegou à Luz acompanhado por Amaral, significava uma tentativa de abertura às alas. Emprestado pelo Arsenal - onde nunca se fixou -, depois de passagens pelo Sparta e Vitesse, as suas primeiras exibições, coroadas com um golo ao Sp. Braga, pareciam indiciar que o Benfica encontrara um verdadeiro reforço. Puro engano. O seu rendimento foi caindo de jornada para jornada, acabando por desaparecer das convocatórias já com Manuel José. A dispensa antes do final da época foi o ponto final numa ligação curta, com Glenn Helder a apontar 1 golo, em apenas 13 jogos. O seu percurso após a passagem pela Luz foi decepcionante: dispensado pelo Arsenal, passou pelo NAC, Dalian Wanda e MTK Budapeste, mas pouco jogou. Abandonou a carreira, em 2000, com 32 anos, dedicando-se à música, uma das suas paixões. Em 2002/03 tentou o regresso ao futebol, no TOP Oss, da 2ªDivisão holandesa, mas pouco ou nada mostrou.





Perdido Jordão no início da temporada 86/87, desde cedo Manuel José, na altura treinador do Sporting, pediu um substituto para o goleador, que se juntasse a Manuel Fernandes e a Raphael Meade. A primeira opção, o inglês Rob McDonald, revelou-se uma aposta falhada, daí que, para fazer face ao atraso pontual em relação a FC Porto, Benfica e Vitória Guimarães, no final de Dezembro de 1986, dias depois dos célebres 7-1 aos 'encarnados', tenha chegado a Alvalade, o ponta de lança internacional holandês Peter Houtman, contratado ao FC Groningen, que em 1982/83 havia sido 'bota de ouro' do futebol europeu, ao apontar 30 golos, ao serviço do Feyenoord. A sua estreia, logo a titular, aconteceu dias depois, no decepcionante empate caseiro a zero com o Rio Ave, que ditou o despedimento de Manuel José. Com Burkinshaw, o técnico que lhe sucedeu, a aposta em Houtman foi uma constante, mas o ponta de lança holandês mostrava-se pouco adaptado ao jogo da equipa. Lento, pesado e pouco dotado tecnicamente, vivia essencialmente do pouco futebol aéreo que lhe chegava. Não surpreendeu que apenas tivesse marcado 3 golos em 13 jogos - um deles ao FC Porto em Alvalade (2-0) -, a que juntou um tento, na Taça de Portugal, numa goleada ao Esperança de Lagos. Esperava-se mais do holandês na época seguinte, mas as aquisições de Tony Sealy e Paulinho Cascavel fizeram-no desaparecer das primeiras opções de Burkinshaw. Só com o português António Morais, que sucedeu ao técnico inglês, passou a ser mais utilizado, mas, por norma, saido do banco. Apontou três golos, em treze jogos - a época teve 38 -, e as portas de saída foram-lhe abertas, apesar de ter contrato. Era o início da 'era Jorge Gonçalves', e as opções para o ataque eram outras. Em Novembro de 1988, sem qualquer minuto de utilização em 88/89, rumou ao Feyenoord, longe do fulgor de outros tempos. Passou ainda pelo Sparta, Den Haag e Excelsior, onde colocou um ponto final na carreira, já com 36 anos.


Os outros





Clyde Wijnhard. Avançado formado nas escolas do Ajax, clube que chegou a representar no escalão sénior, em 92/93 e 94/95, teve o momento alto da sua carreira, em 97/98, ao apontar 14 golos pelo Willem II de Co Adriaanse. Esse registo, permitiu-lhe o salto para o Leeds United, onde não foi feliz. Seguiu-se um trajecto irregular, marcado por várias lesões, pelas divisões inferiores do futebol inglês, até passar, em 2003/04 pelo Beira-Mar. Realizou uma boa primeira volta, mas a segunda metade da época foi marcada pela irregularidade, perdendo mesmo a titularidade. Apontou 9 golos, em 29 jogos, sendo que um desses tentos custou a primeira derrota do Benfica na Nova Luz.





Erik Tammer. Jovem avançado holandês, chegou a Portugal para representar o Belenenses, em 92/93, com apenas 23 anos, depois de passagens pelo Ajax, AZ Alkmaar e Excelsior, onde tinha apontado 33 golos, na 2ªDivisão, em 91/92. As expectativas eram grandes em seu redor, mas a frustração não demorou a chegar. Abel Braga não se convenceu das suas potencialidades, ordenando a sua dispensa. Regressou à Holanda sem efectuar qualquer jogo oficial, fazendo uma boa carreira no Heerenveen - 21 golos, em 29 jogos, na primeira época -, onde se fixou até 1996. Seguiram-se passagens pelo Go Ahead Eagles - 40 golos, em 2 épocas, na 2ªDivisão -, Sparta, Cambuur Leeuwarden e ADO Den Haag. Hoje, ainda actua em clubes amadores.





Floris Schaap. Um holandês com carreira feita em Portugal, com a curiosidade de ter acompanhado Manuel Cajuda por diversos clubes. Aos 21 anos, este central sólido e eficaz, adaptável também a trinco, chegou ao Olhanense, oriundo do VV Katwijk, formação da sua terra natal, fixando-se, durante dois anos, no clube. Em 1988 rumou ao Portimonense, clube pelo qual fez a sua estreia na divisão maior do futebol português. Em três anos em Portimão foi sempre titular, totalizando 103 partidas. O Torreense foi o passo seguinte na sua carreira, passando posteriormente por Sp. Farense e Sp. Braga, onde nunca se conseguiu fixar, mostrando estar na trajectória descendente da sua carreira, que encerrou no Olhanense, na 2ªB. Foi na formação de Olhão que iniciou a sua carreira de treinador, primeiro como adjunto de Manuel Balela, depois como técnico principal, num período curto. Como treinador, passou depois pela Selecção do Algarve e pelo Lusitano de Vila Real de Santo António.





Jorg Smeets. Médio esquerdo, de forte vocação ofensiva, chegou a Portugal com 29 anos, em 99/00, depois de uma carreira irregular, contruida entre a Holanda e Inglaterra. Com passagem pela formação do Ajax, seguiu depois carreira por diversos clubes, acabando por ser no FC Volendam, que atingiu maior relevo. Antes do Marítimo, onde nunca se impôs como titular - 16 jogos, apenas 1 completo, 1 golo -, jogou no Wigan e no Chester City. Depois da passagem pela Madeira, passou pelo Cruz Azul, do México, e pelo Helmond Sport, onde encerrou a sua carreira.





Junas Naciri. Outro médio esquerdo, que tanto desempenha funções interiores como exteriores. Com uma carreira construida na 2ªdivisão holandesa, onde representou o Telstar e o Haarlem, teve também uma passagem pelo Lugo, de Espanha, entre 1993 e 1995. Em 1999, depois de ter apontado 11 golos pelo Haarlem, chegou a Portugal, representando, durante três épocas, o União da Madeira, apontando 12 golos nas últimas duas. As suas boas exibições, levaram o Rio Ave a contratá-lo, fixando-se, por dois anos, em Vila do Conde, onde se estreou na SuperLiga. Em duas épocas, este holandês, que tem também nacionalidade marroquina, apontou 4 golos, em 43 jogos. Dispensado no final desta época, o seu futuro é, a dias de completar 32 anos, uma incógnita.





Marvin Dolion. Central ou lateral esquerdo, extremamente possante e agressivo, passou pelo Penafiel, na altura na Liga de Honra, em 2001/02. Realizou apenas 11 jogos. Antes de rumar ao conjunto duriense passou por algumas equipas da 2ªDivisão holandesa, para onde rumou, após abandonar o Penafiel. Em 2003/04 esteve na Alemanha, onde representou o Kickers Offenbach.





Nordin Wooter. Médio interior ou ofensivo, formado nas escolas do Ajax, acabou por ser o parente pobre de uma geração de médios, onde constam os nomes de Davids, Seedorf e Musampa. Mesmo assim, em 1997, depois de se ter sagrado campeão europeu pelo Ajax, rumou ao futebol espanhol, onde representou o Real Saragoça, durante pouco mais de dois anos, sem nunca se conseguir impor. Num trajecto marcado também por algumas lesões, passou pelo Watford e o RBC Rosendaal, antes de chegar a Braga, em 2003/04. Fez 19 jogos, nenhum completo, mostrando pouca capacidade física, salpicada por alguns pormenores de talento, insuficientes para convencerem Jesualdo Ferreira a renovar-lhe o contrato. No último ano passou pelo Anorthosis Famagusta - 7 golos, em 11 jogos -, que lhe abriu as portas do Panathinaikos, em Janeiro de 2005, mas não deslumbrou.





Peter van Velzen. Ponta de lança, com larga experiência na 2ªDivisão holandesa, chegou ao Vitória Setúbal, em 88/89, com dois troféus de melhor marcador: em 84/85 pelo SVV e em 85/86 pelo RKC Waalwijk. Não se adaptou ao futebol português, acabando por rumar, ainda na mesma época, ao Beveren, da Bélgica, onde também falhou. De regresso à Holanda, voltou a ser goleador na 2ªDivisão ao serviço do SVV, clube onde terminou a carreira em 90/91, iniciando um trajecto como treinador, primeiro como adjunto, depois como técnico principal.





Remco Boere. Ponta de lança alto e possante, cujo ponto forte era o futebol aéreo, destacou-se na 2ªDivisão da Holanda, onde foi, por duas vezes, o melhor marcador: pelo Vitesse, em 83/84, e pelo Den Haag, em 85/86. Depois, teve passagens razoáveis pelo AA Gent (Bélgica) e Iraklis (Grécia), antes de chegar ao Gil Vicente, em 91/92, com 30 anos, e em clara fase descendente da carreira. A sua passagem pelo futebol português fica marcada por ter cometido a grande penalidade mais patética da temporada: o Gil Vicente empatava nas Antas diante do FC Porto, quanto António Oliveira, na altura técnico da formação de Barcelos, lança Boere ao minuto 89. Um minuto depois, Boere, com os braços no ar, desvia com um deles, um centro inofensivo - ao 'terceiro poste' - de Vlk. João Pinto acabaria por transformar o castigo máximo em golo, diminuindo a contestação que pairava sobre o trabalho de Carlos Alberto Silva. Remco, que viria a marcar apenas um golo, numa derrota caseira diante do Sp. Braga, em 8 partidas, queixou-se do árbitro, dizendo que Donato Ramos era mais cego do que Ray Charles. Após a traumática passagem por Barcelos, regressou à Holanda, para representar o FC Zwolle, onde encerrou carreira em 1996, iniciando uma trajectória, sem grande chama, como técnico.





Romano Sion. Extremo-esquerdo muito forte fisicamente e com qualidade técnica, a que juntava um remate violento de pé esquerdo, realizou um percurso irregular no futebol holandês, também por culpa do seu temperamento complicado. Representou o Ajax (nos escalões de formação), Haarlem, SVV/Dordrecht'90, RBC, FC Groningen e Emmen, com épocas irregulares, que não impediram o Compostela, na altura na 1ªLiga espanhola, de apostar na sua aquisição. O seu rendimento foi inconstante, e após três anos e meio, foi dispensado ao Vitória Guimarães, em Janeiro de 2001. Jogando já numa posição mais central, como avançado, ainda que com alguma mobilidade, apontou 5 golos, em 12 jogos, sendo que o último acabou por valer a manutenção do clube vimaranense na SuperLiga. Na época seguinte, no entanto, caiu em desgraça: marcou 1 golo, em 5 jogos, e foi afastado do plantel, depois de desentendimentos nos treinos com Inácio - que o aconselhou a falar menos e a treinar mais - e Costeado, que resultaram na sua dispensa. Depois de uma curta passagem por Inglaterra, regressou a Portugal, em 2002/03, para representar o Rio Ave. Devido a problemas burocráticos só pôde competir a partir de Janeiro, mas contribuiu para a subida de divisão do conjunto vila-condense: 4 golos, em 12 jogos. No entanto, não aguardou pelos festejos e partiu para Espanha, para representar o Universidad Las Palmas na poule de acesso à 2ª Liga espanhola.





Romeo Wouden. Com uma carreira repartida por DS'79, SVV/Dordrecht'90 e SC Heerenveen, nos dois últimos clubes, entre 1994 e 1996, apontou 23 golos. Chegou ao Boavista, a custo zero, no Verão de 1997, depois de uma temporada em que jogou pouco, devido a lesões, mas marcou muitos golos: 8 golos, em 13 jogos. Havia, então, alguma expectativa em relação à aquisição deste extremo veloz e especialista em diagonais, mas que rapidamente se desfizeram. Realizou apenas 1 jogo, como suplente utilizado, e não mais voltou a ser opção, acabando dispensado. Passou depois, sem sucesso, pelo Veracruz, do México, antes de regressar à Holanda, para representar o Sparta e o Dordrecht'90, acabando a sua carreira aos 30 anos, dedicando-se depois ao futebol amador.





Ronny van Es. Avançado de área, com claras limitações do ponto de vista técnico, realizou uma carreira sem grande fulgor no Telstar e no Haarlem, da 2ªDivisão holandesa. Em 2002/03 ingressou no Rio Ave e realizou a sua melhor época de sempre: 11 golos, em 29 jogos, decisivos para o título de campeão da Liga de Honra do clube vila-condense. A época seguinte, a da sua estreia na divisão maior do nosso futebol, foi frustrante: apontou 4 golos, em 28 jogos, tendo apenas realizado uma partida completa. Foi dispensado no final da temporada, ingressando no Maia, mas, no final de Agosto de 2004, optou por regressar à Holanda, para representar o Telstar, da 2ªDivisão, onde apontou 3 golos, em 21 jogos.

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Clodoaldo: o 'Capetinha' do Sertão
quinta-feira, 31 março 2005

Clodoaldo Capetinha

Dezembro de 2001. O Beira-Mar lutava então para fugir à zona de despromoção, saudoso de Ricardo Sousa, e com Juninho Petrolina, Fary Faye e Demétrios de rendimento intermitente. Mano Nunes, atento ao 'mercado' do Ceará, descobriu o 'reforço de Inverno' anti-crise: Clodoaldo, ex-Fortaleza, de 23 anos, que chegava a Aveiro com o currículo recheado de golos: 36 em 2001 - 16 no Campeonato Cearense, 10 golos no Campeonato Nordestino e 10 na 'Segundona'.

Os números, claro está, eram muito exagerados. Clodoaldo, mais conhecido por Capetinha, devido ao seu metro e sessenta, estava longe de ser um goleador, nem o podia ser, até porque nem sequer era avançado: era médio ofensivo. No entanto, Clodoaldo Capetinha não deixava de ser já um herói em Fortaleza, conhecido sobretudo pelos seus dribles mágicos e golos de bandeira, mas também por um episódio de certidão de nascimento adulterada: em 1992, Clodoaldo tinha tanto de franzino como de bom jogador, o que levou o seu professor de educação física a cometer uma desvario. A equipa da escola estava prestes a disputar um campeonato na Paraíba sub-14, só que Clodoaldo Capetinha já tinha 16 anos, o que levou o professor a falsificar a certidão de nascimento, alterando em dois anos a sua data de nascimento. Clodoaldo, um classe 78 transformado em classe 80, disputou, venceu e foi a estrela do campeonato mirim, e só em 2000 foi descoberta a falcatrua, que o levou a perder as finais do Estadual Cearense.

Não sabemos se Mano Nunes tomou conhecimento da história, mas era um homem feliz no dia da apresentação de Clodoaldo, mesmo que não tenha conseguido dizer o nome do 'novo astro' da Ria: 'É com agrado que finalmente posso anunciar a contratação deste jogador'. O jogador, claro está, era Clodoaldo Capetinha, que desvendou os seus predicados e currículo goleador, acrescentando: 'Estou confiante e decidido a mostrar o meu valor'.

Só que, mesmo com mais de metade do campeonato 2001/2002 por disputar, Clodoaldo não convenceu António Sousa. Apenas vinte e seis minutos em campo, e nem sinal de golos e dribles fantásticos. A dispensa, no final da época, já era esperada. O herói regressou ao Sertão de bolsos vazios, mas não escondeu a frustração à imprensa local: 'Eu quero esquecer Portugal e pensar na Série B e no Fortaleza. Eu saí daqui mal fisicamente. Treinei forte duas semanas e não tive chances de jogar. Era complicado. Só podia jogar quatro estrangeiros, no elenco inteiro, eram nove. A briga era grande'. Na verdade, e como previam os regulamentos, eram só seis. Mas não faz mal, o Capetinha sempre foi exagerado nos números.

Dito e feito. Clodoaldo voltou aos dribles geniais, tornando-se no principal 'astro' do 'Leão' de Fortaleza. Mesmo que sem mostrar os dotes de goleador - o próprio Capetinha admitiu, à imprensa cearense que é esse o seu ponto fraco: 'Eu tenho vários defeitos como jogador. Preciso melhorar minha finalização...' - embora cada golo de Clodoaldo seja uma obra de arte: 'Clodoaldo faz golo bonito de todo jeito. De bicicleta, cobertura, puxeta, bico, cabeça, falta..', escreveu Júlio Manso um adepto do Fortaleza. E, como todo o verdadeiro craque, Capetinha também é conhecido pelo seu temperamento algo complicado, com algumas expulsões e desentendimentos com treinadores, devido à sua tendência por ter a bola demasiado tempo colada ao pé.

Indiferentes a isso, a TUF, principal 'torcida' do Fortaleza, dedicou-lhe um Funk, que se tornou num hit radiofónico local: 'Uh Terror! Clodoaldo é matador!'. Eis a letra:


Clodoaldo é bom de bola
O Baixinho é o cão
Quando pega o ceará
Deixa a zaga no chão
Humilha o meio campo
Ele é goleador

Uh Terror! Clodoaldo é matador!

Clodoaldo, o capeta do Pici
Entortou mais um zagueiro
Fez um golaço de placa entre as pernas do goleiro
É Clodoaldo, o capeta do Pici
Corre bicho preto, que a TUF vai invadir



Em 2005, no entanto, os adeptos já não têm cantado o funk do Capetinha do Pici, a sua rebaptização pelo jornalista cearense Alan Neto. É que Clodoaldo, hoje com 26 anos, atravessa uma fase de menor fulgor na sua carreira, apesar de ainda se manter Fortaleza. Há algum tempo parado devido a uma lesão na panturrilha (!) direita, o jogador viu a direcção do Fortaleza retirar-lhe 30% do seu salário de Março, por ter participado numa 'pelada' com amigos, ao mesmo tempo que vai treinando à parte do grupo de forma a recuperar a boa forma física. Nada que atormente o Capetinha, que se auto-define como um ser 'meio abusado', fã do bom pagode e do funk (claro!), e que não dispensa uma boa macarronada.

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A noite épica de The Dell
quinta-feira, 10 março 2005

Nas várias deslocações a Inglaterra em jogos oficiais, o Sporting só por uma vez venceu. Foi em Southampton, no The Dell, que os 'leões' conheceram uma das suas noites de maior glória a nível europeu, vencendo por 4-2, num jogo a contar para a 1ª Mão da 2ªEliminatória da Taça UEFA 1981/1982. Depois de um início de campeonato periclitante, com dois empates caseiros, o último deles, diante do Boavista (3-3), nas vésperas da deslocação a Inglaterra, havia ainda muitas dúvidas sobre o real valor do Sporting de Malcolm 'Big Mal' Allison, apesar das vitórias nas deslocações a Viseu, Setúbal e Espinho.

Era o dia 21 de Outubro de 1981, e pela frente aparecia um Southampton recheado de bons jogadores, onde o destaque maior era, claro está, Kevin Keegan. Mas também havia Mick Channon, um extremo esquerdo que ainda é o maior goleador do clube em jogos da Premier League, que levou Allison a abdicar dos laterais Barão e José Eduardo, para apostar na inclusão surpresa do central Zezinho no 'onze' para o marcar, numa altura em que o eixo central da defesa era formado por Eurico e o jovem Carlos Xavier, a grande aposta do técnico inglês. Mas 'Big Mal' também surpreendeu ao incluir cinco jogadores de características ofensivas: aos criativos Oliveira e Nogueira, juntavam-se os inevitáveis Manuel Fernandes e Rui Jordão, mas também o jovem veloz Freire.

Perante 18.573 entusiásticos espectadores, o Sporting chegou ao intervalo a vencer por 3-0: Jordão, logo aos dois minutos, fez o 0-1, seguindo-se um auto-golo de Holmes e o primeiro tento de Manuel Fernandes perto do intervalo. Allison reforçou o meio campo defensivo, abdicando de Nogueira e apostando em Virgílio, mas a aposta saiu furada. Em dois minutos, aos 68 e 70, o Southampton, por Kevin Keegan e Mick Channon reduziu para 2-3, e a possibilidade de uma reviravolta chegou a colocar-se, com o guardião hungaro Ferenc Meszaros a ser obrigado a muito trabalho. Só que, a dois minutos do fim, Manuel Fernandes bisou, abrindo as portas da próxima eliminatória aos 'leões', que, duas semanas depois, empatariam a zero com o Southampton em Alvalade, concretizando a chegada aos oitavos de final da prova, onde seriam surpreendentemente eliminados pelos suiços do Neuchâtel Xamax.


Ficha do Jogo:

Southampton 2-4 Sporting


1ª Mão da 2ªEliminatória da Taça UEFA
21 de Outubro de 1981


Southampton: Wells; Golac, Nicholl, Whitlock (Lawrence), Holmes; Keegan, Armstrong, Williams, Ball, Channon; Moran.

Sporting: Meszaros; Zezinho (Barão), Carlos Xavier, Eurico, Inácio; Ademar; Oliveira, Nogueira, Freire; Manuel Fernandes, Jordão.


Golos: Jordão (2'), Holmes (pb, 21'), Manuel Fernandes (42'), Keegan (gp, 68'), Channon (70'), Manuel Fernandes (88').

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A história de uma longa 'maldição'
domingo, 30 janeiro 2005

O Sp. Braga venceu para a Taça de Portugal nas Antas, em 2001/2002O Sp. Braga joga hoje no Estádio do Dragão a possibilidade de chegar, pelo menos até amanhã, à liderança da SuperLiga, situação nunca antes vivida pela formação bracarense numa fase tão adiantada da prova.

Se à partida a tarefa dos comandados de Jesualdo Ferreira não se antevê fácil, apesar da irregularidade do FC Porto na corrente edição do principal campeonato português, as deslocação às Antas - esta será a primeira ao Dragão - têm-se revelado um autêntico pesadelo para os bracarenses, desde a sua última vitória em solo portista, na longinqua temporada de 1959/1960.

É que desde esse jogo até hoje, em 45 anos de história do campeonato português, o Sp. Braga apenas conseguiu por quatro vezes empatar no terreno do FC Porto, sendo que a última das ocasiões, em 2001/2002, quebrou um ciclo de 25 anos de derrotas consecutivas. Um mês depois, no entanto, os bracarenses viriam a vencer nas Antas, mas para a Taça de Portugal, num jogo que determinou a saída de Octávio Machado do comando técnico do FC Porto, abrindo as portas das Antas a José Mourinho.

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Tropicália
quinta-feira, 27 janeiro 2005

brasil-mapa.gif Desde as primeiras décadas do Campeonato Nacional de futebol, mas com particular incidência nos últimos trinta anos, que o mercado brasileiro foi sempre o mais procurado pelas equipas portuguesas. São múltiplas as estórias de craques, promessas e flops vindos do outro lado do Atlântico, assim como de recrutamentos em pontos exóticos, seja no campo de futebol, na praia ou em escaldantes momentos de diversão nocturna.

Depois de experiências mais ou menos longas no futebol português, chega sempre a hora do regresso ao país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza. E uma pergunta impõe-se: Por onde andam os jogadores brasileiros que passaram pelo futebol português? Num levantamento exaustivo, o Terceiro Anel dá muitas respostas, mas abre o sistema de comentários para que outros paradeiros sejam descobertos.

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O Conto do Vigário e o Conto de Fadas
sexta-feira, 14 janeiro 2005

O futebol brasileiro é pródigo em estórias. Com o mercado de transferências aberto visando a preparação da temporada 2005, que começa com os Campeonatos Estaduais, as movimentações sucedem-se e, como não poderia deixar de ser, as estórias também. Dois jogadores brasileiros que passaram, há pouco tempo, pelo futebol português, são protagonistas de episódios de teor diferente, mas que estiveram em destaque na imprensa brasileira nos últimos dias. De um lado o conto do vigário, do outro o conto de fadas.

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O outro FC Porto-Chelsea
terça-feira, 7 dezembro 2004

Hoje à noite, o FC Porto recebe, pela primeira vez em jogos oficiais, o Chelsea. No entanto, a 11 de Agosto de 1978, a formação inglesa esteve de visita às Antas, para a realização de um particular, a poucos dias do início da época 1978/1979, em que os portistas viriam a conseguir, pela primeira vez no seu historial, um bi-campeonato nacional.

FC Porto derrotou Chelsea nas Antas, num particular em Agosto de 1978

Num jogo marcado, segundo a crónica de Carlos Pinhão, de 'A Bola', pela polémica arbitragem do portuense Joaquim Gonçalves, o Chelsea, aos 35 minutos, ficou reduzido a 10 jogadores, devido a expulsão do lateral Gary Locke, por alegada agressão a José Alberto Costa. No entanto, esse facto não impediu que os britânicos, a três minutos do intervalo, se adiantassem no marcador, através de um golo de Ken Swain, após passe de Trevor Aylott. Na segunda parte, e depois de José Mária Pedroto, na altura o treinador do FC Porto, ter mexido na equipa, Fernando Gomes conseguiria a igualdade, para António Oliveira, em cima dos 90 minutos, conseguir o 2-1, através de uma grande penalidade inexistente.

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O Miudo sempre Atrás
sábado, 30 outubro 2004

José Mourinho


José Mourinho


Crédito: Jornal 'A Bola', 1982

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Por cada leão que caia, outro se levantará
sábado, 30 outubro 2004

António Oliveira

António Oliveira


Crédito: 'A Bola', Julho de 1981


Em noite de Penafiel - Sporting, o PLAYMAKER recorda uma das mais importantes transferências do mercado de Verão em Portugal, em 1981. Depois do 'Verão Quente' de 1980, António Oliveira, actual presidente do Penafiel, abandonou o FC Porto e rumou ao clube que hoje dirige, onde teve a companhia do saudoso parapsicólogo Zandinga, que conta a lenda, que em dia de visita às Antas soltou sapos no relvado. O Penafiel, que viria a alcançar o único empate da sua história em casa do FC Porto, em noite de pesadelo do guardião portista Amaral, garantiu tranquilamente a manutenção, com Oliveira superstar a ser disputado, no final da época, por FC Porto e Sporting. Mas, mesmo entre ameaças e comunicados, rumou a Alvalade, onde ficou célebre a sua frase: 'Por cada leão que caia, outro se levantará'.

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Benfica - Anderlecht: o reencontro
sexta-feira, 30 julho 2004

Benfica e Anderlecht vão encontrar-se 21 anos depois da final da Taça UEFA, disputada em Maio de 1983, em que os belgas, orientados por Paul Van Himst, levaram a melhor sobre o Benfica de Eriksson.

1ª Mão da Final | Heysel, 4 de Maio 1983 | 55 mil espectadores

Anderlecht - 1 Benfica - 0 (29' 1-0 Brylle)

RSC Anderlecht
Munaron, Hofkens, Peruzovic, Olsen, De Groote, Frimann, Coeck, Vercauteren, Lozano, Vandenbergh (Czernatynski), Brylle

SL Benfica
Bento - Pietra, Humberto Coelho, Frederico, Álvaro - Carlos Manuel, José Luís, Shéu (Bastos Lopes), Chalana - Diamantino, Filipovic (Nené).

O Anderlecht, na altura uma das melhores equipas europeias, que também servia de base à selecção belga, que atravessava um dos períodos mais fortes da sua história, bateu o Benfica por 1-0, através de um golo do internacional dinamarquês Keneth Brylle. Apesar de jogarem em casa, os belgas nunca se revelaram superiores ao Benfica, que acabou por ser infeliz ao não conseguir pelo menos o empate, resultado desejado por Eriksson, que montou uma estratégia nesse sentido. Oportunidades para o Benfica igualar a partida não faltaram, apesar do técnico sueco dos 'encarnados' não ter arriscado muito, com José Luís, no meio campo, a realizar uma das suas melhores exibições ao serviço do Benfica. Apesar da derrota, tudo ficava em aberto para a 2ª mão.

2ª Mão da Final | Lisboa, 18 de Maio 1983 | 80 mil espectadores

Benfica - 1 Anderlecht - 1 (36' 1-0 Shéu ; 38' 1-1 Lozano)

SL Benfica
Bento - Pietra, Humberto Coelho, Bastos Lopes, Veloso (Alves) - Carlos Manuel, Stromberg, Shéu (Filipovic), Chalana - Diamantino, Nené.

RSC Anderlecht
Munaron, Peruzovic, De Greef, Broos, Olsen, De Groote, Frimann, Lozano, Coeck, Vercauteren, Vandenbergh (Brylle)

Com um ambiente arrepiante, o Estádio da Luz estava cheio a três horas do início do jogo, praticamente sem sinais da presença de belgas. Eriksson fez algumas alterações na equipa, lançando o sueco Stromberg no lugar de José Luís, para além de Bastos Lopes e Nené surgirem nos lugares de Frederico e Filipovic. O Benfica dominador, adiantou-se no marcador aos 35 minutos, através de Shéu, a concluir um excelente trabalho técnico de Humberto Coelho, em acção ofensiva, na área belga. Só que a vantagem durou apenas 3 minutos: os belgas, que nunca abdicaram de uma estratégia de contenção, apenas com um avançado, empataram num contra ataque conduzido por Vercauteren - actual adjunto do clube - pela esquerda, que centrou largo ao 2º poste, onde apareceu o espanhol Juan Lozano - revelação da temporada, que viria a assinar pelo Real Madrid logo a seguir - a concluir. Apesar de Eriksson ter alargado o ataque com Filipovic e de ter abdicado do lateral Veloso para lançar João Alves, o Benfica revelou-se demasiado ansioso e incapaz de marcar os 2 golos que necessitava para dar a volta à final da UEFA.

Hugo Broos, actual técnico do Anderlecht, jogou a segunda mão na Luz, assim como Munaron e Vercauteren, que fizeram os dois jogos, e que são treinador de guarda redes e adjunto do clube belga. Do lado do Benfica, Álvaro Magalhães e Shéu Han 'repetirão' a presença, agora como técnico adjunto e secretário técnico, respectivamente.

A 'vingança'

Março de 1988. Quartos de Final da Taça dos Campeões Europeus. O Benfica tinha pela frente o Anderlecht, no primeiro reencontro após a final da Taça UEFA. Uma entrada tremenda do Benfica, no jogo da 1ªmão, no Estádio da Luz, colocou os 'encarnados' a vencer o Anderlecht por 2-0, com apenas 19 minutos de jogo. Os golos foram apontados pelo sueco Mats Magnunsson e pelo brasileiro Chiquinho Carlos.

Quinze dias depois, a 16 de Março, um Benfica a pensar no 0-0 deslocou-se à Bélgica, e sofreu a bom sofrer para segurar a eliminatória, perante um Anderlecht já sem o fulgor do início da década de 80, fruto da transição geracional, mas onde despontavam valores como Vervoort, Nilis, Degryse, VanderLinden e Grün. O golo dos belgas, a 27 minutos do fim da partida, foi apontado por Arnor Gudjohnsen, pai de Eidur Gudjohnsen, do Chelsea. Os últimos minutos foram de grande sofrimento, mas o Benfica, orientado por Toni, acabou por segurar o 0-1, com uma grande exibição do central Edmundo. Os 'encarnados' acabariam por chegar à final da prova, que perderam frente ao PSV Eindhoven, nas grandes penalidades.



A Final de 1983

O bilhete do jogo da 1ªMão, em Heysel

35' Shéu Han empata a eliminatória, no Estádio da Luz.

Shéu festeja com Humberto Coelho e Carlos Manuel o golo do 1-0

38' Lozano empata, após centro largo de Vercauteren. Balde de água fria na Luz, com o Anderlecht a assegurar a vitória na Taça UEFA 82/83

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Noite de regressos
sexta-feira, 30 abril 2004

O jogo de hoje à noite, frente ao FC Porto, vai trazer de volta a Vila do Conde, quatro antigos atletas do Rio Ave: José Mourinho, Baltemar Brito e António André - todos eles na equipa técnica bi-campeã nacional - e ainda o jovem André Vilas Boas, que, apesar de contratualmente ligado ao Rio Ave, deverá ingressar, a partir do próximo Verão, de forma definitiva, nos quadros do FC Porto.

Mourinho: das reservas do Rio Ave ao 'estrelato'

José Mourinho no Rio Ave Mourinho: pai e filho

Em 1981/1982 o Rio Ave regressava ao convívio dos 'grandes'. O autor da proeza foi José Mourinho Félix, mais conhecido por Félix Mourinho, que, durante a temporada anterior, substituira Fernando Cabrita no comando técnico do clube vila-condense. A história da substituição do técnico, a meio da época 1980/1981, não deixa de ser curiosa: Cabrita estava a atingir o objectivo a que se propusera - o Rio Ave era 1º na 2ª Divisão Zona Norte - mas os adeptos estavam insatisfeitos com as exibições e opções do técnico e a política de aquisições do treinador também era muito criticada. Assim, Mourinho chega ao Rio Ave à 20ª Jornada, e apesar da má estreia (empate caseiro com o Fafe), consegue segurar a liderança e a subida de divisão.

No ano do regresso à divisão maior, foram várias as aquisições: entre elas, figurava o nome de José Mário dos Santos Mourinho Félix, filho do treinador, antigo júnior do Belenenses, na altura com 18 anos, que vinha reforçar o plantel reservista do Rio Ave, enquanto estudava no ISEF.

Na verdade, Mourinho limitava-se a treinar e nem sempre jogava, às quartas feiras, pelas reservas do clube, mas na deslocação a Belém, jogo que encerrava a 1ª volta do campeonato, com o Rio Ave num brilhante 3º posto, o seu pai, antiga glória do emblema do Restelo, convocou-o para essa partida e José Mourinho sentou-se no banco, como prova a ficha do jogo, retirada do jornal 'Informação Vilacondense' que a seguir apresentamos:

José Mourinho no Rio Ave

José Mourinho no Rio Ave

José Mourinho no Rio Ave

Nesse dia 16 de Janeiro de 1982, Mourinho sentou-se no banco, mas não chegou a entrar, naquela que terá sido uma 'prenda' antecipada de aniversário, pois o jovem jogador, 10 dias depois, completaria 19 anos. Só que não mais o voltou a fazer, isto apesar de ter sido convocado para a partida da 29ª Jornada, frente ao Sporting, em Alvalade, jogo que marcava a festa do título dos 'leões'. O Rio Ave foi 'brindado' com um terrível 1-7, que, no entanto, não apagou a época brilhante do clube vila-condense, que alcançou a sua melhor classificação de sempre - o 5º lugar. Mas um episódio marcou os momentos antes do jogo: Félix Mourinho, à partida, dera indicações que o seu filho seria o 17º jogador - ou seja, ficaria a ver o jogo da bancada. Só que, momentos antes da partida, José Maria Pinho, o presidente do Rio Ave na altura, reparou que Mourinho filho estaria entre os 'eleitos', devido a uma lesão do central Figueiredo, e não ficou satisfeito com a situação: desceu até aos balneários e deu ordem para que o jovem José se desequipasse. Mourinho pai acatou a decisão presidencial e o 'sonho' de estreia na divisão maior de José Mourinho ficou, como jogador, eternamente adiado, isto apesar de ter rumado, na temporada seguinte, ao Belenenses, que, entretanto, caíra na 2ªDivisão.

Nessa partida de Alvalade, disputada a 16 de Maio de 1982, o Rio Ave alinhou com: Trindade - Sérgio, Brito, Dias, Duarte - Quim, José Manuel, Adérito, Cabumba - Paquito, Álvaro. Dodat e Válter foram os suplentes utilizados. O golo do Rio Ave foi apontado por Álvaro, enquanto que pelo Sporting os marcadores foram Jordão - fez 5 golos - e Manuel Fernandes, que bisou.

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Ivan Matic: o estrategIC
sexta-feira, 12 setembro 2003

Milinkovic decide abandonar a amada Chaves, rumando até território espanhol, criando um vazio na famosa e mítica posição "10". O filão "ex-jugoslavo" - expressão muito cara aos dirigentes portugueses nos 90's - era a solução desejada e a cassete milagrosa lá chegou às mãos de Álvaro Magalhães que lutava com unhas - ele até tem onze nas mãos - e dentes pela manutenção.

Matic. Ivan Matic. O seu nome começado por "M", acabado em "ic", aproximava-o de MilinkovIC, assim como a sua respeitosa envergadura física (1,85/83), pois para "cérebros tarrecos" lá chegaria o tempo do ex-Celta, Carlos Alvarez.

O sempre prestável presidente Luis Carneiro até terá mesmo confessado, a propósito da aquisição de Matic, que "este até tem um nome mais fácil de dizer que o outro". A camisola "10" estava entregue então a Ivan Matic, um ex-Hadjuk Split, mas pouco. Pouco? Pois, é que em Split poucos se lembrarão de o ter visto actuar com a camisola mais amada da mui bela cidade croata que viu nascer, em Abril de 1971, tão cerebral rebento. Infelizmente para as cores flavienses, cedo se percebeu que Matic, o Ivan no balneário, estava bem distante do Niko, o marido de uma campeã de basquete jugoslava. Matic até era canhoto, mas desde logo os "índios" flavienses começaram a usar expressões como "este é mais lento que a minha falecida avózinha". Que Deus a tenha em paz e sossego.

Matic era defacto lento. Sem velocidade, sem chama e sem talento. Do seu pé esquerdo nem um golo saiu para amostra em duas temporadas e foi-se arrastando lentamente até à dispensa em direcção aos Açores, ao Operário. Mas operariado e Matic realmente não combinavam. Matic nunca foi homem de correr atrás da bola, mas, em abono da verdade, também nunca teve tempo para correr com a bola. Era tudo uma questão de desarme, de pressão e o bom do Matic lá ficava a ver os navios passar.

Desconhecemos se terá regressado à sua Croácia de navio, no entanto, sabemos que andou a arrastar-se, pós-Operário, em clubes da dimensão de um NK Posusje e de um NK Marsonia, clube pelo qual - pasme-se! - apontou 4 golos, mas também deixou marcas do seu mau feitio, com alguns cartões vermelhos a serem-lhe exibidos. Esse facto ter-lhe-á valido a dispensa e, segundo o que conseguimos apurar, o bom do Ivan, aos 32 anos, anda a procurar clube. À atenção, é claro, de alguns clubes da 2ªB e 3ª Divisão portuguesas que ainda procurem um estrateg"ic".

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Pedro Miguel: o cigano da bola
quarta-feira, 9 julho 2003

Este post vai direitinho para os nossos colegas da Caderneta da Bola, pelo fantástico post sobre este jogador, Pedro Miguel, o génio incompreendido. Avançado possante, Pedro Miguel adaptava-se facilmente a várias posições: podia ser "9", "10", "7", mas a sua predilecção sempre foi a "11". Rápido, possante - por vezes excessivamente pesado - e com um remate de pé esquerdo demolidor, este misto de Futre interrompido com Derlei antes do tempo, acabou por nunca se impor na divisão maior do nosso futebol, apesar de alguns laivos estrondosos de grande futebol. A sua época de ouro - 1993/1994 - quando levou o União de Leiria ao colo na subida à 1ªDivisão. 13 golos e mais uma dezena de assistências, numa época assombrosa, onde Pedro Miguel foi gigante - e explanou o futebol que dele sempre se esperou, mas que nunca mais foi capaz de dar. Cabeça pequena - diziam uns, mas aquele pé esquerdo é inesquecivel. Tão inesquecivel como os seus portentosos golos à "Paulo Futre em finais de Taça" - que para Pedro Miguel, em 93/94, eram o pão nosso de cada dia. Pedro, filho do Barreiro, aos 33 anos, ainda vai espalhando pozinhos - cada vez menores - do seu futebol, no Amora, clube onde se fixou. Um enorme bem haja para Pedro Miguel, o cigano da bola - porque nós nunca nos esqueceremos de ti.

Currículo:

PEDRO MIGUEL
(Pedro Miguel Cerqueira Nunes)
1/7/1970 no Barreiro

1ºClube Sporting
1985/86 Sporting Juv
1986/87 Sporting Juv
1987/88 Sporting Jun
1988/89 Sporting Jun
1989/90 Barreirense II 15 -
1990/91 Barreirense II H 16 1
1991/92 U.Leiria II H 29 6
1992/93 Salgueiros I 5 1
1993/94 U.Leiria II H 32 13
1994/95 U.Leiria I 15 1
1995/96 Braga I 23 3
1996/97 Belenenses I 18 4
1997/98 U.Leiria II H 2 -
Dez.97 Feirense II H 9 1
1998/99 Amora II B
1999/00 Amora II B
2000/01 Amora (?)
2001/02 Amora (?)
2002/03 Amora

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Remco Boere: o holandês voador [a pedido expresso do Luis Sousa]
terça-feira, 8 julho 2003

Remco Boere quando representava o Den Haag

16ªjornada do Campeonato Nacional 1991/1992 . O FC Porto, comandado por Carlos Alberto Silva, recebia, nas Antas, o "desesperado" Gil Vicente, comandado por António Oliveira. Jogo aparentemente fácil, numa noite fria, de Inverno. O polémico "Professor Astromar" decidiu complicar, lançando na frente do ataque o búlgaro - e vulgar - Mihtarski, em detrimento do "herói" Domingos e o FC Porto ressentiu-se disso, realizando uma primeira parte muito fraca, perante um Gil Vicente bem fechado, onde pontificava a dupla de centrais Miguel e Eliseu, em noite inspirada. Na frente do ataque, o "jovem e promissor" Capucho tentava servir, sem quaisquer resultados práticos, o "gigante" Armando, uma pérola africana, cujos melhores dias se tinham passado nos 80's de Vidal Pinheiro. Na segunda parte, já com Domingos e o "cerebral" Tozé em campo, o FC Porto apertou, criou imensas oportunidades, mas quando Miguel e Eliseu não apareciam, o "veterano" Quim resolvia o assunto. Entretanto, Oliveira já lançara em campo, o "mito" zairense Mangonga, o tal que era mais veloz que a própria sombra. Minuto 89. Oliveira, com o empate na mão, decidiu queimar a sua última substituição. Retirou de campo o desgastado Armando, lançando um ponta de lança holandês, de seu nome completo Remco Ernest Jan Boere, que até aí ainda não tinha mostrado motivos que justificassem a sua contratação, aos gregos do Iraklis. No entanto, apenas interessava queimar tempo. Tudo parecia resolvido, até ao momento em que, num lance de bola parada, a bola é centrada para a área gilista, só que o centro de Vlk saiu tão torto que a bola ficou completamente fora da área da acção dos avançados, mas Remco Boere, que ainda não tinha tocado na bola, decidiu saltar com os braços no ar e desviou o esférico com a mão. Ninguém, até hoje percebeu, porquê - ou talvez não. O que é certo é que Boere fazia penalty, ao minuto 90, e era expulso pelo "saudoso" Donato Ramos, um árbitro viseense que deixou marcas na arte do pior apitar. Boere estava desesperado: na conferência de imprensa final, até disse que Donato Ramos era mais cego que o Ray Charles. Coitado do Ray, ó Remco. Remco Boere fazia assim uma das grandes penalidades mais absurdas de sempre. Tão absurda, como nítida. E o mítico "capitão" João Pinto, na sua forma habitual, fazia o 1-0, que evitava o escândalo que já poucos acreditavam ser possivel evitar. António Oliveira saia de campo visivelmente agastado.

E, Remco Boere?

O "holandês voador" chegou a Barcelos, já depois do campeonato começar. Altíssimo, lentíssimo e tosquíssimo, nunca mostrou a capacidade goleadora, que o trazia até Barcelos, proveniente do Iraklis, da Grécia. Remco, na altura com 30 anos, era tecnicamente limitadissimo e poucos se lembrarão do único golo que apontou em Portugal, nos 8 jogos que realizou. Foi frente ao Braga, em Barcelos, à 18ªjornada, numa derrota caseira por 2-3. Chiquinho Carlos, o matador brasileiro que raramente sujava os calções, fez um hat-trick. Boere, que entrara aos 70 minutos, para o lugar de Camberra, fez o 2-3 final, aos 86 minutos. De nada lhe valeu.

Mas afinal, quem era Remco Boere?

Era um ponta de lança holandês, que tinha feito carreira na segunda divisão do seu País, sobretudo na primeira metade da década de 80, sagrando-se, duas vezes, melhor marcador do campeonato da segunda divisão: em 83/84, ao serviço do Vitesse, fez 27 golos ; em 85/86, ao serviço do Den Haag, fez 28 golos. Depois, carreira em decréscimo acentudado: passou pelo FC Zwolle, AA Gent (Bélgica), Iraklis (Grécia) e, finalmente, o Gil Vicente.

E, hoje, onde parará Remco Boere?

Remco Boere

Pois é, o Terceiro Anel, descobriu o paradeiro de Remco Boere, para gáudio do Luis Sousa. Remco, hoje com 42 anos e já sem a longa melena, é o "Mister" Boere e orientou, até há pouco tempo, uma equipa das divisões secundárias do futebol holandês: o simpático VV Nunspeet.

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